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Matemática e Sociedade: Universidades federais... http://adonaisantanna.blogspot.com/2013/01/un...

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Matemática e Sociedade
Adonai Sant'Anna

terça-feira, 29 de janeiro de 2013 Para acessar extensa lista de assuntos


tratados neste blog, clique aqui.
Universidades federais finalmente expostas na Scientific Para acessar a lista completa das
American Brasil postagens com resumos, clique aqui.

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Anos atrás fiz várias contribuições para a Scientific American Brasil, com dois Você pode escrever aqui suas críticas
artigos, diversas notas de divulgação e jornalismo científico, revisões técnicas e sugestões
para a Série Gênios da Ciência e uma resenha de um livro de Richard
Dawkins, entre outras. No final do ano passado, porém, apresentei uma Nome
proposta ao editor Ulisses Capozzoli: publicar um artigo sobre as mazelas das
universidades federais brasileiras. Pedi a ele que visitasse este blog, para ter E-mail *
uma ideia melhor sobre o que eu tinha em mente. Capozzoli imediatamente
concordou, percebendo que certas questões sobre as universidades públicas
Mensagem *
precisam ser urgentemente discutidas.

A edição de fevereiro de Scientific American Brasil com o artigo em questão já


está nas bancas brasileiras e portuguesas. No editorial, Capozzoli dá especial
atenção ao artigo, afirmando que "o que ocorre nessas instituições
Enviar
[universidades públicas] é a ação nefasta de grupos/pessoas interessadas na
fermentação interna da mediocridade intelectual como estratégia de
sobrevivência parasitária".
Temas deste blog

Com permissão do editor, reproduzo aqui uma versão do artigo original, Aplicações da Matemática
adaptada ao perfil deste blog.
Crianças

Cultura
Agradeço ao editor Ulisses Capozzoli não apenas pela importante iniciativa,
mas principalmente pela cuidadosa revisão que ele fez na primeira versão do Depoimento
texto.
Desafios

Educação
Parte significativa do artigo contém informações e discussões já veiculadas
aqui, principalmente sobre o problema da estabilidade de emprego entre Filosofia
professores de instituições federais de ensino superior. Mas há também História
tópicos que ainda não exploramos neste blog.
Instituições

Veremos, agora, as reações dos diferentes segmentos sociais deste país. As Livros

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primeiras mensagens de reação já começaram a chegar, principalmente de Matemática Pura


jovens estudantes.
Propostas de Pesquisa

Desejo a todos uma leitura crítica. Sociedade

________ Vídeos

Ciência e Educação (de qualidade) são a Base da Esperança Siga este blog em seu email

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Em 1998 o Governo Federal criou por decreto a Gratificação de Estímulo à
Docência no Magistério Superior. Tratava-se de um adicional ao salário dos
docentes de instituições federais de ensino superior (ifes), cujo valor dependia Pesquisar este blog

da produtividade em ensino, pesquisa, extensão e administração de cada


Pesquisar
professor. Pouco tempo depois o valor máximo desta gratificação foi
incorporado aos salários de todos os docentes concursados das ifes. Os
professores que sistematicamente tinham produtividade máxima (de acordo
Páginas (agora você pode comentar
com critérios governamentais) continuaram a receber em seus contra-cheques em qualquer uma delas)
o mesmo valor de meses anteriores. Os demais, com produtividade inferior,
Início
conquistaram significativo aumento em seus vencimentos.
Vimeo
Este é um exemplo que retrata com fidelidade o quadro típico da universidade Fale Sobre Você
pública brasileira: a falta de meritocracia. E, sem reconhecimento efetivo de
Sumário
mérito, como promover progresso científico e tecnológico relevante? Esta falta
de políticas meritocráticas na academia brasileira atinge não apenas Lista completa das postagens
professores e pesquisadores, mas também alunos e funcionários do quadro Indo Além
técnico-administrativo.
Colaboradores

Neste artigo esboço de forma muito breve alguns dos mais graves problemas Sites de Amigos

crônicos do ensino superior público - com ênfase nas universidades federais - Links Recomendáveis
e algumas consequências de tais problemas, geralmente gravitando ao redor
Perfil dos Leitores
da confortável garantia de emprego para todos os professores concursados. O
foco deste texto se justifica de forma simples. As universidades federais de Sobre as Imagens

nosso país têm um papel estratégico fundamental em toda a rede educacional Você sabia que...
brasileira. Ações e políticas de instituições privadas e estaduais de ensino
Grandes nomes da ciência brasileira
superior ou médio são muitas vezes dependentes de práticas comuns às
universidades federais espalhadas pelo território nacional, as quais são Eventos

fortemente controladas pelo Governo. Sobre o Administrador

Sites que citam este blog


Instituições federais de ensino superior não têm autonomia para contratação,
demissão ou negociação salarial de professores. Concursos públicos, para fins Nasrudin

de contratação de novos docentes, somente podem ser realizados através de Arte Perdida de Professores
editais nacionais do Governo Federal. Localmente, não há como negociar a
FAQ
contratação de professores, não importando a competência dos mesmos,
fatores emergenciais ou as necessidades da instituição. Sempre devem ser
aguardados os editais governamentais. Demissões somente podem ocorrer em Para se manter atualizado sobre as
casos extremamente graves, como abandono do cargo. Participei, anos atrás, novidades
de uma comissão interna da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que
Seguidores (261) Próxima
deveria avaliar a situação de um docente que não aparecia no trabalho há pelo
menos seis meses. Esta foi uma demonstração muito clara da lentidão
administrativa de uma universidade federal. Se um docente lecionar de forma
incompetente ou se não realizar atividades de pesquisa, extensão ou
administração, isso não caracteriza motivo suficiente para demissão ou perda
de privilégios básicos do cargo. Vale observar que estou falando da prática e
não daquilo que consta em documentos oficiais. Também não estou discutindo
sobre professores substitutos, os quais são contratados por tempo Seguir
determinado, ganhando salários muito inferiores aos de concursados.

Apenas faça!
Se um professor é contratado após realização de concurso público, ele deve
cumprir um estágio probatório de três anos. Após este período, seu cargo está Primeiro passo: Conheça os

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praticamente garantido, independentemente de sua produção posterior ao problemas da educação e discuta


sobre eles.
longo de toda a vida acadêmica restante. Além disso, docentes podem Segundo passo: Estabeleça uma
eventualmente progredir em planos de carreira, mas jamais regridem. Uma vez estratégia para resolver esses
problemas, em equipe.
que um docente se torna Associado III, por exemplo, jamais pode regredir para Terceiro passo: Execute ações
Associado II ou I, mesmo que nada mais produza após sua última progressão norteadas pelas estratégias.
Quarto passo: Avalie com sua equipe
funcional. a nova situação.
Quinto passo: Retorne ao primeiro
passo.
É claro que há professores de ifes que mantém excelente produção
acadêmica. Mas existem também aqueles que faltam às aulas (sem registro
oficial de tais faltas), não cumprem ementas de disciplinas ou horários de Arquivo do blog
aulas, não realizam pesquisa alguma ou qualquer atividade de extensão e nem
► 2018 (1)
orientam alunos de graduação ou de pós-graduação. Tais professores podem
► 2016 (2)
contar com os mesmos benefícios da estabilidade dada aos mais produtivos.
► 2015 (65)
► 2014 (86)
São várias as consequências do conforto conquistado através da estabilidade
irrestrita. Uma delas é o fato de que comumente professores mais antigos se ▼ 2013 (40)

sentem intimidados por jovens que demonstram talento evidentemente ► Outubro (2)

superior à média, e muitas vezes usam mecanismos burocráticos absurdos ► Setembro (3)

como tentativa desesperada para nivelar todos a um mesmo patamar de ► Junho (1)
desempenho mediano. Cito um caso que eu mesmo testemunhei. Durante ► Abril (2)
minha chefia do Departamento de Matemática da UFPR, de 2005 a 2007, fui ► Março (5)
relator de um processo de pedido de afastamento de um casal de jovens ► Fevereiro (11)
professores recentemente contratados pelo Departamento de Estatística ▼ Janeiro (16)
daquela instituição: Leonardo Soares Bastos e Thaís Cristina de Oliveira Universidades federais
Fonseca. Ambos foram convidados para realizar doutoramento em ótimas finalmente expostas na
Scie...
universidades britânicas, sob a orientação de dois pesquisadores de excelente
Um blog de pouco interesse
reputação internacional e com bolsas de estudos pagas pelas respectivas para mulheres?
instituições estrangeiras. Apesar do Departamento de Estatística ter aprovado Como confiar em
as duas solicitações e de meu parecer ter sido justificadamente favorável, o argumentos
Setor de Ciências Exatas (instância superior) indeferiu os pedidos. A alegação O Retorno de Doutor
foi o estágio probatório, o qual deveria ser cumprido por ambos. Legalmente, o Fantástico

estágio probatório poderia ser cumprido no exterior, uma vez que o vínculo Realidade como uma
Fábula
empregatício com a UFPR seria mantido. E os membros do Conselho do Setor
Fazer pesquisa não é tão
de Ciências Exatas sabiam disso. Mas o fato é que vi de perto os verdadeiros difícil assim
motivos para negar os pedidos de afastamento temporário: o medo provocado Antagonizando BP Fallon
por jovens que crescem rapidamente em suas carreiras. O resultado não
A Realidade de Hoje da
poderia ser outro. O ambicioso casal pediu demissão e seguiu rumo para a Melhor Professora de
Inglaterra. Hoje são professores doutores das Universidades Federal Matemá...

Fluminense e Federal do Rio de Janeiro. Ou seja, apesar das políticas das ifes Breve Síntese da Mente
Criminosa
serem praticamente as mesmas em todo o país, este casal ainda insiste em
Uma Curiosa Solução: O
apostar no futuro de nossa nação. Afinal, o Brasil precisa de estatísticos de Quarto Contrato
alto nível. Motivando Adolescentes
Orgulho, Preconceito,
A consequência mais óbvia da estabilidade irrestrita para docentes das ifes é a Reação
falta de um ambiente competitivo na vida acadêmica pública. É claro que Indo Além
muitos professores com produção científica (nem todos) têm acesso a bolsas O Certo, o Errado e o
de estudo e/ou pesquisa, o que caracteriza um certo reconhecimento de mérito Brasileiro
por parte de órgãos de apoio que são geralmente externos às ifes. E a Idade das Trevas
manutenção dessas bolsas depende da contínua produção científica dos Quando Será o Fim da
beneficiados, de acordo com critérios muitas vezes exigentes. No entanto, Música?

seus cargos em suas instituições de origem jamais estão ameaçados, ainda


► 2012 (97)
que não produzam conhecimento algum. E mesmo em casos de faltas graves,
► 2011 (8)
como a prática comum de lecionar conteúdos de forma superficial e até errada,
► 2010 (6)
o cargo continua garantido. As ifes ainda contam com o trabalho competente
► 2009 (6)
de diversos pesquisadores e cientistas brasileiros, algo que dificilmente pode
ser encontrado em universidades privadas deste país. Mas, em geral, as
condições de trabalho deles em pouco difere daquelas ofertadas a todos os
Quem sou eu
demais. Temos, assim, um ambiente de pouco estímulo à produção intelectual
relevante do ponto de vista do exigente cenário internacional. Minha foto Adonai

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Professor Associado do
Departamento de
O Brasil não é internacionalmente reconhecido como uma nação que produz Matemática da UFPR. Autor de dois
ideias. Os Estados Unidos são um país tão novo quanto o nosso. Mas as livros sobre lógica publicados no Brasil,
e de dezenas de artigos publicados em
melhores universidades do planeta estão na América do Norte, de acordo com periódicos especializados de
diversas pesquisas internacionais realizadas de forma independente. Por que o matemática, física e filosofia, no Brasil e
no exterior. Atualmente está trabalhando
Brasil não consegue se destacar em produção científica? Não estaria na hora em dois projetos cinematográficos,
de percebermos que estamos fazendo alguma coisa errada? Mentes brilhantes sendo que um deles visa uma crítica
inédita às universidades federais
nosso país tem desde muito tempo atrás. brasileiras. Para mais detalhes ver a
página "Sobre o autor do blog".
Carlos Chagas foi oficialmente indicado ao Nobel de Medicina em duas Visualizar meu perfil completo
ocasiões. Perdeu porque Afrânio Peixoto era contrário à política meritocrática
adotada por Chagas durante sua gestão no antigo Departamento de Saúde
Total de visualizações de página
Pública do Governo Federal. Deste modo, Peixoto e colegas fizeram
campanha perante a Comissão Nobel, no Instituto Karolinska (Suécia), 1 1 1 3 4 4 4
afirmando, resumidamente, que o trabalho de Chagas não merecia atenção
alguma.
Postagens mais visualizadas na
semana
Natural de Petrópolis, RJ, Peter Medawar ganhou o Nobel de Medicina, mas
durante a juventude teve a cidadania cassada pelo Governo Federal, Olavo de Carvalho
Clique na imagem Recebi
simplesmente porque não se apresentou ao serviço militar obrigatório. Os hoje e-mail de um leitor
resultados de suas pesquisas sobre transplantes de tecidos vivos estão deste blog perguntando por
que citei Olavo de Carvalho
acessíveis a qualquer brasileiro, incluindo militares. Mas a cidadania de em uma postagem recentemente ve...
Medawar somente foi restaurada muito tempo depois e de forma
Matemática é uma ciência
absolutamente discreta. Por sorte Medawar tinha cidadania britânica também. exata?
Assim, Inglaterra ganhou um Prêmio Nobel a mais e o Brasil até hoje ignora a Nomes não são meras
fundamental importância da ciência feita em ambientes competitivos. arbitrariedades humanas.
Nomes desempenham um
papel relevante do ponto de vista social
Universidades estadunidenses também conferem estabilidade para e até individual, sejam dados ...

professores. Mas são poucos os que recebem este benefício, conhecido como Foi bom enquanto durou
tenure. O critério é simplesmente meritocrático. E tal mérito não se avalia Caros amigos, esta
postagem anuncia o fim
através de concurso público realizado em dois ou três dias, mas ao longo de das atividades regulares do
uma extensa carreira marcada por contribuições de elevada relevância blog Matemática e
Sociedade. Há algum tempo eu já sabia
acadêmica e negociações. A concessão de estabilidade irrestrita a qualquer que este...
professor universitário ou pesquisador é uma forma extremamente eficaz para
Um milhão - e um pouco
cultivar um ambiente sem desafios significativos. E ciência, como qualquer mais
outra atividade profissional de alto nível, se fundamenta na constante luta para Esta é uma postagem
extraordinária. Quase três
vencer desafios. anos atrás foram
encerradas as atividades regulares
deste fórum. No entanto, desde entã...
Um docente de instituição federal de ensino superior pode ter acesso a bolsas
governamentais de pesquisa e orientar alunos de pós-graduação, se Pré-cálculo em vídeo
A disciplina que mais vezes
demonstrar produção científica principalmente na forma de artigos publicados
lecionei até hoje foi cálculo
em certos veículos especializados de circulação internacional. No entanto, em diferencial e integral. E
demorei anos para
áreas como matemática, física, química e biologia, esta produção é
finalmente entender de forma qualif...
especialmente avaliada a partir de números que nem sempre têm a ver com
Depoimento de um
qualidade. Avalia-se a quantidade de artigos publicados em periódicos
Superdotado
reconhecidos pelos órgãos de apoio à pesquisa, mas raramente se avaliam O texto abaixo é um
fatores extremamente importantes, como impacto social de pesquisas e a depoimento de um
superdotado (indivíduo com
efetiva participação dos envolvidos. capacidade intelectual muito acima da
média) que conheci pessoalmente. J...

A revista britânica Nature, por exemplo, adota a seguinte política editorial: ao Como escrever artigos
final do artigo publicado deve ser especificada a real contribuição de cada um científicos
Recentemente descobri
dos autores. No entanto, a maioria dos periódicos especializados não adota algo que me deixou
esta postura. A inclusão de nomes de colegas em artigos científicos tem sido perplexo. A internet está
repleta de cursos sobre escrita científica.
cada vez mais frequente, mesmo quando estes colegas não participam de Descobri, por exemplo, que...
forma alguma no projeto em questão. E apenas uma minoria dos professores
Matemáticos lentos
pesquisadores das ifes consegue publicar contribuições que demonstram
O mais importante prêmio
algum impacto significativo à ciência. O mecanismo mais imediato para avaliar em matemática é a
Medalha Fields . Mas,
impacto é citação. Em geral, quanto mais citações um artigo recebe na
diferentemente do Prêmio
literatura especializada internacional, mais relevante é o impacto do trabalho Nobel, que abrange áreas científicas

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citado. Porém, mesmo esta visão quantitativa tem limitações. como medi...

Sobre as ocupações
Por conta de um único artigo publicado na revista Nature, o curitibano Cesar Há mais de um ano
encerrei as atividades
Lattes revolucionou a física de partículas elementares. E, por conta deste normais deste blog, por
trabalho, ele também foi indicado ao Nobel. Quantos outros pesquisadores motivos que já expliquei .
No entanto, nas últimas semanas têm
deste país podem dizer que passaram por experiência parecida? Em ocorrido...
avaliações de produtividade, para fins de progressão funcional nas ifes, este
A busca pela felicidade
artigo de Cesar Lattes valeria tanto quanto um trabalho obscuro publicado em pode ser uma ideia infeliz
Physics Essays, um dos piores periódicos de física em circulação. E valeria a Em um estudo publicado
em 1997 , foi relatado que,
metade de um livro didático publicado, independentemente de sua qualidade. em média, 60% do tempo
despendido em conversas informais
entre pessoas era dedicado a ...
A verdade é que vivemos em uma nação na qual há um número crescente de
doutores que sequer sabem ler inglês, situação essa simplesmente
inadmissível nos países desenvolvidos, principalmente nas áreas científicas. E
Postagens mais visualizadas no mês
sem conhecimentos básicos de inglês, como produzir ciência?
Olavo de Carvalho
Clique na imagem Recebi
De forma alguma recomendo que deveríamos copiar o modelo acadêmico hoje e-mail de um leitor
norte-americano. Mas certamente poderíamos aprender muito com modelos deste blog perguntando por
que citei Olavo de Carvalho
que demonstram claramente funcionar melhor do que o nosso. Afinal, as em uma postagem recentemente ve...
universidades estadunidenses, apesar de inúmeros problemas graves,
Matemática é uma ciência
produzem a maioria das mais impactantes contribuições científicas e exata?
tecnológicas do mundo. O Brasil simplesmente não compete. Nomes não são meras
arbitrariedades humanas.
Nomes desempenham um
Nos Estados Unidos jovens ingressam em universidades. No Brasil, jovens papel relevante do ponto de vista social
e até individual, sejam dados ...
ingressam em cursos universitários. Esta é uma diferença profunda entre os
dois sistemas. Se um aluno de uma instituição federal de ensino superior Foi bom enquanto durou
Caros amigos, esta
consegue vencer as absurdas barreiras do Exame Nacional do Ensino Médio
postagem anuncia o fim
(ENEM) e do vestibular, ele está praticamente preso a um curso escolhido das atividades regulares do
blog Matemática e
enquanto cursava o ensino médio e, portanto, enquanto estava longe de
Sociedade. Há algum tempo eu já sabia
qualquer ambiente universitário. Se este aluno percebe que o curso escolhido que este...
não está de acordo com seu perfil pessoal, ele dificilmente terá chances de
Depoimento de um
conseguir uma transferência. A burocracia é muito complicada e prática para Superdotado
poucos. Provavelmente terá que se submeter ao ENEM e ao vestibular de O texto abaixo é um
depoimento de um
novo ou simplesmente desistir, como muitos o fazem. Já em uma universidade superdotado (indivíduo com
norte-americana, seja privada ou estadual, o recém ingresso encontra a capacidade intelectual muito acima da
média) que conheci pessoalmente. J...
oportunidade de conhecer todas as diferentes realidades das opções
disponíveis para graduação. Ele tem a chance de escolher seu futuro Um milhão - e um pouco
mais
profissional a partir de um ambiente genuinamente universitário. No Brasil, as Esta é uma postagem
ifes operam como instituições poliversitárias. E este modelo é copiado por extraordinária. Quase três
anos atrás foram
instituições estaduais e privadas do ensino superior brasileiro. Logo, o Brasil encerradas as atividades regulares
não tem ideia do que é uma universidade. deste fórum. No entanto, desde entã...

Pré-cálculo em vídeo
Um sistema de ensino superior que exige de um adolescente a escolha de seu A disciplina que mais vezes
lecionei até hoje foi cálculo
curso superior antes de ingressar em qualquer universidade é um sistema que diferencial e integral. E
negligencia sua juventude. demorei anos para
finalmente entender de forma qualif...

