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Capítulo 1 – Lean “Potter” e a aula de Ed.

Física
Jacques Paredes
*

A campainha do primeiro horário tocava e eu corria pelas escadas vazias para chegar
ao segundo andar, em minha sala, a tempo. Definitivamente odiava o primeiro dia de aula.
Acordava tarde, resultando em meu atraso e em bronca dos professores, e isso logo no
primeiro dia, só para lembrar. E ainda, enquanto todos falavam entre si de suas férias, a minha
pessoa era obrigada a ficar só ouvindo, sem poder comentar o quanto minhas férias foram
horríveis, ao contrário deles.

E, para piorar, era o primeiro ano do ensino médio.

Pela primeira vez em quase quatro anos seguidos, cheguei à sala antes do primeiro
professor. Todos ainda estavam em pé ou sentados informalmente nas cadeiras, tagarelando e
deixando o som da sala perturbador. Admito que estava irritado, mas não faria muita
diferença.

Olhei em volta da sala para procurar uma mesa vazia. Minha mochila da Nike pesava
em meus ombros magros e cansados depois da breve corrida nas escadas, mas não pensava
em nada e nem reclamava. Encontrei seis mesas vagas. Duas na primeira fileira, uma bem no
meio de tanta bagunça e três no fundo, cercando um garoto novato de óculos pretos, que
pareciam ter sido comprados numa loja de pneus, e cabelos curtos, provavelmente cortados
por um barbeiro barato. Não que eu, Jacques Paredes, morador dessa cidade esquecida,
Belém, fosse rico, mas tanto desleixo mesmo tendo condições viáveis para não parecer um
mendigo irritava.

Sentei-me ao lado do novato, e baixei a cabeça como ele, antes que a aula começasse,
afinal, não dormira nem quatro horas do dia anterior para este dia. Não demorou muito e ouvi
a porta sendo batida e escutei o tão querido silêncio. O professor acabara de chegar, mas
parecia que minha cabeça não estava disposta a levantar e assistir a aula.

Ainda restava um pouco de forças em mim. No quadro, escrito: Literatura – Professor


Teixeira, em letras redondas. Passei a vista ao meu redor e notei que todos já estavam
sentados em suas mesas, silenciosos e aparentemente comportados, parecendo patricinhas e
mauricinhos com os uniformes azul e branco, mesmo sabendo que eu estaria como um
também.

Ao meu lado, o novato já com um caderno aberto na primeira página e a caneta à mão,
preparado para anotações. Ele não sabia que nas primeiras aulas dos professores eram quase
completamente apresentações? O que anotaria? A vida do professor Teixeira?

Tentei levantar mais minha cabeça e fingir que estava consciente para o professor.
Parecia que adoravam arrumar confusão comigo, apesar de saberem que não daria em nada.
O educador de literatura era baixinho, com uma cara séria, o que explicava o
comportamento dos outros alunos, e possuía cabelo repleto de gel formando um topete estilo
Elvis Presley. Também era notável uma barriga gigante, deixando-o com ar de grávido.
“Grávido de gêmeos”, pensei logo.

E começou a falar. Não entendia uma palavra, mas não parecia apresentação, e sim
uma aula mesmo, e todos já tomavam notas. Peguei meu caderno rapidamente, numa
tentativa desesperada de não arrumar briga com o professor de novo. E não demorou muito
para notar que apesar de ter começado a aula há pouco tempo, já fora ditada bastante
matéria.

Fui bisbilhotar no caderno do novato, para ver se podia acompanhar o professor se


copiasse o que perdi nos poucos segundos de cochilo.

- Espere eu acabar de escrever para copiar, Jacques – falou numa voz extremamente
baixa, mas de algum modo bem auditível.

- Hã...? Como você sabe meu nome? – Já ouvi essa frase dita em algum filme... Ah sim,
em vários. Clichê aos extremos. De qualquer modo, nunca tinha o visto na vida (ou seja, em
catorze anos), como ele poderia saber meu nome? Só havia um modo plausível: - Estavam
espalhando fofoca de mim de novo, por acaso? – na minha cabeça era certeza disto.

