ATUAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SERVIÇO SOCIAL E PSICOLOGIA

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

VOLUME I

Infância e Juventude

MANUAL DE PROCEDIMENTOS TÉCNICOS

Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo Desembargador Celso Luiz Limongi Biênio 2006-2007

Corregedor Geral da Justiça do Estado de São Paulo Desembargador Gilberto Passos de Freitas Biênio 2006-2007

Juiz Auxiliar da Corregedoria Geral da Justiça (Infância e Juventude) Dr. Reinaldo Cintra Torres de Carvalho Biênio 2006-2007

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Realização Núcleo de Apoio Profissional de Serviço Social e Psicologia Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo Secretaria de Recursos Humanos Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo

Coordenação Geral e Técnica Núcleo de Apoio Profissional de Serviço Social e Psicologia Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo

Equipe Técnica de Texto Ana Cristina Amaral Marcondes de Moura Denise Helena de Freitas Alonso Dilza Silvestre Galha Matias Evani Zambom Marques da Silva Márcia Machado Wightman Lopes Maria da Glória Rangel Gomes

Revisão Final Ana Cristina Amaral Marcondes de Moura Denise Helena de Freitas Alonso Dilza Silvestre Galha Matias Reinaldo Cintra Torres de Carvalho

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de Almeida Brito– assistente social – VIJ São Miguel Lucimaria Misso Rocha – psicóloga – VIJ – Penha Adriana Lúcia Folchi Amorim – assistente social – VIJ Penha Jéssica Mara Oishi – psicóloga – VIJ Itaquera Cássia Pauletti – assistente social – VIJ Itaquera Marineiva Benassi Serra Jorge – psicólogo – VIJ Tatuapé Eunice Castro da Silva – assistente social – VIJ Tatuapé Ana Maria Medeiros Santana – psicóloga VIJ Ipiranga Sônia Megumi Kumagai – assistente social – VIJ Ipiranga Ana Cristina Rosa – psicóloga – VIJ Pinheiros Maria Eliane Oliveira Santos – assistente social – VIJ Pinheiros 4 .psicóloga .psicóloga – VIJ Jabaquara Sandra Plumeri Santin – assistente social – VIJ Jabaquara Celso Caropreso Fogaça – psicóloga – VIJ Lapa Beatriz Aparecida da Silva Martins – assistente social – VIJ Lapa Mônica Sofia Toledo Zanotto – psicóloga – VIJ São Miguel Célia Maria L.Família Central Maria Luiza Camargo Quiroz – assistente social – V. Família Central Eurídice de Moraes Ralo – psicóloga – VIJ Central Eloise Silva Teles de Menezes – assistente social – VIJ Central Maria Costantini – psicóloga – Varas Especiais Francisca Diniz de Oliveira – assistente social – Varas Especiais Sonia Maria Motinho da Silva – psicóloga – VIJ Santana Marli Rodrigues da Silva – assistente social – VIJ Santana Célia Regina Cardoso – psicóloga – VIJ Santo Amaro Solange Rolo Silveira – assistente social – VIJ Santo Amaro Mara Regina Augusto .V.Colaboradores na Construção do Manual de Procedimentos Comissão de Chefias de Serviço Social e Psicologia – Capital Lídia Rosalina Folgueira Castro .

Rosa Bento Augusto psicóloga – VIJ São Miguel Eliana Teixeira Bin – assistente social – VIJ Penha Danuza Sgobbi Saes – psicóloga – VIJ Penha Mirian Vega da Silva – assistente social – VIJ Itaquera Eliane Rivero Jover – psicóloga – VIJ Itaquera Enny Boettcher – psicóloga – VIJ Tatuapé Nádia Maria Galli Luchi – assistente social – VIJ Ipiranga Sonia Maria Lara Morita – assistente social – VIJ Pinheiros Maria Cecília de Paula Magalhães – psicóloga – VIJ Pinheiros Clarinda Frias – assistente social – CEJAI Silvia Nascimento Penha – psicóloga . Toldo – assistente social – VIJ central Lucilena Vagostello – psicóloga – VIJ Central Guaraci de Melo Françoso – assistente social – VIJ Santana Maria Helena dos Santos – assistente social – VIJ Santo Amaro Márcia Rita Pauli – psicóloga – VIJ Santo Amaro Maria José de Oliveira Correa – assistente social – VIJ Jabaquara Selma Noemy Magueta Pares Janja – assitente social – VIJ Lapa Marisa Stefanelli de Aguiar e Silva – psicóloga – VIJ Lapa Ana Cristina Castro Santiago – assistente social – VIJ São Miguel Cristina R.Comissão de Estudo para controle e acompanhamento de Crianças e Adolescentes em Situação de Abrigo Sônia Maria O.CEJAI 5 .

Função dos profissionais que atuam em 1ª instância D 1 .Inserção dos Profissionais nas V.O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo B 1 .A Subordinação dos Profissionais de Serviço Social e Psicologia Organograma das Varas Privativas Organograma das Varas Cumulativas BIBLIOGRAFIA 32 33 33 35 36 40 41 41 43 6 .Dos Auxiliares do Juízo E .Do Juiz D 2 .Das Partes D 3 .J.I. e Família B 1 .O Serviço Social B 2 .SUMÁRIO PÁG INTRODUÇÃO 14 CAPÍTULO 1: O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO A .Considerações Iniciais B .Estrutura Organizacional C .A Psicologia B 3 .Da Especificidade das Varas de Infância e Juventude BIBLIOGRAFIA 19 19 20 22 25 25 26 27 27 29 31 CAPÍTULO 2: OS ASSISTENTES SOCIAIS E OS PSICÓLOGOS NO TJSP A .Dos Processos F .Organização Administrativa D .Considerações Iniciais B .Do Serviço Social e da Psicologia B 4 .

Considerações Iniciais B – Registros em Livros B 1 – Livro Ponto B 2 – Livro de Controle de Registro de Processo: recebimento e devolução de processos B3. C – Dos Processos FLUXO 58 59 60 63 7 .CAPÍTULO 3: O QUE É PRECISO SABER ADMINISTRATIVAMENTE PARA ATUAR NAS VARAS DE INFÂNCIA E DA JUVENTUDE A .Livro de Registro de Pessoas Interessadas em Adoção (CPA) B 4 – Livro de Registro de Crianças e Adolescentes em condições de ser adotados B 5 – Livro de Registro de Pessoas Atendidas sem Processo C – Fichas D – Planilha do Movimento Judiciário dos Setores Técnicos Registro Estatístico E – Relatório Anual F – Prazos G – Manuseio do Processo BIBLIOGRAFIA 45 45 46 47 48 49 50 51 52 52 54 56 57 CAPÍTULO 4 : O JUÍZO DA INFÂNCIA E JUVENTUDE Parte I A – Considerações Iniciais B – Competência do Juízo da Infância e Juventude.

Avaliação Social C 2 .Da atuação do Assistente Social e Psicólogo de acordo com as medidas de protetivas A – Guarda B – Tutela C – Abrigamento C 1 . 64 B – O Processo nas Seções Técnicas C – O Estudo Social D – O Estudo Psicológico FLUXO 67 68 70 73 1 .O Acompanhamento da Criança ou Adolescente Abrigado C 3 .Adoção FLUXO 8 93 96 99 101 102 105 108 109 112 113 . A .Desabrigamento FLUXO C 4 .Problemas de Comportamento 92 3.Considerações Iniciais B .Parte II – A atuação dos Assistentes Sociais e Psicólogos nos Processos da Infância e Juventude A – Considerações Iniciais.Formas de Violência Sexual CA Avaliação Social e Psicológica nos casos de vitimização 74 75 80 82 84 88 C 1 .Acompanhamento dos Abrigos D .Vitimização .Definição de Violência contra a Criança e Adolescente B 1 .Dos Cuidados com a Criança ou Adolescente Abrigado C2 .Avaliação Psicológica 2 .

Adoção por meio do CPA e Outras Modalidades A .A Criança que será colocada em família substituta: o trabalho necessário a ser desencadeado 129 133 FLUXO Parte II 1 .Adoção Unilateral 9 142 .Os Passos para localizar família substituta por meio do Cadastro de Pretendentes à Adoção (CPA) A A1 .A perícia social e a perícia psicológica no Processo Contraditório: destituição do poder familiar 124 126 D .A adoção por meio do Cadastro de Pretendente à Adoção (CPA): aproximação da criança e ou adolescente.A Suspensão e a Destituição do Poder Familiar C 1 .Adoção Intuitu Personae 141 D .Roteiro BIBLIOGRAFIA CAPÍTULO 5: ADOÇÃO 114 116 Parte I A .A Adoção Internacional: O trabalho que demanda e a Aproximação 137 C . cuidados técnicos para colocação em família substituta 134 135 B .Do Consentimento da Adoção 123 C .Considerações Iniciais 122 B .

Adoção Por Parentes 144 F .Outras Adoções Prontas 146 G .Adoção Inter-racial 150 2 .Cadastro de Pretendentes à Adoção (CPA) A.Adoção Tardia 148 I .Outras questões que versam sobre adoção: 147 H .O Estágio de Convivência O Acompanhamento do Estágio de Convivência 152 3 .E .Alguns Apontamentos para Avaliação dos Pretendentes Adoção por Parte dos Setores Técnicos à 1ª Fase 158 2ª Fase 160 FLUXO 166 BIBLIOGRAFIA 167 GLOSSÁRIO 173 10 .CPA: Regulamentação 156 B .

Essas causas judiciais multiplicam-se e nossos assistentes sociais e psicólogos. a dignidade da pessoa humana. que trazem dados relevantes para o deslinde da causa. inciso III.APRESENTAÇÃO A Constituição Federal. ainda não se 11 . 1º. então. 227 da mesma Constituição. pois. a importância da dignidade do ser humano. recebendo a criança e o adolescente proteção especialíssima. Vem. coloca. em primeiro lugar. técnica e uma dose de amor. que recém-ingressos no serviço público. Ressalta. pelos interesses da criança e do adolescente. São dramas pungentes que precisam ser resolvidos com inteligência. a exigir do magistrado plena dedicação no estudo da ação judicial que lhe é posta. ineditamente. em seu art. os destinos são incertos e conflitos familiares eclodem com muita facilidade e freqüência e desembocam na mesa de um juiz. a importância dos auxiliares do juízo. a ponto de poderem elaborar este “Manual de Procedimentos Técnicos” para assistentes sociais e psicólogos judiciários. trabalhando nelas tão intensamente. principalmente para aqueles. como um dos primados da República e do Estado Democrático de Direito. No entanto. o(a) assistente social e o (a) psicólogo (a). a qual precisa ser preservada desde a sua concepção e nascimento. adquiriram experiência e conhecimentos que os tornaram especializados na matéria. capacitando-os ao exercício de suas tarefas no dia-a-dia forense. como se infere do disposto no art. Os pareceres técnicos são fundamentais para que o magistrado decida com justiça e sempre zelando.

com o Núcleo de Apoio Profissional de Serviço Social e Psicologia do Tribunal de Justiça. A Corregedoria Geral da Justiça e a Secretaria de Recursos Humanos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. assim. dando. Celso Limongi Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo 12 . uma enorme contribuição para a consecução da Justiça e proteção da criança e do adolescente.familiarizaram com as questões e as soluções que possam ser encontradas. merecem aplausos pela publicação deste “Manual”.

e uma conseqüente melhor prestação jurisdicional. Tenho certeza de que esse Manual de Procedimentos será importante ferramenta de trabalho aos técnicos do judiciário. Esse “manual” deixa patente a qualidade do trabalho executado pelos técnicos do Núcleo de Apoio. que nele encontrarão caminhos para a boa prática de sua atividade profissional. em especial para aqueles que iniciam sua carreira junto às Varas da Infância e da Juventude. e consolida a sua importância na busca do aperfeiçoamento da atividade profissional dos Assistentes Sociais e Psicólogos Judiciários. GILBERTO PASSOS DE FREITAS Corregedor Geral da Justiça 13 .APRESENTAÇÃO Foi com grande satisfação que recebi os originais do “Manual de Procedimentos” para os Assistentes Sociais e Psicólogos Judiciários. trabalho minucioso que certamente irá auxiliar os Setores Técnicos do Judiciário Paulista a buscarem uma uniformização de procedimentos (sempre respeitada a sua autonomia técnica) que possibilitará a otimização dos trabalhos na área da infância e juventude. classe de servidores que a cada dia conquista mais respeito dos operadores do direito e está vendo reconhecida a importância de seus conhecimentos específicos para uma melhor prestação jurisdicional. Não é de hoje que a Corregedoria Geral da Justiça vem se preocupando com o aprimoramento técnico dos Assistentes Sociais e Psicólogos Judiciários.

ao contrário. auxiliando os Assistentes Sociais e Psicólogos Judiciários no início e durante o exercício de suas atividades. Procurou-se de um modo simples. Não Infracional) que hoje chega às mãos de todos os Assistentes Sociais e Psicólogos Judiciários do Estado de São Paulo é o resultado de uma proposta conjunta da Corregedoria Geral da Justiça e da Secretaria de Recursos Humanos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. mas com profundidade. Quando essa missão não é tão simples assim. Esse primeiro volume do Manual é fruto de um levantamento de atividades executadas pelos técnicos da área de Serviço Social e Psicologia junto às Varas da Infância e Juventude na área protetiva (não infracional). que tem por objetivo buscar o aprimoramento dos profissionais para que o trabalho seja o melhor possível. a vitória ganha status de conquista. procurou-se marcar a importância de sua missão dentro do Sistema Judicial de Garantia e Defesa dos Direitos da Criança e do 14 . mas. O Primeiro Volume do Manual de Procedimentos (Infância e Juventude – Área Protetiva. é sempre uma vitória. e indicar aquilo que seria de fundamental importância para que a prestação jurisdicional ocorra de forma mais célere e efetiva. apontar todas as atribuições carreadas a esses profissionais. Em momento algum se buscou tolher a liberdade profissional dos técnicos. materializada pelo Núcleo de Apoio Profissional de Serviço Social e Psicologia do Tribunal de Justiça.PREFÁCIO Concluir uma missão. por mais simples que ela possa parecer.

respeito e carinho que sempre dispensaram à minha pessoa. apontando caminhos e os objetivos a serem buscados dentro de suas atividades. Ana Cristina. executado pelas Assistentes Sociais e Psicólogos Judiciários que compõem o Núcleo. Tenho absoluta convicção que esse Manual será um marco para as atividades dos Setores Técnicos do Tribunal de Justiça. de alto nível. REINALDO CINTRA TORRES DE CARVALHO Juiz Auxiliar da Corregedoria Geral da Justiça 15 . Dilza. Não poderia deixar de aproveitar a oportunidade para deixar de público meu agradecimento às Assistentes Sociais e Psicólogas Judiciárias (Evani. Denise.Adolescente. O Manual representa um trabalho de fôlego. Márcia e Glória) e Escreventes (Flávia e Luzia) que compõem o Núcleo. profissionais que representam o que de melhor possui o Tribunal de Justiça nessa área do conhecimento. pois possibilitará uma convergência dos diversos procedimentos até agora adotados nas unidades judiciárias do Estado. e pelo exemplo de profissionais que são. Promotores de Justiça e Advogados possam entender e melhor aproveitar o importante trabalho que é executado pelos Assistentes Sociais e Psicólogos Judiciários. bem como será importante instrumental para que Magistrados. pelo apoio.

após o material pronto. Assim como os assistentes sociais e psicólogos ampliem seu entendimento sobre o papel dos demais membros que compõe o Poder Judiciário e com que mantêm uma interface direta. Espera-se que o presente trabalho esclareça melhor os magistrados sobre os propósitos destes que são auxiliares da justiça. trata dos procedimentos gerais e específicos empregados no cotidiano destes técnicos. Este trabalho (Volume I .Manual de Procedimentos da Vara da Infância e da Juventude) tem a intenção de apresentar a prática desenvolvida por assistentes sociais e psicólogos no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e apontar parâmetros mínimos para a atuação destes profissionais. Inicialmente. em curto espaço de tempo. sobretudo. O primeiro capítulo preocupou-se em situar o leitor em relação à instituição em que ele irá trabalhar ou já trabalha. É importante salientar que as questões trazidas são alinhadas com o Estatuto da Criança e do Adolescente. serão lançados o Volume II – Manual de Procedimentos Técnicos na Área da Família e Sucessões e Cíveis e o Volume III – Atuação na Área do Adolescente Autor de Ato Infracional. Entretanto. apresentada em linguagem objetiva e clara. Para tanto. imaginou-se que esse mesmo volume sintetizaria as práticas desenvolvidas nas esferas das Varas de Família e Cíveis e com adolescentes infratores. a obra. 16 .INTRODUÇÃO Esse trabalho tem a intenção de apresentar a prática desenvolvida por assistentes sociais e psicólogos que atuam. Portanto. de Ética das profissões e as Normas de Serviços da Corregedoria Geral. nas Varas da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e se constitui no Volume I do Manual de Procedimentos Técnicos. compreendeu-se que deveria ser dedicado um volume para cada uma destas temáticas.

E, de maneira breve, abordou a estrutura organizacional e administrativa do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, a 1ª Instância da Justiça e a função dos profissionais que nela atuam, além dos processos e da especificidade das Varas de Infância e Juventude. Intitulado Os Assistentes Sociais e Psicólogos no Tribunal de Justiça de São Paulo, o segundo capítulo recuperou, de maneira breve, a inserção dos assistentes sociais e psicólogos na instituição, seus novos campos de atuação e sua subordinação administrativa. O terceiro capítulo - O que é preciso saber administrativamente para atuar nas Varas de Infância e Juventude - atualiza os profissionais sobre as Normas da Corregedoria Geral da Justiça e aborda a importância de manter nas seções registros específicos. Em razão de sua complexidade, o capítulo quarto é dividido em duas partes e abordou O Juízo da Infância e Juventude e a sua competência. A primeira tratou da competência do Juízo, do ingresso de ações e dos aspectos processuais onde estão presentes complexidades que exigem a participação de outros profissionais para buscar compreender as

particularidades do humano-social. Foi abordada na Parte II a função dos profissionais nas diferentes questões que devem atuar e concentra-se na intervenção nos casos por meio Estudo Social e do Psicológico.Tratou também a respeito de Vitimização e os Problemas de Comportamento, pois se considerou importante tocar nessas questões que exigem a intervenção do Juízo da Infância e Juventude. Ao tratar de cada uma das questões, seja como problemática ou como uma medida solicitada, procurou-se pensar o que o profissional de Serviço Social deve estar atento em seu estudo, e o que o psicólogo deverá enfatizar em sua avaliação, garantindo-se com isso as especificidades de cada caso. Ressaltou-se a importância das discussões interdisciplinares para encontrar a melhor solução para a criança, o adolescente e a família, bem com a necessidade de interlocução com diferentes setores de prestação de serviço. O último capítulo trata da Adoção. Na 1ª Parte ancorada na legislação, abordou-se o consentimento dos pais pela adoção; bem como a 17

suspensão ou destituição do poder familiar, a perícia social e psicológica nestas ações. Tratou-se ainda das questões ligadas à criança que será colocada em família substituta e do trabalho técnico exigido. A Parte II mostrou as diferentes formas que podem ocorrer a

adoção, a aproximação da criança e do adolescente, os cuidados técnicos para a colocação em família substituta, o estágio de convivência e o cadastro de pretendentes à adoção. Esperamos que esse material auxilie as práticas profissionais voltadas para ações consistentes e conseqüentes, inspiradas nas premissas do Código de Ética das Profissões e, portanto, voltadas para a garantia dos direitos e a cidadania.

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CAPÍTULO 1

O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

A - CONSIDERAÇÕES INICIAIS

É de fundamental importância que todos os profissionais que atuam em uma instituição conheçam seus objetivos e, minimamente, sua estrutura administrativa e a organização do trabalho. Ao se apropriar desse campo, ciente do lugar que está inserido, o assistente social e o psicólogo, se alicerçados devidamente no campo teóricometodológico e ético, poderão vir a desenvolver ações que efetivamente contribuam para assegurar direitos.

B - O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

O Estado foi concebido no século XVIII por um aparato que conta com os três Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. A constituição brasileira de 1891, que adotou o modelo republicano, evidenciou a separação dos Poderes, assegurando autonomia e independência. (Dallari: 1996, p. 99). As demais constituições como a de 1988 mantiveram essa condição. O judiciário tem como função precípua à distribuição da justiça, por meio da resolução dos conflitos surgidos na sociedade e concretizados em ações, que são discutidas em juízo. 19

até 2006. Nos Estados o Poder Judiciário organiza-se em Tribunais. sobretudo no interior de São Paulo. definindo-se vez por todas que não é de competência dos assistentes sociais do Tribunal de Justiça à realização de estudo em matéria previdenciária1. que assistentes sociais. 26 de julho de 2006. Capítulo III. O Tribunal de Justiça de São Paulo é composto por 360 desembargadores. Para se ter uma idéia da forma que suas decisões interferem diretamente na prática profissional. O Conselho Superior da Magistratura é o órgão responsável por apreciar matérias e definir questões de importância geral para todo o Poder Judiciário. secretariados pelo primeiro Vice-presidente. Excelência. atuassem em processos previdenciários. denominando-se Egrégio e seus membros. art. cita-se o seguinte exemplo: Era recorrente. Ele é gerido por um Presidente que é eleito como o Vice-Presidente e o Corregedor Geral da Justiça por todos os desembargadores para um mandato de 2 anos. conforme dita a Constituição Federal.B 1 . 92. O Regimento Interno do Tribunal de Justiça regula a forma de tratamento que deve ser oferecido a todos os órgãos que compõe a cúpula do Tribunal. O Tribunal de Justiça de São Paulo tem jurisdição sobre todo o estado. D. não obstante desde 25/02/2004 já existisse determinação do Presidente do Tribunal de Justiça no sentido de não ser de responsabilidade desses profissionais assumirem esses estudos.J. O Presidente.ESTRUTURA ORGANIZACIONAL A organização judiciária divide-se em dois sistemas: Justiça Federal e Justiça Estadual. 1 Comunicado nº 67/2006 do Conselho Superior da Magistratura. o Vice-presidente e o Corregedor Geral da Justiça. constituem o Conselho Superior da Magistratura. Essa situação foi encaminhada ao Conselho. que reiterou parecer anterior.O. 20 .

Após a sentença. ele conta com uma equipe constituída de juízes assessores e auxiliares. Todos os julgamentos em 1ª e 2ª instância são públicos e suas decisões devem ser fundamentadas.Os juízes de primeiro grau são os responsáveis em processar e julgar ações em primeira instância. Caso contrário. a presença é limitada às partes e aos seus advogados. para isso. Eles emitem seus votos. Em determinados atos. por desembargadores. mantendo ou não decisão prolatada em primeira instância. A Corregedoria Geral da Justiça é o órgão fiscalizador e normatizador dos procedimentos técnico-operacionais do Judiciário. que conta em seu quadro com um assistente social e um psicólogo. e o Núcleo de Apoio Profissional de Serviço Social e Psicologia. o processo será julgado novamente. só que. quando se tratar de situações que seja fundamental preservar o direito à intimidade do interessado. O Corregedor tem a função de fiscalizar o andamento dos ofícios de Justiça. são especializados por área do Direito e responsáveis em oferecer Pareceres ao Corregedor. além de proceder às correições. criado em junho de 2005 pela Portaria nº 7243/05. que se dividem em Câmaras. Nesse caso. ação que se faz por meio de correição e. A decisão em segunda instância é chamada de ACÓRDÃO. dessa vez. (Constituição Federal. 21 . podem ser dadas como nulas. É de responsabilidade da Corregedoria também a Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional – CEJAI. ela tem o direito de ingressar com recurso em segunda instância. As Câmaras são formadas por um colegiado de desembargadores. artº 93). caso uma das partes não concorde com a decisão do julgamento. que.

SPI A seguir. apresentamos o organograma da instituição: 22 .ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA Os membros da cúpula do Tribunal de Justiça e as Secretarias encontram-se sediadas na cidade de São Paulo. São elas: Secretaria Judiciária – S.C .SOF Secretaria de Administração .J. As Secretarias são responsáveis em oferecer o suporte necessário ao funcionamento da instituição.SRH Secretaria de Tecnologia e Informática – STI Secretaria de Primeira Instância . Secretaria de Orçamento e Finanças .SAD Secretaria de Recursos Humanos .

P R E S ID Ê N C IA E sco la P a u lista da M ag istra tu ra D ec an o C o rre ge do ria V ice P res id ên cia P res id ên cia da S e ção C rim in a l P re sid ê ncia da S e çã o de D ire ito P úb lico P resid ên cia d a S e ção d e D ire ito P riva do J uíze s A sse sso re s Juíz es A ux iliares A sse sso ria P lan e ja m e n to G estã o A sse sso ria d e C o m un ic açã o In stitu cio na l G a b in e te C ivil N úc le o de A p oio P ro fis sion al d e S erviço S oc ia l e P sic olo gia C E JA I C e rim o n ia l e R e la çõ es P ú blicas G a bin ete C rim in a l O u vido ria Juízes na P re sidê n cia A p oio ao s D ese m ba rg a do re s D ire to ria d e E xe cu çõe s de P rec ató rio s D ireto ria da M a gistratu ra S ecretaria Ju diciária S e cre taria d e O rça m en to s e F ina n ças S e creta ria de A d m in is tra ção S ecreta ria de R e curso s H u m a no s S e creta ria de T ec no log ia d e In fo rm aç ão S e cre ta ria d e P rim eira In stâ n cia 23 .

Grinover e Dinamarco. psicólogos e magistrados em questões atinentes a área técnica. 2007. p. o território do Estado de São Paulo está dividido em comarcas. Essa vinculação delimita a área que o profissional pode atuar. A capital é classificada em entrância final. Além de normatizar e padronizar os procedimentos técnicos. constituída. cada uma delas da reunião das comarcas contíguas da mesma região. diretamente vinculados ou subordinados. em termos das questões técnicooperacionais.. entrância intermediária e entrância final. tem procurado assessorar assistentes sociais.].205) O Estado de São Paulo é composto por 56 Circunscrições e 338 comarcas e.. segundo os autores acima citados. A classificação é feita segundo os critérios do movimento forense. (Cintra. levando-se em conta ainda as condições de auto-suficiência e de bem-estar necessárias para a moradia de juízes e demais servidores da justiça [. uma das quais será a sua sede. p. No Tribunal de Justiça não há na organização um setor em que Serviço Social e a Psicologia estejam. população. número de eleitores e receita tributária..206) Os assistentes sociais e psicólogos do judiciário paulista estão distribuídos em diversas comarcas.]. Grinover e Dinamarco (2007). As comarcas do interior estão divididas em circunscrições judiciárias. que se vinculam a comarca sede de circunscrição. Atualmente são vinte-e-sete as comarcas de entrância final.. o Núcleo de Apoio Profissional de Serviço Social e Psicologia. 2007. cinqüenta-e-oito as de entrância intermediária e duzentas-e-cinquenta-e-três as de entrância inicial (Cintra. criado pela Portaria 7243/2005. bem como as comarcas mais importantes do interior [. as comarcas são classificadas em 3 entrâncias: entrância inicial.Segundo as lições de Cintra. Grinover e Dinamarco. 24 . Desde agosto de 2005. A comarca da Capital é dividida em foro central e 15 foros regionais. Cada comarca abrange um ou mais municípios e distritos.

