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Estudo dos Circuitos Retificadores

O estudo dos circuitos retificadores, aqueles que transformam uma tensão alternada em tensão
contínua, necessita que se tenha informações sobre tensão alternada e transformadores.

Transformador

O transformador é um dispositivo que permite modificar a amplitude de uma tensão alternada,


aumentando-a ou diminuindo-a. Essa mesma transformação poderá ser efetuada com a corrente
alternada.
O transformador é formado por duas bobinas isoladas eletricamente, montadas em um mesmo
núcleo de ferro como mostra a figura 1. O núcleo de ferro é usado para concentrar as linhas de fluxo
magnético já que a ligação entre o primário e o secundário se dá apenas pelo fluxo magnético.

O transformador funciona a partir do fenômeno da indução mútua. Quando uma corrente


alternada passa pelo enrolamento do primário, o fluxo magnético variável que ele cria envolve as
espiras do enrolamento do secundário, causando o aparecimento de uma força eletromotriz induzida
nos terminais do secundário.
Em um transformador ideal (aquele que não possui perdas), a potência entregue ao primário
(P primário) é igual à potência que o secundário (P secundário) entrega à carga. A tensão alternada do
primário é proporcional ao número de espiras do primário (N primário) e também proporcional a
variação do fluxo magnético que concatena o primário e o secundário simultaneamente (dФ / dt). O
mesmo ocorre com a tensão do secundário. Podemos escrever:

V primário = (N primário) (dФ / dt)


V secundário = (N secundário) (dФ / dt)
V primário / V secundário = N primário / N secundário)
P primário = P secundário = V primário x I primário = V secundário x I secundário
V primário / V secundário = I secundário / I primário

As relações num transformador podem ser resumidas através de:

V primário / V secundário = N primário / N secundário


I primário / I secundário = N secundário / N primário

Em geral as relações entre tensão do primário e do secundário assim como as correntes do


primário e do secundário são dadas através de valores eficazes do sinal senoidal.
Tensão senoidal

Uma tensão senoidal pode ser representada graficamente de duas formas: no domínio do tempo
e no domínio angular, como mostram as figura 2.1 e figura 2.2.

Matematicamente, os gráficos da tensão senoidal nos domínios temporal e angular podem ser
representados, respectivamente, por:
v (t) = V pico sen (wt) e v (t) = V pico sen (ϴt)

Valor eficaz e valor médio para sinais senoidais

Para sinais senoidais, existe um conceito muito importante denominado valor eficaz ou rms
(raiz média quadrática) (no original em inglês root mean square).
O valor eficaz (V eficaz ou Vrms) de uma tensão alternada, refere-se à tensão que equivale a uma
tensão contínua para que um resistor dissipe a mesma potência; ou seja, ao aplicar uma tensão contínua
para que o resistor dissipe a mesma potência, se o valor da tensão contínua for igual ao valor da tensão
eficaz. Esta mesma ideia pode ser pensada em termos de corrente eficaz (I eficaz ou I rms).
Em termos de expressões temos a tensão eficaz e corrente eficaz apresentadas nas figuras 3.1 e
3.2.

Nos circuitos de retificação é necessário transformador o valor eficaz da tensão ou corrente em


valor de pico pois os diodos são dimensionados em termos de tensão para valores de pico. No sinal
senoidal a relação entre o valor de pico e o valor eficaz é dada por:

V pico = √2 V rms

O valor de pico é dado pelo valor eficaz multiplicado por raiz quadrada de 2. O mesmo pode ser
usado para representar a relação entre a corrente de pico e a corrente eficaz para o sinal senoidal.
Podemos provar experimentalmente a relação acima construindo dois circuitos: um com uma
fonte cc seguida de um resistor e um outro com uma fonte senoidal ligada a um resistor de mesmo
valor. Se a fonte cc for ajustada para produzir a mesma quantidade de calor que a onda senoidal,
mediremos uma tensão cc igual a 0,707 vezes o valor de pico da onda senoidal.
Como o valor instantâneo de qualquer tensão ou corrente alternada particular está
constantemente mudando, é frequentemente desejável saber o valor médio da tensão ou da corrente.
O valor médio para qualquer variável é obtido pelo gráfico da variável versus o tempo dividindo
a área abaixo da curva pela largura da curva. Em particular, a tensão média ou a corrente média, é
usualmente obtida sobre um ciclo completo como mostra as figuras 4.1 e 4.2.

O valor médio de um sinal senoidal durante um período é igual a zero pois a área sob a curva no
ciclo positivo é igual e contrária á área sob a curva do ciclo negativo. Portanto, se você somar todos os
valores da onda senoidal entre 0º e 360º, terá zero como resultado, o que implica um valor médio zero.
Em outras palavras, um voltímetro cc indicará zero se usado para medir uma onda senoidal. Em
compensação o valor médio de uma meia senóide será diferente de zero durante um período.

