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FALSUM COMMITTIT, QUI VERUM TACET

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Escrevinhação n. 873
UM DEVER ESTRANHAMENTE DESDENHADO

Redigido em 14 de fevereiro de 2011, dia de São Cirilo, São


Valentim e São Metódio.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"Não há lugar para a sabedoria onde


não há paciência".
(Sto. Agostinho)

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Parlando sobre a educação, sobre o ex ducere em

seu sentido lato e originário, não temos como nos

esquivarmos das considerações tecidas por José Ortega y

Gasset em seu livro Unas lecciones de metafísica. Neste, o

filósofo espanhol simplesmente nos lembra o óbvio ululante:

o que define o que somos é aquilo que fazemos enquanto um

reflexo de nosso estado interior. Ou seja, o que define um

estudante é o desejo ávido por estudar. Ponto.

Ponto, porém, esse abre espaço para muitas

vírgulas que merecem a nossa atenção. Não no que tange a

atitude tomada pelos outros, sejam eles alunos, professores

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ou mesmo pais, mas sim, no que essas pontiagudas palavras

têm para versar a respeito de cada um de nós.

Isso mesmo. Via de regra, toda essa tigrada que

adora passar pito nos outros sobre a importância da

educação e o quanto que nosso país carece de investimento

na área, nunca deu realmente a devida atenção à sua própria

educação. Melhor! Na verdade, nunca, nem de longe, deram

para sua própria educação a importância que eles

morbidamente evocam com suas pífias palavras quando

possam de “otoridades” no assunto.

Sei que essa questão é colocada em segundo plano

em nossa sociedade, todavia, isso não a retira de seu lugar

prioritário na hierarquia dos valores que estamos que nos

coloca em cheque. Educação, meu caro Horácio, não é uma

questão de Estado e, por isso, não há política pública que dê

conta de esgotá-la. Educação, gostemos ou não, discordemos

o quando quisermos, é e sempre será uma questão pessoal

movida pela força volitiva que impulsiona o indivíduo na

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direção do objeto almejado. Neste caso, a plena realização de

si através do conhecer.

Bem, no caso de nossa sociedade, no nosso caso,

em especial, o que move os indivíduos não é, literalmente, a

busca pelo conhecimento, pela plena realização. O que nos

move é algo que venha atestar que somos detentores de um

determinado conhecimento, mesmo que nunca o tenhamos

procurado.

Esse atestado de ignorância auto-impingida

apresenta-se com os mais variados nomes. São títulos que

servem muito bem para o empavonamento curricular, mas

que tem pouca valia no reino da sapiência.

Creio que um dos símbolos mais claros deste

aspecto bárbaro de nossa cultura seja o desdém pelos livros

que existe, pari passu, à idolatria que se alimenta em torno

dos títulos e diplomas. Quando lemos a obra Triste fim de

Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, temos diante de nossas

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mãos um claro retrato dessa doença que afeta a alma

brasileira, quando vemos a estranhamento e as críticas

proferidas pela vizinhança sobre o fato de Policarpo possuir

muitos livros sua casa sem ao menos ser um bacharel, sem

ao menos ter um parvo diploma na parede de seu lar.

Aliás, lembro-me, como se fosse ontem, quando se

teve o início do surto febril por cursos de pós-graduação lato

sensu em todo o país, em especial neste Estado da

Federação, voltados para profissionais da seara da educação.

Lembram-se? Pois é, então me digam uma coisa, qual foi o

principal impulso motivador da procura desses cursos? Ah!

Um relativo incremento salarial. Interessante! E o que mais

chamava a atenção dos participantes? O conteúdo ministrado

no mesmo ou a velocidade com que se poderia findá-lo? Hum!

Fascinante esse tal amor, à brasileira, pelo saber, não é

mesmo? Tão encantador quanto o teor estético dos diplomas

pelos quais nos alienamos.

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Em consonância com o que acima descrevemos,

creio que as palavras do filósofo Olavo de Carvalho, presentes

em sem seu artigo Educação ao contrário, publicado no Diário

do Comércio em 27 de janeiro de 2009, são profundamente

esclarecedoras e, ao mesmo tempo, provocativas.

Bem, o professor Carvalho diz-nos: “Clicando no

Google a palavra „Educação‟ seguida da expressão „direito de

todos‟, encontrei 671 mil referências. Só de artigos acadêmicos

a respeito, 5.120. „Educação inclusiva‟ dá 262 mil respostas.

Experimente clicar agora „Educar-se é dever de cada um‟:

nenhum resultado. „Educar-se é dever de todos‟: nenhum

resultado. „Educar-se é dever do cidadão‟: nenhum resultado”.

Que horror! Mas isso não é obrigação do Estado?

Tudo bem, mas como o Estado pode dar algo que ele não

tem? Como podemos cobrar algo que francamente não

desejamos? Como podemos chamar de direito algo que não

nos dispomos de corpo e alma para obter?

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Tchó de Deus! Mas eu não estou falando de

diplomas e certificados! Estou falando de educação. Sim,

temos muita oferta de diplomas na praça (e até mesmo de

instrução de qualidade), mas quantos estão realmente

dispostos a se tornarem estudantes zelosos e devotados? O

silêncio (ou a revolta) interior diante desta indagação muito

nos esclarece sobre a gravidade do presente problema. Por

isso ouçamos. Ouçamos o silêncio que clama por nossa

atenção.

Pax et bonum
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