No decorrer do andamento do processo. Esses atos são denominados de despachos de mero expediente. ele manifesta-se para ordenar o processo. O processo pode ter algumas questões que se definem antes do julgamento final. concretizando o encerramento deste. A esse ato diz-se que o juiz chegou a uma decisão. o acompanhamento dos passos e dos atos de desdobramento.FUNÇÃO DOS PROFISSIONAIS QUE ATUAM EM PRIMEIRA INSTÂNCIA D 1 . petições. ele próprio. O juiz de direito preside o processo. sempre em conformidade com as Normas da Corregedoria. O magistrado busca aproximar-se da verdade dos fatos e deve sopesar todos os ângulos da questão trazida e. Aprovado no concurso. No caso de serem verificadas incorreções. mandando juntar documentos. à luz da doutrina do Direito.D . provocar ações para resolução de determinado conflito. podendo até aplicar sansões no caso de se tratar de conduta do servidor. com os Provimentos e Portarias que definem a conduta a ser adotada. A sentença ocorre quando há o julgamento do processo. não sendo possível. a instrução processual. O juiz de uma Vara também é o Corregedor Permanente. As correições podem ocorrer a qualquer tempo ou 25 . o Juiz de Direito investe-se do cargo o qual lhe confere a função de conhecer e julgar o processo. A Constituição Federal regula o ingresso dos magistrados por meio de concurso público. cabe ao juiz empreender ações que as corrija. Ele somente poderá decidir sobre o que lhe é trazido a conhecimento.DO JUIZ Os juízes de direito que atuam em primeira instância são os de primeiro grau. Ele tem a atribuição de acompanhar os procedimentos que estão sendo empregados e a lisura destes. uma vez que o judiciário é inerte. encontrar a melhor alternativa ao conflito. definindo datas. cabe a ele a supervisão. tendo cada Tribunal autonomia para a realização de concurso em seu Estado.

os promotores de justiça não fazem parte da magistratura. que são regulados no Titulo V. “orientar. O Ministério Público tem a responsabilidade de acompanhar o processo. É o profissional legalmente habilitado a. Portanto. advogados e defensores públicos que representam as partes.C. Os Conselhos Tutelares mantêm uma interface com a justiça da infância e são responsáveis por encaminhar os casos que exigem a interferência judicial (artº 136 § V. do E. A elas correspondem atas específicas que ficam registradas em livros próprios. (art° 127 da Constituição Federal). requerimentos.previamente agendadas. É reconhecido como essencial à função jurisdicional do Estado. segundo Cintra.A. do Estatuto da Criança e do Adolescente.). do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. bem como a defender-lhes os direitos e interesses em juízo ou fora dele” (p. aconselhar e representar seus clientes. etc. Grinover e Dinamarco (2007). Mais adiante será detalhada a função que o promotor assume na área da infância e juventude. capítulos I e II.DAS PARTES De modo geral. D 2 . cabendo a ele a defesa da ordem jurídica. 26 . Também se identifica na área da Infância e Juventude os Conselhos Tutelares. Aos advogados cabe representar as partes por meio de manifestações como petição inicial. Importante assinalar que a Constituição Federal estabelece ao Ministério Público autonomia funcional e administrativa. possuindo o papel fundamental de fiscal da lei. as ações são ajuizadas por promotores de justiça. contestação. 237). não sendo este órgão pertencente ao Poder Judiciário.

ele foi. como intimação. E . processo significa “marcha avante ou caminhada” (do latim. Dinamarco e Grinover (2007). Por isso. citações.D 3 . etc. Cabe aos funcionários do cartório a manutenção de um livro de carga que evidenciará a saída e a devolução do processo.DOS PROCESSOS Do ponto de vista etimológico. guarda e o cumprimento de atos determinados pelo juiz.DOS AUXILIARES DO JUÍZO O Cartório constitui-se em uma equipe que é coordenada pelo Diretor/Escrivão. cumprindo mandados. Os cartorários. Um rigoroso sistema deve ocorrer de forma a garantir que os processos sejam guardados. quando se tratar de ato específico do setor. apontando o registro do recebedor. são escreventes e responsáveis pela formação. confundido com a simples sucessão de atos processuais (procedimento). Os assistentes sociais e psicólogos também compõem os serviços auxiliares da justiça. 27 . busca e apreensão. sendo reservada apenas a convocação para entrevistas. O oficial de justiça faz parte do quadro de profissionais que auxiliam o juiz. segundo Cintra. subsídios ao magistrado através de estudos específicos. Alguns juízos da infância e juventude contam com um corpo de voluntários que também colaboram no cumprimento de algumas medidas. seguindo os prazos que acompanham o andamento processual. Estes estudos são transformados em relatórios/laudos e irão compor o processo. Ressalta-se que não é atribuição deles a entrega de intimação ou citação. em sua maioria. Ele tem a responsabilidade da execução de atos que ocorrem fora do recinto cartorário. além de parecer em audiência. procedere= seguir adiante). Eles são responsáveis por oferecer.

procedimento e autos. De modo geral. Cabe ao juiz garantir o contraditório. Os orais são reduzidos a termos. objetivando eliminar conflitos e fazer justiça mediante a atuação da vontade concreta da lei. no caso da sentença.Ainda pelos autores citados. Conforme mencionado anteriormente. as decisões e as sentenças prolatadas pelos juizes de primeira instância podem sofrer contestação por meio de recursos denominada agravos no caso das decisões e por apelação. eliminando irregularidades) instrução ( coleta de provas) julgamento ( sentença) As fases de um processo não se apresentam estanques. Ministério Público e perito. o processo é indispensável à função jurisdicional. transformados na forma escrita como o que ocorre na audiência com o depoimento de uma testemunha. partes (inclui-se o advogado). O processo tem quatro fases distintas: • • • • Postulação (pedidos da parte) saneamento ( limpeza do processo. os atos são encontrados por escrito. o autor ofereça também provas. Os atos praticados dentro de um processo são denominados como atos processuais e realizados pelo juiz. por definição. Terminológicamente é muito comum a confusão entre processo. o instrumento através do qual a jurisdição opera. ao postular um direito. 28 . sendo. escrivão. Preserva-se que todos tenham conhecimento das provas oferecidas e das alegações feitas por todos. Assim. procedimento é a organização dos atos processuais de acordo com as normas jurídicas e autos é a documentação em papel dos atos do processo e do próprio processo. sendo comum que. preservando o direito das demais partes de apresentarem suas provas e de serem ouvidas. tomamos emprestadas as explicações dadas por Bueno (2007): Ele afirma que processo é o método de atuação do Estado com vistas à exteriorização de sua vontade.

mas a 29 . inclusive o de autuação do processo. F . nas comarcas do interior do Estado. ao Ministério Público e ao Poder Judiciário por qualquer de seus órgãos. Não está em jogo o interesse de adultos ou conflitos de disputa. No plantão das Varas da Infância e Juventude.DA ESPECIFICIDADE DAS VARAS DE INFÂNCIA E JUVENTUDE De modo geral. O relatório é encaminhado ao cartório. o profissional. podendo já emitir um parecer. Independente de quem deu início ao processo. nessa situação. Portanto. O direito à assistência judiciária integral é gratuito e prestado pelos defensores públicos da Defensoria Pública do Estado ou advogados conveniados por ela. Na capital isso difere. que ocorram discussões multiprofissionais preliminares com o objetivo de definir a competência e de buscar um melhor encaminhamento. o que implica que o juiz aprecie aplicação de medida judicial. o ECA evidencia o direito à proteção da criança e do adolescente. A ausência de um advogado provoca a nulidade processual. Isso supõe um bom entrosamento entre todos os agentes. inicia o atendimento que redundará em informação ou em relatório. levado ao Ministério Público para que este ofereça a manifestação. Após é encaminhado ao juiz para as determinações. Em alguns casos.Um processo judicial envolve custas e emolumentos que são recolhidos pelas partes no decorrer do trâmite processual. a perspectiva é de se verificar o que é mais interessante para a criança e o adolescente. Também é comum. No mesmo artigo há a garantia de acesso à justiça a toda criança ou adolescente à defensoria pública. As partes devem sempre ser representadas por advogados constituídos ou nomeados pelo juiz. orienta as partes sobre como proceder e. esse trâmite ocorre no mesmo dia. ao identificar uma situação necessária de intervenção judicial. se for o caso. os processos na área da infância têm sido iniciados por meio de advogados e dos Conselhos Tutelares. estando isso evidenciado no artº 141 § 2° do ECA. No Juízo da Infância e Juventude não há custas processuais.

em vulnerabilidade social. formulada por advogado. cita-se um processo cuja criança esteja em situação de abrigo.necessidade de proteção para quem se encontra em situação de risco. quando então será necessário um procedimento próprio. Como exemplo. desde que o caso seja devidamente analisado por profissionais que ofereceram parecer no processo. assim como nas questões que envolvam adolescentes em conflito com a lei. Diferente será se houver oposição dos genitores. Ao se identificar por meio de estudos técnicos a possibilidade da criança em ser desabrigada pela família de origem ou por terceiro ligado a ela. Clara é a necessidade do procurador se fazer presente nas situações em que exista o contraditório. 30 . entende-se não haver necessidade de que isto seja expresso por um procurador.

.br/.gov.tj. 31 . Dalmo. acesso em 15/09/07.BIBLIOGRAFIA (referente ao capítulo Nº 1) BRASIL. DALLARI. São Paulo: Saraiva 1996. Constituição da República Federativa do Brasil. BRASIL. 1990. Antonio Carlos de A. 23ª ed. Teoria geral do processo. Cássio Scarpinella. 2007.. Estatuto da Criança e do Adolescente.. Ada P. NORMAS DE SERVIÇO DA CORREGEDORIA GERAL DA JUSTIÇA. 1988. CINTRA. DINAMARCO. São Paulo: Saraiva 2007. BUENO. Disponível em http://www. Cândido R. O Poder dos juízes.sp. GRINOVER. Curso sistematizado de direito processual civil.

CAPÍTULO 2

OS ASSISTENTES SOCIAIS E PSICÓLOGOS NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO

A - CONSIDERAÇÕES INICIAIS:

Para tratar do ingresso dos profissionais de Serviço Social e Psicólogos no judiciário paulista tem-se que recuperar, ainda que de maneira breve, a instalação do Juizado de MenoreNa comarca de São Paulo, em resposta a necessidade2 de se ter uma atenção diferenciada aos “menores”, é instalado, em 1925, o Juizado Privativo de Menores. O Decreto que regulamentou a Lei nº 2.059 apontava que o juízo deveria contar com a contribuição de médico nos casos em que o juiz deveria decidir sobre menores delinqüentes. Ele realizaria os exames, as

observações e a perícia dos menores e de suas famílias (Davidovich, 1991, p.46). O primeiro Código de Menores3 instituído, em 1927, e apelidado de Código Mello Matos, nasceu sob a forte influência de um magistrado do mesmo nome, vigorou por 52 anos. O encaminhamento dos casos ao juiz se dava por meio dos Comissários de Vigilância, posteriormente denominados de Comissário de Menores. O Comissariado era formado por pessoas dispostas a auxiliar no trabalho junto aos menores abandonados, infratores e com aqueles que o procuravam. Os casos eram levados ao conhecimento do juiz para apreciação e decisão (Fávero, 1995, p.32). O Código de Mello Matos foi substituído, em 1979, por outro que consagra a Doutrina da Situação Irregular, segundo a qual os menores são

2

Refere-se ao agravamento das questões sociais decorrentes de mudanças sócioeconômicas, processos migratórios europeus, que foram motivados a vir para o Brasil para melhorar sua condição de vida, mas que na verdade encontraram um sistema de trabalho perverso, de quase escravidão e sem garantias. Para maior aprofundamento do assunto sugere-se, Fausto (1995), Fávero (1995), Rizzini (1997). 3 Obra do Juiz de Menores José Candido de Albuquerque Mello Matos. .

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objeto de direito, quando se encontrarem em estado de patologia social definido legalmente. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) entrou em vigor, em 1990, e transformou os menores em sujeitos de direitos, reforçando a necessidade da atuação de equipes interprofisssionais nos Juízos da Infância e da Juventude. Segundo Soares da Silva (2005), o Estatuto surgiu do anseio de movimentos, entidades e organizações de proteção à infância. No entanto, apesar de consideradas cidadãs, há que se ter claro que cidadania implica numa condição ativa. “O exercício da cidadania exige a prática da reivindicação, da apropriação de espaços [...] pressupõe uma consciência crítica libertária e a efetiva participação social com a ocupação dos espaços decisórios.” (p.72).

B - INSERÇÃO DOS PROFISSIONAIS NAS VARAS DA INFÂNCIA E JUVENTUDE E FAMÍLIA

B 1 - O SERVIÇO SOCIAL

A primeira Escola de Serviço Social surgiu, em 1936, em São Paulo, e, logo em seguida, assistentes sociais e estagiários de Serviço Social passaram a integrar o quadro de comissários do judiciário como voluntários. A primeira contratação ao que tudo indica foi de uma aluna de Serviço Social que ocorreu em 19374. (Fávero, 1995, p.32/33). Iamamoto identificou que o Decreto Estadual nº 9.744 de 1938 reorganiza o Serviço Social de Menores, em que fica determinado que cargos, como de subdiretor de vigilância, de comissários de menores e de monitores
4

Segundo Fávero não há registros sobre como se organizou essa atuação. (Fávero,1995, p.34)

33

de educação passam a ser privativos dos Assistentes Sociais (apud Matias, 2002, p. 90). Não obstante, o Serviço Social, somente em 1948, começou a fazer parte do quadro funcional do Judiciário. Em 1949, foi criado o Serviço de Colocação Familiar, com o objetivo de evitar a internação de menores. Esse Programa era de responsabilidade dos assistentes sociais, sendo o diretor nomeado à época, o assistente social José Pinheiro Cortez (1950 a 1979). Entre 1948 e 1958 vários serviços de atendimento à criança e ao adolescente passaram a ser centralizado no Juizado de Menores. Com isso, várias frentes de trabalho foram abertas para os assistentes sociais que atuavam no Juizado, principalmente a partir de 1956, com o juiz de menores, Dr. Aldo de Assis Dias (Fávero, 1995). Vários assistentes sociais assumiram postos de chefia nos

estabelecimentos que eram de responsabilidade do Juizado de Menores. A exemplo cita-se o Recolhimento Provisório de Menores e a Casa de Plantão, dentre outros. Somente em 1975 é que esses serviços foram transferidos para o Poder Executivo e com eles os profissionais que atuavam. Os assistentes sociais que desenvolviam suas práticas junto ao gabinete, no intuito de oferecer subsídios para as decisões judiciais, se mantiveram. É em 1957 que os assistentes sociais começam a atuar nas Varas de Família, atendendo ao dispositivo do Código Civil no que tange a possibilidade do juiz nomear um perito para que lhe forneça subsídios à decisão. Com a intensificação da solicitação de estudos nesse campo, o Tribunal de Justiça designou profissionais específicos. Entretanto, isso foi revogado na década de 80, sendo que apenas no Fórum Central (capital) é que se manteve a divisão de equipes. O primeiro concurso para assistentes sociais do Poder Judiciário paulista ocorreu em 1967, o segundo em 1979, o terceiro em 1985, o quarto em 1990 e o último em 2005. Os dois últimos concursos destinaram-se a suprir a capital e as comarcas do interior.

34

orientação e aconselhamento. Pode-se dizer que esta inserção foi fundamentada na necessidade de se oferecer aos Juízes uma assessoria especializada. mas também. local em que as questões atinentes à menoridade deveriam ser estudadas. mais tarde. em 1981. estava amparada legalmente. O foco sempre foi à convivência familiar. propostas por Camargo (1982). na Fundação Estadual do Bem Estar do Menor. Em 1980. O ingresso foi através de um estágio. Esta proposta constituiu-se num verdadeiro marco para a entrada definitiva do psicólogo nos quadros da instituição jurídica. A contribuição desse campo da ciência. que se constituíam numa forma de atendimento dos casos em juízo. por meio da prévia apuração da equipe técnica. Posteriormente. confeccionarem relatórios circunstanciados visando à decisão do processo. contribuindo para a reflexão e análise sobre a melhor medida legal a ser aplicada ao caso concreto. A entrada do Psicólogo se deu oficialmente nas Varas de Menores (atuais Varas de Infância e Juventude). surgiu a entrada nas Varas de Família e Sucessões.A PSICOLOGIA Um levantamento realizado por Bernardi (1999) indica que. ao desenvolver um serviço de diagnóstico situacional. Tais profissionais tinham como dever não só apresentar as medidas cabíveis dentro de suas respectivas áreas. possibilitando uma intervenção ativa na família. composta por Assistente Social e Psicólogo. os psicólogos passam a atuar nas chamadas audiências interprofissionais. aos operadores de Direito. sendo que em 1981 35 . bem como as conseqüências desta aplicação.B 2 . com uma atuação de caráter terapêutico e de intervenção clínica junto às famílias. as agências de colocação familiar (Lei Estadual nº 560 de 1949). A finalidade era apresentar subsídios verbais e escritos sobre a natureza e as causas de uma dada situação envolvendo todo o grupo familiar. para dar início a um trabalho que. os psicólogos já prestavam serviços voluntários no Tribunal de Justiça. seria sedimentado no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. sempre que um direito da criança e do adolescente fosse ameaçado ou violado. já que o Código de Menores de 1979 estabelecia a diferenciação dos atendimentos realizados pela Promoção Social e pelo Judiciário.

encontros. iniciaram uma movimentação. nº 07/2004 (todos inseridos nas Normas de Serviço da Corregedoria Geral – Cap. XI). retomou alguns pontos do anterior e incluiu a atuação dos Psicólogos.069/90. visando sua organização mais diferenciada dentro do judiciário. de 17/04/1980. sendo aceitas como obrigatórias em todo Brasil. Em 1985. do Conselho Superior da Magistratura. pesquisas. tanto os psicólogos como os assistentes sociais. normatizou a atuação dos assistentes sociais nas Varas de Família e Sucessões e em 12 Varas Distritais da Comarca de São Paulo. Do ingresso dos psicólogos em 1980 em diante. a atuação dos assistentes sociais e psicólogos está regulamentada pelos Provimentos do Conselho Superior da Magistratura nº 838/04 e Corregedoria Geral da Justiça. o Provimento de nº 6/91 da Corregedoria Geral da Justiça. divulgação e discussão dos papéis profissionais. as chamadas equipes técnicas ou interprofissionais foram se qualificando e se integrando. também por força de Lei Federal nº 8. passando a integrar praticamente todas as Varas de Infância e Juventude da capital. Em 1985 ocorreu o primeiro concurso público para o ingresso de psicólogos nos quadros do Tribunal de Justiça de São Paulo com a criação de 65 cargos efetivos e mais 16 cargos de chefia. B 3 . o Provimento nº 236/85 do Conselho Superior da Magistratura.os psicólogos foram legalmente contratados. 36 . com a proposta de ampliação.DO SERVIÇO SOCIAL E DA PSICOLOGIA O Provimento CXVI. O texto legal ressalta a autonomia dos profissionais. Com a inserção legitimada na instituição. Um pouco mais adiante. Hoje. que implanta o Estatuto da Criança e do Adolescente. atualiza a inserção das equipes técnicas. cursos e supervisões. que deverão ter total liberdade para expressar suas conclusões e sugestões técnicas. Ocorreram inúmeros seminários. por meio de documentos que auxiliarão o juiz na resolução do caso. dispondo também sobre a organização dos Setores Técnicos (Serviço Social e Psicologia).

Pode-se citar alguns fatores que vem modificando a atuação profissional dos Assistentes Sociais e Psicólogos Judiciários no Tribunal de Justiça.J. que possam dar atendimento às comarcas dos Estados nas causas relacionadas à família.As atribuições dos assistentes sociais e psicólogos do Tribunal de Justiça de São Paulo foram construídas por meio de intensas discussões dos profissionais do judiciário. o Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária. de 26/05/2004) sobre as atribuições dos psicólogos. adoção e tutela. O Comunicado nº 308/2004 (D. de 12/03/2003) versa sobre as atribuições dos assistentes sociais e o de nº 345/2004 (D. Cabe ainda mencionar que recentemente o Conselho Nacional de Justiça (Emenda Constitucional nº 45/2004) mostrou-se sensível à importância inquestionável da atuação do psicólogo e assistente social junto às questões que se apresentam no âmbito do Poder Judiciário. em 25 de abril de 2. a implementação dos Conselhos Municipais de Direito da Criança e do Adolescente e Conselhos Tutelares. Essa medida recomenda que os Tribunais de Justiça dos Estados adotem as providências próprias necessárias ou mediante à implantação convênios com de equipes interprofissionais.O.O. As alterações nos dispositivos legais e as mudanças na política de atendimento à criança e aos adolescentes têm possibilitado a redefinição de funções entre o Judiciário e Executivo. contribuindo também para a ampliação do quadro funcional como: • • • • • a necessidade de democratização e acesso a Justiça. a exemplo das que versam sobre perda e suspensão do poder familiar. publicadas. diante da compreensão da incompletude institucional há necessidade de um novo posicionamento para o trato das questões do campo sócio-jurídico. presidido pelo Supremo Tribunal Federal. Essas atribuições foram normatizadas pela Secretaria de Recursos Humanos (antigo Departamento Técnico de Recursos Humanos) e após aprovação da Presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo.J. 37 . a criação em 2006 do SINASE – Sistema Nacional de Atendimento Sócio Educativo.006. instituições universitárias. a Criação do Conselho Nacional de Justiça instituído em 2004. Ressalta-se que. crianças e adolescentes. guarda. e editou a Recomendação nº 2.

com objetivo de intervir e fornecer atenção 38 . Atualmente além de exercerem suas funções nos Serviços para atendimento a usuários das Varas da Infância e da Juventude. cerca de 1166 profissionais no corpo técnico. publicada em 1º de agosto de 2005. contando com seis unidades no interior. Na DIRETORIA DE DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS HUMANOS. criado em 1995.além da aplicação de medidas sócio-educativas. Cabe ainda ressaltar que os Assistentes Sociais e Psicólogos também estão inseridos em diversas Unidades de Departamentos para responder a uma demanda interna institucional. trabalho iniciado em 1991 e reestruturado através da Portaria 7. informar ao Conselho sobre as providências adotadas. da DIRETORIA DE GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS.254/2005. GRUPO DE APOIO TÉCNICO E ADMINISTRATIVO AOS JUÍZES CORREGEDORES NA PRIMEIRA VICE-PRESIDÊNCIA. 10 Fóruns Regionais (Vara de Infância e Varas de Família e Sucessões) e 4 Varas Especiais. compostas por Comarcas e Fóruns Distritais. SERVIÇO DE ATENDIMENTO PSICOSSOCIAL AOS MAGISTRADOS E FUNCIONÁRIOS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. visando à administração de benefícios. no sentido de planejar e desenvolver ações. responsável pelo Treinamento e Desenvolvimento dos funcionários em geral. em uma Diretoria de gestão de capacitação. no prazo de seis meses. o Serviço Social e a Psicologia também atuam em áreas administrativas como: Seção de Concessão e Controle do Auxílio Creche-Escola. nas diversas regiões do Estado de São Paulo. onde há assistentes sociais atuando desde 1982. No Estado de São Paulo. desenvolvendo assessoria nos processos administrativos de funcionários. devendo.839/95. os profissionais estão distribuídos nos fóruns da capital – Fórum Central (Vara de Infância e Juventude e Varas de Família e Sucessões). Portaria nº 2. e em 56 Circunscrições Judiciárias. na atualidade. com o objetivo de melhorar as relações do indivíduo no trabalho e trazendo maior qualidade e resultados organizacionais. trabalho iniciado em 1993. Varas Especiais e Varas de Família e Sucessões. totalizando.

já afetados em sua organização mental e emocional. vem avaliando e qualificando também. desde 2002. SERVIÇO PSICOSSOCIAL VOCACIONAL AOS MAGISTRADOS E FUNCIONÁRIOS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO existe desde 1998 e tem como função precípua a avaliação psicossocial dos candidatos à Magistratura. a normatização e centralização de diretrizes de trabalho de ordem técnica e administrativa. Na COMISSÃO JUDICIÁRIA DE ADOÇÃO INTERNACIONAL. Em 09 de junho de 2005 surge o Núcleo de Apoio Profissional de Serviço Social e Psicologia do Tribunal de Justiça de São Paulo criado pela Portaria n. netos e outros dependentes dos servidores do Tribunal de Justiça de São Paulo. Na DIRETORIA DA ÁREA MÉDICA E ODONTOLÓGICA.apropriada aos aspectos humanos do trabalhador. desenvolve programas de orientação profissional aos filhos. objetivando o acompanhamento dos servidores em licença saúde afastados há mais de 6 meses. projetos profissionais que trazem uma substancial melhoria na atuação de ambas as áreas dentro do judiciário paulista. atendimento e orientação aos assistentes sociais e psicólogos judiciários em matérias relativas ao CEJAI. 39 . o acompanhamento e reavaliação psicossocial dos juízes em estágio probatório. Além disso. elaborando instrumentos de registro e controle das adoções realizadas. bem como manifestações nos autos de habilitação de pretendentes à adoção internacional. O Núcleo foi criado tendo em vista a necessidade de assessoramento técnico aos profissionais e a padronização das rotinas existentes.º 7243/2005 e subordinado diretamente à Corregedoria Geral da Justiça. a orientação e acompanhamento de profissionais (de Serviço Social e Psicologia) no exercício de suas funções interdisciplinares. Com pouco mais de dois anos de existência. com intervenções visando o restabelecimento da saúde e conseqüente retorno ao trabalho. foi criada a Seção Especial de Acompanhamento Psicossocial e Readaptação. atividade iniciada em 1998.

Comum é o assistente social e psicólogo que atua em processos que tramitam em outras Varas. artº 24. ou seja. os profissionais devem ficar lotados nesse juízo e respondem disciplinarmente ao Juiz Corregedor Permanente da Vara.B 4 .2).A SUBORDINAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SERVIÇO SOCIAL E PSICOLOGIA O Tribunal de Justiça definiu que nos fóruns onde há Vara Especializada da Infância e Juventude. Abaixo apresentamos um organograma para dar maior clareza à subordinação do Assistente Social e do Psicólogo atuantes nas áreas técnicas do Tribunal de Justiça de São Paulo. para o Juiz do Feito (NSGC Cap. o que equivale dizer que o Juiz Diretor do Fórum é o superior hierárquico desses profissionais. Nos locais onde não há Vara Especializada da Infância e da Juventude a lotação dos assistentes sociais e psicólogos se dá na Secretaria do Fórum. 40 . seção IV. Isso significa dizer que os profissionais respondem diretamente pelos trabalhos que desenvolvem para cada um dos juizes dessas Varas.XI.

41 .

H. por exemplo. Atualmente o Núcleo de Apoio Profissional de Serviço Social e Psicologia da Corregedoria Geral da Justiça vem coordenando uma Comissão de Chefias da Capital. Como forma de proporcionar um melhor funcionamento dos setores tem sido comum. e as anexe. 42 . onde existe designação de chefia. assegurar o uso da viatura. Os profissionais devem manter informado o juiz a quem é subordinado sobre a necessidade de comparecer em atividades extra-fórum como reuniões. despache diretamente com o magistrado. etc.. que um profissional de cada área assuma a coordenação técnica. coordenou o grupo de chefias da capital. dentre outras atividades relativas à gestão. Cap. A assinatura do ponto dos profissionais deve ocorrer diariamente nas Varas. do uso da viatura. visitas a recursos da comunidade e outras. assim como a designação do processo (quando o processo não vem com prévia designação). Sugere-se que preferencialmente faça a informação por escrito. No caso de. Diretorias ou Setores em que estiverem lotados.R. encaminhar freqüência e férias. recomenda-se que se possível. XI).5 Não há regulamentação de chefia técnica para as equipes do interior. Nas Varas da Capital. hoje S. o que pode representar algumas dificuldades na organização e gerenciamento do setor em equipes com vários profissionais. Ao Diretor administrativo caberá o trato das questões relativas à esfera administrativa. Esse grupo discutiu as funções específicas do cargo elaborando documentos. escala de Plantão Diário. escala de férias. Notadamente os juizes têm reconhecido à importância da coordenação. contando com 33 participantes. supervisão.É importante a compreensão de que os assistentes sociais e psicólogos são subordinados hierarquicamente ao juiz. próprias da prática dos assistentes sociais e psicólogos. 5 No período de 1996-1999 o Departamento Pessoal (DEPE). sendo um dos propósitos a discussão das funções. pois sem dúvida isso contribui para uma maior eficiência no trabalho. o controle do ponto é de responsabilidade direta dessa chefia (NSGC. Como providenciar os recursos necessários para os profissionais desenvolverem suas ações. ter um recebido convite.

A. 1991/1992. L. PINTO. 43 . FAUSTO. Ana Célia R. out.M. Maria Celeste (orgs.G. GUEIROS. Histórico do serviço de psicologia no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Denise Helena de Freitas. M.M. Maria Rachel Tolosa (orgs. In: Manual do curso de iniciação funcional para Assistentes Sociais e Psicólogos judiciários. R. História do Brasil. Maria Celeste (orgs. ALONSO. DAVIDOVICH.).São Paulo: Cortez.(org. In: BRITO. ALONSO. 2005. 1991/1992.G.ANDERSON. Magda Jorge Ribeiro e JORGE.) O Menor e seus Direitos: Audiências Interprofissionais. 1995. Rio de Janeiro: Relume Dumará. Mônica (coord. Terezinha Z. Ana Célia R. Histórico do serviço social no Tribunal de Justiça de São Paulo. Eunice Terezinha.:1995. O Serviço Social e a Psicologia no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Boris. Histórico da Inserção do Profissional Psicólogo no Tribunal de Justiça do Estado de S. FÁVERO. Eunice T. conquistando direitos. In Cadernos do NCA nº 2 – PUC/SP. São Paulo: EDUSP-Fundação do Desenvolvimento da Educação. Dayse C. Serviço Social. In: Manual do curso de iniciação funcional para Assistentes Sociais e Psicólogos judiciários. Antonio Luis Chaves (org. In: Caderno dos Grupos de Estudos – Serviço Social e Psicologia Judiciários.Paulo – Uma Capítulo da Psicologia Jurídica no Brasil.BIBLIOGRAFIA (referente ao capítulo Nº 2) BERNARDI. CAMARGO. FÁVERO.) – Convênio Tribunal/FCBIA – São Paulo. Práticas Judiciárias. ALONSO.P. Dalva Azevedo e GIACOMINI.1999.ANDERSON. Poder: Trajetória do Serviço Social no Juizado de Menores de São Paulo de 1948 a 1958.S . CERQUEIRA. O Serviço Social e a Psicologia no judiciário: construindo saberes.e FERREIRA.T. Denise Helena de Freitas. São Paulo: Lex.) – Convênio Tribunal/FCBIA – São Paulo. MELÃO.).) Temas de Psicologia Jurídica. PINTO. 1982.F.

Pilar I. LAROUSSE CULTURAL. Programa de Pós-Graduação em Serviço Social – PUC/SP Dissertação de Mestrado. 2005. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 1999. Reflexões sobre a avaliação psicológica no âmbito do judiciário" In : A diversidade da avaliação psicológica. 2001. Dilza Silvestre Galha Matias. 2002. 2001. Cláudio R. MATIAS. IP-USP. Edição nº 1. ano II. João Pessoa (PB) : idéia.Denise Helena de Freitas (org). nº 2. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. O Século Perdido: raízes históricas das políticas públicas para a infância no Brasil. Demandas e Respostas Fora de Lugar. Dissertação de Mestrado. In: TRINDADE. ______ Psicologia Jurídica: Um caminho em evolução. RIZZINI. 44 . Evani Zambon Marques da. Jorge(org. Irene. Rio de Janeiro: Editora Universitária Santa Úrsula 1997 SILVA. Considerações teóricas e práticas. A Utopia da infância cidadã. 2002. São Paulo: Nova Cultural. São Paulo: 2004. TRAVIESO. Gráfica do TJ/ DAPRE.) Direito da criança e do adolescente:uma abordagem multidisciplinar. SOARES DA SILVA. Crises. O Sujeito no Discurso Jurídico das Varas de Infância e Juventude: Pedido de Providências. Grande Dicionário da Língua Portuguesa. In: Revista da Academia Paulista dos Magistrados.

rasuras.REGISTROS EM LIVROS Os livros devem seguir a organização estabelecida pelas Normas da Corregedoria. Essa é uma realidade que deverá perdurar por muito tempo.Capítulo 3 O QUE É PRECISO SABER ADMINISTRATIVAMENTE PARA ATUAR NAS VARAS DE INFÂNCIA E JUVENTUDE A . B . Chama-se atenção para que sejam evitados erros. existe a necessidade de padronizar os registros de forma a contemplar um padrão mínimo de atuação. ofícios e livros. Assim.CONSIDERAÇÕES INICIAIS A instituição é tradicionalmente reconhecida pelo grande volume de papéis que circulam e pela concentração de processos. respeitadas as peculiaridades de cada local de trabalho. omissões. borrões ou entrelinhas. poderá ser utilizado o termo 45 . é importante que o Serviço Social e a Psicologia do judiciário paulista se organizem para garantir a visibilidade de seus atos. já ter começado uma experiência inovadora de Fóruns inteiramente digitalizados. apesar de o Tribunal de Justiça de S Paulo nos últimos anos ter empreendido esforços para informatizar todas as unidades de trabalho do Estado e. até. Caso seja necessário. Em meio a essa realidade.

assim como não poderá haver rasuras. Mas. deve ser solicitada autorização ao Juiz Corregedor Permanente (Cap. 46 . cargo. assim como os finais de semana. consignando-se a entrada e a saída. em caso de ausência ou afastamento do profissional. art° 8 das Normas da Corregedoria) . descriminando nome. XI. Os assistentes sociais e psicólogos devem manter livros de registros específicos às suas seções. artº 42. quando se for manter os Livros em bom o caso. Já nos Fóruns em que há Vara Especializada. feriados e ponto facultativo. Quais sejam: B 1 . matrícula.II.“sem efeito”. II. Esse livro deverá conter uma folha para cada servidor. (Cap. O livro Ponto deverá ser assinado diariamente. Os dias do mês devem estar devidamente assinalados. deverão ser feitas as anotações correspondentes.1). classificados ou catalogados (cap. os profissionais assinam o ponto em Livro que fica na Administração do Fórum. Há necessidade de conservação e . Normas da Corregedoria). devem estado de ser encadernados. e que as equipes de Serviço Social e Psicologia possuem chefia. II. Os Livros de Carga e outros papéis que por dois anos não sofrerem nenhum registro poderão ser inutilizados.LIVRO PONTO Nos locais onde não há Vara Especializada da Infância e Juventude. art° 42). consignando o motivo do afastamento ou a natureza da falta. A chefia da seção ou seu substituto deverá vistar o livro todos os dias e. para tanto. o Livro Ponto deve ficar sob sua responsabilidade (Cap. As normas estabelecem a proibição no livro ponto de rubricas e do emprego de tinta que não seja azul ou preta. que deverá estar datado e autenticado com a assinatura ou rubrica de quem a lançou.

se necessário.B 2 . o profissional deverá solicitar a baixa no Livro de 47 . Ainda que o profissional atue sozinho em uma comarca. O Cartório ao encaminhar para a seção de Serviço Social ou de Psicologia um processo. Se por qualquer motivo o cartório solicitar um processo que se encontra na seção técnica. devendo ser providenciado um Livro para os processos da Infância e Juventude e outro para processos da Vara de Família e Sucessões/Cível. Recomenda-se o maior rigor no devido preenchimento do livro. solicita do profissional que o recebe uma rubrica no Livro de Carga do Cartório. preferencialmente. Cabe a cada seção fazer as devidas anotações no Livro de Controle de Registro de Processo da Seção. Esse ato consigna que o processo deixou de estar na responsabilidade do Cartório e passou para a responsabilidade do setor técnico. no mesmo dia.LIVRO DE CONTROLE DE REGISTRO DE PROCESSO: RECEBIMENTO DE PROCESSO E DEVOLUÇÃO DE PROCESSO É de responsabilidade de cada seção técnica manter um Livro de Controle de Registro de Processo. devendo a qualquer tempo. Ele tem por objetivo acompanhar a entrada e saída do processo da seção. Recomenda-se que o livro tenha espaço para as seguintes anotações: N° do Processo Nome da Criança Data da Entrada na Seção Assistente Social Designado ou Psicólogo Designado Data da Saída da Seção Recebimento Cartório (data) Identificação de quem recebeu Outras informações ( a critério) Importante ressaltar que a data de recebimento do processo deverá também estar assinalada no livro. Quem está com o processo é o seu guardião. ele deve manter o Livro de Controle de Registro de Processo. prestar contas do mesmo. Essas são garantias de que o trabalho foi realizado e de que o processo não ficou parado no setor. assim como a da devolução.

