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COM QUANTAS PEÇAS URBANAS SE CONFIGURA UMA CIDADE:

A formação do solo urbano do Recife

REYNALDO, AMÉLIA. (1); SANTANA, ANDRESA. (2) BARROS,


MARIA HELENA. (3)

1. Universidade Católica de Pernambuco. Curso de Arquitetura e Urbanismo


ameliareynaldo@yahoo.com.br

2. Universidade Católica de Pernambuco. Curso de Arquitetura e Urbanismo


santana.andresab@gmail.com

1. Universidade Católica de Pernambuco. Curso de Arquitetura e Urbanismo


mariahelena2701@yahoo.com.br

RESUMO
Até princípios do século XX a cidade do Recife é marcada por um crescimento urbano que seguia os
antigos caminhos dos engenhos. Com o crescimento populacional e das doutrinas do urbanismo
sanitarista a cidade inicia seu processo de crescimento urbano por meio do parcelamento do solo.
Indo de encontro às afirmações de que a cidade cresceu de forma espontânea, sem planejamento
urbano, a presente pesquisa, em parceria com a Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano e a
Empresa de Urbanização da Prefeitura do Recife, pode verificar a formação e o desenho que
caracterizam o processo de urbanização da cidade do Recife, mostrando-nos a trama urbana na qual
a cidade está assentada. Atrelada as legislações urbanísticas, especialmente ao Regulamento de
Construções de 1936, que regulamenta a grande maioria dos loteamentos, o presente artigo tem
como objetivo revelar com quantos fragmentos e em que período de tempo ocorre à formação urbana
da cidade do Recife, entre os anos de 1920 e 1980, tendo o parcelamento do solo como instrumento
de ordenamento de configuração.
O parcelamento do solo surge como peça chave na transformação do solo rural em urbano da cidade
em expansão, no caso do Recife, uma vez que, mesmo como peças autônomas compôs o conjunto
urbano pela definição do solo público-livre e o solo edificável, distribuição das quadras e lotes e a
reserva de espaço para a implantação de praças e equipamentos públicos. Ordenando a estrutura
espacial do novo tecido urbano, permitindo que sobre ele fosse construída a habitação e as demais
atividades demandadas pelo crescimento populacional.

Palavras-Chave: urbanização; parcelamento; traçado; expansão.

V SEMINÁRIO IBERO-AMAERICANO ARQUITETURA E DOCUMENTAÇÃO


BELO HORIZONTE – DE 24 A 26 DE Outubro de 2017
1. De solo rural a solo urbano
1.1. Urbanização holandesa (1630-1654)
Aos 130 anos de colonização portuguesa, Olinda, a capital da Capitania de
Pernambuco era, em 1630, uma cidade de cerca de 5 mil habitantes, enquanto o Recife se
limitava a uma incipiente estrutura urbana entorno de uma capela. Ocupavam, então, uma
estreita faixa de terra, 300 metros de extensão por 80 metros de largura que tinha como
centro um porto natural. As construções portuguesas no atual Bairro do Recife davam abrigo
aos pescadores ocupados nas operações de carga e descarga das embarcações. Este
constituiu o núcleo inicial da futura cidade.
A ilha de Antônio Vaz, atuais bairros de Santo Antônio e São José, localizada a oeste
da área portuária, margeada pelos rios Capibaribe e Beberibe, era então um "vasto
manguezal... no qual emergiam algumas ilhotas" (Berenger, 1942).
No núcleo do Recife, se instala o invasor holandês, a partir de 1630. Apoiados no
escasso traçado da incipiente ocupação colonial do século XVI, os engenheiros Pieter van
Bueren e Andreas Drewisch definem escolha inicial do lugar sobre o qual se levantaria a
cidade holandesa, o que marca o início do processo de urbanização da cidade. O Recife
cresce rapidamente pela presença do porto, o movimento gerado pelas tropas invasoras e a
transferência de parte da população de Olinda. A ocupação holandesa se expande sobre o
istmo, seguindo as mesmas diretrizes do traçado português, ocupando os terrenos vazios
entre o mar e o rio. Nos estreitos lotes de reduzidas quadras longitudinais e paralelas entre
si, são erguidos os estreitos sobrados, apoiando-se, muitas vezes, sobre uma antiga
construção portuguesa de planta baixa, ganhando em altura o que lhe falta de solo.
No governo do Conde Nassau (1637 a 1644) os esforços para fazer do Recife a
capital do Império tomam forte impulso. A densa ocupação da península portuária e a
disponibilidade de solo na ilha de Antônio Vaz levam a reconhecê-la como o território de
expansão do núcleo portuário, que passa, em 1642, a capital do império holandês no Brasil.
A ocupação de Maurícia difere fundamentalmente da então praticada na península do Recife
e se baseia no plano urbanístico do arquiteto Pieter Post (1639) que projeta a primeira ponte
da cidade. Construída em 1644, viria a propiciar uma relativa urbanização do território desde
o porto.
Ao término da colonização holandesa, em 1654, o Recife conta com cerca de 8 mil
habitantes distribuídos em 290 sobrados, assentados sobre uma superfície 24,7 hectares.
Na área portuária se mesclam a residência burguesa, o comércio e as atividades
diretamente vinculadas ao porto, enquanto que em Antônio Vaz se configuram as zonas
residencial, comercial e institucional, de acordo com o plano de 1639.

