0% acharam este documento útil (0 voto)
282 visualizações178 páginas

Fiação - Volume 2

O documento é o Volume 2 da Série Têxtil, focado na fiação, elaborado pelo SENAI e destinado a cursos de educação profissional. Ele contém informações técnicas sobre o processo de fiação, incluindo ilustrações e descrições de equipamentos e operações. A publicação é parte de um esforço educacional para capacitar profissionais na indústria têxtil.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
282 visualizações178 páginas

Fiação - Volume 2

O documento é o Volume 2 da Série Têxtil, focado na fiação, elaborado pelo SENAI e destinado a cursos de educação profissional. Ele contém informações técnicas sobre o processo de fiação, incluindo ilustrações e descrições de equipamentos e operações. A publicação é parte de um esforço educacional para capacitar profissionais na indústria têxtil.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

SÉRIE TÊXTIL

FIAÇÃO
VOLUME 2
SÉRIE TÊXTIL

FIAÇÃO
VOLUME 2
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI

Robson Braga de Andrade


Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA – DIRET

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI

Conselho Nacional

Robson Braga de Andrade


Presidente

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor Geral

Gustavo Leal Sales Filho


Diretor de Operações

Regina Maria de Fátima Torres


Diretora associada de Educação Profissional
SÉRIE TÊXTIL

FIAÇÃO
VOLUME 2
©2016. SENAI – Departamento Nacional

©2016. SENAI – SENAI CETIQT - Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil

A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico, mecâ-
nico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por
escrito, do SENAI.

Esta publicação foi elaborada pela equipe do SENAI CETIQT, com a coordenação do SENAI
Departamento Nacional, para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI
nos cursos presenciais e a distância.

SENAI Departamento Nacional

Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

SENAI CETIQT – Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil

Coordenação de Educação a Distância – CEaD

FICHA CATALOGRÁFICA

S491f
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional.
Fiação volume 2 / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil. Brasília: SENAI/DN,
2016.
v.2 : il. (Série Têxtil)

ISBN 97885501208

1. Fiação. 2. Fiação - Filatório. 3. Fios têxteis. 4. Fibras Têxteis. |.


Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Centro de Tecnologia da
Indústria Química e Têxtil. II. Título. III. Série.

CDU: 677.022

SENAI Sede

Serviço Nacional de Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto


Aprendizagem Industrial Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-
Departamento Nacional 9001 Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br
Lista de Ilustrações
Figura 1 - Fardos de algodão....................................................................................................................................... 196
Figura 2 - Divisões da massa em flocos................................................................................................................... 197
Figura 3 - Flocos abertos............................................................................................................................................... 197
Figura 4 - Destaque da sala de abertura durante a produção do fio............................................................ 198
Figura 5 - Operação de limpeza durante a produção do fio............................................................................ 199
Figura 6 - Produto com mistura de fibras............................................................................................................... 200
Figura 7 - Tipos de estiragem...................................................................................................................................... 202
Figura 8 - Cilindro com guarnição............................................................................................................................. 202
Figura 9 - Trem de estiragem (vista lateral)............................................................................................................ 203
Figura 10 - Secção transversal da fita e fio de carda........................................................................................... 204
Figura 11 - Secção tranversal da fita e fio de carda............................................................................................. 204
Figura 12 - Esquema do passador............................................................................................................................. 205
Figura 13 - Fitas antes do processo de duplicação.............................................................................................. 206
Figura 14 - Defeito no fio.............................................................................................................................................. 206
Figura 15 - Comparação entre massa de fibras com e sem torção................................................................ 207
Figura 16 - Massa de fibras submetida a uma força de tração........................................................................ 208
Figura 17 - Torção Z e S.................................................................................................................................................. 208
Figura 18 - Fio de 1 m com 10 torções..................................................................................................................... 209
Figura 19 - Fio de 0,25 m com 10 torções............................................................................................................... 209
Figura 20 - Comparando 1 metro dos fios A e B................................................................................................... 210
Figura 21 - Sistema de abertura................................................................................................................................. 216
Figura 22 - (a) Material de entrada – fibras em fardos; (b) Material de saída – fibras em flocos
ou manta............................................................................................................................................................................ 217
Figura 23 - Espaço físico para armazenamento dos fardos.............................................................................. 218
Figura 24 - Desenho esquemático do abridor de fardos.................................................................................. 219
Figura 25 - Abridor de fardos automático.............................................................................................................. 221
Figura 26 - (a) Abridor de fardos automático; (b) Ação dos cilindros abridores – deslocamento
da cabeça para a direita e para a esquerda............................................................................................................ 221
Figura 27 - Desenho esquemático do abridor e limpador grosso com um cilindro............................... 222
Figura 28 - Mudança do ângulo das barras da grelha de limpeza................................................................. 223
Figura 29 - Desenho esquemático do misturador com 6 câmeras................................................................ 224
Figura 30 - Abridor e limpador fino – (a) visão geral; (b) zoom – ilustração dos cilindros
abridores............................................................................................................................................................................ 225
Figura 31 - Dentes dos cilindros do abridor e limpador fino........................................................................... 225
Figura 32 - Aumento do ângulo dos dentes dos cilindros............................................................................... 226
Figura 33 - Abridor fino com quatro cilindros....................................................................................................... 226
Figura 34 - Posição da faca reguladora vs. retirada das impurezas............................................................... 227
Figura 35 - Desenho esquemático do demonstrador........................................................................................ 228
Figura 36 - Batedor.......................................................................................................................................................... 229
Figura 37 - Desenho esquemático do alimentador de flocos – alimentação direta............................... 229
Figura 38 - Desenho esquemático da carda com alimentação direta.......................................................... 230
Figura 39 - (a) Material de entrada – fibras em flocos ou manta; (b) Material de saída –
fita de carda....................................................................................................................................................................... 231
Figura 40 - Desenho esquemático de cilindros recobertos de pontas rígidas + zoom......................... 232
Figura 41 - Fibras emaranhadas – neps................................................................................................................. 232
Figura 42 - Representação da eliminação dos neps na carda.......................................................................... 233
Figura 43 - Superfícies entre os cilindros com pontas em direções opostas............................................. 234
Figura 44 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (a).............................................................................. 234
Figura 45 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (b).............................................................................. 235
Figura 46 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (c)............................................................................... 235
Figura 47 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (d).............................................................................. 235
Figura 48 - Superfícies entre os cilindros com pontas na mesma direção................................................. 236
Figura 49 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (e).............................................................................. 236
Figura 50 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (f )............................................................................... 237
Figura 51 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (g).............................................................................. 237
Figura 52 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (h).............................................................................. 237
Figura 53 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (i)................................................................................ 238
Figura 54 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (j)............................................................................... 238
Figura 55 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (k).............................................................................. 238
Figura 56 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (l)................................................................................ 239
Figura 57 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (m)............................................................................. 239
Figura 58 - Desenho esquemático dos elementos da carda............................................................................ 239
Figura 59 - Visão interna da lateral da carda.......................................................................................................... 241
Figura 60 - Alimentador de flocos............................................................................................................................. 241
Figura 61 - Ação do cilindro alimentador............................................................................................................... 242
Figura 62 - Ação do cilindro alimentador............................................................................................................... 243
Figura 63 - Local da cardagem.................................................................................................................................... 243
Figura 64 - Limpeza dos flats.................................................................................................................................... 244
Figura 65 - Elementos cardantes................................................................................................................................ 245
Figura 66 - Condensação das fibras no doffer..................................................................................................... 245
Figura 67 - Retirada do véu.......................................................................................................................................... 246
Figura 68 - Fitas armazenadas em forma de espiral na lata............................................................................. 246
Figura 69 - Visão geral do passador.......................................................................................................................... 248
Figura 70 - (a) Material de entrada – 4 a 8 fitas de carda ou penteadeira; (b) Material de saída –
1 fita de passador............................................................................................................................................................ 248
Figura 71 - Passador....................................................................................................................................................... 249
Figura 72 - Pares de cilindros da gaiola da alimentação positiva.................................................................. 249
Figura 73 - (a) Conjunto de cilindros do trem de estiragem; (b) Trem de estiragem sem os
cilindros de borracha superiores............................................................................................................................... 250
Figura 74 - Braço pendular com sistema pneumático de pressão................................................................. 251
Figura 75 - Representação do escartamento mecânico e prático................................................................. 252
Figura 76 - Separação das fibras por diferença de velocidade....................................................................... 253
Figura 77 - Representação das fibras que não ficam em contato com a superfície dos cilindros..... 253
Figura 78 - Elementos da saída do passador......................................................................................................... 254
Figura 79 - Saída do passador com troca automática da lata......................................................................... 255
Figura 80 - (a) Localização do autorregulador; (b) Discos apalpadores....................................................... 256
Figura 81 - Autorregulador aberto............................................................................................................................ 256
Figura 82 - Autorregulador fechado......................................................................................................................... 257
Figura 83 - Autorregulador combinado.................................................................................................................. 257
Figura 84 - Visão geral da estiro reunidor............................................................................................................... 258
Figura 85 - Visão geral do setor de penteagem.................................................................................................... 258
Figura 86 - (a) Material de entrada – 24 a 32 fitas de carda ou penteadeira; (b) Material de saída –
1 rolo de manta................................................................................................................................................................ 259
Figura 87 - Elementos do estiro reunidor............................................................................................................... 259
Figura 88 - (a) Gaiola do estiro reunidor; (b) Visão aproximada das guias das fitas................................ 260
Figura 89 - Trem de estiragem do estiro reunidor (4/4)..................................................................................... 261
Figura 90 - Detalhamento do direcionamento dos véus no trem de estiragem...................................... 261
Figura 91 - Dispositivo de enrolamento por pistão............................................................................................ 262
Figura 92 - Sequenciamento do dispositivo de enrolamento por correia.................................................. 262
Figura 93 - Visão geral da penteadeira.................................................................................................................... 263
Figura 94 - (a) Material de entrada – rolo de manta; (b) Material de saída – 1 fita de
penteadeira....................................................................................................................................................................... 263
Figura 95 - Elementos do estiro reunidor............................................................................................................... 264
Figura 96 - Cilindros responsáveis pela alimentação da penteadeira.......................................................... 265
Figura 97 - Elementos responsáveis pela penteagem....................................................................................... 265
Figura 98 - (a) Geometria das pinças: 1 – superior e 2 – inferior; (b) Par de pinças da
penteadeira....................................................................................................................................................................... 266
Figura 99 - (a) Ilustração lateral do pente circular; (b) Pente circular............................................................ 267
Figura 100 - (a) Pente fixo; (b) Detalhe das agulhas do pente fixo................................................................ 267
Figura 101 - (a) Cilindros destacadores; (b) Detalhe dos cilindros destacadores na penteadeira..... 268
Figura 102 - Vista superior dos elementos responsáveis em transformar o véu em fita....................... 268
Figura 103 - Vista superior da deflexão de 90º das fitas na penteadeira..................................................... 269
Figura 104 - Sincronismo da operação de penteagem...................................................................................... 271
Figura 105 - Cilindros do trem de estiragem da penteadeira (3/3)............................................................... 271
Figura 106 - Gancho dianteiro na penteadeira..................................................................................................... 272
Figura 107 - Ilustração dos ganchos traseiros na fita de carda....................................................................... 272
Figura 108 - Posição dos ganchos em cada máquina da preparação da penteagem............................ 273
Figura 109 - Ilustração do par de pinças não segurando as extremidades da massa de fibras.......... 273
Figura 110 - Ilustração das fibras longas sendo eliminadas junto com as curtas.................................... 273
Figura 111 - (a) Material de entrada – 1 fita do passador; (b) Material de saída – 1 pavio.................... 274
Figura 112 - (a) Operação de estiragem; (b) Operação de torção.................................................................. 274
Figura 113 - Elementos da maçaroqueira............................................................................................................... 275
Figura 114 - Gaiola da maçaroqueira....................................................................................................................... 276
Figura 115 - Trem de estiragem da maçaroqueira com o sistema de manchão em destaque............ 277
Figura 116 - Sistema de manchão do trem de estiragem da maçaroqueira.............................................. 277
Figura 117 - Trem de estiragem da maçaroqueira: (a) 3/3; (b) 4/4................................................................. 278
Figura 118 - Local onde ocorre a torção.................................................................................................................. 278
Figura 119 - Fuso da maçaroqueira........................................................................................................................... 279
Figura 120 - Maçaroca (Canela + Pavio).................................................................................................................. 280
Figura 121 - Ilustração da embalagem com corte transversal do lado direito, mostrando o
movimento do carro...................................................................................................................................................... 281
Figura 122 - Diminuição do percurso do carro..................................................................................................... 281
Figura 123 - Ilustração do aumento do diâmetro da embalagem a cada camada depositada do
pavio.................................................................................................................................................................................... 282
Figura 124 - Servomotores dos principais elementos da maçaroqueira..................................................... 283
Figura 125 - Tipos de transporte da maçaroqueira para o filatório de anel............................................... 283
Figura 126 - Transporte manual das maçaroqueiras para o filatório de anel............................................ 284
Figura 127 - Transporte manual................................................................................................................................. 284
Figura 128 - Transporte automático......................................................................................................................... 285
Figura 129 - (a) Material de entrada – 1 pavio; (b) Material de saída – 1 fio............................................... 285
Figura 130 - Elementos do filatório de anel........................................................................................................... 286
Figura 131 - Gaiola do filatório de anel................................................................................................................... 287
Figura 132 - Trem de estiragem do filatório de anel........................................................................................... 288
Figura 133 - Elementos da formação da embalagem........................................................................................ 289
Figura 134 - Guia-fio e quebra balão........................................................................................................................ 290
Figura 135 - Anel e vários formatos do viajante................................................................................................... 291
Figura 136 - Imagem do corte transversal do anel e do viajante................................................................... 291
Figura 137 - Diâmetro do anel.................................................................................................................................... 292
Figura 138 - Largura do flange................................................................................................................................... 292
Figura 139 - Partes da embalagem do filatório por anel................................................................................... 293
Figura 140 - Formação da base da embalagem do filatório de anel............................................................ 294
Figura 141 - Formação da ponta e da parte cilíndrica da embalagem do filatório de anel................. 295
Figura 142 - Filatório por rotor................................................................................................................................... 296
Figura 143 - (a) Material de entrada – 1 fita; (b) Material de saída – 1 fio................................................... 296
Figura 144 - Em destaque, o filatório por rotor.................................................................................................... 297
Figura 145 - Elementos do filatório por rotor........................................................................................................ 297
Figura 146 - Elementos que alimentam a fita na caixa de fiação................................................................... 298
Figura 147 - Caixa de fiação......................................................................................................................................... 299
Figura 148 - Cilindro abridor (ou cardinha)............................................................................................................ 299
Figura 149 - Modelos de dentes da cardinha........................................................................................................ 300
Figura 150 - Sequenciamento do funcionamento da cardinha..................................................................... 300
Figura 151 - Sequenciamento do funcionamento da cardinha..................................................................... 301
Figura 152 - Sequenciamento do funcionamento da cardinha..................................................................... 301
Figura 153 - (a) rotor da caixa de fiação; (b) rotor em separado..................................................................... 302
Figura 154 - Parâmetros do rotor............................................................................................................................... 303
Figura 155 - Tipos de rotor........................................................................................................................................... 303
Figura 156 - Discos de suporte................................................................................................................................... 304
Figura 157 - Cardinha .................................................................................................................................................... 304
Figura 158 - Canal de sucção/rotor........................................................................................................................... 305
Figura 159 - Entrada das fibras no rotor.................................................................................................................. 305
Figura 160 - Sequenciamento do funcionamento do rotor............................................................................. 306
Figura 161 - (a) Detalhamento do rotor; (b) Bocal............................................................................................... 306
Figura 162 - Bocal liso.................................................................................................................................................... 307
Figura 163 - Bocal espiral.............................................................................................................................................. 307
Figura 164 - Bocais com 3, 4 e 8 entalhes............................................................................................................... 308
Figura 165 - Bocal externamente serrilhado com entalhes............................................................................. 308
Figura 166 - Bocal com pequeno raio e pequenos entalhes........................................................................... 309
Figura 167 - Região de enrolamento........................................................................................................................ 310
Figura 168 - Barra e arco de tensão (azul)............................................................................................................... 310
Figura 169 - (a) Material de entrada – 1 fita; (b) Material de saída – 1 fio................................................... 311
Figura 170 - Elementos do filatório por rotor........................................................................................................ 312
Figura 171 - Gaiola do filatório por rotor................................................................................................................ 312
Figura 172 - Trem de estiragem do filatório por rotor........................................................................................ 313
Figura 173 - Bico de torção do filatório por rotor................................................................................................ 314
Figura 174 - Monitoramento da qualidade do fio............................................................................................... 315
Figura 175 - Carros do filatório por rotor................................................................................................................ 316
Figura 176 - Conicaleira................................................................................................................................................. 317
Figura 177 - Transformação de espulas em bobinas.......................................................................................... 317
Figura 178 - (a) Material de entrada – 1 fita (b) Material de saída – 1 fio.................................................... 318
Figura 179 - Fios irregulares e elemento responsável por eliminar as irregularidades.......................... 318
Figura 180 - Bobinas de fios tintos............................................................................................................................ 319
Figura 181 - Regiões da conicaleira.......................................................................................................................... 319
Figura 182 - Ilustração da região de desenrolamento de uma conicaleira de alimentação
manual................................................................................................................................................................................ 320
Figura 183 - Região de desenrolamento de uma conicaleira de alimentação por magazine
limentador......................................................................................................................................................................... 321
Figura 184 - Região de desenrolamento de uma conicaleira de alimentação automática.................. 321
Figura 185 - Sistema de controle do balão............................................................................................................. 322
Figura 186 - Região de tensionamento e limpeza............................................................................................... 322
Figura 187 - (a) Tensor de pinos; (b) Tensor de discos; (c) Tensor combinado (pinos + discos)........... 323
Figura 188 - Sensor de leitura de tensão................................................................................................................ 323
Figura 189 - Dispositivo encerador........................................................................................................................... 324
Figura 190 - Dispositivo expurgador........................................................................................................................ 324
Figura 191 - Expurgador mecânico........................................................................................................................... 325
Figura 192 - Expurgador eletrônico capacitivo.................................................................................................... 325
Figura 193 - Expurgador fotoelétrico....................................................................................................................... 326
Figura 194 - Emenda manual...................................................................................................................................... 326
Figura 195 - Atador automático................................................................................................................................. 327
Figura 196 - Atador splicer feito por água............................................................................................................ 327
Figura 197 - Região de enrolamento........................................................................................................................ 328
Figura 198 - Tambor acionador.................................................................................................................................. 328
Figura 199 - Três diferentes tipos de tambor acionador................................................................................... 329
Figura 200 - (a) Material de entrada – 2 ou mais fios em espulas ou bobinas separadas;
(b) Material de saída – 2 ou mais fios em uma única bobina.......................................................................... 329
Figura 201 - Regiões da binadeira............................................................................................................................. 330
Figura 202 - Região de desenrolamento................................................................................................................. 331
Figura 203 - Região de tensionamento e limpeza............................................................................................... 331
Figura 204 - Região de enrolamento........................................................................................................................ 332
Figura 205 - Retorcedeira............................................................................................................................................. 332
Figura 206 - (a) Material de entrada – 2 ou mais fios singelos em espulas ou bobinas separadas
ou binados. (b) Material de saída – 2 ou mais fios retorcidos uma única espula ou bobina............... 333
Figura 207 - Fio retorcido............................................................................................................................................. 333
Figura 208 - Retorcedeira de anéis............................................................................................................................ 334
Figura 209 - Gaiola da retorcedeira de anéis......................................................................................................... 335
Figura 210 - Cilindros alimentadores (superior e inferior)................................................................................ 335
Figura 211 - (a) Rabo-de-porco; (b) Quebra balão.............................................................................................. 336
Figura 212 - Fuso, anel e viajante............................................................................................................................... 336
Figura 213 - Retorcedeira de dupla torção............................................................................................................. 337
Figura 214 - Retorcedeira de dupla torção............................................................................................................. 337
Figura 215 - Elementos responsáveis pela dupla torção................................................................................... 338
Figura 216 - Dupla torção............................................................................................................................................. 339
Figura 217 - Tipos de panela....................................................................................................................................... 339
Figura 218 - Região de enrolamento........................................................................................................................ 340

Quadro 1 - Tipos de trem de estiragem................................................................................................................... 203

Tabela 1 - Ajustes e dimensões dos elementos da carda ................................................................................. 240


Sumário
1 Introdução.........................................................................................................................................................................17

2 Fibras Têxteis....................................................................................................................................................................21
2.1 Principais propriedades das fibras.........................................................................................................22
2.2 Estudo das principais fibras naturais.....................................................................................................24
2.2.1 Algodão.........................................................................................................................................24
2.2.2 Linho...............................................................................................................................................29
2.2.3 Lã......................................................................................................................................................32
2.2.4 Seda................................................................................................................................................37
2.2.5 Amianto.........................................................................................................................................40
2.3 Estudo das principais fibras artificiais...................................................................................................42
2.3.1 Viscose............................................................................................................................................42
2.3.2 Triacetato e acetato de celulose...........................................................................................45
2.4 Estudo das fibras sintéticas.......................................................................................................................49
2.4.1 Obtenção dos polímeros.........................................................................................................50
2.4.2 Poliamida......................................................................................................................................51
2.4.3 Poliéster.........................................................................................................................................54

3 Fiação Química................................................................................................................................................................59
3.1 Técnicas de fiação química........................................................................................................................60
VOLUME 1

3.1.1 Fiação via úmida.........................................................................................................................60


3.1.2 Fiação via seca.............................................................................................................................62
3.1.3 Fiação por fusão.........................................................................................................................63
3.1.4 Etapas após a fiação química.................................................................................................65

