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EEFAE

Prof. Marcos Lázaro


Créditos: prof. Nelson Oliveira

Fator de Potência

1
Circuitos RLC Série

Um indutor, um capacitor e um resistor associados em série,


quando submentidos a uma tensão alternada, permitem que circule
por eles uma corrente que é limitada por sua reatância indutiva,
reatância capacitiva e resistência, respectivamente.

VC VL VL Î = I∠0o
V̂R = VR ∠0o
XC V V̂L = VL ∠90o
VL-VC
V R VR φ
V̂C = VC∠ − 90o
I I VR
VC V̂ = V̂R + ( V̂L − V̂C ) = V∠ϕ

Circuito RLC Série. V = VR2 + ( V̂L − V̂C )2


− 90o < ϕ < 90o
Diagrama Fasorial.
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Potências elétricas
Q L = I × VL
VL QL Q C = I × VC

S Q = I × ( VL − VC )
V
VL-VC Q P = I × VR
φ φ
I S = P2 + Q2
VR P
VC QC Q
ϕ = arctan 
P
Diagrama Fasorial. Diagrama de potências.

S P: potência ativa (W)


Q
φ Q: potência reativa (var)
S: potência aparente (VA)
triângulo de potências. φ: ângulo do fator de potência

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Fator de potência (fP)

Relação entre a potência ativa (útil) e a potência aparente (total de


potência entregue a carga). Indica a eficiência no uso da energia.

f P = cos ϕ
Um alto fator de potência está relacionado a um uso eficiente da
energia;
O fator de potência pode ser indutivo (atrasado) ou capacitivo
(adiantado), variando de zero a 1.
Quando o fator de potência situa-se abaixo de 0,92 (ind. ou cap.),
a depender do horário e sistema tarifário adotado, há cobrança de
excedentes reativos

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Exercício

Considerando os valores como mensais, calcule os fatores de


potência para as situações propostas:
Consumo 36.000 12.000 25.980
(kWh)

Cons. 22.500 30.000 36.000


Aparente
(kVAh)
Consumo 36.000 80.000 10.000
reativo
(kVArh)
Fp 80 60 50

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Legislação Vigente

A resolução ANEEL n° 456 de 29 de novembro de 2000, art. 64 e


69, rege todas as condições de faturamento dos excedentes
reativos.

As concessionárias de energia elétrica definem o fator de


potência pelas energias elétricas ativas e reativas medidas dentro
do intervalo considerado: média mensal e média horária

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Média Mensal

É a forma mais tradicional de verificação do fator de potência.

Aplica-se aos consumidores do grupo B com medição


permanente ou transitória do fator de potência e aos do grupo A
convencional que não possuam medição apropriada para
execução da média horária.

As concessionárias medem as energias elétricas ativas e


reativas mensais (730 horas) e determinam o ângulo e o fator de
potência médio do mês de faturamento.

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Média Mensal
Se o fator de potência for inferior a 0,92 indutivo, o consumidor
pagará excedente reativo à concessionária calculado por meio da
expressão:
 fr 
FER = CA ×  − 1  × TCA
 fm 

FER: faturamento do excedente de energia reativa;


CA: consumo de energia ativa;
fr: fator de potência de referência;
fm: fator de potência indutivo médio;
TCA: tarifa de energia ativa;

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Média Mensal
Para os consumidores do grupo A, além do pagamento do
consumo excedente de reativos, o consumidor estará sujeito à
cobrança de demanda excedente reativa, caso a expressão a
seguir mostre-se positiva:

 DM × fr 
FDR = CA ×  − DF  × TDA
 fm 

FDR: faturamento do excedente de demanda de potência reativa;


DM: demanda medida;
DF: demanda faturável;
fr: fator de potência de referência;
fm: fator de potência indutivo médio;
TDA: demanda de potência ativa
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Média Horária

Em sua evolução natural na busca da melhor forma de utilização


da energia elétrica e aproveitamento da capacidade instalada, a
legislação permite que a verificação e cobrança do fator de
potência sejam feitas de forma horária.

Uma dificuldade no uso da média horária é a necessidade de se


utilizar medidores adequados as novas regras de medição, o que
não é possível com medidores de indução.

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Média Horária

Os excedentes reativos serão cobrados durante o período de 6


horas consecultivas, compreendidas entre 23h e 30 min e 6 h e 30
min se os mesmos forem capacitivos e inferiores a 0,92. Nas 18
horas restantes haverá cobrança se o fator de potência, verificado
em cada intervalo de 1 hora, for inferior a 0,92 indutivo.

Os cálculos para determinação dos excedentes permanecem os


mesmos, com a diferença de ao invés de termos um triângulo de
potências de 730 horas, teremos 730 triângulos de potências de 1
hora cada.