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1.2. Urbanização portuguesa (1654 até finais do século XVIII)
A construção religiosa aparece como elemento relevante da urbanização do Recife a
partir da segunda metade do século XVII, como forma de se contrapor a repressão às
manifestações cristãs impostas pelos holandeses, substituindo os feitos mais emblemáticos
fincados no solo pelos holandeses.
A área portuária mantém o nome do Recife, enquanto Maurícia é esquecido e a ilha
Antônio Vaz passa a se denominar de Santo Antônio e São José. Os dois últimos, âmbitos
comercial e residencial, respectivamente, a serviço do porto. Na cidade outra vez
portuguesa, a partir da segunda metade do século XVII e até finais do XVIII, os sobrados
incrementam a altura, compartem com a tipologia religiosa o protagonismo da configuração
urbana e ocupam o solo conquistado ao mar e aos rios, estendendo o território ao
continente.

1.3. A cidade decimonono


Além da área portuária e dos núcleos urbanos de Santo Antônio e São José, o
território era então caracterizado pelo solo rural de plantio de cana de açúcar e permeado
por escassa ocupação: ora própria da funcionalidade dos engenhos, ora representada pelas
primeiras casas suburbanas distribuídas ao longo dos caminhos até o porto. As construções
passam a ser menos altas e mais distantes uma das outras; as fachadas se distanciam dos
caminhos, por onde circulam os carros movidos a tração animal, levando a produção
agrícola ao porto; as cercas de vegetação definem o limite dos grandes terrenos. A verde
fita dos canaviais, os cultivos em pequena escala e os jardins da habitação suburbana
dominam o branco das alvenarias.
A cidade se mostra densa nos atuais bairros do Recife, Santo Antônio e São José e
dispersa sobre o continente, a partir da Boa Vista. Este último recinto marca dois aspectos
relevantes da urbanização do século XIX: (i) constitui o primeiro solo urbanizado no
continente, portanto o início da ocupação suburbana do Recife e (ii) se configura pela
construção isolada das divisas do terreno, distinta do sobrado entre medianeiras presente
em todo o período colonial.
O século XIX assiste o início do processo de modernização e de expansão urbana da
antiga cidade colonial: (i) criação das normas para as novas construções e o realinhamento
das ruas (Bloem, 1839); (ii) a construção de equipamentos públicos e da ampliação da
infraestrutura viária e (iii) a dotação de serviços urbanos tais como o transporte público e
redes de abastecimento d’água e de esgoto. A atuação urbanística do período impulsiona
um significativo conjunto de tipos de edifícios e usos inovadores - cadeia pública, biblioteca,
liceu de arte e ofício, Assembleia, Palácio do Governo, Teatro, etc. - capaz de transformar a
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cidade das igrejas e dos sobrados no centro de equipamentos, no centro urbano da cidade
em expansão.
Apesar de executados somente no início do século XX, data do período importantes
decisões para a expansão urbana, como sejam a dotação das redes de saneamento e o
modelo radial de crescimento do Recife. O projeto de reforma urbana da área portuária se
inicia em 1909 e as redes de esgoto e abastecimento de água são implantadas a partir de
1910, com uma cobertura além do âmbito da reforma, numa superfície de 1.200 hectares. 1
Nas vias do traçado proposto pelo engenheiro Alfredo Lisboa – avenidas Marquês de Olinda
e Rio Branco – circulam os trens de cercanias, o trem urbano de tração animal, ainda no
XIX. Os trens de cercania e urbanos e, posteriormente, o bonde elétrico (a partir de 1914)
atravessam Santo Antônio, São José e Boa Vista e conectam o porto às áreas rurais,
enquanto o saneamento aponta a superfície de solo para onde se expande a cidade sobre o
solo dos engenhos de então (Reynaldo, 2017).

