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TEMA 5
ATOS PRIVATIVOS DE ADVOGADO

O art. 1º do Estatuto da Advocacia e da OAB trata dos atos privativos de advogado, ou se-
ja, daqueles que somente podem ser praticados por pessoas devidamente inscritas no quadro
de advogados da OAB, após terem preenchido as exigências do seu art. 8º.
Podemos dizer que, no inciso I, estão os atos judiciais (“a postulação a qualquer órgão do
Poder Judiciário e aos juizados especiais”) e, no inciso II, os atos extrajudiciais (“consultoria,
assessoria e direção jurídicas”). Vejamos alguns comentários acerca desses dispositivos:

“Art. 1º São atividades privativas de advocacia”:


I – a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais.
Em relação a este inciso I, do art. 1º do Estatuto, foi proposta, pela Associação dos Magis-
trados Brasileiros (AMB), a ADI nº 1.127-8, tendo o STF declarado a inconstitucionalidade da
expressão “qualquer”. Com razão, pois há hipóteses previstas em lei em que a pessoa pode ir
ao Poder Judiciário sem estar representada por um advogado. Essas hipóteses são verdadei-
ras exceções os ius postulandi do advogado, que serão analisadas mais adiante, em item pró-
prio.
O advogado pode postular em juízo ou fora dele fazendo prova do mandato que lhe foi ou-
torgado. Todavia, afirmando urgência, pode atuar sem procuração, obrigando-se a apresentá-la
no prazo de 15 (dias), prorrogável por igual período (art. 5º, § 1º, EAOAB). Saliente-se que,
nesse ponto, o Estatuto não traz a exigência mencionada no art. 104, § 1º, do CPC/2015, de
que haverá necessidade de “despacho do juiz” para que o prazo seja prorrogado.

“Art. 104. O advogado não será admitido a postular em juízo sem procuração, salvo para
evitar preclusão, decadência ou prescrição, ou para praticar ato considerado urgente.
§ 1º Nas hipóteses previstas no caput, o advogado deverá, independentemente de cau-
ção, exibir a procuração no prazo de 15 (quinze) dias, prorrogável por igual período por
despacho do juiz.
§ 2º O ato não ratificado será considerado ineficaz relativamente àquele em cujo nome foi
praticado, respondendo o advogado pelas despesas e por perdas e danos.”
Entendemos que, por se tratar o EAOAB (Lei nº 8.906/94) de lei especial, cuja finalidade é
garantir o bom desempenho da advocacia – função essencial à Justiça – tal exigência de ter
despacho do juiz não deve prevalecer, bastando ao advogado informar a necessidade e o direi-
to de prorrogação antes de expirar o primeiro prazo. É um direito do advogado e não deve de-
pender de aprovação do juiz! Este é o nosso entendimento, que deve ser adotado caso a ques-
tão do Exame de Ordem peça: “marque a resposta correta de acordo com o Estatuto da Advo-
cacia e da OAB”.
Entretanto, caso a pergunta venha a ser feita na parte de Direito Processual Civil, reco-
mendamos que os candidatos sigam o art. 104 do CPC/2015, ou seja, é prorrogável por des-
pacho do juiz. Realmente este é um ponto delicado, mas até as provas de hoje, sempre que a
questão pediu “de acordo com tal lei”, deveríamos seguir à risca a letra da lei na hora de assi-
nalar a resposta. Pode até ser que a banca venha a fazer de forma diferente, mas, repito, até
hoje foi assim.
Advirta-se que, na instância especial os tribunais não têm admitido a interposição de recur-
so por advogado sem procuração nos autos (Súmula 115 do STJ).

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A propósito:
STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL AgRg no
AREsp 669129 SP 2015/0020599-1 (STJ)
Data de publicação: 20/04/2015
Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCU-
RAÇÃO E OU SUBSTABELECIMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 115/STJ. INCIDÊNCIA. 1.
A ausência de procuração ou substabelecimento conferindo poderes ao subscritor do
agravo regimental atrai a incidência da Súmula 115 deste Superior Tribunal, segundo a
qual: “Na instância especial é inexistente recurso interposto por advogado sem procura-
ção nos autos”. Precedente. 2. Agravo regimental não conhecido.
II – as atividades de assessoria, consultoria e direção jurídicas.

Embora sejam atividades extrajudiciais, apenas podem ser exercidas por advogado regu-
larmente inscrito na OAB.
Assessoria e consultoria são atividades distintas. Paulo Lôbo 1 explica: “assessoria jurídica
é espécie do gênero advocacia extrajudicial, pública ou privada, que se perfaz auxiliando quem
deva tomar decisões, realizar atos ou participar de situações com efeitos jurídicos, reunindo
dados e informações de natureza jurídica, sem exercício formal de consultoria. Se o assessor
proferir pareceres, conjuga a atividade de assessoria sem sentido estrito com a atividade de
consultoria jurídica”.
A atividade de direção jurídica também é privativa de advogado. Os departamentos jurí-
dicos de empresas só podem ter como diretores jurídicos profissionais regularmente inscritos
no quadro de advogados.
O art. 7º do Regulamento Geral enfatiza: “A função de diretoria e gerência jurídicas em
qualquer empresa pública, privada ou paraestatal, inclusive em instituições financeiras, é priva-
tiva de advogado, não podendo ser exercida por quem não se encontre inscrito regularmente
na OAB.”
Veja que o cargo de gerência jurídica também é privativo do advogado, de acordo com este
art. 7º do RG. O EAOAB não menciona este cargo (gerência jurídica), mas o RG sim!
Atos e contratos
O parágrafo 2º do art. 1º do Estatuto da Advocacia prevê mais um ato privativo de advoga-
do: os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas somente podem ser admitidos a re-
gistro nos órgãos competentes (juntas comerciais, cartórios de registro civil de pessoas jurídi-
cas) após visados por advogados. Na ausência deste “visto”, por advogado, o Estatuto consi-
dera nulos tais atos.
Advirta-se que este visto não se resume à simples rubrica do advogado. O profissional
deve, cuidadosamente, e com total responsabilidade, analisar de forma integral o seu conte-
údo. Quis assim o legislador evitar (ou pelo menos diminuir) o risco de futuros problemas ou
conflitos decorrentes do contrato. A razão não é para reserva de mercado da advocacia. A
questão é de absoluta ordem pública. No final, ganha a sociedade. Quando um advogado
analisa o contrato e dá o seu “aval” com o visto, a chance de dar algum problema diminui
bastante.
Entretanto, a Lei Complementar nº 123/06, no art. 9º, § 2º, trouxe uma exceção a essa exi-
gência, determinando que “não se aplica às microempresas e às empresas de pequeno porte o
disposto no § 2º do art. 1º da Lei nº 8.906/94”, ou seja, nesses casos não se exige o visto do

1. LOBO, Paulo em “Comentários ao Estatuto da Advocacia e da OAB”. Editora Saraiva. São Paulo. Página 21.

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advogado. Isto ocorre porque, nessas situações, o registro é mais simples, muitas das vezes
se realizando com o mero preenchimento de formulários já padronizados.

Exceções ao ius postulandi do advogado.


Via de regra, o ius postulandi (capacidade postulatória, capacidade de representar alguém
em juízo) é do advogado. Porém, há casos em que a parte pode ir ao Judiciário sem constituir
advogado. Senão vejamos, tais como nos JEC, HC e Justiça do Trabalho.

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