Você está na página 1de 54

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

ADMILSON DE OLIVEIRA BESERRA

ANÁLISE RADIOGRÁFICA E ULTRASSONOGRÁFICA DE


CÃES COM DISPLASIA COXOFEMORAL

SINOP-MT
2015
ADMILSON DE OLIVEIRA BESERRA

ANÁLISE RADIOGRÁFICA E ULTRASSONOGRÁFICA DE


CÃES COM DISPLASIA COXOFEMORAL

Trabalho de conclusão de curso


apresentado ao Curso de Graduação de
Medicina Veterinária da Universidade
Federal de Mato Grosso, como requisito
parcial para obtenção do Título de
Bacharel em Medicina Veterinária.

Orientadora: Prof ª Ma. Luanna Ferreira Fasanelo Gomes.

SINOP – MT
2015
AGRADECIMENTOS
Em primeiro a minha família, aos meus pais que sem seus esforços e apoio este
momento não seria possível. Liliani Bandeira de Araújo obrigado pelo companheirismo e
cumplicidade nessa caminhada. A todos os professores que tive a oportunidade de ter pela
vida escolar e acadêmica, cada um de vocês foram de suma importância para que este
momento chegasse em minha vida, em especial a minha orientadora Profª Luanna Ferreira
Fasanelo Gomes, pessoa que admiro e agradeço por tudo que pude aprender com você.
Jeana Pereira da Silva, obrigado pela ajuda e companheirismo. A Teresa de Oliveira
Beserra e Jarley Gomes, Vivaldo Bandeira de Araújo e Maria Helena de Souza obrigado pela
recepção e ajuda.
Aos funcionários do Hospital Veterinário da UFMT-Sinop, aos médicos veterinários
Ana Lúcia Vasconcelos, Eduardo Ferreira Farias, e em especial ao Alexandre Nascimento
Farias. Agradeço também Marcelo Gava e Paulino Pereira.
A todos que tive a oportunidade de conhecer e acompanhar durante o estágio, Prof º
Stefano Carlo Filippo Hagen, M.V Silvana Maria Unruh, M.V Luciane Maria Kanayama,
M.V. Richard da Rocha Filgueiras, M.V Bianca Lorenzetti Ampessan.
BESERRA, Admilson de Oliveira. ASPÉCTOS RADIOGRÁFICOS E
ULTRASSONOGRÁFICOS DE CÃES COM DISPLASIA COXOFEMORAL. 2015. XX
folhas. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina Veterinária) –
Universidade Federal de Mato Grosso, Sinop. 2015.

RESUMO
Este trabalho foi dividido em dois experimentos, o experimento 1, onde 5 animais displásicos
foram avaliados quanto a displasia coxofemoral entre novembro de 2012 e julho de 2013 e
avaliados novamente em agosto de 2014 para acompanhar a progressão das alterações
radiográficas da displasia coxofemoral dos animais, estes não foram submetidos a nenhum
tipo de tratamento para a doença. Experimento 2, onde os mesmos animais foram submetidos
a ultrassonografia das articulações coxofemorais, e comparadas com as radiografias obtidas
em agosto de 2014. No experimento 1 os animais tiveram agravamento das alterações
radiográficas, a displasia bilateral foi observada em todos os animais. Quando comparadas as
imagens ultrassonográficas com as radiográficas, 18 avaliações foram semelhantes à
ultrassonografia e a radiografia. Concluindo que animais não tratados podem ter piora dos
sinais radiográficos, e que o uso da ultrassonografia pode auxiliar na avaliação de alterações
articulares causadas pela displasia coxofemoral, porém o diagnóstico continua sendo melhor
realizado pela radiografia.

Palavras chave: ultrassonografia, radiografia, coxofemoral, cães


BESERRA, Admilson de Oliveira. RADIOGRAPHIC ASPECTS AND ULTRASOUND
DOGS WITH HIP DYSPLASIA. 2015. XX folhas. Trabalho de Conclusão de Curso
(Graduação em Medicina Veterinária) – Universidade Federal de Mato Grosso, Sinop. 2015.

ABSTRACT
This study was divided in two experiments, the experiment 1, where 5 dysplastic animals
were evaluated for hip dysplasia between November 2012 and July 2013 and evaluated again
in August 2014 to monitor the progression of radiographic changes of hip dysplasia of the
animals, they have not undergone any treatment for the disease. Experiment 2, where the
animals were subjected to ultrasound of the hip joints, and compared with radiographs
obtained in August 2014. In experiment 1 the animals had aggravation of radiographic
alterations, bilateral dysplasia was observed in all animals. When comparing the ultrasound
images with radiographic, 18 reviews were similar to ultrasound and radiography. Concluding
that untreated animals can have negative development of dysplastic condition, and that the use
of ultrasound can assist in the evaluation of articular changes caused by hip dysplasia, but the
diagnosis is still best done by radiography.

Keywords: ultrasound, radiography, hip, dogs


SUMÁRIO

CAPÍTULO I – RELATÓRIOS DE ESTÁGIO.....................................................................9


1. SETOR DE DIAGNÓSTICO POR IMAGEM DO HOSPITAL VETERINÁRIO DA
FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA DA UNIVERSIDADE
DE SÃO PAULO.....................................................................................................................10
1.1. INTRODUÇÃO................................................................................................................11
1.2 SUPERVISÃO E PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS NO ESTÁGIO….....................12
1.3 HORÁRIO DE TRABALHO...........................................................................................13
1.4 DESCRIÇÃO DO LOCAL..............................................................................................13
1.5 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS................................................................................14
1.6 CASUÍSTICA....................................................................................................................14
2. SETOR DE ORTOPEDIA E NEUROCIRURGIA VETERINÁRIA DO HOSPITAL
VETERINÁRIO ANTÔNIO CLEMECEAU.......................................................................19
2.1. INTRODUÇÃO................................................................................................................20
2.2. SUPERVISÃO E PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS NO ESTÁGIO........................20
2.3. HORÁRIO DE TRABALHO..........................................................................................21
2.4. DESCRIÇÃO DO LOCAL.............................................................................................21
2.5. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS...............................................................................21
2.6. CASUÍSTICA...................................................................................................................21
3. CASO CLÍNICO - ASPECTOS ULTRASSONOGRÁFICOS E RADIOGRÁFICOS
DE CÃO COM LINFOMA....................................................................................................24
3.1. REVISÃO.........................................................................................................................24
3.2. DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO..............................................................................25
4.CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................................29
5.REFERÊNCIAS ..................................................................................................................30
CAPÍTULO II – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO........................................31
1.INTRODUÇÃO....................................................................................................................32
2. REVISÃO DE LITERATURA..........................................................................................32
2.1.ETIOLOGIA.....................................................................................................................32
2.2.1.DIAGNÓSTICO.............................................................................................................34
2.2.2.EXAME CLÍNICO........................................................................................................34

2.2.3. EXAME RADIOGRÁFICO.........................................................................................35


2.2.3. EXAME ULTRASSONOGRÁFICO..........................................................................36
2.3.4. TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA.................................................................37
2.4. TRATAMENTO...............................................................................................................37
2.4.1. TRATAMENTO CONSERVATIVO..........................................................................37
2.4.2. TRATAMENTO CIRÚRGICO...................................................................................38
3. OBJETIVO..........................................................................................................................38
4. MATERIAIS E MÉTODO.................................................................................................38
4.1. ANIMAIS EXPERIMENTAIS.......................................................................................39
4.2. EXAME RADIOGRÁFICO...........................................................................................39
4.3. EXAME ULTRASSONOGRÁFICO.............................................................................40
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO .......................................................................................42
5.1. Experimento 1..................................................................................................................42
5.2. Experimento 2..................................................................................................................45
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................48
7. REFERÊNCIAS .................................................................................................................49
9

CAPÍTULO I – RELATÓRIOS DE ESTÁGIOS


10

1. SETOR DE DIAGNÓSTICO POR IMAGEM DO HOSPITAL


VETERINÁRIO DA FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E
ZOOTECNIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO.
11

1.1. INTRODUÇÃO
No período de 01 de Setembro a 31 de Outubro de 2014, o local de realização do
estágio curricular supervisionado foi o setor de diagnóstico por imagem do Hospital
Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo
(FMVZ-USP), (Figura 1) totalizando 344 horas. A escolha pelo local deu-se pela grande
casuística e pelo grande reconhecimento da FMVZ-USP como instituição de ensino e
pesquisa.

Figura 1: Fachada do Hospital Veterinário da FMVZ-USP.


Fonte: Arquivo Pessoal

1.2. SUPERVISÃO E PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS NO ESTÁGIO


A supervisão do estágio no período foi realizada pelo Prof. Dr. Stefano Carlo Filippo
Hagen, responsável pelo setor de diagnóstico por imagem. O Prof. Dr Stefano Carlo Filippo
Hagen possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo (1981),
graduação em Biologia pela Universidade de São Paulo (1982). É graduando em Filosofia
pela USP (inicio 2011). Obteve grau de Dr. em Medicina Veterinária pela Universidade de
Berna (1985). O estágio foi realizado no serviço de radiologia, onde o aluno acompanhava as
atividades realizadas pela M.V Ma. Silvana Maria Unruh, e no serviço de ultrassonografia
onde acompanhava as atividades realizadas pela M.V Ma. Luciane Maria Kanayama.
12

1.3 HORÁRIO DE TRABALHO


O estágio foi realizado no período matutino, no horário das 8:30 horas ás 12:30 horas,
onde foi realizado acompanhamento das atividades do serviço de ultrassonografia (Figura 2),
e no período vespertino das 13:00 horas ás 17:00 horas no serviço de radiologia (Figura 3).
Os atendimentos no serviço de ultrassonografia são realizados mediante agendamento
prévio, com exceção dos exames considerados emergenciais, os quais são realizados assim
que solicitados. O horário de funcionamento da ultrassonografia é das 8:30 ás 12:30 horas e
das 13:30 ás 17:30 horas.

Figura 2: Sala de exames do serviço de Figura 3: Sala de exames do serviço de


ultrassonografia. Fonte: Arquivo pessoal. radiologia. Fonte: Arquivo pessoal.