2. FRAGMENTAÇÃO DO SOLO NA EXPANSÃO URBANA


2.1. Sistemas de suporte às novas áreas residenciais
2.1.1. Saneamento do novo solo urbano
Entre os múltiplos fatores impulsionadores da extensão urbana, se evidenciam o
saneamento e o transporte público. O sistema de abastecimento d’água, projetado pelo
engenheiro Saturnino de Brito foi, inicialmente, dimensionado para uma população de 200
mil habitantes (a população do Recife, na época, era de 123.746 habitantes), seria ampliado
em uma etapa posterior e estava atrelado a um projeto de expansão urbana sobre o solo
saneado. O traçado geométrico por ele proposto teria seu caráter monumental na eficiência
técnica e no saneamento, resultando em grandes terrenos onde a construção se levantaria
autônoma, isolada das divisas do terreno, com amplos recuos ou afastamentos. A
construção ou a moradia da expansão urbana obedecia a um modelo tipológico distinto da
habitação colonial, com fachadas livres para a abertura de amplas janelas para a ventilação
e insolação interna, distinta da herdada em todo o período anterior (Brito, Le tracé...,1916;
Projeto de Melhoramentos de Recife em 1917).

1
O projeto da rede de esgoto do Recife se executa entre 1910 e a década de 1920, e cobre uma superfície
equivalente aos atuais bairros do Recife, Santo Antônio, São José, Boa Vista, Santo Amaro, Espinheiro, Torre,
Graças, Madalena, Cabanga, Capunga, Jaqueira, Campo Grande, Afogados, Caminho Novo, Derby, Lucas e
Encruzilhada.

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2.1.2. Transporte coletivo urbano
Ao longo da segunda metade do século XIX, o transporte coletivo urbano – bonde de
tração animal e trem urbano – e o trem de cercanias articulam Recife, Santo Antônio e São
José com os territórios suburbano e rural. O primeiro trem urbano parte de Santo Antônio,
percorre 2,8 quilômetros até a estação do Entroncamento, onde se divide em três linhas:
Caxangá, Apipucos e Casa Amarela. Outra linha parte da Boa Vista e percorre 3,2
quilômetros até a Encruzilhada, onde se bifurca em direção ao norte: até Olinda, passando
por Beberibe.
A rede de transporte coletivo de tração animal, de responsabilidade do inglês Tomas
Sayle, funciona entre 1840 e 1914, com um percurso de apenas 20 quilômetros de
extensão, conectando os bairros do Recife, Santo Antônio, São José e Boa Vista com
alguns equipamentos públicos (Cemitério de Santo Amaro, hospitais D. Pedro II e Santo
Amaro e a Corrida Lucas) e as urbanizações de Afogados e Aflitos.
A circulação do bonde elétrico data de 1914 e substitui o transporte de tração animal,
articulando os núcleos de fundação com as novas áreas residenciais. A comunicação
interna da cidade, iniciada no recinto portuário, atravessa as ruas de Santo Antônio e São
José até alcançar os antigos caminhos rurais, percorrendo as áreas de crescimento
periférico. Paulatinamente, a partir de 1914, se amplia a rede e, consequentemente, se
estende a conexão entre os distintos territórios. Em 1932, um território periférico de cerca de
10 quilômetros de raio está conectado por meio da rede de transporte coletivo ao recinto
portuário.

