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Qualidade de vida no trabalho e saúde/doença

ARTIGO ARTICLE
Quality working life and health/illness

Francisco Antônio de Castro Lacaz 1

Abstract Using as starting point the discussion Resumo A partir da discussão das noções que
of many concepts of the term Quality Working assumiu a Qualidade de Vida no Trabalho
Life (QWL) is assumed the idea of priority to (QVT), priorizou-se a que valoriza as mudan-
changes in working organization and worker’s ças na organização do trabalho, a participação
participation, like pointed out the Internation- dos trabalhadores, conforme o Programa Inter-
al Program on Bettering Working Conditions nacional para o Melhoramento das Condições e
and Labor Environment, proposed by Interna- dos Ambientes de Trabalho (PIACT), da Orga-
tional Labor Organization (ILO), in 1976. Are nização Internacional do Trabalho (OIT),
pointed the limits of QWL in a reality like the 1976. Diante da escolha, são apontados os limi-
Brazilian, where democracy in working places tes da QVT na nossa realidade, em que a demo-
is still so fragile. Besides, vis-à-vis Taylorism/ cracia nos locais de trabalho é ainda frágil. Ao
Fordism, are discussed the changes in the orga- lado disso, vis à vis o taylorismo/fordismo, dis-
nization of working process that occur in the cute-se as mudanças na organização do proces-
QWL within the process of job redesign, point- so de trabalho que acompanham a QVT na
ing the necessity to think about epidemiological reestruturação produtiva, apontando para a
indicators that show the relationships health/ necessidade de pensar-se indicadores epidemio-
illness and the new ways of management and lógicos que expressem as relações saúde/doença
organization of the productive process, repre- e as novas formas de gestão, divisão e organiza-
sented by the working related diseases, whose ção da produção, representadas pelas doenças
nexus with working process has a more complex relacionadas ao trabalho, cujo nexo com ele têm
causality. causalidade mais complexa.
Key words Quality; Working Process; Work- Palavras-chave Qualidade; Processo de traba-
ers; Health/Disease Process lho; Participação; Saúde/Doença

1 Centro de Estudos
em Saúde Coletiva (Cesco),
Universidade Federal de
São Paulo, Escola Paulista
de Medicina, Rua dos
Otonis, 592, 04025-001
São Paulo, SP.
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Lacaz, F. A. C.

Introdução Surgida na esteira da cada vez maior mo-


bilização dos trabalhadores europeus pela am-
Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) é uma pliação de seus direitos no trabalho, que ocor-
terminologia que tem sido largamente difun- re no final dos anos 60 e início dos 70, a pro-
dida nos últimos anos, inclusive no Brasil. Co- posta do PIACT incorpora tais demandas (Par-
mo incorpora uma imprecisão conceitual, vem megianni, 1986). Reflexo disso, na década de
dando margem a uma série de práticas nela 1980, consolida-se uma tendência que baseia a
contidas que ora aproximam-se da qualidade QVT na maior participação do trabalhador na
de processo e de produto, ora com esta se con- empresa, na perspectiva de tornar o trabalho
fundem. O conceito, através dos programas de mais humanizado. Agora os trabalhadores são
qualidade total, vem impregnando propostas vistos como sujeitos, estando sua realização
de práticas empresariais (Rodrigues, 1991). calcada no desenvolvimento e aprofundamen-
Se sua origem pode ser encontrada no lon- to de suas potencialidades.
gínquo pós-guerra, como conseqüência da im- Assim, busca-se superar a etapa da preven-
plantação do Plano Marshall para a reconstru- ção dos acidentes e doenças tidos como dire-
ção da Europa (Vieira, 1993), sua trajetória tamente relacionados ao trabalho, para avan-
tem passado por vários enfoques. Uns enfati- çar na discussão dos agravos relacionados ao
zam aspectos da reação individual do traba- trabalho. Conforme proposição do National
lhador às experiências de trabalho (década de Institute of Occupational Safety and Health
1960); outros, aspectos de melhoria das con- (NIOSH), passam a incorporar grupos de
dições e ambientes de trabalho, visando maior doenças e acidentes que também ocorrem na
satisfação e produtividade (década de 1970) população geral, mas que em determinadas ca-
(Rodrigues, 1991). Articulada a esta última tegorias de trabalhadores adquirem um perfil
abordagem, a QVT também é vista como um patológico diferenciado (Quadro 1).
movimento, no qual termos como gerencia- Expressão dessas preocupações, o PIACT
mento participativo e democracia industrial já propunha uma estratégia de intervenção so-
são adotados freqüentemente, como seus ideais bre o processo de trabalho, ou seja, ... a carga
(meados da década de 1970). Por fim, nos anos de trabalho, a duração da jornada, (...), a orga-
80, adquire importância como um conceito nização e o conteúdo do trabalho e a escolha da
globalizante, na busca de enfrentar as ques- tecnologia (Mendes, 1988).
tões ligadas à produtividade e à qualidade to- Do que foi até aqui exposto, observa-se que
tal (Zavattaro, 1999). se trata de um discurso que remete, num ex-
Observa-se, assim, que a QVT dialoga com tremo, a mudanças na organização do proces-
noções como motivação, satisfação, saúde-se- so de trabalho como conseqüência do movi-
gurança no trabalho, envolvendo discussões mento de qualidade do trabalho e/ou da de-
mais recentes sobre novas formas de organi- mocracia industrial adotada nos países escan-
zação do trabalho e novas tecnologias (Sato, dinavos no início da década de 1970 (Ortsman,
1999). 1984). No extremo oposto, lida com práticas
Aqui, interessa discutir a vertente que prio- que se preocupam muito pouco com as con-
riza as condições, ambientes, organização do dições e organização do trabalho, na medida
trabalho e as tecnologias. Vertente esta, advo- que sua vertente individualista apenas incen-
gada pela Organização Internacional do Tra- tiva a prática de hábitos de vida saudáveis (Sa-
balho (OIT) a partir de 1976, quando lança e to, 1999). Se, em princípio, não se pode banir
fomenta o desenvolvimento do Programa In- tais iniciativas, é mister apontar que elas não
ternacional para o Melhoramento das Condi- atingem as relações e a organização do proces-
ções e dos Ambientes de Trabalho (PIACT). so de trabalho, categoria esta central para ex-
Trata-se de uma proposta que procura articu- plicar os principais problemas atuais de saú-
lar duas tendências: uma dirigida ao melhora- de dos trabalhadores.
mento da qualidade geral de vida como uma as- Assim, a idéia de QVT procura amalgamar
piração básica para a humanidade hoje e que interesses diversos e contraditórios, presentes
não pode sofrer solução de continuidade no por- nos ambientes e condições de trabalho, em em-
tão da fábrica. (...); a outra, concernente a uma presas públicas ou privadas. Interesses estes
maior participação dos trabalhadores nas deci- que não se resumem aos do capital e do traba-
sões que diretamente dizem respeito à sua vida lho, mas também aos relativos ao mundo sub-
profissional (Mendes, 1988a). jetivo (desejos, vivências, sentimentos), aos va-
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Quadro 1
Os dez principais grupos de doenças e acidentes relacionados com o trabalho, Estados Unidos, 1982.

