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O Ciclo da Ferida

“Há uma geração que amaldiçoa a seu pai, e que não bendiz a sua mãe.
Há uma geração que é pura aos seus próprios olhos, mas que nunca foi lavada da sua
imundícia.
Há uma geração cujos olhos são altivos, e as suas pálpebras são sempre levantadas.
Há uma geração cujos dentes são espadas, e cujas queixadas são facas, para
consumirem da terra os aflitos, e os necessitados dentre os homens”

Provérbios 30; 11 – 14

Assim como Deus habita nos louvores muitas entidades habitam em feridas da alma humana.
No velho testamento existia a figura de Baal-Zebude (o senhor das moscas), que era a figura
representativa de um espírito que se alimentava das feridas humanas da alma.
São entidades fortalecidas por feridas emocionais, castas geradas a partir de brechas dadas
nos sentimentos, argumentos e pensamentos. Para a quebra das maldições não basta
expulsar demônios e quebrar pactos, mas passa necessariamente pela cura da alma, a batalha
espiritual neste caso se passa em outro nível, ao nível da alma.
Qual a matéria-prima destas entidades?
- São os pensamentos e sentimentos gerados e alimentados a partir de relacionamentos
rompidos.
Veremos a seguir o processo de abertura de uma ferida que é caracterizado por quatro etapas
ou gerações conforme texto de Provérbios 30.

1º Geração – “Há uma geração que amaldiçoa a seu pai, e que não bendiz a sua mãe.
Provérbios 30:11

Uma geração de desonra,é uma geração que produz ações pecaminosas de desonra a seus
pais ou autoridades. Desonra esta que é fruto de uma rejeição por parte de seus pais que foi
respondida com rebelião.
Este é o início de um processo de abertura de uma ferida, é quando a rejeição é correspondida
com rebelião. A reação à rejeição é a auto-rejeição que por conseqüência dá luz à rebelião.
Rebelião é fruto da rejeição sem perdão, a rebelião nasce onde houve o fracasso em se
perdoar.

REJEIÇÃO + REBELIÃO (falta de perdão) = FERIDA


2º Geração – “Há uma geração que é pura aos seus próprios olhos, mas que nunca foi
lavada da sua imundícia”.
Provérbios 30:12

É a geração que disfarça a verdade que se vive internamente para obter reconhecimento. É o
disfarce para esconder o mundo destruído em nosso íntimo por meio da religiosidade, da falsa
espiritualidade.

Esse procedimento de disfarce acelera o processo de expansão da ferida, pois toda ferida
abafada gera um processo infeccioso, e na alma não é diferente.

3º Geração – “Há uma geração cujos olhos são altivos, e as suas pálpebras são sempre
levantadas”.
Provérbios 30:13

Geração da superioridade, da altivez, da soberba. É a compensação da ferida através do


ativismo religioso, do desempenho ministerial, da carreira, do orgulho dos resultados, dos
títulos tudo com o objetivo de encobrir a insegurança interna.
É preciso mostrar que se é capaz, que se sabe, que é bom, para funcionar como mecanismos
de compensação inconsciente.
As feridas emocionais muitas vezes funcionam como uma inspiração para o trabalho, porém,
sob uma motivação errada.

4º Geração – “Há uma geração cujos dentes são espadas, e cujas queixadas são facas,
para consumirem da terra os aflitos, e os necessitados dentre os homens”

Provérbios 30:14
No último estágio da ferida a boca se torna um instrumento de destruição. São pessoas que
feridas emocionalmente perderam a misericórdia e a compaixão em suas palavras, destilando
através delas amargura, ódio, inveja.

Ciclo da Ferida: “Abrimos a ferida reagindo à rejeição em um momento qualquer de nossas


vidas com a rebelião, então para encobrir a ferida aberta a maquiamos com espiritualidade
religiosa; compensamos com ativismo ministerial buscando o auto-engano e por último
propagamos esta ferida por meio de palavras”.
São pessoas que habitualmente usam o processo de manipulação, de autoritarismo, de
discipulado sem emancipação, relacionamentos escravizantes, que são bloqueadas em seu
crescimento. Feridos, retemos o crescimento do outro.
É um ciclo que vai se estendendo por toda uma geração como uma teia de iniqüidade.
Segundo Ana Mendez ( A Iniquidade – Editora Jehova-Shammah), iniqüidade consiste em uma
corrente de injustiça, de feridas não tratadas que perdura de geração à geração.
Com a mesma arma com que fomos feridos passamos a ferir os outros, e nos tornamos assim
críticos, rebeldes e contaminadores.
Os demônios neste processo se tornam efeitos colaterais que aproveitam-se para explorar
essas feridas abertas se alimentando delas. Neste caso o que define a libertação é quando há
o discernimento das raízes que alimentam estas forças que querem destruir a pessoa.
Vejamos novamente uma análise mais apurada das quatro gerações do ciclo da ferida.

