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CURSO DE ALGEBRA

VOLUME II

(Vers˜ao Preliminar)

Abramo Hefez

12 de novembro de 2002

2

Sum´ario

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1 POLIN OMIOS

1.1 S´eries de Potˆencias e Polinˆomios

7

7

1.2 Divis˜ao de Polinˆomios

 

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15

1.3 Polinˆomios com Coeficientes em Corpos

 

25

1.4 Polinˆomios sobre C e sobre R

 

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29

1.5 Polinˆomios em V´arias Indeterminadas

 

32

 

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2 DERIVAC¸ AO

E MULTIPLICIDADE

 

41

2.1 Derivada Primeira

 

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41

2.2 Divis˜ao por X a

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47

2.3 Derivadas de ordem superior

 

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52

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3 POLIN OMIOS COM COEFICIENTES NUM DFU

 

57

3.1 Ra´ızes em K de polinˆomios em D [X ]

 

57

3.2 O Teorema de Gauss

 

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62

3.3 M´etodo de Kronecker para fatora¸c˜ao em Z[X ]

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66

3.4 Crit´erios de divisibilidade em Q[X ]

 

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69

3.5 A Resultante

 

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73

 

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4 AS EQUAC¸ OES DE GRAU 4

 

81

4.1 A Equa¸c˜ao do Segundo Grau

 

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81

4.2 A Equa¸c˜ao do Terceiro Grau .

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83

4.3 A Equa¸c˜ao do Quarto Grau

 

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93

 

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5 O GRUPO SIM ETRICO

 

95

5.1 Rela¸c˜oes Entre Coeficientes e Ra´ızes

 

95

5.2 Grupos .

 

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. 101

5.2.1

A no¸c˜ao de grupo

 

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101

 

3

 

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4

SUM ARIO

 

5.2.2 Subgrupos .

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. 105

5.2.3 Grupos C´ıclicos

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109

 

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5.3 Estrutura de Orbitas de uma Permuta¸c˜ao

 

114

5.3.1

Decomposi¸c˜ao de uma permuta¸c˜ao em um produto de

 

ciclos

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114

 

5.4 O Grupo Alternante

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121

5.5 Fun¸c˜oes Sim´etricas

 

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124

5.6 Conjuga¸c˜ao em S n

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. 129

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6

O M ETODO DE LAGRANGE

 

133

 

˜

7

EXTENS OES DE CORPOS

 

147

´

7.1 A Algebra Linear da Extens˜ao de Corpos

 

147

7.2 Constru¸c˜oes com R´egua e Compasso

 

156

´

SUM ARIO

˜

NOTAC¸ OES

Anel = Anel comutativo com unidade

5

N

= { 1 , 2 , 3 ,

.} = Conjunto dos n´umeros naturais

Z

= {

., 2 , 1 , 0 , 1 , 2 ,

.} = Anel dos n´umeros inteiros

Z + = { 0 , 1 , 2 , 3 ,

.} = Subconjunto dos n´umeros inteiros n˜ao negativos

Q

= Corpo dos n´umeros racionais

R

= Corpo dos n´umeros reais

C

= Corpo dos n´umeros complexos

Y X = Conjunto da fun¸c˜oes de X em Y

A = Conjunto dos elementos invert´ıveis do anel A

Kern ϕ = n`ucleo do homomorfismo ϕ

6

´

SUM ARIO

Cap´ıtulo 1

ˆ

POLIN OMIOS

Neste Cap´ıtulo iniciaremos o estudo das propriedades alg´ebricas b´asicas dos polinˆomios com coeficientes num anel comutativo com unidade. Nas disciplinas de C´alculo os polinˆomios s˜ao vistos como fun¸c˜oes particu- lares de vari´avel real e como tal s˜ao estudados. A necessidade de se distinguir os polinˆomios das fun¸c˜oes polinomiais surge pela considera¸c˜ao de polinˆomios com coeficientes em corpos finitos, de uso cada vez mais freq¨uente por causa de suas in´umeras aplica¸c˜oes pr´aticas. Muito do estudo das propriedades dos polinˆomios em uma indeterminada est´a relacionado com o desenvolvimento da Teoria das Equa¸c˜oes Alg´ebricas `a qual est˜ao associados os nomes de Tartaglia, Lagrange, Ruffini, Gauss, Abel, culminando com as contribui¸c˜oes fundamentais de Abel e Galois. As propriedades dos polinˆomios em v´arias indeterminadas foram pesqui- sadas inicialmente por suas conex˜oes com a Geometria Anal´ıtica, evoluindo no que hoje se chama Geometria Alg´ebrica. Atualmente os polinˆomios desempenham papel relevante em muitas par- tes da Matem´atica.