Circuitos Retificadores

Os circuitos retificadores podem ser divididos em circuitos de meia onda e onda completa. Os
circuitos de meia onda podem ser divididos em circuitos pulsantes e circuitos com filtro capacitivo. Os
circuitos de onda completa podem ser divididos em circuitos com derivação central e circuitos em
ponte. Ambos se dividem em circuitos pulsantes e circuitos com filtro capacitivo.

Circuito Retificador de Meia Onda Pulsante

A figura 5 mostra um circuito retificador de meia onda pulsante. No semiciclo da tensão do


secundário do transformador o diodo está polarizado diretamente para todas as tensões instantâneas
maiores do que a tensão de condução do diodo (aproximadamente 0,7 V para os diodos de silício ou
0,3 V para diodo de germânio). Isso produz aproximadamente uma meia onda senoidal de tensão
através do resistor de carga RL. No semiciclo negativo da tensão do secundário do transformador, o
diodo está polarizado reversamente. O diodo é representado por uma chave aberta. Ignorando a
corrente de fuga, a corrente de carga RL cai a zero. Toda a tensão do secundário do transformador
ficará sobre o diodo.

As expressões para tensão na carga (RL) e no diodo podem ser vistas abaixo:

V pico (RL) = V pico (secundário) – V diodo


V reversa (diodo) = V pico (secundário)
A expressão para a corrente de pico na carga (RL) é dada por:
I pico (RL) = V pico (RL) / RL

O circuito retificador de meia onda pulsante converte tensão alternada em tensão contínua
pulsante. A corrente na carga é sempre no mesmo sentido. Esse processo de conversão de CA para CC
é conhecido como retificação.
Os gráficos que representam a tensão na carga, tensão no diodo, corrente na carga e corrente no
diodo são apresentados nas figuras 6.1; 6.2; 6.3 e 6.4.

Através dos gráficos mostrados nas figuras 6.1; 6.2;6.3 e 6.4 podemos perceber que a meia
senóide tem um valor médio diferente de zero, isto é, tem uma tensão e uma corrente contínua sobre
ela.
No circuito retificador de meia onda não há alteração de frequência, ou seja, a frequência do
sinal de saída (RL) é a mesma frequência do sinal de entrada (secundário do transformador).
O valor médio de um sinal é dado pela expressão mostrada na figura 4.2, seja para a tensão
média como para a corrente média. No caso do retificador de meia onda percebe-se que o período do
sinal é 2π radianos mas o sinal só se reproduz durante meio período, ou seja, em π radianos.
O cálculo da integral permite que se saiba o valor da tensão média da carga durante o período
que é igual a:

V CC (RL) = V pico (RL) / π

Usando a mesma expressão para calcular a corrente média na carga teremos:

I CC (RL) = I pico (RL) / π


Outra forma de se obter a corrente média que passa no diodo é usando a resistência de carga
RL. Neste caso a corrente média toma a seguinte forma:

I CC (RL) = V CC (RL) / RL

A tensão média é chamada tensão CC porque é este valor que indicaria um voltímetro CC
ligado em paralelo com a carga RL. O mesmo aconteceria com a colocação de um amperímetro em
série com a carga que mediria a corrente CC que passava no resistor de carga RL.
Os fabricantes dos diodos levantam uma série de parâmetros de tais componentes e
disponibiliza tais parâmetros na forma de tabelas, gráficos etc para o usuário dos componentes utilizar
quando for usar tais componentes em seus projetos. Dois desses parâmetros são muito importantes em
circuitos de retificação: A máxima corrente contínua direta que o componente suporta e a máxima
tensão reversa que aparecerá nos terminais do componente quando o mesmo estiver reversamente
polarizado. Io, em geral, representa o primeiro parâmetro e PIV representa o segundo parâmetro.
No caso do retificador de meia onda pulsante podemos dizer que a corrente média que passa no
diodo é a mesma que passa na carga já que os dois componentes estão em série.
Quando o diodo está reversamente polarizado não há corrente circulando, ou seja, não há tensão
na carga. Para que a lei de Kirchhoff para a tensão seja satisfeita, toda a tensão do secundário do
transformador deve aparecer nos terminais do diodo. Esta tensão máxima reversa é chamada de tensão
inversa de pico.
Para que o diodo seja usado adequadamente num determinado circuito tanto a máxima corrente
contínua quanto a máxima tensão reversa precisam ser inferiores aos valores especificados pelo
fabricante na folha de dados do mesmo.
Para o retificador de meia onda pulsante podemos concluir que os valores máximos de tensão
reversa e corrente contínua direta são:

V reversa (diodo) = V pico (secundário)


I CC (diodo) = I CC (RL)

Tais valores deverão ser compatíveis com os determinados pelo fabricante na folha de dados do
componente escolhido na montagem do circuito.

