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Faculdade de Letras – Semestre: 1/2016 – Data: 05/04/2016 Disciplina : Gramática tradicional: morfossintaxe (LET
Faculdade de Letras – Semestre: 1/2016 – Data: 05/04/2016 Disciplina : Gramática tradicional: morfossintaxe (LET

Faculdade de Letras Semestre: 1/2016 Data: 05/04/2016 Disciplina: Gramática tradicional: morfossintaxe (LET 202) Professora: Drª Luana Amaral Turmas: N31 e N4 Material preparado pela Professora Drª Sueli Coelho.

HAND OUT: CATEGORIAS MORFOLÓGICAS E ESTRUTURA DAS PALAVRAS

Classificar consiste em ordenar itens segundo determinado critério. Um dos critérios para se classificarem as palavras de uma língua é quanto ao tipo de significado (conteúdo): significado lexical e significado gramatical. “Há ainda que distinguir entre significação externa e significação interna. A primeira é a relação com realidades do mundo extralingüístico: pão, janela, nariz; a segunda é a relação com uma categoria gramatical, um dado do sistema lingüístico, um processo de expressão atinente à língua como tal. Em amamos, o segmento am- contém significado correspondente a uma realidade extralingüística, ao passo que mos apenas relaciona esse significado com o falante em solidariedade com outros, ou seja, a primeira pessoa do plural.” (MELO, Gladstone Chaves de. Gramática fundamental da Língua Portuguesa. RJ: Livraria Acadêmica, 1968, p. 69)

“Desta distinção entre os tipos de significado que as palavras podem expressar, aliada a características sintáticas e morfológicas, decorre uma divisão das palavras em dois grandes grupos: as palavras lexicais e as palavras funcionais. As palavras que têm significado lexical são rotuladas palavras lexicais, ou palavras de conteúdo, ou ainda palavras plenas ou contentivos. As palavras que têm significado gramatical são as palavras funcionais, também denominadas palavras gramaticais, palavras estruturais, palavras vazias, palavras instrumentais ou functores.” (ROSA, Maria Carlota. Introdução à morfologia. São Paulo: Contexto, 2000, p. 101) Ex.: automóvel, grande, amar e agora são palavras lexicais; já com, pois, o, que são palavras instrumentais.

“As unidades do plano do conteúdo – isto é, portadoras de significado podem se apresentar na frase como palavras autônomas (o/ céu/ é/ azul) ou como unidades presas, integrantes de outra unidade, (o/ caval- eiro/ des-calç-o-u/ a-s/ bot-a-s).” (AZEREDO, José Carlos de. Fundamentos de Gramática do Português. Rio de Janeiro: Zahar, 2000, p. 67)

Assim, o critério do conteúdo fundamentou não apenas a distinção entre palavra (unidade autônoma) e morfema (forma presa), como também a distinção entre morfemas lexicais e morfemas gramaticais. Os primeiros, também denominados radicais ou semantemas, são

elementos significativos que remetem a uma realidade extralinguística; já os segundos são portadores de uma significação interna, isto é, de uma categoria gramatical. A significação do vocábulo resulta da soma dos significados desses elementos pela composicionalidade. Ex.: livr + eir + o + s livr = morfema lexical -eir + -o + -s = morfemas gramaticais

A raiz/radical guarda o significado lexical e os morfemas flexionais e derivacionais

concentram o significado gramatical.

A distinção entre morfemas lexicais e morfemas gramaticais fundamenta a controversa

distinção entre palavra e vocábulo. Assim, denomina-se vocábulo à sequência fônica articulada e palavra à sequência fônica dotada de semantema. É por isso que se

afirma que toda palavra é também vocábulo, mas que nem todo vocábulo constitui uma palavra. Ex.: criança = vocábulo e palavra; com = apenas vocábulo

ESTRUTURA DAS PALAVRAS

Considerada a palavra como um todo significativo, cabe analisar-lhe a estrutura, para identificar os diversos elementos que compõem o todo mórfico. Cada um desses elementos recebe o nome de morfema e, segundo Kehdi (1996), os morfemas são dotados dos seguintes aspectos: (i) são portadores de significado, (ii) são recorrentes e altamente produtivos e (iii) apresentam uma ordem rígida.