4 Mistura de Fibras.............................................................................................................................................................69
4.1 Fundamentos de classificação de algodão.........................................................................................70
4.1.1 A importância da classificação do algodão......................................................................70
4.1.2 Coleta das amostras nos fardos de algodão em pluma...............................................73
4.2 Os padrões físicos universais....................................................................................................................75
4.3 Grau de folha (lg) nas amostras...............................................................................................................80
4.4 Grau de folha (lg) para o algodão estadunidense upland............................................................80
4.5 Grau de folha para o algodão estadunidense pima........................................................................82
4.6 Procedimentos para classificação do algodão em pluma.............................................................84
4.7 Roteiro para realização da classificação visual/manual do algodão em pluma....................85
4.8 Roteiro para realização da classificação tecnológica/instrumental do algodão
em pluma...............................................................................................................................................................88
4.9 O que representa os dígitos do código do grau de cor (cg) no diagrama de cor
para o algodão estadunidense upland?................................................................................................... 105
4.10 O que representa o dígito do código do grau de cor (cg) no diagrama de cor
para o algodão estadunidense pima?....................................................................................................... 107
4.11 Estimativa dos valores do índice de consistência da fiação (spinning consistency
index, sci)............................................................................................................................................................. 108
4.12 Relações entre as propriedades físicas das fibras de algodão com os processos e
produtos têxteis................................................................................................................................................ 112
4.13 A classificação do algodão em pluma norteia a sua comercialização................................. 120
4.14 Pontos fundamentais do gerenciamento da qualidade do processo de fiação.............. 120
4.15 O gerenciamento da matéria-prima................................................................................................ 122
4.16 Usando a mistura de fibras na prática............................................................................................. 124

1 Fios Têxteis..................................................................................................................................................................... 145


5.1 Definição do fio têxtil............................................................................................................................... 146
5.2 Classificação do fio têxtil........................................................................................................................ 146
5.2.1 Fiação convencional.............................................................................................................. 147
5.2.2 Fio cardado (processo cardado)........................................................................................ 148
5.2.3 Fio penteado (processo penteado).................................................................................. 148
5.2.4 Fio singelo e fio retorcido.................................................................................................... 148
5.2.5 Fio regular.................................................................................................................................. 149
5.2.6 Fio fantasia................................................................................................................................ 149
5.3 Características e propriedades dos fios fiados................................................................................ 150
5.3.1 Composição do fio fiado...................................................................................................... 150
5.3.2 Estrutura do fio fiado............................................................................................................. 151
5.4 Designação do fio..................................................................................................................................... 151
VOLUME 1

5.4.1 Título do fio com mesma matéria-prima........................................................................ 152


5.4.2 Título do fio com matéria-prima diferente.................................................................... 153
5.4.3 Sistemas de titulação............................................................................................................. 155
5.4.4 Equivalência entre os sistemas de titulação.................................................................. 157
5.4.5 Norma abnt para designação dos fios............................................................................. 159
5.4.6 Determinação do título resultante................................................................................... 160
5.5 Processo de formação do fio................................................................................................................. 161
5.6 Fluxograma processo de produção industrial do fio.................................................................... 163

Referências......................................................................................................................................................................... 169

Minicurrículo dos Autores............................................................................................................................................ 171

Índice................................................................................................................................................................................... 173

6 Operações Fundamentais para Obtenção do Fio............................................................................................ 195


6.1 Operação de abertura da massa de fibras........................................................................................ 196
6.2 Operação de limpeza da massa de fibras......................................................................................... 198
6.3 Operação de mistura da massa de fibras.......................................................................................... 199
VOLUME 2

6.3.1 Mistura de fibras de natureza diferente.......................................................................... 199


6.3.2 Mistura de fibras de mesma natureza............................................................................. 200
6.4 Operação de cardagem........................................................................................................................... 201
6.5 Operação de estiragem........................................................................................................................... 201
6.6 Operação de uniformidade................................................................................................................... 204
6.7 Operação de duplicação......................................................................................................................... 205
6.8 Operação de torção.................................................................................................................................. 207
6.9 Operação de penteagem........................................................................................................................ 212

7 Fiação Convencional................................................................................................................................................... 215


7.1 Sistema de abertura................................................................................................................................. 216
7.1.1 Como as fibras são transportadas até o sistema de abertura?............................... 217
7.1.2 Abridor de fardos.................................................................................................................... 219
7.1.3 Abridor e limpador grosso................................................................................................... 222
7.1.4 Misturador................................................................................................................................. 223
7.1.5 Abridor e limpador fino........................................................................................................ 224
7.1.6 Desempoeirador..................................................................................................................... 227
7.1.7 Como as fibras são transportadas para a próxima etapa do processo?.............. 228
7.2 Carda – “o coração da fiação”................................................................................................................. 230
7.2.1 O grande problema................................................................................................................ 232
7.2.2 Quando e onde ocorre a cardagem e a estiragem?................................................... 234
7.2.3 Como funciona a carda?....................................................................................................... 240
7.2.4 Como medir a intensidade da cardagem?..................................................................... 247
7.3 O passador – aumentando a regularidade...................................................................................... 247
7.3.1 Como funciona o passador?............................................................................................... 248
7.3.2 Entrada do passador: a gaiola............................................................................................ 249
7.3.3 O trem de estiragem.............................................................................................................. 250
VOLUME 2

7.3.4 O escartamento – regulagem do trem de estiragem................................................ 251


7.3.5 Problemas de estiragem ...................................................................................................... 252
7.3.6 Saída do passador: condensador, funil, calandras e prato giratório..................... 254
7.3.7 Monitoramento automático da regularidade: autorregulador.............................. 255
7.4 Estiro reunidor – preparar para pentear............................................................................................ 257
7.4.1 Como funciona o estiro reunidor?.................................................................................... 259
7.4.2 Entrada do estiro reunidor: gaiola.................................................................................... 260
7.4.3 O trem de estiragem.............................................................................................................. 260
7.4.4 Enrolamento da manta......................................................................................................... 262
7.5 Penteadeira – agregar valor ao produto........................................................................................... 263
7.5.1 Funcionamento da penteadeira........................................................................................ 264
7.5.2 Elementos responsáveis pela alimentação.................................................................... 264
7.5.3 Elementos responsáveis pela penteagem..................................................................... 265
7.5.4 Sincronismo dos elementos da penteagem................................................................. 269
7.5.5 Trem de estiragem.................................................................................................................. 271
7.5.6 Como evitar a perda de fibras longas durante a penteagem?............................... 272
7.6 Maçaroqueira – o mal necessário........................................................................................................ 273
7.6.1 ELEMENTOS DA MAÇAROQUEIRA..................................................................................... 275
7.6.2 Formação da embalagem – maçaroca............................................................................ 280
7.6.3 Tipos de transporte................................................................................................................ 283
7.7 Filatório por anel – finalmente o produto final.............................................................................. 285
7.7.1 Elementos do filatório por anel......................................................................................... 286
7.8 Filatório por rotor – economia em processo................................................................................... 296
7.8.1 Elementos do filatório por rotor ....................................................................................... 297
7.9 Filatório por jato de ar – turbilhão de ar........................................................................................... 311
7.9.1 Elementos.................................................................................................................................. 311
7.10 Conicaleira – transformação da embalagem................................................................................ 317
7.10.1 Regiões..................................................................................................................................... 319
7.11 Binadeira – preparação para retorção............................................................................................. 329
VOLUME 2

7.11.1 Regiões..................................................................................................................................... 330


7.12 Retorcedeira – a união faz a força..................................................................................................... 332
7.12.1 Tipos de retorcedeiras......................................................................................................... 334

Referências......................................................................................................................................................................... 343

Minicurrículo dos Autores............................................................................................................................................ 345

Índice................................................................................................................................................................................... 347

8 Cálculos de Fiação....................................................................................................................................................... 365


8.1 Cálculos de produção.............................................................................................................................. 366
8.1.1 Conceito de produção teórica e capacidade de produção..................................... 366
8.1.2 Conceito de produção prática............................................................................................ 366
8.1.3 Unidades de medida do cálculo de produção............................................................. 366
8.1.4 Cálculo de produção teórica............................................................................................... 367
8.1.5 Cálculo de produção prática............................................................................................... 369
8.2 Cálculos de perda de matéria-prima.................................................................................................. 371
8.2.1 Cálculos de desperdício........................................................................................................ 372
8.2.2 Cálculos de rendimento de matéria-prima................................................................... 375
8.3 Cálculos de torção..................................................................................................................................... 376
8.4 Cálculos de estiragem.............................................................................................................................. 382
8.4.1 Cálculo de estiragem em máquinas que não efetuam limpeza, nem torção... 383
VOLUME 3

8.4.2 Cálculo de estiragem em máquinas que efetuam apenas limpeza...................... 385


8.4.3 Cálculo de estiragem em máquinas que efetuam apenas torção......................... 388
8.4.4 Cálculo para determinar o percentual de contração utilizado no fator de
correção (FC)....................................................................................................................................... 390
8.5 Cálculo para definir a composição dos fios com mais de uma fibra no processo
de fiação.............................................................................................................................................................. 392
8.5.1 Composição dos fios realizada na sala de abertura................................................... 392
8.5.2 Composição dos fios realizada no passador................................................................. 394

9 Testes................................................................................................................................................................................ 397
9.1 Controle e testes realizados no recebimento da matéria-prima.............................................. 398
9.2 Controle e testes na linha de abertura, mistura, limpeza e cardagem................................... 400
9.3 Controle e teste do comportamento das características físicas das fibras da
matéria-prima em processo......................................................................................................................... 401
9.4 Controle e testes nos passadores........................................................................................................ 406
9.5 Controles e testes realizados na preparação à penteadeira...................................................... 409
9.6 Controles e testes realizados na penteadeira................................................................................. 411
9.7 Controles e testes realizados na maçaroqueira.............................................................................. 413
9.8 Controles e testes realizados nos filatórios...................................................................................... 416
9.9 Controle e testes realizados nas enroladeiras................................................................................. 420
9.10 Controle e testes realizados nas retorcedeiras............................................................................. 423

10 Não Tecidos................................................................................................................................................................. 429


10.1 O que são não tecidos?......................................................................................................................... 430
10.1.1 Classificação dos não tecidos........................................................................................... 432
10.2 Quais são as etapas de fabricação?.................................................................................................. 432
10.2.1 Etapa de formação da manta........................................................................................... 433
10.2.2 Etapa de consolidação da manta.................................................................................... 446
10.3 Etapa de conversão/beneficiamento............................................................................................... 455
10.4 Aplicações dos não tecidos................................................................................................................. 456
VOLUME 3

11 Gestão Ambiental de Resíduos na Fiação........................................................................................................ 459


11.1 A origem dos “piolhos” e demais resíduos do algodão............................................................. 460

12 Higiene e Segurança do Trabalho (HST)........................................................................................................... 475


12.1 Os primórdios dos estudos de HST.................................................................................................. 476
12.2 As normas regulamentadoras (NRs)................................................................................................. 478
12.3 A Comissão interna de prevenções de acidente (CIPA) – NR.05............................................ 478
12.4 O programa de controle médico de saúde ocupacional (PCMSO) – NR.07....................... 480
12.5 Os equipamentos de proteção individual (EPI) – NR.06........................................................... 480
12.6 Os equipamentos de proteção coletiva (EPC).............................................................................. 482
12.7 A segurança e higiene do trabalho na fiação .............................................................................. 483

Referências......................................................................................................................................................................... 489

Minicurrículo dos Autores............................................................................................................................................ 495

Índice................................................................................................................................................................................... 497
Operações Fundamentais para
Obtenção do Fio

No capítulo anterior, apresentamos pelo fluxograma as diversas etapas para produção de


um fio numa fiação convencional. Agora, vamos dar continuidade ao nosso estudo, compreen-
dendo as operações fundamentais que ocorrem nessas etapas.
O conhecimento dessas operações é crucial, senão não será possível entender com clareza
o funcionamento e os recursos disponíveis em cada equipamento apresentado nas etapas do
fluxograma. Por consequência, o técnico têxtil que não tiver essa capacidade terá dificuldade
para obter bons resultados, ou seja, produzir um fio com a qualidade desejada.
Vamos apresentar esse conteúdo para você em uma ordem didática. Para isso, serão traba-
lhadas as operações fundamentais do processo de fiação:
a) Abertura;
b) Limpeza;
c) Mistura;
d) Cardagem;
e) Uniformização do título do material;
f) Estiragem;
g) Torção;
h) Penteagem.
Bons estudos!
FIAÇÃO - VOLUME 2
196

6.1 OPERAÇÃO DE ABERTURA DA MASSA DE FIBRAS

Os fardos de algodão chegam nas indústrias. Eles são envolvidos por cintas de arame que comprimem,
aproximadamente, 200 kg de fibras, gerando uma massa compacta que será armazenada.
A produção do fio tem início na abertura da massa. Como o próprio nome sugere, essa operação con-
siste em submeter a massa de fibras compactada a uma ação mecânica, produzida manualmente ou por
componentes específicos das máquinas de preparação à fiação.

IStock/fmajor

Figura 1 - Fardos de algodão

A operação de abertura é realizada em dois estágios:


Luiz Meneghel
6 OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS PARA OBTENÇÃO DO FIO
197

Victor Nascimento
Figura 2 - Divisões da massa em flocos
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Victor Nascimento

Figura 3 - Flocos abertos


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

SAIBA A operação de abertura se aplica em todas as fiações convencionais, independente-


MAIS mente da fibra ser natural ou não.
FIAÇÃO - VOLUME 2
198

A eficiência dessa operação pode ser medida a partir do grau de abertura, que é estimado medindo
a massa em miligramas dos flocos resultantes do processo. No entanto, em função da complexidade de
obter esse índice, avalia-se a eficiência da abertura indiretamente, acompanhando a quantidade de resí-
duo gerado, a quantidade de fibras boas presentes no resíduo e o comprimento médio das fibras após a
operação de abertura.
Um dos maiores problemas que ocorrem na operação de abertura, diminuindo sua eficiência, é pro-
vocado pela ação mecânica inadequada, gerando a redução do comprimento das fibras, em função de
eventuais quebras e embaraçamento. Este último evento é chamado “neps”.
A abertura das fibras acontece em outras etapas do processo, mas não de forma tão intensa como na
sala de abertura.

Victor Nascimento

Figura 4 - Destaque da sala de abertura durante a produção do fio


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

6.2 OPERAÇÃO DE LIMPEZA DA MASSA DE FIBRAS

Na operação de limpeza das fibras naturais, eliminamos todos os materiais estranhos presentes nelas.
Normalmente, a operação de limpeza é realizada juntamente com a de abertura, por meio de maquinários
específicos.
A eficiência da limpeza não pode estar dissociada do grau de abertura do material. Isso acontece por-
que as impurezas são encontradas na superfície do floco e no seu interior. Como só é possível remover as
sujeiras presentes na superfície, é preciso abrir os flocos de fibras, de forma que essas impurezas que esta-
vam em seu interior fiquem expostas.
6 OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS PARA OBTENÇÃO DO FIO
199

Observe no fluxograma onde acontece essa operação:

Victor Nascimento

Figura 5 - Operação de limpeza durante a produção do fio


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

6.3 OPERAÇÃO DE MISTURA DA MASSA DE FIBRAS

Com respeito à mistura, temos, primeiramente, que fazer alguns esclarecimentos: a mistura de fibras
pode acontecer entre fibras de naturezas diferentes, como poliéster e viscose, bem como em relação a
fibras de mesma natureza, como a mistura de diferentes fardos de algodão.

6.3.1 MISTURA DE FIBRAS DE NATUREZA DIFERENTE

Esse tipo de mistura tem como objetivo principal proporcionar ao produto final (fio, tecido e/ou peças
confeccionadas) propriedades físicas e químicas mais apropriadas ao uso, a partir das características indi-
viduais de cada fibra, por exemplo:
FIAÇÃO - VOLUME 2
200

A mistura de poliéster e algodão em determinadas proporções cria um tecido que não amarrota muito,
é mais fácil de passar e tem um toque agradável. Isso é obtido porque estamos combinando as proprie-
dades dessas fibras. No caso, o algodão puro amarrota com facilidade devido a sua baixa resiliência, mas
fornece um bom toque. Já o poliéster, que possui maior resiliência, não amarrota com facilidade.

IStock/Lisovskaya
Figura 6 - Produto com mistura de fibras

Essa operação acontece no início do processamento na sala de abertura (sistema de abertura), ou numa
etapa posterior, nos passadores. Nas duas opções, é necessário um rigoroso controle de processo para que
a nova composição de fibras ocorra como planejado.
Normalmente, misturamos o material na sala de abertura quando desejamos fabricar fios grossos, com
título inferior a 20 Ne, pois além de ser a opção mais barata, é possível garantir a qualidade da mistura.

6.3.2 MISTURA DE FIBRAS DE MESMA NATUREZA

A mistura de fibras de mesma natureza tem como objetivo homogeneizar a massa de fibras provenien-
tes de diversos fardos com relação ao comprimento, finura, tipo, resistência, cor, entre outras. Assim, a mas-
sa de fibras não vai variar as características físicas do produto final. A homogeneização deve ser observada
ao longo de todo o processo de fiação.
De uma forma geral, a falta de homogeneização da massa, no que tange as suas características, decorre,
em parte, das condições de cultivo (no caso das fibras vegetais) e de condições de fabricação (no caso das
fibras não naturais). Esses fatos, até os dias de hoje, não sofreram modificações significativas, o que se impõe
como única opção para homogeneizar a massa de fibra, a operação de mistura.
6 OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS PARA OBTENÇÃO DO FIO
201

Essa operação acontece, de forma mais intensa, no início do processamento das fibras, na sala de aber-
tura (sistema de abertura). Assim, os fardos que alimentam a fiação são dispostos na entrada do alimen-
tador (primeira máquina do sistema de abertura), dado um plano de mistura de fardo pré-estabelecido.
Essa ação visa minimizar as diferenças entre os fardos, tornando a massa de fibras mais homogênea. Em
seguida, a massa de fibras é processada em outros equipamentos da sala de abertura que colaboram para
a homogeneidade do material, como o misturador.
Muitas vezes, também, a mistura entre fibras de mesma natureza acontece com o intuito de diminuir
o custo do produto, porém nunca desprezando o aspecto técnico. Por exemplo: é possível, no início do
processo, introduzir na mistura de fardos virgens de algodão fardos compostos por fibras que já foram
processadas na fiação e se transformaram em desperdício. Essa operação de reaproveitamento de fibras
só é possível em fios muito grossos e numa proporção mínima, pois caso contrário a qualidade do produto
poderá ser afetada.

6.4 OPERAÇÃO DE CARDAGEM

A cardagem é uma operação muito importante no processamento de qualquer fibra. Seu objetivo é indivi-
dualizá-las, dando início ao processo de paralelização, que se obtém na operação de estiragem, como veremos.
Podemos comparar a operação de cardagem com o ato de escovar o cabelo, em que o objetivo é de-
sembaraçá-lo, ou seja, individualizar os fios. Fazemos isso passando no cabelo a escova com cerdas de
plástico, até que o cabelo esteja totalmente desembaraçado. Na cardagem, as fibras são deslocadas umas
em relação às outras, por meio de cerdas metálicas denominadas “guarnições”. Para realizar essa operação
industrialmente, foi criada uma máquina que recebeu o nome de “carda”.
Sobre o processo de cardagem, que ainda será estudado com mais detalhes ao longo do curso, pode-
mos dizer que, além da individualização e o início de paralelização das fibras, ocorre a eliminação de impu-
rezas e de neps, atendendo uma das necessidades básicas do processo de fiação.

6.5 OPERAÇÃO DE ESTIRAGEM

A operação de estiragem consiste no afinamento da massa de fibras, imprescindível em qualquer pro-


cesso de fabricação de fios, que ocorre gradativamente ao longo do processo de fiação. Por meio dessa
operação, obtemos a paralelização das fibras.
Observe nas imagens alguns produtos intermediários do processo de fabricação de um fio de algodão
cardado, que passam pelo processo de estiragem. Perceba suas transformações.
FIAÇÃO - VOLUME 2
202

Victor Nascimento
Figura 7 - Tipos de estiragem
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

A operação de estiragem está presente em quase todas as máquinas do processo de fiação e são leva-
das a termo por dois tipos de dispositivo:
a) Entre os cilindros de abertura;
b) Entre os cilindros do trem de estiragem.
A estiragem entre dois cilindros de abertura ocorre quando o cilindro de saída (2) com guarnições entra
em contato com a massa de fibras, que está sob a ação dos cilindros de entrada (1), com ou sem guarnição.
As guarnições do cilindro de saída (2) aumentam a velocidade de algumas fibras, separando-as quase
individualmente e distribuindo-as ao longo de sua maior superfície.
Victor Nascimento

Figura 8 - Cilindro com guarnição


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

É condição para haver estiragem que a velocidade do cilindro de saída seja superior a velocidade de
alimentação da massa de fibras (velocidade do cilindro de entrada). Por isso, o grau de estiragem é função
dessa diferença de velocidade.
Nas cardas e no filatório a rotor, onde a estiragem é realizada dessa forma, obtemos a maior estiragem do
processo de fiação. No entanto, se for realizada dessa maneira, a produção de ganchos em algumas fibras
pode ser inconveniente, reduzindo seu comprimento. Por essa razão, outra maneira de estirar é necessária.
6 OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS PARA OBTENÇÃO DO FIO
203

A operação de estiragem também pode ser realizada por dois tipos de trem de estiragem, de acordo
com o tamanho das fibras a serem trabalhadas.

PENTES CILINDROS
Destinado às fibras curtas, com comprimento inferior a 50
Para trabalho com fibras longas
mm, como no caso da fibra de algodão e suas misturas.

Quadro 1 - Tipos de trem de estiragem

A estiragem produzida pelo trem de estiragem é conseguida pela diferença de velocidade entre seus
cilindros. De fato, há um aumento de velocidade a cada par de cilindros no sentido do fluxo do material, ou
seja, o cilindro de entrada tem uma determinada velocidade, o seguinte terá uma velocidade maior e, por
fim, o cilindro de saída terá a maior velocidade.

Victor Nascimento

Figura 9 - Trem de estiragem (vista lateral)


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Os dois primeiros cilindros delimitam a 1ª zona de estiragem, conhecida como “zona de pré-estiragem”,
que tem a finalidade de preparar o material fibroso para estiragem definitiva, já o 2º e o 3º cilindros delimi-
tam a zona principal de estiragem, onde ocorre o maior afinamento do material.
Os cilindros do trem de estiragem provocam o aumento da velocidade de algumas fibras a medidas que
entram em contato com eles, separando-as das outras e redistribuindo-as ao longo da massa de fibras. É
assim que ocorre o afinamento, ou seja, a estiragem.

FIQUE O bom funcionamento do trem de estiragem depende do ajuste adequado da inten-


sidade de pressão que os cilindros de borracha exercem comprimindo a massa de
ALERTA fibras contra cada cilindro inferior, detentor de movimento.

Conheça o fluxograma que representa os maquinários onde essa operação acontece.


