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Título: Cultura, educação e arte para crianças

Área Temática: Educação

Autoria: Denise Maria Ribeiro Tedeschi (graduanda em História,


dedetedeschi@yahoo.com.br), Tatiana da Costa Sena (graduanda em História,
tatianasenaop@yahoo.com.br), Flávia Fonseca Fortes (graduanda em Engenharia
Civil/flaviaffortes@yahoo.com.br), Luciana Maria Góis (graduanda em Engenharia de
Minas/ lucianagois@yahoo.com.br) e Carlos Alberto Pereira (Doutor em Tecnologia
Mineral, pereira@demin.ufop.br).

Instituição: UFOP - Universidade Federal de Ouro Preto

Resumo

Projeto criado em 2002, é desenvolvido pelo Departamento de Engenharia de Minas da


Universidade Federal de Ouro Preto. Ele visa apoiar as crianças nas tarefas escolares, na
educação, na conscientização do patrimônio cultural de sua cidade e iniciar o aprendizado
sobre a arte da cantaria. Esse projeto envolve graduandos de diversos cursos da UFOP,
que ensinam os conteúdos de história, mineralogia, desenho técnico e informática, e ao
mesmo tempo ajudam as crianças nos trabalhos escolares e nas dúvidas sobre o conteúdo
escolar. A parte prática é desenvolvida na oficina de Cantaria, localizada no campus da
Universidade, onde as crianças, com a orientação do Mestre Canteiro Juca confeccionam
suas próprias peças, procurando aplicar os conhecimentos matemáticos e de outras
disciplinas na sua execução. São realizadas visitas com as crianças aos principais
monumentos histórico-artísticos de Ouro Preto. Dentre os resultados obtidos, destaca-se a
melhoria no desempenho das crianças nas escolas, o conhecimento sobre a história e o
patrimônio cultural da sua cidade, Ouro Preto e a conscientização de se valorizar e
preservar este patrimônio.

Introdução e Objetivo

O projeto Cultura, educação e arte para crianças tem como principais objetivos
apresentar as crianças o patrimônio material e imaterial da cantaria existente em Ouro
Preto e auxiliá-las na melhoria do desempenho escolar.
A arte da cantaria consiste na rocha beneficiada, aparelhada e lavrada em formas
geométricas para ser aplicada em construções como parte estrutural ou ornamental,
muitas vezes, as duas funções podem ser satisfeitas na obra (VILLELA, 2003).
No Brasil, a cantaria foi utilizada nas construções desde o século XVI, atingindo seu
ápice e primor nas Minas Gerais do século XVIII. Nesta região, a arte foi implantada por
influência de canteiros portugueses e adquiriu peculiaridades locais, graças à criatividade
de artistas nativos, dominando a arquitetura setecentista e ajudando a compor o belo e
original acervo que caracteriza o Barroco Mineiro.
Dentre as vilas do ouro, que tiveram sua arquitetura marcada pela arte canteira, Ouro
Preto é a que se destaca pela quantidade e qualidade de suas obras. A cantaria ouro-
pretana ganhou formas com o emprego do quartzito, conhecido no período por
itacolomito, por ser retirado da Serra do Itacolomi. Merece destaque, também, a
utilização de outras rochas como quartzo-clorita-xisto que está presente, principalmente,
na obra do Museu de Arte Sacra que acompanha a Catedral da Sé em Mariana e esteatito
(pedra-sabão), imortalizada pelas hábeis mãos de Antônio Francisco Lisboa, o
Aleijadinho. A edificação do acervo de Ouro Preto, constituído de cantaria, deu-se no
período entre 1740 e 1800, com a construção das mais importantes e monumentais obras
da cidade, como pontes, chafarizes, edifícios públicos, residências particulares e igrejas.
Este acervo, tão rico em peças e detalhes, foi todo feito com a utilização da mão – de –
obra dos escravos, grandes auxiliares dos canteiros. Além dos escravos, contou-se
também, em menor número, com os galés, presos condenados a serviços públicos,
utilizados, geralmente, pelo Senado da Câmara para a construção de edifícios públicos,
como foi o caso da antiga Casa de Câmara e Cadeia da Vila, construída a partir de 1784,
onde funciona, atualmente, o Museu da Inconfidência.
A cantaria foi deixada de lado no século XIX por motivos, ainda, pouco estudados.
Supõe-se que a substituição da rocha por outros materiais construtivos e a perda da
prática no trato com esse material, em parte atribuída às mudanças estilísticas, tenham
contribuído para a configuração de um processo de decadência da cantaria em Minas
Gerais (SILVA, 2003).
A técnica de cantaria, que foi fundamental na construção dos monumentos no século
XVIII, hoje é um ofício em extinção. O resgate e a divulgação da arte canteira é uma dos
objetivos desse projeto. As aulas de história, mineralogia, desenho técnico, a prática na
oficina de cantaria e as visitas aos principais monumentos da cidade, visam informar às
crianças sobre a importância da preservação do patrimônio material e imaterial desta arte.
O estabelecimento de uma nova relação entre as crianças e a apropriação cultural dos
monumentos e lugares históricos desenvolve uma relação de intimidade entre estas novas
gerações e o patrimônio que lhes foi legado, para que elas reconheçam naquele
patrimônio um pedaço de suas histórias e de seus descendentes. As crianças ao
conhecerem o ofício da cantaria, considerando seu contexto sócio-cultural e sua trajetória
histórica, enxergam os monumentos de cantaria, como dotados de valor cultural. Assim,
quando se conscientizam sobre a importância de seu patrimônio, elas mesmas passam a
se identificarem como os sujeitos responsáveis por sua preservação.
Além de ensinar sobre a arte da cantaria, o projeto fundamentalmente visa a atender as
necessidades escolares das crianças da quarta série do ensino público. Auxiliá-las no
desempenho escolar, sanando suas dúvidas e complementando o conteúdo da sala de
aula. Nessa perspectiva, as crianças aprendem sobre um ofício e a importância de
preservá-lo, além de visualizar a aplicação das diversas disciplinas, como a matemática
na execução do ofício. São observadas comumente problemas na comunicação oral e
escrita. Com intuito de melhorar o desempenho nessas atividades são desenvolvidas
tarefas, atividades lúdicas como colagens de figuras e textos, caça palavras e redações.
Metodologia

