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Cleber Rentroia

UNIDADE I – ASPECTOS INTRODUTÓRIOS: ECONOMIA COMO CIÊNCIA 1 – ORIGEM DA PALAVRA ECONOMIA A palavra economia origina-se do grego: Oikos (eco), que significa casa, riqueza, e Nomos (nomia), cujo significado é lei, regra, administração. 2 – DEFINIÇÕES DE ECONOMIA 2.1 – Primeiras Definições Na antiguidade, a economia era considerada como a ciência da administração da comunidade doméstica, em suas mais simples funções de produção e distribuição. Com o desenvolvimento dos Estados-Nações (França, Espanha, Portugal e Inglaterra), e com os descobrimentos de novas terras e o desenvolvimento mercantil, a economia seria definida como o ramo do conhecimento, essencialmente voltado para a melhor administração do Estado, com o objetivo central de promover o seu fortalecimento. Nesse sentido, a economia foi definida como a ciência que se dedica ao estudo das leis que determinam a riqueza ou da administração da riqueza. Uma vez que a riqueza é gerada pelos homens e por eles administrada, é preciso considerar suas ações sobre a natureza para produzi-la, e suas ações entre si para reproduzi-la e administrá-la. A riqueza não tem sentido em si mesma. Ela somente será completa se puder ser utilizada em benefício do homem (satisfação de necessidades). Para satisfazer as necessidades o homem necessita consumir algo (coisas). O homem transforma essas coisas através do seu trabalho, com o auxílio de instrumentos. O ato de transformar é denominado produção e por meio dele criam-se bens e serviços. 2.2 – Definições Clássicas A partir do século XVIII, a economia entraria na sua fase científica, com a formulação de princípios, teorias e leis sobre os três grandes compartimentos básicos da atividade econômica: formação, distribuição e consumo das riquezas. 2.3 – Definições Contemporâneas Os economistas contemporâneos definiram a economia como a ciência que procedia a análise da prosperidade e das recessões, o exame dos problemas decorrentes da escassez econômica face às necessidades ilimitadas, e, principalmente, a investigação das condições necessárias para a universalização do bem-estar da sociedade. Em outras palavras, a economia foi definida como a ciência da escassez. Dentro dessa perspectiva, o estudo da economia fundamenta-se na atividade humana denominada econômica e dirigida no sentido de escolher, dentre as diversas alternativas existentes, o que fazer com recursos escassos. Ou seja, trata-se de descobrir a melhor utilização a ser dada aos recursos limitados existentes na natureza de forma a melhor satisfazer as necessidades humanas. A economia é, portanto, a ciência da escassez. A solução do problema econômico confronta a administração de recursos escassos, limitados, com a satisfação de necessidades ilimitadas, cada vez maiores conforme o progresso da ciência e da tecnologia.
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3 – OBJETO DA ECONOMIA O objeto de estudo da economia diferiu-se com a própria evolução do pensamento econômico. Nesse sentido, tendo como ponto de referência o período no qual a economia entraria na sua fase científica, ou seja, a partir do século XVIII, têm-se os seguintes objetos de estudo: a) de 1776 até 1936, o objeto da economia foi o estudo da formação e repartição da riqueza; b) em 1936, com o fim da Grande Depressão Econômica, John Maynard Keynes, mostrou que o objeto de estudo da economia deveria centralizar-se na pesquisa dos fatores determinantes das flutuações da renda nacional e do volume de emprego, ou seja, flutuações da atividade econômica; c) após o término da 2ª Guerra Mundial, o objeto de estudo da economia centrou-se no análise das flutuações da atividade econômica; nas condições necessárias à promoção do desenvolvimento econômico; e nas investigações sobre a repartição da riqueza; e d) a posição mais recente refere-se à formação da riqueza, desenvolvimento, e principalmente, quanto às questões ligadas à repartição da riqueza. Desenvolvimento refere-se ao aproveitamento ótimo dos escassos recursos disponíveis; enquanto, a repartição está ligada ao atendimento das necessidades ilimitadas da sociedade. 4 – TEORIA ECONÔMICA A teoria econômica divide-se em dois grandes ramos: a análise microeconômica e a análise macroeconômica. 4.1 – Análise Microeconômica É o ramo da teoria econômica que trata individualmente do comportamento dos consumidores e produtores com o objetivo de compreender o funcionamento geral do sistema econômico. Dentre os assuntos tratados pela microeconomia, têm-se: (i) a teoria do consumidor; (ii) teoria da firma; (iii) teoria da produção; (iv) teoria dos custos; e (v) teoria da repartição. 4.2 – Análise Macroeconômica É o ramo da teoria econômica que trata do estudo agregativo da atividade econômica, ocupando-se de magnitudes globais, com o objetivo de determinar as condições necessárias do crescimento e equilíbrio do sistema econômico. A macroeconomia estuda: (i) teoria geral do equilíbrio e do crescimento econômico; (ii) teoria da moeda; (iii) teoria das finanças públicas; (iv) teoria das relações internacionais; (v) teoria do desenvolvimento. É importante ressaltar que, a macroeconomia trata da formulação de políticas econômicas. 5– COMPARTIMENTOS DA ECONOMIA De acordo com a maioria dos autores contemporâneos, a Ciência Econômica comporta três desdobramentos principais, constituídos pela economia descritiva, pela teoria econômica e pela política econômica.

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5.1 – Economia Descritiva A economia descritiva é geralmente considerada como o compartimento responsável pelo reconhecimento – em nível de descrição – de como se comportam os diversos agentes do sistema econômico. A economia lida, essencialmente, com o comportamento dos consumidores, dos produtores, das instituições governamentais e de outros agentes (públicos e privados), permanentemente dedicados à tarefa de empregar recursos escassos para que sejam atendidas, ao mais alto nível possível, as necessidades de bens e serviços da coletividade. As ações e reações desses heterogêneos agentes nem sempre são de fácil identificação. O mundo real das atividades econômicas, quando observado cuidadosamente, é de uma estranha complexidade. A maior parte dos fatos encontra-se inter-relacionada através de um encadeamento de reações, de motivações e de influências recíprocas. Em alguns casos, a realidade registra certos círculos viciosos, cuja descrição é extremamente dificultada pela impossibilidade de se encontrar o fato gerador do processo desencadeado. Em outros casos, certas ações aparentemente isoladas poderão conduzir a todo um conjunto de novas situações, impondo-se, assim, a necessidade de classificação e de pormenorizada descrição de cada um dos fatos geradores e de cada uma das novas situações geradas. É a esta complexa tarefa de levantamento, descrição e classificação dos fatos que se dedica a economia descritiva. É através dela que a realidade começara a ser submetida a um criterioso tratamento científico, no sentido de que possam ser analisadas as relações básicas que se estabelecem entre os diversos agentes que compõem o quadro da atividade econômica. 5.2 – Teoria Econômica A teoria econômica é o compartimento central da economia, haja vista que lhe compete dar ordenamento lógico aos levantamentos sistemáticos fornecidos pela economia descritiva, produzindo generalizações que sejam capazes de ligar os fatos entre si, desvendar as cadeias de ações e reações manifestadas e estabelecer relações que identifiquem os graus de dependência de dado fenômeno em relação a outro. Essa transformação dos fatos observados em generalizações lógica, inteligentes e úteis constitui a passagem da economia descritiva para a teoria econômica. O instante dessa passagem implica a teorização da realidade. Como decorrência surgirão um conjunto de princípios, teorias, leis e modelos fundamentados nas descrições e observações da economia descritiva. 5.3 – Política Econômica Os desenvolvimentos elaborados no compartimento da teoria econômica têm a finalidade de servir à política econômica. Nesse terceiro compartimento, é que serão utilizados os princípios, as teorias, as leis e os modelos explicativos da realidade. A utilização terá o objetivo de conduzir mais adequadamente a ação econômica com vistas a objetivos predeterminados. A política econômica é, assim, um ramo essencialmente voltado para o condicionamento da atividade econômica. Nesse sentido, a título de exemplo, quando se emprega a expressão política econômica governamental, está se referindo às ações práticas desenvolvidas pelo governo, com a finalidade de condicionar, balizar e conduzir o sistema econômico, no sentido de que sejam alcançados um ou mais objetivos econômicos, politicamente estabelecidos. É importante ressaltar que, essas ações práticas, devido à complexidade do mundo econômico e de seus problemas, tendem a ter o respaldo da teoria econômica, uma vez que esta última é constituída por um conjunto de generalizações – em nível científico – capazes de dar explicações lógicas e úteis aos fatos, aos problemas e à complexa realidade sobre a qual se pretende atuar.

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6 – PROPOSIÇÕES POSITIVA E NORMATIVA A economia positiva é o campo da economia que descreve ou, então, teoriza determinado aspecto da realidade, preocupando-se com os fatos, da forma como eles são ou segundo se apresentam. A economia positiva é constituída da economia descritiva e da teoria econômica. A economia normativa é o campo da economia que formula julgamentos e propõe novas situações, procurando examinar ou propor como os fatos devem ser. A política econômica faz parte do campo de estudo da economia normativa. A título de exemplo, suponhamos as seguintes afirmativas: (i) A inflação do país está bastante elevada. (ii) Para combater a inflação o governo deve aumentar a taxa de juros e reduzir o déficit público. Assim, como a primeira afirmativa descreve um fato econômico como ele se apresenta, então faz parte da economia positiva; enquanto a segunda, por propor o que o governo deve fazer para reduzir a inflação, então se enquadra no campo da economia normativa.

UNIDADE II – PROBLEMAS ECONÔMICOS FUNDAMENTAIS 1 – PROBLEMAS DE ORGANIZAÇÃO ECONÔMICA As necessidades humanas se multiplicam conforme o avanço da sociedade. A evolução da ciência determina padrões tecnológicos mais sofisticados, capazes de satisfazer com maior detalhe as necessidades humanas. Dada a escassez de recursos produtivos, as quantidades a serem produzidas encontram limites físicos. Daí coloca-se o problema central da economia: (i) o quê produzir; (ii) como produzir; e (iii) para quem produzir. 1.1 – O quê produzir O quê e quanto produzir é uma decisão tomada em nível econômico. Pressupõe atingir fronteiras de produção. A sociedade deve escolher que bens serão produzidos e em que quantidades, conforme as suas necessidades. Ilustremos com um caso bastante relacionado com a realidade brasileira. Devido às carências da nossa sociedade, seria de se esperar que os agentes econômicos nacionais se dedicassem mais a investimentos que produzissem alimentos, do que à produção de foguetes e naves espaciais para a exploração do universo. Por outro lado, na sociedade americana, que experimenta um nível de desenvolvimento social e tecnológico muito mais elevado do que a brasileira é de se esperar que os agentes econômicos daquele país invistam de forma diferente. A economia americana produz mais foguetes e naves espaciais do que a brasileira. De fato, a brasileira produz raríssimas unidades de foguetes, e nenhuma nave. E isto não somente devido ao maior avanço social da sociedade americana, mas também porque, dado o nível de desenvolvimento científico por eles alcançado, pesquisas espaciais passam a ser necessárias para a sociedade americana como um todo. Tornou-se necessário para os americanos, mesmo que seja por uma simples questão de geopolítica mundial, o domínio, mesmo que parcial, deste ramo do conhecimento. Esta última necessidade não é colocada para a sociedade brasileira.

