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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE TECNOLOGIA
CURSO DE ENGENHARIA MECÂNICA

AQUECIMENTO DE PISCINAS COM COLETOR SOLAR DE PLACA PLANA


ABERTA

DALTON DA SILVA FERREIRA


NATAL – RN, 2018
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
CENTRO DE TECNOLOGIA
CURSO DE ENGENHARIA MECÂNICA

AQUECIMENTO DE PISCINAS COM COLETOR SOLAR DE PLACA PLANA


ABERTA

DALTON DA SILVA FERREIRA

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado ao curso de Engenharia
Mecânica da Universidade Federal do
Rio Grande do Norte como parte dos
requisitos para a obtenção do título de
Engenheiro Mecânico, orientado pela
Profª. Dr. Débora Machado de Oliveira
Medina.

NATAL – RN
2018

ii
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
CENTRO DE TECNOLOGIA
CURSO DE ENGENHARIA MECÂNICA

AQUECIMENTO DE PISCINAS COM COLETOR SOLAR DE PLACA PLANA


ABERTA

DALTON DA SILVA FERREIRA

Banca Examinadora do Trabalho de Conclusão de Curso


Prof. Dr. Débora Machado de Oliveira
Medina ___________________________
Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Orientadora

Prof. Dr. Gabriel Ivan Medina Tapia ___________________________


Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Co-orientador

Prof. Dr. Kleiber Lima de Bessa ___________________________


Universidade Federal do Rio Grande do Norte - Avaliador Interno

Eng. José Lopes da Silva Junior ___________________________


Universidade Federal do Rio Grande do Norte - Avaliador Externo

NATAL, 14 de dezembro de 2018.

iii
RESUMO

A temperatura ideal para banho em uma piscina varia de acordo com a atividade
fim a ser desenvolvida. Para piscinas abertas, normalmente a água deve estar a uma
temperatura entre 25 e 30ºC. Logo, para manutenção da temperatura em níveis
aceitáveis de banho, deve-se atentar para a influencia das perdas e adição de calor na
piscina, e projetar sistemas de aquecimento que venham suprir essa demanda energética.
O sistema abordado foi o de aquecimento por energia solar, através de coletores solares
de placas planas ALO-SOLAR 1002. Foram calculadas as perdas de calor, em regime
permanente, relacionada aos mecanismos de transferência de calor condução, radiação,
convecção e a evaporação de água. O estudo foi aplicado a piscinas de diferentes
dimensões, uma olímpica (1250 m2) com uma cobertura de polietileno e sem a
cobertura, outra semiolímpica (625 m2) e uma terceira com 1/4 da área da piscina
olímpica (312,5 m2), ambas abertas e localizadas na cidade de Natal/ RN. A temperatura
ambiente considerada foi de 24ºC, a temperatura da piscina a ser mantida foi de 28ºC e
a velocidade do vento de 4.4 m/s (16 km/h), valores estes fixados. Para o aquecimento
da piscina olímpica aberta, foram necessárias 844 placas solares, enquanto que para a
piscina olímpica com a cobertura, o total de placas foi de 632 placas solares, uma
redução de 25%. Na piscina semiolímpica e na piscina de ¼ da área da olímpica, foram
necessárias 424 e 208 placas coletoras, respectivamente.

Palavras-chaves: aquecimento, piscina, energia solar.

iv
ABSTRACT
The ideal temperature to swim in a swimming pool varies according with
activity to play. Normally, to open swimming pools, the water should be between 25
and 28ºC of temperature. So, to maintenance of temperature in admissible level to
swim, it is necessary to look to the loss and addition of heat mechanism which influence
in the pool and to project a heat sistem that to supply these necessity. The sistem
analyzed was the solar heating by the plane solar collectors ALO-Solar 1002. It were
calculated loss heat, in permanente regime, related to the heat transfer mechanisms like
convection, conduction and radiation, and still, to the evaporaration. The review was to
different swimming pools, a open/closed olimpic swimming pool (1250 m2), a open
semiolimpic swimming pool (625 m2) and a open swimming pool with ¼ area of
olimpic swimming pool (312,5 m2), they located at Natal/RN. The environment
temperature select was 24ºC, swimming pool temperature was 28ºC and the wind
velocity was 4,4 m/s (16 km/h), all these values were fixed. To heating the open olimpic
swimming pool were necessary 844 solar panels, whereas to the closed olimpic
swimming pool total of solar panels was 632, a reduction of 25%. To the semiolimpic
swimming pool and to the swimming pool with ¼ area of olimpic swimming pool were
necessary 424 and 208 solar panels, respectively.

Keywords: heating, pool, solar energy.

v
LISTA DE SÍMBOLOS
A Área [m2]
𝑎0 Coeficiente linear/eficiência óptica do coletor [-]
𝑎1 Coeficiente de segunda ordem das perdas térmicas [-]
𝑎2 Coeficiente de terceira ordem das perdas térmicas [-]
𝑏0 Coeficiente de primeira ordem do modificador do ângulo de incidência [-]
𝑏1 Coeficiente de segunda ordem do modificador do ângulo de incidência [-]
𝑐𝑝 Calor específico a pressão constante [kJ/kg.K]
𝐸0 Taxa de evaporação para piscinas abertas [kg/h.m2]
𝐹𝑅 Fator de remoção de calor pelo fluido [-]
𝐺𝑇 Irradiação global no plano do coletor solar [W/m2]
ℎ𝑓𝑔 Calor latente de vaporização [kJ/kg]
ℎ Coeficiente de convecção de calor [W/m2. K]
𝑘 Condutividade térmica [W/m.K]
𝐾𝜏𝛼 Modificador do ângulo de incidência [-]
𝐿 Comprimento [m]
𝑚̇𝑐 Fluxo de massa no coletor [kg/s]
𝑁𝑠 Número de coletores em série [-]
𝑃 Pressão absoluta [Pa]
𝑄̇𝑢 Taxa de calor útil do coletor [W]
𝑄̇ Taxa de calor [kW]
𝑅 Constante universal dos gases [kJ/mol.K]
𝑟1, 𝑟2 Fatores de correção para eficiência do coletor [-]
𝑇 Temperatura [ºC]
𝑈𝐿 Coeficiente de primeira ordem das perdas térmicas do coletor [W/m2K]
𝑈𝐿𝑇 Coeficiente de segunda ordem das perdas térmicas do coletor [W/m2K2]
𝑈′𝐿 Coeficiente modificado de perdas térmicas do coletor [W/m2K]
𝑢𝑤𝑖𝑛𝑑 Velocidade do vento [m/s]

Gregos

∆ Variação [-]
𝜀 Emissividade [-]
𝜂 Eficiência térmica de primeira lei [-]
𝜃 Ângulo de incidência da radiação solar [º]
𝜌 Massa específica do ar [kg/m3]
𝜎 Constante de Stefan-Boltzmann [W/m2.K4]
𝜏𝛼 Produto transmitância-absortância [-]
∅ Umidade relativa [-]
𝜔 Umidade absoluta do ar [kg(s)/kg(a)]

vi
LISTA DE ABREVIATURAS/SUBÍNDICES

𝑎𝑟 Condição do ar ambiente
𝑎𝑤 Ar – água
c Coletor
𝑐𝑜𝑛𝑑 Condução
𝑐𝑜𝑛𝑣 Convecção
cover Cobertura
𝑒𝑣𝑎𝑝 Evaporação
𝑒𝑣𝑎𝑝, 𝑆 Evaporação pelo método de Shah
𝑒𝑣𝑎𝑝, 𝑇 Evaporação pelo método de Tarrad
𝑔𝑟𝑜𝑢𝑛𝑑 Solo
i Condição de entrada
𝑛 Incidência normal
o Condição de saída
𝑝𝑎𝑟 Paredes
PEBD Polietileno de Baixa Densidade
𝑟 Na temperatura da sala
𝑟𝑎𝑑 Radiação
𝑠 Superfície da piscina
𝑢𝑠𝑒 Condição de uso
𝑡𝑒𝑠𝑡 Condição de teste
𝑠𝑘𝑦 Céu
𝑣 Vapor
𝑣, 𝑠𝑎𝑡 Vapor nas condições de saturação
𝑤 Na temperatura de saturação da água

vii
SUMÁRIO

1 – INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 1

2 - REVISÃO LITERÁRIA ........................................................................................... 4

2.1 - IRRADIAÇÃO SOLAR........................................................................................ 4


2.2 – COLETORES SOLARES .................................................................................... 5
2.3 – PERDAS/ADIÇÃO DE CALOR NA PISCINA .................................................. 7
3 – METODOLOGIA..................................................................................................... 9

