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A memória faz parte da cultura e está ligada ao processo fundamental de troca

de experiências entre as pessoas. Através da memória, narrativas podem ser


ativadas, o que faz revelar vivências de outros momentos que se coadunam
com as do presente. Diante destas memórias, a oralidade perfaz o caminho
como se fosse um rio, bastante caudaloso, perene, e traz recordações
individuais e coletivas que podem (re)compor determinado cotidiano. São
lugares de memória, como afirma Pierre Nora, “nosso momento de história”
(referência). A memória coletiva são quadros sociais repletos de memória
individual como elos representativos em momentos específicos. É a influência
sensível na operação dos pensamentos, sentimentos. Cada uma das
lembranças individuais quer dizer reflexos dos meios, das circunstâncias
sociais, da coletividade. Estas lembranças são analisadas por (HALBWACHS,
2006) nos conjuntos de instituições sociais em que estes indivíduos estão
inseridos. Família, profissão, religião, na passagem de cada indivíduo há
matrizes de produção de memória que constroem uma memória coletiva. Ao
analisar estas memórias pode-se constatar uma compreensão histórica através
da oralidade como conexão de saber dentro das relações sociais. Então, a
oralidade pensada dentro deste fluxo de comunicação entre memória e história
é uma fonte para estimular o pensamento acerca de preocupações com nossa
própria história, história dos heróis de cada dia de dentro da comunidade.
Enxergar desta maneira pressupõe se (im)portar diante da memória de acordo
com os indícios, as intrigas, os ruídos, confusões, as mentiras para composição
das narrativas. Tudo isto são evidências históricas, são observações
pertinentes de determinada experiência de um ou de vários. São considerações
relevantes e de fundamental importância, pois atentar à memória, através da
oralidade neste caso, transborda em conhecimento sobre o local e as pessoas
que (con)vivem.
Uma semente

Oralidade de pai para filho diante da plantação do Baobá. Iroku. Pai falando para o filho
como veio aqui e trouxe a semente. Ifá Tinuké a escrava que trouxe os ensinamentos de
Oyo, da nação nagô em Recife. Conversar com Manoel Papai sobre esta relação. Enquanto
o Baobá vai crescendo, o menino vai ficando grande e vai ter uma casa ao lado. Movimento
de crescimento, 170 anos é o tempo em que o Baobá cresce mesmo, com força. A casa ao
lado, então, o menino crescido... Nesta casa tem o conto angolano da amizade forte como
um leão. Logo após o conto, quem está dentro da casa, vai ver os orvalhos. Mitos Yorubás
do orvalho. Os orvalhos dão vida. Poderia ter respingos de orvalho no público. Uma
menina chorando. Pedindo ajuda porque estava perdida e longe do mercado da Água Fria.
Sua família morava por perto do mercado. Foi apanhar mangas na casa longe, apareceram
cachorros bravos e impediram dela descer. Só à noite, eles foram se embora, mas aí ela não
lembrava mais do caminho. É quando Yamin Shorongo aparece, a feiticeira, para salvá-la e
iluminá-la em seu caminho de volta para casa. É um movimento de iluminação e de
caminho para volta até a casa. Tem o diálogo entre as duas. Yamin é senhora da sabedoria,
aparece também como coruja, mas dizem ser uma feiticeira de grande poder. A menina fala
dos cachorros como criaturas, figuras de linguagem. Yamin conversa sobre o que o Oráculo
de Ifá revelou. Conversa sobre o oráculo de Ifá. Uma parte da fala está em Yoruba sobre o
respeito aos orixás. A menina vai, uma coruja aparece no Baobá. Depois voa. E fica só o
Baobá por um tempo, depois saem duas crianças do Baobá e vão brincar com as pessoas,
rindo, aparecem mais crianças por todo lugar.

O projeto se justifica na

Através da reunião de uma gama de artistas, que lidam direta e indiretamente com os
afazeres artísticos, nas áreas de dança, teatro, música, poesia, circo e artes visuais o projeto
“Origens - Mitos de(a) Criação” tem como primeiro ponto forte o potencial estético das
linguagens envolvidas. A diversidade na construção cênica será priorizada. Na dança, a
variedade de expressões e ritmos. No teatro, o uso diverso do bios cênico e da expressão
vocal. Na música, a variada gama de timbres das paisagens sonoras. Na poesia, a
pluralidade de sentidos e sentimentos no tratamento do texto e da composição de cena. No
circo, .......... Nas artes visuais, as composições de cenário e luz, com seus movimentos. A
construção mútua de uma determinada ação cênica, por duas ou mais linguagens propostas
em sincronia de tempo-movimento, acrescenta muito ao espetáculo.

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