Você está na página 1de 43
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PREFEITURA MUNICIPAL DE ESTRELA SECRETARIA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PREFEITURA MUNICIPAL DE ESTRELA SECRETARIA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE E SANEAMENTO BÁSICO (SMMASB)

PLANO DE MANEJO DO PARQUE MUNICIPAL DA LAGOA

BÁSICO (SMMASB) PLANO DE MANEJO DO PARQUE MUNICIPAL DA LAGOA Estrela 2010 1 Plano de Manejo

Estrela 2010

1

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

EQUIPE DE TRABALHO Coordenação:

Ângela Maria Schossler (Bióloga)

Responsáveis técnicos:

Alexandre Rücker (Biólogo, Mestre em Botânica) Emerson Luís Musskopf (Biólogo, Mestre em Botânica) William Heberle (Biólogo)

SETOR RESPONSÁVEL

Mestre em Botânica) William Heberle (Biólogo) SETOR RESPONSÁVEL 2 Plano de Manejo do Parque Municipal da

2

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

APRESENTAÇÃO O Parque Municipal da Lagoa é a terceira Unidade de Conservação (UC) instituída no município de Estrela. Além desta UC, já foram criados o Monumento Natural Cascata Santa Rita e a ARIE “Parque das Figueiras”. A criação de um Parque no local, que antes era popularmente chamado de “Buraco dos Cachorros”, servirá principalmente para conservar e recuperar um pouco da biodiversidade e da paisagem que já foi bastante modificada, principalmente após a construção da eclusa, localizada entre os municípios de Bom Retiro do Sul e Cruzeiro do Sul. A conservação dessa área propiciará a proteção do meio ambiente, permitindo também o contato e a integração da população com a área natural, que no passado já teve grande importância turística. Antes de qualquer tomada de decisão envolvendo ações na área do Parque Municipal da Lagoa, foi elaborado o plano de manejo. Este é entendido como um documento técnico que, usando como base os objetivos gerais de uma UC, estabelece o seu zoneamento e as normas que devem nortear e regular o uso que se faz da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da UC (Lei nº 9.985/2000, Artigo 2º, Inciso XVII). O planejamento de uma UC caracteriza-se por ser um processo contínuo, gradativo e flexível. Contínuo, pois não há como agir sem planejar, ou seja, para toda a ação há um planejamento anterior; gradativo, por se aprofundar nas decisões à medida que se aumenta o conhecimento da área que se quer manejar e flexível por admitir mudanças a partir de novos conhecimentos (Ferreira et al., 2004). Assim, várias informações que não foram contempladas neste plano de manejo, poderão ser acrescentadas num outro momento, deixando este cada vez mais completo.

3

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

SUMÁRIO

1.

CARACTERIZAÇÃO GERAL

6

1.1 Ficha Resumo

6

1.2 Situação Legal

7

1.3 Localização e Acesso

7

1.4 Histórico

 

8

1.5 Origem do Nome

9

1.6 Uso Atual da Área e Problemas Urgentes

9

1.7 Fatores Ambientais

11

 

1.7.1 Geologia, geomorfologia, solos e hidrografia

11

 

1.7.2 Clima

12

 

1.7.3

Flora

13

1.7.3.1 Caracterização da vegetação regional

13

1.7.3.2 Caracterização da vegetação do Parque Municipal da Lagoa

15

1.7.4

Fauna

19

1.7.4.1

Mamíferos

20

1.7.4.2

Aves

20

1.7.4.3 Répteis

22

1.7.4.4 Anfíbios

22

1.7.4.5 Peixes

22

1.8 Caracterização da Área do Entorno e Possibilidades de Conectividade

 

24

2.

PLANEJAMENTO

 

25

2.1 Objetivos

 

25

2.2 Zoneamento

26

 

2.2.1 Zona de Proteção

 

27

2.2.2 Zona de Visitação

27

2.2.3 Zona de Recuperação

28

2.2.3.1 Zona de Recuperação Intensiva

29

2.2.3.2 Zona

de

Recuperação

Natural

29

3.

PROGRAMAS DE MANEJO

30

3.1

Programa de Manejo Ambiental

30

3.1.1 Subprograma de manejo das espécies exóticas invasoras

30

3.1.2 Subprograma de recuperação do talude do rio Taquari

31

3.1.2.1

Roteiro simplificado da obra do Parque Municipal da Lagoa

32

 

4

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

Fase I: Isolamento do local e execução de obras de engenharia

32

Fase II: Introdução de espécies de aráceas

33

Fase III: Introdução de espécies arbóreas pioneiras e secundárias nativas

 

33

3.1.3 Subprograma de manejo da Zona de Recuperação Natural

34

3.1.4 Subprograma de proteção

35

3.2 Programa de Expansão da Área do Parque Municipal da Lagoa

36

3.3 Programa de Uso Público

37

3.3.1 Subprograma de recreação

38

3.3.2 Subprograma de interpretação e educação ambiental

38

3.4 Programa de Tratamento de Efluentes

39

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

39

5. BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS

41

6. SITES CONSULTADOS

42

5

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

1. CARACTERIZAÇÃO GERAL

1.1 Ficha Resumo

Nome

Parque Municipal da Lagoa

Unidade gestora

 

Prefeitura Municipal de Estrela/Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Saneamento Básico – SMMASB. Endereço: Rua Júlio de Castilhos, 380, Centro. CEP: 95880-000 Telefone: (51) 3981-1000 E-mail: meioambiente@estrela-rs.com.br

Área

8,5 ha

Município

 

Estrela

Estado

Rio Grande do Sul

Bioma

Mata Atlântica (Floresta Estacional Decidual)

Coordenadas geográficas

0405801 E; 6735757 N

UTM

(Zona

22J

e

Datum

WGS-84)

 

Lei

Criação – Lei n o 5.077, de 29 de dezembro de

2009.

Limites

Norte: Empresa Rhodoss Implementos Rodoviários; Sul: Propriedade de Maria Cristine S. Wollmuth e RS-129; Leste: RS-129; Oeste: Rio Taquari.

Corredores ecológicos

 

Corredor Ecológico do Rio Taquari

Atividades conflitantes

 

Enchentes, erosão, lixo, pesca, depósito de entulhos, efluentes domésticos.

Atividades de uso público

Atividades sócio-educativas e de interpretação ambiental envolvendo estudantes das redes pública e privada e a sociedade em geral; atividades náuticas do Projeto Navegar.

6

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

1.2

Situação Legal

O Parque Municipal da Lagoa é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral (de uso indireto), conforme a Lei Federal nº 9.985/2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Ele foi criado pela Lei Municipal nº 5.077 de 29 de dezembro de 2009, com área inicial de 19.800 m 2 (1,98 ha). O plano de manejo baseou-se em uma área maior do que a prevista na Lei, totalizando 8,5 ha, já que está previsto o aumento do Parque através da agregação de áreas de terra adjacentes ao mesmo.

1.3 Localização e Acesso

O Parque Municipal da Lagoa está localizado na porção oeste do município de Estrela, junto à margem esquerda do rio Taquari (0405801 E; 6735757 N). Os bairros que cercam sua área são: Centro, Cristo Rei, Alto da Bronze e Chacrinha. Próximo ao Parque, na margem direita do rio Taquari, localiza-se o município de Cruzeiro do Sul. O acesso ao Parque pela entrada principal da cidade se dá seguindo a Av. Rio Branco, dobrando à esquerda logo após a sinaleira, acessando a Rua Cel. Müssnich, onde mais adiante dobra-se à direita, acessando a Rua Bruno Schwertner, a qual deve-se seguir em frente entrando na Rua Geraldo Pereira, até o seu término, onde encontra-se a entrada do Parque (Fig. 1). Outras formas de acesso podem ocorrer pela Rua Arnaldo José Diel ou pela RS-129.

7

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

Figura 1: Acesso ao Parque Municipal da Lagoa pela entrada principal do município de Estrela-RS.

Figura 1: Acesso ao Parque Municipal da Lagoa pela entrada principal do município de Estrela-RS.

1.4 Histórico Nas décadas de 1970 e 1980 o município de Estrela, como muitos outros, tinha uma prática nada exemplar de depositar resíduos sólidos domésticos a céu aberto. Um destes depósitos se localizava na área que

8

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

antecede à lagoa que hoje dá nome ao Parque. Além de resíduos sólidos domésticos, os entulhos e o lixo verde eram depositados no local. Com certeza houve um comprometimento do local, dificultando ainda hoje sua plena recuperação. Após a desativação houve um aterro, pois o material foi coberto de terra, onde hoje se desenvolve alguma vegetação. Já nas décadas de 1990 e do ano 2000 foram realizados inúmeros plantios, principalmente envolvendo atividades educativas e ambientais. Algumas mudas sobreviveram, mas como o local continuou sendo utilizado para diversas finalidades, as mudas foram impedidas de se desenvolver em sua plenitude. Algumas se desenvolveram e se encontram no local até hoje. Com o interesse atual do poder público, foi aprovada lei criando o Parque Municipal da Lagoa, que visa sua ampla recuperação e conservação.