Evidente que sempre deverá ser observado pelo profissional a urgência que o caso requer.II. portanto. 6 Prov. o cartório deverá retirá-lo da seção técnica e esta por sua vez procederá a anotação no livro de carga. Caso venha ocorrer de um advogado comparecer no juízo para consultar determinado processo. As Normas da Corregedoria definiram que esse livro é de responsabilidade dos setores técnicos. 48 . (cap. Ele. Ademais.Carga. art° 21). deverá vistar esse livro até o décimo dia útil de cada mês. De acordo com as Normas da Corregedoria o advogado deve ver o processo em cartório. mas com a saída (do processo) isso ficou inviabilizado. Dessa forma.6 B 3 . afirma-se como de fundamental importância sua existência pelos aspectos acima elencados. o qual se incumbirá de coibir eventuais abusos ou excessos em geral.LIVRO DE REGISTRO DE PESSOAS INTERESSADAS NA ADOÇÃO (CPA) O ECA estabelece em seu artº 50 a necessidade de manter. Entretanto. Nesse caso um novo prazo passa a vigorar quando do retorno do processo para a seção. CGJ 38/99. e este processo se encontrar na seção técnica. em cada comarca ou foro regional. As Normas da Corregedoria não especificam o Livro para as seções técnicas. Identifica-se nas Normas que o Juiz Corregedor Permanente deverá manter controle sobre os Livros de Carga em geral. a quem compete o registro dos dados. que volta a ser o seu guardião. vamos dizer que o processo que foi retirado estivesse com visita domiciliar programada. o que se pode deduzir que isso engloba os das seções técnicas. assegura-se que a seção deixou de ser responsável pelo processo. um registro de crianças e adolescentes que estão em condições de serem adotados e outro de pessoas interessadas em adoção. Existe a perspectiva de que os livros de carga sejam abolidos com a instalação do Sistema de carga de processos assinada eletronicamente.

1). Seção II.artº 6. Recomenda-se que para cada criança/adolescente seja reservada uma página do Livro. a entrega voluntária pelos genitores ou reconhecida dificuldade e determinação judicial para inscrição da criança/adolescente em livro próprio (NGC Cap. Devendo constar os seguintes dados: 49 .LIVRO: REGISTRO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM CONDIÇÕES DE SEREM ADOTADAS É de responsabilidade dos Setores Técnicos a feitura do livro de crianças e adolescentes que se encontram em condições para adoção.As anotações desse livro deverão obedecer à ordem de habilitação dos pretendentes. Recomenda-se que os seguintes dados devem constar do registro do CPA: Nº de ordem Nº do CPA Nome dos Pretendentes Telefone(s)/ Endereço Data da Sentença Características da Criança pretendida (sexo. idade. Isso significa que houve a destituição do poder familiar. que somente ocorre após o trânsito em julgado da sentença judicial.XI. etnia) Tempo até a colocação da criança Data da colocação da criança Datas que foram chamados Nome da Criança Datas das reavaliações Elementos das reavaliações Observações B 4 .

pelo fato desse atendimento não ser concretizado em processo. Porém. Data da renúncia do poder familiar (se o caso) Data do falecimento dos genitores (se o caso) Nome da Criança/ Adolescente Data de Nascimento Local de Nascimento Genitores Filiação ignorada (se o caso) Breve Histórico Saúde Física/Mental Local onde a criança se encontra Colocação em família substituta: Modalidade (guarda. Um livro que tenha a preocupação de assinalar essa demanda poderá demonstrar o volume de atendimentos.. ao realizarem o Plantão Social.... os principais motivos da procura..Número... sobretudo os assistentes sociais......... 50 . atendem quem procura a instituição por diferentes motivos.. e quais os locais que mais encaminham.. e se foram encaminhados por outros.. Nesse atendimento.. onde residem.. Tulela.... Isso pode representar considerável tempo de trabalho.P. Adoção) Guardião (ães): Início do Estágio de Convivência Data da Sentença/Medida judicial Observações: B 5 ...LIVRO DE REGISTROS DAS PESSOAS ATENDIDAS SEM PROCESSO Comumente os profissionais. por vezes por motivos semelhantes...... se a incidência de local de moradia. não se tem idéia da incidência da procura. do motivo da procura. realiza orientações e encaminhamentos.P. Data da Sentença D. o profissional identifica a demanda..

deve-se levar ao conhecimento do juiz. sendo uma da responsabilidade do Cartório e outra do Setor Técnico. conforme modelos próprios.Esses dados podem ser objetivados como: Se tem ocorrido incidência da procura da mesma região. Essas fichas devem permanecer arquivadas no Setor Técnico. Motivos das demandas. Isso pode resultar na articulação entre os diferentes serviços para melhor responder a demanda que não é judicial. oferecendo encaminhamentos para superação do que foi identificado. 51 . seguindo modelo próprio. artº 76. Com isso. e devem seguir a ordem cronológica. após determinação judicial. foram criadas duas fichas.FICHAS DE CONTROLE DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ABRIGADOS Como meio das Varas da Infância e Juventude manterem um controle das crianças e adolescentes abrigados. C . deverá remeter os autos imediatamente ao Setor Técnico que terá 24 horas para abrir as fichas individuais das crianças e adolescentes. Outras especificações podem ser encontradas nas NSCG – Capítulo XI. sendo de responsabilidade dos profissionais que acompanham o processo manterem atualizados os dados referentes à situação das crianças/adolescentes. Tão logo o cartório tenha cumprido a ordem de abrigamento ou desabrigamento. O Diretor do Cartório deve manter fichário nominal das crianças e adolescentes abrigados e desabrigados a partir de 1° de janeiro de 2006. Essas Fichas devem ser abertas imediatamente. Quais instituições encaminham equivocadamente para o fórum.

oferecendo visibilidade dos procedimentos técnicos utilizados. Facilitar a elaboração de relatórios dos Setores Técnicos mediante a padronização dos procedimentos metodológicos.D . o que dará indicativos que facilitem a interlocução com o Poder Executivo e sociedade civil. já que fica consignada a atividade desenvolvida pelos setores. Recomenda-se que apresente os seguintes aspectos: • • • Quadro de Profissionais na seção Quantidade de processos que foram atendidos no ano Tipos de Processo 52 . com avaliação do trabalho realizado e proposta de medidas complementares. Desvelar à realidade local.DO RELATÓRIO ANUAL As Normas da Corregedoria asseguraram a necessidade dos setores técnicos de Serviço Social e de Psicologia apresentarem anualmente ao seu Juiz Corregedor Permanente o relatório de suas atividades.DA PLANILHA DO MOVIMENTO JUDICIÁRIO DOS SETORES TÉCNICOS – REGISTRO ESTATÍSTICO Uma planilha específica para o Serviço Social e a Psicologia desde janeiro de 2006 foi implantada. A concepção é de que os profissionais por meio de um instrumental próprio tenham condições de mensurar o trabalho desenvolvido. Os objetivos gerais da planilha são: Normatizar a coleta de informações que constituem as estatísticas dos trabalhos realizados pelas Seções Técnicas de Serviço Social e Psicologia. E . bem como as situações que atuam. propiciando uma visão mais abrangente e de totalidade. Esse relatório é um importante instrumento para a instituição como um todo. favorecendo a construção de políticas públicas.

Os registros estatísticos podem. Se essa for uma questão expressiva. aliando-se o conhecimento da prática cotidiana a uma leitura qualitativa do cotidiano profissional. Poderá ainda evidenciar algo significativo em relação ao Planejamento das Atividades do Setor para o ano vindouro. ela pode ser um indicativo da necessidade de um trabalho articulado. como meio de encontrar respostas mais eficientes aos problemas que são provocados pela vulnerabilidade social. Como exemplo pode-se citar o problema da evasão escolar. A produção de relatórios e laudos Média mensal dos atendimentos Reuniões de equipe Reuniões externas Participação em eventos Participação em grupos de estudos institucional outros Esse relatório além do aspecto quantitativo deve tecer uma análise do que os números permitem perceber. 53 . Outras atividades em que houve a participação dos profissionais. Por fim. seja interna ou externa também deverão ser computadas. alguns resultados poderão ser apresentados em tabelas e gráficos. um trabalho que deve ser enfrentado por uma rede social. E os profissionais do Judiciário devem se engajar na construção dessa rede. deverá ser pensada em respostas que envolvam vários serviços. e que.• • • • • • • • • • • Natureza das Ações Número de Entrevistas que foram realizadas Número de Visitas domiciliares realizadas Demais procedimentos técnicos que se mostrarem significativos. apontar as principais motivações que geraram a intervenção judicial. portanto. Isso poderá dar visibilidade a uma situação que mereça atenção especial. Caso seja possível. que acaba culminando com a intervenção judicial. com o estabelecimento de metas. bem como os resultados alcançados. o relatório pode apresentar alguns indicativos dos trabalhos que devem ou podem ser desencadeados a partir do próximo ano e as necessidades de recursos humanos e materiais para o desenvolvimento das atividades concernentes à esfera judicial. via de regra.

Nessas últimas hipóteses. deve se compreender que o processo poderá permanecer na seção técnica por até 30 dias. nas Normas da Corregedoria. ou determinado previamente pelo Magistrado.Como o Relatório Anual significa o resgate de todo o trabalho desenvolvido em um ano.DOS PRAZOS A atuação dos assistentes sociais e psicólogos no judiciário se dá nas matérias referentes à infância. Notadamente os prazos processuais são fixados pelo Código de Processo Civil. O profissional deve estar atento para atender corretamente o prazo que estiver fixado nos autos. tampouco deverão ficar sem andamento por mais de 30 (trinta) dias. Esse prazo está amparado. Nos casos de Destituição do Poder Familiar. por analogia. recomenda-se registrar as informações diariamente/mensalmente. é importante que seja incorporado dentre as atividades profissionais. Muito embora se reconheça isso como trabalhoso. F . Como conseqüência do acima citado. além dos prazos legais ou fixados. conforme o Capítulo XI das Normas da Corregedoria. considera-se 30 dias. Assim o processo que é remetido para o assistente social ou psicólogo para elaboração de estudo social e/ou psicológico. quando não está fixado o prazo. para as providências cabíveis. respostas a ofícios ou requisições. art° 90 enfatiza que: Nenhum processo deverá permanecer paralisado em cartório. Não fazê-lo implica em sério risco de não se conseguir resgatar o trabalho realizado no ano. que em seu capítulo II. apresentação do relatório não transmitirá a veracidade do que se faz e pouco contribuirá para as reflexões da prática diária. este comumente 54 . juventude e família.). cumprirá ser feita conclusão ao juiz. No caso do processo não mencionar nada a respeito. caso seja solicitado estudo ( 161 e 162 § 1º ). providências das partes etc. ver artigos do ECA (artº nº 155 . no aguardo de diligências (informações.163).

Em relação ao estudo de pretendente(s) à adoção. o profissional poderá sofrer alguma penalidade administrativa. o Título V Dos Atos Processuais. Ressalta-se a necessidade de se ter cuidado para não deixar que os processos fiquem parados no setor. a gravidade e a urgência dos casos.Livro III Do Processo Cautelar. Seção VII da Prova Pericial). Destaca-se também. principalmente na Seção II – Do Perito – categoria que inclui o assistente social e o psicólogo judiciários. solicitar novo prazo. de origem cautelar ou liminar. 7 55 . Dos Serventuários da Justiça.o prazo é menor. o prazo é de 45 dias para que os Setores Técnicos ofereçam parecer conclusivo. Capitulo IV Do Juiz e Capítulo V. sem o devido andamento. ou se for o caso. principalmente aqueles que necessitam de medidas de proteção imediatas.7 852 à 854) e Busca e Apreensão (artigos 839 à 843). o prazo é de 5 dias corridos. Nos casos de Vara da Família ou Cível. com pedidos de abrigamento e/ou outros atendimentos especiais na rede de serviços. O profissional deve considerar a complexidade. segundo o Na impossibilidade de cumprir as determinações judiciais em tempo compatível. como Medidas Cautelares . Para mais subsídios consultar O Código De Processo Civil : Título IV dos Órgãos Judiciários e dos Auxiliares da Justiça.tem que ser apresentado antes das audiências definidas na Pauta do Juiz e os prazos concedidos são menores. Quanto ao adolescente autor de ato infracional. pois a internação só poderá durar 45 dias segundo o referido diploma legal. o profissional deverá esclarecer nos autos o que motivou o atraso e solicitar a dilação de prazo (artigos 432 e 433 do Código de Processo Civil. que esteja custodiado (artigo nº 108 do ECA) . Capítulo III Dos Prazos. como casos de violência na família. em Natureza das Ações como Alimentos (artigos Código de Processo Civil. Caso isso ocorra. O ECA prevê um andamento processual mais célere de 20 dias.internação antes da sentença . artigo 803.

salvo autorização judicial e. solicitando o desentranhamento dos documentos os quais somente serão liberados após despacho judicial. como mencionado anteriormente. 56 . ao realizar visita domiciliar ou estabelecer contato com a rede social. seja o original ou xerox. posto que isso é vedado.G . ou ainda orientar as partes a provocar em cartório. como forma de preservá-los. Caso seja verificada essa necessidade. somente em cartório. não leve consigo os processos. Recomenda-se que preferencialmente o profissional. Se houver necessidade poderá solicitar cópias xerográficas. o profissional poderá apresentar em relatório que aponte essa questão. para que possa atender o caso com maior propriedade.DO MANUSEIO DO PROCESSO É de fundamental importância que os profissionais ao receber um processo conheçam o conteúdo dos autos. O processo que estiver na responsabilidade dos setores técnicos não pode ser manuseado pelas partes. para ser entregue aos interessados. Também não cabe ao profissional retirar do processo documentos.

Código de Processo Civil.sp. 57 .sp. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DO BRASIL – Promulgada em 05 de outubro de 1998. BRASIL. BRASIL.tj. 1990. REGULAMENTO INTERNO DOS SERVIDORES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 35ª ed. Disponível em http://www. Disponível em http://www. BRASIL.tj.gov.br/.gov. São Paulo: Editora Saraiva.br/. Estatuto da Criança e do Adolescente. acesso em 15/09/07. 1973.BIBLIOGRAFIA (referente ao capítulo Nº 3) NORMAS DE SERVIÇO DA CORREGEDORIA GERAL DA JUSTIÇA. 2005.

onde também o Juízo da Infância e Juventude constitui-se enquanto Vara Privativa. assim como o juiz da Vara Cível também acumula Família e Sucessões.CAPÍTULO 4 O JUÍZO DA INFÂNCIA E JUVENTUDE Parte I A . elas são organizadas pelas áreas do Direito. o que significa dizer que existem critérios administrativos para a instalação das Varas. 58 . bem como Varas específicas de Família. A despeito de qual seja a organização administrativa. e o Juiz Criminal ou do Júri podem acumular Infância e Juventude. Infância e Juventude e Criminal. entre outros. da sociedade ou do Estado (artº 98 do ECA). ou seja. ao número de feitos. cabe ao Juízo da Infância e Juventude tomar conhecimento e aplicar medidas de proteção quando ocorre a violação de direitos da criança e do adolescente decorrente da ação ou omissão seja dos pais.CONSIDERAÇÕES INICIAIS O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo organiza-se na primeira instância em Varas que podem ser Cumulativas ou Especializadas. Assim identificam-se Varas Únicas cujo juiz é o responsável pela decisão das matérias da área Cível (inclusive Família e Sucessões). Há ainda. que estão relacionados. Outras em que as Varas são Especializadas. Fóruns.

sendo necessária a intervenção judicial para que lhe seja assegurado direitos e assegurado medidas de proteção. Conhecer os pedidos de adoção e seus incidentes. Determinar o cancelamento. 9 Curador Especial é aquele que é designado para representar a criança ou adolescente em atos determinados. aplicando as medidas cabíveis. o Juízo da Infância e Juventude deverá ser notificado. Designar curador9 especial para representar interesses das crianças e adolescentes em determinados procedimentos judiciais e extrajudiciais. modificação ou destituição de tutela ou guarda.B . Suprir a capacidade ou o consentimento para o casamento. Conhecer casos encaminhados pelo Conselho Tutelar. aplicando as medidas cabíveis. uma ou mais crianças e/ou adolescentes estejam nas condições previstas no artigo 98 do ECA. Aplicar penalidades administrativas nos casos de infrações contra normas de proteção a crianças ou adolescentes. Conceder a emancipação nos casos de ausência dos pais. Para saber mais das competências do Ministério Público na área da Infância ver ECA artº 201. A autoridade judiciária tem sua competência definida no ECA em seu artº 148. Conhecer ações de destituição e suspensão do poder familiar. difusos ou coletivos afetos à criança e ao adolescente. 8 59 .COMPETÊNCIAS DO JUÍZO DA INFÂNCIA E JUVENTUDE Nas situações em que. Conhecer ações cíveis fundadas em interesses individuais. Também competirá ao Juízo: Conhecer os pedidos de guarda e tutela. a qual se aponta a seguir: Conhecer as representações do Ministério Público8 para apuração de ato infracional atribuída à adolescente. a retificação e o suprimento de registros de nascimento e óbito. Conhecer de ações decorrentes de irregularidades em entidades de atendimento.

no que se refere à necessidade de aferir do que trata a ação proposta. apresentem relatório ao juiz. os relatórios e as petições (advogado ou próprios interessados) dos profissionais que atuam no judiciário10 são autuadas e registradas. mediante pagamento ou recompensa. 30 ECA) e nos casos em que houve promessa ou entrega efetiva de filho ou pupilo a terceiros. Assim sendo. da escola. C . de advogado ou dos próprios interessados na resolução de um problema que não está sendo possível viabilizar respostas sem a interferência judicial.de acordo com a classe estabelecida pelas Normas da Corregedoria. de instituições. de hospitais. as quais expõe os fatos e solicita providências. do Conselho Tutelar. 238 ECA).DOS PROCESSOS Um processo no Juízo da Infância tem início com as representações que podem ser do Ministério Público. pois se constitui em crime (Art. 2. sem autorização judicial (Art. de postos de saúde. os relatórios de profissionais. Evidencia-se que o Juízo da Infância e Juventude irá conhecer as situações que envolvam a violação dos direitos e tomar as providências cabíveis a partir de representações. as ações que tramitam na Vara da Infância e Juventude não fogem a regra. As representações. Ele também deverá tomar providências quando for de seu conhecimento que houve colocação ou transferência de criança ou adolescente em família substituta ou a entidades governamentais ou não-governamentais. não há impedimento dos assistentes sociais e psicólogos ao identificar uma demanda judicial. 10 60 . Não obstante. Isso equivale dizer que na capa do processo irá figurar o Nº do Conforme mencionado no cap. de outras instituições. isso só é viável se a autoridade judicial local não oferecer óbice. o que significa dizer que receberá um número de processo e uma classificação .Conhecer ações de alimentos. que determina a autuação e toma providências cabíveis.

por vezes. em grande parte.Processo. se é esta ou aquela verdade. 11 61 .1). Com as considerações acima. Tomo I. as dificuldades presentes nas relações sóciofamiliares e qual o encaminhamento mais adequado aos sujeitos e a problemática apresentada. VII. Cap. está estabelecido no Capítulo XI das Normas da Corregedoria. há que se ter claro que nesses processos estão presentes uma gama de dificuldades em que estão implicadas relações sociais e problemas psicológicos que aparecem de forma fragmentada. (Seção II. Os processos que tramitam nesse Juízo. mas entender as particularidades no campo humano-social No caso do Juízo da Infância e Juventude adota-se a classe que consta em Provimento CG Nº 23/2006 e. que no livro de Registro Geral de Feitos do Juízo deverá constar a natureza do procedimento. podem atingir os indivíduos e sua família de diferentes formas. Assim. apresentam questões complexas e de difícil compreensão que abarcam situações de crianças e adolescentes cujos direitos foram ou continuam sendo violados. por sua vez. de difícil percepção. artº 7. que nem sempre é de fácil identificação a espécie de violação. a Classe que os autos pertencem11. As conseqüências. Na Vara da Infância e Juventude é comum que os processos sejam classificados sob a denominação de PROCEDIMENTO VERIFICATÓRIO/PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS ou com menor incidência OUTROS FEITOS NÃO ESPECIFICADOS (o que não é recomendado). Desta feita muitos são os processos que necessitam de melhor análise e intervenção do juízo para que se possa ter clareza do que efetivamente ele irá tratar. nas Normas de Serviço da Corregedoria. os Nomes do requerente/requerido ou da criança/adolescente. multifacetada e. é compreensível que muitos dos processos da infância e juventude recebam a classificação de Procedimento Verificatório ou Pedido de Providência. a Vara. Ademais. Não se trata apenas de decidir o certo ou o errado. se Verificatório ou Contraditório.

que equipes interprofissionais. deverão proceder a orientações e encaminhamentos que se fizerem necessários à população usuária. O Estatuto da Criança e do Adolescente reconhece essa peculiaridade da justiça da infância e juventude ao prever em seus artigos 150 e 151. 62 . o objeto da intervenção é a criança e o adolescente. indivíduos em processo de desenvolvimento e que qualquer decisão sobre eles repercutirá sobre toda a sua vida.em uma perspectiva multiprofissional que se possa vislumbrar um desfecho. recuperando direitos e assegurando a cidadania. além de subsidiarem decisões judiciais. Há sempre que se ter presente que qualquer decisão no campo da infância e juventude é extremamente delicada. uma vez que.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM DIREITOS VIOLADOS CRIANÇA OU ADOLESCENTE QUE TEVE SEU DIREITO VIOLADO SIM NÃO Avaliar se a família tem condições de permanecer com a criança ou adolescente Acompanhar e encaminhar a família da criança ou adolescente para rede de serviços SIM SIM Acompanhamento da família para assegurar NÃO que o atendimento dispensado à criança/ adolescente está sendo adequado Verificar junto a família ampla e na comunidade a existência de pessoas NÃO interessadas em assumir os cuidados da criança ou adolescente Direitos garantidos Acompanhamento encerrado Família não responde ao trabalho realizado pela rede de proteção e V.I.J Criança e adolescente continua com seus direitos violados Interessado avaliado e considerado apto para assumir os cuidados da criança ou adolescente JUIZ DEFERE A GUARDA Criança ou adolescente Encaminhado para abrigo MEDIDA EXCEPCIONAL E PROVISÓRIA 63 .

É possível que o juiz decida de pronto uma medida de proteção. Assim. Independentemente da urgência ou não do caso. dependendo da rotina estabelecida. A partir do momento que o processo chega à seção técnica.CONSIDERAÇÕES INICIAIS A atuação dos profissionais de Serviço Social e de Psicologia no processo tem início a partir do momento em que estes profissionais tomam conhecimento de uma situação que mereça apreciação judicial. visando à medida a ser aplicada. poderá o juiz determinar estudos que elucidem a questão trazida. se isso não for necessário. sejam identificadas demandas às quais deverão ser encaminhadas ao Conselho Tutelar. no intuito de oferecer subsídios à decisão judicial. antes da definição da medida. Não obstante. já emitir um Parecer e solicitar que os autos retornem para aprofundamento do estudo. se a criança e/ou adolescente estiver em situação de risco. 64 . pode ocorrer que.Parte II A ATUAÇÃO DOS ASSISTENTES SOCIAIS E PSICÓLOGOS NOS PROCESSOS DA INFÂNCIA E JUVENTUDE A . aos advogados ou. nesse momento. no Plantão de Atendimento ao Público (previsto nas NCGJ). recomenda-se que o juiz determine que o processo seja enviado às Seções Técnicas para a elaboração de estudo social e/ou psicológico. podendo ou não. Os profissionais têm liberdade para utilizar as técnicas e os instrumentos que entenderem como os mais adequados e devem estar atentos aos Códigos de Ética das profissões. os assistentes sociais e/ou psicólogos relatam e encaminham ao juiz o problema apresentado para as providências cabíveis. ainda. o profissional deverá tomar as providências para cumprir a determinação.

entendendo-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes (Art. Esse relatório circunstancial deverá oferecer um Parecer – ainda que não conclusivo de um estudo e poderá apresentar sugestões da necessidade de aprofundar o caso e/ou indicar alternativas que viabilizem o estabelecimento de garantias de direito. pareceres”. 2004. Conselho Federal de Serviço Social. quer seja uma informação. 2003 e O Estudo Social em Perícias. visando à superação das dificuldades vivenciadas pelo indivíduo ou pelo grupo familiar.não ser a perícia de sua esfera de competência ou a existência de vínculos afetivos ou parentesco com uma das partes envolvidas no processo. de modo que ao desenvolverem determinado estudo elaborem um relatório que será juntado ao processo. com sua família natural. portanto. de manutenção dos vínculos da criança e adolescente com sua família de origem.25 ECA). A liberdade de opinião está também limitada aos princípios da lei e éticos. Laudos e Pareceres Técnicos: Contribuição ao debate no Judiciário. com os serviços que são utilizados pelas crianças/adolescentes e suas famílias. É recomendável que a criança/adolescente permaneça. se ela não estiver constituída. na medida do possível. laudos. Selma M. facilitando a realização de um trabalho conjunto. em que é assegurada a sua livre manifestação técnica (ECA. 12 65 . Penitenciário e na Previdência Social. Recomenda-se para aos assistentes sociais: “Avaliação e Linguagem –relatórios. Magalhães.O trabalho com as “partes” resultará um registro escrito. Não se inclui nesta liberdade de opinião a recusa destes profissionais em realizarem tarefas ou responder a quesitos formulados. Nessa área de atuação é possível que os profissionais aproximem-se gradativamente do objeto de intervenção. Para os psicólogos recomenda-se a Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 7/2003. um relatório ou um laudo12. Ademais os assistentes sociais e psicólogos podem e devem estabelecer em sua rotina de trabalho a articulação com a rede social da região. a não ser nas hipóteses previstas em lei . ou. artº 151). As avaliações dos casos devem ser realizadas com o objetivo primeiro de verificar as condições de permanência e.

ainda. Assim. A equipe técnica pode sugerir o acompanhamento do caso levando em consideração as características de cada situação. no Processo Verificatório. 66 . encaminhamentos e acompanhamento do caso para verificar e assegurar as condições de atendimento das necessidades das crianças e adolescentes que tiveram seus direitos violados. a colocação em família substituta mediante guarda. os profissionais poderão oferecer parecer a respeito da possibilidade de manutenção dos vínculos familiares ou então da conveniência de afastar a criança ou adolescente da convivência de seus pais ou responsáveis. no intuito de que essas possam minimizar as carências e as dificuldades apresentadas. É importante dizer que. orientações. Ressalta-se o cuidado que os profissionais deverão ter com os registros escritos e que compõe os processos. apontando sugestões para outras providências. deverão os profissionais. bem como a necessidade de inclusão em serviços de proteção. Sugere-se o acompanhamento do caso até que se tenha comprovação que a criança/ adolescente não mais se encontra em situação de risco/ violação de direitos. se possível. ao deparar-se com a ausência ou ineficiência dos serviços necessários ao suporte a essas famílias. reservando-se a expressar seus posicionamentos dentro de suas competências técnicas. por vezes. na aplicação de uma medida de abrigamento ou. faça constar em seus relatórios e/ou laudos. realizarem aconselhamento. Pois o relatório ou laudo passa a ser um instrumento de prova no processo e junto com outros elementos oferecem base para o juiz formar sua convicção para decidir. tutela ou adoção. isso resultará. o Ministério Público poderá identificar elementos de sustentação para ingressar com Processo de Destituição do Poder Familiar. Concluindo-se sobre a possibilidade de permanência da criança e adolescente no seio de sua família. Recomenda-se que o profissional.De posse dos dados. a capacidade ou disponibilidade do grupo familiar para promover as adaptações necessárias. assistente social e psicólogo. avaliando. os prejuízos provocados à criança/adolescente.

ainda. com os colaterais e com os serviços os quais estes fazem para oferecer base para o laudo técnico. solicitando que as partes sejam convocadas para entrevistas na seção de Serviço Social e/ou Psicologia para o dia X e hora X ou.O PROCESSO NAS SEÇÕES TÉCNICAS Conforme já mencionado no Capítulo 3 item B-2. deverão ser sugeridos pelo profissional de Serviço Social e/ou Psicologia. Sempre que possível. quando o profissional percebe tal necessidade. por escrito. iniciar por visita domiciliar. Em alguns casos. é possível assinalar que em todos os processos que envolvam subjetividades afetivo-emocionais será imprescindível a avaliação 67 . o responsável pela seção deverá anotar no Livro de Controle de Registro de Processo. O profissional. Importante lembrar que nos processos em que não figurar prazo determinado pelo juiz. visto que só poderão ser realizados mediante autorização/determinação do juiz. após atenta leitura do processo. a avaliação do caso deve ser interdisciplinar. sempre que necessário. o profissional deverá dirigir-se ao juiz. observando a data da chegada e o profissional designado a cumprir o estudo. Caso haja compreensão de que deverá iniciar por entrevistas a serem realizadas no próprio fórum.Os acompanhamentos e encaminhamentos. o profissional deverá considerar o prazo de 30 dias para o seu cumprimento. Importa salientar que o assistente social e o psicólogo devem ter clareza que um processo poderá exigir diversas aproximações com os sujeitos do processo. B . no próprio processo. De antemão. a avaliação psicológica é requerida pelo Ministério Público ou ainda sugerida pelo Serviço Social. avaliará como pretende desencadear as ações necessárias para cumprir o estudo. quando o processo for encaminhado pelo cartório às seções técnicas.