1º Geração – “Há uma geração que amaldiçoa a seu pai, e que não bendiz a sua mãe.
Provérbios 30:11

Esta geração é a geração de adoração do deus Moloque. Moloque na bíblia era o deus
adorado através do sacrifício de crianças oferecidas pelos seus pais. Isto se dá porque as
feridas são comumente abertas na relação Pai-Filho por falhas na paternidade que transfere ao
filho um sentimento de rejeição e este responde com um comportamento de rebelião.
A raiz das maldições estão na família, o diabo tem investido muito dos seus esforços com o
intuito de destruir a família.
É muito importante analisarmos as feridas da sociedade sobre a ótica da família.
O que leva um filho a amaldiçoar o seu pai e não abençoar a sua mãe?
- Falhas na sua formação, a ira suscitada pelos pais ou a ira dos pais que tem abastecido os
corações dos filhos de rebelião, que por sua vez também responde à sociedade com ira
tornando-se assim um ciclo interminável, uma reação em cadeia.
É pertinente e atual a colocação do apostolo Paulo em Efésios 6:4 “E vós, pais, não provoqueis
à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor”.
Tudo começa quando cria-se uma lacuna, uma distância na comunicação entre pais e filhos e
um ao outro fazem de tudo para provocar a ira mutuamente como forma de reaproximação
velada.
As brechas da injustiça provocadas pelos pais dão margem a entidades espirituais que operam
suscitando ira, violência, rebeldia, divisão entrando na vida dos filhos. Estes não percebem,
mas estão sendo alvo de um processo iniciado e desenvolvido a anos atrás na vida de seus
pais.

“ Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do
SENHOR;
E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para
que eu não venha, e fira a terra com maldição”.
Malaquias 4:5-6

Quando há uma ruptura entre pais e filhos satanás entra nesta brecha, lidar com maldições
envolve principalmente famílias a serem reconciliadas.
O efeito colateral da rejeição provoca uma incapacidade de discernir a presença de Deus e de
relacionar-se com Ele.
Podemos de uma forma resumida dizer que a maldição é a ruptura de geração. Esta geração
dirigirá sua vida na busca do prazer e está destinada a implodir emocionalmente.
“A sepultura; a madre estéril; a terra que não se farta de água; e o fogo; nunca dizem: Basta!”
Provérbios 30:16
A personalidade humana é distorcida em sua identidade gerada pelo pecado, baixa estima,
ausência de satisfação, desmotivação, insaciabilidade.

2º Geração – “Há uma geração que é pura aos seus próprios olhos, mas que nunca foi
lavada da sua imundícia”.

Provérbios 30:12

É a típica geração que sofre de uma cegueira espiritual aguda provocada pela religiosidade.
A religiosidade produz cegueira espiritual, ofusca a capacidade de enxergarmos com os olhos
de Deus.
Uma geração ferida é uma geração que se esconde na religião e vê o mundo através dela, se
torna cega e sem discernimento.
Por religião considere-se aqui qualquer tipo de formalidade que não gera intimidade. A religião
evita a intimidade para que não seja conhecido o nosso interior.
Religião são formas estabelecidas para gerar resultados programados, previsíveis, que não
tragam nenhuma surpresa ou inconvenientes.
“Samaria ou Jerusalém para adorar?”
Não é pelo modelo ou forma, mas pelo espírito diz o Senhor.
A conseqüência dessas formalidades é um falso padrão de santidade. Nos faz pensar que
estamos espiritualmente certos, porém estando errados.
A religiosidade tem lugar para maquear e esconder as nossas feridas geradas a partir de
carências não supridas.