O projeto Cultura, educação e arte para crianças envolve discentes, docentes, o Mestre
Canteiro Juca e o apoio da historiadora Simone Fernandes do IPHAN e onze crianças da
rede estadual e municipal de Ouro Preto.
No início dos anos sempre ocorrem reuniões com as professoras da quarta série do ensino
primário que se mostraram interessadas pelo projeto. Para estas, são apresentadas as
propostas e os objetivos do projeto. Elas indicam alguns de seus alunos, que durante um
ano fazem parte do ciclo de aulas do projeto. As atividades do projeto ocorrem em três
espaços: a sala de aula, a oficina de cantaria e a própria cidade de Ouro Preto.
As aulas ocorrem no Departamento de Minas da UFOP duas vezes por semana, com
carga horária de 2 horas aulas. Elas são oferecidas no turno da manhã e da tarde. As
crianças que participam do projeto ganham vales-transporte durante a semana para
locomoverem-se até o Campus da Universidade e assistirem as aulas. O tempo das aulas
é divido em duas etapas: no primeiro momento os graduandos de Engenharia Civil,
Engenharia de Minas, de Química e de História, que respectivamente ministram os
conteúdos relacionados à cantaria: desenho técnico (Flávia Fortes), mineralogia (Heloísa
Oliveira e Luciana Maria Góis), informática (Professor Dr. Carlos Alberto Pereira) e
História (Andréia Resende de Oliveira, Daniel Precioso, Denise Tedeschi, Tatiana da
Costa Sena). Na outra metade da aula - em média uma hora – são desenvolvidas
atividades lúdicas, que visam elucidar o conteúdo ensinado no dia, e também o auxílio
aos alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem e pesquisas escolares. Salienta-
se que as atividades lúdicas foram programadas com o intuito de entreter as crianças,
observar como elas assimilaram o conteúdo exposto, além de tentar sanar algumas
deficiências e dificuldades provindas da sua formação escolar. As atividades mais
comuns são redações sobre o tema ensinado no dia, brincadeiras, desenhos, pesquisas na
internet e jogos interativos.
É imprescindível destacar que o projeto prioriza o reforço escolar a fim de sanar as
deficiências comumente apresentadas pelas crianças. As deficiências do ensino público,
como a falta de infraestrutura, de qualificação dos professores, da qualidade das aulas e
da quantidade de alunos são alguns dos fatores determinantes para explicar a defasagem
na aprendizagem destas crianças. A dificuldade em se comunicar corretamente, tanto na
escrita quanto na fala são constantemente observados. Muitos dos alunos lêem e
compreendem com muita dificuldade. Para diminuir essas dificuldades foram aplicadas
atividades de leitura e escrita como a elaboração de textos, correção e leitura. O objetivo
é ensinar aos alunos que o domínio da língua é necessário para que compreendam o
mundo e a totalidade das informações nele produzidas(jornais, revistas, livros, etc.) Por
isso o domínio da língua torna-se uma questão de cidadania.
Já os conteúdos relacionados à arte da cantaria foram elaborados com o intuito de
resgatar o ofício de canteiro (em extinção) e despertar nas crianças a importância de
preservar o patrimônio ouro-pretano. A história, as técnicas, os canteiros, as construções
ouro-pretanas de cantaria são ensinadas durante todo o curso. Nas aulas de História as
crianças aprendem, principalmente, sobre a urbanização de Vila Rica ocorrida no século