1.5 Origem do Nome

A área hoje destinada ao Parque, anteriormente era conhecida pela população como “Buraco dos Cachorros”, já que, antigamente, os cachorros mortos eram abandonados no local.

A denominação “Parque Municipal da Lagoa” foi dada devido à presença

de uma lagoa, considerada importante ao ecossistema local, sendo esta de

grande interesse preservacionista.

1.6 Uso Atual da Área e Problemas Urgentes

A área onde hoje se encontra o Parque sempre foi muito freqüentada por

parte da comunidade. Como a transformação da área em Parque é recente e o acesso ao local nunca foi restrito, sendo um dos poucos acessos públicos ao rio Taquari, a população continua a utilizar esta área para diversos fins. Alguns freqüentadores a utilizam como área de lazer, através de caminhadas para apreciar a paisagem, respeitando o ambiente local. Já outros, a utilizam como área de pesca, pastagem de animais – o que impede a regeneração natural –, uso de drogas e oferendas religiosas, deixando lixo no local e muitas vezes entrando com veículos até próximo do rio. Há uma área do Parque que era utilizada como “lixão”, o qual se encontra atualmente desativado e aterrado. Para recuperação de parte dessa área já foram realizados plantios de diversas espécies arbóreas nativas, acelerando o processo de regeneração natural, que se encontra em fase inicial.

9

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

Na outra porção não recuperada, pode-se ainda observar um depósito de entulhos que necessitam ser removido para que possa ocorrer a regeneração natural da vegetação no local. Em vários pontos do Parque, observa-se a presença de espécies de plantas exóticas invasoras, que ocasionam perda da biodiversidade e descaracteriza fisionomicamente a vegetação original. Entre estas se destacam: Ligustrum japonicum (sempre-verde), Eucaliptus sp. (eucalipto), Acacia mearnsii (acácia-negra), Hovenia dulcis (uva-japonesa) e Cinnamomum

zeilanicum (canela-cheirosa). Para melhor controle das mesmas, será implantado um projeto de manejo das espécies arbóreas exóticas invasoras do Parque.

A lagoa do Parque é abastecida por dois córregos. Um deles recebe

grande parte do esgoto dos bairros localizados no entorno da UC, o que faz com que a lagoa esteja bastante poluída. Como esta tem ligação com o rio

Taquari, o esgoto acaba chegando também a este. Portanto, grande parte dos recursos hídricos do Parque Municipal da Lagoa encontra-se degradados. Para solucionar esta problemática está previsto o “Plano de Tratamento de Efluentes”.

O problema mais urgente do Parque são as constantes enchentes, que

vem causando processos erosivos intensos no talude do rio Taquari (Fig. 2). A cada nova enchente, grande quantidade de solo do talude é arrastada com a força das águas, fazendo com que ao longo dos anos a área do Parque diminua drasticamente. Durante as cheias, parte do Parque é atingido por uma correnteza muito forte, o que dificulta bastante a regeneração natural da vegetação. A distância entre o rio e a lagoa diminui a cada cheia em função da grande quantidade de solo que é carregada pela água. Em pouco tempo, caso nenhuma medida drástica de manejo seja tomada, a lagoa poderá desaparecer, tornando-se parte do rio Taquari. São de extrema urgência a elaboração e aplicação de um projeto de contenção da erosão, o qual é apresentado no “Programa de Manejo Ambiental”.

10

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

Figura 2: Erosão intensa no talude do rio Taquari em área do Parque Municipal da

Figura 2: Erosão intensa no talude do rio Taquari em área do Parque Municipal da Lagoa, Estrela-RS.

1.7 Fatores Ambientais 1.7.1 Geologia, geomorfologia, solos e hidrografia

O município de Estrela localiza-se à margem esquerda do rio Taquari, na

porção basal do que se denomina a Encosta Inferior do Planalto Meridional (Maluf et al., 1994) ou, segundo IBGE (1986), Patamares da Serra Geral. É composto por duas formações geológicas distintas: Formação Serra Geral, constituída basicamente por basaltos, e Formação Botucatu, constituída por arenito. A Formação Serra Geral é a que predomina no município, sendo observados também, em alguns pontos, afloramentos da Formação Botucatu (IBGE, 1986).

A região da encosta inferior do Planalto Meridional é caracterizada por

escarpamento acentuado pela dissecação provocada pelo curso inferior de rios

como o Taquari, formando assim pontos de aclive acentuado, porções com os típicos morros testemunhos, como é o caso do Roncador e Roncadorzinho, e também com porções de planícies que se espremem entre a encosta do planalto e o rio.

11

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

Os solos que constituem o município são: Terra Roxa Estruturada e Planossolo Eutrófico. Terra Roxa Estruturada: solos profundos, bem drenados, geralmente com textura muito argilosa. Planossolo Eutrófico: solos típicos de áreas baixas, onde o relevo permite excesso de água permanente ou

temporário. Possui superfície eluvial de textura arenosa ou média que contrasta com o horizonte B, de elevada concentração de argila (IBGE, 1986). Nas encostas, os solos são próprios para a silvicultura e fruticultura, principalmente devido às limitações quanto à declividade, exigindo desta maneira práticas intensivas de conservação de solo. Nas porções planas são plantadas geralmente pastagens ou culturas cíclicas como é o caso do milho (Zea mays Linn.) (Maluf et al., 1994). Nas proximidades da área estudada, as culturas e pastagens estendem- se, muitas vezes, até a margem dos cursos d'água. Assim, em toda a extensão do município são raros os locais onde se preserva a mata original, a qual só persiste realmente nas zonas mais altas e, em alguns pontos, próximos a corpos d’água.

O Parque Municipal da Lagoa pertence à Bacia Hidrográfica Taquari-

Antas, porção Taquari. As características originais do rio Taquari foram bastante modificadas após construção de uma eclusa à jusante da área do

Parque, influenciando diretamente a sua área. O rio Taquari formava um ambiente lótico sobre um leito de cascalhos e tornou-se um ambiente lêntico após o barramento. Com o aumento do nível da água, a mata ciliar foi descaracterizada e iniciou-se um processo erosivo que aumenta progressivamente após cada enchente, as quais ocorrem mais freqüentemente no final do inverno e início da primavera.

O Parque possui dois pequenos córregos que desembocam na lagoa

que dá nome ao mesmo, e esta possui ligação com o rio Taquari.

1.7.2 Clima

O macroclima da região é do tipo “Cfa” (subtropical úmido), do sistema

de Köppen, com temperatura média anual de 19,5°C e precipitação anual de 1.347mm, distribuída de forma relativamente uniforme ao longo do ano (Moreno, 1961). O diagrama ombrotérmico da estação de Porto Alegre (Fig. 3),

que dista aproximadamente cerca de 100 km do Parque, mostra que, na realidade, existe um ligeiro decréscimo da precipitação nos meses mais

12

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

quentes do ano. O período que registra maior freqüência de enchentes no rio

Taquari coincide justamente com os meses mais chuvosos indicados no

diagrama, que são principalmente os meses agosto e setembro.

30 150 25 125 20 100 15 75 10 50 5 25 0 0 J
30
150
25
125
20
100
15
75
10
50
5
25
0
0
J
A
S
O
N
D
J
F
M
A
M
J
Temperatura (ºC)
Precipitação (mm)

Figura 3: Diagrama climático de Porto Alegre (30º02’S, 51º22’W, 47m), no

período de 1961 a 1990 (segundo INMET), a cerca de 100 km

aproximadamente do Parque Municipal da Lagoa, Estrela-RS (círculos =

precipitação, quadrados = temperatura).

1.7.3 Flora

1.7.3.1 Caracterização da vegetação regional O Estado do Rio Grande do Sul caracteriza-se por apresentar diversas

formações vegetais, o que representa uma ampla riqueza biológica, tanto da

flora quanto da fauna. Essas formações vegetais fazem parte do Bioma Mata

Atlântica e do Bioma Pampa (Fig. 4).

Pelas características e delimitações estabelecidas no mapa do IBGE

(Fig. 4), a vegetação do município de Estrela fica sendo um anexo do Bioma

Mata Atlântica, de acordo com a Lei n° 11.428, de 22 de dezembro de 2006.

A vegetação do município de Estrela está inserida na Região

Fitogeográfica da Floresta Estacional Decidual (Fig. 5), que segundo Teixeira &

Neto (1986), ocupa a maior parcela da vertente sul do Planalto Meridional ou

Formação Serra Geral.

13

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

Figura 4: Mapa de localização dos Biomas existentes no RS (IBGE 2007). Com a colonização

Figura 4: Mapa de localização dos Biomas existentes no RS (IBGE 2007).