1.1 S´eries de Potˆencias e Polinˆomios

Seja A um anel, considerado, uma vez por todas, comutativo com unidade, e seja X uma indeterminada sobre A. Uma s´erie de potˆencias f ( X ) com coeficientes em A ´e uma soma formal infinita do tipo:

f ( X ) =

i=0

a i X i = a 0 X 0 + a 1 X 1 + a 2 X 2 + · · ·

7

8

´

ˆ

CAP ITULO 1. POLIN OMIOS

com a i A, para todo i Z + . Os X i s˜ao provisoriamente vistos apenas como s´ımbolos indicadores de posi¸c˜ao.

g ( X ) = i=0 b i X i s˜ao con-

sideradas iguais se a i = b i para todo i Z + . Os elementos a i s˜ao chamados

de coeficientes e a parcela a i X i de monˆomio de grau i. Convenciona-se omitir o monˆomio a i X i quando a i = 0 e costuma-se denotar a 0 X 0 por a 0 e a 1 X 1 por a 1 X .

Duas s´eries de potˆencias f ( X ) =

i=0 a i X i e

O conjunto de todas as s´eries de potˆencias com coeficientes em A ´e de- notado por A[[X ]] e nele definimos as seguintes opera¸c˜oes:

Adi¸c˜ao:

Multiplica¸c˜ao:

i=0

i=0

a i X i +

i=0

b i X i =

a i X i ·

i=0

b i X i =

i=0

i=0

( a i + b i ) X i .

i

j =0

a j b ij X i .

Note que com esta defini¸c˜ao de produto, temos que X i · X j

todo i e j , dando assim um sentido de potˆencia ao s´ımbolo X i .

= X i+ j , para

˜

PROPOSIC¸ AO 1.1. O conjunto A[[X ]] com as opera¸c˜oes acima definidas

´e um anel.

˜

DEMONSTRAC¸ AO: A associatividade e a comutatividade da adi¸c˜ao s˜ao

i ,

enquanto que o sim´etrico de f ( X ) =

A comutatividade da multiplica¸c˜ao ´e imediata e a propriedade distributiva ´e f´acil de ser verificada. A unica´ propriedade que merece verifica¸c˜ao ´e a associatividade da multiplica¸c˜ao. Sejam

de verifica¸c˜oes imediatas. O elemento neutro da adi¸c˜ao ´e 0 =

i=0 0 X

i=0 a i X i ´e f ( X ) = i=0 ( a i ) X i .

f ( X ) =

i=0

a i X i ,

g ( X ) =

i=0

b i X i

e

h( X ) =

i=0

c i X i .

´

ˆ

ˆ

1.1. S ERIES DE POT ENCIAS E POLIN OMIOS

Temos que

onde

d i =

Por outro lado,

onde

e i =

( f ( X ) · g ( X )) · h( X ) =

i

k

=0

k

j =0

a j b k j c ik =

f ( X ) · ( g ( X ) · h( X )) =

i

k

=0

a k

ik

j =0

b j c ik j =

i=0

d i X i ,

λ+ µ+ η = i

a λ b µ c η .

i=0

e i X i ,

λ+ µ+ η = i

a λ b µ c η .

9

Portanto, d i = e i , para todo i, provando assim a associatividade da mul- tiplica¸c˜ao.

´

E claro que A A[[X ]], pois todo elemento a A pode ser visto como a 0 + 0 X + 0 X 2 + · · · e portanto como elemento de A[[X ]]. Al´em disso, se

f ( X ) =

a e g ( X

) = b, temos que

f

( X ) + g ( X ) = a + b e f ( X ) · g ( X ) = a · b,

onde as opera¸c˜oes nos primeiros membros s˜ao efetuadas em A[[X ]] e as dos segundos membros o s˜ao em A. Vemos com isto que as opera¸c˜oes definidas em A[[X ]] estendem as opera¸c˜oes definidas em A, fazendo com que A seja um subanel de A[[X ]].

polinˆomios

em uma indeterminada com coeficientes em A. Como conjunto, este anel ´e

descrito como

Um outro subanel de A[[X ]] que se destaca ´e o anel A[X ] dos

A[X ] = a 0 + a 1 X +

a 2 X 2 + · · · ∈ A[[X ]] | ∃ n tal que a i = 0 se i > 0

Todo elemento de A[X ] ´e chamado de polinˆomio e pode ser representado como soma finita, p ( X ) = i=0 n a i X i , para algum n Z + .

