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Mac OS X 10.

6 Snow Leopard: conheça a tecnologia de


computação em 64 bits
por Silvio Sousa Cabral | 19/08/2009 às 22:48 81 Comentários

O novo sistema operacional da Apple não virá com 300 recursos novos
como o anterior, mas ela está colocando grande estima em algumas coisas importantes
que estão chegando por debaixo dos panos aos usuários. No entanto, uma delas não é
novidade no Snow Leopard; aliás, ela já deve fazer parte da sua vida há um bom tempo,
dependendo de quando você começou a usar Macs: trata-se da computação em 64 bits
para CPUs, e a seguir vocês saberão por que ela ainda possui tanta importância, mesmo
depois de mais de meia década.
No entanto, apenas falar o que haverá de novo no mês que vem seria fácil, sem falar que
vocês não iriam entender nada. Sendo assim, comecemos do básico. E se prepare, porque
a coisa é longa. :-)

Definição
Em termos práticos, o que define se o seu Mac é 64 bits é o componente mais importante
dele: o processador. Quando um processador é 64 bits, dizemos que ele trabalha
conjuntos de 64 bits por vez, enquanto um de 32 bits trabalha conjuntos de 32 bits, e
assim por diante. A principal vantagem desses chips modernos, portanto, é suportar
blocos de instruções maiores, que permitem o processamento de mais dados de uma só
vez com a ajuda de um hardware mais poderoso, o que será explicado em detalhes daqui
a pouco.
A mudança para 64 bits é importante para várias áreas da indústria. Se ignorarmos os
avanços que vemos de tempos em tempos, um processador 64 bits não possui tantas
diferenças substanciais em relação a um de 32 bits que trabalhe na mesma frequência e
com o mesmo número de núcleos. Porém, o simples fato de ele trabalhar em um conjunto
de instruções duas vezes maior lhe traz benefícios que o fazem muito mais rápido em
certas ocasiões (mas nunca em todas), adiciona funcionalidades e elimina algumas
dependências em termos de hardware, que não tornam esse conjunto de instruções ainda
mais otimizado.

Benefícios
Migrar para 64 bits pode ser benéfico em vários aspectos, independente de qual
plataforma estejamos comentando. Para começar, o conjunto de instruções não apenas é
maior, mas também é otimizado por eliminar dependências de hardware que as CPUs de
32 bits suportam até hoje. Ligado a isso, está o fato de a arquitetura possuir um número
bem menor de referências de memória a serem trabalhadas, o que é capaz de
proporcionar em vários casos um grande aumento de desempenho:

• As CPUs conseguem fazem cálculos com mais rapidez (algumas áreas do Snow
Leopard registram o dobro da velocidade), pois conseguem colocar o dobro de
informações em um ciclo de processamento;

• Código interpretado roda de forma mais veloz: um exemplo disso é o


interpretador de JavaScript do Safari 4, que é 50% mais rápido em 64 bits;

• A comunicação entre a CPU e componentes como memória e dispositivos de


armazenamento é maior, por tirar total proveito de uma grande largura de banda.
Fora do escopo de hardware, estamos atingindo um ponto de lidar com muito mais dados
do que os nossos computadores suportam em 32 bits. Ciências da computação,
Matemática, Física e um monte de outras áreas exatas de conhecimento trabalham com
mais e mais informações e querem que tudo isso seja processado de forma rápida, para
investirem em novas pesquisas. Com a arquitetura de 64 bits, muitos setores profissionais
estão encontrando uma forma de processar grandes quantidades de dados de uma forma
mais eficiente que antes.

Ganho de desempenho de aplicativos mais comuns em 64 bits no Snow Leopard


Por quê? Bom, porque ao rodar aplicativos em 32 bits, atualmente é fácil chegar ao seu
limite teórico de endereçamento de memória, que é 4GB (o máximo suportado por um
MacBook). Mas os Macs Pro aguentam incríveis 32GB de memória, dos quais 28 são
inúteis quando o sistema não suporta 64 bits. Ao rodar nessa nova arquitetura, é possível
endereçar até 16TB de RAM em múltiplas tarefas. Imagine só: atualmente, um Mac Pro
aguenta apenas um quarto disso em armazenamento. Graças ao suporte a 64 bits, não
teremos de nos preocupar com limites teóricos de memória por muito tempo — apenas
com os práticos. :-(