Raiz: elemento originário e irredutível que concentra a significação das palavras, consideradas do ângulo histórico. Ex.: A raiz noc [latim nocere = prejudicar], que aparece em palavras de origem comum como nocivo e inocente, tem a significação geral de causar dano.

Observação: O estudo das raízes foge à finalidade da gramática normativa, interessando mais diretamente à gramática histórica e à etimologia.

Radical: elemento que funciona como o segmento lexical da palavra, opondo-se ao segmento que lhe assinala as flexões (morfemas flexionais ou desinências) e as derivações (morfemas derivacionais ou afixos), numa perspectiva sincrônica. Ex.: pedr + inh + a pedr- = radical

Desinências: elementos terminais indicativos das flexões das palavras, isto é, das variações por meio das quais elas passam para expressar as categorias gramaticais de gênero e de número (nos nomes) e de pessoa, de número, de modo e de tempo (nos verbos).

Desinências nominais: (i) de gênero: a (marca de feminino: gat a; professor a;

 

alun a,

)

e (ii) de número: s ( com a variante es, depois de consoante: gata s;

professor es; aluna s )

Desinências verbais: as desinências próprias do verbo compreendem dois grupos: (i) conjunto de desinências que indicam, cumulativamente, o número e a pessoa, as desinências número-pessoais (DNP); e (ii) outro conjunto, igualmente cumulativo, que expressa as flexões de modo e de tempo, as desinências modo- temporais (DMT): cant + a + sse + mos

   

 

DMT DNP

Vogal temática: morfema que caracteriza nomes e verbos portugueses, reunindo-os em classes morfológicas estanques.

As vogais temáticas nominais são A, E, O, sempre átonas, que enquadram os nomes em três classes temáticas: tema em a (casa), tema em e (dente) e tema em -o (corpo). Não possuem vogal temática os nomes terminados em consoante (dor) ou em vogal tônica (sofá), sendo, por isso, denominados atemáticos.

As vogais temáticas verbais aparecem, quase sistematicamente, entre o radical e as desinências, e servem para agrupar os verbos em três conjugações: primeira conjugação (vogal temática A: cantar); segunda conjugação (vogal temática E:

temer); terceira conjugação (vogal temática I: cair)

Tema: é o radical acrescido da vogal temática: trabalhar (tema= trabalha); rosado (tema = rosa)

Afixos: são morfemas destinados à formação de derivados. Chamam-se prefixos quando antepostos ao radical (in + feliz) e sufixos, quando pospostos a ele (felic + idade)

Observação: Além desses morfemas, que são unidades portadoras de significado, as palavras podem apresentar ainda elementos não-significativos (portanto, nãomorfemas), que nelas surgem para efeito de eufonia (para facilitar a pronúncia) ou por motivos analógicos. São as vogais e consoantes de ligação, que aparecem em palavras como cafe + t + eir + a e cafe + i + cultor, por exemplo.

Alomorfes: “Um morfema pode apresentar mais de uma estrutura sonora. Cada uma delas se chama um alomorfe (=outra forma) do morfema. Por exemplo, as palavras capinzal (área abundante em capim) e laranjal (área plantada com pés de laranja) contêm um mesmo sufixo com dois alomorfes: -zal e al. Também nos adjetivos inútil, incapaz e ilegal há três alomorfes do prefixo de negação: in-/ ĩ-/ e i-.” (AZEREDO, José Carlos de. Fundamentos de Gramática do Português. Rio de Janeiro: Zahar, 2000, p. 71)

SÍNTESE

MORFEMA ↓ menor unidade
MORFEMA
menor unidade

significativa

lexical (radical ou semantema)

gramatical

significativa lexical (radical ou semantema) gramatical flexional = desinências derivacional = afixos verbais:

flexional = desinências

derivacional = afixos

verbais: DMT/DNP nominais: gênero/nº prefixos sufixos
verbais: DMT/DNP
nominais: gênero/nº
prefixos
sufixos