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Média Horária

Um consumidor, faturado no subgrupo B3, apresenta um


consumo mensal médio da ordem de 7 MWh e apresenta um fator
de potência da ordem de 0,84 indutivo. Calcule o consumo de
excedente mensal a ser pago pela empresa.

Um consumidor, faturado no A4, apresenta uma demanda


mensal média de 220 kW, com um consumo mensal médio da
ordem de 80.300 kWh e tem um fator de potência de 0,82 indutivo.
Sabendo-se que a demanda contratada é de 240 kW, calcule o
consumo e demanda excedentes.

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Baixo Fator de Potencia

Antes de realizar investimentos para correção do fator de potência


de uma instalação, deve-se procurar identificar as causas de sua
origem.

Nível de tensão acima da nominal.

V2
Q=
X

A potência reativa é diretamente proporcional ao quadrado da


tensão.

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Baixo Fator de Potencia

Motores operando em vazio ou superdimensionados.

Motores de indução consomem aproximadamente a mesma


potência reativa quando operam em vazio ou a plena carga. Por
outro lado, a potência ativa será proporcional à carga no eixo da
máquina.
Deve-se verificar a possibilidade de se substituir os motores por
outros de menor potência, com torque de partida mais elevado e
mais eficientes.

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Baixo Fator de Potencia

Transformadores em vazio ou com pequenas cargas.

Em muitos momentos, ao longo do mês, os transformadores


operam em vazio ou alimentando poucas cargas fato que eleva a
quantidade de reativos em relação à potência ativa solicitada pela
carga.

Deve-se verificar a possibilidade de se desenergizar os


transformadores ou utilizar um transformador específico para
alimentação das cargas no período de baixo consumo.

Eletricidade Básica II 15
Baixo Fator de Potencia

Sistemas de iluminação.

O uso de lâmpadas de descarga (fluorescentes, vapor de sódio


e etc.) pode levar a diminuição do fator de potência da instalação,
uma vez que seus reatores podem não estar equipados com
capacitores de correção do fator de potência.
Deve-se verificar a possibilidade de se instalar reatores com
fator de potência elevado ou a instalação de pequenos bancos de
capacitores..

Eletricidade Básica II 16
Baixo Fator de Potencia - Consequências

Acréscimo na conta de energia elétrica pelo pagamento de


excedentes reativos;
limitação da capacidade dos transformadores e dos circuitos de
alimentação;
Quedas e flutuação da tensão nos circuitos de distribuição ;
Sobrecarga nos equipamentos de manobra, limitando sua vida
útil;
Aumento das perdas elétricas na linha de distribuição por efeito
Joule;
Necessidade de aumento do dimensionamento dos condutores,
equipamentos de manobra e proteção.
Eletricidade Básica II 17
Correção do Fator de Potência

Liberação de potência nos circuitos alimentadores e nos


transformadores.

Potencia ativa Fator de Potência Corrente


(kW) potência (%) aparente (kVA) solicitada (A)
500 40 1250 3281
500 60 833 2187
500 80 625 1640
500 100 500 1312

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Correção do Fator de Potência

Redução das perdas por efeito Joule

Pcabo = I 2 × R

Como a corrente elétrica no condutor aumenta com o aumento


do consumo de reativos, estabelece-se uma relação entre o
aumento das perdas e o baixo fator de potência.

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Correção do Fator de Potência

Melhoria do nível de tensão nas cargas

Corrigindo-se o fator de potância a corrente solicitada pela carga


diminuirá, com a consequente redução da queda de tensão e uma
tensão aplicada à carga mais próxima da nominal, melhorando as
condições operacionais da mesma.

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Correção do Fator de Potência

Redução das despesas na conta de energia elétrica

A cobrança de excedentes reativos na faturas de energia elétrica é


o efeito mais visível do problema do baixo fator de potência.

Apesar da energia reativa (kvarh) não ser registrada no medidor


de energia ativa, o sistema de transmissão e distribuição da
concessionária precisa ser grande o suficiente para fornecê-la.

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Cálculos de compensação reativa
Métodos de compensação do fator de potência .

Aumento do consumo de energia ativa;


Compensação por motores síncronos;
Compensação por capacitores.

As duas primeiras formas de compensação do fator de potência


possuem aplicações bastante específicas. A solução mais usual e
prática para este fim é a utilização de capacitores.

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Cálculos de compensação reativa
Instalações faturadas no grupo “B”.

kWh{tan[arccos(f m )] − tan[arccos(f r )]}


Qc =
h

kWh: consumo mensal médio da instalação;


fm: ângulo do fator de potência atual;
fr: ângulo do fator de potência desejado;
h: horas mensais de funcionamento das cargas.

