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Sociedade de Advogados

MCFG e Associados
Rua João de Cáceres
3000-001 Coimbra

Senhor Juiz de Direito


Tribunal Administrativo e Fiscal de
Coimbra

ADÉLIA TRAMADO, docente universitária, NIF nº 18000000, portadora do CC nº 11118789,


casada, residente na Rua do Despacho nº 4, 3000-000 Coimbra.

Vem intentar, ACÇÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL para impugnação do despacho nº 12/2012


emitido pelo Presidente do Instituto Superior Politécnico das Ilhas Desertas na Região
Autónoma da Madeira, datado de 13 de Junho de 2012.

Contra, o

INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DAS ILHAS DESERTAS, pessoa colectiva nº 501999000,


com sede na Região Autónoma da Madeira, 5400-333 Madeira, representado pelo seu
Presidente António Carvalho.

Nos termos e com os seguintes fundamentos:

A - Dos Factos:


A ora Autora, celebrou contrato de trabalho por tempo indeterminado na categoria de
professora adjunta, com um período experimental de 5 anos com o ora Réu. (cfr. doc. 1 – CT)
em 01/07/2007.

1
Contudo, do período experimental passaram apenas cerca de 4 anos e meio.


No entanto, no passado dia 14 de Junho do ano de 2012 a Autora recebeu um despacho do
Presidente do Instituto, onde constava o seguinte:

“ Senhora professora decidi fazer cessar o seu contrato de trabalho em funções públicas por
tempo indeterminado em período experimental, porquanto, a instituição não tem verbas para
continuar a proceder ao pagamento do seu salário, pelo que, deverá considerar cessado o seu
contrato no dia 30 de junho data em que termina o período experimental”. (cfr. doc. 2 –
despacho).


Despacho que configura para a Autora uma profunda humilhação, e consternação, na medida
em que, sempre exerceu as suas funções de Docente em obediência às regras deontológicas e
científicas a que a profissão obriga.


Dos seus alunos, obteve continuadamente retornos bastante positivos pelo profissionalismo e
cordialidade e dedicação com que exercia as suas funções.


Em consequência da referida situação, e tendo em conta, a importância deste trabalho na vida
da Autora, tanto a nível profissional como pessoal, tendo em vista a realização do seu projecto
de vida, esta encontra-se num verdadeiro estado depressivo.


Pelo que, se viu obrigada a recorrer a serviços médicos psiquiátricos afim de reencontrar o
equilíbrio passado e a vitalidade que sempre caracterizou o seu desempenho profissional. (cfr.
doc. 3 – relatório médico).


A cessação do referido contrato, a produzir efeitos jurídicos na sua esfera individual, colocaria o
seu agregado familiar em perigo de subsistência, pois este é a única fonte de rendimento do
mesmo. (cfr. doc. 4 – IRS).

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Acusa ainda, que o marido da Autora está desempregado, auferindo da Segurança Social a
título de subsídio de desemprego 300€. (cfr. doc. 5 – recibo da SSocial).

10º
Mais acrescenta, que este agregado familiar é composto também por dois filhos menores.

B – Do Direito:

O despacho que ora se impugna padece de vários vícios, que trato a seguir individualmente,
senão vejamos:

11º
Ao abrigo do Estatuto da Carreira Docente do Ensino Superior Politécnico, nomeadamente do
disposto do nº1 do art. 10º B,

12º
Apenas uma avaliação negativa da actividade desenvolvida pela docente, deliberada em
Conselho Técnico Científico, sob proposta fundamentada e aprovada por maioria dos membros
em efectividade de funções e de categoria igual, poderia decidir no sentido da cessação do
contato.

13º
Ora, quem decidiu foi o Senhor Presidente. Logo, estamos na presença de um vício formal por
incompetência relativa e por que não se respeitaram formalidades essenciais do procedimento
para a emissão do acto administrativo.

14º
O que, nos termos da alínea f), do nº 2, do art. 133º do CPA acarreta a nulidade daquele acto.

12º
Outro vício formal, será a fundamentação deste acto em concreto. Pois, revela-se deveras
insuficiente, o que equivale a falta de fundamentação nos termos do nº 2 do art. 125º CPA, na

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medida em que, devia ter sido motivada unicamente em motivos científicos, conforme
consagra o art. 35º B do ECDESP.

13º
E, portanto, tal vício acarreta a anulabilidade deste acto em concreto, nos termos do art. 136º
do CPA.

14º
Supondo que tudo estivesse de acordo com a lei, por cautela de patrocínio, o contrato de
trabalho não poderia nunca cessar no dia 30 de junho de 2012, na medida em que, dita o
disposto no nº 3 do art. 10º B do ECDESP que a comunicação da decisão de cessação do
contrato de trabalho deve ocorrer até 6 meses antes do termo do período experimental, o que
não se verificou.

15º
Logo, temos aqui presente um vício material por violação de lei, a que se aplica o regime geral
da anulabilidade, por não se enquadrar nos actos previstos no art. 133º do CPA.

Nestes termos, e nos melhores de direito, se digne Vossa Exa.


declarar a acção procedente por provada, com a consequente
declaração de nulidade do despacho aqui em causa; em
consequência, deverá Vossa Exa. demandar o Réu a manter a
Autora no seu posto de trabalho e ondenar o Réu a
indemnizar a Autora pelos danos morais provocados, no valor
de 5.000€. Ou, se assim não se entender, que seja paga a
indemnização prevista no nº4 do art. 10º B por
incumprimento do contrato, de valor igual à remuneração
base correspondente ao período de antecedência em falta
para o pontual cumprimento do contrato de trabalho.
Assim, queira Vossa Exa. mandar notificar o Réu para, caso
querendo, apresente a sua contestação no prazo legal.

C – Da Prova:

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- Documental: 5 documentos
- Testemunhal:
a) colega docente
b) colega docente
c) um aluno

VALOR: 35.50,01€…. (ou a determinar pelo juíz?!?!!?!)

JUNTA: 5 documentos, procuração forense, DUC e comprovativo de pagamento de taxa de


justiça.

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