O Mac OS X já é 64 bits?
Não apenas na atual versão 10.5, como também em outras que vieram antes dela. Pra
falar a verdade, a Apple produz máquinas 64 bits desde 2003! Mas calma: ela realmente
foi a pioneira no uso desse tipo de CPU para computação, mas apenas o Power Mac G5
era assim nessa época.
É aqui que as dúvidas começam a surgir. Se a Apple produz máquinas 64 bits há seis
anos, por que isso está sendo esfregado na nossa cara pela publicidade do Snow Leopard?
Simples: ao contrário da evolução em hardware, software e sistema levam muito mais
tempo para rodar em uma arquitetura nova de processador, pois devem respeitar uma
série de fatores. O Mac OS X 10.3 Panther foi o primeiro a aceitar recursos em 64 bits,
mas era por meio de extensões que atingiam apenas a linha de comando (Terminal) como
interface, a não ser que o seu aplicativo fosse baseado em UNIX, o que já não tem nada a
ver com a Apple.
Por serem baseadas na fundação do Mac OS X e em bibliotecas que são rapidamente
atualizadas pelas comunidades de código aberto, aplicativos em UNIX foram os
primeiros a aproveitar essa arquitetura de 64 bits no sistema da Apple. Contudo, foi
apenas no Tiger que a Apple decidiu tacar tudo isso no sistema operacional de uma vez,
ainda sem favorecer código nativo.
O atual Mac OS X 10.5 Leopard, vendido em apenas uma versão, foi o primeiro a levar o
suporte a 64 bits para as massas. Ele não apenas é totalmente programável nessa
arquitetura, como também é compatível com qualquer aplicativo em 32 bits, e eles até
rodam lado-a-lado sem você perceber. Já no Windows, até hoje existem versões
separadas de 32 e 64 bits.

Então, o que há de novo no Snow Leopard em 64 bits?


Ao contrário do que ficou esclarecido no tópico acima, o Snow Leopard é importante em
termos de 64 bits, pois ele solidifica o suporte a isso em praticamente todas as suas áreas
acessíveis aos usuários finais — e também naquelas que não são. O Leopard é apenas
programável em 64 bits mantendo compatibilidade com 32 bits, mas ele não é um sistema
que roda por completo dessa forma.
Para explicar o que eu quero dizer com isso, devemos dar atenção a três aspectos. O
primeiro são os aplicativos principais: no Leopard, nenhum deles é 64 bits. E apenas
poucos desenvolvedores trabalham com essa arquitetura, pois a maioria empaca em certas
preocupações das quais falarei daqui a pouco.
No novo sistema da Apple, todos os principais aplicativos do sistema — Finder, Safari,
Mail, etc. — rodam tirando proveito dessa nova tecnologia e de muitas outras. E cada um
deles também possui um modo de compatibilidade 32 bits, que pode torná-los um pouco
mais lentos, mas ajuda em eventuais (leia de novo: “eventuais”) casos de
incompatibilidade com alguma extensão ou acessório de terceiros. Porque prevenir é
melhor que remediar.
Outra coisa importante do suporte a 64 bits no Snow Leopard é que o sistema está muito
mais seguro. Ele permite que aplicativos apliquem técnicas especiais capazes de afastar
código arbitrário mal-intencionado, seja mantendo seus dados isolados de qualquer outro
serviço ou processo (técnica que, graças a empresas como Google, conhecemos pelo
nome de sandboxing), seja diminuindo a quantidade de ocorrências que dependam de
corrupção de memória. Obviamente, haverá casos de os desenvolvedores reprojetarem
seus aplicativos para isso, mas com todas as APIs do sistema operando em 64 bits, já
temos uma proteção e tanto.
O terceiro aspecto é o kernel e suas extensões. Comentei no lançamento de um dos betas
do Snow Leopard que o kernel do Mac OS X (Darwin) já saiu do beta, sendo 64 bits e
compatível com 32 bits. Aqui, a principal vantagem é usufruir da maior segurança e
mantê-lo protegido, mas isso é o que definirá se o Snow Leopard roda totalmente em 64
bits na sua máquina ou não.

Mitos e incompatibilidades
Apenas um mito deve ser ressaltado aqui: não pense que usar 64 bits em aplicativos
sempre os deixará mais velozes do que em 32 bits. Casos especiais já comprovaram há
anos que, se um software não exercer pressão sobre a memória, ele pode (e, se for o caso,
irá) rodar mais rápido em 32 bits. Por isso, migrar aplicativos para essa nova arquitetura
de CPU é um dilema até hoje, mas isso é uma dor de cabeça que fica restrita aos
programadores.
Falando nisso, eles são os que mais sofrem nessas situações. Migrar para 64 bits no Mac
OS X significa deixar de usar muita tecnologia antiga, especialmente em jogos e
aplicativos gráficos ou de produção audiovisual. Daí esperar seis anos para portar um
aplicativo para 64 bits.
Outro problema importante do suporte total a 64 bits do Snow Leopard (bastante
comentado nos últimos dias) é que ele não estará disponível para qualquer um. Não estou
falando apenas de não suportar máquinas Intel, e sim de não suportar nenhuma máquina
produzida até 2007, nenhum Mac mini e nenhum MacBook! :-P Sim, a vida é vingativa.