nos processos de vitimização.O ESTUDO SOCIAL O Estudo Social é um procedimento metodológico privativo do assistente social e. – São Paulo: Cortez. pareceres”. o assistente social realizará uma avaliação. C . laudos. Assim no Cadastro de Pretendentes à Adoção. Evidencia-se a importância do assistente social identificar que a questão social. apropriando-se do conhecimento das políticas públicas.) –2ª ed. por isso mesmo. o assistente social. Portanto. conhecendo os indicadores sociais. Sendo assim. 13 13 Recomenda-se para aprofundar sobre avaliação. dentre outros. em especial. encontra-se engendrada nos processos da infância e da adolescência e. Laudos e Pareceres Técnicos: Contribuição ao debate no Judiciário. O Estudo Social em Perícias. 2004. Magalhães. em que é necessário que ele tenha clareza em relação ao que irá avaliar qual a intencionalidade. 2004). os pressupostos ético-políticos da profissão e os instrumentos técnico-operativos. técnicas e instrumentos em “Avaliação e Linguagem –relatórios. Conselho Federal de Serviço Social (org. as particularidades dos aspectos socioeconômicos e culturais. requer que os profissionais não se desvinculem da realidade social mais ampla. nesta concepção. o estudo social irá permitir conhecer os sujeitos em suas relações sociais e. e. 68 . nas adoções. acompanhando os movimentos sociais de forma tal que lhe permita entender as expressões sociais que se particularizam. com isso. esteja presente historicamente na prática cotidiana da profissão do Serviço Social é no campo judicial que ele tem assumido maior expressão. poder tecer uma análise crítica das relações sociais e das questões postas em seu cotidiano de trabalho (Fávero. de destituição do poder familiar. Selma M.do psicólogo. muito embora. necessita atualizar-se. enquanto um profissional qualificado. No estudo social. de informações de diferentes âmbitos. base fundante da profissão. 2003. Penitenciário e na Previdência Social.

construir o estudo social14 implica: o o O que conhecer → qual o “objeto” a ser conhecido Por que e para que realizar o estudo → os objetivos a alcançar e com quais finalidades. convivência comunitária. papéis e padrões de funcionamento O contexto socioeconômico e cultural e sua influência na vida dos filhos. A conduta dos pais em relação ao trabalho. medidas acompanhamento determinadas pela autoridade judicial De acordo com exposição da Profª Drª Eunice Terezinha Fávero.Em suma. e seu processo de socialização. Conhecer história de vida da criança ou adolescente. participação em atos delitivos. uso de álcool ou drogas.. 14 69 . Identificar a estrutura do grupo familiar. Contextualizar a demanda. da família para e receber cumprir ajuda. outros grupos de convivência familiar e comunitária Receptividade orientação. em 25/10/2007. sugerimos que os assistentes sociais ao realizarem o estudo social estejam atentos aos seguintes aspectos: Conhecer a situação inicialmente apresentada. por meio de videoconferência. Conhecer o histórico de vida do grupo familiar. o Como fazer: metodologia operativa → indicadora dos passos e dos instrumentos e técnicas a serem utilizados Diante do acima exposto. fatos significativos. etc. identificando origem. A presença de outros adultos significativos que possam proporcionar apoio à família em crise. Recursos e serviços disponíveis ou utilizados pela criança/adolescente e grupo familiar Natureza dos vínculos familiares. no 20º Curso de Iniciação Funcional dos Assistentes Sociais.

utilizam-se técnicas de entrevistas apropriadas tanto para o atendimento à criança/adolescente quanto aos adultos. visitas institucionais e contatos com pessoas ou rede de serviços que sejam significativos na vida da criança.br e www. Quanto ao uso de testes. da observação da interação “mãe-filho” e/ou deste com a figura substituta.O ESTUDO PSICOLÓGICO O Estudo Psicológico é privativo do profissional da Psicologia.crp. Usualmente. que o assistente social pode valer-se de um roteiro. (Magalhães. 2003. D . observações. ainda.org. de que os profissionais da equipe interprofissional têm a autonomia e liberdade para atuarem. 70 . Sabe-se da preponderância da linguagem não-verbal sobre a última. análise documental. orienta-se que o profissional consulte o site do CRP. lança-se mão da observação lúdica. Este profissional deve escolher os procedimentos técnicos de acordo com a formação e linha teórica que vem desenvolvendo em sua prática.49) Os principais instrumentos utilizados pelo assistente social em seu estudo são atividades. pois é somente um norteador da ação ou da intervenção do profissional. visitas domiciliares. já que a linguagem verbal está de certa forma limitada. Lembra-se o descrito no artigo 151 do ECA. como entrevistas.org. alguns desses aspectos ganham maior evidência e outros são acrescidos de forma a contemplar a particularidade do estudo que se realiza. ou seja. em subgrupo ou em grupo. Quando se trata de criança em tenra idade. entre outras técnicas. entretanto. com o casal. sendo que estas podem ser aplicadas de maneira individual. esse não pode adquirir a feição de questionário.As diferentes demandas que o assistente social irá se defrontar por meio de suas ações poderá exigir que o estudo social assuma especificidades. Assinala-se. www. p. Esta lista vem sendo constantemente atualizada e nesta estão assinalados todos os testes que estão em condições de uso. adolescente e genitores.pol.br.

comportamentos abusivos. disfunções cognitivas. observação quanto ao cumprimento dos papéis nestes espaços: creche. se este é proveniente da Vara da Infância ou da Família. Avaliação das relações intra-familiares e da família em sua inserção com outros sistemas.A Resolução 007/2003 do CFP instituiu o Manual de Elaboração de documentos escritos e produzidos pelo Psicólogo decorrente da avaliação psicológica e revoga a resolução do CFP. Percepção dos vínculos afetivos da criança/adolescente com as principais figuras de apego no passado. Pesquisar na família atual e na de origem dos genitores e /ou requerentes. Muitas vezes nos questionamos sobre questões éticas. História de vida pessoal e familiar das figuras parentais. Características dos vínculos entre os adultos e de cada um deles com a criança ou adolescente em questão. Quanto ao número de entrevistas. Aspectos da psicodinâmica da estrutura de personalidade das figuras parentais e possíveis figuras substitutas. a escolha das técnicas deverá ser levada em conta a particularidade de cada caso. Na entrevista de devolução. Do ponto de vista psicológico podem ser levantados prioritariamente os seguintes aspectos: Fases de desenvolvimento da personalidade da criança/adolescente e de seus irmãos (distúrbios de comportamentos. psico. saúde. mitos que podem estar relacionados de alguma forma com a temática enfrentada. traços patológicos e saudáveis de suas estruturas psíquicas. o psicólogo deve ter o cuidado em abordar com as partes os principais aspectos que foram levantados no curso da avaliação e que serão descritos no relatório a serem anexados nos autos. padrões de repetição de comportamentos que indicam disfuncionalidade. mas devemos ter claro que nosso maior comprometimento é com a criança e ou o adolescente. segredos. rotina de vida em casa e na comunidade. e perspectivas de prognóstico para o futuro. levando sempre em consideração.017/2002. na atualidade. evidência de dependência química.motoras e afetivas). o melhor interesse da criança. escola. da complexidade. dados inconsistentes. 71 da gravidade e da .

da sua importância para a organização da vida em sociedade e vale-se dela como uma aliada para auxiliar aqueles casos atravessados. o psicólogo tem a real dimensão do valor da lei.114) 72 . Geralmente apenas mediante a realização de uma avaliação meticulosa é que se torna possível a detecção de tais perigos. inclusive por acentuada periculosidade. Destacamos as idéias de Silva (2004) que ilustram bem o valor da atuação psicológica. Dentro das instâncias jurídicas e em face do drama familiar de quem as procura. p. e principalmente. quer seja física ou emocional. 2004.urgência da situação. da percepção do profissional que está atuando. (Silva.

ESTUDO SOCIAL O U PSICOLÓ GICO Cartório encaminha o processo Setor Técnico recebe o processo Lançar o processo no livro carga do Setor Verificar a determ inação Realizar o estudo Analise de documentos ou processo Visitas e reuniões interinstitucionais Visitas domiciliares Entrevistas Laudo . Relatório. Inform ação ou Parecer 73 .

refratário ao convívio social. é necessário ter presente que a violência contra a criança e adolescente é uma das formas mais graves de violência.Feitas às considerações acima. A situação se agrava ainda mais. pela dependência física. emocional e econômica quase que total que estas crianças e adolescentes têm com seus responsáveis. O motivo deste isolamento está intrinsecamente associado à forma de manter o segredo da violência vivida. serão particularizadas alguns aspectos que os assistentes sociais e psicólogos necessitam conhecer minimamente para realizar seus estudos bem como proceder às intervenções necessárias no sentido da garantia de direitos. 74 . As famílias abusivas geralmente funcionam como um sistema fechado. Em primeiro lugar. posto que os adultos encarregados da sua proteção e cuidado são precisamente aqueles que os agridem. Dificilmente se integram com as pessoas da comunidade. percebe-se que as figuras parentais se distanciam de suas funções corriqueiras e acabam ficando igualmente afastadas dos sistemas extra-familiares.CONSIDERAÇÕES INICIAIS: Um Processo Verificatório pode trazer subjacente a violência contra crianças e adolescentes. A intervenção dos assistentes sociais e psicólogos exige conhecimentos específicos para se apreender a realidade exposta nas relações intra e extrafamiliar. impermeável às trocas. 1 – VITIMIZAÇÃO A . violência essa que pode ou não estar associada a questões estruturais e à ausência ou insuficiência de políticas públicas. tais como escola. Na prática. festividades e demais eventos sociais.

A família atravessa inúmeras crises. tentando restabelecer o equilíbrio.. obrigando-a a reviver o conflito. sexual. (Azevedo e Guerra.. numa negação do direito que a criança ou adolescente têm de ser tratado como sujeitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento. Devem-se levar em consideração delicadas situações como: O receio da criança/adolescente de ser punida pela figuras parentais. novamente recebe intimação da Vara Criminal. Outros aspectos a serem ressaltados dizem respeito: A re-vitimização que ocorre quando a criança/adolescente é atendida por diversos serviços e profissionais sendo obrigada a repetir sua história violenta inúmeras vezes. A angústia de vir a ser abrigada. e quando consegue certa acomodação.implica em um lado numa transgressão de poder/dever de proteção do adulto e. por parte do Judiciário. Receio de o agressor vir a ser preso. de outro. parentes ou responsáveis contra crianças e ou adolescentes que – sendo capaz de causar dano físico.DEFINIÇÃO DE VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇA E ADOLESCENTE A violência contra criança e adolescente é definida como: (. Temor de o acusado ser afastado de casa pelo juiz da infância. B . isto é. numa coisificação da infância. 1984) 75 .Também inibem o estreitamento das relações entre a criança/ adolescente e seus colegas. e deles com outros adultos que possam perceber a problemática existente. O descompasso temporal inerentes a existente entre e os a procedimentos proteção responsabilização. O medo das conseqüências advindas da regulação social.)todo ato ou omissão praticado por pais. psicológico à vítima .

Incluem ameaças. psicológicas. O abusador é. O agressor é uma pessoa que com ela convive e em quem ela confia e. rejeição etc. descriminação. deixando ou não marcas evidentes. isolamento. 2007) 76 . (UNICEF.2001) Negligência . etc.se refere à falta de proteção e cuidado mínimo por parte de quem tem o dever de fazê-lo. escolas. na maioria das vezes. responsáveis por atividades de lazer. humilhações. Existe negligência quando os responsáveis pelo cuidado ou educação das crianças e adolescentes não atendem ou satisfazem as necessidades básicas. religiosos. (MINISTÉRIO DA JUSTIÇA .A violência intrafamiliar ocorre quando existe algum laço familiar (direto ou não) ou ainda quando existe responsabilidade do agressor sobre a vítima. A violência institucional é aquela que acontece dentro das instituições governamentais ou não governamentais encarregadas de prover cuidados substitutivos da família: abrigos. sociais e intelectuais. médicos. A violência extrafamiliar ocorre fora âmbito familiar. danificar e até mesmo destruir. ama. não acidental por parte dos pais ou responsáveis de crianças ou adolescentes. à identidade ou ao desenvolvimento da pessoa. freqüentemente. educadores. alguém que a criança conhece: vizinho ou amigos da família. ( GUERRA. É mais difícil de ser identificada.é toda ação ou omissão que causa ou visa causar dano à auto-estima. com o objetivo de ferir. apesar de ocorrer com freqüência. chantagem. 1985) Violência psicológica . Pode ocorrer entre as próprias crianças e adolescentes ou entre estes e profissionais da instituição Destacam-se aqui os conceitos sobre os diferentes tipos de violência para melhor embasamento da questão tratada: Violência física . sejam elas. físicas.é o uso da força física de forma intencional.

Telefonemas obscenos são também uma modalidade de abuso sexual verbal. 2002). Baseia-se. especialmente do sexo masculino. 2002) B 1 . (FIOCRUZ/ENS/CLAVES. cujo agressor esteja em estágio de desenvolvimento psicossocial mais adiantado que a criança ou adolescente. na posição de poder do agente sobre a vítima. na maioria das vezes. A maioria deles é feita por adultos. 77 .FORMAS DA VIOLÊNCIA SEXUAL O abuso sexual intra e/ou extra-familiar pode se expressar de diversas formas: Abuso sexual sem contato físico . turismo sexual e tráfico.é o grau extremo de negligência por parte dos adultos. Quase sempre existe a participação de um (a) aliciador (a).é todo tipo de ato ou jogo sexual. 2002). (UNICEF. (ABRAPIA. pornografia. Tem por intenção estimulá-la sexualmente ou obter satisfação sexual.é a utilização de crianças ou adolescentes com intenção do lucro (pode entender também comercialização) seja financeiro ou de qualquer outra espécie. 2002). Podem gerar muita ansiedade na criança. que é chantageada e ameaçada pelo autor da agressão (ABRAPIA.são práticas sexuais que não envolvem contato físico: Assédio sexual caracteriza-se por propostas de relações sexuais. Pode ser compreendida através de quatro tipos: prostituição. Abuso sexual verbal pode ser definido por conversas abertas sobre atividades sexuais destinadas a despertar o interesse da criança ou do adolescente ou a chocá-los (ABRAPIA. no adolescente e na família (ABRAPIA.Abandono . 2007) Violência sexual . 1994) Exploração sexual . relação hetero ou homossexual.

Crianças e adolescentes de classe média podem também trocar sexo por drogas ou produtos “de marca” (roupa. Essas práticas são eventuais e realizadas juntamente com outras estratégias de sobrevivência. contudo. que vivem nas ruas. penetração vaginal e anal. entre crianças ou entre adultos com animais. Essa tecnologia tem servido como elemento facilitador para criação de clubes de pedofilia ou vendas de pornografia infantil. Voyeurismo é o ato de observar fixamente atos ou órgãos sexuais de outras pessoas quando elas não desejam serem vistas e obter satisfação com essa prática. 2002). de uma noite de sono num hotel ou para adquirir sua quota de drogas. A experiência pode perturbar e assustar a criança e o adolescente (ABRAPIA. tanto de quem fotografa crianças nuas ou expõe suas imagens em posições sedutoras com objetivos sexuais. masturbação. A experiência. sentem prazer em seu consumo. sendo estes expostos em revistas. filmes e. Trocas sexuais é a oferta de sexo para obtenção de outros favores. A pornografia infantil atende a uma demanda de mercado em que certas pessoas. na internet. Pornografia é um produto com fins comerciais destinado a provocar estímulo sexual dos indivíduos. Abuso sexual com contato físico são atos físico-genitais que incluem carícias nos órgãos genitais. Muitas crianças e adolescentes que fogem de casa. etc). . em geral pedófilos15. de práticas sexuais entre adultos. como de quem mostra às crianças fotos. em que as 15 Pedófilo – Desvio sexual que consiste na atração sexual de um adulto por crianças. pode ser assustadora para algumas crianças e adolescentes (ABRAPIA. 2002). Pornografia é a exposição de imagens eróticas de pessoas ou focando partes de corpos. sexo oral. adultos e crianças. tênis. A pornografia envolvendo crianças e adolescentes é considerada crime. 78 . livros.Exibicionismo é o ato de mostrar os órgãos genitais ou se masturbar diante da criança ou do adolescente ou no campo de visão deles. vídeos ou cenas pornográficas. principalmente. mantêm relações sexuais com adultos em troca de comida. tentativas de relações sexuais.

transporte. essas pessoas são chamadas rufiões. transferência e hospedagem da pessoa recrutada para essa finalidade. Trabalho sexual infanto-juvenil autônomo é a venda de sexo realizada por crianças e adolescentes. Trabalho sexual infanto-juvenil agenciado é a venda de sexo intermediada por uma ou mais pessoas ou serviços. seduzidas por uma rápida mudança de vida ou sucesso fácil. pensão alimentar. se engajam em trabalho sexual e fazem dele sua principal estratégia de sobrevivência. embarcam para outros estados do país ou para outros países e lá se vêem forçadas a entrar no mercado da exploração sexual. rapto. ou não há ação continuada de trabalho sexual. maquiagem e proteção durante a realização do trabalho. serviços de acompanhamento. Todavia. 79 . Os trabalhadores sexuais pagam a essas pessoas ou serviços um percentual do que ganham em troca de residência. Muitas jovens. namoro-matrimônio. os serviços são normalmente conhecidos como bordéis. pela organização de “excursões” turísticas. com fins não declarados de proporcionar prazer sexual a turistas estrangeiros ou de outras regiões do país e. No primeiro caso. Caracteriza-se. turismo.trocas sexuais não predominam ou predominam apenas temporariamente. no segundo. caracterizando uma relação de exploração ou de semi-escravidão. roupas. por um lado. intercâmbio. por outro lado. cafetões e cafetinas e. clubes noturnos. o mais recorrente é que o tráfico para fins de exploração sexual de crianças e adolescentes ocorra de forma “maquiada” por agências de modelo. Turismo orientado para a exploração sexual é comumente conhecido como “turismo sexual” ou “sexo-turismo”. A prática envolve atividades de cooptação e/ou aliciamento. mais adolescentes do que crianças. pelo agenciamento de crianças e adolescentes para oferta de serviços sexuais. trabalho internacional. Muitas crianças e adolescentes. de ambos os sexos. Normalmente os profissionais do sexo se transformam em reféns de seus agenciadores. Tráfico para fins de exploração sexual de crianças e adolescentes é uma das modalidades mais perversas de exploração sexual.

Não será jamais objeto de tráfico. [Princípio 9º da Declaração Universal dos Direitos da Criança de 1959] Assim como o que está previsto no artigo 130 do ECA. que as pessoas devem apurar sua formação para aceitar a realidade dos fatos e conseguir oferecer à criança uma ajuda mais adequada.C . Delegacia. a revisão da literatura específica autoriza-o mencionar que na atualidade não se fala mais em fantasia. Segundo o estudioso no assunto. Hospitais. fica ainda mais evidente a necessidade de que toda intervenção em situações de violência tenha sempre presente o interesse superior da criança e adolescente.A AVALIAÇÃO SOCIAL E PSICOLÓGICA NOS CASOS DE VITIMIZAÇÃO Diante do referencial teórico exposto. o juiz poderá determinar como cautela o afastamento do agressor da moradia comum. portanto. Sua experiência como psicólogo judiciário conclui. sob qualquer forma. 80 . O parecer técnico deverá levar em consideração os princípios Universais da Criança e do Adolescente que estabelece que: A criança gozará proteção contra quaisquer formas de negligência. Para a avaliação de uma situação de violência e. mas sim se é verdade ou mentira.UBS. da violência propriamente dita. no entanto. em que determina que se constatada a hipótese de maus-tratos. os tempos atuais viram cessar o ocultamento do abuso sexual. ou ainda delírio dentro de um quadro psicótico (o que é raro). A denúncia que rompe “o complô do silêncio” nas famílias abusivas pode ser comunicada a diversas instituições: Conselho Tutelar. o assistente social e o psicólogo judiciário devem sempre observar e levantar dados acerca da relação existente entre as crianças e/ ou adolescentes com os seus pais ou responsáveis. Unidades Básicas de Saúde . da vulnerabilidade e da resposta da família à intervenção técnica realizada. crueldade e exploração. opressão ou abuso sexual que foi imposto pelos pais ou responsável. Segundo Vieira (2006). do entorno familiar. do risco. bem como aspectos destes responsáveis. Escolas e ainda os profissionais dos Abrigos.

Recomenda-se que os profissionais da Vara da Infância e Juventude solicitem relatórios trimestrais dos serviços de atendimento até que se verifiquem mudanças significativas no sistema familiar.Necessário se faz criar um fluxograma do sistema de notificação e atendimento. Isto porque. por vezes. afastamento do autor da violência) e encaminhamentos para tratamento nos serviços do Poder Executivo. no sentido de aferir com acuidade as nuances de cada caso. Nos últimos anos. tanto aqueles que tiveram necessidade do afastamento vítima-agressor. tanto na rede interna (entre assistente social. pois sendo esta multifacetada há necessidade de diferentes serviços e áreas de atendimento. psicólogo. promotor e juiz). como já foi explicado anteriormente. sugere-se que haja aproximação e troca de informações entre o judiciário e o serviço especializado. É importante que haja a discussão e reavaliação do caso. observamos que vem ocorrendo o reconhecimento da importância do trabalho interdisciplinar. social. educacional. O trabalho em rede é indispensável quando se tratar de atendimento à violência. como aqueles em que a criança ou adolescente permanece convivendo com os familiares e. etc. adolescente e de sua família para a rápida elaboração do diagnóstico e possíveis desdobramentos jurídicos (guarda. 81 . com o agressor. visando à possibilidade de imediato acolhimento da criança. como saúde. quanto na externa (rede de proteção). psicológico. Nos casos de vitimização. há necessidade de ser o grupo encaminhado para atendimento especializado. A forma de atuar do assistente social e do psicólogo nos processos que envolvem a violência intra ou extra-familiar exige contínuo aprofundamento no tema. jurídico. Ocorrendo este atendimento. visando garantir que a criança ou adolescente tenha respeitado os seus direitos enquanto um ser em desenvolvimento e que necessita da convivência familiar e comunitária. a violência perpassa por todo grupo e para que haja uma mudança no padrão relacional há necessidade de atenção a todos. abrigamento.

C 1 .AVALIAÇÃO SOCIAL Na busca de oferecer um entendimento mínimo para que os profissionais de Serviço Social possam se ater de modo cuidadoso em face da demanda sobre o assunto. anti-social e delitiva História pessoal de maus tratos e abandono intergeracional Interação pais adolescente 82 ou responsável com a criança ou . pode-se ainda apontar as diferenciações abaixo: Tipos de violência Gravidade e freqüência dos maus-tratos/abuso sexual Agressão Proximidade temporal das agressões Presença e localização de lesões História anterior de maus-tratos Acesso do agressor à criança/adolescente Idade da criança/adolescente Vulnerabilidade Capacidade da criança/adolescente de se proteger Características comportamentais da criança/adolescentes Saúde mental da criança/adolescente Relato inconsistente por parte do cuidador Capacidade física Capacidades associadas à idade Habilidades parentais e expectativa em relação ao filho Responsáveis Métodos disciplinadores Abuso de álcool/droga História de conduta violenta.

Tipo de relação do casal Família e seu entorno Presença de um/a companheiro/a ou pai/mãe substituto/a Existe um adulto capaz de proteger a criança/adolescente de nova agressão ( família nuclear. substituta ou extensa ) Rede de serviços especializados da comunidade Grau de conhecimento do problema Proteção Resposta do adulto não abusador frente à revelação do abuso Capacidade protetiva do adulto não abusador responsável não agressor 83 .

O mito de que a família é intocável. portanto. item II dos 84 . como também atender em subgrupos. Muitas vezes ouvimos em entrevista. percebe-se uma maneira peculiar de funcionamento.AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA A vitimização sexual envolve todas as pessoas da família como num sistema. Dessa forma. a partir da Resolução CFP 010/2005. circular. desde que se tenha o cuidado de não se confrontar a vítima com o agressor. no qual todos os integrantes estão envolvidos de alguma forma. de todo o macro sistema. os genitores não conseguem reconhecê-los como sujeito de direitos e ao menos perceber seus sofrimentos psíquicos.linear. No atendimento às famílias abusivas. Outro aspecto da assimetria de poder é noção difundida no senso comum de que os pais devem educar usando a força física e que também podem fazer o que bem entenderem com os filhos. mas incluir uma compreensão abrangente. a mãe – passiva e geralmente conivente ao abuso . ninguém deve interferir. Embora a denúncia seja um procedimento determinado pelo Código de Ética da Psicologia. seja de maneira passiva ou ativa no ato da violência. Existem certos mitos sobre a instituição familiar que podem indicar alguns motivos de se passar despercebida por tanto tempo a dinâmica abusiva. No cenário da vitimização apresentada no cotidiano de nossa prática observa-se a participação de no mínimo três personagens nesta trama complexa e dramática: o agressor.C 2 . Assim. não. mas este não conseguiu protegê-la. a vítima mencionar que havia compartilhado o segredo com algum adulto de seu relacionamento. sagrada e que. a avaliação pode ser realizada não só por meio de entrevistas individuais com os membros da família nuclear e extensa.e a vítima. deve-se atentar não só para subsistema vítimaabusador. Desta forma.

Freqüentemente o acusado é descrito como “muito apegado à filha/o” (vítima). 245. hesitação para prestar as informações. além da inclusão evidentemente de um trabalho em rede que privilegie ações preventivas e terapêuticas. 85 . evasão escolar (visando à manutenção do complô do silêncio) e atitude de distanciamento dos pais ou responsáveis quando da observação da interação pai-filho. professores. Outro dilema é a insistência na constatação de provas materiais exigidas por alguns juristas que buscam evidências físicas (não encontradas nos casos de assédio. esta ocorre devido a vários fatores. psicológica ou sexual observam-se alguns sinais importantes: divergência entre os diversos relatos. como sentimento de culpa. típicas da família emaranhada. Desta forma. e neste sentido. a avaliação psicológica toma vulto neste tipo de violência tão silenciosa e sem testemunhas. a resistência de alguns médicos. Deve ser empreendida uma investigação técnica criteriosa da vítima e de seus familiares. receio dos parentes e/ou vizinhos das possíveis repercussões (polícia e judiciário). a capacitação profissional torna-se um instrumento valioso na luta pela preservação dos direitos fundamentais da criança e do adolescente. vergonha por parte da vítima e de seus familiares. assistentes sociais que lidam com a problemática em reconhecê-la e relatá-la. em conseqüência do afeto se dar de forma bastante erotizada. mãe-filho. e dificuldade de diferenciação entre os indivíduos desta família e de suas famílias de origem. Geralmente. e exposição à pornografia e outros anteriormente citados). a subnotificação é uma realidade em nosso país. psicólogos. os responsáveis relutam em buscar auxílio. Diante das suspeitas de vitimização física. e pelo ECA. caricias dos genitais. ocorre uma fusão. A partir de uma análise deste grupo social. E ainda: atraso no desenvolvimento psicomotor. pois quando o dano é produzido pela violência. constatamos padrões de comportamentos que incluem certa ausência na delimitação entre as fronteiras parentais e filiais.Princípios Fundamentais e em seu artigo 10. enfermeiros. art. Observam-se histórias repetidas de acidentes ou evidências de traumas freqüentes. a demora em buscar atendimento para a criança/adolescente agredida.

de modo a preservar o seu funcionamento. infantilismo. Percebe-se ainda um primitivismo. portanto não deve ser levada em consideração. que é definida como um processo de auto-regulação e que mantém a estabilidade do sistema. como uma forma de manter e controlar o segredo da violência. desvitalizada. protegendo-o das mudanças que pudessem destruir sua organização. percebe-se que as figuras parentais em sua grande maioria já sofreram algum tipo de vitimização (física. A prática comprova que o acusado tende a negar na maior porcentagem dos casos. As mensagens de comunicação entre a família abusiva e a sociedade seguem o modelo de um sistema fechado. reprimidas. abandono). A relação afetiva e sexual do casal parental geralmente é distante. em suas famílias de origem e as repetem na atualidade. delegacia ou outras instituições. Nos atendimentos nas varas. assim como é imprescindível o acompanhamento criterioso pelos técnicos do Judiciário. lembrando que esta é uma medida excepcional e transitória até que encontrem soluções mais saudáveis para o seu desenvolvimento. Quando o caso ingressa no judiciário e muito provavelmente já passou pelo conselho tutelar. Nesta linha é constatado o mito falocêntrico de que a mulher deve servir o homem na cama e na mesa. que tem mente fantasiosa. em que as trocas de informações são filtradas. psicológica. analisar e relacionar aspectos da estrutura e dinâmica das famílias quanto às regras 86 . negligência. sexual. o desejo do agressor torna-se preponderante à dor a ser infringida à criança. todos estão assustados e com os mecanismos de defesa acirrados. A pulsão. sem espontaneidade. traços característicos da pedofilia.E é muito comum a vítima ser descrita como “criadora de caso”. Assim é mantida a homeostase do sistema familiar. Durante o processo avaliativo é possível identificar. como àquela que traz problemas para a família. então a vítima é escolhida para preencher esta falta. o encaminhamento para a terapia deve ser providenciado com urgência. Quando abordado o tema da sexualidade entre os adultos. as partes chegam a verbalizar que as relações sexuais eram esporádicas e sem vigor. e que. a dinâmica familiar sofreu um impacto. está totalmente alterada. Se a criança ou o adolescente tiver que ser abrigado.

o desejo infantil se relaciona com uma fantasia e ele jamais é satisfeito e será mais facilmente reconhecido quando na maturidade a pessoa tiver oportunidade de se submeter à análise. A 87 . Assim. Percebe-se uma extrema permissividade. culpa. que não tinham consciência e intenção de serem maléficos na transmissão de modelos identificatórios como figuras parentais. Ela reconheceu homens e mulheres como partes de um todo mais amplo . como explicam a psicanálise e a terapia familiar. auto-aniquilamento. As escolhas afetivas inconscientes dos adultos foram determinadas pela história da família de origem e refletem repetições. se diferenciar do outro e tornar-se capaz de resistir às frustrações durante seu desenvolvimento pela vida. papéis familiares. em que seu desejo ao invés de ser interditado.112) Nas pessoas normais e neuróticas. ao iluminar o poder da família. onde o desejo está presente desde a infância. padrões de afetividade (alianças e coalizões). enquanto bebê. associada às características peculiares da relação mãe-filho e. que também pode ter tido um frágil acolhimento de seus pais. p. Minuchin enfatizou que A terapia familiar também desafiou a crença na autodeterminação do self. trazendo evidentemente muita angústia. sintomas decorrentes do mau funcionamento das relações intra-familares.38) Na obra freudiana a criança é trabalhada como sujeito de desejo. Neste sentido. dificuldade das figuras parentais em colocar limites. Nestes casos de vitimização sexual. as fronteiras e os papéis são confusos. as pulsões de vida e de morte são transmitidas de modo inconsciente. ao contrário. 2007. 1990. (Duarte. mas subsistemas significativos. p. por vezes.familiares. (Minuchin. pouco consciente. baixa auto-estima.como subsistemas. de sistemas mais amplos. relações hierárquicas. que não ofereceu subsídios para esta pessoa. é atuado. A primeira escola considera que a carga pulsional é genética. mitos e segredos. a criança é colocada em uma situação patológica. na maturidade este indivíduo escolhe alguém complementar ao seu quadro. padrões de repetição.

a gestalt terapia. No entanto. uso de substâncias entorpecentes. frágil.br). Cabe ressaltar que dentre os diversos instrumentos à disposição da Psicologia. oferecendo a possibilidade de buscar esclarecer as complexas relações afetivas que ocorrem em seu interior. a terapia familiar sistêmica dentre outras teorias.crpsp. as que dizem respeito ao exercício da maternidade e a paternidade. por exemplo. etc. danos ao patrimônio público. Conforme já sugerido é importante que os psicólogos consultem regularmente os sites do Conselho Regional de Psicologia e Conselho Federal.genitora por ser desvitalizada. 2 . tais como a evasão de casa ou da escola. Para a psicanálise.org. bem como a lista de testes atualizados (www. delegacia. para que se atualizem sobre resoluções que regem o exercício da Psicologia. colegas e/ou professores. os testes são ferramentas ainda muito utilizadas pelos profissionais do judiciário. perturbação da ordem. Observa-se ainda a autoria de pequenos delitos . escola.pol. constatandose situações. porém as relações são sempre interativas e dinâmicas.br e www. a instituição familiar possibilita um amplo campo de investigações e reflexões. Neles podemos destacar desde dificuldades de aceitação às regras no ambiente familiar. serviços em geral ou de forma espontânea pela família.PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO Muitos casos que chegam às Varas da Infância e da Juventude referem-se a problemas de comportamento observados em crianças e adolescentes. em face das recentes discussões que vem sendo travadas sobre a fidedignidade destes. Infelizmente constata-se que a reincidência e 88 . passiva. na escola e outros espaços sociais. Estes casos são encaminhados às Varas da Infância e da Juventude através do Conselho Tutelar. direção não habilitada de moto ou carro. como. o psicodrama. agressividade contra familiares.org.furtos.

