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DIREITO CONSTITUCIONAL

CONSTITUICAO: Fontes, Conceito, Objeto, Classificações e Estrutura

FONTES

No Direito Constitucional distinguimos duas modalidades de fontes: as escritas e as não-escritas.

As fontes escritas abrangem: a) as leis constitucionais; b) as leis complementares ou regulamentares


- figura especial de leis ordinárias que servem de apoio à Constituição e fazem com que numerosos
preceitos constitucionais tenham aplicação; c) as prescrições administrativas, contidas em
regulamentos e decretos, de importância para o Direito Constitucional, desde que, recebendo a
delegação de poderes, entre o governo no exercício da delegação legislativa; d) os regimentos das
Casas do Poder Legislativo, ou do órgão máximo do Poder Judiciário; e) os tratados internacionais,
as normas de direito Canônico, a legislação estrangeira, as resoluções da comunidade internacional
pelos seus órgãos representativos, sempre que o Estado os aprovar ou reconhecer; f) a
jurisprudência, não obstante o caráter secundário que as normas aí revestem, visto que, em rigor,
a função jurisprudencial não cria Direito, senão que se limita a revelá-lo, ou seja, a declarar o direito
vigente; g) e, finalmente, a doutrina, a palavra dos tratadistas, a lição dos grandes mestres.

Quanto às fontes não escritas, são, essencialmente, duas: o costume e os usos constitucionais.

O costume forma-se quando a prática repetida de certos atos induz uma determinada coletividade
à crença ou convicção de que esses atos são necessários ou indispensáveis.

Sua importância para o Direito Constitucional é imensa.

Os usos constitucionais compõem enfim, a segunda categoria das fontes não-escritas. Sua
relevância é maior nos países desprovidos de Constituição escrita ou que a possuem em textos
sumários.

CONCEITO

“É o ramo do Direito Público Interno que disciplina a organização do Estado, define e limita a
competência de seus poderes, suas atividades e suas relações com os indivíduos, aos quais atribui
e assegura direitos fundamentais de ordem pessoal e social (MAX LIMONAD, 1952, p. 253 e 254). ”

Por estabelecer, aos demais ramos do direito, as diretrizes gerais a serem seguidas, o Direito
Constitucional acaba tendo uma posição de superioridade com relação aos outros ramos do direito.
É dedicado à análise e interpretação das normas constitucionais.

Tais normas são compreendidas como o ápice da pirâmide normativa de uma ordem jurídica,
consideradas Leis Supremas de um Estado soberano, e tem por função regulamentar e delimitar o
poder estatal, além de garantir os direitos considerados fundamentais.

É um ramo do Direito Público apto a expor, interpretar e sistematizar os princípios e normas


fundamentais do Estado. É a ciência positiva das constituições.
A Constituição pode ser conceituada como: 1) Conjunto de Normas associadas a Estrutura do
Estado; 2) Direitos e Deveres do Cidadão.

Ou seja:

 é um Documento jurídico de uma sociedade que decide se auto constituir.


 a Constituição estabelece as competências de cada um dos poderes;
 realiza a arquitetura do Estado;
 estabelece também quais são os direitos do cidadão em relação ao Estado que ele criou;
 o Estado regulamenta, por exemplo, o sistema de previdência social. A previdência será
centralizada e gerenciada por quem? Esta é uma prestação positiva do Estado;
 O Estado Social privilegia o princípio da igualdade;
 O CADE, por exemplo, regula a atividade econômica de diversas empresas;

O artigo 173 da Constituição Federal, reza o seguinte: “Ressalvados os casos previstos nesta
Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando
necessária dos imperativos da segurança nacional ou o relevante interesse coletivo, conforme
definidos em lei.

OBJETO:

É a CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO ESTADO, cabendo a ele o estudo sistemático das normas que
integram a constituição.