O que determina se o Snow Leopard roda totalmente em 64 bits é o kernel. E ele apenas
roda em 64 bits nas máquinas listadas acima (veja se a sua é uma delas no utilitário Visão
do Sistema, ou System Profiler). Atente para o fato de que apenas os Xserves listados
vêm “de fábrica” ativados para ele rodar assim; nas demais, você ainda terá de “forçar” a
inicialização em 64 bits, segurando as teclas numéricas 6 e 4 ao mesmo tempo — depois
disso, reinicie segurando as teclas 3 e 2 para voltar ao padrão.
Não pense que é por sua máquina não ser 64 bits que ela não é compatível com novo
kernel. Se você abrir o Terminal e executar o comando ioreg -l -p IODeviceTree |
grep firmware-abi, ele te retornará o resultado “EFI 64”, mostrando que seu Mac é
reconhecido como 64 bits. Acontece que essa é uma limitação imposta pela Apple em um
beta, e poderá mudar no final (ou teremos que nos conformar).
Conclusões
Para você, que chegou firme e forte ao final deste artigo — desculpem pelo tamanho, mas
não encontrei melhor forma de explicar isso sem deixá-lo compreensível apenas para os
muito nerds —, a mensagem que fica é a de que o Snow Leopard não podia estar melhor
ao suportar 64 bits em tantos aspectos. Com exceção do kernel, todos os avanços que
vocês leram aqui estarão ao alcance das suas máquinas Intel, a não ser que ela possua
uma CPU Core Solo ou Core Duo — ou seja, se ela tiver sido fabricada até agosto de
2006.
Se seu Mac tiver capacidades 64 bits, você pode migrar os aplicativos de terceiros que
usa para essa arquitetura, conforme forem liberados. Mas, se o uso de hardware deles não
for muito intenso, e você não tiver a necessidade de trabalhar com arquivos gigantes,
existe a possibilidade de adiar essa migração, a não ser que as mudanças em jogo sejam
bem maiores que isso.

Leia mais: Mac OS X 10.6 Snow Leopard: conheça a tecnologia de computação em 64


bits | MacMagazine
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Introdução
O que é BSD? Se você fizer esta pergunta a um típico expert em computação, ele
provavelmente irá responder, incorretamente, que o BSD se trata de "um sistema
operacional". A resposta correta é, no entanto, um tanto mais complexa que esta redução
simplista. Entre outras coisas, BSD é uma cultura, uma verdadeira filosofia, e uma
crescente coleção de softwares, com a maioria deles estando disponíveis gratuitamente,
além da própria disponibilização de seus códigos de fonte.
Aqui estão as origens do BSD e dos sistemas operacionais gerados a partir dela. A sigla
BSD significa "Berkeley Software Distribution", nome dado primeiramente ao toolkit
próprio destinado a avanços e melhorias do sistema operacional UNIX, realizado pela
Universidade da Califórnia, em Berkeley. Criado então por estudantes, e pela faculdade,
o BSD nunca foi parte do projeto UNIX em si, que foi particularmente criado e pela Bell
Labs. Mais propriamente, o BSD foi uma pacote de avanços do UNIX com larga
distribuição, ou seja, um suplemento que fez do sistema operacional, original e
estritamente um veículo de pesquisa até então, algo prático e usual no dito mundo real.
Com o passar do tempo, o BSD passou a viver uma vida própria. Ele mudou e evoluiu,
incluindo substitutos para quase todas as partes do UNIX- tanto que somente a omissão
de míseros seis arquivos de computador evitaram que ele fosse, realmente, um sistema
operacional completamente fruto de si mesmo. Programadores rapidamente
desenvolveram substitutos análogos para estes seis arquivos e transformaram, deste
modo, o BSD em sistemas operacionais (no plural) disponíveis para o uso.
Atualmente, o termo "Os BSDs" se refere à família de sistemas operacionais que foram
derivados, em maior ou menos grau, do BSD. Os cinco mais conhecidos são o FreeBSD,
o NetBSD, o OpenBSD, o BSD/OS e o Darwin (que serviu como o sustentáculo para o
notório MacOS X, da poderosa Apple). Na verdade, virtualmente todos os sistemas
operacionais modernos, incluindo aí os hegemônicos Windows e Linux, fiam-se no
código BSD para efetivamente rodarem. Indo mais adiante, como será explicado mais
tarde neste artigo, até mesmo a Internet deve ao legado BSD a sua própria existência.
Os BSDs são conhecidos pela consistência lógica de seus comandos e de suas
arquiteturas, assim como pela sua estabilidade e robustez de suas soluções. Entretanto, os
sistemas operacionais Microsoft Windows e as variadas distribuições do Linux acabaram
transformando-se nos "queridinhos" da mídia, do mundo corporativo e, por extensão, dos
próprios usuários comuns. Nenhum dos constituintes do grupo BSD atingiu um status de
popularidade (vide os percentuais de uso de cada um deles).
Por outro lado, os BSDs têm sido a primeira escolha de administradores de sistema mais
preocupados com a integridade, com a segurança e com a confiabilidade proporcionados
por eles, ao invés do burburinho e da notoriedade falseadora de problemas de outros. A
longa tradição de desenvolvimento cauteloso, de atenta revisão e de continuados testes
faz deles um dos mais- senão o mais- confiável software já desenvolvido.
Na verdade, até que se prove o contrário, apenas um worm desenvolvido conseguiu
atacar qualquer um dos BSDs. Criado este ano, este vírus invadiu sistemas FreeBSD, mas
não pelo caminho normal e "padronizado" de invasão aproveitando vulnerabilidade do
sistema operacional, mas via um pacote infectado no servidor de web Apache, não
instalado por default. Vale ressaltar que usando a mais recente versão do Apache, sua
máquina é imediatamente imunizada contra este worm.

