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Ao meu irmão e à Buda

PREFÁCIO

Caro Leitor,

As bases de dados estão onde nós estamos!


No nosso quotidiano, quando levantamos dinheiro numa caixa Multibanco,
quando pagamos a portagem do auto-estrada, quando fazemos compras, quando
viajamos, num arquivo de identificação e nas finanças, esta matriz de valores
“invisível” desempenha, mesmo sem nos apercebermos, um papel fundamental
nas nossas vidas e na organização do nosso trabalho.
A necessidade de armazenar selectiva, rápida, eficaz e categoricamente a
informação em máquinas (em bandas magnéticas, em dispositivos físicos e de
memória virtual) surgiu, numa primeira fase, como uma urgência de substituição,
no que diz respeito à inviabilidade de registarmos os nossos dados em “fichas”. As
folhas de papel começaram a ocupar demasiado “espaço”, iam-se degradando com
o passar do tempo e apresentavam sérias deficiências a nível de partilha, de
transporte, de cópia e de consulta, já para não falarmos nos custos monetários que
se tornavam cada vez mais elevados em função do aumento do volume de
informação; um simples CD-ROM pode substituir alguns armários contendo
inúmeros dossiers literalmente empilhados uns nos outros. Nos dias de hoje, essa
necessidade passou a ser vital para o acompanhamento do desenvolvimento
tecnológico, não só a nível de “software”, como também em todos os avanços
constatados noutras áreas indissociáveis da micro e da macro-informática.
Este manual pretende, mais para além do que ensinar a criar, a planear e a
automatizar um sistema de base de dados, o de transportar o leitor para o Mundo
que o rodeia e a encarar o desenvolvimento de uma aplicação profissional como
uma simulação da realidade. Afinal, as bases de dados fazem parte de todos nós e
a sua estruturação, assim como o seu posterior acesso devem ser o mais
consciente, pessoal e humano possível.

Desejo-vos uma óptima leitura!

Henrique Loureiro
loureirohenrique@hotmail.com
ÍNDICE

1. Fundamentos ................................................................................................... 1

1.1. O Velho BASIC ...................................................................................... 1


1.2. A Era dos Objectos e o VBA ................................................................ 12
1.3. Objectos de Base de Dados .................................................................. 13
1.4. Propriedades.......................................................................................... 14
1.5. Eventos ................................................................................................. 27
1.6. Métodos ................................................................................................ 45
1.7. Resumo ................................................................................................. 60
1.8. Perguntas de Revisão ............................................................................ 64
1.9. Exercícios Propostos............................................................................. 66

2. Arquitectura VBA ........................................................................................ 69

2.1. Procedimentos....................................................................................... 69
2.2. Variáveis ............................................................................................... 81
2.3. Constantes............................................................................................. 83
2.4. Tipos de Dados ..................................................................................... 84
2.5. Arrays.................................................................................................... 96
2.6. Funções ................................................................................................. 99
2.7. Condições............................................................................................ 141
2.8. Ciclos .................................................................................................. 155
2.9. Operadores .......................................................................................... 163
2.10. Comentários ........................................................................................ 166
2.11. Resumo ............................................................................................... 167
2.12. Perguntas de Revisão .......................................................................... 170
2.13. Exercícios Propostos........................................................................... 173

3. A Linguagem SQL ...................................................................................... 175

3.1. Características ..................................................................................... 175


3.2. Consultas de Selecção......................................................................... 194
3.3. Consultas de Acção............................................................................. 213

 FCA - EDITORA DE INFORMÁTICA IX


PROGRAMAÇÃO EM ACCESS XP E 2000 – CURSO COMPLETO

3.4. Programação Automática de Tabelas.................................................. 227


3.5. O Modelo Relacional .......................................................................... 239
3.6. Resumo ............................................................................................... 263
3.7. Perguntas de Revisão .......................................................................... 265
3.8. Exercícios Propostos........................................................................... 267

4. Objectos do Access ...................................................................................... 271

4.1. Bibliotecas de Objectos....................................................................... 271


4.2. A Hierarquia do Access ...................................................................... 275
4.3. Sensibilização ao Sistema de Ajuda .................................................. 280
4.4. O Objecto Application ........................................................................ 285
4.5. O Objecto DoCmd .............................................................................. 302
4.6. Resumo ............................................................................................... 327
4.7. Perguntas de Revisão .......................................................................... 328
4.8. Exercícios Propostos........................................................................... 331