Corresponde à base, ao fundamento de todos os demais ramos do direito; deve haver, portanto,
obediência ao texto constitucional, sob pena de declaração de inconstitucionalidade da espécie
normativa, e consequente retirada do sistema jurídico.

CONSTITUIÇÃO

O que é Constituição?

Um dos conceitos mais usados por grande parte da doutrina é de que se trata de um “conjunto de
normas escritas ou costumeiras, que regem a organização política de um país”.

SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO

A supremacia constitucional é o atributo que coloca a Constituição em posição de comando,


destaque e referência de toda a estrutura de um Estado, comandando à sua ordem jurídica,
invalidando todas as leis e atos que lhe forem contrários, obrigando e regendo a vida da Nação.
Designa a especial dignidade do documento constitucional, norma jurídica suprema que se situa
acima de todas as demais normas jurídicas produzidas pelo Estado.
Deve-se perceber que é da percepção da condição de supremacia da Constituição que se constrói a
teoria da recepção e todo o modelo de controle de constitucionalidade. Cabe aqui lembrar a teoria
da construção escalonada de Hans Kelsen, segundo a qual cada norma jurídica apure sua validade
de uma outra norma superior, e assim sucessivamente até alcançar a Constituição que não sustenta
sua validade em nenhuma outra e sim nela mesma. Segundo Celso Bastos, as normas se encontram
escalonadas em uma hierarquia e formando uma espécie de pirâmide em cujo ápice encontra-se a
Constituição, fazendo com que todas as normas que se encontrem abaixo lhe sejam subordinadas.
Dessa forma qualquer norma que se encontre abaixo dela lhe deve obediência, de tal sorte que lhe
deverá sempre inteiro cumprimento sob pena de vir a ser viciada.

Isso é a supremacia da Constituição.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS

Princípio da Legalidade - Toda atividade pública tem como base a lei, para sua efetiva aplicabilidade.
Atos administrativos ilegais são passíveis de nulidade e responsabilização.

Princípio da Impessoalidade – Tem as mesmas características da isonomia, segundo a qual os


administrados devem ser tratados de forma igual frente ao interesse público.

Princípio da Moralidade – A conduta do administrador público deve estar pautada na moral e na


ética, para que os administrados e administradores não sejam vítimas de atos desonestos e
antijurídicos.

Princípio da Publicidade – Os atos administrativos devem ser amplamente divulgados, para que os
administrados possam, de forma direta, controlar a efetividade das condutas dos órgãos e dos
agentes públicos.

Princípio da Supremacia do Interesse Público – Os interesses coletivos têm supremacia sobre os


interesses individuais, devendo o Estado preservar, por meio de seus atos, o bem-estar de toda a
sociedade.

Princípio da Autotutela – A Administração Pública, de ofício ou mediante provocação direta, pode


rever seus atos que, inoportunamente, se encontrem em vício de formação ou aplicação.

Princípio da Indisponibilidade – Os bens públicos são indisponíveis, devendo ser preservados em


favor da coletividade, evitando-se seu perecimento e perda por mau uso.

ESPÉCIE DE CONSTITUIÇÃO

Quanto ao conteúdo

a-) Formal: regras formalmente constitucionais, é o texto votado pela Assembleia


Constituinte, estão inseridas no texto constitucional.

b-) Material: regras materialmente constitucionais, é o conjunto de regras de matéria de natureza


constitucional, isto é, as relacionadas ao poder, quer esteja no texto constitucional ou fora dele.

Quanto à forma
a-) Escrita: pode ser: sintética (como a Constituição dos Estados Unidos) e analítica
(expansiva, como a Constituição do Brasil). A ciência política recomenda que as constituições sejam
sintéticas e não expansivas como é a brasileira.

b-) Não-escrita: é a constituição cuja normas não constam de um documento único e solene, mas
se baseie principalmente nos costumes, na jurisprudência e em convenções e em textos
constitucionais esparsos.

