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Beneficiamento - Volume 2

O documento é o Volume 2 da série têxtil sobre beneficiamento, publicado pelo SENAI e coordenado pelo SENAI CETIQT. Ele abrange técnicas, métodos e máquinas utilizadas no beneficiamento têxtil, incluindo tingimento e tipos de corantes. A publicação é destinada a cursos presenciais e a distância, visando a educação na indústria têxtil.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Beneficiamento - Volume 2

O documento é o Volume 2 da série têxtil sobre beneficiamento, publicado pelo SENAI e coordenado pelo SENAI CETIQT. Ele abrange técnicas, métodos e máquinas utilizadas no beneficiamento têxtil, incluindo tingimento e tipos de corantes. A publicação é destinada a cursos presenciais e a distância, visando a educação na indústria têxtil.
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SÉRIE TÊXTIL

BENEFICIAMENTO
VOLUME 2
SÉRIE TÊXTIL

BENEFICIAMENTO
VOLUME 2
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI

Robson Braga de Andrade


Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA – DIRET

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor de Educação e Tecnologia

Julio Sergio de Maya Pedrosa Moreira


Diretor Adjunto de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI

Robson Braga de Andrade


SÉRIE TÊXTIL
Presidente do Conselho Nacional

SENAI – Departamento Nacional BENEFICIAMENTO


Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti
VOLUME 2
Diretor-Geral

Julio Sergio de Maya Pedrosa Moreira


Diretor Adjunto

Gustavo Leal Sales Filho


Diretor de Operações
© 2016. SENAI – Departamento Nacional
Lista de Ilustrações
Figura 1 - Tipos de tingimento.................................................................................................................................... 131
© 2016. SENAI – SENAI CETIQT - Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil
Figura 2 - Fatores para a seleção dos corantes..................................................................................................... 131
Figura 3 - Fatores para a seleção dos corantes..................................................................................................... 132
A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico, mecâ-
Figura 4 - Termos importantes no tingimento...................................................................................................... 134
nico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por
escrito, do SENAI. Figura 5 - Tipos de corantes diretos.......................................................................................................................... 138
Figura 6 - Mecanismo de tingimento dos corantes diretos............................................................................. 138
Figura 7 - Mecanismo de tingimento dos corantes diretos............................................................................. 139
Esta publicação foi elaborada pela equipe do SENAI CETIQT, com a coordenação do SENAI
Departamento Nacional, para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI Figura 8 - Produtos utilizados no tingimento de corantes diretos................................................................ 140
nos cursos presenciais e a distância. Figura 9 - Grupos reativos dos corantes.................................................................................................................. 141
Figura 10 - Grupos reativos dos corantes............................................................................................................... 142
SENAI Departamento Nacional Figura 11 - Classificação dos corantes reativos..................................................................................................... 142
Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP Figura 12 - Classificação da reatividade dos corantes reativos comerciais................................................ 143
Figura 13 - Tipos de reação dos corantes reativos............................................................................................... 144
SENAI CETIQT – Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil Figura 14 - Etapas do tingimento.............................................................................................................................. 146
Coordenação de Educação a Distância – CEaD Figura 15 - Etapas do processo de tingimento descontínuo com corantes reativos.............................. 146
Figura 16 - Diagrama do processo de tingimento semicontínuo.................................................................. 148
Figura 17 - Diagrama do processo de tingimento contínuo........................................................................... 148
Figura 18 - Exemplo de processo por esgotamento de um tingimento com corantes reativos a
ser ensaboado em lavadora contínua..................................................................................................................... 149
FICHA CATALOGRÁFICA Figura 19 - Principais estruturas das variantes dos corantes à tina............................................................... 150
_____________________________________________________________________________
Figura 20 - Principais estruturas das variantes dos corantes à tina............................................................... 150
S491b Figura 21 - Etapas do tingimento de corantes à tina.......................................................................................... 150
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional. Figura 22 - Reação de redução do corante à tina................................................................................................ 151
Beneficiamento volume 2 / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Figura 23 - Corte transversal do fio e as camadas de tingimento.................................................................. 153
Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Centro de