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Se um bem não for apropriado e se não se desgastar ao longo do tempo para satisfazer uma necessidade. quando se conseguir atender a todas as necessidades de todos as pessoas. 3. e se esforçará para buscar tecnologias avançadas. _____________________________________________________________________________________________ 5 . Uma sociedade que se defronta com problemas de subnutrição. 3 – BENS ECONÔMICOS E RIQUEZA Bens econômicos e riqueza são dois importantes conceitos largamente utilizados em economia. pois poderá produzir mais em menor tempo. além da produção de foguetes e naves espaciais não serem uma necessidade para a sociedade brasileira.1 – Fatores que contribuem para a minimização da Escassez Econômica a) divisão do trabalho ou organização econômica. então não é um bem econômico. Sua principal característica é ser consumível. 1. b) pesquisas tecnológicas. Objetiva-se com isso a obtenção da eficiência produtiva. e) racionalidade na utilização dos recursos produtivos. inegavelmente. estarão insatisfeitas. é de se esperar que os agentes econômicos produzam alimentos de alto valor nutricional e calórico. e f) combinação ótima dos recursos. e adquiriu maior dinâmica com a idéia de que a riqueza é tudo aquilo que permite à pessoa consumir mais bens com aquilo que já acumulou. Daí que a tomada desta decisão deve levar em consideração quais são as maiores necessidades e mais comuns a todos. então. ter-se-á alcançada a plena eficiência na distribuição da produção. Uma sociedade somente produzirá de acordo com a tecnologia de que dispõe.3 – Para quem produzir Para quem produzir é uma decisão tomada em nível social. Quase nunca os bens produzidos satisfazem todas as necessidades da sociedade. 3.2 – Como produzir Como produzir é uma decisão tomada em nível tecnológico. e de baixo custo. d) produção em escala. Estes bens seriam direcionados para as camadas menos favorecidas. 2 – LEI DA ESCASSEZ ECONÔMICA Refere-se à realidade básica da vida de que existe apenas uma quantidade finita de recursos humanos e não-humanos que o melhor conhecimento técnico é capaz de usar na produção de apenas uma quantidade máxima e limitada de cada produto. Cleber Rentroia 1.Prof. o que. também não dispomos do domínio da tecnologia para tanto. é bastante difícil de se conseguir. Por outro lado. e tal necessidade de faça sentir. que apresentam as seguintes definições. pois assim estará aumentando sua eficiência ou produtividade. c) aumento de produtividade.2 – Riqueza: é o conjunto de bens e serviços de consumo. No exemplo acima. 2. por exemplo. É possível que chegue o dia em que o avanço das pesquisas nacionais nos possibilite o domínio da tecnologia espacial. Busca-se a obtenção da eficiência distributiva. porque a palavra riqueza deixou de ser abstrata e estática no sentido de somente acumular coisas de valor. A idéia moderna de riqueza introduziu a variável consumo.1 – Bens Econômicos: são coisas que satisfazem as necessidades humanas. mesmo as mais prioritárias. Sempre haverá pessoas cujas necessidades.

2. 4. trabalhado por alguém com alguma ferramenta. Aí estão colocados então os três fatores de produção.1. capital e mão de obra) de forma que. matérias-primas.1 – Capital: capital é o conjunto (estoque) de bens econômicos heterogêneos. e tecnologia de processo (inovação do processo produtivo que racionaliza o uso de matérias-primas). Assim. com o auxílio da tecnologia. São elas: (i) a primeira. considera apenas o trabalho e o capital como fatores de produção.2 – Trabalho: o trabalho é a própria força de trabalho. Daí a pergunta: que recursos são esses? Um simples raciocínio nos faz deduzir que para se produzir um bem é preciso um material qualquer que. 4. e para que o problema central da economia possa ser devidamente equacionado é necessário contar com o concurso dos instrumentos de produção.3 – Força de Trabalho: força de trabalho (mão-de-obra) é o fator que mobiliza os recursos naturais e o capital.4 – Tecnologia: tecnologia é definida como o estudo das técnicas (know how) dividida em tecnologia de produto (inovação que leva à obtenção de um novo produto). contemplando também. e (iii) trabalho (mão-de-obra). com os objetos da produção. pelos recursos minerais e pelo solo (recursos não renováveis). tais elementos são conhecidos como fatores de produção. possa produzir com eficiência. a capacidade gerencial que o homem tem de melhor alocar os recursos (terra. 4. etc. fábricas. (ii) capital (recursos financeiros. O capital.1. sendo que no caso dos bens agrícolas é a própria matéria-prima. assim como. a saber: (i) terra (recursos naturais que fornecem a matéria-prima). incluiria também a terra (matéria-prima) e a tecnologia. ou seja.2. a literatura econômica apresenta duas diferentes correntes quanto à classificação dos fatores de produção. 4. modernamente os fatores de produção classificam-se em: 4. terras. equipamentos. 4. (ii) a segunda.1 – Terra: a terra é a origem das matérias-primas..3 – Capital: o capital inclui todos os equipamentos utilizados de forma a auxiliar o homem na produção.2.Prof. Cleber Rentroia 4 – FATORES DE PRODUÇÃO Para que as necessidades humanas sejam satisfeitas. entendido como patrimônio. devem ser tratados à parte. sem a qual nenhum bem seria produzido. 4. _____________________________________________________________________________________________ 6 . tais como máquinas.1 – Classificação Clássica Os fatores de produção podem ser definidos como o conjunto de todos os recursos que se pode usar na produção.1.2 – Classificação Moderna Modernamente. 4. por apresentarem contribuições significativas ao processo produtivo. considera que tanto a capacidade gerencial do homem como a tecnologia. aquilo com que se produz. capaz de reproduzir bens e serviços. ou capacidade de trabalho do homem. em termos de produtividade. 4.2 – Recursos Naturais: recursos naturais são constituídos pelas riquezas naturais do mundo animal e vegetal (recursos renováveis). aquilo que transformado resultará em algo capaz de satisfazer as necessidades do homem. Em economia. ferramentas. resultará nesse bem.2. máquinas equipamentos). isto é.

também denominados de econômicos e que têm como principais características: (i) existirem em quantidades limitadas. como contrapartida à sua contribuição ao processo produtivo. os bens e serviços apresentam a seguinte classificação.2 – Aluguel: é a remuneração dos serviços do fator terra ou recursos naturais. É o pagamento que se faz pela utilização dos direitos de propriedade de uma patente.1. o comercializou. por exemplo). podem ser considerados livres ou não.3. entretanto. 4.1 – Bens Livres: (ou abundantes).Prof. é a expressão física do capital monetário que é investido em ativos imobilizados.3. A areia do deserto. O único bem verdadeiramente livre é o ar. pois não têm valor e nem preço. pois até hoje ninguém o produziu ou então. percebe uma remuneração ou pagamento. Em outras palavras. 5. equipamentos e maquinário. a natureza e o destino desses bens. automóveis. Há outros bens. e são assim classificados: _____________________________________________________________________________________________ 7 . transporte. Trata-se. então deixará de ser um bem livre.2. se for explorada comercialmente (para construções. portanto. trabalho e tecnologia) que irá possibilitar o suprimento de bens e serviços.3. é preciso entender com que finalidade ele será utilizado.3 – Remuneração dos Fatores de Produção Cada fator de produção. que dependendo das circunstâncias em que são obtidos. tal como definido anteriormente. 4. Exemplos: refrigerantes.5 – Dividendos: correspondem à remuneração de aplicadores em ações das empresas.1.3.3. haja vista que possuem valor e preço. pois será submetida a um processo produtivo (extração.1 – Salário: corresponde a remuneração dos serviços do fator trabalho. Qualquer bem que seja obtido através do processo produtivo é considerado um bem econômico. televisores. e (ii) serem comercializados. 4. Cleber Rentroia 4. Assim. 4. de distinguir a origem. Existem dois tipos de bens quanto à raridade. Entretanto.6 – Royalty: corresponde à remuneração pela utilização dos serviços de tecnologia. capital. também denominados de não econômicos. por exemplo.5 – Capacidade Empresarial: capacidade empresarial é definida como a aglutinação dos demais fatores (terra. gasolina etc.2 – Bens Produzidos: (relativamente raros). 4. refinamento. 5.3 – Lucro: é a remuneração dos serviços do capital.4 – Juros: correspondem à remuneração de serviços do fator capital monetário (dinheiro).3. 5. isto é. Assim.1 – Quanto à Raridade Por raridade entende-se o quão escasso é o bem. é um bem livre. tecidos.2 – Quanto à Natureza Por natureza entende-se a natureza física do bem. 4. Estão à disposição na natureza. 5 – CLASSIFICAÇÃO DOS BENS E SERVIÇOS Uma vez que o objetivo do processo de produção é produzir bens e serviços com o fim de satisfazer as necessidades da sociedade. instalações. prédios. 5. etc). temos: 4. A utilização ou reprodução de um bem ou serviço para fins produtivos somente poderá ser feita com o pagamento dos royalties. Capital aqui é entendido como o capital físico.

Exemplos: remédios. para os bens que produzem. produtos químicos. alimentos. • Semiduráveis: são aqueles que têm uma vida útil não muito longa. serviços de educação. que não têm uma forma física e material. etc. 5. _____________________________________________________________________________________________ 8 .3. etc. Sua principal característica é elevar a produtividade da mão-de-obra. etc. os bens de consumo são aqueles que são produzidos para consumo final. etc. • Não-duráveis: também denominados de consumo imediato. ferramentas. transporte.3. 5. São assim classificados.2 – Bens de Capital: são os bens utilizados na produção de outros bens. Classificam-se em: • Bens Intermediários Propriamente Ditos: são aqueles que entram na composição de outros bens sem perder as suas características iniciais.1 – Bens de Consumo: são aqueles que se destinam atender diretamente as necessidades humanas. mas que não se desgastam totalmente neste processo de produção. As necessidades são classificadas em: 6. por assim dizer. isto é. Exemplos: minério de ferro.Prof. etc. roupas. processo este que ocorre num período de tempo mais longo. vestuário. Exemplos: alimentação. são aqueles bens que se extinguem no ato do consumo. 5. Em outras palavras. Exemplos: serviços médicos.2 – Bens Imateriais: correspondem aos serviços. parafuso. • Insumos (matérias-primas): são aqueles bens que são utilizados imediatamente. equipamentos.3 – Bens Intermediários: são aqueles que são transformados ou agregados totalmente no processo de produção. alimentos. 5. têm um fim em si mesmos. De acordo com a sua durabilidade classificam-se em: • Duráveis: são aqueles que não se extinguem no ato do consumo. etc.2. etc. que não produzem e nem entram na produção de outro bem. O nível de satisfação da sociedade difere com o seu próprio estágio de desenvolvimento. etc. mas que satisfazem as necessidades humanas.3. cuja característica principal é serem palpáveis e tocáveis. fio. e são classificados contabilmente no ativo fixo das empresas.1 – Necessidades Primárias: são aquelas essenciais para a sobrevivência humana. eletrodomésticos. Exemplos: prego.3 – Quanto ao Destino Por destino entende-se o uso que se faz do bem. Transferem-se. Exemplos: roupas. Exemplos: automóveis. etc. incorporando-se aos bens que se produzem. instalações. Como exemplos temos as máquinas. farinha de trigo. 5. habitação. Cleber Rentroia 5. ou seja. desaparecendo na produção perdendo desta forma suas características iniciais. Exemplos: sapatos.1 – Bens Materiais: correspondem às mercadorias. 6 – NECESSIDADES ILIMITADAS As necessidades são ilimitadas porque são inerentes à própria capacidade de renovação e criação de novos desejos de consumo por parte da sociedade.2.

• propagandas e publicidades. hipoteticamente. De forma geral. mas aos pouco vão se tornando um hábito. 6.2 – Necessidades Secundárias (ou acidentais): são decorrentes do convívio social. Exemplos: fumar. etc. suponhamos. dentre eles destacam-se: • efeito demonstração – típico de países subdesenvolvidos – que significa adquirir hábitos de consumo de sociedades desenvolvidas. para simplicidade de raciocínio. uma economia que produza apenas dois bens A e B. lazer. Não se instalam de repente. Nesse sentido. as economias devem definir quais são as combinações das diversas quantidades de bens e serviços que serão produzidos.Prof. Conforme discutido anteriormente. que dependem das opções sociais ou políticas estabelecidas pela sociedade. significando aqui os costumes. para que se possa maximizar a produção de bens e serviços. um dos principais problemas com que se defrontam as economias é definir quanto será produzido de cada bem e serviço. 7 – ALTERNATIVAS DE PRODUÇÃO E A CURVA DE POSSIBILIDADES DE PRODUÇÃO Todo sistema econômico tem uma capacidade máxima de produzir bens e serviços. hábitos. Desse modo. educação. o governo está encarregado de sua satisfação através dos serviços públicos. Cleber Rentroia 6. • desenvolvimento tecnológico. (ii) escolha das alternativas de produção para a canalização dos recursos. de modo atender às necessidades da sociedade. e • nível cultural. Em outras palavras. existem alguns fatores que contribuem para aumentar o nível das necessidades ilimitadas da sociedade. nas seguintes quantidades.3 – Necessidades Coletivas (ou sociais): são aquelas que para serem satisfeitas exigem um esforço coletivo. valores e a forma de organização da sociedade. precisando ser satisfeitas. Por outro lado. conforme quadro abaixo: Alternativas A B C D E F Bem A (quantidade) Bem B (quantidade) 250 200 150 100 50 0 0 250 450 600 700 750 _____________________________________________________________________________________________ 9 . etc. e (iii) eficiência máxima e o pleno emprego dos recursos de produção. satisfazendo exigências coletivas ou sociais. Exemplos: segurança pública. os sistemas econômicos devem buscar: (i) decisão do que produzir.

