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Preparo de Amostra: Instrumentação: Abertura, Digestão, Decomposição

A amostragem é o conjunto de operações com as quais se obtém, do material em estudo,


uma porção bastante pequena, de tamanho adequado para realizar a análise no laboratório, mas
que ao mesmo tempo represente todo o conjunto da amostra. (Skoog)
Uma amostra e tida como homogênea quando qualquer porção é representativa e como
heterogênea quando pode apresentar composição diferente em porção retirada ao acaso.
As principais etapas que um analista deverá levar em conta ao analisar uma amostra são:
definição do problema, escolha do método, amostragem, pré-tratamento da amostra e
separação, medida, calibração, avaliação e ação. (Skoog)
Dissolução da amostra, significa que a amostra sólida, líquida ou gasosa é dissolvida em
líquidos adequados a baixas temperaturas. A dissolução corresponde à transformação direta da
amostra em uma solução, envolvendo ou não uma reação.
A extração consiste na separação de uma substância de uma matriz, inclui extração líquido-
líquido e extração em fase sólida.
Abertura, Digestão, Decomposição: consiste na conversão dos componentes de uma
amostra em uma forma mais simples com transformação química.
Abertura (Decomposição por Via Seca)
 A fusão é a decomposição de materiais inorgânicos que ocorre em elevadas
temperaturas, mas à pressão ambiente. A amostra é colocada em um porta amostra
geralmente de porcelana ou platina (cadinho) e a queima é realizada na presença de um
fundente (qualquer substância química que abaixa o ponto de fusão de outra substância
a que é adicionada) como por exemplo hidróxidos de metais alcalinos, carbonatos e
boratos. E feita em fornos muflas possuem faixas de trabalho que variam de 200°C a
1400°C..E ao final do processo obtém-se como produto óxidos ou carbonatos dos
analitos. A fusão e utilizada quando se deseja determinar o componente majoritário da
matriz e tem como principal vantagem a eficiência para o preparo de amostra geológicas
de difícil solubilização em ácidos e pode ser aplicada para grandes quantidades de
amostras.E tem como desvantagem o tempo que o processo demanda se comparado a
outros métodos ,requer a utilização de fundente que pode acarretar na contaminação da
amostra comprometendo a exatidão da análise e não é recomendado para amostras
voláteis .
 A combustão é a decomposição de materiais orgânicos em que a queima da amostra é
feita pelo oxigênio do ar, e o ar atua como agente oxidante. A utilização de aditivos é
feita durante a queima para evitar a perda de espécies voláteis. A combustão pode ser
realizada em fornos muflas, micro-ondas ou frascos de combustão de oxigênio. O
produto dessa queima é um resíduo inorgânico conhecido como cinza constituído de
óxidos, silicatos, fosfatos ou sulfatos dos analitos e que são solúveis em ácidos diluídos.
A combustão tem como vantagens a aplicação a grandes quantidades de amostra, não
necessita de reagentes além do oxigênio do ar, o que reduz contaminações. E apresenta
como desvantagens dependendo de como for realizado o processo a perda de amostra,
não é recomendada para amostras voláteis.
Digestão (Decomposição por Via Úmida)
Chamada de Decomposição Oxidativa a digestão consiste na decomposição de compostos
orgânicos e inorgânicos em seus elementos constituintes empregando ácidos minerais e
aquecimento.
 Ácido perclórico (HClO4): possui alto poder oxidante reagindo violentamente com
material orgânico, deve ser usado combinado com outros ácidos evitando assim a
formação de percloratos instáveis que são em sua maioria responsáveis por explosões.

 Ácido sulfúrico (H2SO4): alto poder oxidante, mas a cinética da reação com a amostra
é lenta, é geralmente usado com outros ácidos para acelerar a reação.

 Ácido fluorídrico (HF): é um ácido moderado, que tem como maior propriedade sua
facilidade em atacar materiais silicatos, em contato com a pele, ele produz queimaduras
graves e extremamente dolorosas, devido ao tamanho pequeno de sua molécula,
percorre os tecidos vivos, penetrando a pele e demais tecidos até atacar o tecido ósseo.

 O ácido nítrico (HNO3): possui um poder de oxidação moderado, podendo ser usado em
altas temperaturas, é o ácido mineral mais empregado pois suas soluções podem ser
encontradas com elevada pureza e os produtos das suas reações em sua maioria são
solúveis em meio aquoso.