10

˜

´

ˆ

CAP ITULO 1. POLIN OMIOS

PROPOSIC¸ AO 1.2. A[X ] ´e um subanel de A[[X ]].

˜

DEMONSTRAC¸ AO: Basta, de acordo com I-7, Proposi¸c˜ao 1, mostrar que

1 A[X ], o que ´e

A[X ] e p ( X ) · q ( X ) A[X ]. De fato, se p ( X ) = n i=0 a i X i e q ( X ) = i=0 n b i X i ,

´obvio; e que

se p ( X ) q ( X ) A[X ], ent˜ao p ( X ) q ( X )

ent˜ao

p ( X ) q ( X ) =

max {n,m}

i=0

( a i b i ) X i A[X ]

e

p ( X ) · q ( X ) =

n + m

j

=0

c j X j A[X ] onde c j = a i · b k .

i+ k = j

Dado um polinˆomio p ( X ) = a 0 + a 1 X + · · · a n X n A[X ] − { 0 } , define-se grau de p ( X ) como sendo o inteiro

gr(p ( X )) = max{ i Z + ; a i = 0 } .

Note que o polinˆomio nulo ´e o unico´ polinˆomio que n˜ao possui grau e que

gr(p ( X )) >

0 se, e somente se, p ( X ) A[X ] A.

O coeficiente do tˆermo de grau igual ao gr(p ( X )) ´e chamado de coeficiente l´ıder de p ( X ). Um polinˆomio cujo coeficiente l´ıder ´e igual a 1 ´e chamad o de polinˆomio mˆonico . Um polinˆomio nulo ou de grau zero ser´a chamado de polinˆomio constante. Vejamos agora como a hip´otese sobre A de ser dom´ınio se reflete sobre A[X ].

PROPOSIC¸ AO 1.3. Seja A um dom´ınio. Se p ( X ) , q ( X )

˜

A[X ] − { 0 } ,

ent˜ao p ( X ) · q ( X ) = 0 e gr(p ( X ) · q ( X )) = gr(p ( X )) + gr(q ( X )) .

˜

DEMONSTRAC¸ AO: Considere os polinˆomios p ( X ) , q ( X ) A[X ] dados

por

p ( X ) = a 0 + a 1 X + · · · + a n X n e q ( X ) = b 0 + b 1 X + · · · + b m X m

onde a n = 0 e b m = 0. Ent˜ao,

p ( X ) · q ( X ) = a 0 · b 0 + (a 0 · b 1 + a 1 · b 0 ) X + · · · + a n · b m X n + m .

Como A ´e dom´ınio, segue que a n · b m = 0, logo

p ( X ) · q ( X ) = 0 e gr(p ( X ) · q ( X )) = n + m = gr(p ( X ) + q ( X )) .

´

ˆ

ˆ

1.1. S ERIES DE POT ENCIAS E POLIN OMIOS

´

11

COROL ARIO 1.1. Se A ´e um dom´ınio, ent˜ao A[X ] ´e dom´ınio.

Em particular, se K ´e um corpo ent˜ao K [X ] ´e um dom´ınio.

´

COROL ARIO 1.2. Seja tais que t( X ) divide p ( X ) ,

˜

A um

ent˜ao

dom´ınio. Se p ( X ) , q ( X ) A[X ] − { 0 } s˜ao gr(t( X )) gr(p ( X )) .

DEMONSTRAC¸ AO: Existe por hip´otese, um polinˆomio n˜ao nulo q ( X )

em A[X ] tal que t( X ) · q ( X ) =

gr(p ( X )) gr(t( X )) = gr(q ( X )) 0 .

p ( X ) . Logo pela Proposi¸c˜ao 3, segue que

Da´ı segue a desigualdade desejada.

´

COROL ARIO 1.3. Seja

invert´ıvel se, e somente se, p ( X ) A e ´e invert´ıvel em A. Em s´ımbolos,

A um dom´ınio. Um elemento p ( X ) A[X ] ´e

( A[X ]) = A .