Quanto ao modo de elaboração

a-) Dogmática: é Constituição sistematizada em um texto único, elaborado reflexivamente por um


órgão constituinte; é escrita. É a que consagra certos dogmas da ciência política e do Direito
dominantes no momento. A escrita é sempre dogmática.

b-) Histórica: é sempre não escrita e resultante de lenta formação histórica, do lento evoluir das
tradições, dos fatos sócio-políticos, que se cristalizam como normas fundamentais da organização
de determinado Estado. Como exemplo de Constituição não escrita e histórica temos a Constituição
do Reino Unido da Grã Bretanha e da Irlanda do Norte. (ex. Magna Carta datada de 1215. A não
escrita é sempre histórica.

Quanto à origem ou processo de positivação

a-) Promulgadas – Há constituição de um Poder Constituinte. Este poder é constituído por


representantes da sociedade, quando finalizada é promulgada por estes que fizeram parte de sua
elaboração e posteriormente aplicada aos administrados.

É aquela em que o processo de positivação decorre de convenção, são votadas, originam de um


órgão constituinte composto de representantes do povo, eleitos para o fim de as elaborar. Ex.:
Constituição de 1891, 1934, 1946, 1988.

b-) Outorgadas – Geralmente são impostas por uma pessoa ou grupo de pessoas (por um rei,
ditador, etc.).

É aquela em que o processo de positivação decorre de ato de força, são impostas, decorrem do
sistema autoritário. São as elaboradas sem a participação do povo. Ex.: Constituição de 1824, 1937,
1967, 1969.

Quanto à consistência (estabilidade ou mutabilidade):

a-) Imutável: constituições onde se veda qualquer alteração, constituindo-se relíquias históricas –
imutabilidade absoluta.

b-) Rígidas: Constituição que se altera por processo especial (C. Brasileira).

c-) Flexíveis: São alteradas mais facilmente, semelhante à alteração das leis ordinárias.
Praticamente inexiste hierarquia entre a Constituição e a Lei Ordinária (C. do Reino da Itália).

d-)Semi-rígida: aquela em que o processo de modificação só é rígido na parte materialmente


constitucional e flexível na parte formalmente constitucional.

Quanto à forma: escritas ou costumeiras


a-) Escritas: As constituições escritas geralmente apresentam seus dispositivos reunidos em um
instrumento já quando da sua promulgação (Constituição Brasileira)

b-) Costumeiras: Espécie de constituição que apresenta como característica sua formação “diária”,
ou seja, com base nos costumes da sociedade. Vai se formando aos poucos, diferentemente da
Constituição do Brasil (C. Inglaterra)

Quanto à forma: escritas ou costumeiras.

a-) Escritas: As constituições escritas geralmente apresentam seus dispositivos reunidos em um


instrumento já quando da sua promulgação (Constituição Brasileira).

b-) Costumeiras: Espécie de constituição que apresenta como característica sua formação “diária”,
ou seja, com base nos costumes da sociedade. Vai se formando aos poucos, diferentemente da
Constituição do Brasil (C. Inglaterra).

ELEMENTOS DA CONSTITUIÇÃO:

Elementos orgânicos ou organizacionais: organizam o estado e os poderes constituídos.

Elementos limitativos: limitam o poder – direitos e garantias fundamentais.

Elementos sócio ideológicos: princípios da ordem econômica e social

Elementos de estabilização constitucional: supremacia da CF (controle de constitucionalidade) e


solução de conflitos constitucionais

Elementos formais de aplicabilidade: são regras que dizem respeito a aplicabilidade de outras
regras (ex. preâmbulo, disposições transitórias).