Nas ifes também não existe, de forma séria, a tradição das associações de ex- Como escrever artigos
científicos
alunos. Isso significa que as ifes, em geral, não avaliam as carreiras de seus
Recentemente descobri
egressos. Uma universidade que não está interessada em saber sobre o algo que me deixou
destino profissional de seus ex-alunos é uma instituição que não está perplexo. A internet está
repleta de cursos sobre escrita científica.
interessada em conhecer seu papel real perante a sociedade. Novamente Descobri, por exemplo, que...
temos negligência.
Dicas para entrevistas em
programas de pós-
Em 2007 todas universidades federais assinaram o polêmico contrato REUNI graduação
Os conteúdos desta
(Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das postagem se aplicam a
Universidades Federais) com o Governo. A Universidade Tecnológica Federal praticamente todas as áreas do
conhecimento acadêmico. Existem
do Paraná (UTFPR) foi a última a assinar este pacto. Em troca de dinheiro, quatro modalidades de pós-gradu...
essas ifes assumiram o compromisso de aumentar gradualmente suas taxas
A busca pela felicidade pode ser uma
de conclusão de curso para noventa por cento. Do ponto de vista educacional, ideia infeliz

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essa exigência é simplesmente irresponsável. Cursos nas áreas científicas, por Em um estudo publicado
em 1997 , foi relatado que,
exemplo, comumente apresentam índices de reprovação muito superiores a em média, 60% do tempo
dez por cento, mesmo nas melhores universidades do mundo. Isso significa despendido em conversas
informais entre pessoas era
que tanto o Governo Federal quanto os professores que alegam lutar pelo dedicado a ...
ensino superior público de qualidade em seus emocionais movimentos de
Sobre as ocupações
greve, estão negligenciando o futuro da nação de forma realmente perigosa. A Há mais de um ano
preocupação evidente é com quantidade de jovens que se formam em encerrei as atividades
normais deste blog, por
graduações e não com qualidade de ensino. motivos que já expliquei .
No entanto, nas últimas semanas têm
ocorrido...
Em 2012 a consultoria britânica Economist Intelligence Unit publicou um
levantamento global de educação que comparou quarenta países, levando em
conta notas de testes realizados por alunos e qualidade de professores Postagens mais visualizadas desde
avaliados entre 2006 e 2010. O Brasil ficou em penúltimo lugar, denunciando 2009
um sistema educacional básico que supera apenas o da Indonésia. Este Depoimento de um
resultado desastroso é uma das múltiplas evidências de que professores Superdotado
formados pelo ensino superior brasileiro não estão demonstrando competência O texto abaixo é um
depoimento de um
profissional. Diante da promessa do Governo e das universidades federais de superdotado (indivíduo com
que as taxas de conclusão de curso deverão subir indiscriminadamente para capacidade intelectual muito acima da
média) que conheci pessoalmente. J...
noventa por cento, percebe-se que o futuro reserva um desempenho
educacional ainda pior para o Brasil, a longo prazo. Dicas para entrevistas em
programas de pós-
graduação
Usualmente também não existem programas de honors (ou equivalentes) nas Os conteúdos desta
postagem se aplicam a
ifes. Esses programas constituem em uma série de procedimentos de praticamente todas as áreas do
avaliação que reconhecem os alunos que se destacam como os melhores em conhecimento acadêmico. Existem
quatro modalidades de pós-gradu...
suas respectivas turmas de formatura. Na prática, os programas de honors
operam como cartas institucionais de recomendação que simplesmente Olavo de Carvalho
Clique na imagem Recebi
afirmam: "Este indivíduo realizou seu curso com distinção e louvor." É uma hoje e-mail de um leitor
forma de ajudar a alavancar as carreiras dos mais brilhantes. Nas ifes, no deste blog perguntando por
que citei Olavo de Carvalho
entanto, novamente faz-se questão de tratar todos de forma igualitária. Temos em uma postagem recentemente ve...
assim outro exemplo de negligência em um país cujas universidades públicas
Universidades federais
geralmente consideram elitismo como algo socialmente reprovável. finalmente expostas na
Scientific American Brasil
Não existem mais cátedras nas ifes. Se um professor de universidade federal Professor Estável Anos
atrás fiz várias
falece, pede exoneração do cargo ou se aposenta, ele libera uma vaga. Não contribuições para a Scientific American
importa se este docente orientou dezenas de doutores, publicou centenas de Brasil , com dois artigos, diversas notas
de divulgaç...
artigos de elevado impacto, exerceu relevantes atividades administrativas ou
Matemática é uma ciência
influenciou de forma construtiva milhares de pessoas ao longo de sua carreira.
exata?
Simplesmente não existe continuidade de sua obra. Este senso de Nomes não são meras
continuidade deveria ser estabelecido institucionalmente através da cátedra. O arbitrariedades humanas.
Nomes desempenham um
célebre astrofísico Stephen Hawking, da Cambridge University, ocupou a papel relevante do ponto de vista social
mesma cátedra de Sir Isaac Newton, um dos pais da ciência moderna. Trata- e até individual, sejam dados ...

se de um compromisso que deve transcender a mortalidade física dos grandes Sobre as ocupações
nomes da ciência mundial. Nas ifes, porém, qualquer obra, por mais relevante Há mais de um ano
encerrei as atividades
que seja, deve morrer junto com o seu autor. O grande lógico brasileiro Newton normais deste blog, por
da Costa é professor catedrático da UFPR. Sua cátedra é um cargo vitalício, motivos que já expliquei .
No entanto, nas últimas semanas têm
conquistado décadas atrás. No entanto, apesar deste grande cientista ser ocorrido...
responsável pela formação de uma importante escola de lógicos brasileiros
O que é um Pesquisador
reconhecidos internacionalmente, a UFPR não se preocupa em ocupar esta do CNPq?
cátedra com algum profissional que continue tal tradição. Isso porque todas as Tenho publicado menos
textos neste blog por conta
cátedras foram extintas, não apenas na UFPR, mas em todas as ifes. Temos
de um projeto que estou
aqui um exemplo de negligência com obras relevantes. Falta a percepção de desenvolvendo em parceria com o meu
filho e uma produtora de...
que memória não se promove apenas com museus ou nomes dados a salas
de aula e bibliotecas. Foi bom enquanto durou
Caros amigos, esta
postagem anuncia o fim
Mantenho um blog no qual promovo discussões e articulo ações sobre das atividades regulares do
educação, com especial ênfase à matemática. Neste sítio convoquei alunos de blog Matemática e
Sociedade. Há algum tempo eu já sabia
ifes a espalharem cartazes em suas instituições de ensino com a frase que este...
"Professor de universidade pública tem seu emprego garantido,
Conquistando respeito acadêmico sem
independentemente da qualidade de suas aulas." É uma frase simples, esforço

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excessivamente resumida, mas que retrata um fato importante. Os jovens que Digamos que você seja
intelectualmente vaidoso,
atenderam ao pedido foram surpreendidos com manifestações imediatas de ou seja, uma pessoa que
extrema intolerância, vindas justamente de professores. Docentes moralmente se alimenta de
elogios sobre a sua
concursados, que viram esses cartazes, simplesmente os arrancaram. inteligência. Mas, ...
Cartazes colados em paredes foram dilacerados. Há pouco espaço para
A busca pela felicidade
autocrítica nas ifes. pode ser uma ideia infeliz
Em um estudo publicado
em 1997 , foi relatado que,
Recentemente recebi convite da revista Sem Fronteiras, da Secretaria de em média, 60% do tempo
Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) do estado do Paraná, despendido em conversas informais
entre pessoas era dedicado a ...
para escrever um artigo. Imediatamente escrevi um texto crítico sobre a
educação brasileira. Recebi a resposta de que aquele texto não poderia ser
publicado, pois não interessava à SETI criar atritos políticos com demais Postagens mais comentadas
setores do governo paranaense. Em função desta resposta, escrevi outro
Olavo de Carvalho (241 comments)
artigo, no qual eu criticava o papel do filósofo da ciência nos dias de hoje. O
artigo foi publicado na íntegra. Ou seja, criticar filósofos não tem problema. Foi bom enquanto durou (132
comments)
Mas criticar o sistema público de ensino é desaconselhável. E isso ocorreu em
uma revista chamada Sem Fronteiras. PT e Satanás (115 comments)

A diferença entre física e filosofia da


Quando propus o presente artigo ao editor Ulisses Capozzoli, a resposta foi física (104 comments)
imediata: se a Scientific American Brasil publica artigos contendo críticas a Sobre entrevista de Artur Avila no
universidades dos Estados Unidos e de outros países, por que não criticar programa de Jô Soares (98 comments)
universidades brasileiras? Esta é uma postura genuinamente científica. Sem Paulo Freire e a matemática do oprimido
crítica, não se faz ciência e nem educação. Sem crítica, não se sustenta uma (90 comments)
instituição de ensino séria e competitiva e, em particular, uma universidade. E Sobre as ocupações (84 comments)
os exemplos de negligência dados são igualmente exemplos de falta de crítica.
O que é um número? (80 comments)

Professores de física falam de infinitésimos em suas aulas de graduação e A Lógica da Violência (76 comments)
pós-graduação, quando modelam fenômenos físicos através de ferramentas do Mais um exemplo insano de ensino a
cálculo diferencial e integral. No entanto, o cálculo ensinado nas mesmas distância (68 comments)
instituições não emprega infinitésimos, conceito este fundamental em um Conquistando respeito acadêmico sem
estudo avançado conhecido como análise não standard. Professores de cursos esforço (65 comments)
de letras, quando lecionam linguística, discutem sobre gramáticas gerativas de Confissões de um boçal (62 comments)
Chomsky, sem de fato conhecer teorias de conjuntos, o que torna o estudo
Diálogo? (57 comments)
sério a respeito do tema simplesmente impossível. E docentes de cursos de
filosofia abordam filosofia da ciência sem jamais terem tido qualquer contato Preciso de um psicólogo (51 comments)
com atividades científicas, no sentido estrito do termo. Apesar destes Depoimento de Ex-Aluno do Curso de
problemas não serem exclusivos das universidades federais, certamente a Física da UFPR (45 comments)
perpetuação de tamanha ignorância em tais instituições constitui um péssimo A aula que o Brasil perdeu (43
exemplo que se propaga em praticamente todas as universidades do país. O comments)
próprio Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Reforma agrária: do campo para a
(CNPq) considera lógica matemática como especialidade da álgebra, em sua universidade (40 comments)
classificação de áreas do conhecimento, demonstrando desconhecer o que é Alunos babilônicos (40 comments)
lógica matemática.
As mais importantes contribuições da
história da ciência (38 comments)
O conceito de universidade deve apelar fundamentalmente para uma visão de
Filosofia e Sociedade (38 comments)
universalidade, como o próprio nome sugere de forma trivial. Muitas das mais +Grab This
importantes contribuições científicas da história exigiram pesquisas
interdisciplinares. A descoberta da estrutura molecular do DNA, por exemplo,
somente foi possível graças a aplicações de métodos de ciências físicas em Últimos Comentários
biologia. A própria filosofia da ciência, nos dias de hoje, avançou para muito
Unknown wrote:
além das ideias de Karl Popper, autor ainda venerado em graduações Desse seleto grupo, tive a honra de ter
brasileiras como uma espécie de líder atual que conduz aos temas mais sido aluno do Professor José Augusto
Baeta Segundo, em 1988. Ele ministrava
avançados da metodologia e da epistemologia. O casamento entre filosofia da Álgebra Linear, na Escola Federal de
ciência e métodos avançados de lógica matemática praticamente não é Engenharia de Itajubá - EFEI. o
Professor...
discutido nas salas de aulas de nossas universidades. Enquanto nossos Continue >>

professores universitários em geral ignoram as profundas riquezas da Adonai wrote:


psicologia matemática e das aplicações da teoria matemática das decisões em Anônimo Envie e-mail para
adonai@ufpr.br, especificando qual livro
ciências humanas, entre outros exemplos de interdisciplinaridade, o Brasil você deseja.
continua estagnado perante as nações que tradicionalmente produzem Anonymous wrote:

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conhecimento científico de alto nível e que, por conta disso, crescem dos Poderia me enviar o pdf deste livro por
favor?
pontos de vista social e econômico. Não é por acaso que nossas graduações
twistzz[C] Sonho SETUP wrote:
em engenharias são reconhecidas apenas como cursos técnicos em países Melhor blog de todos!
europeus. Adonai wrote:
Grande Emerson! Há quanto tempo que
a gente não se fala, cara! Elenilton e eu
Fala-se muito da necessidade de valorizar o professor no Brasil. No entanto,
ainda estamos definindo a melhor
os professores do ensino público frequentemente querem impor essa estratégia, a médio e longo prazo, para a
valorização através de greves que reivindicam melhores salários para todos, divulgação deste material. A curto
prazo...
sem qualquer discriminação. Se docentes desejam honestamente ser Continue >>

valorizados, poderiam examinar certos exemplos que ocorrem em outras Emerson Joucoski wrote:
categorias profissionais. Médicos, psicólogos, engenheiros, arquitetos e até Muito bom Adonai sem saber que estás
envolvido com o ensino (inovador) de
mesmo corretores de imóveis contam com o apoio de códigos de ética. matemática! Acredito que você tem
Professores, porém, não têm qualquer código de ética para estabelecer muito a contribuir com o ensino sério da
matemática. Vai submeter o material ao
padrões de qualidade de suas profissões e mecanismos de proteção e Programa...
punição. Códigos de ética certamente não resolvem de maneira definitiva o Continue >>

problema da valorização profissional. Mas constituem um importante passo, de Adonai wrote:


Grato pelo importante apoio, Anthony.
caráter muito mais meritocrático do que greves. Mas, para isso, seria
Unknown wrote:
necessário que os docentes dialogassem com especialistas em ética, cujas Tenho que te parabenizar pelo trabalho
competências sejam internacionalmente reconhecidas. Sem diálogo entre que desenvolveu até aqui. Conheci este
blog ano passado, auxiliou-me a mudar
diferentes áreas do saber, não há universidade e nem educação. muitas opiniões errôneas que eu tinha
acerca da matemática. Trabalho
adorável...
Para o leitor perceber melhor as origens da incompetência dos professores Continue >>
brasileiros, recomendo a leitura deste artigo de Paula Louzano e Adonai wrote:
colaboradores. Caro Anônimo Fiquei surpreso com suas
considerações (bastante emotivas),
ainda mais sobre uma troca de ideias
Nos Estados Unidos todas as instituições de ensino superior são pagas, que ocorreu três anos atrás. Seria
incluindo estaduais e municipais. No Brasil as universidades públicas são necessário saber as posições dos
envolvidos hoje em...
gratuitas. Este é um exemplo brasileiro de profunda responsabilidade social. Continue >>

Mas qualquer que seja a realidade educacional e científica de uma nação, '-' wrote:
sempre haverá problemas graves a serem resolvidos. Portanto, a visão crítica Aff, senhor autor, agora que vi que você
a admoestou sim. Muito bem. Feliz por
jamais deve deixar de existir. Porém, levando em conta nossa realidade de isso. Retiro as acusações de que você é
hoje, fica evidente que ainda não encaramos de frente os problemas mais vaidoso, apesar de ainda tergiversar
demais. Enfim, ignore meus
crônicos e graves. comentários...
Continue >>

Há muito tempo o Governo Federal tem investido consideráveis verbas para '-' wrote:
Você, senhorita, também fez a
apoiar pesquisas e expandir vagas em universidades. E graças a iniciativas mesmíssima coisa, usou do mesmo
como a criação de institutos de pesquisa, projetos de convênios internacionais artifício retórico-sofístico do apelo a
autoridade, para modular seu desafeto,
e órgãos de apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico, o Brasil o pobre Daros, que caiu nessas suas
conseguiu conquistar um certo reconhecimento internacional em algumas garras ferinas, e a...
Continue >>
áreas da medicina, matemática e física, para citar umas poucas.
'-' wrote:
É inacreditável este seu mau-caratismo
Mas a preocupação principal que deve ser colocada, atualmente, é sobre a sofístico e intelectual, senhorita. Que
argumentos mais rasos e estapafúrdios!
estrutura fundamental do ensino superior brasileiro. E o primeiro foco de Se porventura Einstein falasse que
atenção deve ser voltado às instituições federais de ensino superior, as quais unicórnios existem, estaria eu, na
posição de...
respondem por grande parte da produção científica da nação e estão ao Continue >>
alcance de ações imediatas do Governo Federal. Em alguns rankings --- wrote:
internacionais, as primeiras universidades brasileiras citadas são duas Muito obrigado!
estaduais de São Paulo. Eventualmente aparecem também nestas listas a lgallindo wrote:
Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mas suas colocações são sempre Anônimo, bem vindo ao clube.

modestas. E na rigorosa classificação Shangai, nenhuma instituição brasileira Adonai wrote:


Realmente este artigo não está
é citada. disponível na internet. Eu mesmo perdi o
texto original, por conta de um acidente
com antigo computador meu. Você só
A situação econômica do Brasil, bem como seus reflexos sobre a qualidade de encontra meu trabalho original em
vida de cada um de nós, não serão sustentados a longo prazo sem uma bibliotecas que...
Continue >>
revisão drástica sobre os fundamentos de nossa educação e produção
--- wrote:
científica e tecnológica. Sem ciência e educação, simplesmente não há Professor Adonai, não consigo achar o
esperança. seu artigo "An Axiomatic Framework For
Classical Particle Mechanics Without
________ Force". Você pode indicar onde
encontrá-lo? Outra coisa: você poderia

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Veja aqui algumas críticas a este artigo. dar...


Continue >>

Postado por Adonai às 01:07 Léo Quadros wrote:


Obrigado pela resposta professor,
Reações: grande abraço
Adonai wrote:
Marcelo Encerrei as atividades neste
Temas: educação, sociedade blog há algum tempo. Tenho tentado
desenvolver um novo site chamado
Eclipse. Talvez eu até escreva algo a
150 comentários: respeito do tema, mas confesso que
sinto-me um tanto...
Continue >>
Nicholas Prestes 29 de janeiro de 2013 02:04
Adonai wrote:
Eu estou estudando em uma universidade americana agora atraves do Ciencia sem Fronteiras e a Léo Perdoe pela demora para
principal diferenca e este ambiente "universitario". Apesar de cursar fisica no Brasil fui "obrigado" a responder. Espero que veja esta minha
escolher materias fora da minha zona de comforto, equanto fazia mecanica quantica e fisica do resposta. Cursos presenciais e cursos a
estado solido tive aulas sobre a europa moderna e neste semestre estou fazendo um "seminar" do distância apresentam prós e contras, se
departamento de educacao. Em termos de sala de aula tenho aulas tao interessadas e bem compararmos um com o outro. Mas
ministradas quanto no Brasil, a diferenca mora no uso pedagogico que a universidade fez do meu qualquer que seja a...
tempo livre. Enquanto no Brasil eu cursava 5 ou 6 materias diferentes aqui esse numero cai pela Continue >>

metade mas tenho o triplo ou o quadruplo de trabalho extraclasse. Viver dentro do campus Marchiolli wrote:
representa uma facilidade indiscritivel que facilmente se reflete no rendimento em classe. Adonai, acredito que Curitiba está na
Nas proximas semanas vamos discutir na classe do departamento de educacao como o "tenure" esta mira das atenções após a prisão do Lula
sendo prejudicial para, neste caso, o ensino medio e fundamental. Espero que com o seu artigo mais do que nunca. Você poderia
professor discussoes comecem ai tambem. Boa Sorte. realizar um post narrando para nós
como está o clima por aí de um
Responder
observador de dentro da...
Continue >>
Respostas

Adonai 29 de janeiro de 2013 02:24

É o que espero também, Nicholas. Espero que aproveite bem a experiência de estudar Visitas desde 08/02/2015
nos EUA. Boa sorte em seus empreendimentos.

Nicholas Prestes 29 de janeiro de 2013 02:49

Obrigado professor.
Gostaria de pedir desculpa pelos erros de portugues e falta de acentuacao, ainda estou
lutando para achar algum driver para teclado americano com acentos. Queria responder
rapidamente ao texto, pensei em escrever algo antes mas, infelizmente, as ideias se
perdem com o tempo.

Muito obrigado e parabens.

Responder

Adriane Mazola Russ 29 de janeiro de 2013 02:13

Adonai

Primeiramente quero parabenizá-lo pela publicação! Precisamos muito de artigos sérios que mostrem Inscrever-se
com clareza a realidade de nossas universidades! Seu trabalho nesse sentido tem sido realmente
importante. Postagens

Fiquei pensando sobre as políticas meritocráticas, as quais realmente inexistem também nas IES Comentários
privadas, e tento compreender os argumentos que pedagogos, por exemplo, utilizam para justificar a
falta de méritocracia dentro das instituições de ensino. Na vida, nada se consegue sem mérito.
Sempre procuraremos escolher o melhor médico, o melhor dentista, o melhor psicólogo (desde que
tenhamos condições para isso, claro!). As promoções dentro de grandes empresas acontecem - na
maioria das vezes - tendo como base o desempenho funcional (mérito profissional). Mesmo nas
avaliações de estudantes, as notas sempre são atribuídas de acordo com o número (ou qualidade)
de acertos... Isso também é mérito. É provável que os defensores da falta de tais políticas
meritocráticas sejam justamente aqueles que não tem a intenção de fazer qualquer tipo de esforço
para progredir. Mas na vida fora das IFES, são se vai em frente sem vencer desafios!

Durante a leitura deste artigo tive muitas ideias para meu projeto de doutorado! Me aguarde... Mais
uma vez, conto com você!

Responder

Respostas

Adonai 29 de janeiro de 2013 02:26

Adriane

Sua avaliação é realmente precisa. Quem produz não tem tempo para articular
movimentos de greve.

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Responder

Leo Armelin 29 de janeiro de 2013 15:08

Por acaso acabo li seu artigo e lhe digo, que excelente surpresa. Em poucos argumentos você
apresentou aquilo que é mais daninho e prejudicial à nossa sociedade: a ausência da meritocracia. O
que é constatado nas ifes se reflete também em toda a esfera pública e setor privado. Não é por
acaso que a "qualidade brasileira" é discutível e que também por isso recebamos o título de um país
que não é sério... Não conheço os Estados Unidos, mas cresci assistindo aos filmes hollywoodianos
e é muito claro o valor que eles atribuem ao esforço e a superação (tanto que vira filme). Aqui, no
serviço público, cargos de confiança e de chefia são preenchidos por indicação, por pessoas muitas
vezes sem nenhum conhecimento técnico ou competência naquela área. Ela irá gerenciar
profissionais de carreira, certamente muito mais experientes, não é difícil imaginar o resultado. O
mérito nesse caso não é indicativo e muito menos cogitado.
Nunca tive um padrinho ou alguém que me indicasse a algo. Afirmo que o único momento que senti
que estudar valia alguma coisa foi mediante os concursos que prestei e que fui aprovado. Numa
dessas deixei o cargo de docente para assumir outro administrativo no serviço público federal sem
pensar em títulos ou status. Deparo-me constantemente com situações onde o docente na ifes se
qualifica como o "professor" (douto e infalível), enquanto os demais funcionários são seus
"servidores", numa clara referência: vocês estão aqui para me servir e nunca para me questionar.
Em se tratando de produção científica, como sou aspirante a pós strictu sensu vejo o currículo de
meus concorrentes e acho até engraçado, se não fosse trágico. Artigo feito a vinte mãos produzem
outra dezena com os mesmos autores, cuja relevância pode ser questionada.
Quando docentes ou gestores reclamam que falta recurso na ifes, a imprensa mostra prédios
sucateados, falta de material, mas ninguém apresenta o outro lado. Não se comenta, por exemplo, a
ausência de planejamentos eficazes e eficientes, ou ainda, questiona como são aplicados as
vultuosas somas de recursos que o governo destina a essas instituições, lembrando que o governo
investe muito mais nas universidades públicas que atendem a cerca de 10% dos universitários, que
nos ensinos fundamental e médio que abarca a maioria das crianças e jovens brasileiras. Vou parar
por aqui, mas desde já agradeço e parabenizo seu artigo que terei muito gosto em compartilhá-lo.

Responder

Respostas

Adonai 29 de janeiro de 2013 16:12

Leo

Seja muito bem-vindo a este fórum. Fico animado ao perceber que existe mais gente que
percebe a pobreza intelectual deste país. Sua referência ao cinema hollywoodiano é
extremamente feliz. Cinema quase sempre reflete a cultura do país de origem. Basta ver
os temas recorrentes do cinema brasileiro: favelas e mais favelas.

Espero que todos possamos contar com sua participação por aqui.

Susan Blum 29 de janeiro de 2013 16:42

E, por falar em filme, novamente é citado o roteiro que você vendeu ao Padilha! Seria
MUITO interessante que este longa saísse... pois também permitiria uma reflexão. O que
mais estou aguardando deste artigo, é a possibilidade de REFLEXÃO. Estou cansada de
pessoas que apenas criticam, sem argumentar ou propor saídas. O artigo traz inúmeras
possibilidades de questionamentos. Você cita diversos problemas que deveriam ser
analisados por pessoas minimamente capazes. Estou ansiosa para acompanhar os
próximos debates!