FIAÇÃO - VOLUME 2
204

6.6 OPERAÇÃO DE UNIFORMIDADE

A uniformização do material é tratada nas máquinas de fiação avaliando a regularidade do título da fita,
do pavio ou do fio ao longo do seu comprimento. Por essa razão, existem vários dispositivos que têm como
função verificar a variação do título e, se possível, corrigi-lo devidamente. Exemplo disso são os sensores
presentes nas cardas e passadores mais modernos.
O título é definido como o número que expressa a relação da massa e um determinado comprimento.
Podemos dizer então que a uniformização na fiação pretende garantir sempre a mesma massa por um de-
terminado comprimento. Em função da natureza das fibras e das características do processo de fiação, não
existe um fio 100% uniforme. No entanto, os padrões de uniformidade são estabelecidos em função do uso
que se pretende dar ao material, e, certamente, a meta de 100% uniforme não é necessária.
A falta de uniformização do título influenciará a aparência do fio além, de outras propriedades que se
espera ver incorporar ao produto, por exemplo, a redução da sua resistência. Ao longo do processo de fia-
ção, há uma tendência de a deterioração da uniformidade do produto aumentar de etapa em etapa após
o passador, e isso se deve a dois fatores.
A quantidade de fibra na seção transversal do material vai diminuindo, já que a cada nova etapa na
fiação o material é afinado.

Victor Nascimento

Figura 10 - Secção transversal da fita e fio de carda


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Quanto menor sua quantidade, mais difícil a disposição uniforme das fibras.
Victor Nascimento

Figura 11 - Secção tranversal da fita e fio de carda


Fonte: Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
6 OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS PARA OBTENÇÃO DO FIO
205

Em função do material ser mais fino e consequentemente ter menor quantidade de fibras na sua seção
transversal, uma pequena irregularidade na sua distribuição, ao longo do seu comprimento, irá variar sua
espessura, gerando pontos grossos ou pontos finos.

6.7 OPERAÇÃO DE DUPLICAÇÃO

Visando minimizar o problema de deterioração da uniformidade do produto, foi introduzido, além de


dispositivos eletrônicos que controlam a regularidade do material no processo, a operação de duplicação.
Esta é encontrada nos seguintes equipamentos:
a) No estiro reunidor, também conhecido como “formador de rolo” ou “reunideira”, onde a duplicação
é de véu de fibras;
b) Na penteadeira, onde a duplicação é de fita;
c) No passador, onde a duplicação é de fita.
Para compreender a uniformização do material a partir da duplicação, vamos utilizar o exemplo do
passador.
O passador, utilizado nesse exemplo, é alimentado pela união de 4 fitas. Essa massa de fibras é estirada
no trem de estiragem 4 vezes e transformado em véu de fibra, para em seguida ser condensado por um
funil e transformado em uma fita de espessura idêntica ou semelhante à espessura de uma das fitas de
entrada. Ou seja, no passador entramos com 4 fitas e saímos com 1 fita com a mesma espessura. Portanto,
não há diferença aparente entre o material de saída e o material de entrada. Então para que serve o passa-
dor com a sua duplicação?
Victor Nascimento

Figura 12 - Esquema do passador


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

O passador serve para melhorar a uniformização do material, pois pela reunião das fitas há uma grande
tendência de redução dos pontos irregulares. Veja um exemplo fictício com duplicação de quatro fitas.
Na imagem que ilustra o material de entrada, observe que cada uma das quatro fitas possui 1 cm de
espessura. Apenas a quarta fita, de cima para baixo, apresenta um defeito de 0,5 cm, representando uma
variação de 50% na sua espessura.
FIAÇÃO - VOLUME 2
206

Victor Nascimento
Figura 13 - Fitas antes do processo de duplicação
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Após reunir, ou seja, duplicar estas quatro fitas e estirar quatro vezes o material, obteremos uma fita
com 1 cm de espessura, mas com um defeito de 0,12 cm, o que representa apenas 12,5% da sua espessura.

Victor Nascimento

Figura 14 - Defeito no fio


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Como pode ser observado no exemplo, é dessa forma que o material fica mais uniforme. No entanto,
vale ressaltar que a duplicação não é suficiente para uniformizar completamente o material.
6 OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS PARA OBTENÇÃO DO FIO
207

SAIBA No processo de produção de um fio cardado, a duplicação só ocorre nos passadores.


MAIS

6.8 OPERAÇÃO DE TORÇÃO

A operação de torção consiste em girar a massa de fibras em torno do seu eixo, com a finalidade de uni-
-las, dificultando o deslizamento entre elas, a fim de atribuir à massa uma resistência à tração.

Victor Nascimento

Figura 15 - Comparação entre massa de fibras com e sem torção


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Observe a imagem a seguir. Nela, você poderá entender melhor a relação entre a redução do desliza-
mento das fibras e o aumento de resistência do material. Também poderá compreender a operação de tor-
ção e o efeito produzido por ela, além do comportamento do material têxtil sem torção quando submetido
a uma força de tração que o leva à rotura.
FIAÇÃO - VOLUME 2
208

J. J. Lima
Figura 16 - Massa de fibras submetida a uma força de tração
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Para completarmos a definição de torção, é importante saber que a ela pode ser realizada girando a
massa de fibras para a direita ou para a esquerda, torcendo as fibras e formando uma diagonal em relação
ao eixo central do fio.
O sentindo da diagonal da torção é identificado utilizando as letras “Z” ou “S”, conforme a figura.
Shutterstock/Andrey_Kuzmin

Figura 17 - Torção Z e S

Até agora você aprendeu o que é a operação de torção. Vamos continuar nosso estudo e aprender
como expressar a torção de um fio.
6 OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS PARA OBTENÇÃO DO FIO
209

A intensidade de torção aplicada ao material têxtil é medida pela quantidade de voltas em torno do
eixo, ao longo de um comprimento determinado.
Normalmente, é expressa em quantidade de torções por polegada ou pela quantidade de torções por
metro.
Você deve estar estranhando a definição de intensidade da torção que acabamos de apresentar, afinal,
a princípio, é mais natural que a intensidade de torção fosse expressa apenas pela quantidade de voltas em
torno do eixo, ou seja, o número de torções. No entanto, como veremos no exemplo a seguir, é fundamen-
tal expressar a intensidade de torção também em função de um comprimento determinado.
Vamos imaginar que você recebeu a demanda de produzir um fio com 10 torções.
Você então aplicou 10 voltas em torno do eixo numa massa de fibras com 1 metro de comprimento.
Cada torção aplicada forma 1 espira no corpo do fio, que assumirão uma determinada inclinação, influen-
ciando também a aparência do fio.

Shutterstock/Andrey_Kuzmin

Figura 18 - Fio de 1 m com 10 torções

Agora, imagine que um amigo seu também recebeu a mesma demanda. Para concluir a tarefa, seu
amigo aplicou as mesmas 10 torções em torno do eixo da mesma massa de fibras, mas com apenas 0,25 m
para construção de um novo fio.
Shutterstock/Andrey_Kuzmin

Figura 19 - Fio de 0,25 m com 10 torções


FIAÇÃO - VOLUME 2
210

Comparando 1 metro dos dois fios, podemos observar nas ilustrações que são fios com aparência dife-
rente. Além disso, o fio A, produzido por você, apresenta 10 espiras (torção) por metro, enquanto o fio B,
produzido por seu amigo, apresenta 40 espiras (torção) por metro. Por isso, informar apenas a quantidade
de torção sem mencionar o comprimento torna a informação imprecisa para a construção de um fio.

Shutterstock/Andrey_Kuzmin

Figura 20 - Comparando 1 metro dos fios A e B

Agora, iremos conhecer alguns fatores que influenciam a resistência à tração da massa de fibras, que
por consequência terão grande influência no grau de torção aplicada ao material têxtil. São eles:
Luiz Meneghel

SAIBA O excesso de torção pode romper as fibras e diminuir seu comprimento e, dessa for-
ma, a área de contato entre elas. Isso implicará em fibras “menos unidas”, ou seja, mais
MAIS soltas, passíveis de deslizamento.
6 OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS PARA OBTENÇÃO DO FIO
211

Agora vamos verificar quando acontece a operação de torção.


Durante o processo de fiação, a torção começa a ser aplicada no momento em que o produto, após
vários estágios de estiragem, se torna fino a ponto de comprometer sua resistência e seu desempenho.
Podemos dizer que a torção, dependendo do estágio de elaboração em que o produto se encontra,
cumpre objetivos diversos. Veja quais são eles:

Luiz Meneghel
Luiz Meneghel
Luiz Meneghel
FIAÇÃO - VOLUME 2
212

6.9 OPERAÇÃO DE PENTEAGEM

A operação de penteagem tem por objetivo eliminar do processo de fiação as fibras consideradas cur-
tas para a formação, principalmente de um fio mais fino, pois elas não contribuem para a resistência à tra-
ção desse tipo de fio. Ela somente se realiza quando trabalhamos com fibras naturais descontínuas, sendo
a sua realização imprescindível para a produção de fios finos.
Essa operação é realizada na máquina denominada “penteadeira”, e o fio produzido por meio desse
processo é denominado “fio penteado”.
Você pode estar se perguntando: “por que é necessário retirar as fibras consideradas curtas quando
desejamos fazer fios mais finos”?
Como discutido, a resistência à tração da fita, do pavio e do fio singelo acontece em função do número
de fibras e da força de atrito.
Por outro lado, podemos afirmar que, quanto mais fino o fio, menor será o número de fibras na sua se-
ção transversal, o que resultará na redução da sua resistência. Na busca de minimizar essa redução provo-
cada pelo afinamento do material, selecionamos, por meio da penteadeira, fibras mais longas, pois dessa
forma poderemos produzir um fio com mais resistência. Isso acontece porque utilizando fibras longas,
preponderantemente, há um aumento na área de contato entre elas, aumentando o atrito e, por consequ-
ência, a resistência do fio. Vale lembrar que, mesmo utilizando fibras mais longas, os fios mais finos deverão
ser menos resistentes.

SAIBA Normalmente são eliminadas na penteadeira de 15% a 18% de fibras curtas de algo-
dão, conhecidas como “estripe de penteadeira”, e são aproveitadas para fabricação de
MAIS fios grossos ou mesmo para fabricação de algodão hidrófilo.

CASOS E RELATOS

Tomando decisões na produção do fio


Numa empresa produtora de fio e tecido destinados à confecção de peças em jeans, a equipe de de-
senvolvimento de produto, formada por designers, estilistas, engenheiros e técnicos, propôs o desen-
volvimento de um novo fio de algodão, feito no filatório de anel para produção de um tecido com ca-
racterísticas superiores ao tecido atualmente produzido, com fio de algodão feito no filatório open-end.
Coube à equipe técnica do setor de fiação, formada por engenheiros, técnicos e mecânicos, avaliar
a viabilidade técnica para desenvolver esse produto. Inicialmente, foram analisadas amostras do
tecido produzido e comparado com amostras dos tecidos das empresas concorrentes. A equipe pes-
quisou junto ao público as características mais desejadas, como resistências e maciez.
6 OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS PARA OBTENÇÃO DO FIO
213

A partir daí, foram adquiridos novos equipamentos que colaboraram para obter fios mais resisten-
tes como matéria-prima adequada para as novas coleções de produtos. Isso tudo porque a equipe
técnica concluiu que é viável na estrutura atual a produção desse novo produto sem perdas de per-
formance do equipamento.
Para que isso fosse possível, foi preciso uma equipe bem treinada, com conhecimentos específicos
em cada uma das operações da fiação convencional.

RECAPITULANDO

Neste capítulo, foram apresentadas as operações fundamentais para formação de um fio numa
fiação convencional. Destacamos a importância das operações de: abertura; limpeza; mistura; car-
dagem; uniformização do título do material; estiragem; torção e da penteagem na produção de
um fio. Por último, relacionamos as etapas do fluxograma e as operações fundamentais.
Dessa forma, você reuniu conhecimento suficiente para avançar no nosso estudo e compreender
o funcionamento e os recursos de cada equipamento utilizado no processo de formação de um fio.
Fiação Convencional

Neste capítulo, você estudará a fiação convencional. Nela, são utilizadas diversas máquinas para
converter as fibras descontínuas compactadas – em forma de fardo – em diversos tipos de fios.
Essas máquinas têm como finalidade realizar as operações fundamentais, para transformar as
fibras naturais, artificiais e sintéticas no produto final da fiação convencional, ou seja, no fio fiado.
Você aprofundará os conhecimentos a respeito das seguintes máquinas da fiação convencional:
a) Sistema de abertura;
b) Carda;
c) Passador;
d) Estiro reunidor;
e) Penteadeira;
f) Maçaroqueira;
g) Filatórios por anel;
h) Filatórios por rotor;
i) Filatórios por jato de ar;
j) Conicaleiras;
k) Binadeira;
l) Retorcedeira.
Para adquirir a capacidade de desenvolver um trabalho de qualidade nas indústrias produ-
toras de fios fiados, é necessário que você aprenda as características, as aplicações, os elemen-
tos, o funcionamento, os ajustes e as regulagens de cada máquina.
Está preparado? Então, vamos lá!
FIAÇÃO - VOLUME 2
216

7.1 SISTEMA DE ABERTURA

A primeira etapa do processo de formação do fio fiado na fiação convencional consiste em abrir, limpar
as fibras (fragmentos de folhas, caule, neps e outras impurezas) e misturá-las nas máquinas. Tais máquinas
são interligadas por tubulações do sistema de abertura.

Luiz Meneghel
Figura 21 - Sistema de abertura
Fonte: Adaptado de Klein (2014)

O sistema de abertura é responsável por transformar as fibras que estão emaranhadas e prensadas na
forma de fardos em fibras mais abertas, limpas e com características mais uniformes, a fim de alimentar a
próxima máquina do processo, ou seja, a carda, em forma de flocos ou de manta 129.

FIQUE Por não possuírem impurezas, no caso das fibras químicas, não é necessária a limpeza.
ALERTA Portanto, ocorrem apenas as operações de abertura e mistura.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
217

Shutterstock/B. Franklin – Robert Naratham


Figura 22 - (a) Material de entrada – fibras em fardos; (b) Material de saída – fibras em flocos ou manta

O grande desafio é realizar as operações fundamentais no sistema de abertura sem alterar as característi-
cas iniciais das fibras, ou seja, sem quebrá-las, aumentando o mínimo possível a quantidade de neps inicial.
Para evitar esses problemas, fabricantes de máquinas tentam desenvolver componentes que operem
de forma mais suave. O rápido crescimento tecnológico tem contribuído para importantes avanços de
automação e gerenciamento de produção das máquinas do sistema de abertura, possibilitando trabalhar
com diversas características de fibras.
Os diferentes tipos de máquinas possibilitam diminuir o tamanho dos flocos de fibras1 de forma grada-
tiva, para não danificar as fibras. A definição das máquinas do sistema de abertura dependerá de alguns
fatores, tais como:
a) Tipo;
b) Origem;
c) Características e grau de sujidade das fibras;
d) Capacidade de produção do sistema;
e) Possibilidade de mistura de fibras de diferentes origens.

7.1.1 COMO AS FIBRAS SÃO TRANSPORTADAS ATÉ O SISTEMA DE ABERTURA?

Antes de iniciarmos os conceitos do sistema de abertura, é importante que você saiba como a matéria-
-prima, isto é, as fibras naturais, artificiais e sintéticas, são entregues, armazenadas, testadas e acondiciona-
das no setor de fiação da indústria têxtil.

1 São um conjunto de fibras aglomeradas.


FIAÇÃO - VOLUME 2
218

As fibras são entregues em forma de fardos, prensadas, envolvidas com um tecido e amarradas com
cintas metálicas ou plásticas. Um fardo de algodão pesa em torno de 230 kg; os de fibras artificiais e sinté-
ticas, em torno de 330 kg. O processo enfardar as fibras é necessário para mantê-las limpas e diminuir seu
volume, para otimizar o transporte e armazenagem.
Após serem entregues, os fardos de fibras precisam ser colocados em um espaço físico com:
a) Boa ventilação;
b) Facilidade de transporte;
c) Sistema de prevenção de incêndios;
d) Facilidade de empilhamento.

Todos esses cuidados são necessários para:


a) A boa conservação das fibras;
b) Menor tempo de deslocamento dos fardos para o sistema de abertura;
c) Maior aproveitamento do espaço físico;
d) Manutenção do local seguro.

Shutterstock/muratart

Figura 23 - Espaço físico para armazenamento dos fardos

Antes de transportar os fardos do armazém para o sistema de abertura, é retirada uma amostra de cada
um dos fardos, para serem testadas pelo laboratório de controle da qualidade da empresa. O objetivo é
descobrir as características das fibras de cada fardo, para realizar o plano de mistura.
Depois de realizados os testes, os fardos são enfileirados no sistema de abertura, suas cintas metálicas
ou plásticas são cortadas e é retirado o tecido, para permitir o acondicionamento dos fardos pelo período
de 12 a 24 horas, objetivando:
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
219

a) A penetração do ar no interior do fardo e uniformizar sua umidade;


b) O começo da separação das camadas, facilitando a abertura e a retirada de impurezas.
A partir de agora, você irá aprender os conceitos referentes às principais máquinas que constituem o
sistema de abertura.

Gostaria de conhecer mais detalhes sobre como ocorrem o beneficiamento e a pren-


SAIBA sagem das fibras para formar o fardo de algodão antes de chegar à indústria têxtil?
MAIS Então, entre no site do Instituto Matogrossense de Algodão e busque o Manual de Be-
neficiamento do Algodão, de 2014.

7.1.2 ABRIDOR DE FARDOS

A primeira máquina do sistema de abertura é o abridor de fardos, que tem como objetivo realizar a
abertura, limpeza e mistura das fibras.
Existem dois tipos de abridor de fardo, que serão detalhados a seguir: o manual e o automático.
O abridor de fardo manual foi o primeiro a ser desenvolvido, e o nome deve-se ao fato de a alimentação
ser realizada de forma manual pelo operador.
Como funciona o abridor de fardos manual?

Luiz Meneghel

Figura 24 - Desenho esquemático do abridor de fardos


Fonte: Adaptado de Klein (2014)
FIAÇÃO - VOLUME 2
220

Primeiramente, os fardos são enfileirados lado a lado, em frente ao abridor de fardos manual, de acordo
com o plano de mistura realizado pelo laboratório de controle de qualidade da empresa.
O operador retira, manualmente, camadas finas de fibras de cada fardo e as deposita sobre a esteira
horizontal (1), sucessivamente, realizando uma mistura prévia.
As fibras são conduzidas até a esteira inclinada (2), localizada no interior do abridor. A esteira inclinada
possui pinos de aço que prendem e abrem os flocos de fibras.
A esteira desloca as fibras para a parte superior da máquina até o cilindro igualador (3). A distância entre
a esteira inclinada e o cilindro igualador limita a passagem dos flocos, deixando passar somente os flocos
do mesmo tamanho ou menor que o espaçamento determinado.
Os flocos de fibras que passam são retirados da esteira pela ação do cilindro extrator (ou doffer2), e logo
são arrastados sobre a grelha3, realizando a operação de limpeza.
As fibras que passam entre o cilindro extrator e a grelha caem em uma caixa reserva (6), e as impurezas
caem entre as barras da grelha.
Na caixa de reserva, existem dois cilindros alimentadores (7) e um cilindro abridor (8), que são respon-
sáveis por alimentar a próxima máquina do sistema de abertura de forma sincronizada.
Os flocos de fibras são sugados e transportados para a próxima máquina do sistema de abertura por
meio da tubulação (9).
A produtividade do abridor de fardos, a eficiência de abertura e a limpeza poderão ser modificadas
respectivamente pela:
a) Variação da velocidade da esteira inclinada;
b) Distância entre o cilindro igualador em relação à esteira inclinada e a abertura das barras da grelha.
A produção varia de acordo com a matéria-prima processada, podendo atingir até 300 kg/h.
Atualmente, nas indústrias têxteis, o abridor de fardos manual:
a) Está sendo substituído pelo automático;
b) Está sendo utilizado para o reprocessamento de resíduos;
c) Está sendo utilizado para a abertura e mistura de fibras artificiais e sintéticas.
Por que o abridor de fardo manual está sendo substituído pelo automático?

2 Nome dado ao cilindro extrator do abridor de fardos manual, recoberto com tiras de couro ou de borracha.
3 É um conjunto barras de aço localizado abaixo do doffer, que possuem regulagem de distância entre elas para determinar a
quantidade de impureza que será eliminada.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
221

Shutterstock/pan demin
Figura 25 - Abridor de fardos automático

Podemos citar algumas vantagens do abridor de fardo automático:


a) Não necessita de operador para a alimentação;
b) Obtém uma mistura mais uniforme, pois a quantidade de fibras retiradas de cada fardo é praticamen-
te semelhante e trabalha com uma quantidade maior de fardos (aproximadamente 200);
c) Produção mais elevada, podendo abrir e misturar até 2000 kg/h.

As operações fundamentais do abridor de fardos automático são as mesmas que as do abridor manual,
ou seja, abrir e misturar fibras de diferentes fardos.
Vamos aprender como ele funciona?
Luiz Meneguel

Figura 26 - (a) Abridor de fardos automático; (b) Ação dos cilindros abridores – deslocamento da cabeça para a direita e para a esquerda
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
222

Após o enfileiramento (1) de até 200 fardos, de acordo com o plano de mistura, a cabeça da máquina (2)
passa por cima de cada fardo, recolhendo de forma uniforme os flocos de fibras com a ajuda de cilindros
abridores (3).
Quando a máquina estiver em deslocamento para a direita, o cilindro da esquerda levanta e vice-versa.
No último fardo, o abridor regula a altura de trabalho automaticamente. Os flocos de fibras são sugados e
transportados para a próxima máquina do sistema de abertura pela tubulação.