Das Pessoas, Pelas Pessoas e Para as Pessoas


Pelo fato de ser produto de pesquisas desenvolvidas pelos próprios usuários e de terem
sido patrocinadas por taxas pagas por estes, o código de fonte do BSD pode (e é)
utilizado em qualquer produção, comercial ou não, de software, livre de qualquer encargo
ou imposto. Devido a isso, virtualmente, todos os sistemas operacionais utilizados
atualmente,- novamente incluindo os notórios Microsoft Windows, Microsoft
NT/2000/XP, OS/2, Linux, e mesmo todas as versões comerciais do UNIX -contém
alguma coisa do código BSD.
A Internet que conhecemos deve a sua própria existência a pilha TCP/IP, ou código de
conexão de redes, do BSD, que foi um advento revolucionário por ter incorporado a
conexão diretamente dentro do kernel do sistema operacional. A inovação, considerada
até mesmo radical, pavimentou a entrada da era da Internet, a partir do momento em que
o código BSD criou, em todos os modernos sistemas operacionais, um ponto de partida
comum para as nuances do network.
Muitas pessoas costumam chamar o BSD de o Mr. Chips dos sistemas operacionais. Na
cena final do clássico cinematográfico "Goodbye, Mr. Chips", um médico salienta que é
uma vergonha o fato do personagem-título, um renomado e condecorado professor agora
em seu leito de morte, não ter tido filhos. Referindo-se a vários jovens cujas vidas foram,
de algum modo, em algum momento, ajudadas por ele, Mr. Chips responde
incisivamente, afirmando que ele teve filhos sim... milhares deles.
E o mesmo aconteceu com o BSD. Considerando, por exemplo, suas políticas de
licenciamento, se comparadas às do Linux, podemos observar que tal analogia é
perfeitamente cabível e coerente. Quando o código é licenciado sob o GNU (General
Public License), ou sob a GPL (o caso do Linux), efetivamente elimina-se a possibilidade
de que qualquer recompensa financeira seja dada a uma pessoa ou a uma corporação que
buscava lucrar com o desenvolvimento de tal código. Sob tais legislações, o autor que usa
qualquer parte de tal código desiste de cobrar taxas de licenciamento sobre o produto
final.
Em contraste, o BSD é certificado sob uma verdadeiramente licença livre, que permite a
qualquer um fazer o que bem entender com o código, incluindo ganhar dinheiro
licenciando o código (parte dele ou variação) e usá-lo em outro trabalho. As mínimas
restrições impostas sob a licença BSD referem-se não ao que pode ser feito com o código,
mas ao que pode ser feito ao desenvolvedor. Deste modo, o desenvolvedor anterior não
pode ser responsabilizado por erros restritos a outras versões da licença e muito menos
não deve ser privado o crédito de seu trabalho.
O resultado é um só: o código BSD está em qualquer lugar. Enquanto que outros sistemas
operacionais, e mais especificamente os da Microsoft, venderam uma maior quantidade
de cópias completas, o BSD atingiu algo mais, um sucesso indireto, pelo fornecimento de
componentes vitais a qualquer ambiente moderno. O esquema de licenciamento do BSD
também promove a padronização, já que permite que tanto produtos comercias e não-
comerciais utilizem o mesmo código, deixando que o próprio código fonte sirva como um
padrão facilmente reproduzível.
O aumento da Internet, por exemplo, foi largamente possibilitado pelo fato de que todos
os vendedores de computadores e de seus sistemas operacionais podiam usar o códido
BSD, ao invés de terem que reinventar ou desenvolver protocolos proprietários. Os
benefícios do licenciamento e da tecnologia derivada do BSD são, portanto,
imensuráveis.
Muito se tem dito que o UNIX é para a Ciência da Computação o que Shakespeare foi
para a Língua Inglesa. O conhecimento sobre os trabalhos clássicos de Shakespeare são
essenciais para a formação em Inglês. O mesmo deve ocorrer, em extensão, ao UNIX.
Ninguém deveria se formar em Ciência da Computação sem um conhecimento de
trabalho na tecnologia e da arquitetura do UNIX.

O Nascimento do UNIX e do BSD


O sistema operacional UNIX foi criado pela Bell Laboratories, o então braço de pesquisa
da poderosa empresa de telecomunicações AT&T, ainda no início dos anos 70. O nome
era um referência irônica intencional ao "Multics", a denominação de um sistema
operacional muito sofisticado desenvolvido na MIT. UNIX, que adotou uma filosofia
comumente conhecida pelos engenheiros, a KISS ("Keep it simple, stupid". Traduzindo:
"Mantenha as coisas simples, idiota"). Por sua ênfase na simplicidade, o UNIX foi, em
um primeiro momento, considerado como o Multics castrado. Em vez de funcionar com o
convencional modelo de recepção e saída isolados, funcionando como ações separadas, o
UNIX, escrito em linguagem C (desenvolvida pela mesma Bell Labs), foi projetado para
funcionar com tais ações atuando interativamente em uma plataforma de hardware
relativamente simples.