A reação de decomposição, pode ser realizada tanto em frascos abertos como em frascos
fechados.
 Quando realizada em frascos abertos, além dos ácidos as digestões necessitam do
emprego de banhos termostatizados (equipamento utilizado para promover aquecimento
e refrigeração controlados em líquidos com agitação ou sem, garantindo precisão nas
temperaturas), chapas de aquecimento e blocos digestores (equipamento utilizando para
acelerar ou promover reações químicas a altas temperaturas). A principal vantagem da
digestão em frasco aberto é a aplicação a todos os tipos de amostras, exceto aquelas que
contêm compostos refratários, permitindo o uso de quantidades flexíveis de amostra. E
tem como desvantagem a exigência de supervisão constante do analista, consome
grandes quantidades de reagentes geralmente demora horas favorecendo a perda de
analitos voláteis.
 A digestão em frasco fechado é realizada em bombas de alta pressão equipamentos que
utilizam energia micro-ondas como fonte de calor. As principais características deste
procedimento são a aplicação a todos os tipos de amostras, incluindo aquelas que
possuem compostos refratários( é um material que é resistente ao calor e ao ataque por
agentes químicos fortes),menor tempo de analise ,pequeno consumo de reagentes o que
reduz as contaminações ,perdas de analitos voláteis praticamente desprezível .Tem
como desvantagem apenas a utilização de massas de amostras normalmente pequenas
visto que todo o processo ocorre dentro de um frasco fechado.
A escolha apropriada entre os vários métodos de preparação de amostras pode ser o aspecto
crítico no sucesso de uma análise.
Referências:
Skoog, West, Holler, Crouch, Fundamentos de Química Analítica –Editora Thomson – 8 edição
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2240742/mod_resource/content/1/PREPARO%20D
E%20AMOSTRAS.pdf
http://www.ufjf.br/baccan/files/2011/05/Aula-9-Preparacao-de-Amostras.pdf
https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/7381/3/3-AmostPrep.pdf
A “TRAGÉDIA DA HEMODIÁLISE
A insuficiência renal crônica é caracterizada pela perda funcional dos rins em realizar suas
funções de eliminar através da urina as substâncias tóxicas, excesso de água e sais minerais do
organismo.
A hemodiálise substitui as funções dos rins, mediante a passagem do sangue por membranas
semipermeáveis que filtram os produtos indesejáveis, para esse procedimento é necessário
acesso vascular para que o sangue seja levado do corpo do paciente à máquina de diálise e desta
para o corpo, são em geral realizadas três vezes por semana em sessões com duração média de
3 a 4 horas, com auxílio de uma máquina em clínicas de hemodiálise.
Todas as substâncias de baixo peso molecular presentes na água vão ter acesso direto à
corrente sanguínea do paciente, levando ao aparecimento de efeitos adversos, muitas vezes
letais. Por essa razão, é muito importante que a pureza da água utilizada para diálise seja
conhecida e controlada.
Pacientes com insuficiência renal crônica que estão em tratamento, o consumo de água fica
em 10 litros/semana ou 40 litros/mês por paciente.
Entre 13 e 17 de fevereiro de 1996, em Caruaru (PE), 126 pacientes renais crônicos que eram
submetidos ao tratamento de hemodiálise no Instituto de Doenças Renais (IDR) foram
intoxicados gravemente. Os pacientes apresentavam sintomas como vômito, problemas
hepáticos e de visão. Pelo menos 60 destes pacientes morreram em virtude de insuficiência
hepática aguda provocada pela intoxicação.
A identificação do agente causador das intoxicações não foi rápida. Inicialmente, desconfiou-
se de hipercloração da água utilizada, que era trazida por caminhões pipas; em seguida
buscaram-se evidências de resíduos de agrotóxicos na mesma água, na área da barragem de
onde era retirada, é praticada agricultura com uso intenso de agrotóxicos, leptospirose, infecção
por bactérias ou vírus.
O agente causador das intoxicações foi identificado pela profa. Dra. Sandra Azevedo,
Coordenadora do Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ): a presença de microcistina-LR na água usada pela clínica IDR, uma toxina
produzida por algas azuis microscópicas, as cianobactérias - assim chamadas por terem
estrutura semelhante às bactérias. Uma quantidade muito grande destas toxinas foi encontrada
nos filtros de carvão ativado do IDR que, por estarem saturados, agravaram o grau de
intoxicação.