1. Doenças pulmonares: asbestose, bissinose, silicose, pneumoconiose dos trabalhadores


do carvão, câncer de pulmão, asma ocupacional.
2. Lesões músculo-esqueléticas: distúrbios da coluna lombar, do tronco, extremidades
superiores, pescoço, extremidades inferiores, fenômeno de Raynaud traumaticamente induzido.
3. Cânceres ocupacionais (outros que não de pulmão): leucemia, mesotelioma, câncer de bexiga,
de nariz e de fígado.
4. Amputações, fraturas, traumas oculares e politraumatismos.
5. Doenças cardiovasculares: hipertensão, coronariopatias e infarto agudo do miocárdio.
6. Distúrbios da reprodução: infertilidade, abortamento espontâneo, teratogênese.
7. Distúrbios neurotóxicos: neuropatias periféricas, encefalites tóxicas, psicoses, alterações
de personalidade (relacionadas a exposições ocupacionais).
8. Perdas auditivas relacionadas com exposição a barulho excessivo.
9. Afecções dermatológicas: dermatoses, queimaduras térmicas e químicas, contusões.
10. Distúrbios da esfera psíquica: neuroses, distúrbios de personalidade, alcoolismo
e dependência de drogas.
Fonte: National Institut of Occupational Safety and Health, 1983.

