Você está na página 1de 10

Fundamentos da Topografia Notas de aula Prof.

Lênio
TOPOGRAFIA CONCEITOS e FUNDAMENTOS

I AGRIMENSURA

A agrimensura teve suas raízes no antigo Egito. Nas margens do Rio Nilo, após as cheias,
os medidores de terra, agrimensores da época, restituíam as divisas entre as propriedades, que
tinham sido destruídas.
No decorrer dos tempos as técnicas utilizadas pelos antigos egípcios, para demarcação de
terra, foram se aperfeiçoando e hoje a agrimensura, além de dedicar-se à demarcação e divisão de
terras atua nas mais variadas atividades da engenharia tais como:
Estradas - ferrovias e rodovias; urbanização - planejamento urbano;
transportes; projeto de loteamento;
portos e canais; traçado de cidades;
irrigação e drenagem; locação industrial;
cadastro técnico municipal, urbano e mineração e pesquisas minerais;
rural; aerofotogrametria;
mapeamento urbano; geodésia por satélite - GPS;
saneamento básico; geoprocessamento - GIS;
abastecimento d'água; montagem de aviões e navios; etc.

II DIVISÃO DA AGRIMENEURA
A agrimensura divide-se em:
a- topografia;
b- geodésia.

A TOPOGRAFIA
A topografia consiste no conhecimento dos instrumentos e métodos que se destinam a efetuar a
representação do terreno sobre uma superfície plana denominada de plano topográfico.

PLANO TOPOGRÁFICO
Plano topográfico é um plano perpendicular a direção do fio do prumo num determinado ponto
da superfície terrestre. O plano topográfico não deverá exceder a 25 Km de raio.

DIVISÃO DA TOPOGRAFIA
A topografia divide-se em:
topometria
topologia;
fotogrametria.

TOPOMETRIA
A topometria tem por objetivo o estudo e aplicação dos processos de medidas baseado na
geometria aplicada, onde os elementos geométricos (ângulos e distâncias) são obtidos por
instrumentos topográficos tais como teodolitos, estações totais, níveis, receptores GPS, trenas, miras,
etc...
A topometria divide-se em:
planimetria ou placometria;
altimetria ou hipsometria.

PLANIMETRIA OU PLACOMETRIA
A planimetria consiste em obter os ângulos e as distâncias horizontais para a determinação das
projeções dos pontos do terreno para representação no plano topográfico.

1/9
Fundamentos da Topografia revisão Prof. Lênio
A planimetria atua no plano horizontal (plano topográfico) e não leva em consideração o relevo.
Os trabalhos provenientes da planimetria dão origem às plantas planimétricas.

ALTIMETRIA OU HIPSOMETRIA
Na altimetria as medidas são efetuadas num plano vertical, onde se obtém os ângulos
horizontais e verticais, as distâncias horizontais e as diferenças de níveis.
Os trabalhos da altimetria reunido com a da planimetria dão origem às plantas
planialtimétricas. A altimetria, isoladamente, dá origem ao perfil do terreno evidenciando assim o
relevo. A planimetria e a altimetria utilizam para o seu desenvolvimento:
goniologia;
taqueometria.

GONIOLOGIA
Goniologia é a parte da topografia que trata dos ângulos:
A goniologia divide-se em:
goniometria;
goniografia

GONIOMETRIA
A goniometria tem como objetivo a medição do ângulo horizontal (no plano do horizonte) e do
ângulo vertical (no plano vertical).

GONIOGRAFIA
A goniografia trata do transporte do ângulo para o desenho (planta).

ÂNGULO HORIZONTAL
Ângulo horizontal é o ângulo medido no plano horizontal (plano topográfico).

ÂNGULO VERTICAL
Angulo vertical é o ângulo medido no plano vertical (plano perpendicular ao plano topográfico).
O ângulo vertical pode ser:
o Zenital :origem no zênite;
o Nadiral :origem no nadir;
o Horizontal :origem no horizonte.

Nota: Atualmente os fabricantes de teodolitos estão produzindo somente teodolitos com


ângulo vertical zenital, isto é, a origem do ângulo vertical é no zênite. Nos teodolitos
eletrônicos e estações totais pode-se escolher a origem do ângulo vertical. O ângulo
vertical com origem no zênite é denominado de distância zenital, veja figura:

2/9
Fundamentos da Topografia revisão Prof. Lênio
Veja origens do Zênite e Nadir na figura abaixo:
ZêNITE
Zênite é a direção contrária a direção do fio de prumo prolongada ao infinito.
NADIR
Nadir é a direção do fio de prumo.