7.1.3 ABRIDOR E LIMPADOR GROSSO

Seguindo o fluxograma do sistema de abertura, limpeza e mistura da matéria-prima, a próxima máqui-


na é o abridor e limpador grosso, que continua com a abertura e limpeza das fibras de forma gradativa,
com menor intensidade para não danificá-las.
Veja o funcionamento do abridor e limpador grosso no desenho esquemático a seguir:

Luiz Meneghel

Figura 27 - Desenho esquemático do abridor e limpador grosso com um cilindro


Fonte: Adaptado de Klein (2014)

Os abridores e limpadores grossos existentes no mercado possuem de 1 a 2 cilindros de limpeza e uma


grelha de limpeza localizada abaixo de cada cilindro.
Os flocos de fibras que saem do abridor de fardo manual ou automático são transportados por meio de
tubulações ou dutos de ar e entram no abridor grosso (4).
As fibras são conduzidas em forma de espiral pela superfície do cilindro de limpeza (1), o qual possui
pinos que os prendem e os arrastam na grelha (2), realizando a abertura e a limpeza necessária.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
223

O cilindro-comporta4 (3) foi desenvolvido para remover as impurezas que passaram por entre as barras
da grelha sem o auxílio do operador para retirá-las da máquina.
Após acumular uma quantidade de resíduos no cilindro-comporta, ele gira e possibilita sua sucção por
meio da tubulação (7). O ar que conduziu as fibras para o interior do abridor grosso sai por outra tubulação
(6), e as fibras são conduzidas para a próxima máquina pela tubulação de saída (5).
As barras da grelha de limpeza podem ser ajustadas para aumentar ou diminuir a remoção das impure-
zas de acordo com cada tipo de fibra, conforme a figura 28. Quanto maior o espaçamento entre as barras,
maior será a remoção das impurezas.

Luiz Meneghel

Figura 28 - Mudança do ângulo das barras da grelha de limpeza


Fonte: Adaptado de Klein (2014)

A velocidade do cilindro de limpeza (1) pode ser modificada de acordo com diferentes intensidades de
abertura e limpeza. A produção do abridor e limpador grosso varia de acordo com a matéria-prima proces-
sada, podendo chegar a 1500 kg/h.

7.1.4 MISTURADOR

A mistura ocorre em diferentes estágios da fiação convencional. A primeira mistura de fibras, de diferen-
tes fardos, ocorre no início do sistema de abertura, na ação dos abridores de fardos manuais ou automáticos.
Após os flocos de fibras serem processados pelo abridor grosso, eles são sugados por meio da tubulação,
pelo ventilador localizado na parte superior do misturador, onde ocorre novamente a mistura das fibras.
O misturador é composto de 4 a 8 câmaras misturadoras5, que são abastecidas na parte superior, de
forma controlada.
Mas como acontece a mistura das fibras no misturador?

4 É o nome dado ao cilindro que regula a remoção do resíduo para o filtro.


5 É o nome dado ao reservatório de fibras onde ocorre sua mistura.
FIAÇÃO - VOLUME 2
224

Luiz Meneghel
Figura 29 - Desenho esquemático do misturador com 6 câmeras
Fonte: Adaptado de Klein (2014)

As fibras que saem do abridor grosso são sugadas pelo ventilador de transporte (1) e direcionadas su-
periormente para o interior das câmeras misturadoras (2).
As abas rotativas (3), juntamente com os sensores (ou foto-células) (4), controlam a alimentação das câ-
meras misturadoras. A aba rotativa fica aberta até que as fibras atinjam a altura do sensor. Quando atingi-
rem, a aba fecha a câmera que estava sendo alimentada, e a próxima aba se abre para alimentar a próxima
câmera misturadora. Esse ciclo se repete sucessivamente nas demais abas. Quando a última aba do abridor
fecha, inicia-se novamente a primeira.
Na parte inferior das câmeras, o material chega ao tapete misturador (5) por meio dos de cilindros de
entrega (6) e dos cilindros abridores (7). No final do tapete, teremos camadas de material sobrepostas em
formato de sanduíche (mistura íntima), tornando-se um material com características mais uniformes. O ar
(8) que transporta o material para dentro das câmeras serve para conduzi-lo à próxima máquina.
A velocidade dos alimentadores e abridores é ajustada para conter as fibras de todas as câmeras do
misturador, maximizando a mistura.
O sistema de abertura pode conter dois ou mais misturadores em sequência, dependendo da mistura
desejada para produzir o produto final. A produção do misturador depende da quantidade de câmeras
misturadoras, podendo chegar a 1000 kg/h.

7.1.5 ABRIDOR E LIMPADOR FINO

No abridor e limpador fino são realizadas as operações de abertura e limpeza das fibras com maior
intensidade, diminuindo ainda mais os flocos de fibras e obtendo uma maior individualização das fibras.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
225

A quantidade de cilindros de abridores é definida de acordo com a matéria-prima que será processada.

Luiz Meneghel

Figura 30 - Abridor e limpador fino – (a) visão geral; (b) zoom – ilustração dos cilindros abridores
Fonte: Catálogo Trützschler (2006)

Para essa operação, utilizam-se os cilindros com guarnições6 metálicas de dentes de serra, onde:
a) Os dentes do primeiro cilindro para o último cilindro ficam mais finos e com maior quantidade (ob-
serve a imagem a seguir).
Luiz Meneghel

Figura 31 - Dentes dos cilindros do abridor e limpador fino


Fonte: Catálogo Trützschler (2006)

6 Nome dado ao material que reveste a superfície dos cilindros.


FIAÇÃO - VOLUME 2
226

b) O ângulo dos dentes da guarnição aumenta do primeiro cilindro para o último cilindro (observe a
imagem a seguir).

Luiz Meneghel
Figura 32 - Aumento do ângulo dos dentes dos cilindros
Fonte: Catálogo Trützschler (2006)

c) As rotações aumentam do primeiro ao último cilindro gradativamente (observe a imagem a seguir).

Luiz Meneghel
Figura 33 - Abridor fino com quatro cilindros
Fonte: Catálogo Trützschler (2006)

Conforme observamos na figura a seguir, as fibras que saem do misturador são transportadas para o
abridor fino pela ação do ar gerado no ventilador de transporte. As fibras são direcionadas aos cilindros de
limpeza (1) e às abas reguláveis (2), onde o cilindro 1 entrega para o cilindro que entrega para o seguinte,
até ser transportada para próxima máquina.
Os cilindros de limpeza (1) giram e consequentemente arrastam as fibras sobre as facas reguladoras (2)
e as facas estáticas (3). A força centrífuga7 proporcionada pelo giro dos cilindros (1) elimina as impurezas
mais pesadas pelo espaço entre as facas reguladoras (2) e as facas estáticas (3). As impurezas são sugadas
pelo tubo de aspiração (4) e direcionadas para um filtro.
A posição da faca reguladora pode ser modificada de acordo com o grau de impurezas das fibras, con-
forme a figura 34.

7 É uma força aparente que se manifesta nos corpos em rotação, cujo efeito é o afastamento dos corpos do centro de rotação.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
227

Luiz Meneghel
Figura 34 - Posição da faca reguladora vs. retirada das impurezas
Fonte: Catálogo Trützschler (2006)

Podemos concluir que: quanto maior o espaço entre a faca reguladora e a faca estática, maior será a
eliminação das impurezas.
A produção do abridor e limpador fino depende da matéria-prima processada, podendo chegar a 1000 kg/h.

7.1.6 DESEMPOEIRADOR

Os processos atuais de formação do fio exigem que as fibras estejam ausentes de microimpurezas, a fim
de não ter muitas rupturas do fio durante o processo, aumentando a produtividade e criando um produto
com as qualidades desejadas.
As microimpurezas são retiradas no final do sistema de abertura pelo desempoeirador, conforme o
desenho esquemático a seguir.
FIAÇÃO - VOLUME 2
228

Luiz Meneghel
Figura 35 - Desenho esquemático do demonstrador
Fonte: Catálogo Trützschler (2006)

As fibras são aspiradas para dentro da máquina por um ventilador (1). Logo na entrada encontra-se uma
pá (2), que distribui os flocos por toda a largura da máquina. O desempoeiramento acontece devido ao
impacto do material sobre a superfície da peneira (3). As fibras caem e são sugadas para a parte inferior da
máquina por um ventilador (4) e são direcionadas para alimentar as cardas. A poeira passa pelos microfu-
ros da peneira (3) e são eliminadas.
A produção do desempoeirador pode chegar a 1000 kg/h.

7.1.7 COMO AS FIBRAS SÃO TRANSPORTADAS PARA A PRÓXIMA ETAPA DO PROCESSO?

Após as etapas de abertura, limpeza e mistura pelo sistema de abertura, é necessário alimentar de modo
uniforme a próxima máquina que faz parte do processo de formação do fio: a carda.
Existem dois tipos de alimentação: indireta e direta.
Na alimentação indireta, os flocos são transformados, por meio de um batedor, em uma manta que
abastece manualmente a carda, com a ajuda de um operador.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
229

SENAI CETIQT
Figura 36 - Batedor
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Já na alimentação direta, os flocos são transportados por meio de uma tubulação para um alimenta-
dor de flocos, que se localiza na parte traseira da carda. O alimentador compacta os flocos, formando uma
manta que abastece em sequência a carda.
Luiz Meneghel

Figura 37 - Desenho esquemático do alimentador de flocos – alimentação direta


Fonte: Adaptado de Klein (2014)
FIAÇÃO - VOLUME 2
230

A alimentação direta possui algumas vantagens em relação à alimentação indireta. Podemos dizer que
na alimentação direta temos um aumento da produtividade, diminuição de custos de mão de obra, dimi-
nuição do espaço físico necessário e maior uniformidade da manta.
O funcionamento e os componentes do alimentador de flocos serão detalhados a seguir, juntamente
com os conhecimentos sobre a carda.

FIQUE Devido às vantagens da alimentação direta, ela substituiu a alimentação indireta,


ALERTA por isso, raramente encontra-se batedor nas empresas.

7.2 CARDA – “O CORAÇÃO DA FIAÇÃO”

A carda é considerada por muitos especialistas como o estágio mais crítico da produção do fio, em
virtude das várias funções desempenhadas simultaneamente à alta velocidade de produção – em torno de
200 kg/h. Sem a carda é impossível fabricar um fio fiado de fibras descontínuas.

Luiz Meneghel

Figura 38 - Desenho esquemático da carda com alimentação direta


Fonte: Adaptado de Klein (2014)

A carda recebe a matéria-prima em forma de flocos ou de manta do sistema de abertura, e após o pro-
cessamento, o material sai na forma de fita.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
231

Shutterstock/Robert Naratham - Yuangeng Zhang


Figura 39 - (a) Material de entrada – fibras em flocos ou manta; (b) Material de saída – fita de carda

Como já vimos, o sistema de abertura abre as fibras compactadas e as transformam em flocos pequenos.
Já na carda, os flocos são abertos até chegarem ao estágio de fibras individuais. Essa etapa é essencial
para poder eliminar as impurezas restantes e preparar as fibras para as operações posteriores.
Para realizar o processo de cardagem da fibra, a carda possui cilindros com a superfície coberta de guar-
nições (pontas) rígidas ou flexíveis de aço, que são responsáveis pelas seguintes operações:
a) Abrir, limpar e misturar as fibras;
b) Separar as fibras individualmente e orientá-las longitudinalmente;
c) Minimizar as fibras muito curtas (strip);
d) Minimizar os neps;
e) Estirar.
FIAÇÃO - VOLUME 2
232

Luiz Meneghel
Figura 40 - Desenho esquemático de cilindros recobertos de pontas rígidas + zoom
Fonte: Truetzschler (2016)

7.2.1 O GRANDE PROBLEMA

O grande problema do sistema de abertura é o aumento do número de neps de máquina para máquina,
devido à atuação mecânica dos cilindros com pontas metálicas.
SENAI CETIQT

Figura 41 - Fibras emaranhadas – neps


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
233

Os neps são indesejáveis em todas as etapas do processo de formação do fio, causando queda de
produtividade devido ao aumento de rupturas do material no processamento das fibras. A aparência e
propriedades do fio são afetadas, aumentando consequentemente rupturas nas conicaleiras, binadeiras,
retorcedeiras e na tecelagem. No tingimento8, os neps dos fios e tecidos são resistentes à penetração dos
corantes e pigmentos utilizados, devido ao aglomerado de fibras em um pequeno espaço, obtendo uma
aparência indesejada.
Para solucionar esse problema, a carda reduz bruscamente a quantidade de neps, abrindo o emaranha-
do de fibras ou eliminando-os, conforme a figura 42.

Luiz Meneghel

Figura 42 - Representação da eliminação dos neps na carda


Fonte: Adaptado de Klein (2014)

Além do controle feito no laboratório de controle da qualidade da fiação, algumas máquinas possuem
uma câmera que monitora a quantidade de neps/grama em toda a extensão do véu.

SAIBA A eliminação eficiente dos neps necessita de guarnições de aço amoladas, velocidade
adequada do cilindro abridor (taker-in) e espaçamento entre os cilindros de acordo
MAIS com as regulagens específicas da máquina.

8 É o processo utilizado para proporcionar cor às fibras têxteis, que utilizam corantes e pigmentos diferentes para cada tipo de
fibra.
FIAÇÃO - VOLUME 2
234

7.2.2 QUANDO E ONDE OCORRE A CARDAGEM E A ESTIRAGEM?

Para responder essa pergunta, é necessário entender primeiramente as duas ações que acontecem na
carda: cardagem e estripagem.
Para acorrer o processo de cardagem das fibras, é necessário que as pontas da guarnição dos cilindros
passem umas contra as outras. Para descobrir se ocorre cardagem das fibras entre os cilindros, vamos uti-
lizar as figuras a seguir.

Davi Leon
Figura 43 - Superfícies entre os cilindros com pontas em direções opostas
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Vamos descobrir o que ocorre com as fibras ao passarem entre os cilindros com pontas em dire-
ções opostas?
Para responder a pergunta, será necessário definir os sentidos de rotação do cilindro a e b e sua velocidade:
a) Se o sentido de rotação do cilindro a for anti-horário e o do cilindro b for horário, só haverá cardagem
se a velocidade de a for maior que a velocidade de b;
Davi Leon

Figura 44 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (a)


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
235

b) Se o sentido de rotação do cilindro a for horário e o do cilindro b for anti-horário, só haverá cardagem
se a velocidade de a for menor que a velocidade de b;

Davi Leon
Figura 45 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (b)
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

c) Se o sentido da rotação dos cilindros a e b, forem anti-horário, sempre haverá cardagem;

Davi Leon

Figura 46 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (c)


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

d) Se o sentido da rotação dos cilindros a e b for horário, nunca haverá cardagem.


Davi Leon

Figura 47 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (d)


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
236

Para acontecer o transporte ou a estripagem, ou seja, a transferência das fibras de um cilindro para o
outro, é necessário que as pontas da guarnição de um dos cilindros passem nas costas da guarnição do
outro cilindro. Para saber se ocorre estripagem das fibras entre os cilindros, vamos utilizar a figura a seguir.

Davi Leon
Figura 48 - Superfícies entre os cilindros com pontas na mesma direção
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Vamos analisar o que ocorre com as fibras ao passá-las entre os cilindros com pontas na mesma
direção?
Para responder a pergunta, será necessário definir os sentidos de rotação dos cilindros a e b e sua velo-
cidade.
Se o sentido de rotação do cilindro a for anti-horário e o do cilindro b for horário:
a) o cilindro a retira as fibras do cilindro b se a velocidade de a for menor que b;
Davi Leon

Figura 49 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (e)


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
237

b) o cilindro b retira as fibras do cilindro a se a velocidade de a for maior que b;

Davi Leon
Figura 50 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (f )
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

c) não haverá estripagem se a velocidade de a for igual a b.

Davi Leon

Figura 51 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (g)


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Se o sentido de rotação do cilindro a for horário e o do cilindro b for anti-horário:


a) O cilindro a retira as fibras do cilindro b se a velocidade de a for maior que b;
Davi Leon

Figura 52 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (h)


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
238

b) O cilindro b retira as fibras do cilindro a se a velocidade de a for menor que b;

Davi Leon
Figura 53 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (i)
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

c) Não haverá estripagem se a velocidade de a for igual a b.

Davi Leon

Figura 54 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (j)


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
Davi Leon

Figura 55 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (k)


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
239

Se o sentido da rotação dos cilindros a e b for horário, o cilindro a sempre retirará as fibras de b.

Davi Leon
Figura 56 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (l)
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Se o sentido da rotação dos cilindros a e b for anti-horário, o cilindro b sempre retirará as fibras de a.

Davi Leon

Figura 57 - Exemplo de sentido de rotação do cilindro (m)


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Agora, para saber o que ocorre entre os cilindros da carda, é só avaliar a figura 58 e a tabela 1.
Davi Leon

Figura 58 - Desenho esquemático dos elementos da carda


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
240

Avaliando os sentidos de rotação e das velocidades dos elementos cobertos de guarnições (pontas
metálicas), podemos concluir que:
a) Ocorre estripagem entre o taker-in e o grande cilindro, ou seja, o grande cilindro retira as fibras do
taker-in;
b) Ocorre cardagem entre o grande cilindro e os flats, ou seja, a individualização e paralelização das
fibras;
c) Teoricamente, ocorre cardagem entre o grande cilindro e o doffer, mas devido à grande diferença
de velocidade entre os cilindros e a pequena distância entre eles, as fibras se condensam de forma
ordenada, formando o véu.

DISTÂNCIA
DENSIDADE DE
VELOCIDADE APROXIMADA
DIÂMETRO EM PONTAS
ELEMENTO MÉDIA ESTIRAGEM ENTRE OS
mm (in) EM pontas/cm²
(m/min) CILINDROS EM
(pontas/in²)
µm (in)
Taker-in/grande
Taker-in 229 (9) 7-8 (40-50) 576 1000 cilindro
25 (0,010)
Grande cilindro/
Grande cilindro 1270 (50) 62-100 (400-650) 1197 2,08 flats
25 (0,010)
Grande cilindro/
44 ,5 × 1016 (1,75
Flats 90-100 (600-650) 0,102 flats
× 40)
25 (0,010)
Grande cilindro/
Doffer 686 (27) 100 (650) 87 Condensação doffer
12,5 (0,005)
Tabela 1 - Ajustes e dimensões dos elementos da carda
Fonte: Lawrence, 2003; Manual da Rieter, vol. 2

Conclui-se então que: há cardagem das fibras quando elas estiverem passando entre o grande cilindro
e os flats.
A seguir, você vai entender melhor como é o funcionamento da carda.

7.2.3 COMO FUNCIONA A CARDA?

É impossível visualizar o que acontece com as fibras com a carda fechada (figura 51). Por esse motivo,
precisaremos ter uma visão interna da lateral, conforme a figura 59, para acompanhar como as fibras são
processadas ao passar por cada elemento que compõe a carda.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
241

Davi Leon
Figura 59 - Visão interna da lateral da carda
Fonte: adaptado de Klein (2014)

Você aprendeu que a carda pode ser alimentada indireta ou diretamente. Para explicar seu funciona-
mento, será abordada a carda com alimentação direta, ou seja, alimentação realizada pelo alimentador de
flocos, conforme a figura 60.

Davi Leon

Figura 60 - Alimentador de flocos


Fonte: adaptado de Klein (2014)
FIAÇÃO - VOLUME 2
242

Os flocos de fibras do sistema de abertura são levados por meio de tubulações pela ação do ventilador
de transporte até o alimentador de flocos (1), que tem a finalidade de compactar as fibras para alimentar
a carda. Após o acúmulo dos flocos de fibras na caixa de reserva superior (2), o cilindro alimentador (3)
apresenta a massa de fibras ao cilindro abridor (4), abrindo-a e jogando-a na caixa de reserva inferior (5). As
fibras são compactadas pela ação de uma corrente de ar (em azul) formada por um ventilador (6), montado
na parte traseira do alimentador de flocos, favorecendo a formação de uma manta uniforme, por meio da
autodistribuição dos flocos na largura útil da caixa de reserva inferior.
A manta formada na caixa de reserva inferior é descarregada por um par de cilindros (7) acionados pelo
cilindro alimentador (10) da carda e encaminhada sobre uma chapa deslizante (8).
O cilindro alimentador (10), como o próprio nome diz, alimenta de forma uniforme a carda, transpor-
tando a massa de fibras (9) para o cilindro abridor, ou taker-in (11), conforme a figura 61.

Davi Leon

Figura 61 - Ação do cilindro alimentador


Fonte: adaptado de Klein (2014)

O cilindro abridor, ou taker-in (11), é um cilindro revestido com guarnições metálicas (pontas), que tem
a função de abrir, limpar, estirar de forma intensa (conforme tabela 1) e conduzir as fibras para o grande
cilindro (14). A carda pode conter até 3 cilindros abridores, dependendo do tipo e grau de sujeira das fibras
processadas. A abertura prévia das fibras é determinante para o processo de cardagem. Abaixo do cilindro
abridor (11) existe uma faca (12) e um tubo de sucção (13), responsável pela eliminação de impurezas das
fibras. A faca (12) pode ser ajustada com precisão, de acordo com as caraterísticas das diversas matérias-
primas, conforme a figura 62. Conclui-se que: quanto mais aberta a faca, mais impurezas são eliminadas e
vice-versa.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
243

Davi Leon
Figura 62 - Ação do cilindro alimentador
Fonte: Catálogo Trützschler (2006)

O grande cilindro (14) também é revestido com guarnições metálicas e, juntamente com o conjunto
de flats (15), realizam a cardagem 157, separando as fibras individualmente e paralelizando-as. Abaixo do
grande cilindro (14) existem dutos para aspirar as impurezas retiradas das fibras para os filtros da fiação.
Davi Leon

Figura 63 - Local da cardagem


Fonte: Catálogo Trützschler (2006)
FIAÇÃO - VOLUME 2
244

Acima do grande cilindro encontra-se o conjunto de flats giratórios (15), que realiza a principal função
da carda: separar, paralelizar e retirar as fibras curtas (strip) e neps. Os flats são “tiras de aço” recobertas por
guarnição com comprimento suficiente para cobrir toda a largura do grande cilindro. Em torno de 100 flats
são unidos pela esteira giratória, sendo que de 30 a 46 ficam em posição de cardagem. As fibras curtas,
neps e impurezas que ficaram presas nos flats são retiradas por escovas (16) e aspiradas por um duto (17)
até o filtro da fiação, conforme a figura 64.

Davi Leon

Figura 64 - Limpeza dos flats


Fonte: Catálogo Trützschler (2006)

Os elementos cardantes (18), que estão estáticos em volta do grande cilindro, eliminam a sujidade,
o pó e as fibras curtas na zona de pré e pós-cardação. As facas (19) são responsáveis pela eliminação das
impurezas, juntamente com os tubos de aspiração (20).
Para os diversos graus de sujeira e tipos de fibras, são utilizados conjuntos de elementos cardantes
diferentes.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
245

Davi Leon
Figura 65 - Elementos cardantes
Fonte: Catálogo Trützschler (2006)

As fibras cardadas retidas no grande cilindro são retiradas pelo doffer (21) vão, por condensação,
formando um véu (22).
Davi Leon

Figura 66 - Condensação das fibras no doffer


Fonte: Catálogo Trützschler (2006)
FIAÇÃO - VOLUME 2
246

O cilindro retirador (23) é responsável por retirar o véu do doffer, e os cilindros esmagadores (24), em
sequência, esmagam as impurezas para melhorar a qualidade do produto final.