lores, crenças, ideologias e aos interesses eco- Heloani (1994), são caracterizadas por envol-
nômicos e políticos (Sato, 1999). Ocorre, po- ver mecanismos de controle da percepção e
rém, que a possibilidade de abarcar-se tal ga- subjetividade para enquadrar trabalhadores
ma de questões e demandas envolve uma rede mediante engrenagens que visam introjetar as
e um mecanismo complexo de relações, em normas e metas da empresa.
que o peso específico da atuação dos trabalha- Do lado dos trabalhadores, considerando-
dores adquire papel fundamental. A propósi- se a história recente do movimento sindical,
to disso, Ciborra e Lanzara (1985), assessores do então chamado novo sindicalismo, que da-
de uma central sindical italiana, criticam a no- ta do final dos anos 70 e início dos 80, ver-se-
ção de qualidade de vida no trabalho e pro- á que qualidade de vida (no trabalho) não foi
põem a terminologia qualidade do trabalho – uma bandeira de luta expressa, mas sim a me-
mais adequada, na medida que procura incluir lhoria das condições de trabalho e defesa da
todas as características de uma certa ativida- saúde como direito de cidadania (Ribeiro &
de humana –, apontando que ela encerra uma Lacaz, 1984). Não seria por isso mesmo que foi
concepção clínica, voltada à mudança de há- usada para contrapor-se ao discurso sobre a
bitos de vida e por isso atribuindo ao próprio saúde defendido por parcela importante do
trabalhador a responsabilidade de adaptar-se, movimento sindical de trabalhadores que, en-
de modo a otimizar sua qualidade de vida e de tre nós, sedimentou-se sobre uma plataforma
trabalho. Tal comportamento, não podemos claramente política para explicar a determina-
esquecer, abre caminho para uma velha pos- ção do processo saúde/doença? (Rebouças et
tura ideológica: a culpa da vítima pelo ato in- al., 1989).
seguro (Lacaz, 1983).
Observa-se, pois, que a idéia de QVT é
complexa e mutante. Pressupõe tanto uma Qualidade de vida no trabalho:
abordagem e um aporte informado pela saúde um conceito e prática instrumentais
coletiva, como pela clínica; além de embutir
uma descontextualização e despolitização das Para Ciborra & Lanzara (1985), são várias as
relações saúde-trabalho, tão marcantes no dis- definições da expressão QVT, ora associando-
curso sanitário. a às características intrínsecas das tecnologias
No caso do Brasil, as políticas empresariais introduzidas e ao seu impacto; ora a elemen-
de programas de qualidade, conforme mostra tos econômicos, como salário, incentivos, abo-
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Lacaz, F. A. C.

