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Universidade Federal da Paraíba

Centro de Ciências Humanas, Artes e Letras

Aluna: Camila Cândido Rocha Disciplina: Teorias da linguística I

Professora: Maura Dourado Período: 2018.1

Linha do tempo dos estudos pré-linguísticos

Perspectiva Filológica Sec. IV a. C:


- Motivação religiosa. Estudo dos Vedas pelos hindus com o intuito de que os textos
não sofressem modificações quando proferidos;

- Dentre as dezenas de idiomas em uso na Índia, os hindus detém-se no estudo


minucioso do sânscrito, a língua perfeita;

- 1ª gramática que analisa níveis de descrição linguística, unidades significativas e


traços fônicos.

Perspectiva Filosófica:
- Platão questiona se há uma relação necessária entre a palavra e o seu significado ou se
a linguagem é apenas uma convenção social (Crátilo);

- Aristóteles por sua vez busca analisar a estrutura linguística. Elabora a teoria do logos
(a palavra é a imagem exata do mundo);

- Divergência entre filósofos sobre a língua ser ou não reflexo fiel da realidade.

- Estoicos dividem-se entre analogistas e anomalistas.

Perspectiva Prescritiva/Normativa
- Romanos: propõem o estudo do certo e do errado referente à linguagem. Latim
clássico é considerado o certo, enquanto o vulgar errado;

-Motivação: preservação do latim clássico para expansão e unificação do império;


- Gramática prescritiva: aplicam-se as ideias gramaticais gregas.

Perspectiva Modistas

- Assumem que a estrutura gramatical das línguas é única e universal;


- Foco exclusivo no latim;

- De Vulgari Eloquentia: Propõe o estudo das línguas faladas, busca a valorização


apenas do latim, sobretudo o clássico.

Perspectiva Renascentista

- Invenção da imprensa – novo momento para as línguas vulgares;


- Atenção crescente pelas línguas modernas da Europa;

- Arnauld e Lancelot: Gramática de Port-Royal, de cunho explicativo. Preocupa-se não


com as línguas perfeitas, mas com as vernáculas, as faladas. Pretende construir uma
gramática universal, logicamente perfeita;

- Luta declarada contra o domínio do latim;

- Bíblia traduzida nas línguas vulgares por Lutero, favorecendo a gramatização destas
línguas;

- Estudo (ainda que rudimentar) da fonética, atitude apoiada pelo crescimento do


interesse na produção biológica dos sons.

Perspectiva Biológica

- Schleicher: Língua como organismo vivo, com existência própria, independente de


seus falantes. Isola e compara os elementos lexicais de várias línguas indo-europeias,
elaborando a teoria da árvore genealógica das línguas;

- Muller: Adere à ideia da reconstrução de uma língua mãe indo-germânica;

- Franz Bopp: Ratifica a ideia de língua como um organismo.

Perspectiva Comparativa
- William Jones – 1786: Aponta semelhanças formais entre o grego, o latim, o persa e o
sânscrito. Reconhece a relação entre as línguas, mas apenas as descreve, sem buscar
explicar as similaridades ou diferenças;
- Schlegel: Utiliza o termo “gramática comparada” entre sânscrito, latim e alemão,
utiliza o termo “flexão” para indicar as mudanças das palavras. Compara as flexões aos
ramos de plantas.

- Rask: Família Indo-Europeia

- Franz Bopp: Compara detalhadamente a morfologia verbal e as correspondências


sistemáticas entre as línguas a fim de confirmar o seu parentesco.

- Wilhelm Von Humboldt: A língua de um povo é o seu espírito, mas também a


individualidade do espírito humano que impõe sobre o mundo sua ação.

Perspectiva Histórica (Diacrônica)


- Estuda o desenvolvimento histórico de uma língua, seu surgimento, as mudanças que
sofre ao longo do tempo e o porquê dessas mudanças.

- Jacob Grimm: interpreta a existência de correspondências fonéticas entre as línguas


como o resultado de mutações constantes no tempo. Descreve os processos de mudança
fonológica e correspondência fonética, estabelecendo critérios que passam a ser
conhecidos como “leis de Grimm”.

Perspectiva Positivista
- Whitney: Tentativa de transformar a linguística histórico-comparativa numa ciência
exata expõe a ideia da língua como uma instituição social;

- Influenciados por Comte e pelo método experimental, os linguistas procuram


interpretar os fatos apenas como fenômenos a serem descritos, independentemente da
subjetividade do falante;

- Todas as mudanças no sistema fonético de uma língua estão sujeitos apenas à


operações de leis fonéticas;

- Refutam-se a explicação filosófica das origens das línguas e a visão


biológica/naturalista da língua;

- Acreditavam que todas as mudanças sonoras ocorriam num processo de regularidade


absoluta;

- As leis fonéticas ocorrem no nível de sistema e não dependem da fala ou da vontade


do falante para serem modificadas, não admitem variação, senão em conformidade com
outras leis.

- As leis fonéticas tornam-se o fundamento do método comparativo.