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Questões da Prova: América I

1) [a] Tomando como base a leitura do texto de Serge Gruzinski e Carmen


Bernand, no capítulo “A América antes da invasão”, podemos perceber que não
se tratava de um mundo muito mais homogêneo que a Europa. Durante a
leitura do capitulo os autores destacam que o continente americano era
povoado por inúmeros povos originários do Antigo Mundo asiático. Tais povos
se diferenciavam entre si através de sua língua, costumes e mesmo aparência
física, demonstrando que no mesmo local coexistiam culturas muitos
diferenciadas. Esses povos ai viveram isolados devido à elevação do nível dos
continentes até 1492 com a chegada dos Europeus. Os autores compartilham
da idéia de que esses povos essencialmente diferentes encontraram na
América os meios propícios para sua sobrevivência e multiplicação, podendo-
se estabelecer até mesmo uma ligação entre eles representada pela pedra
preta, que trazia consigo um significado diferente para casa “tribo”. Tais
diferenças culturais estavam presentes também na Europa; apesar de se tratar
de uma sociedade civilizada e urbanizada, muitos eram os grupos que
compunham sua estrutura social, dentre eles os mouros, ciganos, judeus,
mostrando que a heterogeneidade se faz presente em ambos os mundos.

[b] Durante a leitura do capitulo “A América antes da invasão”, é possível


perceber a utilização de vários mitos, que serviam em sua essencialidade para
explicar e justificar a violência já existente neste território. Portanto, concluímos
assim, que a violência não se instalou com a chegada dos europeus; pode ser
que este acontecimento tenha intensificado os combates, mas antes de 1492 já
existiam conflitos internos pela posse de territórios, colheitas, tratados locais,
como por exemplo, os Astecas, que dominavam quase toda porção central de
onde hoje é o México, assim como outras tribos como as doas Maias, Incas,
dentre outros.

2) A concepção de herói presente no texto de Turner “O Espírito Ocidental


contra a Natureza” é a de um ser astuto, hábil, que se destaca frente a sua
comunidade, uma pessoa que sempre aceita novos desafios, movido e
motivado pela sua coragem e curiosidade, sem medo, que busca sempre o
bem comum do local onde vive. Para Turner, o verdadeiro herói deveria passar
por três principais estágios, sendo o primeiro deles a “Separação”, onde este é
separado da comunidade em que vive quase sempre motivado por sua
coragem e astúcia. Passa a ter o papel central dos mitos, enfrentando as
barreiras impostas. O segundo estágio recebe o nome de “Iniciação”, momento
onde o herói já separado de sua tribo, tem contato com os agentes dos
processos (geralmente deuses ou deusas), esta etapa se iguala à
transformação. A terceira e ultima parte é designada como “Retorno”, onde o
herói volta a sua comunidade, relata suas aventuras e traz consigo
experiências que vão somar-se as da tribo, acrescentando e melhorando a vida
local das pessoas que ali vivem.
[a] Turner cita várias lendas e mitos que pertenciam aquele “Novo Mundo” até
então desconhecido, dentre elas podemos destacar a do pescador, que não
pode ser considerado um herói, pois não consegue realizar de maneira
completa os três estágios, seu retorno não se concretiza, e acaba formando a
figura do anti-herói – trabalhada e citada pelo autor durante o livro-. A segunda
lenda aborda a aventura de um herói chamado Avarutara, que consegue
realizar os três estágios de forma completa, voltando para sua comunidade e
trazendo-lhes informações sobre o mundo dos mortos, narração esta que virá a
acrescentar em sua cultura. Já a terceira lenda conta a estória de duas
crianças, que também concretizam as três etapas, trazendo uma lição moral
para sua comunidade, ensinando-lhes a não desperdiçar mais alimentos.
Outro mito traz consigo a figura de uma heroína, uma jovem menina que se
casa com um bisão, completando assim as três partes do processo, e
compartilhando com sua tribo os ensinamentos e importância de não se
realizar a caça predatória e indiscriminada. A ultima lenda do livro é a de um
menino chamado Poyeshao, que também após realizar o retorno, tendo
completado as outras duas etapas, compartilha com sua tribo estórias de suas
antepassados, conhecimentos sobre as geração passadas contados por uma
pedra.
[b] Com a leitura do livro de Serge Gruzinski e Carmen Bernand, percebemos
que nenhuns dos conquistadores espanhóis poderiam ser vistos como heróis
aos olhos de Turner. Estes desbravadores passam apenas por dois doas
estágios obrigatórios, a Separação e Iniciação; nenhum deles consegue
realizar o retorno de maneira completa e receber os prestígios e honras de um
verdadeiro herói ao regressar para sua comunidade trazendo contribuições
significativas para sua culturas.