TAQUEOMETRIA
Taqueometria é a parte da topografia que trata da medida indireta da distância horizontal e
diferença de nível. 0s aparelhos usados na taqueometria chamam-se "TAQUEÔMETROS" que são
teodolitos providos de fios estadimétricos e ângulo vertical.

III EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA TAQUEOMETRIA

TRÂNSITO
O trânsito dispõe de uma luneta que gira em torno de seu eixo suporte, mede ângulo vertical e ângulo
horizontal. As leituras dos ângulos são efetuadas através de limbos externos auxiliados por uma lupa.
Possui fios estadimétricos. O prumo é de cordão.

TEODOLITO
O teodolito mede ângulo horizontal e vertical. Possui fios estadimétricos. As leituras dos ângulos
são efetuadas através de um sistema de prismas (leitura interna). Nos teodolitos eletrônicos os
ângulos são lidos num visor de cristal líquido. O prumo pode ser de cordão ou ótico, (através de um
sistema de prismas).
Posteriormente serão apresentados os instrumentos topográficos de diversos tipos e em aula prática
suas principais características.

IV TOPOLOGIA
Topologia é a parte da topografia que estuda as formas exteriores da superfície terrestre e as leis que
devem obedecer ao seu modelado.
Exemplo:
2º PRINCIPIO DE BOLANGER
"Quanto mais próximo for o rio da montanha esta é mais escarpada, e quanto mais longe menos
escarpada".
O estudo da topologia é de fundamental importância para o projeto de estradas.

V FOTOGRAMETRIA
Fotogrametria é a parte da topografia que tem por objetivo fotografar pequenos trechos da superfície
terrestre para representar num plano (carta topográfica). Na disciplina de cartografia vocês terão
uma melhor visualização e aplicação desse ramo da topografia.
A fotogrametria pode ser:

3/9
Fundamentos da Topografia revisão Prof. Lênio
fotogrametria aérea;
fotogrametria terrestre.

1. FOTOGRAMETRIA AÉREA
A fotogrametria aérea ou aerofotogrametria utiliza-se de câmara especial acoplada em avião
especialmente adaptado para este fim.

2. FOTOGRAMETRIA TERRESTRE
A fotogrametria terrestre utiliza-se de câmara especial acoplada ao teodolito. Ao conjunto chama-se
fototeodolito.

3. APLICAÇÃO DA AEROFOTOGRAMETRIA
A aerofotogrametria é aplicada em estudos e projetos de barragens, estradas, portos, reflorestamento,
cadastro técnico municipal, (rural e urbano), projetos fundiários etc...

VI GEODÉSIA
Geodésia é a parte da agrimensura que tem por objetivo o estudo da forma e dimensões da Terra.
A geodésia divide-se em:
geodésia superior;
geodésia elementar.

1. GEODÉSIA SUPERIOR
A geodésia superior, de cunho meramente científico, estuda a forma e dimensões da terra,
gravimetria, deslocamento dos continentes, estuda e monitora falhas geológicas que provocam
os terremotos. A geodésia utiliza-se de satélite para obtenção de medidas de alta precisão.
(Geodésia Celeste).

2. GEODÉSIA ELEMENTAR
A geodésia elementar ou geodésia aplicada procura determinar com precisão, a posição de pontos
sobre a superfície terrestre, levando em consideração a sua forma, fornecendo para a topografia uma
rede de pontos para esta apoiar os seus levantamentos topográficos.

0s vértices da REDE GEODÉSICA podem ser de 1ª, 2ª e 3ª ordem (em função da precisão) e estão
amarrados num ponto chamado DATUN.

Nota: DATUN
DATUN É O PONTO DE PARTIDA DE UMA REDE GEODÉSICA.

VII A GEODÉSIA versus A TOPOGRAFIA


A geodésia, em seus trabalhos, leva em consideração a forma da terra, enquanto a topografia tem
a sua atuação restrita a pequenos trechos da superfície terrestre. Considera este trecho como sendo
plano. A este plano dá-se o nome de PLANO TOPOGRÁFICO.

FORMA E DIMENSÕES DA TERRA


A Terra tem a forma aproximada de um esferóide com achatamento nos pólos. Para esta figura os
geólogos denominaram de "GEÓIDE" que etimologicamente significa "forma da Terra .
Folheando as páginas da história desde os mais longínquos tempos vamos encontrar referências
sobre a forma e dimensões da Terra.

VIII REFERÊNCIAS CRONOLÓGICAS:

HOMERO

4/9
Fundamentos da Topografia revisão Prof. Lênio
Alguns estudiosos sustentam que Homero não existiu e, que os poemas referidos são compilações
das obras de vários autores. Um destes poemas descreve a Terra como sendo um grande disco que
flutuava sobre o oceano, e o Sol como sendo o coche em que os deuses efetuavam os seus passeios
diários.