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Cálculos de compensação reativa
Ex.: Um dado consumidor, faturado no grupo “B”, está pagando
excedente reativo e deseja corrigi-los. Os dados médios medidos
nos últimos 6 meses foram:

Consumo: 22,5 kWh


Fator de potência: 88,5% indutivo
Tempo de utilização da energia: 400 horas

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Cálculos de compensação reativa
Solução:
Cálculo do capacitor

kWh{tan[arccos(f m )] − tan[arccos(f r )]}


Qc =
h
22500{tan[arccos(0,885 )] − tan[arccos(0,95 )]}
Qc =
400

Q c = 11,1kVAr

Valor escolhido para o capacitor: 10 kVAr

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Cálculos de compensação reativa
Solução:
Refazendo os cálculos considerando o capacitor

Potência ativa média: 22.500 kWh/400 h = 56,25 kW


Fator de potência atual: 88,5%
Potência aparente média: 56,25/0,885 = 63,56 kVA
Potência reativa média: (63,562 – 56,252)1/2 = 29,59 kvar
Capacitor: 10 kvar
Potência reativa média atualizada : 29,59 – 10 = 19,59 kvar
Fator de potência atualizado: cos(arctan(19,59/56,25)) = 94,43%

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Cálculos de compensação reativa
Instalações faturadas no grupo “A” convencional.

Q c = kW{tan[arccos(f m )] − tan[arccos(fr )]}

kW: demanda máxima mensal;


fm: ângulo do fator de potência atual;
fr: ângulo do fator de potência desejado;

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Cálculos de compensação reativa
Ex.: Um dado consumidor, faturado no grupo “A” convencional,
apresentou problemas de cobranças de excedentes reativos. Os
dados médios medidos nos últimos 6 meses foram os seguintes:

Consumo ativo: 55.440 kWh


Demanda = 151 kW
Fator de potência = 87,79% indutivo
Fator de carga: 50%

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Cálculos de compensação reativa
Solução:
Cálculo do capacitor

Q c = kW{tan[arccos(f m )] − tan[arccos(fr )]}

Q c = 151{tan[arccos(0,8779 )] − tan[arccos(0,95 )]}


Q c = 151{tan[28,61] − tan[18,19]}
Q c = 151{0,5454 − 0,3287}

Q c = 32 k var

Valor escolhido para o capacitor: 30 kVAr

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Cálculos de compensação reativa
Solução:
Refazendo os cálculos considerando o capacitor

Demanda: 151 kW
Fator de potência atual: 87,79% indutivo
Potência aparente média: 151/0,8779 = 172 kVA
Potência reativa média: (1722 – 1512)1/2 = 82,36 kvar
Capacitor: 30 kvar
Potência reativa média atualizada : 82,36 – 30 = 52,36 kvar
Fator de potência atualizado: cos(arctan(52,36/151)) = 94,48%

30
Cálculos de compensação reativa

Os cálculos são os mesmos dos adotados para o grupo A


convencional, porém os resultados são recalculados a cada hora;
A forma de operação do banco de capacitores é tão importante
quanto a determinação da sua potência devido a cobrança de
excedentes capacitivos na madrugada;
A partir da definição do perfil de necessidades reativas da
instalação, define-se a forma de operação dos capacitores;
Há aplicativos computacionais que executam os cálculos e
definem as necessidades das instalações a partir de arquivos
eletrônicos fornecidos pelas concessionárias.

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Localização dos Capacitores
Uma correta especificação de banco de capacitores só será eficaz
se estiver aliada ao melhor ponto de instalação.

QDG QD

Medição
Motor

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Localização dos Capacitores
Na entrada de energia em média/alta tensão (MT/AT).

QDG QD

Medição
Motor

Tecnicamente é a pior solução, pois exige dispositivos de


comando imersos em óleo isolante e com isolação para o nível de
tensão primária;
Dificilmente é empregada visto as dificuldades de adequação dos
reativos necessários e operação dos equipamentos que exigem
cuidados especiais de segurança.
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Localização dos Capacitores
No barramento geral de baixa tensão (BT).

QDG QD

Medição
Motor

É necessário instalar uma chave para que os capacitores sejam


desligados quando necessário, evitando sobretensões;
Obtêm-se considerável economia.

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Localização dos Capacitores
Na extremidade dos circuitos alimentadores.

QDG QD

Medição
Motor

Solução melhor que as anteriores;


Utilizada quando o alimentador supre uma grande quantidade de
cargas pequenas, não sendo conveniente a correção individual.

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Localização dos Capacitores
Junto a grande cargas indutivas

QDG QD

Medição
Motor

Tecnicamente é a melhor opção, pois permite uma melhor


adequação entre capacitor e carga;
Permite o alívio de toda a instalação;
Sendo capacitor e carga comandados pela mesma chave , não
há o risco de haver, em certos momentos, excesso ou falta de
potência reativa.
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Localização dos Capacitores
Correção mIsta

QDG QD

Medição
Motor

Consiste na instalação de um capacitor fixo no secundário do


transformador , aliado com correções individuais nos motores mais
representativos da instalação.

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