Em virtude do racionamento na cidade, a água usada pela clínica para a hemodiálise foi
retirada da barragem do Rio Tabocas, em Caruaru, levada em carros-pipas e despejada nos
tanques da instituição. Essa prática era comum na cidade, sendo o cloro adicionado pelos
próprios motoristas, que utilizavam medidores precários, sem precisão.
Conhecidas popularmente como algas verdes e azuis, as algas Cianofíceas da espécie
Microcysti aeruginosa, a microcistina-LR é uma molécula pequena, composta por sete
aminoácidos, atua promovendo uma alteração na estrutura do esqueleto celular causando
disfunção, ou seja, modifica a arquitetura e consequentemente a função das células do fígado.
As condições favoráveis para o desenvolvimento da cianobactéria são água com temperatura
entre 15 a 30ºC, presença de vento suave, pH neutro a alcalino (entre 6 a 9), presença de
nutrientes contendo nitrogênio e fósforo. A liberação das toxinas ocorre quando a cianobactéria
envelhece, morre ou a água foi tratada com sulfato de cobre. A quantidade de água ingerida
para provocar a morte depende da concentração da toxina, da quantidade de cianobactéria.
As principais técnicas utilizadas para analisar as cianotoxinas, em especial a microcistina,
são: a cromatografia líquida, o método de imunoadsorção ligado à enzima ELISA (Enzyme-
Linked ImmunoSorbent Assay) a eletroforese capilar
A estratégia para controle da contaminação do sistema de hemodiálise deve incluir a
desinfecção dos componentes como um todo, ou seja, a rotina de desinfecção nos tanques,
tubulações e máquinas deve ser realizada a um só tempo para que se considere a desinfecção
eficaz.
Os processos de tratamento para a retirada das algas do meio aquático: Carvão ativado em
pó, Osmose reversa, Ozonização, Permanganato de potássio, Radiação ultravioleta, Cloração
para atingir um pH igual a 5.
A presença de cianobactérias em águas de consumo humano e em águas usadas em
hemodiálise implica em sérios riscos à saúde pública.
Em se tratando de serviços de hemodiálise, esse tipo de monitoramento e controle da água,
torna-se condição indispensável para garantir a ausência de risco de intoxicações de pacientes
em tratamento renal.
Referências:
FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE (Brasil). Cianobactérias tóxicas na água para o
consumo humano na saúde pública e processos de remoção em água para consumo humano.
Brasília, DF: Ministério da saúde, 2003.
http://www.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2003/180603.htm;
http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto cfm?idtxt=21296,acesso em 02 de
outubro de 2019
Câmara Neto, H.F. A “Tragédia da Hemodiálise”12 anos depois: poderia ela ser evitada?
Recife: Centro de Pesquisas Ageu Magalhães/Fundação Oswaldo Cruz. Tese de doutoramento.
2011. Disponível em http://www.cpqam.fiocruz.br/bibpdf/2011camaraneto-hf.pdf; acesso em
02 de outubro de 2019.
https://www.arca.fiocruz.br/xmlui/handle/icict/10659
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/roteiropedagogico/publicacao/787_Agua_de_C
aruaru.doc
Robert Wilhelm Eberhardt Bunsen, (1811-1899)
Nasceu em Göttingen, Alemanha, 31 de março de 1811, e morreu em Heidelberg, Alemanha,
16 de agosto de 1899.
Bunsen entrou na universidade, onde estudou Química, Física, Mineralogia e Matemática,
recebeu seu doutorado em 1830 com 19 anos de idade, apresentando uma tese em Física.
De 1830 a 1833, Bunsen viajou pela Europa Ocidental onde durante estas viagens, teve
contato com grandes cientistas.
De volta à Alemanha, tornou-se professor na Universidade de Gottingen. Bunsen nunca se
casou; suas aulas e pesquisas, consumiram a maior parte do seu tempo, viajava frequentemente
sozinho ou com seus amigos. Nas suas pesquisas e em seus ensinamentos, Bunsen enfatizou o
lado experimental da ciência, ele desenhava aparelhos e também desenvolveu e melhorou várias
peças de equipamento de laboratório, incluindo o Queimador Bunsen, a bateria Bunsen, um
calorímetro de gelo, um calorímetro de vapor, uma bomba filtro e uma termopilha.
Tinha amplos interesses científicos, fez algumas pesquisas iniciais em química orgânica,
porém o seu trabalho mais importante foi o desenvolvimento de uma variedade de técnicas de
análise para identificação, separação, e medição de substâncias inorgânicas. Ao longo de sua
vida deu muita atenção à geologia. Ele foi também interessado na aplicação da ciência
experimental à problemas industriais.