5. Formulários.................................................................................................. 333

5.1. A Era Visual e o Windows ................................................................. 333


5.2. Formulários e Controlos ..................................................................... 334
5.3. O Objecto Form .................................................................................. 343
5.4. Controlo Label .................................................................................... 354
5.5. Controlo CommandButton.................................................................. 359
5.6. Controlo TextBox ............................................................................... 362
5.7. Controlos ComboBox e ListBox......................................................... 369
5.8. Controlos CheckBox e Option Button ................................................ 372
5.9. Um Caso Real ..................................................................................... 374
5.10. Resumo ............................................................................................... 401
5.11. Perguntas de Revisão .......................................................................... 402
5.12. Exercícios Propostos........................................................................... 404

6. Projecto com ADO....................................................................................... 407

6.1. Apresentação....................................................................................... 407


6.2. Preparação das Tabelas ....................................................................... 408
6.3. Recolha de Dados ............................................................................... 425
6.4. O Separador “Gráficos” ...................................................................... 443

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ÍNDICE

Apêndice A – ASCII (0-127) ........................................................................... 453

Apêndice B – ASCII (128-255) ....................................................................... 455

Apêndice C – Códigos de Rato ....................................................................... 457

Apêndice D – Teclado (A-Z) ........................................................................... 459

Apêndice E – Teclado (0-9)............................................................................. 461

Apêndice F – Teclado (NUMPAD)................................................................. 463

Apêndice G – Teclado (Funções).................................................................... 465

Apêndice H – Constantes de Cor (0-127) ...................................................... 467

Índice Remissivo .............................................................................................. 469

 FCA - EDITORA DE INFORMÁTICA XI


1. Fundamentos
1.1. O VELHO BASIC
Num sentido geral, uma linguagem de programação constitui um processo de
comunicação entre dois interlocutores (Homem - máquina) numa forma que
ambos, computador e programador, podem entender.
As linguagens e técnicas de programação percorreram um longo caminho desde a
introdução do computador. Primeiramente, a programação passou pela Era do
Caos (1950-1960), em que os programas eram construídos à base de instruções de
desvio básicas (saltos ou gotos que alteram a ordem de execução normal de um
programa). No início dos anos 60, a maioria dos programadores recebeu de braços
abertos a evolução para a Era da Estruturação que, nas décadas de 70 e 80,
introduziu linguagens ainda utilizadas nos dias de hoje (principalmente no ensino
da programação), tais como o Pascal e o C. Estes “idiomas” vieram possibilitar a
utilização de variáveis estruturadas ao longo de um programa, tomadas de decisão
(condições if then else), repetição selectiva de instruções (blocos while) e
leitura/escrita de registos em ficheiros.

A linguagem BASIC (Beginners All-purpose Symbolic Instruction Code) foi


desenvolvida em 1965 por John Kemeny e Thomas Kurtz que, ao enfatizarem a
clareza em prejuízo da velocidade e eficiência, permitiram ao utilizador
concentrar-se nos métodos e algoritmos para resolver as suas tarefas de
programação, em vez de se preocupar com os métodos e algoritmos exigidos pela
própria máquina para construir e depurar os programas.
Nas primeiras versões, cada linha de um programa (instrução) começava com um
número de linha e as instruções não eram paragrafadas (como se vê
frequentemente nos dias de hoje, com o objectivo de facilitar a legibilidade ou
clarificar a estrutura do programa). Todos os caracteres eram digitados e exibidos

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PROGRAMAÇÃO EM ACCESS XP E 2000 – CURSO COMPLETO

em letras maiúsculas. As instruções GOTO E GOSUB, que permitiam ao


programa desviar a execução para qualquer linha, utilizavam os números de linha
como destino.
Estas características levaram à criação de “código-esparguete”- assim conhecido
porque a sequência lógica dos programas, frequentemente ramificada e torcida,
lembrava um prato cheio de esparguete cozido bastante difícil de seguir.

O BASIC evoluiu através dos anos de uma lenta linguagem interpretada para uma
rápida e estruturada linguagem compilada, adequada para criação de uma grande
variedade de aplicações. Em meados dos anos 70, a Microsoft iniciou a introdução
de um BASIC interpretado residente em ROM (Read-Only Memory) para os
primeiros computadores pessoais baseados em microprocessadores. Esta versão
original do Microsoft Basic, ainda hoje se utiliza, sem alterações de maior, na
forma do GW-BASIC - o interpretador incluído nas versões 4.01 e anteriores do
sistema operativo MS-DOS.