2.2. Crescimento populacional


A população do Recife, Santo Antônio, São José e Boa Vista, entre 1843 e 1910,
passa de 30.790 a 76.740 habitantes (149%), enquanto que nas demais áreas da cidade, a
população cresce de 35.490 a 47.006 habitantes (32%). O período coincide com a atuação
da Repartição das Obras Públicas, quando os bairros do Recife, Santo Antônio, São José e
parte da Boa Vista representam o espaço privilegiado da residência urbana.
Entre 1910 e 1913 o centro sofre um crescimento negativo da ordem de 1,9%,
enquanto o resto da cidade cresce de 47.006 a 65.206 habitantes, segundo uma taxa média
anual de 11,5% ou até 217.076 habitantes, si se considera a incorporação de novas áreas
urbanas. Os dados expressam as mudanças no crescimento da cidade a partir dos
investimentos em infraestrutura urbana, da substituição da residência pelo uso terciário na
área portuária após a reforma de 1909 e da migração decorrente da libertação dos escravos
em 1888. Enquanto o Bairro do Recife perde população, o crescimento residencial do bairro
de São José é na ordem de 33,41%, ao absorver parte da população moradora da área de

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remodelação do porto e a população moradora do bairro da Boa Vista, no mesmo período,
passa de 22.876 a 50.900, e representa um crescimento de 55,05%. O uso residencial se
incrementa a partir da Boa Vista ocupando as áreas do projeto de saneamento de Saturnino
de Brito e seguindo a expansão por ele proposta em 1917. A classe dominante ocupa as
áreas urbanizáveis a oeste e se inicia a ocupação da frente marítima ao sul, primeiramente
de segunda residência, apoiada na construção, em 1925, da Avenida Beira Mar, que separa
o Oceano do solo a urbanizar.

2.3. Instrumentos da expansão urbana


O estudo dos instrumentos da expansão urbana do Recife no século XX se inicia
com o regulamento de construção de 1919, primeiro documento que normatiza a ocupação
da cidade do Recife por meio da delimitação do âmbito central e da definição da construção
isolada no terreno como modelo das novas áreas urbanas. Segundo sua regulamentação a
cidade colonial se converte no centro da cidade em expansão e o sobrado, residência até o
final do século XIX, se restringe ao uso terciário (Recife, 1919).
Importante destacar que desde 1845 os higienistas responsabilizam o sobrado e o
traçado da cidade colonial como as causas das más condições de salubridade e das
frequentes epidemias (Fonseca, 1854). Este posicionamento se intensifica a partir de início
do século XX, quando eles passam a exigir mudança dos parâmetros da construção
residencial e do traçado urbano, de modo a garantir a saúde pública. Neste sentido, o plano
proposto por Brito em 1917 se identifica com os reclamos de parte importante da sociedade
local.
O regulamento das edificações em terreno dotado de arruamento de 1932 segue a
mesma lógica da legislação de 1919, porém é substituída quatro anos depois. A normativa
de 1936 aperfeiçoa os requisitos de iluminação, ventilação e insolação das edificações e
consolida, em definitivo, as áreas do antigo traçado como espaço terciário por excelência, o
sobrado como a sua tipologia e amplia a singularidade da construção isolada no terreno
como padrão tipológico da expansão urbana. Como tal, condiciona que o lote nos novos
loteamentos “deverá ser conformado de maneira a permitir a edificação em boas condições”
e para tal deveria ter a largura mínima de 12 m e superfície de 360 m², quando localizado
nas áreas urbanas e de 12 m e 480 m², quando localizados nas áreas suburbanas; e que
todas as construções deveriam ser recuadas das divisas do lote e que apenas “as
comerciais serão permitidas no alinhamento das ruas” (Recife, 1936).
As regras urbanísticas da expansão urbana contidas no regulamento de 1936 estão
vigentes até 1961, quando se aprova o Código de Urbanismo e Obras. O dimensionamento
das vias, das quadras e dos lotes da trama da expansão urbana sofrem algumas alterações,

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como pode ser observado na tabela a seguir. Entretanto, 80% dos loteamentos que
desenham a trama urbana da cidade, tiveram a sua aprovação entre as décadas de 1930 e
1950, anterior, portanto, ao regulamento do início dos anos 1960.