- Ah desculpe, sou Lean, novato aqui, como você já percebeu – continuou tomando
notas, mesmo enquanto falava. – E não, não estavam espalhando fofocas de você, é que
simplesmente sabia quem era você e já lhe esperava – que clichê. Muito.

- E eu repito: hã?

- Depois explico, não dá para falar e escrever ao mesmo tempo – disse com um pouco
de rudeza, mas, apesar do meu stress de primeiro dia de aula, não me incomodei.

Esperei – quase – pacientemente a aula de literatura acabar e vi no caderno do novato


que teria que copiar umas duas ou três páginas, muito trabalho pela frente.

- Tome, pode copiar – disse, entregando-me o caderno.

- Valeu – peguei sem ânimo o caderno e comecei a copiar.

- Quer que lhe explique como sei seu nome? – interrogou sem sequer olhar a minha
face ou eu a dele.

- Tudo bem, fale enquanto copio – disse, mal escrevendo duas palavras. Vai demorar,
pensei comigo mesmo.

- Você acredita em sobrenatural? – perguntou-me, agora me encarando de um jeito


que me fez logo pensar que ele era o satã ou coisa parecida e, se não fosse por eu ter que
copiar aquelas três páginas, já teria corrido para bem longe.

- Depende.
- Em profecias?

- Só nos segredos de Fátima, e só – tinha copiado três linhas. Faltavam duas páginas e
catorze linhas. Repito: odeio primeiro dia de aula. Mesmo.

- Então você é católico?

- Por parte, não acredito em tudo que dizem – olhei-o apenas pelo canto, por garantia
que não me atacaria se fosse de determinada religião.

- Acreditaria se dissessem que muita coisa que ensinam, inclusive pelos seus pais, não
estaria certa? – agora ele estava mudando para o quê observava constantemente. – Mas que
ao mesmo tempo não estaria errada?

- Vai-me dizer que existe um Matrix, que sou um escolhido e preciso me libertar? –
ironizei.

- Basicamente, é isso – deu um riso curto, o que assustou um pouco.

- Você é estranho – comentei. Por mais que eu fosse também estranho, ele era bem
mais, algo difícil de acontecer.

- Não vai achar isso por muito tempo – falou, tocou seu caderno de volta e o puxou
para si.

- Ei! Ainda não... – comecei, tentando puxar o caderno de volta.

- Acabou sim, pode ver – falou não num tom provocativo, mas num tom de quem
estava falando sério e que tinha certeza do que falava.

E olhei, só para constar. Tinha mesmo acabado, mesmo que antes pensasse ter
chegado somente a metade da primeira página. Ou eu estava doido, ou esse menino
realmente não era normal.

- Como...?

O próximo professor chegou e fiquei quieto pelo resto do dia. Não foi tão esquisito
assim, mas, ainda sim, fiquei surpreso. Fora o fato que o único professor que passou matéria
foi o de literatura, o resto tudo apresentação - só sabia disso porque não ouvi o barulho de
cadernos sendo abertos -, o que me permitiu repor as horas de sono perdidas.

Mas, uma coisa mesmo esquisita, foi o sonho que tive nesse intervalo de tempo. Nele,
me encontrei com alguém com longas vestes escuras, quem não pude dizer se era do sexo
masculino ou feminino. E também falei algo com este indivíduo, mas não me lembro o quê.
Zero. Nada de informação me lembrava exceto que, após isso, fui para minha casa, entrei em
meu quarto jogando a mochila em um lugar qualquer e que me observei, de costas nuas, no
espelho da porta do guarda-roupa. Lá, havia pequenas marcas negras que imediatamente
cresceram num par de asas brancas e cintilantes.
Das vezes que dormira em sala de aula, nunca sonhei – exceto por alguns bizarros que
eu era perseguido por professores. Mas, então, por que justamente depois de falar com esse
tal de Lean? Estranhamente, suspeitava que isso tinha a relação com algo. Algo que eu
precisava saber, e o novato sabia. Achava que estava ficando louco. Por que estava tão
preocupado com isso mesmo?