XVIII, quando o ofício de canteiro é um dos principais do período, e são construídas as
Igrejas, chafarizes e pontes, principais monumentos arquitetônicos expressivos da
cantaria mineira. As crianças têm aulas sobre o Barroco Mineiro, aprendem sobre
artífices e artistas mineiros, como Aleijadinho, acompanham a trajetória histórica dessas
construções e da profissão de canteiro. São advertidos quanto ao estado de conservação,
tanto do patrimônio material -monumentos arquitetônicos- e imaterial da cantaria- o
ofício de canteiro. As aulas de informática oferecem algumas instruções básicas sobre
Word e a utilização da internet. Através da internet, de maneira lúdica, as crianças
aumentam suas conexões lingüísticas, geográficas, e interpessoais, através da interação
com inúmeros textos, imagens, pesquisas, conectando-se com os mais longínquos
espaços, culturas, idades e personalidades. A curiosidade e a visão crítica são
desenvolvidas pelas crianças durante a navegação.
As aulas de desenho técnico oferecem algumas instruções básicas para as crianças
criarem seus próprios desenhos, que posteriormente são utilizados na confecção de suas
próprias peças na oficina da cantaria. Nas aulas de mineralogia as crianças aprendem todo
o processo de extração das principais rochas da região utilizadas na cantaria. Elas
aprendem porque os artífices utilizavam a pedra-sabão e o quartzito para a ornamentação
e como parte estrutural de muitas construções do século XVIII em Ouro Preto.
Nas aulas, os graduandos utilizam-se de recursos audiovisuais. Há um acervo digital de
fotos e mapas que são usados durante a exposição dos conteúdos. Nas aulas procura-se
aproximar do cotidiano dos alunos, trazendo suas próprias experiências com a cidade, o
que torna as aulas mais interativas. É dessa forma, portanto, com base no que foi
aprendido anteriormente pelas crianças, integrando-as num processo ativo de
conhecimento de forma prazerosa e participativa, que os graduandos procuram ministrar
o conteúdo. É importante destacar, que paralelamente, as professoras da rede pública
desenvolvem com as suas crianças nas escolas trabalhos referentes ao patrimônio de Ouro
Preto e à cantaria.
Outro espaço utilizado é a Oficina de Cantaria, localizada no Campus da UFOP. Na
oficina, com o auxílio do Mestre canteiro Juca, as crianças conhecem os instrumentos do
ofício e são instruídas a produzirem suas próprias peças. Supervisionadas por Seu Juca,
conhecem todo o processo que envolve as etapas do ofício de canteiro.
As aulas na oficina acontecem paralelamente às aulas ministradas pelos graduandos.
Desse modo, as crianças, ao mesmo tempo em que vão descobrindo toda a história e as
técnicas da cantaria estão em contato com a execução do ofício.
Além da sala de aula e da oficina de cantaria, ocorrem também vistas guiadas com as
crianças ao patrimônio de Ouro Preto. Elas conhecem os principais museus, igrejas,
pontes e chafarizes. Geralmente ocorrem duas visitas em cada semestre. As visitas são
acompanhadas pelos bolsistas e pelo professor. Dr. Carlos Alberto Pereira. O objetivo das
excursões aos monumentos da cidade é apresentá-los às crianças. Na sala de aula e na
oficina, os alunos se integram sobre toda a história e técnica que envolve esses
monumentos, já nas visitas, interagem e estabelecem contato direto com esses bens
culturais.