Os atendimentos no serviço de radiologia são realizados mediante agendamento


prévio, com exceção dos exames considerados emergenciais, os quais são realizados assim
que solicitados. Os exames radiográficos são realizados por dois técnicos em radiologia, os
mesmos realizam a revelação das radiografias e edição e encaminham as imagens para a sala
de laudos. Na sala de laudos, após a análise das imagens, o laudo é feito pela veterinária do
serviço. Os exames só são realizados se o proprietário for acompanhado com mais uma pessoa
para que contenham o animal na posição para a realização do exame. Após o exame, o
proprietário espera a liberação do laudo juntamente com o prontuário para que possa retornar
ao setor de origem. O serviço de radiologia funciona das 8:00 ás 12:00 horas e das 13:00 ás
17:00 horas.
13

1.4 DESCRIÇÃO DO LOCAL


O setor de diagnóstico por imagem do HOVET-USP é compreendido entre e
ultrassonografia e radiologia. O serviço de ultrassonografia possui uma sala de exames,
equipada com um aparelho de ultrassonografia com transdutores multifrequências sendo um
linear, e dois convexos, mesa de inox para realização dos exames, armário para guarda de
materiais de consumo (gel de contato, álcool, lâminas de tosa, seringas e agulhas, máquina de
tosa), calha de espuma, possui um aparelho para captura de imagens ultrassonográficas que
após a captura disponibiliza as imagens no sistema Synapse®, que é um sistema que
administra as imagens geradas pelo setor e disponibiliza para os demais setores do hospital. A
ultrassonografia possui outra sala de exames composta de um aparelho de ultrassonografia
com transdutores multifrequênciais, mesa de inox para realização de exames, armário para
guarda de materiais de consumo, um computador para digitação de laudos. A ultrassonografia
ainda é composta por uma sala onde os residentes utilizam para dedicarem-se aos estudos e
uma copa.
O serviço de radiologia possui duas salas de realização de exames radiográfica, cada
uma equipada com um aparelho de raios-x fixo, equipamentos de proteção radiológica, calhas
de espumas de variados tamanhos e pesos para auxílio na contenção do animal, em uma das
salas está guardado um aparelho móvel e um aparelho portátil, usados sempre que
necessários. Possui uma sala de tomografia, equipada com um aparelho de tomografia
computadorizada, computador e mesa de comando, um armário que possui materiais de
consumo. Na radiologia existe uma sala de aula prática, contendo negatoscópios, TV de LCD
para visualizações de imagens digitais, mesa, carteiras escolares, arquivo de radiografias
convencionais. Um local destinado ao processamento de imagens completa a parte de exames,
a mesma possui acesso direto as salas de exames, possui um armário que contém materiais de
consumo e outro para acomodar os chassis radiográficos, possui uma digitalizadora de filmes
radiográficos e um computador para os técnicos em radiologia processem as imagens e as
enviam para a sala de laudos e também as disponibilizam no Synapse®, a sala de laudos é
equipada com 4 computadores, dois computadores são para confecção dos laudos e os outros
dois para uso de estagiários. A revelação das imagens é realizada pelo setor de diagnóstico
por imagem, para que possam ser disponibilizadas no Synapse®. O serviço ainda conta com
uma sala para realização de exames em animais de produção, que possui piso emborrachado
para maior segurança dos animais a serem examinados, este local é utilizado sempre que o
setor de equinos ou de ruminantes a solicita, estes exames são realizados com aparelhos de
cada setor.
14

1.5 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS


No serviço de ultrassonografia era realizada tricotomia do animal (cão e gato) e
identificação do animal no sistema Synapse®; auxílio na realização do exame pela médica
veterinária. Quando o animal não era agitado e estivesse em boa condição clínica era possível
a realização do exame pelo estagiário antes da aquisição das imagens pela veterinária. Após
os exames era feito acompanhamento da realização dos laudos. Exames ultrassonográficos
realizados em animais de produção, eram realizados no setor de ruminantes ou de equinos
com equipamentos próprios de cada setor.
No serviço de radiologia era feito o acompanhamento do posicionamento dos animais
para a realização do exame radiográfico e a realização dos laudos pela veterinária
responsável. Os estagiários tinham acesso a um computador da sala de laudos onde podiam ter
acesso as imagens radiográficas e laudos. Os estagiários faziam um laudo por dia e uma vez
por semana realizava-se discussão sobre imagens que mais chamaram a atenção, as discussões
eram realizadas juntamente com professores e residentes do setor.

1.6 CASUÍSTICA
No período de 01 de Setembro a 31 de Outubro, foram acompanhados 145 exames
ultrassonográficos (Figura 4), destes o maior número de espécies atendidas foi a canina com
68% (99/145) seguida da felina com 16% (24/145). O sistema digestório foi o sistema com
maior número de exames acompanhados 30% (44/145), seguido do sistema reprodutor com
27% (39/145) (Quadro 1). Como principal alteração encontrada no sistema digestório a
gastrite foi diagnosticada em 20 animais, no sistema urinário, a alteração mais encontrada foi
a cistite com 13 animais diagnosticados, o linfoma foi a principal alteração encontrada no
sistema linfático/circulatório com 11 animais, no sistema locomotor 7 animais foram
diagnosticados com tendinite sendo essa a alteração mais encontrada, o sistema respiratório
teve como principal alteração pleurite encontrada em 4 animais, no sistema reprodutor 18
animais foram diagnosticados com suspeita de piometra, esta foi a alteração mais encontrada
nesse sistema (Quadro 2).
15

Figura 4: Exames ultrassonográficos distribuídos entre as espécies.

EXAMES Canina Felina Equina Muar Ovina Caprina Bovina TOTAL %

Sist. Reprodutor 28 3 7 0 0 0 1 39 27%


Sist. Digestório 34 9 0 0 0 1 0 44 30%
Sist. Respiratório 2 0 4 0 0 0 0 6 4%
Sist. Locomotor 2 0 5 1 1 0 0 9 6%
Sist. Urinário 14 9 0 0 0 1 0 24 17%
Sist.
Linfático/circulatório 19 3 1 0 0 0 0 23 16%
TOTAL 99 24 17 1 1 2 1 145 100%

Quadro 1: Distribuição dos sistemas examinados em relação as espécies.

Ultrassonografias
Diagnóstico/suspeita Canina Felina Caprina Ovina Equina Bovina Muar Total
Sistema Digestório
Gastrite 13 7 0 0 0 0 0 20
Enterite 9 2 0 0 0 0 0 11
Corpo estranho intestinal 5 0 0 0 0 0 0 5
Acidose láctica ruminal 0 0 1 0 0 0 0 1
Sem alteração 7 0 0 0 0 0 0 7
Sistema Urinário
Cistite 9 4 0 0 0 0 0 13
Alterações renais 5 5 0 0 0 0 0 10
Urolitíase 0 0 1 0 0 0 0 1
16

Sistema Linfático/Circulatório
Linfoma 9 2 0 0 0 0 0 11
Trombose 1 1 0 0 0 0 0 2
Sem alteração 4 0 0 0 0 0 0 4
Sistema Locomotor
Tendinite 0 0 0 1 5 0 1 7
Ruptura de ligamento cruzado 2 0 0 0 0 0 0 2
Sistema Respiratório
Tumor intratorácico 2 0 0 0 0 0 0 2
Pleurite 0 0 0 0 4 0 0 4
Sistema Reprodutor
Piometra 18 0 0 0 0 0 0 18
Funiculite 0 0 0 0 6 0 0 6
Diagnóstico de gestação 5 1 0 0 0 0 0 6
Avaliação fetal 5 2 0 0 0 0 0 7
Involução uterina 0 0 0 0 1 1 0 2
Sem alteração 5 0 0 0 1 0 0 6
Total 99 24 2 1 17 1 1 145

Quadro 2: Distribuição das alterações encontradas nos sistemas em relação as espécies


examinadas.

Foram acompanhados no período, 176 exames radiográficos; sendo a espécie canina


com o maior número de exames realizados, com 85% (149/176) em seguida a felina com 13%
(23/176) (Figura 5). A região mais radiografada foi o tórax com 48% (84/176), seguida dos
membros com 30% (52/176), (Quadro 3). Nas radiografias de cabeça e coluna a principal
alteração encontrada foi fraturas de mandíbula com 14 animais, nas radiografias de tórax a
maior parte dos animais não apresentaram alterações sendo 32 exames, nos exames de
abdome a principal alteração foi a presença de corpo estranho com 5 animais, nos exames de
membros a principal alteração encontrada foi fraturas de membros, com 20 animais (Quadro
4).
17

Figura 5: Número de exames radiográficos acompanhados durante o


período, separado por espécies.

RADIOGRAFIAS CÃO GATO OVINO AVES TOTAL %


Cabeça e coluna 25 7 1 0 33 19%
Tórax 74 10 0 0 84 48%
Abdome 6 1 0 0 7 4%
Membros 44 5 0 3 52 30%
TOTAL 149 23 1 3 176 100%

Quadro 3: Distribuição das regiões radiografadas em relação as espécies.

Radiografias
Diagnósticos/suspeita Canina Felina Aves Ovina Total
Cabeça e coluna
Fraturas de mandíbula 11 3 0 0 14
Alterações congênitas de coluna 8 0 0 1 9
Sinusite 6 4 0 0 10
Tórax
Cardiomegalia 4 2 0 0 6
Edema pulmonar 9 4 0 0 13
Pneumonia 12 0 0 0 12
Nódulos intratorácicos 17 4 0 0 21
Sem alterações 32 0 0 0 32
18

Abdome
Corpo estranho abdominal 4 1 0 0 5
Fecaloma 1 0 0 0 1
Cálculo vesical 1 0 0 0 1
Membros
Fraturas de membros 14 3 3 0 20
Displasia coxofemoral 8 0 0 0 8
Alterações congênitas em
membros 4 0 0 0 4
Acompanhamento pós cirúrgico 12 2 0 0 14
Sem alterações 6 0 0 0 6
Total 149 23 3 1 176

Quadro 4: Distribuição das alterações encontradas nas regiões radiografadas em relação


as espécies examinadas.
19

2. SETOR DE ORTOPEDIA E NEUROCIRURGIA VETERINÁRIA DO


HOSPITAL VETERINÁRIO ANTÔNIO CLEMENCEAU
20

2.1. INTRODUÇÃO
O estágio curricular supervisionado foi realizado no período de 03 de Novembro de
2014 a 12 de Dezembro de 2014, totalizando 160 horas. O local escolhido para a realização
do estágio foi o Hospital Veterinário Dr. Antônio Clemenceau (HVC) (Figura 6), na cidade
de Brasília, Distrito Federal. O estágio foi realizado no setor de ortopedia e neurocirurgia
veterinária do HVC.
A escolha do local e área de estágio se deu pelo fato de a instituição e o supervisor
possuírem renome a nível nacional, refletindo a qualidade e seriedade do trabalho, ainda por
ser uma instituição privada, deste modo conhecendo a dinâmica de uma instituição privada,
haja visto que o outro estágio foi realizado em uma instituição pública.

Figura 6: Fachada do Hospital Veterinário Antônio Clemenceau.