Com a colonização européia, teve início um contínuo processo de substituição das formações nativas originais por outros usos, promovendo um quadro de degradação da vegetação, ficando a maior parte dos remanescentes florestais nativos nas encostas e nos fundos dos vales, locais com dificuldade de acesso ou baixa aptidão agrícola. A Floresta Estacional Decidual caracteriza-se por duas estações climáticas bem demarcadas. No RS, embora o clima seja ombrófilo, possui uma curta época muito fria e que ocasiona, provavelmente, a estacionalidade fisiológica da floresta. Esta formação ocorre na forma de disjunções florestais apresentando o estrato dominante predominantemente caducifólio, com mais de 50% dos indivíduos despidos de folhas no período frio.

14

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

Figura 5: Regiões Fitogeográficas do RS, destacando a formação vegetal do município de Estrela (Radam

Figura 5: Regiões Fitogeográficas do RS, destacando a formação vegetal do município de Estrela (Radam Brasil).

Os elementos da Floresta Estacional Decidual que mais se destacam são: Parapiptadenia rigida (angico-vermelho), Luehea divaricata (açoita- cavalo), Myrocarpus frondosus (cabreúva), Cabralea canjerana (canjerana), Patagonula americana (guajuvira), Cedrela fissilis (cedro), Ocotea puberula (canela-guaíca) e Nectandra megapotamica (canela-preta). De acordo com o Inventário Florestal Contínuo do Rio Grande do Sul, atualmente a Floresta Estacional Decidual abrange uma área de 11.762,45 km², o que representa 4,16% da cobertura florestal do estado (Rio Grande do Sul, 2002).

1.7.3.2 Caracterização da vegetação do Parque Municipal da

Lagoa No Parque Municipal da Lagoa, segundo avaliação técnica, a vegetação nativa remanescente da área, caracteriza-se como estágio secundário inicial e

15

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

médio de regeneração. Devido às ações antrópicas e naturais na área, os exemplares arbóreos nativos estão isolados ou restritos a fragmentos. A Zona de Recuperação (Zona de Recuperação Intensiva e Natural) apresenta vegetação em estágio inicial de regeneração, com predominância de herbáceas, uma vez que, são áreas degradadas por ações antrópicas ou naturais – como as enchentes. Nestes locais existem árvores esparsas, muitas delas provenientes de plantios relacionados a programas de recuperação ambiental anteriores. Percebe-se também que a sucessão vegetal natural ocorre nestas zonas, porém, nitidamente prejudicada pelas enchentes. Na Zona de Recuperação Intensiva, em áreas mais próximas ao rio Taquari, há locais com espécies típicas ribeirinhas, como o Sebastiania schottiana (sarandi- vermelho), Phyllanthus selowianus (sarandi), Terminalia australis (sarandi- amarelo), Sebastiania commersoniana (branquilho) e Pouteria salicifolia (mata- olho).

A Zona de Proteção é a que apresenta a maior área florestal do Parque, estando a mesma em estágio médio de regeneração na sua maior parte. O extrato superior da floresta é dominado pela espécie Nectandra megapotamica (canela-preta). Na área há ocorrência de espécimes exóticas invasoras com predominância da espécie Ligustrum japonicum (sempre-verde), formando pequenos fragmentos homogêneos, o que tende a aumentar a competição, diminuindo assim a diversidade arbórea nativa. Provavelmente em função da alta densidade de plantas invasoras, a riqueza de espécies encontrada neste fragmento de mata foi considerada baixa, comparando-se com outros fragmentos florestais do município. Foi encontrada apenas uma espécie ameaçada de extinção: Erythrina falcata (corticeira-da-serra). Em função das constantes enchentes ocorridas, o sub-bosque apresenta-se descaracterizado, apresentando baixa densidade de plântulas.

Tabela 1: Espécies arbóreas nativas levantadas no Parque Municipal da Lagoa.

Família

Nome científico

Nome popular

Anacardiaceae

Annonaceae

Arecaceae

Schinus terebinthifolius Rollinia salicifolia Syagrus romanzoffiana

aroeira-vermelha

ariticum

gerivá

16

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

Bignoniaceae

Tabebuia chrysotricha*

ipê-amarelo

Bignoniaceae

Tabebuia heptaphylla

ipê-roxo

Boraginaceae

Cordia trichotoma

louro-pardo

Cannabaceaea

Celtis iguanaea

esporão-de-galo

Cannabaceaea

Trema micrantha

grandiúva

Combretaceae

Terminalia australis

sarandi-amarelo

Erythroxylaceae

Erythroxylum argentinum

cocão

Euphorbiaceae

Alchornea triplinervia

tanheiro

Euphorbiaceae

Sapium glandulosum

leiteiro

Euphorbiaceae

Sebastiania commersoniana

branquilho

Euphorbiaceae

Sebastiania schottiana

sarandi

Fabaceae

Bauhinia forficata

pata-de-vaca

Fabaceae

Caesalpinia peltophoroides*

sibipiruna

Fabaceae

Enterolobium contortisiliquum

timbaúva

Fabaceae

Erythrina falcata

corticeira-da-serra

Fabaceae

Inga marginata

ingá-feijão

Fabaceae

Inga vera

ingá-banana

Fabaceae

Lonchocarpus sp.

rabo-de-bugio

Fabaceae

Parapiptadenia rigida

angico-vermelho

Fabaceae

Peltophorum dubium

canafístula

Lauraceae

Nectandra megapotamica

canela-preta

Lauraceae

Ocotea puberula

canela-guaicá

Malvaceae

Chorisia speciosa

paineira

Malvaceae

Luehea divaricata

açoita-cavalo

Meliaceae

Trichilia elegans

pau-de-ervilha

Mimosaceae

Mimosa bimucronata

maricá

Myrtaceae

Campomanesia xanthocarpa

guabirobeira

Myrtaceae

Eugenia uniflora

pitangueira

Myrtaceae

Myrcianthes pungens

guabiju

Myrtaceae

Myrciaria sp.

camboim

Moraceae

Ficus luschnathiana

figueira

Phyllanthaceae

Phyllanthus selowianus

sarandi-vermelho

Phytolaccaceae

Phytolacca dioica

umbu

Rutaceae

Zanthoxylum rhoifolium

mamica-de-cadela

17

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

Salicaceae

Casearia sylvestris

chá-de-bugre

Sapindaceae

Allophylus edulis

chal-chal

Sapindaceae

Cupania vernalis

camboatá-vermelho

Sapotaceae

Pouteria salicifolia

mata-olho

Solanaceae

Solanum mauritianum

fumero-bravo

* Nativa do Brasil

Tabela 2: Espécies arbóreas exóticas levantadas no Parque Municipal da Lagoa.

Família

Nome científico

Nome popular

Bignoniaceae

Jacaranda mimosaefolia Tipuana tipu Cinnamomum zeilanicum Melia zedarach Acacia mearnsii Morus nigra Eucaliptus sp. Psidium guajava Ligustrum japonicum Pinus elliotis Hovenia dulcis

jacarandá-mimoso

Fabaceae

tipuana

Lauraceae

canela-cheirosa

Meliaceae

cinamomo

Mimosaceae

acácia-negra

Moraceae

amora

Myrtaceae

eucalipto

Myrtaceae

goiabeira

Oleaceae

sempre-verde

Pinaceae

pinus

Rhamnaceae

uva-japonesa

Tabela 3: Espécies arbustivas nativas levantadas no Parque Municipal da Lagoa.

Família

Nome científico

Nome popular

Acanthaceae

Justicia brasiliana

-

Asteraceae

Baccharis sp.

-

Malvaceae

Pavonia sepium

-

Piperaceae

Piper sp. 1

pariparoba

Piperaceae

Piper sp. 2

pariparoba

Solanaceae

Cestrum strigillatum

-

Solanaceae

Cestrum intermedium

canela-do-brejo

Urticaceae

Boehmeria caudata

urtiga-mansa

Tabela 4: Espécies das famílias Bromeliaceae e Cactaceae levantadas no Parque Municipal da Lagoa.

Família

Espécie

Situação

Bromeliaceae

Aechmea recurvata

-

Bromeliaceae

Ananas cf. bracteatus

-

Bromeliaceae

Tillandsia aeranthos

-

Bromeliaceae

Tillandsia geminiflora

VU

Bromeliaceae

Tillandsia recurvata

-

Bromeliaceae

Tillandsia stricta

-

Bromeliaceae

Tillandsia tricholepis

EN

Bromeliaceae

Tillandsia tenuifolia

VU

Cactaceae

Lepismium cruciforme

-

Cactaceae

Lepismium lumbricoides

-

Cactaceae

Rhipsalis teres

-

Obs.: Algumas espécies encontram-se na lista das espécies ameaçadas de extinção do Rio Grande do Sul (EN – em perigo; VU – vulnerável).