nos, ou ainda a fatores ligados à saúde física, viabilidade de interferir em tal realidade. Con-
mental e à segurança e, em geral, ao bem-es- trolar as condições e a organização do trabalho
tar daqueles que trabalham. Em outros casos, implica, portanto, a possibilidade de serem su-
segundo estes autores, considera-se que a QVT jeitos na situação. O exercício do controle tem
é determinada por fatores psicológicos, como tanto uma face objetiva (poder e familiarida-
grau de criatividade, de autonomia, de flexibi- de com o trabalho), como uma face subjetiva,
lidade de que os trabalhadores podem desfrutar ou seja, o limite que cada um suporta das exi-
ou, (...) fatores organizativos e políticos, como gências do trabalho (Sato, 1991).
a quantidade de controle pessoal sobre o posto Frise-se, ainda, que problemas afetos à te-
de trabalho ou a quantidade de poder que os tra- mática da organização (divisão de tarefas, de
balhadores podem exercitar sobre o ambiente homens, de tempo e de espaço) e do (re)pla-
circundante a partir de seu posto de trabalho. nejamento do trabalho são também da maior
Mais ainda: do ponto de vista do planeja- relevância para que seja abordada de manei-
mento do trabalho, a categoria qualidade do ra produtiva e objetiva a discussão sobre qua-
trabalho também apresenta nuanças proble- lidade do trabalho. E, aqui, é imperioso ana-
máticas quando envolve questões abstratas, lisar como, de um lado, o controle e a discipli-
que desconsideram as relações concretas de na fabris e, de outro, a gestão participativa co-
produção no cotidiano do trabalho dos atores mo possibilidade de abertura de canais de ne-
sociais. Assim, as questões conceituais sobre gociação capital-trabalho, que levem à busca
qualidade do trabalho consubstanciam-se, ain- do encaminhamento das contradições e confli-
da conforme apontam Ciborra & Lanzara tos de interesses no trabalho, podem interfe-
(1985): De um lado por não parecer[em] ser de- rir no seu encaminhamento sob uma ótica co-
finida[s] a partir de concepções explícitas que letiva. Assim, quando se fala de saúde e quali-
os atores da organização têm acerca de sua vi- dade no trabalho, é sob este prisma que devem
da de trabalho, assume-se que a dimensão qua- ser tratadas as questões a elas relacionadas. É,
litativa do trabalho envolve relações econômi- pois, equivocado basear a solução dos aspec-
cas entre os indivíduos e a empresa e, de outro, tos que interferem neste binômio em medidas
pelos problemas básicos de saúde e segurança do de ordem individual como propõem os pro-
posto de trabalho. gramas de qualidade difundidos pelas empre-
Trata-se, então, em última instância, em sas, dada sua ineficácia e por serem questio-
concordância com Mendes e Dias (1991), de náveis seus pressupostos, inclusive do ponto
buscar a humanização do trabalho – um dos de vista bioético (Berlinguer, 1993). O que se
pressupostos do campo de práticas e saberes propõe é, portanto, redirecionar o foco do de-
informado pelo encontro das formulações bate e colocá-lo no âmbito das relações sociais
emanadas da Saúde Coletiva, da Medicina So- de trabalho que se estabelecem no processo
cial Latino-americana (Laurell, 1991) e da Saú- produtivo, para que fórmulas simplistas não
de Pública, campo este denominado Saúde do sejam priorizadas quando se objetiva enfren-
Trabalhador (Lacaz, 1996). tar a complexidade das questões que envolvem
Diante dessas assertivas, defende-se que dos a temática aqui analisada.
elementos que explicitam a definição e a con- Na perspectiva de ampliar o foco de luz so-
cretização da qualidade (de vida no) do traba- bre a temática, é esclarecedor atentar para o
lho, é o controle – que engloba a autonomia e que observa Cattani (1997) no que diz respei-
o poder que os trabalhadores têm sobre os pro- to à autonomia, ao controle e ao poder dos tra-
cessos de trabalho, aí incluídas questões de saú- balhadores n(d)o processo de trabalho.
de, segurança e suas relações com a organização O autor fala da antiga discussão do que re-
do trabalho – um dos mais importantes que presenta a disciplina fabril sobre o tempo dis-
configuram ou determinam a qualidade de vi- ponível e a vida dos operários com o advento
da (no trabalho) das pessoas. E, frise-se, elas da chamada Revolução Industrial na Europa
são o que são. Por isso, as condições, ambien- Ocidental. Esta disciplina sofisticou-se com as
tes e organização do processo de trabalho de- mudanças introduzidas a partir das novas for-
vem respeitá-las em sua individualidade. mas de organização do trabalho (Fleury e Var-
Aqui, a noção de controle deve ser entendi- gas, 1983) que se consubstanciam hoje no que
da como a possibilidade dos trabalhadores co- se denomina reestruturação produtiva, sempre
nhecerem o que os incomoda, os fazem sofrer, visando a cada vez maior produtividade e a
adoecer, morrer e acidentar-se e articulada à competitividade de mercado (Gorender, 1997).