Embora esta seja uma ferramenta para executar pequenos cálculos e tarefas
simples, enquadra-se na classificação de uma linguagem não-profissional;
nenhuma software-house consideraria, nos dias de hoje, comercializar software
escrito nesta linguagem, pois os aplicativos baseados em MS-DOS entraram em
desuso e ficaram, de longe, ultrapassados.

A título de curiosidade e para que o leitor fique com uma ideia aproximada acerca
do funcionamento e depuração de um programa em BASIC, tomo a liberdade de
apresentar um exemplo de fácil compreensão, que tem como único objectivo o
cálculo da raiz quadrada de um número real introduzido pelo utilizador.

==========================================================
Exercício Resolvido 1.1 (Programa Raiz Quadrada)
==========================================================

1º Passo – Localização do interpretador BASIC

Um interpretador (ou compilador) de código-fonte é um programa capaz de


traduzir um grupo de instruções sob a forma de texto (linguagem formal à qual o
programador recorre) para linguagem-máquina (linguagem que o computador

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FUNDAMENTOS

entende e reconhece). Os tradutores de BASIC estão normalmente disponíveis


após a instalação do sistema operativo Windows, em qualquer uma das versões.

Localize, no seu sistema de ficheiros, os arquivos de tradução mais comuns


(“qbasic.exe” ou “firstbas.exe”), tendo em atenção o processo apresentado:

1. Escolha a opção Procurar (Find) do menu Iniciar (Start) do Windows:

Figura 1.1 – Procurar ficheiros no computador

Nota: Ao longo de todo o manual e em todos os exemplos que abordam


funcionalidades do sistema operativo, os ecrãs, assim como os
procedimentos apresentados, referem-se à versão XP do Windows.

2. Surge a janela de resultados da procura. Na secção esquerda (Assistente de


Pesquisa), faça clique sobre a hiperligação que permite pesquisar Todos os
Ficheiros e Pastas (All Files And Folders):

Figura 1.2 – Pesquisa de ficheiros

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PROGRAMAÇÃO EM ACCESS XP E 2000 – CURSO COMPLETO

3. Escreva “qbasic.exe” ou “firstbas.exe” na caixa de texto referente à


totalidade ou parte do nome do ficheiro e pesquise o arquivo em O meu
computador (My Computer), na caixa de combinação Procurar em (Look
In):

Figura 1.3 – Características da pesquisa

4. Se um dos ficheiros existir no seu computador, será listado na secção do lado


direito da janela de resultados da procura. Normalmente, estes compiladores
permanecem num subdirectório da pasta do sistema operativo:

Figura 1.4 – Resultados da pesquisa de ficheiros

Nota: Caso não encontre nenhum dos compiladores, pode efectuar o


download num dos endereços apresentados abaixo:

www.geocities.com/SiliconValley/Park/4504/compilers/qbasic.zip
www.findpcparts.com/qbasic/firstbas.zip
www.geocities.com/TimesSquare/Corridor/5131/firstbas.zip

2º Passo – Depuração do código-fonte

Execute o programa fazendo duplo clique sobre o mesmo.

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FUNDAMENTOS

1. Surge uma janela de terminal do MS-DOS apresentando o editor de código


Quick Basic para o DOS, com o aspecto semelhante ao da figura que se
apresenta:

Figura 1.5 – O interpretador Quick Basic

2. Prima a tecla ‘ESCAPE’ para fechar a mensagem de boas-vindas. O ecrã é


limpo e o cursor do teclado é posicionado automaticamente na primeira linha e
primeira coluna do editor.

3. Digite o código que é apresentado na listagem que se segue:

10 REM PROGRAMA QUE CALCULA A RAIZ QUADRADA DE UM NÚMERO


15 CLS
20 INPUT "INTRODUZA UM NÚMERO:", A
25 IF A < 0 THEN GOTO 50
30 LET B = SQR(A)
40 PRINT "A RAIZ QUADRADA DE"; A; "É"; B
45 GOTO 60
50 PRINT "INTRODUZIU UM NÚMERO INFERIOR A ZERO!"
60 INPUT "DESEJA EFECTUAR UM NOVO CÁLCULO (S/N)?", PERGUNTA$
70 IF PERGUNTA$ = "s" OR PERGUNTA$ = "S" THEN GOTO 10 ELSE PRINT "ATÉ BREVE!"
90 END

