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Direitos Reais

Relação das pessoas com as coisas:


Os bens que podem participar das relações jurídicas e podem integrar patrimônio,
juridicamente considerados, são as coisas que interessam para este estudo.
Homem primitivo.
Relação de senhoridade: regulamentação jurídica.
Previstos entre os arts. 1.196 e 1.510, no CC, o Direito das Coisas representa um
complexo de normas que regulamenta as relações dominiais existentes entre a pessoa humana e
coisas apropriáveis.
No Direito das Coisas há uma relação de domínio exercida pela pessoa (sujeito ativo)
sobre a coisa. Não há um sujeito passivo determinado, sendo este toda a coletividade (sujeito
passivo universal).
Conceito de direitos reais
O direito das coisas estuda a relação de senhoridade, de poder, de titularidade.
Apropriação (tomar como seu).
Pode-se conceituar os Direitos Reais como sendo as relações jurídicas estabelecidas entre
pessoas e coisas determinadas ou determináveis, tendo como fundamento principal o conceito de
propriedade, seja ela plena ou restrita. A diferença substancial em relação ao Direito das Coisas
é que este constitui um ramo do Direito Civil, um campo metodológico. Já os Direitos Reais
constituem as relações jurídicas em si, em cunho subjetivo.
Coisa e bem:
Coisa: corpóreo
Bem: incorpóreo
As vezes um é espécie e outro gênero e vice-versa, mas o que importa é a possibilidade de integrar
patrimônio.
Direitos reais e direitos pessoais
Direito real: coisa
Direito pessoal: relações humanas
Direito real: permanente
Direito obrigacional: transitório
Direito real: objeto individualizado
Direito real: finitos
Direito obrigacional: ilimitados
Primeira diferença: os direitos reais têm como conteúdo relações jurídicas estabelecidas
entre pessoas e coisas, sendo o objeto da relação jurídica a coisa em si. Já nos direitos pessoais de
cunho patrimonial há como conteúdo relações jurídicas estabelecidas entre duas ou mais pessoas,
sendo o objeto ou conteúdo imediato a prestação.
Segunda diferença: enquanto os direitos reais sofrem a incidência marcante do princípio
da publicidade ou da visibilidade, diante da importância da tradição e do registro, os direitos
pessoais de cunho patrimonial são influenciados pelo princípio da autonomia privada, de onde
surgem os contratos e as obrigações nas relações intersubjetivas.
Terceira diferença: os direitos reais têm eficácia erga omnes, contra todos (princípio do
absolutismo). Tradicionalmente, costuma-se afirmar que os direitos pessoais patrimoniais, caso
dos contratos, têm efeitos inter partes, o que é consagração da antiga regra res interalios e do
princípio da relatividade dos efeitos contratuais.
Quarta diferença: enquanto nos direitos reais, o rol é taxativo (art. 1.225 do CC); nos
direitos pessoais patrimoniais, o rol é exemplificativo, o que pode ser retirado do art. 425 do CC,
pela licitude de criação de contratos atípicos, aqueles sem previsão legal.
Quinta diferença: o fato de que os direitos reais trazem o direito de sequela, respondendo
a coisa, onde quer que ela esteja; enquanto que nos direitos pessoais há uma responsabilidade
patrimonial dos bens do devedor pelo inadimplemento da obrigação (art. 391 do CC).
Sexta diferença: o caráter permanente dos direitos reais, sendo o instituto basilar a
propriedade. Isso se contrapõe ao caráter transitório dos direitos pessoais, como ocorre com os
contratos.
Características dos direitos reais
Absolutismo: concedem a seu titular verdadeira dominação sobre o objeto. Eficácia “erga
omnes”. Oponibilidade erga omnes , ou seja, contra todos os membros da coletividade.
Sequela: os direitos reais aderem a coisa, sujeitando-a imediatamente ao poder de seu
titular, com oponibilidade “erga omnes”. Existência de um direito de sequela, uma vez que os
direitos reais aderem ou colam na coisa. Persegue o bem onde quer que ele se encontre,
independentemente de quem o detenha.