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Assim, do simples relógio da fábrica, que Se sob o taylorismo os indicadores mais
regulava a hora de acordar e de dormir da fa- diretos da nocividade e da exploração do traba-
mília operária, ao cronômetro, base da inter- lho estavam relacionados aos acidentes típicos
venção racional sobre o trabalho construída e e às chamadas doenças ocupacionais, caracte-
difundida por Taylor (1982), houve um disci- rísticas dos efeitos das matérias e dos agentes
plinamento e um assujeitamento (Foucault, de risco existentes nos ambientes de trabalho
1994). Estes refinaram e aprofundaram a dis- onde ocorria a transformação industrial, tam-
ciplina fabril, a qual ganhou cores mais vivas, bém a eles associava-se uma maneira de com-
constituindo-se nos pilares das propostas de preender os tais agravos à saúde. Para a Medi-
organização e gestão do trabalho ainda sob o cina Legal e a Higiene do Trabalho e Indus-
taylorismo e, posteriormente, sob o fordismo e trial, os riscos ocupacionais eram vistos como
mesmo sob o toyotismo (Antunes, 1995; Hira- infortúnios do trabalho: noção que aliava a fa-
ta e Zarifian, 1991). talidade a uma certa suscetibilidade individual
Vários estudos epidemiológicos e qualita- para a ocorrência de tais problemas (Barreto,
tivos têm mostrado a importância da ausên- 1929; Bertolli, 1992/93; Mendes, 1995).
cia de controle e autonomia dos trabalhado- A própria Medicina do Trabalho e depois
res sobre condições e organização do trabalho a Saúde Ocupacional caminharam nessa tri-
para explicar diversos problemas de saúde co- lha, ao vincularem, de modo redutor, sua vi-
mo os cardiovasculares, o sofrimento mental e são sobre a forma de adoecer e morrer em con-
mesmo os acidentes do trabalho (Gardell, seqüência do trabalho aos agentes patogêni-
1982; Karasek, 1979; Karasek et al., 1981; Mar- cos de natureza física, química e biológica dos
mot e Theorell, 1988; Olsen e Kristensen, 1991; ambientes de trabalho onde o trabalhador/
Seligmann-Silva, 1997; Vezina, 1998; Wünsch hospedeiro com eles interage (Mendes, 1980).
Filho, 1998). É isso que será discutido a seguir. Com isso, o perfil de adoecimento encontra-
va-se circunscrito às doenças e acidentes ocu-
pacionais puros, isto é, não se concebia que os
Perfil patológico e qualidade n(d)o trabalhadores adoecessem e morressem de ma-
trabalho: as diferentes explicações neira semelhante com o que ocorre com a po-
pulação geral e, também, em conseqüência da
Melhorar a qualidade das condições de saúde inserção em processos de trabalho que se mo-
no trabalho, a partir do enfoque acima discu- dificam historicamente dentro do mesmo mo-
tido, acarreta identificar os problemas em ca- do de produção. Assim, essas modificações de-
da situação, com a participação efetiva dos su- terminam formas de adoecimento e morte que
jeitos do processo de trabalho e replanejá-lo, o devem ser analisadas do ponto de vista histó-
que envolve sempre um processo de negocia- rico para que se apreenda como as transfor-
ção (Laurell & Noriega, 1989). Não há apenas mações do trabalho atuam na saúde/doença
um modo racional de fazer o trabalho, mas di- (Dias, 1994). É a introdução da categoria pro-
versos. Diante disso, não cabe somente aos ges- cesso de trabalho, como elemento explicativo
tores o papel de pensar e replanejar. Devem central na análise das relações entre trabalho e
estar envolvidos também os trabalhadores pro- processo saúde/doença, a grande contribuição
dutivos para, no limite, acabar com a separa- e ruptura epistemológica que fazem a Medi-
ção, advinda da administração racional, entre cina Social Latino-Americana (Laurell, 1991)
o planejamento e a execução de qualquer tra- e a Saúde Coletiva (Lacaz, 1996).
balho (Laurell & Noriega, 1989; Sato, 1999). Sob o fordismo, o grau de automação que
Conforme aponta Dejours (1987), traba- vai sendo imposto ao trabalho, associado a
lho prazeroso é aquele em que cabe ao traba- mudanças importantes na forma de organiza-
lhador uma parte importante da concepção. ção da jornada, como o regime de turnos al-
Assim, a inventividade, a criatividade, a capa- ternantes, produz uma mudança no perfil da
cidade de solucionar problemas, o emprego da morbi-mortalidade, que associa-se, no final
inteligência é o que deve ser buscado, e é dis- dos anos 60, ao aumento do absenteísmo, da
so que fala De Masi (1999) quando estuda as insatisfação no trabalho, das operações tarta-
principais experiências criativas de trabalho ruga como maneiras de resistência ao contro-
entre meados do século XIX e do século XX, le fordista. São sinais do esgotamento desta
tanto em empresas, como em instituições de forma de gestão, divisão e organização do tra-
pesquisa. balho (Frederico, 1979; Humphrey, 1982).
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Lacaz, F. A. C.

