GLOSSÁRIO
TÊXTIL
GUIA PRÁTICO DE TECIDOS
PARA ESTUDANTES E PROFISSIONAIS DA MODA
Olívia Figueiredo
Sobre tecidos
Nunca será suficiente ressaltar a importância de escolher o tecido e/ou a
fibra certa, para sua criação. Considerando que os materiais fornecem o
necessário para dar suporte a silhueta e construção, a escolha do tecido pode
afetar todo e qualquer aspecto da sua produção, do conceito a forma, ao
consumidor, a sensação e coerência do design. Faerm(2012).
É importante perceber que apesar de serem agrupados por categorias,
os tecidos são geralmente associáveis, não existem regras rígidas para o uso
deles .Para alguns designers por exemplo, chiffon de seda pode ser um tecido
exclusivo para noite, enquanto outros podem incorpora-lo em roupas para o dia
Bryant(2012).
Lembrando ainda, que em alguns casos, a nomenclatura dos tecidos
pode mudar de cidade para cidade, de região para região, de uma década para
outra... Ex: Na região nordeste, conhecemos a cambraia, no sul se conhece a
lese. Antigamente as pessoas compravam uma ”fazenda” para roupa, hoje
compra-se tecidos. Ainda como exemplo, uma fábrica pode alterar a
nomenclatura de um mesmo tecido a medida que sua coleção muda.
Glossário
Linho: Leve tecido de verão (feito de fibras planas) com uma trama grossa e
natural. Conhecido por sua tendência a ampliar-se, o que é parte do seu
charme, está disponível em vários caimentos. Normalmente usado para calças,
camisas e blusas.
Georgete: Tecido com estrutura de ligamento tela, leve e transparente,
podendo ser feito de seda, lã, viscose, ou fibras sintéticas. Tem uma textura
como a do crepe, sendo um pouco mais opaco que o chiffon, possui uma
sensação seca ao toque. Veste bem e é ideal para
blusas e vestidos.
Chiffon: Tecido fino, fluido, volumoso e delicado,
geralmente 100% seda, mas disponível com sintético e
também. Muito utilizado em vestidos com drapeado e
blusas vaporosas. É uma marca registrada nos
modelos do estilista Ellie Saab juntamente com o tule
francês e o gazar. Obs da tutora: No sul do Brasil,
existe (ou existia) uma tecelagem chamada Bratac, que
Linho
produzia seus próprios casulos, fornecendo
seda de qualidade internacional. Com os
resíduos se produzia palha de seda, que era
utilizada na área de decoração.
Gazar: Tecido fino e muito fluido,
geralmente 100% seda, mas disponível
também com sintético. Muito utilizado em
vestidos drapeados e blusas vaporosas
Cetim Silk: Tecido leve, acetinado, fluido e
agradável ao toque. Normalmente feito com
sintéticos. Ótimo para blusas mais elegantes
Chiffon
e vestidos de festa.
Toque de Seda: Cetim melhorado. Como o próprio nome já diz, ele possui o
toque de seda, mas é comumente fabricado com sintéticos. Ótimo para
camisetas, combinações e forro de vestidos de festa. Algumas pessoas utilizam
o mesmo para vestido de festa.
Organza 1:Tecido plano, muito fino, geralmente misturado com seda e
sintético, usado para dar volume a vestidos de festa infantis.
Organza 2: Organza cristal. Um pouco mais encorpada do que a organza 1,
geralmente misturado com seda e sintético. Mais utilizada em vestidos de noiva
e debutante, para um volume mais encorpado.
Brim: Tecido de trama firme, durável e com uma construção sarja que
apresenta um padrão diagonal. Feito
de algodão, seda, lã, viscose ou fibras
sintéticas. Ótimo para calças, saias
justas e blazers. Ainda muito usado
em fardamentos da construção civil,
pela sua resistência e durabilidade.
Denim 1: Jeans Elastex. A história do
denim começou no século XV, na
França e se popularizou em 1853 com
Levi Strauss. (Vale a pena pesquisar a
história desse tecido). Com diversas
lavagens e cortes, o jeans é uma peça
que consegue destaque em qualquer
estação do ano. O denim nessa
gramatura e com elastano na
Denim/Jeans
composição, é muito utilizado em calças, saias, jaquetas e vestidos justos
casuais.
Denim 2: Com gramatura mais leve e sem elastano, ele é perfeito para
camisaria masculina e bermudas mais soltinhas.