Preferência: direitos reais de garantia (credor pignoratício hipotecário). Previsão de um
direito de preferência a favor do titular de um direito real, como é comum nos direitos reais de
garantia sobre coisa alheia (penhor e hipoteca).
Taxatividade: os direitos reais são “numerus clausus”, de numeração taxativa. Obediência
a um rol taxativo (numerus clausus) de institutos, previstos em lei, o que consagra o princípio da
taxatividade ou tipicidade dos direitos reais. Todavia, como se quer demonstrar, essa obediência
vem sendo contestada.
Posse
Conceito de posse:
Poder físico sobre a coisa. Antigamente a posse era apêndice sobre a propriedade.
O direito não pode furtar-se de proteger estados de aparência, porque se busca em síntese
adequação social.
Cabe ao direito fornecer meios de proteção aos possuidores.
Venosa: “A posse trata de estado de aparência juridicamente relevante, ou seja, estado de
fato protegido pelo direito”.
Art. 1196, CC – conceito de posse.
Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou
não, de algum dos poderes inerentes à propriedade.
A situação de fato é protegida juridicamente: legítima defesa; desforço imediato;
reintegração (esbulho) e manutenção da posse (turbação); interdito proibitório (ameaça).
A posse pode ser conceituada como sendo o domínio fático que a pessoa exerce sobre a
coisa.
Teorias explicativas da posse:
Os elementos integrantes do conceito de posse são: CORPUS e ANIMUS.
Corpus: é a relação material do homem com a coisa. Contato físico, apreensão.
Animus: é o elemento subjetivo, vocativo.
Na compreensão desses dois elementos gravita a teoria da posse.
A- Teoria subjetiva clássica de Savigny:
A posse seria o poder que a pessoa tem de ter materialmente uma coisa, sentindo-se o
dono.
Corpus: controle material
Animus: vontade. P=C+A
OBS: * Projetou a autonomia da posse; * Nem todo possuidor quer ser dono; * O tratado da posse;
A posse pode ser conceituada como o poder direto ou imediato que a pessoa tem de dispor
fisicamente de um bem com a intenção de tê-lo para si e de defendê-lo contra a intervenção ou
agressão de quem quer que seja. Possui dois elementos, o corpus, elemento material da posse,
constituído pelo poder físico ou de disponibilidade sobre a coisa e o elemento subjetivo, o animus
domini, a intenção de ter a coisa para si, de exercer sobre ela o direito de propriedade.
B- Teoria objetiva de Ihering:
Obras: Fundamentos da proteção possessória.
Papel da vontade na posse.
P=C
Para constituir-se a posse basta que a pessoa disponha fisicamente da coisa ou que tenha
a mera possibilidade de exercer esse contato. Aqui é dispensada a intenção de ser dono, tendo a
posse apenas um elemento, o corpus, elemento material e único fator visível e suscetível de
comprovação. Este é formado pela atitude externa do possuidor em relação à coisa, agindo este
com o intuito de explorá-la economicamente. Aliás, dentro do conceito de corpus está uma
intenção, não o animus de ser proprietário, mas sim de explorar a coisa com fins econômicos.
* Em regra, o CC adota a teoria objetiva de Ihering, tendo como exceção a usucapião, em que
aplica-se a teoria subjetiva de Savigny.
Posse e Detenção
Qualificação da posse: reputa possuidor quem não tem contato físico. Ex:
desdobramento da posse: decorre de uma relação contratual, conferindo a alguém o contato físico
da coisa, a um terceiro a qualidade de possuidor; CONSTITUTO POSSESSÓRIO: operação
jurídica que altera a titularidade da posse, de maneira que, aquele que possuía em seu próprio
nome, passa a possuir em nome de outrem.
Desqualificação da posse: é quando o CC não reputa como possuidor quem tem o
contato físico. Ex. detenção (o detentor apreende a coisa por força de uma relação subordinativa
– caseiro); Atos de mera tolerância ou permissão (empréstimo, comodato).