Por esta razão. e assim sucessivamente até o ponto F. Outro importante ponto a ser destacado. há uma questão mais ampla de eficiência alocativa. Cabe ressaltar que. Em qualquer ponto desta curva uma quantidade produzida de A. corresponde a uma quantidade produzida de B. Cleber Rentroia Colocando estas quantidades. onde as quantidades do bem A são lançadas no eixo das abscissas (eixo X) e as quantidades do bem B são lançadas no eixo das ordenadas (eixo Y). Isto significa que não há nenhum fator de produção ocioso. Ou seja. ao se deslocar do ponto A para o ponto B. estará deixando de produzir algumas unidades do bem A para produzir mais quantidades do bem B. Para que uma economia possa operar em qualquer ponto sobre a curva de possibilidades de produção é necessário que: (i) exista pleno emprego de todos os fatores produção disponíveis. a economia opera com os padrões tecnológicos existentes. uma economia que se encontre operando sobre a curva de possibilidades de produção. significa apenas que se está transferindo recursos ou fatores de produção de um processo produtivo para outro. uma vez definidas as quantidades e _____________________________________________________________________________________________ 10 .Prof. no caso da produção do bem A para o bem B. Em outras palavras. que formam pares ordenados de pontos dados pelas diversas alternativas de produção em um gráfico cartesiano. que indica as infinitas combinações possíveis de produção dos bens A e B. temos a seguinte representação gráfica: Bem B F 750 700 600 E D C 450 250 B A 0 50 100 150 200 250 Bem A Esta curva chama-se curva de possibilidades de produção (ou fronteira de produção ou curva de transformação). esta curva também é conhecida como curva de transformação. e (iii) exista eficiência e eficácia no uso dos fatores de produção. ou do ponto B para o ponto C. como também não é possível agregar mais fatores. Ou seja. esta transformação não é física. A curva de possibilidades de produção estabelece os níveis máximos de produção desses dois bens. é que associada a esta escolha sobre quantos e quais bens produzir. Desse modo. estará transformando o bem A em bem B. (ii) não sejam introduzidas inovações tecnológicas.

então o ponto A. com os seguintes pontos: Bem B •C YB YA • A • B • 0 Bem A XA XB Análise dos pontos: • o ponto B representa a produção máxima do bem A e do bem B. É um estado de limite crítico para a economia. este ponto é possível de ser atingido. isto é. estando a economia em recessão. utilizando os fatores de produção que estão ociosos. sendo que todos os fatores de produção estão plenamente ocupados. ou seja. máquinas paradas e terras não utilizadas. Cleber Rentroia a qualidade dos fatores de produção. onde há ociosidade de fatores. os economistas consideram que uma taxa de ocupação acima de 92% a 93% caracteriza a situação pleno emprego. é possível aumentar a produção tanto do bem A quanto do bem B. garantindo desta forma o equilíbrio econômico das atividades produtivas. Nem todos os fatores de produção estão plenamente ocupados. A rigor. não existindo nenhuma atividade econômica. O pleno emprego é definido por uma situação em que os recursos disponíveis estão sendo plenamente utilizados na produção de bens e serviços. Se isto ocorrer. como por exemplo. Em outras palavras. (ii) quanto aos deslocamentos da curva. existe um desemprego de fatores.1 – Quanto aos pontos na CPP Suponhamos a curva de possibilidades de produção abaixo. é preciso alocá-los. onde todos os fatores estarão plenamente ocupados.1 – Análise da Curva de Possibilidades de Produção – CPP A curva de possibilidades de produção pode ser analisada sob quatro diferentes aspectos: (i) quanto aos pontos localizados na curva. se desloca em direção à curva. • o ponto O representa uma situação de pleno desemprego de fatores.Prof. Teoricamente.1. Neste ponto ou em qualquer outro ponto situado sobre a curva de possibilidades de produção. uma situação dessa é mais fácil de _____________________________________________________________________________________________ 11 . e (iv) quanto aos deslocamentos parciais da curva. (iii) quanto aos deslocamentos diferenciados da curva. significa que a economia está funcionando com capacidade máxima de produção. existe uma ociosidade parcial dos fatores. 7. trabalhadores desempregados. • o ponto A representa uma situação de recessão ou de capacidade ociosa. É importante ressaltar que. mas na prática. 7. pois nele nada se produz. distribuí-los entre os setores produtivos de forma a obter a máxima eficiência na quantidade e qualidade dos bens produzidos. Em geral. os fatores de produção nunca estão 100% plenamente ocupados.

etc. Os fatores que contribuem para o deslocamento positivo são: (i) crescimento da população qualificada (mão-de-obra).).2 – Quanto aos deslocamentos da CPP A curva de possibilidades de produção pode-se deslocar tanto positivamente quanto negativamente. significando diminuição da capacidade de produção do sistema econômico. que destroem completamente a economia). etc. telecomunicações. (iii) situações climáticas desfavoráveis. a produção poderá se expandir. etc. portos. e (iv) investimentos na infra-estrutura de base do país (estradas.). (iii) inovação e/ou melhoria tecnológica. terremoto. (ii) sucateamento do parque industrial. Em termos de representação gráfica. 7. vulcões. e (iv) pestes e epidemias..1. é preciso acrescentar alguma quantidade de pelo menos um dos fatores de produção. Assim. Em termos de representação gráfica. aeroportos. Os fatores que contribuem para o deslocamento negativo são: (i) guerras entre os países. usinas hidroelétricas. Assim temos: • Deslocamento Positivo: ocorre quando a curva de possibilidades de produção se afasta da origem. (ii) acumulação de bens de capital (edifícios. máquinas. temos: Bem B 0 P3 P2 P1 Bem A Onde P3 < P2 < P1 _____________________________________________________________________________________________ 12 . possibilitando o deslocamento da curva de possibilidades de produção para níveis mais elevados. temos: Bem B Bem A 0 P1 P2 P3 Onde P3 > P2 > P1 • Deslocamento Negativo: ocorre quando a curva de possibilidades de produção se dirige em relação à origem. Para que este ponto possa ser atingido. Cleber Rentroia ocorrer em situações de guerra (toda economia fica paralisada em função das atividades beligerantes). • o ponto C não existe para essa curva de possibilidades de produção. equipamentos.Prof. pois não pode ser atingido com o volume de fatores existentes. significando aumento da capacidade de produção do sistema econômico. e em função de catástrofes naturais (inundação.

será no ramo que representa este bem. no futuro suas economias terão uma capacidade produtiva maior. _____________________________________________________________________________________________ 13 . se a inovação tecnológica ocorrer em relação ao bem B.1. A questão é saber qual dos dois países terá maior expansão na sua capacidade de produção. só que neste caso específico. que estes dois países adotem políticas diferentes quanto à alocação de fatores de produção para produzirem bens de consumo e bens de capital. enquanto o país Beta aloca 0Bc. conforme demonstrado no gráfico abaixo. num ponto específico do tempo.4 – Quanto aos deslocamentos parciais da CPP Suponhamos que ocorra uma inovação tecnológica na produção do bem A. Cleber Rentroia 7. conforme demonstrado no gráfico abaixo. Beta BK Nova curva do país Alfa AK Alfa Bens de Consumo 0 BC AC Análise dos deslocamentos: • Bens de Consumo: o país Alfa aloca de seus fatores de produção para produzir bens de consumo o segmento 0Ac. Nesse sentido. enquanto o país Alfa aloca 0Ak. Suponhamos ainda. a economia do país Beta tenha uma capacidade de produção maior do que a do país Alfa. que os países Alfa e Beta. observa-se que o país Beta alocou proporcionalmente mais de seus fatores de produção para produzir bens de capital do que o país Alfa. 7.1. Cabe ressaltar que. isto significa que o país Beta destina mais recursos para produzir bens de capital do que o país Alfa. Esta decisão fará com que no futuro.Prof. o país Alfa ou o país Beta. a capacidade de produção do bem A aumenta. possuem a mesma capacidade de produção. Analisando o gráfico. • Conclusão: como estes dois países estão destinando fatores de produção para produzir bens de capital. isto significa que o país Alfa destina mais recursos para produzir bens de consumo do que o país Beta. Bens de Capital Nova curva do país Beta. o mesmo deslocamento da curva de possibilidades de produção acontecerá. hipoteticamente. provocando um deslocamento da curva de possibilidades de produção apenas no ramo que representa o referido bem. que alocou menos de seus fatores para produzir bens de capital. então.3 – Quanto aos deslocamentos diferenciados da CPP Suponhamos. Como o segmento 0Bk é maior do que o segmento 0Ak. Como o segmento 0Ac é maior do que o segmento 0Bc. • Bens de Capital: o país Beta aloca de seus fatores de produção para produzir bens de capital o segmento 0Bk.

suponhamos as seguintes informações: Produção Produção Período Fator Fixo Fator Variável Produção do Produção do (terra) (mão-de-obra) Bem X Bem Y Marginal de X Marginal de Y (∆X) (∆Y) T0 150 ha 10 200 500 – – T1 150 ha 12 250 600 50 100 T2 150 ha 14 290 680 40 80 T3 150 ha 16 320 740 30 60 T4 150 ha 18 340 780 20 40 T5 150 ha 20 350 800 10 20 T6 150 ha 22 350 800 0 0 Como se pode observar. sucessivos aumentos de duas unidades adicionais. estes fatores de produção estariam apenas esperando por uma oportunidade de emprego. A título de exemplo. Ou seja. evitam uma queda no ritmo de produção das empresas. variando apenas o fator mão-de-obra. o fator de produção terra ficou constante em 150 ha. os incrementos verificados na produção dos bens X e Y. unidades extras e iguais de um fator de produção variável a uma quantidade fixa de um outro fator de produção. Cabe salientar que. sucessivamente. Como existe ociosidade. tanto a produção do bem X quanto à do bem Y foram aumentando. quando se está contratando funcionários. este fenômeno somente ocorre sobre a curva de possibilidades de produção.Prof. quando são acrescentadas. muitas empresas dão preferência à ex-funcionários que tenham sido demitidos em momentos de crise ou desaquecimento da economia. ao longo dos sete períodos de produção. À medida que a mão-de-obra foi experimentando período após período. Cleber Rentroia Bem B A 0 A A1 Bem A 8 – LEI DOS RENDIMENTOS DECRESCENTES A lei dos rendimentos decrescentes refere-se à quantidade decrescente de produção adicional que se obtém. quando todos os fatores de produção estão plenamente empregados. que é dado pela produção marginal de cada um deles. Com certa freqüência vemos na televisão que em momentos de recuperação econômica. _____________________________________________________________________________________________ 14 . só que a taxas decrescentes. Isso acontece porque esses ex-trabalhadores além de terem a necessária eficiência. Quando a economia está operando com capacidade ociosa é sempre possível alocar e incorporar fatores que operem com igual ou maior grau de eficiência. foram cada vez menores.