O sinal do último horário tocou. Acordara pouco antes, logo depois do intervalo, mas
continuei de cabeça baixa, pensando e, por sorte, nenhum dos professores me percebeu.

Arrumei meu material – na verdade só joguei o caderno e o estojo para dentro da


mochila – e fui saindo da sala, calmamente em meio daquele alvoroço desesperado.

- E então, sonhou que o Mestre lhe dava asas? – Lean perguntou. Estava realmente
estranhando esse garoto.

- Certo, agora estou assustado.

- Quer que termine de explicar?

- Certo, explique... – segurei a alça da mochila em minhas costas, isso parecia diminuir
o nervosismo que sentia.

- Você sabe que Deus nos criou, humanos, como a imagem e – deu uma estranha
ênfase no “e” – semelhança dele?

- Sim... – segurei a alça com mais força.

- O que você acha que seria essa semelhança?

- Pergunta menos e fala mais, não sei de nada – não queria participar de seu estranho
diálogo, preferia um monólogo.

- Certo, certo. Essa semelhança é o poder de alterar o real, como dizem. Não somos
tão poderosos quanto o nosso Criador, isso é certo, mas podemos usar essa semelhança se a
liberarmos – deu uma pausa e olhou para mim, como se quisesse ver se eu não estava
assustado e, apesar de realmente estar, não notou. – Isso está mais presente no nosso
cotidiano do que você imagina. Como os padres benzem? Como acontecem os ditos milagres?
E outras coisas mais...

- Você ainda não disse como você sabia meu nome, e nem o que tem haver profecias
nisso – isso era o que queria saber.

- Não é lógico? Você está incluído em muitas profecias, inclusive nos segredos de
Fátima – congelei nesse momento. Temia que ele dissesse isso, deveria chamá-lo de doido,
mas algo em mim dizia que ele não inventava nada. – Basicamente, você é um dos escolhidos
de cada cem anos para salvar o planeta, e terá que salvar a humanidade ao completar a
maturidade, provavelmente aos dezoito anos, segundo a cultura e o calendário Maia.
Não falei nada. Deveria chamá-lo de doido e ir para bem longe dele, mas não consegui
falar nada. Seria porque realmente era verdade...? Ou... Apenas estava gostando de ser
importante?

- Jacques? – ouvi sua voz de preocupação. Ele notara meu nervosismo. Talvez porque
eu estivesse parado em meio ao corredor que levava à saída.

- Certo, certo, vou fingir que acredito – disse após respirar fundo.

- Mas veja bem o que está acontecendo... Crise mundial na economia, igual à quebra
da bolsa de Nova York anos atrás, várias profecias se interligando: a Maia, as de sociedades
secretas, o próprio terceiro segredo de Fátima, e tudo apontando a você, o Equador, filho de
Capricórnio e Câncer; Pessoa que passou sete vezes, o número perfeito, perto da morte;
Pessoa cuja data de nascimento foi o real dia que Jesus nasceu e também a cidade, o mesmo
nome onde Ele nasceu... Aceite isso, você terá que salvar esse mundo, prestes a apodrecer.

Quando me dei conta, já estava correndo para fora do colégio, abrindo a porta dupla
numa velocidade que nunca tinha feito antes. Esse garoto me assustava, e sabia mesmo de
muitas coisas que poderiam causar nisso... E mais, como ele sabia que meus pais eram de
Capricórnio e Câncer, ou seja, eu era a linha do Equador no mapa-múndi?... E a data do meu
aniversário? E também que quase passo dessa para melhor sete vezes? E o mais importante: o
meu nome?

Por sorte, onde morava não era muito longe do colégio, só tinha que passar pela rua
do colégio, a praça, o Mcdonalds e chegava ao meu prédio.

