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Sexo em Moscou

Quando eu comecei a passear meus dedos pela sua Marighelazinha, já ficando molhada, ela
teve medo e recuou na resistência
- Stálin, Stálin...
Mas depois quando viu meu Sputnik pronto a entrar em órbita exclamou, feliz da vida:
- Guevara, Guevara! Que Nikita mais Krushev!
Eu era os Sessenta e ela era a lunática Rainha Lunik-9. Me senti como se estivesse dando
um cheque mate no próprio Karpov. E como não era Fidel - e nem Castro - lambi a sua
Rosa de Luxenburgo e a linda Bolchevique gemia tesudinha.
- Ah, língua de seda maravilhosa! Me Lenine toda, meu bem! Me Lenine toda,
todinha!
Me arranhava as costas com suas unhas de mil caranguejos e sussurrava entre beijos.
- Marx, Marx...
E o colchão de molas rangia.
- Mao-tsé-Tung! Mao-tsé-Tung!
Me chamou de seu tesão, Maiakóvski do sertão, Engels azul do meio-dia, poeta do real sua
fantasia. Olhou fundo em meus olhos e disse
- Tu és o meu Brejnev...
E ficamos um tempão deitados num colchão de neve nos amando no intervalo entre uma e
outra... Greve!
Trotsky! Ela tinha uma bezerra gregoriana que deixava Lamarca's. E quando o êxtase
estava próximo de atingir o seu Máximo Gorki, quando estava Prestes a obter um orgasmo
dissidente, murmurou rangendo os dentes:
- Chove dentro de mim... Chove, chove, Gorbachev!

(Mano Melo)