Tabela 1: Legislação urbanística e dimensionamento da trama urbana


Dimensão quadra Dimensão lote (largura/superfície) Rua
% áreas
Bairros Ruas principais
públicas Calçada
Zona Urbana Zona Suburbana Zona Urbana Zona Suburbana elegantes Zona Suburbana Largura

30 60 x 150/200 m 80 x 200 m 8 m/200 m² 10 m/250 m² 18 m/720 m² 12 m/360 m² 20 m


1932 15 m 2/5
10 m

8 m/200 m² com. 20 m
40 60 x 150/200 m 80 x 200 m 12 m/480 m² 15 m 2/5
1936 12 m/360 m² res. 10 m

15 m/600 m²
35 12 m/300 m² 12 m/360 m² Rui Barbosa, Rosa e Silva 21 m
1961 50
50 x 80/250 m
Boa Viagem, Arraial, Benfica 15/18 m 1/3
Parque Agamenon Magalhães
12 m
Jardim Sítio

Fonte: Recife, 1932; 1936; 1961.

3. Projeto da expansão urbana


3.1. Loteamentos inventariados
As plantas dos loteamentos aprovados já localizadas nos arquivos da Secretaria de
Mobilidade e Controle Urbano e da Empresa de Urbanização da Prefeitura do Recife somam
1.136, datam de 1923 a 1986 e estão distribuídos nas 6 Regiões Políticas-Administrativas
do Recife (RPA) ou Regionais, conforme a tabela a seguir. O número inventariado
representa 73,43% do total de 1.547 estimado no início da pesquisa.

Tabela 2: Loteamentos aprovados por RPA ou Regional


Regional 1 Regional 2 Regional 3 Regional 4 Regional 5 Regional 6 Total
192 103 194 262 252 133 1.136
Legenda:
Freguesias
1 Recife
2 Santo Antônio
Regionais ou RPA
3 São José
4 Boa Vista
5 Santo Amaro
6 Graças
7 Encruzilhada
8 Afogados
9 Madalena
10 Tejipió
11 Boa Viagem
12 Poço Figura 1: Espacialização dos
13 Casa Amarela loteamentos por freguesias e
14 Várzea
N 15 Beberibe
Regionais ou RPA

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Quanto ao ano de aprovação, apenas 7 loteamentos foram aprovados na década de
1920. Na década de 1930, 118 loteamentos foram aprovados, sendo que 80 seguem ao
regulamentado pela legislação de 1932 e os 38 restantes pelo Regulamento de Construções
de 1936. Entretanto, como se pode observar no gráfico a seguir, a grande maioria dos
loteamentos, 833, foi aprovada durante a vigência da legislação de 1936 representando
73,3% do total e apenas 17,5% seguiram o regulamentado pela legislação de 1961. É
possível afirmar, portanto, que as definições da legislação de 1936 são as responsáveis pela
configuração do solo da expansão urbana do Recife, a partir dos anos de 1930.
Os dados revelam, também, que 451 loteamentos do total foram aprovados na
década de 1940 (39,7%), enquanto os aprovados na década de 1950 (344) respondem a
30,3% do total. E que, portanto, foi ao longo dos anos de 1940 e 1950 que cerca de 70%
dos loteamentos são aprovados, e que esses contribuem para a significativa expansão da
mancha urbana do Recife.

Gráfico 1: Loteamentos aprovados por década.

Fonte: Laboratório das Paisagens Culturais, 2017.

Quanto à localização e distribuição espacial dos loteamentos do Recife tem-se uma


importante concentração nos bairros cobertos pelas redes de saneamento, conforme pode
ser observado no gráfico a seguir: 16% do total dos loteamentos aprovados até 1959
parcelam o solo de cerca de 1.200 hectares dotado de rede de abastecimento de água e
esgoto, segundo o projeto de Brito (1917).