3.1 – PERDAS POR EVAPORAÇÃO ........................................................................ 11


3.2 – PERDAS POR CONVECÇÃO .......................................................................... 13
3.3 – PERDAS/GANHO POR RADIAÇÃO............................................................... 14
3.4 – PERDAS POR CONDUÇÃO............................................................................. 14
3.5 – TOTAL DAS PERDAS DE CALOR ................................................................. 16
3.6 – COLETOR SOLAR/ ÁREA DO COLETOR ..................................................... 16
3.7 – SISTEMA DE AQUECIMENTO....................................................................... 21
3.8 – CARACTERÍSTICAS DO LOCAL ................................................................... 22
3.9 – CODEBLOCKS E MICROSOFT EXCEL......................................................... 23
3.10 – SEQUÊNCIA DE RESOLUÇÃO .................................................................... 24
4 - RESULTADOS E DISCUSÕES ............................................................................ 26

5 - CONCLUSÕES ....................................................................................................... 34

6 - REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 35

viii
1

1 – INTRODUÇÃO

A utilização da piscina em todas as estações do ano, mesmo nos dias frios, se


tornou possível desde que se passou a utilizar aquecedores para a elevação da
temperatura da água. Os sensores utilizados no controle medem a temperatura da água
fazendo o sistema ligar sempre quando necessário, e desligar quando a temperatura
desejada for atingida. As formas de aquecimento mais utilizadas são sistema elétrico,
sistema a gás, sistema solar e sistema de trocador de calor. Existe uma grande variedade
de aquecedores, mas o sistema hidráulico e o controle de temperatura de todos
funcionam de forma semelhante.

De acordo com ASHRAE (2007), a temperatura ideal para banho varia de


acordo com a atividade fim a ser desenvolvida, e também, para manter um meio que não
seja favorável a proliferação de microrganismos que causem doenças, além de manter a
limpeza. Por exemplo, para a prática de hidroginástica a temperatura ideal é entre 27 e
30ºC. Contrariando o que muitos pensam, a temperatura para praticar natação é entre 25
e 28ºC, segundo a Federação Internacional de Natação (FINA, 2013). Respeitar estes
valores é importante, pois o que está em questão é o rendimento dos atletas, no caso da
natação, e o indivíduo passa a desidratar-se muito rapidamente devido à elevada
sudorese, em relação à hidroginástica.

O Brasil é o segundo país que mais constrói piscinas no mundo, atrás apenas dos
Estados Unidos, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes, Construtores
de Piscinas e Produtos Afins (ANAPP, 2017). A superfície da piscina está exposta a
vários fenômenos naturais, como a adição e perda de calor. Os mecanismos que atuam
favorecendo essas perdas de calor são: condução, convecção, radiação e a evaporação.
A perda por condução geralmente é a mais insignificante, podendo em alguns casos até
ser desprezada. A perda por convecção depende da diferença de temperatura entre a
água da piscina e do ar ao seu redor, e também da velocidade do ar, combinados levam
a convecção a ser a segunda maior perda. Perdas de calor por radiação são maiores
durante a noite, especialmente para piscinas externas, mas também existe a adição de
calor por radiação, pois a piscina também tem a capacidade de absorver calor. A
evaporação consiste na maior perda de calor, chegando a uma quantia de cerca de 60 %
na maioria dos casos. Uma cobertura pode ser usada nos períodos de não utilização da
piscina para diminuir tanto os efeitos da radiação como da evaporação. A umidade do
2

ambiente influencia diretamente no conforto dos usuários - seu excesso causa uma
sensação de falta de ar - e na durabilidade dos prédios e residências onde estão
localizadas as piscinas. Assim, se faz necessário o cálculo dessas taxas de perdas e
adição de calor para se fazer o correto dimensionamento do sistema de ventilação do
prédio e aquecimento/resfriamento da piscina.

Para garantir as condições ideais, o sistema de aquecimento da piscina deve


suprir essa demanda térmica, o que pode apresentar um elevado custo de operação, em
alguns casos. Alguns sistemas comumente usados para este fim são os aquecedores
elétricos, aquecedores a óleo ou a gás, aquecedores solares e bombas de calor. Ao se
fazer um comparativo entre eles, percebe-se que os dois primeiros são os mais
impactantes ao meio ambiente e apresentam uma baixa eficiência, além de necessitarem
de uma grande quantidade de combustível por potência de aquecimento, o que leva ao
um elevado custo de operação. Os aquecedores solares apresentam uma baixa
eficiência, mas é compensada pelo baixo custo de operação. Com relação às bombas de
calor, elas têm um baixo custo de operação, já que não operam por meio de conversão
direta de energia elétrica em energia térmica, pois esses equipamentos transferem
energia de um reservatório térmico de baixa temperatura para um reservatório térmico
de alta temperatura, como essa transferência não ocorre de forma espontânea é
necessário fornecer alguma energia, geralmente elétrica. Devido às características do
ciclo de compressão de vapores que caracteriza as bombas de calor, o efeito de
aquecimento é de 3 a 5 vezes superior ao consumo de energia elétrica necessária para o
seu acionamento (STARKE, 2013). Daí o motivo do baixo custo de operação, podendo
proporcionar uma economia superior a 50% no consumo de energia, em relação às
outras alternativas, de acordo com Starke (2013).

Os aquecedores solares e as bombas de calor carregam um alto custo inicial de


aquisição e instalação, além disso, o desempenho dos aquecedores solares está sujeito a
flutuações das condições ambientais. Logo, em dias nublados (com baixa insolação e
baixa temperatura ambiente) estes podem não atender a demanda de aquecimento. Pode-
se ainda combinar diferentes sistemas para amenizar as desvantagens quando estes
operam de forma independente. Como por exemplo, o aquecedor solar com a bomba de
calor e o aquecedor solar com um aquecedor elétrico auxiliar, para justamente nos dias
de pouca incidência de irradiação ele atuar de forma que a temperatura da piscina se
mantenha em níveis aceitáveis de banho. Outra configuração de aquecimento solar que
3

merece destaque são os coletores solar de tubo a vácuo. Essa é uma boa alternativa para
lugares com pouca incidência de luz, já que eles têm uma maior eficiência para atingir
temperaturas mais altas que os outros sistemas de aquecimento solar. Existem ainda os
coletores solares planos hidráulicos, com ou sem cobertura de vidro, e os coletores
concentradores com cobertura (CPC).

Para a cidade de Natal/RN, apenas coletores solares operando de maneira isolada


já seriam suficientes para manter a temperatura da água em um nível aceitável, já que
incidência solar no município é alta, mas deve-se atentar a quantidade placas a serem
utilizadas, para que o projeto não se torne impraticável, já que a utilização dos coletores
solares apresentam um elevado custo inicial. É nessa temática que se desenvolve este
trabalho.

As placas solares mais utilizadas para o aquecimento de água são as de plástico


polipropileno preto, mas existem outras opções de materiais como a borracha flexível,
tubos plásticos pretos e tubo de cobre ou alumínio. Independente do material escolhido
para os coletores solares, eles devem ser posicionados para o norte geográfico do país,
situados em locais onde a incidência solar é maior e evitando sombras. As placas
geralmente são instaladas sobre o telhado das casas, e para saber a quantidade de placas
coletoras usadas é necessário saber o tamanho da piscina, o volume de água e se está
situada em local aberto ou fechado.

Com o objetivo do aproveitamento desta alta taxa de incidência de irradiação em


Natal/RN, é que está a motivação de se fazer o aquecimento de piscinas com coletor
solar de placa plana aberta, e para isso se faz necessário o cálculo das taxas de perdas e
adição de calor na superfície das piscinas e o dimensionamento da área do coletor solar,
além de analisar a sensibilidade do sistema com relação à temperatura ambiente e a
velocidade do vento local.
4

2 - REVISÃO LITERÁRIA

2.1 - IRRADIAÇÃO SOLAR

A radiação solar que chega a terra é capaz de fornecer uma grande quantidade de
energia se bem convertida. Observa-se que o sol é uma das fontes mais promissoras, por
fornecer condições de energia abundante e limpa. Nos trópicos, onde se localiza a
cidade de Natal, e nas zonas temperadas é possível o aproveitamento dos dias de sol,
pois a umidade relativa é baixa e o céu é praticamente sem nuvens. Devido a essa
condição, essa região é considerada privilegiada em termos de radiação e insolação, e é
denominada de cinturão solar da Terra (ROCHA, 2012).

Tendo os meses de outubro a janeiro com as maiores médias de incidência solar,


e os horários de 05h30min até cerca de 17h30min nos quais é possível a produção de
energia, onde o valor médio de pico de aproximadamente 827 W/m2 no horário entre
11h30min as 12h30mim (ROCHA, 2012). Esses valores podem ser observados na Fig.
2.1.

Figura 2.1 – Média anual por horário do dia da radiação global em Natal/RN.

Fonte: Rocha (2012).