Adonai 29 de janeiro de 2013 18:06

Pois é, Susan. Quando eu estava redigindo o artigo, falei ao Padilha que eu pretendia
mencionar sobre o filme. Ele disse que não tinha problema. Espero que essa reação
sinalize sua intenção de produzir e dirigir de fato o filme. Ele comprou os direitos. Só
posso aguardar agora.

Responder

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FILOGMAICA 29 de janeiro de 2013 15:16

Caro Adonai,
excelente artigo que revela de forma bastante lúcida as mazelas de nossa educação. Vale notar que
nossas Universidades, por um lado, são bastante elitistas (particularmente em alguns cursos),
especialmente pela forma de acesso,por outro lado, como Você observou de modo contundente,
apregoam uma "igualdade" que implica numa mediocridade que não se justifica. A "igualdade" é um
dos termos fundamentais dos estados democráticos que deve-se tomar todo o cuidado no emprego.
Você concordaria que as pessoas são iguais em direitos, mas não em capacidade, daí a necessidade
de uma política de meritocracia nas instituições de ensino, sejam elas de ensino superior ou
fundamental?
Parabéns pelo artigo!
Um abraço,
Gilson Maicá.

Responder

Respostas

Adonai 29 de janeiro de 2013 16:15

Gilson

Você tocou em um ponto extremamente relevante: a igualdade garantida pela


Constituição. Preciso escrever algo a respeito e logo. Tem muita confusão na cabeça de
muita gente sobre este conceito.

FILOGMAICA 29 de janeiro de 2013 18:07

Concordo! De fato é um conceito extremamente controverso, mesmo para os especialistas


em filosofia política.

Responder

Rafael Frigori 29 de janeiro de 2013 18:34

Prezado colega, parabéns pelo texto. Permita-me um aparte ao texto: "Legalmente, o estágio
probatório poderia ser cumprido no exterior, uma vez que o vínculo empregatício com a UFPR seria
mantido.", entretanto a lei 8112 que regulamenta também o cargo de Prof. do Mag. Superior é
taxativa nesse ponto que diz: "Os afastamentos para realização de programas de mestrado e
doutorado somente serão concedidos aos servidores titulares de cargos efetivos no respectivo órgão
ou entidade há pelo menos 3 (três) anos para mestrado e 4 (quatro) anos para doutorado, incluído o
período de estágio probatório, que não tenham se afastado por licença para tratar de assuntos
particulares para gozo de licença capacitação ou com fundamento neste artigo nos 2 (dois) anos
anteriores à data da solicitação de afastamento. (Incluído pela Lei nº 11.907, de 2009)" ... então,
parece-me, que não havia muito o que fazer mesmo no caso mencionado.

Responder

Respostas

Adonai 30 de janeiro de 2013 01:41

Rafael

Grato pelo apoio.

A questão que você levanta, como tudo o que tem natureza legal, não é tão simples. O
artigo 95 da lei 8112 prevê afastamento, mesmo em estágio probatório, para estudo ou
missão no exterior. Eu mesmo já passei por duas situações parecidas anos atrás e não
houve impedimento algum. O fato é que não cabe ao Conselho Setorial decidir sobre
questões como essa. Se há algum entrave legal, isso deve ser estabelecido pela
assessoria jurídica da universidade, a qual não foi consultada.

Responder

Jaguaraci Silva 29 de janeiro de 2013 19:02

Durante uma aula de docência ontem em um curso de pós-graduação de mestrado fiz as seguintes
perguntas sem reposta:

1)Por que um professor não escreve um planejamento de ensino ao invés de copiar o que já tem
pronto de outro professor?.

2)Por que ele não lê o projeto pedagógico do curso para entender a visão do curso e ter certeza que
o conteúdo da disciplina irá cumprir com os objetivos de formação do aluno?.

3)Por que ao invés de planejar aderente ao projeto do curso ele copia suas aulas da internet, de um
curso que não possui os objetivos pedagógicos relacionados com o da instituição, se ele ganha por
hora para fazer isso?.

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4)Por que o professor escreve no planejamento que as suas aulas possuem 68hs de aulas teóricas e
8hs práticas se ele nem planejou as aulas?.

5)Por que o professor entregou o planejamento de ensino ao coordenador do curso e este nem
certificou o que estava escrito?.

6)Por que os trabalhos práticos repassados pelos professores normalmente excedem a carga horária
de estudos e não promovem aprendizado do conteúdo da disciplina?.

7)Por que um doutor, que não é formado para ser professor, é aprovado em concurso para
professor?.

8) Por que o professor escreve no plano de ensino que adota uma metodologia de ensino que ele
não sabe aplicar?.

9)Como é possível aprovar ou reprovar alunos com um "planejamento" desses?.

10) Qual o papel dos professores então nas universidades federais?.

Responder

Respostas

Adonai 30 de janeiro de 2013 01:49

Jaguaraci

Todas as suas perguntas são evidentemente relevantes. No entanto, preciso fazer uma
advertência. Toma cuidado! Vivemos em um sistema covarde o bastante para conspirar
pela destruição de pessoas questionadoras como você. Não estou insinuando que você
precisa aceitar em silêncio tudo o que lhe parece absurdo. Mas se você pretende fazer
alguma diferença real para a sociedade, precisa ponderar com muito cuidado sobre os
aspectos políticos da vida acadêmica. Ajuda muito se você procurar por grupos de
pesquisa que compartilhem de ideias semelhantes às suas.

INVESTIMENTO ARRISCADO 2 de fevereiro de 2013 21:29

Um sistema covarde, nas universidades? Uma maneira elegante de dizer que é um ninho
de cascavéis. Não, perdão, falha minha. Animais irracionais não são cruéis assim. É um
ninho de pedaços de gente... a mim não parecem completos.

Adonai 2 de fevereiro de 2013 22:49

INVESTIMENTO

Peço um pouco mais de calma. Há gente séria nas ifes. O problema é que elas estão
ocupadas demais para lidar com sindicatos. Peço que acompanhe as próximas postagens.
Estratégias estão sendo definidas.

Daracelli 24 de janeiro de 2014 12:30

Quando li os comentários, e, também li seus questionamentos Jaguaraci, fiquei


relembrando minha graduação, e atualmente meu mestrado. E cada vez mais fico
satisfeita com a educação que recebi da maioria dos meus professores da UFMS/CPTL
/CPAN. Professores compromissados com o tripé que sustenta nossa universidade. Na
verdade estes meus professores, são 'impar', vivenciam diariamente o ensino, a pesquisa,
e a extensão. Quando fizemos uma paralisação no CPTL, exigindo mais professores, pois,
corríamos o risco de não nos formarmos por falta de professores, o corpo docente do DED
nos apoiou. Apenas, não puderam tomar a frente, uma vez que, a luta era dos alunos, mas
os professores estavam lá. Fui bolsista PIBIC no meu primeiro ano de pedagogia, e nos
anos seguintes participava do grupo de estudos e de pesquisa. Nossa produção foi
imensa durante os quatro anos. Sempre nos inscrevíamos para ganhar recurso para
desenvolvermos nossa pesquisa. A pesquisa que realizamos, gastos com papeis,
gravador, canetas, computador (havia um destinado aos alunos, mas, bem precário),
impressão, foi tudo tirado do nosso bolso, aliás, nosso professor tirava do dele mesmo.
Sem falar nas aulas que sempre eram muito boas, eles seguiam a risca o plano de aula, a
carga horária, e sempre houve muita disputa com relação com o currículo a ser
empregado. E acho muito válida essa disputa, pois, mostrou o comprometimento de todos
os professores, cada um defendendo seriamente sua postura, seu referencial (as brigas
sempre foram muito sérias mesmo). E claro, isso se deve a postura dos professores, de
viver a teoria na prática. Como afirma Frigotto a postura antecede o método. Quem dera
todos os professores fossem assim.

Responder

Jonas Floriano 29 de janeiro de 2013 19:05

Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo artigo. É simplesmente realista e fabuloso. Formei-me


em física na UFSCar e atualmente estou realizando meu doutorado nesta mesma instituição. Durante
minha graduação, pela distinta característica desta universidade, tive a oportunidade de fazer cursos

12 of 44 08/04/2019 20:11
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no departamento de biologia, de letras, e de ciências sociais. Infelizmente, esta possibilidade é rara


nas IFES. Para ser breve, minha opinião é de que as coisas só mudam no Brasil se algo realmente
grave acontece, vide o exemplo em Santa Maria - RS, que agora irá provavelmente servir de lição
para outras cidades. No ensino superior federal acredito ser a mesma coisa, mas infelizmente, a
'coisa grave' a acontecer é a longo prazo, e muitos brasileiros não se dão conta disso. Sobre a
atuação de certos professores para coibir melhorias propostas por jovens pesquisadores ou alunos,
tive uma péssima experiência quando fui até a prefeitura universitária (onde o chefe do departamento
disse que eu deveria ir) para pedir melhorias simples nos banheiros do departamento de física
destinado aos alunos (sim, aqui professores tem outros banheiros, com pias de mármore). Melhorias
simples como acento sanitário e papel higiênico. A resposta do vice chefe foi imediata e veio até
minha sala dizer quer eu não devia ter feito isso. Conclusão, até hoje, nada mudou. Embora eu tenha
desviado do objetivo do texto, e peço desculpas por isso, acredito ser também uma grave falha de
certos professores, como também jovens professores que passam em concursos escancaradamente
auxiliados por outros professores veteranos e não por mérito.
Abraço e novamente, parabéns e desculpe-me pelo desvio no comentário.

Responder

Respostas

Adonai 30 de janeiro de 2013 01:53

Jonas

Você não desviou do objetivo do texto. O que seu relato mostra é intolerância ao
questionamento, mesmo quando se trata de questões elementares, como manutenção de
banheiros. Se nem de banheiros a turma quer cuidar, quem dirá do resto.

Responder

Gustavo Cardial 29 de janeiro de 2013 19:20

Estudei por um tempo na USP e hoje me aventuro numa graduação na Universidade Federal do
Acre. Há realmente muita coisa errada por aqui: disciplinas sem ninguém para ministrar, professores
que mais faltam do que aparecem, conteúdos mal ensinados...

Sempre tive a sensação de que a causa da maior parte desses problemas reside na falta de
meritocracia, aliada à segurança que o funcionalismo público oferece. Seu artigo retrata e
complementa todas as minhas impressões e conclusões.

Me chamou atenção a ideia dos cartazes com aquela frase. Certos professores realmente exalam
intolerância. Criei um blog onde abordo conteúdos relacionados ao meu curso, www.ufac.si, e uma
das coisas que publico nele: o "Faltômetro Docente", onde os alunos registram as faltas dos
professores. É um experimento interessante. Ao controlar e publicar as faltas docentes, é curioso
observar como de repente muda a forma com que certos professores te tratam: uns pra melhor, como
se reconhecessem a iniciativa e respeitassem, mas outros para pior, como se você fosse uma
ameaça.

Seu artigo é uma ótima iniciativa, parabéns.

Responder

Respostas

Adonai 30 de janeiro de 2013 01:58

Gustavo

Infelizmente nunca estive no Acre. Seria possível você contribuir com um texto para este
blog sobre o "Faltômetro Docente"? Essa é uma denúncia da mais alta importância que
precisa ser divulgada de todas as formas possíveis. Peço também que envie carta ou
e-mail para a Scientific American Brasil, relatando o que você coloca aqui.

Gustavo Cardial 30 de janeiro de 2013 21:33

Adonai, se você tiver interesse, com certeza posso contribuir. Mas será algo modesto: pelo
menos ainda, esta iniciativa ainda não atingiu a proporção que eu gostaria. É uma
experiência recente, e realizada num universo reduzido, um único curso pequeno.

De qualquer forma, é bem verdade que se trata de algo de simples execução, exigindo
somente gente com iniciativa. Iniciativa esta que, infelizmente e por alguma razão, parece
ser o mais difícil de se encontrar.

A maior parte dos alunos é lesada de diversas formas mas, ou por medo de represálias ou
por inércia, nada fazem.

Quando eu tiver algo, envio no seu e-mail. Qualquer coisa, meu e-mail é gustavo@ufac.si.

Adonai 31 de janeiro de 2013 02:30

Ótimo. Fico aguardando.

13 of 44 08/04/2019 20:11
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Responder

Gustavo Cardial 29 de janeiro de 2013 19:20

Este comentário foi removido pelo autor.

Responder

Jaguaraci Silva 29 de janeiro de 2013 19:37

Excelente artigo, demonstra claramente muitos problemas que já percebi em contato direto com
alguns "professores", que contrariando o que se pensa, foram doutorados em programas tidos como
de excelência pela CAPES. O ensino no Brasil precisa mudar, principalmente a estabilidade
garantida para todos e a falta de meritocracia. Nós, que somos contribuintes, sustentamos
verdadeiros parasitas que vêem no serviço público uma oportunidade de viver as custas do dinheiro
público sem ética ou compromisso com a universidade e o ensino. Não concordo de forma alguma
em chamar esses parasitas de professores e tenho total repúdio pela permanência deles no quadro
de docentes de um estabelecimento de ensino superior. O MEC precisa fazer uma faxina urgente!!

Responder

Respostas

Adonai 30 de janeiro de 2013 02:00

Jaguaraci

Peço que envie este seu comentário, exatamente da forma como está, para a redação de
Scientific American Brasil. Sem pressão, vinda de todos os lados, nada mudará.

Responder

FILOGMAICA 29 de janeiro de 2013 21:05

Caro Adonai,
o que Você tem afirmado neste Blog, sempre faz pensar na constituição histórica da universidade
brasileira. Inicialmente constituída para formar uma elite agrária, ligada a nobreza do estado
brasileiro, que em seu início era monárquico. Esta universidade formava médicos, advogados e
filósofos para a carreira eclesiástica (os doutores da nação). Esta universidade evidentemente não
estava conectada aos ideias do liberalismo (político e econômico), que fez parte das revoluções
inglesas e francesa, mas estava principalmente comprometida com os ideias escolásticos e
monárquicos dos estados ibéricos (Portugal e Espanha). Assim, a educação, particularmente a
universitária, era destinada as elites. Quando da proclamação da república, o estado brasileiro e a
universidade permaneceu elitista, guardando privilégios medievais, não comprometidos com a ideia
de igualdade de direitos (o vestibular é apenas um exemplo de um mecanismo desigual de acesso a
universidade), típico dos estados liberais, onde a noção a meritocracia tornou-se imperiosa por
diversas razões que não vou aqui elencar. De qualquer forma, a urgência de uma revolução industrial
iniciada principalmente nos anos 40 ou 50, promovida a forceps, desencadeou a necessidade de
uma mão de obra melhor qualificada, mas ainda completamente desinteressada pela ciência. Em
estados liberais, a revolução industrial foi um resultado da revolução científica, em terras tupiniquis a
ciência incipiente é fruto de uma revolução industrial tacanha e imposta. Naturalmente os homens
não fazem qualquer história, mas a fazem a partir de seus condicionantes históricos, econômicos e
sociais. Assim o fato de termos um Cesar Lattes ou um Newton da Costa, não transforma nossa
história educativa, estes representam apenas desvios estatísticos. É deveras importante seu
trabalho, que admiro e procuro contribuir sempre que posso, haja vista a necessidade de criarmos
massa crítica para transformarmos nosso país.

Gilson Maicá.

Responder

Respostas

Adonai 30 de janeiro de 2013 02:04

Caro Gilson

Como pode perceber, pelos comentários acima, há mais gente que pensa dessa forma.
Peço que envie uma versão resumida de seu comentário para a redação de Scientific
American Brasil. Achei sensacional sua observação de que Cesar Lattes e Newton da
Costa são meros desvios estatísticos. É exatamente isso o que acontece nesta nação.

FILOGMAICA 30 de janeiro de 2013 14:18

Certamente que enviarei estimado Adonai. Já fui assinante desta revista que considero
muito boa!

Responder

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Nathan Fernandes 30 de janeiro de 2013 10:57

Bem, um dos meus professores indicou esse artigo em um grupo da faculdade no facebook, uma
prova que há uma consciência do problema por parte de alguns nomes do corpo docente

Como iniciei meu curso agora, estando ainda no primeiro semestre, não percebi por mim mesmo
muitas das coisas citadas, mas já ouvi muitos professores falando dessa situação lamentável que se
encontra o ensaio superior no pais

Pelo que eu percebi, existe uma aposta que, a partir da volta dos inter-cambistas do ciência sem-
fronteiras o corpo discente passe a ser mais exigente em relação ao ambiente universitário

Ainda não percebi aulas sendo mau ministradas aqui no campus onde eu estudo, todavia, levando
em consideração o que foi dito no artigo, sobre as vantagens de se morar no campus, bem, tirando o
fato de que em casa minha família por vezes interrompe meus estudos com questões cotidianas,
estudar no campus para mim se resume em ter um ambiente onde minha atenção não será desviada

Concluo esse comentário citando uma frase que falaram para minha turma no primeiro dia de aula,
se não me engano era algo assim: Façam seus próprio curso, não esperem nada do Governo, por
que ele só está interessado em números, não esperem nada da Faculdade, por que ela é do
Governo

Grato pela atenção,


Nathan Fernandes

PS: Minha interpretação dela é de que temos que nos esforçar para sair da media imposta pela
faculdade, nos esforçarmos para ser um desvio estatísticos, parafraseando um comentário feito
anteriormente

Responder

Respostas

Adonai 30 de janeiro de 2013 12:56

Nathan

Neste blog há inúmeros exemplos de conteúdos ensinados de forma perpetuamente


errada no Brasil, sem que a maioria dos professores e alunos perceba. Não é minha
intenção deixá-lo paranoico, mas o senso crítico é muito fraco em praticamente todas as
instituições de ensino deste país. Portanto, é muito difícil as pessoas julgarem
corretamente se uma aula é bem ministrada ou não.

No entanto, a julgar pelo seu primeiro parágrafo, fico um pouco mais tranquilo ao perceber
que ainda há professores e alunos que desejam pelo menos pensar a respeito dessas
questões.

Nathan Fernandes 2 de fevereiro de 2013 12:03

Não sei isso o deixará mais tranquilo, mas ontem, sexta-feira, um dos meus professores
se disse descontente com o sistema do campus, segundo ele, a carga horária da matéria
é insuficiente para se ensinar tudo que o aluno precisa saber, que por causa disso ele é
obrigado a correr com a matéria e não pode se demorar muito em cada tópico

Até então eu pensava que a agilidade com que se era dada essa matéria era normal,
parece que como você disse, o senso crítico é um tanto fraco (não querendo me
desculpar, mas devido ao desconhecimento de informações para se ser crítico)

Ele também criticou o plano de carreira, disse que a greve não beneficiou realmente o
ensino, visto que não foi dado nenhum incentivo para o ingresso de bons professores no
meio acadêmico... o salário oferecido a doutores é menor do que o que se esperar que um
graduado ganhe

Adonai 2 de fevereiro de 2013 14:28

Nathan

Nas próximas horas publicarei um texto crítico. Peço que o mostre para o seu professor.
Talvez ele queira colaborar.

INVESTIMENTO ARRISCADO 2 de fevereiro de 2013 14:44

Sempre a lenda de que o salário é insuficiente. Um professor na Universidade de Paris


ganha em torno de 3 mil euros. Não é muito mais que aqui. Mas lá, o custo de vida, é
muito mais que aqui.
O problema é que ficam fazendo comparações estapafúrdias: delegado da policia federal
ganha... um juiz ganha... um auditor da receita ganha..
Ora, os concursos são púbicos. que façam um desses então.
E nunca entendi por que não se comparam com os ganhos do Neymar ou do Ronaldinho.
Que nem doutores são!

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Adonai 2 de fevereiro de 2013 22:43

INVESTIMENTO

De fato essas comparações salariais são ridículas. No entanto, é fácil perceber que
professores em greve sempre se rendem a aumentos salariais. Os representantes
sindicais jamais estiveram preocupados com qualidade de educação. Mas um dos objetivo
deste fórum e de iniciativas paralelas é mudar este quadro. Espero contar com a sua
colaboração.

Responder

Alysson Diniz dos Santos 30 de janeiro de 2013 11:32

Olá caro colega,

me chamo Alysson Diniz, sou professor Assistente I da Universidade Federal do Ceará. Achei seu
texto interessante demais, compartilhei-o na lista de discussão do meu departamento e de lá
surgiram algumas idéias interessantes que sumarizo aqui:

1 - A estabilidade na carreira não é privilégio da carreira docente. Ela é baseada na 8112 que rege
todo funcionário público federal brasileiro. Concordo que a estabilidade irrestrita é danosa, mas se
ela for alterada, tem de ser através de uma reformulação em todo o serviço público brasileiro, e não
apenas na carreira docente. Ora, se a carreira já é desprivilegiada por apresentar salário inferior ao
de outras carreiras que exigem menos titulação, retirar a estabilidade apenas da carreira docente só
iria afastar as pessoas que escolhem a profissão pq desejam de fato trabalhar com educação.

2 - A meritocracia me parece fundamental, no entanto gostaria de ressaltar que não é algo


inexistente (mas sim insuficiente, como as Bolsas de produtividade são do CNPq) e não creio que
seja a solução definitiva para todos os nossos problemas. Na Universidad do Chile, por exemplo,
para cada artigo publicado em journal o professor ganha de 1000 a 4000 dolares. Se não é produtivo
ou tem carga-horária baixa de aulas, o professor pode ser demitido em avaliação bi-anual do
ministério da educação. Mesmo assim esta instituição não aparece em nenhum ranking a frente da
USP, por exemplo.

Sobre os "tenured professors" dos EUA, colo a opinião de um colega exposta na nossa lista de
discussão dos professores aqui da UFC, que esteve recentemente viajando por Universidades de lá:

"Nos EUA vi diversos "tenured professors" bem fracos, que não pesquisavam e davam aulas ruins.
Conseguiram o tenure não por mérito, mas por amizades, jogos políticos, etc, e assim continuavam a
se manter relativamente bem na carreira acadêmica por anos e anos. Outros, muito bons, não
conseguiram porque não se alinhavam ao status quo da instituição -- justamente aquilo que a ideia
do tenure procura preservar: pluralidade, autonomia, etc".

3 - Enfim, todos sabemos dos problemas da Universidade Pública brasileira. Todos temos histórias e
experiências pessoais de favorecimento, conchavos, desleixo de professores e funcionários. Neste
ponto, textos como estes, que nos fazem refletir sobre como deveriam se proceder as mudanças são
importantes demais. Mas acho injusto e negativista demais nos relegar a uma condição histórica de
colonizados, elitistas, atrasados e pontos fora da curva. Perdoe minha insolência quase juvenil, talvez
ela seja culpa da pouca idade e tempo de profissão =]

Encerro com a fala correta do colega Windson Viana que sumariza adequadamente meu
pensamento:

"Entretanto, lembro que os desinteressados ou descomprometidos são uma minoria dos nossos
colegas da UFC. A frase do texto: "A consequência mais óbvia da estabilidade irrestrita para
docentes das ifes é a falta de um ambiente competitivo na vida acadêmica pública", para mim é
falácia muito grande. Quem faz pesquisa sabe quão competivo é fazer ciência no Brasil (projetos e
artigos em bons lugares somente para quem trabalha muito e seriamente)".