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3.2. As peças que configuram a cidade
Entre o azul do Oceano e o verde das matas que emolduram as bordas da cidade,
distantes 10 km entre si, se estende uma continua mancha urbana de distintas tramas,
donde se permite observar o Recife formal, informal, regular, irregular, entrecortado ora por
estreitas vias ora por largas vias. As formas independentes, predominantemente
geométricas, por vezes resultantes da repetição da mesma unidade quadra, cobrem a
planície e apoiam-se nos caminhos que passaram a configurar o traçado viário a partir da
decisão de urbanizar. Apesar de um único conceito adotado como regulamento, os
loteamentos expressam diferentes ritmos, distintos atores envolvidos, são aprovados pela
administração municipal bem como executados em diversos momentos e marcam o “tempo
medido sobre o espaço”, no dizer de Solà-Morales (1997), e escalas variadas a depender da
gleba que dá origem a fragmentação do solo rural em urbano. O traçado constitui o
elemento permanente e expressivo da forma da cidade ao longo dos anos. E é sobre ele
que tudo o mais acontece.
A pesquisa em andamento permite antecipar algumas considerações sobre a
expansão urbana do Recife com base na fragmentação do solo por meio dos loteamentos:
como se observa na figura a seguir, a expansão urbana se estende não como mancha de
azeite, mas ao longo do rio Capibaribe e dos antigos caminhos de articulação entre as áreas
de produção agrícola e o porto, onde se inicia a cidade; se assenta sobre o solo saneado,
mas também se desprende dele e se apoia nas “portas” que a estrada de ferro abre ao
território. Os caminhos, então, são alinhados como vias radiais por onde passa a circular o
transporte público urbano, a partir da segunda metade do século XIX ou do início do XX
quando este se dá por meio do bonde elétrico e com uma maior abrangência territorial.
Colocando, assim, em prática o esquema teórico proposto por Ulhôa Cintra (1943), cujo
perímetro de irradiação se mostrava adequado as condições urbanas encontradas na
cidade, como demonstrado nos estudos urbanísticos de Hénard. Neste sentido, a proposta
de dotação de um grande número de radiais “convergentes dos diversos setores para o
centro da cidade...”, no dizer de Cintra, onde algumas se impõem como elementos
estruturais do esquema de distribuição, oferece o suporte necessário para o crescimento da
mancha urbana do Recife.

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Figura 2: Loteamentos da expansão urbana do Recife.

Unidades de Conservação da Natureza

Década de 1920
Década de 1930
Década de 1940
Década de 1950
Década de 1960
Década de 1970

N Década de 1980

N N N

Décadas de 1920-1930 Décadas de 1940-1950 Décadas de 1960-1970-1980


Fonte: Laboratório das Paisagens Culturais.

As tramas ressaltadas em vermelho representam os loteamentos aprovados na


década de 1940 e representam 40% sobre o total de 1.136 inventariados. Os aprovados nas
décadas de 1930 (amarelo) e 1950 (verde escuro) somam 10% e 30%, respectivamente,
donde se conclui que nas três décadas são aprovados 80% dos loteamentos que dão forma
ao traçado urbano do Recife atual. Do total de loteamentos aprovados inventariados, 386 ou
35% do total eram populares. Como tal, obedeciam a regras especiais que flexibilizam a
largura das vias e as dimensões mínimas das quadras e dos lotes. Observa-se que esses,
por sua vez, privilegiam a urbanização das áreas já identificadas como local historicamente
de moradia da população de menor renda, como sejam partes das atuais Regionais ou RPA
2, 4 e 5 ou as antigas freguesias de Afogados e Casa Amarela, onde representam 54% do
total de loteamentos populares aprovados.

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Entre os anos de 1939 e 1945, 13.355 mocambos foram demolidos. Há de
se registrar que, em 1939, 63,7% dos prédios da cidade eram considerados
mocambos, segundo estatísticas oficiais. O Recife recebia um expressivo
contingente populacional vindo da zona rural, sonhando em melhorar de
vida. É interessante assinalar que, em 1940, a população da cidade era de
348,4 mil pessoas, aumentando para 524,7 mil habitantes em 1950, tendo o
município do Recife expandido sua área territorial na década de 50, de 180
km² para 209 km².
O bairro de Casa Amarela chegou a ter 81.746 habitantes, em 1950,
passando para 126.474 em 1960. A ocupação dos morros de Casa Amarela
começou na década de 1940, com as pessoas buscando alternativas de
moradia depois da erradicação dos mocambos nas áreas mais centrais do
Recife. Com relação ao bairro de Boa Viagem, assinale-se seu significativo
aumento de população. De 27.862 pessoas, em 1950, passou para 75.600
habitantes em 1960. Contrastando com o afirmado acima, o núcleo formado
pelos bairros do Recife, São José e Santo Antônio fazia o movimento
contrário. O de Santo Antônio, que tinha 6.299, em 1950, decresce, em
1960, para 4.794 habitantes (Redefinição, 2017).