3º Passo – Testar o programa

Para executar o programa, deve escolher a opção Start do menu Run disponível
no editor ou recorrer à combinação de teclas ‘SHIFT’ + ‘F5’. Veja-se a figura:

 FCA - EDITORA DE INFORMÁTICA 5


PROGRAMAÇÃO EM ACCESS XP E 2000 – CURSO COMPLETO

Figura 1.6 – Executar um programa no Quick Basic

1. Surge uma janela típica de um programa baseado em MS-DOS solicitando a


introdução de um valor numérico.

2. Digite o valor ‘4’ e prima a tecla ENTER. O resultado deverá ser igual a ‘2’.

3. Prima a tecla ‘S’ e depois a tecla ENTER para efectuar um novo cálculo.

4. Digite ‘7’ e prima ENTER novamente. O resultado apresentado deverá ser


igual a ‘2.645751’.

5. Prima a tecla ‘N’ para não efectuar outro cálculo.

6. O programa emite a mensagem ‘ATÉ BREVE!” e é terminado imediatamente:

Figura 1.7 – O programa “Raiz Quadrada” em execução

7. Prima a tecla ENTER para voltar ao editor de código.

6  FCA - EDITORA DE INFORMÁTICA


FUNDAMENTOS

Nota: Se introduzir um número inferior a zero, o programa emite uma


mensagem personalizada ao utilizador alertando-o desse facto. Em
seguida, pergunta ao utilizador se pretende reintroduzir um valor ou
simplesmente terminar a execução do programa.

4º Passo – Análise

Por convenção, todas as instruções encontram-se etiquetadas com um certo


número de dígitos, à sua esquerda, com a separação através de um espaço. Os
números identificadores de cada uma das linhas de código representam
simplesmente o número da rotina que será referenciado em consequentes saltos
(chamadas) por parte do programa e a sua escolha fica ao critério do programador
(tendo apenas em consideração a ordem crescente e normal dos mesmos).

Analise-se instrução por instrução:

10 REM PROGRAMA QUE CALCULA A RAIZ QUADRADA DE UM NÚMERO

REM é uma abreviatura do inglês “remember”. Esta instrução consiste num


comentário, ou seja, o compilador de código não “traduz” esta linha aquando da
execução do programa. Os comentários revelam-se de grande utilidade para o
programador, na medida em que “marcam” o código numa linguagem natural,
bastante mais elucidativa das acções que o mesmo representa. Esta palavra-chave
ainda é utilizada para comentar código em VBA.

15 CLS

CLS é uma abreviatura do inglês “clear screen” e permite limpar o ecrã (neste
caso a janela de terminal) sempre que o programa é executado ou o utilizador
efectue um novo cálculo.

20 INPUT "INTRODUZA UM NÚMERO:", A

Esta instrução permite obter um número real a partir do dispositivo padrão de


entrada do sistema operativo (teclado). É emitida uma mensagem (cadeia de
caracteres entre aspas) a solicitar a entrada de um valor e este é armazenado numa
variável a que demos o nome de A (poderia ser ‘B’, ‘C’, ‘D’, ‘valor’ ou
‘numero’).

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PROGRAMAÇÃO EM ACCESS XP E 2000 – CURSO COMPLETO

25 IF A < 0 THEN GOTO 50

Consiste numa avaliação do valor numérico introduzido pelo utilizador. Caso


tenha sido negativo, o programa não calcula a raiz quadrada (a instrução 30 é
saltada) e, logicamente, o resultado não é apresentado no ecrã (a instrução 40 é
saltada). Se a condição for verdadeira (o valor actual de ‘A’ é inferior a zero),
então o programa deve apontar para a linha 50 (palavra-chave GOTO) e alertar o
utilizador acerca desse facto.

30 LET B = SQR(A)

Se o programa chegou até a esta instrução, então significa que foi introduzido um
valor numérico positivo ou igual a zero, logo o cálculo da raiz quadrada deve ser
levado a diante. A função SQR (abrev. do inglês square root) é responsável por
esse cálculo e o retorno é armazenado numa nova variável designada de ‘B’.

40 PRINT "A RAIZ QUADRADA DE"; A; "É"; B

Imprime para o dispositivo padrão de saída do sistema operativo (monitor) o valor


de entrada e o resultado.