Responder

Respostas

Adonai 30 de janeiro de 2013 12:49

Alysson

Todos os argumentos apresentados, sem uma única exceção, já ouvi anteriormente.


Muitos deles foram respondidos neste fórum. Outros tive que responder no facebook, por
e-mail ou mesmo pessoalmente. Já tenho planejada uma postagem de resposta a cada
uma de suas colocações, bem como a outras que estão sendo enviadas para mim. Peço
apenas um pouco de paciência. Ainda não sei quando postarei este texto de resposta,
mas deve demorar no máximo um mês. Tenha em mente que o presente texto perturbou
consideravelmente a ordem natural deste blog, tornando-se o segundo mais visualizado
desde 2009, em apenas 24 horas. Agradeço pelas suas importantes contribuições.

Adonai 30 de janeiro de 2013 13:13

Qualificando...

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Quando afirmei que ouvi esses argumentos anteriormente, eu estava me referindo a


discussões que estão acontecendo por aqui desde 2009.

Responder

Henrique Rocha 30 de janeiro de 2013 17:23

Muito bom o artigo. Gostaria de ver uma crítica destas sobre as instituições de superior Privadas do
Brasil.

Responder

Respostas

Adonai 31 de janeiro de 2013 02:31

Henrique

Há algum tempo venho estudando as instituições privadas de ensino superior. Este é um


tema que certamente interessa.

Responder

Felipe Beijamini 31 de janeiro de 2013 10:00

Prezado Adonai,

Parabenizo pelo texto e pela iniciativa em torná-lo público. Refletindo um pouco sobre tudo que li
lembrei de uma discussão sobre a inclusão de ponto eletrônico para servidores da UFPR. Você deve
saber, melhor do que eu, como isso aconteceu e que fim levou.
Enfim, o exemplo do ponto eletrônico é apenas mais uma mostra do corporativismo doentio dessas
categorias (servidores e professores).

Responder

Respostas

Adonai 31 de janeiro de 2013 12:42

Felipe

Não confio muito nesse tipo de recurso. Aliás, sempre desconfio da dependência de
mecanismos eletrônicos. Quando eu era garoto, havia campanhas do governo para as
pessoas tomarem banho. Hoje isso não é mais necessário. Ou seja, precisamos mudar
mentalidades, para que os alarmes sobre os faltosos sejam as próprias pessoas. Se um
professor falta, os alunos devem cobrar da instituição.

Responder

INVESTIMENTO ARRISCADO 31 de janeiro de 2013 16:07

Excelente artigo, mostra a realidade que fica escondida nas IFES "humboltdianas" (no pior sentido de
universidade fechada).
Parabéns

Responder

Leonardo Koerich 31 de janeiro de 2013 17:35

Artigo excelente. A estabilidade profissional é uma das coisas que mais atrasam a vida de um
professor e pesquisador que queira ser produtivo. A estabilidade causa um prejuízo enorme, que se
contabilizado, ainda seria subestimado. Mas o pior é ver o pacto da mediocridade: professores que
fingem que ensinam e alunos, que sem saber o que fazer, fingem que aprendem. E no fim, métodos
mirabolantes de avaliação são criados para exaltar nossa mediocridade. Uma vez ouvi um
comentário de que Einstein não tinha currículo para ser Pesquisador 1A do CNPq (uma titulação
dada a pesquisadores de excelência no Brasil). Eu pensei comigo mesmo "mas será que Einstein
acharia uma honra, ou grande mérito, se Pesquisador 1A?". É dose!

Responder

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Leo Armelin 1 de fevereiro de 2013 10:29

Se dissecarmos os acontecimentos dentro de um contexto, percebemos que existe um processo e


nele um conjunto de causas e efeitos. Só pra ser mais específico, em uma cultura cujo clientelismo
impera mudar isso demanda tempo, se mudar... o fim da estabilidade seria para nós, hoje, a
desgraça dos questionadores, dos éticos e dos comprometidos. Por quê? O que garante termos a
liberdade para criticar e questionar, negar e não se submeter, mesmo que não sejamos ouvidos é
justamente a estabilidade. Como a competência é deixada de lado, assistiríamos de certo bons
profissionais serem dispensados para que em seu lugar, um "puxa saco" assuma, tudo de modo
arbitrário e irracional, assim como ocorre com as nomeações de cargos de confiança, por exemplo.

Responder

Respostas

Adonai 1 de fevereiro de 2013 20:24

Leo

Seu argumento já foi usado por muitos outros. Diante da realidade de hoje, no Brasil, é
muito possível que você tenha razão. No entanto, observe que não estou defendendo o
fim da estabilidade. Estou defendendo o fim da estabilidade irrestrita. Ou seja, certos
profissionais podem ser beneficiados pela estabilidade sem que tirem qualquer proveito
egoísta. Além disso, nosso país precisa também de um sistema judiciário que funcione
com agilidade e responsabilidade, para proteger o direito à crítica de qualquer cidadão.
Educação não se faz apenas em sala de aula, mas envolve uma ampla rede social que
inclui, justiça, segurança e saúde.

Responder

INVESTIMENTO ARRISCADO 2 de fevereiro de 2013 14:50

Sempre a lenda de que o salário é insuficiente. Um doutor da universidade de Paris percebe em


torno de 3 mil euros. O que não é muito mais do que aqui. Mas o custo de vida, lá, sim é muito mais
que aqui.
E ficam, os nossos docentes, fazendo comparações estapafúrdias: um delegado da polícia federal
ganha... um juiz ganha... um auditor da receita ganha...
Gente, os concursos são públicos. Façam concurso para delegado, juiz, auditor...
Não sei até como ainda não compararam com os rendimentos do Neymar ou do Ronaldinho?
É, gente, parodiando alguém, jogar futebol é fácil. Basta o pontapé inicial e o apito final. Entre eles é
que tem que existir talento!

Responder

Alvaro Augusto W. de Almeida 2 de fevereiro de 2013 19:54

Meritocracia? Lembro-me que, na última greve, os sindicalistas solicitavam que todos os professores
tivessem seus salários igualados aos dos professores com doutorado, já que todos davam as
mesmas aulas...

Responder

INVESTIMENTO ARRISCADO 2 de fevereiro de 2013 22:49

Professor, sou um humilde técnico NS. Que faz serviço de NM. Porque, como sou administrador, sou
um perigo. Imagine, um técnico administrar uma Universidade. Sacrilégio, só professores doutores
peagádeuses podem fazê-lo.
Curioso. Os hospitais que não estão quebrados são os que souberam separar a área de hotelaria da
área médica. E a hotelaria ficou na mão de administradores.
Mas deve ser um mau exemplo. Nos hospitais talvez não existam doutores tão doutos quando os das
IFES.

Responder

Respostas

Adonai 3 de fevereiro de 2013 00:43

Não o vejo como um humilde técnico. Para mim você parece alguém com maior
consciência social do que a maioria dos professores deste país, especialmente os que
trabalham em instituições públicas. Leia, por favor, a última postagem divulgada hoje.
Todos contamos com a sua ajuda e com a ajuda daqueles que você conhece.

Responder

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INVESTIMENTO ARRISCADO 2 de fevereiro de 2013 22:53

Sei que a gente séria. Infelizmente sou passional, explodo. Mas agradeço (e vou envidar meus
melhores esforços) para que eu tenha mais calma. Assim é a forma de se trabalhar - nas novas
estratégias - juntos.

Responder

Sidney de Almeida 5 de fevereiro de 2013 11:40

Sidney de Almeida
Prezado Adonai. Parabéns por este artigo tão lúcido e bem escrito. Realmente precisamos valorizar a
real qualidade da educação e da ciência e não meros números. Eu iniciarei um pós-doutorado no
exterior a partir de março próximo. Embora ainda esteja vivendo de bolsas acadêmicas, estou muito
entusiasmado com as possibilidades de meu crescimento intelectual e profissional. Digo isso porque
o objetivo geral de muitos profissionais no Brasil é conseguir a famigerada "estabilidade" e não
necessariamente a excelência e competência. Não que a estabilidade não seja importante, mas
temos de evitar a mediocridade. Depois de um ano retornarei ao Brasil e, pretendo eu, criar boas
oportunidades de trabalho e produção no nosso país. Divulgarei o seu artigo o quanto puder.
Parabéns mais uma vez!! Obrigado.

Responder

Respostas

Adonai 5 de fevereiro de 2013 13:17

Sidney

Agradeço pelo suporte. Como bem sabe, não é fácil falar sobre Deus com canibais.

Responder

Sérgio Borges 7 de fevereiro de 2013 01:10

Parabéns professor, sou mais um a elogiar seu artigo. Além de muito bem escrito e de ampla
abordagem, é realista. Infelizmente, embora todos estejam cansados de ouvir, e até de repetir, os
problemas começam na base do nosso sistema de ensino, principalmente o público. Como resultado,
o despreparo do aluno é sentido lá na frente e o pior, não existe ação corretiva, não existe um
remédio. Evidentemente essa correção não é função das universidades, mas então como estas
permitem o crescimento e a formação deses alunos? Esse mesmo problema contamina as
universidades particulares, talvez até de forma mais grave, que não sofrem com greves mas
definham com infinitos sistemas de benefícios e cotas de todos os tipos, todos visando a inclusão a
qualquer custo, mas sem se preocupar com a real formação e a maturidade dos jovens. Muitos
alunos são definitivamente empurrados para as universidades sem estarem prontos para elas. A
sociedade, os pais e outros fatores pressionam e o governo facilita de todas as formas essa entrada,
quando este deveria prudentemente capacitar os que não estão prontos, e não lança-los em uma
universidade de qualquer forma. Os alunos por sua vez, além de não entenderem a gravidade da
situação, ainda são gratos! Aumenta o número de alunos ingressando nas faculdades e
universidades brasileiras, o governo federal exalta os números exaustivamente, mas a qualidade dos
profissionais formados não aumenta de forma equivalente, nem mesmo aproximada (fato esse que
por si só, evidencia algum erro grave no processo). Dentre os resultados, temos "profissionais"
formados, que sequer sabem formular uma estrutura textual simples, muitos que nem mesmo
conseguem interpretar. São os problemas do ensino básico batendo no superior, mais uma vez.
Investir diretamente na qualidade do ensino superior é muito importante e a presença gritante de
todos os problemas mencionados é absurdamente grave, mas sem resolver as mazelas do ensino
fundamental, é como querer construir uma casa começando pelo telhado: a falta das paredes será
sempre um problema intransponível.
Obrigado por apresentar suas idéias (e por permitir um espaço para comenta-las). Parabéns.

Responder

Respostas

Adonai 7 de fevereiro de 2013 10:38

Sérgio

Lamentavelmente não tenho percebido qualquer vontade real para transformar o Brasil em
um produtor de conhecimentos. Neste sentido, este blog tem sido um grande aprendizado
para mim.

Agradeço pelo apoio. Apenas lamento que os poucos que percebem a gravíssima situação
que o Brasil está cavando para si mesmo não contam com articulação forte o bastante
para mudar esta realidade.

Responder

Cristina BL 7 de fevereiro de 2013 23:09

Prezado Adonai,

19 of 44 08/04/2019 20:11
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seu texto eh de fato bastante interessante e concordo com muitos dos pontos apresentados por voce.
Gostaria apenas de comentar uma questao: a da estabilidade. Sou professora em uma universidade
britanica que esta dentre as 10 melhores do mundo. Ao contrario das universidades americanas, ha
estabilidade de emprego no Reino Unido (apos o periodo probatorio de tres anos), mas nem por isso
os professores deixam de publicar ou de ministrar boas aulas. Nas universidades britanicas, a
meritocracia e o reconhecimento por pares eh o que move a ciencia e a educacao. O mesmo ocorre
na Franca, Holanda e outros paises europeus. Pessoalmente, nao acho que o sistema americano eh
um que deve ser seguido, pois as universidades sugam o maximo que podem dos seus professores
e depois nao dao estabilidade no momento em que ha uma certa perda produtiva (filhos, doencas,
etc).
Resumindo, concordo plenamente com voce que ha muito que deve ser mudado em instituicao de
ensino brasileiras, mas discordo que a causa deste problemas venha da establidade.

Atenciosamente,
Cristina

Responder

Respostas

Adonai 7 de fevereiro de 2013 23:58

Cristina

Seja bem-vinda a este fórum. A questão que você levanta já foi colocada por outras
pessoas no facebook, por e-mails, em blogs e em conversas pessoais. Coincidentemente,
daqui a pouco postarei novo texto que trata sobre este assunto.

Países europeus como Inglaterra, Alemanha, França e Itália, entre outros, contam com
uma tradição científica e cultural muito antiga. Essa valorização natural à produção do
conhecimento faz parte da cultura desses povos. Até mesmo cobrador de ônibus na
Irlanda considera obrigatório que qualquer irlandês conheça a obra de James Joyce.

Já as sociedades do continente americano são muito mais recentes. Nos Estados Unidos,
por exemplo, 40% da população acredita que o mundo nasceu exatamente da forma como
está descrito no livro do Gênesis. Sociedades como a norte-americana e a brasileira ainda
não alcançaram o nível cultural do continente europeu. Não creio que regras cabíveis à
Europa sejam adequadas por aqui. Mas, é claro, admito que posso estar errado. Por isso
mesmo promovo discussões, com o objetivo de chegar a um denominador comum.

Vale observar também que a Europa perdeu muito espaço para o sistema acadêmico
norte-americano. Alguém poderia argumentar que este fenômeno é recente demais para
quaisquer avaliações mais definitivas. No entanto, creio que se um dia os povos do
continente americano atingirem um nível intelectual mínimo para sustentar trabalho
honesto sem a pressão da competitividade a extremos, talvez possamos futuramente
adotar um modelo mais parecido com o europeu.

Cristina BL 8 de fevereiro de 2013 11:21

Ola Adonai,

concordo plenamente que ha uma diferenca cultural. Que alias explica porque alguns
paises da Europa publicam mais que os outros (ou seja, nao eh um problema especifico
ao Brasil).

Mas acho que para comparar a produtividade entre universidades temos que levar em
consideracao outros fatores. Universidades americanas sao as mais ricas do mundo. As
taxas escolares la sao mais as mais altissimas e os alunos quando se formam ainda doam
muito dinheiro as universidades. Com isso as universidades americanas tem
"endowments" imensos, e por isso podem dar "start up grants" na casa de centenas de
milhares a milhoes de dolares para seus novos professores. Ou seja, antes mesmo de
comecar a carreira, estes novos professores americanos ja tem financiamentos maiores
que muito brasileiros irao ter na vida. Na Inglaterra, onde a taxa escolar maxima cobrada
eh 9000 pounds ao ano, e onde nao ha cultura de doacao de dinheiro a universidades, as
universidades sao mais pobres e dao apenas alguns milhares ou dezenas de milhares de
pounds em "start up grant". No Brasil, um professor recem contratado recebe apenas um
monte de aula para dar. Alias, nao eh a toa que USP e UNICAMP que tem mais dinheiro
que outras ifes e que tem acesso a FAPESP sao as universidades mais produtivas do
Brasil.
Outro ponto que vale a pena mencionar eh que a lingua influencia muito. A maior parte
das disciplinas sao publicadas e discutidas em ingles, e eh claro que pessoas de paises
de lingua inglesa ou que saibam ingles bem desde pequenos consigam se comunicar (e
publicar) muito melhor em uma lingua que eles dominam. Canso de ver trabalhos
excelentes em portugues que ficam bobinhos quando passados ao ingles por autores nao-
fluentes.

Existe tambem a questao da formacao academica. No Brasil, ainda ha a ideia de que a


pessoa tem que entrar em um concurso logo apos sair do doutorado, enquanto que na
Inglaterra pessoas fazem 3 a 9 anos de pos-doc antes de conseguir uma posicao
academica. Na minha opiniao, isso eh grande parte do problema, pois pessoas que ainda
estao aprendendo a ser pesquisadores ja logo entram na vida profissional com carga de
aulas imensas e nao conseguem dar conta de montar disciplinas e uma linha de pesquisa

20 of 44 08/04/2019 20:11
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inovadora. Enquanto que as universidades dos USA e Inglaterra protegem os novos


professores nos primeiros anos para que eles consigam montar sua linha de pesquisa
para depois comecar a dar mais aula.

Por fim, acho injusto comparar a producao de professores brasileiros que dao por volta de
250 horas de aula por ano com professores estrangeiros que dao 50 horas de aula por
ano, como na Inglaterra (ou como nos USA em que os alunos de doutorado ajudam a dar
as aulas).

Na minha opiniao, comparar diretamente a produtividade de professores brasileiros e


americanos eh a mesma coisa que comparar o numero de medalhas olimpicas entres
estes dois paises. Nas ultimas olimpiadas, cansei de ver no Facebook e internet o povo
brasileiro desmerecendo os atletas olimpicos pela falta de medalhas. Mas ninguem
comparou a quantidade de dinheiro que eh posta pelo governo americano em esporte com
a falta de condicoes e apoio que os atletas brasileiros enfrentam. Engracado que nas
para-olimpiadas, que nenhum pais investe muito dinheiro, os brasileiros se sairam muito
bem.

Eu acho que grande maioria dos casos vontade nao falta, o que falta ao professores e
pesquisadores brasileiros sao boas condicoes de trabalho.

Desculpe pelo texto longo!

Adonai 8 de fevereiro de 2013 12:02

Oi, Cristina

Entendo suas críticas e, até certo ponto, concordo. No entanto, não consigo deixar de
lembrar do exemplo de Stanford. É uma universidade relativamente jovem, em
comparação com demais instituições da Ivy League americana. Quando Stanford
começou, a viúva do velho Leland Stanford enfrentou sérios problemas financeiros. O
governo federal queria se apossar daquilo tudo. No entanto, ela batalhou com garra para
preservar a memória do filho, a quem a instituição é dedicada. Ou seja, existe sim o fator
financeiro. Mas por trás deste fator há muita garra e determinação que raramente se vê no
Brasil. Há paixão mesmo.

Lembro também do exemplo da Polônia, recentemente postado neste blog. Um país pobre
que se transformou em uma potência mundial da matemática. Tudo isso conquistado com
um idealismo que vence até mesmo barreiras financeiras.

Se você examinar outras postagens neste blog, perceberá que existe muito comodismo
em universidades públicas brasileiras. Existe muita preocupação com políticas
mesquinhas. E existe muita incompetência. É claro que existem aqueles que são
honestos, competentes e academicamente dedicados. A estes as suas críticas cabem
perfeitamente bem. O problema, porém, é que há também uma massa muito grande de
professores de universidades públicas que simplesmente não se compromete com
educação e ciência.

Nem todos são como você, Cristina. Você, pelo que percebo, não precisa de mecanismos
artificiais para produzir conhecimento e divulgá-lo. Mas pessoas com o seu perfil são muito
raras por aqui.

Talvez você até tenha razão em sua avaliação de que vontade não falta. No entanto,
simplesmente falta a noção do papel social de uma universidade. Mesmo você afirmou
concordar com vários pontos do artigo. E muitas das críticas apontadas sequer foram
pensadas por inúmeros professores com quem tenho conversado.

Adonai 8 de fevereiro de 2013 12:48

Aliás, Cristina, preciso parabenizá-la. Apesar de estar trabalhando fora do Brasil (o que
certamente demanda tempo considerável seu), não esqueceu de sua terra natal. Sua
sensibilidade é realmente apreciada por mim e por muitos outros.

Cristina BL 8 de fevereiro de 2013 13:51

Ola Adonai,
Sim, realmente, existe muita gente boa e muita gente ruim e acomodada no Brasil.
Imagino que nao seja facil bater de frente com universidades e governo. Por isso tambem
gostaria de dar meus sinceros parabens por esta sua luta ingrata! Espero muito que suas
palavras tenham efeito, pois confesso que com as condicoes atuais nao tenho muita
vontade de voltar ao Brasil.
Boa sorte!

Responder

Paulo Hendler 8 de fevereiro de 2013 22:18

21 of 44 08/04/2019 20:11
Matemática e Sociedade: Universidades federais... http://adonaisantanna.blogspot.com/2013/01/un...

Acabei de ler o artigo na Scientific American que comprei hoje, assim como faço todo inicio de mês
aqui em Porto Alegre.
Foi o segundo artigo que li na revista, ou seja me chamou a atenção o assunto, sou tecnico em
química e trabalho em uma universidade bem conhecida em Porto Alegre, também sou aluno dela.
Realmente a maioria dos Doutores não sabem inglês, eu pelo contrario desde a adolescência dei
muita importância a língua estrangeira e filosofia, depois de 15 anos estudando inglês ja estou no 2
ano de alemão. Porém eu não faço parte da panelinha, não sou puxa saco, e ja perdi boas
oportunidades devido a minha maneira. Não me atenho a um assunto somente, vivo estudando, as
coisas que decido e me fazem feliz, mas acabo não tirando notas 10 na faculdade.

Aqui pelo menos o calculo infinitesimal, o conceito disso é muito falado seja em limites , derivadas e
calculos diferenciais, e nas disciplinas aplicadas, os professores tem essa preocupação, é como
falaste no artigo, esse conceito é de extrema importancia, para engenharia, quimica , fisica, nem tudo
esta perdido.

Porém eu troquei de curso desiludido com este universo, por gostar muito de fisico-química e
matematica comecei a programar para tentar aprender construir simulações, entrei no mundo da
programação, para trabalhar para fiísico química, porém a dificuldade é tanta como falei antes,
poucos entendem o que é a ideia, existem clubinhos de amiguinhos, onde quem sabe uma cabeça
pensante poderia vir a dominar ' medo deles' que troquei de curso, sai da química, da engenharia, e
passei para ciencias da computação, mesmo faltando pouco para me formar e trabalhando há 8 anos
na área com tecnico. Lá se não achar meu clubinho, trabalho sozinho.

Eu quero chegar no seguinte, me parece que a maioria finge, brinca de cientista e pesquisador com
suas patotas, a ciencia esta em segundo plano. O Profº Adonai no meu entender que o problema do
ensino superior no nosso pais é critíco, mas posso dizer que a prática esta pior.

Eu amo ciencia, mas infelizmente tenho que começar a pensar mais no meu futuro.

Responder

Respostas

Adonai 9 de fevereiro de 2013 00:52

Paulo

Apenas para esclarecer sobre um detalhe. Infinitésimo é um caso particular de número


hiperreal. O estudo de infinitésimos exige um profundo conhecimento de lógica e análise
não standard. Desconheço qualquer graduação no Brasil que trate deste assunto. Não
podemos confundir infinitésimos com diferenciais. São conceitos radicalmente distintos.

Responder

Paulo Hendler 9 de fevereiro de 2013 11:57

Olá Adonai

Aprendi que infinitésimo ou infinitesimal seria o limite tendendo ao menos infinito, o ideal de se
chegar ao instantaneo, a um estado de um processo qualquer cada vez menor, não seria isso o
calculo diferencial? As derivadas de variaveis tendendo ao menos infinito? Ao momento infinitesimal
ou infinitésimo, onde o inverso disso é uma integral, o todo?