3) Tomando como base o texto de Serge Gruzinski e Carmen Bernand,


podemos perceber a grande importância do ano de 1492 para história ibérica e
para história americana. Muitos são os acontecimentos que marcam e
formaram este período; a leitura nos permite uma visão cronológica dos
acontecimentos destacando que Isabel de Castela casa-se com Fernando de
Aragão e sobe ao trono com oposições partidárias internas. Em 1481 ocorre a
primeira investida em Granada, permitindo a formação de um
protonacionalismo cristão que enfraqueceu as oposições internas e as
externas. Neste mesmo período os Reis Católicos afirmam uma identificação
hispânico-cristã e se colocam como muralha da cristandade.
Em 1491, Colombo tem seu primeiro pedido de financiamento da viagem
concedido por Isabel, que depois de convencida por um assessor aceita e o
genovês é nomeado Almirante do Mar e Oceano, recebendo o poder de
controlar tudo aquilo que encontrasse. Cristóvão Colombo sai de Palos com
três caravelas (Santa Maria, Pinta e Nina) levando consigo também alguns
“cristãos novos”. Em 12 de outubro de 1492 acontece a chega às Bahamas,
pensando ser o oriente, tendo seu primeiro contato com os índios.
As batalhas se seguiram, e em 1492, o Rei Boabdil abre as portas de seu reino
para a ocupação espanhola. Também em 1492 os judeus são expulsos por
meio de um decreto, onde segundo Gruzinski havia também interesses
materiais nessa expulsão.
4) Percebemos durante a leitura do texto de Serge Gruzinski e Carmen
Bernand, que na Espanha há uma diversidade cultural e de relações políticas
bastante amplas, que caracterizam as “Espanhas”: mouros, judeus, cristãos
novos, negros, ciganos dentro outros “agentes” formadores de sua estrutura.
Diversidade esta que tenta ser reprimida pelo véu homogeneizante do
catolicismo. Entretanto, não nos é passada uma idéia ao longo do texto de um
hibridismo significativo (se comparado com a América) entre estes povos, ou
seja, de uma mescla, um maior contato ou interação entre eles, seja ela cultural
ou étnica. Já na América o hibridismo é mais intenso, fator explicado pelo
convívio com uma multiplicidade étnico-cultural existente na península. Será
somado ainda a este fator, a somado à permissividade (tolerância) moral,
religiosa e cultural que a distância permite, o europeu se mescla à cultura e à
etnia indígena com maior intensidade, até mais do que o índio se mescla à dele
– algo explicado pelos autores pelo seu isolamento no continente.