A cada vez mais clara percepção do esgo- danças na organização do trabalho levam ao
tamento de um ciclo coloca ao capital a neces- abandono relativo as idéias de tarefas e postos
sidade de pensar em novas formas de gestão, de trabalho, tão caros da organização tayloris-
divisão e organização do trabalho, o que co- ta/fordista. Daí decorrem os modos de poli-
meça a acontecer na década de 1970, inicial- valência, a articulação das atividades de opera-
mente em países do capitalismo central, ins- ção e o controle de qualidade e manutenção
pirados no modelo japonês. Esse modelo vai (Salerno, 1994).
constituir-se no novo paradigma, que reacen- No Brasil tal estratégia, também uma res-
de a discussão sobre o controle e o disciplina- posta à atuação do movimento novo sindica-
mento dos trabalhadores. E, ressalte-se, é na lismo, já mencionado, parece assumir um cará-
organização do trabalho, que implica a divi- ter ambíguo: maior delegação de poderes aco-
são de tarefas e delimitação das relações so- plada à dissimulação do controle, representa-
ciais de trabalho, que se deve buscar as restri- da, por exemplo, pelos Círculos de Controle
ções para a livre manifestação da saúde men- de Qualidade/CCQs (Humphrey, 1982; Lacaz,
tal. Ocorre que, entre nós, quando o assunto 1983). Isso ocorre à medida em que o país pas-
é a busca do padrão japonês de produção co- sa a se inserir cada vez mais e rapidamente no
mo paradigma de flexibilização produtiva e mercado internacional, conjuntura em que a
inovação na organização do trabalho, que se- competitividade está a exigir tais mudanças,
ria acompanhado do fim da divisão do traba- visando à melhoria da qualidade do que é pro-
lho baseada no taylorismo e no relacionamen- duzido. Acontece, porém, que a Gestão Parti-
to autoritário na empresa, existem importan- cipativa e os CCQs são uma certa forma de im-
tes controvérsias. Essa transição/reestrutura- plementá-la e, quando se dá por... iniciativa
ção produtiva, que engloba a questão da qua- patronal é episódica e reversível (...) ocorrendo
lidade, tem sido conceituada como um proces- concomitantemente à intensificação forçada da
so que busca compatibilizar uma série de mu- mão de obra e da precarização (sic.) dos con-
danças organizacionais nas relações de traba- tratos (Cattani, 1997).
lho, implicando uma nova definição de papéis Não por acaso, no Brasil, a possibilidade
das nações e entidades do sistema financeiro, de organização dos trabalhadores nos locais
para garantir a competitividade e a lucrativi- de trabalho, que deveria ser um dos pilares da
dade nas quais as novas tecnologias têm um pa- busca pela qualidade do trabalho, é uma reali-
pel central (Corrêa, 1997). Isso tudo começa dade muito pouco encontrada, quando não
no final dos anos 60 e início dos 70, quando considerada indesejável ou até ilegal, dada a
evidenciam-se os limites do regime de acumu- histórica repulsa do patronato às manifesta-
lação baseado no taylorismo/fordismo, até en- ções de independência e autonomia das classes
tão hegemônicos, como forma de organização trabalhadoras (Rodrigues, 1995).
do trabalho (Corrêa, 1997). O componente re- A organização nos locais de trabalho de-
lativo à organização e divisão do trabalho é o veria ser elemento norteador das relações de
lugar dos principais elementos que caracteri- trabalho, em vista da introdução de novas tec-
zam a reestruturação produtiva que traz con- nologias e da automação cada vez mais inten-
seqüências para a vida em sociedade. Junto, sa que se observa nos setores produtivos mais
aparecem subprodutos, ou seja, o desempre- modernos. Assim, é inadmissível falar em qua-
go, a ampliação do trabalho parcial; o traba- lidade do produto sem tocar na qualidade dos
lho de crianças e adolescentes, das mulheres e ambientes e condições de trabalho, o que se-
as questões de gênero correlatas, bem como a ria sobremaneira auxiliado pela democratiza-
precariedade das relações de trabalho e dos di- ção das relações sociais nos locais de trabalho.
reitos trabalhistas (Antunes, 1995; Brito, 1997; Na falta dos elementos acima apontados,
Gomez e Meirelles, 1997). pode-se afirmar que esta nova empresa incor-
É mister ainda ressaltar que com o apro- pora exigências com relações contraditórias no
fundamento da automação e o avanço das no- que se refere à saúde, tais como: maior inten-
vas tecnologias de informática, que passam a sidade do ritmo, maior controle e conhecimen-
definir os níveis da produção a serem alcan- to do trabalho; polivalência e criatividade; mai-
çados, houve uma clara sofisticação do disci- or liberdade de ação, reconhecimento maior
plinamento que veio acompanhada de uma do trabalho e critérios rígidos de avaliação.
dissimulação do controle, sob o manto da idéia Tais relações expressam-se num quadro va-
da qualidade e da competitividade. Tais mu- riado de queixas no qual prevalecem o mal-
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estar difuso, como dores de cabeça e nas costas, cotidiano, obriga a realização de tarefas para
dificuldade de dormir e cansaço que não me- as quais não houve treinamento adequado, em
lhora com o descanso (Monteiro, 1995). horários prolongados e os mais variáveis, com
Os estudos realizados sobre as formas de ritmo acelerado (Monteiro, 1995).
gestão participativa no Brasil, apontam para Em busca da meta modernizar ou perecer,
uma alienação maximizada na medida que se fala-se em implemento da produtividade, a
exige além do trabalho, a afetividade e/ou até qual não se dá pelo aumento da produção por
o inconsciente (Heloani, 1994). E, quando se trabalhador, em conseqüência de mudanças
trata da análise da participação dos trabalha- tecnológicas, mas sim pela intensificação do
dores versus poder, observa-se que ela é ape- trabalho reorganizado. É o que acontece, por
nas consultiva e que o poder de decisão não exemplo, nas empresas que modernizam a tec-
pertence a eles, particularmente em questões nologia de certos momentos produtivos e ter-
cruciais como no caso de demissões, por exem- ceirizam outros, o que provoca a perda de pos-
plo (Monteiro, 1995). tos de trabalho, estratégia esta muito comum
Do ponto de vista sanitário, essa realidade em empresas montadoras (Villegas et al., 1997).
contraditória traz consigo um novo perfil de A esse respeito é valioso atentar para editorial
morbi-mortalidade dos trabalhadores. Além do jornal Folha de S. Paulo, na edição do dia
das doenças e acidentes associados à organi- 14/11/1993, cujo sugestivo título era Produti-
zação taylorista/fordista, hoje agrega-se a ten- vidade e Miséria e que analisava as estatísticas
dência de mudança deste perfil em que pre- divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geo-
dominam doenças não reconhecidas como do grafia e Estatísticas (IBGE) sobre o aumento
trabalho, na medida que a organização (japo- da produtividade industrial em meio à redução
nesa) do trabalho é o novo paradigma mun- do emprego. O texto assinalava que junto ao
dial e dele fazem parte a informática, a auto- impressionante aumento da produtividade no
mação, a polivalência, a restrição hierárquica, complexo metal-mecânico e eletrônico de cer-
o enxugamento do efetivo (downsizing), o de- ca de 40%, nos primeiros sete meses de 1993
semprego etc. (Antunes, 1995). e de 23% no período entre 1991 e1993 o que
Se, de um lado, a reestruturação exige o seria mais um recorde mundial, houve redu-
surgimento de um trabalhador participativo, ção de 10% no nível de emprego, consideran-
escolarizado e polivalente, esta polivalência é do-se o mesmo período. Esse exército de de-
vivenciada de forma ambígua, ou seja, como sempregados, que demanda serviços de saú-
aumento de responsabilidade, maior carga de de, assistência social em função de seu baixo
trabalho e menor autonomia (Monteiro, 1995). consumo, de insegurança social, constitui a
A propósito disso, estudo recente realiza- outra face da propalada qualidade e competi-
do na indústria de papel e celulose gaúcha, tividade modernizadora.
corrobora o que foi dito, tendo mostrado que Em países periféricos, a coexistência de
o trabalho exigia forçar a vista, ao lado de obri- processos de trabalho arcaicos e modernos ex-
gar que se trabalhasse em grande velocidade, plica a ocorrência de um perfil híbrido, no
posição incômoda, o que era acompanhado de qual os nexos de causalidade com o trabalho
forte pressão da chefia. Essa realidade de tra- tornam-se mais complexos e onde nexos an-
balho predispunha à irritação/nervosismo, dor teriormente não cogitados ou desvalorizados
nas costas, dor de cabeça e cansaço – mais pre- devem ser (re)colocados em pauta.
valentes no setor administrativo que, mesmo Nesse panorama sobrevêm tanto uma ‘sub-
tendo melhores condições e ambientes de tra- carga’ qualitativa como uma sobrecarga quan-
balho, apresentava cargas mais freqüentes de- titativa psíquica, podendo ser prognosticada
rivadas da forma de organização e divisão do a permanência da heterogeneidade tecnológi-
trabalho (Fassa e Facchini, 1995). ca, mas com certa homogeneidade desfavorável
Em realidades históricas de capitalismo de- das condições de trabalho e de vida (Laurell,
pendente, tal quadro associa-se à chamada pre- 1991).
cariedade do trabalho, em que o vínculo tem- Diante disso, um novo perfil patológico
porário e a subcontratação promovem uma configura-se, o qual é caracterizado pela maior
perda do poder de barganha dos trabalhado- prevalência, na população trabalhadora, de
res, com repercussões sobre a capacidade de agravos à saúde marcados pelas doenças crôni-
negociação das condições de trabalho nos con- cas, cujo nexo de causalidade com o trabalho
tratos coletivos (Lacaz, 1996). Tal situação, no não é mais evidente como ocorria com as do-
158
Lacaz, F. A. C.