Em 1834 começou a estudar a insolubilidade dos sais metálicos do ácido arsênico, Bunsen
descobriu que óxido férrico hidratado pôde ser usado como um antídoto para o envenenamento
com arsênico. O óxido férrico é efetivo, ele explicou, porque este combina com o arsênico para
formar arsenita, um composto insolúvel em água e outros fluidos.
Em 1835 e 1836 Bunsen trabalhou com medidas de cristal de uma nova série de duplos
cianetos, mostrando, que ferrocianeto de amônio e ferrocianeto potássio são isomorfos, ele
também descobriu o duplo sal de ferrocianeto de amônio e cloreto de amônio.
Bunsen quase morreu de envenenamento por arsênio. Perdeu também parte da visão de um
olho por conta de uma explosão que projetou um fragmento de vidro no seu olho.
Desenvolveu métodos para o estudo dos gases enquanto estava investigando a produção
industrial de ferro fundido na Alemanha. Ele reuniu sua pesquisa sobre o fenômeno dos gases
no seu único livro, "Gasometrische Methoden" (1857). Dividiu seu livro em seis partes, Bunsen
apresentou métodos de coleta, preservação e medição de gases; técnicas de análise; novos
processos para determinação da massa específica dos gases; resultados de investigações sobre
absorção de gases em água e álcool, utilizando um absorvimento que ele mesmo tinha
desenvolvido; e resultados de experimentos sobre difusão gasosa e combustão. Sobre o
problema de absorção gasosa, Bunsen auxiliado por vários estudantes, mostrou os limites
experimentais dentro dos quais a Lei de Henry de pressão e a Lei de Dalton de pressões parciais
são válidas.
Bunsen fez alguns melhoramentos na bateria galvânica. Em 1841 fez uma bateria,
conhecida desde então como bateria Bunsen, com carbono, ao contrário das mais caras de
platina ou cobre (com polo negativo). Para prevenir a desintegração do polo de carbono por
eletrólise de ácido nítrico, ele tratou o carbono, com uma mistura de carvão e coque, a alta
temperatura.
Para obter os calores específicos de elementos raros, Robert desenvolveu um calorímetro
de gelo sensitivo que media o volume além da massa de gelo derretido e requeria unicamente
uma pequena amostra do metal. Daí os calores específicos, os pesos atômicos destes elementos
e as fórmulas de seus componentes eram calculadas.
Entre 1852 e 1862 Bunsen colaborou com Roscoe na pesquisa fotoquímica envolvendo a
combinação química de volumes iguais de hidrogênio e cloro quando eles eram iluminados.
Eles determinaram que a energia da luz irradiada pelo sol em um minuto é equivalente à energia
necessária para a conversão de 25.1012 milhas cúbicas de uma mistura de hidrogênio-cloro em
cloreto de hidrogênio.
Durante a década de 1850, ele aperfeiçoou o queimador, que já havia sido inventado por
Michael Faraday em 1885. Hoje é conhecido como queimador de Bunsen ou bico de Bunsen.
Bunsen usou seu queimador para identificar metais e seus sais pelas características de suas
chamas coloridas. Outros experimentos com o bico originaram dados para determinar ponto de
fusão e taxa de volatilidade de sais.
Na década de 1860 Bunsen e Kirchhoff trabalharam juntos para desenvolver o campo da
espectroscopia. A análise espectral permitiu a Bunsen e Kirchhoff o anúncio em 1860 de um
novo metal alcalino, césio, detectado em algumas gotas de resíduos alcalinos de uma análise de
água mineral obtida de Durheim. O elemento foi chamado césio (do latim CESIUS, "céu azul")
por causa de suas linhas de espectro azul brilhante. Sais de césio tinham sido previamente
confundidos com compostos de potássio. No ano seguinte o elemento rubídio (do latim
RUBIDUS, "vermelho escuro") foi detectado do espectro de alguns grãos do mineral lepidolita.
Em 1862 teve sucesso no isolamento de rubídio metálico por aquecimento de uma mistura
de carbonato e carvão de lenha. Durante os anos que se seguiram, vários outros elementos foram
identificados por métodos de espectroscopia: tálio (Crookes, 1861), índio (Reich e Richter,
1863), escândio (Winkler, 1886).
