Caldeiras – Renato Allemand – CEFET 2009

1) Histórico Não é de hoje que o homem percebeu que o vapor podia fazer as coisas se movimentarem. No primeiro século da era cristã, portanto há mais de 1800 anos, um estudioso chamado Heron de Alexandria, construiu uma espécie de turbina a vapor, chamada eolípila. Nesse engenho, enchia-se uma esfera de metal com água que produzia vapor que se expandia e fazia a esfera girar quando saía através de dois bicos, colocados em posições diametralmente opostas. Todavia, embora isso movimentasse a esfera, nenhum trabalho útil era produzido por esse movimento e o sábio não conseguiu ver nenhuma utilidade prática para seu invento. Muitos séculos mais tarde, a máquina a vapor foi à primeira maneira eficiente de produzir energia independentemente da força muscular do homem e do animal, e da força do vento e das águas correntes. Sua invenção e uso foi uma das bases tecnológicas da Revolução Industrial. Em sua forma mais simples, as máquinas a vapor usam o fato de que a água, quando convertida em vapor se expande e ocupa um volume de até 1.700 vezes maior do que o original, quando sob pressão atmosférica. Foi somente no século XVII, mais precisamente em 1690, que o físico francês Denis Papin usou esse princípio para bombear água. O equipamento bastante rudimentar que ele inventou, era composto de um pistão dentro de um cilindro que ficava sobre uma fonte de calor e no qual se colocava uma pequena quantidade de água. Quando a água se transformava em vapor, a pressão deste forçava o pistão a subir. Então a fonte de calor era removida o que fazia o vapor esfriar e se condensar. Isso criava um vácuo parcial (pressão abaixo da pressão atmosférica) dentro do cilindro. Como a pressão do ar acima do pistão era a pressão atmosférica, ela o empurrava para baixo, realizando o trabalho. Mas, a utilização efetiva dessa tecnologia só se iniciou com a invenção de Thomas Savery patenteada em 1698 e aperfeiçoada em 1712 por Thomas Newcomen e John Calley. Nessa máquina, o vapor gerado em uma caldeira era enviado para um cilindro localizado em cima da caldeira. Um pistão era puxado para cima por um contrapeso. Depois que o cilindro ficava cheio de vapor, injetava-se água nele, fazendo o vapor condensar. Isso reduzia a pressão dentro do cilindro e fazia o ar externo empurrar o pistão para baixo. Um balancim era ligado a uma haste que levantava o êmbolo quando o pistão se movia para baixo. O vácuo resultante retirava a água de poços de mina inundados. Um construtor de instrumentos escocês chamado James Watt notou que a máquina de Newcomen, que usava a mesma câmara para alternar vapor aquecido e vapor resfriado condensado desperdiçava combustível. Por isso, em 1765, ele projetou uma câmara condensadora separada, refrigerada a água. Ela era equipada com uma bomba que mantinha um vácuo parcial e uma válvula que retirava periodicamente o vapor do cilindro. Isso reduziu o consumo de combustível em 75%. Essa máquina corresponde aproximadamente à moderna máquina a vapor. Em 1782, ele projetou e patenteou a máquina rotativa de ação dupla na qual o vapor era introduzido de ambos os lados do pistão de modo a produzir um movimento para cima e para baixo. Isso tornou possível prender o êmbolo do pistão a uma manivela ou um conjunto de engrenagens para produzir movimento rotativo e permitiu que essa máquina pudesse ser usada para impulsionar mecanismos, girar rodas de carroças ou pás para movimentar navios em rios.