A Figura 2.2 aborda a distribuição das médias mensais da irradiação global para
a cidade de Natal/RN, de acordo com os dados do software Radiasol2. O valor da
5

irradiação global horizontal diária para o estado do Rio Grande do Norte é em torno de
5750 Wh/m2 (PEREIRA et al, 2017).

Figura 2.2 – Média mensal da irradiação global em Natal/RN (adaptado).

Média mensal da irradiação global


em Natal/RN
8000
Media mensal global (Wh/m2)

7000
6000
5000
4000
3000
2000
1000
0
jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez
Mês

Fonte: Radiasol2.

Quase todas as formas de energia, seja ela hidráulica, eólica, biomassa e


combustíveis fósseis são formas indiretas de energia solar. Além disso, a radiação solar
pode ser usada como fonte de energia térmica para aquecimento de fluidos e ambientes,
e ainda, para geração de potência mecânica ou elétrica. O aproveitamento da iluminação
natural e do calor para o aquecimento de ambientes, denominado aquecimento solar
passivo, provém da penetração da radiação solar nas edificações, reduzindo assim os
custos com iluminação e aquecimento. O aproveitamento térmico para aquecimento de
fluidos é feito com o uso de coletores solares. Os coletores solares são mais usados em
aplicações comerciais e residenciais para o aquecimento de água. Esse tipo de
aquecimento é denominado ativo.

2.2 – COLETORES SOLARES

O coletor solar é um equipamento responsável por absorver a radiação solar


aquecendo a água que circula em seu interior. Existe uma grande variedade de coletores,
6

dentre eles, se destacam: os coletores fechados planos, os abertos planos e os tubos de


vácuo. A sua seleção esta diretamente ligada a sua aplicação.

Vários fatores influenciam na eficiência de um painel, e um deles é a


diferença de temperatura entre coletor e ambiente. Quanto maior essa
diferença, menor a eficiência. Além disso, o tipo de superfície absorvedora, o
tamanho da superfície coberta por painéis, a intensidade da radiação, o
isolamento térmico empregado, entre outros. O painel solar consegue reter
mais radiação quando está direcionado para o sol, de modo a receber a
incidência com o mínimo de obstáculos, como em sistema instalado fixo
geralmente não há condições para mudar o painel de posição ao longo do dia,
recomenda-se que ele esteja orientado para o Norte Geográfico, caso ele
esteja no Hemisfério Sul, e, quanto mais próximo do Equador, o melhor
posicionamento é o horizontal, porém com uma inclinação mínima para a
drenagem da água na superfície externa do equipamento (ROCHA, 2012).

Os coletores solares abertos são os mais utilizados para o aquecimento de


piscinas e os fechados para fins sanitários. A Fig. 2.3 mostra alguns arranjos de
estrutura básica de coletores solares abertos.

Figura 2.3 – Representação das estruturas de coletores solares abertos


(adaptado).

Fonte: Solar Thermal (2018).

A energia solar proveniente da irradiação solar é absorvida pela placa e pelos


próprios tubos condutores, e convertida em energia térmica. Como o fluido de trabalho
esta em contato direto com o tubo metálico, há uma transferência de energia térmica da
estrutura para o fluido, e consequentemente, seu aquecimento.
7

2.3 – PERDAS/ADIÇÃO DE CALOR NA PISCINA

De acordo com a FINA (2013), a água da piscina deve ser mantida entre 25 e
28ºC para assegurar uma condição de conforto térmico aos usuários. Outros limites de
temperatura do e da temperatura da piscina estão representadas na Tab. 2.1. Para
garantir essa condição, o sistema de aquecimento deve suprir uma grande demanda
térmica, que foi retirada da água por mecanismos naturais de perdas de calor, como:
evaporação, convecção, radiação e condução. Vale a pena ressaltar que para uma
piscina sem cobertura, as perdas térmicas são de 54 - 69% por evaporação, 15 - 21% por
convecção e 7 - 21% para radiação. A condução representa cerca de 5% apenas
(TARRAD, 2017).

Tabela 2.1 – Valores para temperatura do ar e da piscina (adaptado).

Umidade
Tipo de piscina Temperatura do ar, ºC Temperatura da água, ºC relativa do
ar, %
Residenciais 24 a 29 24 a 29
Condomínio 24 a 29 24 a 29
Hotel 28 a 29 28 a 30
50 a 60
Pública, escolar, 24 a 29 24 a 29
competição
Terapêutica 27 a 29 29 a 35
Hidromassagem/Spa 27 a 29 36 a 40

Fonte: ASHRAE (2007).

Para reduzir estas perdas de calor, uma maneira simples e eficiente é a aplicação
de uma cobertura sobre a piscina, nos períodos de inatividade, ou seja, nos horários de
não utilização da piscina. As perdas por evaporação são drasticamente reduzidas, assim
como as perdas por convecção e por radiação, já que é impedida a saída do vapor de
água, o coeficiente de convecção passa a ser do ar e não mais da água, e a emissividade
considerada para radiação passa a ser a do material da cobertura. Segundo Starke
(2012), as reduções chegam a aproximadamente 98% nas perdas líquidas de energia,
sendo até desnecessário o aquecimento da piscina nessa condição. Lembrando que, a
piscina utilizada em sua pesquisa tinha 24 m2 de área superficial, e a cobertura utilizada
era de polietileno de baixa densidade.
8

A taxa de evaporação ocorre em função da velocidade do ar e da diferença de


pressão entre a água da piscina e o vapor de água presente no ar (diferença de pressão
de vapor). Quando a temperatura da piscina aumenta ou a umidade do ar diminui, a taxa
de evaporação aumenta (LUND, 2000). A prática de natação pode aumentar
significativamente a taxa de evaporação, devido à formação de ondas na superfície da
água.

Evaporação ocorre quando a água líquida é convertida em vapor de água. A taxa


com que isso acontece é controlada pela disponibilidade de energia da superfície da
água, fazendo com que o vapor possa se misturar facilmente na atmosfera. A molécula
deve ter o mínimo de energia para deixar a superfície da água e o número de moléculas
está intimamente ligado temperatura da superfície. Então, adicionar calor ao corpo
d’água aumenta a energia das moléculas fazendo com que elas deixem a superfície. As
fontes de calor podem ser solares, através da radiação das ondas curtas e das ondas
longas, e dos fluxos de água internos de aquecimento e recirculação da piscina.

Sabe-se que a convecção depende diretamente do coeficiente de convecção do ar


ambiente e da diferença de temperatura entre esse mesmo ar ambiente e a superfície da
água da piscina. A condução entre a piscina e o solo é na maioria dos casos menor que
1%, e assim desprezada, já que a piscina e o solo estão a temperaturas próximas
(TARRAD, 2017). Mas, levando em consideração que a piscina está a 28ºC e o solo a
24ºC, existe uma diferença significativa de temperatura, além de que, as paredes laterais
também perdem calor também por condução. Somando com a perda do solo, chega-se a
um valor que não pode ser ignorado.

As perdas de calor por radiação de onda longa podem ser descritas pela fórmula
geral, comumente usada por autores da área de transferência de calor e massa, enquanto
que o os ganhos de calor por radiação de ondas curtas é definido como uma função da
absortividade da superfície da piscina, e tratada por Duffie (2013). A radiação ainda é
influenciada diretamente pela sua difusão em cada tipo de superfície, as quais podem
variar diretamente pelo ângulo de incidência pelo qual os raios atingem a área de
contato, e, no caso dos coletores solares, ainda há um aumento dessa difusividade já que
tem sobre ele uma proteção de vidro.
9

3 – METODOLOGIA

O coletor solar de placa plana escolhido para a análise e aplicação no estudo foi
o ALO-SOLAR 1002. Este é fabricado totalmente de polietileno de baixa massa
específica, não possui cobertura de vidro na superfície superior e não possui isolamento
térmico na superfície inferior, o que leva esse coletor a ter um preço mais acessível em
comparação com os coletores metálicos fechados. Devido as suas características, o
coletor ALO-SOLAR é recomendado para o aquecimento de piscinas, já que essa
atividade não exige uma eficiência alta das placas coletoras.

Para a quantificação das perdas de calor pela superfície das piscinas, foram
utilizadas fórmulas da literatura especializada aplicadas em piscinas sem banhistas. Para
o dimensionamento dos sistemas de ventilação dos prédios e aquecimento/resfriamento
das piscinas, se faz uso da taxa de evaporação de água em piscinas abertas, com e sem
perturbação (presença ou não de banhistas, ou outro meio que venha a agitar a água). Os
modelos matemáticos para o cálculo das taxas de evaporação utilizados neste trabalho
são de Shah (2012b) e de Tarrad (2017). Uma atenção maior é dada a taxa de
evaporação devido a este ser o mecanismo que causa a maior perda de calor em uma
piscina.