enças (e acidentes) classicamente a ele relacio- de decisões no trabalho, às atividades pouco


nadas, os chamados infortúnios do trabalho. criativas e pequeno apoio social (Marmot &
Proliferam então as doenças cardiocirculató- Theorell, 1988); ao que se soma as mortes por
rias, gastrocólicas, psicossomáticas, os cânce- causas externas, relacionadas à violência dos
res, a morbidade músculo-esquelética expres- centros urbanos, muitas delas como resulta-
sa nas lesões por esforços repetitivos (LERs), do dos acidentes de trajeto ou do trabalho (de
às quais somam-se o desgaste mental e físico trânsito) dos condutores de ônibus e veículos
patológicos e mesmo as mortes por excesso de de carga (Lucca & Mendes, 1993) e pelos cân-
trabalho, além das doenças psicoafetivas e neu- ceres relacionados ao uso de substâncias quí-
rológicas ligadas ao estresse (Gorender, 1997). micas cada vez mais tóxicas (Mendes, 1988b).
Seriam, então, tais agravos os indicadores mais Ademais, qualquer análise sobre as princi-
apropriados, nos dias que correm, para expres- pais causas de aposentadoria por invalidez pre-
sar o grau em que as condições, ambientes e videnciária durante a década de 1980, confor-
organização do trabalho realmente se enqua- me mostrado a seguir (Quadro 3), também
dram nos padrões de qualidade do trabalho obriga a pensar na participação do trabalho
que incorporam os parâmetros aqui defendi- como determinante desta morbidade, parti-
dos? cularmente no que se refere à hipertensão ar-
Assim, no bojo desse quadro, a morbi-mor- terial, transtornos mentais e doenças osteoar-
talidade tendencial da população trabalhado- ticulares (Mendes, 1988a).
ra aponta para uma prevalência cada vez mais
freqüente de agravos caracterizados por um
mal estar difuso (Seligmann-Silva, 1997) e por Conclusão
doenças que ocorrem na população geral, mas
que entre os trabalhadores passam a ocorrer Pode-se afirmar que a temática da QVT assu-
em faixa etária mais precoce, quando compa- me maior relevância nos anos 70, quando se
rada com a população geral. O quadro 2 de- dá um esgotamento da organização do traba-
monstra como tal tendência se configura de lho de corte taylorista/fordista, ao qual asso-
maneira bastante clara. cia-se um aumento do absenteísmo, da insa-
No quadro observa-se uma predominân- tisfação no trabalho e da não aderência dos
cia das mortes por doenças cardiovasculares, trabalhadores às metas definidas pela gerên-
que podem se relacionar à baixa autonomia cia. O modelo japonês é o novo paradigma de

Quadro 2
Principais causas de óbito no grupo etário de 20 a 49 anos, nas maiores cidades da região do ABC paulista, na década de 1980.