Davi Leon
Figura 67 - Retirada do véu
Fonte: Catálogo Trützschler (2006)

Utiliza-se o funil (25) para condensar o véu e deixá-lo em forma de fita. Se o diâmetro não for adequado,
poderão ocorrer irregularidades e/ou rupturas. Na saída da carda, encontram-se as calandras (26), as quais
são responsáveis por puxar o véu do doffer após ter sido condensado. Após as fibras saírem das calandras
com o formato de fita, elas devem ser depositadas em forma espiral nas latas (27) por meio da sentinela (28).
Davi Leon

Figura 68 - Fitas armazenadas em forma de espiral na lata


Fonte: Adaptado de Klein (2014)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
247

7.2.4 COMO MEDIR A INTENSIDADE DA CARDAGEM?

Você já viu como acontece a cardagem, mas como saber se ela foi eficaz?
A intensidade da cardagem é uma das formas de medir se as operações essenciais foram realizadas.
Existem algumas variáveis que influenciam sua intensidade, tais como:
a) Tipo de guarnição dos cilindros;
b) Geometria dos dentes;
c) Quantidade de dentes na superfície dos cilindros ou densidade de dentes;
d) Relacionamento das velocidades entre os cilindros;
e) Amolagem das guarnições.
Antigamente, a razão entre a velocidade do grande cilindro e a velocidade de alimentação era usada
para medir a intensidade da cardagem.
Atualmente, a intensidade de cardagem é medida pela razão entre o número de dentes do cilindro
alimentador e a quantidade de fibras alimentadas na mesma unidade de tempo.
Podemos concluir que: quanto maior a quantidade de dentes por unidade de tempo, maior será a in-
tensidade de cardagem, e quanto menor a quantidade de fibras alimentadas por unidade de tempo, maior
será a intensidade de cardagem e vice-versa.

7.3 O PASSADOR – AUMENTANDO A REGULARIDADE

As fibras foram processadas nas etapas anteriores e deixadas em formato de fitas. Agora, elas ainda
necessitam de algumas modificações para diminuir suas irregularidades e prepará-las para as operações
subsequentes. Sendo assim, o passador tem como finalidades:
a) Uniformizar o diâmetro da fita por meio da duplicação9;
b) Misturar fibras de mesmas ou diferentes naturezas;
c) Paralelizar as fibras aumentando o alinhamento;
d) Estirar as fitas, reduzindo sua massa.

9 Diferente do termo utilizado na matemática (multiplicar por 2), na fiação, o termo significa a união de um número determina-
do de fitas.
FIAÇÃO - VOLUME 2
248

Davi Leon
Figura 69 - Visão geral do passador
Fonte: Adaptado de Catálogo Trützschler (2006)

O passador recebe de quatro a oito fitas da carda, passador ou penteadeira, e após o processamento, o
material sai na forma de uma fita.

Shutterstock/junrong - Yuangeng Zhang

Figura 70 - (a) Material de entrada – 4 a 8 fitas de carda ou penteadeira; (b) Material de saída – 1 fita de passador
Fonte: (a) Adaptado de Catálogo Trützschlere; (b) Adaptado de Catálogo Rieter

7.3.1 COMO FUNCIONA O PASSADOR?

As latas (1) com fitas que saem da carda, passador ou penteadeira, são transportadas para o passador
e colocadas sob as gaiolas (2), que possuem guias e cilindros que auxiliam a alimentação do passador. As
fitas que entram no trem de estiragem (3) possuem conjuntos de cilindros de aço e de borrachas, responsá-
veis pelo estiramento da massa de fibras. Após as fibras saírem do trem de estiragem, o véu formado passa
pelo condensador e no funil (4) para aumentar a coesão do material e formar uma fita. Para finalizar a fita
formada, ela é compactada pelas calandras de saída (5) e depositada em forma de espiral na lata (7) pela
ação do prato giratório (6), conforme a figura 71.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
249

Davi Leon
Figura 71 - Passador
Fonte: Adaptado de Klein (2014)

7.3.2 ENTRADA DO PASSADOR: A GAIOLA

A alimentação do passador tem que ocorrer de maneira uniforme, para evitar falsas estiragens, e deve
conter todo o material necessário para produzir a fita de passador.
Sendo assim, a gaiola do passador pode possuir alimentação positiva ou negativa.
Nas gaiolas com alimentação negativa, as fitas são puxadas pelo trem de estiragem sem a ajuda da
gaiola nesse transporte. Elas somente possuem guias para deixar as fitas lado a lado.
Nas gaiolas com alimentação positiva, existem pares de cilindros que conduzem as fitas na mesma ve-
locidade dos cilindros de entrada do trem de estiragem.
Fagner Mariano

Figura 72 - Pares de cilindros da gaiola da alimentação positiva


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
250

Esse sistema de alimentação é o mais usado nas gaiolas, pois evitam falsas estiragens10.
Para evitar que seja alimentada uma quantidade esperada menor de fitas, as gaiolas possuem um siste-
ma de parada automática caso ocorra algum rompimento de alguma fita. A parada é acionada por senso-
res óticos ou pelo contato entre os cilindros condutores da gaiola.
No momento que o passador é alimentado com diferentes fitas, ocorre a mistura entre fibras de mesma
ou diferente origem. Uma das maneiras de definir o percentual de cada fibra no produto final é pela mistu-
ra de fitas de fibras de diferentes origens.
Exemplo: Quando se quer um produto 50% poliéster e 50% algodão, é necessário abastecer a gaiola do
passador com 4 fitas de poliéster e 4 fitas algodão com o mesmo título médio.

7.3.3 O TREM DE ESTIRAGEM

Após as fitas serem alimentadas pela ação das gaiolas, elas são estiradas pelo trem de estiragem.
O trem de estiragem consiste em pares de cilindros com velocidades periféricas diferentes. Os cilindros
superiores são de aço, cobertos com borracha, e são pressionados sobre os cilindros inferiores, compos-
tos por aço ranhurado, conforme a figura 73.

Davi Leon

Figura 73 - (a) Conjunto de cilindros do trem de estiragem; (b) Trem de estiragem sem os cilindros de borracha superiores
Fonte: Adaptado de (a) Catálogo Trützschler (2006; (b) Senai/Cetiqt (2016)

10 Falsa estiragem é o nome dado para a estiragem que não é esperada, ou seja, que não foi programada.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
251

Os sistemas mais utilizados são 3/3 ou 4/3, ou seja, 4 ou 3 cilindros de borracha sobre 3 cilindros de aço
ranhurados.
A estiragem acontece devido à diferença de velocidades entre os pares de cilindros, sendo que a velo-
cidade do primeiro par de cilindros (1) é maior que a do segundo (2), e a velocidade do segundo é maior
que a do terceiro (3). Entre o segundo par de cilindros e o terceiro, ocorre a estiragem parcial, com menor
afinamento da massa, podendo variar de 1,2 a 1,8 vezes. Entre o primeiro (1) e o segundo, ocorre a estira-
gem principal, com maior afinamento da massa, podendo variar de 4 a 7 vezes. A estiragem total do trem
de estiragem, medida entre o primeiro par cilindro e o terceiro, pode variar de 4 a 11 vezes.
O quarto cilindro de borracha (4), colocado sobre o primeiro cilindro ranhurado, proporciona um cuida-
doso desvio da fita na saída do trem de estiragem, e a barra de pressão (5) ajustável no campo de estiragem
principal garante uma condução controlada, mesmo para fibras curtas.
O braço pendular é o responsável por exercer a pressão dos cilindros de borracha sobre os cilindros de
aço, para poderem puxar as fibras e passá-las para os próximos pares de cilindros. Existem vários sistemas
de pressão: pesos, hidráulico, molas, pneumático ou magnético, sendo o mais utilizado o Pneumático,
conforme a figura 74.

Ana Beatriz Silva

Figura 74 - Braço pendular com sistema pneumático de pressão


Fonte: Adaptado de Catálogo Trützschler (2006)

7.3.4 O ESCARTAMENTO – REGULAGEM DO TREM DE ESTIRAGEM

Escartamento é a distância entre os cilindros do trem de estiragem, o qual deverá ser maior que o compri-
mento médio das fibras. A sua regulagem é fundamental para o bom funcionamento do trem de estiragem.
O escartamento pode ser de dois tipos (figura 75):
a) Escartamento mecânico – é a distância entre o centro de dois cilindros do conjunto de estiragem;
b) Escartamento prático – é a distância entre o ponto de pinçagem da massa de dois pares de cilindros
do conjunto de estiragem.
FIAÇÃO - VOLUME 2
252

Davi Leon
Figura 75 - Representação do escartamento mecânico e prático
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

É importante que o escartamento não esteja fechado nem aberto em relação ao comprimento médio
das fibras em processo.
Caso esteja fechado, teremos o aumento de fibras quebradas, ou seja, uma redução do comprimento
das fibras, o que certamente terá um impacto negativo na qualidade do produto final. Nesse caso, ainda po-
demos ter queda da eficiência e aumento de desperdício provocado pela parada do trem de estiragem, em
função da interrupção do fluxo da massa de fibra que embola nos cilindros, formando uma “bucha de fibras”.
Caso o escartamento esteja aberto, teremos o aumento de fibras flutuantes, ou seja, o aumento de
fibras entre os cilindros sendo transportada com uma velocidade com muitas variações, produzindo assim
um produto final mais irregular.

7.3.5 PROBLEMAS DE ESTIRAGEM

Para compreendermos “o defeito de estiragem”, precisamos observar o comportamento das fibras indi-
vidualmente, ao longo do processo de estiragem.
No processo de estiragem, com a medida que as fibras individualmente entram em contato com os
pares de cilindros do trem de estiragem, elas são separadas umas das outras e redistribuídas ao longo da
massa de fibras, ocorrendo assim seu afinamento, ou seja, a estiragem. Isso só é possível porque os pares
de cilindros do trem de estiragem provocam o aumento da velocidade dessas fibras, separando-as das
outras fibras que estão mais lentas, pois ainda não entraram em contato com o par de cilindros.
Na figura 76, podemos observar, no 1º momento, que as fibras representadas pelas linhas verdes e
vermelhas estão juntas. Já no 2º momento, elas estão separadas. Essa separação ocorreu pela diferença
de velocidade entre elas provocada, pelo contato prematuro da fibra vermelha com o 1º par de cilindros.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
253

Davi Leon
Figura 76 - Separação das fibras por diferença de velocidade
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

A intensidade da estiragem vai depender sempre da diferença de velocidade entre a entrada e saída das
fibras. Devemos observar na figura 77 que os cilindros só entram em contato com as fibras mais externas
da massa de fibras em função da sua espessura. As fibras mais internas, em geral, são movimentadas a uma
velocidade menor, graças ao atrito com as fibras da camada externa.
Davi Leon

Figura 77 - Representação das fibras que não ficam em contato com a superfície dos cilindros
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
254

Além disso, como é necessário que a distância entre a sucessão de cilindros do trem de estiragem seja
maior que o comprimento das fibras, temos uma grande variação de sua velocidade ao longo do processo
de estiragem, já que, quando a fibra estiver solta entre dois os cilindros, sua velocidade será determinada
em função do contato com as fibras presas ao cilindro posterior, com maior velocidade, e pelo contato com
as fibras presas ao cilindro inferior, com menor velocidade.
Podemos afirmar que, em função das variações de velocidade anteriormente citadas, a distribuição de
fibras ao longo da massa após a ação do trem de estiragem não é regular. Portanto, a uniformidade do
material sempre será prejudicada pela operação de estiragem. Essa irregularidade é denominada “onda
de estiragem”.

7.3.6 SAÍDA DO PASSADOR: CONDENSADOR, FUNIL, CALANDRAS E PRATO GIRATÓRIO

Após as fibras serem estiradas pelo trem de estiragem, é necessário condensá-las no condensador (1) e
no funil (2), para aumentar a resistência do material.

Davi Leon

Figura 78 - Elementos da saída do passador


Fonte: Adaptado de Lord (2003)

É importante saber que o funil é trocado de acordo com o título da fita de saída. Para facilitar, cada fabri-
cante da máquina apresenta uma tabela no seu manual, para determinar o diâmetro do funil a ser utilizado
em relação ao título da fita de carda.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
255

Um funil com o orifício grande demais em relação ao seu diâmetro ocasiona uma fita fraca, tendo que-
bras constantemente; e um funil com o orifício pequeno demais ocasiona uma fita dura, dificultando a
estiragem dos processos subsequentes, consequentemente ocorrendo rupturas em excesso.
A fita de passador já está pronta. Basta agora depositá-la em um compartimento para ser transportada
para a próxima etapa do processo. Na saída do passador, as fitas são puxadas pelas calandras (3) e depo-
sitadas por meio de um prato giratório (4), em forma de espiral em uma lata (2). Após a metragem progra-
mada ser atingida, a máquina troca a lata automaticamente.

Davi Leon

Figura 79 - Saída do passador com troca automática da lata


Fonte: Adaptado de Klein (2014)

O passador pode produzir até 400 kg/h de fita, com títulos de 1,25 a 7,00 Ktex.

7.3.7 MONITORAMENTO AUTOMÁTICO DA REGULARIDADE: AUTORREGULADOR

Para a maioria dos produtos, é necessário que a fita passe novamente no passador, para garantir melhor
uniformidade de suas características, ou seja, menor variação ao longo do seu comprimento.
Falhas na fita de passador levam invariavelmente a falhas no fio. Depois do passador, não é mais possível
nenhuma melhoria da qualidade. Por isso é tão importante monitorar a qualidade das fitas da última passagem
de estiragem, metro por metro, e não permitir nenhuma produção fora dos limites de qualidade definidos.
Esse passador é chamado de “passador de 2ª passagem”, que geralmente possui um sistema autorregu-
lador (1). O autorregulador situa-se entre a gaiola e o trem de estiragem e tem a função de medir e corrigir
as variações de massa das fibras, conforme a figura 80.
FIAÇÃO - VOLUME 2
256

Essa medição é feita por dois discos apalpadores, onde medem a variação da massa das fitas e informa
um processador digital, que modifica as velocidades dos cilindros, modificando assim a estiragem. A figura
80 demonstra a localização (a) e os discos apalpadores (b).

Davi Leon

Figura 80 - (a) Localização do autorregulador; (b) Discos apalpadores


Fonte: Adaptado de Klein (2014)

Existem dois tipos de autorregulador (aberto e fechado), que podem ser combinados.
O autorregulador aberto mede as irregularidades da fita com um determinado padrão e os corrige após
a medição.
Davi Leon

Figura 81 - Autorregulador aberto


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
257

O autorregulador fechado mede as irregularidades das fitas com um determinado padrão e as corrige
antes da medição.

Davi Leon
Figura 82 - Autorregulador fechado
Fonte: Catálogo Trützschler (2006)

O autorregulador combinado mede as irregularidades com um determinado padrão e as corrige antes


e após a medição.

Davi Leon

Figura 83 - Autorregulador combinado


Fonte: Catálogo Trützschler (2006)

7.4 ESTIRO REUNIDOR – PREPARAR PARA PENTEAR

Após as fitas serem uniformizadas, o estiro reunidor é responsável por converter as fitas de passador em
um formato que adequado à penteagem, envolvendo algumas operações, como estiragem e duplicação.
FIAÇÃO - VOLUME 2
258

iStock/antoniotuzzi
Figura 84 - Visão geral da estiro reunidor

A figura 85 mostra a visão geral do setor de penteagem, com o estiro reunidor mostrando o processo
posterior (penteadeira) e anterior (passador).

Davi Leon

Figura 85 - Visão geral do setor de penteagem


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
259

Para obter um fio penteado, será necessário utilizar mais duas máquinas no processo de fiação: o estiro
reunidor e a penteadeira.
Após as fitas serem uniformizadas pelo passador, o estiro reunidor deverá converter as fitas de passador
em um formato adequado à penteagem, envolvendo algumas operações, como estiragem e duplicação.
Para adequar a massa de fibras para a ação de penteagem, o estiro reunidor possui as seguintes finali-
dades:
a) Formar um rolo de manta;
b) Rearranjar as fibras, para não danificarem as agulhas dos pentes da penteadeira;
c) Aumentar a regularidade da massa de fibras;
d) Evitar perda de fibras longas.
O estiro reunidor reúne até 32 fitas de passador, formando um rolo de manta.

Shutterstock/Yuangeng Zhang - junrong


Figura 86 - (a) Material de entrada – 24 a 32 fitas de carda ou penteadeira; (b) Material de saída – 1 rolo de manta

7.4.1 COMO FUNCIONA O ESTIRO REUNIDOR?

Vamos entender melhor o que acontece com as fibras no estiro reunidor?


Para entender o funcionamento do estiro reunidor, é necessário visualizar primeiramente os seus ele-
mentos. Na figura 87, temos uma imagem completa de todos os elementos da máquina, e nos itens se-
guintes será detalhada a função de cada um deles.
Davi Leon

Figura 87 - Elementos do estiro reunidor


Fonte: Adaptado de Klein (2014)
FIAÇÃO - VOLUME 2
260

7.4.2 ENTRADA DO ESTIRO REUNIDOR: GAIOLA

Após as fibras serem processadas pelo passador, as latas serão dispostas sob a gaiola. Existem duas
gaiolas que direcionam as fitas de passador, com ajuda de cilindros e guias, para dois trens de estiragem.
As gaiolas estão representadas na figura 88.

(a) iStock/danishkhan (b) Thinkstock/moodboard


Figura 88 - (a) Gaiola do estiro reunidor; (b) Visão aproximada das guias das fitas

As fitas são direcionadas por duas gaiolas, sendo uma gaiola para cada trem de estiragem, e a alimenta-
ção pode chegar até 18 latas por gaiola, totalizando uma duplicação de até 36 fitas.

7.4.3 O TREM DE ESTIRAGEM

Agora, as fitas entregues pela gaiola vão passar pelos dois trens de estiragem, parecidos com o trem de
estiragem do passador. Geralmente, a configuração do trem de estiragem pode ser de 3/3 ou 4/4, sendo 3
ou 4 cilindros de borracha sobre 3 ou 4 cilindros de aço. A figura 89 mostra a estiragem 4/4.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
261

Fagner Mariano
Figura 89 - Trem de estiragem do estiro reunidor (4/4)
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

A estiragem do estiro reunidor varia de 1,14 a 3,33 vezes.


O véu criado por cada trem de estiragem é direcionado para uma mesa onde os dois véus são sobrepos-
tos para entrar no dispositivo de enrolamento (figura 90).
Thinkstock/Antonio Truzzi

Figura 90 - Detalhamento do direcionamento dos véus no trem de estiragem


FIAÇÃO - VOLUME 2
262

7.4.4 ENROLAMENTO DA MANTA

O dispositivo de enrolamento é responsável por enrolar o véu de fibras em um tubo plástico para ali-
mentação da penteadeira.
Existem dois dispositivos de enrolamento:
a) Dispositivo de enrolamento por pistão (figura 91): o véu é puxado pelos cilindros da calandra e en-
tregue ao tubo da manta localizado sobre dois cilindros de enrolamento. Esse tubo é pressionado por
um pistão, possibilitando o enrolamento de forma uniforme.

Diego Fernandes

Figura 91 - Dispositivo de enrolamento por pistão


Fonte: Adaptado de Klein (2014)

b) Dispositivo de enrolamento por correia (figura 92): o véu é puxado por uma correia da largura do rolo
de manta.
Diego Fernandes

Figura 92 - Sequenciamento do dispositivo de enrolamento por correia


Fonte: Adaptado de Klein (2014)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
263

O rolo de manta pode pesar até 25 kg, com 650 mm. A produção do estiro reunidor poderá atingir 520 kg/h.

7.5 PENTEADEIRA – AGREGAR VALOR AO PRODUTO

Todas as operações realizadas pela penteadeira garantirão uma melhoria da matéria- prima, possibili-
tando produzir fios finos com alta uniformidade, resistência, limpeza, maciez e uma boa aparência visual.

Shutterstock/Yuangeng Zhang
Figura 93 - Visão geral da penteadeira

A penteadeira possui as seguintes funcionalidades:


a) Remover as fibras curtas;
b) Remover as impurezas;
c) Remover os neps;
d) Alinhar as fibras para garantir maior uniformidade.
Após as fitas serem transformadas em um rolo de manta no estiro reunidor, elas estarão preparadas
para serem penteadas.
O material de entrada são 8 rolos de manta, produzindo 1 fita, envolvendo operações de limpeza,
duplicação e estiragem.
(a) Istock/zhengzaishuru (b) Shutterstock/chungking

Figura 94 - (a) Material de entrada – rolo de manta; (b) Material de saída – 1 fita de penteadeira
FIAÇÃO - VOLUME 2
264

7.5.1 FUNCIONAMENTO DA PENTEADEIRA

Vamos entender melhor o que acontece com as fibras na penteadeira?


Para entender o funcionamento da penteadeira, é necessário visualizar primeiramente seus elementos
na figura 95. Nos itens a seguir, estudaremos cada elemento da máquina separadamente.

Diego Fernandes

Figura 95 - Elementos do estiro reunidor


Fonte: Adaptado de Klein (2014)

7.5.2 ELEMENTOS RESPONSÁVEIS PELA ALIMENTAÇÃO

Os rolos de manta enrolados pelo dispositivo de enrolamento do estiro reunidor precisam ser desenro-
lados para serem penteados.
A penteadeira é alimentada com 8 rolos de manta, ou seja, possui 8 cabeças idênticas.
Analisando uma das cabeças na figura 96, podemos ver que um rolo de manta é colocado sobre dois
cilindros que giram em velocidade constante, desenrolando-o com a mesma tensão durante cada ciclo
de penteagem. Logo após, a manta é direcionada para o cilindro alimentador localizado antes das pinças.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
265

Diego Fernandes
Figura 96 - Cilindros responsáveis pela alimentação da penteadeira
Fonte: Adaptado de Klein (2014)

7.5.3 ELEMENTOS RESPONSÁVEIS PELA PENTEAGEM

O setor de penteagem envolve alguns elementos, que estão destacados na figura 97 e vão ser detalha-
dos nos itens seguintes.
Diego Fernandes

Figura 97 - Elementos responsáveis pela penteagem


Fonte: Adaptado de Klein (2014)
FIAÇÃO - VOLUME 2
266

AS PINÇAS

O principal objetivo das pinças é segurar e movimentar a massa de fibras, para que elas possam ser
penteadas.
Para que isso ocorra, é necessário um par de pinças (inferior e superior) com geometria necessária para
gerar uma pressão ideal sobre a massa de fibras, para que elas não escapem durante a ação do pente circular.
A geometria das pinças está detalhada na figura 98 (a) e (b).