). significa que existe um sacrifício de unidades de produção do bem A. teatro. _____________________________________________________________________________________________ 15 . significando assim como seu custo de oportunidade. a cada expansão da produção do bem B. que se deixa de produzir para se obter um acréscimo da produção do bem W. de um fator de produção que ao longo de todo o período ficou constante. citado anteriormente. Em outras palavras.) • horário de almoço. Neste exemplo. medidos pelo custo de oportunidade. A tabela abaixo mostra o custo de oportunidade associado a cada uma das alternativas de produção dos bens Z e W Alternativas Produção de Z 12 11 8 4 0 Produção de W 0 20 37 48 50 Acréscimo na produção de W – 20 17 11 2 Custo de Oportunidade para produzir W (em termos de quantidade de Z) − 1 (12 − 11) 3 (11 − 8) 4 (8 – 4) 4 (4 − 0) A B C D E O custo de oportunidade é calculado em termos da quantidade do bem Z. Em nosso cotidiano. no caso específico. nessas circunstâncias os custos sociais. para aumentar a produção do bem B. • a novela das 8h. o fator de produção terra ia perdendo produtividade. haja vista que os decréscimos na produção do bem A. 9 – CUSTO DE OPORTUNIDADE Como foi discutido anteriormente. Cleber Rentroia Este fenômeno é explicado pela existência no processo produtivo dos bens X e Y. três unidades do bem Z deixam de ser produzidas (custo de oportunidade igual a 3). Cabe ressaltar que. Os acréscimos na produção de W serão sempre decrescentes. • atividades culturais (leitura. eliminando-os ou reduzindo-os. filhos etc. se utilizássemos o exemplo da produção dos bens A e B. em detrimento de reduções iguais ou cada vez maiores na produção de outro bem. No exemplo da produção dos bens A e B. foram sempre iguais a 50 unidades.). observa-se que para se produzir as primeiras 20 unidades de W é preciso sacrificar uma unidade do bem Z (custo de oportunidade igual a 1). ao se deslocar fatores de produção de uma alternativa de produção para outra. o custo de oportunidade significa a renúncia de determinados ganhos. • convívio familiar (esposa. sucessivamente. do bem que se deseja produzir mais. e assim.Prof. Um indivíduo decide praticar esportes para melhorar seu condicionamento físico. etc. as quantidades adicionais produzidas de um bem serão menores. Assim. Alguns de seus hábitos ou comportamentos ele terá que sacrificar. para se obter quantidades adicionais. como por exemplo: • o lazer (assistir televisão ou bater papo com os amigos no barzinho. serão crescentes. caso decida praticar esportes entre às 12 e 14h. à medida que o fator mão-de-obra experimentava aumentos iguais. Este custo é também conhecido como custo de oportunidade. a sua capacidade de absorver a mão-de-obra tornava-se cada vez menor. Esta situação permite inferir que. nos deparamos com muitas situações práticas e não econômicas de custos de oportunidade. cada vez menores. se tiver este hábito. e se decidir pela prática de esportes à noite. Assim. Seja o seguinte exemplo. para se produzir mais 17 unidades do bem W. ou seja. existe um custo cada vez maior medido em unidade do bem que se deixa de produzir. o custo de oportunidade seria constante. cinema. o fator terra. etc. em seguida.

sendo que as transações são realizadas utilizando-se como objeto de troca as mercadorias e serviços. e de outro. Não existem exemplos de monopólios privados. e o mercado externo desenvolvido entre as nações e entre os blocos econômicos regionalizados. de um lado. detinha o total controle na extração e refino de petróleo. interestadual.1 – Monopólio Puro 2.1. haja vista que a empresa monopolista produz um bem ou serviço que. existe uma variedade de mercados. conforme analisado na Unidade VI. que definem a estrutura de mercado em que atuam. financeiro. A diferenciação das estruturas de mercado baseia-se no estabelecimento de hipóteses e características. quanto em nível do objeto transacionado.1 – Número de Empresas: existe apenas uma empresa no mercado. e (ii) técnico. Nesse sentido. de fatores de produção e de tecnologia. _____________________________________________________________________________________________ 16 . que ocorre quando a produção através de uma única empresa é a forma mais barata de fabricar o produto ou serviço. quando é assegurado ao produtor a exclusividade no mercado. (vii) concorrência extra-preço. o mercado interno que pode ser: inter-regional. As trocas indiretas são realizadas mediante a utilização da moeda que um intermediário de troca. é normalmente indispensável para os consumidores. 2. (iii) concorrência perfeita. 2.1. e (iv) concorrência monopolística. abastecimento de água e esgoto. do desenvolvimento econômico verificado nas últimas décadas. Assim. e (viii) acesso ao mercado. como por exemplo. Cleber Rentroia UNIDADE III – ASPECTOS DE MICROECONOMIA 1 – CONCEITO DE MERCADO A instalação e a existência de um mercado se verifica quando ocorre a interação das duas forças que o compõem. As mais importantes formas de estrutura de mercado são: (i) monopólio puro. trata-se do comportamento das firmas em relação ao mercado. Em decorrência. não ocorrendo nenhum tipo de concorrência. (vi) controle de preços. O mercado funciona mediante a realização de trocas que podem ser de duas natureza: diretas ou indiretas. da disseminação e complexidade das transações realizadas entre os agentes que participam da atividade econômica. (iv) homogeneidade do produto. Os monopólios podem ser de duas naturezas: (i) legal. Em outras palavras. (iii) interdependência das empresas. (ii) número de compradores. A demanda é constituída pelos agentes econômicos que participam no mercado adquirindo algum bem ou serviço. de bens e serviços. intermunicipal e local. como por exemplo. tais como: (i) número de empresas. as transações são efetivadas tendo como objetos transacionados a moeda e as mercadorias e serviços. a Petrobrás – Petróleo Brasileiro S/A. está-se fazendo uma análise sob a perspectiva das firmas. ou seja. Quanto ao objeto transacionado. (ii) oligopólio. que definem a tipificação de cada uma das formas de mercado. As trocas diretas. que até 1998. enquanto que a oferta é formada pelos agentes econômicos que oferecem bens e serviços no mesmo mercado. não envolve o uso da moeda. geração e distribuição de energia elétrica. tipos de concorrência. 2 – ESTRUTURAS DE MERCADO Quando se estuda as diversas estruturas de mercado. em nível geográfico tem-se por exemplo. ou seja: a demanda e a oferta. estruturas de mercado são modelos que captam os aspectos inerentes de como os mercados são organizados.Prof. além de ser impossível a sua substituição. (v) substituição do produto. os mercados se difundiram e se diversificaram tanto em nível geográfico. ou seja. apenas de monopólios estatais.2 – Número de Compradores: existe um grande número de compradores. como por exemplo.

2. especialmente. 2. a empresa utiliza-se da propaganda para mostrar aos consumidores o seu porte e a sua importância e contribuição para o desenvolvimento do país. automobilístico. haja vista que a empresa monopolista opera sozinha no mercado. o que uma empresa fizer terá impacto sobre as demais.4 – Homogeneidade do Produto: não existe homogeneidade de produto. Entre essas práticas a mais conhecida é o cartel que é definida como uma organização formal ou informal de produtores dentro de um setor da economia. onde são estabelecidas quotas para os seus produtos. grande potencial de consumidores. A economia brasileira está repleta de exemplos de oligopólios em diversos setores. com a geração de empregos. tais como: transporte aéreo. 2.2 – Oligopólio 2. o produto que o monopolista produz é único no mercado. A propaganda que o monopolista realiza tem um caráter institucional. mesmo sendo uma empresa de monopólio estatal.1.3 – Interdependência das Empresas: não existe nenhum tipo de interdependência.1. eletrodomésticos.1. químico.3 – Interdependência das Empresas: por se conhecerem mutuamente e por se competirem entre si. 2.2.Prof. como por exemplo. ela não recorre a propaganda ou qualquer outro instrumento de marketing para promover seus produtos junto aos consumidores.4 – Homogeneidade do Produto: os produtos elaborados pelas empresas oligopolistas podem ser homogêneos. cimento. o controle de preços do monopolista é total. papel e celulose. etc. e (ii) com a intervenção do governo. ou seja. teve por diversas vezes os preços de seus produtos controlados pelo Governo Federal. ou seja.2 – Número de Compradores: é grande o número de compradores. é comum ocorrer entre essas empresas práticas conspirativas através da realização de acordos e conluios.2.8 – Acesso ao Mercado: é praticamente impossível o acesso de novas empresas no mercado. a OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo. 2. 2. bebidas.2.2. principalmente considerando que as empresas oligopolistas somente se instalam em países onde existam o que se denomina dimensão de mercado. pois o monopolista fará de tudo para ficar operando sozinho. principalmente considerando que a empresa opera sem nenhum concorrente no mercado. A Petrobrás. bebidas e automóveis. pois.6 – Controle de Preços: existem duas regras quanto à fixação de preços: (i) sem a intervenção do governo.7 – Concorrência extra-preço: pelo fato da empresa monopolista operar sozinha no mercado. que determina a política de preços para todas as empresas que o compõem. e diferenciados. Este é o tipo de estrutura de mercado que mais prevalece no mundo atual.5 – Substituição do Produto: o produto que a empresa monopolista elabora não tem nenhum substituto no mercado. recolhimento de impostos. alumínio e chapas de aço.1 – Número de Empresas: existe um pequeno número de empresas. como por exemplo.1. ou seja.1. Uma das formas que as empresas oligopolistas utilizam para preservarem sua parcela no mercado é a realização de acordos tácitos. as políticas de uma empresa afetam diretamente as outras empresas. 2.1. Cleber Rentroia 2. etc. 2. _____________________________________________________________________________________________ 17 . como exemplo. 2. siderúrgico. nas economias capitalistas. o preço é negociado entre a empresa monopolista e o governo. farmacêutico. Em decorrência do pequeno número de empresas operando no mercado.

nesse mercado há espaço para a concorrência. para os consumidores é totalmente indiferente adquirir os produtos de qualquer empresa. ou seja. as políticas adotadas por alguma empresa isoladamente. não há como ocorrer qualquer tipo de concorrência extra-preço. 2.1 – Número de Empresas: o número de empresas é extremamente grande que a saída e a entrada de novas empresas não altera o funcionamento do mercado. os oligopolistas procurarão impedir o acesso dessas empresas. o controle de preços do oligopolista é bastante elevado. Entretanto. 2.3. o que pode de certa forma prejudicar as grandes empresas que detêm uma parcela maior do mercado. 2. 2.3 – Interdependência das Empresas: em decorrência de um número extremamente grande de empresas. sendo que ela pode vender a quantidade que desejar ao preço estabelecido pelo mercado. a fixação de preços no oligopólio obedece a duas regras: (i) com a intervenção do governo.8 – Acesso ao Mercado: é difícil. Se o preço definido pelo mercado não for suficiente para gerar uma receita que permita a empresa pelo menos igualar a seus custos de produção.4 – Homogeneidade do Produto: os produtos são idênticos e substitutos perfeitos.3. o que não deixa de ser saudável para os consumidores. mas não impossível. Assim. Assim.5 – Substituição do Produto: existe um razoável grau de substituição. 2.6 – Controle de Preços: à exemplo da estrutura de monopólio. a concorrência extra-preço funciona no oligopólio.3 – Concorrência Perfeita 2. As empresas através de propaganda e da melhoria da qualidade de seus produtos podem buscar uma maior participação no mercado. O preço é definido pelos mecanismos de mercado. dado a existência de um pequeno número de empresas. Em outras palavras. pressionando o governo para que não autorize a sua instalação. o preço é dado a empresa.7 – Concorrência extra-preço: dado o relativo grau de diferenciação entre os produtos. dada essa premissa.3. a alternativa é a empresa abandonar o mercado.3.7 – Concorrência extra-preço: como os produtos são idênticos e substitutos perfeitos.2. Na hipótese do eventual ingresso de novas empresas no mercado. não influenciará as demais.2. 2.Prof. quanto aos produtos diferenciados. a substituição é perfeita.3. pode sair e entrar quantas empresas quiserem que o mercado continua funcionando sem nenhuma alteração. principalmente.5 – Substituição do Produto: como os produtos são idênticos. 2. 2.6 – Controle de Preços: nenhuma empresa isoladamente consegue controlar o preço.3. Em algumas situações ocorre uma guerra de preços entre as empresas.2.3. o preço é negociado entre as empresas oligopolistas e o governo. principalmente. pela demanda e pela oferta. e (ii) sem a intervenção do governo. Nesse sentido.2 – Número de Compradores: muito grande. Cleber Rentroia 2. nenhuma empresa isoladamente consegue impor o seu preço.2. 2. a ponto de que nenhum consumidor individualmente consegue reduzir o preço do produto. 2. _____________________________________________________________________________________________ 18 .

5 – Substituição do Produto: são substituíveis entre si.4.4 – Concorrência Monopolística 2. O oligpsônio ocorre quando existe no mercado poucos compradores de fatores/insumos de produção. a concorrência extrapreço se faz presente e funciona muito. que as empresas através de suas políticas assegurem para si.4. É importante ressaltar que. quanto aos fatores de produção. 2. Cleber Rentroia 2.Prof.4. 2.2 – Número de Compradores: grande número de consumidores/compradores. A disposição refere-se à vontade que os indivíduos têm de consumirem. haja vista que. as políticas adotadas por uma empresa não influencia as demais. mas não homogêneos. permitindo dessa forma.2 – Fatores Determinantes da Demanda A demanda de um consumidor por um bem qualquer. 2.1 – Conceito de Demanda A demanda é definida como sendo as várias quantidades que os consumidores estão dispostos e aptos a adquirirem aos diferentes níveis de preços.3.4. É importante ressaltar que.4. num determinado período de tempo. o setor automobilístico constituído por um pequeno número de empresas montadoras.6 – Controle de Preços: as empresas têm relativo grau de controle sobre os preços. a concorrência monopolística é um tipo de estrutura que se situa entre os extremos da concorrência perfeita e do monopólio.8 – Acesso ao Mercado: é completamente livre. 2. porém não comparável com o da concorrência perfeita.4. Um exemplo típico é o caso de uma única usina de pasteurização de leite que se instala numa determinada região e adquire toda a produção de leite daquela região. 2. mesmo existindo espaço para a concorrência. 3 – ANÁLISE DA DEMANDA 3.8 – Acesso ao Mercado: existe uma relativa facilidade de acesso de novas empresas.4. uma maior participação no mercado.7 – Concorrência extra-preço: pelo fato dos produtos serem semelhantes. e com elevado grau de substituição entre si. como por exemplo. Monopsônio é quando existe no mercado apenas um comprador de fatores/insumos de produção. enquanto que a aptidão refere-se à capacidade de compra de cada consumidor. 2. 2.1 – Número de Empresas: um grande número de empresas que concorrem entre si. que adquirem grande parte da produção das indústrias de auto-peças.4. _____________________________________________________________________________________________ 19 . 2.4 – Homogeneidade do Produto: os produtos são semelhantes.3 – Interdependência das Empresas: dada a existência de um grande número de empresas. existem dois tipos de estrutura de mercado: o monopsônio e o oligpsônio. o consumidor só irá adquirir aqueles bens cujo preço seja compatível com o seu orçamento. não existindo nenhuma restrição à entrada de novas empresas. 3. é determinada ou influenciada pelos seguintes fatores: • preço do bem (P): este é o fator mais importante.