CONSTITUIÇÃO FEDERAL

A CONSTITUIÇÃO FEDERAL é considerada a lei fundamental de uma Nação, seria, então, a


organização dos seus elementos essenciais: um sistema de normas jurídicas, escritas ou
costumeiras, que regula a forma do Estado, a forma de seu governo, o modo de aquisição e o
exercício do poder, o estabelecimento de seus órgãos, os limites de sua ação, os direitos
fundamentais do homem e as respectivas garantias; em síntese, É O CONJUNTO DE NORMAS QUE
ORGANIZA OS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO.
Forma: um complexo de normas
Conteúdo: a conduta humana motivada das relações sociais
Finalidade: a realização dos valores que apontam para o existir da comunidade
Causa Criadora: o poder que emana do povo
CONJUNTO DE VALORES: A Constituição não pode ser compreendida e interpretada, se não
tivermos em mente essa estrutura, considerada como conexão de sentido, como é tudo aquilo que
a integra.
Origens: O Brasil já teve 7 constituições, incluindo a atual de 1988.
CF 1824 - Autocrática: Liberal – Governo Monárquico: vitalício e hereditário Estado Unitário:
províncias sem autonomia; 4 poderes: Legislativo, Executivo, Judiciário e Moderador (Soberano); O
controle de constitucionalidade era feito pelo próprio Legislativo; União da Igreja com o Estado, sob
o catolicismo. “a Constituição da Mandioca”.
CF 1891 - Democrática: Liberal - Governo Republicano - Presidencialista Federalista: autonomia de
Estados e Municípios. Introduziu o controle de constitucionalidade pela via difusa, inspirado no
sistema jurisprudencial americano. Separou o Estado da Igreja.
CF 1934 - Democrática: Liberal-Social - Governo Republicano – Presidencialista Federalista:
autonomia moderada. Manteve o controle de constitucionalidade difuso e introduziu a
representação interventiva.
CF 1937 - Ditatorial: Liberal-Social - Governo Republicano – Presidencialista (Ditador) Federalista:
autonomia restrita. Legislação trabalhista. Constituição semântica, de fachada. Também conhecida
como “a Polaca”
CF 1946 - Democrática: Social-Liberal - Governo Republicano – Presidencialista Federalista: ampla
autonomia - Estado Intervencionista (Emenda Parlamentarista/1961; Plebiscito/1963 -
Presidencialismo; Golpe Militar/1964 – Início da Ditadura. Controle de constitucionalidade difuso e
concentrado, este introduzido pela EC nº 16/65
CF 1967 - Ditatorial: Social-Liberal - Governo Republicano – Presidencialista (Ditador) Federalista:
autonomia restrita - Ato Institucional nº 5 / 1969 – uma verdadeira carta constitucional: 217 artigos
aprofundando a Ditadura: autorizou o banimento; prisão perpétua e pena de morte; supressão do
mandado de segurança e do hábeas corpus; suspensão da vitaliciedade e inamovibilidade dos
magistrados; cassação nos 3 poderes. Manteve o controle de constitucionalidade pela via difusa e
concentrada.
CF 1988 - Democrática: Social-Liberal-Social - Governo Republicano – Presidencialista Federalista:
ampla autonomia - Direitos e garantias individuais: mandado de segurança coletivo, mandado de
injunção, hábeas data, proteção dos direitos difusos e coletivos; aprovada com 315 artigos, 946
incisos, dependendo ainda de 200 leis integradoras. Fase atual: Neoliberalismo e
desconstitucionalização dos direitos sociais. Considerada “Constituição Cidadã”

GARANTIA DE DIREITO CONSTITUCIONAL

“Habeas Corpus” (corpo livre, ou liberdade para o corpo) (art. 5º, inciso LXVIII) – Ação que protege
o direito de locomoção, sendo utilizado sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer
violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Não é
possível seu manejo em punições disciplinares expedidas por órgãos militares.

“Habeas-data” (liberdade de informações) (art. 5º, inciso LXXII) - Conceder-se-á "habeas-data":


para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de
registros ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público; e para a retificação
de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo.

Mandado de Injunção (art. 5º, inciso LXXI) - Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a
falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais
e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. É utilizado sempre que
houver lacuna na lei ou falta desta.

Ação Popular (art. 5º, inciso LXXIII) - Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular
que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à
moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor,
salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência (veja-se a Lei
4.717/65).