Obs: em alguns momentos o CC vai qualificar ou desqualificar a posse.

Desdobramento
da posse: Locatário = possuidor direto; locador = possuidor indireto.

Caseiro = detentor;
Detenção Possuidor.

Fâmulo da posse (detentor): art. 1198, CC.


Fâmulo da posse é aquele que, em virtude de dependência em relação a uma outra pessoa,
exerce sobre o bem, não uma posse própria. MHD.
Art. 1.198. Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência
para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou
instruções suas.
Parágrafo único. Aquele que começou a comportar-se do modo como prescreve este
artigo, em relação ao bem e à outra pessoa, presume-se detentor, até que prove o
contrário.
Em suma, o detentor exerce sobre o bem não uma posse própria, mas uma posse em nome
de outrem. Como não tem posse, não lhe assiste o direito de invocar, em nome próprio, as ações
possessórias. Porém, é possível que o detentor defenda a posse alheia por meio da autotutela,
tratada pelo art. 1.210, § 1.º, do CC, conforme reconhece o enunciado 493: “O detentor (art. 1.198
do Código Civil) pode, no interesse do possuidor, exercer a autodefesa do bem sob seu poder”.
Natureza da posse:
Real, obrigacional ou mista.
Objeto da posse:
Súmula 228, STJ: “é inadmissível o interdito proibitório para a proteção de direito autoral”.
Classificação da posse
A- Desdobramentos da posse: Direta e Indireta.
Art. 1197, CC.
Art. 1.197. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente,
em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi
havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto.
Possuidor direto: imediato. Contato físico com a coisa. Posse Direta: aquela que é
exercida por quem tem a coisa materialmente, havendo um poder físico imediato. A título de
exemplificação, cite-se a posse exercida pelo locatário, por concessão do locador.
Possuidor indireto: mediato. É o próprio dono ou assemelhado que entrega o bem a
outrem. Posse Indireta: exercida por meio de outra pessoa, havendo mero exercício de direito,
geralmente decorrente da propriedade. É o que se verifica em favor do locador, proprietário do
bem.
Ações possessórias: CC e Enunciado 76.
EN. 76: O possuidor direto tem direito de defender sua posse contra o indireto, e este,
contra aquele.
Nesse contexto, tanto o possuidor direto quanto o indireto podem invocar a proteção
possessória um contra o outro, e também contra terceiros.
Temporariedade.
Relação jurídica real (penhor, usufruto).
Relação jurídica obrigacional (locação).
B- Posse justa e Posse injusta: Art. 1200, CC: Vícios redibitórios.
Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária.
Posse justa: é aquela em que a aquisição não repugna o direito, isenta de vício de origem,
posto não ter sido obtida pelas formas enunciadas no art. 1200, CC. Posse Justa: é a que não
apresenta os vícios da violência, da clandestinidade ou da precariedade, sendo uma posse limpa.
Posse injusta: é aquela que se instala no mundo por modo proibido e vicioso. Posse
Injusta: apresenta os referidos vícios, pois foi adquirida por meio de ato de violência, ato
clandestino ou de precariedade. Divide-se em 3 categorias:
- Violenta: uso de força. Posse Violenta – é a obtida por meio de esbulho, for força física ou
violência moral (vis). A doutrina tem o costume de associá-la ao crime de roubo.
- Clandestina: adquire-se as ocultas de quem exerce a posse atual, sem publicidade, mesmo que a
ocupação seja eventualmente constatada. Posse Clandestina – é a obtida às escondidas, de forma
oculta, à surdina, na calada da noite. É assemelhada ao crime de furto.
- Precária: resulta do abuso de confiança do possuidor que indevidamente retém a coisa além do
prazo avençado para o término da relação jurídica. Posse Precária – é a obtida com abuso de
confiança ou de direito (precário). Tem forma assemelhada ao crime de estelionato ou à
apropriação indébita, sendo também denominada esbulho pacífico.
OBS: De início, a posse, mesmo que injusta, ainda é posse e pode ser defendida por ações
do juízo possessório, não contra aquele de quem se tirou a coisa, mas sim em face de terceiros.