Assim. • propaganda e marketing (P&M): a propaganda é um eficiente instrumento que as empresas têm a sua disposição para induzir os consumidores aumentar a sua demanda. todos os demais permanecem constantes. na iminência de uma possível quebra de safra agrícola. o que exige um conhecimento avançado de técnicas de cálculo matemático de funções com múltiplas variáveis. semelhanças em suas características básicas. Bens substitutos são aqueles que guardam entre si. Cleber Rentroia • nível de renda (R): a renda reflete a capacidade de compra do consumidor. isto pode levar no futuro a faltar óleo de soja no mercado. só que proporcionalmente mais do que o aumento da renda. e (iii) bens superiores ou supérfluos são aqueles que quando a renda aumenta a demanda também aumenta. • DM = dimensão de mercado. É importante ressaltar que. que significa. Bens complementares são aqueles que são consumidos conjuntamente. • P&M = propaganda e marketing. com a exceção de um fator.. na produção de soja. DM. Este de tipo análise é denominado de condição ceteris paribus. 3. os consumidores para fazer frente à falta desse produto. em termos matemáticos. • dimensão de mercado (DM): corresponde ao número de consumidores que participam no mercado de um bem ou serviço. café e açúcar. • PS = preço do bem substituto. • preços de outros bens (PS e PC): trata-se dos bens substitutos e complementares. e • PC = preço do bem complementar. Nesse caso. por exemplo. A relação entre a renda e a demanda por um bem pode ser direta ou inversa. a manteiga e a margarina. os bens em relação à renda têm a seguinte classificação: (i) bens normais são aqueles que quando a renda aumenta a demanda também aumenta. R. e refere-se às preferências inerentes de cada indivíduo no ato de consumo. • EX = expectativa quanto à evolução da oferta. procurarão formar estoques domésticos.3 – Função da Demanda A função da demanda é definida como sendo a relação funcional que se estabelece entre as quantidades demandadas (Qd) e os fatores que a determinam. PS e PC) Onde: • Qd = quantidades demandadas. Assim. P&M. como por exemplo. • R = nível de renda. como por exemplo. a realização de uma análise com todos os fatores variando ao mesmo tempo é extremamente complexa. Nesse sentido. Assim. se convencionou entre os estudiosos de economia analisar separadamente a influência que cada um dos fatores exerce sobre as quantidades demandadas (Qd). EX. • P = preço do bem. _____________________________________________________________________________________________ 20 . • gosto e preferência (G): este fator é de natureza psicológica e subjetiva. G. • expectativa quanto à evolução da oferta (EX): este fator está relacionado com as possíveis quebras de oferta que podem ocorrer na produção de qualquer bem. a função da demanda é definida como sendo: Qd = f (P.Prof. (ii) bens inferiores são aqueles que quando a renda aumenta a demanda diminui. • G = gosto e preferência.

existem consumidores que agindo de maneira totalmente irracional. Nesse sentido. Nesse ponto. as quantidades demandadas correspondentes são Qd0. adquirem ou compram mais de um bem. admite-se que o preço do bem (P) é o fator mais importante que influencia as quantidades demandadas. Em termos de representação gráfica tem-se: P D A P1 P0 B Qd A curva da demanda associa para cada nível de preço uma quantidade demandada correspondente. ou seja. é dada por: Qd = f (P) Onde: Qd = quantidades demandadas é a variável dependente. É importante ressaltar que. Assim. Cleber Rentroia A condição ceteris paribus é um recurso metodologicamente válido e largamente utilizado na análise econômica.Prof. ao preço P1 as quantidades que o consumidor irá demandar ou adquirir são iguais a Qd1. Assim. Se o preço diminuir para P0. e P = preço do bem é a variável independente. no ponto B do gráfico. contrariamente. quando o preço (P) diminui as quantidades demandadas (Qd) aumentam. os efeitos de cada um dos fatores sobre o sistema que é o objeto de estudo. isoladamente. Se o preço passar para P1. o princípio da demanda indica que: ↑ P ⇒ ↓ Qd ↓ P ⇒ ↑ Qd _____________________________________________________________________________________________ 21 . Resumindo. as quantidades demandadas aumentarão. pois. que ajuda a compreender e interpretar. este comportamento é de um consumidor racional. quando os seus preços estão subindo. O mesmo raciocínio vale para o ponto A. que são menores. pelo princípio da demanda quando o preço (P) aumenta as quantidades demandadas (Qd) diminuem. As variáveis preço (P) e quantidades demandadas (Qd) guardam entre si uma relação inversa. Assim. a função da demanda na condição ceteris paribus. ao preço P0.4 – Princípio da Demanda e a Curva de Demanda Conforme analisado. a função de demanda fica reduzida a: Qd = f (P) 3. num determinado período de tempo. o que é uma irracionalidade sob a perspectiva econômica. utilizando-se da condição ceteris paribus. as quantidades demandadas passarão para Qd1. passando para Qd0. mais elevado.

tomando-se como referência a curva de demanda D0 do gráfico acima. relativas à curva de demanda D0. o aumento na demanda se verifica quando a curva se desloca para D1. se o preço aumenta as quantidades demandadas diminuem. (ii) nível de renda.5 – Variação nas Quantidades Demandadas Foi analisado que cada ponto na curva de demanda indica uma combinação específica de preços e quantidades demandadas. Os fatores que determinam o deslocamento positivo da curva de demanda. a variação nas quantidades demandadas ocorre quando os pontos se deslocam e se movimentam ao longo de uma mesma curva de demanda. ou seja. É importante ressaltar que. (iii) gosto e preferência. a demanda é determinada por vários fatores. ou seja. ou seja. são os seguintes: • aumento real de renda: promove um aumento na capacidade de compra do consumidor. o preço P não sofreu nenhuma alteração. Como se pode observar. com o preço subindo. Para que o consumidor passe para o ponto B. (vi) dimensão de mercado. positivamente. quando comparadas com as quantidades demandadas Qd0. Cleber Rentroia 3. e se o preço diminui as quantidades demandadas aumentam. os pontos caminham ao longo de uma mesma curva de demanda. No ponto A. o preço não influenciou no deslocamento positivo da curva de demanda.6. haja vista que. se afastando da origem.Prof. o preço do bem tem que diminuir até P0.1 – Variação Positiva da Curva de Demanda A demanda por um bem aumenta quando a curva de demanda se desloca à direita. Nessa análise o preço do bem é que fica na condição ceteris paribus. com exceção do preço do bem. permanece constante. O gráfico acima ilustra essa situação. o preço P1 está tão elevado que o consumidor só adquire as quantidades Qd1. (iv) expectativa quanto à evolução da oferta. e (vii) preços dos bens substitutos e complementares. indicando um aumento nas quantidades demandadas Qd1. Assim. a variação na demanda ocorre quando a curva de demanda se desloca em toda a sua extensão positivamente ou negativamente. por exemplo. onde as quantidades demandadas Qd0 são maiores. tais como: (i) preço do bem. são corrigidos acima da taxa de inflação.6 – Variação na Demanda Conforme analisado. mas sim. _____________________________________________________________________________________________ 22 . (v) propaganda e marketing. Assim. 3. na mesma curva de demanda. Em termos de representação tem-se: P D2 D0 D1 B (–) ← → (+) C A P 3. tendo em vista modificações verificadas apenas nos níveis de preços. Isto significa dizer que. Análise semelhante pode ser feita passando do ponto B para o ponto A. sendo o mesmo para as diferentes quantidades demandadas. Assim. outros fatores. a renda só experimenta aumento real quando os salários. tendo em vista todos aqueles fatores. Em outras palavras.

a demanda se desloca positivamente. ou seja. Tal situação demonstra que o preço não teve nenhuma influência no deslocamento negativo da curva de demanda. • dimensão de mercado: cada curva de demanda representa o número de consumidores por determinado bem ou serviço. a demanda se desloca negativamente. Assim. • expectativa quanto à evolução da oferta: na eventualidade de faltar algum produto no mercado que seja indispensável para o consumidor. ingressando novos consumidores neste mercado. outros fatores. Cleber Rentroia • gosto e preferência: se um determinado bem proporcionar ao consumidor maior satisfação. refletindo uma queda nas quantidades demandadas Qd2. Um exemplo típico de bens substitutos é a carne bovina e carne de frango. ou seja. Os fatores que influenciam no deslocamento negativo da curva de demanda. Como o bem C é complementar de A. então o consumidor necessitará adquirir mais do bem C. • preços de outros bens: trata-se dos bens que guardam entre si uma relação de substituição e de complementação. quando comparadas com as quantidades demandadas Qd0.000 consumidores por um bem X qualquer. provocando dessa forma um aumento na demanda por aquele bem. Com a queda nas quantidades demandadas de A. • Os bens A e C são complementares. se aproximando da origem. sendo que a única diferença é a forma com que atuam. tem-se: • Os bens A e B são substitutos. • propaganda e marketing: a propaganda é um eficiente instrumento que as empresas têm a sua disposição para induzir os consumidores a aumentarem a sua demanda. são praticamente os mesmos que determinam o deslocamento positivo. _____________________________________________________________________________________________ 23 . gosto e preferência maior. gosto e preferência menor. tendo como referência a curva de demanda D0 do gráfico acima. negativamente. a redução na demanda ocorre quando a curva se desloca para D2. supondo que a curva de demanda D0 representa a demanda de 5.2 – Variação Negativa da Curva de Demanda A demanda por um bem diminui quando a curva de demanda se desloca à esquerda. o que provocará um deslocamento positivo da curva de demanda desse bem. a curva se desloca para D1.6. Diminuindo o preço do bem A. Um exemplo de bens complementares é o café e o açúcar. o preço P não sofreu nenhuma modificação. a sua curva de demanda positivamente. Assim. • gosto e preferência: se um determinado bem proporcionar ao consumidor menor satisfação. a tendência é do consumidor formar estoques. permanecendo no mesmo nível para as diferentes quantidades demandadas. relativas à curva de demanda D0. então. ou seja. as quantidades demandadas de A diminuem.Prof. o consumidor aumentará o consumo do bem B que é o seu substituto. Aumentando o preço do bem A. A redução real de renda. as quantidades demandadas de A aumentam. ocorre quando os salários são corrigidos por um percentual menor do que a taxa de inflação. tem-se: • redução real de renda: provoca uma queda na capacidade de compra do consumidor. 3. Da mesma forma que da análise anterior. Nesse sentido. Assim. mas sim. deslocando dessa forma.