O UNIX Vai À Universidade


O primeiro ensaio acadêmico sobre o UNIX foi desenvolvido pelos pesquisadores Ken
Thompson e Dennis Ritchie, no Simpósio Sobre os Princípios dos Sistemas Operacionais,
na Universidade de Purdue, em novembro de 1973.
O ensaio atraiu imediato interesse por parte de professores e estudantes da UC Berkeley,
que instalaram a versão 4 do UNIX em uma máquina PDP-11/45, em janeiro de 1974.
Em verdade, o sistema operacional tornou-se popular entre os usuários da universidade.
O uso se disseminou e estudantes passaram a buscar melhorias no próprio programa.
Com isso, o UNIX tornou-se rapidamente o foco principal de inúmeros e importantes
projetos de pesquisa acadêmica. O INGRES, projeto pioneiro de base de dados de
Berkeley ajustou-se para poder trabalhar e rodar em um UNIX. Deste modo, as primeiras
ferramentas para a criação de compiladores da linguagem e tradutores foram os próximos
a serem desenvolvidos para rodarem em UNIX também. O DARPA então iniciou o
desenvolvimento de características e possibilidades de conexão de redes (estas foram, em
princípio, desenvolvidas para a ARPANet, a precursora da atual Internet). Além disso,
uma nova organização de pesquisa, a CSRG (Computer Science Research Groups), foi
formada na própria universidade com tal intuito.
A adição de conexão baseada nos protocolos TCP/IP ao kernel do UNIX foi o grande
avanço tecnológico que levou diretamente ao mundo conectado (wired world) que
conhecemos hoje. O setor de comunicação entre computadores passou ter relevância. Os
programas que permitiam que os computadores mandassem e recebessem informações,
como o uucp (UNIX-to-UNIX Copy Program) não faziam parte propriamente do kernel
do sistema operacional. Na verdade, eles eram carregados e descarregados de acordo com
interesses imediatos e, por isso, não usavam e nem faziam parte de um set comum de
protocolos.
Os serviços de network não estavam ,portanto, disponíveis a todos os programas que
rodavam nos computadores, e não havia nenhum meio de logar remotamente. O código
de conexão da Berkeley, que foi designado a ser "broken out" e incorporado também em
outros sistemas operacionais, mudaram esta situação e determinaram um padrão
fundamental ao futuro da área. Surgiu o BSD, na verdade, nada mais do que
indispensáveis e padrozinados melhoramentos e avanços no código do UNIX.

De Quem É o UNIX?
As relações entre os desenvolvedores da AT&T e da Universidade de Berkeley sempre
foram cordiais. Entretanto, a AT&T logo tornou-se interessada em explorar a valiosa
(finenceiramente falando) propriedade intelectual sobre o UNIX. Depois da quebra da
Bell System, ela - anteriormente proibida por tribunais a vender computadores ou
softwares- percebeu que poderia lucrar bastante licenciando o UNIX a produtores de
computadores. O código BSD, que era tanto indispensável ao UNIX como interligado ao
código de tal empresa de telecomunicações, era propriedade intelectual da Universidade
de Berkeley. O grupo DARPA, da universidade, achava que se você poderia pagar pelo
computador, você poderia ter a porção BSD, com código de fonte, e de graça. A AT&T
queria, no entanto, um produto inteira e exclusivamente seu, afinal ela queria vendê-lo.
As duas organizações tinham interesses distintos. E, por isso, seguiram caminhos
diferentes, em uma separação dolorosa à significante diferença cultural entre os setores
acadêmico e corporativo. No final dos anos 80, a AT&T, desejando manter o controle do
mercado em relação ao UNIX padrão, desenvolveu sua própria versão do sistema
operacional, chamada de System V. Seus comandos e interfaces de programação eram
bastante diferentes (mas não necessariamente melhores) que aquela clássica versão do
Unix Berkeley. Consumidores do sistema, particularmente o Governo Federal
Americano, resistiram a esta divergência, e insistiram na compra de sistemas
compatíveis. Com isso, adventos como o padrão POSIX, que mantinham um mínimo
nível de compatibilidade, surgiram.
AT&T então buscou ações legais. Quando uma companhia chamada BSDi anunciou um
sistema operacional comercial baseado no código BSD, o UNIX Systems Laboratories
(originalmente pertencente à empresa de telecomunicações) processou tal empresa e a
própria Universidade de Berkeley por uso ilegal do trademark "UNIX", e também por
infração de copyright. (O caso se estendeu de 1992 a 1994, e a sentença foi dada quando
foi revelado que a AT&T tinha igualmente quebrado alguns acordos de licenciamento
com a Universidade). Mas no período de duração do caso jurídico, o status do BSD e até
mesmo projetos comerciais e não-comerciais foram altamente questionados e sempre
postos em dúvida.
Entretanto, antecipando o resultado da disputa legal, muitas pessoas passaram a
considerar e a desenvolver um sistema operacional barato baseado no UNIX, mesmo
antes da resultado. Estes desenvolvedores também perceberam que com um pouco mais
de trabalho, o BSD poderia de tornar um completo sistema operacional UNIX-like, mas
de graça e livre das restrições da AT&T.
Bill e Lynne Jolitz foram os primeiros a se aventurarem nesta tarefa, produzindo um
sistema operacional, em 1993, chamado de 386BSD. Os projetos FreeBSD e NetBSD
continuaram tais esforços, combinando o BSD com softwares de outras fontes, para a
produção de distribuições de sistemas operacionais UNIX-like completos. O OpenBSD
surgiu de dissidência do NetBSD, por volta de 1996, devido a discordâncias pessoais
relacionadas a diferentes focos em assuntos de segurança.
Nesta mesma época surgiu o Linux. Baseado no kernel Minix, escrito pelo professor de
Ciência da Computação Andrew Tannenbaum, e crescendo sem a sombra de uma disputa
legal, o sistema operacional do pingüim, criado pelo estudante Linus Torvald, ganhou
terreno e se transformou no mais conhecido sistema operacional open source UNIX-like.
E o resto da história nós já sabemos.