Isso porque a posse somente é viciada em relação a uma determinada pessoa (efeitos inter partes),
não tendo o vício efeitos contra todos, ou seja, erga omnes.
C- Posse de boa-fé e Posse de má-fé: Vícios subjetivos (diz respeito a convicção interna do
possuidor acerca da legitimidade de sua posse).
Arts. 1201 e 1202, CC.
Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que
impede a aquisição da coisa.
Parágrafo único. O possuidor com justo título tem por si a presunção de boa-fé, salvo
prova em contrário, ou quando a lei expressamente não admite esta presunção.
Art. 1.202. A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em
que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui
indevidamente.
Nesta hipótese, boa fé e má fé diz respeito ao conhecimento do possuidor ou não do vício que
incide sobre a coisa. Se sabe do vício está de má fé.
Justo título: Enunciado 303, JDC.
EN. 303. Considera-se justo título, para a presunção relativa da boa-fé do possuidor,
o justo motivo que lhe autoriza a aquisição derivada da posse, esteja ou não
materializado em instrumento público ou particular. Compreensão na perspectiva da
função social da posse.
Posse de boa-fé: presente quando o possuidor ignora os vícios ou os obstáculos que lhe
impedem a aquisição da coisa ou do direito possuído ou, ainda, quando tem um justo título que
fundamente a sua posse.
Posse de má-fé: situação em que alguém sabe do vício que acomete a coisa, mas mesmo
assim pretende exercer o domínio fático sobre esta. Neste caso, o possuidor nunca possui um justo
título. De qualquer modo, ainda que de má-fé, esse possuidor não perde o direito de ajuizar a ação
possessória competente para proteger-se de um ataque de terceiro.
Efeitos da Posse
1- Quanto aos frutos: periodicidade de sua produção e a preservação da substância da
coisa frutífera. Frutos naturais (são aqueles decorrentes da essência da coisa principal), frutos
industriais (são os que se originam de uma atividade humana), frutos civis (são os que têm origem
em uma relação jurídica ou econômica).
Frutos percebidos (são os já colhidos do principal e separados), pendentes (são aqueles que estão
ligados à coisa principal, e que não foram colhidos), colhidos com antecipação, percipiendos (são
os que deveriam ter sido colhidos, mas não foram).
- Possuidor de boa-fé tem direito: aos frutos colhidos/percebidos. Tem de restituir: os frutos
pendentes e colhidos com antecipação; depois de deduzidos as despesas de produção e custeio.
- Possuidor de má-fé: responde pelos frutos colhidos/percebidos e pelos frutos percipiendos
(deviam ter sido colhidos, mas não foram). Tem direito as despesas da produção e custeio
(enriquecimento ilícito).
Arts. 1214 a 1216, CC.
Art. 1.214. O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos
percebidos.
Parágrafo único. Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser
restituídos, depois de deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser
também restituídos os frutos colhidos com antecipação.
Art. 1.215. Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo
que são separados; os civis reputam-se percebidos dia por dia.
Art. 1.216. O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos,
bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se
constituiu de má-fé; tem direito às despesas da produção e custeio.
2- Quanto as benfeitorias: as benfeitorias consistem em obras de despesas efetuadas
para fins de conservação, melhoramento ou embelezamento, são:
- Necessárias: tem por finalidade evitar a deterioração da coisa e permitir a sua normal
exploração. São essenciais ao bem principal, são as que têm por fim conservar ou evitar que o
bem se deteriore.
- Úteis: incrementa a utilização. São as que aumentam ou facilitam o uso da coisa, tornando-a
mais útil.
- Voluptuárias: oferece recreação e prazer. São as de mero deleite, de mero luxo, que não
facilitam a utilidade da coisa, mas apenas tornam mais agradável o seu uso.
Acessão benfeitoria
As benfeitorias exigidas pelo possuidor, efetivamente incorporam-se ao patrimônio do
proprietário.
Efeitos econômicos decorrem da boa-fé e da má-fé do possuidor.