DEMONSTRAC¸ AO: Se p ( X ) A[X ] ´e

˜

invert´ıvel, ent˜ao p ( X )

= 0 e

existe q ( X ) A[X ] − { 0 } tal que p ( X ) · q ( X ) = 1. Tomando graus e

a Proposi¸c˜ao 3 temos que gr(p ( X )) + gr(q ( X )) = 0 . Logo gr(p ( X )) =

usando

gr(q ( X )) = 0 e, portanto p ( X ) , q ( X ) A e p ( X ) ´e invert´ıvel em A.

rec´ıproca ´e imediata.

A

Um fato que merece ser evidenciado ´e a diferen¸caa existente entre po- linˆomios e fun¸c˜oes polinomiais, dois conceitos que freq uentemente¨ s˜ao inde- vidamente confundidos. A um polinˆomio p ( X ) A[X ] associa-se uma fun¸c˜ao p A A chamada fun¸cao polinomial , definida por

p : A

−→

A

a

−→

p ( a ) = a 0 + a 1 · a + · · · + a n · a n .

´

E evidente que a

dois polinˆomios iguais s˜ao associadas duas fun¸c˜oes polinomiais iguais. Em

contrapartida, dois polinˆomios distintos podem dar origem a duas fun¸coes po-

linomiais iguais. Por exemplo,

de Z 2 [X ] s˜ao distintos, por´em, as fun¸c˜oes polinomiais a eles associadas s˜ao iguais. Mais geralmente, se p ´e um n´umero primo positivo, decorre do Pe- queno Teorema de Fermat (I-6, Problema 1.10) que os polinˆomios X p X

O elemento p ( a) de A ´e chamado de valor de p ( X ) em a.

p ( X ) = X 2 X e q ( X ) = 0, como polinˆomios

12

¯

´

ˆ

CAP ITULO 1. POLIN OMIOS

e 0 de Z p [X ] determinam a mesma fun¸c˜ao polinomial. Veremos na pr´oxima

se¸c˜ao 2, Corol´ario 4 do Teorema 1, que se A ´e infinito tal fato n˜ao ocorre. Uma t´ecnica muito util´ ao lidarmos com polinˆomios ´e o chamado m´etodo dos coeficientes a determinar que utiliza basicamente as defini¸c˜oes da igual- dade e das opera¸c˜oes no anel de polinˆomios. Ilustraremos o m´etodo com alguns exemplos.

EXEMPLO 1 : Mostraremos neste exemplo que X 4 + 4 pode ser escrito como produto do dois polinˆomios de segundo grau com coeficientes inteiros. De fato, escreva, X 4 + 4 = (aX 2 + bX + c ) · ( a X 2 + b X + c ). Efetuando

o

produto, tem-se que

X

4 +4 = a · a X 4 +(a · b + a · b) X 3 +(a · c + b · b + c · a ) X 2 +(b · c + c · b ) X + c · c .

Pela igualdade de polinˆomios acima, obt´em-se o sistema de equa¸c˜oes:

a · a = 1

a · b + a · b = 0

a · c + b · b + c · a = 0

b · c + c · + c · b = 0

c · c = 4

Procuremos as solu¸c˜oes inteiras deste sistema de equa¸c˜oes. Da primeira equa¸c˜ao, obt´em-se que a = a = ±1. Da segunda, segue que b + b e da quarta, b · ( c c ) = 0, logo b = 0 ou c = c .

Caso 1 : b = 0. Da terceira equa¸c˜ao tem-se que c + c = 0, donde c = c . Substituindo na quinta equa¸c˜ao tem-se c 2 = 4, o que ´e imposs´ıvel.

Caso 2 : c = c . Da quinta equa¸c˜ao tem-se que c = c = ±2. Da segunda,

segue que b + b = 0, logo da terceira obt´em-se b · b = 2 a · c = 4 . Donde

b = b = ±2. Testando os valores obtidos temos que

X 4 + 4 = (X 2 2 X + 2) · ( X 2 + 2 X + 2) = (X 2 + 2 X 2) · ( X 2 2 X 2).

em Z 7 de modo que X 4 + 4 X 3 +

aX 2 4 X + b Z 7 [X ] seja o quadrado de um polinˆomio de Z 7 [X ] .

