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DIREITO ROMANO

DIREITOS REAIS
PROF. HÉLCIO MACIEL FRANÇA MADEIRA

ROTEIRO DE AULA – A POSSE

- coisas (XII Tábuas)


Usus: - Poder de fato, necessário ao usucapio de - heranças
- pessoas livres (da manus sobre a mulher)

- Gerou a possessio civilis do período clássico.


ORIGENS:

Possessio (pot + sedere) - A proteção possessória dada ao precarista:


Na origem havia a propriedade coletiva do solo,
pertencente às gentes. Surgem, posteriormente, a
propriedade agrária do Estado (ager publicus populi
Romani) e a propriedade urbana do paterfamilias.
Aos poucos o Estado cede o ager publicus aos particulares
(enfiteuse; agri vectigales), reservando a si o poder de
revogar a cessão. Ou seja: o particular recebia a possessio
da terra pública, protegida contra turbação ou esbulho,
ainda que tivesse apenas o simples precarium, sujeito à
revogação estatal.
- Gerou a possessio ad interdicta do período clássico.

I – possessio civilis (posse com justa causa, freqüentemente a gerar usucapião - ad usucapionem)
ESPÉCIES 1 : II. - possessio ad interdicta (posse protegida por interditos)
III – possessio naturalis (detenção)

- Poder de fato sobre a coisa (corpus + animus)


pro emptore
- Com título de aquisição (iusta causa possessionis): pro donato
pro legato
I . Possessio civilis pro soluto
pro derelicto etc.
- Conseqüências: gera usucapião (possessio ad usucapionem)
gera propriedade civil das res nec mancipi
gera propriedade pretoriana das res mancipi

II . Possessio ad interdicta
- Poder de fato (corpus + animus) que gera proteção possessória (por meio dos interditos)
- Casuística: proprietário possuidor, ladrão, possuidores de boa-fé em geral
- Animus rem sibi habendi (intenção de ter a coisa para si)
- Exceções: protegeram-se também: o precarista, o enfiteuta, o credor pignoratício e o depositário de coisa
litigiosa (sequester), apesar de não terem eles o animus rem sibi habendi)

III. Possessio naturalis ou detenção

- Poder de fato (corpus sem animus rem sibi habendi) que não gera proteção possessória
- Casuística: locatário, depositário, comodatário, usufrutuário etc.
- O detentor possui o animus rem alteri habendi (intenção de ter a coisa para outrem)
- Exceções: apesar de terem detenção, foram considerados possuidores: o precarista, o enfiteuta, o credor
pignoratício e o depositário de coisa litigiosa (sequester), como se viu acima.

1
Esta classificação é didática e não lógica, isto é, uma espécie de posse não exclui as outras. Os casos de possessio civilis são, por
exemplo, ao mesmo tempo, casos de possessio ad interdicta.
DEFESA DA POSSE - OS INTERDITOS:

INTERDITO: - Não é ação (pois posse não é um poder de direito, mas um poder de fato)
- É um meio judicial excepcional
- É um procedimento célere
- Fundamenta-se no imperium (poder de mando) do magistrado (é um mandado);
- Prepara a eventual e futura questão sobre a propriedade
- É sempre uma proteção judicial provisória

Qual é o fundamento jurídico da posse? Respostas:

Segundo Ihering: protege-se a posse para proteger o proprietário.


Segundo Savigny: protege-se a posse para manter a paz pública (mantendo na posse quem
tiver a posse mais pacífica) e evitar a justiça privada

Limites da proteção interdital:

Embora tanto a posse justa como a injusta sejam protegidas, é preciso verificar, na relação
entre os que disputam a posse, se alguma das partes obteve, em relação à outra parte, a
posse vi, clam aut precário (mediante violência, clandestinidade ou precariedade). Neste
caso, a posse é denominada posse viciosa, que gera proteção contra todos, salvo contra
sofreu a violência, a clandestinidade ou a precariedade.

Espécies de interditos

- Interditos contra turbação : Interdicta retinendae possessionis causa (interditos de manutenção de posse):
- Uti possidetis - para bens imóveis
- Utrubi - para bens móveis (protegia o melhor possuidor no último ano)

- Interditos contra esbulho: Interdicta reciperandae possessionis causa (interditos de reintegração de posse):
- Uti possidetis - para bens imóveis (nos casos de posse obtida vi, clam,
aut precarium)
- Unde vi – para bens móveis (no caso de furto ou roubo) ou imóveis
- De vi armata
- De precario

- Interditos contra ameaça

- Interditos para obtenção inicial de posse (interdicta adipiscendae possessionis causa):


- Interdictum Salvianum – para obter a posse da coisa dada em garantia,
se o devedor não faz o pagamento da dívida.

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CONCEITOS E CLASSIFICAÇÕES RELEVANTES:

Posse justa x posse injusta – A posse é justa nos casos em que houver o exercício da posse decorrente de
uma justa causa. Ex: a posse do proprietário, do comprador, do adquirente de uma herança. É injusta nos casos em que
lhe falta o título. Ex: a posse do ladrão e do invasor.

Ius possidendi x ius possessionis (direito de possuir x direito de posse)


Tem direito de possuir (ius possidendi) quem tiver o direito real (propriedade, penhor, hipoteca depois de não
paga a dívida) que assegura utilizar-se da coisa como dono, independentemente de ter a posse ou não..
Tem direito à posse (ius possessionis) todo aquele que tiver o poder de fato (v. possessio ad interdicta), seja
ele proprietário ou não.

Posse viciosa: é aquela obtida com violência, com precariedade, ou clandestinamente. O possuidor que
obteve a posse viciosa tem proteção contra todos, menos contra o possuidor anterior que sofreu o esbulho com uma
dessas três características.