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MODELO DA AGENTE

Funciona assim: o pesquisador tem hipóteses sobre como indivíduos ou grupos se


comportam, cria um ambiente simples que contém apenas algumas características
fundamentais e indispensáveis para a caracterização de uma situação típica e então toca
o play. Com isso, pode investigar se os mecanismos interacionais supostos de fato
produzem, no nível macro ou agregado, os padrões efetivamente observáveis. Trata-se
de um exercício lógico, antes de qualquer outra coisa.

Economistas neoclássicos, trabalhos que envolvem modelagem formal e escolha


racional fazem exercícios lógicos de natureza semelhante o tempo todo: “suponha
indivíduos homogêneos (idênticos em todas as suas características), com determinado
tipo de preferência e orçamento; de fronte a um mercado que se lhes apresente certas
quantidades e preços, eles se comportarão desta e daquela maneira, gerando um estado
de equilíbrio tal e qual…”. No entanto, nem todo tipo de modelagem deve envolver
escolha racional… e nem matemática. Certos problemas são complexos o suficiente
para não permitir “forma fechada” (i.e. uma equação bem definida, cuja solução
informa um resultado predito). Os ABMs entram em cena exatamente aí.
Um agente é uma entidade conceitual, que pode ser representada de diversas formas e
nas mais diversas linguagens de programação. Mas duas propriedades fundamentais
devem estar presentes: atributos e ações. Um indivíduo, por exemplo, tem diversas
características: idade, peso, altura, raça, sexo, ocupação etc… Esses são os atributos. E
também é capaz de agir no mundo de diversas formas: correr, gritar, socializar, procurar
emprego etc. Um “agente”, nesse sentido a que me refiro, seria a representação
computacional dos aspectos analiticamente relevantes de um indivíduo para
determinados fins de pesquisa. Ou seja, ele não contém todos os atributos e ações
possíveis de um indivíduo, mas apenas aqueles imprescindíveis para a análise. Isso vai
ficar mais claro adiante.

Existem linguagens de programação específicas para ABM (a mais conhecida é a


LOGO, que se tornou bastante popular devido ao software NetLogo, que implementa
uma de suas versões). Também bastante utilizada é a linguagem Python — que é uma
linguagem de programação completa (não específica para ABM) e tão flexível quando o
R (e muito parecida, inclusive). ABMs escritos em Python têm scripts mais simples,
diretos e rodam mais rápido; de acordo com minha experiência

As estruturas de dados mais simples e comuns no R são vetores, matrizes, listas e


data.frames. Basicamente, todos os outros tipos de objetos existentes são algum tipo de
combinação ou transformação desses… Além disso, os comandos que executamos
também são objetos e são chamados funções. Criar um agente é guardar seus atributos
em algum desses tipos de estrutura de dados e representar suas ações por funções. Uma
forma conveniente de mesclar atributos e funções num único objeto-agente é fazer uso
de um tipo de estrutura de dados pouco utilizada no R, chamada Reference Class