Foi responsável por uma variedade de trabalhos adicionais. Em 1853 ele trabalhou em
métodos para separação de vários metais- paládio, rutênio, irídio e ródio- que permanecem em
minérios depois da extração da platina. Como parte deste projeto Bunsen construiu uma Bomba
Filtro para lavar precipitados.
Bunsen aposentou-se com 78 anos de idade, mudou o foco de seu trabalho exclusivamente
para a geologia e mineralogia, um interesse que tinha levado ao longo de sua carreira. Morreu
em Heidelberg, aos 88 anos de idade. Está sepultado no Bergfriedhof.

Referências:
https://de.wikisource.org/wiki/ADB:Bunsen,_Robert> Acesso em 04⁄10⁄19
https://brasilescola.uol.com.br/biografia/robert-wilhelm.htm> Acesso em 04⁄10⁄19
https://www.soq.com.br/biografias/bunsen/>Acesso em : 04⁄10⁄19
http://www.fem.unicamp.br/~em313/paginas/person/bunsen.htm> Acesso em : 04⁄10⁄19
Determinação de ferro em amostra das águas do Rio Paraibuna por espectrofotometria
UV-VIS:
A água é um recurso natural imprescindível para existência humana, assim como para a
manutenção dos ecossistemas do planeta, por isso é importante manter a qualidade nas bacias
hidrográficas. Devido ao aumento populacional e o contínuo desenvolvimento econômico,
poluição e o uso não racional, a qualidade da água está sendo comprometida.
É necessário determinar diversos parâmetros para caracterizar uma água, os quais predizem
suas características físicas, químicas e biológicas. Esses parâmetros possuem limites
estabelecidos para determinado uso, e quando esses limites são ultrapassados constituem
impurezas. Os mais importantes são: temperatura, sabor e odor, cor, turbidez, sólidos em
suspensão e sólidos dissolvidos, condutividade elétrica, pH, dureza, cloretos, ferro e manganês,
nitrogênio, fósforo, fluoretos, OD, matéria orgânica, demanda bioquímica de oxigênio (DBO),
demanda química de oxigênio (DQO), componentes orgânicos e inorgânicos, coliformes.
(Resolução nº357 CONAMA).
Alguns fatores que alteram a qualidade da água são os poluentes orgânicos biodegradáveis,
poluentes orgânicos refratários (agrotóxicos, detergentes, etc.), metais, nutrientes, dentre
outros.
O Rio Paraibuna, cuja nascente é no município de Antônio Carlos, no Campo das Vertentes,
atravessa a cidade de Juiz de Fora por mais de 20 km. É o maior afluente em volume de água
do Paraíba do Sul, importante rio da região sudeste do Brasil, e tendo grande importância por
ser o principal receptor dos efluentes gerados na região de Juiz de Fora.
A cidade de Juiz de Fora possui uma longa tradição industrial, merecendo destaque a
existência de curtumes e de metalúrgicas que há décadas despejam efluentes sem tratamentos
adequados nos córregos e rios da região.
A presença de ferro nas águas apesar de não ser tóxico, compromete a qualidade da água,
uma vez que confere cor e sabor provocando manchas em roupas e utensílios sanitários.
Uma forma de determinação da concentração de ferro em água ocorre por espectrofotometria,
por ser um método rápido e simples. A espectrofotometria na região ultravioleta e visível (UV-
Vis) baseia-se na capacidade de absorção dos grupos absorventes que estão presentes nos
compostos. Quando uma fonte de radiação eletromagnética incide sobre a amostra, parte dessa
radiação incidente é transmitida, outra parte é absorvida e outra é refletida.
Com isso, é possível obter dados de absorvância ou transmitância em função do comprimento
de onda. O gráfico que relaciona estes dados é chamado de espectro de absorção ou de espectro
de transmissão, dependendo do dado que está relacionado com o comprimento de onda, no
primeiro caso utiliza-se a absorvância e no segundo caso, a transmitância. É possível a
utilização espectro como forma de identificação de uma espécie química, visto que cada
espectro é único.
No caso do Ferro, o comprimento de onda é 510 nm, o qual é utilizado para medir as
concentrações das amostras
Os cátions Fe2+ e Fe3+ não absorvem radiação na faixa do UV-Vis, portanto, é necessária
uma etapa de conversão em espécie absorvente para que o elemento absorva radiação nesta
faixa espectral. O Fe2+ ao reagir com íon tiocianato forma um complexo colorido com máxima
absorção em 510 nm.