Diego Fernandes/Fagner Mariano


Figura 98 - (a) Geometria das pinças: 1 – superior e 2 – inferior; (b) Par de pinças da penteadeira
Fonte: (a) Adaptado de Klein (2014) e (b) Senai/Cetiqt (2016)

As pinças fazem o movimento de avanço e recuo a cada ciclo de penteagem. A pinça superior realiza ao
mesmo tempo os movimentos de subida e descida, os quais são responsáveis pela mordedura11 da massa
de fibra no momento do ciclo de penteagem.

PENTE CIRCULAR

O pente circular é o principal responsável pela ação de penteagem, retirando neps, impurezas, fibras
curtas e alinhando a massa das fibras a cada ciclo da penteagem.
O pente circular consiste em um cilindro coberto com guarnições metálicas, conforme a figura 99.

11 Pressão exercida pelas pinças sobre a massa de fibra.


7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
267

Diego Fernandes/Fagner Mariano


Figura 99 - (a) Ilustração lateral do pente circular; (b) Pente circular.
Fonte: (a) Adaptado de Klein (2014) e (b) Senai/Cetiqt (2016)

A densidade do número de pontas (pontas/cm) aumenta gradualmente desde a primeira fileira até a
última. Esse aumento de densidade das pontas proporciona uma intensidade de penteagem gradual, a fim
de não danificar as fibras que ainda não estão devidamente alinhadas.

PENTE FIXO

Após as fibras serem penteadas pelo pente circular, elas serão puxadas pelos cilindros desagregadores
e, ao mesmo tempo, passarão pelas agulhas do pente fixo, localizadas entre os cilindros e as pinças.
A quantidade regular é de 26 agulhas/cm, mas também podem ser usados pentes mais grossos ou mais
finos (23, 29, 32 ou 35 agulhas/cm), dependendo da matéria-prima.
A figura 100 mostra o pente fixo e o detalhe de suas agulhas.
Diego Fernandes/
Fagner Mariano

Figura 100 - (a) Pente fixo; (b) Detalhe das agulhas do pente fixo
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

CILINDROS DESTACADORES

Posteriormente à ação do pente circular, os cilindros destacadores retornam o véu já formado anterior-
mente para a realização da emenda, que consiste na colocação de um feixe de fibra sobre outro, de forma
uniforme. Logo depois da realização da emenda, os cilindros giram novamente no sentido contrário para
consolidar a emenda. Os cilindros superiores são recobertos de borracha, e os cilindros inferiores são de
aço com ranhuras (figura 101).
FIAÇÃO - VOLUME 2
268

Diego Fernandes/Fagner Mariano


Figura 101 - (a) Cilindros destacadores; (b) Detalhe dos cilindros destacadores na penteadeira
Fonte: (a) Adaptado de Klein (2014) e (b) Senai/Cetiqt (2016)

TRANSFORMAÇÃO DO VÉU EM FITA

O véu de fibras resultante da penteagem precisa ser transformado em fita para o abastecimento da
máquina seguinte do processo de fiação.
Para acontecer essa transformação, é preciso que os cilindros destacadores entreguem o véu para os
cilindros de remoção sem rompê-lo, necessitando a formação de uma reserva de véu entre eles, localizado
sob a placa do véu. Os cilindros de remoção entregam o véu ao condensador e as calandras localizadas
abaixo do mesmo, para formar a fita, apresentada na figura 102.
Paulo Cordeiro

Figura 102 - Vista superior dos elementos responsáveis em transformar o véu em fita
Fonte: Adaptado de Klein (2014)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
269

A fita formada é defletida em 90º e entregue para uma mesa que guia todas as fitas formadas de cada ca-
beça para o trem de estiragem, mostrado na figura 103. A produção da penteadeira pode atingir até 400 kg/h.

iStock/Danish Khan

Figura 103 - Vista superior da deflexão de 90º das fitas na penteadeira

7.5.4 SINCRONISMO DOS ELEMENTOS DA PENTEAGEM

Agora que você conhece os elementos, veja como é o funcionamento de cada ciclo da penteagem:

1º passo

1º passo: o cilindro alimentador (1) gira e movimenta


uma quantidade da massa de fibras (2) entre as pinças (3
e 4), que estão abertas.
Paulo Cordeiro
FIAÇÃO - VOLUME 2
270

2º passo

2º passo: a pinça superior (3) se movimenta para bai-


xo e prende a massa de fibras juntamente com a pinça
inferior (4).

Paulo Cordeiro

3º passo

3º passo: o pente rotativo (5) penteia a massa de fi-


bras. As impurezas, fibras curtas e neps ficam presos nos
dentes do pente (6). A limpeza do pente é realizada por
uma escova que se localiza abaixo do mesmo.
Paulo Cordeiro

4º passo

4º passo: a pinça superior (3) abre e se movimenta em


direção aos cilindros de retrocesso (7), desprendendo a
massa de fibras (2).
Paulo Cordeiro

5º passo

5º passo: os cilindros de retrocesso (7) giram, retor-


nando com as fibras (8) já penteadas no ciclo anterior, e
o feixe de fibras penteadas (2) é colocado sobre as que
retornaram, fazendo a emenda.
Paulo Cordeiro
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
271

6º passo

6º passo: os cilindros de retrocesso (7) invertem o


sentido de rotação e puxam o feixe de fibras sobrepostas
através das agulhas do pente fixo (9), deixando-as mais
alinhadas e finalizando a emenda. Logo após as pinças
voltam para a posição inicial e inicia-se um próximo ciclo
de penteagem.
Paulo Cordeiro

Figura 104 - Sincronismo da operação de penteagem


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

7.5.5 TREM DE ESTIRAGEM

As oito fitas formadas são puxadas pelo trem de estiragem para serem transformadas em uma fita e
depositadas em forma de espiral em uma lata.
Como já foi visto no passador, o trem de estiragem é responsável por aumentar o alinhamento e afinar
a massa de fibras.
O trem de estiragem da penteadeira é posicionado de forma inclinada, onde as fitas são puxadas de
baixo para cima.
Os sistemas mais utilizados são 3/3 ou 4/3, ou seja, 3 cilindros de borracha sobre 3 cilindros de aço ra-
nhurados ou 4 cilindros de borracha sobre 3 cilindros de aço ranhurados, conforme a figura 105.
Paulo Cordeiro

Figura 105 - Cilindros do trem de estiragem da penteadeira (3/3)


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
272

Após o trem de estiragem, as fitas são depositadas em uma lata, conforme já detalhado no processa-
mento das fibras no passador, e são direcionadas normalmente para mais uma passagem no passador de
2ª passagem.
A estiragem na penteadeira varia de 9,12 a 25,12 vezes.

7.5.6 COMO EVITAR A PERDA DE FIBRAS LONGAS DURANTE A PENTEAGEM?

A preparação da penteagem é essencial para evitar perda de fibras longas (boas), que aumentam o
custo do produto final.
Para conseguir realizar uma penteagem com eficiência, devemos ficar atento a três aspectos importantes:
a) Os ganchos das fibras devem ser dianteiros no momento da penteagem;
b) A massa de fibras não deve ter pontos altos;
c) As fibras devem estar paralelas.
Pesquisas mostram que, para um bom desempenho na penteagem das fibras, os ganchos devem
estar posicionados para frente (ganchos dianteiros), conforme a figura 106.
Diego Fernandes

Figura 106 - Gancho dianteiro na penteadeira


Fonte: Adaptado de Klein (2014)

A fita produzida pela carda possui, na sua maioria, ganchos na parte traseira (ganchos traseiros). Assim,
devemos ter um número par de processos entre a carda e a penteadeira, como mostram as figuras 107 e 108.
Diego Fernandes

Figura 107 - Ilustração dos ganchos traseiros na fita de carda


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
273

Diego Fernandes
Figura 108 - Posição dos ganchos em cada máquina da preparação da penteagem
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

A fibra deve ser uniforme em toda sua extensão, então se a fita de carda alimentasse a penteadeira,
ocorreria o risco de a pinça não segurar as extremidades das fitas menos comprimidas (figura 109), devido
aos pontos altos na parte interna. As fibras das extremidades seriam puxadas sob forma de flocos pelo
pente circular e seriam eliminadas.

Diego Fernandes
Figura 109 - Ilustração do par de pinças não segurando as extremidades da massa de fibras
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

As fibras que alimentam a penteadeira devem estar paralelas. Se não estiverem, elas serão alimentadas
ao pente circular como se fossem fibras curtas e consequentemente serão eliminadas, conforme a figura 110.
Diego Fernandes

Figura 110 - Ilustração das fibras longas sendo eliminadas junto com as curtas
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

7.6 MAÇAROQUEIRA – O MAL NECESSÁRIO

Seguindo o fluxograma do processo de um fio (cardado ou penteado) produzido em filatório por anel,
a maçaroqueira é a próxima máquina a receber as fitas do passador. Após o processamento, o material sai
na forma de um pavio.
FIAÇÃO - VOLUME 2
274

Depois que o passador melhorou a uniformidade das características da massa de fibras que estão no
formato de uma fita, a maçaroqueira vai preparar as fibras para serem transformadas finalmente no produ-
to final da fiação: o fio.

(a) Shutterstock/junrong (b) Shutterstock/kuruneko


Figura 111 - (a) Material de entrada – 1 fita do passador; (b) Material de saída – 1 pavio

A maçaroqueira é considerada o mal necessário, porque ela existe somente para


reduzir o espaço físico para alimentação do filatório por anel. A embalagem da ma-
CURIOSI çaroqueira, ou seja, a maçaroca, ocupa muito menos espaço do que uma lata com
DADES fita de passador.
Ela é mais um processo da fiação, mas não agrega valor ao produto – “o mal” é “ne-
cessário” para reduzir o espaço físico.

A maçaroqueira tem a função de:


a) Estirar, ou seja, melhorar o alinhamento da fibra e afinar o material;
b) Dar uma pequena torção, suficiente para o material enrolar e desenrolar da canela (mais adiante,
veremos do que se trata a canela).
Davi Leon

Figura 112 - (a) Operação de estiragem; (b) Operação de torção


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
275

7.6.1 ELEMENTOS DA MAÇAROQUEIRA

Para entender o funcionamento da maçaroqueira, é necessário visualizar primeiramente seus elemen-


tos, indicados na figura 113.

Senai/Cetiqt/Diego Fernandes
Figura 113 - Elementos da maçaroqueira
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

FIQUE Seus elementos se repetem lado a lado em toda a largura da máquina. Cada conjun-
ALERTA to de componentes produz um pavio.

GAIOLA

Após o processamento das fibras no passador, as latas (1) são transportadas para a maçaroqueira e co-
locadas sob a gaiola (2), mostradas na figura 114.
A gaiola (2) tem a finalidade de abastecer o trem de estiragem, tendo que ter o cuidado necessário para
que não ocorra a falsa estiragem na fita, causando defeitos no pavio.
Cada fita tem as suas próprias guias (3) na gaiola (2) de alimentação, para evitar desfibramentos das fi-
bras, causando maior pilosidade12 no pavio.

12 Refere-se às fibras soltas na superfície do material – “pelos”.


FIAÇÃO - VOLUME 2
276

iStock/antoniotruzzi
Figura 114 - Gaiola da maçaroqueira

TREM DE ESTIRAGEM

A fita é conduzida pela gaiola até o trem de estiragem da maçaroqueira. Como já foi visto no passador e
na penteadeira, o trem de estiragem é responsável por aumentar o alinhamento e afinar a massa de fibras.
A diferença do trem de estiragem da maçaroqueira em relação ao do passador e da penteadeira é que
ele possui um sistema de duplo manchão, responsável por controlar as fibras curtas no momento da
estiragem principal (figura 115).
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
277

Diego Fernandes
Figura 115 - Trem de estiragem da maçaroqueira com o sistema de manchão em destaque
Fonte: Adaptado de Klein (2014)

Os esticadores (1) que são responsáveis por esticar o manchão13 (2) podem ter comprimentos diferen-
tes para cada origem e característica da matéria-prima (figura 116).

Davi Leon

Figura 116 - Sistema de manchão do trem de estiragem da maçaroqueira


Fonte: Adaptado de Klein (2014)

13 Nome dado a uma correia que fica em volta dos cilindros do trem de estiragem.
FIAÇÃO - VOLUME 2
278

Os sistemas mais utilizados são 3/3 ou 4/4, ou seja, 3 cilindros de borracha sobre 3 cilindros de aço ra-
nhurados, ou 4 cilindros de borracha sobre 4 cilindros de aço ranhurados.

Diego Fernandes
Figura 117 - Trem de estiragem da maçaroqueira: (a) 3/3; (b) 4/4
Fonte: Adaptado de Klein (2014)

VOADOR

Logo após o trem de estiragem, as fibras recebem uma leve torção pelo voador.
O voador é responsável por aplicar a torção e o enrolamento do pavio na canela. Cada volta do voador
insere uma torção no pavio e enrola uma espira14 na canela.
Podemos concluir que a torção acontece entre o primeiro cilindro do trem de estiragem e o voador.

Senai/Cetiqt/Diego Fernandes

Figura 118 - Local onde ocorre a torção


Fonte: Adaptado de Klein (2014)

14 Uma volta completa do pavio na canela.


7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
279

Para calcular a torção/metro inserida no pavio, é necessário usar a seguinte fórmula:

T Rotação do voador (rpm)


=
m Velocidade de saída do trem de estiragem(m / min)

Como a rotação do voador é sempre constante, a torção depende da velocidade


FIQUE de entrega. Então, quanto maior a velocidade de saída do 1º cilindro do trem de
ALERTA estiragem, menor será a torção; e quanto maior a torção, menor será a produção da
maçaroqueira (m/min).

FUSO

O fuso é um suporte e mecanismo de acionamento da rotação da canela. A quantidade de fusos depen-


de de cada fabricante de maçaroqueira, podendo variar de 16 a 192 fusos.
Diego Fernandes

Figura 119 - Fuso da maçaroqueira


Fonte: Adaptado de Klein (2014)
FIAÇÃO - VOLUME 2
280

CANELA

A canela é um componente de plástico, no qual é enrolado o pavio para ser transportado para o filató-
rio de anel. A embalagem formada é chamada de “maçaroca”.

Diego Fernandes

Figura 120 - Maçaroca (Canela + Pavio)


Fonte: Adaptado de Klein (2014)

A canela possui três movimentos que possibilitam o enrolamento do pavio e a formação da embalagem.
São eles:
a) giratório – a canela gira a partir do movimento do fuso;
b) subida – a canela sobe a partir do movimento que o carro faz para cima;
c) descida – a canela desce a partir do movimento que o carro faz para baixo.

7.6.2 FORMAÇÃO DA EMBALAGEM – MAÇAROCA

A formação da embalagem consiste em enrolar o pavio na canela. Sabendo que o voador só possui o
movimento giratório durante a operação da maçaroqueira, é necessário que ocorram algumas ações dos
demais elementos para formar a embalagem:
a) O carro deve se movimentar para cima e para baixo, para as espiras serem enroladas lado a lado,
conforme a figura 121;
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
281

Davi Leon
Figura 121 - Ilustração da embalagem com corte transversal do lado direito, mostrando o movimento do carro
Fonte: Adaptado de Klein (2014)

O carro diminua o percurso após cada camada depositada, para formar uma embalagem no formato
“tronco-cônico”, a fim de evitar que as extremidades se desmanchem.
Davi Leon

Figura 122 - Diminuição do percurso do carro


Fonte: Adaptado de Klein (2014)
FIAÇÃO - VOLUME 2
282

b) Redução da velocidade linear do carro, devido ao aumento do diâmetro (Ø) a cada camada de pavio
depositada;
c) Redução da rotação da canela, devido ao aumento do diâmetro (Ø) a cada volta do material.

Davi Leon/Diego Fernandes

Figura 123 - Ilustração do aumento do diâmetro da embalagem a cada camada depositada do pavio
Fonte: Adaptado de Klein (2014)

Atualmente, nas maçaroqueiras mais modernas, para sincronizar todos esses movimentos, existem ser-
vomotores individualizados para cada elemento da máquina, garantindo uma formação da embalagem,
de forma que não seja necessário diferenciais, polias cônicas e inúmeras engrenagens que faziam parte do
antigo mecanismo de estalo.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
283

Davi Leon
Figura 124 - Servomotores dos principais elementos da maçaroqueira
Fonte: Adaptado de Klein (2014)

7.6.3 TIPOS DE TRANSPORTE

Após o comprimento desejado do pavio enrolado na canela ser concluído, é necessário descarregar a
maçaroqueira para produzir novamente outras embalagens.
O descarregamento (ou arriada da maçaroqueira) pode ocorrer manualmente ou automaticamente
(figura 125).
Senai/Cetiqt/Diego Fernandes

Figura 125 - Tipos de transporte da maçaroqueira para o filatório de anel


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
284

O transporte manual ocorre com a intervenção de um operador, o qual terá que retirar as embalagens
da maçaroqueira, colocá-las em um carro de transporte e empurrá-lo até o filatório de anel.

Luiz Meneghel
Figura 126 - Transporte manual das maçaroqueiras para o filatório de anel
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

O transporte manual ocorre com a intervenção de um operador, conforme a figura 127. O operador (1)
terá que retirar as embalagens da maçaroqueira (2), colocá-las em um carro de transporte (3) e empurrá-lo
até o filatório de anel.
Davi Leon

Figura 127 - Transporte manual


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

O transporte automático ocorre sem a intervenção de um operador (figura 128). As embalagens da maçaro-
queira (1) são retiradas por um mecanismo automático (2) e transportadas por trilhos (3) até o filatório de anel.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
285

Luiz Meneghel
Figura 128 - Transporte automático
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

FIQUE A maçaroqueira não é utilizada para o processo de formação do fio no filatório por
rotor nem no filatório por jato de ar. A fita do passador abastece diretamente os fila-
ALERTA tórios citados.

7.7 FILATÓRIO POR ANEL – FINALMENTE O PRODUTO FINAL

Você está acompanhando o processo de transformação das fibras, desde que elas entraram no sistema
de abertura até se transformarem em um pavio na maçaroqueira. Finalmente, as fibras estão preparadas
para serem transformadas em fio.
O filatório de anel recebe o pavio da maçaroqueira, e, após o processamento, o material sai na forma
de um fio singelo em espula.
(a) Shutterstock/kuruneko (b) Shutterstock/zhengzaishuru

Figura 129 - (a) Material de entrada – 1 pavio; (b) Material de saída – 1 fio
FIAÇÃO - VOLUME 2
286

A formação do fio envolve 3 operações:


a) Estiragem para reduzir a massa de fibras até o título desejado;
b) Inserir torção para tornar o fio resistente;
c) Enrolar o material.

7.7.1 ELEMENTOS DO FILATÓRIO POR ANEL

O mecanismo de produção de um fio no filatório de anel consiste em uma unidade de estiragem, se-
guida de uma combinação de torção e enrolamento. Tem o objetivo de produzir um fio com a melhor
distribuição possível das suas características, como a uniformidade de massa.
Para entender o funcionamento do filatório de anel, é necessário conhecer primeiramente o conjunto
de elementos responsável pela produção do fio. Falaremos sobre esses elementos nas seções seguintes.

Artur Paz

Figura 130 - Elementos do filatório de anel


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
287

FIQUE Um filatório produz diversos fios simultaneamente, por isso cada conjunto de ele-
mentos responsáveis pela produção de um fio está disposto lado a lado ao longo de
ALERTA toda a largura da máquina.

GAIOLA

Após o transporte das embalagens da maçaroqueira até o filatório de anel, elas serão colocadas na
gaiola.
A gaiola possui dois componentes importantes presos em sua estrutura metálica:
Suporte da maçaroca (1) – é responsável por prender a maçaroca na gaiola;
Varão orientador (2) – objetiva orientar a posição do pavio para um eficiente desenrolamento da
maçaroca.

iStock/zhengzaishuru

Figura 131 - Gaiola do filatório de anel

TREM DE ESTIRAGEM

O pavio é direcionado para o trem de estiragem do filatório por anel, que é parecido com o da maçaro-
queira. É nesse elemento do filatório que definimos a finura do produto final, ou seja, o título desejado no fio.
FIAÇÃO - VOLUME 2
288

Luiz Meneghel
Figura 132 - Trem de estiragem do filatório de anel
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

O trem de estiragem contém os seguintes componentes:


a) O funil de entrada (1) é responsável por determinar a posição de entrada do pavio no trem de
estiragem;
b) Os cilindros de borracha e de aço ranhurados (2), juntos, estiram a massa de fibras;
c) Os manchões (3) são responsáveis por controlar as fibras curtas no momento da estiragem principal;
d) O braço pendular (4) pressiona os rolinhos de borracha contra os cilindros canelados e recartilhados;
e) Os limpadores inferiores e superiores (5) são responsáveis pela limpeza dos cilindros superiores e
inferiores do trem de estiragem.
A estiragem no filatório de anel varia de 8 a 80 vezes, e o escartamento tem o valor de até 70 mm! Além
disso, podemos fazer fios no filatório de anel com títulos de 3,6 tex (160 ne) até 147,5 tex (4 ne).
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
289

ELEMENTOS DA FORMAÇÃO DA EMBALAGEM

Após as fibras serem estiradas no trem de estiragem do filatório de anel e torcidas, é necessário fazer o
enrolamento das fibras em formato de fio na espula. Para que isso aconteça, é necessária a atuação de seis
componentes: fuso, viajante, rabo-de-porco, quebra balão, anel e mesa de anéis.

