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Apontamentos

Titulo: A Arte de Entrevistar.

Autora: Barbara Walters.

Ediçao: Editora Novo Conceito. Outubro de 2009.


TOPICOS: Tecnica de reportagem:

“Obviamente que se voce a acompanha em todos os eventos e e a


observar de perto, com os seus prorios olhos, sera muito mais capaz de
fazer um trabalho de reportagem de melhor qualidade”.

Pag. 16.

“Quando um jornalista esta em perigo, geralmente ele perde qualquer


medo. (…) Por determinados periodos voce coloca sua vida real de lado –
ou talvez aquela que seja a sua vida real”

Pag. 46.

“Nada e mais importante para um jornalista que uma agenda cheia de


numeros de telefones e uma serie sem fim de pessoas que conhecem e
gostam de voce”,

Pag. 99

Na Hora de narrar a historia

Ao reporter de Crime, mais do que o de Cultura ou Desporto, e exigi-se


que seja um profissional extremamente exigente consigo mesmo e
detentor de um faro aguçado que lhe permita escolher o que deve ser
descartado no ambito da pirame de invertida e o que deve ser deixado por
fim.
Certo dia, estava eu a acompanhar a paginaçao de um texto de economia
no jornal OPAIS, enquanto aguardava para ser feito o mesmo com a minha
reportagem, quando o paginador informou ao Luis Faria que havia
necessidade de cortar um dos textos porque estaba grande. Nao cabia na
pagina. O Luis respondeu, sem pestanejar, pode cortar o ultimo paragrafo.
Se e o ultimo e justamente por ser o mesno importante da historia.

Ate hoje essa explicacao vem a minha mente sempre que estou a narrar
uma historia, mas nao foram poucas as vezes que li ou editei textos em
que o principal elemento noticiou-se estava perdido no meio ou no fim da
historia. Isso demonstra, muitas vezes, a falta de faro tanto do reporter
como do editor. Deste ultimo ainda mais por ser a pessoa que tem o poder
de auxiliar o reporter na escolha do melhor angulo de ambordagem,
sempre que chega de uma reportagem. Nao importa se e um reporter
senior, junior ou estagiario, o editor tem de fazer isso.

Fiz varias vezes este exercicio com os meus editores e directores e sempre
resultou em trabalho formidavel, ate porque poupava o trabalho deles de
terem que revirar o meu texto porque deixei o mais importante para o fim.

E importante que o reporter de crime nunca deixe de aprofundar as


tecnicas de reportagens tendo em atençao que alem do talento, e um
pouquinho de sorte, se assim podemos considerar, foi preciso entrega
total e dedicaçao para jornalista norte-americana Barbara Walters
prolongar o contrato de trabalho de 30 semanas que lhe havia sido
oferecida pela estaçao televisiva norte-americano NBC por 30 anos1.

A presistencia e outra qualidade que deve acompnahar todos aqueles que


inveredam por esta profissao. Por vezes enviamos carta a varias
instituiçoes ou pessoas solicitando que nos seja concedido uma entrevista
ou autorizaçao para fazermos uma reportagem num local de dificil acesso,
como no interior de um estabelecimento prisional e nao somos
respondido. Por vezes ate, ha informaçoes muito simples, mas relevantes
para o nossa trabalho, que solicitamos, como por exemplo, um balanço
sobre a quantidade de droga apreendida num determinado periodo ou de
traficantes presos pelos orgao de defesa e de segurança mais as

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Pag. 27.
autoridades de direito ou fazem de conta que nao leram a nossa carta ou
vetam o pedido. Poucos sao os casos em que respondem formalmente,
ainda que declinando o convite. Esta atitude nao ocorre apenas em
relaçao as empresas de comunicaçao social. O jurista e escritor Jose Carlos
de Almeida teve a corragem de registar para sempre esta postura de
muitos gestores de empresas publicas e privadas na sua obra “Amor ao
Proximo: Lingua Portuguesa e Educaçao”, por ter passados por situaçoes
semelhantes.

“Situaçao esta que me leva a concluir que, de uma maneira geral, estamos
muito mal em termos de educaçao e organizaçao administrativa nao so
nas escolas, mas tambem nas instituiçoes e nas empresas publicas e
privadas”2.

Barbara Walters deve sevir de exemplo de persistencia para todos os


profissionais deste ramo, quer seja os que ja tem alguns anos de estrada
como os que estao prestes a iniciar. Conta ela que escreveu, por anos e
anos, incontaveis cartas tentando conseguir que a princesa Grace Kelly,
mulher do principe Rainier, do minusculo principado na Rivieira Francesa,
lhe concedesse uma entrevista. Dez anos depois do seu casamento,
conseguiu assim aquilo que veio a ser a primeira entrevista da princesa `a
televisao, desde o casamento3.