Considerando a hipótese de que é possível identificar o grau de poluição em diferentes pontos
do rio Paraibuna, a seguinte estratégia de amostragem foi aplicada: coletar amostras de águas
em regiões pré-determinadas no curso do rio, as amostras foram filtradas e armazenadas em
garrafas de plásticos e ainda em campo, foram acidificadas com HCl concentrado a fim de
preservar as características da água em questão. A acidificação é utilizada na análise de ferro
com a finalidade de diminuir a adsorção na parede do recipiente de estocagem e diminuir
também a atividade biológica. A coleta e a preservação das amostras devem ser realizadas
conforme recomendações internacionalmente aceitas.
O ferro foi determinado espectrofotometricamente, utilizado um espectrofotômetro de
absorção molecular UV-visível equipado com célula de caminho óptico de 1,0 cm. Foi
empregado um comprimento de onda de 510 nm para a determinação e o software para
aquisição de dados. Um branco deve ser realizado em paralelo com as amostras e padrões para
zeragem do espectrofotômetro.
A concentração de ferro em mg Fe/L deve ser lida diretamente na curva-padrão. A precisão
depende do método utilizado para coleta e armazenamento da amostra, da concentração do
ferro, da presença de interferentes que dão cor, turbidez e íons estranhos. Em geral, as medições
fotométricas em condições ótimas podem ter uma variação de 1%.
No caso de diluições da amostra, corrigir o resultado final com o fator de diluição
correspondente.
O ferro férrico (Fe3+) pode ser calculado pela diferença entre o ferro total e o ferro ferroso
(Fe2+).
Este método aplica-se para determinação das diversas formas de ferro em concentrações de
0,02 mg/L a 4,0 mg/L.
A determinação de substâncias em água permite a identificação de fontes de contaminação
e auxilia no controle e na manutenção de sua potabilidade. Por métodos instrumentais
quantifica-se o analito com alto grau de sensibilidade e reprodutibilidade, pois são baseados em
espectros e em geral são confirmatórios, em que a análise de gráficos proporciona maior poder
conclusivo, uma vez que não se obtém uma única medida da interação física matéria, e sim,
várias.
Referências:
BARROS, H. C. Química inorgânica: uma introdução. Belo Horizonte: GAM. Ed., 2001.
LEE, J. D. Química inorgânica não tão concisa. 5. ed. São Paulo: Editora Edgard Blucher, 2009.
SHRIVER; D. F.; ATKINS, P. W. Química inorgânica. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2008.
BRASIL, Resolução CONAMA n° 357, de 17 de março de 2005. Diário Oficial da União.
Brasília,

SKOOG, A. D.; WEST, D. M.; HOLLER, F. J.; CROUCH, S. R. Fundamentos de química


analítica. 8ª Ed. Thomson, São Paulo, 2006,
VOGEL, A.I. Química Analítica Qualitativa. Trad. A. Gimeno. São Paulo: Mestre Jou, 1981
Preservação e técnicas de amostragem de efluentes líquidos e corpos receptores - NBR9898
Determinação de ferro em amostra das águas do Rio Paraibuna por espectrofotometria
de absorção atômica de chama:
A espectroscopia atômica baseia-se em métodos de análise de elementos de uma amostra,
geralmente líquida, que é introduzida em uma chama, na qual ocorrem fenômenos físicos e
químicos, como evaporação, vaporização e atomização. Para que todos esses processos possam
ocorrer em tempos de residência tipicamente inferiores a 5 min, é necessário que amostras
líquidas sejam convertidas em um aerossol líquido-gás com partículas inferiores a 5-10 mm
para introdução na chama.
A energia eletrônica é quantizada, isto é, apenas certos valores de energia eletrônica são
possíveis. Isso significa que os elétrons só podem ocupar certos níveis de energia discretos e
que eles absorvem ou emitem energias em quantidades discretas, quando se movem de um
orbital para outro. Quando o elétron é promovido do estado fundamental para um estado
excitado, ocorre o fenômeno de absorção e quando este retorna para o estado fundamental
observa-se o processo de emissão.
Uma vez que um átomo de um determinado elemento origina um espectro característico de
raias, conclui-se que existem diferentes níveis energéticos, e que estes são característicos para
cada elemento. Além das transições entre os estados excitados e o fundamental, existem
também transições entre os diferentes estados excitados. Assim, um espectro de emissão de um
dado elemento pode ser relativamente complexo. Considerando que a razão entre o número de
átomos nos estados excitados e o número de átomos no estado fundamental é muito pequena,
pode-se considerar que o espectro de absorção de um dado elemento é associado às transições
entre o estado fundamental e os estados de energia mais elevados. Desta forma, um espectro de
absorção é mais simples que um espectro de emissão.