1.7.4 Fauna Devido à ação antrópica em todas as áreas próximas ao local de estudo,

a diversidade e intensidade populacional dos diversos grupos da fauna silvestre

encontra-se bastante afetada e reduzida, de modo que encontramos, na sua maioria, espécies silvestres mais resistentes e mais adaptadas ao convívio com

a ação antrópica. Apesar deste quadro de impacto antrópico sobre a fauna, pode-se verificar que a área do Parque Municipal da Lagoa constitui-se num verdadeiro refúgio para várias espécies da fauna, que no local encontram predominantemente abrigo e alimentação. O inventário da fauna foi executado através de quatro saídas de campo semanais, com duração de quatro horas cada uma, ocorrendo regularmente durante quatro semanas, totalizando 64 horas de campo, sendo que em cada semana os turnos de execução das saídas foram executados de forma alternada para tentar observar os diversos hábitos de fotoperíodo da fauna local.

Segue abaixo uma caracterização dos diversos grupos da fauna silvestre encontrados na área do Parque Municipal da Lagoa.

19

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

1.7.4.1 Mamíferos

Em termos de mastofauna pode-se dizer que a área estudada apresenta incidência confirmada por visualização direta de Cavia aperea (preá), Didelphis albiventris (gambá-de-orelha-branca) e Myocastor coypus (ratão-do-banhado). Ocorre também, por visualização indireta (pegadas, tocas e fezes) a incidência de Hydrochaeris hydrochaeris (capivara). Porém, baseado em Silva (1994), pode-se citar como provável a ocorrência na área do Parque de Artibeus sp. (morcego-cara-branca), Cerdocyon thous (graxaim), Coendou villosus (ouriço), Galictis vittata (furão), Procyon cancrivorus (mão-pelada) e Noctilio sp.

(morcego-pescador). Cabe salientar que as espécies citadas como prováveis, são citadas como ocorrentes em áreas próximas a do Parque Municipal da Lagoa, bem como foram visualizadas por técnicos da SMMASB de Estrela em outras ocasiões, porém não foram visualizadas, nem direta, nem indiretamente na área do Parque, quando da execução do presente levantamento.

1.7.4.2 Aves

A avifauna é a mais rica dentre os demais grupos faunísticos. Tal grupo foi dividido na área de acordo com seu grau de freqüência, enquadrando-os em muito freqüentes, freqüentes, eventualmente avistados e de ocorrência presumida por revisão bibliográfica. As espécies muito freqüentes na área estudada são: Guira guira (anu- branco), Crotophaga ani (anu-preto), Pitangus sulphuratus (bem-te-vi), Columbina picui (rolinha-picui), Vanellus chilensis (quero-quero), Furnarius rufus (joão-de-barro). Sendo consideradas espécies freqüentes pode-se citar o Coragyps atratus (urubu-de-cabeça-preta), Cathartes aura (urubu-de-cabeça-vermelha), Buteo magnirostris (gavião-carijó), Milvago chimachima (gavião-carrapateiro), Hylocharis chrysura (beija-flor-dourado), Leucochloris albicollis (beija-flor-de- papo-branco), Ceryle torquata (martin-pescador-grande), Machetornis rixosus (suiriri-cavaleiro), Turdus rufiventris (sabiá-laranjeira), Coroeba flaveola (cambacica), Sporophila caerulescens (coleirinho), Sicalis flaveola (canário-da- terra), Troglodytes aedon (carruíra), Mimus saturninus (sabiá-do-campo) e Zonotrichia capensis (tico-tico). Deve-se citar ainda o Passer domesticus

20

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

(pardal), uma ave introduzida pelo homem, em todos os continentes, disputando intensamente o ambiente com espécies nativas (Belton,1994). As espécies eventualmente observadas na área são: Egretta thula (garça-branca-pequena), Casmerodius albus (garça-branca-grande), Phimosus infuscatus (maçarico-de-cara-pelada), Ortalis motmot (araquã), Polyborus plancus (carcará), Leptotila verreauxi (juriti-pupu), Piaya cayana (alma-de- gato), Speotyto cunicularia (coruja-do-campo), Colaptes campestris (pica-pau- do-campo), Synallaxis spixi (joão-tenenem), Muscivora tiranus (tesourinha), Megarhynchus pitangua (neinei), Molothrus bonariensis (vira-bosta), Tachycineta leucorrhoa (andorinha-de-testa-branca), Notiochelidon cyanoleuca (andorinha-pequena-de-casa), Turdus amaurochalinus (sabiá-poca), Molothrus badius (asa-de-telha), Thraupis sayaca (sanhaçu-cinzento), Parula pitiayumi (mariquita), Geothlypis aequinoctialis (pia-cobra), Coryphospingus cucullatus (tico-tico-rei), Euphonia violacae (gaturamo-verdadeiro), Tangara seledon (saíra-sete-cores) e Basileuterus culicivorus (pula-pula). Provavelmente se as atividades de campo tivessem uma duração próxima de um ano seriam encontradas mais espécies de aves, de modo que seguem listadas algumas espécies que, segundo Belton (1994), devem ocorrer na área estudada: Thamnophilus caerulescens (choca-da-mata), Thamnophilus ruficapilus (choca-boné-vermelho), Satrapa icterophrys (suiriri-pequeno), Todirostrum plumbeiceps (tororó), Sepophaga subcristata (alegrinho), Turdus nigriceps (sabiá-ferreiro), Anthus lutescens (caminheiro-zumbidor), Basileuterus leucoblepharus (pula-pula-assobiador), Thraupis bonariensis (sanhaçu-papa- laranja), Tachyphonus coronatus (tié-preto), Tyto alba (coruja-branca), Poospiza nigrorufa (quem-te-vestiu), Spinus magellanicus (pintassilgo), Embernagra platensis (sabiá-do-banhado) e Saltator similis (trinca-ferro). Cabe salientar ainda que inserida na área estudada encontra-se uma lagoa, que apresenta uma avifauna diferenciada em relação aos demais ecótonos do Parque Municipal da Lagoa, caracterizada pela presença de macrófitas aquáticas, que gera a presença de uma avifauna específica, especialmente pela presença constante de Jacana jacana (jaçanã) e Gallinula chloropus (galinhola). Um dos registros mais valiosos deste levantamento foram à visualização em duas ocasiões de Euphonia violacae (gaturamo-verdadeiro), e em um único momento de Tangara seledon (saíra-sete-cores), duas espécies de aves

21

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

presentes na lista das espécies da fauna ameaçadas de extinção do no Rio Grande do Sul (Marques et al., 2002). Ambas as espécies (Euphonia violacae e Tangara seledon), pertencentes à família Emberizidae, estão classificadas como espécies pertencentes ao grupo “vulnerável”, categoria de ameaça que inclui as espécies que não se encontram criticamente em perigo nem em perigo, mas corre um alto risco de extinção em médio prazo.

1.7.4.3 Répteis

Este grupo foi o de menor número de contatos visuais durante as atividades de campo, sendo que apenas dois exemplares de Tupinambis merianae (lagarto-teiú) foram verificados, não sendo avistado nenhum outro

réptil.

Todavia, de acordo com Borges (1999), estudos anteriores para o estado e região indicam a possível presença de Mastigodryas bifossatus (jararacuçu-do-brejo), Micrurus sp. (cobra-coral), Ophiodes striatus (cobra-de- vidro), Philodryas olfersii (cobra-verde), Spilotes pullatus (caninana) e Waglerophis merremii (boipeva).

1.7.4.4 Anfíbios

Os anfíbios são mais comuns, principalmente na área da lagoa, mas sendo avistados em todos os ecótonos, onde podemos observar basicamente a família Bufonidae, representada por exemplares de Bufo spp. (sapos) e pela família Hylidae, representadas por espécimes de Hyla spp. (pererecas).

1.7.4.5 Peixes

A ictiofauna representa, em boa parte um enigma para os pesquisadores da região, tendo em vista que não existem estudos atuais para a diversidade e dinâmica populacional da ictiofauna do rio Taquari e seus afluentes. Aonde foi possível obter informações, em termos de dados confiáveis, pode-se dizer que através de coletas e revisões bibliográficas existentes, foi possível estabelecer uma lista das principais espécies de peixes existentes no rio Taquari.

22

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

Tabela 5: Ictiofauna levantada e com distribuição prevista na literatura para o rioTaquari.