Basicamente corri até em casa, sem me importar muito com os sinais ou com as
pessoas ao meu redor. Se fosse assaltado, provavelmente nem me daria conta. Nem pensei em
nada a caminho, e tentava controlar minha respiração, para ver se me acalmava. Graças a
tentativa, cheguei ao meu prédio em meio tempo.

O portão não passava de três entradas: uma normal, outra para deficientes e outra
para carros, todos cercados por uma grade marrom já descascando de tão velha.

Apertei a campainha e o porteiro abriu o portão principal para mim, e entrei sem
hesitação, sem ao menos saber se alguém chegava junto comigo. Pela primeira vez nem disse
uma “boa tarde” ao porteiro e fui direto aos elevadores.

Havia um elevador parado no térreo. Alcancei-o a tempo, antes que se fechasse, e só


havia uma senhora dentro. Ao contrário do que fiz com o porteiro, dei boa tarde, já que se
fosse uma daquelas senhoras fofoqueiras do prédio, eu levaria uma bronca de minha mãe.
Apertei o décimo andar e ela o nono, parecia que só para perturbar a paciência – ela não
poderia ser do último andar para não ter que esperar?

O elevador parecia com defeito ou coisa parecida, pensava que já tinha passado horas
lá dentro e o mostrador de andares dizia ainda que estava no quinto andar. Tentei me acalmar
novamente, talvez fosse esse nervoso sem motivo, e pareceu que, como antes, passou mais
rápido. A senhora abriu a porta e saiu do elevador, mas antes de fechar a porta, falou algo que
só me fez temer mais.

- Não lute contra seu futuro, meu jovem – foi o que ela falou segundos antes de fechar
a porta.

- Tudo bem... Até logo – falei com um sorriso frouxo no rosto.

Congelei de novo. E de novo. Segurei a alça da minha mochila com tanta força que
nem sentia mais minhas mãos. Tudo estava ficando cada vez mais estranho. Tudo começou
normal: tive que correr para tentar chegar a tempo na aula, ninguém procurava falar comigo...
Mas realmente cheguei a tempo na aula, sendo que a primeira aula foi matéria, pude repor
minhas horas de sono sem levar bronca e, para completar, aquele cara estranho.

Abri a porta do meu apartamento e vi que a empregada estava na cozinha. Avisei que
tinha chegado e fui direto ao meu quarto. Dada à velocidade que tinha chego, ainda tinha uns
minutos antes do almoço.

Lembrei-me logo do sonho que tive naquele cochilo durante as apresentações dos
professores. Abri meu armário na porta que tinha um espelho de corpo inteiro e analisei
minhas costas, só para ter certeza. Não vi nada, e senti um alívio. Troquei de roupa e fui dar
uma olhada na matéria nova de literatura. Abri meu caderno, mas não havia nada escrito. Mas
tinha certeza que copiara! Como isso...?

Esfreguei minhas pálpebras. Calma, provavelmente ainda estava em sala de aula,


dormindo e isso não passava de um sonho.

Não acordei. Isso era um problema. Fechei meu caderno e respirei fundo. Estava tudo
bem, só estava louco. Iria tomar um sossega-leão e tudo ia ficar normal de novo.

Abri meu caderno de novo, talvez então só tinha de começar a usar óculos. Agora
havia uma linha, uma frase na matéria de literatura.

Veja dentro de sua mochila e se acalme, era o que estava escrito. Fechei meu caderno
de novo, e senti um arrepiar pelo corpo. O que havia dentro da minha mochila? Um monstro
que ia comer até minha alma? Isso estava acontecendo tudo muito rápido, e mal passava do
dia de apresentações na escola. E continuava a pensar: ou eu estava louco, ou tudo isso ia me
deixar um.

Peguei minha mochila, sentei na poltrona de meu quarto, um dos quatro únicos
objetos do meu quarto: ela, a poltrona, a televisão, que ficava em cima de uma escrivaninha,
presente logo ao lado da minha cama.

