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Tipos de Metamorfismo

UFPel
Viter M. Pinto
Modificado de Peroni, R., UFRGS
Tipos de Metamorfismo

 O metamorfismo desenvolve-se em diversos ambientes crustais com


extensões variáveis: desde restrito a pequenas áreas até abrangendo
grandes faixas de até milhares de km de extensão e com
profundidades até a base da crosta.
 Nessa diversidade pode ser sistematizada em cenários, estabelecidos
com base nos seguintes fatores:
parâmetros físicos envolvidos
mecanismo de geração
localização e extensão crustal
tipos de rochas metamórficas
 Com base nesses fatores são identificados os
 seguintes tipos básicos de metamorfismo:
 Metamorfismo Regional
 Metamorfismo de Contato (Termal)
 Metamorfismo Dinâmico (Cataclástico)
 Metamorfismo de Soterramento (Confinamento)
 Metamorfismo de fundo oceânico
 Metamorfismo de impacto
 “Hidrotermalismo”
Metamorfismo Regional
 Desenvolve-se em extensas regiões e alcança níveis profundos da
crosta.
 Relacionado a cinturões orogênicos nos limites de placas convergentes.
 As transformações metamórficas se processam pela ação combinada
de T e P (litostática e dirigida) que persistem por milhares à milhões de
anos.
 Desenvolve-se intenso fluxo de calor com grau geotérmico até
60oC/km.
 Os protólitos são fortemente deformados (dobras e falhas) ao mesmo
tempo que sofrem blastese intensa formando novas texturas e
assembleias minerais estáveis nas novas condições.
 As rochas geradas (filitos, xistos, gnaisses, anfibolitos, migmatitos)
mostram, em geral, estrutura foliada.
Conceito de Grau Geotérmico

 A expressão Grau Geotérmico designa a distância em profundidade, medida


em metros, necessária para que a temperatura aumente 1ºC. O grau
geotérmico varia de região para região e depende de diversos fatores,
nomeadamente:
 condutibilidade térmica das rochas (Cu, Al, Zn maior condutividade);
 fluxo regional de calor originado pela proximidade de um foco térmico como
por exemplo um vulcão ou nos limites das placas tectónicas;
 estrutura e disposição das rochas (por exemplo, rochas dispostas em camadas
inclinadas ou verticais apresentam um grau geotérmico mais curto do que se
dispostas em camadas horizontais);
 morfologia do terreno (nas montanhas o grau geotérmico aumenta, enquanto
nos vales ocorre o inverso)
 Nos primeiros quilometros a partir da superfície, e numa situação considerada
‘normal’ o grau geotérmico é de cerca de 33 metros.
Metamorfismo Regional
 Metamorfismo responsável pela formação da maioria das rochas
metamórficas existentes e comumente associado a expressivos
volumes de rocha granítica.
 Desenvolvem-se seqüências de zonas de minerais e texturas
estabilizadas em zonas de P e T, crescentes com o aumento da
profundidade crustal definindo o Metamorfismo Regional
Progressivo.
 Nessas zonas, P e T aumentam de maneira concomitante, a exceção
fica para as regiões de subdução profunda onde ocorre F. Xisto Azul.
Metamorfismo de Contato
 Desenvolve-se nas encaixantes de intrusões magmáticas,
formando auréolas de metamorfismo de contato.

 As principais transformações metamórficas geradas nessas


auréolas devem-se ao calor emanado do magma intrusivo
durante seu resfriamento.

 Rocha resultante é denominada hornfels (cornubianito).

 A extensão da auréola de metamorfismo depende: 1) do


tamanho do corpo intrusivo, 2) do tipo de magma, 3) do
Grau geotérmico, 4) da rocha encaixante.
Metamorfismo de Contato

 Auréolas metamórficas apresentam geralmente


zoneamento mineralógico:

 Auréola próxima: minerais anidros de temp. elevadas


(granada, piroxênio, olivina, sillimanita, wolastonita)

 Auréola distante: minerais hidratados de temp. mais


baixas (micas, calcita, dolomita).
Metamorfismo de Contato
Escarnitos
 Os Skarns são rochas metassomáticas de granulometria média a grossa
compostas por silicatos de minerais Ca, Fe, Mg e Mn, que se formam a partir
da substituição de rochas carbonáticas.
 Depósitos Skarn no Mundo
Fe, Au, W, Cu, Mo, Sn, Zn-Pb
 Skarns de Cu Os mais abundantes depósitos skarns do mundo;
Zonas de subducção orogênicas;Contém mineralogia oxidada dominada
por granadas andraditas; Hematita e magnetita são comuns;
 1 bilhão de toneladas de minério de cobre;
 5 milhões de toneladas de cobre;
 Record Mine, Oregon;Monterrosas e Ral-Condestable, Peru;
 O teor de cobre varia de 1 a 2%.
Metamorfismo Dinâmico
(Cataclástico)
 Desenvolve-se em longas faixas nas adjacências de Zonas de
Cisalhamento ou grandes falhas, onde pressões dirigidas de grande
intensidade causam movimentações e deformações na crosta.
 A energia mecânica envolvida produz intensa cominuição dos minerais
nas zonas de maior deformação, reduzindo a granulação das rochas e
deformando-as.
 As rochas assumem microbandamentos e laminações.
 Zonas superficiais: deformação frágil, fragmentação de minerais,
cataclase.
 Zonas profundas: deformação dúctil, estiramento mineral,
recristalização/neomineralização na presença de fluidos.
Metamorfismo com alta
deformação
Zonas de falha e cisalhamento
Texturas
metamórficas
de alta
deformação
Zona de falha
(strain) rasa