Família

Nome científico

Nome popular

Anostomidae

Leporinus obtusidens

piava

Auchenipteridae

Glanidium melanopterum

-

Callichthydae

Callichthys callichthys

tamboatá

Callichthyidae

Corydoras paleatus

limpa-fundo

Characidae

Astyanax alburnus

lambari

Characidae

Astyanax bimaculatus

lambari-de-rabo-amarelo

Characidae

Astyanax fasciatus

lambari-de-rabo-vermelho

Characidae

Astyanax spp.

lambari

Characidae

Bryconamericus iheringii

lambari-

Characidae

Diapoma speculiferum

lambari

Characidae

Hyphessobrycon luetkenii

lambari

Characidae

Oligosarcus jenynsii

tambicu

Characidae

Salminus brasiliensis

dourado

Cichlidae

Australoheros facetus

cará

Cichlidae

Crenicichla lepidota

joana

Cichlidae

Crenicichla punctata

joana

Cichlidae

Geophagus brasiliensis

cará

Cichlidae

Gymnogeophagus gymnogenys

cará

Cichlidae

Gymnogeophagus labiatus

cará

Crenichidae

Characidium pterostictum

canivete

Curimatidae

Cyphocharax voga

biru

Curimatidae

Steindachnerina biornata

biru

Cyprinidae

Ctenopharyngodon idella

carpa-capim

Cyprinidae

Cyprinus carpio

carpa-hungara

Cyprinidae

Hypophthalmichthys molitrix

carpa-prateada

Cyprinidae

Hypophthalmichthys nobilis

carpa-cabeça-grande

Erythrinidae

Hoplias malabaricus

traíra

Gymnotidae

Gymnotus carapo

tuvira

Heptapteridae

Heptapterus mustelinus

charutinho

Heptapteridae

Rhamdella eriarcha

mandi

Heptapteridae

Rhamdia sp.

jundiá

23

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

Loricariidae

Ancistrus brevipinnis

cascudo-de-espinhos

Loricariidae

Eurycheilichthys sp.

-

Loricariidae

Hemiancistrus punctulatus

cascudo-de-espinhos

Loricariidae

Hisonotus sp.

-

Loricariidae

Hypostomus aspilogaster

cascudo

Loricariidae

Hypostomus commersoni

cascudo

Loricariidae

Loricariichthys anus

viola

Loricariidae

Rineloricaria cadeae

viola

Loricariidae

Rineloricaria strigilata

viola

Pimelodidae

Parapimelodus nigribarbis

mandi

Pimelodidae

Pimelodus maculatus

pintado

Sternopygidae

Eigenmannia trilineata

-

Synbranchidae

Synbranchus marmoratus

muçum

Cabe salientar ainda que após a construção da barragem da eclusa de Bom Retiro do Sul ocorreu uma grande alteração no ambiente fluvial, gerando profundas modificações na dinâmica populacional da ictiofauna regional atingida pela alteração do nível da água, sendo que o trecho estudado do rio Taquari apresenta características diferentes do rio original, que passou de rio de corredeira a um rio navegável, com ambiente lêntico. Apesar deste quadro de degradação, não existem estudos detalhados da ictiofauna do rio Taquari, muito menos dados confiáveis referentes à composição da ictiofauna existente no período anterior ao da construção da eclusa de Bom Retiro do Sul, tornando inviável uma maior delimitação da biodiversidade deste importante grupo faunístico.

1.8 Caracterização da Área do Entorno e Possibilidades de Conectividade O Parque Municipal da Lagoa está localizado em uma zona de transição entre área urbana e rural, junto ao rio Taquari. Próximo ao Parque, na parte norte e leste localizam-se áreas mais urbanizadas. A oeste localiza-se o rio Taquari e na margem oposta o município de Cruzeiro do Sul. Ao sul há uma propriedade rural cuja área é utilizada como pastagem para bovinos, sendo que parte da lagoa pertence a esta e sofre com os impactos negativos causados pelos bovinos, entre eles erosão e impedimento da regeneração da mata ciliar.

24

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

A principal forma de conectividade entre o Parque e outras áreas preservadas é através de um corredor ecológico formado pela mata ciliar do rio Taquari, que tende a aumentar devido ao programa denominado “Corredor Ecológico do Rio Taquari”. A partir desse programa, que está sendo implantado em todos os municípios banhados pelo rio Taquari, a mata ciliar será recuperada e mantida, possibilitando que ocorra um fluxo gênico da fauna e

flora entre diferentes fragmentos florestais, o que é de grande importância para

a manutenção da diversidade genética.

2. PLANEJAMENTO 2.1 Objetivos Os objetivos gerais de uma Unidade de Conservação são dados pela

legislação. A Lei 9.985/2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação determina que os Parques Nacionais, Estaduais e Naturais têm os seguintes objetivos gerais:

- Preservar os ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica;

- Realizar ou estar disponível às pesquisas científicas;

- Desenvolver atividades de educação e interpretação ambiental;

- Permitir a recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.

Os objetivos específicos do Parque Municipal da Lagoa são os seguintes:

- Conservar a biodiversidade local;

- Conservar os recursos hídricos através da proteção e recuperação da mata

ciliar e através do tratamento do esgoto que chega à lagoa e ao rio Taquari;

- Preservar a área de mata existente;

- Recuperar e conservar a área da margem do rio Taquari que se encontra em estado erosivo crítico;

- Recuperar a área de um antigo “lixão” que foi aterrado;

- Tornar a área um refúgio para a fauna local, propiciando condições para que muitas espécies de animais possam se reproduzir;

- Diminuir os efeitos negativos das enchentes sobre a área do Parque e arredores;

25

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

- Estabelecer atividades de pesquisa e monitoramento, principalmente relacionadas à recuperação de áreas degradadas, conhecimento que poderá ser usado para recuperação de outras áreas críticas na própria Bacia Hidrográfica do Rio Taquari; - Promover o desenvolvimento de atividades ligadas à educação ambiental.

2.2 Zoneamento O zoneamento é uma técnica de ordenamento territorial, usada para atingir melhores resultados no manejo de uma UC, pois estabelece usos diferenciados para cada espaço, segundo seus objetivos, potencialidades e características encontradas no local. Identificando e agrupando áreas com as qualificações citadas, elas vão constituir zonas específicas, que terão normas próprias. Dessa forma, o zoneamento torna-se uma ferramenta que vai contribuir para uma maior efetividade na gestão da UC (IBAMA, 2004). O Parque Municipal da Lagoa, diferentemente de outras unidades de conservação, não possui nenhuma área com grande diversidade biológica e que esteja bastante conservada. Nesse sentido, o seu zoneamento não incluirá nenhuma zona intangível, apenas áreas de maior ou menor restrição quanto ao seu uso. Por outro lado, existem áreas próximas a recursos hídricos, degradados ou não, que merecem atenção especial. Assim, a área do Parque Municipal da Lagoa foi dividida em três zonas (Fig. 6).

Municipal da Lagoa foi dividida em três zonas ( Fig. 6 ). Figura 6: Zoneamento do

Figura 6: Zoneamento do Parque Municipal da Lagoa, Estrela-RS.

26

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

2.2.1

Zona de Proteção

É aquela que contém áreas naturais ou que tenham recebido grau

mínimo de intervenção humana, onde podem ocorrer pesquisa, estudos, monitoramento, proteção, fiscalização e formas de visitação de baixo impacto (também chamada visitação de forma primitiva). Será permitida nessa zona a

colocação de infra-estrutura, desde que estritamente voltada para o controle e

a fiscalização (IBAMA, 2004). Descrição: compreende a área de mata secundária localizada na parte sudeste do Parque, a lagoa e toda faixa de mata ciliar no seu entorno, que corresponde a aproximadamente 15 metros de largura. Os dois córregos que desembocam na lagoa localizam-se no interior dessa zona. Normas:

- A circulação de pessoas estará restrita à fiscalização, pesquisa,

monitoramento ambiental e eventualmente a trilhas de interpretação ambiental, regradas por normas da SMMASB;

- A abertura de trilhas deverá restringir-se ao mínimo possível e só será

permitida quando necessária à fiscalização, à pesquisa ou às atividades de uso público previamente definido e avaliado;

- O uso público deverá ser sempre em baixos níveis de intensidade e restrito a pequenos grupos, acompanhados por um guia autorizado pela SMMASB;

- Deverá ser feito o manejo das espécies exóticas invasoras, de acordo com o “Programa de Manejo Ambiental”;

- Deverá ser feito o tratamento dos efluentes que chegam à lagoa e ao rio

Taquari através de um dos córregos, de acordo com o “Plano de Tratamento de

Efluentes”.

2.2.2 Zona de Visitação

É aquela constituída de áreas naturais, permitindo alguma forma de

alteração humana. Destina-se à conservação e às atividades de visitação. Deve conter potencialidades, atrativos e outros atributos que justifiquem a visitação. As atividades abrangem educação e conscientização ambiental, turismo científico, ecoturismo, recreação, interpretação, lazer e outros. Esta

zona permite a instalação de infra-estrutura e equipamentos, para os quais se

27

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

devem buscar adotar alternativas e tecnologias de baixo impacto ambiental (IBAMA, 2004).