TEORIA DAS MAIORIAS

As maiorias podem ser:

Simples ou Relativa: o referencial numérico para o cálculo é o número de membros presentes,


desde que haja quorum (que é o de maioria absoluta). É exigida para as leis ordinárias.
Qualificada: o referencial numérico para o cálculo é o número de membros da casa, estando ou
não presentes desde que haja quorum para ser instalada.
Pode ser:
Maioria Absoluta: é a unidade ou o número inteiro imediatamente superior à metade. Exigida para
as para as leis complementares.
Maioria de 3/5: exigida para as emendas constitucionais.
Câmara dos Deputados = 513 membros (MA = 257 e 3/5 = 308)
Senado Federal 81 membros (MA = 41 e 3/5 = 49)

Quando a constituição diz maioria sem adjetivar está se referindo à maioria simples. Portanto,
quando a constituição não estabelecer exceção as deliberações de cada Casa serão tomadas por
maioria simples, desde que o quórum seja de maioria absoluta.
quorum: é o número mínimo de membros que devem estar presentes para que a sessão daquele
órgão possa ser instalada. A Constituição exige que este número seja de maioria absoluta.

PODER CONSTITUINTE

É a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo, social e juridicamente


organizado. O Poder constituinte é o poder que tudo pode. Poder de Criar ou Alterar uma
Constituição.

Titularidade do Poder Constituinte: é predominante que a titularidade do poder constituinte


pertence ao povo. Logo, a vontade constituinte é a vontade do povo expressa por meio de seus
representantes.

Tem como efeito a formação de um grupo de representantes eleitos pela sociedade com um único
intuito de elaborar, editar, votar e promulgar esta nova Carta Magna aos cidadãos de determinado
Estado. Depois deve ser extinto com seus integrantes voltando para suas atividades anteriores.

O Poder Constituinte pode ser:


→ Originário: quando há a edição de uma nova Constituição. Estabelece a Constituição de um novo
Estado, organizando-se e criando os poderes destinados a reger os interesses de uma sociedade.
Não deriva de nenhum outro, não sofre qualquer limite e não se subordina a nenhuma condição.

Ocorre Poder Constituinte no surgimento da 1ª Constituição e também na elaboração de qualquer


outra que venha depois.

→ Derivado: trata-se da utilização, derivação de uma Constituição já existente, modificando parte


dela. Também chamado Instituído ou de segundo grau – é secundário, pois deriva do poder
originário. Encontra-se na própria Constituição, encontrando limitações por ela impostas: explícitas
e implícitas.

DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

a-) Alguns direitos são de todos – universalidade dos direitos – a vida, a propriedade, mas outros se
destinam a grupos determinados e específicos, como os direito dos trabalhadores.

b-) alguns direitos são proclamados e válidos em determinada época, e desaparecem ou são
modificados em outras.

c) inalienabilidade ou indisponibilidade – um direito inalienável não permite que seu titular o torne
impossível de ser exercitado para si mesmo, física ou juridicamente.

Direito de garantia: os direitos são disposições declaratórias, e as garantias, disposições


assecuratórias. Ou seja, o direito é que se protege, o bem da vida guardado pela Constituição. A
garantia é o mecanismo criado pela Constituição para defender o direito.

Direitos de primeira geração: São os direitos civis e políticos, e compreendem as liberdades clássicas
(liberdade, propriedade, vida, segurança). São direitos do indivíduo perante o Estado, e a doutrina
os classifica como prestações negativas, ou seja, dever de não-fazer erigidos contra o Estado, em
favor do indivíduo.

Direitos de segunda geração - cobram do Estado uma prestação positiva. São os direitos
econômicos, culturais e sociais.

Direitos de terceira geração - São direitos coletivos, como ao meio ambiente, à qualidade de vida
saudável, à autodeterminação dos povos e à defesa do consumidor, da infância e da juventude. São
direitos de titularidade difusa e coletiva, como à paz, a autodeterminação dos povos, ao
desenvolvimento, à qualidade do meio ambiente, à conservação do patrimônio histórico e cultural.