5) A partir da leitura feita do livro de Serge Gruzinski e Carmen Bernand, é


possível perceber que a Espanha não está revestida por um nacionalismo
homogeneizante no período de colonização. Há na verdade um amplo quadro
étnico-cultural e um protonacionalismo cristão que permite um traço de
identificação entre aqueles povos católicos.
Enquanto em Castela observava-se uma identidade mais homogênea e um
poder real mais amplo, em Aragão o poder estava mais atrelado às alianças
locais. Os autores citam também a região de Biscaia. Os bascos, por exemplo,
constituíam um povo valente, corajoso e independente, com sua própria língua,
entretanto fiéis à coroa. Seu direito consuetudinário diminuía o poder de
atuação dos Reis Católicos sobre seu território, possuíam uma religiosidade
mais mística com a crescente prática da feitiçaria.
Além de essa situação interna persistir aos processos de colonização, algo
semelhante acontece nas colônias, especialmente no caso do México, segundo
nos mostra os autores. Para eles, o empreendimento de Cortés na Cidade do
México, voltado para o enraizamento dos novos proprietários nesta terra,
tentando trazer o máximo de um ambiente espanhol para o local, fazia dela
algo mais que uma simples colônia -um reino do Império espanhol no além mar
como Castela-. O próprio nome “Nova Espanha”, afirma o autor, representa
algo unificador que ainda não existia na península.
7) Através da leitura do texto de Serge Gruzinski e Carmen Bernand, é possível
traçar um paralelo entre as biografias de vários dos conquistadores espanhóis
como, por exemplo, Colombo, Cortés, Vasco Nunez e Balboa, descrevendo
suas estratégias de conquistas, local de nascimento, dentre outras inúmeras
características formadoras das personalidades de cada um deles.
● Colombo era Genovês, cresceu em Portugal, e desde criança já sonhava em
ser um navegador. Sua primeira expedição foi conduzida “ás cegas” uma vez
que o espaço geográfico americano era totalmente desconhecido. Descobriu as
Antilhas acreditando ter chegado às Índias, sendo o seu primeiro contato com
os nativos amistoso. Em 1492 chega as Ilhas Lucaias, passando também por
Hispaniola, México, conduzindo ainda muitas outras expedições e atividades de
exploração. Não tinha um plano estratégico de conquista consolidado, logo,
perde seu prestígio, entra em decadência e morre em 1506 em Valladolid.
●Cortes, era natural da extremadura, e foi o conquistador do México. Foi
nomeado para chefiar a terceira expedição, na qual se destaca de forma
brilhante, mostrando toda sua astúcia e habilidade. Era mestre na arte de
comunicação, uma qualidade essencial para conquista do México.
Cortés realiza sua empreitada pelo interior, obtendo sucesso em suas
conquistas. Cortés, sempre se apropriou de inimizades entre tribos, mas sua
maior sacada foi perceber que a dominação asteca se dava por imposição de
autoridade e não por proximidade cultural entre as tribos. Foi a partir disso, que
Cortés se aliou com tribos insatisfeitas e conseguiu conquistar território. Alem
disso, sempre teve a preocupação de manter relações amigáveis com índios.
Agindo de forma violenta em raras ocasiões.
● Balboa era hidalgo pobre de Estremadura, foi para América
clandestinamente. Era um homem de armas e ação, e foi o descobridor do
Panamá e do Pacífico. Balboa e seus homens buscavam por ouro e alimento.
● Pizarro era de extremadura, foi educado por sua mãe num ambiente rústico.
Empreendido na conquista do Peru, anuncia-o como um lugar muito rico;
inicialmente se aproxima dos índios incas, sendo a primeira presença européia
antes da invasão dos exércitos. Consolidam a conquista sobre o Peru, mas
Pizarro é assassinado.

8) Para Serge e Bernard o nascimento da nova Espanha se deu de uma forma


organizada mostrando que o interesse espanhol na América não era
exclusivamente de exploração. Eles mostram também que a mestiçagem de
índios e espanhóis não foi exclusivamente para alianças políticas. Ela se deu
ate nos baixos níveis sociais. Logo, assim como a metáfora do ladrilhador, os
dois autores acreditam que a invasão espanhola no México teve um intuito de
ocupação. Eles mostram isso quando falam que a idéia de Cortés não era de
fazer escambo, e sim de conquistar tanto território, quanto população.