É nas freguesias de Afogados e de Casa Amarela e nos bairros na sequência nelas


localizados se dá o maior crescimento populacional na primeira metade do século XX,
embora a organização territorial em freguesia já tenha suas primeiras alterações no início
dos anos 1960, como se observa no gráfico a seguir.

Gráfico 2: Crescimento populacional Casa Amarela e Afogados

1970
1960
1923

Fonte: Freyre, 1979; Censo Demográfico 1960; 1970.

3.3. Distintas peças


A esquematização simplificada da rede viária nos auxilia na leitura do traçado
proposto nos loteamentos do Recife e permite a observação desejada do que vale a pena
ressaltar como desenho das distintas peças urbanas. Segundo Sabaté (2014, p. 59) “a
construção ou extensão de cidades com base em traçados ortogonais constitui uma das
formas de crescimento mais comum e afortunadamente utilizadas”, visto que acumulam

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atributos de racionalidade e são dotadas de dupla característica no seu processo de
transformação, como sejam “utilitário e fragmentário”.
Ainda que Sabaté centre as suas considerações sobre a trama extensiva de traçado
único, a exemplo do ensanche de Barcelona (Idelfonso Cerdá, 1859) e centenas de outros
similares, parte delas são pertinentes à leitura do traçado predominantemente regular e, por
vezes, irregular da expansão urbana do Recife.
Nesse caso, em particular, a existência de regras claras que definem vias e praças
(espaço público livre), quadras (espaço edificável) e a forma das construções (afastamento
e número de pavimentos) não impede a autonomia das vias e das praças e,
consequentemente, da disposição da maior ou menor largura das quadras em relação ao
viário proposto. Diferentemente de centenas de traçados ortogonais, no caso do Recife, as
formas de crescimento caracterizam-se como fragmentária, mas não unitária. Ao contrário,
são múltiplas. Múltipla e fragmentária.
O aspecto fragmentário destacado por Sabaté se aplica ao caso do Recife, no
sentido da certa independência na execução do crescimento urbano. A partir da dotação da
infraestrutura básica – abastecimento d’água, drenagem, iluminação, pavimentação das vias
e demarcação das calçadas pelo meio-fio – o ritmo de execução passa a ser dado por cada
agente sobre a fração do espaço edificável de seu interesse. Autonomia das decisões dos
atores privados na construção da cidade.
Importante ressaltar que nas distintas modalidades de traçados de expansão urbana
a partir do século XIX, há uma nova ideia de cidade. No caso do Recife, o urbanismo
higienista aposta em uma nova tipologia arquitetônica – isolada das divisas dos lotes por
generosos afastamentos frontais, laterais e posteriores, ou “vista direta” de modo a garantir
a iluminação e ventilação dos compartimentos internos, como regulamentado pela normativa
de 1936.
Os estudos ao longo da história sobre as proporções mais adequadas das
quadrículas, vias e espaço edificável fomentam um instigante campo de experimentação. No
caso da trama do Recife, a dimensão do lote, como unidade básica da peça edificável, se
baseava na oferta de solo para a edificação da residência unifamiliar, térrea ou com 2
pavimentos, desde que garantida à abertura dos vãos de ventilação e iluminação para o
lado externo, não edificado.
Na busca de revelar “as boas medidas” ou as proporções mais adequadas entre as
medidas da trama, Sabaté analisa duas centenas de traçados, do século XVI ao XIX, a
guisa de responder (i) a largura da via, como ideia de circulação e capacidade da malha
viária, (ii) a menor profundidade da quadra e sua contribuição na decisão sobre a
profundidade da edificação e (iii) o tamanho do módulo (quadra + metade das vias que a

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rodeiam, como ideia da escala de atuação, da ambição e capacidade do autor do projeto ou
do governante de construir cidade.
Com base nas mesmas questões colocadas por Sabaté propõe-se uma primeira
aproximação as medidas das múltiplas tramas do Recife no sentido de perceber a ideia de
vias, de arquitetura e de cidade que elas encerram. E como emprestam a sua forma as
demandas da cidade atual.