Direitos de quarta geração - São os direitos que surgem e se consolidam ao final do milênio.

Direitos Sociais - A doutrina fixa que os direitos sociais são aqueles cuja importância transcende a
esfera individual do seu detentor.

Garantias constitucionais: princípios e preceitos. Direitos e garantias. Mandado de segurança


individual e coletivo. Ação Popular. Ação civil pública. Habeas data. Mandado de injunção. Ação de
descumprimento de preceito fundamental.
Direito e garantia: A primeira abordagem técnica, no direito brasileiro, a explorar a diferença entre
direito e garantia foi realizada por Rui Barbosa. Para ele, os direitos seriam disposições declaratórias,
e as garantias, disposições assecuratórias.

Garantias fundamentais gerais: Conforme Uadi Lamêgo Bulos, são as que vêm convertidas naquelas
normas constitucionais que proíbem abusos de poder e violação de direitos, limitando a ação do
Poder Público. Aparecem, por exemplo, no princípio de legalidade, no princípio da inafastabilidade
da jurisdição e no princípio do juiz e do promotor natural, no princípio do devido processo legal, no
princípio do contraditório e no princípio da publicidade dos atos processuais. Todos contidos no art.
5º da CF.

Organização do Estado Brasileiro:

Da organização político-administrativa.

 A União;
 Estados Federados;
 O Distrito Federal e Territórios;
 Os Municípios.

República e União não são sinônimos. A União é uma pessoa jurídica de Direito Público interno com
capacidade política, que ora se manifesta em nome próprio (como União), ora em nome da
Federação (como República). No âmbito interno, a União é apenas autônoma. A República é que é
soberana. A União é entidade federativa autônoma em relação aos Estados-membros e municípios,
constituindo pessoa jurídica de direito público interno. Não se confunde com o Estado Federal, a
República, pessoa jurídica de direito internacional, formada territorialmente por Estado, pelo
Distrito Federal e pelos Municípios, e juridicamente por esses três mais a União.

Os Estados são pessoas jurídica de direito público interno dotadas de autonomia, com capacidade
de auto-organização e normatização própria, autogoverno e autoadministração.

Distrito Federal: O Distrito Federal é entidade federal que dispõe de personalidade jurídica de direito
público interno, dotado de autonomia, de poder legislativo com competência cumulativa (Estado e
Município) e de competência tributária também cumulativa. Dispõe de Poder Executivo e de Poder
Legislativo próprios, mas o poder Judiciário é organizado e mantido pela União.

Município: Entidade federativa com personalidade jurídica de direito público interno, dotado de
autonomia, com competência legislativa e tributária. Dispõe apenas de Poder Legislativo e Poder
Executivo.

Compete exclusivamente ao Estado Federal manter relações internacionais, bem como definir a
política de defesa de toda a Federação.

Os Estados Federados dispões de Tribunais, Administração Pública e Forças de Segurança aos quais
incumbe a aplicação e execução da lei no seu território.
O Distrito Federal é um quadrilátero (chamado de Quadrilátero de Cruls) que envolve a Capital que
é Brasília. Brasília não é a capital da União e sim a Capital da República, uma vez que a união não
tem uma dimensão territorial.

Governo da União: Poder Legislativo. Poder Executivo. Poder Judiciário.

Poder Judiciário: Federal e Estadual. Organização Judiciária: Funções essenciais da justiça.


Magistrados: prerrogativas, garantias e vedações. Natureza da jurisdição, seu monopólio e partição
das competências. Autonomia administrativa e financeira do Poder Judiciário.

O poder Judiciário consiste no conjunto de órgãos estatais que tem por função principal o exercício
da jurisdição. A decisão do Poder Judiciário, após transitado em julgado, não pode mais ser alterada.

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