Art. 1219, CC.
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias
necessárias e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a
levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de
retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis.
Possuidor de boa-fé tem direito a indenização: benfeitorias necessárias e benfeitorias
úteis. Direito de retenção.
E as voluptuárias?
Consequências jurídicas. A primeira delas é que o possuidor de boa-fé tem direito à
indenização por benfeitorias necessárias e úteis. Como segunda consequência, o possuidor de
boa-fé não indenizado tem direito à retenção dessas benfeitorias (necessárias e úteis), o ius
retentionis, que persiste até que receba o que lhe é devido. Tanto essa regra quanto a anterior
estão inspiradas no princípio que veda o enriquecimento sem causa. A terceira consequência se
refere às benfeitorias voluptuárias, aquelas de mero luxo ou deleite. Nos termos do art. 1.219 do
Código Privado, o possuidor de boa-fé tem direito ao seu levantamento, se não forem pagas, desde
que isso não gere prejuízo à coisa. Trata-se do direito de tolher, ou ius tollendi.
Art. 1220: O possuidor de má-fé tem direito ao ressarcimento apenas a benfeitoria
necessária. Não tem direito de retenção.
Art. 1.220. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias
necessárias; não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de
levantar as voluptuárias.
O possuidor de má-fé não tem qualquer direito de retenção ou de levantamento. Com
relação à indenização, assiste-lhe somente direito quanto às necessárias.
Art. 1221 – compensação benfeitorias e danos.
Art. 1.221. As benfeitorias compensam-se com os danos, e só obrigam ao
ressarcimento se ao tempo da evicção ainda existirem.
Súmula 335, SJT. Art. 35, Lei 8.245/91.
Súmula 335. Nos contratos de locação, é válida a cláusula de renúncia à indenização
das benfeitorias e ao direito de retenção.
Art. 35. Salvo expressa disposição contratual em contrário, as benfeitorias
necessárias introduzidas pelo locatário, ainda que não autorizadas pelo locador, bem
como as úteis, desde que autorizadas, serão indenizáveis e permitem o exercício do
direito de retenção.
Aquisição da posse
Arts. 1204 e 1205 CC.
Art. 1.204. Adquire-se a posse desde o momento em que se torna possível o exercício,
em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade.
Art. 1.205. A posse pode ser adquirida:
I - pela própria pessoa que a pretende ou por seu representante;
II - por terceiro sem mandato, dependendo de ratificação.
A posse será adquirida com o exercício do poder de fato, sobre a coisa.
1205, I – pais.
1205, II – gestor de negócios.
Enunciado 236, JDC: entes despersonalizados.
EN. 236. Considera-se possuidor, para todos os efeitos legais, também a coletividade
desprovida de personalidade jurídica.
E a pessoa jurídica? A posse é um direito que é garantido à pessoa jurídica e que é visível no seu
dia a dia pelo exercício de alguns dos direitos inerentes à propriedade.
As formas de aquisição da posse que constavam na lei anterior servem somente como
exemplo, a saber: a) apreensão da coisa; b) exercício de direito; c) fato de disposição da coisa; d)
qualquer outro modo geral de aquisição de direito. Dessas formas de aquisição, deve-se lembrar
que há formas de aquisição originárias, em que há um contato direto entre a pessoa e a coisa; e
formas de aquisição derivadas, em que há uma intermediação pessoal.
Perda da Posse
Arts. 1223 e 1224, CC.
Art. 1.223. Perde-se a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o
poder sobre o bem, ao qual se refere o art. 1.196.
Art. 1.224. Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho,
quando, tendo notícia dele, se abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la,
é violentamente repelido.
Quando o possuidor deixa de exercer o poder de fato sobre a coisa.
Se o possuidor não presenciou o momento em que foi esbulhado, somente haverá a perda
da posse se, informado do atentado à posse, não toma as devidas medidas necessárias ou se sofrer
violência ao tentar fazê-lo, não procurando outros caminhos após essa violência. A lei acaba por
presumir que a sua posse está perdida, admitindo-se, obviamente, prova em contrário.