45 GOTO 60

A linha seguinte (50) deve ser saltada neste ponto de execução, pois só deve ser
mostrada caso tenha sido introduzido um valor de entrada inferior a 0.
Imediatamente após a devolução da mensagem-resultado, é apresentada uma nova
mensagem que tenta obter, por parte do utilizador, os caracteres ‘S’ ou ‘s’ (dar a
hipótese de introdução em maiúsculas e minúsculas) para voltar ao início do
programa e permitir a introdução de um novo radicando (linha 60).

50 PRINT "INTRODUZIU UM NÚMERO INFERIOR A ZERO!"

A mensagem de erro que só aparece no ecrã caso tenha sido introduzido um valor
inferior a zero.

60 INPUT "DESEJA EFECTUAR UM NOVO CÁLCULO (S/N)?", PERGUNTA$

Pretende-se, desta feita, obter não um valor numérico, mas uma porção de texto
(neste caso um carácter apenas). Daí a utilização de um cifrão logo após o nome
da variável, que irá fazer com que o compilador de código a manipule como uma

8  FCA - EDITORA DE INFORMÁTICA


FUNDAMENTOS

cadeia de caracteres alfanumérica. As variáveis deste tipo são conhecidas por


strings).

70 IF PERGUNTA$ = "s" OR PERGUNTA$ = "S" THEN GOTO 10 ELSE PRINT "ATÉ BREVE!"

O utilizador pode reiniciar o programa ou este pode ser terminado com uma
mensagem de fecho.

90 END

Basta traduzir para saber o que se pretende com esta instrução!

5º Passo – Criar uma pasta de trabalho

Deverá criar um directório imediatamente abaixo da raiz do seu sistema de


ficheiros (normalmente a unidade C:). Esta pasta servirá para armazenar todos os
exercícios que for desenvolvendo ao longo do manual.

1. Localize o atalho para O meu computador (My Computer) a partir do menu


Iniciar (Start) do Windows:

Figura 1.8 – Atalho para o sistema de ficheiros do Windows

2. Faça duplo clique em DISCO LOCAL (LOCAL DISK), secção de Unidades


de disco rígido:

Figura 1.9 – Aceder à raiz do computador

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PROGRAMAÇÃO EM ACCESS XP E 2000 – CURSO COMPLETO

3. Do menu Ficheiro (File), escolha a opção Novo (New), subopção Pasta


(Folder):

Figura 1.10 – Criação de uma pasta

4. Dê o nome ‘Curso’ à pasta que acabou de criar:

Figura 1.11 – Atribuição de um nome a uma pasta

6º Passo – Guardar o programa

Os ficheiros criados em BASIC possuem extensão *.BAS. Para guardar o ficheiro


a partir do editor Quick Basic:

1. Escolha a opção Save As do menu File:

Figura 1.12 – Guardar um ficheiro no Quick Basic

10  FCA - EDITORA DE INFORMÁTICA


FUNDAMENTOS

2. Na caixa File Name do ecrã Save As, digite o caminho completo de destino
para o arquivo e depois confirme em OK:

Figura 1.13 – Guardar um ficheiro no Quick Basic – Caminho completo

7º Passo – Fechar o editor de código

Após a gravação do ficheiro, pode terminar o editor escolhendo a opção Exit do


menu File:

Figura 1.14 – Terminar o Quick Basic

==========================================================
… Fim do Exercício Resolvido 1.1
==========================================================

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PROGRAMAÇÃO EM ACCESS XP E 2000 – CURSO COMPLETO

1.2. A ERA DOS OBJECTOS E O VBA


O aumento da complexidade das aplicações implicou que o software ficasse mais
caro e exigiu aos programadores uma maior capacidade de adaptação às novas
linguagens e sistemas operativos que iam surgindo. Tornou-se urgente encontrar
uma forma de aumentar a produtividade dos programadores, isto é, existir a
possibilidade de se utilizar parte de determinadas aplicações em outras,
empregando basicamente as mesmas ideias e o mesmo código.

