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MAR PORTUGUÊS

ANALOGIA POÉTICA

Mar Português Portuguese Sea

Ó mar salgado, quanto do teu sal Oh salty sea, so much of your salt
São lágrimas de Portugal! Is tears of Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Because we crossed you, so many mothers wept,
Quantos filhos em vão rezaram! So many sons prayed in vain!
Quantas noivas ficaram por casar So many brides remained unmarried
Para que fosses nosso, ó mar! That you might be ours, oh sea!

Valeu a pena? Tudo vale a pena Was it worthwhile? All is worthwhile


Se a alma não é pequena. When the spirit is not small.
Quem quer passar além do Bojador He who wants to go beyond the Cape
Tem que passar além da dor. Has to go beyond pain.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu, God to the sea peril and abyss has given
Mas nele é que espelhou o céu. But it was in it that He mirrored heaven.

Fernando Pessoa. Fernando Pessoa.


English version

An introduction to the poem: Mar Português (after which the second part of Mensagem is named) is the
capital short poem of Portuguese Literature and also Pessoa's best known poem in his homeland. It sums
up the cost of conquering the seas in terms of human suffering and asks "Was it worthwhile?"
immediately replying with two resounding sentences "All is worthwhile when the spirit is not small" and
"He who wants to go beyond the Cape has to go beyond pain". The poem then concludes in a grand
manner with the statement that God created the sea dangerous but it was in it that He chose to mirror the
sky that symbolizes heaven!

Sobre o autor

Na pintura Ricardo Augusto Correia “ D’Amboim, tem evoluído na busca de caminhos


e técnicas, no sentido de um perfil acentuadamente figurinista ou impressionista que
denota a raiz africana, nítida nas cores quentes e densas dos seus quadros. É uma pintura
“leal”, “franca” e “exposta”, já denominada de fria, dura e seca, (Mestre Pintor Jaime
Silva) de grandes ângulos, superfícies amplas cheias de cor, onde, por vezes, num ou
outro pormenor deixa escapar uma dimensão humana de tristeza mas,
concomitantemente, de esperança... (Coronel Carlos Matos Gomes).
Frequentou, na Sociedade Nacional de Belas Artes, de 1995 a 1998, os cursos de pintura
e complementar de “atelier”, história da arte e estética de arte contemporânea.
De algumas obras realizadas destaca: o painel “Cidade de Lisboa” no Hotel
Internacional; mural “Cidade de Coimbra” no Hotel Bragança; a capa do catálogo e
poster do Museu Militar de Lisboa na exposição “Os Militares e as Artes”, no âmbito
dos “Caminhos do Oriente da Expo 98”.
Pelo 172º aniversário do RL2 criou obras para o núcleo museológico da unidade, sobre
os temas “Campanhas de Pacificação de Moçambique”, “Trincheiras da 1ª Guerra
Mundial”, “Carga de Lanceiros”, entre outros.

Foi agraciado com os Prémios de inspiração militar em pintura no 22º Salão Regional e
Internacional da Liga Sudoeste em Lourdes (1998) e 50º Salão Internacional de Paris no
âmbito do concurso internacional aberto aos países da Comunidade Europeia “Europa
3º milénio espaço de paz e progresso”, levado a efeito pelo Ministério da Defesa
francês, através da Fédération des Clubs Sportifs et Artistiques de la Défense em
(2000), com a tela “Sentinela”.
Tem participado em várias exposições individuais e colectivas, e recebido diversas
menções honrosas.
Encontra-se representado em diversas colecções.

Neste espaço, com esta exposição “MAR DE PORTUGAL ANALOGIA POÉTICA”


Ricardo Augusto, pretende homenagear Portugal, inspirando-se no, poeta Fernando
Pessoa e em José Geraldo.
Através desta colecção pictórica o autor explora a fronteira entre os dois elementos
mar/terra. A pintura traça limites que resultam da conjugação plástica destes elementos
chave da vida.
O pintor compõe a sua obra ao ritmo de um poema numa apropriação de novos sentidos.
A terra e o mar são elementos marcantes na História de Portugal e nos Poetas citados.
O Pintor Ricardo Augusto, canaliza para as suas obras uma força de efeitos esotéricos
reforçada por uma carga simbólica que representa uma explosão de sentidos,
interpretação suspensa da Vida.
Esta sua obra é uma criação serena, abstracta, fecunda e construída. Mostra a ligação
entre o mar e a terra numa relação amorosa que ora se afasta e se isola ora se penetra e
se entranha.
Existe uma linguagem sensual entre um mar masculino transparente e o feminino da
terra que vive do fecundo detalhe de pormenores plásticos.
É uma pintura poética de matizes lírica onde o limiar das formas é diluído na busca de
um efeito quase material da pincelada.
Acidentadas algumas das formas são um jogo de efeitos e contrastes que denotam
espaços vitais da sua pintura.
Nestas obras, existe um caminho de sucessivas passagens que fazem pensar a vida
como uma janela em sucessivas perspectivas.

(Helena Maciel)