Artur Paz

Figura 133 - Elementos da formação da embalagem


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

O grande responsável pela torção é o fuso. Os fusos são movimentados por motores ligados por
correias.
O filatório de anel possui de 144 a 1.680 fusos, chegando a 25.000 rotações/minuto. A torção no filatório
de anel varia de 100 a 3.500 torções por metro.
O rabo-de-porco (ou guia-fio) tem como finalidade principal guiar o fio no enrolamento, sem deixar que-
forme um balão na saída do trem de estiragem, permitindo com isso uma melhor uniformidade da torção.
Já o quebra balão diminui o balão para que o fio não sofra uma tensão muito alta.
FIAÇÃO - VOLUME 2
290

Ana Beatriz Silva

Figura 134 - Guia-fio e quebra balão


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

O anel e o viajante são elementos essenciais para o enrolamento do fio na espula que está encaixada
no fuso.
O viajante é uma peça metálica ou plástica, com vários formatos, que gira livremente ao redor do anel.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
291

Artur Paz
Figura 135 - Anel e vários formatos do viajante
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

O fio passa entre o anel e o viajante para depois ser enrolado na espula. O movimento de rotação do
fuso puxa o fio e consequentemente movimenta o viajante em torno do diâmetro do anel. Podemos dizer
que o anel serve de pista para o viajante. O atrito entre o anel e o viajante viabiliza o enrolamento, devido
à diminuição da velocidade do viajante em relação à velocidade do fuso.
Artur Paz

Figura 136 - Imagem do corte transversal do anel e do viajante


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Além de servir de pista para o viajante, o diâmetro do anel é um fator limitante para a quantidade de fio
que será enrolado na espula. Então, podemos ter anéis com diâmetros de: 36, 38, 40, 42, 45, 48, 51 e 54 mm.
FIAÇÃO - VOLUME 2
292

Ana Beatriz Silva


Figura 137 - Diâmetro do anel
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

A largura do flange do anel também é padronizada. Vejamos:


Ana Beatriz Silva

Figura 138 - Largura do flange


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
293

FORMAÇÃO DA EMBALAGEM

A formação da embalagem do filatório de anel é mais complexa que a da maçaroqueira, dependendo


principalmente do movimento da mesa de anéis, onde o fio está preso pelo viajante.
No enrolamento do fio no recipiente da embalagem ligeiramente cônico, o qual está encaixado no fuso
do filatório de anel, o fuso se mantém estável somente com o movimento giratório, e a mesa sobe e desce.
A formação da embalagem divide-se em três partes distintas:
a) Base em forma de barril;
b) Parte intermediária em forma cilíndrica;
c) Ponta em forma de cone.

Artur Paz

Figura 139 - Partes da embalagem do filatório por anel


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

FIQUE O enrolamento do fio no recipiente da embalagem do filatório de anel sempre co-


ALERTA meça de baixo para cima, ou seja, pela parte da base.
FIAÇÃO - VOLUME 2
294

Na base, a mesa de anéis sobe e desce, formando uma camada onde as espiras são depositadas lenta-
mente, lado a lado, no momento de subida, e depositadas rapidamente, de forma inclinada e aberta, no
momento de descida da mesa.
A amplitude de cada camada é sempre a mesma, proporcionando a formação de camadas com volu-
mes sempre iguais. Conclui-se então que, a cada camada depositada, aumenta-se o diâmetro “d” da cama-
da e, consequentemente, diminui sua largura “b”. A cada camada depositada, a mesa de anéis é suspensa
por uma quantidade constante “h”, formando assim uma curva na base da embalagem. Para compreender
melhor a formação de camadas, observe a imagem a seguir:

Artur Paz

Figura 140 - Formação da base da embalagem do filatório de anel


Fonte: Adaptado de Klein (2014)

A ponta e a parte cilíndrica da embalagem são formadas em seguida. Como já vimos, a subida da mesa
de anéis (6) é lenta e a descida é rápida, o que resulta em uma menor quantidade de fio enrolada na parte
superior da camada, formando a parte cônica. A partir de certo diâmetro, a parte superior fica com a mes-
ma espessura que a parte inferior, formando assim a parte cilíndrica, onde seu diâmetro é limitado pelo
diâmetro do anel.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
295

Artur Paz
Figura 141 - Formação da ponta e da parte cilíndrica da embalagem do filatório de anel
Fonte: Adaptado de Klein (2014)

CASOS E RELATOS

Influência da matéria-prima no processo de fiação


Uma empresa têxtil, localizada no estado de Minas Gerais, fabrica fios 100% algodão, destinados
para produção de camisetas de malha masculina. Para reduzir o custo do produto, o gerente res-
ponsável pela compra do algodão aprovou a compra de um algodão mais barato, que possuía o
comprimento médio menor do que estavam comprando anteriormente.
Após a realização dos testes físicos das fibras de algodão no laboratório de qualidade, o técnico
têxtil, responsável pela manutenção das máquinas de fiação, informou os mecânicos a modificarem
as regulagens das máquinas, de acordo com as características determinadas da fibra. Conclui-se,
então, que é necessário ajustar as máquinas de acordo com as características da fibra utilizada para
fabricação do fio desejado.
FIAÇÃO - VOLUME 2
296

7.8 FILATÓRIO POR ROTOR – ECONOMIA EM PROCESSO

O filatório por rotor é uma tecnologia que dispensa o uso da maçaroqueira no processo de fabricação
de um fio e não necessita de uma conicaleira para produzir uma bobina cilíndrica15 ou cônica.

iStock/zhengzaishuru
Figura 142 - Filatório por rotor

O material de entrada é a fita de carda (ou passador), e o de saída, o fio singelo em bobina, envolven-
do operações de abertura, limpeza, estiragem e torção.
(a) iStock/baranozdemir (b) iStock/zhengzaishuru

Figura 143 - (a) Material de entrada – 1 fita; (b) Material de saída – 1 fio

15 Embalagem de fio com o formato de cilindro.


7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
297

Mas quais são as finalidades do filatório por rotor?


O filatório por rotor também tem a finalidade de estirar e torcer de forma definitiva a massa de fibras,
transformando-as em fio e enrolando-as em forma de bobina16.
A grande vantagem é o menor custo para o processamento, utilizando um número menor de máquinas
para obter o produto final. Não necessita do uso da maçaroqueira nem da conicaleira.
A desvantagem é não conseguir fazer alguns tipos de produtos, tais como os fios finos. Normalmente é
usado para produção de fios cardados de até 30 Ne.

Artur Paz
Figura 144 - Em destaque, o filatório por rotor
Fonte: Adaptado de Klein (2014)

7.8.1 ELEMENTOS DO FILATÓRIO POR ROTOR

Vamos entender melhor o que acontece com as fibras no filatório por rotor?
Para entender o funcionamento do filatório por rotor, é necessário conhecer primeiramente seus
elementos.
Artur Paz

Figura 145 - Elementos do filatório por rotor


Fonte: Adaptado de Klein (2014)

16 Embalagem de fio com formato cônico.


FIAÇÃO - VOLUME 2
298

ALIMENTAÇÃO DA FITA

A alimentação da fita é realizada pela ação da mesa de alimentação, do condensador e do cilindro


alimentador.
O cilindro alimentador é responsável por puxar a fita da lata e alimentar o cilindro abridor. O conden-
sador e a mesa têm o papel de condensar e guiar a fita, para garantir uma puxada constante e alimentar a
caixa de fiação.

Artur Paz

Figura 146 - Elementos que alimentam a fita na caixa de fiação


Fonte: Adaptado de Klein (2014)

CAIXA DE FIAÇÃO

As fibras são abertas e limpas pelo cilindro abridor (ou cardinha) e logo após são transportadas por
um canal de sucção, até chegar ao rotor.
As fibras depositadas no rotor são entrelaçadas ao fio já existente e retiradas pelo tubo de saída, em
forma de um novo fio.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
299

Fagner Mariano
Figura 147 - Caixa de fiação
Fonte: Adaptado de Klein (2014)

CILINDRO ABRIDOR (OU CARDINHA)

Após a fita ser alimentada na caixa de fiação do filatório rotor, as fibras encontrarão o cilindro abridor
(ou cardinha) e serão novamente abertas e limpadas.
O cilindro abridor é coberto de dentes metálicos, parecidos com as guarnições da carda, e giram a uma
velocidade muito maior que a do cilindro alimentador, obtendo assim uma alta estiragem.
A estiragem total pode chegar a 400 vezes em um filatório por rotor.
Fagner Mariano

Figura 148 - Cilindro abridor (ou cardinha)


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
300

Os dentes do cilindro abridor podem ser modificados de acordo com a matéria-prima em processamento.
As modificações podem ser as seguintes:
a) Forma e ângulo dos dentes;
b) Altura e largura da ponta dos dentes;
c) Densidade de dentes/cm;
d) Revestimentos diversos.

Artur Paz
Figura 149 - Modelos de dentes da cardinha
Fonte: Adaptado de Klein (2014)

COMO FUNCIONA A CARDINHA?

A fita de carda (ou passador) (1) alimenta a caixa de fiação de forma uniforme pela ação do condensador
(2), mesa de alimentação (3) e cilindro alimentador (4); conforme a imagem a seguir:
Artur Paz

Figura 150 - Sequenciamento do funcionamento da cardinha


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
301

As fibras (5) passam pela superfície coberta com dentes (6) do cilindro abridor (ou cardinha) (7). Observe
a imagem a seguir:

Artur Paz
Figura 151 - Sequenciamento do funcionamento da cardinha
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Ao passarem pelo cilindro abridor (7), as fibras (5) são abertas, e as impurezas (8) restantes são retiradas.
Artur Paz

Figura 152 - Sequenciamento do funcionamento da cardinha


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
302

O ROTOR

O rotor é o elemento mais importante do filatório por rotor. Conforme vimos, ele se localiza dentro da
caixa de fiação, e a velocidade do rotor pode chegar a 180.000 rotações/min, gerando uma altíssima força
centrífuga sobre as fibras. Essa força obriga as fibras a ficarem depositadas no sulco interno do rotor.
Pode existir até 500 rotores em um filatório, sendo divididos nos dois lados da máquina, ou seja, 250 de
cada lado.
É no rotor que acontece a distribuição de fibras em seu sulco, e é aplicada a torção definitiva no fio. A
torção pode variar de 382 a 971 T/m.

Fagner Mariano
Figura 153 - (a) rotor da caixa de fiação; (b) rotor em separado
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Existem diferentes parâmetros importantes do rotor:


a) A inclinação da parede do rotor pode variar de 12 a 50o;
b) Coeficiente de atrito entre as fibras e a parede do rotor;
c) A concepção e o posicionamento do sulco do rotor;
d) O diâmetro do sulco do rotor pode variar de 28 a 56 mm.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
303

Artur Paz
Figura 154 - Parâmetros do rotor
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Vários tipos de rotores estão disponíveis para cada tipo de matéria-prima e produto final desejado.
Veja na figura 155 alguns exemplos de diferentes configurações do sulco do rotor e recomendações de uso.
Artur Paz

Figura 155 - Tipos de rotor


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
304

Os cabos dos rotores do filatório estão posicionados sobre dois discos de suporte e são movimentados
por uma correia tangencial, onde o acionamento é realizado por um rolo de pressão. Se for aberta a caixa
de fiação por algum motivo, o rolo de pressão é levantado e os discos são freados.
Após a parada, o rotor pode ser retirado facilmente para análise do problema ocorrido.

Figura 156 - Discos de suporte


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Como funciona o rotor?


Saiba como funciona o rotor, observando a representação de um rotor em funcionamento nas figuras
a seguir:
As fibras (1) chegam ao rotor depois de serem abertas e limpas pela cardinha (2).
Artur Paz

Figura 157 - Cardinha


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
305

Após saírem da cardinha, as fibras (1) são sugadas pelo canal de transporte (3) e depositadas no rotor
(4), que está girando em alta velocidade devido à ação dos discos (5).

Artur Paz

Figura 158 - Canal de sucção/rotor


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

A força centrífuga gerada pela alta velocidade do rotor (4) força as fibras (1) a ficarem depositadas no
sulco do rotor (6).
Artur Paz

Figura 159 - Entrada das fibras no rotor


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
306

As fibras (1) se entrelaçam com a ponta do fio (7), que está introduzida dentro do rotor (4) e são puxadas
pelos cilindros de saída por meio do tubo de saída (8).

Artur Paz
Figura 160 - Sequenciamento do funcionamento do rotor
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

BOCAL

Quando o fio for removido do rotor, ele será desviado perpendicularmente pelo bocal de cerâmica e
puxado pelos cilindros de saída por meio do tubo de saída do fio. O bocal é responsável por aplicar uma
falsa torção no fio.

Artur Paz

Figura 161 - (a) Detalhamento do rotor; (b) Bocal


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

No bocal, o fio fica em contato com a parte cerâmica durante toda a sua formação. O desenho do bocal
levanta o fio breve e repetidamente, causando uma vibração que promove a propagação da torção no
sulco do rotor.
A superfície do bocal exerce uma influência decisiva na estrutura e pilosidade do fio.
Veja a seguir alguns dos bocais utilizados:
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
307

Davi Leon
Figura 162 - Bocal liso
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Os bocais lisos são recomendados para produção de fios lisos com baixa pilosidade e proporcionam
alta torção no fio, devido à baixa falsa torção aplicada.
Davi Leon

Figura 163 - Bocal espiral


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
308

Os bocais espirais são recomendados para produção de fios de algodão compactos e finos, com baixa
pilosidade e uniformidade.

Davi Leon
Figura 164 - Bocais com 3, 4 e 8 entalhes
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Os bocais com 3, 4 e 8 entalhes são recomendados para a produção de fios de algodão, de fibras artificiais
e suas misturas. O entalhe proporciona maior falsa torção17, maior estabilidade no fio, mas alta pilosidade.
Davi Leon

Figura 165 - Bocal externamente serrilhado com entalhes


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

17 Nome dado para a torção que não é esperada, ou seja, que não foi programada.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
309

Os bocais externamente serrilhados com entalhes são recomendados para a produção de fios
extremamente peludos, volumosos e macios.

Davi Leon

Figura 166 - Bocal com pequeno raio e pequenos entalhes


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Os bocais com pequenos raios e pequenos entalhes são recomendados para a produção de fios de
poliéster. Menor ponto de contato do fio com a superfície do bocal.

FORMAÇÃO DA EMBALAGEM

Após o fio formado, nos resta entender como se forma a bobina.


A formação da embalagem do filatório por rotor é menos complexa do que a formação que você viu no
filatório por anel.
Como já vimos, o fio é puxado para fora da caixa de fiação pelos cilindros de saída, por meio do bocal
e do tubo de saída. A partir dos cilindros de saída, o fio tem um controle de tensão para ser enrolado pelo
cilindro bobinador.
FIAÇÃO - VOLUME 2
310

Artur Paz
Figura 167 - Região de enrolamento
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

A tensão de enrolamento é controlada por um arco de compensação e uma barra de tensão do fio. O
arco é usado para compensar a distância maior entre os cilindros de saída e as bordas da embalagem. A
barra é usada para controlar a tensão desejada de enrolamento do fio.
Artur Paz

Figura 168 - Barra e arco de tensão (azul)


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
311

As bobinas podem pesar até 6 kg, com diâmetro de 350 mm. A produção da bobina pode chegar a 300
m/min para cada unidade da fiação.

CURIOSI Em 1807, Williams Bywater patenteou o princípio do filatório por rotor.


DADES

7.9 FILATÓRIO POR JATO DE AR – TURBILHÃO DE AR

O filatório por jato de ar também dispensa o uso da maçaroqueira no processo de fabricação de um fio
e não necessita de uma conicaleira para produzir uma bobina cilíndrica ou cônica.
O material de entrada é a fita do passador (ou penteadeira), e o de saída, o fio em bobina, envolvendo
estiragem e torção.

(a) iStock/baranozdemir (b) iStock/zhengzaishuru

Figura 169 - (a) Material de entrada – 1 fita; (b) Material de saída – 1 fio

Mas quais são as finalidades do filatório por jato de ar?


Como os filatórios já estudados, o filatório por jato de ar também tem a finalidade de estirar e torcer de
forma definitiva a massa de fibras, transformando-as em fio e enrolando-as em forma de bobina.
Normalmente é usado para produção de fios cardados de até 60 Ne.

7.9.1 ELEMENTOS

Vamos entender melhor o que acontece com as fibras no filatório por jato de ar?
Para entender o funcionamento do filatório por jato de ar, é necessário conhecer primeiramente seus
elementos.
Observe com atenção a imagem a seguir e identifique os principais elementos da máquina.
FIAÇÃO - VOLUME 2
312

Artur Paz
Figura 170 - Elementos do filatório por rotor
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

GAIOLA

A fita é puxada pelo trem de estiragem e, em seguida, passa por uma gaiola com guias. Nesse momento
de alimentação do filatório por jato de ar, a fita está sendo relaxada para ser estirada.
Artur Paz

Figura 171 - Gaiola do filatório por rotor


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
313

TREM DE ESTIRAGEM

O trem de estiragem do filatório por jato de ar é semelhante ao trem de estiragem dos outros maqui-
nários da fiação, ou seja, possui cilindros de borrachas no braço pendular, que são pressionados sobre os
cilindros de aço.
A estiragem no filatório por jato de ar varia de 65 a 450 vezes!
Podemos fazer fios no filatório por jato de ar com títulos de 15 até 60 Ne.

Davi Leon

Figura 172 - Trem de estiragem do filatório por rotor


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

FIQUE Nesse elemento do filatório, o trem de estiragem é onde definimos a finura do pro-
ALERTA duto final, ou seja, o título desejado no fio.

BICO DE TORÇÃO

Logo após as fibras serem estiradas, elas são torcidas por um bico de torção, o qual recebe um turbilhão
de ar de forma helicoidal18, responsável por torcer as fibras das extremidades sobre um fecho de fibras
paralelas, localizadas no núcleo. A velocidade do ar no interior do bico de torção pode chegar a 1.000.000
de rpm, e a fibra, 300.000 rpm, devido ao atrito envolvido entre eles.

18 Movimento que ocorre em volta e no sentido do eixo de um material.


FIAÇÃO - VOLUME 2
314

Davi Leon
Figura 173 - Bico de torção do filatório por rotor
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

MONITORAMENTO – SENSORES ÓTICOS OU CAPACITATIVOS

Os sensores óticos ou capacitivos estão localizados logo após o bico de torção, para monitorar a quali-
dade de 100% do fio.
Os defeitos de fio, tais como neps, pontos grossos ou finos, são detectados e eliminados.
Caso tenha alguma ruptura no fio, o processo de fiação é parado e sinalizado, para que ocorra a emenda
necessária.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
315

Davi Leon
Figura 174 - Monitoramento da qualidade do fio
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

CARROS

O carro de emenda possui um sensor que detecta a unidade de fiação que está parada e atua de forma
eficaz na emenda do fio. A emenda tem que ser de boa qualidade, para que não ocorram problemas nos
processos subsequentes à fiação, ou seja, na tecelagem ou malharia.
O carro de troca retira as bobinas que estão no diâmetro padrão e recoloca um novo tubo para ser
formada outra bobina.
As bobinas podem ter até 300 mm de diâmetro, ou 4,3 kg.
O filatório por jato de ar pode produzir até 450 m/min de fios singelos em bobina.
FIAÇÃO - VOLUME 2
316

Senai Cetiqt
Figura 175 - Carros do filatório por rotor
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Dois carros são de grande importância no filatório por jato de ar, os quais são utilizados para fazer a
emenda após a ruptura do fio e para retirar a bobina quando atingir o diâmetro desejado.
Com a ação automática dos carros, as bobinas são padronizadas em comprimento e diâmetro, e as
emendas são realizadas de forma muito mais rápida e eficaz do que uma emenda manual.
Após a fabricação do fio, ele já pode ser direcionado para os processos de tecelagem ou de malharia
para fabricação do tecido.

Para conhecer outras máquinas que produzem o fio têxtil, tais como fiação por fricção
SAIBA ou dref, leia a seguinte bibliografia:
MAIS ARAÚJO, M.; CASTRO, E. M. M. Manual de engenharia têxtil. Lisboa: Fundação Calous-
te Gulbenkian, 1986.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
317

7.10 CONICALEIRA – TRANSFORMAÇÃO DA EMBALAGEM

Shutterstock/QiuJu Song
Figura 176 - Conicaleira

Quais as finalidades da conicaleira?


A conicaleira é responsável por converter pequenas embalagens advindas do processo de fiação em
uma nova embalagem capaz de suportar um comprimento maior. O resultado dessa conversão é transfor-
mar espulas em bobinas.
Paulo Cordeiro

Figura 177 - Transformação de espulas em bobinas


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
318

Você já viu que o produto de saída do filatório por anel é um fio singelo em espula.
A espula formada no filatório possui pouca metragem, o que acarretaria em muitas paradas nos proces-
sos posteriores à fiação, ou seja, na tecelagem e malharia.
A conicaleira é responsável por reunir várias espulas de fio em uma única bobina, com maior metragem.

Shutterstock/QiuJu Song
Figura 178 - (a) Material de entrada – 1 fita (b) Material de saída – 1 fio

Outra função da conicaleira é eliminar as impurezas e irregularidades encontradas nos fios (pontos finos19,
pontos grossos20, slubs21, neps, etc.), proporcionando um produto final com melhor qualidade.

Senai Cetiqt

Figura 179 - Fios irregulares e elemento responsável por eliminar as irregularidades


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Por fim, a terceira função da conicaleira é enrolar embalagens em formatos previstos, com densidades
sob controle que permitam operações a úmido, como alvejamento e tingimento. As camadas de fios são en-
roladas com pouca tensão, para o corante entrar em contato com os fios nas camadas interiores da bobina.

19 Defeitos com diâmetro menor que o fio produzido.


20 Defeitos com diâmetro maior que o fio produzido.
21 É uma ligeira irregularidade no fio produzido acidentalmente ou propositalmente por falha na torção das fibras, causando um
defeito: o diâmetro maior que o fio.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
319

hutterstock/Teodora D
Figura 180 - Bobinas de fios tintos

7.10.1 REGIÕES

A conicaleira é constituída de três (3) regiões diferentes:


a) Região de enrolamento;
b) Região de tensionamento e limpeza;
c) Região de desenrolamento.
Nos próximos itens, vamos conhecer melhor os detalhes de cada região.
Shutterstock/zhengzaishuru

Figura 181 - Regiões da conicaleira


FIAÇÃO - VOLUME 2
320

REGIÃO DE DESENROLAMENTO

Primeiramente, vamos falar da região de desenrolamento da conicaleira, onde ocorre o desenrolamen-


to axial22 das espulas.
A conicaleira é abastecida por espulas de três formas diferentes:
a) Alimentação manual;
b) Magazine alimentador;
c) Alimentador automático.
Na alimentação manual, o operador é responsável pela retirada do tubo vazio, colocação de espula
cheia e emenda do fio. A conicaleira, que é abastecida manualmente, apresenta pinos sustentadores, para
colocar as espulas e/ou bobinas dispostas na parte inferior da máquina (figura 182).