Fonte: http://www.hospitalclemenceau.com.br/instalacoes

2.2. SUPERVISÃO E PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS NO ESTÁGIO


Dr. Richard da Rocha Filgueiras, supervisor do estágio, é médico veterinário graduado
pela Universidade Federal de Viçosa (2001), possui mestrado (2002) e doutorado (2008) pela
mesma universidade na área de Clínica Cirúrgica Animal e ainda especialista (2008) em
Cirurgia Veterinária pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária. É
membro fundador da Associação Brasileira de Ortopedia e Traumatologia Veterinária (OTV)
e membro ativo da Arbeitsgemeinschaft für Osteosynthesefragen Veterinary (AOVET). A
equipe se completa com a Médica Veterinária Bianca Lorenzetti Ampessan, assistente do Dr.
Richard, mestranda em ortopedia pela ANCLIVEPA.
21

2.3. HORÁRIO DE TRABALHO


O horário de entrada no estágio era as 8:00 horas da manhã ás 18:00 horas. Às
segundas, quartas e sextas, os atendimentos clínicos especializados eram realizados pela
manhã e os procedimentos cirúrgicos pela tarde. Às terças e quintas, os atendimentos eram
realizados pela tarde e os procedimentos cirúrgicos pela manhã. Os horários cirúrgicos das
sextas eram comumente reservados para eventuais procedimentos emergenciais.

2.4. DESCRIÇÃO DO LOCAL


A sala de atendimento da ortopedia e neurocirurgia possui uma mesa de inox para
consultas, lavatório, negatoscópio, monitor de LCD para visualização de exames, mesa e
cadeiras para o veterinário e os clientes, armário com produtos de uso geral como: gazes,
esparadrapos, álcool.
O centro cirúrgico possui duas pias com torneiras sensorizadas, balcão e armário para
materiais esterilizados. Com duas salas cirúrgicas, ambas as salas cirúrgicas são equipadas
com aparelho de anestesia inalatória, monitores multiparamétricos, balcão, carrinho de
fármacos e materiais descartáveis, mesa cirúrgica automatizada, foco cirúrgico, bisturi elétrico
e mesa para instrumental.

2.5. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS


Durante o estágio era acompanhado a realização das consultas ortopédicas e
neurológicas, ajuda na contenção do animal quando necessário e na realização de exames, ao
final das consultas os estagiários juntamente com o Dr. Richard e sua assistente Dr. Bianca,
discutiam os casos bem como quais as providências a serem tomadas, no caso de o animal ser
encaminhado para alguma cirurgia se discutia quais os melhores procedimentos e como
seriam realizados. Também eram realizadas cirurgias de tecidos moles em geral pelo Dr.
Richard.
Outra atividade desenvolvida era o acompanhamento das cirurgias ortopédicas, tecidos
moles e neurocirurgias, sendo realizado o preparo do animal, incluindo recepção e
acomodamento, tricotomia, antissepsia prévia, cuidados pós cirúrgicos, e em alguns casos
auxiliar em determinados procedimentos cirúrgicos.

2.6. CASUÍSTICA
No período do estágio foram acompanhadas 58 consultas clínicas, destas 14% (8/58)
foram consultas neurológicas, e 86% (50/58) consultas ortopédicas (Figura 7). Entre as
22

consultas neurológias o diagnóstico mais encontrado foi hidrocefalia com 27% (3/11),
seguido de neoplasia intracraniana e síndrome vestibular ambas com 18% (2/11). A espécie
mais atendida foi a canina com 82% (9/11) dos atendimentos, o Quadro 5 mostra a
correlação entre os diagnósticos das consultas neurológicas e a distribuição entre as espécies.
As consultas ortopédicas somaram 50, destas o diagnóstico mais encontrado foi o de luxação
patelar, com 22% (11/50), o Quadro 6 mostra a distribuição dos diagnósticos nas consultas
ortopédicas e distribuição entre as espécies.

Figura 7: Consultas acompanhadas no período.

Atendimento Canina Felina Total %


Cisto subaracnóide 1 0 1 13%
Convulsão não esclarecida 0 1 1 13%
Neoplasia intracraniana 2 0 2 25%
Neoplasia intramedular 1 0 1 13%
Síndrome Vestibular 2 0 2 25%
Otite interna 1 0 1 13%
Total 7 1 8 100%

Quadro 5: Correlação entre os diagnósticos das consultas neurológicas e a distribuição


entre as espécies.
23

Diagnóstico Caninos Felinos Total %


Claudicação não esclarecida 1 1 2 4%
Displasia coxofemoral 3 1 4 8%
Displasia de cotovelo 1 0 1 2%
Fratura de fêmur 1 0 1 2%
Fratura de mandíbula 1 0 1 2%
Fratura de rádio e ulna 1 1 2 4%
Hérnia de disco 9 0 9 18%
Luxação de ombro 1 0 1 2%
Luxação patelar 10 1 11 22%
Mioclonia 1 0 1 2%
Osteocondromatose sinovial 1 0 1 2%
Paralisia de laringe 1 0 1 2%
Prolongamento de palato 3 0 3 6%
Ruptura de ligamento cruzado cranial 5 1 6 12%
Síndrome de cauda equina 1 0 1 2%
Fragmentação do processo coronóide 1 0 1 2%
Luxação de cotovelo 1 0 1 2%
Atresia anal 1 0 1 2%
Neoplasia óssea 2 0 2 4%
TOTAL 45 5 50 100%

Quadro 6: Distribuição das cirurgias acompanhadas no período e espécies atendidas.

Foram acompanhadas 42 cirurgias, destas 5% (2/42) foram neurocirurgias, uma


cirurgia para retirada e tumor intracraniano e uma derivação ventrículo-peritoneal. As
cirurgias ortopédicas e de tecidos moles somaram 95% (40/42), a cirurgia com maior
incidência foi a estabilização de fraturas diversas com 19% (8/42), seguida da
ovariosalpingohisterectomia com 12% (5/42). A espécie canina com 93% (39/42) foi a
espécie mais intervenções cirúrgicas durante o período (Quadro 7).

Cirurgias Espécie Canina Espécie Felina Total %


Retirada de gordura para célula tronco 3 0 3 7%
Avanço Tuberosidade Tibial 2 0 2 5%
Aplicação de célula tronco 1 0 1 2%
Sinfisiodese púbica 1 0 1 2%
Osteotomia varizante 1 0 1 2%
Ovariosalpingohisterectomia 5 0 5 12%
24

Ressecção de colo e cabeça femoral 2 1 3 7%


Estabilização de fraturas diversas 7 1 8 19%
Orquiectomia 2 0 2 5%
Retirada corpo estranho esofágico 1 0 1 2%
Fixação de fratura com fixador externo 3 1 4 10%
Paralisia laríngea 1 0 1 2%
Biopsia óssea 1 0 1 2%
Laminectomia descompressiva 3 0 3 7%
Retirada de tumor intracraniano 1 0 1 2%
Derivação ventrículo-peritoneal 1 0 1 2%
Transposição da tuberosidade tibial 1 0 1 2%
Atresia anal 2 0 2 5%
Luxação de cotovelo 1 0 1 2%
Total 39 3 42 100%
Quadro 7: Distribuição das cirurgias acompanhadas no período e espécies atendidas.

3. CASO CLÍNICO - Aspectos ultrassonográficos e radiográficos de cão com


linfoma.

3.1. REVISÃO
O linfoma ou linfossarcoma é um tumor linfoide que se origina em órgão
hematopoético sólido, como linfonodo, baço ou fígado (COUTO, 1992). É a neoplasia
hematopoiética mais comum em cães, 33 casos a cada 100.000 animais (JACOB, et al., 2002;
FOURNELL-FLEURY, 2002). É uma doença considerada multifatorial, sem aparente
envolvimento de agentes químicos ou virais (GAZZAVA, et al., 2001). O linfoma não tem
predição por sexo, e acomete cães com idade média de 6,3 anos – 7,7 anos (TESKE, 1994). O
linfoma é classificado de acordo com a região anatômica a qual acomete, e contempla as
seguintes categorias: multicêntrico, alimentar, mediastínico, cutâneo e extranodal. A
apresentação multicêntrica é a mais comum, ocorrendo em até 68,8% dos casos (MORENO E
BRACARENSE; 2007), afetando linfonodos superficiais e profundos, baço, fígado, tonsilas e
medula óssea. O animal apresenta linfonodomegalia generalizada, que muitas vezes não é
acompanhada de sintomatologia, sintomas que podem incluir: anorexia, letargia, febre, perda
de peso (COUTO, 2006; JACOB, et al, 2002).
A forma alimentar é quando a neoplasia acomete o trato gastrointestinal ou linfonodos
mesentéricos (COUTO, 1992) acometendo o tecido linfoide intestinal. Clinicamente, cães
com linfoma alimentar desenvolvem síndrome de má-absorção, esteatorréia, diarréia e
caquexia.
25

A forma mediastínica envolve o timo ou linfonodos mediastínicos. Os sinais clínicos,


encontrados em cães com linfoma mediastínico, incluem: dispnéia, taquipnéia, tosse,
regurgitação, cianose, alterações nos sons pulmonares e cardíacos e manifestações
relacionadas à síndrome da veia cava (JACOBS, et al, 2002).
A forma extranodal é quando um tumor linfóide se aloja em qualquer órgão não
pertencente ao sistema linfoide, afetando principalmente pele e medula espinhal (COUTO,
2001).
Exames de imagem são úteis para auxiliar no diagnóstico e acompanhamento do
tratamento do animal com linfoma (FARIA, 2011). O exame radiográfico do tórax de animais
com linfoma, pode demonstrar aumento de linfonodos mediastínicos, traqueobrônquicos e
esternais. Linfonodos mediastínicos aumentados, nas projeções laterais podem apresentar
deslocamento dorsal da traqueia e na projeção ventrodorsal alargamento do mediastino. O
aumento de radiopacidade em região de linfonodos intratorácicos com diminuição de
definição pulmonar são aspectos radiográficos de linfonomegalia intratorácica (THRALL,
2010; KEALY et al, 2012). Na radiografia abdominal, achados como esplenomegalia,
hepatomegalia, e eventualmente linfonodos ilíacos mediais, podem ser observados em
animais com linfoma (THRALL, 2010).
O baço, em animais com linfoma, pode apresentar na ultrassonografia nódulos
hipoecóicos difusos no parênquima (THRALL, 2010).