No final da década de 80, a tecnologia que foi capaz de lidar com este problema
foi a Programação Orientada para Objectos (Object Oriented Programming).
A orientação para objectos é um dos paradigmas de programação de maior
destaque nos dias actuais, que define que uma linguagem deve trabalhar com base
em objectos - "tipos de dados" com propriedades especiais que ajudam a proteger
informações, fornecer algum nível de abstracção de dados e representar modelos
com uma óptima fidelidade. É utilizada em C++, Java, Delphi e Visual Basic.
Este novo sistema de programação leva o programador a encarar as aplicações
como uma simulação do mundo real. Um programa é formado por um conjunto de
objectos que interagem entre si e cada elemento preserva a sua individualidade,
pertencendo a determinada categoria de objectos, sendo um objecto uma
combinação de código e dados que pode ser manipulado como uma unidade.

O Visual Basic para Aplicações é uma linguagem de programação que assenta na


estrutura fundamental do Visual Basic “puro”. É utilizada por aplicações Windows
e tem como objectivo a automatização de tarefas que envolvem objectos.
Exemplos de objectos do Access são tabelas, índices, consultas, formulários e
imagens, entre tantos outros.

Em programação Visual Basic, o próprio Access é um objecto denominado por


Application, o ficheiro de base de dados é designado por Database, uma tabela
por Table e um campo por Field. Estes são alguns dos objectos mais importantes
em programação Access Basic.
A programação por objectos segue um método hierárquico em que uma colecção
contém um conjunto de objectos agrupados segundo a sua categoria e com as suas
próprias características e funcionalidades. Por exemplo, todas as tabelas contêm a
colecção Fields que representa todos os campos dessa tabela. A própria aplicação

12  FCA - EDITORA DE INFORMÁTICA


FUNDAMENTOS

contém uma colecção de objectos – a colecção Databases que representa todos os


ficheiros (bases de dados) presentemente utilizados pela instância da aplicação
actual.
No Access, uma tabela é uma ocorrência de um ficheiro de base de dados e este,
por sua vez, uma ocorrência da própria aplicação. Isto significa que sem ficheiros
não temos tabelas, sem tabelas não temos campos e que para utilizar todos estes
objectos necessitamos igualmente dessa aplicação. Um objecto de nível superior é
designado por “objecto-pai” e um objecto de nível inferior por “objecto-filho”.
Esta família e os graus de parentesco que cada membro possui com todos os
outros vai constituir uma biblioteca de objectos (ver capítulo 4).

1.3. OBJECTOS DE BASE DE DADOS


Bases de dados são ficheiros que representam colecções de informação
devidamente categorizadas e agrupadas segundo determinado assunto e com um
propósito em particular.
Com o Microsoft Access pode gerir, manter e armazenar todos esses dados num
único ficheiro, assim como proporcionar um acesso personalizado aos demais
utilizadores, recorrendo às ferramentas de programação e automatização que o
próprio aplicativo proporciona. Um ficheiro de base de dados pode conter os
seguintes objectos:

Tabelas (Tables) - Armazenam a informação segundo uma disposição


matricial (organizada em linhas e colunas).

Consultas (Queries) – Pesquisam e retornam dados que preenchem


determinados requisitos.

Formulários (Forms) – São caixas de diálogo que estabelecem a


interface entre o utilizador e os demais objectos de base de dados.

Relatórios (Reports) – Analisam os dados e servem basicamente para


a impressão dos mesmos em papel.

Páginas de Acesso a Dados (Data Access Pages) – Tornam possível o


acesso à informação a partir da Internet ou de uma Intranet.

 FCA - EDITORA DE INFORMÁTICA 13


PROGRAMAÇÃO EM ACCESS XP E 2000 – CURSO COMPLETO

Macros – Definem acções que automatizam tarefas comuns.

Módulos (Modules) – Conjunto de procedimentos e declarações em


código Visual Basic.

1.4. PROPRIEDADES
Uma propriedade é uma característica de um objecto que representa a sua
aparência e o seu comportamento durante a execução de um programa. Exemplos
de propriedades são a cor, o tipo de letra, a posição no ecrã e a capacidade de
redimensionamento. Quando criamos um novo objecto no Access, a aplicação é
responsável pela execução de uma série de procedimentos que permite a
atribuição de valores predefinidos às propriedades dessa instância.
Na programação orientada para objectos, todos os objectos pertencentes à mesma
categoria (colecção) contêm as mesmas propriedades e o mesmo número de
propriedades; os valores das mesmas poderão diferir de elemento para elemento
(faculdade que torna cada objecto único).

As propriedades dos objectos encontram-se categorizadas em dois grandes tipos:

De Leitura (Read-Only Properties)

Os valores das propriedades apenas podem ser alterados na fase de desenho de


uma aplicação (Design-Time). A alteração de valor para este tipo de propriedades
em fase de execução (Run-Time) origina um erro e o programa termina
imediatamente.