CC/1916 – rol taxativo. O art. 520 do CC de 1916, ao contrário, enunciava expressamente os
casos de perda da posse, que nos servem como exemplos ilustrativos (rol numerus apertus): Pelo
abandono da coisa, fazendo surgir a coisa abandonada. Pela tradição, entrega da coisa, que pode
ser real, simbólica ou ficta. Pela perda ou destruição da coisa possuída. Se a coisa for colocada
fora do comércio, isto é, se for tratada como bem inalienável. Pela posse de outrem, ainda contra
a vontade do possuidor, se este não foi manutenido, ou reintegrado à posse em tempo competente.
Pelo constituto possessório, hipótese em que a pessoa possuía o bem em nome próprio e passa a
possuir em nome alheio (forma de aquisição e perda da posse, ao mesmo tempo).
Composse
Art. 1199 CC: É uma situação excepcional consistente na posse comum e de mais de uma pessoa
sobre a mesma coisa.
Art. 1.199. Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma
exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros
compossuidores.
Pressupostos da composse: pluralidade de sujeitos e coisa indivisa.
Interversão ou convalescimento da posse:
Pelo que consta do art. 1.208, segunda parte, do CC, as posses injustas por violência ou
clandestinidade podem ser convalidadas, o que não se aplicaria à posse injusta por precariedade.
“Art. 1208. Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como
não autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de
cessar a violência ou a clandestinidade”.
Isto acaba quebrando a regra pela qual a posse mantém o mesmo caráter com que foi
adquirida, conforme o art. 1.203 do CC, e que consagra o princípio da continuidade do caráter
da posse. Ato contínuo, reconhece que aqueles que têm posse violenta ou clandestina não têm
posse plena, para fins jurídicos, sendo meros detentores.
Pois bem, diante dessa situação jurídica, sempre foi comum afirmar, conciliando-se o art.
1.208 do CC/2002 com o art. 558, CPC, que, após um ano e um dia do ato de violência ou de
clandestinidade, a posse deixaria de ser injusta e passaria a ser justa.
“Art. 558. Regem o procedimento de manutenção e de reintegração de posse as
normas da Seção II deste capítulo quando a ação for proposta dentro de um ano e um
dia da turbação ou esbulho afirmado na petição inicial”.
A possibilidade de convalidação, pelo que pode ser retirado dos dois dispositivos, não se
aplica à posse precária, o que é entendimento majoritário. Explica Carlos Roberto Gonçalves, que
não há possibilidade de convalescimento do vício da precariedade, pois ela representa um abuso
de confiança.
Tartuce não se filia a tal entendimento, tido como majoritário e consolidado, eis que
caberia a convalidação da posse precária. Isso porque, muitas vezes, o abuso de confiança pode
cessar, havendo um acordo entre as partes envolvidas. Para tanto, o enunciado 237, do CJF, na III
JDC: “É cabível a modificação do título da posse – interversio possessionis– na hipótese em que
o até então possuidor direto demonstrar ato exterior inequívoco de oposição ao antigo possuidor
indireto, tendo por efeito a caracterização do animus domini”. Essa posição, todavia, vale repetir,
ainda é minoritária.
Ações possessórias
As ações possessórias: integração de posse, manutenção da posse interdito proibitório. A
opção por uma das ações possessórias é diretamente relacionada ao grau de agressão à posse.
- Interdito proibitório: a agressão deriva de uma ameaça (temor indevidamente causado - risco
de atentado à posse). Na ameaça não há ainda qualquer atentado concretizado, como no caso dos
integrantes de um movimento popular que se encontram acampado próximo a uma propriedade,
sem que esta seja invadida – situação de mero risco.
- Manutenção da posse: agressão por meio de uma turbação (embaraço, perturbação - atentados
fracionados à posse). Na turbação, já houve atentado à posse em algum momento, como, por
exemplo, no caso dos integrantes desse mesmo movimento popular que levam os cavalos para
pastar na fazenda que será invadida, sem ainda adentrá-la de forma definitiva.