Átomos na fase gasosa podem ser excitados pela própria chama ao retornarem para o estado
fundamental, liberam a energia na forma de radiação eletromagnética. Essa é a base da
espectrometria de absorção atômica que, antigamente, era conhecida como fotometria de chama
e é utilizada largamente em análises clínicas, controle de qualidade de alimentos, além de
inúmeras outras aplicações, para averiguar a quantidade de íons de metais alcalinos e alcalino-
terrosos, como sódio, potássio, lítio e cálcio.
Os elementos químicos emitem radiação eletromagnética na região do visível em uma chama
ar⁄glp ou ar/acetileno, que opera em uma temperatura especifica. Dessa forma, a energia
fornecida pela chama é baixa, porém suficiente para excitar os átomos e, consequentemente,
gerar a emissão de linhas atômicas características para cada elemento. A intensidade de cada
linha emitida depende da concentração da espécie excitada e da probabilidade de ocorrência da
transição eletrônica.
A determinação de íons ferro nas águas do rio Paraibuna pode ser utilizado a técnica de
espectrofotometria de absorção atômica de chama, que é a mais simples das técnicas analíticas
baseadas em espectroscopia atômica., a escolha deve considerar a concentração do analito na
amostra, assim como o limite de detecção do equipamento.
As amostras de água foram coletadas de forma aleatória em um percurso do rio, filtradas e
acondicionadas em recipientes de plásticos.
Na espectrofotometria de absorção atômica com atomização em chama, é necessário: uma
fonte de luz, uma fonte de átomos ou atomizador, um monocromador que define o comprimento
de onda na medição a realizar, um detector, equipamento eletrônico que consiga processar o
sinal recebido e software adequado para o tratamento dos dados.
A fonte de luz geralmente utilizada é a lâmpada de cátodo oco ou uma lâmpada de descarga.
Estas lâmpadas contêm uma atmosfera de argônio a pressão reduzida e uma pequena quantidade
do elemento que se pretende determinar. As lâmpadas de descargas distinguem-se das lâmpadas
de catodo oco por produzirem uma maior intensidade de radiação, sendo mais adequadas para
medições na zona do ultravioleta mais longínquo. Também pode ser utilizada uma lâmpada de
multielementos que permite analisar mais que um elemento com a mesma lâmpada.
O atomizador vai ser responsável pela produção de átomos livres a partir da amostra. Este
fenômeno é conseguido através do calor proveniente de uma chama composta por um oxidante
e um combustível. Através de uma câmara de spray e de um nebulizador, a amostra é submetida
à chama sob a forma de um aerossol. A velocidade de funcionamento do nebulizador e o seu
alinhamento no sistema podem ser ajustados de modo a que a radiação passe eficazmente pela
chama, obtendo um sinal máximo. Como detectores, podem ser usados tubos
fotomultiplicadores.
O ferro foi determinado em um espectrofotômetro de absorção de chama, utilizando ar
⁄acetileno como combustível da chama, um atomizador de chamas tem geralmente um
queimador longo e estreito que serve de caminho para a amostra. A amostra é introduzida via
aspiração. O nebulizador controla o fluxo de amostra, produzindo a mistura. A câmara de
mistura garante que a amostra misture com o oxidante e o combustível antes de entrar na chama.
A absorbância medida é comparada com padrões de ferro para se determinar a sua concentração
na amostra.
A concentração de ferro é obtida diretamente da equação da curva de calibração. Caso a
amostra tenha sofrido diluição, este resultado deve ser multiplicado pelo fator de diluição
correspondente
A espectrometria de absorção de chama, é uma técnica tipicamente monoelementar, de fácil
operação e com um custo relativamente reduzido, onde a célula de atomização é a chama. Cerca
de 90% da amostra introduzida é perdida devido ao ineficiente processo de nebulização e o
tempo médio de residência dos átomos gasosos na região de observação é baixo. Esses dois
fatores afetam negativamente a sensibilidade da técnica. Assim, trata-se de uma técnica ideal
para análise elementar em níveis de mg L-1, quando é necessária a determinação de poucos
elementos, em um grande número de amostras.