Denim 3: A viscose na composição, proporciona um toque mais macio. Ideal
para camisaria feminina com peças mais ajustadas ao corpo.
Tafetá: Tafetá Leonilda, é comumente usado como forro. Na moda infantil ele
costuma forrar a organza (vestidos de dama e de aniversário) e na moda adulta
costuma forrar tecidos mais encorpados como, tafetá de seda, cetim bucol,
tafetá lyon, ziberline, etc. (Noivas e debutantes)
Tafetá 1: Historicamente, é feito de seda, mas hoje é possível encontrar uma
variedade com sintéticos. Possui uma trama apertada e é conhecido por seu
volume, usado em silhuetas distintas, tipicamente em vestidos de noite ou
noiva.
Ziberline: Com um ligamento distinto e visível
ou liso com brilho gloss, o Ziberline ou Zibeline,
originalmente, vem de uma mistura de mohair
(cabra angorá) em ligamento sarja. Longas
fibras são deitadas em uma direção
acrescentando estrutura e corpo, fazendo com
que seja ideal para ternos e casacos que
requeiram alta alfaitaria. No caso do Gloss, ele
cai muito bem em vestidos de festa e de
noivas.
Tafetá
Cetim Bucol: Tecido volumoso que possui
uma estrutura muito semelhante ao tafetá,
porém, mais macio e com um caimento
menos estruturado. Ideal para vestido de
festa e conjuntos de saia e blazers
femininos. Ideal para um mix com renda.
Tricoline 1: Tecido denso, extremamente
firme e muito macio. Originalmente em lã,
atualmente é feito em algodão e perfeito
para camisas e blusas. Muito utilizado em
camisaria masculina e na moda infantil, não
Tricoline
apenas com roupas, mas também
no feitio de enxovais, por causa da
padronagem.
Tricoline 2: Com padronagem mais
adulta, como poá e geométricos, e
com tecelagem mais leve, é muito
utilizado para vestidos casuais e
blusas.
Popeline : Tecido de peso leve a
pesado, feitos com fios de algodão
ou da sua mistura com fios de
poliéster ou elastano. Esse tecido
robusto com trama visível é usado
Jacquard
em moda casual e esportiva para mulheres, como blusas mais ajustadas, e
vestidos leves. No caso da moda masculina, a versão do tecido sem elastano é
usado em camisaria.
Jacquard: Tecidos de padronagens complexas, como brocado, damasco ou
metalassê. Leva o nome de Joseph-Marie Jacquard (1752-1834), o inventor de
uma máquina de costura mecanizada que usava uma série de cartões
perfurados para controlar a tecelagem de padrões complexos.
Oxford: Originalmente produzido apenas com algodão, ganhou esse nome
devido ao processo de tecelagem que é denominado Oxford, que basicamente,
consiste em dois fios finos, tecidos de forma suave com um fio de gramatura
maior na direção do enchimento. A versão sintética é a mais procurada para
uniformes, pois ele é um tecido que não
amassa com facilidade. Muito procurado
também para decoração: Toalhas de mesa,
cortinas e guardanapos. Obs da tutora: A única
desvantagem é que esquenta muito.
Normalmente as pessoas o abandonam após a
primeira experiência.
Two Way: Amplamente utilizado na confecção
de uniformes, o Two Way possui uma
construção diagonal como a sarja e é composto
por poliéster e elastano (no máximo 6% da
composição). Devido essa propriedade, ele é
mais confortável e é usado preferencialmente
Two Way
nas peças femininas, como calças, vestidos,
blazers, e outros.
Bengaline: Muito encorpado, esse tecido que
é na sua maioria composto por viscose,
poliamida e muito elastano (em média de 4 a
5%) é perfeito para saias mais justas e
tubinhos simples para trabalho. Ele também
não amassa.
Prada ou Stretch New: Usado normalmente
em uniformes, o stretch new também possui
elastano na composição (de 3 a 4%), não
amassa e por ser acetinado, também ganha
Mesclita
status de festa. Muitas pessoas fazem vestidos com aplicação de renda.
Perfeito para calças, saias, bermudas e blazers.
Linhão: Imita o linho rustico, mas é 100% poliéster. Tramas mais abertas e
levemente encaroçadas dão charme ao tecido. Ótimo para moda alfaiataria,
como, terninhos, calças, saias e bermudas femininas.