Tais fatores acarretam vulnerabilidade para a criança/adolescente como um todo. muitos desses casos. o estudo social deve contemplar. dentre outros. 103 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Como lidaram com as fases da vida da criança/adolescente e os possíveis fatores desencadeantes que levaram a situação presente. a análise de levantamentos sociais do município. 89 . Um deles é o esgarçamento das relações familiares. a situação de vulnerabilidade em diversas áreas as quais podem estar expostas. Como estabelece suas relações interpessoais. dentre outros. • • • • Como a criança/adolescente percebe a situação que vivencia. poderão evoluir para que o adolescente pratique um ato infracional. Estas demandas podem estar associadas a diversos fatores. que merecerá intervenção específica. levando estes núcleos a não conseguirem oferecer o suporte necessário às necessidades sociais e emocionais de seus membros. tendo em vista a insuficiente oferta ou precarização dos programas oferecidos. expondo-as à violência e ao uso e tráfico de drogas.o agravamento dos fatos estão relacionados à dificuldade de trabalhos preventivos com a família. Outro aspecto relevante refere-se a não inclusão da criança/ adolescente nos serviços oferecidos pela rede social. Nesse contexto. também oferecem informações significativas para a compreensão dos casos em avaliação. aqueles que se referem a: • • • • • Forma como lidam com as gerações de sua família. Como os pais lidam com as situações específicas da vida da família e aos enfrentamentos naturais que se colocam. O outro se atrela às dificuldades dos profissionais que desenvolvem trabalhos com crianças e adolescentes. A identificação das vivencias desta criança/adolescente em suas fases de vida como meio para compreender a situação. Às expectativas em relação à criança/adolescente. se não for oferecida atenção específica. além dos aspectos já abordados no item C da Parte II. Destaca-se que. O lugar desta criança/adolescente neste núcleo familiar. conforme art. Suas expectativas. O conhecimento mais aprofundado das questões que envolvem este contingente populacional no território. a escola e a comunidade.

mudanças de valores. Whitaker (1990). pai-filho. interdisciplinar e o envolvimento dos demais serviços aos quais esta criança e adolescente está vinculado não pode ser desconsiderado no enfrentamento da situação que se apresenta. Diante da complexidade de fatores que em geral estão presentes nestes casos. Macedo (1994). Durante as entrevistas. nos casos de problema de comportamento leva-se em consideração que a criança/adolescente é compreendido como o “paciente identificado”. e/ou deste com outros familiares e pessoas de seu relacionamento). têm como objetivo alcançar uma clara definição do problema em termos concretos. De acordo com a visão sistêmica. Do ponto de vista psicanalítico. uma investigação das soluções já experimentadas. preferencialmente. 1983). assistentes sociais e psicólogos. um trabalho com estes grupos também se faz importante. Neste sentido. dentre as questões referentes a conhecer a família e a criança e/ou adolescente. o comportamento sintomático surge da tentativa da criança/adolescente criar 90 . pois a atuação no caso contará necessariamente com a participação dos mesmos. com novas configurações familiares. defendida por autores como Minuchin (1983). o sintoma da criança costuma evidenciar as dificuldades inerentes à complexidade das relações com as figuras parentais e ou substitutas. das rápidas transformações que o mundo globalizado e digitalizado. As atuações dos profissionais das Varas da Infância e Juventude. A Psicologia e a Psicanálise são unânimes na compreensão de que as “queixas de comportamento da criança/adolescente se encontram no lugar de responder ao que há de sintomático na estrutura familiar” (Lacan. Ademais não se pode deixar de referenciar as mudanças significativas que vem ocorrendo na sociedade. ou seja. temos em mente que a queixa trazida está intimamente relacionada à dinâmica das relações intrafamiliares (mãe-filho. como aquele integrante do sistema familiar que denuncia as idiossincrasias ou a disfuncionalidade das relações intra-familiares.No estudo psicológico. Berthoud (2003). aos quais crianças e adolescentes têm acesso a um leque de informações que nem sempre são de domínio dos pais e educadores. e a elaboração do diagnóstico do caso. a avaliação e o acompanhamento devem ser.

geralmente complexa. ou evidências. Os profissionais devem ouvir atentamente a todos da família e perceber que existem dois movimentos distintos no sistema familiar: o da manutenção da estabilidade e o da possibilidade de mudança. A atuação dos profissionais Assistentes Sociais e Psicólogos deve se dirigir no sentido da realização de estudos sobre a dinâmica familiar e proceder a proposituras sobre como superar as questões que estão direcionando a criança/adolescente ter tais atitudes. tendo em vista que a exacerbação dos sintomas poderá levar a comportamentos anti-sociais mais graves. É importante perceber a estrutura de personalidade deste adolescente. Há famílias que conseguem responder seguindo uma lógica mais saudável e outras. se o comportamento foi o resultado momentâneo de uma impulsividade que não pode ser controlada. A crise deflagrada poderá trazer aspectos positivos assinalando a possibilidade de novas maneiras. Após esta fase. Quando o comportamento é observado e respondido pelos membros de um sistema interconectado. descrito como “paciente identificado” e as conseqüências para o sistema mais amplo em ver as coisas dessa maneira. a criança ou o adolescente em questão e seus familiares receberão na entrevista de devolução algumas idéias e colocações que ampliarão o entendimento da situação. torna-se imprescindível o acompanhamento do caso. A cada diagnóstico sucederá um determinado prognóstico que dirigirá nossos encaminhamentos.um novo relacionamento ou padrão de feed-back em resposta às mudanças percebidas que estão acontecendo com ele ou em volta dele. bem mais resistentes. inclusive. de uma psicopatia. que vão precisar de encaminhamento para tratamento na comunidade. Cita-se como exemplo da 91 . Ademais. se está respondendo a uma situação de crise individual ou familiar ou mesmo se já apresenta sinais. mais saudáveis e realistas de enfrentamento da realidade. chama-se a atenção para a necessidade de especialização que é exigida dos profissionais das VIJs. Muitas vezes. O importante sobre esta situação é compreender o significado que subjaz ao relacionamento criado entre o adolescente que apresenta o problema. esta resposta adquire um sentido a partir de um contexto mais amplo que aquele originalmente percebido pela pessoa.

mediante termo de responsabilidade. intrinsecamente criativo e participativo.) a intervenção é um processo dinâmico.DA ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL E PSICÓLOGO DE ACORDO COM AS MEDIDAS PROTETIVAS Conforme assinalado anteriormente.. (. VIIabrigo em entidade.. Destaca-se que esta intervenção.intervenção técnica no âmbito judicial. à criança e ao adolescente. 3 . apoio e acompanhamento temporários. bem como substituídas a I-encaminhamento aos pais ou responsável. orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos. o texto de Gonçalves. D’Andréa e Motinho da Silva (1999) que trás algumas reflexões importantes sobre a prática. nem sempre o processo tem inicio com a definição da medida de proteção que deve ser aplicada. A avaliação do caso poderá indicar a necessidade ou não de medida de proteção. p..89). utilizável como forma de transição para a colocação em família substituta. VIII-colocação em família substituta. possibilitando um atendimento global da situação apresentada e seus desdobramentos junto à família e aos demais grupos e há inserção da criança/adolescente. em regime hospitalar ou ambulatorial. necessita de um trabalho articulado com toda a rede de proteção à criança e ao adolescente. pela complexidade que estes casos demandam.. III-matrícula e freqüência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental. IIorientação. As medidas de proteção estão estabelecidas no ECA no artº 10116 e podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente.inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família. onde as mudanças não são impostas e sim sugeridas pelas pessoas envolvidas”.] lidamos com potencialidades e levamos nossa clientela a compreender que na introjeção de normas está a sua liberdade.IV. 16 92 . VI-inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio. V-requisição de tratamento médico.1999. (Motinho da Silva. E frisam ao final que “ [. § único . Contudo. outros processos podem ter inicio com uma solicitação especifica da medida que a parte deseja obter.O abrigo é medida provisória e excepcional. psicológico ou psiquiátrico. não implicando privação de liberdade.

qualquer tempo (art 99) e na sua aplicação levarão em conta as necessidades pedagógicas. primos etc) ou na comunidade a existência de pessoas que mantenham com a criança ou adolescente vínculo e que se disponham a assumir a responsabilidade de cuidá-los. através de assistência jurídica. quer no desenrolar da avaliação se defina a medida. que serão tratados a seguir. Em algumas comarcas existem programas alternativos ao abrigamento como: Família Acolhedora ou Família Guardiã. 93 .100). Ademais é de exclusividade do Judiciário a inserção em família substituta por meio das medidas legais de guarda. preferindo-se aquelas que visem ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários (art. Esses programas tem vinculação com o artº 34 do ECA. caberá aos assistentes sociais e psicólogos identificar as peculiaridades que devem ser observadas no estudo social e psicológico.GUARDA (art. 28 – ECA) Na impossibilidade de manutenção da criança e adolescente com seus pais. tios. A . sob a forma de guarda de criança ou adolescente órfão ou abandonado (art. quer o processo tenha início com a solicitação expressa da medida de proteção. Todos os esforços devem ser realizados no sentido de preservar os vínculos entre a irmandade. garantindolhes estreito convívio. que evidencia: O Poder Público estimulará. irmãos. Especial atenção deve ser dada quando se tratar de grupos de irmãos que sejam colocados sob guarda de diferentes interessados (parentes ou indivíduos que mantenham vinculação afetiva). De toda forma. 34 ECA). tutela ou adoção. padrinhos. incentivos fiscais e subsídios. deve-se verificar na família extensa (avós. o acolhimento.

Na avaliação psicológica da solicitação da guarda. assim como em outras medidas. deverá haver uma avaliação. expectativas. Conhecimento criança/adolescente. Natureza das relações familiares. papéis e dinâmica familiar do interessado (a). considera-se importante que seja compreendido de forma abrangente e na perspectiva de se aprofundar as características de personalidade dos requerentes. Este estudo deverá ser oferecido à autoridade judiciária dentro do prazo por ele estipulado.Diante da existência de interessado em assumir os cuidados desta criança ou adolescente. Situação socioeconômica e cultural do interessado (a). Motivos que levaram o (a) requerente a pleitear a guarda. Facilidades e dificuldades nas interações pessoais e no processo socioeducativo da criança ou adolescente. Configuração familiar dos requerentes. bem como a sugestão de encaminhamentos que solucionem ou minimizem a situação de vulnerabilidade/risco vivenciada pelas partes – crianças. ou participação na história de vida da O resultado do trabalho deverá ser documentado sob forma de relatório que contenha uma análise fundamentada da situação verificada. afinidade em relação aos requerentes. convivência com a família nuclear da criança/adolescente. Recursos da rede de serviços disponíveis ou utilizados pela criança/adolescente e grupo familiar. Expectativa do interessado em relação à criança ou adolescente. Sugere-se que o estudo social seja acrescido dos seguintes aspectos: Grau de parentesco. o juiz poderá deferir a guarda. Concomitantemente deve ser realizada uma investigação psicológica consistente do funcionamento intra-psíquico dos genitores. Caso a medida pleiteada pelo requerente atenda aos interesses e necessidades da criança e adolescente. adolescentes e familiares. outros grupos de convivência familiar e comunitária. Compreensão dos fatos pela criança ou adolescente. os papéis que eles 94 . a motivação inerente ao pedido.

sendo verificada a adequação desses e o desejo da criança ou adolescente em estar sob a sua responsabilidade. em que conste de forma clara se a medida pleiteada pelo interessado(a) atende as necessidades da criança ou adolescente. após a elaboração do psicodiagnóstico. nos mostram que cada um deles constrói seus vínculos afetivos de maneira peculiar e que. Ressalta-se a importância da reavaliação do caso. principalmente. É necessário incluir orientações e acompanhamento do caso. mesmo se tratando de grupos de irmãos.ocupam na família de origem. bem como irá se proceder às orientações necessárias. de forma a tornar tal situação menos traumática. pois é nesta ocasião que poderá verificar se a medida está de fato atendendo aos interesses da criança ou adolescente. trabalho. psiquiátrico. como ocorrem os contatos da família de origem com a criança/adolescente e 95 daquele . orientar e encaminhar em relação às condições em que a mesma se encontra dentro dos diferentes aspectos de sua vida. saúde (como por exemplo: tratamento psicológico. Os procedimentos técnicos aplicados de maneira individual com a criança/adolescente. Paralelo ao acompanhamento da criança é também necessário que a família de origem seja acompanhada com a finalidade de se verificar. Também no caso de não haver proibição judicial e. e isso só poderá se viabilizar se houver autorização/ determinação do juiz. Poderá ocorrer o acompanhamento. aspectos do funcionamento do sistema familiar como um todo e. é necessário um trabalho de preparação concomitante ao de devolução dos dados para ajudá-la(s) a enfrentar as novas situações que se apresentam no cotidiano. tratamento de desintoxicação) entre outros. O psicólogo deve deixar claro no relatório para subsidiar as possíveis alterações a curto. Havendo interessados e. após alguns meses de convivência da criança ou adolescente com o guardião. deverá o profissional elaborar um relatório conclusivo. Isso significa ver de que maneira a família responde aos encaminhamentos a rede de serviços assistenciais. principalmente aqueles motivadores do afastamento da criança/adolescente de sua convivência. a percepção do impacto afastamento das figuras parentais na vida da criança/adolescente. se for possível. médio e longo prazo na vida do infante. portanto. desde que sugerido em relatório pelo profissional de serviço social e/ou psicologia ao juiz.

Nos casos de tutela em que o requerente é familiar. inclusive previdenciários. Sempre que possível.os guardiões. B .º 28 § 2º . Excepcionalmente.TUTELA (ECA – artº 36 a 38) A tutela é uma medida deferida em situações em que a criança ou adolescente encontra-se sem representação legal.ECA). e pressupõe necessariamente o dever de guarda. a fim de evitar ou minorar as conseqüências decorrentes da medida (Art. uma vez que confere a criança/adolescente a condição de dependente. para todos os fins e efeitos de direito. essa medida poderá ser aplicada para atender a situações peculiares ou suprir eventual falta dos pais ou responsável. 36 § único ECA). este deverá necessariamente constituir advogado para que essa ação seja pleiteada junto às Varas Cíveis – Família. A busca do judiciário visa regulamentar a situação na perspectiva de assegurar direitos. Na apreciação do pedido levar-se-á em conta o grau de parentesco e a relação de afinidade ou de afetividade. A guarda é uma medida intermediária a ações definitivas como no caso da tutela e da adoção.ECA). Isso poderá oferecer indícios de quais as reais possibilidades de reinserção da criança e adolescente em sua família natural. Ressalta-se que nos casos em que o requerente é um terceiro sem vinculo de consangüinidade com a criança /adolescente a tutela poderá ser requerida junto ao Juízo da Infância e da Juventude. seja por falecimento de seus genitores ou em razão da suspensão ou destituição do poder familiar destes (Art. a criança ou adolescente deverá ser previamente ouvido e a sua opinião devidamente considerada (Art 28 §1º . O guardião de fato poderá requerer a aplicação da medida de guarda quando a criança ou adolescente por alguma razão está sob sua responsabilidade. 96 .

Como a criança ou adolescente está enfrentando. Motivos que levaram o (a) requerente a pleitear a tutela. Estrutura. suas expectativas e sentimentos. deverá se observar em relação ao (s) requerente(s) e a criança e/ou do adolescente: Grau de parentesco. ou enfrentou a problemática da ausência de seus genitores. O ponto de vista da criança ou adolescente.item C. Situação socioeconômica e cultural do interessado (a). além deixar de cumprir ou fazer cumprir as determinações judiciais.Um tutor poderá ser destituído caso venha a descumprir o dever de sustento. afinidade ou afetividade com a criança ou adolescente. não se constituindo uma atribuição do assistente social ou psicólogo judiciário. outros grupos de convivência familiar e comunitária. Na avaliação social além dos aspectos presentes na Parte II . As interações sociais da criança ou do adolescente e suas relações interpessoais no âmbito familiar e sociocultural. Recursos da comunidade disponíveis ou utilizados pela criança/adolescente. Expectativa do interessado em relação à criança ou adolescente. Recursos da comunidade disponíveis ou utilizados pela criança/adolescente e grupo familiar. pode ocorrer a necessidade de o tutor prestar contas dos gastos que realiza com o tutelado. Isso é objeto de atenção do Ministério Público – o promotor da Vara de Infância e Juventude. Por vezes. desempenho de papéis e dinâmica familiar do interessado (a). Na avaliação psicológica deverão ser aprofundados os dados abaixo relacionados: 97 . guarda e educação. Natureza das relações familiares. Identificar a presença de pessoas que oferecem apoio de forma mais direta a criança ou adolescente.

Grau de parentesco. Fatos significativos dentro do contexto do protagonista. A relação da criança com pessoas oriundas de outros sistemas extra-familiares (família extensa. a comunidade. colegas. entre outros). Observação das pessoas importantes na narrativa da criança/adolescente antes e depois da crise enfrentada pela família de origem( técnica Linha da Vida). Motivos que levaram o (a) requerente a pleitear a tutela. Presença de outros adultos significativos que possam proporcionar apoio à família em crise. Recursos da comunidade disponíveis ou utilizados pela criança/adolescente natureza dos vínculos familiares. ora distantes ou falecidas.História de vida da criança ou adolescente. Expectativas adolescente. colaterais. Estrutura desempenha de papéis e padrão de funcionamento do requerente e de sua família. Como a criança/adolescente vivencia o afastamento/ perda do(s) genitor(a). O ciclo de vida do (s) requerente (s). escola. outros grupos de convivência familiar e comunitária. do interessado em relação à criança ou Sendo verificada a adequação do requerente e o desejo da criança ou adolescente em estar sob a sua responsabilidade. grupo religioso. com a identificação das diferentes etapas do desenvolvimento de sua personalidade e os recursos egóicos utilizados para vencer o luto. Análise do tempo de convívio do requerente com as figuras parentais da criança ou adolescente. afinidade ou afetividade da criança ou adolescente com o requerente. deverá o profissional elaborar um relatório conclusivo onde conste de forma clara se a medida 98 . O objetivo seria levar ao conhecimento dos profissionais do judiciário as redes relacionais e pessoas que possam contribuir na adaptação da criança na nova fase de vida. Expectativas e sentimentos da criança e ou adolescentes em relação ao interessado em sua tutela. a associação esportiva.

7%) negligência/abandono. problemas de alcoolismo. As pesquisas que versam sobre abrigo demonstram que as principais razões de abrigamento relacionam-se as dificuldades socioeconômicas de seus pais e familiares.3%). deverá fundamentar o parecer e solicitar autorização para tal. 136 inciso I e. violência doméstica (10. abandono.8%). desemprego. encaminhou a criança/ adolescente ou um grupo de irmãos para um abrigo18.17 O juízo da Infância e Juventude poderá tomar conhecimento de um abrigamento por meio do Conselho Tutelar que. 17 99 .8%). sejam sozinhos ou o grupo de irmãos. problemas de saúde (18. 18 A aplicação desta medida pelo Conselho Tutelar está estabelecida no art. 93. Posteriormente. o Conselho Tutelar. bem como tomar outras providências. como a determinação de estudo social e A pesquisa “Por uma política de Abrigos na cidade de São Paulo: conhecendo a realidade das instituições. a fim de que seja verificada a adaptação da criança/adolescente ao tutor. dificuldades socioeconômicas de manutenção do (s) filho (s). Caberá ao juiz da infância definir pela manutenção ou não da medida. falta de habitação. No caso de se entender como necessário o acompanhamento técnico. Entre as razões destacam-se àquelas relacionadas à negligência. bem como o abrigo deve encaminhar relatório acerca dos motivos que levaram a aplicação da medida. das crianças e dos adolescentes sob a medida de proteção “abrigo” (2004) identificou como motivo do abrigamento: (22. drogadição (9. em caráter excepcional e de urgência.84%). Essas mesmas causas foram indicadas pelo Levantamento Nacional dos Abrigos (2004).pleiteada pelo interessado(a) atende às necessidades da criança ou adolescente. dentre outras. C – ABRIGAMENTO Muitas podem ser as causas que levam o abrigamento de uma criança ou um adolescente. conforme art. violência física. pelas entidades de abrigo. dificuldade econômica e falta de condições familiar (1. psicológica ou sexual e que podem ou não estarem associados ao uso de álcool e/ou drogas pelos pais ou responsáveis. diante da necessidade de proteção imediata.

psicológico, solicitando relatório ao abrigo para obter informações sobre a situação da criança. A comunicação do abrigamento deverá dar início a um Procedimento Verificatório. Em havendo denúncia de situações em que a

criança/adolescente esteja em situação de risco, poderá o juiz determinar o abrigamento pela complexidade da situação, mesmo antes da avaliação técnica, sempre após manifestação do Ministério Público e quando não for possível identificar parente ou conhecido apto em assumir a guarda da criança ou adolescente por tempo determinado ou não. Desta feita, não havendo pessoa interessada na guarda da criança ou adolescente que teve seu direito violado, este será encaminhada para abrigo. Ressalta-se que o ABRIGAMENTO é uma medida PROVISÓRIA e EXCEPCIONAL. Compreendido dessa forma, os estudos sociais e

psicológicos relativos à família de origem deverão prosseguir no intuito de melhor compreender os aspectos determinantes a situação que levou ao abrigamento, procedendo os encaminhamentos necessários, assim como se articular com a rede social na perspectiva de abreviar o tempo de permanência da criança ou adolescente no abrigo.

Nesse período será avaliada a possibilidade da família empoderar-se, visando reaver o(s) filho (s) ou identificar pessoas com as quais a criança ou adolescente tenha afinidade e se disponha a obter sua guarda. A concepção aqui adotada é aquela que define a família como “grupo de pessoas, com laços de sangue ou de afinidade, que estabelecem obrigações recíprocas e se organizam em torno de relações de geração e gênero”19. São de responsabilidade do juízo da Infância os cuidados que a criança ou adolescente recebe no abrigo. Assim, é necessário acompanhar a forma como está ocorrendo a adaptação, sua inclusão em programas e serviços necessários ao seu desenvolvimento físico e mental, bem como saber acerca dos contatos da criança ou adolescente com seus familiares.

Plano Nacional de Promoção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária, 2006.

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C 1 - DOS CUIDADOS COM A CRIANÇA OU ADOLESCENTE ABRIGADO

Revela-se importante que o abrigo, sempre que possível, tenha conhecimento prévio de que receberá a criança ou o adolescente. Considera-se de responsabilidade do juízo da infância o encaminhamento da criança/adolescente para a instituição, mediante oficio próprio, documentos pessoais20 e cópia do(s) relatório(s) social e psicológico dos atendimentos realizados no juízo, enviado em envelope lacrado e dirigido aos técnicos ou responsáveis do abrigo. A documentação acima referida oferecerá subsídios mínimos para o trabalho do abrigo com relação às providências a serem efetivadas, visando o acompanhamento/ encaminhamento do caso, em suas especificidades. Os assistentes sociais e psicólogos poderão sugerir em seus relatórios que o juiz solicite aos abrigos a remessa de relatórios trimestrais individuais das crianças/ adolescentes. Outros dados também poderão ser obtidos por ocasião da visita técnica ao abrigo, preferencialmente não aquelas de responsabilidade do juiz, em que a equipe técnica poderá estar acompanhando-o. Ademais, se o assistente social e ou psicólogo considerar conveniente poderá proceder visita no abrigo, especialmente, para tratar da criança ou adolescente em questão. Entende-se que a tarefa de acompanhamento do caso deva ser realizada em conjunto, ou seja, a equipe técnica da VIJ e os profissionais ou responsáveis pelo abrigo. O trabalho realizado dessa maneira visa uma uniformidade de conduta nos estudos e encaminhamento das situações. A rede de serviços de proteção também deve ser incluída neste acompanhamento, objetivando não só a integralidade na atenção às necessidades específicas, como também o retorno ao convívio familiar.

Cap. XI – Seção VIII artº 76.1 trata da documentação a ser encaminhada ao abrigo e mantida no prontuário da criança ou do adolescente.

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C 2 - O ACOMPANHAMENTO DA CRIANÇA OU ADOLESCENTE ABRIGADO

O Provimento 36/2005 da Corregedoria Geral da Justiça criou o Sistema de Controle e Acompanhamento de Crianças e Adolescentes Abrigados, dada a importância do acompanhamento da medida de proteção abrigo, o que equivale dizer que os assistentes sociais e psicólogos deverão manter nas seções técnicas fichas das crianças e adolescentes que estejam na condição de abrigado. Essas fichas deverão ser complementadas conforme o prosseguimento do caso. Este instrumento possibilita que, além do acompanhamento

sistemático e atualizado dos casos, possa se realizar o levantamento de outros aspectos relativos ao abrigamento que poderão subsidiar a implantação e/ou adequação de políticas públicas locais de atendimento a este contingente populacional e suas famílias. Com os dados levantados tem-se a caracterização da criança, de sua família, dos motivos do abrigamento, do acompanhamento, visando o retorno destes ao convívio familiar. Assim, tendo como premissa à brevidade do abrigamento, entende-se que os profissionais devem planejar as ações de forma a não ocorrer sobreposição de orientações, encaminhamentos, além de avaliar com regularidade a situação. Como forma de garantir essa periodicidade do acompanhamento, sugere-se que nos relatórios já seja solicitado o retorno dos autos em determinado mês para proceder o estudo21. Segundo a Comissão de Abrigo22:

É importante estar atento às condições emocionais da criança/ adolescente após o abrigamento, à adaptação a rotina do abrigo, às relações com funcionários e demais crianças abrigadas, à reação diante das visitas dos familiares, às condições

Sugere-se que o profissional já reserve na agenda, ainda que o juiz ainda não tenha deferido, um período para cuidar daquele processo, evitando depois não encontrar tempo para fazê-lo. 22 Esta Comissão foi criada pela Corregedoria Geral de Justiça em 2004 e é composta por assistentes sociais e psicólogos das Varas de Infância e Juventude da Capital. O NAPSSPTJ/SP assumiu a coordenação da Comissão de modo mais formal a partir de 2006. Desde a sua formalização, houve alteração dos membros dessa Comissão.

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como a criança/ adolescente se coloca com relação à família? Existem pessoas de seu círculo social que apontem como importantes na vida desta criança? A família é receptiva às orientações e encaminhamentos que são propostos? A rede de atenção à criança acionada tem oferecido resposta às demandas específicas que têm se apresentado? Como a criança/ adolescente está vivenciando a situação de abrigamento? As razões que levaram ao abrigamento estão sendo equacionadas? As condições socioeconômicas e habitacionais da família remetem a possibilidade de retorno das crianças ao lar? Os assistentes sociais e psicólogos não podem se eximir da responsabilidade em relação a posicionar-se frente às perspectivas da criança e do adolescente na possibilidade de retorno a família de origem ou na colocação em família substituta. à vida escolar no que tange ao desempenho e ao relacionamento social. visitas domiciliares a fim de que se avaliem suas condições sociais e psicológicas para receberem novamente a criança /adolescente abrigado. Dentre eles aponta-se: • abrigo. 103 . através de entrevistas sistemáticas. sob guarda tutela ou adoção. A família da criança/adolescente abrigado deve ser acompanhada pelo assistente social e psicólogo com o mesmo compromisso. aos cuidados que lhe são dispensados para que suas necessidades sejam atendidas – todos esses aspectos devem ser considerados à luz das peculiaridades de cada criança/ adolescente e de sua fase de desenvolvimento. • • • • • • • • A visitação da família é regular? Qual a periodicidade? Como se Como está ocorrendo à adaptação da criança/adolescente no dá a integração entre os familiares e a criança/ adolescente? Na vida cotidiana. 23 Texto mimeo. circulação interna.de saúde. 23 Sugere-se que o acompanhamento deva contemplar aspectos que evidenciarão a possibilidade de retorno á família de origem ou sua colocação em lar substituto.