3.2. DESCRIÇÃO DO CASO CLÍNICO


Deu entrada no dia 15 de setembro de 2014 no setor de clínica médica, um cão,
macho, sem raça definida, 9 anos e com 17,5 kg de peso corporal. A proprietária queixava-se
de que o animal tinha um aumento de volume em região cervical ventral há cerca de 30 dias e
disorexia. No histórico do animal havia um diagnóstico em novembro de 2013, de linfoma
multicêntrico, o animal foi tratado com o protocolo quimioterápico de Madison- Wisconsin.
Ao exame físico constatou-se Tº retal 39,3ºC, FC 120 bpm, edema cervical ventral em
topografia de linfonodo mandibular, o qual não foi possível mensuração devido ao edema,
linfonodos poplíteos aumentados de volume (3,5x 3,9cm e 3x 3,8cm, direito e esquerdo,
respectivamente). Os exames de triagem inicial foram citologia aspirativa, radiografia torácica
e ultrassonografia abdominal.
A citologia revelou linfoma linfoblástico multicêntrico, confirmando assim a recidiva
da doença.
26

As radiografias torácicas revelaram aumento de volume na região mediastinal cranial,


traqueobrônquica e esternal, aumento com radiopacidade água e com contornos pouco
definidos, a traqueia torácica apresentava-se desviada dorsalmente, achados compatíveis com
linfonodomegalia intratorácica (Figura 8). Os campos pulmonares estavam poucos
insuflados, com definição de fissuras interlobares, discreto aumento de radiopacidade água em
espaço pleural ventral, sugestivo de quadro de hidrotórax, também foi observado
hepatomegalia e espondiloses anquilosantes de T11 a L2 nas radiografias do animal Estes
achados radiográficos vão de encontro aos de Vieira (2008), encontrando aumento de volume
em áreas de linfonodos intratorácicos.
No exame ultrassonográfico o fígado apresentava-se aumentado, com contornos
preservados, ecogenicidade discretamente reduzida e ecotextura homogênea. Os linfonodos
mesentéricos mediram aproximadamente 5,94 cm x 2,97 cm, 4,58 cm x 2,0 cm, com
contornos irregulares e difusamente heterogêneos (Figura 9). O baço apresentava-se com
acentuado aumento de dimensões, contornos irregulares e ecotextura “rendilhada” (pequenos
nódulos hipoecóicos entremeados em todo o parênquima) (Figura 10). Linfonodomegalia,
sendo visualizados linfonodos ilíacos mediais com acentuada hipoecogenicidade, medida
aproximada do linfonodo direito 4,57 cm x 2,05cm (Figura 11) e o esquerdo 3,86 cm x 1,96
cm. Linfonodo hipogástrico mediu aproximadamente 1,52 cm de diâmetro com ecotextura
heterogênea. Linfonodos em região mesogástrica direita com ecotextura heterogênea,
mediram em seus diâmetros cerca de 2,56 cm, 1,96 cm, 1,16 cm, 2,3 cm e 2,18 cm (Figura
12). Linfonodos aórticolombares mediram em seu diâmetro aproximadamente 2,13 cm o
direito e 1,29 cm o esquerdo, de formas irregulares com ecotextura heterogênea. Linfonodo
gástrico apresentava ecotextura heterogênea e mediu cerca de 1,6 cm de diâmetro. Os
linfonodos hepáticos e esplênicos apresentavam ecotextura heterogênea e mediram
aproximadamente 2,25 cm e 2,15 cm de diâmetro respectivamente. A linfonodomegalia
generalizada é um dos achados mais comuns em cães com linfoma bem como o baço com
áreas hipoecóicas no parênquima, esses aspectos também foram encontrados por Froes
(2004), Vieira (2008) e Faria (2011).
Após os exames de imagem realizados, o animal foi reencaminhado para o setor de
clínica médica, onde foi indicado o tratamento quimioterápico de Madison- Wisconsin, até o
término do estágio o animal estava sob tratamento, e não retornou para novas avaliações de
imagem.
27

a b

Figura 8: Projeções LLD (a) e VD (b) do tórax, identifica-se aumento de volume de


radiopacidade água em região de linfonodos intratorácicos, e radiopacidade água em região
ventral do tórax. Fonte: Serviço de Diagnóstico por Imagem HOVET - FMVZ – USP.

Figura 7: Consultas acompanhadas no período.

Figura 10: Baço, com aspecto


Figura 9: Linfonodo mesentérico
rendilhado, um achado comum em
aumentado de volume. Serviço de
cães com linfoma. Fonte: Serviço de
Diagnóstico por Imagem HOVET -
Diagnóstico por Imagem HOVET -
FMVZ – USP.
FMVZ – USP.
28

Figura 11: Linfonodo ilíaco medial


Figura 12: Linfonodos da região
direito aumentado de volume,
mesogástrica aumentados de volume e
hipoecogênico. Fonte: Serviço de
com ecotextura heterogênea. Fonte:
Diagnóstico por Imagem HOVET -
Serviço de Diagnóstico por Imagem
FMVZ – USP.
HOVET - FMVZ – USP.
29

4.CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estágio curricular supervisionado é de extrema importância para que o aluno coloque
em prática os conhecimentos adquiridos durante o período do curso. É uma oportunidade de
conhecer uma realidade diferente daquela que vivemos durante a graduação, comparar e
aprender novas técnicas das já conhecidas, um período de adaptação à nova realidade que o
aluno se deparará no mercado de trabalho. Foi uma excelente oportunidade de conhecer a
dinâmica de uma instituição privada e de uma instituição pública de ensino de grande renome
nacional e internacional, conhecer quais limitações cada uma tem e como lidam com essas
limitações.
A identificação maior com o estágio na área de diagnóstico por imagem deu-se pelo fato
de maior concentração na área, como monitorias e iniciação científica, a área de ortopedia foi
de grande valia, pois foi possível acompanhar procedimentos nunca acompanhados antes e
compreender melhor os procedimentos que os animais serão submetidos após a realização de
um exame de diagnóstico por imagem.
30

5. REFERÊNCIAS
COUTO CG. Linfoma no cão e no gato. In: NELSON RW, COUTO CG. Medicina interna
de pequenos animais. 2a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2001. p.882-889.
COUTO, C.G. Moléstias dos linfonodos e baço. In: ETTINGER, S.J. Tratado de medicina
interna veterinária. 3.ed. São Paulo: Manole, 1992. 2557p. Cap.115. p.2328-2348.
COUTO, C.G. Oncologia. In: NELSON, R.W.; COUTO, C.G. Medicina Interna de
Pequenos Animais. 2a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006.
FARIA, K.L. A Utilização da Ultrassonografia Abdominal Como Auxílio no Linfoma
Multicêntrico em Cães. 2011. 50 f. Monografia (Graduação em Medicina Veterinária).
Universidade Federal do Paraná, Curitiba.
FOURNELL-FLEURY, C. et al. Canine T-cell lymphomas: a morphological, immunological,
and clinical study of 46 new cases. Veterinary Pathology,v. 39, p. 92-109, 2002.
FROES, R.T. Utilização da Ultra-sonografia em cães com suspeitas de neoplasias do
Sistema digestório (Fígado, Intestino e Pâncreas). 2004. 155f. Tese (Doutorado).
Universidade de São Paulo- Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, São Paulo.
GAVAZZA, A.; PRESCIUTTINI, S.; BARALE, R.; LUBAS, G.; GUGLIUCCI, B.
Association between canine malignant lymphoma, living in industrial areas, and ofchemicals
by dog owners. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 15, n. 3, p. 190-195, 2001.
JACOBS, R. M.; MESSICK, J. B.; VALLI, V. E. Tumors of the hemolymphatic system. In:
MEUTEN, D. J. Tumors in domestic animals. 4. ed. Iowa: Iowa State Press, 2002. p. 19-
198.
KEALY, J.K; MCALLISTER. H; GRAHAM, J. Radiologia e ultrassonografia do cão e do
gato / Kealy, J. Kevin; McAllister. H; Graham; [tradução Renata Scavone de Oliveira... et
al.]. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. 594p.
MORENO, K; BRACARENSE, A.P.F.R.L. Estudo retrospectivo de linfoma canino no
período de 1990 - 2004 na região norte do Paraná. Braz. J. vet. Res. anim. Sci., São Paulo, v.
44, suplemento, p. 46-52, 2007.
TESKE, E. Canine malignant lymphoma: a review and comparison with human non-
Hodgkin’s lymphoma.Veterinary Quarterly, v. 16, n. 4, p. 209-219, 1994.
THRALL, D.E. Diagnóstico de radiologia veterinária/ [editor] Donald E. Thrall: [tradução
Renata Scavone de Oliveira... et al.]. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
VIEIRA, M.M.F.S.L. Linfoma canino e em espécies exóticas. 2008. 122f. Dissertação
(Mestrado). Universidade Técnica de Lisboa- Faculdade de Medicina Veterinária, Lisboa.
31

CAPÍTULO II – TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

ANÁLISE RADIOGRÁFICA E ULTRASSONOGRÁFICA DE CÃES COM


DISPLASIA COXOFEMORAL
32

1. INTRODUÇÃO
A displasia coxofemoral é uma das principais doenças articulares que acometem cães,
principalmente raças de grande porte e gigantes, cães de raças pequenas podem ser
acometidos, porém a incidência é bem menor. É uma alteração do desenvolvimento da
articulação coxofemoral, envolve ausência de conformidade entre a cabeça femoral e o
acetábulo caracterizada pela instabilidade da articulação coxofemoral, geralmente bilateral,
podendo observar subluxação ou luxação da cabeça femoral em pacientes jovens e doença
articular degenerativa em pacientes mais idosos (TODHUNTER e LUST, 2003;
PIERMATTEI et al., 2009; MÄKI et al., 2002; ZHU et al., 2009).

O diagnóstico da displasia coxofemoral, recomendado pela Ortophedic Foundation for


Animals (OFA) e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária (CBRV) é o exame
radiográfico. Através deste pode-se avaliar as estruturas ósseas, onde comumente observa-se
em animais displásicos as seguintes alterações: acetábulo raso, luxação ou subluxação da
articulação coxofemoral, incongruência articular, doença articular degenerativa (DAD).
A ultrassonografia da articulação coxofemoral pode detectar a lassitude da articulação,
podendo ser utilizada como método de seleção de animais displásicos de forma mais precoce
(ROCHA, 2007). A ultrassonografia além de avaliar as superfícies ósseas, pode fornecer
informações importantes dos componentes articulares não ósseos como cápsula, cartilagem e
espaço articular.

2. REVISÃO DE LITERATURA
A displasia coxofemoral é uma doença de etiologia multifatorial, inúmeros
tratamentos são descritos para essa enfermidade, tratamentos cirúrgicos, utilização de
condroprotetores, e fisioterapia. O exame radiográfico é o método de escolha para o
diagnóstico, outros meios de auxílio ao diagnóstico são a ultrassonografia, tomografia
computadorizada, ressonância magnética, outros métodos como análise cinética e cinemática
tem sido estudadas para o auxílio no diagnóstico (GINJA et al., 2005).