Resultados e discussão

Desde 2002 o projeto desenvolve suas atividades com uma turma de onze crianças,
renovada a cada ano. São alunos da quarta série do ensino primário da rede pública. As
crianças durante um ano aprendem sobre o patrimônio da sua cidade, principalmente,
sobre a arte da cantaria. Elas conhecem e recebem noções da prática do canteiro, ofício
que se encontra em extinção. Além disso, paralelamente, elas recebem aulas de reforço
que contribuem para sanar algumas deficiências, principalmente na língua portuguesa.
Um dos resultados mais significativos do projeto foi o interesse das crianças pelo ofício
de canteiro. Muitas delas mostraram entusiasmo e dedicação em aprender o ofício com o
último Mestre Canteiro da região, Seu Juca. Com essas aulas práticas, as crianças
aprendem, como afirma o Mestre Juca, que qualquer ofício requer a calma e a disciplina
e que a arte da cantaria se dá de forma lenta, sendo preciso insistir até atingir a
perfeição de uma peça de pedra. Na execução das suas peças, as crianças também estão
desenvolvendo melhor sua capacidade de concentração, criatividade e suas habilidades
artísticas. Observou-se, que muitas delas se interessam em prosseguir e aperfeiçoar-se no
ofício de canteiro.
O projeto proporcionou aos alunos o contato com a informática. As crianças tiveram
acesso a internet e aprenderam a utilizá-la nas suas pesquisas escolares. Elas também
consultaram sites sobre Ouro Preto. Puderam observar, através dos outros recursos
audiovisuais- mapas, artigos de revistas e jornais - o estado de depredação do sítio
histórico ouro-pretano. A partir do conhecimento adquirido - através das aulas, da oficina
de cantaria e das visitas à cidade - sobre o seu patrimônio, do legado cultural contido
nele, os alunos despertam para a importância de valorizá-lo e preservá-lo, desenvolvendo
e estabelecendo laços de identidade com seu passado.
É importante ressaltar que as crianças envolvidas no projeto provêm das regiões
periféricas de Ouro Preto e em sua maioria não conhecem o patrimônio da cidade.
As políticas de patrimônio existentes, muitas vezes, não promovem diálogos com a
comunidade, principalmente com as áreas mais afastadas do centro histórico. O que
corrobora para o distanciamento e o desprezo dessas comunidades para com seu legado
patrimonial. Nessa perspectiva, percebeu-se que as crianças, ao participarem do projeto
passaram a cultivar ações de cidadania em relação à cidade de Ouro Preto. As visitas
guiadas tiveram papel importante nesse processo, pois proporcionaram o contato direto
com os principais museus e monumentos da cidade.
São elaboradas também atividades que visam suprir algumas das deficiências na
aprendizagem escolar. Alguns alunos eram repetentes, muitos apresentaram dificuldades
em se expressar tanto na fala quanto na escrita. Através de diálogos, foi possível detectar
que a maioria enfrentava problemas na esfera econômica, educacional, familiar e social.
Esses problemas contribuem para explicar o baixo rendimento escolar e também a baixa
estima. Identificada essa conjuntura são realizadas constantemente atividades lúdicas e
interativas, como a visita ao Campus da Universidade, na qual as crianças têm contato
com diversos campos do saber. Assim, como conseqüência, notou-se o entusiasmo das
crianças em prosseguir nos estudos e ter uma profissão. Além disso, são aplicadas
atividades como redações, leituras de textos, que tem contribuído para melhorar o
desempenho escolar.
Esse projeto também tem contribuído para a formação dos graduandos envolvidos. Estes
entraram em contato com a realidade de ensino da rede pública e as implicações que esta
vem acarretando na formação das crianças. Os bolsistas estão adquirindo experiência ao
ministrar aulas às crianças, pois além de, desenvolverem práticas pedagógicas, aprendem
a direcionar o conteúdo e lecionar as aulas para um público infantil.
Conclusões