Os outros tipos de perdas de calor: condução, convecção e radiação são tratadas


de maneira mais abrangente em literaturas da área de transferência de calor e massa,
como o Cengel (2013) e o Incropera (2002). Por ser mais atual e aplicada a piscinas, a
equação tratada por Tarrad (2017) para a convecção foi aplicada neste trabalho. Já as
taxas de condução e radiação serão calculadas com as fórmulas comumente encontradas
nos livros.

Neste trabalho foi dada atenção apenas para os quatros principais tipos de taxas
de perdas de calor em uma piscina aberta e/ou coberta – condução, radiação, convecção
e evaporação. A adição de calor por radiação de ondas curtas não foi considerado
devido a piscina não estar exposta diretamente ao sol, logo 𝑄̇𝑠𝑜𝑙 = 0. Pode-se ter outras
formas de adição e perdas de calor, como: o calor emitido pelos corpos dos banhistas
para a piscina, calor proveniente da água de reposição e o calor adicionado por bombas
de calor para pré-aquecimento e manutenção da temperatura da piscina. Algumas dessas
taxas de perdas e adição de calor que não foram consideradas para os cálculos estão
10

representadas na Fig. 3.1, juntamente com as outras quatro taxas utilizadas neste
trabalho.

Figura 3.1 – Taxas de adição e perdas de calor em uma piscina aberta


(adaptado).

Fonte: TARRAD, 2017.

Onde,

 𝑄̇𝑖𝑛 – taxa de adição de calor para pré-aquecimento e manutenção da


temperatura da piscina;
 𝑄̇𝑟𝑎𝑑 – taxa de perda de calor por radiação de ondas longas;
 𝑄̇𝑠𝑜𝑙 – taxa de adição de calor por radiação de ondas curtas;
 𝑄̇𝑒𝑣𝑎𝑝 – taxa de perda de calor por evaporação;
 𝑄̇𝑐𝑜𝑛𝑣 – taxa de perda de calor por convecção;
 𝑄̇𝑐𝑜𝑛𝑣,𝐶𝑜𝑛𝑑 – taxa de perda/adição de calor por convecção/condução pelas
paredes;
 𝑄̇𝑐𝑜𝑛𝑑 - taxa de perda de calor por condução.
11

3.1 – PERDAS POR EVAPORAÇÃO

Existem várias fórmulas para o cálculo da taxa de evaporação de vapor em


piscinas ocupadas e desocupadas. As utilizadas nesse trabalho são as apresentadas por
Shah (2012b) que provou a autenticidade de seu método em estudos realizados desde
1981 até sua última modificação em 2012, através de levantamentos de dados
computacionais e comparações com valores de outras equações presentes em ASHRAE
(2007). Em outro estudo realizado por Rzeznik (2017), foi concluído que o modelo de
Shah (2012b) diverge do valor real cerca de 12%, para piscinas abertas e sem
perturbação. A outra equação utilizada para o cálculo da taxa de perda de calor por
evaporação é a citada por Tarrrad (2017).

De acordo com Shah (2012b), a taxa de evaporação pode ser dada pelas Eqs.
(3.1) e (3.2):

1 (3.1)
𝐸0 = 35𝜌𝑤 (𝜌𝑟 − 𝜌𝑤 )3 (𝜔𝑤 − 𝜔𝑟 )

𝐸0 = 0,00005(𝑃𝑤 − 𝑃𝑟 ) (3.2)

Na Eq. (3.1), a massa evaporada é devido ao efeito da convecção natural, que foi
derivada de uma analogia entre transferência de calor e massa. O processo explicativo
desta se encontra no apêndice do artigo de Shah (2012a). Já a Eq.(3.2) mostra a
evaporação causada pelas corrente de ar produzidas pelos sistemas de ventilação de
prédios (caso elas se localizem em condomínios). Esta foi obtida através de uma análise
de dados que tratavam de densidade negativa. Como descrito em ASHRAE (2007) a
velocidade do ar em piscinas comuns são geralmente de 0,05 a 0,15 m/s. A Eq. (3.2) só
deve ser considerada para velocidades acima de 0,15 m/s.

O procedimento de cálculo para piscinas desocupadas indica que se devem


aplicar as Eqs. (3.1) e (3.2) e escolher a resposta de maior valor.

Os parâmetros das Eqs. (3.1) e (3.2) como a pressão, massa específica do ar e


umidade do ar, foram calculadas através de relações encontradas na literatura da área de
termodinâmica. Os principais livros base para o trabalho foram o Cengel (2013) e o
Incropera (2002). Para o cálculo da massa específica do ar 𝜌𝑟 , foi utilizada a Eq. (3.3), e
para o cálculo da massa específica do vapor de água 𝜌𝑤 foi utilizada a Eq. (3.4).
12

𝑃𝑟 (3.3)
𝜌𝑟 =
𝑅𝑎𝑟 𝑇𝑎𝑟

𝑃𝑤 (3.4)
𝜌𝑤 =
𝑅𝑤 𝑇𝑝𝑖𝑠𝑐

Sendo que os valores para temperatura do ar 𝑇𝑎𝑟 e a temperatura da superfície da


água 𝑇𝑝𝑖𝑠𝑐 devem estar em Kelvin (temperatura absoluta). As constantes 𝑅𝑎𝑟 e 𝑅𝑤 são
iguais a 287 J/kg.K e 462 J/kg.K, respectivamente. Pode-se calcular a massa específica
do vapor de água desta forma, pois para pressões abaixo de 10 kPa, segundo Cengel
(2013), o vapor de água pode ser tratado como gás ideal, independentemente da
temperatura, com um erro desprezível (menor que 0,1%). Essas equações derivam da
Equação de um gás ideal ou Equação de Clapeyron, Eq. (3.5).

𝑃𝑣 = 𝑅𝑇 (3.5)

A constante de proporcionalidade 𝑅 é chamada de constante do gás, 𝑃 é a


pressão absoluta, 𝑇 é a temperatura absoluta e 𝑣 é o volume específico. O gás que
obedece a essa relação é chamado de gás ideal.

Pode-se tratar o ar atmosférico como uma mistura de gases ideais, cuja pressão é
a soma da pressão parcial do ar seco 𝑃𝑎𝑟 e da pressão de vapor 𝑃𝑣 , segundo Cengel
(2013), denotada da seguinte forma, como na Eq. (3.6).

𝑃 = 𝑃𝑎𝑟 + 𝑃𝑣 (3.6)

Para encontrar a pressão do ar seco 𝑃𝑎𝑟 é necessário conhecer a pressão de vapor


de água, pois a pressão total do ar atmosférico é conhecida para a cidade de Natal/RN, e
tem o valor de 101160 Pa, a 38 metros de altitude (INPE, 2018). O valor de 𝑃𝑣 pode ser
encontrado pela Eq. (3.7).

𝑃𝑣 (3.7)
𝜙= . 100
𝑃𝑣,𝑠𝑎𝑡

Sabendo que a umidade 𝜙 utilizada para o cálculo era de 60%, e que os valores
de 𝑃𝑣,𝑠𝑎𝑡 são tabelados e disponíveis nos apêndices dos livros de termodinâmica, agora é
possível encontrar o valor da pressão do ar seco 𝑃𝑎𝑟 . Consequentemente as massas
específicas também ficam definidas numericamente, já que 𝑃𝑎𝑟 = 𝑃𝑟 e 𝑃𝑣 = 𝑃𝑤 .
13

Com relação à umidade absoluta 𝜔, a Eq. (3.8) pode ser usada para determiná-la.
A unidade é dada em kg de vapor de água/ kg de ar seco.

𝑃𝑣 (3.8)
𝜔 = 0,622.
𝑃𝑎𝑟

A taxa de evaporação dada por Shah (2012b) pode ser descrita pelo produto
entre a quantidade de massa evaporada e o calor latente da água, dada pela Eq. (3.9).

𝑄̇𝑒𝑣𝑎𝑝,𝑆 = 𝐸𝑜 . ℎ𝑓𝑔 (3.9)

Descrevendo o método do cálculo da taxa de evaporação utilizado por Tarrad


(2017), percebe-se sua dependência com relação á velocidade do vento local, além dos
parâmetros já utilizados por Shah (2012a). Segue a Eq. (3.10) utilizada.

𝑄̇𝑒𝑣𝑎𝑝,𝑇 = 𝐴𝑠 (30.6 + 32.1𝑢𝑤𝑖𝑛𝑑 )(𝑃𝑤− 𝑃𝑟 ) (3.10)

Onde 𝐴𝑠 é a área da superfície da piscina e 𝑢𝑤𝑖𝑛𝑑 representa o vetor de


velocidades do vento para a cidade de Natal/RN, além de que a Eq.(3.10) também varia
com a pressão do ar ambiente e a pressão de vapor de água da piscina.