2.1. ETIOLOGIA
Para explicar as causas da displasia coxofemoral, duas amplas hipóteses foram
propostas: frouxidão da articulação coxofemoral, que pode resultar em instabilidade da
articulação; e progressão anormal da ossificação endocondral em múltiplas articulações. Essas
33

condições não são mutuamente exclusivas, ambas podem criar um ambiente mecânico
anormal da articulação levando a DAD (TODHUNTER e LUST, 2003).
Como citado por Kapatkin et al. (2002), a patogenia da displasia coxofemoral tem na
sua origem fatores não genéticos e genéticos, os quais estão sendo estudados desde 1935
quando Schenelle relatou a doença pela primeira vez em cães.
Carneiro et al. (2006) observaram ao exame radiográfico de cães da raça Dog Alemão
tratados com restrição alimentar, indícios de displasia coxofemoral em 28,6% dos animais do
grupo com alimentação restrita, ao passo de que animais tratados com alimentação a vontade
revelaram 57,1% de indícios de displasia, concluindo assim que a superalimentação influencia
na evidenciação de displasia coxofemoral de animais predispostos, e que a restrição alimentar
pode ser utilizada como método preventivo da severidade da displasia coxofemoral. Smith et
al. (2006) em um estudo com Labradores Retrievers observaram que o grupo com restrição
alimentar desenvolveu DAD em média aos 12 anos de idade ao passo que animais sem a
restrição alimentar desenvolviam sinais de DAD em média aos 6 anos de idade, concluíram
que a restrição alimentar retarda complicações da DAD em animais displásicos. Kealy et al.
(2000) em um estudo semelhante com cães da mesma raça concluíram que a DAD em cães
com restrição alimentar tem seus efeitos minimizados. A superalimentação não causa a
displasia, apenas maximiza a manifestação do traço genético de animais susceptíveis. O
mecanismo da interferência nutricional ainda é desconhecido, pode ser simplesmente a
mecânica, onde maximizar o crescimento permite inferir a carga máxima sobre quadris
suscetíveis (TODHUNTER e LUST, 2003).
Steinetz et al. (1987), associaram a relaxina presente no leite materno de cadelas, a
evidenciação de displasia em cães predispostos. Goldsmith et al. (1994) postularam que a
relaxina pode ser transferida do leite materno através da sucção para filhotes recém-nascidos,
a relaxina presente no soro de cadelas Golden Retrievers displásicas perdura durante toda a
lactação, e em cadelas não displásicas ela é detectável apenas nas duas primeiras semanas de
lactação. A relaxina atua distendendo os tecidos conjuntivos da articulação coxofemoral, esse
efeito causaria a flacidez excessiva da capsula articular e ligamentos da articulação o que
precede o desenvolvimento de displasia coxofemoral em cães geneticamente predispostos.
Spain et al. (2004) investigavam os riscos associados a gonadectomia em cães,
observaram que cães submetidos a cirurgia antes dos 5,5 meses de idade, a incidência de
displasia foi de 6,7% e a média de diagnóstico foi de 33 meses, cães gonadectomizados com
idade superior a 5,5 meses de idade a incidência de displasia foi de 4,7% com média de
diagnóstico aos 44 meses.
34

A herança poligênica da displasia é discutida há muitos anos, pesquisas recentes


buscam identificar os locais onde estão os genes envolvidos com a displasia coxofemoral
(LUST, 2010). Os locais onde estão esses genes são conhecidos como QTL (quantative trait
locus), esses locais são responsáveis por heranças quantitativas (ZHU et al., 2009). QTL
foram associados a displasia coxofemoral e identificados em pelo menos 2 cromossomos,
desse modo evidenciando a característica poligênica da doença (LUST, 2010; TODHUNTER
et al., 2005; ZHU et al., 2012).

2.2. DIAGNÓSTICO
A apresentação clínica da displasia coxofemoral é variável e muitas vezes pouco
específica. Entre os sinais da displasia estão anormalidades de marcha, o passo pode
apresentar-se mais curto ou mais comprido, andar de coelho, dificuldade em subir escadas ou
saltar sobre obstáculos (FRY e CLARK, 1992; GINJA et al.,2009). Os sinais clínicos nem
sempre tem correlação com as alterações radiográficas (FRIES e REMEDIOS, 1995; GINJA
et al., 2009).
Podemos dividir os animais em dois grupos, no primeiro, animais com menos de um
ano de idade, estes apresentam uma súbita redução da atividade, evidência de dor e
claudicação nos membros pélvicos, que ficam mais evidenciadas com exercício vigoroso ou
pequenos traumas (FRY e CLARK, 1992; FRIES e REMEDIOS, 1995). A dor está
relacionada com o derrame sinovial, estiramento da capsula articular, microfraturas e
distúrbios no suprimento sanguíneo da região proximal do fêmur (PRIEUR, 1980).
No segundo grupo estão os animais adultos, estes têm os sinais clínicos secundários a
DAD, que tem a piora dos sintomas após exercícios mais vigorosos, ou desuso do membro,
crepitação articular, atrofia da musculatura pélvica e diminuição da amplitude de movimentos
(GINJA et al., 2005; DASSLER, 2003; EDGE-HUGHES, 2007).

2.2.1 EXAME CLÍNICO


O exame físico de animais com suspeita de displasia coxofemoral tem como objetivo
de identificar se a claudicação ou desconforto provem da articulação coxofemoral ou de outra
região anatômica. Diferentes testes de manipulação da articulação apresentam diferente
sensibilidade e especificidade na localização da dor (FRY e CLARK, 1992; GINJA et al.,
2005). A amplitude de movimentos da articulação apresenta-se reduzida, a extensão articular
além de reduzida durante a manipulação pelo examinador o animal pode resultar em dor.
35

Animais displásicos ao serem pressionados no dorso não suportam a pressão durante muito
tempo e tendem a sentar (FRY e CLARK, 1992).
O teste de Ortolani é usado para determinar se há lassidão articular, o teste é realizado
com o animal em decúbito lateral, o examinador segura com uma das mãos o joelho do animal
e a outra mão apoiada sobre região pélvica com o polegar apoiado sobre o trocânter maior do
fêmur, o membro do animal é colocado perpendicularmente ao eixo longo do animal, e faz-se
pressão no sentido proximal do membro e depois realiza-se a abdução do membro, se durante
a abdução o examinador perceber um som (click) o exame é interpretado como sinal positivo
(FRIES e REMEDIOS, 1995; GINJA, et al., 2005). A pressão no sentido proximal do fêmur
causa a subluxação dorsal da cabeça do fêmur e a abdução causa a redução, resultando assim
no som (GINJA et al., 2005).

2.2.2 EXAME RADIOGRÁFICO


O método diagnóstico para displasia coxofemoral mais utilizado, e aceito pela
Ortophedic Foundation for Animals (OFA) e pelo Colégio Brasileiro de Radiologia
Veterinaria (CBRV), é o exame radiográfico em projeção ventrodorsal com a articulação em
extensão.
A OFA recomenda para o exame radiográfico que os cães sejam posicionados em
decúbito dorsal com a pelve simétrica, ambos os fêmures estendidos e paralelos entre si, com
os joelhos rotacionados internamente, deixando as patelas superpostas ao sulco troclear. As
duas últimas vértebras lombares e os joelhos devem estar no filme (KAPATKIN et al., 2002).
O padrão microtrabecular da cabeça e colo femorais deve ser observado na radiografia, com a
margem dorsolateral do acetábulo visível. A anestesia geral do paciente é essencial para o
posicionamento adequado para a radiografia (MALM et al., 2007). Segundo a OFA, os cães
só podem ser certificados após dois anos de idade.
No Brasil o Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária (CBRV) classifica em cinco
graus a displasia, observando os itens apresentados na Figura 1.
36

Figura 1. Classificação dos graus de displasia coxofemoral utilizados pelo CRBV. A partir do
grau C o animal é considerado displásico. Adaptado de Associação Brasileira de Radiologia
Veterinária.

O ângulo de Norberg, utilizado para avaliar a lassidão articular, é aferido utilizando


duas linhas retas, uma que une o centro das duas cabeças do fêmur e a outra se inicia no
centro da cabeça do fêmur e passa tangente ao bordo craniolateral do acetábulo. Qualquer
medida inferior a 105º mostra a imperfeição da relação articular entre a cabeça do fêmur e o
acetábulo, demonstrando sinais de subluxação ou luxação, o que pode ser caracterizado como
displasia coxofemoral (DOUGLAS e WILLIAMSON, 1975).

2.2.3. EXAME ULTRASSONOGRÁFICO


A avaliação ultrassonográfica de lesões articulares, ainda pouco utilizada na clínica de
pequenos animais, é um método de baixo custo, oferece imagens dinâmicas da articulação,
normalmente não requer sedação do animal e não emite radiação ionizante, tendo aplicações
tanto na avaliação inicial do paciente quanto na observação de resultados obtidos com o
tratamento (DOMINGUES et al., 2001). Weigel e Cartee (1983), foram os primeiros
pesquisadores a utilizarem a ultrassonografia na avaliação da articulação coxofemoral de cães.
37

No estudo da articulação coxofemoral utiliza-se a avaliação dinâmica, através dessa pode-se


adquirir imagens em vários planos de corte (DOMINGUES et al., 2001). Por causa da
reflexão e absorção das ondas sonoras, a aparência ultrassonográfica do osso é uma linha
intensamente hiperecóica, com sombra acústica e na área da origem de tendão ou ligamento, a
superfície óssea é interrompida, com sombra acústica. Em luxações coxofemorais, alterações
secundárias da articulação geralmente podem ser vistas, como pequenos osteófitos,
caracterizados por estruturas hiperecóicas, ásperas e irregulares; e acúmulo de fibrina,
estruturas irregulares, hiper a hipoecóicas (KRAMER et al., 1997).

2.2.4. TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA


A tomografia computadorizada tem sido utilizada no diagnóstico (FUJIKI et al., 2004;
GINJA et al., 2009) e planejamento cirúrgico da displasia coxofemoral (SOUZA et al., 2013).
A tomografia computadorizada oferece um excelente detalhamento da anatomia óssea e
articular, possibilitando a reconstrução em vários planos, porém tem como desvantagem, a
alta carga de radiação ionizante e o alto custo do equipamento (DOMINGUES et al., 2001;
SOUZA et al., 2013).
Outros métodos de diagnóstico realizados em pesquisas incluem uso do sistema de
baropodometria (OLIVEIRA, 2008); análise cinética (SOUZA, 2009); análise cinemática,
com uso limitados a laboratórios de análise de marcha devido a custos dos equipamentos.

2.3. TRATAMENTO
O tratamento da displasia coxofemoral tem como objetivo diminuir a dor e estabelecer
um apoio melhor dos membros. Opções de tratamento conservativo ou cirúrgico dependem do
grau de displasia e resposta ao tratamento escolhido anteriormente (ABERCROMBY, 2011).

2.3.1. TRATAMENTO CONSERVATIVO


O tratamento conservativo é recomendado para casos leves, animais jovens e idosos
que respondam bem ao tratamento. A resposta esperada com tratamento conservativo é a
proteção cartilagínea e retardo do efeito da osteoartrose secundária (SOUZA, 2009;
LOBOSCO, 2012). MOREAU et al. (2003) avaliaram pela análise cinética o meloxicam,
carprofeno e um condroproteror, concluíram que o uso de carprofeno e meloxicam pela
análise cinética tem efeito positivo, enquanto o condroprotetor foi ineficaz em seus estudos.
O uso da terapia por ondas de choque também mostrou resultados positivos em animais com
DAD secundária a displasia coxofemoral (BOCKSTAHLER, 2004). SMITH et al.(2006)
38

constataram que o controle de peso, retarda o aparecimento de lesões de DAD secundária a


displasia em cães com restrição alimentar.