Reduzindo o preço do bem A. • condições climáticas favoráveis (CL): este fator é de natureza exógena para o produtor. _____________________________________________________________________________________________ 24 . trata-se dos bens substitutos e complementares. Assim. o produtor não tem nenhum controle sobre as condições climáticas que podem afetar a produção. o que elevariam as vendas. a aptidão refere-se à sua capacidade de produzir. o IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados e o ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. 4. com o objetivo de reduzir os custos de produção. a demanda de 5. num determinado período de tempo. o que provocará um deslocamento negativo da curva de demanda desse bem. é determinada ou influenciada pelos seguintes fatores: • preço do bem (P): é o fator mais importante. o consumo do bem B que é o seu substituto diminui. haja vista que. como por exemplo. as quantidades demandadas de A aumentam. • impostos indiretos (II): são aqueles impostos que incidem no processo de produção e comercialização. principalmente em si tratando de produtos agrícolas. as quantidades demandadas de A diminuem. a saída de consumidores desse mercado. Contrariamente. isenção fiscal. enquanto que.Prof. Ou seja. deslocando a sua curva de demanda negativamente. se o preço de mercado estiver elevado. • nível tecnológico (T): inovações ou melhorias tecnológicas aumentam a produtividade e a quantidade de bens produzida. também pode afetar o sistema de produção e comercialização de bens e serviços. tais como: juros subsidiados. 4 – ANÁLISE DA OFERTA 4. o produtor estará disposto a oferecer mais de seu produto. Nesse sentido. Disposição refere-se à vontade que os produtores têm de oferecerem seus produtos.1 – Conceito de Oferta A oferta é definida como sendo as várias quantidades que os produtores estão dispostos e aptos a oferecerem aos diferentes níveis de preços. provocará o deslocamento da demanda para D2. A política tributária adotada pelo governo pode afetar a produção e a comercialização de bens e serviços. • preços de outros bens: de igual modo. • subsídios (SB): correspondem ao total de recursos que o governo repassa ao setor produtivo da economia. em espécie. Existem várias formas de subsídios. por exemplo. reduzindo dessa forma os custos de produção. com o aumento das quantidades demandadas de A. o produtor estará disposto a oferecer menos produto.2 – Fatores Determinantes da Oferta A oferta pelo produtor de um bem X qualquer. Aumentando o preço do bem A. se o preço estiver baixo. então o consumidor necessitará adquirir menos do bem C.. • Os bens A e C são complementares. então. A política de subsídios a exemplo da política tributária. Cleber Rentroia • dimensão de mercado: se a curva de demanda D0 representa. Como o bem C é complementar de A.000 consumidores por um bem X qualquer. etc. temos: • Os bens A e B são substitutos.

a realização de uma análise com todos os fatores variando simultaneamente. quando o preço (P) diminui as quantidades ofertadas (Qo) diminuem. CL.4 – Princípio da Oferta e a Curva de Oferta Conforme discutido. Desse modo. DM. • II = impostos indiretos. De igual modo. T.3 – Função da Oferta A função da oferta é definida como sendo a relação funcional que se estabelece entre as quantidades ofertadas (Qo) e os fatores que a determinam. • DM = dimensão de mercado. cada fator é analisado de forma isolada. 4. SMP) Onde: • Qo = quantidades ofertadas. contrariamente. utilizando-se da condição ceteris paribus. a análise da influência dos fatores que afetam as quantidades ofertadas é feita separadamente. Pode-se constatar que as variáveis preço (P) e quantidades ofertadas (Qo) guardam entre si uma relação direta. e P = preço do bem é a variável independente. a função de oferta fica reduzida a: Qo = f (P) 4. a função da oferta é definida como sendo: Qo = f (P. Este de tipo análise. Assim. conforme analisado anteriormente. é denominado de condição ceteris paribus. Nesse sentido. é dada por: Qo = f (P) Onde: Qo = quantidades ofertadas é a variável dependente. em termos matemáticos. exigindo avançado conhecimento de cálculo matemático. Pelo princípio da oferta quando o preço (P) aumenta as quantidades ofertadas (Qo) aumentam. • suprimento de matérias-primas (SPM): maior ou menor suprimento de matérias-primas pode afetar a oferta de bens e serviços. • CL = condições climáticas. • T = nível tecnológico. Em termos de representação gráfica. Assim. é extremamente complexa. II. • P = preço do bem. Cleber Rentroia • dimensão de mercado (DM): corresponde ao número de produtores de bens e serviços. tem-se: _____________________________________________________________________________________________ 25 . ou seja. e • SMP = suprimento de matérias-primas. SB.Prof. • SB = subsídios. admite-se que o preço do bem (P) é o fator mais importante que influencia as quantidades ofertadas. a função da oferta na condição ceteris paribus.

passando para Qo0. ou seja. a curva de oferta indica uma combinação específica de preços e quantidades ofertadas. (iii) condições climáticas. permanece constante. na mesma curva de oferta. Para que o produtor passe para o ponto B. Nesse sentido. onde as quantidades ofertadas Qo1 são maiores. num determinado período de tempo. as quantidades ofertadas correspondentes são Qo0. com exceção do preço do bem. os pontos caminham ao longo de uma mesma curva de oferta. Se o preço passar para P1. Análise semelhante pode ser feita passando do ponto B para o ponto A. com o preço diminuindo. (ii) nível tecnológico. as quantidades ofertadas também diminuem.Prof. Se o preço diminuir para P0. o preço do bem tem que aumentar para P1. No ponto A. 4. O gráfico acima que representa a curva de oferta retrata essa situação.5 – Variação nas Quantidades Ofertadas À exemplo da demanda. ao preço P0. as quantidades ofertadas também aumentam. e se o preço diminui.6 – Variação na Oferta A oferta de um bem é determinada por vários fatores. mais elevado. que são maiores. em decorrência de modificações verificadas apenas nos níveis de preços. por exemplo. se o preço aumenta. A variação na oferta ocorre quando a curva de oferta se desloca em toda a sua extensão positivamente ou negativamente. (v) subsídios. ou seja. em função de todos aqueles fatores. Nesse ponto. ou seja. o preço P0 está tão baixo que o produtor está disposto a oferecer as quantidades Qo0. (vi) dimensão de mercado. o princípio da oferta mostra que: ↑ P ⇒ ↑ Qo ↓ P ⇒ ↓ Qo 4. tais como: (i) preço do bem. Resumindo. ao preço P1. Em termos de representação tem-se: _____________________________________________________________________________________________ 26 . No ponto A. as quantidades que o produtor irá oferecer são iguais a Qo1. face que. as quantidades ofertadas passarão para Qo1. e (vii) suprimento de matérias-primas. uma variação nas quantidades ofertadas ocorre quando os pontos se deslocam e se movimentam ao longo de uma mesma curva de oferta. (iv) impostos indiretos. Isto significa dizer que. Ou seja. nessa análise o preço do bem é que fica na condição ceteris paribus. as quantidades ofertadas diminuirão. Cleber Rentroia P O P1 P0 A B Qo A curva de oferta associa para cada nível de preço uma quantidade ofertada correspondente. Raciocínio idêntico vale para o ponto B.

que as empresas aumentem as quantidades de bens e serviços produzidas. relativas à curva de oferta O0. uma parte do custo de produção dos bens e serviços é coberta com a transferência de recursos públicos para as unidades produtoras. quando comparadas com as quantidades Qo0.Prof. ou seja. Os fatores que determinam o deslocamento positivo da curva de oferta. as condições climáticas favoráveis contribuem para o aumento da oferta. • dimensão de mercado: o ingresso em um determinado segmento de mercado de novas unidades produtoras. contribuem para aumentar a oferta. tendo como referência a curva de oferta O0 do gráfico acima. aumentam a produtividade das empresas.2 – Variação Negativa da Curva de Oferta A oferta de um bem diminui quando a curva de oferta se desloca à esquerda. relativas à curva de oferta O0.1 – Variação Positiva da Curva de Oferta A oferta de um bem aumenta quando a curva de oferta se desloca à direita. • subsídios: políticas de subsídios ao setor produtivo. principalmente. tomando como referência a curva de oferta O0 do gráfico acima. o preço não influenciou no deslocamento positivo da curva de oferta. são os seguintes: • nível tecnológico: inovações e melhorias tecnológicas além de permitir redução dos custos de produção. uma redução na oferta ocorre quando a curva se desloca para O2. Semelhantemente à análise _____________________________________________________________________________________________ 27 . mas sim. haja vista que. em si tratando de produtos agrícolas. possibilitando dessa forma. Isto significa que. para uma expansão da oferta de bens e serviços. o aumento na oferta se verifica quando a curva se desloca para O1. • impostos indiretos: a redução dos impostos que incidem no processo produtivo desonera os custos de produção. indicando uma queda nas quantidades ofertadas Qo2.6. outros fatores. indicando um aumento nas quantidades ofertadas Qo1. quando comparadas com as quantidades ofertadas Qo0. Assim.6. permanecendo o mesmo para as diferentes quantidades ofertadas. positivamente. Cleber Rentroia P O2 (–) ← C P A O0 → (+) B O1 4. contribuindo dessa forma. o preço P não sofreu nenhuma modificação. ou seja. Como se pode constatar. contribui para a expansão da oferta de bens e serviços. permite um aumento na oferta. Assim. • condições climáticas: variável de natureza exógena. 4. • suprimento de matérias-primas: o incremento no fornecimento de matérias-primas às unidades produtoras. negativamente.

no qual é definido um ponto de equilíbrio.1 – Conceito de Equilíbrio de Mercado O equilíbrio de mercado ocorre quando as quantidades demandadas pelos consumidores (Qd) são iguais as quantidades ofertadas pelos produtores (Qo). Os fatores que determinam o deslocamento negativo da curva de oferta. ou seja. • suprimento de matérias-primas: problemas no fornecimento de matérias-primas às unidades produtoras. • subsídios: a retirada ou a diminuição de subsídios ao setor produtivo. preço de equilíbrio (Pe) e quantidades de equilíbrio (Qe). refletindo dessa forma. Ou seja: Qd = Qo Em termos gráficos. redundando numa diminuição das quantidades produzidas. • condições climáticas: condições climáticas desfavoráveis propiciam redução na oferta. diferenciando apenas na forma de impacto. definindo um único nível de preços que os consumidores estão dispostos a pagar. são os mesmos que determinam o deslocamento positivo. outros fatores. 5 – EQUILÍBRIO DE MERCADO 5. reduz a oferta. Cleber Rentroia anterior. tem-se: Pe D O A Pe Qe _____________________________________________________________________________________________ 28 . e os produtores dispostos a receber pelas mesmas quantidades transacionadas. Assim. • impostos indiretos: o aumento das alíquotas dos impostos que incidem na produção oneram os custos das empresas. numa diminuição da oferta. aumentam os custos de produção das empresas. mas sim. pode-se verificar que o preço P não sofreu nenhuma alteração.Prof. tem-se: • nível tecnológico: contrariamente as inovações e melhorias tecnológicas. encarecendo os custos de produção e perda de produtividade. faz com que oferta de bens e serviços diminua. a redução da oferta ocorre quando a tecnologia utilizada pelas empresa tornam-se obsoletas. o equilíbrio de mercado é dado pela intersecção das curvas de demanda e de oferta. Tal constatação evidencia que o preço não teve nenhuma influência no deslocamento negativo da curva de oferta. obrigando-as a repassarem para os preços. • dimensão de mercado: a redução do número de unidades produtoras. Assim.

caracteriza uma situação de desequilíbrio de mercado. configurando-se dessa forma. os consumidores estão dispostos a adquirirem as quantidades Qd1. Nessas circunstâncias. Nesse caso. ao passo que. haverá uma concorrência entre os produtores no sentido de reduzirem seus preços. Cleber Rentroia O ponto A do gráfico. de tal modo que. que pode ser por um excesso de demanda (ou escassez de oferta). Pelo princípio da demanda e da oferta. ao preço P2 os produtores estarão dispostos a oferecerem as quantidades Qo2. conforme gráfico abaixo. ao preço P1 os produtores estão dispostos a oferecerem as quantidades Qo1. _____________________________________________________________________________________________ 29 . é o ponto de equilíbrio do mercado. uma situação de desequilíbrio de mercado. os consumidores aumentarão as quantidades demandadas até que o equilíbrio seja novamente estabelecido. enquanto que as quantidades ofertadas aumentam passando para Qo1. que o preço diminua. suponha agora. os consumidores estarão dispostos a adquirirem as quantidades Qd2. Onde: • Pe ⇒ corresponde ao preço que os consumidores estão dispostos a pagar. com o preço mais elevado as quantidades demandadas diminuem passando para Qd1.Prof. Com o preço mais baixo. com a oferta maior que a demanda.2 – Excesso de Demanda Da mesma forma. e os produtores dispostos a vender ao mesmo preço (Pe). em que a demanda é maior que a oferta. Para que o mercado volte ao ponto de equilíbrio. caracterizando-se assim. partindo-se de uma situação de equilíbrio. ou por um excesso de oferta (ou escassez de demanda). enquanto que as quantidades ofertadas diminuem fixando-se em Qo2. e os produtores dispostos a receber pelas mesmas quantidades (Qe).1 – Excesso de Oferta Suponha que o mercado esteja em um dado momento em situação de equilíbrio. uma situação de desequilíbrio de mercado. que por uma razão qualquer o preço do bem aumente passando de Pe para P1. Pe D Excesso de Oferta P1 A Pe O Qe 6. Com isto. 6 – DESEQUILÍBRIO DE MERCADO Qualquer nível de preço diferente daquele que representa o de equilíbrio. enquanto que. passando de Pe para P2. Suponha ainda.e • Qe ⇒ corresponde as quantidades que os consumidores estão dispostos a comprar. realizem suas vendas. 6. as quantidades demandadas aumentam passando para Qd2.