De Leitura e Escrita (Read-Write Properties)

Os valores das propriedades podem ser alterados quer na fase de desenho de uma
aplicação, quer em modo de execução (através de código-fonte).

Nota: O desenvolvimento de aplicações envolve duas fases distintas: a fase de


desenho, que corresponde ao desenho da interface e depuração de
código, e a fase de execução que acontece enquanto testa o programa.

14  FCA - EDITORA DE INFORMÁTICA


FUNDAMENTOS

O exercício que se segue vem elucidar o leitor acerca de quais os procedimentos


que deve levar a cabo no sentido de alterar propriedades de objectos em modo de
desenho. Trata-se de um exemplo bastante simples, que visa somente a alteração
do texto de um botão de comando. Será criado um novo ficheiro de base de dados
(vazio) e um formulário que irá conter o botão.

==========================================================
Exercício Resolvido 1.2 (Alterando propriedades dos objectos)
==========================================================

1º Passo - Criar um novo ficheiro de base de dados vazio

Após a instalação do Microsoft Office, são automaticamente criados atalhos para


os programas incluídos no pacote (Excel, Access, Powerpoint, Winword,
Frontpage, etc…) na secção de Todos os programas (All programs) do menu
Iniciar (Start) do Windows.

1. Escolha a opção Todos os programas (All Programs), subopção Microsoft


Access do menu Iniciar (Start) do Windows:

Figura 1.15 – Iniciar o Access

Nota: O ficheiro executável do programa Access tem um dos seguintes


caminhos completos:

C:\Programas\Microsoft Office\Office10\MSACCESS.EXE
C:\Program Files\Microsoft Office\Office10\MSACCESS.EXE

2. Surge a janela da aplicação. Na secção New File (Novo Ficheiro), separador


New (Nova), escolha a opção Blank Database (Base de Dados Vazia):

 FCA - EDITORA DE INFORMÁTICA 15


PROGRAMAÇÃO EM ACCESS XP E 2000 – CURSO COMPLETO

Figura 1.16 – Iniciar o Access

3. Surge a caixa de diálogo New File Database (Novo Ficheiro de Base de


Dados). Na caixa de combinação Save in (Guardar em), escolha a opção
DISCO LOCAL (LOCAL DISK):

Figura 1.17 – Aceder à raiz do computador

4. Recorde-se que criou a pasta “Curso” no exercício anterior. Abra essa pasta
fazendo duplo clique na mesma:

Figura 1.18 – Aceder à pasta de trabalho

5. No campo File name (Nome do ficheiro), dê o nome “EX1_2” e confirme


fazendo clique no botão Create (Criar). O ficheiro de base de dados fica
guardado com extensão *.mdb (Microsoft Database):

16  FCA - EDITORA DE INFORMÁTICA


FUNDAMENTOS

Figura 1.19 – Aceder à pasta de trabalho

Após a criação do ficheiro, surge a janela de base de dados sobreposta à janela da


aplicação.

Pode também criar um novo livro em branco fazendo clique sobre o botão New
(Nova) da barra de ferramentas Database (Base de Dados).

Figura 1.20 – A barra de ferramentas de base de dados do Access


Criar um novo ficheiro de base de dados

2º Passo – Criar um novo formulário

Existem dois processos principais para a criação da maior parte dos objectos
específicos de base de dados. Em Vista de Estrutura (Design View), tudo é
criado a partir do ponto zero (a cargo única e exclusivamente do
utilizador/programador). A recorrência aos Assistentes (Wizards) sugere uma
utilização leiga do aplicativo. Ora, partindo do princípio que o leitor já possui uma
experiência razoável na criação dos objectos mais importantes em Access, todos
os exemplos serão apresentados numa linha de utilização profissional. Sendo
assim, passemos à criação de um formulário em vista de estrutura.

1. Na janela de base de dados, secção Objects (Objectos), seleccione o


separador Forms (Formulários). Na caixa de listagem ao lado direito, faça
duplo clique sobre o método de criação do novo objecto – Create form in
design view (Criar formulário em vista de estrutura):

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PROGRAMAÇÃO EM ACCESS XP E 2000 – CURSO COMPLETO

Figura 1.21 – Criar um formulário em vista de estrutura

2. Surge a janela de estruturação do formulário. A parte “visível” de um


formulário é dividida em três partes distintas (secções) – a secção Header
(Cabeçalho), Footer (Rodapé) e Detail (Detalhe). É na secção Detail
(Detalhe), correspondente ao “corpo” do formulário, que se desenham a maior
parte dos controlos que interagem com o utilizador (caixas de texto, imagens,
botões, etc…).