A atuação do projeto Cultura, educação e arte para crianças tem fomentado boas
relações entre a Universidade, a Rede Pública de Ensino e a comunidade local. É um
processo de reciprocidade entre todas as partes envolvidas, pois a Universidade é levada à
Comunidade e esta é também trazida para dentro da Universidade. Também entra-se em
contato com a realidade escolar da rede pública, o que promove debates e reflexões e a
possível aplicabilidade das teorias discutidas dentro da Universidade ao contexto da
diversidade cultural e social dos sujeitos envolvidos – as crianças.
Para que a Universidade se apresente mais próxima da sociedade na qual está inserida, é
preciso superar a dicotomia entre a teoria e a prática. Entendendo a função social da
Universidade, a extensão, como um dos tripés da Universidade, ao lado do ensino e da
pesquisa, contribui-se para o encurtamento da distância entre a Universidade e a
sociedade. Como enfatiza Santos “se faz necessário incitar nos indivíduos a
aprendizagem sobre a convivência com o diferente e o diferenciado e fundamentalmente
a processar o exercício da liberdade de seres e tornar sujeito humano, de um determinado
tempo, para além dos muros da Universidade” (SANTOS, 1995). Nesse sentido, o projeto
tem atuado na conscientização do exercício da cidadania por parte dos graduandos
envolvidos.
Portanto, os projetos de extensão têm como principal meta ir de encontro à comunidade,
oferecendo-a acesso ao conhecimento produzido na Academia.
A oficina de cantaria para crianças vem alcançando bons resultados. As crianças em
contato com o trabalho artesanal, com as aulas em diversas áreas e o reforço escolar
oferecido, elevaram sua auto-estima e conseguiram melhoras no desempenho escolar.
Através da cantaria, estão conhecendo melhor o patrimônio que os rodeiam e rompendo
com a indiferença em relação a ele. Ao mesmo tempo levam lições de preservação para
dentro de casa.
O auxílio nas pesquisas escolares também tem contribuído para a melhoria no
desempenho escolar e para acrescentar conhecimento, visto que a maioria não desfruta de
bibliotecas próximas as suas casas e muitas vezes não tem ninguém para ajudá-las.
Com as atividades na oficina, muitas pensam em se tornar artesãs para futuramente
contribuírem na conservação e restauração dos bens da cidade. As crianças demonstraram
também entusiasmo ao conhecer a Universidade e ampliam os laços com essa instituição.
Em resposta ao entusiasmo das crianças que participam e das que já participaram da
oficina, futuramente um de nossos objetivos é estender o projeto para outras séries
(atualmente o projeto atende somente alunos da quarta série do ensino básico), visto que
muitas, gostariam de prosseguir na oficina. Estamos planejando parcerias com empresas
locais e financiamento junto a órgãos de fomento de pesquisa universitária para
ampliarmos a sala de aula, comprar computadores e outros equipamentos.
São promovidas também as divulgações dos trabalhos feitos pelas crianças nas oficinas e
nas aulas recreativas. São montados nas escolas, exposições itinerantes com poesias,
textos, desenhos, fotos, e peças em cantaria feita por elas. As exposições são seguidas de
palestras proferidas pelos bolsistas a toda escola, sobre a cantaria e o patrimônio cultural
de Ouro Preto. Na Universidade também acontecem essas exposições, como a realizada
no primeiro semestre de 2005 no Departamento de Minas da UFOP, com painéis de
desenhos e peças feitos na oficina de cantaria.
O projeto atua há três anos, mas ainda há muito a se fazer. Estamos satisfeitos com os
resultados já alcançados. O projeto tem obtido sucesso ao proporcionar novos
conhecimentos e o surgimento de novas atitudes de cidadania, através do aprendizado
artístico/ artesanal como meio de expressão e conhecimento, permitindo as crianças
atuarem socialmente e de maneira construtiva na configuração de sua realidade.

Referências Bibliográficas

PENALVA, Gastão. O Aleijadinho de Vila Rica, Renascença Editora, Rio de Janeiro,


1933, 466 p.

SANTOS, Boaventura Souza. Pela Mão de Alice - Social e Político na Pós-


Modernidade. São Paulo: Cortez, 1995.

SILVA, Fabiano Gomes da. O caminho das pedras: canteiros de Vila Rica no século
XVIII, a partir de inventários post-mortem e testamentos. In: XI SEMINÁRIO DE
INICIAÇÃO CIENTIFICA DA UFOP. Ouro Preto: UFOP, 2003.

VASCONCELOS, Sylvio de. Arquitetura no Brasil: sistemas construtivos. Belo


Horizonte: UFMG, 1979.

VASCONCELOS, Sylvio de. Vila Rica: formação e desenvolvimento – residências. São


Paulo: Perspectiva, 1977.

VILLELA, Clarisse Martins. Critérios para seleção de rochas na restauração de


cantaria. [Mestrado] Escola de Minas,Universidade Federal de Ouro Preto, 2003.