3.2 – PERDAS POR CONVECÇÃO

O próximo mecanismo de perda de calor a ser descrito é o da convecção. Assim


como a Eq. (3.10), a taxa de perda por convecção também varia com a velocidade do
vento, já que o coeficiente de convecção do ar ambiente é dado por uma equação que
tem a velocidade como variável. Ela está representada pela Eq. (3.11) juntamente com a
Eq. (3.12) do coeficiente de convecção. A temperatura é uma variável dependente do
tempo, mas para o regime estacionário, utilizado neste trabalho, será considerada a
condição que maximize as perdas por convecção.

𝑄̇𝑐𝑜𝑛𝑣 = ℎ𝑠 ∆𝑇𝑎𝑤 𝐴𝑠 (3.11)

ℎ𝑠 = 3.1 + 4.1𝑢𝑤𝑖𝑛𝑑 (3.12)


14

Sendo ∆𝑇𝑎𝑤 o gradiente de temperatura entre a temperatura do ar e a temperatura


da superfície da água.

3.3 – PERDAS/GANHO POR RADIAÇÃO

Em seguida vem à Eq. (3.13) de Stefan-Boltzmann para o cálculo das perdas de


calor por radiação de ondas longas.

𝑄̇𝑟𝑎𝑑 = 𝜀𝜎𝐴𝑠 [𝑇𝑠 4 − 𝑇𝑠𝑘𝑦 4 ] (3.13)

Sendo que 𝜀 = 0.9 (emissividade da água) e 𝜎 = 5,67 x 10-8 W/m2K4. É


importante destacar que a temperatura do céu 𝑇𝑠𝑘𝑦 deve ser considerada 11ºC abaixo da
temperatura do ar ambiente, para assim estimar a carga de radiação (TARRAD, 2017).
Pode-se ainda reescrever a Eq. (3.13), tomando a seguinte forma, expressa pela Eq.
(3.14)

𝑄̇𝑟𝑎𝑑 = 𝜀𝜎𝐴𝑠 [𝑇𝑠 4 − (𝑇𝑎𝑟 − 11)4 ] (3.14)

A adição de calor à piscina por radiação de ondas curtas se dá devido a


superfície da piscina estar exposta a irradiação solar diariamente. A Eq.(3.15) do ganho
de calor por radiação 𝑄̇sol é dada em função da absortividade da superfície 𝛼, da área da
superfície da piscina 𝐴𝑠 e da irradiação média global horizontal 𝐺𝑇 .

𝑄̇𝑠𝑜𝑙 = 𝛼𝐴𝑠 𝐺𝑇 (3.15)

3.4 – PERDAS POR CONDUÇÃO

A condução segue a mesma literatura da radiação, comumente disponível em


livros de transferência de calor, e está representada pela Eq. (3.16)

𝑘𝐴𝑝𝑎𝑟 ∆𝑇𝑤,𝑔𝑟𝑜𝑢𝑛𝑑 (3.16)


𝑄̇𝑐𝑜𝑛𝑑 =
𝐿

A condutividade térmica é representada por 𝑘, e 𝐴𝑝𝑎𝑟 passa a representar a área


total de paredes em contato com o solo. ∆𝑇𝑤,𝑔𝑟𝑜𝑢𝑛𝑑 é o gradiente de temperatura entre o
solo e a água da piscina e L é a espessura da parede.

As paredes da piscina tem a seguinte composição: azulejo na parte mais interna,


em contato com a água; argamassa, por conseguinte e o concreto por último em contato
com o solo, como representado na Fig. 3.2. Os valores considerados para a espessura da
15

parede - L seguem a de um bloco de concreto estrutural da família 14x19x39,


semelhante ao da Fig. 3.3.

Figura 3.2 – Esquema das resistências da parede da piscina.

Figura 3.3 – Bloco de concreto estrutural.

Fonte: CONSTRUTENS.

As espessuras do azulejo e da argamassa foram desprezadas, mas com relação ao


coeficiente de condução, foram considerados, com valores de 0,40 e 0,75 W/m.K,
respectivamente. O concreto apresenta um coeficiente de 1,4 W/m.K (PROTOLAB,
2018). Como esses materiais estão em série em sua distribuição, a resistência total do
sistema é dada pela soma das três resistências de cada parte da parede, e está
representada pela Eq. (3.18). Daí pode-se representar a Eq. (3.16) da seguinte forma,
pela razão entre a variação da temperatura entre o solo e o ar ambiente, e a resistência
16

total a transferência de calor, daí se obtém a Eq. (3.17). Lembrando que a parede
inferior foi considerada como tendo a mesma configuração das paredes laterais.

∆𝑇𝑤,𝑔𝑟𝑜𝑢𝑛𝑑 (3.17)
𝑄̇𝑐𝑜𝑛𝑑 = 𝐴𝑝𝑖𝑠𝑐
𝑅𝑡
𝑅𝑡 = 𝑅1 + 𝑅2 + 𝑅3 (3.18)

3.5 – TOTAL DAS PERDAS DE CALOR

Dada às equações anteriores, é possível encontrar a taxa total de perdas de calor,


através da Eq. (3.19), que nada mais é que um somatório.

𝑄̇𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝑄̇𝑠𝑜𝑙 − (𝑄̇𝑒𝑣𝑎𝑝 + 𝑄̇𝑐𝑜𝑛𝑣 + 𝑄̇𝑐𝑜𝑛𝑑 + 𝑄̇𝑟𝑎𝑑 ) (3.19)

3.6 – COLETOR SOLAR/ ÁREA DO COLETOR

A modelagem matemática para o desenvolvimento de toda a parte de coletor


solar foi baseada nos critérios utilizados por Duffie (2013), e se inicia com a Eq. (3.20)
para o cálculo do ganho térmico solar 𝑄̇𝑢 .

𝑄̇𝑢 = 𝑚̇𝑐 𝑐𝑝 (𝑇𝑐,𝑜 − 𝑇𝑐,𝑖 ) = 𝐴𝑐 𝐺𝑇 𝜂𝑐 (3.20)

O coletor deve manter a piscina a uma temperatura de 28 ºC, logo o ganho


térmico solar deve ser igual ao total das perdas de calor da piscina, então 𝑄̇𝑢 = 𝑄̇𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 .
A vazão mássica do fluido no coletor é representada por 𝑚̇𝑐 e 𝑐𝑝 é o calor específico da
água a pressão de 101160 Pa, logo 𝑐𝑝 = 4,179 kJ/kg.K. 𝑇𝑐,𝑜 e 𝑇𝑐,𝑖 são as temperaturas
de entrada e saída do fluido no coletor, respectivamente. 𝐴𝑐 é a área dos coletores, 𝐺𝑇 é
a irradiação solar incidente no plano do coletor. 𝜂𝑐 expressa a eficiência instantânea do
coletor, e é definida como segue na Eq. (3.21).

Δ𝑇 Δ𝑇 2 (3.21)
𝜂𝑐 = 𝐹𝑅 [(𝜏𝛼)𝑛 − 𝑈𝐿 − 𝑈𝐿𝑇 ]
𝐺𝑇 𝐺𝑇

Sendo 𝐹𝑅 o fator de remoção de calor pelo fluido, (𝜏𝛼)𝑛 é o produto da


transmitância-absortância no coletor para a incidência normal de radiação, 𝑈𝐿 e 𝑈𝐿𝑇 são
os coeficientes de perdas térmicas de primeira e segunda ordem, respectivamente. O Δ𝑇
é a temperatura de operação, calculada pela diferença entre a temperatura na entrada do
17

coletor e a temperatura ambiente. Como a curva de eficiência de um coletor é obtida


através de testes normalizados, é conveniente agrupar os parâmetros desconhecidos da
Eq. (3.21), obtendo a Eq. (3.22).

Δ𝑇 Δ𝑇 2 (3.22)
𝜂𝑐 = 𝑎0 − 𝑎1 − 𝑎2
𝐺𝑇 𝐺𝑇

O coeficiente 𝑎0 pode ser interpretado como a eficiência óptica do coletor,


enquanto 𝑎1 e 𝑎2 são os coeficientes de primeira e segunda ordem que representam as
perdas térmicas.
Existem ainda três fatores de correção que devem ser aplicados nos parâmetros
da curva de eficiência dos coletores. O primeiro deles é referente aos efeitos da
incidência oblíqua da radiação solar, o outro é referente à utilização do coletor com uma
vazão diferente daquela que foi utilizada nos teste para determinação dos parâmetros
pelo fabricante. E o último, e relacionado aos efeitos associados à utilização de
coletores em série. Para isso, define-se um coeficiente modificado de perdas térmicas
𝑈′𝐿 , conforme a Eq. (3.23) (DUFFIE, 2013).