Santo André
Tumores malignos Homicídios Lesões traumáticas Acidentes com Doenças isquêmicas do
e envenenamentos veículos a motor coração e cerebrovasculares

São Caetano do Sul


Tumores malignos Lesões traumáticas Doenças isquêmicas do Acidentes com Homicídios
e envenenamentos coração e cerebrovasculares veículos a motor

São Bernardo do Campo


Homicídios Tumores malignos Lesões traumáticas Acidentes com Doenças cerebrovasculares
e envenenamentos veículos a motor e isquêmicas do coração

Diadema
Homicídios Lesões traumáticas Sintomas e Doenças Acidentes com
e envenenamentos sinais maldefinidos cerebrovasculares veículos a motor
Fonte: Departamento/Escritório Regional de Saúde de Santo André, SP. Secretaria de Estado da Saúde.
159

Ciência & Saúde Coletiva, 5(1):151-161, 2000


organização do trabalho, visando superar es-
sa realidade, apesar de tal modelo, conforme Quadro 3
Causas de aposentadoria por invalidez previdenciária no
apontam alguns estudiosos, reduzir a autono-
Brasil, na década de 1980
mia nas relações de trabalho, além de envol-
ver um controle importante da vida extrapro-
Causa invalidante
fissional pela estrita utilização do tempo a ser-
viço da empresa (Antunes, 1995; Hirata e Za- Hipertensão arterial
rifian, 1991). Transtornos mentais
Doenças osteoarticulares
Mesmo diante dos vários enfoques que vai
Doenças cardiovasculares
assumindo a QVT, interessou aqui ressaltar Epilepsias
que para a OIT, a temática é expressada no Doenças infectocontagiosas
PIACT, lançado em 1976, procurando articu-
Fonte: Coordenadoria de Informática da Secretaria de Planejamento
lar duas vertentes: uma relacionada à melho- do Instituto Nacional de Previdência Social/INPS.
ria da qualidade geral de vida como aspiração
humana e que não poderia ser barrada no por-
tão das fábricas; e outra relativa à maior par- Disso decorre que se defenda a conquista de
ticipação dos trabalhadores nas decisões que um (re)planejamento do trabalho em que a
dizem respeito à sua vida e atividade de tra- gestão participativa seja real, com verdadeiros
balho. Nesse sentido, a saúde e a qualidade do canais coletivos de negociação – capital-tra-
trabalho não podem ser negociadas como mais balho, visando à resolução dos conflitos/con-
um mero elemento da produção. Tal aborda- tradições de interesses e a superação de uma
gem visava superar a prevenção dos acidentes certa gestão participativa de caráter patronal,
e doenças considerados diretamente ligados episódica e reversível, porque acompanhada
ao trabalho, priorizando a busca de outros ne- da intensificação, da precariedade do trabalho
xos saúde-trabalho, para além da causalidade e dos contratos e direitos trabalhistas (Antu-
direta. Os agravos à saúde, que também ocor- nes, 1995).
rem na população geral, quando relacionados Urge, portanto, um debate que tenha co-
ao trabalho assumem um perfil diferenciado. mo foco a possibilidade de organização a par-
A Organização Mundial da Saúde, no ano tir dos locais de trabalho, de forma a possibi-
de 1979, advogou a estratégia da necessidade litar uma discussão das demandas de maneira
de desenvolver-se programas especiais de aten- democrática e igualitária, visando submeter
ção à saúde dos trabalhadores, visando pro- as questões ligadas à competitividade/produ-
mover melhorias nas condições da qualidade tividade e qualidade do produto à qualidade
de vida e trabalho nos países em desenvolvi- do trabalho e à defesa da vida e da saúde no
mento (Freitas et al., 1985). trabalho. Daí ser necessária a utilização de ou-
Ressalte-se que a idéia de QVT aqui defen- tros indicadores sanitários que melhor espe-
dida envolve questões intrinsecamente ligadas lhem as maneiras atuais de consumo da força
às novas tecnologias e seu impacto para a saú- de trabalho, acopladas à reengenharia produ-
de e o meio ambiente; aos salários, incentivos tiva em que prevalece a entrada de novos e des-
e participação nos lucros das empresas; à cria- conhecidos insumos quanto à nocividade à
tividade, autonomia, grau de controle e quan- saúde e ao ambiente, aliada ao aprofundamen-
tidade de poder dos trabalhadores sobre o pro- to da automação e informatização n(d)o pro-
cesso de trabalho (Laurell e Noriega, 1989). cesso produtivo.
160
Lacaz, F. A. C.

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