Os consumidores de menor poder aquisitivo ficarão à margem do mercado. se dará com a concorrência que ocorrerá entre os consumidores de maior poder aquisitivo. por exemplo. isoladamente ou simultaneamente. com a exceção do preço do bem. em decorrência. que a curva de demanda se desloque positivamente de D0 para D1. ou em função de qualquer outro fator determinante. de possíveis modificações que possam ocorrer nos seus fatores determinantes. em decorrência. e com a demanda maior. aumento no gosto e preferência. conforme gráfico abaixo. ou seja. Suponha ainda. Pe D0 → Pe1 Pe0 A D1 O B Qe 0 Qe Qe _____________________________________________________________________________________________ 30 . as curvas de demanda e de oferta podem se deslocar positivamente e negativamente. o ponto de equilíbrio se desloca para o ponto B. Cleber Rentroia A volta para o ponto de equilíbrio. indicando um aumento no preço de equilíbrio de Pe0 para Pe1. modificará o ponto de equilíbrio do mercado. O.Prof. Pe D O A Pe P2 Excesso de Demanda Qe 7 – MUDANÇAS NO PONTO DE EQUILÍBRIO DE MERCADO Conforme discutido. que no intuito de consumirem o bem cuja oferta é menor. de aumento real de renda. até que o equilíbrio se restabeleça. Nesse sentido. 7.1 – Deslocamento da Demanda Suponha que o mercado do bem X esteja inicialmente em equilíbrio no ponto A. qualquer que seja o deslocamento da curva de demanda ou de oferta. pressionarão os preços para cima. Se a curva de oferta permanecer a mesma. estando o mercado em equilíbrio. e nas quantidades de equilíbrio de Qe0 para Qe1.

ou qualquer outro fator determinante. que está abaixo do ponto A. Em termos de representação gráfica. por exemplo. a nova intersecção dessas _____________________________________________________________________________________________ 31 . o ponto de equilíbrio se desloca de A para B. Cleber Rentroia A mesma análise pode ser feita com a curva de demanda se deslocando negativamente. conforme gráfico abaixo. a diferença é que o ponto de equilíbrio estará num nível mais elevado. a curva de oferta se desloque positivamente de O0 para O1. Isto acontece porque a curva de demanda se deslocando de D0 para D2. e com a oferta agora maior. Se a curva de demanda permanecer inalterada. o mesmo acontecendo com as quantidades de equilíbrio que se reduzem de Qe0 para Qe2.Prof. concessão de subsídios. Suponha que em conseqüência de. D. a nova intersecção dessas curvas será no ponto C. e a oferta não se alterando. inovações tecnológicas. O preço de equilíbrio diminui passando de Pe0 para Pe2. ou seja. A única diferença é que o equilíbrio será menor. À exemplo da demanda. e um aumento nas quantidades de equilíbrio de Qe0 para Qe1. a curva de oferta se deslocando de O0 para O2. redução de impostos indiretos. ou seja. aumento do número de unidades produtoras. aumento no fornecimento de matérias-primas. o ponto de equilíbrio se situará num nível mais baixo. haja vista que. tem-se: Pe D2 Pe0 Pe2 D0 O ← C A Qe 0 7. Qe Qe Pe Pe0 Pe1 D A → O0 O1 B Qe Análise semelhante pode ser feita com a curva de oferta se deslocando negativamente. indicando uma queda no preço de equilíbrio de Pe0 para Pe1.2 – Deslocamento da Oferta O mercado do bem X está equilibrado no ponto A. e a demanda permanecendo a mesma.

Assim. simultaneamente. Estando o mercado inicialmente equilibrado no ponto A. e com as alterações verificadas na demanda e na oferta. e as quantidades de equilíbrio menores passando de Qe0 para Qe1. com a curva se deslocando negativamente de O0 para O1. alterando dessa forma. o preço de equilíbrio é maior. Em termos gráficos. ressaltando. Cleber Rentroia curvas será no ponto C. reduzindo-se assim a oferta do bem. tendo em vista que. o deslocamento negativo da oferta foi maior que o deslocamento positivo da demanda. tem-se: _____________________________________________________________________________________________ 32 .Prof. enquanto que as quantidades de equilíbrio que se reduzem de Qe0 para Qe2. Por outro lado. neste último caso. à título de exemplo. suponha três diferentes situações em que ocorram modificações simultâneas das curvas de demanda e de oferta: (i) aumento real de renda e aumento nos impostos indiretos. Neste ponto.3 – Deslocamentos Simultâneos da Demanda e da Oferta Em decorrência de possíveis modificações em seus fatores determinantes. 1º Caso: o aumento real de renda desloca a curva de demanda positivamente passando de D0 para D1. as curvas de demanda e de oferta. tem-se: Pe Pe2 Pe0 D C ← O2 O0 A Qe 7. podem sofrer. que está acima do ponto A. e (iii) maior gosto/preferência e aumento de subsídios. tendo em vista que. uma elevação nas alíquotas dos impostos indiretos que incidem no processo produtivo onera os custos de produção. O preço de equilíbrio aumenta passando de Pe0 para Pe2. (ii) redução do número de consumidores e melhoria tecnológica. o equilíbrio de mercado passa para o ponto B. o poder de compra do consumidor é maior. que as curvas de demanda e de oferta se deslocam proporcionalmente. Graficamente. o ponto de equilíbrio de mercado. passando de Pe0 para Pe1. deslocamentos positivos ou negativos.

passando de Pe0 para Pe1. Graficamente. porque as curvas de demanda e de oferta se deslocaram no mesmo sentido. tem-se: _____________________________________________________________________________________________ 33 . passando de D0 para D1. Por outro lado. positivamente e na mesma proporção. com a curva se deslocando positivamente de O0 para O1. porque o deslocamento negativo da demanda. Nessas condições. provoca uma redução na demanda. ou seja. a oferta aumenta com a curva se deslocando positivamente de O0 para O1. o governo aumentando os subsídios ao setor produtivo. Melhorias tecnológicas aumentam a produtividade das empresas e reduzem os custos de produção. O preço de equilíbrio não sofreu nenhuma alteração. onde o preço de equilíbrio é menor. conforme o enunciado do caso. Com o mercado em equilíbrio no ponto A. o preço e as quantidades de equilíbrio diminuíram. Cleber Rentroia Pe Pe1 O1 B ← → A O0 Pe0 0 Qe1 D1 D0 Qe0 Qe 2º Caso: a saída de consumidores de um determinado mercado de bens ou serviços. o mesmo se verificando com as quantidades de equilíbrio que são menores. cobrindo dessa forma uma parte dos custos de produção. É importante destacar que. e considerando que as duas curvas se deslocaram positivamente e na mesma proporção. com o mercado equilibrado inicialmente no ponto A. passando de D0 para D1. expandindo dessa forma a oferta. a curve de demanda se desloca positivamente. o ponto de equilíbrio se desloca para o ponto B. e dadas as modificações ocorridas na demanda e na oferta.Prof. indicando apenas um aumento nas quantidades de equilíbrio que passaram de Qe0 para Qe1. foi maior que o deslocamento positivo da oferta. passando de Qe0 para Qe1. Em termos de representação gráfica tem-se: Pe D0 D1 A O0 → B ← Qe O1 Pe0 Pe1 0 Qe Qe 3º Caso: se o bem proporcionar ao consumidor maior gosto e preferência. o equilíbrio se altera passando para o ponto B. deslocando a curva negativamente.

Prof. segue que a elasticidade-preço da demanda é sempre negativa. A elasticidade-preço da demanda e da oferta fornece essa resposta numérica. dada uma variação percentual no preço do bem. tem-se: q1 − q 0 ∆q q0 ∆ %q qd η= = = p1 − p 0 ∆p ∆% p p p0 d Ou seja: η= p ∆q d ⋅ q d ∆p Como ∆qd/∆p é negativa (pela lei da demanda) e p e q são valores positivos. Cleber Rentroia Pe D0 D1 O0 → → Pe A B O1 0 Qe0 Qe1 Qe 8 – ELASTICIDADE-PREÇO DA DEMANDA E DA OFERTA Pela lei da demanda e da oferta. sabe-se que quando o preço de um bem aumenta. d Em termos de relação funcional. ou seja η . a resposta dos consumidores.1.1 – Elasticidade-preço da demanda 8. seu valor é usualmente expresso em módulo. Mede a sensibilidade. mas não a magnitude numérica que essas modificações de preços podem provocar nas quantidades demandadas e ofertadas. quando o preço de um bem diminui. quando ocorre uma variação no preço do bem ou serviço. Por essa razão.1 – Conceito É a variação percentual na quantidade demandada. as quantidades demandadas aumentam e as quantidades ofertadas diminuem. 8. as quantidades demandadas diminuem e as quantidades ofertadas aumentam. a elasticidade-preço da demanda e da oferta mede o grau de sensibilidade que os bens demandados e ofertados têm em relação à possíveis modificações de preços. Genericamente. Da igual forma. coeteris paribus. _____________________________________________________________________________________________ 34 . O que na verdade se conhece é apenas a direção e o sentido.

Neste caso. Exemplos clássicos: sal e açúcar. a variação nas quantidades demandadas é igual que a variação no preço. então η > 1. Cleber Rentroia 8. Neste caso. então η = 1. c) Demanda de Elasticidade Unitária ( η = 1): toda vez que ∆qd/qd = ∆p/p. e (iv) horizonte de tempo. a variação nas quantidades demandadas é menor que a variação no preço. o consumidor tem mais opções de consumo. um intervalo de tempo maior permite que os consumidores de determinado bem descubram mais formas de substituí-lo. quando seu preço aumenta. por alterações nos preços. trata-se de um produto cujos consumidores são bastante sensíveis à variação de preços. Ou seja. a demanda pode ser classificada como elástica.Prof. maior a elasticidade. d) Horizonte de Tempo: dependendo do horizonte de tempo de análise. Assim. enquanto uma caixa de fósforo tem η baixa. Exemplos: a carne tem η alta. pois. em relação a sua despesa total. o consumidor é muito afetado. que os consumidores são pouco sensíveis a variação de preços. mais inelástica sua procura. que o produto é sensível em relação à preços. Esse tipo de bem não traz muitas opções para o consumidor fugir do aumento de preços. então. indicando desta forma. 8. dentro de sua cesta de consumo. então η < 1. a demanda é considerada elástica. tem-se: a) Disponibilidade de Bens Substitutos: quanto mais substitutos. haja vista que. dado um aumento de preços.3 – Fatores que afetam a elasticidade-preço da demanda Os fatores que afetam o valor numérico da elasticidade-preço da demanda são: (i) disponibilidade de bens substitutos. maior a elasticidade-preço da procura. indicando desta forma. a demanda é considerada de elasticidade unitária. é dada pela proporção de quanto o consumidor gasta no bem.1. a demanda é considerada inelástica.1. quanto mais específico o mercado. haja vista que. quanto mais gasta com o produto. (iii) importância do bem no orçamento. Assim. Cabe observar que. como a elasticidade depende da quantidade de bens substitutos. haja vista que. Ou seja. c) Importância Relativa do Bem no Orçamento do Consumidor: a importância relativa. a variação nas quantidades demandadas é maior que a variação no preço. mais elástica a demanda. ou peso do bem no orçamento. b) Essencialidade do Bem: quanto mais essencial o bem. a) Demanda Elástica (η > 1): toda vez que ∆qd/qd > ∆p/p. (ii) essencialidade do bem. _____________________________________________________________________________________________ 35 . quanto maior o peso no orçamento. inelástica ou de elasticidade-preço unitária. b) Demanda Inelástica ( η < 1): toda vez que ∆qd/qd < ∆p/p.2 – Classificação da demanda de acordo com a elasticidade-preço De acordo com a elasticidade-preço. Neste caso.