𝑈′𝐿 = 𝑈𝐿 + 𝑈𝐿𝑇 Δ𝑇 (3.23)

Assim obtém-se a Eq. (3.24) para a curva de eficiência:

Δ𝑇 (3.24)
𝜂𝑐 = 𝐹𝑅 (𝜏𝛼)𝑛 − 𝐹𝑅 𝑈′𝐿
𝐺𝑇

Outro fator corretor que se deve incluir na curva de eficiência é o modificador


do ângulo de incidência 𝐾𝜏𝛼 , que tende a corrigir os efeitos da incidência oblíqua
da radiação solar no coletor. Nesse contexto, para coletores planos este fator pode ser
aproximado pela Eq. (3.25). Para esse trabalho, foram desconsideradas essas
interferências de ângulos, logo a radiação chega plenamente no coletor.

1 1
𝐾𝜏𝛼 = 1 − 𝑏0 (cos 𝜃 – 1) − 𝑏1 (cos 𝜃 – 1)2 (3.25)

Como em condições reais de operação, os coletores normalmente utilizam uma


vazão diferente 𝑚̇𝑢𝑠𝑒 da vazão de teste 𝑚̇𝑡𝑒𝑠𝑡 , na qual a curva de eficiência foi
18

determinada. Dessa forma é necessário corrigir os parâmetros utilizados na Eq.(3.21)


através do fator de correção da vazão, expresso na Eq. (3.26).

−𝐴𝑐 𝐹 𝑈𝐿 ′
𝑚̇𝑐𝑝
[𝐹𝑅 𝑈′𝐿 ]𝑢𝑠𝑒 [ ′ (1 − 𝑒 𝑚̇𝑐𝑝 )]𝑢𝑠𝑒
𝐴𝑐 𝐹 𝑈𝐿 (3.26)
𝑟1 = = −𝐴𝑐 𝐹 ′ 𝑈𝐿
[𝐹𝑅 𝑈′𝐿 ]𝑡𝑒𝑠𝑡 𝑚̇𝑐𝑝 𝑚̇𝑐𝑝
[ (1 − 𝑒 )]𝑡𝑒𝑠𝑡
𝐴𝑐 𝐹 ′ 𝑈𝐿

Onde o parâmetro 𝐹 ′ 𝑈𝐿 deve ser calculado pela Eq. (3.27) tanto para a condição
de uso, quanto para a condição de teste.

𝑚̇𝑐𝑝 𝐴𝑐 𝐹𝑅 𝑈′𝐿 (3.27)


𝐹 ′ 𝑈𝐿 = − ln(1 − )
𝐴𝑐 𝑚̇𝑐𝑝

Os parâmetros 𝐹𝑅 (𝜏𝛼)𝑛 e 𝐹𝑅 𝑈′𝐿 devem ser modificados para contabilizar a


operação dos coletores montados em serie, logo define-se a Eq. (3.28):

1 − (1 − 𝐴𝑐 𝐹𝑅 𝑈 ′ 𝐿 )𝑁𝑠
𝑟2 =
𝐴 𝐹 𝑈
𝑁𝑠 𝑐𝑚̇𝑐𝑅 𝐿 (3.28)
𝑝

Sendo 𝑁𝑠 o número de coletores em série. Feito os fatores de correção,


determina-se o ganho térmico do coletor, para isso deve-se substituir a Eq.(3.21) na
Eq.(3.20) e aplicam-se os fatores de correção. Daí se obtém a Eq.(3.29) do ganho
térmico e a Eq. (3.30) da temperatura de saída do coletor solar. Um último e não menos
importante fator a ser calculado é a vazão mássica que pode ser obtida pela Eq. (3.31).

𝑄̇𝑢 = 𝑚̇𝑐 𝑐𝑝 (𝑇𝑐,𝑜 − 𝑇𝑐,𝑖 ) = 𝑟1 𝑟2 𝐴𝑐 [𝐺𝑇 𝐾𝜏𝛼 𝑎0 − 𝑎1 Δ𝑇 − 𝑎2 Δ𝑇 2 ] (3.29)

𝑟1 𝑟2 𝐴𝑐 [𝐺𝑇 𝐾𝜏𝛼 𝐹𝑅 (𝜏𝛼)𝑛 − 𝐹𝑅 𝑈′𝐿 Δ𝑇] (3.30)


𝑇𝑐,𝑜 = + 𝑇𝑐,𝑖
𝑚̇𝑐𝑝

𝑚̇𝑐 = 𝑚̇′′𝑡𝑒𝑠𝑡 𝐴𝑐 (3.31)

Com o total de perdas de calor encontrado, através da Eq. (3.19), o ganho


térmico mínimo que o coletor deve ser é equivalente ao total de perdas para que se
possa manter a piscina na temperatura ideal de banho que é de 28ºC. Daí basta isolar a
19

variável 𝐴𝑐 que se encontra a área total de coletores necessária na aplicação,


representada pela Eq. (3.32). A placa solar utilizada tem 1,1 m2, logo conseguimos
através de proporção determinar o número final de coletores com a Eq. (3.33).

𝑄̇𝑢 (3.32)
𝐴𝑐 =
𝐺𝑇 𝜂𝑐

𝐴𝑐 (3.33)
𝑁𝑠 =
1,1

Os dados utilizados nos cálculos do coletor solar foram fornecidos pelo próprio
fabricante se encontram resumidos na Tab. 3.1.

Tabela 3.1 – Dados coletor ALO-SOLAR 1002 (adaptado).

Área de abertura/total 1,1 m2


Massa em vazio 5 kg
Volume líquido 0,008 m3
Vazão máxima 0,227 m3/(hm2)
Máxima pressão admissível 245,15 kPa
Material PEBD
Fluido Térmico Àgua
𝒂𝟎 0,73274
𝒂𝟏 19,2888 W/(m2K)
𝒂𝟐 0 W/(m2K2)
𝒎̇′′𝒕𝒆𝒔𝒕 0,01818 kg/(sm2)
𝒃𝟎 0
𝒃𝟏 0

Fonte: Starke (2013).

Por se tratar de um coletor sem cobertura, não há necessidade de se aplicar o


fator modificador do ângulo de incidência. A Fig. 3.4 apresenta as curvas de eficiência
do coletor geradas pela Eq.(3.24) para diferentes níveis de radiação.
20

Figura 3.4 – Curva de eficiência do coletor ALO-SOLAR 1002 para diferentes


níveis de radiação solar incidente no coletor.

Fonte: Starke (2013).

Ainda para o coletor solar, foram assumidas as seguintes simplificações, para


deixar a situação de modelagem mais simples, segundo Duffie (2013).

1. Regime de estado estacionário.


2. Construído por placas e tubos paralelos.
3. As bordas do coletor representam uma pequena área e podem ser
desprezadas.
4. As bordas garantem o fluxo uniforme nos tubos.
5. Não existe absorção de calor pelas coberturas.
6. O fluxo de calor através das coberturas é unidimensional.
7. A queda de temperatura após a cobertura é desprezível.
8. As coberturas são opacas para radiação infravermelha.
9. Existe um fluxo unidimensional de calor através do isolamento.
10. O céu pode ser considerado um corpo negro para ondas longas.
11. Os gradientes de temperatura ao redor da cobertura podem ser
negligenciados.
12. Os gradientes de temperatura na direção do escoamento e entre os tubos
podem ser tratados independentemente.
13. As propriedades são independentes da temperatura.
14. As perdas em qualquer direção do coletor são consideradas perdas para o
ambiente.
15. Poeira e sujeira sobre o coletor também são negligenciadas.
21

16. Sombras no coletor também são desprezadas.

3.7 – SISTEMA DE AQUECIMENTO

Neste trabalho foi considerado o aquecimento direto da piscina por sistemas de


coletores solares planos sem cobertura, tendo como fluido de trabalho a própria água da
piscina. O sistema contém duas bombas que têm a função de fazer a circulação da água
pelo coletor solar e pelo sistema de filtragem, o qual irá garantir a limpeza da água e
diminuir o ataque das impurezas às tubulações. A representação do sistema pode ser
observada na Fig. 3.5.

Figura 3.5 – Representação do sistema de aquecimento considerado.

Fonte: SOLETROL (2018).

O esquema pode ser entendido da seguinte forma:

1. Coletores solares localizados no telhado da residência;


2. A água fria sai da piscina e vai para os coletores;
3. A água aquecida sai dos coletores e volta para a piscina;
4. Filtro da piscina;
5. Bomba do sistema de aquecimento solar;
6. Bomba do sistema de filtragem da piscina;
7. Piscina

A água da piscina (7) a ser aquecida é succionada pela bomba de aquecimento


solar (5) e enviada pela tubulação de recalque (2) para os coletores solares localizados
22

no telhado da casa (1). Depois de aquecida, a água retorna pela tubulação (3), ainda por
força da bomba (5), e que é também auxiliada pela força da gravidade. A água aquecida
se junta à água do sistema de filtragem (4) que é impulsionada pela bomba (6). Faz-se
necessária essa mistura das águas de diferentes temperaturas, para que a água quente
não seja despejada diretamente na piscina e venha a ocasionar possíveis danos a pele
dos banhistas. Se faz necessário um sistema de gerenciamento eletrônico para
acionamento e desligamento da bomba de aquecimento. Pode-se ainda colocar na
junção da linha de retorno (3) com a água filtrada (4) uma válvula termostática para
realizar o controle da passagem da água aquecida para a piscina.