ANAXAGORAS de Clazômenes (500 - 428 a.C.)


Anaxágoras foi condenado a prisão por afirmar que "o Sol é uma pedra incandescente, maior que o
Peloponeso (península do sul da Grécia), que a Lua é feita de terra e não tem luz própria". Suas
afirmações feriam conceitos religiosos da época.

ARISTARCO de Samos
Aristarco foi astrônomo e matemático Grego do século II a.C.. Foi acusado de molestar os deuses
por sua afirmação, a primeira na história, da existência dos movimentos de rotação e translação da
Terra. Aristarco é denominado de "Copérmico da Antiguidade".

PITÁGORAS de Samos (580 - 500 a.C.)


Pitágoras foi filósofo e matemático grego e fundador da escola de Crotona.

TALES de Mileto (Século VI a.C.)


Tales foi filósofo e matemático grego. Juntamente com Pitágoras defendia a esfericidade da Terra, e,
que a mesma girava em torno do Sol.

ARISTÓTELES (384 - 322 A.c.)


Aristóteles, filósofo e matemático grego, admitia a esfericidade da Terra considerando-a imóvel. Por
se tratar de um gênio da filosofia e matemática, suas idéias foram preservadas por muito tempo.

ARQUIMEDES de Siracusa (287 - 212 a.C.)


Arquimedes foi o maior matemático da antiguidade. Concebia o universo na forma de uma enorme
esfera, com centro na Terra que considerada imóvel, e seu raio igual à distância da Terra ao Sol.

ERATÓSTENES (276-194 a.C.)


Eratóstenes foi matemático, astrônomo e geógrafo grego. Foi diretor da Biblioteca de
Alexandria. Determinou a inclinação da eclíptica, investigou as medidas da Terra e calculou o
meridiano terrestre.
Eratóstenes observou que em Syene, situada na margem direita do Rio Nilo no solstício de verão,
o Sol cruzava o meridiano no zênite concluindo pela sua localização no trópico de Câncer.
Em Alexandria encontrou, ainda no solstício de verão, que a distância zenital do Sol, quando
cruzava o meridiano era de 1/50 da circunferência.
Admitiu que os dois locais estavam no mesmo meridiano e separado por uma distância de 5.000
estádias e calculou o raio da terra.

Sendo:

A = latitude de Alexandria;
S = latitude de Syene

Z A = 1/50 da circunferência
ZS = O

Veja no esboço abaixo as relações:

5/9
Fundamentos da Topografia revisão Prof. Lênio

FA FS

Portanto:

DF

= A- S
Z = Z A - Z S = 1/50 da circunferência
Z=

Sendo a declinação do Sol, que equivale ao arco medido na linha meridiana que vai do equador até
o Sol.

ZS = S- ZA = A-

Portanto:
Z A - Z S= A - S = 1/50 da circunferência

6/9
Fundamentos da Topografia revisão Prof. Lênio
Aplicando temos:

1/50 d

1 2 R

d .50
R
2
Adotando: d = 5.000 estádias e = 3,16

O valor de conhecido por Eratóstenes era dado por:

= 256/81 = 3,16

Efetuando os cálculos:
R = 39.556,96 estádios ... Como 1 estádio equivale a 157 m
R = 6.210 Km

Nota: Considerando os valores atuais dos raios terrestres Eratóstenes cometeu um erro inferior a 2%.

João PICARD (1620 - 1682)


Picard, astrônomo francês, após introduzir várias melhorias nos instrumentos de medidas
angulares, mediu o arco de meridiano de Paris a Amiens, em função do qual, calculou o raio da terra.
Com os dados obtidos escreveu, em 1671, "As medidas da Terra".

Sir Isaac NEWTON (1642 - 1727)


Newton, físico e matemático inglês valeu-se do resultado obtido por Picard para os estudos
teóricos sobre a gravitação. Nos seus estudos considerava a Terra achatada nos pólos, devendo a
força da gravidade decrescer dos pólos para o equador.

João Domingos CASSINI (1625 - 1712)


Cassini, astrônomo francês, diretor do Observatório de Paris, ao prosseguir os trabalhos de
triangulações iniciados por Picard concluiu que o comprimento de um arco de meridiano diminuía
com o aumento da latitude o que fornece para a Terra um achatamento no equador e alongamento
nos pólos.