Descrição: esta zona está distribuída na parte norte do Parque, se estendendo desde o final da Rua Geraldo Pereira até a beira do rio Taquari. Normas:

- Nessa zona será permitido o acesso de pessoas sem agendamento e desacompanhados de funcionários, guias ou monitores locais, desde que respeitem as Regras Gerais do Parque;

- Fica proibido pescar, caçar, fumar, acessar a área com animais domésticos ou qualquer tipo de veículo;

- A entrada de veículos só será permitida se relacionada com atividades ligadas ao parque ou outras atividades previamente autorizadas pela SMMASB;

- Está prevista para essa área a instalação de uma rampa de acesso ao rio, a qual ajudará na contenção do talude e servirá para que as embarcações do Projeto Navegar possam chegar até o rio;

- Será permitido e incentivado o manejo induzido através de obras de

bioengenharia na tentativa de estabilização do talude e recuperação da mata ciliar no local. O projeto de recuperação deste local é apresentado no “Programa de Manejo Ambiental”;

- Deverá existir sinalização em forma de placas indicativas distribuídas pelo local, indicando o que é permitido ou proibido, ou ainda apenas placas informativas;

- Os entulhos depositados no local deverão ser removidos para facilitar a

regeneração natural da vegetação;

- Deverá ser feito o manejo das espécies exóticas invasoras, de acordo com o “Programa de Manejo Ambiental”.

2.2.3 Zona de Recuperação Possui áreas com significativo grau de alteração, a critério da visão do planejamento. Nesse caso, o plano de manejo definirá ações de recuperação. A recuperação poderá ser espontânea (deixada ao acaso) ou induzida, feita a partir da indicação de pesquisas e estudos orientados. Esta zona permite visitação, desde que as atividades não comprometam a sua recuperação. Ela é temporária, pois, uma vez recuperada, deve ser reclassificada como permanente (IBAMA, 2004).

28

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

Esta zona foi dividida e reclassificada em duas, para melhor determinar as atividades de manejo que cada uma necessita:

2.2.3.1 Zona de Recuperação Intensiva

Compreende a faixa de terra com largura variando entre 20 e 35 metros aproximadamente que se localiza entre o rio Taquari e a lagoa. Essa zona tem uma importância ambiental muito grande, porém é a mais crítica em termos de conservação e ao mesmo tempo a mais vulnerável. Normas:

- Será permitido e incentivado o manejo induzido através de obras de bioengenharia na tentativa de estabilização do talude e recuperação da mata ciliar no local. O projeto de recuperação deste local é apresentado no “Programa de Manejo Ambiental”;

- Para realizar qualquer obra deverá ser apresentado projeto específico;

- O acesso ficará restrito à fiscalização, monitoramento e pesquisa científica;

- Deverão ser incentivadas as atividades de pesquisa científica relacionadas à recuperação e reestruturação de taludes e mata ciliar;

- Deverá ser feito o manejo das espécies exóticas invasoras, de acordo com o “Programa de Manejo Ambiental”.

2.2.3.2 Zona de Recuperação Natural

Localiza-se na parte nordeste do Parque, correspondendo à área aterrada que anteriormente portava um lixão. É a zona destinada à recuperação natural espontânea ou induzida. Normas:

- A recuperação da área poderá ser acelerada por técnicas de nucleação e/ou pelo plantio de mudas de espécies nativas, conforme necessidade;

- Poderá ser instalada infra-estrutura necessária para recreação e educação ligadas ao meio ambiente;

- Os entulhos depositados no local deverão ser removidos para facilitar a

regeneração natural da vegetação;

- Deverá ser feito o manejo das espécies exóticas invasoras, de acordo com o “Programa de Manejo Ambiental”.

29

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

3. PROGRAMAS DE MANEJO Os programas de manejo permitem definir ações que visem principalmente assegurar a proteção do Parque, bem como orientar seu uso. As ações de manejo do Parque Municipal da Lagoa estão organizadas em quatro programas básicos.

3.1 Programa de Manejo Ambiental Objetivo: visa o manejo e proteção do meio ambiente da UC, de forma a garantir a evolução natural dos ecossistemas, permitindo o enriquecimento da biodiversidade. Visa também, quando necessário, intervenções no ambiente, corrigindo algumas ações praticadas no passado e facilitando a restauração das condições originais. Este programa está subdividido em: subprograma de manejo das espécies exóticas invasoras, subprograma de recuperação do talude do rio Taquari (“Zona de Recuperação Intensiva”), subprograma de manejo da “Zona de Recuperação Natural”, subprograma de proteção.

3.1.1 Subprograma de manejo das espécies exóticas invasoras Para fins previstos nesse Plano de Manejo, entende-se por “espécies exóticas” aquelas que não são nativas da região e que foram introduzidas por ações direta ou indiretamente relacionadas ao homem. Também podem ser conhecidas como não autóctones. As espécies exóticas invasoras normalmente possuem alto poder reprodutivo e de crescimento, ocupando

rapidamente o espaço de espécies nativas, podendo até mesmo provocar a extinção local. As espécies invasoras são consideradas a segunda maior causa de perda da biodiversidade mundial. As árvores de espécies exóticas invasoras mais comuns no Parque Municipal da Lagoa são:

Acacia mearnsii (acácia-negra);

Cinnamomum zeylanicum (canela-cheirosa);

Melia zedarach (cinamomo);

Eucaliptus sp. (eucalipto);

Pinus elliotis (pinus);

Ligustrum japonicum (sempre-verde);

Hovenia dulcis (uva-japonesa).

30

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

Diretrizes e recomendações:

- Remoção das espécies exóticas da área do Parque Municipal da Lagoa;

- O Ligustrum japonicum (sempre-verde) é a espécie exótica mais difundida no Parque, por isso deve-se dar prioridade para removê-la da área;

- As árvores de espécies exóticas que se encontram formando agrupamentos

praticamente homogêneos em meio a áreas abertas ou isoladas devem ser suprimidas primeiro, assim como aquelas que, estando em qualquer parte, tiverem diâmetro menor que 10 cm. Esse trabalho deverá ser efetuado por pessoas habilitadas, instituídas pela SMMASB, que deverá conduzir os trabalhos de modo a minimizar os impactos causados pela remoção;

- As árvores de espécies exóticas de maior porte poderão ser removidas, se

houver possibilidade de fazê-lo sem prejudicar a vegetação nativa, ou deverão ser aneladas, para que não continuem a disseminação. A árvore morta por anelamento poderá servir ainda como poleiro para a avifauna, o que faz aumentar a regeneração natural no entorno da antiga árvore, sendo considerada uma técnica de nucleação bastante eficiente; - Na área de entorno do Parque as espécies de árvores exóticas invasoras deverão ser suprimidas quando possível pela SMMASB, evitando assim a dispersão de propágulos dessas espécies para a área do Parque e áreas adjacentes; - Os moradores do entorno deverão ser orientados pela SMMASB a não plantarem mudas exóticas invasoras no passeio público;

- O monitoramento ambiental deverá avaliar o impacto causado pela remoção das espécies exóticas.

3.1.2 Subprograma de recuperação do talude do rio Taquari O Subprograma de recuperação do talude do rio Taquari envolve um projeto denominado “Projeto de Recuperação de Ambiente Ripário” envolvendo um detalhado plano de recuperação deste ambiente, de uma parcela do rio Taquari, de modo a apresentar uma alternativa adequada para a recuperação desta área ciliar. As informações contidas neste projeto têm o intuito de executar a recuperação de um ambiente ripário através da introdução de exemplares

31

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

vegetais e obras de Engenharia e Bioengenharia adequada ao ambiente em

estudo, sendo que este projeto está anexo a este Plano de Manejo.

Estas intervenções fazem parte do “Projeto Corredor Ecológico do Rio

Taquari”, através do qual o município vem a atender ao Termo de Ajustamento

de Conduta firmado com o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul,

Comarca de Estrela, no qual foi acordada a execução destas obras de

recuperação, sendo que, em função da disponibilidade de recursos as obras de

engenharia ficarão restritas aos primeiros sessenta metros da área.

Um dos pontos mais importantes deste projeto reside no fato de que

serão utilizadas técnicas inovadoras no Brasil, através de processos de

bioengenharia de solos, técnicas (biotécnicas) em que plantas, ou partes

destas, são utilizadas como material vivo de construção. Sozinhas, ou

combinadas com materiais inertes, tais plantas devem proporcionar

estabilidade às áreas em tratamento.

Bioengenharia de solos corresponde à área da ciência que se ocupa

com a perenização de cursos de água e estabilização de encostas, bem como

o tratamento de voçorocas e erosão do solo, através do emprego de material

vegetal vivo combinado com estruturas inertes como madeira, pedra,

geotexteis e estruturas metálicas.