2.3.2. TRATAMENTO CIRÚRGICO


A escolha pelo tratamento cirúrgico envolve o tipo de técnica a ser utilizada,
severidade do caso, custos, idade e condição do animal (SOUZA, 2009). Entre as opções de
tratamento cirúrgico temos a denervação acetabular onde a inervação acetabular é removida,
estudos mostram a redução da dor em mais de 90% dos animais (MINTO et al., 2012;
FERRIGNO et al., 2007). A sinfisiodese púbica juvenil considerada um procedimento
cirúrgico profilático, os animais apresentam progressão da doença articular degenerativa ou
manutenção dos sinais radiográficos iniciais, neste procedimento a sínfise pélvica na porção
púbica sofre a necrose térmica desse modo ela sofre o fechamento precoce (SANTANA et al.,
2010).
A artoplastia total coxofemoral com uso de prótese é o melhor método cirúrgico no
tratamento da displasia coxofemoral, a prótese substitui o acetábulo e a cabeça femoral, este
conjunto oferece o alívio da dor e melhora na marcha dos animais tratados (ARIAS et al,
2004; MELO et al, 2008).

3. OBJETIVO
Este trabalho tem como objetivo acompanhar a evolução das alterações radiográficas
de cães com displasia coxofemoral, não submetidos a tratamento, em um período de
aproximadamente 1 ano.
Comparar as alterações radiográficas e ultrassonográficas de cães com displasia
coxofemoral.

4. MATERIAIS E MÉTODO
Este trabalho foi dividido em dois experimentos, o experimento 1, onde 5 animais
displásicos foram avaliados quanto a displasia coxofemoral entre novembro de 2012 e julho
de 2013 e avaliados novamente em agosto de 2014 para acompanhar a progressão das
alterações radiográficas dos animais. Experimento 2, onde os mesmos animais foram
submetidos a ultrassonografia das articulações coxofemorais, e comparadas com as
radiografias obtidas em agosto de 2014.
39

4.1. ANIMAIS EXPERIMENTAIS


Para este trabalho foram selecionados 5 animais com diagnóstico de displasia
coxofemoral: Animal 1 - um rottweiler fêmea de 6 anos de idade pesando 38,250 quilos;
Animal 2 - rottweiler macho de 3 anos pesando 36,150 quilos; Animal 3 - akita macho de 3
anos de idade pesando 28,200 quilos; Animal 4 - border collie fêmea de 9 anos de idade
pesando 31,200 quilos, Animal 5 - pit bull macho de 9 anos de idade pesando 28 quilos.

4.2. EXAME RADIOGRÁFICO


Os animais foram diagnosticados com displasia coxofemoral através de exame
radiográfico, entre novembro de 2012 e julho de 2013. Para obtenção das imagens
radiográficas foi utilizado um aparelho de raio-X fixo da marca PHILIPS modelo COMPACT
PLUS 600, com técnica radiográfica de 70 kV e 200 mA, os animais foram posicionados em
decúbito dorsal, com a pelve simétrica joelhos com leve rotação interna, conforme instruções
do CBRV. As radiografias foram realizadas em filme KODAK CR CASSETE de 14” x 17”
próprio para radiografia computadorizada (CR), os filmes foram revelados na digitalizadora
CR System 360, da KODAK e arquivadas em formato DICOM em agosto de 2014 foram
repetidas. Durante esse período nenhum dos animais recebeu algum tipo de tratamento. As
radiografias realizadas em agosto de 2014 foram realizadas com o animal sob anestesia
dissociativa, o protocolo anestésico utilizou na medicação pré-anestésica clorpromazina na
dose de 0,5 miligramas por quilo (mg/Kg) via intravenosa (IV), midazolan na dose de 0,2
mg/Kg (IV), tramadol na dose de 0,4 mg/Kg (IV) e indução com cetamina na dose de 0,6
mg/Kg (IV).
As imagens radiográficas dos animais obtidas entre novembro de 2012 e julho de 2013
foram então comparadas com as obtidas em agosto de 2014. Sendo comparadas nos seguintes
itens:
 Grau de displasia nas articulações esquerda e direita, variando de A a E de
acordo com o CBRV;
 Grau de deformação da cabeça e colo femoral, sendo classificado como LEVE,
cabeças femorais com leve remodelamento, colo femorais com leve
remodelamento e espessamento, MODERADA as cabeças e colos com
acentuado remodelamento, SEVERA cabeça e colo femorais com grande
remodelamento, presença de neoformação ósseas;
 Grau de deformação do acetábulo, sendo classificado em: LEVE, acetábulos
com discreto arrasamento/ perda da conformação; MODERADA quando o
40

acetábulo apresentasse arrasamento/ perda da conformação mais acentuados e


SEVERA os acetábulos que apresentassem arrasamento grave, presença de
neoformações ósseas e irregularidade óssea;
 Grau de DAD, classificado em LEVE as articulações que apresentassem
osteófito periarticular, MODERADA que apresentassem osteófito periarticular
e remodelação de cabeça e colo femoral, e SEVERA as articulações que
apresentassem osteófito periarticular, remodelação de cabeça e colo femoral,
remodelamento de acetábulo, e esclerose subcondral.
As classificações foram adaptadas de Impelizzeri et al. (2000), onde trabalharam com
deformação acetabular e DAD.
Ao final das análises os animais foram identificados quanto a evolução dos sinais
radiográficos de displasia no período do estudo.

4.3. EXAME ULTRASSONOGRÁFICO


As imagens ultrassonográficas foram realizadas logo após o exame radiográfico de
agosto de 2014 com os animais ainda sob efeito da anestesia, evitando deste modo que a dor
na manipulação da articulação em alguns animais pudesse interferir na aquisição das imagens
ultrassonográficas.
As imagens ultrassonográficas foram adquiridas utilizando aparelho da marca VMI
modelo ULTRA VISION ELITE 300 com transdutor linear com frequência de 10 MHz. Os
animais foram posicionados em decúbito lateral, de forma que a articulação a ser avaliada
ficasse voltada para cima. A região da articulação coxofemoral foi tricotomizada e preparada
com meio de contato, gel para ultrassom. A articulação foi escaneada no plano longitudinal e
transversal (Figura 2). O corte longitudinal foi lateral a articulação e alinhado com o colo
femoral, o plano transversal foi obtido dorsal ao trocanter maior do fêmur logo após o término
da visualização da borda lateral do acetábulo e início da visualização da cabeça femoral.
Foram escaneadas as duas articulações de cada animal, as imagens ultrassonográficas obtidas
então foram avaliadas e comparadas com as radiografias de cada articulação do animal
correspondente. A imagem obtida para observação continha no mesmo plano, colo femoral,
cabeça femoral, acetábulo e cápsula articular, deste modo facilitando a avaliação em uma
única imagem (Figura 3).
41

Figura 2: Posicionamento no plano transversal do transdutor


sob uma articulação de um cão. Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 3: Ultrassonografia transversal da articulação coxofemoral. Na


imagem pode-se observar o acetábulo (1), cabeça (2) e colo femoral
(3). Fonte: Arquivo Pessoal.

Os seguintes itens foram avaliados:


 Grau de deformação de cabeça femoral, classificado em LEVE para cabeças
com leve achatamento, MODERADA quando apresentassem achatamento
42

mais acentuado e SEVERA os que fossem identificados achatamento mais


grave, e irregularidade óssea;
 Grau de deformação de colo femoral, classificado em LEVE para articulações
que apresentassem colo com leve alteração no formato, MODERADA colos
que tivessem uma deformação mais acentuada em e SEVERA colos que
tivessem uma grande alteração na conformação e irregularidade óssea;
 Grau de deformação acetabular, sendo classificado em LEVE, acetábulos com
discreto arrasamento/ perda da conformação, MODERADA quando o
acetábulo apresentasse arrasamento/ perda da conformação mais acentuados e
classificados como SEVERA os acetábulos que apresentassem arrasamento
grave, presença de neoformações ósseas e irregularidade óssea
A classificação das alterações foram adaptadas do estudo de Qvistgaard, et al. (2006)
onde avaliaram a deformação de cabeça femoral em humanos com DAD.
A capsula articular foi observada quanto a espessamento.

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1. Experimento 1
Ao comparar as imagens radiográficas de 2012/2013 com as de 2014 (Quadro 1) foi
encontrada a bilateralidade e simetria da displasia coxofemoral em 4 cães e bilateralidade e
assimetria de displasia em um animal. A evolução de Grau de displasia também foi observada
nos animais. Torres et al. (1999), relataram a bilateralidade em graus semelhantes e diferentes
da displasia coxofemoral, em estudo realizado com pastores alemães. Barros et al. (2008)
também relatou a bilateralidade da doença em seu estudo, assim também encontrou MELO et
al. (2013).
Na avalição e comparação dos outros parâmetros encontramos que todos os animais no
período de estudo sofreram uma piora das alterações radiográficas estudadas, a piora do
quadro pode estar relacionada ao fato dos animais não terem sidos submetidos a nenhum
tratamento desse modo a doença evolui e tende a piora conforme a idade do animal avança
(SMITH, et al. 2006), no histórico dos animais os proprietários não relataram nenhum fator
que pudesse contribuir com a piora do quadro, como exercícios vigorosos e aumento de peso.
43
Grau de displasia Grau de deformação Grau de deformação Grau de DAD
coxofemoral de cabeça e colo Acetabular
femoral

2012/2013 2014 2012/2013 2014 2012/2013 2014 2012/2013 2014

ANIMAL 1
Articulação C D Leve Moderada Leve Leve Leve Moderada
Direita

Articulação C D Leve Leve Leve Moderada Leve Moderada


Esquerda

ANIMAL 2
Articulação C D Leve Moderada Leve Moderada Leve Moderada
Direita

Articulação C D Leve Moderada Leve Moderada Leve Leve


Esquerda

ANIMAL 3
Articulação E E Severa Severa Moderada Severa Moderada Severa
Direita

Articulação E E Severa Severa Moderada Moderada Moderada Severa


Esquerda

ANIMAL 4
Articulação E E Severa Severa Severa Severa Severa Severa
Direita

Articulação E E Severa Severa Severa Severa Severa Severa


Esquerda

ANIMAL 5
Articulação C D Moderada Severa Modera Moderada Moderada Moderada
Direita
Articulação D D Leve Moderada Leve Moderada Leve Leve
Esquerda

Quadro 1: Comparativo entre os itens avaliados e classificados nas radiografias de


2012/2013 e 2014.