Referencia:
http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2008/anais/arquivosEPG/EPG01003_03_A.pdf
https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CPPSE/17267/1/PROCIARAN2007.00221.P
DF
Monografia%20Yohana%20Ribeiro%20Rigueto%20%20FINALIZADA%20determinação%2
0ferro.pdf
SKOOG, A. D.; WEST, D. M.; HOLLER, F. J.; CROUCH, S. R. Fundamentos de química

analítica. 8ª Ed. Thomson, São Paulo, 2006,

VOGEL, A.I. Química Analítica Qualitativa. Trad. A. Gimeno. São Paulo: Mestre Jou, 1981
NBR 13815 Água - Determinação de ferro – Método da espectrometria de absorção atômica
por chama
Determinação de ferro em amostra das águas do Rio Paraibuna por espectrofotometria
de emissão atômica de plasma:
A espectrometria de emissão atômica é a técnica baseada na energia emitida pelos átomos
(na região do UV-VIS) quando excitados por fontes de energia à altas temperaturas. Quando a
fonte é o plasma a técnica é chamada de Espectrometria de emissão atômica por plasma
indutivamente acoplado.
O plasma consiste de um fluxo de argônio num alto campo elétrico externo. As colisões dos
átomos geram grande quantidade de íons argônio e elétrons que levam a altas temperaturas:
10.000K na base da tocha e 6.000 a 8.000 na região onde a emissão é medida. Em relação à
chama o plasma fornece melhor atomização e uma alta população de espécies excitadas é
adequada para análises de íons metálicos totais; normalmente não requer nenhum pré-
tratamento da amostra; possibilita determinação simultânea de até 60 elementos; determinações
rápidas.
Um policromador para espectrômetro de emissão atômica de plasma acoplado indutivamente
neste dispositivo há vários detectores e cada um é capaz de detectar apenas um elemento pré-
selecionado e todos os elementos são medidos simultaneamente.
Os espectrômetros de emissão atômica com plasma induzido são compostos basicamente de
um sistema de introdução de amostras, geralmente formado pelo conjunto nebulizador câmara
de nebulização, tocha de quartzo para geração do plasma, fonte de rádio frequência, sistema
ótico para permitir a eficiente separação dos diferentes comprimentos de onda e o sistema de
detecção.
As amostras de água foram coletadas de forma aleatória em um percurso do rio, filtradas e
acondicionadas em recipientes de plásticos.
Utilizando um espectrômetro de emissão atômica de plasma acoplado indutivamente a
amostra é introduzida na forma líquida, no espectrômetro a amostra líquida é convertida em
aerossol em um processo chamado de nebulização. A amostra é transportada até o plasma onde
ocorre o processo de dessolvatação, vaporização, atomização e excitação e/ou ionização. Os
átomos excitados e/ou ionizados emitem uma radiação característica.
As radiações emitidas, após conveniente separação de seus comprimentos de onda por
sistemas ópticos, têm suas intensidades respectivas medidas por meios de detectores de radiação
específicos (fotomultiplicadoras ou detectores de estado sólido) e correlacionadas às
concentrações correspondentes através de curvas de calibração obtidas pela medição prévia de
Padrões Certificados de Referência.
A complexidade do espectro de emissão propicia o aparecimento de interferências espectrais,
produzindo falsos valores de concentração das espécies em análise.
As interferências espectrais podem ser minimizadas mediante a seguinte conduta: consulta
de tabelas de comprimentos de onda de ICP para despiste de riscas adjacentes; obtenção de
varrimentos em torno da risca, com aspiração de soluções de elevado grau de pureza de outros
elementos e do branco; escolha de riscas alternativas para eliminar a sobreposição de riscas;
seleção da posição dos corretores de fundo para eliminar a influência da emissão de fundo e de
bandas moleculares; introdução de corretores matemáticos.
As interferências de matriz são provocadas por todos os constituintes da amostra, que não o
elemento em estudo, podendo ocasionar o aparecimento de depressões ou sobrecargas nos
valores da concentração do analito.
As interferências químicas ocorrem durante o processo de atomização e dificultam a produção
de átomos livres do elemento.
A espectrometria de emissão atômica com fonte de plasma é uma poderosa técnica para a
determinação de elementos em nível de traços. A capacidade multielementar, associada à sua
alta sensibilidade, possibilita elevado desempenho para análises de rotina.
Referências:
HARRIS, D. C. Análise química quantitativa. Rio de Janeiro: LTC, 2008
SKOOG, D. A.; WEST, D. M.; HOLLER, F. J.; CROUCH, S. R. Fundamentos de química
analítica. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006.