Nesta condição há três posições possíveis diante da ferida:

a) Reconhecê-las e aceitar o tratamento de Deus. Não é uma questão de sentimento e sim de


ir para a cruz, negando a si mesmo e assim se produzirá saúde e firmeza de caráter.
b) Tendo um comportamento hostil e ferindo as pessoas à nossa volta.
c) Tornando-se um religioso com duplicidade de personalidade tendo escondida uma
personalidade doente e maligna.

Há uma parte de religiosidade que é exterior e outra de imoralidade interior que é encoberta
por aquela, tenta-se compensar o déficit de amor não recebido com o crédito de
concupiscência.

“Os olhos que zombam do pai, ou desprezam a obediência à mãe, corvos do ribeiro os
arrancarão e os filhotes da águia os comerão”

Provérbios 30:17

A hipersensibilidade causada pelas feridas geradas pelos pais geram insensibilidade à nossa
real situação, perdemos contato com a lâmpada do discernimento espiritual comparando-se
com a mulher adúltera de Provérbios.

“O caminho da mulher adúltera é assim: ela come, depois limpa a sua boca e diz: Não fiz
nada de mal!”

Provérbios 30:20

Não fiz nada de errado, para esta geração o erro sempre está no outro.

3º Geração – “Há uma geração cujos olhos são altivos, e as suas pálpebras são sempre
levantadas”.
Provérbios 30:13

Todo processo de orgulho produz destruição, fragmentação, divisão.Toda tentativa de auto-


promoção é conseqüência de insegurança.
Esta é a geração onde o carisma fala mais alto que o caráter. O carisma e o dom trazem
podem gerar orgulho e altivez o caráter gera humildade e mansidão.

“Por três coisas se alvoroça a terra; e por quatro que não pode suportar:
Pelo servo, quando reina; e pelo tolo, quando vive na fartura; “

Provérbios 30:21-22

Esta geração está cheia de pessoas que assumem posições de autoridade sem terem a devida
estrutura emocional que a comportem.
Elas acabam se achando melhor que todos, inclusive que seus líderes.
Jacó depois de 20 anos fugindo teve que ser humilde e voltar para enfrentar os seus erros
porque o tempo não resolve feridas.
Esta geração tem que ter a humildade de abrir mão do status, da posição, do orgulho, dos
títulos e encarar as feridas abertas deixando o óleo do Espírito curá-las.

4º Geração – “ Há uma geração cujos dentes são espadas, e cujas queixadas são facas,
para consumirem da terra os aflitos, e os necessitados dentre os homens”

Provérbios 30:14

É a geração da maledicência. O orgulho cresce através das feridas abertas pela maledicência.
O que deixa a ferida aberta é o orgulho, mas o que a prolifera é a maledicência.

ORGULHO + FERIDAS + MALEDICÊNCIA = PESSOAS CRÍTICAS, DURAS, INSENSÍVEIS E


SEM MISERICÓRDIA.

As palavras são agentes de maldição.

“Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes ao rei, nem mesmo no mais interior do teu
quarto amaldiçoes ao rico; porque as aves dos céus levariam a voz, e os seres alados
dariam notícia do assunto.”
Eclesiastes 10:20

“Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de
amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem.”

Hebreus 12:15

A maledicência é o sintoma da maldição da ferida e da amargura. A maledicência é o veículo


da destruição e da morte, é uma das maiores armas do diabo.

“Se procedeste loucamente, exaltando-te, e se planejaste o mal, leva a mão à boca;


Porque o mexer do leite produz manteiga, o espremer do nariz produz sangue; assim o
forçar da ira produz contenda.”

Provérbios 30:32-33

“Suscitar a raiva produz contenda”, é uma corrente de iniqüidade.

Análise da sociedade moderna (últimos 40 anos)

Pais distantes e autoritários onde os filhos eram secundários em suas vidas geravam filhos
rejeitados e irascíveis.
Esta geração rebelde e emocional se tornou imoral buscando a libertinagem, a fuga do
autoritarismo com uma cultura depravada, com a fragilização da família onde muitos filhos que
nasceram desta época nasceram fora de um ambiente familiar, hoje são os adultos.
Ponto culminante desta geração é quando se estabelece a queda da censura dando origem à
imoralidade consensual que tem por conseqüência a violência, a contenda e a desagregação
social.

Para ter acesso a esta ministração de forma mais completa e aprofundada você pode adquirir o
DVD ou o livro do Pr Marcos de Souza Borges no site da Jocum-PR que
é WWW.jocumpr.com.br oucoty@ml.com.br.