Responder

Respostas

Adonai 9 de fevereiro de 2013 13:20

Paulo

Lamento, mas essa noção de infinitésimo é simplesmente absurda. Quem disse isso a
você cometeu um erro gravíssimo, algo muito comum nas universidades brasileiras.
Infinitésimo é um número positivo menor do que qualquer real positivo. Portanto, não pode
ser um número real. Portanto, não faz sentido definir este conceito a partir de limites.

Para referências confiáveis, recomendo o link abaixo:

http://mathworld.wolfram.com/NonstandardAnalysis.html

Quando afirmo que este país é intelectualmente atrasado, muita gente acha que exagero.
É muito difícil para um aluno perceber quando seus professores falam insanidades. Mas
garanto: essas insanidades estão muito mais presentes do que possa sequer imaginar.

Adonai 9 de fevereiro de 2013 13:27

Além disso, existem diversos tipos diferentes de cálculo diferencial e integral. O cálculo
estudado nas universidades brasileiras geralmente é aquele fundamentado em limites,
derivadas e integrais de Riemann. Mas existem também cálculos fundamentados em
outros conceitos de integração: Lebesgue, Haar, Kurtzweil, entre muitas outros. E a
análise não standard é ainda um tipo de cálculo radicalmente diferente dos demais. O
mundo do cálculo diferencial e integral é algo que vai muito além das palavras de autores

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e professores propagadas neste país.

Paulo Hendler 12 de fevereiro de 2013 15:50

Obrigado Professor

Eu devo ter entendido tudo errado, vou pesquisar melhor, afinal eu que relacionei a
palavra'infinitésimo' com a palavra 'infinitesimal'.
Obrigado pelo link 'sinopse', iria ver o que encontro sobre o assunto a partir destas
referências.

Responder

Hugo Delatorre 9 de fevereiro de 2013 15:48

Prezado professor Adonai


Concordo com tuas palavras em relação à ausência de meritocracia no ensino superior do Brasil.
Mas creio que isto é apenas a ponta do iceberg.
Na minha modesta opinião os principais problemas da educação no Brasil são os seguintes (digo
tudo em termos de educação básica e superior):
1) Obrigatoriedade do ensino: E fácil perceber que nem todo mundo tem vocação para estudar. Não
falo em termos de capacidade, mas de vontade mesmo. Se somente pessoas com vontade fossem
estudar,aumentaríamos bastante o nível da aulas. Posso ser taxado de elitista, mas essa é a
realidade! Quem não quer estudar, que trabalhe!
2) Massificação do ensino: Como consequência da obrigatoriedade, o ensino se massificou. Com
isso ele teve que se nivelar por baixo. Isso piora ainda mais no Ensino Médio onde deveria haver,
uma separação entre turmas técnicas, que querem trabalhar logo, e científicas, que irão as
universidades.
3) Progressão continuada (leia-se aprovação automática): Essa é a na minha opinião uma das
principais causas da destruição de nossa educação. Muito se fala de impunidade, mas ela se inicia
logo de cara na escola, onde alunos imerecidamente, passam ao próximo ano sem terem mínimas
condições de cursar a próxima série. Ai vem aquelas pedagogas de ar-condicionado dizendo que a
reprovação traumatiza as crianças e blá blá blá, mas isso é bobagem. O que prejudica não é a
reprovação e sim atitude diante dela. Eu mesmo reprovei em disciplinas na faculdade e quando as
cursei novamente tive um ótimo desempenho.
4) Banalização do acesso ao ensino superior:Este governo dos últimos anos escancarou as portas da
universidade. Agora qualquer boçal entra em uma faculdade. Porém, como disse Elon Lages Lima
em uma de suas palestras, nem todo mundo deve fazer faculdade. Segundo ele, isso baixa o nível
das universidades consideravelmente. Concordo com ele. Creio que para que algo seja valorizado,
tem que ser conquistado com muito esforço e dedicação e não da forma "dada de mão beijada" feita
pelo governo.
5) Desvalorização dos professores: No nível básico, um professor ganha muito mal. E um emprego
que ganha mal, só irá atrair péssimos profissionais. Criou-se um ciclo vicioso, onde se propaga a
filosofia do Vampeta: o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende, conforme foi relatado
acima. Com isso bom profissionais formados em licenciatura estão abandonado o ensino. Eu mesmo
abandonei por falta de condições de trabalho e baixos salários. Temo que no ensino superior algo
parecido aconteça.

O mais estranho de tudo prof Adonai, e, com todo o respeito, eu nunca vi ninguém e tampouco
professores universitários, criticando e reclamando sobre os problemas 1, 2, e 3. Agora que a água
bate na universidade é que alguns começam a se manifestar. Mas pelo que expus acima, a vaca já
está indo pro brejo há muito tempo...
Está na hora de refletirmos sobre tudo isso, e lutarmos por uma reforma em toda a estrutura
educacional do país.

Responder

Respostas

Adonai 10 de fevereiro de 2013 03:47

Hugo

Proponho o seguinte: discutirei sobre esses problemas em postagem futura. Há outros


textos a caminho. Mas imagino que em poucas semanas poderei postar algo sobre essas
questões.

Susan Blum 10 de fevereiro de 2013 17:50

Olá Hugo.
Gostaria de comentar alguns de seus pontos, apesar de ser professora em uma
Universidade privada e não ter tantos anos de experiência com a academia, como o
professor Adonai.

1) Obrigatoriedade do ensino: Sinceramente não concordo com você sobre este ponto
porque acredito que nem todos os pais conseguem fomentar a curiosidade que já é natural
da criança e, pior, nas escolas os professores acabam matando isso. Creio que todo ser
humano quer aprender sim, porém não temos professores realmente preparados para dar
AULAS! E depois, se mantivermos o nível das aulas alto, os alunos acabam se
esforçando, DESDE que motivados. O que acho é que deveria haver, depois de alguns

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anos básicos, uma divisão de áreas que os alunos buscariam por conta (nas aulas). Mas
trabalho mesmo, só quando tiver idade para ser menor aprendiz!

2) Massificação do ensino: Foi o que acabei citando acima. De acordo com a curiosidade
dos alunos, eles poderiam buscar as aulas que mais gostassem, ainda tendo as básicas.
Isso deveria acontecer tanto no ensino médio quanto nas graduações. Só uma ideia. Além
disso acho que o professor de ensino fundamental NÃO deveria dar todas as disciplinas. É
a BASE, ela deve ser cuidadosa!

3) Progressão continuada (leia-se aprovação automática): Concordo totalmente com isto e


conheço alguns pedagogos que também estão levantando esta questão. Ora, as barreiras
acontecem por toda a vida e temos que aprender a ter resiliência (isto quase não existe no
Brasil, ou seja, as pessoas desistem de tudo muito rapidamente aos primeiros sinais de
que não está indo por onde querem). Aprender que o NÂO também é positivo, é
importante. Promover alunos fortes e que busquem com mais afinco aquilo que realmente
querem.

4) Banalização do acesso ao ensino superior: Concordo. Fiquei boba quando o Adonai me


disse que a nota para passar (nas disciplinas dele) é cinco. Quando estudei na UFPR era
sete e na Universidade onde trabalho também, os alunos tem que tirar sete a cada
bimestre para passar de ano. Tive um professor na UFPR que sempre me dizia que
devemos dificultar as coisas aos alunos. NUNCA facilitar! Sempre elevar o nível das
discussões e não o que geralmente acontece, que é rebaixar o nível.

5) Desvalorização dos professores: Concordo. Pois vejo muitos bons profissionais que
desistem de dar aula não somente pelo salário, mas principalmente por falta de
meritocracia. Fazem bem mais que outros e recebem o mesmo! A valorização deveria
ocorrer desde o fundamental até o superior. Pois senão teremos professores que mal
sabem escrever (e garanto que isso eu já vi muito, inclusive no superior).

Por fim, a sua colocação de que nunca viu ninguém e tampouco professores
universitários, criticando e reclamando sobre os problemas 1, 2, e 3.... bom, tenho que
discordar, pois na faculdade de Letras, da UFPR, discutimos muito sobre isso com vários
professores. O problema é conhecer algum "grandão" que possa mudar esta situação.
Pois todos sabem que o ensino superior tem os alunos que estão ali por causa de todo um
fundamento falho.
Minha modesta sugestão: TRABALHAR COM SERIEDADE TODOS ESTES PONTOS
DESDE O FUNDAMENTAL ATÉ O SUPERIOR, EM CONJUNTO. Não separadamente.

Hugo Delatorre 10 de fevereiro de 2013 22:55

Olá Susan
Deixe-me esclarecer alguns pontos:

1) Evidentemente não concordo com o trabalho infantil. Mas na minha opinião muitos
alunos não gostam ou não querem estudar mesmo. A tua ideia de criar uma escola que
atendesse a vários tipos de "clientela" é muito boa. Mas se tivermos esta mesma escola
básica de hoje, apenas alguns irão se interessar por ela. Talvez um modelo que atendesse
a alunos que se interessassem pelo mercado de trabalho, e a outros que queiram ir à
Universidade, de modo separado, como ocorre em vários países, seja a solução.

2) Tudo que se massifica torna-se muito ruim. Ainda mais com a situação atual de termos
mais de 40 alunos por sala. O professor não consegue trabalhar com essas turmas
heterogêneas de modo a atender a necessidade de cada um. Com relação a professores
concordo contigo, não deveria haver apenas um único professor no fundamental, visto que
muitos, para não dizer a maioria, detestam matemática e têm que ensinar as bases destas
ciência aos pequenos.

Peço perdão quando disse que nunca vi algum professor criticando as situações 1, 2, e 3.
Evidente que existem muitos críticos em relação a esses problemas. Mas a grande maioria
permanece calada.
Quando fiz minha graduação em Matemática em uma grande universidade daqui de SP,
minha professora de Prática de Ensino era grande defensora da Progressão Continuada e
provavelmente nunca botou os pés em uma sala de aula do básico. Talvez pelo falo de o
reitor da universidade ser escolhido pelo governador, estes professores têm que seguir a
política educacional implementada. Mas já ouvi muitas reclamações de outros professores,
mas pouquíssimas atitudes.

Acho interessante o que a UFPR faz nos primeiros anos de Matemática, que é ministrar
disciplinas de nivelamento ( funções e geometria analítica). Creio que isso de uma
nivelada nas turmas.

Por fim também concordo que devemos realmente trabalham todos os pontos acima
conjuntamente, desde o fundamental até o superior, E não deixar a bucha somente para a
universidade e aos professores sérios. Senão teremos aquilo que citei em outro post, que
é a formação de pessoas completamente inaptas para o exercício de suas respectivas
profissões.

P.S. Perdoe-me pelos erros de Português que possa ter cometido.

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Susan Blum 11 de fevereiro de 2013 11:48

Olá Hugo. (vai em duas partes)


Creio que a intenção de todos aqui no blog, pelo menos dos que fazem comentários, é a
busca por melhores soluções para a educação. CLARO que todos nós somos limitados.
Um exemplo: desde 2005, quando conheci o professor Adonai (por causa de uma
sociedade de leitores tortos), sempre deixei claro para ele que detestava o inglês (na
época estudava espanhol e francês). Assim uma defasagem enorme que tenho é o idioma
norte-americano (apesar de que no Canadá eu me viraria muito bem). Portanto, voltando
ao fio da meada, considero de extrema importância estas trocas no blog. Vejamos o que
você expõe:
Novamente a questão de que muitos alunos não gostam de estudar. Trabalhei durante
anos em uma ONG para menores carentes. Nela, o ensino era para serem menores
aprendizes. Ficavam em um período na escola normal, outro período em uma empresa e
duas vezes por semana iam na ONG para aulas conosco. Ali eles tinham diversas
disciplinas, desde inglês e espanhol, computação, administração, secretariado,
arquivamento, empreendedorismo, etc. Muitos iam meio que forçados pelas mães que não
queriam mais que eles ficassem no mundo das drogas, outros iam porque queriam fugir de
pais violentos. Outros ainda eram enviados pelo FAS (moravam em casas da prefeitura,
abrigados de violências indescritíveis ou por ameaça de morte por traficantes). Creio que
você possa fazer uma pequena ideia de como é isso (assim como eu fazia antes de entrar
na ONG), mas garanto que a realidade é BEM pior. Pois bem, a gente pensa que
adolescentes que foram espancados pela mãe, que foram violentadas pelo pai, que são
ameaçados de morte, querem apenas se refugiar e dar as costas ao mundo que não deu
boas chances para eles. Ou seja, eles queriam apenas trabalhar e ganhar dinheiro.
Estudavam porque era uma condição da ONG: boas notas na escola. Pois bem, sou do
tipo de pessoa que é mais afetuosa, que gosta de tocar. E garanto que 90% dos que
estavam ali, no início se retraiam toda vez que eu me aproximava (achando que iam
apanhar ou como proteção natural para não se machucar mais tarde: gostar de alguém
que vai embora algum dia, afinal, sempre foram abandonados). Minhas aulas eram com
conteúdo, mas sempre envolvia algum aspecto lúdico e acabava por entrosar os alunos.
Claro que nem sempre se conseguia com todos. Turmas de no máximo 25 alunos eram
um dos "segredos". Mas o professor vai meio que por instinto nas aulas. Uma vez
trabalhei um texto em sala do Machado de Assis (O Apólogo), procurando ver a empatia
dos alunos com a agulha, com o pano, com o alfinete, a linha, etc. Uma dinâmica que eu
fazia. Ao final, comentei que Machado de Assis era mulato. Os olhos de uma aluna negra
brilharam. Ela perguntou de novo. "Machado de Assis era mulato?" Disse que sim, que um
dos maiores escritores brasileiros era mulato e vivia em uma época de muita
discriminação no Brasil. Porém, conseguiu, mesmo mulato e gago, ser um grande escritor.
Porque ele queria muito e não desistiu. Ela então me perguntou se poderia ser o que
quisesse e novamente confirmei, se ela assim realmente o desejava. Ela sorriu e
perguntou: posso ser advogada? Novamente confirmei, avisando que teria que fazer
faculdade de Direito. Na aula seguinte levei um retrato do Machado para ela e a presentei
com um livro. Poucos anos depois, no orkut (ainda), ela me escreveu dizendo que estava
fazendo faculdade de Direito e que queria ser promotora.

Susan Blum 11 de fevereiro de 2013 11:48

(parte dois - continuando)


Claro que estou falando de uma vitória, mas tive perdas também. Como um aluno que me
dizia que não entendia para que trabalhar todas as manhãs em uma empresa e ganhar só
500 reais por mês (na época), se em uma semana como aviãozinho (drogas) ele ganhava
por vezes mil reais. Perguntei onde estavam os amigos dele. Uns presos, outros mortos,
ele respondeu. Eu disse que era por este motivo que ele devia continuar na empresa e
que a situação era passageira, que ele poderia no futuro ganhar bem mais que isso (claro
que neste momento eu não poderia ficar "vomitando" sobre lei e ética, apesar de sempre
comentar em todas aulas com algum texto literário). Ele disse que eles não eram
"espertos" como ele e por isso foram pegos ou mortos. Pois bem, semanas depois ele
voltou ao mundo do crime e depois foi preso.
Finalizando, por experiência, vi muitos alunos dali virarem até gerentes de banco. Alguns
fizeram faculdade. Outros foram trabalhar honestamente. E eram todos desacreditados da
vida. Sem ânimo para estudar. Nem vou comentar casos mais escabrosos que vivenciei
ali. Por isso acredito que podemos fazer renascer a curiosidade, a criatividade, a vontade
de saber mais, mesmo em crianças tão "problemáticas". Mas temos que nos esforçar e
sempre trocar ideias. Mais tarde comento o resto que você coloca. Um abraço!

Danilo 11 de fevereiro de 2013 13:22

Olá, só gostaria de comentar o post nº "4) Banalização do acesso ao ensino superior" da


Profª. Susan... Discordo quando a senhora coloca que se surpreendeu ao ver que a nota
mínima é 5 nas matérias do Prof. Adonai....

Caso parecido ocorreu na universidade que frequentei. Na maioria esmagadora das


vezes, um 5 ou MM, é muito mais difícil de se conseguir numa Universidade qualificada
(sabemos que existem instituições e instituições por aí) do que em outras faculdades ou
universidades privadas.

Isso ocorre aqui em Brasília onde, na maioria esmagadora dos cursos de nível superior, a
UnB é melhor do que em toda e qualquer 'privada' da região.

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Danilo 11 de fevereiro de 2013 13:30

Discordo com o argumento utilizado no "4) Banalização do acesso ao ensino superior" da


Profª Susan. A nota 5 ou MM, aqui na Universidade onde estudei, comprovadamente, pelo
menos nas matérias de cálculo e estatística, até nas específicas... são muito mais difíceis
do que um 7 nas outras faculdades e universidades da região. Pode ser uma
particularidade de Brasília, mas na maioria esmagadora dos cursos, a UnB é melhor do
que qualquer uma do DF.

E pelo que percebo, 5 é uma médias nas Universidade Federais, consideradas, em média,
de melhor qualidade e rendimento.

Adonai 11 de fevereiro de 2013 13:42

Danilo e Susan

Não é minha intenção impedir a discussão aqui iniciada. Mas tenho um pedido a fazer. Os
tópicos levantados pelo Danilo, bem como as observações feitas pela Susan, merecem
uma postagem específica. Para evitar a diluição de argumentos, peço a paciência de
vocês até o momento em que eu divulgue um texto especificamente sobre esses
assuntos. Acredito que em pouco tempo serei capaz de fazer isso.

Adonai 11 de fevereiro de 2013 13:46

Danilo, peço que coloque aqui o seu sobrenome, para fins de citação em postagem futura.

Susan Blum 13 de fevereiro de 2013 00:17

OK, Adonai. Aguardo sua postagem para poder responder ao Danilo. Obrigada pela
paciência! Danilo, caso tenha face e queira conversar por lá, basta me procurar! Susan
Blum Moura.

Adonai 15 de fevereiro de 2013 03:36

Hugo, Susan e Danilo

A próxima postagem será sobre os temas aqui discutidos por vocês três. Pretendo veiculá-
la no dia 16, amanhã.

Responder

marcelo 10 de fevereiro de 2013 12:01

Neste momento estou para ser nomeado numa univ. federal. Mas seriamente devo refletir bem, se
realmente vale a pena. Ou tento plentear uma vaga em alguma estadual de sao paulo.

Responder

Respostas

Adonai 10 de fevereiro de 2013 14:04

Marcelo

Recomendo que leia a postagem do link abaixo. É um exemplo real que pode servir de
inspiração a você.

http://adonaisantanna.blogspot.com.br/2009/10/newton-e-brasileiro-e-dai.html

Responder

Adonai 10 de fevereiro de 2013 14:23

Fabiano Rodrigues de Melo encontrou dificuldades para postar comentário por aqui. Por isso ele
enviou seu texto como mensagem no facebook, pedindo para que eu reproduzisse neste fórum.
Segue abaixo o comentário, quebrado em dois:
_____________
Oi Adonai, seu texto realmente é rico de ideias, provocações e recheado de graves apontamentos,
conhecidos e vivenciados por todos nós que trabalhamos em universidades federais. Excelente
exposição que você fez, aberta, sincera e muitos já comentaram aqui. Aliás, fiz questão de ler cada
comentário, incluindo as excelentes contribuições de muitos. Bom, não quero me delongar (vou
tentar), mas só queria lembrar que o mérito, ainda que concorde plenamente que ele seja a força
motriz de qualquer universidade, precisa apenas ter critérios mais abrangentes na análise final do
que cada professor, dentro do seu contexto e realidade de trabalho, consegue obter. Isso significa
dizer que produzir bons artigos, de impacto, a partir de ideias e hipóteses, é a espinha dorsal sim
dessa mensuração de mérito, mas, que temos outros itens ou detalhes que podem e devem ser
incorporados ao processo. Entendo que, como bom medidor que é, possuir artigos com alto fator de
impacto e delimitar isso como ponto de corte, é justo e bastante confiável, pois mantém sempre a

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"competição" saudável entre os pares (realidade que vivenciamos hoje pela CAPES, CNPq e FAPs
para concessão de bolsas produtividade, projetos etc.). Mas como professor universitário que sou,
que leciono entre 12 a 14 horas aula/semana/semestre, que por falta de quórum - falta de quadro
técnico adequado, ou por desejo próprio (por que não, afinal, podemos e devemos gostar de
questões políticas que nos cercam), participo de comissões e diversos cargos administrativos
disponíveis, vamos em congressos, orientamos em todos os níveis (PIBIC-JR, graduação, pós-
graduação), participamos como coordenadores ou colaboradores de diversos projetos de pesquisa e
extensão (isso significa escrever dezenas de propostas para conseguir recurso e depois, escrever
mais dezenas de relatórios e muitos dias de campo por ano, fora das salas de aula ou de seu
ambiente de universidade), participamos ativamente de nossas entidades representativas, como
sociedades (no meu caso dentro da grande área da Zoologia), auxiliamos o governo federal, através
de participação em reuniões técnicas (IBAMA e ICMBio) ou discussões sobre listas de espécies
ameaçadas, criação de novas UCs, organizamos eventos paralelos (extra-IFES), sejam em
congressos nacionais, regionais ou mesmo cursos de capacitação de alunos para uma determinada
área do conhecimento, organizando atividades com as secretárias municipais ou estaduais de meio
ambiente, auxiliando programas de fiscalização sejam eles federais (IBAMA), estaduais (secretárias
de meio ambiente) ou locais (polícia ambiental), enfim, isso só para lembrar um pouco do que eu,
como professor de uma IFES faço...

Responder

Respostas

Adonai 10 de fevereiro de 2013 14:25

Continuando...

Posso até concordar que meu contrato de trabalho não prevê tudo isso, mas como
cidadão responsável pela formação de uma massa crítica, sinto-me bastante orgulhoso de
conseguir realizar essas ações. Daí vem meu apontamento, para terminar, o que é
meritocracia dentro da universidade federal no Brasil? Publicar na Nature ou na Science e
ganhar uma cátedra vitalícia ou um prêmio Nobel? Ou, tentar fazer isso de forma mais
criteriosa (sempre, como disse antes, pois afinal, é a nossa força motriz), mas se
aproximar do mundo real que nos cerca e se multiplicar como ator de diversas frentes de
batalha, porém ajudando substancialmente na formação de alunos/cidadãos conscientes,
ao aproximar a universidade do grande público que a sustenta (com os impostos), que é a
nossa sociedade? E, por tabela, resolver problemas da vida real, do cotidiano e, mesmo
que isso não me leve a um artigo de excelência, pelo menos garante um dos pilares da
nossa universidade, que é a pluralidade de funções, pensamentos e discussões. Enfim,
fica minha descrição de como devemos ser cuidadosos e criteriosos para avançar na
meritocracia institucional. Espero que tenha ajudado para a discussão, grande abraço,
Fabiano R. de Melo.