Ana Beatriz Silva

Figura 182 - Ilustração da região de desenrolamento de uma conicaleira de alimentação manual


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

O magazine alimentador é um sistema de acomodação de conjunto de espulas, com uma cabeça de


aspiração para colocar as pontas dos fios. A colocação das espulas no magazine é feita manualmente, mas
a troca da espula e a emenda são automatizadas.

22 Desenrolamento do fio no sentido do eixo da embalagem.


7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
321

Shutterstock/zhengzaishuru
Figura 183 - Região de desenrolamento de uma conicaleira de alimentação por magazine alimentador

O alimentador automático é um sistema contínuo de alimentação de espulas, com a utilização de esteira


transportadora.
No momento do desenrolamento, forma-se o balão que gera uma tensão excessiva sobre o fio. Para
minimizar o balão, a conicaleira possui sistemas de controle para evitar tensões excessivas e prejudiciais à
qualidade do fio.
Shutterstock/zhengzaishuru

Figura 184 - Região de desenrolamento de uma conicaleira de alimentação automática


FIAÇÃO - VOLUME 2
322

Diego Fernandes
Figura 185 - Sistema de controle do balão
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

REGIÃO DE TENSIONAMENTO E LIMPEZA

A região de tensionamento e limpeza do fio tem importante função na formação da embalagem.


A tensão atuante sobre um fio determina as características de densidade e forma da bobina em formação.
A limpeza do fio é realizada para eliminar irregularidades encontradas, com a utilização de um meca-
nismo de corte.

Diego Fernandes/Ana Beatriz Silva

Figura 186 - Região de tensionamento e limpeza


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

A tensão sobre um fio tem as seguintes funções:


a) Regular a velocidade de solicitação a que está sendo submetida (quanto maior a velocidade de soli-
citação, maior sua tensão);
b) Aplicar-se sobre a superfície de quaisquer dispositivos incumbidos de retardar a sua passagem;
c) Retardar seu movimento durante seu percurso na máquina.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
323

A tensão a ser aplicada durante a operação de enrolamento deverá estar entre 10 e 15% da resistência
do fio.
Existem três tipos de tensores: de discos, de pinos e combinados.

Diego Fernandes/Ana Beatriz Silva


Figura 187 - (a) Tensor de pinos; (b) Tensor de discos; (c) Tensor combinado (pinos + discos)
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

A tensão de enrolamento pode ser detectada continuamente por sensores que interagem com o dispo-
sitivo tensor, alterando a pressão sobre o fio quando necessário.

Diego Fernandes

Figura 188 - Sensor de leitura de tensão


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Em algumas situações, após o tensor, o fio passa por um dispositivo encerador, que é composto, nor-
malmente, por um disco de material lubrificante (parafina) ou ceras solúveis.
Geralmente, o encerador é aplicado quando se procede o enrolamento de fios que irão alimentar má-
quinas de malharia e alguns fios de trama para a tecelagem.
FIAÇÃO - VOLUME 2
324

Ana Beatriz Silva


Figura 189 - Dispositivo encerador
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Na região de limpeza localiza-se o mecanismo de corte ou expurgador, que pode ser mecânico ou ele-
trônico. O expurgador identifica e elimina a irregularidade por meio do corte do fio no ponto onde houver
a imperfeição.

Senai Cetiqt / Shutterstock/zhengzaishuru

Figura 190 - Dispositivo expurgador


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

O expurgador mecânico consiste em um conjunto constituído basicamente por lâminas, onde a distân-
cia entre elas define o diâmetro de corte da irregularidade.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
325

Diego Fernandes
Figura 191 - Expurgador mecânico
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

No expurgador capacitivo, a variação de massa do fio passando ao longo do sensor altera a capacitância
da unidade, e quando o sinal gerado atinge determinado valor, o fio é cortado.

Ana Beatriz Silva

Figura 192 - Expurgador eletrônico capacitivo


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
326

No expurgador fotoelétrico, o fio passa entre uma fonte de luz e uma fotocélula, e qualquer flutuação
na espessura do fio é detectada por ela devido à variação da luz, cortando o fio.
Esse tipo de expurgador também pode detectar fibras estranhas, aumentando a qualidade do material
enrolado.

Diego Fernandes / Shutterstock/zhengzaishuru


Figura 193 - Expurgador fotoelétrico
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Sempre que um fio se romper, o enrolamento é interrompido. Para reiniciá-lo, é preciso que ocorra uma
emenda.
As emendas podem ser realizadas manualmente ou com o auxílio de atadores manuais ou automáticos.
Os atadores podem ser do tipo splicer ou mecânicos.
Nas emendas manuais, tem que se avaliar o fator tempo de execução, podendo o seu custo ser maior
que o da aquisição de atadores automáticos.
Luiz Meneghel

Figura 194 - Emenda manual.


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

As emendas com atador automático são realizadas de forma mais uniforme, pois não dependem do
operador.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
327

Paulo Cordeiro
Figura 195 - Atador automático
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Com o atador splicer o nó desaparece, sendo substituído por um discreto aumento de volume na região
da emenda, que pode ser realizada pelo ar, pela água ou pelo calor.

Ana Beatriz Silva

Figura 196 - Atador splicer feito por água


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

REGIÃO DE ENROLAMENTO

A região de enrolamento é onde a embalagem com material a ser utilizado no processo posterior é
enrolada com tensão constante e uniforme.
O enrolamento dos fios é realizado pelo acionamento da embalagem por atrito.
FIAÇÃO - VOLUME 2
328

Shutterstock/zhengzaishuru
Figura 197 - Região de enrolamento
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

No acionamento da embalagem por atrito, a embalagem gira por estar em contato com um tambor
acionador. A velocidade do tambor é constante.
O tambor acionador é, ao mesmo tempo, acionador e guia, pois tem duas hélices cortadas sobre a sua
superfície cilíndrica, que realizam o movimento do fio ao longo do acionador.
Quanto maior o número de espiras por curso, maior deverá ser a densidade da embalagem23 e melhor
será o seu desenrolamento futuro.
Ana Beatriz Silva

Figura 198 - Tambor acionador

A quantidade de espiras por curso deve ser maior na medida em que os fios sejam mais finos, por serem
menos rígidos e permitirem melhor acomodação das camadas.

23 Quantidade de massa de fios em um determinado volume da embalagem. Quanto maior a densidade, mais compactados
ficam os fios e vice-versa.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
329

Paulo Cordeiro
Figura 199 - Três diferentes tipos de tambor acionador
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

A produção da conicaleira pode chegar a 2.000 m/min para cada unidade de enrolamento.

7.11 BINADEIRA – PREPARAÇÃO PARA RETORÇÃO

Qual é a função da binadeira?


A binadeira tem a função de reunir dois ou mais fios em uma única bobina para abastecer a retorcedei-
ra, possibilitando uma torção mais regular, já que dois ou mais fios saem juntos da mesma bobina.
A binadeira é semelhante à conicaleira, mas a alimentação é feita com duas ou mais espulas ou bobinas,
produzindo uma bobina com dois ou mais cabos juntos.

Fagner Mariano / Shutterstock / Han maomin / Shutterstock / Han maomin

Figura 200 - (a) Material de entrada – 2 ou mais fios em espulas ou bobinas separadas; (b) Material de saída – 2 ou mais fios em uma única bobina
FIAÇÃO - VOLUME 2
330

7.11.1 REGIÕES

Para que ocorra a reunião dos fios, eles precisam passar por três regiões bem distintas:
a) Região de enrolamento;
b) Região de tensionamento e limpeza;
c) Região de desenrolamento.

Luiz Meneghel
Figura 201 - Regiões da binadeira
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

REGIÃO DE DESENROLAMENTO

A região de desenrolamento é constituída de suportes para colocação das espulas ou bobinas, e o de-
senrolamento é realizado de forma axial.
Separadores e guias-fios individualizados são usados para evitar que os fios se entrelacem.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
331

Davi Leon

Figura 202 - Região de desenrolamento


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

REGIÃO DE TENSIONAMENTO

Antes da formação da embalagem, há uma região de tensionamento e limpeza do fio no processo.


A tensão atua sobre o fio para determinar a densidade da bobina, e o expurgador elimina pontos fracos
do fio.
Davi Leon

Figura 203 - Região de tensionamento e limpeza


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
332

REGIÃO DE ENROLAMENTO

A região de enrolamento é onde a embalagem com material a ser utilizado no processo posterior é
enrolada com tensão constante e uniforme.
O enrolamento é realizado pelo atrito entre a embalagem com o tambor acionador ranhurado.
A produção da binadeira pode chegar a 1.200 m/min por unidade de enrolamento.

Davi Leon
Figura 204 - Região de enrolamento
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

7.12 RETORCEDEIRA – A UNIÃO FAZ A FORÇA


Fagner Mariano

Figura 205 - Retorcedeira


Fonte: Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
333

A retorcedeira é alimentada por bobinas de fios singelos ou binados para produzir fios retorcidos.

Shutterstock / Humannet / Shutterstock / QiuJu Song / Shutterstock / QiuJu Song


Figura 206 - (a) Material de entrada – 2 ou mais fios singelos em espulas ou bobinas separadas ou binados. (b) Material de saída – 2 ou mais fios retorcidos uma única
espula ou bobina.

O processo de retorção consiste em unir e torcer dois ou mais fios, com o objetivo de torná-los mais regu-
lares, flexíveis e resistentes, obtendo fios e tecidos de melhor qualidade, muito embora o custo seja mais alto.
Paulo Cordeiro

Figura 207 - Fio retorcido


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
334

7.12.1 TIPOS DE RETORCEDEIRAS

As retorcedeiras mais utilizadas na indústria têxtil são as de anel e as de dupla torção. Veremos mais
sobre elas a seguir.

RETORCEDEIRA DE ANEIS

As retorcedeiras de anéis são idênticas aos filatórios por anéis, com exceção do trem de estiragem, que
é substituído por cilindros alimentadores.
Vamos entender como acontece a torção na retorcedeira de anel?

Marina Calvo

Figura 208 - Retorcedeira de anéis


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

ELEMENTOS DA RETORCEDEIRA DE ANÉIS

Após o transporte, as espulas ou bobinas são colocadas na gaiola. Gaiolas são como estruturas com
suportes para fixar as bobinas de fios singelos ou binados.
Varões orientam os fios para os cilindros alimentadores, a fim de obter um eficiente desenrolamento.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
335

Thinkstock / KORSHENKOV
Figura 209 - Gaiola da retorcedeira de anéis

Ao invés de um trem de estiragem, a retorcedeira possui um par de cilindros alimentadores, onde são res-
ponsáveis por alimentar os fios colocados na gaiola, entregando-os ao fuso para realizarem a torção desejada.
O cilindro inferior é contínuo por toda extensão da máquina, e os superiores são apoiados sobre pres-
são e individualizados para cada fuso.

Fagner Mariano

Figura 210 - Cilindros alimentadores (superior e inferior)


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Logo abaixo dos cilindros alimentadores está localizado o rabo-de-porco e o quebrabalão. Eles são res-
ponsáveis por guiar os fios e quebrar o balão, conseguindo uma torção uniforme.
FIAÇÃO - VOLUME 2
336

Fagner Mariano
Figura 211 - (a) Rabo-de-porco; (b) Quebra balão
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

O fuso é o principal responsável por torcer o fio. Cada giro do fuso representa uma quantidade de torção
determinada.
O anel e o viajante são elementos essenciais para o enrolamento do fio na canela que é encaixada no
fuso, formando a embalagem.
Fagner Mariano

Figura 212 - Fuso, anel e viajante


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
337

RETORCEDEIRA DE DUPLA TORÇÃO

Marina Calvo

Figura 213 - Retorcedeira de dupla torção


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Veja, na figura 214, a localização dos principais elementos:


Paulo Cordeiro

Figura 214 - Retorcedeira de dupla torção


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)
FIAÇÃO - VOLUME 2
338

Agora, vamos entender como é a região da retorção na retorcedeira de dupla torção?


Primeiramente, uma ou duas bobinas de fios singelos binados (1) pela binadeira são depositadas no
interior de uma “panela de aço”24 (3). Para retorcer, é necessário que os fios sejam presos no auxiliar de
desenrolamento (5) e inseridos na parte superior do fuso oco (2) até sair da panela por meio do orifício do
disco de reserva (4), localizado na parte inferior do fuso. Da saída do disco reserva até o guia-fio (6) forma-
-se um “balão”25 (7).

Paulo Cordeiro

Figura 215 - Elementos responsáveis pela dupla torção


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Agora que você já sabe quais são os elementos responsáveis pela retorção, veja como acontece a dupla
torção.
No sistema de retorção das retorcedeiras de dupla torção, os fios da bobina (1) recebem duas torções
para cada rotação do fuso.
A primeira torção ocorre entre a parte superior do fuso (2) e a saída do fio no disco de reserva (4).
A segunda torção ocorre no “balão” (7), entre a saída do fio no disco de reserva (4) e o guia-fio (6).

24 Recipiente onde são colocadas as bobinas para receber a dupla torção.


25 Balão é a curva gerada no fio, ao redor da panela, pela ação do movimento giratório do fuso no momento da torção.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
339

Paulo Cordeiro
Figura 216 - Dupla torção
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Pode-se inserir de 123 a 1280 T/m nos sentidos S ou Z do fio.


A panela pode ter diferentes dimensões, possibilitando a produção de acordo com o produto específico
de cada empresa.

Paulo Cordeiro / Fagner Mariano

Figura 217 - Tipos de panela


Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

Após a torção, os fios retorcidos (1) são puxados e enrolados no tubete (11), formando um cone ou uma
bobina (9) pela ação da rotação do tambor acionador (8) e do vai e vem da barra-guia transversal (7).
FIAÇÃO - VOLUME 2
340

Senai Cetiqt / Fagner Mariano


Figura 218 - Região de enrolamento
Fonte: Senai/Cetiqt (2016)

A retorcedeira de dupla torção pode conter em torno de 240 fusos e produzir fios retorcidos com títulos
de 6/2 Ne a 120/2 Ne.

CASOS E RELATOS

A importância da manutenção das máquinas de fiação


O técnico têxtil responsável pela qualidade de uma empresa têxtil de Pernambuco, produtora de fios
para produção de calças jeans, constatou que o fio produzido no mês de janeiro apresentou um au-
mento do número de neps, pilosidade e irregularidades, diminuindo assim a qualidade e a eficiência
dos processos de tecelagem.
O técnico marcou uma reunião com os responsáveis da produção e da manutenção da fiação e re-
latou que a causa do problema estaria nos processos de produção, já que a matéria-prima utilizada
para produção do fio não modificou suas características neste mês.
O gerente da manutenção da fiação orientou sua equipe para verificar:
a) A amolagem da guarnição da carda que, neste mês, produziu o material destinado à fabricação
desse fio;
b) O escartamento dos trens de estiragem dos passadores, maçaroqueiras e filatórios da linha de
produção desse fio neste mês;
c) O viajante utilizado no filatório de anel.
7 FIAÇÃO CONVENCIONAL
341

Após a verificação, constataram que:


a) A carda estava com as guarnições desamoladas e, consequentemente, não estavam retirando os
neps oriundos da sala de abertura;
b) O escartamento estava com a distância incorreta nos passadores;
c) O viajante estava incorreto para aquele tipo de fio.
Após todas as verificações, foram realizadas as ações necessárias, e o fio voltou a possuir a qualidade
dos meses anteriores. Conclui-se então que a manutenção e regulagem dos elementos das máquinas
da fiação devem ser monitoradas constantemente, para não prejudicar a qualidade do fio produzido.

RECAPITULANDO

Neste capítulo, você aprendeu sobre as máquinas utilizadas na fiação convencional e entendeu
como acontece a transformação das fibras descontínuas, em forma de fardos, em fios singelos e
retorcidos, que podem ser enrolados nos formatos de espula ou bobina.
Você adquiriu conhecimentos das características, aplicação, elementos e funcionamento de cada
máquina.
Aprendeu também como é importante saber sobre os ajustes necessários nas máquinas para pro-
duzir o fio com a qualidade desejada.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO,M., CASTRO,E.M.M. Manual de Engenharia Têxtil. Vol. 1. Lisboa: Fundação Calouste
Gulbenkian , 1986.
GARCIA, S. J. Fiação – Cálculos Fundamentais. Rio de Janeiro: Senai/Cetiqt, 1995.
GARCIA, S. J. Fiação – Tecnologia do Passador. Rio de Janeiro: Senai/Cetiqt, 1997.
KLEIN, W. A practical guide to opening and carding. Vol. 2 Manchester, UK: Textile Institute, 1987.
________. A practical guide to combing and drawing. Vol. 3 Manchester: Textile Institute, 1987.
________. A practical guide to ring spinning. Vol. 4 Manchester : Textile Institute, 1987.
________. New spinning systems. Vol. 5 Manchester [England] : Textitle Institute, 1993.
________. The Rieter Manual of Spinning. Vol. 3 – Spinning Preparation. Klosterstrasse: Rieter
Machine Works Ltd.,2014.
________. The Rieter Manual of Spinning. Vol. 4 – Ring Spinning. Klosterstrasse: Rieter Machine
Works Ltd.,2014.
________. The Rieter Manual of Spinning. Vol. 5 – Rotor Spinning. Klosterstrasse, Rieter Machine
Works Ltd.,2014.
________. The Rieter Manual of Spinning. Vol. 6 – Alternative Spinning. Klosterstrasse, Rieter
Machine Works Ltd.,2014.
________. The Rieter Manual of Spinning. Vol.1 - Technology of Short-Staple Spinning.
Klosterstrasse: Rieter Machine Works Ltd.,2014.
________. The Rieter Manual of Spinning. Vol.2- Blowroom & Carding. Klosterstrasse: Rieter
Machine Works Ltd.,2014.
________. The technology of short-staple spinning. Vol. 1. Manchester, UK: Textile Institute, 1987.
LORD, P. R. The economics, science and technology of yarn production. Raleigh, N.C. : North
Carolina State University, School of Textiles, 1979.
MCCREIGHT, D.J., FEIL, R. W., BOOTERBAUGH, J. H.,BACKE, E.F. Short staple yarn manufacturing.
Durham, N.C. : Carolina Academic Press, 1997.
RODRIGUES,E.C. Tecnologia da Carda. Rio de Janeiro: Senai/Cetiqt, 1985.
MINICURRÍCULO DOS AUTORES

RODRIGO FERNANDES NASCIMENTO


Possui graduação em Engenharia Industrial Têxtil pelo Centro de Tecnologia da Indústria Química
e Têxtil (SENAI CETIQT), MBA na área de Engenharia de Produção com ênfase em Tecnologias de
Gestão da Produção e Serviços pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), mestrado em Ciência
dos Materiais pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), experiência em empresas têxteis de mé-
dio e grande porte em fiação e tecelagem.

VICTOR GONÇALVES NASCIMENTO


Graduado em Engenharia Industrial Têxtil e técnico têxtil, ambos pelo Centro de Tecnologia da
Indústria Química e Têxtil (SENAI CETIQT). Professor dos cursos técnicos do SENAI CETIQT com lar-
ga experiência no setor, desenvolvendo atividades de supervisão e gerenciamento em empresas
voltadas para a produção de tecido denim e tecidos técnicos. Também desenvolveu atividades de
consultoria, com destaque para a área de prospecção tecnológica para a ONU.
ÍNDICE

B
Balão, 184, 185, 186, 289, 290, 321, 322, 335, 336, 338, 347
Bobina cilíndrica, 296, 311, 347
Bobina cônica, 347

C
Câmara misturadora, 347
Cilindro-comporta, 223, 347

D
Densidade de embalagem, 347
Desenrolamento axial, 320, 347
Doffer, 182, 220, 240, 245, 246, 347
Duplicação, 181, 190, 205, 206, 207, 247, 257, 259, 260, 263, 347

E
Espira, 209, 278, 347

F
Falsa estiragem, 275, 347
Falsa torção, 306, 307, 308, 347
Flocos de fibras, 198, 217, 220, 222, 223, 224, 242, 347
Força centrífuga, 226, 302, 305, 347

G
Grelha, 181, 220, 222, 223, 347
Guarnição, 181, 202, 226, 234, 236, 244, 247, 340, 347

H
Helicoida, 347

M
Manchão, 183, 276, 277, 347
Mordedura, 266, 347
P
Panela de aço, 338, 348
Pilosidade, 275, 306, 307, 308, 340, 348
Pontos finos, 205, 318, 348
Pontos grossos, 205, 314, 318, 348

S
Slub, 348

T
Tingimento, 233, 318, 348
SENAI – DEPARTAMENTO NACIONAL
UNIDADE DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA – UNIEP

Felipe Esteves Morgado


Gerente executivo

Luiz Eduardo Leão


Gerente de Tecnologias Educacionais

Fabíola de Luca Coimbra Bomtempo


Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros Didáticos

Catarina Gama Catão


Apoio Técnico

CENTRO DE TECNOLOGIA DA INDÚSTRIA QUÍMICA E TÊXTIL DO SENAI – SENAI CETIQT

Sérgio Luiz Souza Motta


Diretoria Executiva

Fernando Rotta Rodrigues


Diretoria de Administração e Finanças

Jair Santiago Coelho


Diretoria Técnica em exercício

Rommulo Mendes Carvalho Barreiro


Coordenação do Desenvolvimento dos Livros Didáticos

Jorge José de Lima


Marcelo Eiti Banja
Lilian Gasparelli Carreira
Rodrigo Fernandes Nascimento
Victor Gonçalves Nascimento
Elaboração

Marcelo Eiti Banja


Lilian Gasparelli Carreira
Rodrigo Fernandes Nascimento
Victor Gonçalves Nascimento
Revisão técnica

Yana Torres de Magalhães


Gerência de Educação
Maurício Rocha Bastos
Coordenação do Projeto

Carlos Augusto Santana Pereira


Maria Clara Pontes
Paulo Sampaio
Design educacional

Tikinet
Revisão ortográfica e gramatical

Artur Paz
Davi Leon Dias
Diego Fernandes
Luiz Eduardo de Souza Meneghel
Paulo Lisboa Cordeiro
Fotografias, Ilustrações e Tratamento de Imagens

Carlos Magno Xavier Bacelar de Carvalho


Geralda Maria das Graças Prados
Marcelo Souza da Silva
Vitoria Prado dos Santos
Comitê Técnico de Avaliação

Tatiana Daou Segalin


Diagramação

Luciana Effting Takiuchi


CRB-14/937
Ficha Catalográfica

Tikinet
Normalização

i-Comunicação
Projeto Gráfico

Você também pode gostar