Inserção no mercado de trabalho. cujas famílias oriundas dos segmentos mais empobrecidos não reúnem condições para mantê-las consigo. Ocorrem situações em que não se vislumbra a possibilidade de retorno à convivência familiar e. Além da dificuldade de tratamento especializado na rede pública. o que caracteriza abrigamento de longa permanência. Outros abrigamentos que se pode caracterizar como de longa permanência são aqueles relacionados a crianças portadoras de necessidades especiais. somando-se questões relativas a outros fatores socioeconômicos. Inserção em cursos profissionalizantes. ainda. a construção de um parecer que aponte a perspectiva de que não se vislumbra condições da criança retornar a sua família deve estar ancorada na rigorosa avaliação de todos os aspectos já mencionados. Aquisição de documentação. entre outros. com quem a criança/adolescente pode permanecer no período de trabalho dos pais. por vezes problemas para locomoção e. devendo a família ser incluída em programas oficiais de auxílio (ECA.Lembra-se que a falta de condições socioeconômicas não é motivo para destituição ou a suspensão do poder familiar. preparo para lidar com uma criança especial. Projetos de repúblicas devem ser incentivados visto que oferecem a possibilidade do adolescente iniciar sua preparação para a auto-gestão. além de outros que os profissionais conseguirem notar como significativos. Construção/estímulo à autonomia. artº 23). entende-se que tanto do ponto de vista do serviço social e da psicologia. supervisionado pelos profissionais do abrigo. Entretanto. Planejamento de sua vida financeira. Nesses casos. dificuldade de aceitação do filho(a). as ações articuladas entre os atores da rede de atenção devem convergir no sentido de acompanhar o adolescente em seu desenvolvimento global: • • • • • • formulação de seus projetos de vida. 104 . em parceria com os profissionais do judiciário. tão pouco. Não obstante. se encontrou pessoa interessada em assumir sua guarda ou adotá-lo. pesquisas apontam como a principal razão para entrega do filho em adoção às questões de dificuldades socioeconômicas.

os relatórios dos profissionais que atuam no processo deverão evidenciar essa possibilidade. Cabe ao juiz acolher ou não a sugestão técnica apresentada. habitação dentre outras. Isto propiciará que o grupo familiar continue mantendo relacionamento próximo com o abrigado. evitando dessa forma o esgarçamento dos vínculos afetivos e o abandono.De modo geral. Entende-se. inclusive quanto a observar a necessidade ou não de iniciar aproximações gradativas da criança com aqueles que irão assumir sua guarda. Para tanto. secretarias de saúde. buscar uma entidade que seja mais adequada às características de cada caso. e estes não estão devidamente instrumentalizados para responder à demanda apresentada. assistência social. Cabe assim. abrigos. O desabrigamento ocorrerá nas seguintes hipóteses: • • • Retorno à família de origem. C 3 – DESABRIGAMENTO O desabrigamento ocorrerá quando houver segurança de que a criança ou o adolescente não mais ficará exposto a riscos e vulnerabilidades. os abrigos também não estão preparados para receber crianças e adolescentes que possuem exigências especificas. Mediante guarda ou tutela. são de suma importância para que se ofereça propostas adequadas às demandas. portanto. que a discussão entre o judiciário. educação. Mediante guarda a terceiros com vistas a retorno à família de origem. considerando a região em que vive a criança/adolescente e seus familiares. a tentativa de articular a rede de serviços para procurar alternativas ao atendimento da criança ou adolescente em suas necessidades ou. 105 .

106 . consideramos de suma importância não só o acompanhamento desta reestruturação no cotidiano. em razão do afastamento desta criança/ adolescente quando de seu abrigamento. decorrentes da sua vivência no abrigo: comparações. O acompanhamento deverá ter como parâmetro a forma como se desenrolou o período de abrigamento. esta criança/adolescente provocará uma nova alteração na dinâmica familiar. como para o acompanhamento do caso. Assim. • Tratamento / acompanhamento realizado com os familiares e a criança/ adolescente. Deve-se ainda levar em conta as alterações e os re-arranjos ocorridos no grupo familiar. • Existência de rede de apoio social e a inserção desta família nesta rede. como também um trabalho anterior com os pais/ responsáveis no sentido de orientá-los a lidarem com os comportamentos que possam vir a ser apresentados por estas crianças/ adolescentes. • Mudanças no padrão relacional do grupo familiar. como as necessidades estão sendo atendidas de forma a minimizar as chances do retorno à situação de risco. ataques etc. Em todas as situações expostas acima pressupõe que a equipe técnica da Vara da Infância e Juventude realize o acompanhamento do caso. Ao ser desabrigada. considerando os seguintes aspectos no caso de retorno à família de origem: • A qualidade do trabalho desenvolvido com a família no decorrer do atendimento.• Mediante colocação em família substituta com vistas à adoção. tanto no sentido de se alcançar o estágio de desabrigamento. Não é raro que pais e/ou responsáveis desloquem muitos dos problemas e dificuldades para a criança que está abrigada. O período pós-desabrigamento visa assegurar como está se processando o retorno da(s) criança(s) adolescente(s) à família de origem ou a família substituta. rejeições. • Empenho da família em responder as orientações e intervenções. • Trabalho efetivo realizado com a criança. • Mudanças e adequações alcançadas na dinâmica familiar. Ressalta-se ainda a importância da inserção da família na rede de apoio.

Nos casos em que os genitores não possuam condições para terem os filhos sob sua responsabilidade. a criança/ adolescente poderá ser desabrigada por um familiar (avó. irmão. de ADOÇÃO). tia. valorizando a importância da troca de informações. a otimização dos serviços e a divisão das tarefas a serem realizadas.Os serviços desta rede deverão prosseguir realizando o atendimento da família de forma articulada. conhecido) que assumirá os seus cuidados ou ainda ser colocado em adoção (Vide Itens: GUARDA. TUTELA e o Cap. Deve-se discutir com todos os atores do Sistema de Garantia de Direitos as suas atribuições. Importante salientar que em todos os casos de desabrigamento haverá a necessidade de acompanhar a adaptação da criança/adolescente nessa nova fase da vida. 107 .

SIM NÃO DESABRIGAMENTO Retorno ao convívio familiar Verificar junto à familia ampla e na comunidade a existência de pessoas interessadas em assumir os cuidados da criança ou adolescente abrigado Acompanhamento do grupo familiar visando assegurar o atendimento adequado para a criança ou adolescente SIM Existe Interessado? NÃO Avaliação do nteressado Considerado adequado JUIZ DEFERE A GUARDA Trabalhar para a colocação da criança ou adolescente em adoção Há interessado na adoção? NÃO SIM IM Requerente avaliado e aprovado Início do Estágio de Convivência Inserir a criança ou adolescente em programas educacionais e profissionalizantes Acompanhamento do caso e parecer conclusivo JUIZ DEFERE A ADOÇÃO Inserir o adolescente em atividade profissional Preparação para vida autônoma 108 .

tais como os abaixo relacionados: • • • • • • • • Estatuto do abrigo. Quadro de funcionários. 92. Para melhor entendimento recomenda-se o conhecimento dos seguintes documentos: ECA. obrigatoriamente. LOAS. que o Judiciário. Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária e Resoluções do CMDCA local. em que deverão figurar dados que demonstrem a idoneidade da instituição e seus propósitos. semiliberdade e liberdade assistida.ACOMPANHAMENTO DOS ABRIGOS O ECA estabeleceu em seu artigo 95. SUAS. referidas no artigo 90. Ata da assembléia da eleição e posse da Diretoria. lavrando-se ata que deve ser arquivada em Livro próprio. o Ministério Público e os Conselhos Tutelares têm a responsabilidade de fiscalizar as entidades governamentais e não governamentais. A Corregedoria Geral da Justiça de São Paulo normatizou esse procedimento definindo que juiz deverá visitar. internação. Relatório da visita dos setores técnicos. (Cap. Sugere-se ainda. Relatório ou atas das reuniões que ocorreram com as entidades. visitas técnicas. quando necessário. XI das NCGJ. Importante se faz lembrar que. Os artigos 91. 109 . 96 e 97 do ECA indicam diretrizes dos abrigos e pontos a serem analisados quando das visitas de fiscalização. duas vezes ao ano as entidades que desenvolvam programas de abrigo. assistentes sociais e psicólogos da Vara deverão realizar. Cópia das Atas da visita do juiz. Registro no CMDCA local. 93. independente das visitas correcionais realizadas pelo juiz. que os pontos abaixo elencados sejam levantados sempre que as visitas técnicas forem realizadas.C 4 . Proposta pedagógica de acompanhamento. seção VIII) É recomendável que cada abrigo possua um processo específico na Vara da infância e Juventude. objetivando e vislumbrando a melhoria do atendimento das necessidades das crianças e adolescentes abrigados.

Entidade mantenedora. Trabalho com as famílias. individualização Atividades de educação. Adequação física (sanitária. Tempo de funcionamento. 4 . Recursos financeiros 2 .Quadro funcional: • • • Relação dos funcionários especificando horária e horário de trabalho. Âmbito de atuação. higiene. condições de habitabilidade. lazer e profissionalização Integração com recursos da rede local. saúde. Psicologia. Quais registros oficiais.Caracterização da população atendida: • • Relação das crianças e adolescentes.).Caracterização da entidade: • • • • • • • • • • • Particular ou pública.Atendimento: • • • • • Questões de alimentação. etc. Quem a supervisiona. Serviço Social e outros). Periodicidade das visitas dos familiares. Data de nascimento. carga 3 . Características quanto à formação profissional dos funcionários do abrigo. Projeto de trabalho psico-pedagógico e adequação com a realidade do atendimento prestado. Descrição do espaço físico. cargo/ função. Objetivos. segurança. Capacidade. 110 . vestuário. (se contam com especialistas em Pedagogia.1 .

• • • • • • •

Tempo de abrigamento; Escolaridade; Atividades educacionais complementares; Atividades profissionalizantes (qual está inserido no mercado de trabalho, local, horário, remuneração); Atividades esportivas; Acompanhamento psicológico; (periodicidade, local, profissional responsável); Situação de saúde; (tipo de problema, tratamento, local, profissional responsável( médico, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional etc);

• • •

Visitação ( quem visita, qual a freqüência e vínculo, relação de parentesco ou afinidade); Endereço do(s) visitante(s); Observar a organização dos prontuários24.

5 - Conclusão técnica e sugestões dos profissionais que realizaram a visita técnica:

O relatório técnico desta visita deverá ser juntado no processo da instituição que fica arquivado no ofício da Infância, a fim de que se possa ter um histórico do acompanhamento realizado. Sugere-se a realização de visitas trimestrais ou quando houver algum tipo de irregularidade no padrão de atendimento, independente de outras reuniões e contatos com o abrigo. Para um efetivo acompanhamento da situação das crianças e adolescentes abrigados é necessário que a entidade tenha devidamente organizado os prontuários individuais e, quando se tratar de grupo de irmãos, essa informação deverá constar assim como eventual localização dos membros desse grupo.

Em anexo encontra-se disponibilizado um roteiro para composição de prontuários que poderá ser bastante útil quando do acompanhamento e orientação dos abrigos.

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4 – ADOÇÃO

A adoção será tratada em outro capítulo em razão da necessidade do detalhamento da medida.

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TRABALHO COM ABRIGOS

Visitas periódicas à fim de verificar as condições do atendimento prestado as crianças e adolescentes abrigados

Estabelecer uma relação de parceria no atendimento das crianças e adolescentes abrigados e seus familiares DISCUSSÃO DE CASO

Trabalho da V.I.J com os abrigos

Manter atualizado o cadastro de crianças e adolescentes em situação de abrigo

Participar e implementar a rede de serviços visando o encaminhamento dos familiares/responsáveis das crianças e adolescentes em abrigo para inserção em programas de atendimento

Acompanhar e estimular o abrigo a inserir os adolescentes em programas de profissionalização

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Caso a criança ou Adolescente não possua tal documento.3.3 Histórico Familiar 1.2.1.Nome da Criança/ Adolescente 1.3 – Data e local de Nascimento 1.ROTEIRO PARA COMPOSIÇÃO DE PRONTUÁRIOS NAS ENTIDADES DE ABRIGO 1 .2. Caso os genitores não possuam tal documento solicitar data.1 – Composição familiar 1.1.1. 3 – DOCUMENTAÇÃO ESCOLAR 3.2.5 – Quadro de Saúde dos membros da família 2.IDENTIFICAÇÃO 1.6 – Data de entrada na instituição 1.2 – Carteira de Identidade Obs.4 – Ocupação profissional 1.1 Dados da Criança/Adolescente 1. número do livro. local de nascimento e filiação 1. B – Caso a criança não tenha sido registrada levantar o local e data do nascimento. etc. 1.3 – Dados do acompanhamento do desenvolvimento escolar 114 .DOCUMENTAÇÃO DA CRIANÇA 2.3 – Domicílio e telefone dos genitores 1.Caso a Criança/ Adolescente não possua tal documento levantar dados para sua localização tais como: data e local do registro.2.5 – Histórico do Abrigamento 1.7 – Foto atualizada da Criança/ Adolescente 1.3. informando a Vara da Infância para as procedências para feitura do documento 2.4 – Filiação 1.3.2 Dados dos Genitores 1.2.3.2 – Grau de Instrução 1.1.6 – Identificação.3. providenciálo.2 – Dados do estabelecimento de ensino (incluindo creche) onde está matriculada 3. endereço e telefone de outros familiares ou pessoas pertencentes à rede social da criança.2 – Nome dos Irmãos (se o caso) 1.1.1. fls.1.2 – Estado e Cidade de origem da Criança/ Adolescente e família 1.1 – Cópia do histórico escolar 3.Carteira de Identidade (cópia).5 – Endereço e telefone de trabalho dos genitores (se o caso) 1..1.2.3 – Situação Habitacional 1.1.1 – Certidão de Nascimento – cópia ou original Observação: A .4 – Situação socioeconômica familiar 1.

FAMILIARES E OUTROS 5. psicológico ou das especialidades que recebe atendimento.5 – Outros documentos 7 – OUTRAS INFORMAÇÕES Observações: Sugere-se que os prontuários individuais sejam organizados de forma a que a documentação pessoal da Criança/Adolescente e os dados de saúde estejam de fácil acesso para que as providências de urgência e emergência sejam facilitadas.4 – Ofícios recebidos do fórum e outras entidades que atendam a criança 6. integração entre a criança e o visitante 5. Além do diagnóstico. juntando-se laudo médico.3 – Registro específico das saídas autorizadas e de como a criança se encontra nos retornos ocorre o retorno.1 – Carteira de Vacinação atualizada 4.4 .2 – Cópia do ofício enviado ao Fórum comunicando o abrigamento (máximo de 48 horas).4 – Outros documentos de saúde 5 – ACOMPANHAMENTO DAS VISITAS DOS GENITORES. além de relatórios / ofícios que embasam o abrigamento além de identificação e domicílio dos genitores e / ou outras pessoas para contato 6.ACOMPANHAMENTO DE SAÚDE 4. Roteiro tem como base documento elaborado pela Vara Central da Infância e Juventude. 115 . observando-se sempre a qualidade do vínculo. e juntada cópias dos documentos da criança. 4.3 – Cópias dos relatórios encaminhados ao fórum competente 6. caso não seja o mesmo que determinou tal medida Obs: neste ofício deve constar o histórico do abrigamento.1 – Data e nomes dos visitantes 5. psicológicos e outros que a criança estiver sendo submetida 4.1 – Oficio do local que determinou o abrigamento 6. sempre que possível solicitar prognóstico e evolução do caso. 6 – OUTROS DOCUMENTOS 6.3 – Caso a Criança/ Adolescente seja portador de alguma nosologia específica (tratáveis / crônicos / mentais) a mesma deve estar especificada.2 – Ficha de evolução dos acompanhamentos médicos.2 – Informações das ocorrências durante o período de visitação.

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Também poderá ser recomendada a adoção em casos em que. pois somente ocorre quando todas as possibilidades de retorno à família de origem foram esgotadas.CAPÍTULO 5 ADOÇÃO PARTE I A . na forma da legislação civil processual (artigo 142). a adoção é uma das modalidades de colocação em família substituta. é necessário que os pais biológicos.CONSIDERAÇÕES INICIAIS: Regulamentada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8069 de 1990 e pelo Código Civil. Ela é concebida como uma medida de exceção. tutores ou curadores. salvo se já estiver sob a guarda ou tutela dos adotantes (Art. efetiva-se por intermédio de processo judicial e sua competência é exclusiva do Juízo da Infância e da Juventude. 18 anos incompletos à data do pedido. em audiência. depois de instaurado processo contraditório. no máximo. foi dada sentença de Destituição do Poder Familiar (DPF). 40). é obrigatório que ele seja representado ou assistido por seus pais. ofereçam o consentimento (Art. quando se tratar de genitor adolescente. Dentre outros dispositivos reguladores da adoção. Para tanto. o Estatuto da Criança e do Adolescente determina que o adotando deva ter. artigos 1618 a 1629). 45 caput) e. 122 .

conhecer as reações e características da mulher na fase do puerpério. 42 § 4º). com os mesmos direitos e deveres. segundo as normas legais em vigor.DO CONSENTIMENTO DA ADOÇÃO É comum que. ao atendê-la. Ela é irrevogável. logo após o parto. sendo que a morte dos adotantes não reestabelece o Poder Familiar dos pais biológicos e parentes. sucessórios. Em caso de divórcio ou separação judicial não há impedimento para a Adoção. no mínimo. salvo se forem marido e mulher. os assistentes sociais e psicólogos.622 do Código Civil estabelece que ninguém possa ser adotado por duas pessoas. a morte de um dos adotantes não impede a adoção. os Setores Técnicos atendam mães que comparecem no Juízo da Infância e Juventude espontaneamente para entregar o filho. 42 § 5º). 25 O Código Civil (2002) estabeleceu no Artº 5: A menoridade cessa aos dezoito anos completos. A adoção atribui a condição de filho ao adotando. 42 § 3º). devem estar atentos às suas condições físicas e emocionais para que esses elementos possam servir de base para que o juiz tenha noção se essa mãe está em condições de definir-se naquele momento. é necessário analisar as condições deste momento de decisão de entrega. inclusive. que envolve situações tão sérias e angustiantes e. e visa promover a inserção em um ambiente familiar de forma definitiva. Entretanto. O artigo nº 1. Iniciado o processo de adoção. 16 anos mais velho do que o adotando (Art. 42 caput). Muito embora a legislação não estabeleça qual é o tempo mínimo para. B . ou se viverem em união estável. 123 .Podem adotar os maiores de 18 anos25. seja qual for seu estado civil (Art. com aquisição de vínculo jurídico próprio da filiação. assim. desde que haja um acordo sobre a guarda e regime de visita (ECA art. caso tenha havido inequívoca manifestação de vontade do falecido (ECA art. quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. e o adotante deve ter. após o parto. uma mulher ser ouvida em juízo.

realizando inclusive encaminhamentos que possam ser necessários no sentido de viabilizar o trabalho de luto em relação ao filho que foi entregue. É nesse processo que o Ministério Público encontrará subsídios para fundamentar o pedido de Destituição ou Suspensão do Poder Familiar (DPF). guarda. inclusive. culturais e afetivo-emocionais dos genitores e família de origem e as possibilidades de permanecer ou reassumir seu(s) filho(s). angústias que terão que ser trabalhadas para que visualizem outras possibilidades antes da tomada de decisão. junto ao grupo familiar no sentido da manutenção do vínculo. auxiliar a minimizar os riscos de uma escolha da qual ela venha a se arrepender posteriormente. Assim. Essa intervenção vai trazer à tona conflitos. muito embora seja difícil identificar critérios para que a DPF seja feita. evitando-se a destituição do Poder Familiar. ele levantou algumas incidências: .. como sustento. Nestes estudos poderão já estar evidentes os aspectos que revelem as condições socioeconômicas. educação. 124 . sem suporte familiar e comunitário (. conforme artigo 151 do ECA. por meio de um processo de reflexão e aprofundado.). C .Ressalta-se. que os Assistentes Sociais e Psicólogos têm também por função proceder ao aconselhamento e orientação. Dessa forma.A SUSPENSÃO E A DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR Muitos dos casos que culminam em ação de destituição do poder familiar podem ser iniciados como Procedimento Verificatório.pais com problemas psiquiátricos graves.. proteção e assistência moral poderão implicar em suspensão ou destituição do poder familiar. o descumprimento dos deveres inerentes ao Poder Familiar. Os profissionais devem manter uma postura acolhedora diante de qualquer decisão tomada por essa mãe. com a participação de assistente social e/ou psicólogo. Segundo Dal Pizzol e Silva (2001). ainda.

638.Subtítulo II . Recebida a petição inicial.630 a 1. Entretanto. Caso não contestado o pedido..Título I . Em ambas as hipóteses poderão ser realizados estudo sociais e psicológicos.Das Relações de Parentesco. . oferecerem resposta escrita. após o trânsito em julgado . após a manifestação do Ministério Público.esgotado todos A ação de DPP regida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.Do Direito Pessoal. lei 10. (Dal Pizzol e Silva.avaliação do processo onde se conclua pelo total desinteresse dos pais em relação aos filhos abrigados. pressupõe-se a obrigatoriedade da representação por advogado. É comum que pessoas que assumiram de fato a guarda de uma criança resolvam adotá-la (imediatamente ou após algum tempo de convivência) e ingressem com pedido de adoção no Juízo de Infância e Juventude. além da produção de outras provas que se fizerem necessárias (ex: realização de exame de corpo de delito). Caso contestado. neste caso. com reiteradas tentativas de tratamento.Do Direito de Família.pais com dependência ao álcool e outras drogas. respectivamente. o Juiz decretará a suspensão ou perda do Poder Familiar. bem como a oitiva de testemunha(s). Isso pressupõe a anuência dos genitores ou a sua destituição.2001. decretar a suspensão do Poder Familiar até julgamento final da causa. a sua capacidade de compreensão e discernimento. se não decretar liminarmente. o Juiz poderá. além do Ministério Público. ouvindo o Ministério Público. em dez dias. p 64) Poderão impetrar com ação de DPF26. havendo motivo grave. Julgado procedente o pedido. que não superam os problemas por assumirem uma atitude de resistência total a mudança. nos artigos 155 a 163 e no Código Civil.ausência de contato ou visita a criança cumulada com uma das situações anteriormente mencionadas. pelo mesmo motivo. respeitados os padrões culturais. Os pais serão citados para. o Juiz designará audiência de instrução e julgamento. se este não for o autor. cuja decisão. bem como a história dos vínculos familiares. 26 125 . a suspensão do Poder Familiar poderá ser decretada no curso do processo. do Livro IV. todos que tenham legítimo interesse e. do Capítulo V. por período superior a seis meses. a autoridade decidirá. liminarmente. por meio de advogado. . nos artigos 1.406 de 2002.

como agentes do Judiciário. contendo subsídios para a decisão da medida. Como Fávero (2000) aponta: Existe um consenso de que a destituição do poder familiar tem sua importância e função se aplicada como medida excepcional e se tiver o propósito de um melhor encaminhamento para a vida da criança – e ai é preciso pensar essa medida em relação à idéia de família substituta(. 22 e 23. Na realização do estudo. concomitantemente ou não. será averbada à margem do registro de nascimento da criança ou adolescente (art. Na prática do Tribunal de Justiça de São Paulo. O trecho acima foi extraído do livro gerado antes da alteração do Código Civil . sem deixar-se levar por idéias pré-concebidas que o impeça de aproximar-se da complexidade dos aspectos envoltos naquela realidade. independentemente do Poder Judiciário ou dos pais adotivos e da “nova vida” que passa a ter junto deles. não têm o papel de “salvadores” de uma criança da situação de pobreza familiar ( e suas decorrências). quanto ao direito da criança e do adolescente de ser criado em sua família e.A PERÍCIA SOCIAL E A PERÍCIA PSICOLÓGICA NO PROCESSO CONTRADITÓRIO: DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR No processo Contraditório.os recursos disponíveis -. 27 126 . excepcionalmente. os profissionais deverão levar em conta os princípios do ECA. Não obstante. uma história que a ela pertence... onde se adotou o termo destituição do poder familiar. os profissionais. Este estudo será consubstanciado em um laudo técnico. poderá ou não ocorrer estudos sociais e psicológicos. Cabe ressaltar que a elaboração de uma perícia social em relação à DPF irá exigir do profissional uma redobrada atenção para que ele se atenha ao seu papel. dependendo de determinação judicial. 163 ECA).)Em se tratando de destituição do pátrio poder27 e adoção.Lei 10.Essa família sempre estará na história e na vida da criança. 167 ECA). dispostos nos artigos 19.406 de 2002. a perícia é realizada pelo Serviço Social e Psicologia. C 1 . a perícia técnica poderá ser determinada de ofício pelo Juiz ou requerida pelas partes ou Ministério Público (art. em família substituta.

participação em atos delitivos.. escolas. A falta de condições sócio-econômicas está quase sempre presente e. Conduta dos pais em relação ao trabalho. Receptividade da família para receber ajuda orientação e cumprimento de medidas determinadas pela autoridade judiciária. etc.28 Na perícia social serão abordados os seguintes aspectos: • • • • • • • • • História da família. Pizano Motta (2001) 127 . Conhecer sobre a história da gestação do filho esperado ou não e se contou com apoio e de quem. a drogadição. Presença de outros adultos significativos (avós. sem apoio familiar ou da rede social de serviços. Expectativas da família em relação à criança ou adolescente. centro sociais). quem é este pai e esta mãe.2000. compadres. tios. cuja gestação pode ser fruto de um relacionamento passageiro ou separadas devido a fatores que passam pela violência intrafamiliar. • Esclarecer quanto às conseqüências da destituição do poder familiar. Fávero (2000). por muitas vezes o alcoolismo. com conflitos diversos. convivência comunitária.(Fávero. Existência e qualidade das inter-relações do núcleo famíliar. 28 Recomenda-se a leitura de Fávero et all (2000).p. Estrutura da família. Há uma incidência de casos de mulheres sozinhas. o motivo da entrega do filho e avaliar se tem possibilidade ou não de permanecer com a criança. identificando suas crises e fatos significativos. disponíveis e ou utilizados pelo grupo familiar. que possam proporcionar apoio a família em crise. perdas e problemas com a manutenção e sobrevivência da família de diversas ordens. vizinhos).107-8) Evidencia-se que as mães ou famílias que acabam por ser destituídas do poder familiar apresentam uma situação de desamparo e abandono. Recursos da rede de serviços (creches. papéis e padrões de funcionamento. a doença física e mental. junta o desemprego.

caso esta venha a ser colocada em adoção. observações lúdicas de conduta. em seu contexto geral. mediante algum nível de intervenção (psicoterapia. • Existência e qualidade do vínculo com a criança/adolescente. etc. drogadição e outros). visando o bem estar físico e mental de quem está sendo destituído do poder familiar A perícia psicológica terá o objetivo de avaliar sobre: • O grau de incapacidade para o exercício das funções parentais. histórico de vida da criança no sentido de se proceder às orientações e esclarecimentos necessários à possível família substituta.• Encaminhar para a rede de serviços do município. perspectivas de vida onde não entre o filho. • A motivação que determina a decisão de ser destituído (nos casos em que os pais estão decididos a serem destituídos). o psicólogo poderá fazer uso de entrevistas. • Firmeza da decisão tomada. • Pesquisar dados de anamnese sobre a gravidez. avaliando-se os riscos e as conseqüências psicológicas para criança/adolescente conviverem com pais portadores dessa problemática. Para a realização de seu estudo. • Condições psico-afetivas dos pais. aplicação de técnicas de orientação e aconselhamento. ou motivação interna (rejeição ao filho. convicção de que ele será mais feliz em outro lar). doenças mentais ou físicas. considerando-se também a extensão de danos ocorridos à criança (casos de maus tratos. parto. não controláveis pelo indivíduo. estudo por meio de visitas domiciliares ou institucionais. É necessário avaliar a situação como um todo. abuso sexual.). orientação / aconselhamento. aplicação de testes. • Identificação de conflitos psíquicos. se os motivos prendemse a fatores externos. 128 . situacionais. certeza de não poder dar-lhe o amor. identificando a existência de pontos favoráveis ou não à mudança. tratamento especializado casos de alcoolismo. não se atendo unicamente à análise do fato que está possibilitando que a medida de Destituição do Poder Familiar seja determinada. • Condições para assumir ou não o papel materno/ paterno. • Compreensão do significado da medida.

ela poderá. visando identificar estratégias para abordar com as crianças e adolescentes as questões referentes ao não retorno para família de origem. muitas vezes. APAE. a uma história de rejeição. IML. o que passa a ser mais um componente para análise e que poderá implicar maiores dificuldades na colocação em família substituta. antes que sua situação tenha sido definida judicialmente. Neste caso de abrigamento. pode ser solicitado que o Juiz oficie a algum órgão especializado. nessa situação. público ou privado. oferecendo um espaço de escuta verdadeira e sensível diante das questões que surgem em torno da espera por essa nova família. Pode se tratar de apenas uma criança ou de um grupo de irmãos de diversas idades. abandono e. Ambulatório de Saúde Mental do Estado).Por vezes. Em muitos casos. caso seja recém nascida. ter vivido em diversas famílias ou. principalmente. para estas avaliações (IMESC. vivenciado situações de violência. tentativa de aborto e sofrimento da mãe. que a criança ou adolescente apresentem diferentes manifestações como o contar e recontar a sua própria história. principalmente. D - A CRIANÇA QUE SERÁ COLOCADA EM FAMÍLIA SUBSTITUTA: O TRABALHO NECESSÁRIO A SER DESENCADEADO Todas as crianças colocadas em adoção possuem um histórico que é o nosso objeto estudo. Ela pode ou não ter passado por privações de diferentes naturezas. 129 . ter sido institucionalizada. São os técnicos do abrigo. Estes profissionais devem respeitar o tempo do luto por esse rompimento. Caso seja necessário. bem como da possibilidade de ser adotado. alguns casos necessitam de exames complementares. negligência. que acolhem dúvidas e angústias da criança ou adolescente de que não mais haverá retorno para a família de origem e é comum. impõe-se a necessidade de se buscar articular um trabalho entre os profissionais da VIJ e os técnicos do abrigo.

Mas os assistentes sociais e psicólogos do Judiciário não podem se omitir desse preparo. A colocação em uma nova família apontará para a necessidade de conhecer que criança é essa. o que deve ser considerado durante a sua preparação para sua colocação em família substituta. independentemente do tempo que possa ter permanecido no abrigo. Toda essa fase supõe a interlocução permanente entre os profissionais da VIJ e do Abrigo. sua interação com profissionais do abrigo e professores e de outras instituições. tendo em vista seu papel fundamental em todo o processo da adoção. Como vem lidando com a situação atual.O diálogo fundado na verdade e no respeito ao papel ativo da criança/adolescente em sua história pode ser realizado pelos profissionais que convivem com ele no abrigo. em seus aspectos singulares e particulares. pode ter estabelecido vínculos com os profissionais e companheiros do abrigo. Como estabelece seus relacionamentos interpessoais com o grupo do abrigo. é de fundamental importância a aproximação da realidade da criança para reconhecer sua(s) necessidade(s) a fim de cumprir a premissa de se localizar a família adequada. 130 . caso freqüente. Este parece ser outro aspecto importante que reforça a necessidade de estabelecer a parceria do Judiciário com os profissionais que estão convivendo com a criança/adolescente no abrigo. Não se pode esquecer que a criança ou adolescente. Portanto. Deste modo. outros colegas da escola. Assim há pontos importantes a serem abordados em uma avaliação com a criança ou adolescente e grupo de irmãos: O Serviço Social deverá verificar entre outros aspectos: • • • Como está para a criança a compreensão de sua história de vida e de sua família de origem. visando uma intervenção fundamentada na sua realidade. a organização do tempo e do espaço para os procedimentos da preparação para a adoção deve contemplar esses princípios. respeitando-se o tempo da criança/adolescente e também a brevidade necessária. além de contribuir em muito o seu preparo para futura adoção.