Adonai 10 de fevereiro de 2013 14:42

Professor Fabiano

Aparentemente conseguimos identificar o motivo da dificuldade de comentar neste blog:


havia uma quantia de caracteres que excedia o permitido pelo blogspot. Por isso fui
obrigado a quebrar seu texto em duas partes.

Concordo plenamente com sua avaliação. Apesar de eu ter enfatizado produção


intelectual no artigo, vale observar que não foram ignoradas demais formas de produção.
Basta ver, por exemplo, a discussão sobre a falta de cátedras nas ifes.

Recentemente houve um encontro científico aqui no Brasil cujo tema era o seguinte:
Quando o Brasil terá o seu Nobel? Um dos participantes disse algo mais ou menos assim:
precisamos investir na ciência e na tecnologia que beneficiem o país; a partir disso o
Nobel será apenas uma questão de tempo.

Apesar de eu ainda julgar essa visão bastante radical (pelo menos em relação à sua),
evidentemente ela tem o seu mérito.

Algo que eu realmente apreciaria é um fórum nacional (não apenas na internet) que
discutisse todas essas questões com o objetivo de apresentar um novo modelo para as
universidades públicas deste país. Toda ajuda neste sentido é muito bem-vinda,
principalmente de pessoas que conseguem avaliar os problemas da academia brasileira
de forma equilibrada como você.

INVESTIMENTO ARRISCADO 13 de fevereiro de 2013 19:40

Professor Francisco,
tenho algum receio de docentes em cargos administrativos. O Sr., por exemplo, não sabe
que não tem um "contrato de trabalho" com a universidade? Sem conhecer legislação é
difícil, realmente, ocupar-se de cargos administrativos.

Adonai 13 de fevereiro de 2013 19:53

Investimento

Este é outro aspecto realmente incômodo da vida acadêmica. Administração universitária

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é tratada como algo acessível ao senso comum. No entanto, definitivamente não é o caso.

Responder

Juliana Bastos Marques 11 de fevereiro de 2013 10:36

"Em 1998 o Governo Federal criou por decreto a Gratificação de Estímulo à Docência no Magistério
Superior. Tratava-se de um adicional ao salário dos docentes de instituições federais de ensino
superior (ifes), cujo valor dependia da produtividade em ensino, pesquisa, extensão e administração
de cada professor. Pouco tempo depois o valor máximo desta gratificação foi incorporado aos
salários de todos os docentes concursados das ifes"

Mentira, a GEMAS só foi incorporada agora, depois da greve. Abs.

Responder

Respostas

Adonai 11 de fevereiro de 2013 12:11

Juliana

Talvez você não tenha acompanhado o processo, na época. Não estou falando de
máscaras promovidas por mudanças de rubricas. A GED, hoje em dia, sequer aparece em
contra-cheques. Mas é fato que, inicialmente, todos os professores de ifes precisavam
preencher formulários anexados a documentos comprobatórios, com o objetivo de receber
a GED. E é fato que em pouco tempo isso se tornou desnecessário. O valor máximo da
GED passou a fazer parte do contra-cheque sem qualquer necessidade de comprovar
produção. Pense um pouco antes de escrever acusações.

Responder

Adonai 12 de fevereiro de 2013 05:17

O comentário que se segue foi escrito por uma pessoa que assina simplesmente como Lucio. Recebi
por e-mail e ele pediu para que publicasse por aqui.
________

Li com muita satisfação o seu artigo sobre as universidades brasileiras,


publicado recentemente na Scientific American, Brasil. A única ressalva
que eu faço é falta de dados comparativos com o que ocorre no primeiro
mundo, com exceção dos Estados Unidos. Em uma das postagens você
argumenta que as universidades européias têm outra tradição, não me
lembro das palavras exatas, mas parece que o sentido foi esse. Eu
gostaria de saber se na Inglaterra, Alemanha, Polônia, Itália, Suécia,
Suíça, Áustria, Noruega, Dinamarca, Holanda, Austrália, Nova Zelândia,
Bélgica, Hungria, Japão, Coréia do Sul, etc. a situação é a semelhante
ao que ocorre no Brasil ou nos Estados Unidos, ou seja, o cargo é
vitalício ou que conta é o mérito. Suponho que seja a segunda assertiva
seja a verdadeira, o que explica a diferença brutal entre eles e nós. E
no México, Argentina e Chile?

Mas será que a situação der ser 'indemitível' é suficiente para explicar
o nosso atraso em ciência e tecnologia? Apesar desse atraso, o Brasil
ocupa a 15a posição em termos de artigos publicados em periódicos
indexados. Na relação de 20 países que mais publicam a maioria
esmagadora é do primeiro mundo. Exceções são Índia, Turquia e Brasil.
Não sei como classificar Polônia e Irlanda. Será que a ciência,
inovação, desenvolvimento tecnológico serão atividades exclusivas dos
países ricos? A relação dos agraciados com os Prêmios Nobel de Física,
Química e Fisiologia e Medicina sugere isso.

Em uma de suas postagens, você argumenta que um brasileiro, Peter


Medawar, ganhou o de Fisiologia e Medicina, em 1960. Mas ele deixou o
Brasil com 15 anos de idade. Será que o fato de um vencedor desse prêmio
ter nascido em país confere a esse país tal crédito? Por exemplo, Eric
Kandel nasceu na Áustria, em 1929, de onde emigrou para os Estados
Unidos, onde trabalhou a vida toda. Quem merece a honra? Uma publicação
oficial suíça fornece o nome de Einstein como um dos 20 cidadãos suíços
a receberem um prêmio Nobel. Mas é fato que ele nasceu na Alemanha,
tendo renunciado à cidadania alemã, e adotado à suíça, para evitar o
serviço militar.

A universidade não é para todos. Dizer que todos são iguais e têm a
mesma capacidade é uma falácia. Alguns poucos carregam o mundo nas
costas. Como Atlas que, na verdade, carregava apenas o globo terrestre.
Gostaria de saber como (e se) os alunos cotistas irão concluir a
faculdade. Como esses profissionais serão colocados no mercado de trabalho.

Há três anos, li dois textos escritos por um sociólogo de UnB, com

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doutorado na Alemanha e uma série de livros publicados. Pude detectar


pelo menos um erro em cada parágrafo, mas fui o único em uma turma de
30. O pior é que esses textos continuam a ser repassados por uma
professora com o mesmo nível intelectual do sociólogo. O filósofo Luiz
Felipe Pondé considera a atual universidade brasileira um dos lugares
mais medíocres que existem. Tendo a concordar com ele. É provável que
isso se deva à substituição do mérito pela visão da tabula rasa.

Ainda não estamos no fundo do poço. Chegaremos lá quando os salários de


um burocrata sem titulação for equiparado a de um professor adjunto,
associado, como querem sindicatos. Estou com um artigo aceito para ser
publicado na Revista Virtual de Química. Como de praxe, o referee fez
algumas considerações, das quais eu aceite 90%. Eu sou o único autor e,
nas conclusões, eu escrevi 'neste artigo eu faço uma análise, etc.' Pois
o colega sugeriu que eu mudasse o tempo verbal. Embora ele(ela) não
especifique o tempo verbal que devo usar, é óbvio que deve ser 'fez-se',
'o artigo faz', 'nós fizemos'. 'Nós' quem? quem fez? O que está
implícito nisso é que ninguém é mais responsável por coisa nenhuma.

Responder

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Adonai 12 de fevereiro de 2013 05:44

Lucio

Em alguns países latino-americanos, os professores universitários assinam contratos


renováveis, dependendo de produção. Na China, um simples chefe de departamento tem
poder para demitir um professor. Em diversos países europeus, a estabilidade é irrestrita.
Ou seja, cada nação tem a sua realidade local. Usei o exemplo dos Estados Unidos para
ilustrar dois pontos: 1) EUA é a nação líder em produção científica e tecnológica e,
portanto, seu modelo acadêmico inspira um exemplo que certamente deve ser observado;
e 2) estabilidade pode ser concedida sim, mas não para todos os professores
concursados. No artigo da SciAmBr apontei diversos problemas da academia brasileira. E
defendo que muitos desses problemas gravitam em torno da estabilidade irrestrita.
Portanto, apenas acabar com a estabilidade irrestrita sem investir na solução dos demais
problemas não é uma estratégia inteligente. Apenas produziria confusão. O fato é que a
estabilidade irrestrita já provou de forma clara que não é adequada à realidade cultural do
brasileiro. Por isso precisamos adotar outro modelo.

Ciência é uma atividade social. A produção científica brasileira, como você bem coloca,
melhorou muito nas últimas décadas. Mas ainda falta a contraparte social. Essa
contraparte social se reflete não apenas em quantia de publicações, mas principalmente
em citações e impacto. No Brasil não existe ainda a tradição de apoio para que um
pesquisador seja internacionalmente conhecido. Em geral, pesquisadores brasileiros
devem lutar por este reconhecimento sozinhos.

A questão que você levanta sobre Peter Medawar é um exemplo que ilustra muito bem o
isolamento brasileiro em relação ao resto do mundo. Não faz a menor diferença se
Medawar deixou o Brasil quando era adolescente. O que interessa é que ele era brasileiro
e, portanto, um exemplo de inspiração para o nosso país. Quando um cientista de dupla
cidadania ganha o Nobel, sempre existe a disputa entre nações sobre o mérito. O Nobel
não é um prêmio apenas para uma pessoa, mas um emblema de inspiração para povos.

Peço também que tome muito cuidado nas comparações de salários, principalmente
quando usa o argumento da titulação. Titulação não é mérito. Mérito é produção de
qualidade.

Responder

Lucio 12 de fevereiro de 2013 11:05

Adonai,
Se me permite a réplica:
1)Poderíamos copiar os modelos latino-americanos e chinês?
2)A estabilidade seria concedida como, por quem, a partir de quantos trabalhos publicados e em que
periódicos?
3) O Brasil ocupa a 15a colocação (em 20) na questão de trabalhos publicados e a 20a em citações.
4) Concordo que o Nobel seja uma inspiração para pessoas, universidade e países, mas discordo
quando você se refere à questão da nacionalidade de Peter Medawar, pois duvido que ele tivesse
recebido o Nobel se tivesse permanecido no Brasil. Existem dezenas de exemplos semelhantes ao
de Medawar, principalmente de cientistas fugindo de perseguições. Nesses casos, é possível que
eles tivessem recebido a honraria do Nobel, fosse nos Estados Unidos, Inglaterra ou Alemanha. O
Nobel significa não apenas a capacidade do cientista, mas o meio em que ele vive, as condições de
trabalho, etc.
5) Utilizei a comparação do funcionário burocrata com os professores, não apenas pela titulação
deste último, mas também pela sua produção acadêmica. Também concordo que mérito seja
publicação em periódicos de qualidade. Acho que não se pode generalizar: titulação nem sempre é
mérito, embora, algumas (muitas?) vezes estejam associados .
Agradeço pela oportunidade de poder participar desse tópico.
Um abraço

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Lucio Ferreira Alves

Responder

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Adonai 12 de fevereiro de 2013 20:09

Lucio

1) Não vejo motivo para nos espelharmos em demais países latino-americanos. A


produção científica deles não é referência internacional. Com relação à China, certamente
podemos aprender muito com eles. Pretendo discutir sobre a realidade chinesa ainda este
ano. No entanto, vale observar que o recente sucesso chinês se deve, em grande parte,
ao espírito competitivo chinês que se assemelha muito com o norte-americano.

2) Os critérios para concessão de estabilidade são inevitavelmente subjetivos. Não há


sentido na adoção de critérios meramente numéricos. No entanto, existem pesquisadores
cuja qualidade de produção é excepcional e internacionalmente reconhecida. Estes
certamente merecem estabilidade.

3) A qualidade da produção científica brasileira está caindo. Há dados estatísticos que


comprovam este fato. Não é quantia de publicações que avalia qualidade, mas impacto.
Também discutirei sobre isso futuramente.

4) Concordo.

5) Não, Lucio. Publicação também não é mérito. Impacto de produção científica, isso sim é
mérito.

Responder

Raiana 12 de fevereiro de 2013 16:43

Adonai, com gratidão expresso meu encontro com sua crítica. Sua lucidez sobre essas questões do
ensino superior refletem fielmente aquilo que vejo a 10 anos, tempo que estou estudando nessas
instituições. Gosto de ensinar, principalmente no ensino superior, gosto da ideia, das possibilidades
teóricas, nos possíveis debates e formação de cidadãos e profissionais. Talvez por acreditar nesses
ideais ainda busque ser professora universitária. Mas com a aproximação dessa realidade vejo
também aproximar-se a excessiva carga burocrática e administrativa atribuidas a profissionais nada
preparados para aqui. Vejo a dimunita meritocracia científica... e a completa ausência da meritocracia
educacional. Ou seja, se já é difícil ser reconhecido por aquilo que se faz como cientista, muito
menos pelo que se é como professor. Pessoas que querem somente ser professores de ensino
superior não são valorizados por nenhuma das partes (alunos, pares e instituições)... Torna-se
relativo (cada dia mais) ser um bom professor, formador de novos profissionais. Professor bom é
aquele que publica e, infelizmente, como você ressaltou, as vezes nem isso. Temo onde esses
valores vão nos levar... Cientistas que são despreparados para dar aulas como professores
universitários, professores com sérias limitações para exercer cargos administrativos, professores
capazes e críticos dando aulas a estudantes intelectualmente preguiçosos.. tudo isso num sistema
permissivo e ausente. O resultado disso já estamos vendo...mas vai ficar pior, eu acho.

Muito grata novamente, principamente por que eu pude expressar minhas reflexões em algum local.
Saudações e forças para nos todos.

Responder

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Adonai 12 de fevereiro de 2013 20:15

Raiana

Neste momento estou investindo em um projeto que envolve outros pesquisadores e


demais interessados (pessoas com considerável peso social). Este blog não é uma
iniciativa isolada. O objetivo é articular aqueles que percebem as falhas gravíssimas na
educação superior de nosso país. Peço que aguarde as novidades que devem surgir ainda
este ano. Enquanto isso, espero que compartilhe este artigo com seu colegas e amigos.
Grato pelo apoio.

Responder

Job 12 de fevereiro de 2013 19:08

Ola Adonai,

Primeiramente parabéns pela coragem de incitar discussões sobre um assunto tão importante.
Trabalho como técnico em uma universidade pública, fiz meu mestrado e doutorado, e tive o
privilégio de estar trabalhando desde o início de minha carreira num grupo de pesquisas de alto nível
e de grande produtividade www.nupelia.uem.br . No entanto mesmo neste ambiente, sofremos pelas
deficiências de formação apontadas por você, como Lógica, Matemática e Estatística, bem como

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uma visão realmente ampla. Acrescento uma deficiência corrente. INFORMÁTICA E


PROGRAMAÇÃO. Cansei de ouvir aos longos dos anos "sou ..., não sou da área de informática, ....,
para isto você esta ai", para qualquer coisa que se use computadores. É como se pedir para que
engenheiros mecânicos dirigissem e levassem você e seus filhos na escola. Certa vez um professor
amigo meu disse que precisava comprar um computador básico, para ele, pois ele não era da área
de informática. Então lhe perguntei, "quanto tempo de seu trabalho é feito com o uso do
computador?", depois disso ele decidiu comprar um computador melhor. A universidade ao invés de
ser um centro de inovação, é um centro de conservadorismo e letargia.
Trabalho a anos com software livre, e cansei de ver professores dizendo que precisam do MSWORD,
pra seus trabalhos, que precisam do software Statistica, para fazerem análises estatísticas, etc. E a
pirataria se espalha como uma praga e como algo normal e incentivado pelos professores
(HONESTIDADE, ÉTICA, QUE É ISSO MESMO?). Todos querem a última versão bugada do
MSWORD, e mal sabem usar estilos, inserir números de páginas, e coisas básicas. Muitos acham
ainda que isso é função de analistas de sistemas, é como dizer que um engenheiro mecânico deve
ser o piloto de um F1. Quando no doutorado estive na Universidade de Karlsruhe na Alemanha, e no
instituto que eu estava, usava-se praticamente só software livre. Perguntei a razão disso, me
disseram "software fechado é caro, e o aberto podemos usar sem pagar", ai perguntei e quanto as
dificuldades de por vezes não se ter um determinado recurso, responderam "aqui na Alemanha, as
dificuldades são vistas como incentivo para se desenvolver soluções e conhecimento, algo que o
software aberto proporciona de forma inigualável, só quando realmente necessário usamos soluções
fechadas". realmente temos muito que crescer, mas tudo começa pelos valores básicos, como
honestidade, ética e mérito.

Responder

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Adonai 12 de fevereiro de 2013 20:22

Job

Você é um brasileiro completamente atípico. São raríssimas pessoas que pensam como
você. Fico pasmado que tenha sobrevivido ao sistema educacional deste país. Digo a
você o mesmo que tenho dito a outros. Há novidades importantes a caminho. Este blog
não é uma iniciativa isolada. Enquanto isso, peço que divulgue este artigo entre amigos,
colegas e familiares.

Responder

Lucio 13 de fevereiro de 2013 00:02

Adonai,
Eu aprecio um debate, mesmo (ou principalmente) quando discordam de mim, caso contrário vira
monólogo.
1) Nem de longe eu sugeri copiarmos nossos vizinhos. Apenas me baseei na sua resposta em como
eles agem.
2) Também não insinuei que se deva adotar critérios meramente numéricos e,muito menos
subjetivos. Publicar em periódicos como Chemical Review, Cell, Science, Nature, New England
Journal of Medicine, Lancet, Natural Product Report é altamente objetivo. Deixa de ser 'numérico' e
'subjetivo'.
3) O governo vive alardeando o aumento no gasto com a ciência e tecnologia, com a concessão no
número de bolsas de pós-graduação e, ainda assim, a produção científica do país está diminuindo.
Aguardo a sua discussão sobre o assunto. O meu interesse no tema se baseia principalmente em
tentar responder a uma simples questão: Por que apesar de tanto gasto, de o país formar tantos
doutores (me refiro apenas a C&T), o número de inovações e patentes daí resultantes é tão pequeno
entre nós? Por que o país continua esperando que patentes de medicamentos caduquem em vez de
desenvolvê-las? Será porque esperar é mais barato? Mais cômodo?
5) Respondi no número 3. Mas é claro que esse mérito pertence, com raras exceções, a países com
alto desenvolvimento científico e tecnológico.
Lucio Ferreira Alves

Responder

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Adonai 13 de fevereiro de 2013 00:37

Lucio

Cerca de 15 anos atrás a Nature publicou uma edição especial sobre ciência na América
Latina. Segundo aquele levantamento, o Brasil investia mais em ciência e tecnologia do
que todos os demais países latino-americanos somados. Lembro que a Argentina investia
cerca de um quinto daquilo que o Brasil aplicava em ciência e tecnologia. No entanto, o
Brasil tinha apenas o dobro de produção (em termos de artigos em periódicos indexados
no Science Citation Index) da Argentina. Isso demonstra que a relação custo-benefício era
favorável aos nossos vizinhos. O que se percebe na academia brasileira é uso inadequado
de verbas. Por isso sempre insisto em estratégias e não em verbas.

Responder

Lucio 13 de fevereiro de 2013 12:18

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Adonai,

Os dados que você fornece constata o que nós sabemos: No Brasil se desperdiça dinheiro público.
P.S. Você sabe dizer qual é esse número da Nature?

Um abraço

Lucio Ferreira Alves

Responder

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Adonai 13 de fevereiro de 2013 17:44

Lucio

Não tenho mais a revista em mãos. Lembro apenas que era uma edição especial,
publicada na segunda metade dos anos 1990.

Responder

INVESTIMENTO ARRISCADO 13 de fevereiro de 2013 19:01

"...ainda estao aprendendo a ser pesquisadores ja logo entram na vida profissional com carga de
aulas imensas...".
Professora Cristina, é de bom alvitre recordar que, nas universidades brasileiras não existe a figura
do pesquisador. Os concursos são para docentes. Que tem, entre as atribuições de professor, fazer
pesquisa e extensão. Note a diferença, não são pesquisadores, são docentes que fazem pesquisa.
E a inscrição no concurso é paga, eles sabem que estão fazendo concurso para docente. Então essa
choradeira de que mal sabem fazer pesquisa é jogar para a platéia.

Responder

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INVESTIMENTO ARRISCADO 13 de fevereiro de 2013 19:58

Professor,
como tinha uma conta no Google com esse nome, Investimento, não tive alternativa se
não usá-lo.
Mas, para que fique claro que não me escondo, meu nome é Eduardo Petrucci Gigante.

Adonai 13 de fevereiro de 2013 20:55

Eduardo

Agradeço pelo esclarecimento. Já tive problemas com o tal do anonimato. Sempre procuro
estabelecer neste fórum um ambiente de transparência e civilidade. E parece que está
funcionando. Há muito tempo não recebo comentários com vocabulário chulo.

Responder

INVESTIMENTO ARRISCADO 13 de fevereiro de 2013 20:58

E vamos esperar que assim continue... dialogo de bom nível.

Responder

Leo Bastos 14 de fevereiro de 2013 10:04

Professor Adonai,

So' uma pequena atualizacao, hoje eu sou pesquisador em saude publica na area de modelagem
estatistica na Fundacao Oswaldo Cruz.

Obrigado e apesar de ficar quieto sempre acompanho seus posts.

Abraco,
Leo Bastos

Responder

Respostas

Adonai 14 de fevereiro de 2013 18:50

Leo

Infelizmente nunca visitei a Fundação Oswaldo Cruz. Grave falha minha. Até onde sei é
uma boa instituição. Estou certo?

32 of 44 08/04/2019 20:11
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Responder

Olavo Badaró Marques 17 de fevereiro de 2013 14:12

Excelente texto. Acrescento mais uma questão importante: devem existir (e existem) ótimos
estudante brasileiros que pretendem seguir carreira acadêmica e que ao invés de manterem a
"insistência" que o casal que você mencionou manteve, vão "se erradicar" para instituições
acadêmicas estrangeiras. A falta de meritocracia das universidades não só é prejudicial no presente,
mas também espanta possíveis profissionais qualificados do futuro.

Responder

Anônimo 22 de fevereiro de 2013 11:04

Parabéns pelo excelente artigo, com o qual concordo plenamente. Ainda bem que colegas como
você têm coragem de falar sobre essas mazelas em público. O corporativismo e falta de meritocracia
são, de fato, os principais venenos da universidade brasileira.

Responder

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Adonai 23 de fevereiro de 2013 00:03

marcoarmello

Grato pelo apoio. Resta saber se algo será feito para mudar esta dura realidade.

Responder

Adonai 23 de fevereiro de 2013 00:17

A pedido de Thomas Ferreira de Lima, reproduzo na forma de comentário e-mail que recebi dele.
____________
Comentário tardivo aqui, peço desculpas, sou um dos novos leitores (jovem de 22 anos universitário
etc.) Vim por causa do artigo muito eloquente sobre os ifes. Só queria dizer que nós compartilhamos
esta aflição para com o nosso sistema educacional.