 Relacionadas a falhas e
zonas de cisalhamento
 Variação com
profundidade

Zona de falha
um pouco mais
profunda
High-Strain Metamorphic Textures (shear
zones)

Fusão parcial

Vertical distribution of fault-related rock types, ranging from non-cohesive gouge and breccia near the
surface through progressively more cohesive and foliated rocks. Note that the width of the shear zone
increases with depth as the shear is distributed over a larger area and becomes more ductile. Circles on
the right represent microscopic views or textures.
Passchier and Trouw (1996) Microtectonics. Springer-Verlag. Berlin.
Zona de cisalhamento = corredor tectônico
Pseudotaquilito: rocha vítrea formada por
fusão parcial por fricção

Taquilito: vidro vulcânico


 Porfiroclasto (fragmento) ≠ Porfiroblasto (cresceu e ficou maior)
a

Milonitização progressiva de um granito


Shelton (1966). Geology Illustrated. Photos courtesy © John
c

Milonitização progressiva de um granito


Shelton (1966). Geology Illustrated. Photos courtesy © John
Figure 22-3. Terminology for high-strain shear-zone related rocks proposed by Wise et al. (1984) Fault-related rocks:
Suggestions for terminology. Geology, 12, 391-394 (revised text)
Metamorfismo de Soterramento

 Ocorre em bacias sedimentares de subsidência.


 Resulta do soterramento de espessas camadas de rochas sedimentares e
vulcânicas, em profundidades onde T =
300oC ou mais.
 Predomina P litostática.
 Foliação horizontal paralela aos planos de estratificação
pode ocorrer devido a cristalização de micas orientadas.
 As texturas e estruturas originais tendem a ser preservadas.
Metamorfismo de Soterramento
Metamorfismo de Fundo Oceânico

 Ocorre nas vizinhanças dos Rifts das Cadeias Meso


Oceânicas, onde a crosta recém formada e quente interage
com a água fria do mar por meio de processos
metamórficos e metassomáticos termais.
 Água aquecida carregando íons dissolvidos percola nas
rochas básicas e ultrabásicas da litosfera oceânica segundo
um movimento convectivo, removendo ou precipitando
elementos e promovendo reações químicas.
Metamorfismo de Fundo Oceânico
Metamorfismo de Impacto

 De extensão reduzida na crosta terrestre, desenvolve-se em


locais submetidos ao impacto de grandes meteoritos.
 A energia do impacto é dissipada como ondas de choque
que fraturam e deslocam as rochas formando uma cratera
de impacto.
 T alcança os 5000oC, P chega aos 1000 Kb.
 A transformação dos minerais é instantânea, quartzo se transforma nos
seus polimorfos de alta pressão (coesita).
 É comum em outros planetas do sistema solar.
 Golfo do México é o resultado de um meteorito??
Metamorfismo de Impacto
Polimorfo de quartzo formado sob alta pressão (de 20 a 100 kbars),
com densidade de 2,93 g/cm3, geralmente associado a crateras de
impacto.
coesita
Bairro de Parelheiros, SP, cratera
Hidrotermalismo

 Resulta da percolação de fluidos quentes ao longo de fraturas e


espaços intergranulares nas rochas.
 É um processo metassomático (transformação mineralógica por
reações com fluidos carregados de íons), com altas razões fluido/rocha,
que se desenvolve por meio de trocas iônicas (reações químicas) entre
os fluidos canalizados nas fraturas e as rochas encaixantes.
 Os fluidos carreiam elementos de sítios fornecedores, transportam, e
depositam, por meio de reações químicas, elementos em sítios
favoráveis (traps estruturais).
 Ocorre com temperaturas entre 100 e 300oC.
 Soluções hidrotermais x depósitos minerais, ex. Mina San Gregorio,
Uruguai.
Hidrotermalismo
Fluidos Metamórficos
A expulsão contínua de água durante o metamorfismo progressivo abastece
grandes sistemas hidrotermais;
Capacidade de lixiviar grande quantidade de componentes de um grande volume da
crosta;
Depósitos minerais são formados quando um fluxo de fluido canalizado encontra
uma zona de baixa pressão (relativa)
Segregação Lateral
Veios de quartzo em rochas metamórficas resultam do prenchimento de zonas
dilatacionais (fraturas) por sílica e outros componentes proveniente das rochas
encaixantes;
Metamorfismo e Obras de Engenharia

 Obras sobre rochas metamórficas derivadas de


 calcários (mármores)
Cuidado com cavernas e fendas de dissolução.
 Fundações
Rochas metamórficas podem apresentar grande variação lateral e
vertical de suas características refletindo variações no perfil de solo.
São necessárias muitas sondagens. Ex. Pça. D. Feliciano (prédios
contíguos: estacas de 15m.
 Taludes
Cuidado com planos de xistosidade (grande instabilidade).
Metamorfismo e Obras de Engenharia

 Materiais para Construção

Brita (gnaisses, quartzitos, mármores).

Revestimento de pisos e paredes (Mármore Carrara,


ardósias, quartzito Caxambú).