• Considerar e refletir com a criança sobre a imagem que tem e construiu do(s) adotante (s). por meio de entrevistas interprofissionais. É clara a necessidade da intervenção técnica. Qual a relação entre irmãos.• • • No caso de se tratar de grupo de irmãos. Feitas às considerações acima é importante dizer que os Setores Técnicos só poderão iniciar a fase efetivamente do preparo da criança ou adolescente quando o juiz encaminhar o processo com a determinação para verificar pretendente à adoção. Elencar os relacionamentos e pessoas significativas de seu convívio. • • • Identificar seu interesse em pertencer à nova família. pois a família que temos ou desejamos ter são objetos de idealizações e depositária de sentimentos positivos e negativos. A Psicologia deverá abordar dentre outras questões : • • • A história da criança e de sua família de origem Sua situação atual Analisar com a criança suas fantasias e sentimentos com relação a sua família e seu passado. como as questões acima se dão individualmente. inicia-se o trabalho entre os profissionais da VIJ e do abrigo. o tipo de vínculo – real ou idealizado . visitas no abrigo. identificando como ela vivenciou sua história de abandono e perdas.que estabeleceu com as figuras parentais e o quanto está disponível afetivamente para uma nova relação afetiva com seus pais adotivos. visando o preparo da criança ou adolescente para sua colocação 131 . a idéia que tem de pai e mãe e de pais adotivos. Quais as expectativas em relação à família substituta. possibilitando a reflexão e elaboração de seus sofrimentos e rejeições. Concomitantemente. observação lúdica e aplicação de testes para conhecermos a estrutura psíquica da criança e a capacidade de reatar novos vínculos afetivos. Refletir sobre seu projeto de vida Esta etapa requer uma delicadeza e preparo técnico.

ao mesmo tempo. Ademais. um trabalho conjunto pode sensibilizar o abrigo a não fazer aproximações de pretendentes sem prévia discussão com os técnicos do judiciário. é realizado consulta no Cadastro de Pretendentes à Adoção (CPA) para reconhecer se há pessoas que atendem às necessidades das crianças em questão. bem como o esclarecimento junto a eles quanto ao funcionamento do Cadastro de Pretendentes à Adoção. 132 .em família substituta.

133 .

XI NCGJ). consultam o Livro de Registros dos Pretendentes à Adoção – que deve estar na guarda das Seções Técnicas (conforme Cap. inclusive.PARTE II 1 . Mais adiante trataremos da CEJAI. se chegaram a entrar em contato com algum pretendente. assim como oficiar a CEJAI Comissão Estadual Judiciária Adoção Internacional. poderá ser consultado cadastro das comarcas vizinhas. seu processo de CPA. aqui cabe apenas sinalizar que ela centraliza as informações dos pretendentes à adoção do estado de São Paulo e das crianças e adolescentes destituídas do poder familiar. o motivo de sua recusa ou outra razão.ADOÇÃO POR MEIO DO CPA E OUTRAS MODALIDADES A . os profissionais deverão informar no processo as tentativas empregadas na busca e. o assistente social e/ou psicólogo poderão sugerir que o juiz solicite pesquisa no Cadastro Estadual (CEJAI). e. da área territorial de sua jurisdição. Entretanto. a critério do juiz. após terem detalhes sobre a criança. o qual trataremos de modo mais detalhado adiante. Na impossibilidade de localizar no cadastro da própria localidade. Neste caso. 29 134 . no caso de se efetivar a guarda com vistas à adoção. Cada Juízo da Infância e Juventude é responsável em manter e atualizar Cadastro de Pretendentes à Adoção. a atenção central efetiva-se em buscar uma família que atenda as necessidades da criança/adolescente ou do grupo de irmãos. O processo deve vir para as Seções Técnicas que.OS PASSOS PARA LOCALIZAR FAMÍLIA SUBSTITUTA POR MEIO DO CADASTRO DE PRETENDENTES À ADOÇÃO (CPA) A adoção é prerrogativa do Judiciário e quando há determinação judicial para que uma criança seja colocada em família substituta por meio do instituto da adoção. o juízo deverá seguir a rotina de praxe. Caberá seguir a ordem de inscrição dos pretendentes. comunicando a comarca oriunda.29 Caso não seja localizado pretendente à adoção na região. informar o nº de inscrição.

que enviará a seqüência dos inscritos até esgotados todos aqueles do Estado que atendam as características da criança/adolescente. será importante que os elementos colhidos sejam objeto de discussão interdisciplinar com vistas a buscar identificar quem melhor poderá atender às necessidades específicas de cada criança/adolescente ou do grupo de irmãos que estiver em questão. CUIDADOS TÉCNICOS PARA COLOCAÇÃO EM FAMÍLIA SUBSTITUTA. a lisura dos atos. etc. detalhes. A 1 . Não encontrando pretendente na listagem encaminhada poderá ser solicitada outra listagem a CEJAI. 135 . os profissionais devem proceder a informação no processo e os passos seguintes que pretendem ser aplicados. Cabe ressaltar que. inclusive se já houve aproximações com outra criança.A CEJAI encaminhará uma listagem e poderá ser frutífero que os assistentes sociais e psicólogos da Vara entrem em contato telefônico com as Varas responsáveis pela habilitação dos pretendentes no sentido de conhecer e discutir um pouco o caso com aqueles que atuaram na sua habilitação. o assistente social e ou psicólogo devem. de forma a levar a conhecimento à autoridade judiciária. dificuldades. entrar em contato. obtendo aprofundamento dos dados sobre eles..A ADOÇÃO POR MEIO DO CADASTRO DE PRETENDENTE À ADOÇÃO (CPA): APROXIMAÇÃO DA CRIANÇA E OU ADOLESCENTE. poderá o juiz do feito requerer à CEJAI o envio de pretendentes internacionais habilitados a adotar a criança ou o grupo de irmãos em questão. o qual será incluído no processo. garantindo que o juiz esteja ciente dos procedimentos técnicos adotados e. certificando-se do interesse e agendando entrevista nos setores. Essa discussão deverá resultar em um relatório. Em seguida. superações. Localizado o(s) pretendente(s) à adoção de determinada criança ou grupo de irmãos. após está consulta. conseqüentemente. No caso de não ser possível localizar pretendente inscrito residente no estado de São Paulo na CEJAI.

no momento da entrevista com os pretendentes à adoção. no momento. Os profissionais do abrigo serão comunicados da ida do(s) pretendente(s) ao abrigo e devem viabilizar o contato com a criança(s). muito provavelmente. a(s) criança(s) deve estar abrigada(s). Considera-se conveniente que a criança fique no ambiente onde ela sinta-se mais protegida.Como já dissemos acima. conforme sinalizado no item D deste capítulo. O importante é que se garanta a discussão entre as áreas. Tudo isso após já ter travado conversações com a equipe do abrigo. e a aproximação deve ter sido motivo de reflexão das equipes. esse será um período mais longo ou não. devem ter clareza das necessidades e peculiaridades da criança e uma estimativa em relação à aproximação.a forma como se procederá. os abrigos constituem-se em importantes parceiros para o sucesso da adoção de uma criança ou adolescente que exige um tempo maior para aproximar-se. onde a criança estiver. quanto à aproximação e fornecer encaminhamento para que possam entrar na instituição. ou conjunta. sobretudo. Os profissionais. 136 . ainda que isso possa ser alterado no percurso. inclusive. Os profissionais do abrigo fornecerão elementos de como vai evoluindo a aproximação da criança e o momento de pensar em sua saída seja para estar com ela em um final de semana ou com a guarda já com vistas à adoção. Havendo uma coerência entre pretendente e a necessidade de quem irá ser adotado. De acordo com as características da criança. normalmente no abrigo. Assim. a aproximação com os pretendentes deve ocorrer em um campo que seja o do adotado. Enfim. . os aspectos relacionados à disponibilidade para esperar o tempo da criança(s). pois há de se respeitar a história e as características para que se verifique a melhor opção para aquela criança. o que remete que os profissionais do abrigo estejam acompanhando a busca por pretendente e já tenham iniciado um trabalho com a(s) criança(s) de preparação. A entrevista com os pretendentes poderá ocorrer em separado com o assistente social e psicólogo. visando melhor compreender aqueles que pretendem adotar. os profissionais devem orientar em relação à situação da criança.

A ADOÇÃO INTERNACIONAL: O TRABALHO QUE DEMANDA E A APROXIMAÇÃO Em muitos casos.Algumas crianças e ou adolescentes não exigirão um tempo maior para aproximação. Também tem sido observado à atuação dos organismos internacionais que fazem a intermediação da adoção internacional no sentido de realizarem adoções em que um mesmo grupo de irmãos é dividido em 137 . inclusive. Cabe observar que os pretendentes passam em seu país de origem por um extenso trabalho de orientação e preparo. o(s) pretendente(s) podem. também a forma de se preservar o vínculo entre os irmãos. ao ingressar com o pedido de adoção. e é medida excepcional a ser tomada apenas quando esgotadas as possibilidades de colocação em família substituta no país Portanto. não deve deixar de ser considerada na busca de garantir o direito do convívio familiar e. B . A colocação em família substituta estrangeira só é possível mediante a adoção. a adoção internacional. Isso está diretamente relacionado à idade da criança e ao seu histórico de vida. em alguns casos. A prática do acompanhamento das crianças e adolescentes sob medida de proteção abrigo tem mostrado a grande dificuldade de serem mantidos os vínculos entre irmãos na mesma família. a Adoção Internacional se mostra como a única forma de garantir a convivência familiar para as crianças e adolescentes que se encontram sob a medida de proteção abrigo. com a realização de cursos de formação e com o de foco nas necessidades que vivenciaram das a crianças/adolescentes grupos irmãos institucionalização e situações de risco precedentes ao seu abrigamento. muito embora seja a última medida de proteção. e. o que remete à necessidade de se avaliar a situação da criança/adolescente para que se tenha uma noção do tempo que poderá demandar essa aproximação. conforme apontado no Estatuto da Criança e do Adolescente. obter a guarda. com isso.

138 . deve-se dar acesso aos representantes a esse histórico do caso para que eles tenham a oportunidade de preparar o pretendente em seu país de origem. ela deve ser encaminhada ao Setor Técnico para a consulta junto ao representante dos organismos internacionais credenciados. Os organismos credenciados para a adoção internacional devem fornecer dossiê com fotos e outras informações que facilitem o processo de preparação aos técnicos. cujo telefone de contato constará na lista. depois de efetivada a adoção. primeiramente em seu país de origem e. pois o seu objetivo é avaliar se o (s) requerente (s) é (são) adequado(s) para aquela determinada criança/adolescente sobre a qual estão solicitando adoção. Nesse contato é importante passar as informações quanto ao histórico e características das crianças/adolescentes. em seguida pela Comissão Judiciária de Adoção Internacional. entendemos que esta deva ser realizada em conjunto pelos profissionais da Vara e do Abrigo. que serão repassadas aos pretendentes. A Equipe Técnica. que uma vez acolhida a sugestão do pretendente estrangeiro. procederá um novo estudo.subgrupos. partindo das necessidades específicas de cada criança/adolescente para a análise do dossiê elaborado no país estrangeiro. durante o estágio de convivência e em outros momentos do seu desenvolvimento para os adotantes e adotados Cabe sublinhar. ao mesmo tempo em que as crianças/adolescentes serão preparadas pelos técnicos da Vara e profissionais do abrigo. devendo ser seguida a ordem apresentada. bem como na elaboração de um dossiê sobre sua história que pode ser de grande auxílio. com o compromisso dos pais que os adotam (residentes na mesma região) de manterem os vínculos e os contatos entre os irmãos. Tão logo a CEJAI encaminhe a resposta com as indicações. será também da competência jurisdicional do Juiz da Infância e da Juventude do domicílio da criança/adolescente deferir ou não a adoção. Os setores técnicos deverão ter todas as informações referentes ao acompanhamento da criança/adolescente aos quais serão fundamentais para sua preparação para a adoção. formada por Serviço Social e Psicologia. Apesar do(s) requerente(s) estar(em) habilitado(s). ainda. Com relação à preparação da criança ou adolescente.

ou em grupo de irmãos. 139 . utilizamos alguns procedimentos técnicos tais como: entrevistas. já que há a dificuldade do idioma e a presença do intérprete. será convocado para uma entrevista preliminar com os Assistentes Sociais e Psicólogos das Varas da Infância e da Juventude30. recomendando-se uma freqüência no mínimo semanal. uma adequada avaliação. No acompanhamento do estágio de convivência. respeitando-se o tempo da criança e movimento demonstrado para iniciar este convívio. no país de origem. Sinaliza-se que os testes psicológicos não são usualmente utilizados. 32 O Estágio de convivência deve seguir o estabelecido no artigo 46 do ECA. tão logo determinado judicialmente à colocação em família substituta estrangeira. Nesse caso 31 . Estas técnicas podem ser aplicadas no Fórum ou no local onde os requerentes e a criança se encontram hospedadas. acompanhamento. Quando o requerente já estiver instalado em solo brasileiro. isso antes de entrar em contato com a criança ou adolescente que vai adotar. quando serão realizadas necessários. Caso o psicólogo esteja apenas na sede da circunscrição deverá ser previsto e garantido agenda para realização de entrevistas iniciais. o representante no Brasil tenha permissão para ter acesso aos autos e à criança/adolescente possa discutir com os técnicos responsáveis do caso a preparação dos pretendentes ainda antes de sua viagem para o Brasil. Desta forma. A finalidade dessa entrevista inicial é complementar a avaliação efetivada através do dossiê e para transmitir as orientações necessárias. O adotante e adotado(s) deverão ser acompanhados e avaliados antes e após o desabrigamento pelos setores de serviço social e psicologia. considera-se importante que. que foram os responsáveis pela preparação do requerente. objetivando prepará-los para o encontro com o adotado. pontuamos que o desabrigamento para início do Estágio de Convivência no Brasil32 se dará com a maior brevidade possível. 31 Conforme discussão e indicações retiradas na Comissão de Acompanhamento das Crianças e Adolescentes em situação de abrigamento. 30 entrevistas ou outros procedimentos que se entendam É imprescindível a participação do assistente social e do psicólogo. observação da interação das crianças/adolescentes com o(s) requerente(s).Há que se priorizar a troca e o diálogo entre estes profissionais e os da organização que está intermediando. fatores que devem ser considerados na avaliação de todo o processo. discussão interdisciplinar para garantir em curto espaço de tempo.

bem como. reações psicossomáticas. Decorrido o prazo mínimo do Estágio de Convivência. o que garante um acompanhamento pós-adotivo na maioria dos casos suficiente e satisfatório. 140 . de modo que o vínculo com os organismos internacionais ainda permanecerá. As análises desses dados deverão compor um relatório conclusivo do ponto de vista psicológico e social. com a oferta de acompanhamento técnico (psicológico e social) especializado. brincadeiras. focando na identificação de aspectos positivos para o adotando (por seu comportamento. etc). infelizmente se faz um trabalho de acompanhamento quando não ocorreu o entrosamento e adaptação entre pais adotivos estrangeiros e adotandos. Nesse momento são interpretadas e trabalhadas as necessidades que vão surgindo até que se defina se esta adoção será possível ou não. após esse retorno. a legislação brasileira determina que sejam remetidos às Autoridades Centrais. jogos. a fim de serem tomadas todas as medidas que possibilitem novas perspectivas para que no futuro elas possam se integrar a uma nova estrutura familiar. relatórios periódicos quanto à adaptação da família no país de origem dos adotantes por dois anos. Embora o prazo legal para o Estágio de Convivência pareça reduzido. preparando as crianças e adolescentes para o retorno ao abrigo. há a necessidade do profissional da Psicologia e do Serviço Social avaliar essa etapa. bem como para os adotantes (tanto por seu discurso traduzido pelos representantes por meio de atitudes e comportamentos observados pelos técnicos). uma vez que o que mobiliza um adulto a ter um filho que não foi gerada por ele independe de nacionalidade. sendo que alguns aspectos da adoção internacional não diferem da adoção por brasileiros.Essa fase tem a finalidade de acompanhar e de promover a integração da criança junto aos adotantes e vice versa. Em alguns casos.

No caso da genitora comparecer para avaliação. acrescidos do fato de já ter iniciado o estágio de convivência. percebe-se que está sendo empregado erroneamente o termo intuitu personae. sem indução. 141 . Neste caso a adoção será postulada no Juízo da Infância e Juventude. o qual reconhece o direito do genitor em declinar sua intenção de que seu filho seja cuidado por determinada pessoa por meio da adoção. pessoas essas que depois vêem requerer a adoção. pois na verdade trata-se de uma mãe que.ADOÇÂO INTUITU PERSONAE O Intuitu Personae é um instituto jurídico. normalmente é determinado estudo social e psicológico e caberá avaliar todos os aspectos que são vistos por ocasião do estudo para o CPA.1. que deverá requerer a oitiva da genitora. Parte I item B. Em relação aos adotantes. entregou seu filho a uma pessoa que lhe assegurou melhores condições de vida para o filho junto a um casal sem filhos e com o qual não possuem qualquer vínculo que justifique a opção da escolha. Por vezes.C . Os aspectos que puderam ser levantados em relação à mãe e a sua motivação devem estar no conteúdo do relatório apresentado. inclusive cabe aos assistentes sociais apontarem as possibilidades de alternativas e recursos sociais discutidos no intuito de viabilizar formas de que a mãe possa ficar com seu filho. se está agindo com liberdade. Esse ato de entrega condiciona-se exclusivamente àquela pessoa ou casal. tão logo deu a luz. também será importante compreender as razões que a fizeram escolher para quem dar seu filho em adoção. além dos aspectos mencionados no capítulo 5. Constata-se uma discussão jurídica e técnica sobre a conveniência ou não de se aceitar a escolha dos genitores e a Adoção Intuitu Personae. Pode ou não ser solicitado estudo social e psicológico em relação à mãe e aos adotantes. no caso e do principal fator de sua entrega for falta de condições socioeconômicas.

Na apreciação do pedido se levará em conta o grau de parentesco e a relação de afinidade ou de afetividade. Pode ser um pai ou mãe biológico. Segundo o artigo 41 do Estatuto. há críticas por parte dos setores técnicos com relação à aceitação desta medida.ADOÇÃO UNILATERAL O artigo 28 do ECA estabelece que sempre que possível a criança ou adolescente deverá ser previamente ouvido e a sua opinião devidamente considerada (§1º). desejando regularizar a filiação de seu filho. que por terem casado novamente ou mesmo estabelecido uma união estável na qual o companheiro (a) vem assumindo o papel paterno / materno. os profissionais devem seguir como nas demais situações de adoção. ou seja. Aqui se enquadram os requerentes que buscam a intervenção judicial para legalizar uma relação familiar já estabelecida. ao se deixar de priorizar o CPA. a avaliar. Nos pedidos de adoção unilateral. orientar e proceder o acompanhamento psicossocial do estágio de convivência. deixa-se de cumprir uma de suas principais funções.Pergunta-se: os pais teriam este direito de escolha? O que realmente motiva esta escolha? De modo geral. Ademais. a fim de evitar ou minorar as conseqüências decorrentes da medida (§ 2º). principalmente. ouve-se o genitor biológico em vias de perder o poder familiar. cabe por fim ressaltar que. no caso do deferimento do pedido de adoção. que é a de revestir de cuidados técnicos a avaliação das famílias que receberão crianças pela via adotiva. se um dos cônjuges ou concubinos adota o filho do outro (adoção unilateral) mantêm-se os vínculos de filiação entre o adotado e o cônjuge ou concubino do adotante e os respectivos parentes (§ 1º). sempre que possível. D . a fim de investigar suas 142 . por interromper a ordem do Cadastro (CPA). ou seja. uma “adoção de fato”. Ainda assim. pois acreditam que este instrumento perde a credibilidade.

Segundo Paiva (2004. Sugere-se uma intervenção psicossocial de orientação e aconselhamento na Vara. Quando o genitor é ausente ou falecido.razões e o lugar ocupado pelo filho em suas representações sóciopsicológicas. nos deparamos com famílias que nem sempre vem desempenhando este papel de forma satisfatória. identificando-se dificuldades e conflitos. p. É importante observar qual a compreensão que a criança ou adolescente possui acerca do pedido e se possui liberdade para discordar. A estabilidade da união dos requerentes. 143 .80). Nesta modalidade de Adoção. que terão que ser trabalhados. na tentativa de intervir no núcleo familiar e de não submeter à criança a mais uma perda. com a família e a criança. Vale ainda pesquisar como esse genitor – ainda que desconhecido ou ausente – está representado para a criança. pois ele pode perder a sua descendência sem ter como impedir que isto ocorra. A intervenção dos Setores Técnicos é a de avaliar os papéis desempenhados na família. a adoção nestes termos. a situação apresenta contornos ainda mais sutis. para a criança. Avaliação sobre a real motivação do(a) genitor(a) que abre mão do poder familiar. pode representar o equivalente à morte ou à destruição simbólica do genitor biológico. Seus sentimentos e tipo de relacionamento em relação ao pai / mãe biológico. até então. A real motivação do (da) requerente. assim como avaliar a criança e ou adolescente procurando identificar: • • • • • • • O vínculo e afinidade da criança ou adolescente com a pessoa que assumiu este papel. A representação da oficialização dessa adoção para cada um. Cabe esclarecer sobre as conseqüências da medida. • A compreensão que os avaliados possuem da medida que estão solicitando. bem como na adoção por parentes analisada a seguir. A disponibilidade interna da criança para reconhecer psicologicamente o (a) adotante como pai ou mãe. caso não queira ser adotado.

pois ocorrem situações em que desde bebês ou pequenos. as relações estabelecidas com os eventuais filhos dos requerentes (que também devem ser contemplados no estudo). que pode ter abandonado a mulher há muito tempo. Os assistentes sociais devem atentar-se. Deve-se buscar a visão dos diferentes atores sociais sobre essa realidade inclusive pensar no que efetivamente irá mudar com a adoção. com isso. inclusive quanto à impossibilidade da efetivação da adoção naquele momento. que não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotado.Fávero et al. que lugar a mãe biológica ocupa na vida da criança/adolescente. e. pois elas é que entregam os filhos.No entanto. são elas que deixam com terceiros. 76. parágrafo 1º.6 % refere-se a destituição da mãe e 23. e. mas é preciso verificar as motivações e o significado desta decisão no núcleo familiar e na família extensa. além dos aspectos que exige toda a adoção. os tios passaram a assumir os cuidados de seus sobrinhos. há que se analisar a melhor medida a ser aplicada no caso concreto. 2000.ADOÇÃO POR PARENTES O ECA prevê em seu artigo 42. muitas vezes. pode ocorrer a impossibilidade de sucesso deste trabalho e. Com isso.4% de pais. não é incomum que tios pleiteiam a adoção de seus sobrinhos. isso ocorre devido às dificuldades da mãe33. caso esteja comprometendo o desenvolvimento cognitivo emocional da criança. Muitas vezes nem nos registros escritos fala-se sobre quem é o pai da criança. 144 . os parâmetros adotados. Entende-se que os assistentes sociais e psicólogos devem procurar desvelar como os vínculos foram e estão estabelecidos. Para saber mais. O que a primeira vista pode soar estranho deve ser melhor compreendido. Tios podem adotar. muito mais raro é ver essa situação envolvendo homens. Em pesquisa realizada em processos arquivados de destituição do poder familiar referentes a ações que tramitaram na capital. o que seria provisório foi se estendendo. o desempenho de papeis na família nuclear. 33 De modo geral na realidade de Vara da Infância e Juventude o que se evidencia são as mulheres. recomenda-se “Perda do Pátrio Poder: aproximações a um estudo socioeconômico” . entender a motivação e a perspectiva que move tal pedido. como o processo socioeducativo foi estabelecido. De modo geral. E .

deverá se ater em como a criança ou adolescente elaborou ou está elaborando o abandono sofrido por alguém dotado de consanguinidade e identificar a construção psíquica e afetivo-emocional. quando casal. Qual a percepção que tem de sua história. O que conhece e compreende sobre a história de vida da criança/ adolescente e desde quando assumiu os cuidados. É importante respeitar tais decisões. A estabilidade da união dos requerentes. Seus sentimentos e tipo de relacionamento em relação ao pai / mãe biológico. Como se efetivam suas relações familiares. A real motivação do (da) requerente. além dos aspectos que devem ser observados em relação à adoção.No processo avaliativo considera-se que o psicólogo. que a criança vem internalizando nesse tipo de convivência. A representação da oficialização dessa adoção para cada um. entende-se que os dados abaixo são importantes para se conhecer: Em relação aos requerentes • • • • • • O vínculo e afinidade da criança ou adolescente. bem como esclarecê-la sobre as conseqüências da medida. Em relação à genitora • Avaliação sobre a real motivação do(a) genitor(a) que abre mão do poder familiar. 145 . guardada as especificidades técnicas acima delineadas. • A compreensão que os avaliados possuem da medida que estão solicitando. cabe oferecer à genitora alternativas que possibilitem assumir seu filho. Em síntese. Dependendo de como apresenta a situação. Em relação à criança/adolescente • • • • • Como entende o pedido formulado. A disponibilidade interna da criança para reconhecer psicologicamente o (a) adotante como pai ou mãe. referente aos papéis parentais. Vínculo com a mãe e ou pais biológicos.

há muitos anos. os períodos de permanência da criança vão aumentando até que estas não retornam e não é possível localiza-la. F – OUTRAS ADOÇÕES PRONTAS No cotidiano do trabalho nas Varas da Infância e Juventude depara-se com diversas situações dentre elas a que popularmente se denomina como de adoção pronta. se houve impedimentos provocados pelos guardiões de fato. E no caso de não ter ocorrido o rompimento dos vínculos com a família biológica. p.76 ). ressalta-se que os profissionais da VIJ devem buscar compreender como ocorreu o afastamento com a família de origem. cada vez mais. a irem buscar alternativas em outras regiões do estado ou país. no entanto. os padrões culturais entre outros que podem ter motivado ou não a ruptura de vínculos entre família biológica e o filho. Há situações em que a criança foi assumida por conhecido dos pais. aliada às dificuldades socioeconômicas. Trata-se do pedido que é formulado para regularizar uma situação que existe de fato. Identifica-se nessa situação mães que deixam seus filhos com “tomadeira de conta”34 e. Outra situação é aquela em que os pais deixam o filho com conhecido devido falta de condições socioeconômicas o que leva. se a própria distância. por vezes. Podemos levantar outros tantos motivos. Não há obstáculo legal na aceitação deste tipo de adoção. mediante pagamento para que os pais possam trabalhar. minando o sentimento de pertencimento entre a família adotiva e a criança (Tribunal de Justiça de Santa Catarina. mas o contato e a interferência com a família biológica podem ser um complicador frente ao sentimento de insegurança que pode ocorrer. 34 146 . qual é o lugar de pertencimento da criança em uma ou outra Expressão empregada para identificar pessoa que cuida de algumas crianças em sua própria casa. verificando-se também dos direitos sucessórios. tem que se ter presente que benefício à adoção trará para a criança ou adolescente e se haverá uma alteração significativa na constelação familiar.Portanto. e estes não se distanciaram da criança/adolescente. por vezes. 2001. mantém contato freqüente com o filho ou não.

Tem-se a perspectiva de uma intervenção junto ao núcleo familiar e a criança/adolescente. Parte II. respeitando as peculiaridades do caso. Ela traz a necessidade de uma avaliação acurada com relação a seu histórico. pode basear-se nos aspectos elencados no Capítulo 4. os profissionais não podem se eximir pelo compromisso ético assumido. enfim. em assumir papéis satisfatoriamente. Essa questão poderá ser aprofundada no decorrer das intervenções técnicas envolvendo o preparo e orientação de quem pretenda assumí-los. 147 . A avaliação psicossocial pode evidenciar que a medida pleiteada não seja a mais adequada para a criança e/ou adolescente e. se faz importante a orientação dos requerentes à adoção quando de sua inscrição. A realidade mostra a dificuldade de colocação dessas crianças e. quanto à importância de serem preservados os vínculos entre os irmãos. respeitando-se o vínculo existente entre os irmãos.OUTRAS QUESTÕES QUE VERSAM SOBRE ADOÇÃO: Não se trata de “modalidade” de adoção. nesse sentido.família? Essa vinculação entre as famílias gera complicações nas relações familiares? Portanto. Parte II item C. seus vínculos. Quando da impossibilidade de colocação em uma mesma família. item C e no capítulo 5. mas podemos pensar em peculiaridades que se revestem de especial preocupação por parte dos profissionais que atuam nas Varas da Infância e Juventude. envolvendo os profissionais do judiciário e dos abrigos. com o cuidado que a adoção exige. Também pode se evidenciar dificuldades no campo sócio-familia. na tentativa de não submeter esses últimos a mais uma perda. suas expectativas quanto à colocação em lar substituto. Uma delas é a adoção que trata de GRUPO DE IRMÂOS. A pesquisa estadual aponta para abertura de um leque maior de possibilidade de colocação. o estudo social e psicológico. nesse sentido. G . problemas que possam estar comprometendo o desenvolvimento cognitivo emocional da criança e/ou adolescente. situações que levem a sugerir que o caso seja acompanhado na VIJ.