Dando nome aos bois e ilustrando um pouco a história com o exemplo cálculo, fui aluno do ITA,
discutivelmente uma das melhores instituições de engenharia do país, em todo caso uma com um
grupo selecionado de alunos tecnicamente competentes. Não quero listar aqui os problemas e os
louvores desta instituição, que estão sendo revistos neste momento na nova gestão do reitor (e do
governo). A propósito ela foge felizmente de alguns estereótipos que você pôs na postagem inicial.
Enfim, eu acabei abandonando a formação lá no ITA para vir à França estudar numa tradicional
escola chamada Ecole Polytechnique, por minha conta própria, diga-se de passagem, já que aquela
não tinha acordos internacionais de intercâmbio.

Aqui, dei-me conta do abismo que existe entre os dois países. Restringindo-me ao âmbito
educacional, me senti pela primeira vez respeitado como estudante. Meu tempo aqui é muito bem
empregado, não sou
sobrecarregado com matérias inúteis dadas por professores charlatões, alia-se com o fato de que eu
finalmente tenho escolha sobre as matérias que vou fazer e a carreira que vou seguir. A pergunta: o
que você faz exatamente?, perguntada geralmente quando se quer saber o título da formação, por
exemplo engenharia mecânica, agora me incomoda. Não sei responder, ainda! E estou muito feliz
com isso.

Depois, sinto uma preocupação real do corpo docente em nos levar à


fronteira da ciência. Na aulas, vemos alguns teoremas demonstrados há menos de 20 anos,
revisamos trabalhos de prêmios Nóbeis desta década etc. Estou num ambiente onde ninguém se
pergunta se tem de aprender inglês, porque já estão aprendendo a terceira língua, e onde se
conhece os nomes dos ministros e suas políticas. A análise aqui se baseia na teoria da medida de
Lebesgue, não mais em Riemann, que fundamenta a análise real e complexa que aprendi no Brasil.
E não é porque ele é francês, mas porque sem sua teoria, não teríamos base suficiente para
continuar os estudos em matemática, em física e às vezes até em mecânica. Estou contando só o
que você já sabe, tão-somente para ilustrar melhor o carinho dado para nossa formação.

Minha esperança no Brasil também oscila, mas eu creio que estamos


caminhando lentamente para um progresso real na educação. Você não abordou a educação básica;
esta é muito mais preocupante, na minha opinião. Chegamos ao cúmulo onde é preciso ter ensino
superior pra fazer qualquer coisa credível! Um desastre, sabendo que é uma minoria que sai do
ensino médio e entra na faculdade, e outra pequena minoria que termina o ensino médio em relação
aos que começam a escola.

Para terminar, só queria comentar que gostei do texto e do blog em geral. Acho que você acertou a
jugular de um problema nacional, cuja solução razoável eu não conseguiria nem apontar. Queria
enfim que você comentasse, se possível, sobre o programa do Ciência sem Fronteiras da Dilma e se
isso pode ajudar a responder à sua pergunta no comentário aqui de cima: Quem fará a
conscientização dos jovens?

Responder

33 of 44 08/04/2019 20:11
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Respostas

Adonai 23 de fevereiro de 2013 00:22

Cópia do e-mail que enviei em resposta.


_________
Thomas

Gostei muito de seu depoimento. E agradeço também pelo apoio.

Com relação à sua pergunta sobre o Ciência Sem Fronteiras, faço um breve comentário
na postagem abaixo.

http://adonaisantanna.blogspot.com.br/2013/02/quem-realmente-merece-educacao.html

Ou seja, não consigo antecipar o que resultará deste programa. Isso porque o Ciência
Sem Fronteiras é mais uma iniciativa isolada que não está antenada com a emaranhada
realidade brasileira.

E quanto à sua última pergunta, sou obrigado a responder que você é uma das pessoas
que pode conscientizar as novas gerações. A questão é se você seguirá carreira no Brasil.
Entendo perfeitamente se a resposta for negativa.

Responder

Tomás 23 de fevereiro de 2013 02:29

Lendo esse texto me lembrei um tanto de minhas experiências com universidades no ensino superior.
Como grande parte dos meus antigos colegas no secundário, eu tive grandes dúvidas sobre o que
deveria cursar, um problema que o senhor relaciona, creio que corretamente, a falta de experiência
universitária anterior a escolha de uma carreira.
Talvez por isso, talvez por ser meio empirista, passei por um bom número de faculdades nos últimos
anos. Nenhuma delas era federal, mas todas estão entre as mais renomadas nos cursos que eu
estudava. O mais interessante é que os problemas que você indica foram particularmente mais
agudos em instituições privadas, provavelmente por serem menores e terem um perfil menos
heterogêneo de docentes.
Ainda assim, acho que o curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas foi a
experiência mais absurda que já tive. Nos dois primeiros semestres há um número pequeno de
matérias (4) ministradas quase sempre por bons professores. O conteúdo é o básico: literatura
clássica, teoria literária, linguística e lingua portuguesa. Ou seja: todas as principais áreas do curso.
Ainda que eu ache que essas matérias sejam um pouco vagas, o que dá espaço para uma
professora de língua portuguesa falar durante metade do curso sobre o francês do Quebéc e a outra
metade sobre declinações do latim, é um bom ano. A partir do segundo é que começa a festa, depois
que os alunos já escolheram suas habilitações.
Para começo de conversa, os departamentos possuem uma organização estranha. As matérias de
teoria literária, por exemplo, só podem ser “acessadas” por quem cursa a habilitação em lingua
portuguesa. Já as matérias do departamento de linguistica são criadas para a habilitação de mesmo
nome. Isso obriga as outras habilitações a terem disciplinas genéricas de estudos literários, filologia e
linguística relacionadas apenas ao que é produzido em sua lingua.
A explicação para isso me foi dada uma vez por um professor de visão mais crítica: o curso de Letras
se baseia numa visão bastante específica de algumas figuras importantíssimas, principalmente na de
Antonio Cândido. Para eles o estudo da literatura brasileira era de maior relevância do que o de
outras línguas, por isso teoria literária no Brasil só pode ser pensada por intelectuais brasileiros sobre
autores brasileiros. Linguística entrou como uma necessidade estranha (principalmente para o anti-
estruturalista já citado) ao corpo da faculdade e por isso mesmo continua como um apêndice
(embora de notável qualidade).
Na parte de literatura brasileira essa influência fica mais clara. As matérias, subdividas em 6
semestres, começam com modernismo de primeira geração (1920), passam para geração de 1930
para no semestre seguinte voltar ao romantismo (século XIX), continuar em ordem cronológico até
Machado de Assis, voltar para a literatura colonial (disciplina optativa ainda por cima) e literatura
“contemporânea”(na verdade Guimarães Rosa e Clarice Lispector).
Esse vai e volta se explica facilmente para quem lê Antonio Cândido e seus colegas, mas é uma
visão bastante particular, que não deveria ser aplicada a ferro e fogo para toda a eternidade. O
problema é que os “bons” professores são descendentes diretos dessa linha de pensamento. Então
ficávamos assim, meio que parados na década de 1960 esperando o Jango voltar.
É claro que isso é um absurdo completo. Como ler criticamente Machado sem ter lido antes
Shakespeare e Goethe? Como discutir Clarice Lispector sem ter nenhuma base em filosofia? Sem
falar que ficamos parados numa única corrente (há professores de outras linguas, mas são minoria e
não tem poder sequer para sugerir uma matéria como "análise semiótica") e sem qualquer chance de
estudarmos algo para além da década de 1960.
(peço desculpas pelo comentário longuíssimo)

Responder

Respostas

Adonai 23 de fevereiro de 2013 04:21

Tomás

Problemas muito parecidos com os seus foram relatados pelo meu próprio filho, quando
cursou letras na UTFPR. Machado de Assis, por exemplo, teve forte influência de Edgar

34 of 44 08/04/2019 20:11
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Allan Poe. Mas frequentemente isso é ignorado por professores de literatura que sequer
leram Poe, mas discutem sobre Assis. Existem também professores de semântica que
jamais estudaram a obra de Tarski. E por aí vai.

Com relação a universidades privadas, há algum tempo eu as acompanho. Em algum


momento pretendo discutir sobre este tema. Mas ainda preciso de mais dados. O que
percebi até agora é que sua análise está correta.

Responder

INVESTIMENTO ARRISCADO 25 de fevereiro de 2013 09:30

Mudar a dura realidade?


Improvável, professor, pelo corporativismo já citado. Quando o espírito de corpo transforma-se no
espírito de porco. Veja se a mediocridade quer meritocracia. Que vem de mérito. E mérito é trabalho.
E trabalho pesado. Como dizem alguns docentes da instituição onde trabalho não dá para fazer em
40 horas semanais. E eles entendem que o limite são as tais quarenta horas. Tenho uma irmã
docente. E trabalha 80 horas por semana. E é palestrante internacional. É reconhecida. Claro que
não dá para fazer isso em 40 horas...

Responder

Kátia Couto 4 de março de 2013 16:11

Achei muito pertinente o seu texto. A universidade precisa ser debatida por todos, os que nela
trabalham e os que dela fazem uso, ou seja, toda a sociedade. Há alguns pontos que precisam de
atenção. Quando se fala em produtivismo se fala de uma forma generalista sobre a produção escrita
e se esquece de outros encargos ao qual os professores estão submetidos, administração e
pesquisa. Um professor que está no cargo de chefia, ele continua dando aula, e ainda tem que dar
andamento aos seus projetos de pesquisa. Eu acho insano! Ninguém consegue fazer várias coisas
bem e ao mesmo tempo. Alguns podem, outros não! Quer dizer que aquele que dá uma ótima aula,
orienta bem e fica dentro do limite estipulado pela Capes, produzindo um artigo a cada dois anos, é
improdutivo? Para mim essa é a questão. Traçar pararelos com as universidades americanas para
aprendermos com elas alguns aspectos é ótimo e saudável, outra coisa é tê-las como nosso ideal e
objetivo (eu sei que não foi isso que você quis dizer, sou eu que estou fazendo essa observação).
Creio que precisamos buscar o nosso modelo de universidade, para atender ao nosso público de
alunos, trabalhando para atender às necessidades de nossa sociedade. A competitividade existe
dentro da universidade, e é animalesca na atualidade, porque é uma competitividade entre
indivíduos, buscando fazer curriculo, usando a universidade para estabelecer sua rede de contatos. É
necessário pensar a universidade, o seu alcance e importância social, criando um novo projeto para
as novas demandas. Quanto às greves, eu acho que em alguns casos elas são necessárias e em
outros não. Mas não desconsidero sua importância histórica e se temos conquistas foram através
dos movimentos organizados que as alcançamos e não apenas nas conversas de colegiado. É
preciso avançar nesse campo também. Necessitamos buscar mais o diálogo em seus vários âmbitos,
dentro da universidade e fora dela, para sairmos do corporativismo e assim alcançarmos novas
linhas de atuação.
Eu te parabenizo por trazer esse tema para discussão, pois só assim conseguiremos avançar nos
nossos objetivos enquanto professores universitários e atender à nossa sociedade da forma como
ela merece e precisa. Att. Kátia.

Responder

INVESTIMENTO ARRISCADO 6 de março de 2013 07:07

Não é tão difícil. Basta que os docentes deixem a administração para os administradores, os técnicos
treinados para isso. E vão cumprir suas obrigações pela ordem. Primeiro lugar, Ensino. Depois,
paralelamente, pesquisa e extensão.

Responder

Respostas

Adonai 6 de março de 2013 17:19

Eduardo

Não faz sentido priorizar ensino sobre pesquisa ou pesquisa sobre extensão, como você
propõe. Um país com tantas realidades como o Brasil precisa de diversidade. Ou seja,
algumas instituições poderiam sim adotar uma política como esta que você propõe.
Outras, porém, deveriam priorizar pesquisa. Tudo depende de políticas internas definidas
pelas próprias instituições.

Responder

INVESTIMENTO ARRISCADO 6 de março de 2013 19:15

Estimado professor Adonay,

então temos que rever a indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão.

Responder

35 of 44 08/04/2019 20:11
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Respostas

Adonai 7 de março de 2013 13:24

Certamente, Eduardo. Esse discurso de indissociabilidade é simplesmente ingênuo. A


rede envolvendo ensino, pesquisa e extensão é complexa o bastante a ponto de não ser
sustentável em um slogan.

Responder

Max Vianna 11 de março de 2013 03:31

Olá a todos!

Alguém poderia me indicar algum material sobre essas "aplicações da teoria matemática das
decisões em ciências humanas".

O texto faz breve menção a isto e gostaria de saber mais sobre o tema.

Muito obrigado a todos!

Responder

Respostas

Adonai 11 de março de 2013 19:28

Max

Na postagem abaixo cito um exemplo simples, bem-humorado, de aplicação de teoria das


decisões. Recomendo a obra de Ian Hacking citada no texto.

http://adonaisantanna.blogspot.com.br/2012/09/consultoria-matematica-para-
casamentos.html

Responder

Natan Quinquiolo 12 de março de 2013 06:08

Caro Prof Sant'Anna,

Este é o primeiro texto de seu blog que tenho acesso, e por isso peço desculpas se meus
comentários forem desatualizados, ou seja, já foram discutidos em outras postagens ou até mesmo
nos comentários desse texto. Comentários que por mais que eu me aplicasse em ler, não fui capaz
de acompanhá-los por conta do intenso volume.

Aos comentários:

(1) Recentemente li uma notícia de que cerca de 93% do orçamento da USP para o ano de 2013 está
comprometido com a chamada "folha de pessoal". Fico me perguntando se o fato das carreiras dos
profissionais que trabalham na USP serem estáveis não contribui para esse quadro de administração
assustador. Um orçamento na casa dos bilhões de reais praticamente todo comprometido com
funcionários?!?! Não consigo acreditar que por esse motivo não houve uma manifestação severa
tanto por parte dos alunos, quanto por parte dos próprios funcionários que a primeira vista ganham
com isso, mas no fim tem muito a perder. Pois bem, como o Sr. acredita ser possível reverter esse
problema? Já que dessa maneira nos próximos anos não haverá mais verba para investimento em
coisa alguma, apenas para o pagamento desses profissionais.

(2) Ao que mais, dentro de uma universidade, o Sr. acha viável aplicar a meritocracia? Vejamos o
caso da eleição do atual reitor da própria USP o Sr. Rodas. A eleição foi duramente criticada pelos
alunos e alguns professores por não ser democrática (com a história da lista final, que chega nas
mãos do governador, a famigerada "lista tríplice"). Ano passado uma das principais causas que
"justificariam" uma greve geral por parte dos alunos (greve essa que não vingou) era exatamente a
maneira não democrática e sim meritocrática da escolha do reitor.

(3) Por fim, em tom mais descontraído, percebi que o Sr. é acima de tudo um amante da lógica, por
assim dizer. Sei que no texto de um blog, a estrutura é informal, mesmo assim chamo atenção para
uma expressão usada na sua postagem: "...ainda não ENCARAMOS DE FRENTE os problemas..."
Nesse trecho acho que o Sr. abusou um pouco da lógica. Sei que essa crítica é irrelevante para o
conteúdo do texto e em nada diminui a qualidade, solidez e a própria lógica com que ele é escrito.

Em tempo: Encontrei ânimo para comentar em seu blog (algo que pouco faço em outros sites) por
perceber sua dedicação em responder a todos os comentários. Por isso parabenizo-o.

Responder

Respostas

Adonai 13 de março de 2013 03:12

Natan

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Matemática e Sociedade: Universidades federais... http://adonaisantanna.blogspot.com/2013/01/un...

Não respondo a todos os comentários, mas à maioria. Se o leitor faz perguntas, jamais
deixo de responder. Se ocorrem discussões que não parecem convergir para um
consenso, não as prolongo. É uma limitação minha.

Seguem abaixo minhas respostas:

1) O Brasil precisa de uma reforma drástica em seu sistema de ensino público. Se o país
insistir no atual modelo, não vejo como ele possa ser sustentado. No momento, mais
importante do que verbas é a definição de um novo sistema de ensino público,
radicalmente diferente do atual.

2) A meritocracia é aplicável sim, desde que seja instituída por um governo forte. Ou seja,
em caso de greves, basta o governo federal não pagar os grevistas. Desta forma, greve
nenhuma resiste por muito tempo. Para evitar manifestações públicas violentas, o governo
deve instituir um novo sistema educacional mais justo, que beneficie os mais produtivos e
que demita aqueles que não produzem. E, para consolidar qualquer novo sistema,
propaganda é fundamental. Percebo que este discurso soa como algo perigosamente
autoritário. E muitas injustiças devem ocorrer durante qualquer processo de transição. Mas
mudanças drásticas são fundamentais. O governo investe muito dinheiro em educação e o
retorno social tem sido medíocre. Se o país não mudar logo, em breve todos pagaremos
muito caro pela inércia do passado.

3) Não compreendi sua crítica. Sua preocupação é por conta do pleonasmo?

Responder

Leandro Rocha 13 de março de 2013 09:34

De facto, o que o Brasil produz é insuficiente para suprir a necessidade de conhecimento que as
Universidades públicas brasileiras precisam. O Brasil está está em um patamar no qual a quantidade
é mais importante que a qualidade. Se formam muitos, porém, sem qualidade.

Responder

Leonardo Manzo 20 de março de 2013 16:12

Ótimo artigo Profº Adonai

Os problemas que você relatou aqui não são restritos apenas as UFes. Os recentes IFes (Institutos
Federais de Tecnologia) criados e multiplicados por todo o Brasil nos governos Lula e Dilma também
possuem todos esses problemas e mais outros ainda.

Ingressei no curso de Análise & Desenvolvimento de Sistemas do IFSP campus São Paulo no 2º
semestre de 2009 e após 2 semestres acabei desistindo do curso. A desorganização do curso era
simplesmente absurda e a qualidade nos dois primeiros semestres que cursei foi muito ruim, eis
alguns motivos:

1º A grade curricular da turma na qual ingressei era diferente das turmas anteriores e ambas as
grades eram (e são até hoje) diferentes da grade curricular do mesmo curso nos outros campus da
universidade no estado de São Paulo. Veja:

Análise e Desenvolvimento de Sistemas IFSP


http://www.ifsp.edu.br/index.php/tecnologo/1018-tecnologia-em-analise-e-desenvolvimento-de-
sistemas.html

Campus Catanduva
http://ctd.ifsp.edu.br/portal/images/stories/docsalunos/projetospedagogicos
/tecnlogo%20em%20anlise%20e%20desenvolvimento%20de%20sistemas.pdf

Campus Guarulhos
http://portal.ifspguarulhos.edu.br/tecnologia-em-analise-e-desenvolvimento-de-sistemas

Campus Araraquara
http://www.ifsp.edu.br/index.php/01-araraquara.html

Que organização!

2º A turma que ingressei simplesmente não tinha os conteúdos de Lógica Matemática, Análise de
Algoritmos, Matemática Discreta ou Teoria da Computação (veja o projeto pedagógico do Campus
Araraquara). O que havia no curso era: um Cálculo Diferencial Integral que só ensinava a calcular
derivadas e integrais como um robô, uma disciplina de Fundamentos de Matemática que repetia os
conteúdos do Ensino Médio e Matemática Financeira no 2º semestre. Não bastasse isso também
havia problemas nos conteúdos mais técnicos como, por exemplo, Sistemas Operacionais que não
ensinava a Teoria dos SOs e sim apenas a operar um tipo de SO. Felizmente depois que saí, as
turmas subsequentes passaram a ter o conteúdo devido de SOs no 4º semestre, ou seja, a grade
mudou de novo. Enfim, esse é um curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas cujo aluno que o
concluí não sabe definir formalmente conceitos como: Sistema, Algoritmo, Lógica, Relação, Função,
etc. Conceitos ou Teorias como Autômatos, Cálculo Lambda e Teoria das Funções Recursivas são
coisas de outro planeta para aqueles que se formam nesse curso.

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Matemática e Sociedade: Universidades federais... http://adonaisantanna.blogspot.com/2013/01/un...

Conclusão, é notório e explícito que a expansão dos IFes foi feita sem o devido planejamento e de
forma totalmente irresponsável pelo governo Federal semelhantemente a expansão das Fatecs e
ETEcs realizada pelo governo de São Paulo na década passada http://www.adusp.org.br/files
/revistas/38/r38a02.pdf

Realmente o Ensino Superior brasileiro possui problemas graves que precisam ser sanados
urgentemente. Do contrário ficaremos muito para trás de nações como a China e a Índia no mercado
global.

Att, Leonardo Manzo

Responder

Respostas

Adonai 21 de março de 2013 02:17

Leonardo

A sensação que tenho é que o governo federal se divide em três facções, no que se refere
a ensino superior público: há aqueles que querem legitimamente avaliar o ensino superior
e melhorá-lo, há aqueles que querem deliberadamente destruir a educação pública e há
aqueles que não têm interesse algum no problema. Não tenho percebido expressividade
no primeiro grupo, até porque existe gente bem intencionada, mas sem qualquer noção
realista a respeito do papel na educação e da ciência sobre uma nação como a nossa. O
modelo atualmente adotado para plano de carreiras nas ifes (conquistado após a mais
longa greve da história da categoria) é um exemplo claro de que o ensino superior público
caminha para o colapso. Sem mudanças radicais e que ocorram logo, não vejo um bom
futuro para o Brasil.

Leonardo Resende 22 de março de 2013 03:58

Olá Profº Adonai e Leonardo Manzo.

Primeiramente parabéns ao Profº Adonai pelo post e pelo Blog. Esse é o primeiro BLOG
sério sobre Educação e Ciência em nível superior que tomo contato. No entanto quero
comentar algumas coisas que o colega Leonardo Manzo falou aqui.

Bem, eu também fui aluno do referido curso no 1º semestre de 2009 no período da manhã
(turma inaugural do curso nesse período). Acabei desistindo após o primeiro semestre,
mas segui trabalhando em TI. Realmente a maioria das críticas e colocações feitas são
verdadeiras, mas algumas merecem melhores ponderações e esclarecimentos.

A questão da desordem nos conteúdos ministrados é fato e não se discute, inclusive eu


também testemunhei isso. No entanto alguns professores sérios e empenhados também
perceberam claramente essa desordem e resolveram agir para mudar isso (entre eles o
Profº Adilson Florentino da disciplina de Sistemas Operacionais (SOs)), a referida
disciplina de SOs, por exemplo, foi colocada no 3º semestre do curso. Ao longo do tempo,
a grade e os conteúdos do curso foram sendo revistos e ajustados. Se por um lado isso
não é o certo ou o ideal, por outro mostra o empenho de certos docentes da instituição em
fazer as coisas da forma correta apesar dos erros e falhas de administração.

Um problema maior que esse da grade era o da escalação errada de professores. Eu por
exemplo tive no 1º semestre um professor especialista em programação e algoritmos
ministrando “Arquitetura de Computadores” (Hardware na prática) e colegas meus no 2º
semestre tiveram um profº de “Administração” ministrando “Estrutura, Pesquisa e
Ordenação de Dados” o resultado em ambos os casos foi muito ruim. Realmente eram
muitos problemas de ordem organizacional, mas a grande maioria das instituições
públicas infelizmente é assim e as poucas ações possíveis para mudar isso são
inexequíveis devido à enorme desunião do corpo discente nestas instituições. Logo o
melhor a fazer é se dedicar por conta e correr por fora sozinho.