Os animais com displasia coxofemoral têm predisposição para desenvolver desequilíbrios


articulares biomecânicos que conduzem à evolução patológica caracterizada por derrame
sinovial, incongruência articular, instabilidade, subluxação e desenvolvimento de DAD
(FRIES e REMEDIOS, 1995; FRY e CLARK, 1992). A instabilidade da articulação
coxofemoral em cães jovens altera a concentração de forças no fêmur e acetábulo em
crescimento, afetando o desenvolvimento ósseo e resultando em conformação articular
anormal e DAD (KAPATKIN et al., 2002; PRIEUR, 1980).
44

a b

Figura 4: a Articulação direita de um dos animais. Classificado como SEVERA nos


quesitos deformação de cabeça e colo femoral, deformação acetabular e DAD. b
articulação direita de um dos animais classificados como MODERADA nos quesitos
deformação de cabeça e colo femoral, deformação acetabular e DAD. Fonte: Arquivo
pessoal.

A instabilidade da articulação associada a subluxação leva distribuição desigual da


força aplicada sobre a articulação, resultando em diminuição das fibras de colágeno
superficiais e microfissuras no osso subcondral, levando a exposição do osso subcondral
resultando remodelamento ósseo e formação de osteófitos (SOUZA, 2009). O espessamento
do colo femoral, remodelamento acetabular, remodelamento da cabeça femoral, são respostas
compensatórias na tentativa de reduzir os impactos causados pela doença.
A presença de osteófitos foi detectada em todos os animais, sem distinção de grau de
displasia, Torres (1999) detectou a presença de osteófitos em diferentes graus de displasia
coxofemoral em labradores, Bettini et al. (2007), também observaram a presença de osteófitos
em diferentes graus da doença em border collies.
Bettini et al. (2007), em seu trabalho com border collies, observaram as mesmas
alterações radiográficas encontrados neste trabalho em diferentes graus de displasia, achando
uma incidência de 76% de displasia na população estudada, alertam sobre a necessidade de
45

seleção para reprodução de animais negativos para a doença. Tais achados radiográficos
também foram observados por Melo et al. (2013), que acompanharam animais submetidos a
exercícios. Essas características radiográficas mostram o efeito biomecânico da doença, onde
diferentes animais respondem de forma bem similar as agressões causadas pela displasia
coxofemoral.
Melo et al. (2013) em seu estudo acompanharam 6 animais displásicos submetidos a
exercícios físicos comparando com animais displásicos não submetidos a exercícios em um
período de 8 anos, concluíram que a atividade física não é um fator de progressão da doença e
que a prática de exercício físico supervisionado por profissionais traz benefícios a articulação
do animal. Impelizzeri et al. (2000) acompanharam animais displásicos antes e após redução
de peso corporal, concluíram que a perda de peso pelos animais tem resultados positivos sob a
melhora clínica do animal. Os animais deste estudo não foram submetidos a tratamentos
cirúrgicos, restrições alimentares, tratamento medicamentoso assim como nenhum outro
tratamento durante o período em que foram acompanhados, estes tiveram evolução negativa
durante o período, isto mostra que animais displásicos que não recebem nenhum tipo de
tratamento podem ter evolução negativa com o passar do tempo.

5.2. Experimento 2
Ao comparar os itens avaliados ao exame radiográficos e ultrassonográficos,
houveram 18 classificações semelhantes das alterações ao exames radiográfico com o
ultrassonográfico, sendo apenas 12 avaliações com classificação diferente (Quadro 2).
As articulações estudadas ao ultrassom, apresentaram espessamento de capsula
articular, este espessamento foi observado em todos os animais. A ultrassonografia para o
diagnóstico da DAD tem sido usada em muitos estudos, na sua maioria em filhotes nas
primeiras semanas de vida como método de diagnóstico precoce em cães tem sido utilizada
(ROCHA e TORRES, 2007; OHLERTH et al., 2003). Alterações que a displasia coxofemoral
causa, como sinovite, aumento de fluído sinovial, alterações em cartilagem, não podem ser
visualizadas pelo exame radiológico, mas essas alterações podem ser detectadas pelo uso do
ultrassom (RADEMACHER et al., 2005).
46

Grau de deformação Grau de deformação de Grau de deformação


de cabeça femoral colo femoral acetabular

RX USG RX USG RX USG


ANIMAL 1
Articulação Direita Moderada Moderada Moderada Leve Leve Leve
Articulação Leve Leve Leve Leve Moderada Leve
Esquerda
ANIMAL 2
Articulação Direita Moderada Leve Moderada Leve Moderada Leve
Articulação Moderada Leve Moderada Moderada Moderada Leve
Esquerda
ANIMAL 3
Articulação Direita Severa Severa Severa Severa Severa Severa
Articulação Severa Severa Severa Severa Moderada Severa
Esquerda
ANIMAL 4
Articulação Direita Severa Severa Severa Severa Severa Severa
Articulação Severa Severa Severa Severa Severa Severa
Esquerda
ANIMAL 5
Articulação Direita Severa Severa Moderada Severa Moderada Severa
Articulação Moderada Leve Moderada Moderada Moderada Leve
Esquerda

Legenda: RX= Radiografia; USG= Ultrassonografia

Quadro 2: Quadro comparativo entre os itens avaliados a radiografia e a ultrassonografia.

As articulações estudadas ao ultrassom, apresentaram espessamento de capsula


articular, este espessamento foi observado em todos os animais. A ultrassonografia para o
diagnóstico da displasia coxofemoral tem sido usada em muitos estudos, na sua maioria em
filhotes nas primeiras semanas de vida como método de diagnóstico precoce em cães tem sido
utilizada (ROCHA e TORRES, 2007; OHLERTH et al., 2003). Alterações que a displasia
coxofemoral causa, como sinovite, aumento de fluído sinovial, alterações em cartilagem, não
podem ser visualizadas pelo exame radiológico, mas essas alterações podem ser detectadas
pelo uso do ultrassom (RADEMACHER et al., 2005).
Vandevelde et al.(2006) ao comparar ultrassonografias de articulação escapulo-umeral
com radiografias da mesma articulação concluíram que o uso da ultrassonografia é um
excelente método auxiliar no diagnóstico de osteocondromatose e osteocondrose dissecante,
uma vez que a presença de alguns osteófitos foram detectados apenas pela ultrassonografia.
Kramer et al. (1997) observou que o uso do ultrassom na avaliação óssea é limitado, mas pode
47

fornecer informações sobre a superfície óssea e tecidos moles adjacentes. Ainda afirma que é
um método para avaliar a DAD, detectar a presença de derrame articular, espessamento de
capsula articular, defeitos da cartilagem e ainda detectar lise óssea.
O uso da ultrassonografia no diagnóstico de DAD, não substitui o uso da radiografia,
cada método possuiu suas vantagens e desvantagens e o uso das técnicas juntas trazem um
maior número de informações sobre a forma e gravidade da doença (QVISTGAARD, et al.,
2006).

2
1 2 3

Figura 5: Ultrassonografia da Figura 6: Ultrassonografia da


articulação de um dos animais articulação de um dos animais
classificados como SEVERA no classificado como SEVERA no
quesito deformação de cabeça (1) e quesito deformação acetabular. 1
colo (2) femoral. Fonte: Arquivo Acetábulo, 2 Capsula Articular, 3
pessoal. Cabeça femoral. Fonte: Arquivo
pessoal.
48

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Animais displásicos que não recebem nenhum tipo de tratamento, podem desenvolver
a piora dos sinais radiográficos.
O uso da ultrassonografia é um método que não expõe os animais a radiação ionizante,
mostra uma imagem da articulação quase em tempo real, seu uso auxilia nas avaliações de
lesões articulares causadas pela displasia coxofemoral.
O uso da radiografia combinado a ultrassonografia, traz informações mais detalhadas
da condição articular coxofemoral.
Mais estudos devem ser realizados para padronizar medidas e métodos de uso para a
ultrassonografia para o diagnóstico da displasia coxofemoral em cães.
49

7. REFERÊNCIAS

ABERCROMBY, A. Treatment of hip dysplasia. Journal of Small Animal Practice, v 52,


p.182-189, 2011.
ARIAS, S.A. S.; REZENDE, C.M.F.; ALVAREZ, A.; SOUZA, M.V. Prótese coxofemoral
em cães: Relato de dois casos. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia,
v.56, n.5, p.618-622, 2004.
BARROS, G.S.; VIEIRA, G.L.T.; VIANNA, L.R.; TÔRRES, R.C.S. Frequência da displasia
coxofemoral em cães da raça Pastor Alemão. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e
Zootecnia, v.60, n.6, p.1557-1559, 2008.

BETTINI, C. M.; ASSIS, M. M. Q.; MONTEIRO, E. R.; GRACIANO, T. S. Incidência de


displasia coxofemoral em cães da raça Border Collie. Arquivos de Ciências Veterinárias e
Zoologia da UNIPAR, v. 10, n. 1, p. 21-25, 2007.

BOCKSTAHLER, B: Extracorporeal Shock Wave Therapy (ESWT) for Hip Osteoarthritis.


12th ESVOT Congress, München, 2004.
CARNEIRO, S.C.M; FERREIRA, R.P; FIORAVANTI, M.C.S; BARINI, A.C;
STRINGHINI, J.H. Superalimentação e desenvolvimento do esqueleto de cães da raça Dogue
Alemão: aspectos clínicos e radiográficos. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e
Zootecnia. V.58, n.4, pp. 511-517, 2006.
DASSLER, C.L. Canine hip dysplasia: diagnosis and nonsurgical treatment. In: SLATTER,
D. Textbook of small animal surgery. 3ed. Philadelphia: Saunders; 2003. p.2019-29.
DOMINGUES, R. C.; DOMINGUES, R. C.; BRANDÃO, L. A. Imagenologia do quadril.
Radiologia Brasileira, v.34, n.6, p.347–367, 2001.
DOUGLAS, S.W.; WILLIAMSON, H.D. Diagnóstico radiológico veterinário. In:
Diagnóstico radiológico veterinário. Zaragoza: Acribia, 1975, 330p.
EDGE-HUGHES, L. Hip and Sacroiliac Disease: Selected Disorders and Their Management
with Physical Therapy. Clinical Techniques in Small Animal Practice, v.22, p.183-194,
2007.
FERRIGNO, C.R.A.; SCHAMAEDECKE, A.; OLIVEIRA, L.M.; D’ÁVILA, R.S.;
YAMAMOTO, E.Y.; SAUT, J.P.E. Denervação acetabular cranial e dorsal no tratamento da
displasia coxofemoral em case:360 dias de evolução de 97 casos. Pesquisa Veterinária
Brasileira. V.27, p.333-340, 2007.
50