Da igualdade,

¯

EXEMPLO 2 : Determinaremos a e b

¯

X 4 + 4 X 3 + aX 2 4 X + b

¯

¯

=

(X 2 + cX + d ) 2

=

X 4 + 2 cX 3 + ( 2 d + c 2 ) X 2 + 2 cdX + d 2

¯

¯

¯

´

ˆ

ˆ

1.1. S ERIES DE POT ENCIAS E POLIN OMIOS

obtemos o sistema:

 

¯

2

¯

2

¯

2

d 2 = b

¯

· c = 4

· d + c 2 = a

¯

· c · d = 4

que resolvido, nos fornece c = 2, d = 1, ¯ b = ¯ 1 e a = 2. Portanto,

¯

¯

¯

X 4 + bar 4 X 3 + 2 X 2 4 X + 1

¯

¯

=

(X 2 + 2 X 1) ¯ 2

¯

PROBLEMAS 1.1.

13

1. Um elemento a = 0 de um anel comutativo com unidade A ´e chamado regular ou n˜ao divisor de zero em A se a · b = 0, para todo b A − { 0 } . Em particular, todo elemento invert´ıvel de A ´e regular.

(a)

Se p ( X ) , q ( X ) A [ X ], com coeficiente l´ıder

de q ( X )

regular, ent˜ao

gr(p ( X ) · q ( X )) = gr(p ( X )) +

de p ( X ) ou gr(q ( X )).

(b)

Se p ( X ) , t ( X )

A [ X ], com coeficiente l´ıder de t ( X ) regular e se

t( X ) | p ( X ), ent˜ao gr(t( X ))

gr(p ( X )).

 

(c)

Calcule gr(p ( X ) · q ( X )) onde p ( X )

= 3X 3 + 2 X +

¯

¯

1 ¯

e q ( X ) =

¯

2X 2 + 3 X +

¯

1 em Z 6 [X ].

 

(d)

¯

Mostre que ( 2X 2 +

¯

2X + ¯ 1) | 3 em Z 6 [X ] .

¯

 

2. Determine a Z tal que

(a)

O polinˆomio X 4 aX 3 +8 X 2 + a seja o quadrado de um polinˆomio de Z[X ].

(b)

O polinˆomio X 4 + X 3 + aX 2 + X + 1 seja o produto de dois polinˆomios do segundo grau em Z [X ].

3. Determine a, b Z 7 tais que

(a) O polinˆomio X 4 + 3 X 3 + 5 X 2 + aX + b seja o quadrado de um

¯

¯

polinˆomio de Z 7 [X ].

(b) O polinˆomio X 3 + aX + 5 seja divis´ıvel por X 2 + 5X + 6 em Z 7 [X ].

¯

¯

¯

14

´

ˆ

CAP ITULO 1. POLIN OMIOS

4. Mostre que a fun¸c˜ao avalia¸c˜ao em a A:

Av a : A[X ] p ( X ) −→

−→ A

p

( a)

´e um homomorfismo de an´eis.

5. Seja p um n´umero primo positivo e f ( X ) Z p [X ]. Mostre que f ( X ) e f ( X p ) determinam a mesma fun¸c˜ao polinomial.

Sugest˜ao : Use o Pequeno Teorema de Fermat.

6. Sejam p (X ) C [X ] e ξ uma raiz n -´esima primitiva da unidade em C .

(a)

Se gr(p (X )) < n , mostre que

p (X ) + p (ξX ) + p (ξ 2 X ) + · · · + p (ξ n 1 X ) = n · p (0).

(b)

Deduza uma f´ormula para esta soma se gr(p (X )) n .

7. Mostre que f (X ) = i=0 a i X i A[[X ]] ´e invert´ıvel em

i

A[[X ]] se, e somente se, a 0

´e invert´ıvel em A[X ]. Sugest˜ao : Seja g (X ) = i=0 b i X i . Tem-se que f (X ) · g (X ) = 1 se, e somente se,

, ent˜ao a

a 0 · b 0 = 1 e j =0 a j b i j = 0, para todo i 1. Mostre que se b 0 = a

, b i 1 , determinando

equa¸c˜ao acima determina b i em fun¸c˜ao dos a j s e de b 0 , b 1 , assim g (X ) = (f (X )) 1 .

0

1

8. Seja K um corpo. Mostre que 1 X ´e invert´ıvel em K [[X ]] e que

(1 X ) 1 =

i=0

X i .

Se a

K − { 0 } , determine (a X ) 1 .

9. f (X ) = i=0 a i X i A[[X ]] − { 0 } . Defina a ordem de f (X ) com sendo

Seja

ord(f (X )) = min{ i | a i = 0 } .