3.1.2.1 Roteiro simplificado da obra do Parque Municipal da

Lagoa Fase I: Isolamento do local e execução de obras de engenharia

1ª Ação - Construção de Molhes (9 m x 4 m) de largura na porção plana

superior, declividade média de 45º até o leito do rio. Volume de 450m 3 de

pedras de grande tamanho para formar cada “molhe”. Serão construídos três

molhes, totalizando cerca de 1.250 m 3 de pedras.

Após a colocação do material rochoso será infiltrado no molhe uma

pequena quantidade, de concreto de secagem rápida, porém executado de

modo que o concreto não se torne visível na superfície do molhe.

2ª Ação - Serão implantados nos molhes, estacas vivas de diferentes

espécies.

3ª Ação - Será corrigida a declividade do talude na área a ser

recuperada através da instalação de obras de bioengenharia, na forma de

“Parede Krainer dupla”, nos trechos entre os “molhes” construídos na etapa “1”.

32

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

4ª Ação - Será corrigida a declividade remanescente do talude, através do “chanframento” do terreno de modo a aproximar a declividade do ângulo de

45º.

Fase II: Introdução de espécies de aráceas As espécies a serem introduzidas desempenham um importante papel na proteção do solo frente aos agentes erosivos e pertencem as seguintes espécies:

- Philodendron spp. (inhame e costela-de-adão). Fase III: Introdução de espécies arbóreas pioneiras e secundárias nativas

Nome popular

Nome científico

Quantidade

Araçá-amarelo

Psidium cattleianum

30

Ariticum

Rollinia sylvatica

30

Aroeira-vermelha

Schinus terebinthifolius

30

Branquilho

Sebastiania commersoniana

30

Cabreúva

Myrocarpus frondosus

30

Camboatá-branco

Matayba elaeagnoides

30

Camboatá-vermelho

Cupania vernalis

30

Cerejeira

Eugenia involucrata

30

Chá-de-bugre

Casearia sylvestris

30

Chal-chal

Allophyllus edulis

30

Cocão

Erythroxylum argentinum

30

Ingá-banana

Inga uruguensis

30

Farinha-seca

Machaerium stipitatum

30

Guajuvira

Patagonula americana

30

Grandiúva

Trema micrantha

30

Jerivá

Syagrus romanzoffiana

30

Leiteiro

Sapium glandulatum

30

Louro

Cordia trichotoma

30

Mamica-de-cadela

Zanthoxilum rhoifolium

30

Pitangueira

Eugenia uniflora

30

Umbú

Phytolacca dioica

30

Uvaia

Eugenia pyriformis

30

Total 660 mudas

Fase IV: Introdução de espécies arbóreas tardias nativas

Nome Popular

Nome Científico

Quantidade

Canela-ferrugem

Nectandra mollis Cabralea canjerana Jacaranda micrantha Cedrela fissilis Erythrina falcata Ficus enormis Campomanesia xanthocarpa Vitex megapotamica

30

Canjerana

30

Caroba

30

Cedro

30

Corticeira-da-serra

30

Figueira-do-mato

30

Guabirobeira

30

Tarumã

30

Total 240 mudas

Cronograma e monitoramento dos resultados

 

Março á

Abril á

Maio á

Maio á

Até

ATIVIDADE

Abril 2010

Agosto

Agosto

Agosto

Agosto

 

2010

2011

2013

de 2016

Isolamento da área

X

Obras de engenharia

X

Obras de

bioengenharia

X

Plantio das aráceas

X

X

Plantio das pioneiras e secundárias

X

Replantio das pioneiras e secundárias

X

Plantio das tardias

X

Controle de pragas

X

X

X

X

X

3.1.3 Subprograma de manejo da Zona de Recuperação Natural - Qualquer tipo de entulho, lixo ou material de construção presente no local deverá ser removido para outra área fora do Parque Municipal da Lagoa; - A recomposição do ambiente deverá ser natural ou naturalmente induzida através do plantio de mudas;

34

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

- Nos locais onde não existem mudas plantadas deverão ser feitos novos plantios;

- O plantio deverá ser feito preferencialmente com espécies nativas pioneiras encontradas no levantamento florístico deste plano de manejo;

- A regeneração natural deverá ser acelerada através de técnicas de

nucleação, como: poleiros naturais e artificiais, colocação de fios entre uma

árvore e outra, amontoamento de galhos, transposição de solo com propágulos, etc.;

- Alguns exemplares de espécies de árvores exóticas localizadas nesta zona deverão ser anelados para formarem poleiros naturais;

- O monitoramento ambiental deverá avaliar a regeneração da vegetação na área em questão.

3.1.4 Subprograma de proteção

- A proteção deverá ser incentivada, de forma que todos a promovam, através

da educação ambiental;

- O “Projeto Navegar”, além de formar atletas, deverá ajudar a formar cidadãos comprometidos com o meio ambiente e que ajudem a proteger o Parque Municipal da Lagoa;

- A fiscalização deverá ser compartilhada entre todos os interessados e em

especial com órgãos oficiais, sendo de grande importância que sejam firmados

termos de cooperação entre a Prefeitura e outras esferas de poder;

- A SMMASB tem o poder de autuar e notificar sempre que flagrarem pessoas

infringindo as leis ambientais ou as normas do Parque;

- O Parque deverá ser todo cercado para delimitação do mesmo e para evitar a entrada de animais domésticos – como bovinos e eqüinos –, de veículos e coibindo também a entrada de pessoas não autorizadas nas zonas não permitidas do Parque;

- Os animais domésticos encontrados no Parque deverão ser recolhidos pela SMMASB;

- Deverá ser uma prioridade na SMMASB informar os cidadãos de seus

deveres e direitos, principalmente àqueles que moram em locais próximos a Unidade de Conservação, que deverão estar à disposição do público, além de

fazerem parte de ações de educação ambiental com os moradores do entorno;

35

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

- Nas duas entradas do Parque e nas trilhas deverão existir placas informativas nas quais deverão estar descritos os principais regramentos do Parque e da legislação;

- Torres de observação deverão ser instaladas em pontos estratégicos para que seja possível avistar pontos estratégicos do Parque;

- Os demais setores públicos deverão ter acesso às informações contidas

nesse plano de manejo para que sejam levadas em consideração quando houverem ações ou pedidos de implantação de atividades impactantes na área do Parque ou em seu entorno.

3.2 Programa de Expansão da Área do Parque Municipal da Lagoa O Vale do Taquari é conhecido por possuir solos ricos, excelentes para a prática da agricultura. No município de Estrela, principalmente nos locais mais próximos ao rio Taquari, localiza-se as áreas com solos mais férteis. Isso fez com que a maior parte da mata ciliar deste rio no município fosse descaracterizada, dando lugar às plantações e pastagens. Nas propriedades próximas ao Parque, a mata ciliar foi descaracterizada não só pelos produtores locais, mas pela grande influência da construção da eclusa de Bom Retiro do Sul, que subiu o nível da água, deixando grande parte da mata ciliar original embaixo d’água. A partir daí, os processos erosivos foram aumentando, mesmo em locais com mata ciliar relativamente bem preservada, mas especialmente nos locais em que não havia mais vegetação. As enchentes, cada vez mais freqüentes, vêm aumentando a erosão, especialmente nas propriedades mais próximas ao Parque localizadas ao sul do mesmo. É de extrema importância que se avalie incluir algumas destas propriedades como sugestão de ampliação do Parque Municipal da Lagoa. Não somente ajudaria na diminuição dos processos erosivos, como também possibilitaria que muitos outros animais que precisam de áreas maiores para sobreviver, como alguns mamíferos, pudessem utilizar a área como refúgio e local para alimentação e reprodução. Na figura 7, está localizada a área que futuramente poderá vir a fazer parte do Parque Municipal da Lagoa. Seria uma área com um custo relativamente baixo de desapropriação por se tratar de área inundável e que não inclui nenhuma moradia. Outra vantagem é que nenhum produtor precisaria ser remanejado para outro local do município.

36

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

Figura 7: Sugestão para expansão da área do Parque Municipal da Lagoa, Estrela-RS. 3.3 Programa

Figura 7: Sugestão para expansão da área do Parque Municipal da Lagoa, Estrela-RS.

3.3 Programa de Uso Público Objetivo: ordenar, orientar e direcionar o uso do Parque pelo público, promovendo o conhecimento do meio ambiente como um todo. Este programa prevê ações no que diz respeito ao atendimento do visitante, e está subdividida em recreação, interpretação ambiental e educação ambiental.

37

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

O objetivo principal do Parque Natural, segundo determinações da Lei Federal n° 9.985/2000 é a “preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica”, porém o uso público é permitido e interessante para a manutenção da Unidade de Conservação, pois a contemplação leva as pessoas a entender o grande valor da preservação. Entretanto, a simples presença humana altera o ambiente e em alguns locais é importante que os seres possam estar afastados desse impacto, logo a visitação deve ser regrada.