Um abraço do seu amigo e servo Pr. Paulo França.


POSTADO POR PAULO FRANÇA ÀS 03:40 NENHUM COMENTÁRIO:
QUINTA-FEIRA, 9 DE JULHO DE 2009

O Deus que se arrepende!


"Ainda assim, agora mesmo, diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração e
isso com jejuns, com choro e com pranto.
E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus;
porque ele é misericordioso, compassivo, tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se
arrepende do mal.Quem sabe se não se voltará e arrependerá, e deixará após si uma
bênção, em oferta de alimentos e libação para o SENHOR vosso Deus?”

Joel 2:12-14.

É com grande alegria, temor e tremor que me disponho ao Espírito de Deus para
compartilhar das Boas Novas que tem me alcançado e transformado, com o propósito
que produza em você, meu amado irmão, os mesmos frutos que foram produzidos em
mim.

Nos versículos do livro do profeta Joel que foi compartilhado acima vemos o registro por
duas vezes de um termo, que habitualmente é usado para nós homens e mulheres que
cometemos erros e pecamos, mas, que nesta passagem específica esta sendo usado
para Deus, o fato dele se “arrepender do mal”.

Esta passagem propositadamente foi escolhida para o inicio do compartilhar deste blog
para suscitar alguns questionamentos relevantes que nos levam a entender o coração de
Deus:

- É possível Deus possuir maldade em seu coração?

- Deus necessita de arrependimento?

- Deus muda de idéia, de propósito ou de caminho? E ainda mais, a minha oração pode
fazer Deus mudar de idéia ou arrepender-se?

Para tentar responder estas e talvez até mesmo outras indagações que venham a surgir
é que te convido a juntamente com o Espírito de Deus engajarmos nesta empreitada de
aprendermos á luz das boas novas da Palavra de Deus neste blog.
Não é este o único registro que vemos ser atribuído à Deus o ato de “arrrepender-se do
mal”. Um dos registros mais conhecidos da bíblia se dá no texto de Êxodo 32:14:

“Então o SENHOR arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo.”

O contexto é a ocasião da construção por parte do povo hebreu de um altar de idolatria


ao bezerro de ouro, isto se deu porque eles decidiram não mais esperar por Moisés e
pelo seu Deus, que estavam neste momento no Monte Sinai fazia 40 dias, para serem por
eles introduzidos na terra prometida (vs.1-6).

Por este ato de idolatria Deus dissera a Moisés que destruiria todo o povo e a partir dele,
Moisés, iniciaria uma nova descendência e que a esta, somente, cumpriria a promessa
de dar por herança a terra prometida (vs 9-10). Diante deste quadro Moisés prontamente
começa a interceder a favor do povo perante Deus e clama ao Senhor: “Arrepende-te do
fogo da tua ira, e não tragas este mal sobre o teu povo!”(Vs 12).

Existe uma situação única no íntimo de Deus e que cria em nós um conflito muito
grande.

Existe nEle uma natureza santa, pura e inegociável, que não tolera o pecado e a
iniqüidade, que se ira e que reinvidica dentro dele o juízo e condenação.

“Se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno


conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas certa
expectação horrível de juízo e ardor de fogo que há de devorar os adversários...
Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus Vivo.”
Hebreus 10:26,27 e 31.

“Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela
qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e temor; Porque o nosso Deus é
um fogo consumidor.
Hebreus 12:28-29.

“Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a


impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria;
Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;”
Colossenses 3:6

Mas, existe também em Deus uma natureza misericordiosa e compassiva que não deseja
que ninguém pereça, mas que todos possam ser alcançados pela salvação por Ele
providenciada para ser o alvo da sua ira.

“Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto,
convertei-vos e vivei.”
Ezequiel 18:32

“Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário,
ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos
cheguem ao arrependimento.”
II Pedro 3:9

“Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a


bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? Mas, segundo a tua dureza e
coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do
justo juízo de Deus,”
Romanos 2:4-5

Alguns tentam separar esses dois aspectos da pessoa de Deus ou até mesmo ignorar
que ambos convivem em simultaneidade e não são dispensações da pessoa de Deus, ou
seja, muitos acreditam erroneamente que existe a época de “juízo’ e existe a época de
“misericórdia”.