As piscinas tratadas neste trabalho não estavam expostas diretamente ao sol


como a piscina da Fig. 3.5. Deste esquema foi mantida apenas a disposição dos
elementos como, bombas, filtros e possíveis válvulas. As piscinas estudadas são
semelhantes à representação da Fig 3.6.

Figura 3.6 – Representação da localização da piscina (adaptado).

Fonte: FullEstruturas

3.8 – CARACTERÍSTICAS DO LOCAL

A aplicação dos modelos foi feita com dados: de uma piscina de olímpica (2m x
25m x 50m), para uma piscina semiolímpica (2m x 25m x 25m) e para uma piscina com
¼ da área da piscina olímpica (2m x 25m x 12,5m). Todas elas localizadas na cidade de
Natal, no Estado do Rio Grande do Norte (RN). A umidade relativa do ar local
considerada foi de 60%, e a média da velocidade do vento de 4.4 m/s (16 km/h).
23

Ressaltando que a piscina é aberta/coberta e sem perturbação (sem a presença de


banhistas). A radiação global começa a incidir nesta cidade a partir das 05h30min até
cerca de 17h30min, mas os horários nos quais é possível a produção/conversão de
energia solar em térmica é das 8 as 15h, ou seja, um total de 8 horas diárias. A média
diária da irradiação horizontal global com essa restrição ficou com o valor de 718,75
W/m2. Os meses de maiores médias de incidência são de outubro a janeiro. Assim como
o potencial de produção de energia é alto, as perdas de calor nessa cidade pelos
mecanismos naturais de transferência também se sobressaem em grande parte do ano.

Um resumo dos dados gerais de entrada da piscina olímpica e dos coeficientes


utilizados nas equações de perdas/adição de calor se encontra na Tab. 3.2 Para as outras
configurações de piscinas, muda-se apenas a área superficial.

Tabela 3.2 – Dados de entrada para a piscina olímpica e coeficientes das equações de
adição e perda de calor.

Temperatura da piscina 𝑻𝒔 28 ºC
Temperatura do ar 𝑇𝑎𝑟 24 ºC
Temperatura do solo 𝑇𝑔𝑟𝑜𝑢𝑛𝑑 24 ºC
Umidade do ar 𝜙 60%
Pressão atmosférica 𝑃𝑎𝑡𝑚 101160 Pa
Área superficial da piscina 𝐴𝑠 1250 m2
Volume da piscina - 2500 m3
Condutividade térmica da argamassa 𝑘𝑎𝑟𝑔𝑎𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 0,75 W/m.K
Condutividade térmica do azulejo 𝑘𝑎𝑧𝑢𝑙𝑒𝑗𝑜 0,40 W/m.K
Condutividade térmica do concreto 𝑘𝑐𝑜𝑛𝑐𝑟𝑒𝑡𝑜 1,4 W/m.K
Emissividade da água 𝜀𝑤 0,9
Emissividade da cobertura 𝜀𝑐𝑜𝑣𝑒𝑟 0,92
Espessura da parede 𝐿 14 cm
Irradiação média global horizontal 𝐺 718,75 W/m2

3.9 – CODEBLOCKS E MICROSOFT EXCEL

Devido à necessidade de se calcular as taxas de perdas de calor para um


intervalo de temperatura do ar e também um intervalo de velocidades do vento, se fez
24

necessário à utilização de programas computacionais, preferencialmente, um que fosse


acessível ao público acadêmico e de simples utilização.

Os programas utilizados foram dois: o CodeBlocks e o Microsoft Excel. O


primeiro apresenta uma linguagem de programação em C++, de fácil interpretação, e foi
utilizado na rotina de cálculos. Já o segundo, programa disponível no pacote Office e de
fácil utilização, foram construídos os gráficos e as tabelas para a comparação de dados e
análise de sensibilidade das taxas de transferência de calor.

Inserindo os dados de entrada no programa CodeBlocks, ele exibirá como


resultado um vetor resposta para as taxas de perdas e adição de calor. Foram elaboradas
rotinas para os cálculos das taxas que tinham alguma variação com a temperatura ou
coma velocidade do vento. Ao se realizar as iterações foi constatado que os maiores
valores entre as Eqs. (3.1) e (3.2) era da Eq. (3.2) de Shah, e seguindo o que se pede na
descrição do método, que fosse escolhida a equação que fornecesse o maior valor. Daí
se passou a trabalhar somente com a Eq. (3.2). Após coletado os vetores resposta da
rotina, foram inseridos os dados no Excel para a construção dos gráficos e das tabelas.

3.10 – SEQUÊNCIA DE RESOLUÇÃO

A Fig. 3.5 apresenta um esquema da resolução de todo o trabalho.


25

Figura 3.5 – Fluxograma de resolução do trabalho.

Problema: aquecimento de piscinas.

Possíveis soluções: Aquecedores elétricos, aquecedores a óleo ou a gás,


bombas de calor e Aquecedores Solares.

Dados de entrada 𝑻𝒑𝒊𝒔𝒄 , 𝑻𝒂𝒓 , 𝑨𝒑𝒊𝒔𝒄 , ∅, 𝑳, 𝑮, 𝝐, 𝒌...

Modelagem matemática e resolução: CodeBlocks

Perdas de calor e Área do coletor solar

Microsoft Excel: gráficos

Análise dos resultados


26

4 - RESULTADOS E DISCUSÕES

Aplicado os dados de entrada na rotina computacional, foram elaboradas tabelas


e posteriormente, gráficos, para melhor análise dos dados. Os valores citados a seguir
são para as temperaturas de referência adotadas, de 28ºC para a temperatura superficial
da piscina e 24ºC para a temperatura do ar atmosférico. Algumas taxas, como a
condução e a radiação não sofrem variação de sua amplitude com o aumento da
velocidade do vento. Neste trabalho foi considerado que a condução se deu em um
regime estacionário, com temperatura do solo de 24ºC. Os valores para condução e
radiação foram de 24,635 kW e 96,826 kW. A variação das taxas de perdas de calor por
condução e por radiação em função da temperatura do solo e do ar, podem ser
observadas nas Figs. 4.1 e 4.2, respectivamente.

Figura 4.1 – Variação de 𝑄̇𝑐𝑜𝑛𝑑 em função de 𝑇𝑔𝑟𝑜𝑢𝑛𝑑 .

Taxa de perda de calor por


condução
25
Q_c (kW)

24

23
22 23 24 25 26 27 28
T_ground (ºC)

Figura 4.2 – Variação de 𝑄̇𝑟𝑎𝑑 em função da 𝑇𝑎𝑟 .

Taxa de perda de calor por


radiação
110

100
Q_rad (kW)

90

80

70
22 23 24 25 26 27 28
T_ar(ºC)
27

O comportamento da taxa de perda de calor por convecção é diferente para duas


situações específicas. Sofre uma elevação com o aumento da velocidade do vento,
chegando a um máximo de 122,1 kW par uma velocidade do vento de 5,2 m/s,
enquanto, quando se varia a temperatura do ar de forma crescente, há uma redução
significativa desta taxa, saindo de 158,550 kW para a temperatura de 22 ºC e chegando
a zero quando as temperaturas do ar e da superfície da piscina se igualam em 28ºC. Os
valores de referência foram de 90,530 kW para uma velocidade do vento de 4,4 m/s (16
km/h) e de 105,700 kW para a temperatura de 24ºC, retirados da análise das Figs. 4.3 e
4.4.

Figura 4.3 – Variação de 𝑄̇𝑐𝑜𝑛𝑣 em função 𝑢𝑤𝑖𝑛𝑑 .

Taxa de perda de calor por


140 convecção
120
Q_conv (kW)

100

80

60
2,9 3,28 3,66 4,04 4,4 4,81 5,2
u_wind (m/s)

Figura 4.4 – Variação de 𝑄̇𝑐𝑜𝑛𝑣 em função de 𝑇𝑎𝑟 .

Taxa de perda de calor por


160
convecção

120
Q_conv (kW)

80

40

0
22 23 24 25 26 27 28
T_ar (ºC)
28

Os maiores valores de perdas de calor foram encontrados na evaporação.