FRIES, C.L.; REMEDIOS, A.M. The pathogenesis and diagnosis of canine hip dysplasia.
The Canadian Veterinary Journal, V.36, p.494- 502, 1995.
FRY, T.R.; CLARK, D.M. Canine hip dysplasia, clinical signs and physical diagnosis.
Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v.22, p.551- 558, 1992.
FUJIKI, M.; MISUMI, K.; SAKAMOTO, H. Laxity of canine hip joint in two positions with
computed tomography. The Journal of Veterinary Medical Science, v.66, n.8, p. 1003-
1006, 2004.
GINJA, M. M. D.; LLORENS-PENA, M. P.; FERREIRA, A. J. A. Diagnóstico, controlo e
prevenção da displasia da anca no cão. Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias, v.100,
p.147-161, 2005.
GINJA, M.M.D.; SILVESTRE, A.M.; COLAC, J.; GONZALO-ORDEN, J.M.; MELO-
PINTO, P.; ORDEN, M.A.; LLORENS-PENA, M.P.; FERREIRA, A.J. Hip dysplasia in
Estrela mountain dogs: Prevalence and genetic trends 1991–2005. The Veterinary Journal,
v.182, p.275–282, 2009.
GOLDSMITH, L.T.; LUST, G.; STEINETZ, B.G. Transmission of relaxin from lactating
bitches to their offspring via suckling. Biology of Reproduction, v.50, p. 258-265, 1994.
IMPELIZZERI, J.A.; TETRICK, M.A; MUIR, P.; Effect of weight reduction on clinical signs
of lameness in dogs with hip osteoarthritis. Journal of the American Veterinary Medical
Association, v.216, n. 7, 2000.
KAPATKIN, A.S.; FORDYCE, H.H.; MAYHEW, P.D. Canine hip dysplasia: the disease and
its diagnosis. Compendium on Continuing Education for the Practising Veterinarian,
v.24, p.526-537, 2002.
KEALY, R.D.; LAWLER, D.L.; BALLAM, J.M.; LUST, G.; BIERY, D.N.; GAIL K.
SMITH, G.K; MANTZ, S.L. Evaluation of the effect of limited food consumption on
radiographic evidence of osteoarthritis in dogs. Journal of the American Veterinary
Medical Association, v.217, n.11, p 1678-1680, 2000.
KRAMER, M.; GERWING, M.; HACH, V; SCHIMKE, E. Sonography of the
musculoskeletal system in dogs and cats. Veterinary Radiology & Ultrasound, v.38, n.2,
p.139-149, 1997.
LOBOSCO, A. C. Tratamento da osteoartrose em cães: revisão de literatura. 2012, 45p.
Trabalho de conclusão de curso (Especialização) – Universidade Federal do Semi-Árido.
LUST, G. Canine hip dysplasia: Another perspective. The Veterinary Journal, v.183 p.247–
248, 2010.
51

MÄKI, K; GROEN, A.F; LIINAMO, A.E; OJALA, M. Genetic variances, trends and mode of
inheritance for hip and elbow dysplasia in Finnish dog populations. Animal Science, n 75, pg,
197-207, 2002.
MALM, S.; STRANDBERG, E.; DANELL, B.; AUDELL, L.; SWENSON, L,
HEDHAMMAR, A. Impact of sedation method on the diagnosis of hip and elbow dysplasia
in Swedish dogs. Preventive Veterinary Medicine, v.78, p.196–209, 2007.
MELO, D.G.; CANOLA, J.C.; LEITE, C.A.L.; NEPOMUCENO, A.C.; NEVES, C.C.
MINTO, B.W.; BRANDÃO, C.V.S.; PEREIRA, G.J.C.; STEAGALL, P.V.M.; MAMPRIM,
M.J.; RANZANI, J.T. Artroplastia total coxofemoral em cães. Estudo experimental com
prótese nacional. Ciência Rural, Santa Maria, v.38, n.1, p.136-142, 2008.
MELO, D.G; CANOLA, J.C; LEITE, C.A.L; NEPOMUCENO, A.C; NEVES, C.C.
Avaliação radiográfica da articulação coxofemoral em cães submetidos a exercícios físicos.
Revista científica eletrônica de medicina veterinária, Ano XI – n.20, .2013.
MINTO, B.W; SOUZA, V.L.; BRANDÃO, C.V.S.; MORI, E.S.; FILHO, M.M.M.;
RANZANI, J.J.T. Avaliação clínica da denervação acetabular em cães com displasia
coxofemoral atendidos no Hospital Veterinário da FMVZ – Botucatu – SP. Veterinaria e
Zootecnia. v.19, n.1, p.91-98, 2012.
MOREAU, M.; DUPUIS, J.; BONNEAU, N.H.; DESNOYRES, M. Clinical evaluation of a
nutraceutical, carprofen and meloxicam for the treatmentof dogs with osteoarthritis.
Veterinary Record, v.152, p.323-329, 2003.
OHLERTH, S; BUSATO, A; RAUCH, M; WEBER, U; LANG, J. Comparison of three
distraction methods and conventional radiography for early diagnosis of canine hip dysplasia.
Journal of Small Animal Practice, v 44, p.524-529, 2003.
OLIVEIRA, R. M. D. Análise da locomoção de cães portadores de dysplasia coxofemoral
com o sistema de baropodometria. 75 f. 2008. Dissertação (Mestrado em medicina
veterinária) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo,
São Paulo.
PIERMATTEI, D.L., FLO, G.L. Manual de Ortopedia e Tratamento das fraturas dos
Pequenos Animais. 3.ed. São Paulo: Manole. 2009.
PRIEUR, W.D. Coxarthrosis in the dog. Part I. Normal and abnormal biomechanics of the hip
joint. Veterinary Surgery, v.9, p.145- 149, 1980.
RADEMACHER, N; OHLERTH, S; DOHERR, M.G; GASCHEN, L; STOFFEL, M.H;
LANG, J. Doppler sonography of the medial arterial blood supply to the coxofemoral joints of
52

36 medium to large breed dogs and its relationship with radiographic signs of joint disease.
Veterinary Record, v.156, p. 305-309, 2005.
ROCHA, B.D, TÔRRES, R.C.S. Ultrasonic and radiographic study of laxity in hip joints of
young dogs. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v.59, n.1, p.90-96,
2007.
SANTANA, L.A.; RAHAL S.C.; ESTANISLAU, C.A.; LORENA, S.E.R.S.; MACHADO,
V.M.V.; DOICHE, D.P; PEREIRA-JÚNIOR, O.C.M. Avaliação radiográfica de cães com
displasia coxofemoral tratados pela sinfisiodese púbica. Arquivo Brasileiro de Medicina
Veterinária e Zootecnia, v.62, n.5, p.1102-1108, 2010.
SMITH, G.K.; PASTER, E.R.; POWERS, M.Y.; LAWLER, D.F.; BIERY, D.N.; SHOFER,
F.S.; MCKELVIE, P.J.; KEALY, R.D. Lifelong diet restriction and radiographic evidence of
osteoarthritis of the hip joint in dogs. Journal of the American Veterinary Medical
Association, v.229, n.5, p.690-693, 2006.
SOUZA, A.F.A.; TUDURY, E.A.; COSTA, F.S.; FIGUEIREDO, M.L.; DIOGO, C.C.
Contribuições da tomografia computadorizada no diagnóstico e planejamento cirúrgico da
displasia coxofemoral em cães. In: XIII JEPEX, 2013, Recife. Anais do XIII Jornada de
ensino, pesquisa e extensão, 2013, 2013.
SOUZA, A.N. Correlação entre o grau de displasia coxofemoral e análise cinética da
locomoção de cães da raça Pastor Alemão. 2009, 153p. Dissertação (Mestrado) –
Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia. Departamento de
Cirugia, São Paulo.
SPAIN, C.V.; SCARLETT, J.M.; HOUPT, K.A. Long-term risks and benefits of early-age
gonadectomy in dogs. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 224, N.
3, p. 380- 387, 2004.
STEINETZ, B.G.; GOLDSMITH, L.T; LUST, G. Plasma relaxin levels in pregnant and
lactating dogs. Biology of Reproduction, v. 37, p, 719-725, 1987.
TODHUNTER, R.J.; LUST, G. Hip dysplasia: pathogenesis. In: SLATTER, D.
(Ed). Textbook of small animal surgery. 3.ed. Philadelphia: Saunders, 2003. p.2009-2019.
TODHUNTER, R.J.; MATEESCU, R.; LUST, G.; BURTON-WURSTER, N.; DYKES, N.L;
BLISS, S.P; WILLIAMS, A.J.; VERNIER-SINGER, M.; COREY, E.; HARJES, C.; QUAAS,
R.L.; ZHANG, Z.; R. GILBERT, R.O.; VOLKMAN, D.; CASELLA, G.; WU, R.; ACLAND,
G. Quantitative trait loci for hip dysplasia in a cross breed pedigree. Mammalian Genome,
v.16, p. 720–730, 2005.
53

TÔRRES, R.C.S.; FERREIRA, P.M.; SILVA, D.C. Frequência e assimetria da displasia


coxofemoral em cães Pastor-Alemão. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e
Zootecnia, v.51, p.153-156, 1999.
QVISTGAARD, E; TORP-PEDERSEN, S; CHRISTENSEN, R; BLIDDAL, R.
Reproducibility and inter-reader agreement of a scoring system for ultrasound evaluation of
hip osteoarthritis. Ann Rheum Dis, v 65, p1613–1619, 2006.
VANDEVELDE, B; RYSSEN, B.V; SAUNDERS, J.H; KRAMER, M; BREE, H.V.
Comparison of the ultrasonographic appearance of osteochondrosis lesions in the canine
shoulder with radiography, arthrography, and arthroscopy. Veterinary Radiology &
Ultrasound, V. 47, N. 2, p.174–184, 2006.
imaging to evaluate the hip joint in the immature dog. Ultrasound in Medicine and Biology,
v 9, p. 371–378, 1983.
WEIGEL, J. P., CARTEE, R. E. Preliminary study on the use of ultrasonic transmission
ZHU, L.; CHEN, S.; ZHOUXIN, J.; ZHIWU, Z.; KU, HUNG-CHIH.; LI, X.; McCann, M.;
HARRIS, S.; LUST, G.; JONES, P.;TODHUNTER, R. Identification of quantitative trait loci
for canine hip dysplasia by two sequential multipoint linkage analyses. Journal of Applied
Statistics, v. 39, n. 8, p. 1719–1731, 2012.
ZHU, L.; ZHANG, Z.; FRIENDENBERG, S.; JUNG, S.W.; PHAVAPHUTANON, J.;
VERNIER-SINGER, M.; COREY, E.; MATEESCU, R.; DYKES, N.; SANDLER, J.;
ACLAND, G.; LUST, G.; TODHUNTER, R. The long (and winding) road to gene Discovery
for canine hip dysplasia. Veterinary Journal, v .181, n.2, p, 77-78, 2009.