Figura 1.22 – A secção de detalhe de um formulário


3. Guarde a estrutura do formulário fazendo clique sobre o botão Save
(Guardar) da barra de ferramentas Form Design (Estrutura do
Formulário):

Figura 1.23 – A barra de ferramentas de estrutura do formulário


Guardar a estrutura do formulário

4. Surge a caixa de diálogo Save As (Guardar Como), pois é a primeira vez que
o formulário está a ser gravado. Dê o nome “Exemplo” a este novo objecto,

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FUNDAMENTOS

especificando-o na caixa de texto Form Name (Nome do Formulário) e


confirme fazendo clique sobre o botão ‘OK’:

Figura 1.24 – Guardar a estrutura de um formulário

Nota: Em operações de guardar, e em analogia a outras aplicações Office,


pode recorrer aos comandos standard Save (Guardar) e Save As
(Guardar Como) do menu File (Ficheiro).

3º Passo – Desenhar um botão de comando na secção de detalhe do formulário

Para desenhar controlos num formulário, necessitamos da caixa de ferramentas


dos controlos. Esta barra de ferramentas contém objectos gráficos que o leitor
reconhece facilmente, pois estão presentes em qualquer aplicação Windows. Estes
objectos são designados por controlos e servem basicamente para estabelecer o
diálogo com o utilizador, nomeadamente no que diz respeito à introdução de
texto, apresentação de resultados, escolha de opções e execução de tarefas
específicas. Alguns exemplos são Caixas de Texto, Caixas de Listagem e
Molduras para Imagens. Um aprofundamento das funcionalidades destes
objectos encontra-se exposto no capítulo 5 deste manual.

1. Para visualizar esta barra de ferramentas, seleccione a opção Control Toolbox


(Caixa de Ferramentas dos Controlos) do menu View (Ver). Um clique
sobre o botão Toolbox (Caixa de Ferramentas dos Controlos) da barra de
ferramentas Form Design (Estrutura do Formulário) tem o mesmo efeito.

Esta barra de ferramentas deverá ter um aspecto semelhante ao da figura abaixo:

Figura 1.25. – A caixa de ferramentas dos controlos

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PROGRAMAÇÃO EM ACCESS XP E 2000 – CURSO COMPLETO

Nota: Pode fixar esta barra de ferramentas arrastando-a até qualquer um dos
cantos da janela da aplicação.

2. Localize o botão Control Wizards (Assistentes de Controlo) na caixa de


ferramentas dos controlos e desligue-o caso esteja activo (ver figura):

(Assistente Ligado) (Assistente Desligado)


Figura 1.26 – Estados ligado e desligado dos assistentes de controlo

Nota: Alguns controlos, tais como botões de comando, caixas de listagem e


caixas de combinação, vêm munidos de assistentes intrínsecos do
Access, que possibilitam a um utilizador comum atribuir acções
predefinidas que automatizam certas e determinadas tarefas rotineiras
(iniciar o Excel, fechar uma tabela, adicionar um registo, imprimir um
relatório, etc…). Através deste método, é gerado automaticamente o
código-fonte responsável pela execução do comando específico que o
utilizador foi escolhendo através de caixas de diálogo de simples
interpretação. Faremos uma abordagem a esta funcionalidade no
capítulo 4 aquando do estudo das instruções DoCmd.

3. Para incorporar um botão de comando num formulário (ou qualquer controlo


de outra categoria), deverá, a partir da caixa de ferramentas dos controlos,
seleccionar o tipo de controlo correspondente e depois desenhá-lo com as
dimensões desejadas, na posição pretendida. Quando obtiver a aparência
definitiva, liberte o botão esquerdo do rato para terminar o processo.

Nota: O posicionamento e as dimensões escolhidas nesta fase não são


definitivos. Para redimensionar o objecto, pode utilizar um dos
quadrados que o delimitam e para alterar a sua localização na folha de
cálculo deve arrastá-lo até à posição pretendida.

4. A figura da página seguinte mostra o procedimento a ser levado a cabo:

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