No fim do século XVIII, as máquinas a vapor produzidas por Watt e seu companheiro Matthew Boulton forneciam energia para fábricas, moinhos e bombas na Europa e na América. O aparecimento das caldeiras, que podiam operar com altas pressões e que foram desenvolvidas por Richard Trevithick na Inglaterra e por Oliver Evans nos Estados Unidos, no início do século XIX, tornou se a base para a revolução dos transportes uma vez que elas podiam ser usadas para movimentar locomotivas, barcos fluviais e, depois, navios. A máquina a vapor tornou-se a principal fonte produtora de trabalho do século XIX e seu desenvolvimento se deu no esforço de melhorar seu rendimento, a confiabilidade e a relação peso/potência. O advento da energia elétrica e do motor de combustão interna no século XX, todavia, condenaram pouco a pouco, nos países mais industrializados, a máquina a vapor ao quase esquecimento. 2) Geradores de vapor É um aparelho térmico que produz vapor a partir do aquecimento de um fluido vaporizante. Na prática adotam-se alguns nomes, a saber: a) Caldeiras a vapor – São geradores de vapor mais simples, queima algum tipo de combustível como fonte geradora de calor. b) Caldeiras de recuperação – São aqueles geradores que não utilizam combustíveis como fonte geradora de calor. Aproveitam o calor residual de processos industriais (gás de escape de motores, gás de alto forno, de turbinas a gás, etc. c) Caldeiras de água quente – São aquelas que o fluido não vaporiza, sendo o mesmo aproveitado em fase líquida (calefação, processos químicos). d) Geradores Reatores nucleares – São aqueles que produzem vapor utilizando como fonte de calor a energia liberada por combustíveis nucleares (urânio enriquecido).

1) Classificação das caldeiras .Caldeira de recuperação 3) Tipos de Caldeiras 3.

99kgf/cm2) e volume interno igual ou inferior a 100 litros. De acordo com as classes de pressão. IV. Locomoveis (geração de força e energia). As caldeiras devem ser escolhidas em função de: a) b) c) d) e) f) Tipo de serviço. Horizontais. b) Categoria C: caldeiras com pressão de operação igual ou inferior a 588 kPa (5. liquido ou gasoso. Equipamento de combustão. semi-automática e automática. 98kgf/cm2). Pressão e temperatura do vapor. aquatubulares e mistas.As caldeiras podem ser classificadas de acordo com: a) b) c) d) Classes de pressão. as caldeiras podem se classificar em: manuais. as caldeiras foram classificadas segundo a NR13 em: a) Categoria A: caldeira cuja pressão de operação é superior a 1960 kPa (19. De acordo com o tipo de energia empregada. Outros fatores de caráter econômico. circulação de água. Ainda sobre outras características as caldeiras a vapor podem ser classificadas em: a) Quanto à posição dos tubos I. De acordo com o grau de automação. Curvos. Tipo de energia empregada. Marítimas. sistema de tiragem e tipo de sustentação. b) Quanto à forma dos tubos I. A classificação mais usual de caldeiras de combustão refere-se à localização de água/gases e divide-as em: flamotubulares. III. . Verticais. II. Fixas. Grau de automação. elas podem ser do tipo: a) Combustível sólido. Tipo de troca térmica. III. c) Categoria B: caldeiras que não se enquadram nas categorias anteriores. Inclinados. Existem outras maneiras particulares de classificação. II. II. Retos. Portáteis. b) Caldeiras elétricas c) Caldeiras de recuperação. c) Quanto à natureza da aplicação I. a saber: quanto ao tipo de montagem. Capacidade de produção. Tipo de combustível disponível.

4) Caldeiras Flamotubulares Também conhecidas como Pirotubulares ou. 4. II. IV. Não conseguem gerar grandes pressões (até 15Kgf/cm²). Menor produção de vapor. Menor tamanho e conseqüente menor peso. III.2 ) Desvantagens. . Menor custo inicial pelo projeto simples.1 ) Vantagens. cedendo calor à mesma. III. II. como Tubos de Fumaça. que se encontra circundada por água. Menor exigência da qualidade e pureza da água alimentação. Pequena superfície de troca térmica. ainda. Maior tempo para subir a pressão e entrar em funcionamento. IV. 4. I. I. são aquelas nas quais os gases da combustão (fumos) atravessam a caldeira no interior. Maior flexibilidade de operação.

.Caldeira Flamotubular.

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Maior custo por ser equipamento de grande porte. I. IV. Maior tamanho e peso. III.2 ) Desvantagens. I.5) Caldeiras Aquatubulares São aquelas nas quais á água circula por dentro de tubos enquanto que os os gases da combustão (fumos) circula ao redor dos tubos. Geram vapor superaquecido. Geram muito vapor. III. 5. II. cedendo calor à mesma. Maior pressão gerada pelo vapor. Menor tempo para gerar vapor.1 ) Vantagens. Maior exigência da qualidade e pureza da água alimentação. II. 5. .

fixa Vertical.Caldeira Aquotubular. .

Vapor .