Circuito Retificador de Onda Completa Pulsante

Num retificador de onda completa o sinal injetado na entrada do circuito através do secundário
de um transformador aparecerá na carga (ou saída do circuito) todo acima do eixo de referência, ou
seja, tanto o semiciclo positivo do sinal quanto o semiciclo negativo estarão posicionados acima da
referência. É possível se fazer tal arranjo através de dois circuitos distintos: o retificador de onda
completa com derivação central ou o retificador de onda completa em ponte.

Circuito Retificador de Onda Completa Pulsante com Derivação Central

O circuito retificador de onda completa pulsante com derivação central só é possível graças ao
transformador que é fabricado com a possibilidade de dividir a tensão do secundário em duas partes e
tendo cada parte metade da tensão total injetada no secundário do transformador. O usuário do
transformador tem a sua disposição um ponto conhecido como derivação central, que pode ser usado ou
não, segundo a conveniência do projeto que o usuário deseja para seu circuito de retificação de onda
completa.
A figura 7 mostra um circuito de onda completa pulsante com derivação central. Durante o
semiciclo da tensão do secundário, o diodo D1 está polarizado diretamente e o diodo D2 está
polarizado reversamente; portanto, a corrente passa pelo diodo D1, pelo resistor de carga e pela metade
superior do enrolamento. Durante o semiciclo negativo, a corrente passa pelo diodo D2, pelo resistor de
carga e pela metade inferior do enrolamento. A tensão que aparece na carga RL tem a mesma
polaridade porque a corrente através do resistor de carga está no mesmo sentido, independentemente de
que diodo esteja conduzindo. É por este motivo que a tensão de carga é o sinal com retificação de onda
completa que aparece na figura 8.

As figuras 8.1 e 8.2 mostram a representação de cada semiciclo do secundário do transformador


sobre o circuito. No semiciclo positivo o diodo D1 conduz e o diodo D2 não conduz. O diodo D1 é
representado por uma fonte de tensão de VD volts e o diodo D2 é representado por uma chave aberta.
No semiciclo negativo o diodo D1 não conduz e o diodo D2 conduz.

As expressões para tensão na carga (RL) e nos diodos podem ser vistas abaixo:

V pico (RL) = 0,5V pico (secundário) – VD


V reversa (diodo) = V pico (secundário) – VD
Tais expressões são obtidas pela aplicação da lei de Kirchhoff das tensões a malha formada pela
tensão da derivação do secundário do transformador, do diodo que estiver conduzindo e a carga para se
obter a tensão de pico na carga. A tensão reversa no diodo que estiver aberto é obtida através da análise
do circuito de toda a tensão do secundário do transformador, da tensão de condução do diodo que
estiver conduzindo e da tensão reversa sobre o diodo que estiver aberto.
A expressão para a corrente de pico na carga (RL) é dada por:

I pico (RL) = V pico (RL) / RL

Os gráficos que representam a tensão na carga, tensão no diodo D1, corrente na carga e corrente
no diodo D1 são apresentados nas figuras 9.1; 9.2; 9.3 e 9.4.

Através dos gráficos mostrados nas figuras 9.1; 9.2; 9.3 e 9.4 podemos perceber que no
retificador de onda completa com derivação a senóide tem um valor médio diferente de zero, isto é, tem
uma tensão e uma corrente contínua sobre ela.
No circuito retificador de onda completa com derivação percebe-se que há alteração de
frequência, ou seja, a frequência do sinal de saída (RL) é o dobro da frequência do sinal de entrada
(secundário do transformador) já que o período do sinal na carga foi reduzido a metade.
O valor médio de um sinal é dado pela expressão mostrada na figura 4.2, seja para a tensão
média como para a corrente média. No caso do retificador de onda completa percebe-se que o período
do sinal é π radianos.
O cálculo da integral permite que se saiba o valor da tensão média da carga durante o período
que é igual a:
V CC (RL) = 2V pico (RL) / π

Usando a mesma expressão para calcular a corrente média na carga teremos:

I CC (RL) = 2I pico (RL) / π


Outra forma de se obter a corrente média que passa na carga é usando a resistência de carga RL.
Neste caso a corrente média toma a seguinte forma:

I CC (RL) = V CC (RL) / RL

Para que um diodo seja usado adequadamente num determinado circuito tanto a máxima
corrente contínua quanto a máxima tensão reversa precisam ser inferiores aos valores especificados
pelo fabricante na folha de dados do mesmo.
Para o retificador de onda completa com derivação central pulsante podemos concluir que os
valores máximos de tensão reversa e corrente contínua direta são:

V reversa (diodo) = V pico (secundário) - VD


I CC (diodo) = 0,5I CC (RL)

Tais valores deverão ser compatíveis com os determinados pelo fabricante na folha de dados do
componente escolhido na montagem do circuito.
Um retificador de onda completa com derivação central se parece com dois retificadores de
meia onda voltados um de costas para o outro, com um retificador controlando o semiciclo positivo e o
outro o semiciclo negativo. Por causa do enrolamento com derivação central, cada circuito do diodo
recebe apenas praticamente metade da tensão do secundário.