As nuvens comuns em minha cidade começaram a se formar, escurecendo o meu


quarto. Nem notava mais isso. Apesar de meu coração ainda estar batendo a mil por hora, eu
estava mais calmo. Se acalme, uma voz falava em minha mente, e estava surtindo efeito.
Abri minha mochila novamente. Nada havia sumido. Meu caderno, meu tosco estojo
marrom quase partindo dessa para melhor, meus livros de Português, Matemática, Exemplar
dos Magos...

Exemplar dos Magos?!

Perdi o fôlego e a lógica por um instante. De algum modo, havia algo de anormal. De
outro, era perfeitamente aceitável e comum. E também não estava me sentindo um maluco.
Havia realmente algo de errado.

Se acalme, a voz repetia, serena e suave em minha cabeça. Com certeza não era meu
próprio pensamento, porque, se fosse, seria “Corre, Jacques! Corre!”.

Por instinto – e maldita curiosidade minha -, abri o livro. Não sei exatamente se foi
meu nervoso, mas parecia que o objeto era um buraco negro por dentro – e fui sugado numa
velocidade indescritível -. Não houve tempo sequer para pensar em reagir e já estava imerso
numa escuridão infinita.

A partir do instante seguinte, era impossível distinguir o real do sonho. No fundo da


escuridão, surgia Lean e outras seis pessoas atrás dele. Só pude reconhecer mesmo Lean, os
outros – ou outras, se fosse o caso - estavam cobertos por uma estranha sombra – mesmo não
existindo luz para projetá-las – que não deixava reconhecer os rostos ou qualquer parte do
corpo.

Nenhuma palavra foi dita, mas parecia que uma palestra fora dada. Não sabia ainda
coisa nenhuma, mas de algum modo parecia mais claro e natural para mim. Era oficial: estava
louco.

- Jacques! Sua mãe chegou! – a empregada gritou, colocando o gancho de volta ao


interfone (com grande dificuldade, dado ao tamanho dela).

Soltei um sopro de ar. Parecia que tinha parado de respirar por um bom tempo.
Felizmente, eu percebera que voltara ao real. Isso era um alívio, e ainda contava que fosse
tudo um sonho.

A calma tomara seu devido lugar em minha mente de novo, mas, de algum modo, o
medo ainda estava presente, ou, melhor, a ansiedade, não de modo positivo, mas como uma
agulha que perfurava lentamente minha pele.

Quando a campainha tocou, não me apressei para atender, sempre perdia meu ânimo
quando o assunto era almoço – com a minha mãe.

Como sempre, o almoço passou numa velocidade aparentemente interminável. Não


que não amasse minha mãe, claro que não, mas ter qualquer refeição com ela era um
pesadelo, não só pelo fato de ter que ser perfeito na etiqueta durante a refeição, como
também ter que ouvir a história inteira da metade do dia de trabalho dela sem poder falar do
meu.
Aproveitei este tempo torturante para recompor minha normalidade – o pouco que
restava -. Pensei um pouco. Mas tudo que passou – ou sonhei - no dia, inclusive o que Lean
falara, não saía da minha cabeça. Era uma lógica que o meu pequeno cérebro não podia ir
contra. Ou isso, ou estava gostando de ser importante.

Assim que vi minha mãe sair pelo velho elevador, fechei a porta, fazendo um estrondo
por causa da forte corrente de ar ainda presente. Não digo que corri para o meu quarto, assim
a empregada iria ver facilmente minha afobação, e não tinha uma boa desculpa no momento,
e sequer estava com cabeça para inventar uma.

Tranquei a porta do meu quarto, algo que raramente fazia e peguei o livro que, para
meu descuido, estava bem em cima da poltrona. Por sorte ninguém havia visto. Abri-o, assim
poderia ver se havia algo de diferente...

Nada. Não fui sugado novamente pelo buraco negro, e as páginas do livro estavam
completamente em branco.