Considerando as duas equações, a Eq. (3.9) de Shah e a Eq. (3.10) de Tarrad, a primeira
não apresentou variação com a velocidade do vento, mas sofreu juntamente com a
segunda, forte influência da temperatura do ar ambiente. Segundo Shah (2012a) e
Rzeznik (2017), a Eq. (3.9) é a mais convergente possível da realidade, mas depois das
iterações realizadas, percebeu-se que sua equação fornecia valores de perdas
evaporativas menores que as perdas convectivas. O que, segundo as literaturas listadas,
não é real, pois as perdas evaporativas são sempre na ordem de 54 – 69 %. Em relação a
Eq. (3.10), seu comportamento esteve adequado e dentro dos limites esperados, com um
valor de referência de 227,079 kW. O valor da Eq. (3.9) é de 84,503 kW para as
mesmas especificações, evidenciando o que foi citado anteriormente. A Fig. 4.5 mostra
os valores das Eqs. (3.9) e (3.10) em comparação variando em função da temperatura do
ar.

Figura 4.5 – Variação de 𝑄̇𝑒𝑣𝑎𝑝 em função da 𝑇𝑎𝑟 .

Taxa de perda de calor por


evaporação
300

250 Evaporação -
Q_evap (kW)

Shah
200
Evaporação -
150 Tarrad

100

50
22 23 24 25 26 27 28
T_ar (ºC)

As Figs. 4.6 e 4.7 resumem os comportamentos de todas as taxas das perdas de


calor analisadas, evidenciando quais as perdas de calor mais significativas. A Fig. 4.6
retrata as perdas de calor em função da temperatura do ar, enquanto a Fig. 4.7 avalia em
função da velocidade do vento.
29

Figura 4.6 - Variação de 𝑄̇ em função da. 𝑇𝑎𝑟 .

Perdas de calor para a piscina olímpica


300

250

200 Condução
Q (kW)

Convecção
150
Radiação
100
Evaporação - Shah
50 Evaporação - Tarrad

0
22 23 24 25 26 27 28
T_ar (ºC)

Figura 4.7 - Variação de 𝑄̇ em função de 𝑢𝑤𝑖𝑛𝑑 .

Perdas de calor para piscina olímpica


300

250
Condução
200
Convecção
Q (kW)

150
Radiação
100 Evaporação - Tarrad

50

0
2,9 3,28 3,66 4,04 4,4 4,81 5,2
u_wind (m/s)

As perdas de calor se deram da seguinte forma, de acordo com sua importância:


a perda de calor por evaporação como a mais influenciadora, seguida pelas perdas de
calor da convecção, radiação e por último, a condução. Como esperado a evaporação se
deu como a perda de calor mais intensa, chegando a 50% do total das perdas de calor. A
importância de cada taxa de perda calor esta representada pelo gráfico da Fig. 4.8.
30

Figura 4.8 – Gráfico da distribuição das perdas de calor para a piscina olímpica aberta.

Distribuição das perdas de


calor para a piscina olímpica
aberta
Condução Radiação Convecção Evaporação
6%

21%
50%

23%

Para a temperatura do ar de 24ºC, as perdas somadas formaram um total de 454


kW. Para manter a temperatura da piscina na mínima condição de banho, o total de
coletores deve absorver calor na mesma quantidade que é liberada, daí a área total de
coletores necessária a essa operação é de 928 m2. Como a área de um único coletor é 1,1
m2 serão necessárias cerca de 844 placas solares. Lembrando que, de acordo com a da
Fig. 3.4, a eficiência do coletor ficou por volta de 68% para uma diferença de
temperatura de 4ºC (24 a 28ºC).

Para fins de comparação e uma maior abrangência de tamanhos de piscinas, foi


elaborado um gráfico, Fig. 4.9, com os novos valores de área superficial da piscina,
considerando as seguintes dimensões: (2m x 25m x 25m) e (2m x 25m x 12,5m),
semiolímpica e 1/4 da área da piscina olímpica, respectivamente.
31

Figura 4.9 – Gráfico da variação de 𝑄̇ em função de 𝐴𝑝 .

Perdas de calor em função da área


250

200

150 Condução
Q (kW)

Radiação
100 Convecção
Evaporação
50

0
1250 625 312.5
Ap (m2)

Essas novas dimensões de área de 625 m2 e 312,5 m2 levaram a um total de


perdas de calor de 228 kW e 112 kW, respectivamente. Sendo que, para o aquecimento
do primeiro caso seriam necessárias 424 placas coletoras (466,5 m2) e 208 placas
coletoras (229 m2) para o segundo caso.

Aplicando sobre a piscina uma cobertura de material polietileno nos períodos de


não utilização, ou seja, em um total de 12 horas, tem-se a redução das perdas por
evaporação em cerca de 50%, enquanto que a convecção passa a atuar com a troca de
calor entre o ar atmosférico e a cobertura, e não mais com a superfície da água. As
perdas por radiação também sofrem influenciam direta, pois a superfície exposta agora
passa a ser da cobertura de polietileno, modificando assim a emissividade. A única
perda que se mantem com as mesmas características, independentemente da piscina está
coberta ou não, é a condução. O total de perdas de calor para a piscina olímpica coberta
foi de 340 kW, ou seja, uma redução de cerca de 25% em relação a piscina olímpica
sem a cobertura. Essa comparação é evidenciada pelo gráfico da Fig. 4.10 que
representa o comportamento das taxas de perdas de calor para uma piscina com e sem a
cobertura de polietileno.
32

Figura 4.10 - Comportamento de 𝑄̇ para uma piscina olímpica com e sem a cobertura de
polietileno.

Influência da cobertura nas perdas de


250
calor para a piscina olímpica

200

150
Q (kW)

Condução
100 Radiação
Convecção
50
Evaporação

0
Com Sem
Presença da cobertura

Com a piscina coberta, seriam necessários cerca de 696 m2 de área , totalizando


632 placas coletoras. A Fig. 4.11 mostra uma comparação entre a influência da
cobertura e a redução da área superficial da piscina, nas taxas de perdas de calor. Como
as taxas de perdas de calor foram modificadas com a inserção da cobertura de
polietileno, a importância de cada perda também se alterou. A mudança mais evidente
foi a redução da taxa de evaporação, que passou agora a representar apenas 33% do total
de perdas. Esse comparativo é evidenciado na Fig 4.12.
33

Figura 4.11 – Comparativo entre a influência da cobertura e a redução da área


superficial da piscina nas taxas de perdas de calor 𝑄̇ .

Influência da cobertura e da área nas


perdas de calor
250

200

150
Q (kW)

Condução
100 Radiação

50 Convecção
Evaporação
0
1250 sem 1250 com 625 312.5
cobertura cobertura
Ap (m2)

Figura 4.12 – Distribuição das perdas de calor para uma piscina olímpica com
cobertura.

Distribuição das perdas de calor


para a piscina olímpica coberta

Condução Radiação Convecção Evaporação

7%

33%
29%

31%
34

5 - CONCLUSÕES

Verificou-se a influência direta da velocidade do vento nas taxas de perdas de


calor por evaporação e por convecção, enquanto que as outras taxas não alteraram seu
valor. Quando a variável passou a ser a temperatura do ar ambiente, a única taxa que
não sofreu variação foi a perda de calor por condução, devido a temperatura do solo e
da piscina estarem em regime estacionário, deixando assim a perda por condução
constante para o intervalo de temperatura do ar analisado.

Para a manutenção da temperatura da piscina olímpica sem cobertura em níveis


aceitáveis, a taxa total de perda de calor foi de 454 kW, necessitando assim de 844
placas solares com 1,1 m2. Com a inserção da cobertura de polietileno, as perdas por
evaporação sofreram uma grande redução, o que influenciou diretamente na taxa total
de perda de calor, que foi reduzida em 25%, ou seja, passou para 340 kW, necessitando
agora de 632 placas solares.

Para a piscina semiolímpica aberta, o total de placas coletoras foi de 424, e para
o último caso avaliado, a quantidade foi de 208 placas coletoras. Esses dados levaram a
conclusão de que para Natal/RN a área de placas coletoras correspondem a 74% da área
da superfície da piscina. Apesar do elevado custo inicial, os aquecedores solares
apresentam um retorno econômico em longo prazo, pois durante sua operação eles só
necessitam da incidência solar e do fluido de trabalho, que pode ser a própria agua da
piscina, para poderem fazer a conversão da energia solar em térmica. Levando em
consideração os dias de baixa incidência de radiação solar, pode-se ainda associar os
coletores solares a sistemas de aquecedores elétricos para suprir a demanda térmica. E
ainda, durante o período de não utilização da piscina, é indicado colocar sobre ela uma
cobertura, para assim diminuir as perdas de calor, principalmente as perdas de calor por
evaporação.

Dado o exposto, é de comum avaliação as vantagens do sistema de aquecimento


por energia solar em piscinas abertas e cobertas, devido também a alta incidência de
irradiação solar sobre o local, fazendo com que a atividade desenvolvida na piscina
tenha as devidas condições de banho e não venha a ocasionar danos físicos aos
banhistas.
35

6 - REFERÊNCIAS

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em 31 de agosto de 2018.

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