O BSD é UNIX?
Ironicamente, enquanto os BSDs são muito mais fiéis ao pedigree UNIX que muitos dos
sistemas operacionais que se chamam UNIX, nenhum deles pode legalmente ser chamado
de UNIX. Para ostentar a marca, agora de propriedade da corporação chamada The Open
Group, um sistema operacional precisa passar por uma grande série de caríssimos testes
para comprovar sua conformidade com a "Single Unix Specification". Ao passo que,
grandes produtores de computador podem financiar os testes e a certificação necessária
para o uso da marca, vendedores pequenos e projetos open source - como o FreeBSD, o
NetBSD e o OpenBSD - não podem. Muito menos os voluntários de tais projetos podem
financiar uma ação legal para convencer tribunais de que o termo UNIX é genérico. Com
isso, mesmo com um grande número de profissionais se referindo a eles como "Berkeley
UNIX", eles não podem usar tal trademark.
Em resumo, o melhor termo em relação a eles coletivamente, sistemas operacionais
derivados do código BSD, é, realmente, "Os BSDs", E como a Universidade da
Califórnia, em Berkeley, não mais produz novos lançamentos do BSD (o último foi o 4.4
BSD Lite, datado de junho de 1995), três dos quatro projetos de desenvolvimento open
source do BSD definem, agora, o "BSD".

Os Quatro BSDs Open Source


Quatro sistemas operacionais baseados no código BSD estão, atualmente, sob
desenvolvimento ativo e disponíveis com o código fonte. Estes são o FreeBSD, o
NetBSD, o OpenBSD, e o Darwin. Este último serviu como base para o NeXTStep, da
NeXT, e agora delimita o MacOS X.
Destes, os três primeiros estão licenciados verdadeiramente sob a Licença BSD gratuita
de Berkeley, o que permite completamente o uso de código para qualquer propósito. No
entanto, o Darwin, quebrando a tradição BSD, está licenciado sob a Apple Public Source
License, que pode ser definida, em poucas palavras como "similar à GPL. E ainda: a
APSL também compele a proibição de direitos de patente de qualquer invenção
relacionada a um programa que utiliza seu código. Como resultado, o código do Darwin
não está disponível comercialmente, exceto para a própria Apple, que tem o direito único
de construir softwares comerciais a partir dele. Devido a este licenciamento, o Darwin
pouco provavelmente adiciona algo em direção à criação de padrões industriais ou
mesmo a produtos comerciais de outras companhias que não a Apple.

FreeBSD: Qualidade Somada a Muito Barulho


http://www.freebsd.org/
Atualmente na versão 4.7 (e com planos para o próximo lançamento, o histórico 5.0), o
FreeBSD possui o maior time de desenvolvimento, a maior base de usuários (5% de todo
o open source), o maior número de aplicações portadas, e a maior coleção de listas de
email ativas. Tem também a melhor documentação, já que além do usual manual UNIX,
ele vem também com o FreeBSD Handbook, um extenso guia "how-to" escrito por
desenvolvedores e usuários do sistema operacional. Enquanto você pode baixar versões
gratuitas do sistema operacional e de sua documentação, você pode comprar versões em
pacotes no FreeBSD Mall.
Ao contrário da maioria de outros sistemas operacionais (incluindo a maior parte das
distribuições do Linux), o FreeBSD é de instalação extremamente fácil e direta via
conexão de Internet. Nenhum CD-ROM é pedido, apesar de ser necessário o download
dos arquivos de imagem (não maiores que dois disquetes comuns 1.4 MB) para usá-los
na criação dos floppies booststrap. Há a possibilidade, é claro, de o download de um CD-
ROM bootável diretamente do servidor FreeBSD FTP. Na verdade, CD-ROMs e DVD-
ROMs do FreeBSD estão também disponíveis em vários produtores listados no web site
oficial do sistema operacional.
O procedimento de instalação dirigida do FreeBSD não é, propriamente o mais vistoso no
mercado, mas é menos sujeito a falhas ou incompatibilidades com o harware do que os
instaladores de GUI, utilizados em outros sistemas operacionais. Infelizmente, a
instalação pode ser, algumas vezes, confusa para novatos que não estão familiarizados
com certos conceitos e idiomas do UNIX. Para ilustração, os discos no UNIX são
divididos em "slices" e no MS-DOS, em partições.
A instalação do CD-ROM demora no máximo 10 minutos, enquanto que o caminho
online varia de 30 minutos a poucas horas dependendo da velocidade de conexão. Uma
vez instalado o FreeBSD, o usuário é encorajado a adicionar software third-party, como o
Apache.
Apesar de ser um pouco maior que o OpenBSD e que o NetBSD, o FreeBSD possui uma
performance melhor, inclusive em relação ao Linux, em serviços de Web e databasebases
de dados. Estreantes em BSDs, e em sistemas operacionais UNIX-like em geral, acharão
mais fácil começar com o FreeBSD e depois se mudar para outros ambientes com menor
"hand-holding", se eles necessitarem de características mais específicas de tais sistemas.
O FreeBSD atualmente roda em processadores Intel 32-bit - e compatíveis, incluindo o
Athlon AMD)- e em processadores DEC Alpha, já fora de produção, e está sendo portado
para o Itanium, para AMD's x86-64 (Opteron/Sledgehammer), para o PowerPC e para o
Sparc64. Apenas 16 MB de RAM e 500 MB de espaço no disco são suficientes para a
instalação em uma plataforma compatível com x86. Obviamente que, se possível, quanto
mais espaço melhor.

