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POR SOFIA MOUTINHO | CIÊNCIA HOJE/RJ

// DIAGNÓSTICO MÓVEL
Faz tempo que o celular deixou de ser só um telefone. Graças a pesquisadores das universidades federais do Rio Grande do Sul (UFGRS) e Fluminense (UFF) e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), o aparelho também vai se tornar uma ferramenta para o diagnóstico da catarata, doença oftalmológica que mais causa cegueira no mundo. Os cientistas trabalham no desenvolvimento do Catra, aplicativo para celulares do tipo smartphone, que, usado junto com uma lente especial acoplada à tela do aparelho, detecta a doença em minutos, mesmo em seu estágio inicial. O teste é simples. O usuário deve olhar através da lente e se concentrar em um ponto verde que aparece na tela. Se o ponto parecer borrado ou intermitente pode ser sinal da doença. A pessoa com visão sadia enxerga o
FOTO MEDIALAB

ponto nitidamente, pois a luz emitida pela tela do celular não sofre desvios. No olho com a catarata, os raios de luz têm seu percurso alterado ao passar pelas lesões provocadas pela doença. Para confirmar o diagnóstico, o ponto luminoso aparece mais de uma vez em diferentes posições na tela e o usuário deve responder aos comandos pedidos pelo programa pressionando certas teclas do celular. Ao final do exame, o aplicativo gera um mapa do olho que identifica o arranjo e o tamanho das possíveis lesões provocadas pela catarata. “Uma das ideias é levar o diagnóstico para comunidades carentes e locais onde não há oftalmologistas disponíveis”, conta um dos criadores do dispositivo, Vitor Pamplona, doutorando de Ciências da Computação na UFRGS. O aplicativo já pode ser baixado para o celular pela loja da Apple, mas a lente necessária para o exame ainda não é comercializada. Os pesquisadores já estão atrás de parcerias para criar uma empresa que venda o produto, que será bem mais barato do que os aparelhos tradicionalmente usados em consultórios médicos.

FOTO ERICK PASSOS

// PENEIRA CELESTE
Os caçadores de cometas ganharam uma nova ferramenta. O físico e astrônomo amador Paulo Holvorcem, que já descobriu mais de 400 asteroides e um cometa, desenvolveu o SkySift, programa de computador que funciona como uma peneira que extrai a imagem desses astros do meio dos outros objetos do céu. O programa reconhece as imagens captadas por telescópio e, por meio de um algoritmo de subtração, apaga os pontos brilhantes fixos, como estrelas e galáxias, deixando apenas as imagens dos astros que se movem mais, como os cometas e asteroides. O SkySift foi desenvolvido para observação de regiões do céu próximas à Via Láctea, sobretudo na constelação de Sagitário e Escorpião, onde há grande densidade de estrelas cuja luz ofusca os asteroides e cometas. “Os observadores de estrelas costumam dizer que os asteroides são as pragas do céu, porque estão sempre passando na frente na observação deles, mas, para nós, caçadores de cometas, é o contrário: são as estrelas que atrapalham”, diz Holvorcem. Programas para esse tipo de observação costumam ser restritos aos projetos de grandes observatórios e instituições. O SkySift ainda não está à venda, mas poderá ser usado por qualquer um que tenha um computador comum e um telescópio popular com câmera fotográfica.
NASA

// Medida precisa
Quem é que nunca precisou medir alguma distância ou objeto, mas estava sem régua à mão? Pensando nisso, o estudante de engenharia da computação Victor Cesco, da Universidade de Taubaté (Unitau), criou um aplicativo que mede a altura e a distância de um objeto em relação a outro por meio da câmera do iPhone. O usuário só precisa inserir a própria altura no programa e apontar o celular para o objeto que deseja medir. Simples assim!

// Impressora em braile
Alunos do Instituto de Ensino Superior de Brasília (IESB) apostaram na reciclagem para criar uma impressora capaz de imprimir em braile a baixo custo. Eles substituíram o cartucho de tinta de uma velha impressora comum por um solenoide, espécie de canhão de prego que perfura o papel formando os pontinhos característicos do braile. Além de promover uma reforma física da máquina, foi preciso desenvolver um sistema de informática que fizesse a comunicação da impressora com o computador. Agora, os alunos tentam construir mais impressoras como essa.

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