dada uma variação percentual no preço do bem. por exemplo.2 – Elasticidade-preço da oferta 8. Mede a sensibilidade. Cabe observar que.3% ∆ % P ↑ 10% 8. diminuíram 3.33 d ∆p 120 5 3 q η= Como η = 0. a resposta dos produtores. Em termos de relação funcional. o mesmo cálculo pode ser feito do ponto A para o ponto B. Ou seja: η= ∆ % Qd ∆ % P = 0. Cleber Rentroia 8.3%. e com o η = 0.33 = ∴ ∆ %Qd = 0.1 – Conceito É a variação percentual na quantidade ofertada. tem-se: q1 − q 0 ∆q o q0 ∆%q qo φ= = = p1 − p 0 ∆p ∆% p p p0 o Ou seja: φ= p ∆q o ⋅ q o ∆p _____________________________________________________________________________________________ 36 .1. Utilizando a relação funcional.33. ou seja do ponto B para A. Assim.33. tem-se: p ∆q d 10 − 20 −1 ⋅ = ⋅ ⇒η = ou − 0. se o preço aumentar 10%.2. quando ocorre uma variação no preço do bem ou serviço.4 – Cálculo do coeficiente da elasticidade-preço da demanda Suponha o seguinte gráfico: P P1 = 15 P0 = 10 A B Q Qd1 = 100 Qd0 = 120 Calcular a η com o preço passando de p0 = 10 para p1 = 15. logo a demanda é inelástica.Prof. as quantidades demandadas (Qd). coeteris paribus.33 ⋅10 ⇒ ∆Qd =↓ 3.

humanos e de capital. eles podem encontrar diferentes graus de dificuldade para expandir a produção. Cleber Rentroia 8. b) Fator Tempo: independentemente da disponibilidade ou não de recursos. há casos em que a resposta de aumentar as quantidades ofertadas pode ser mais rápida. a variação nas quantidades ofertadas é menor que a variação no preço. dispondo-se a produzir mais. as quantidades ofertadas podem ser aumentadas. haja vista que. e (ii) fator tempo exigido no processo produtivo. a oferta é considerada elástica. a) Oferta Elástica ( φ > 1): toda vez que ∆qo/qo > ∆p/p. a oferta é considerada de elasticidade unitária. Neste caso. a oferta é considerada inelástica. naturais. por mais que os produtores se encontrem estimulados. _____________________________________________________________________________________________ 37 . Neste caso. há determinados produtos que exigem grandes intervalos de tempo para serem produzidos. haja vista que. definindo curvas de ofertas inelásticas. 8. Ocorrendo flexibilidade na oferta de fatores ou então ociosidade. tem-se: a) Disponibilidade de Fatores de Produção: embora os produtores possam sensibilizar-se com as variações para mais nos preços dos produtos. em função da disponibilidade de fatores produtivos. c) Oferta de Elasticidade Unitária ( φ = 1): toda vez que ∆qo/qo = ∆p/p.2. haja vista que.Prof.3 – Fatores que afetam a elasticidade-preço da oferta Os fatores que afetam o valor numérico da elasticidade-preço da oferta são: (i) disponibilidade de fatores de produção. inelástica ou de elasticidade-preço unitária. Em contrapartida. Mas situações de pleno emprego ou de oferta inflexível. no caso de estimulação via preços. torna inelástica a capacidade de oferta. Neste caso. então φ > 1. então φ = 1.2. então φ < 1. Assim. a oferta pode ser classificada como elástica. a variação nas quantidades ofertadas é maior que a variação no preço. b) Oferta Inelástica ( φ < 1): toda vez que ∆qo/qo < ∆p/p. a variação nas quantidades ofertadas é igual que a variação no preço.2 – Classificação da oferta de acordo com a elasticidade-preço De acordo com a elasticidade-preço.

ou seja do ponto B para A. dependendo do fator de produção utilizado em maior quantidade.4.Prof. logo a oferta é inelástica.4. aumentaram 4%. 4 o q ∆p 100 5 5 Como φ = 0. haja vista que. em produtos ou serviços para serem vendidos no mercado de bens e serviços. Assim. se o preço aumentar 10% e com o φ = 0. produção é o processo pelo qual uma empresa transforma os fatores de produção adquiridos no mercado de fatores. de capital intensivo e de terra intensiva. Utilizando-se a relação funcional. o mesmo cálculo pode ser feito do ponto A para o ponto B. a empresa é uma intermediária. Vale lembrar que. _____________________________________________________________________________________________ 38 .4 = ∴ ∆ %Qo = 0. Ou seja: φ= ∆ % Qo ∆ % Qo = 0. relativamente aos demais. tem-se: φ = p ∆qo 10 20 2 ⋅ = ⋅ ⇒ φ = ou 0 .4 – Cálculo do coeficiente da elasticidade-preço da oferta Suponha o seguinte gráfico: P O P1 = 15 A P0 = 10 0 B Qoo = 100 Qo1 = 120 Q Calcular a φ com o preço passando de p0 = 10 para p1 = 15. Nesse sentido.4 ⋅10 ⇒ ∆Qo =↑ 4% ∆ % P ↑ 10% 9 – TEORIA DA PRODUÇÃO 9. as quantidades ofertadas (Qo).1 – O Processo de Produção Do ponto de vista econômico. para em seguida vender os seus produtos/serviços ou outputs no mercado.2. combinando-os de acordo com o seu processo de produção. Cleber Rentroia 8. O processo de produção pode ser caracterizado de mão-de-obra intensiva. compra insumos ou inputs (fatores de produção).

representa a máxima produção possível. Assim. ao passo que a função de produção é um conceito mais físico ou tecnológico. então a função de produção se resume em: q = f(N) Nesse sentido. Cleber Rentroia 9. enquanto que os fatores de produção variáveis se alteram. A função de oferta é um conceito econômico.K) Como K é no curto prazo. Mp) Onde: • q = quantidade produzida/tempo. quando a produção varia. pode-se inferir que o nível de produto varia apenas em função de modificações no fator de produção mão-de-obra. com a variação da quantidade produzida. o conceito de função de produção é diferente do conceito de função de oferta. 9. _____________________________________________________________________________________________ 39 . pois relaciona a produção com os preços dos fatores de produção (custos). curto prazo é o período no qual existe pelo menos um fator de produção fixo. Por outro lado. e • T = área utilizada/tempo. A função de produção supõe que foi atendida a eficiência técnica.Prof. • Mp = matérias-primas/tempo. a função de produção é igual a: q = f(N. suponha uma função de produção apenas com dois fatores de produção: mãode-obra (variável) e capital (fixo). com a mão-de-obra.4 – Nível de Produção com Fator Variável e Fixo: Análise de Curto Prazo Simplificadamente. haja vista que. Isto é: Quantidade de produto = f (quantidade de fatores de produção) Ou seja: q = f (N. K. T. capital físico e as instalações da empresa são exemplos de fatores de produção fixo. É importante destacar que. enquanto que mão-de-obra e matérias-primas são exemplos de fatores de produção variáveis. ceteris paribus. • K = capital físico/tempo. 9. se refere à relação entre quantidades físicas de produto e fatores de produção. em determinado período de tempo. ao passo que longo prazo é o período no qual todos os fatores de produção sofrem variação. • N = mão-de-obra/tempo. capital e tecnologia utilizados.2 – Função de Produção Função de produção é a relação entre a quantidade física de fatores de produção e a quantidade física do produto. Do ponto de vista econômico.3 – Fatores de Produção Fixos e Variáveis no Curto e Longo Prazos Fatores de produção fixos são aqueles que permanecem inalterados. o fator de produção fixo ou constante. Ou seja.

75 3.8 2.4. Cleber Rentroia 9. Ou seja: PT = q b) Produtividade Média (PMe): é a relação entre o nível do produto e a quantidade do fator de produção. instalações. Produtividade Média e Produtividade Marginal a) Produto Total (PT): corresponde à quantidade total produzida.3 1. dada uma variação de uma unidade na quantidade do fator de produção. matérias-primas) variam. capital.Prof.4 2. Assim. em determinado período de tempo. _____________________________________________________________________________________________ 40 . tem-se as seguintes Produtividades Marginais: PMg N = ∆PT ∆Q = ∆N ∆N Produtividade Marginal da Mão-de-obra: PMg K = Produtividade Marginal do Capital: Suponhamos o seguinte exemplo: K 10 10 10 10 10 10 10 10 10 N 0 1 2 3 4 5 6 7 8 PT 0 3 8 12 15 17 17 16 13 ∆PT ∆Q = ∆K ∆K PMeN = PT N – 3 4 4 3. Assim.5 – Nível de Produção a Longo Prazo A análise da produção a longo prazo considera que todos os fatores de produção (mão-de-obra. em determinado período de tempo. para cada um dos fatores de produção. não existindo desta forma fatores de produção fixos. em determinado período de tempo.6 PMgN = ∆PT ∆N – 3 5 4 3 2 0 –1 –3 9. para cada um dos fatores de produção.1 – Produto Total. tem-se as seguintes Produtividades Médias: Produtividade Média da Mão-de-obra: PMe N = N Produtividade Média do Capital: PMeK = PT K PT (é o produto por trabalhador) c) Produtividade Marginal (PMg): é a variação do produto.

etc. Ou seja. despesas com matérias-primas.1 – Custos Totais a) Custo Variável Total (CVT): corresponde à parcela do custo que varia. a planta da empresa e os equipamentos de capital. Em outras palavras. depreciação. etc. Ou seja: CFMe = CFT Q Daí podemos inferir que: CTMe = CVMe + CFMe _____________________________________________________________________________________________ 41 . Ou seja: CVMe = CVT Q c) Custo Fixo Médio (CFMe): corresponde ao custo fixo total dividido pela quantidade produzida. Os custos de produção são assim classificados: 10. independentemente do nível de produção.. são os gastos com fatores fixos de produção. é o custo total dividido pela quantidade produzida. é a parcela dos custos da empresa que depende da quantidade produzida. tais como. a) Custo Médio (CMe ou CTMe): corresponde ao custo por unidade produzida.. Ou seja: CMe = CT Q b) Custo Variável Médio (CVMe): corresponde ao custo variável total dividido pela quantidade produzida. Ou seja: CFT = constante c) Custo Total (CT): corresponde a soma do custo variável total com o custo fixo total. como aluguéis. Em outras palavras. Ou seja: CVT = f(q) b) Custo Fixo Total (CFT): corresponde à parcela do custo que se mantém fixa. quando a produção varia. Ou seja: CT = CVT + CF 10.Prof. É também conhecido por Custo Unitário. Cleber Rentroia 10 – TEORIA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO A curto prazo alguns dos fatores de produção são fixos.2 – Custos Médios Correspondem aos conceitos de custos por unidade de produção. Exemplos: folha de pagamentos. quando a produção varia.

Ou seja: CMg = ∆CVT ∆Q _____________________________________________________________________________________________ 42 . Cleber Rentroia 10.3 – Custo Marginal Corresponde às variações de custo. Ou seja: CMg = var iação do CT ∆CT = var iação nas Q ∆Q Cabe observar que.Prof. como ∆CFT = 0. então os custos marginais não são influenciados pelos custos fixos. O custo marginal (CMg) é o custo de se produzir uma unidade adicional do produto. quando se altera a produção. que são invariáveis a curto prazo.

19ª ed. 1998. Fleury C. A.E.. 1ª ed. São Paulo: Atlas. Marco A & GARCIA. José P. 1996. Curso de Economia: Introdução ao Direito Econômico.. VASCONCELOS.. WESSELS. Questões e Exercícios. F.000. VICECONTI. SAMUELSON. 2000. Economia.. NUSDEO. São Paulo: Saraiva. P.. 2ª ed. Fundamentos de Economia. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2. 1982. 1996.. 2000. Paulo E. São Paulo: McGrawHill. VASCONCELOS.. D. Introdução à Economia. Cleber Rentroia Bibliografia Pesquisada CUNHA. Marco A & TROSTER.Teoria. Rio de Janeiro: Campus.. & NEVES.. (org. P.. São Paulo: Saraiva.. & NARDHAUS.Prof... Manuel E. 14ª ed. 2000. Rio de Janeiro: Forense Universitária. FERGUSON. N. Introdução à Economia. G. São Paulo: Makron. Marco A S. Manual de Economia. 1999. Diva B.). 1998. Introdução à Economia: Princípios de Micro e de Macroeconomia. 2000. 4 ª ed. WONNACOTT. São Paulo: Frase Editora. São Paulo: Atlas. R.V.... Silvério das. & VASCONCELOS. Introdução à Economia. Economia Básica: Resumo da Teoria e Exercícios. Economia. 1993. 2ª ed. 4ª ed. Lisboa: McGrawHill. C... W. MANKIW. Microeconomia. Microeconomia . L. São Paulo: Saraiva.. ROSSETTI. _____________________________________________________________________________________________ 43 . PINHO. Walter J.

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