OpenBSD: Segurança Sólida e Atenção Fanática ao Detalhe


http://www.openbsd.org/
O OpenBSD é a versão mais perfeccionista quanto a segurança dos integrantes da família
BSD. Ele é instalado com a grande maioria das características desativadas
intencionalmente para se evitar que surjam buracos potenciais de segurança. Seu time de
desenvolvimento, altamente focado e devotado, está constantemente criticando,
analisando e testando cada linha do código. Não é coincidência o fato de apenas uma
falha de segurança ter sido detectada. E prontamente consertada, há seis anos.
Não é à toa o fato de que outros BSDs tenham passado a adotar práticas de segurança do
OpenBSD (mas ainda estão longe da qualidade e dos resultados deste). E muito menos o
Linux, cujas distribuições passaram por sérios problemas relacionados à segurança e aos
freqüentes ataques de worms.
Como o FreeBSD, o OpenBSD pode ser instalado pela Internet, mas o processo requer
um pouco mais de conhecimentos técnicos. O projeto incentiva os usuários a comprarem
CD-ROMs, já que os dinheiro arrecadado com as vendas dá suporte ao projeto em si e a
alguns desenvolvedores. A única desvantagem é que os CDs estocados nas lojas podem
estar já desatualizados no momento em que você os compra ou os recebe (a atual versão é
a 3.2, e como o processo é initerrupto, vários avanços desta versão estão disponíveis no
site oficial do projeto).
O OpenBSD também gerou o projeto OpenSSH, cujo propósito é o de desenvolver
implementações no protocolo SSH (Secure Shell). Assim como o OpenBSD, o OpenSSH
está licenciado sob a licença BSD, o que significa que qualquer um pode usar o código
para qualquer propósito.
O OpenBSD demanda um maior conhecimento técnico e uma maior habilidade de uso
que o FreeBSD, e, portanto, não é a melhor escolha para iniciantes. Entretanto, devido a
sua reputação em termos de segurança, experientes administradores de UNIX usam-o
com freqüência para a construção de roteadores, de firewalls e se servidores de
segurança. Assim como o NetBSD, ele incorpora o SoftUpdates para acessos mais
rápidos aos discos (mas esta possibilidade não é default).
Diferentemente do FreeBSD, o OpenBSD é disponibilizado e ativamente desenvolvido
para uso em um grande número de plataformas de hardware, do x86 ao Mac e ao Sun.
Não chega, no entanto, a cobrir o número de plataformas possíveis do NetBSD (que vai
ser descrita logo abaixo). 20 MB de RAM e cerca de 300 MB de espaço de memória são
requisitados para uma operação tranqüila em uma máquina compatível com o x86.