Mesclita: Visualmente muito semelhante ao linhão, mas não possui a mesma
textura, sua trama é mais fechada e a qualidade é um pouco inferior. Muito
bom para calças, ternos e tubinhos.
Crepe: Originalmente 100% seda, mas na sua maioria 100% poliéster, tem
como característica principal ser um tecido frisado, granulado e crespo.
Existem vários tipos e gramaturas de crepe. Dos transparentes aos mais
encorpados, do mais nobre ao mais
popular. Perfeitos para vestidos de festa.
Obs da tutora: O chiffon e o georgete, são
crepes.
Xadrez: Muito utilizado em camisaria, o
xadrez vem em diversas padronagens,
gramaturas e materiais, como, algodão,
lã, ou sintético. Alguns estilistas produzem
o xadrez com gramatura mais espessa
para a confecção de vestidos. (Vivienne
Westwood, Alexandre Herchcovitch).
Muito difundido no movimento Grunge,
também foi associado a um aspecto mais
desleixado. Muito utilizado em decoração
Xadrez
(toalha de mesa e
guardanapos) e mantas para o
frio (no caso, quando feito com
lã).
Entretela Cavalinha: Tecido
que se coloca entre as
camadas de uma peça de
roupa para reforçá-la e
estruturá-la. Ex: Corselet, gola,
punho, dentre outros
acabamentos. A entretela pode
Entretela Cavalinha
ser costurada (entretela cavalinha) ou colada a ferro quente (entretela colante).
Pode ser 100% algodão ou sintético.
Algodão Crú: Possui várias
nomenclaturas e vários tipos de
construção (tipo sarja, brim, etc). Pode ser
uma tela pesada (lonita ou panamá) que
serve para pintura, pode ser usado mais
leve como forro de bolso, pode ser usado
para confecção de ecobags, entretelas,
etc. Também é muito utilizado na
construção de toile ou peças piloto. O
encolhimento pode chegar às vezes até
10% dependendo da estrutura de sua
construção.
Viscose Estampada
Viscose: Fibra artificial, obtida a partir de um processo químico, no qual a
celulose é tratada para a obtenção da matéria-prima. A viscose é um tecido
leve, frágil, absorvente, amarrota com facilidade, mas é ótimo para tingir. Ótimo
para blusas e vestidos leves da diária. Obs da tutora: As viscoses mais comuns
tem pouquíssima durabilidade, mas é claro que uma viscose de boa qualidade
com uma boa tecelagem faz toda a diferença (a tecelagem também é super
importante. Muitos tecidos vem “enviesados” de fábrica e isso prejudica o
corte).
Faite: 100% poliéster ou 100% poliamida. Muito usado em forros de bolso e
casacos. Não é muito apreciado, pois é muito quente.
Tafetá 2: Nessa versão, o tafetá vem acrescido de elastano na composição.
Ótimo para tubinhos e blazers.
Cetim com Elastano: Muito usado para camisetas e forros de tecidos mais
nobres, como georgete e chiffon.
Chiffon 2: Ao contrário do primeiro exemplar, esse é composto apenas de
poliéster, mas a estética foi mantida (o famoso amassadinho). Muito utilizado
em vestidos leves e camisetas.
Devoré: Também chamado de burnout, utiliza uma técnica em que um produto
químico ”come” uma das fibras do tecido deixando a parte de base da trama do
tecido à vista e assim uma padronagem é criada. Anteriormente, bastante
usado em veludo, onde se remove a pelugem de algumas partes deixando
apenas a pelugem do fundo.
Devorè
BIBLIOTECA TÊXTIL
Agora que você já entendeu várias coisas a respeito dos tecidos, que tal
começar a construir a sua biblioteca têxtil? Nas próximas páginas vou reservar
um espaço exclusivo para que você comece a colecionar as suas amostras de
tecido e possa gradativamente memorizar não apenas o nome, mas também a
textura e outras propriedades referentes a cada tecido.
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TECIDO TECIDO
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TECIDO TECIDO
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REFERÊNCIAS
FAERM, Steven. Curso de design de moda: princípios, prática e técnicas.
São Paulo: Editora GG Brasil, 2012.
ROSA, Stefania. Alfaiataria: Modelagem Plana Masculina. Brasília: Senac,
2009.
PEZZOLO, Dinah Bueno. Moda e Arte – Releitura no Processo de Criação.
São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2013.
BRYANT, Wesen Michele. Desenho de Moda: técnicas de ilustração para
estilistas. São Paulo: Editora Senac, 2012.