Mas, voltando ao texto de Móisés veremos que toda vez que a bíblia fala que Deus se
“arrependeu”, a situação está ligada com a necessidade legítima que Ele tem de julgar a
humanidade por causa do seu pecado.

Deus arrepende-se (muda o caminho, a direção) não por se tratar de um desvio moral
existente, não por mudar de planos ou de propósito, Deus nunca muda e nunca mudará,
Ele sempre é o mesmo Deus Santo ontem, hoje e eternamente.

“Não vos enganeis, meus amados irmãos: Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do
alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de
mudança.”
Tiago 1:16-17

Esse conflito entre seu juízo e seu amor não é um mero jogo que Ele faz, ou pressão
psicológica para nos persuadir à mudança e que no final sempre a misericórdia
prevalecerá, não!

Quando Deus falou para Moisés que ia destruir todo o povo ele falava sério, pois, Ele
não podia ir de encontro a sua natureza.

Não estamos falando de uma decisão mecânica, fria e sem sentimentos, mas estamos
falando dos sentimentos de um Deus que por sua natureza Santa teve que decretar, por
causa do pecado, a separação do homem alvo do seu grandioso amor, e, que por causa
deste mesmo amor veio se fazer alvo da sua própria ira para nos proporcionar condições
de estarmos com Ele novamente.

Esse é o nosso Deus infinitamente apaixonado por nós, mas eternamente santo.

Em Êxodo capítulo 32 podemos então dizer que Deus “arrependeu-se”, ou mudou de


decisão, por causa de Moisés, o arrependimento de Moisés gerou arrependimento em
Deus. Ele deseja ser confrontado com a sua natureza de amor, compaixão e
misericórdia.

“Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante
mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei. Por isso,
eu derramei sobre eles a minha indignação, com o fogo do meu furor os consumi; fiz
cair-lhes sobre a cabeça o castigo do seu procedimento, diz o SENHOR Deus.”
Ezequiel 22:30

Deus é confrontado por homens quebrantados e arrependidos, que trazem a existência a


Sua misericórdia e amor, por se identificarem com os sentimentos que há no Seu
coração.

“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele,
subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus”
Filipenses 2:5-6
Deus tem procurado intercessores que estejam em sintonia com o seu coração, um
intercessor arrepende-se e intercede identificando-se com o pecado do outro, vejamos o
que fez Moisés quando foi a Deus clamar para que Ele se “arrependesse”:

“Tornou Moisés ao SENHOR e disse: Ora, o povo cometeu grande pecado, fazendo para
si deuses de ouro. Agora, pois, perdoa-lhe o pecado; ou, se não, risca-me, peço-te, do
livro que escreveste. Então, disse o SENHOR a Moisés: Riscarei do meu livro todo
aquele que pecar contra mim.”
Êxodo 32:31-33

A base de toda intercessão é um pedido de perdão por percebemos que todos são tão
pecadores e merecedores da ira e juízo divinos quanto nós, Jesus veio a terra se
identificar com o homem em pecado, assumir perante o Pai o teu juízo e ira, para poder
hoje interceder ao Pai por nós.

“Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo
sempre para interceder por eles”
Hebreus 7:25.

Por ora vamos deixar a passagem de Êxodo 32 e mergulhemos agora no livro de Jonas,
neste poderemos ver de forma muito expressiva essas duas características do Nosso
Deus, o seu perfeito juízo e a sua grande misericórdia.

“Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua maldade
subiu até mim.”

O juízo de Deus vem sobre pessoas e sobre nações. No livro de Atos 5:1-11 vemos o
juízo de Deus sendo exercido sobre Ananias e Safira, por conseqüência, conforme diz o
apóstolo Pedro,deles “mentirem ao Espírito Santo”, já no evangelho de Mateus 11:20-24
Jesus declara o juízo sobre as cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum por não terem
se arrependido dos seus pecados com a pregação e os sinais que Jesus fizera quando lá
estivera.

No livro de Jonas vemos Deus anunciando a Jonas que a maldade de Nínive, a grande
capital do temível império assírio estava indo de encontro a Sua Natureza Santa e Justa,
e que esta estava despertando n’ Ele a sua ira.