Circuito Retificador de Onda Completa Pulsante em Ponte

O retificador de onda completa em ponte é mais usual que o retificador de onda completa com
derivação central porque ele alcança tensão de pico mais elevada e, consequentemente, uma tensão
média maior. A figura 10 mostra a representação de um retificador de onda completa em ponte.

Durante o semiciclo positivo da tensão do secundário, os diodos D1 e D3 estão polarizados


diretamente e os diodos D2 e D4 polarizados reversamente. D1 e D3 são representados por fontes de
tensão de VD volts e D2 e D4 são representados por chaves abertas. No semiciclo negativo ocorre o
contrário. Os diodos D1 e D3 estão polarizados reversamente e os diodos D2 e D4 polarizados
diretamente. Tais situações são representadas nas figuras 11.1 e 11.2, respectivamente.
As expressões para tensão na carga (RL) e nos diodos podem ser vistas abaixo:

V pico (RL) = V pico (secundário) – 2VD


V reversa (diodo) = V pico (secundário) – VD
Tais expressões são obtidas pela aplicação da lei de Kirchhoff das tensões a malha formada pela
tensão do secundário do transformador, dos diodos que estiverem conduzindo e a carga para se obter a
tensão de pico na carga. A tensão reversa no diodo que estiver aberto é obtida através da análise
circuito de toda a tensão do secundário do transformador, da tensão de condução de um diodo que
estiver conduzindo e da tensão reversa sobre o diodo que estiver aberto.
A expressão para a corrente de pico na carga (RL) é dada por:

I pico (RL) = V pico (RL) / RL

Os gráficos que representam a tensão na carga, tensão no diodo D1, corrente na carga e corrente
no diodo D1 são apresentados nas figuras 12.1; 12.2; 12.3 e 12.4.
No circuito retificador de onda completa em ponte percebe-se que há alteração de frequência,
ou seja, a frequência do sinal de saída (RL) é o dobro da frequência do sinal de entrada (secundário do
transformador) já que o período do sinal na carga foi reduzido a metade.
O valor médio de um sinal é dado pela expressão mostrada na figura 4.2, seja para a tensão
média como para a corrente média. No caso do retificador de onda completa percebe-se que o período
do sinal é π radianos.
O cálculo da integral permite que se saiba o valor da tensão média da carga durante o período
que é igual a:
V CC (RL) = 2V pico (RL) / π

Usando a mesma expressão para calcular a corrente média na carga teremos:

I CC (RL) = 2I pico (RL) / π

Outra forma de se obter a corrente média que passa na carga é usando a resistência de carga RL.
Neste caso a corrente média toma a seguinte forma:

I CC (RL) = V CC (RL) / RL

Para que um diodo seja usado adequadamente num determinado circuito tanto a máxima
corrente contínua quanto a máxima tensão reversa precisam ser inferiores aos valores especificados
pelo fabricante na folha de dados do mesmo.
Para o retificador de onda completa em ponte pulsante podemos concluir que os valores
máximos de tensão reversa e corrente contínua direta são:

V reversa (diodo) = V pico (secundário) - VD


I CC (diodo) = 0,5I CC (RL)

Tais valores deverão ser compatíveis com os determinados pelo fabricante na folha de dados do
componente escolhido na montagem do circuito.
O retificador de onda completa em ponte pulsante produz uma tensão de carga cc que é
idealmente de 90% da tensão eficaz de secundário do transformador; os outros retificadores produzem
uma tensão de carga cc de somente 45%.
Levando tudo isso em conta, o retificador em ponte é o melhor compromisso para a maioria das
aplicações de retificação de tensão.
Os retificadores em ponte são tão comuns que os fabricantes os embalam em módulos. Por
exemplo, o MDA920-3 é um conjunto retificador em ponte disponível comercialmente no mercado. Ele
é formado por quatro diodos selados hermeticamente interligados e encapsulados de modo a formar um
único invólucro resistente. Ele tem dois pinos de entrada para a tensão do secundário e dois pinos de
saída para a resistência de carga RL.