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6) INSPEÇÃO DE CALDEIRAS .

6.1) .

2) .6.

3) .6.

na operação da própria caldeira que irá operar.2. Todo operador de caldeira deve cumprir um estágio prático.4.Procedimentos em situações de emergência. Horas Aulas (4 h) ASSUNTOS 4) Tratamento d’água. .9.Tipos de Caldeiras e suas utilizações. 5. 5.2. b) Ser ministrado por profissionais capacitados para esse fim.Calor e Temperatura. item 13.6 .3.3 .1. as CALDEIRAS devem ser operadas por profissionais com treinamento de segurança.1 . 3.Falhas de operação.Partes de uma caldeira.4) Curso Básico De acordo com a norma regulamentadora 13 (NR13) do Ministério do Trabalho.1. 2. documentado e ter duração mínima de: e) Caldeiras categoria “A”: 80 (oitenta) horas.2 . de 27/12/94. 6. ao currículo proposto no Anexo 1-A desta NR.Partidas e parada. 2. e outros riscos.2. (4h) (12 h) 6) Legislação e normalização.1. O “Treinamento de Segurança na Operação de Caldeiras” deve obrigatoriamente: a) Ser supervisionado tecnicamente por “Profissional Habilitado” citado no subitem 13. 2) Caldeiras .3. e riscos á saúde.Normas regulamentadora. portaria 23.2. Horas Aulas (8 h) (8 h) 5) Prevenção contra exp. causas e prov. 3.Instrumentos e dispositivos de controle. 6. 3) Operação de caldeiras 3.Roteiro de vistoria diária. Manutenção de caldeiras.2 .Riscos gerais de acid. c) Obedecer. conforme currículo a baixo: ASSUNTOS 1) Noções de grandezas físicas e unidades 1.Regulagem e controle. 2.7.6.1.Considerações gerais.Operação de um sistema de várias caldeiras 3. o qual deverá ser supervisionado.3. 3. 3.4 . d) 13. no mínimo.Pressão 1.Riscos de explosão.1.5 .3.Norma regulamentadora 13 (NR13) (4h) Segundo a 13.

com páginas numeradas. IV. Código do projeto e ano de edição.f) f. Conjunto de desenhos e demais dados necessários para o monitoramento da vida útil da caldeira.1. devendo constar o nome legível e assinatura de "Profissional Habilitado".7. f) “Relatórios de Inspeção”.4.2 e 13. 6.12 e 13. g) g. g) 13. Características funcionais VI. . montagem.1.13.5.3. periódicas e extraordinárias.2.5.5.caldeiras categoria “C”: 40 (quarenta) horas. i) As condições de inspeções de segurança. V.5. em conformidade com os subitens 13.11. contendo as seguintes informações: I.6.4. c) “Projeto de Instalação” em conformidade com tem 13. em conformidade com os subitens 13.5. ou outro sistema equivalente onde serão registradas: h) todas as ocorrências importantes capazes de influir nas condições de segurança da caldeira.5. II.2 e de operador de caldeira na ocasião da inspeção.caldeiras categoria “B”: 60 (sessenta) horas. inspeção final e determinação da PMTA.7. Dados dos dispositivos de segurança VII. em conformidade com os subitens 13.1. Ano de fabricação VIII.12 e 13.13. 13. em conformidade com o subitem 13. Procedimentos utilizados na fabricação.10 Controle e Registros Exigidos Segundo a NR-13 13. citado no subitem 13. a seguinte documentação. 13. O “Registro de Segurança” deve ser constituído de livro próprio.11. Categoria da caldeira b) “Registro de Segurança”.1. e) “Relatórios de Inspeção”. Toda caldeira deve possuir no estabelecimento onde estiver Instalada. d) “Projetos de Alteração ou Reparo”. devidamente atualizada: a) “Prontuário da Caldeira”.4. Especificação dos materiais III.

7) .

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PERIODICIDADE DOS TESTES* CATEGORIA DO VASO I II III IV V EXAME EXTERNO 1 ano 2 anos 3 anos 4 anos 5 anos EXAME INTERNO 3 anos 4 anos 6 anos 8 anos 10 anos TESTE HIDROSTÁTICO 6 anos 8 anos 12 anos 16 anos 20 anos * Para estabelecimentos que não possuem serviço próprio de inspeção .

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