9) Nas ilhas do Caribe os espanhóis carregavam três legados principais : a


experiência afro-luso-genovês, que alia experiência de exploração e escambo;
a tradição da Reconquista => experiência de batalhas e ocupação do solo; e a
conquista das Canárias, desenvolvida de forma brutal (primeiro genocídio do
expansionismo ocidental, afirmam os autores). Logo as duas ultimas
experiências se sobrepuseram e escapam ao controle de Colombo.
- Curiosidade e respeito inicial dão lugar ao estereótipo => índio ignorante,
indivíduo abandonado por Deus. Algo ainda mais agravado pela descoberta
das práticas canibais. Há então um choque de mundos que aliado à ganância
suprime o ideal de cavalaria: saques, botins e apresamento de índios tomam a
atenção dos conquistadores.
- Levam à mortalidade de índios: caça para o apresamento, promove uma
ruptura do índio com seu ambiente natural; epidemias; subnutrição – o índio
arrancado de seu cotidiano não consegue mais obter seus alimentos.
- Cuba foi o ponto alto disso, afirmam os autores, tanto que Las Casas e
Reinteria se dirigem para a Espanha pedindo um auxílio ao Rei sobre o quadro
que lá se desenhava.
- O estado aumenta o controle sobre a vinda de pessoas para as Índias com a
criação da Casa de Contratação, por exemplo. Mas também no Panamá o
estereótipo do indígena antilhano retorna (diferente do índio mexica, construtor
de cidades), além da mesma falta de planejamento de ocupação, explicado
pela avidez em se obter riquezas (diferente dos empreendimentos de Cortés e
Balboa).
- Apesar da tentativa de Balboa de executar uma ocupação mais estratégica e
pela posição de Fernando, exigindo uma ocupação mais em longo prazo a
situação logo se complicou: rivalidades entre os conquistadores (aqueles
pioneiros e aqueles que chegam com Pedrarias); somado às dificuldades de
obter víveres; ambições; morte e abandono de muitos => restou a alternativa
dos saques, botins e ações violentas contra os índios (que levou inclusive a
uma ruptura de muitos laços com tribos locais) .
- Logo o ideal de cavalaria cai por terra novamente e dá lugar à falta de
escrúpulos.

12) Segundo os autores Serge Gruzinski e Carmen Bernand, através da leitura


dos capítulos “A conquista do México” e a “Conquista do Peru”, percebemos as
semelhanças e diferenças presentes nas analise destas duas batalhas. Muitas
são as semelhanças apresentadas pelos autores, como por exemplo, a
ausência da Igreja no processo conquistador, o desconhecimento sobre o
tamanho dos impérios, as relações diplomáticas, as trocas de presentes
realizadas inicialmente em ambos os contextos; a formação de alianças com os
nativos – até mesmo através de casamentos-, o sentimento de medo sempre
presente frente aos índios e ao desconhecido, o grande desafio devido a
tecnologia bélica dos espanhóis, confrontada com a superioridade numérica
presente nas tribos.
Serge e Carmen analisam os pontos comuns, mas enfatizam também os
pontos antagônicos entre estes contextos. No Peru destaca-se a existência de
brigas internas para sucessão do trono, além da grande quantidade de ouro
encontrada no território (superior à quantia de ouro presente no México). Outra
característica destacada pelos autores é a divisão de poder entre Almagro e
Pizarro, onde este para conseguir consolidar a conquista do território deve de ir
a Espanha pedir uma capitulação da coroa para iniciar a conquista.

14) [a]
Antes da conquista
Espanhóis
- Número dos índios
- Barulho que eles faziam
-antropofagia
Índios
- Cavalos, canhão, armas de fogo.
Depois da conquista
Espanhóis
- Revolta dos índios
COMPLETAR

B) Os espanhóis saíram para a experiência marítima cheios de medos. Entre


eles estavam os medos de lendas, como monstros do mar, medo de se
perderem e não chegar a lugar nenhum. Mas é importante de considera que
esse medo foi menor que a vontade de descobrir o novo.