Um verdadeiro intercessor consciente da condição de queda do homem ou de uma


nação e conhecendo o coração de Deus que é temível e compassivo é movido por
grande arrependimento, misericórdia e compaixão, mas não foi assim que comportou-se
Jonas. Por que Jonas fugiu? A resposta está na passagem abaixo:

“Mas desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado. E orou ao Senhor: Ó Senhor! Não
foi isso o que eu disse estando ainda na minha terra? Por isso é que me apressei a fugir
para Társis. Eu sabia que és Deus clemente e misericordioso, tardio em irar-se e grande
em amor, e que te arrependes do mal.
Agora, ò Senhor, tira a minha vida, porque melhor me é morrer do que viver.”
Jonas 4:2-3

Em outras palavras Jonas estava dizendo bem assim, Senhor eu conheço o seu coração,
sei que a sua natureza santa grita dentro de ti por causa da maldade desta nação, mas
sei também que o Senhor não tem prazer em exercer a Sua ira e juízo e que és um Deus
cujas misericórdia não tem fim, tardio em irar-se, paciente e longânimo, que me chamou
não para avisar da destruição de Nínive, mas para dar-lhes uma oportunidade ao
arrependimento, e eu sabia que se eles se arrependessem, o Senhor também se
arrependeria de destruí-los, mas como aceitar ver o Senhor perdoar esta maligna nação
após tudo que Ela fez conosco, O seu povo?! Por isso que melhor para mim é morrer do
que assistir a tudo isso e ser cooperador de tal “aberração”.

Descupe-me se estou parecendo exagerado, mas é este sentimento de revolta que


percebo no coração de Jonas, sentimento de quem não se enxergava tão pecador e
destituído de merecimento da graça e misericórdia de Deus quanto os Ninivitas, mesmo
depois de ter visto as misericórdias do Senhor vencer sobre o juízo em sua própria vida.

O problema de Jonas, é o mesmo de muitos de nós, dizemos que conhecemos a Deus,


que somos conscientes de sua misericórdia em nossas vidas, mas não conseguimos
deixar que esta misericórdia alcance os nossos corações e quebrem dentro de nós o
grande desejo de justiça que habita dentro do homem.

Era o mesmo problema encontrado nos discípulos Tiago e João em Lucas 9:55 -56 que
ao presenciar os samaritanos recusando-se de receber a Jesus pergunta a Jesus se não
gostaria que eles orassem, como Elias fez, para mandar fogo do céu destruir aquela
cidade, aí veja a resposta que revela o que está no coração do nosso Deus:

“Vós não sabeis de que espírito sois, pois o Filho do homem não veio para destruir as
almas dos homens, mas para salvá-las”
Lucas 9:55-56

É o problema encontrado com todo aquele que não tem o coração de intercessor, como
conhecê-los? Fácil são os mesmos das premissas do “aqui se faz, aqui se paga”, “cada
um tem que arcar com as conseqüências dos seus atos”, “ele não cavou a cova, agora
que se afunde”, “ele foi avisado, o que eu podia fazer já fiz”...

Se queremos captar o sentimento que há no coração de Deus que quer ser temido pelas
suas misericórdias em perdoar e não pelos seus juízos (Salmo 130:4) e nos
identificarmos com Ele, precisamos buscar fazer com que a misericórdia prevaleça
sobre o juízo (Tiago 2:13), pela vida de intercessor, como aquele que prepara o caminho
ao coração do Senhor, como João Baptista.

“Senhor ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos.”
Lucas 11:1

João Batista não pregava condenação, a sua palavra era uma palavra de misericórdia
recheada de oração, a sua vida de oração e intercessão causava impacto e tornou-se
referência para aqueles que o conheceram, e tenho para mim que a principal oração de
João Batista era “Senhor eu clamo e arrependo-me por estes que aqui estão e clamo
para que o Senhor arrependa-se do mal que legitimamente Tu tens direito de exercer
sobre eles e tenha misericórdia e que através da Sua palavra anunciada eles venham ao
arrependimento”.

Qual era a conseqüência de seu ministério, multidões voltavam-se para Deus,


arrependiam-se e eram batizadas, com uma pregação de juízo e misericórdia
“Arrependam-se pois é vindo o Reino dos céus”, milhares e milhares de pessoas iam
para o deserto para ver um homem esquisito falar sobre arrependimento de pecados, por
que? João Batista sentia com o coração de Deus e intercedia. Esse tipo de pregação
parece que não faz mais sucesso em nossos púlpitos, pois pregar sobre arrependimento
não dá público, não é popular, mas não era assim que João Batista pensava e por isso
ele foi usado por Deus