Mostre que se A ´e um dom´ınio e se f (X ), g (X ) A[[X ]] − { 0 } , ent˜ao

ord(f (X ) · g (X )) = ord(f (X )) + ord(g (X )).

Isto prova que se A ´e um dom´ınio, ent˜ao A[[X ]] tamb´em ´e um dom´ınio.

10. Seja K um corpo.

(a) Dado f K [[X ]] K , mostre que existem m N e u invert´ıvel em K [[X ]] tais que f = X m · u .

˜ ˆ

1.2. DIVIS AO DE POLIN OMIOS

15

(b)

Mostre que K [[X ]] ´e um dom´ınio principal. Conclua que K [[X ]] ´e um dom´ınio de fatora¸c˜ao unica´ (DFU). Sugest˜ao : Veja I-Teorema 2, Cap´ıtulo 4.

(c)

Descreva o corpo de fra¸c˜oes de K [[X ]].

11. Sejam f i (X ) A[[X ]],

i Z + , tais que ord(f i (X )) i . Mostre que

i=0 f i X i ´e

bem definido como elemento de A[[X ]]. f (X ) = i=0 a i X i , ent˜ao

Mostre que se f (X ), g (X ) A[[X ]] com

i=0

a i X i · g (X ) = f (X ) · g (X ).

12. Suponha que B seja um subanel de A. Mostre que B [[X ]] e B [X ] s˜ao respectiva- mente subaneis de A[[X ]] e de A[X ].

1.2 Divis˜ao de Polinˆomios

Mostraremos nesta se¸c˜ao que sob certas condi¸c˜oes, `a semelhan¸ca dos in- teiros, ´e poss´ıvel efetuar a divis˜ao com resto ”pequeno”de um polinˆomio por outro.

´

˜

TEOREMA 1.1. (ALGOR ITMO DA DIVIS AO) Seja A um anel e sejam

A[X ]. Se t( X ) = 0 possui coeficiente l´ıder

invert´ıvel, ent˜ao existem q ( X ) e r ( X ) em A[X ] tais que

p ( X ) e t( X ) polinˆomios em

p ( X ) = t( X ) · q ( X ) + r ( X ) , com r ( X ) = 0 ou gr(r ( X )) < gr(t( X )) .

Al´em disso, q ( X ) e r ( X ) s˜ao univocamente determinados por estas condi¸c˜oes.

˜

DEMONSTRAC¸ AO : Sejam

p ( X ) = a 0 + a 1 X + · · · + a n X n

com a n = 0 e b m invert´ıvel.

e

t( X ) = b 0 + b 1 X + · · · + b m X m ,

Existˆencia:

Se p ( X ) = 0 ou n < m, fa¸ca q ( X ) = 0 e r ( X ) = p ( X ).

a n X n m A[X ]

Suponha agora p ( X ) = 0 e n

tem-se que

m. Tomando q 1 ( X ) = b

1

m

p ( X ) q 1 ( X ) · t( X ) = r 1 ( X ) ,

(1.1)

16

´

ˆ

CAP ITULO 1. POLIN OMIOS

com r 1 ( X ) = 0 ou gr(r 1 ( X )) < gr ( p ( X )).

Se

r 1 ( X ) = 0 ou se gr(r 1 ( X )) <

gr(t( X )), o problema fica resolvido

tomando r ( X ) = r 1 ( X ) e q ( X ) = b

m

1

a n X n m .

Se gr(r 1 ( X )) gr(t( X )), repete-se o procedimento acima com r 1 ( X ) no

lugar de p ( X ), obtendo

r 1 ( X ) q 2 ( X ) · t( X ) = r 2 ( X ) ,

com r 2 ( X ) = 0

ou gr(r 2 ( X )) < gr(r 1 ( X )).

(1.2)

Se r 2 ( X ) = 0 ou se gr(r 2 ( X )) < gr(t( X )), o problema fica resolvido pois

p ( X ) = (q 1 ( X ) + q 2 ( X )) · t( X ) +

r 2 ( X ).

Se gr(r 2 ( X ))

gr(t( X )), repete-se

lugar de r 1 ( X ), obtendo

o procedimento acima com r 2 ( X ) no

r 2 ( X ) q 3 ( X ) · t( X ) = r 3 ( X ) ,

com r 3 ( X ) = 0 ou gr(r 3 ( X )) < gr(r 2 ( X )).

E assim sucessivamente, obtendo

r 1 ( X )