Agora a colocação:

“Este é um curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas cujo aluno que o concluí não
sabe definir formalmente conceitos como: Sistema, Algoritmo, Lógica, Relação, Função,
etc. Conceitos ou Teorias como Autômatos, Cálculo Lambda e Teoria das Funções
Recursivas são coisas de outro planeta para aqueles que se formam nesse curso.”

De fato a colocação é verdadeira, mas será que o conhecimento ou domínio dos conceitos
ou teorias citadas é essencial para a prática cotidiana da área de TI?

Para responder a essa pergunta aparentemente fácil, vou levantar alguns fatos e
afirmações.

Leonardo Resende 22 de março de 2013 04:02

Continuação...
Para começar TI é uma área sem regulamentação no Brasil, os profissionais não são
credenciados num órgão como o CREA ou qualquer outro parecido. Os cursos na área
são os mais variados possíveis quanto à forma e duração, existem cursos de: 1,5
(técnicos), 2 anos ou 2,5 anos (graduações de curta duração), 3 anos (tecnólogo), 4 anos

38 of 44 08/04/2019 20:11
Matemática e Sociedade: Universidades federais... http://adonaisantanna.blogspot.com/2013/01/un...

(bacharel), 5 anos (engenharia), de 2 a 6 meses (para certificações), Pós-Graduações das


mais variadas formas e durações, e por aí vai.

Tudo o que será dito abaixo será sobre a realidade média da maioria dos profissionais de
TI, realidade na qual encontram-se cargos e funções como:
Desenvolvedores/Programadores (Web, Java, .Net, PHP, etc.), DBAs, Analistas
Funcionais, Analistas de Suporte, etc. As exceções são os Cientistas da Computação,
Engenheiros de Software e os recentes Analistas (ou Cientistas) de Dados que trabalham
em atividades, sistemas ou programas altamente complexos ou especialistas como, por
exemplo: o desenvolvimento ou aperfeiçoamento de um SGBD ou Sistema Operacional,
desenvolvimento ou uso de suítes ou programas matemáticos ou estatísticos de grande
poder ou ultra específicos, etc.

O dia a dia dos profissionais de TI é muito corrido e a pressão é grande. Além disso, são
muito frequentes erros de Administração (principalmente em questões de tempo e
orçamento), falta de bom senso e vários outros problemas que muitas vezes transformam
a realidade desse profissional num caos.

Afirmo tudo isso com base na minha experiência no setor (aprox. 5 anos) e nos dados
existentes sobre a realidade educacional atual de TI no Brasil.
Até o momento atuei em sete empresas no setor, de multinacionais à empresas pequenas
com seis funcionários apenas. Nisso eu conheci mais de duzentos profissionais e posso
afirmar com tranquilidade que apenas uns 15 em cada 100 profissionais em TI “conhecem”
os conceitos ou teorias citadas na afirmação feita pelo Leonardo Manzo, e desses 15
apenas uns 5 (e olhe lá) sabem efetivamente usar esses poderosos conceitos ou teorias.
Mas isso em termos práticos significa muito pouco, porque a grande maioria das situações
práticas da área de TI simplesmente não requerem tais conhecimentos (em seus aspectos
formais) para serem analisadas, entendidas e modeladas corretamente. Claro, isso não
quer dizer que eles não possam ou não devam ser usados (há situações raras que só eles
resolvem), mas isso é outra história.

Agora o mais interessante disso tudo é que as linguagens (SQL, JAVA, C#, etc.), técnicas
(princípios de engenharia de software, tunning em banco de dados, etc.) e modelos
(Fluxogramas, UML, MER, etc.) usados em TI têm implícitos, de maneira fortemente
oculta, os conceitos e teorias citados em toda formalidade e extensão dos mesmos. Na
verdade pode-se dizer que tais técnicas, linguagens e modelos são resultados ou produtos
bastante simplificados oriundos de teorias ou conceitos altamente complexos, abstratos e
nada triviais. E tudo isso porque tais produtos (ou ferramentas) foram criados com a
finalidade de serem facilmente aprendidos e usados. Dois de alguns dos maiores
exemplos disso são:

1) A linguagem SQL que é uma simplificação enorme das linguagens formais conhecidas
como Álgebra Relacional e Cálculo Relacional de Tuplas.

2) O MER (Modelo Entidade Relacionamento) que é uma simplificação gigantesca do


conceito matemático formal de relações ou Teoria Matemática das Relações
(http://en.wikipedia.org/wiki/Theory_of_relations).

A tudo isso ainda soma-se o fato da realidade social atual ser dominada pelo simples e
puro pragmatismo (que chega a extremos absurdos em certas áreas como, por exemplo,
TI) cuja máxima principal é “Tempo é dinheiro”. Além dessa máxima há outras específicas
por área profissional como a que diz que “O ótimo é inimigo do bom”, muito dita e repetida
em Engenharia e TI.

Ou seja, acredito que após tudo isso a resposta para a pergunta em questão é Não.

Leonardo Resende 22 de março de 2013 04:04

Continuação ...

Conclusão, os profissionais de TI podem prescindir sem grandes problemas do


aprendizado de conceitos ou teorias matemáticas formais. A matemática do Ensino Médio
é mais do que o suficiente para estes profissionais.

Vale dizer para completar que eu particularmente só tenho noção dessas coisas porque
desde os quinze anos eu cultivo uma coisa conhecida como “Atitude Filosófica” que em
essência é uma atitude fundamentada em três perguntas: “O que é?” “Por que é?” e
“Como é?”. Graças a tal atitude eu nunca me conformei com afirmações dadas ou jogadas
e sempre procurei questionar e investigar tudo o que eu pude, de coisas “óbvias” e
“simples” a coisas ocultas ou difíceis.

Agora para terminar, com relação à questão da expansão dos IFs no Brasil e das Fatecs
em São Paulo nesta eu estou de pleno acordo com o que foi afirmado.

Ademais, por favor, desculpem-me pela longa exposição de ideias e pelos prováveis erros
nela contidos.

Att, Leonardo Resende.

Leonardo Manzo 23 de março de 2013 10:30

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Matemática e Sociedade: Universidades federais... http://adonaisantanna.blogspot.com/2013/01/un...

Legal Leonardo!

Infelizmente eu tinha pouquíssimas informações sobre a área de TI e assim que eu concluí


o EM em 2008 (ainda bastante perdido sobre o quê fazer) resolvi lançar-me nesta área por
ela ser fortemente ligada à Matemática e proporcionar acesso à trabalhos muito bem
remunerados (segundo as informações que obtive de alguns colegas meus na época). No
entanto durante a minha passagem pelo IFSP percebi que as coisas eram bem diferentes
disso e claramente pude ver que essa área não era para mim.

Depois de tudo isso parei, pensei corretamente e decidi cursar Pedagogia com ênfase em
Gestão Escolar. Hoje faz dois anos que estou nesse curso e felizmente estou indo bem e
gostando bastante.

É isso.

Muito Obrigado pelos esclarecimentos e pelo bom diálogo.

Att, Leonardo Manzo

Responder

INVESTIMENTO ARRISCADO 21 de março de 2013 02:03

"...a expansão dos IFes foi feita sem o devido planejamento e de forma totalmente irresponsável pelo
governo Federal ..."
A quanto venho dizendo que administração é para administradores. Professores Doutores
Peahgádeuses, que se comportam como administradores, fazem isso.

Responder

Respostas

Adonai 21 de março de 2013 05:57

Eduardo

Há muito tempo venho observando que existe a mentalidade, nas universidades, de que
administração se faz a partir de senso comum. Erro grosseiro que ocorre em outras áreas
do saber também.

Responder

Leonardo Manzo 23 de março de 2013 13:44

Excelente colocação Investimento Arriscado!!!

Você tocou num ponto pouco percebido que é o da ADMINISTRAÇÃO!!!

Fala-se muito da corrupção, o que é correto, pois esse câncer histórico do Brasil e do mundo leva
embora por ano em média R$ 55 bilhões dos cofres públicos em nosso país, no mundo esse valor
parece passar de $1 trilhão (infelizmente, não tenho dados precisos sobre isso ainda). Abaixo
seguem algumas informações interessantes sobre a corrupção no Brasil e no mundo:

1) http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2010/05/13/interna_politica,192281
/index.shtml

2)
a) http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:World_Map_Index_of_perception_of_corruption.svg
b) http://pt.wikipedia.org/wiki/Corrup%C3%A7%C3%A3o_pol%C3%ADtica
c) http://pt.wikipedia.org/wiki/Corrup%C3%A7%C3%A3o_no_Brasil

No entanto corrupção e má administração são coisas bastante distintas, e sobre a segunda eu tenho
a impressão de que são mostradas muitas coisas, mas poucas são devidamente explicadas ou
aprofundadas e quase nunca chega-se ao cerne da questão que é discussão dos princípios
administrativos vigentes.

Infelizmente ainda não tive a chance de pesquisar sobre isso para expor números aqui. Mas pode ser
que as perdas com a má administração se equiparem ou até ultrapassem as da corrupção e isso
obviamente é um desastre.

Logo, é vital que a Administração Pública Brasileira passe por uma profunda revisão e reformulação.

Encerro este comentário com duas afirmações sobre a importância da Administração nos dias atuais
e as grandes mudanças pelas quais ela passa. Ambas as afirmações estão presentes no livro Teoria
Geral da Administração, 8ª Ed., 2011, do Profº Idalberto Chiavenato:

“A Administração está sendo considerada a principal chave para a solução dos mais graves
problemas que atualmente afligem o mundo moderno”

“Nos próximos anos, o mundo verá o fim da forma organizacional de hoje (a organização burocrática

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Matemática e Sociedade: Universidades federais... http://adonaisantanna.blogspot.com/2013/01/un...

que ainda predomina em muitas organizações) e o surgimento de novas arquiteturas organizacionais


adequadas às novas demandas da era pós-industrial”

Um texto mais aprofundado sobre o assunto:


http://www.conjur.com.br/2012-jul-31/contas-vista-nao-falta-dinheiro-administracao-publica-falta-
gestao

Att, Leonardo Manzo

Responder

Sybylla 4 de abril de 2013 17:21

Parabéns pelo excelente artigo e pelas colocações. Principalmente no que tange ao código (ausente)
de ética para os profissionais do magistério e sobre as universidades estarem engessadas em um
modelo que não mais funciona.

Achei especialmente interessante o fato de você comentar que os alunos, no Brasil, entram em um
curso universitário e não em uma universidade, como por exemplo nos Estados Unidos. De fato,
estamos podando jovens que podem desistir de cursar uma universidade devido a um modelo falho e
que certamente já está cobrando seu preço, basta olharmos a qualidade de alguns profissionais e
universidades.

Foi uma ótima surpresa e uma atitude corajosa tanto sua quanto da SciAm em publicar o texto que é
extremamente importante e pertinente para a situação educacional do Brasil.

Abraço!

momentumsaga.com

Responder

Jhonathan 22 de agosto de 2013 12:08

Artigo FANTÁSTICO. Parabéns.

Responder

Luiz Thiago 31 de agosto de 2013 17:50

Parece que a insatisfação também está chegando nas maiores instituições:

http://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2013/08/alunos-do-ita-fazem-paralisacao-por-
melhoria-no-sistema-de-ensino.html

https://medium.com/p/f1490a697a41

Responder

SEBASTIÃO FRANCISCO DE PAULA VIANA 29 de janeiro de 2014 21:27

"Carlos Chagas foi oficialmente indicado ao Nobel de Medicina em duas ocasiões. Perdeu porque
Afrânio Peixoto era contrário à política meritocrática adotada por Chagas durante sua gestão no
antigo Departamento de Saúde Pública do Governo Federal. Deste modo, Peixoto e colegas fizeram
campanha perante a Comissão Nobel, no Instituto Karolinska (Suécia), afirmando, resumidamente,
que o trabalho de Chagas não merecia atenção alguma."
A Comissão Nobel se deixou influenciar pela inveja dos outros?...
Eu já tinha o pé atrás com esse prêmio quando descobri que Winston Churchil recebeu o Nobel de
literatura por um livro cheio de hipocrisia bem escrita (há quem diga que o livro é bom...), e agora
descubro mais essa (por incrível que pareça, não conhecia essa história)

Responder

Jeferson Bugoni 1 de fevereiro de 2014 11:33

Excelentes reflexões professor. Gostaria de parabenizá-lo especialmente pela coragem de apontar


estes problemas na educação superior e produção de cientistas nas IFES. Entre os professores este
assunto é um tabu. Há um protecionismo exagerado entre os professores seguindo a ideia: "Eu não
te critico, tu não me critita e todo mundo fica feliz e finge que está tudo bem." O sistema educacional
brasileiro castra intelectualmente ou prejudica criticamente os potencias gênios; vejo colegas
excelentes continuamente desestimulados e desanimados com ciência e educação. Nossos gênios
morrem todos os dias nas salas intelectualmente empoiradas nas IFES brasileiras.

Responder

Laura 17 de março de 2014 15:39

Penso que há muito tempo as universidades brasileiras deveriam aceitar dissertações e teses em
inglês. No meu instituto eles aceitam e até incentivam isso, mas tem que comprar briga com a pró-
reitoria de pós-graduação a cada dissertação ou tese assim. Pois a pró-reitoria não vê isso com bons
olhos.

41 of 44 08/04/2019 20:11
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Responder

Jônata Virginio 26 de abril de 2014 16:09

Acredito que dentre todas as características do ser humano, a capacidade de pensar num nível mais
elaborado e abstrato seja o que mais nos diferencia das demais espécies. O pensamento e por que
não dizer, a inteligência, aparece como um instrumento transformador e que, em teoria, poderia
viabilizar a solução da maioria dos desafios com os quais nos deparamos. No entanto, o que
observamos no Brasil, é um processo de valorização da mediocridade. Estamos na contra-mão do
fluxo de evolução de qualquer sociedade séria. Temos então a natural interrogativa: Por que?
Não sou nenhum expert em ciências humanas, psicologia e, tampouco, filosofia. Contudo, acredito
que é tão natural e claro o surgimento desse questionamento, quanto os motivos de tal constatação.
PESSOAS QUE PENSAM SÃO PERIGOSAS! Entendam o que digo. Uma sociedade é realmente
rica e próspera, quando sua maior riqueza é seu próprio POVO. Um povo esclarecido, consciente de
seus deveres e direitos e, principalmente, alerta para seu grau de responsabilidade social, esse sim é
um grupo próspero! No entanto, não é isso que é incentivado por parte de quem domina o país. O
problema que vem à tona com o texto extrapola o ambiente acadêmico. Vem da base, da falta de
ensino de nossas crianças! Como disse anteriormente, indivíduos que pensam, contestam, exigem,
fiscalizam, denunciam... esses são realmente muito perigosos! A quase inexistência de meritocracia,
de valorização do esforço individual e de reconhecimento da dedicação de cada um que se esforça
acima da média, mostra-se como elemento de incentivo à inércia intelectual e prática. Essa cultura
de lacidão e baixa produtividade intelectual se perpetua no ambiente acadêmico e influencia de forma
cabal a vida profissional da maior parte de nossa sociedade. O Estado bem sabe disso! Os jovens
mais talentosos que tive a oportunidade de conhecer durante minha vida escolar e acadêmica foram
absorvidos pelo Seviço Público! Nada contra aqueles que optaram por esse caminho. Mas eu me
pergunto: por que uma parcela esmagadora da "elite intelectual" desse país deseja servir ao
GOVERNO? Onde estão os profissionais liberais, empresários de sucesso e toda a gama de
profissionais que sonham com a iniciativa privada? Não quero fugir ao tema em discussão, mas não
consigo não pensar em relação de causa e conseqüência nesse ponto! A falta de valorização do
professor em nosso país não ocorre por acaso! A ESCOLA é um lugar sério! Plageando o eminente
jornalista Alexantre Garcia, digo que A ESCOLA É O LUGAR MAIS IMPORTANTE DE UMA
SOCIEDADE! NÃO É DEPÓSITO DE CRIANÇAS, PARA QUE OS PAIS POSSAM TRABALHAR! O
marasmo intelectual em que vivemos é um excelente meio de cultura para que cérebros embotados
continuem se perpetuando em posições de destaque e inquestionável relevância social! O que digo é
que: É DO INTERESSE DE QUEM DOMINA, QUE SE PERPETUE O STATUS DE DESPREPARO
INTELECTUAL VIGENTE EM NOSSO PAÍS! É óbvio que não posso generalizar... até porque seria
INGENUIDADE de minha parte... mas refiro-me à grande parcela de nossa população que não
consegue compreender uma simples frase (analfabetos funcionais). Ambientes de competição são
extremamente vantajosos e férteis para o surgimento do progresso no território das idéias. É
altamente relevante que nos sintamos FORA DA ZONA DE CONFORTO para que nos esforcemos
mais! Enfim, não acredito em fórmulas milagrosas para o progresso. O sucesso é resultado de
trabalho sério, constante e disciplinado. A NATUREZA NÃO JOGA DADOS! Mesmo que admitamos a
existência do acaso, temos a Estatística para nos mostrar que a maior parte do que observamos na
natureza é oriunda de uma distribuição sabida, esperada, calculada previamente! Portanto, não
aceitemos que o acaso seja o regente social... Nós somos os responsáveis; eu, você, todos! Viva o
mérito! Viva o ESFORÇO individual! Que os desiguais sejam tratados de forma desigual!
Jônata Freitas Virginio

Responder

Respostas

Adonai 27 de abril de 2014 04:12

Jônata

Seu comentário fez surgir uma ideia. Talvez fosse interessante, em alguma postagem
futura, publicar uma seleção de comentários de leitores.

Responder

FERNANDO MALHEIROS MARTINS 21 de agosto de 2015 01:05

Acho que ainda prevalece a noção de poder docente para as gerações antigas de professores, e eles
de fato estacionam em uma zona de conforto, sequestrando suas instituições, visando sempre seus
ganhos pessoais, ou nesse caso, seu "descanso" e sua garantia de estabilidade. Tente fazer um
mestrado em uma universidade estranha à de sua formação e verá que tipo de barreiras enfrentar.

Responder

Juliana Ciola 11 de março de 2017 01:15

Aproveitando a deixa que o professor pontuou sobre a formação acadêmica, ciência e filosofia da
ciencia, quero compartilhar sobre algumas mudanças desastrosas na ementa de um curso de
licenciatura em Física que atualmente eu curso. Como graduanda deste curso presenciei três
mudanças na matriz curricular e atualmente uma mudança significativa na ementa de disciplinas que
eram de extrema importância na formação dos futuros professores e pesquisadores da ciências. Nas
disciplinas de metodologia de ensino de física e pesquisa de ensino física, atualmente se enfatiza a
epistemologia pedagógica (assistir aula nessas disciplinas e pesquisar o termo epistemologia no
google, apenas difere o custo que tenho que desembolsar p me deslocar até universidade), Piaget é
a unica referencia ao termo epistemologia e pior, estudado a partir da visão monocular de outros

42 of 44 08/04/2019 20:11
Matemática e Sociedade: Universidades federais... http://adonaisantanna.blogspot.com/2013/01/un...

autores que leram sua obra.


Assim, as disciplinas de 'humanas' foram praticamente extintas do curso, restando (bota resto) as
extensas hrs de disciplinas pedagógicas.
Nao estou querendo desvalorizar o papel da pedagogia, que obviamente eh importante na formação
docente, mas nao se pode hipervalorizar um campo de estudo em detrimento do outro por motivos
duvidosos, sobretudo pq tais mudanças ocorreram devido aos interesses de professores que
precisavam aumentar suas hrs de atividades nestas areas em prol da sua carreira acadêmica.
Nessas disciplinas o professor recebe o nome de objeto, aluno de sujeito e sem levar em
consideração discussões sobre a deontologia e ética da profissão, tanto do professor quanto do
pesquisador...

Responder

Respostas

Adonai 11 de março de 2017 11:56

Juliana

Seu comentário merecia extensa discussão, principalmente na instituição onde você


estuda. Mas esta discussão deveria envolver pesquisadores de universidades que se
destacam fora de nosso país. Seria uma forma de oferecer uma perspectiva diferente para
o corpo docente e o corpo discente da casa. No entanto, mesmo que isso ocorresse,
dificilmente implicaria em mudanças para melhor. Afinal, "o que os gringos sabem da
realidade brasileira?". Minha sugestão é que você cumpra com as exigências de seu curso
e, paralelamente, estude o que realmente importa por conta própria. Procure contato com
bons pesquisadores nas áreas que lhe interessam. E tente, futuramente, fazer um
mestrado ou doutorado em um lugar melhor.

Mas, é claro, outras pessoas dariam um conselho diferente para você. Ver, por exemplo, o
link abaixo.

https://www.producoeseclipse.com/sociedade/2017/2/25/o-fim-da-escola-entrevista-com-
zak-slayback

Responder

Juliana Ciola 11 de março de 2017 22:28

Adonai

Obrigada por sua resposta e sugestão, que aliás não apenas concordo como exercito na medida do
possível.
Mas, confesso que resiliência nao eh meu ponto forte, ainda mais quando minha maior dificuldade eh
digerir o custo de um investimento justaposto com a inóspita realidade da minha formação e
profissão.
Também gostaria de acrescentar uma observação que obtive através da realização de um projeto de
pesquisa em direito educacional no ensino superior, onde verifiquei a relaçao entre a evasão
profissional de professores do ensino secundário e os índices de abandono das carteiras
universitárias nos cursos de licenciatura em física.
Apesar da multiplicidade de motivos sobre a importância da produção de pesquisa em direito
educacional no ensino superior, como exemplo as questões que envolvem a estabilidade profissional
nas ifes , destaco o fato das ifes serem atualmente detentora de consideráveis investimentos do setor
público sobretudo ao verificarmos que a maioria destes investimentos são oriundos de projetos de
politicas publicas implementadas nos últimos anos.
O que me chamou mais atenção no trabalho foi a escassez de pesquisas em politicas educacionais,
sobretudo quanto a falta de autores vinculados a area de educação ou com experiências
significativas em educação no ensino superior.
Sendo assim, fica uma duvida inquietante sobre quem são os atores envolvidos na gênese e
implementação de politicas educacionais num ambiente carente de discussões, pesquisas e normas
que observam o ensino superior.

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Adonai 12 de março de 2017 10:54

Juliana

Você publicou esta pesquisa em um bom periódico especializado? Isso é algo que deveria
ser amplamente conhecido.

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Hugo Delatorre 28 de maio de 2017 00:09

Prof Adonai

Esse cara resume bem https://www.youtube.com/watch?v=8X8LqVSMUac

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43 of 44 08/04/2019 20:11
Matemática e Sociedade: Universidades federais... http://adonaisantanna.blogspot.com/2013/01/un...

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Adonai 28 de maio de 2017 19:05

Grato, Hugo. Muito bom o vídeo.

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