Duas expedições científicas foram organizadas em 1735 sob os auspícios da Academia de


Ciências de Paris; uma tendo a testa Bouger, La Condamine e Godin, efetuou no Peru, que naquela
época compreendia também o atual Equador, a medida de um arco de 3 graus e sete minutos, cortado
pela linha equatorial. As medidas e cálculos acabaram por indicar, para o arco de meridiano de 1
grau, junto ao equador terrestre, o comprimento de 110.613m.
A segunda expedição integrada por cientistas não menos célebres: Clairaut, Maupertuis, Camus,
etc, dirigiu-se a Lapônia onde os trabalhos efetuados conduziram ao comprimento do arco do
meridiano de 1 grau. cortado pelo círculo polar ártico mediu 111.948m.
O aumento constatado no comprimento do arco de meridiano e o aumento da latitude
evidenciaram que a razão estava com Newton; a Terra se assemelharia a um elipsóide de revolução,
o eixo menor deste coincidindo com o eixo de rotação.
Com o decorrer dos tempos foram se multiplicando as triangulações geodésicas sendo medidos
arcos de meridianos e paralelos em várias regiões do globo, com precisão sempre crescente. Com
base em trabalhos desta natureza, adotando o elipsóide de revolução como forma matemática da

7/9
Fundamentos da Topografia revisão Prof. Lênio
terra, foram sendo calculados os parâmetros do elipsóide ideal. Dentre muitos destacamos os
resultados obtidos por Bessel, Clarke e Hayford.
Em 1924 a Assembléia Geral da Associação de Geodésia da União Geofísica e Geodésica
Internacional, reunida em Madrid, resolveu adotar o elipsóide de Hayford como sendo o elipsóide de
referência internacional.
Em 1367 a Assembléia Geral da Associação Geodésica Internacional, realizada em Lucerne,
recomendou para a América do Sul o Sistema Geodésico Sul-Americano que adota para modelo
geométrico da Terra o elipsóide de referência 1967.
Em 1983 o Brasil, através da Diretoria de Geodésia e Cartografia, expediu as instruções para a
adoção das Normas Gerais para Levantamentos Geodésicos e criando o Sistema Geodésico
Brasileiro.
Em 1984 o professor Luiz Carlos da Silveira calculou, para as latitudes brasileiras, os
coeficientes para os cálculos geodésicos no sistema UTM, usando o elipsóide UGGI referência
1967 - SAD 69. O livro contendo as tabelas dos coeficientes e as respectivas fórmulas, foi publicado
pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Em 1993 a Associação Internacional de Geodésia IAG, o Instituto Pan-americano de Geografia e


História - IPGH e a Agência Cartográfica do Departamento de Defesa dos Estados Unidos DMA,
durante a Conferência Internacional para definição de um Datun Geocêntrico para a América do Sul,
realizada em Assunção - Paraguai, criaram o Projeto SIRGAS - Sistema de Referência Geocêntrico
para a América do Sul.
O SIRGAS utiliza o sistema IERS International Earth Rotation Service com parâmetros do
elipsóide "Geodetic Reference System - GRS of 1980".
O desenvolvimento do Projeto SIRGAS compreende as atividades necessárias à adoção no
continente de uma rede de referência de precisão compatível com as técnicas atuais de
posicionamento, notadamente as associadas ao Sistema de Posicionamento Global - GPS.

PRINCIPAIS ELIPSOIDES

ELIPSÓIDE a b f
BESSEL 6378397,000 6356679,000 1:299,2
CLARKE 6378249,000 6356515,000 1:293,5
HAYFORD 6378388,000 6356912,000 1:297,0
SAD 69 6378160,000 6356774,719 1:298,25
Publicações:
Bessel 1841; Clarke 1886; Hayford - 1909

Legenda:
a = semi-eixo equatorial
b = semi-eixo polar;
f = achatamento.

Definições:

ELIPSÓIDE
Elipsóide é uma figura matemática gerada pela rotação de uma semi-elipse em torno de seu eixo
menor, que imita a forma da Terra. É o sólido imaginário que mais se aproxima do geóide. O
elipsóide é conhecido da matemática onde seus elementos são perfeitamente dedutíveis. Veja figura
abaixo da representação do Elipsóide Terrestre.

8/9
Fundamentos da Topografia revisão Prof. Lênio

GEÓIDE
Geóide é a forma da terra correspondente a superfície definida pelo nível médio dos mares
prolongado através dos continentes, veja figura abaixo:

Exercício proposto:
1) Represente graficamente referente a um único ponto os conceitos de zênite,
nadir, geóide, plano topográfico, elipsóide e relevo.
2) Descreva todos os parâmetros de medidas angulares para o plano horizontal
e vertical discutidos em aula teórica.

Referência:

Silveira, Luiz Carlos da. Fundamentos de Geodésia. Escola Brasileira de Agrimensura -


CEBRAPROT; Tomo Único Criciúma SC, 2002.

9/9
This document was created with Win2PDF available at http://www.daneprairie.com.
The unregistered version of Win2PDF is for evaluation or non-commercial use only.