A arrogancia de que o reporter tambem nao deve ficar muito tempo a


espera da fonte tambem deve desaparecer. Se quiseres ter maior
aproximaçao com as fontes e teres informaçoes exclusivas deves
necessariamente cultivar a paciencia em aguardar pelas fontes, quer seja
em actividades convocadas por ela quer seja por uma solicitaçao feita por
si. A que aguardar.

Uma das primeiras pessoas que me transmitiu esta liçao pratica sobre a
relevanciar de ser paciente com a fonte ao ponto de esperar o dia todop se
for necessario foi o jornalista Antonio Freitas, na altura Chefe de Redacçao
e editor de Economia do Semanario AGORA. Regressava de uma
reportagem a lamentar o facto de um dado ministro dos Transportes ter
2
ALMEIDA. Jose Carlos. Amor ao Proximo: Lingua Portuguesa e Educaçao. 2015. Pag. 30.

3
WALTERS. Barbara. A Arte de Entrevistar. Editora Novo Conceito. Outubro de 2009. Pag. 40.
marcado uma conferencia de imprensa para as 15 e a mesma so
aconteceu duas ou tres horas depois. Antonio Freitas, num tom ironico,
contou que uma vez passou o dia todo a aguardar por uma entidade com
quem havia agendado previamente uma entrevista para o periodo da
manha, mas o mesmo so a concedeu no final do dia por força da sua
agenda de trabalho. O jornalista, ja galardoado com os extintos premios
Kianda de Jornalismo Economico e Maboque, este ultimo a maior
distinçao feita aos profissionais da classe em Angola na epoca, ficou mais
de oito horas a aguardar pela entrevista. Dizia ele que valeu apenas
esperar porque as informaçoes que o entrtevistado passou resulatram
numa grande manchete e sucesso de vendas daquela ediçao do jornal
AGORA.

Devemos aqui reconhecer tambem que, por falta de uma melhor


organizaçao das redacçoes, muitas vezes as autoridades ficam sem tempo
para reunirem as informacoes que os jornalistas solicitam dentro dos
prazos previamente definidos. As cartas sao enviadas demasiadas tarde.

Ha necessidade de os editores e chefes de redacçao melhor se


organizarem neste quisito, pois existem materias que podem ser
programadas com bastante tempo de antecedencia, concedendo assim a
possibilidade de as fontes, quer sejam instituiçoes publicas e perivadas,
estarem devidamente preparadas para concederem a entrevista ou
fornecerem os seus relatorios. Ao que nos parece, alguns gestores optam
por nao atenderem de imediato ao pedido dos jornalistas, mesmo tendo
possibilidade de faze-lo na hora com receio de vir a ser mal intrepretado
pelos seus superiores hiararquico.

Nao tem sido poucas as vezes que eles ou os seus porta-vozes confessam
que tem toda a informaçao que lhes e solicitada, mas que carecem de
autorizaçao superior, do ministro tal, do PCA ou de Director.

Ofertas no decorrer dos julgamentos

Tal como acontece com os magistrados judiciais, os jornalistas que cobrem


casos de crimes deviam ser proibidos por lei ou pelas redacçoes de
receberem oferta de qualquer presente por parte de um dos implicados
nos caso de que esteja a seguir. Quer seja durante o tempo que estiver a
decorrer as investigaçoes policias como no julgamento de primeira
instancia. Julgo que, se nao for exagero, esta regra deveria ser aplicada ate
durante o tempo que o processo estiver sob recurso no Tribunal Supremo
ou no Tribunal Constitucional, de modo a nao por em causa a
imparcialidade.

No nosso ponto de vista, enganam-se os profissionais que dizem que a


oferta de um presente por uma das partes, seja em valor monetario ou em
bem material, nao poem em causa a sua imparcialidade ou reputaçao.

Nos EUA, por exemplo, nenhuma estaçao televisiva permite que os


membros da sua equipa de jornalismo aceitem presentes. A jornalista
Barbara Walters teve que se explicar publicamente sobre um relogio
Cartier que lhe havia sido oferecida pelo antigo embaixador do Irao nos
EUA Ardeshir Zahedi, de que era muito amigo, por ocasiao do seu
aniversario. Na altura em que lhe havia sido entregue tal presente, ela
negou, enviado uma carta ao remetente a explicar as razoes da recusa.

Fez, na ocasiao, dois exemplares da mensagem: uma ficou com ela e outra
enviou ao chede do departamento de noticias da estaçao televisiva NBC,
onde trabalhava.

Segundo ela, nao passou muito tempo depois e o embaixador foi deposto,
em 1979, e o seu substituito acusaram os jornalistas norte americano de
aceitarem suborno e so se safou por ter provado que recusara o relogio 4.

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WALTERS. Barbara. A Arte de Entrevistar. Editora Novo Conceito. Outubro de 2009. Pag. 100.