148 . que estarão mais presentes quanto maior for sua idade. Nesse caso. violência. institucionalização prolongada. muitas vezes permeada por experiências de abandono. Apresentam receios de seqüelas psicológicas do abandono e institucionalização. Esgotadas essas vias. na maioria dos casos. Estes aspectos são determinantes neste tipo de adoção. recomenda-se verificar se essas famílias se mostram abertas à continuidade do contato entre os irmãos. Alegam dificuldades de adaptação da criança e de criação de novos vínculos. Revelam medos e preconceitos com relação a vivências anteriores das crianças. pois ela possui uma história que precisa ser reconhecida e respeitada. um tempo de abrigamento.existe a alternativa de serem integrados em separado. a inserção do grupo de irmãos junto a pretendentes estrangeiros também é uma possibilidade de garantia de direitos à preservação dos vínculos fraternais dentro de uma família. Temem influências pelo ambiente de origem e as lembranças da família anterior. Este quadro se apresenta tendo em vista inúmeros fatores que envolvem o imaginário de uma adoção tardia. com o fito de oferecer a este grupo o direito à convivência familiar.ADOÇÃO TARDIA Em geral. Esta criança já teve vivências em sua família de origem ou junto a outras pessoas que faziam parte de sua rede social e. dentre eles: • • • • • Os pretendentes desejam vivenciar todas as fases de desenvolvimento de um filho. assim a consulta a CEJAI deve ser sempre realizada. e a realidade mostra que existe uma maior dificuldade de inserção em família substituta deste grupo de crianças e adolescentes. considera-se adoção tardia aquelas que se referem à colocação em lar substituto de crianças acima de dois anos. H .

paciência. em que a criança viveu. surgirem exigências mais rígidas com relação a regras e horários. como a liberdade. pois as suas vivências anteriores poderão predispor a ocorrência de atitudes que demandarão dos requerentes um posicionamento firme e acolhedor. capacidade de demonstrar em atitudes que aceita a criança como ela é. mas ter uma abertura que possibilite o acolhimento e compreensão das atitudes que o adotado possa vir apresentar. novamente pontuamos que o acompanhamento do Estágio de Convivência pelas Seções Técnicas é fundamental. antes de sua inserção em uma nova família. aos poucos. E. tanto do que seja um filho do que como uma família. o que muitas vezes pode trazer uma certa desorientação. no início do estabelecimento da nova dinâmica familiar as expectativas nem sempre serão correspondidas. torna-se imprescindível. Nesse sentido. Assim. tolerância à frustração. agressividades. individualidade. a autonomia. o estímulo. em decorrência de seu histórico. agrega. É importante pontuar que o contexto institucional. É comum. a preparação da criança. como em todas as adoções. a construção do vínculo familiar. apesar das modificações que se têm observado após o Estatuto da Criança e do Adolescente. merecendo esses aspectos serem trabalhados durante o estágio de convivência. existe uma idealização de ambas as partes. Numa adoção tardia é o tempo que possibilitará a construção da noção de sentimento de família. os adotantes precisam ir além de conhecê-la. conseguindo estabelecer uma relação de confiança e que possibilite. a abertura para inserção em um novo contexto familiar. apóia e dá valor. a criatividade individual. a privacidade. Lembrar que. tendo como desafio a superação deste estágio. o que predispõe o adotado a uma necessidade de aprendizagem de como agir neste novo contexto. como aquela que protege. nem sempre disponibiliza as rotinas de um lar. nessa situação. levando em conta seu histórico. Precisam ser pessoas que tenham potencial para lidar com situações de stress. fantasias e frustrações. os vínculos que estabeleceu seus lutos. que nem sempre é vista. 149 .Dada esta realidade peculiar.

auxiliando na elaboração do pedido formulado e na concretização da adoção de maneira positiva. a discriminação às crianças e aos adolescentes. que são marcados pela pobreza e pelas diferenças étnicas. tem se mostrado importante para a reflexão e a troca de expectativas e experiências. Para Rufino (2003. são aspectos que têm sido incorporados no interior das práticas judiciárias. depositando desejos e expectativas que os pais em geral almejam para seus filhos. opinando que estas adoções são viáveis. 2003. dependendo da opção feita. 150 . 40).A busca pelos assemelhados e a dificuldade de aceitar crianças que não se encaixem nos padrões da estética vigente no imaginário da sociedade brasileira. os interessados costumam ser esclarecidos sobre a realidade racial das crianças em condições de adoção. (Ruffino. tanto na preparação como no decorrer do estágio de convivência. acima descrita. a questão pode ser colocada da seguinte forma: a análise do processo de colocação em família adotiva põe na pauta de discussão. p. Na prática do judiciário no que concerne este tipo de adoção.40). Identifica-se aqui o velho embate entre pais e filhos com relação a diferenças de ser e agir e o desafio a ser superado. ou seja. Percebe-se também que os candidatos a pais adotivos querem um filho idealizado. I . p. a atitude de propiciar a um filho a autonomia desejada e necessária. que tenha suas características. Silveira (2005) conclui em sua pesquisa que não existe diferença no ajustamento e sucesso de uma adoção. Nem sempre os interessados revelam-se preparados para ter um filho e desconhecem a realidade das crianças disponíveis para adoção. considerando a diferença de cor ou de raça entre pais e filhos adotivos.A participação em grupos de Apoio a Adoção destas famílias. e a negação à diversidade étnico-cultural. e mesmo quanto as implicações de uma espera maior para conseguir adotar. e revelam a intolerância às diferenças raciais.ADOÇÃO INTER-RACIAL A adoção inter-racial é aquela que ocorre entre adotantes e adotados de grupos étnicos diferentes.

35 Sugerimos para aprofundamento da tema consultar Silveira. disponibilidade. A autora apontou a crença que a criança pode ser menos rejeitada se for colocada em seu próprio grupo racial e afirma que este quadro se configura em um pré-julgamento. 35 Nas avaliações psicossociais. 98) identifica-se também que entre os profissionais que atuam com casos de adoção os posicionamentos contrários à inserção de crianças em famílias de etnias diferentes. Nos estudos de Silveira (ibid. 2005. 151 . como traços de personalidade positivos para enfrentar estas situações com segurança e bom senso. muitas vezes. flexibilidade. Os julgamentos e valores aprendidos em suas vivências sociais devem ser identificados no decorrer da avaliação. necessitando de melhor fundamentação em termos científicos. a abertura para aceitar e conviver com as diferenças. a maturidade que revelam. são justificados pela preocupação com a rejeição e o preconceito racial. paciência. perseverança. recomenda-se identificar qual o significado interno para os adotantes do desejo de adotar uma criança de outra etnia ou de querer uma criança com os mesmos caracteres físicos.No cotidiano das Varas da Infância e Juventude também se constata que a maior parte dos requerentes manifesta o desejo de adotar uma criança com características próximas das suas e acreditam que seja facilitada a aceitação no ambiente em que vivem. características como compreensão. p. autoconfiança. Outro aspecto a ser observado nos estudos sociais e psicológicos realizados é o preparo dos interessados neste tipo de adoção para lidarem com o contexto social em que estão inseridos. havendo uma preocupação de que sofram hostilidades e preconceitos sociais.

O ESTÁGIO DE CONVIVÊNCIA O ACOMPANHAMENTO DO ESTÁGIO DE CONVIVÊNCIA O estágio de convivência tem início a partir do momento que aqueles que postularam a adoção da(s) criança(s) e/ou adolescente(s) obtiveram o Termo de Guarda e Responsabilidade (TGR) sobre essa(s) e. estando fora da relação tem a oportunidade de vislumbrar pontos de conflitos mais intensos. mas de proporcionar a circulação de conteúdos que. permitindo assim sua elaboração psíquica. Existem características apresentadas pela criança/adolescente que devem ser avaliadas por ambas as equipes. É necessário verificar se a criança está conseguindo ter um espaço na família como filho e como estão se estabelecendo os novos papéis e troca de afetos dentro da família.Conforme consta no Caderno dos Grupos de Estudos de Serviço Social e de Psicologia Judiciário A intervenção técnica durante o estágio de convivência tem se mostrado imprescindível. 152 . uma vez que adotante e criança encontram no técnico um terceiro que. sempre de acordo com as peculiaridades do caso. • Habilidades. e. • Reações agressivas. se cristalizados. auxiliar no sentido de desvelá-los. Recomenda-se o acompanhamento pelos profissionais de Serviço Social e de Psicologia. seu círculo familiar e social. • Hábitos alimentares. de higiene.95). quais sejam: • Atitudes.2005. momento crucial do estabelecimento de relações entre o adotante e adotado. • Perspectiva de tempo. passam efetivamente a assumir todos os seus cuidados de guarda e proteção que está estabelecido no art. dado que eles têm um papel importante no decorrer estágio de convivência.p. causam “nós” de difícil dissolução. percepção e controle.2 . etc.46 do ECA. Não se trata de resolver problemas na sua dimensão concreta. com isso. (SRH/TJSP. com isso. de rotina diária. de lazer. O juiz fixará o período que este ocorrerá.

• Aceitação da criança nos diferentes grupos com os quais a família interage e sua inserção na comunidade. comportamentos. se o caso. estabelecimento das interações sociais e demonstrações sóciorelacionais. • Desenvolvimento de peso e altura: compatibilidade com a faixa etária e ganho pós-adoção. neste sentido oferecer um espaço de escuta e orientação que. interação com novos professores e colegas. • Medos específicos e situações de birra. reconhecimento. com relação ao adotando. • Educação – a adaptação escolar. controle de esfíncteres. vínculos relativos a sua família de origem. • Relacionamento com a família extensa e com estranhos. • Desenvolvimento global da criança (aspecto físico. hábitos de higiene. compreensão dos conteúdos ministrados. além dos explicitados acima acrescenta-se: • Saúde – vacinação. internações hospitalares. insônia.. outros profissionais envolvidos (fonoaudiólogo – neurologista – fisioterapeuta). rede de amigos anteriores à inserção ao lar substituto. bruxismo. abrigo. etc. etc.). • Sono – apresentação de distúrbios. independência. além das observações realizadas no decorrer do acompanhamento. • Como o adotando se coloca diante de sua história: lembra ou nega seu passado. sonambulismo. na família extensa e na rede social dos adotantes. Entende-se que alguns aspectos devem fazer parte do acompanhamento e. Destacamos com relação aos adotantes: 153 . terror noturno. dentre outros. integração nas atividades intra e extra escolares. dificuldade cognitiva e/ou comunicação. evidenciarão como está ocorrendo o acolhimento da criança/adolescente no núcleo familiar. agitação. • Necessidades reveladas: segurança. observar o local onde dorme o adotando.• Comunicação verbal e não verbal. Convém um contato ou solicitação de relatórios dos mesmos. acompanhamento médico. O Serviço Social deverá ter seu foco de atenção no estabelecimento das novas relações sócio-familiares do adotando e.

Percepção dos adotantes acerca da Adoção e ao vivenciá-la. 154 . Como está se processando a nova dinâmica familiar. 2. que perfil descreve deles). na família extensa e na comunidade. • • • • Modificações na dinâmica do casal e ocorrência de crises conjugais. ou com outros membros da família. hábitos e costumes do adotando. Inclusão da criança/adolescente no ambiente escolar regular e em outros cursos complementares. Qual a percepção e sentimentos do adotante acerca do período de estágio de convivência. Como os adotantes lidam com a aceitação das diferenças do adotado: no núcleo familiar. • Como estão se estabelecendo as relações parentais: percepções quanto à aceitação. no aqui e agora. 5. 6. Relacionamento da criança/adolescente com outras crianças.• • • • • • • Percepção da família em relação às alterações com o ingresso de novos membros. Inserção da criança/adolescente na família extensa e nos grupos sociais que a família está integrada. 3. A Psicologia deverá estar mais atenta aos seguintes aspectos: 1. Existência de preconceitos e como a família supera tais questões com a criança. a dificuldade ou não em inserir a criança enquanto novo membro da família extensa. Como os adotantes lidam com a história de vida do adotando. Como os adotantes se colocam em relação às “birras” e “manhas” e a colocação de limites. Percepção da própria criança da integração ao núcleo familiar dos pais adotivos. Identificação com a figura dos adotantes. 4. Dificuldades surgidas e como foram enfrentadas. Grau de assimilação do requerente pela criança (como a criança está caracterizando e definindo o casal. enfim a realidade concreta. Como os adotantes lidam com a saúde.

Essa intervenção tem a perspectiva de apoiá-la e ajudá-la na integração e elaboração desses sentimentos. 12. seus valores e objetivos. Verbalizações da criança com relação ao seu passado e como o adotante está lidando com esta situação.Vocabulário: nível de compreensão e disponibilidade para aprender. 9. 8. É de fundamental importância à intervenção técnica junto à criança. 10. fazendo uma interpretação e correlação com sua história passada e sua cultura. 155 . em vista das experiências de ruptura de vínculos anteriores. intervir junto aos adotantes auxiliando-os a compreender estas reações e comportamentos que a criança ou adolescente vem apresentando. Deve-se focar: a maneira como está reagindo.Mundo escolar . percebendo a autoestima que revela. ou mesmo atitudes da parte da criança que visam confirmar a disponibilidade dos pais continuarem sendo os “seus” pais. Assim pode-se observar se há manifestações regressivas no desenvolvimento ou de agressividade. 11. com a questão de contar para terceiros e para a criança sobre sua condição de filho adotivo. Percepção dos adotantes acerca de sua condição e preparo para desempenhar o papel de pai e mãe. No caso de crianças maiores existem estudos que apontam algumas especificidades as quais devem ser consideradas neste período para que o profissional utilize como base de análise e intervenção.7. ajudando-a na compreensão de suas reações e dinamismos psicológicos surgidos no estágio de convivência.Compreensão e concepção sobre a problemática da criança carente e abandonada. após um certo período de namoro. Como é concebida e será baseada a educação que pretendem oferecer à criança/adolescente (fatores que consideram essenciais para um bom convívio familiar no dia a dia). Orientá-los no sentido de como agir frente aos comportamentos apresentados pelo adotado. Concomitantemente.

CADASTRO DE PRETENDENTES À ADOÇÃO (CPA) A . um registro de crianças e adolescentes em condições de serem adotados e outro de pessoas interessadas na adoção.CPA: REGULAMENTAÇÃO O ECA trouxe a necessidade de modificar o paradigma que secularmente estiveram em torno da adoção.3 . Tendo em vista esta proposição e com o objetivo de revestir de cuidados especiais a seleção de pretendentes à adoção. Esse Provimento regulamenta o Cadastro de Pretendentes à Adoção. e segue o regulamentado no Provimento 05/2005. Enfatiza a indicação de que a adoção deve servir principalmente as necessidades da criança e do adolescente. 156 . O artigo 50 e o § 1º do ECA determina que A autoridade judiciária manterá. ouvido o Ministério Público (§ 1º). onde há um Banco de Dados com informações sobre todos os pretendentes à adoção que residem no Estado de São Paulo. e estabelece que cada Vara é responsável pela manutenção e atualização do Cadastro na região que atende. com a obrigatoriedade de que os pretendentes à adoção sejam previamente avaliados. As Normas da Corregedoria abordam no Capítulo XI Ofícios da Infância e da Juventude e Dos Serviços Auxiliares. Na SEÇÃO VI. o Tribunal de Justiça de São Paulo publicou o Provimento CG 12/95 que instituiu o Cadastro Único. com parâmetros básicos para os seus procedimentos e análise. em cada comarca ou foro regional. trata do Cadastramento em Juízo. Subseção I. O deferimento da inscrição dar-se-á após prévia consulta aos órgãos técnicos do juizado.

Após o deferimento da inscrição no CPA da Vara. como nas reavaliações a cada dois anos (Prov. que deverão convocar o interessado por meio de ligação telefônica. serão eles remetidos ao Setor Técnico para agendamento das entrevistas por Assistentes Sociais e Psicólogos. acompanhado dos documentos necessários que constam no sub-item 45.3 do Provimento da CGJ. pois as discussões contribuirão com as reflexões e análises tanto dos profissionais como daqueles que pretendem adotar. de 05/2005. ou.O pretendente à adoção deverá ser atendido pelo Setor Técnico da Vara da Infância e da Juventude de seu domicílio ou. deve-se procurar garantir. Deste modo. onde há apenas uma das áreas dos Setores Técnicos. um fluxo e rotina de trabalho que estabeleça a avaliação dos pretendentes à adoção pelas duas Seções Técnicas. justificadamente ser solicitado novo prazo. mesmo naquelas Comarcas. na impossibilidade. Devidamente instruídos os autos. Salienta-se a importância de se estabelecer um fluxo de comunicação e integração dos trabalhos realizados nas duas seções (Psicologia e Serviço Social). tanto no momento da inscrição no Cadastro. No prazo de 45 dias deverá ser apresentado parecer conclusivo a respeito do pedido. Isso está regulamentado pelo Comunicado CEJAI 6/2006. enviando a habilitação dos pretendentes com as respectivas planilhas preenchidas com os dados colhidos durante as avaliações nos Setores Técnicos. CGJ 05/2005). que será protocolado no cartório da infância e juventude. por cartorário devidamente preparado para prestar todas as informações necessárias ao processo de habilitação. o Diretor do Cartório da Infância e Juventude deverá comunicar a CEJAI em 24 horas. dentro da Circunscrição. Os próprios requerentes preencherão requerimento em um modelo padronizado. Assim como retornar o processo para o setor técnico para que sejam anotados os dados do(s) pretendente(s) no Livro de Registro de Pessoas Interessadas na Adoção (conforme tratado no capítulo 3 ) 157 .

A observação do modo como os requerentes se colocam frente a estes aspectos podem evidenciar a necessidade de se aprofundar a orientação ou realizar encaminhamentos específicos. privação da vida familiar e cuidados parentais dentre outros. sendo parte não apenas da avaliação como também desempenha um relevante papel na preparação de todo o processo que irá se desdobrar. características especiais de saúde. vivência de abandono e maus tratos. como psicoterapia ou a sugestão de participação em grupos de apoio à adoção. ao perfil das crianças que são colocadas em lar substituto: sua origem. As orientações e esclarecimentos representam uma etapa importante do cadastramento inclusive para melhor situar os pretendentes à adoção quanto a sua realidade e procedimentos. Assim. 158 . a importância do estudo social e psicológico. mas também a elucidar questionamentos específicos com relação à adoção – reflexões sobre o tema. carência de estimulação.ALGUNS APONTAMENTOS PARA AVALIAÇÃO DOS PRETENDENTES À ADOÇÃO POR PARTE DOS SETORES TÉCNICOS 1ª FASE: Pode-se dizer que o processo de avaliação inicia-se desde o primeiro contato dos interessados em inscrever-se no CPA. idade. histórico. • a realidade social das famílias que abandonam seus filhos.em sua maioria possuem um histórico marcado por situações de sofrimento. de acordo com a realidade local . gênero. os colocam em adoção ou têm o poder familiar destituído por decisão judicial. onde os requerentes tanto do tramite processual do cadastro como de poderão repensar e amadurecer aspectos que tinham como certos. ausência de cuidados básicos durante a gestação. onde poderão discutir com seus pares. inicialmente é indicado esclarecer ao(s) pretendente(s) quanto: • • a organização do Cadastro de Pretendentes à Adoção. etnia. que não se limita a uma perícia.B . • • a possibilidade de um espaço de troca.

A avaliação é positiva no que tange à elaboração do projeto adotivo apresentando maior probabilidade de encontro às necessidades da maioria das crianças e adolescentes que aguardam uma família. organização de encontros e outras atividades junto à comunidade e abrigos para esclarecimento quanto à realidade da adoção. Algumas Varas do Estado36 organizaram formas de trabalho com os pretendentes à adoção com vistas a aprofundar. Aqui sugerimos as principais atividades desenvolvidas nos grupos: • Orientações gerais (aspecto processual.Importante ressaltar que os requerentes também mencionam aspectos relevantes sobre como entendem a situação dessa criança. seja de modo subjetivo. 36 Levantamento realizado pela CEJAI. no primeiro semestre de 2007. orientar e preparar. realidade das crianças e adolescentes com situação definida para a adoção. etc). etc). documentação necessária. E os profissionais devem estar atentos para identificar os sinais apresentados pelos pretendentes seja de forma concreta. • • Indicação de bibliografia. filmes e páginas da Internet relacionados Encaminhamentos específicos (psicoterapia. • Participação junto à rede social com atuação e/ou colaboração com grupos de apoio à adoção. grupo de apoio à com os temas da adoção. tanto com atendimentos individuais como em grupos. 159 . podendo trazer elementos que apontem certa abertura ou dificuldade quanto a efetivação da adoção. Intervenções que levem à reflexão e sensibilização quanto aos temas relativos à adoção e realidade das crianças e adolescentes em situação definida para a adoção. • adoção.

particularmente no que se refere às suas capacidades de estabelecer relações afetivas com os outros. a maneira como se tratam um ao outro e a forma como tratam o profissional. O assistente social e o psicólogo judiciário devem ter em mente que precisam buscar a imparcialidade evitando o pré-julgamento.2ª FASE: C . ou. Mendes (2006) complementa: Procura-se saber sobre eles enquanto pessoas. buscando estabelecer uma vinculação positiva com os atendidos. O clima deve ser amistoso e proporcionar um espaço que facilite as reflexões. seja pelo atendimento em duplas. Sublinha-se que as reuniões de estudos a 160 . Necessitam ter clareza do poder que a situação de avaliação e o lugar institucional lhe conferem. A avaliação social e psicológica daqueles que pretendem adotar uma ou mais criança ou adolescente se revela como uma importante aliada no momento da colocação da criança em família substituta. s/p. Preferencialmente sugere-se que desde o momento da inscrição no Cadastro de Pretendentes o trabalho seja realizado pelas duas áreas (serviço social e psicologia).). fortalecendo com isso compromissos éticos que devem estar presentes na atuação profissional. o que gerará – provavelmente . 2006. pois elas trarão elementos significativos para a avaliação. Os profissionais do judiciário devem ter claro quanto a relevância de seu papel. Há três situações que contribuem para a avaliação desta questão: a forma como eles falam de outras pessoas.maior disponibilidade para revelações e reais motivações. garantindo-se no fluxo do trabalho o exercício da discussão interprofissional de cada caso. Recomenda-se que os profissionais apurem sua escuta e a observação em relação a como os pretendentes à adoção lidam com as suas relações sóciofamiliar e afetivas.A AVALIAÇÃO DOS PRETENDENTES À ADOÇÃO: ASPECTOS TÉCNICOS CONSIDERADOS NO ESTUDO SOCIAL E PSICOLÓGICO. (Mendes. alicerçar-se teórica e metodologicamente. para se ter o enfoque psicossocial.

bem como imaginar como irão exercer a maternagem ou paternagem a que se dispõem. sua negação ou elaboração é outro aspecto que requer uma análise cuidadosa do seu significado. (Dolto. receios que fazem parte de seu universo pessoal e familiar. tomando-a como objeto do seu investimento libidinal.13). desde a sua vida pré-natal. p. Sem dúvida uma postura investigativa poderá melhor compreender as correlações que se pode fazer na idealização do filho desejado. já está marcado pela maneira como é esperado. No caso da adoção identificar se está sendo decorrente de dificuldades em conceber um filho. [.37 É necessário conhecer os candidatos para identificar conceitos e preconceitos. Na análise dos pretendentes à adoção. é importante que os futuros pais possam imaginar. 37 161 . modo pelo qual irão inserir a criança em seu curso desejante. expectativas. ensinam que é muito importante estudarmos a construção da parentalidade em casais impossibilitados de gerarem o próprio filho biológico.discussão interprofissional são fundamentais para ultrapassar as dificuldades inseridas no processo de avaliação do cadastro de adoção.]o ser humano. busca-se saber se os interessados apresentam condições desenvolvimento de um ser em formação. estudiosa sobre o desenvolvimento emocional das crianças lembra isso ao mencionar que. para o conhecimento de novas teorias. Entende-se que a esterilidade. segundo Dolto (1981). globais para proporcionar o pleno Nesse sentido. modelos e técnicas oferecem o respaldo necessário e alternativas para evitar os vieses e a subjetividade inerentes desta ação profissional.pela sua existência real diante das projeções inconscientes dos pais”.debates e formação continuada. sentimentos. para que se sintam apoiados e esclarecidos em sua decisão de virem a ser pais por adoção. Schettini et al (2006) pesquisadores de famílias adotivas. pensar e falar o que esperam desse filho ou como gostariam que ele fosse.. na indicação de famílias adotantes e na relação entre os avaliados e o profissional. A esterilidade traz elementos importantes que devem ser discutidos quando surge o interesse pela constituição de uma família com filho(s) adotivo(s). Nunca é demais sinalizar que a troca de experiências entre os profissionais por meio de grupos. porque pode influir negativamente e determinar o tipo de relação que os adotantes terão com o adotado. pelo que representa em seguida. Por este motivo.. ou devido a comprovada esterilidade e como essas motivações são compreendidas e enfrentadas. 1981.

Recomenda o autor que o conhecimento do fato de que é adotada deve ser destilado no tempo e não tomar a forma de um discurso organizado destinado a comunicar à criança a verdade.a Identificação se não há precipitação dos pretendentes e se refletiram sobre sua intenção. dentre outros significados e a importância que ela pode ter na constituição da identidade. . 162 . Leite (1997) discute o assunto com muita propriedade. adiantando inclusive que em seus achados a família parental será uma tendência do terceiro milênio. Diante dos aspectos apontados acima. acabou por se tornar um consenso entre os profissionais da área e autores em geral. p. “promessa”. amigos) que poderá auxiliá-lo(a) e ser o referencial do outro sexo.. . há a necessidade de se conhecer a família extensa (familiares. . (Hamad. ♦ Motivação para a Adoção .Reação e Elaboração. Tudo depende da forma como esses elementos são manejados.Indagar como os pretendentes(s) pensam quanto à revelação é um aspecto que é importante e deve ser abordado sem censura prévia.premissas como “meio de salvar o relacionamento conjugal”. A revelação.Dificuldades em conceber um filho biológico.a real motivação para a adoção.o bom conhecimento de si próprios e das funções parentais do(s) requerente (s).] é importante dar à criança os elementos de sua história para que ela possa construir sua própria verdade. p.espírito altruísta .. Destacamos Hamad (2002. 117) No caso de adotante sozinho (a) por exemplo. . sugere-se que o estudo psicológico contemple entre outros tópicos: .Esterilidade . 2002. 117) para ilustrar esta questão: [.

eles servirão como facilitadores no contato entre profissionais e pretendentes.a aceitação dos familiares quanto ao projeto de adoção. Trinca. . . o que imaginam sobre a família de origem da criança. . .1984. 38 163 . Ocampo. 1982.disponibilidade para buscar orientações e ajuda externa.identificar e refletir sobre a postura. considera-se adequado que os assistentes sociais aproximem-se da realidade do(s) requerente(s) sociofamiliar e dentre outros aspectos. casos na família.a análise da estabilidade afetiva do relacionamento conjugal e a maturidade emocional dos avaliados.1981. . Muitas vezes. ponderação. o que pensam de uma criança que é colocada em lar substituto. Sousa. sendo fundamental a postura do profissional nesse sentido..a observação de padrões rígidos de comportamento dos pretendentes. cujos objetivos são trazidos a partir das entrevistas e hipóteses delas decorrentes e nunca as substituirão. conceitos e sentimentos do casal ante a revelação da adoção. quando for o caso. como já mencionado anteriormente. No estudo social.2000.1984. verificando se o ideal de adoção é compartilhado mutuamente.perceber fatores considerados positivos a pretensão de adotar: reflexão. sugere-se abordar as seguintes particularidades : ♦ História de Vida do(S) Interessado(S): . Em alguns casos. . Os testes são recomendados quando utilizados enquanto complementação e nunca isoladamente38.1998.a pesquisa como vêem a adoção.individual e processo de socialização primário. socioeducativo e cultural Recomenda-se a consulta à literatura específica que trata da avaliação psicológica como Anzieu. Cunha. Chabert. dentre outros. pode ser interessante à utilização de testes psicológicos. .observar se houve a elaboração da esterilidade e/ou luto. abertura emocional e flexibilidade para receber e aceitar integralmente uma criança.

Reação e Elaboração . gênero. interpessoais. 164 . ♦ Identificar a postura do casal ante a Revelação da adoção. ♦ Motivação para a Adoção .outros ♦ Existência de casos de adoção na família ou de pessoas próximas. ♦ Inserção no mundo do Trabalho e vínculos empregatícios. relação afetiva familiar.Esterilidade . espírito altruísta. ♦ Aceitação dos familiares à adoção. O que imaginam sobre a história de vida da criança que adotarão e sobre sua família biológica. ♦ Situação socioeconômica e habitacional.papéis desempenhados. projetos e expectativas que possuem sobre a criança.interação familiar e percepção dos papeis desempenhados por seus cuidadores ♦ Constituição Familiar . “promessa”.membros que compõe a constelação familiar. ♦ A criança pretendida: idade.premissas como “meio de salvar o relacionamento conjugal”. o nome pretendido (sugere-se que o prenome seja mantido nos casos em que a criança atendida se identifique com ele). ♦ Como será a vida do(s) pretendente(s) com a criança. ♦ Infra-estrutura para cuidar da criança.. etnia. vida cultural e rede social representativa. -dinâmica das relações familiares. ♦ Identificação de Valores e Conceitos. ♦ Relações com a rede social..Dificuldades em conceber um filho biológico .

esclarecer. e se configura também como uma oportunidade de mudança. Cada área de atendimento deve elaborar seu laudo e anexar no processo.♦ Disponibilidade para buscar orientações e ajuda externa. Concluindo. há que se destacar que o momento de estudo psicossocial a avaliação precisa ir além de se definir a aptidão ou não do adotante. deve ser feita informação no processo e solicitar dilação para o devido término. com ambos. Também é um importante momento para proceder aos encaminhamentos necessários. tendo em vista que auxilia ainda mais a desmistificar o trabalho realizado pelos profissionais da Vara da Infância e Juventude. na promoção da saúde mental. assim como realize quantas entrevistas forem necessárias e estas podem se dar individualmente. 165 . Não obstante. Essa entrevista poderá ocorrer em separado com cada um dos profissionais. estes também devem ser incluídos no processo. conscientizar. acreditando na capacidade dos indivíduos de se modificarem a partir da experiência e da reflexão. caso isso não tenha sido possível de se concretizar. preferencialmente dentro do prazo de 45 dias. ou ainda se tiver outros filhos. desde que cada profissional faça os apontamentos observados no processo de avaliação. etc. e. sobretudo. desmistificar preconceitos e estereótipos. Enfim é um momento também de reflexão o qual se considera que contribui de alguma maneira. que pode ser agendada independentemente da sentença judicial. a criança pretendida. motivar a revisão das motivações. desvelar possibilidades e potenciais. ou ainda. aquelas que podem ter interferência direta com a adoção. Considera-se importante que o assistente social proceda visita domiciliar. e em outros momentos se for casal. Desta forma. Esse momento costuma ser proveitoso. ser conjunta. os profissionais poderão apresentar os aspectos significativos observados sobre cada um dos requerentes e das questões relacionais e emocionais. sugere-se que se procure informar. Entende-se como fundamental que esse processo seja finalizado por meio da entrevista devolutiva. Além disso.

CADASTRAMENTO DE PRETENDENTES A ADOÇÃO Setor Técnico Serviço Social ou Psicologia Esclarecer os requerentes sobre a sobre adoção No cartório os requerentes deverão preencher o requerimento e entregar os documentos pessoais O cadastro com os documentos são encaminhados para o Setor de Psicologia e Serviço Social para realização de estudo A convocação do interessado para entrevista deve ser feita por telefone para agilizar Avaliação Psicológica Entrevista Social O Cadastro dos Pretendentes deve ficar arquivado em cartório Devem ser reavaliados a cada 2 anos Visita Domiciliar Havendo criança em condição de ser colocada em adoção e respeitando a ordem de cadastramento o interessado é chamado para conhecer a criança iniciar o estágio de convivência com vistas a adoção Não CASAL FOI CONSIDERADO APTO PARA ADOTAR ? Sim Comunicar à CEJAI os Pretendentes considerados INAPTOS Interessados orientados e encaminhados para trabalharem as questões que os tornaram inaptos Juiz com base nos pareceres do Setor Técnico determina o Cadastramento no CPA e a comunicação ao CEJAI 166 .

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Recurso.recursos cabível das sentenças Atos Processuais – identificam-se como atos processuais todos aqueles que são realizados dentro do processo pelos juízes.refere-se a pessoa física ou jurídica que pede ao Judiciário a manifestação em assunto de seu interesse em situação que somente pode ser definida por órgão competente. Contraditório-é o equilíbrio de forças entre as partes em um processo. Fórum – instalação física(prédio) onde funcionam os órgãos jurisdicionais de primeira instância. Despacho. Causa. 173 . meio processual de impugnação das decisões judiciais. Entrância – divisão administrativa adotada pelos Estados na organização judiciária para fim de hierarquização da carreira da Magistratura e do Ministério Público e alocação de recursos em geral. perito e testemunhas.ato judicial sem conteúdo decisório. sinônimo de “Vara” Parte. partes. escrivão. Foro – território onde os magistrados exercem sua competência. ministério público. de mero impulso do procedimento Dilação de prazo – prorrogação do tempo para realização de tarefa.célula mínima dos órgãos judiciais de primeira instância. Petição.GLOSSÁRIO Ação – representa a busca de um direito que é alegado mas que é necessário a intervenção Apelação. Instância – grau da jurisdição classificada para fins de atividades jurisidicionais.técnica de revisão das decisões jurisdicionais.demanda.qualquer manifestação escrita dirigida ao Judiciário Processo A denominação processo é empregada para definir a ordenação de atos que compõe um litígio ( sinônimo de autos). Juízo.

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