- Reintegração da posse: agressão por esbulho (perda, privação da coisa - atentado consolidado
à posse). No esbulho, houve o atentado definitivo. Os integrantes do movimento popular
adentraram na fazenda e lá se estabeleceram.
Art. 1210, CC.
Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação,
restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser
molestado.
Fungibilidade das ações possessórias: art. 920 do CPC/1973; art. 554, NCPC.
Art. 554. A propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que
o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente àquela cujos
pressupostos estejam provados.
As diferenças práticas em relação às três ações pouco interessam, eis que o sistema
processual brasileiro consagra a fungibilidade total entre as três medidas. Assim, uma demanda
possessória direta pode ser convertida em outra livremente, se for alterada a situação fática que a
fundamenta, ou seja, há a possibilidade de transmudação de uma ação em outra.
Essa conversão também é possível nos casos em que o autor da ação possessória se engana
quanto à medida cabível, havendo um desapego ao rigor formal, o que é aplicação do princípio
da instrumentalidade das formas.
Duplicidade das ações possessórias: “pedido contraposto” – art. 922, CPC/1973; art.
556, NCPC.
Art. 556. É lícito ao réu, na contestação, alegando que foi o ofendido em sua posse,
demandar a proteção possessória e a indenização pelos prejuízos resultantes da
turbação ou do esbulho cometido pelo autor.
As ações possessórias diretas têm natureza dúplice, cabendo pedido contraposto em favor
do réu para que a sua posse seja protegida no caso concreto. Esse pedido contraposto pode ser de
proibição, de manutenção ou mesmo de reintegração da posse em seu favor. Portanto, está
totalmente dispensada a necessidade de uma reconvenção para a aplicação das medidas previstas
no art. 555 do CPC.
Ações possessórias -> rito especial.
Autotutela ou autoexecutoriedade da posse:
Legítima defesa da posse: turbação; Desforço imediato ou incontinente esbulho. – Art.
1210, §1º.
§ 1o O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua
própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem
ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse.
Art. 345, CP: exercício arbitrário do proprietário.
Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora
legítima, salvo quando a lei o permite:
Enunciado 495: “O desforço possessório interpreta-se restritivamente. A expressão ‘contanto que
o faça logo’ deve ser entendida apenas como reação imediata ao esbulho ou turbação, cabendo ao
possuidor servir a via jurisdicional nas demais hipóteses”.
A legítima defesa da posse e o desforço imediato constituem formas de autotutela,
autodefesa ou de defesa direta, independentemente de ação judicial, cabíveis ao possuidor direto
ou indireto contra as agressões de terceiro.
Nos casos de turbação, em que o atentado à posse não foi definitivo, cabe a legítima
defesa. Em havendo esbulho, a medida cabível é o desforço imediato, para a retomada do bem
esbulhado. Seja em um caso ou em outro, deve-se observar que esses institutos de autodefesa
apresentam alguns requisitos, que devem ser respeitados, para que a atuação seja lícita.
Primeiro, a defesa deve ser imediata, ou seja, incontinenti, conclusão a ser retirada da
análise do caso concreto. Deve, assim, agir nos limites do exercício regular desse direito, servindo
como parâmetro o art. 187 do CC/2002, que consagra o abuso de direito como ato ilícito. Os
parâmetros, portanto são aqueles previstos no dispositivo da codificação: fim social, fim
econômico, boa-fé objetiva e bons costumes.
Por fim, a lei está a autorizar que o possuidor que faz uso da autotutela utilize o apoio de
empregados ou prepostos. Isso porque o art. 1.210, § 1.º, do CC faz menção à força própria, que
inclui o auxílio de terceiros.
O possuidor direto e indireto podem exercer a autotutela? Sim.
O fâmulo pode? Sim.
A ameaça foi abarcada pela autotutela? Não, somente a turbação e o esbulho.
É possível chamar terceiros para exercer a autotutela? Sim.
O patrimônio seria uma emanação da personalidade? Depende.