3.3.1 Subprograma de recreação

Objetivo: equilibrar o uso tradicionalmente dado à área e a preservação do meio ambiente, para isso as ações de educação ambiental devem sempre estar presentes, seja através de ações presenciais ou em forma de placas informativas. Diretrizes e recomendações:

- Os visitantes terão livre acesso à Zona de Visitação. Eles poderão transitar sozinhos ou em pequenos grupos, sem o acompanhamento de funcionários da SMMASB, desde que respeitadas às regras do Parque e a legislação ambiental;

- A entrada de veículos só será permitida se relacionada com atividades ligadas ao Parque ou outras atividades previamente autorizadas pela SMMASB;

- Fica proibida a entrada de animais domésticos (cães, gatos, cavalos, etc.) em qualquer área do Parque;

- Será permitida a entrada de ciclistas na Zona de Visitação, desde que estes mantenham uma velocidade mínima possível, evitando assim, acidentes com a fauna ou com outros visitantes;

- Será proibida a circulação de pessoas nas outras áreas do Parque (Zonas de Recuperação e Zona de Proteção), com exceção àquelas autorizadas pela SMMASB, como fiscalização, pesquisa e monitoramento.

3.3.2 Subprograma de interpretação e educação ambiental

Objetivo: visa à interação com o ambiente natural e sua compreensão, promovendo ações de proteção e preservação.

Diretrizes e recomendações:

38

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

- A educação ambiental deverá estar presente todo o tempo, por meio de

sinalização e pela comunicação entre a comunidade e os educadores

ambientais da SMMASB, podendo ser realizada através de palestras e

visitação orientada para pequenos grupos mediante agendamento;

- O agendamento para as visitas orientadas deverá ser feito por telefone ou

pessoalmente na SMMASB;

- As trilhas interpretativas poderão ocorrer em todas as zonas do Parque, com

exceção da Zona de Recuperação Intensiva, até que esta esteja mais

recuperada e que não apresente riscos a integridade física dos visitantes, já

que esta possui áreas com erosão acentuada;

- Os grupos agendados não deverão ultrapassar o número de 20 pessoas,

sendo o número ideal 10 pessoas. Os grupos maiores poderão ser divididos

em até três subgrupos, se houver disponibilidade de funcionários, monitores ou

guias para acompanhá-los;

- Grupos com mais de 20 pessoas que não puderem ser divididos apenas

poderão circular na Zona de Visitação;

- O monitoramento do impacto causado pelos visitantes poderá modificar o

limite de pessoas por grupo e a freqüência das visitações.

3.4 Programa de Tratamento de Efluentes

Objetivo: melhorar a qualidade dos recursos hídricos do Parque

Municipal da Lagoa.

Diretrizes e recomendações:

- Deverá ser apresentado projeto de tratamento dos efluentes no prazo de até

180 dias após data da criação do Plano Ambiental.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BELTON, W. 1994. Aves do Rio Grande do Sul: Distribuição e biologia.

Editora Unisinos. São Leopoldo. 584 p.

BORGES, R. C. 1999. Serpentes peçonhentas brasileiras. Manual de

identificação, prevenção e procedimentos em caso de acidentes. 1ª edição.

São Paulo-SP: Editora Atheneu.

39

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

BRASIL. Lei Federal nº. 9.985, de 18 de julho de 2000. Regulamenta o art. 225, § 1 o , incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasil, DF, 18 jul. 2000. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9985.htm> Acesso em: 06 jan.

2011.

BRASIL. Lei Federal nº. 11.428, de 22 de dezembro de 2006. Dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica, e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasil, DF, 22 dez. 2006. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2006/lei/l11428.htm> Acesso em: 03 jun. 2010.

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Geologia, Geomorfologia, Pedologia, Vegetação, Uso Potencial da Terra. Folha SH. 22 Porto Alegre e Parte das Folhas SH 21, Uruguaiana e SI 22. Rio de Janeiro:

IBGE, 1986. 796 p. (Levantamento de Recursos Naturais, 33).

FERREIRA, L. M., CASTRO, R. G. S. & CARVALHO, S. H. C. 2004. Roteiro metodológico para elaboração de plano de manejo para reservas particulares do patrimônio natural. IBAMA. Brasília. 96 p.

MALUF, J. R. T. et al. 1994. Macrozoneamento Agroecológico do Estado do Rio Grande do Sul. Estado do Rio Grande do Sul, Secretaria da Agricultura e Abastecimento, Centro Nacional da Pesquisa do Trigo. Porto Alegre.

MARQUES, A. A. B.; FONTANA, C. S.; VÉLEZ, E.; BENCKE, G. A.; SCHNEIDER, M. & DOS REIS, R. E. 2002. Lista das espécies da fauna ameçadas de extinção no Rio Grande do Sul. Decreto nº 41.672, de 11 de junho de 2002.

MORENO, J. A. 1961. Clima do Rio Grande do Sul. Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul. Porto Alegre.

40

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

RIO GRANDE DO SUL. 2002. Governo do Estado. Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Inventário Florestal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre:

FATEC/SEMA.

SILVA, F. 1994. Mamíferos Silvestres do Rio Grande do Sul. Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre. 2ª ed. 246 p.

TEIXEIRA, M. B.; NETTO, A. B. C. Levantamento de Recursos Naturais.

Folha SH. 22 Porto Alegre. Projeto RADAMBRASIL. IBGE: Rio de Janeiro. 796

p.

5. BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS BACKES, P. & IRGANG, B. 2002. Árvores do Sul: Guia de Identificação e Interesse Ecológico. 1ª edição. Editora Paisagem do Sul. 325 p.

BACKES, A. & NARDINO, M. 2003. Árvores, arbustos e algumas lianas nativas no Rio Grande do Sul. 2ª edição. Editora Unisinos. São Leopoldo. 213 p.

BELTON, W. 1994. Aves do Rio Grande do Sul: Distribuição e biologia. Editora Unisinos. São Leopoldo. 584 p.

COPESUL - FZB. 2000. Guia Ilustrado de Fauna e Flora. 6ª edição. Editora Pallotti. Porto Alegre. 209 p.

GLUFKE, C. 1999. Espécies florestais recomendadas para recuperação de áreas degradadas. Porto Alegre: FZB. Jardim Botânico. 48 p. il.

KOCH, W. R.; MILANI, P. C.; GROSSER, K. M. 2000. Guia Ilustrado; peixes Parque Delta do Jacuí. Porto Alegre: Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. 91 p. il.

LORENZI, H. 1998. Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Vol. 2. 2ª edição, Instituto Plantarum. Nova Odessa, São Paulo. 352 p.

41

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

LORENZI, H. 2000. Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Vol. 1. 3ª edição, Instituto Plantarum. Nova Odessa, São Paulo. 352 p.

MARQUES, O. A. V.; ETEROVIC, A.; SAZIMA, I. 2001. Serpentes da Mata Atlântica. Guia ilustrado para a Serra do Mar. Ribeirão Preto: Holos. 184 p.

NAROSKY, T. & YZURIETA, D. 2003. Guía para la Identificación de las Aves de Argentina y Uruguay. Edición de Oro. Vázquez Mazzini Editores. Buenos Aires. 348 p.

RODRIGUES, R. R. & GANDOLFI, S. 2000. Conceitos, Tendências e Ações para a recuperação de Florestas Ciliares. In: Matas Ciliares: conservação e recuperação. Editora da Universidade de São Paulo – Fapesp. São Paulo. p. 235 – 248. 320 p.

SOBRAL, M. 2003. Á família Myrtaceae no Rio Grande do Sul. Editora Unisinos. São Leopoldo. 215 p.

SOBRAL, M. & JARENKOW, J. A. 2006. Flora Arbórea e Arborescente do Rio Grande do Sul, Brasil. 1ª edição. Editora Novo Ambiente. Porto Alegre. 350 p.

SUTILI, F. J. 2009. Bioengenharia de Solos. Técnicas de Bioengenharia.

<http://bioengenhariadesolos.blogspot.com, acessado em 19 de fevereiro de

2010.

6. SITES CONSULTADOS

http://www.biodiversidade.rs.gov.br/portal/index.php?acao=secoes_portal&id=2

6&submenu=14, acessado no dia 12 de fevereiro de 2010.

http://www.cobrasbrasileiras.com.br/serpentes_classificacao.html, acessado no dia 26 de março de 2011.

42

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa

http://www.fishbase.org/search.php, acessado no dia 11 de março de 2011.

http://www.institutohorus.org.br/, acessado no dia 18 de fevereiro de 2011.

http://www.seplag.rs.gov.br/atlas/atlas.asp?menu=591, acessado no dia 12 de fevereiro de 2010.

http://www6.ufrgs.br/fitoecologia/florars/index.php, acessado no dia 12 de fevereiro de 2010.

http://www.wikiaves.com.br/buscasimples.php?tm=s, acessado no dia 16 de fevereiro de 2010.

43

Plano de Manejo do Parque Municipal da Lagoa