NetBSD: Atualmente Rodando em Qualquer Lugar


http://www.netbsd.org/
O NetBSD é o campeão de portabilidade na família dos BSDs, rodando em inúmeras
plataformas, desde os genéricos x86 a harwares exóticos como o BeBox e o Sega
Dreamcast. (A impressionante lista de plataformas, mostrada em pequena faixa para
impressão na margem direita da home page do projeto, é muito longa para caber em uma
única tela).
Mais próximo ao OpenBSD que ao FreeBSD (o OpenBSD é, como já mencionado antes,
fruto de dissidência do projeto do NetBSD), o sistema operacional é simples e
relativamente pequeno. Mesmo sem tal enfoque na segurança, não há descuido. Tanto
que o projeto NetBSD já relatou muitas considerações e avisos importantes, que a própria
equipe do OpenBSD não tinha percebido. O foco do projeto é um só: manter a
portabilidade do sistema operacional significa manter o código limpo. Tanto que outros
BSDs, com freqüência, tomam emprestadas resoluções do código NetBSD. O FreeBSD,
por exemplo, tomou emprestado do código do NetBSD linhas para resolver problemas
com PCMCIA cards.
Sua última versão é o NetBSD 1.6. Um problema particular é que seus updates
demandam alguns remendos após a instalação para realmente fazer funcionar os últimos
consertos de bugs.
Por ser portátil e não sujeito a medidas anti-comercialização impostas pela GPL, o
sistema operacional vem buscando crescimento em sistemas embedded. Uma companhia
sediada em Nova York, a Wasabi Systems, fundada por um desenvolvedor do NetBSD,
acabou se especializando em portar o sistema operacional a novos microprocessadores e
sistemas (a companhia também vende CD-ROMs para a instalação do NetBSD, para
usuários que não desejarem fazer a instalação via FTP).
Em outros aspectos, o NetBSD representa o meio termo entre o OpenBSD e o FreeBSD.
Ele possui mais aplicações que o OpenBSD, mas menos que o FreeBSD. E o mesmo
acontece com o time de desenvolvimento do projeto, maior que o do OpenBSD e menor
que o do FreeBSD.
Muitos usuários, especialmente os que gostam de mexer no código, rodam o sistema em
máquinas x86. Mas se você não é um desenvolvedor procurando por sistemas
operacionais embedded, você mais provavelmente irá se interessar no NetBSD se estiver
procurando por um sistema operacional up-to-date para um computador sem suporte.
Adeptos de antigas estações de trabalho MacIntoshes e Sun preferem o NetBSD, pois este
sistema tem boa performance nestas plataformas mais velhas.
Para instalação em um sistema x86-based, é recomendável a disponibilização de, pelo
menos, 16 MB de RAM e 300 MB de espaço em disco.

BSD vs. Linux


Qual a diferença entre sistemas BSDs e o Linux? Além dos aspectos de licenciamento já
mencionados aqui anteriormente, as principais diferenças estão na arquitetura e na
filosofia de ambos.
O Linux, por si mesmo, não é um sistema operacional completo. Ele é o kernel do
sistema operacional, a parte que controla o acesso a recursos como o CPU time e
peripheral. As versões empacotadas do Linux, chamadas de distribuições, combinam o
Linux com outros códigos, dos quais, ironicamente, muitas porções são copiadas
diretamente do BSD. Assim, cada distribuidor (por exemplo, Caldera, Red Hat, SuSE,
etc) vende seu próprio produto, um pouco distinto das demais distribuições, que
consistem em Linux somado a outro software.
Os BSDs, contrariamente, são sistemas operacionais completos que incluem não apenas o
kernel como os programas, os utilitários e os arquivos de configuração que trabalham
nele. E pelo fato de que cada BSD é desenvolvido como um todo integrado, as partes são
dirigidas a um trabalho conjunto, conectado. Eles ainda têm um consistência e solidez
que, por vezes, faltam a distribuições Linux. Cada BSD trabalha do mesmo modo, não
importa aonde você conseguiu o disco. Com isso, você não descobrirá que seu sistema é
diferente do que o que está escrito no artigo do livro ou da revista, pelo fato de você ter
comprado de um vendedor diferente. O mesmo não se pode dizer do Linux.
A filosofia BSD também difere da do Linux. Adeptos do Linux tendem a tomar uma
posição "revolucionária", vendo seus trabalhos como uma guerra contra a Microsoft e
outros desenvolvedores de software. Os BSDs, em geral, aceitam coexistir com softwares
comerciais, tendo, inclusive, satisfação na permissão do uso comercial de suas criações.
Os BSDs sempre estiveram focados na excelência técnica, ao invés da um ganho político
e econômico. Mudanças no código tendem a ser cuidadosamente consideradas, refinadas
e apresentadas em conferências técnicas, antes de se tornarem parte de lançamentos
precipitados. Por isso, administradores que precisam manter seus sistemas rodando 24
horas por dia e 7 dias por semana geralmente preferem algum BSD. Curiosamente, todos
os BSDs são capazes de rodar aplicações criadas para o Linux, e, em alguns casos, até
rodam-a mais rapidamente que o alvo original.
O Futuro do BSD
Os três verdadeiros BSDs, há algum tempo, tinham grandes rivalidades entre si. Mas com
o passar do tempo, os grupos- que, obviamente, ainda mantêm suas diferenças- estão
enxergando uma convergência interessante, já que eles ainda continuam usando os
códigos um do outro. É fato de o NetBSD, o OpenBSD e o FreeBSD nunca irão se fundir
em um único sistema operacional (e nem isso é desejável, por aspectos até mesmo de
segurança).
Entretanto, líderes dentro dos respectivos times de desenvolvimento têm expressado um
desejo cada vez maior de cooperação. A Apple, que está agora importando grandes partes
do código FreeBSD em seu sistema operacional Darwin, pode cooperar com outros
projetos, apesar da controversa política de licenciamento da empresa.
Por esta perspectiva, não é relevante se algum BSD vai chegar perto do Linux em relação
a vendas. Independente de qual plataforma nós usamos, todos devemos ao BSD um
grande débito não apenas pelo código BSD - que todos possuimos-, mas pela existência
da Internet e de muitas inovações de sistemas operacionais, primeiramente testadas no
BSD.

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