3.3.1. Largura das vias, tamanho do lado menor da quadra e superfície do módulo
A maior parte das vias dos loteamentos analisados tem entre 8 e 12 metros de
largura, embora sejam encontradas vias com distintas larguras. Foram analisados 180
loteamentos e cerca de 120 vias, donde se pode constatar que 70% oscilam na menor
dimensão sugerida pela normativa de 1936.
Diferentemente das quadras ortogonais das tramas unitárias, as dimensões de
profundidade e do módulo, no caso do Recife, têm significativas variações em um mesmo
loteamento e mais ainda se comparados os diversos loteamentos entre si: os loteamentos
se limitam a dimensão, a forma e a propriedade da gleba que lhes dá origem, bem como se
apoiam no viário principal estruturado a partir dos antigos caminhos entre os engenhos e o
porto. Nesse sentido, quadras retangulares, triangulares e trapezoidais emergem ao ajustar-
se à forma da gleba, perdendo, por vezes, o rigor ortogonal. O loteamento nasce limitado e
submetido à vontade do dono da gleba. Ao contrário, as tramas unitárias atravessam limites
de propriedade em razão da ilimitada quadrícula.
Alguns loteamentos ilustram parte dos achados, em curso, análise que representa a
próxima etapa do desenvolvimento da pesquisa.

Figura 3: Loteamento Pina de Dentro (1934)

Área da quadra: 9.706 m²


Dimensão média da menor profundidade da
quadra: 60m
Largura das vias: 14 a 18 m

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Loteamento Nossa Senhora do Pilar (1955)
Área da quadra: 2.741 m²
Dimensão média da menor profundidade da
quadra: 60m
Largura das vias: 13 a 17 m

Loteamento Cooperativas Habitacionais Operárias (1967)

Área da quadra: 15.532 m²


Dimensão média da menor profundidade da
quadra: 40m
Largura das vias: 15 a 20 m

CONCLUSÃO
A análise dos loteamentos à luz das legislações urbanísticas e do pensamento
urbanístico predominante no período permite verificar que o traçado da expansão urbana do
Recife se desenha entre os anos 1930 e 1950; os conceitos urbanísticos que nortearam
esse desenho estão contidos na legislação urbanística de 1936, embora se constate a
autonomia das formas, ainda que resultantes da mesma normativa urbanística.
A busca da época de aprovação do loteamento permite construir o ‘Mapa da
urbanização do Recife’ e nele precisar a década que marca o início da urbanização de cada
fragmento de solo do Recife dos dias atuais; o mosaico de cerca de 1500 loteamentos

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desenha a expansão urbana do Recife; os núcleos urbanos de fundação e as sedes dos
antigos engenhos ancoram as distintas peças urbanas resultantes dos loteamentos.
Constata-se, também, que em um primeiro momento os loteamentos se distribuem
na área saneada (1917) e ao longo dos principais eixos viários e depois se distribuem,
indiscriminadamente. A partir de 1940 a expansão urbana do Recife, por meio das peças
urbanas loteadas, se desloca para as áreas não saneadas configurando os assentamentos
populares.
A semelhança de Sabaté, cuja principal conclusão é que não existem medidas
mágicas no projeto das tramas urbanas, mas qual a ideia de cidade que elas encerram. ou
quais “aquelas que assegurem as condições mais adequadas para a sua arquitetura, a
circulação nas suas ruas e a habitabilidade de suas habitações”. É a ideia de cidade que
importa.
Pouco importa se a trama é unitária ou múltipla. O valor da racionalidade da trama do
Ensanche de Barcelona pode ser similar à riqueza da diversidade de desenhos e de formas
da expansão urbana do Recife. Entretanto, não se pode deixar de enaltecer a ousadia de
Cerdá e dos governos da Catalunha e de Barcelona pela decisão da forma da expansão da
cidade no século do século XIX. Mas se o êxito do projeto de expansão está na “adequada
combinação de adequada combinação de todas as medidas” (Sabaté, 2014, p. 82), a
variedade de formas do traçado da expansão urbana do Recife está a cobrar a coerência da
adequação das medidas da cidade contemporânea à rica trama de variadas formas, porém
por vezes de reduzida dimensão do seu viário, quadras e lotes.

REFERÊNCIA
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1881 e reeditado em Arquivos ano 1, nº 2. Recife, 1942.

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A presente pesquisa conta com os seguintes colaboradores:

LABpaisagens

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