Tecnologia da Indústria Química e Têxtil. Brasília : SENAI/DN, 2016. Figura 24 - Exemplo de processo por esgotamento de tingimento com corante à tina....................... 154
v.2 : il. (Série Têxtil). Figura 25 - Exemplo de uma estrutura de um corante disperso. CI Vermelho 4...................................... 155
Figura 26 - Fases de um tingimento com corante disperso ............................................................................ 156
ISBN 9 788550 501437
Figura 27 - Mecanismo de tingimento com corantes dispersos.................................................................... 156
Figura 28 - Exemplo de um gráfico sobre o efeito da temperatura na adsorção do corante
1. Indústria têxtil. 2. Beneficiamento têxtil. 3. Corantes e tingimento. 4. vermelho disperso (CI Disperse Red 1).................................................................................................................... 158
Colorimetria. I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Centro de Tecnologia Figura 29 - Influência da temperatura no tempo de termosolagem............................................................ 159
da Indústria Química e Têxtil. II. Título. III. Série.
Figura 30 - Esquema de um sistema de termosolagem completo................................................................ 160
CDU: 677.027 Figura 31 - Processo Thermosol................................................................................................................................. 161
Figura 32 - Sequência do processo Thermosol .................................................................................................... 161
_____________________________________________________________________________
Figura 33 - Exemplo de tingimento por esgotamento...................................................................................... 163
SENAI Sede
Figura 34 - Estrutura de um corante acid blue 113............................................................................................. 165
Figura 35 - Mecanismo de tingimento nos grupos terminais das fibras..................................................... 166
Serviço Nacional de Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto
Figura 36 - Representação de uma fibra de Nylon 6.6....................................................................................... 166
Aprendizagem Industrial Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-
Departamento Nacional 9001 Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br Figura 37 - Fórmula química da molécula de um corante para um terminal amínico........................... 166
Figura 38 - Molécula de um corante que apresenta três terminais sulfonos que reage com
três grupos amínicos...................................................................................................................................................... 167
Figura 39 - Exemplo de um tingimento com corantes ácidos por esgotamento.................................... 168 Figura 81 - Exemplo de espaço de cores Munsell................................................................................................ 204
Figura 40 - Estrutura de um corante tipo complexo metálico 1:1................................................................. 170 Figura 82 - Representação do sistema Munsell.................................................................................................... 204
Figura 41 - Estrutura de um corante tipo complexo metálico 1:2................................................................. 170 Figura 83 - Representação gráfica das cores......................................................................................................... 204
Figura 42 - Exemplo de um naftol utilizado no tingimento = 2 – Naftol..................................................... 171 Figura 84 - Ângulo de observação do observador.............................................................................................. 205
Figura 43 - Exemplo de uma base amina aromática........................................................................................... 171 Figura 85 - Representação matemática dos valores tristímulos..................................................................... 206
Figura 44 - Exemplo de uma reação com nitrito de sódio, ácido clorídrico e acetato de sódio......... 171 Figura 86 - Sistema de ordenação de cores........................................................................................................... 206
Figura 45 - Reação de copulação de um corante naftol.................................................................................... 173 Figura 87 - Avaliação instrumental da cor.............................................................................................................. 207
Figura 46 - Exemplo do corante C.I. Sulphur Orange 1...................................................................................... 175 Figura 88 - Catálogo Pantone..................................................................................................................................... 208
Figura 47 - Reações dos corantes sulfurosos......................................................................................................... 176 Figura 89 - Exemplo da cor 14-06-47 no sistema Pantone............................................................................... 208
Figura 48 - Sequência típica de um tingimento com corantes sulfurosos ................................................ 178 Figura 90 - Espectrofotômetro portátil.................................................................................................................... 209
Figura 49 - Tingimento com corantes sulfurosos ................................................................................................ 178 Figura 91 - Série de calibração para a elaboração de banco de dados........................................................ 210
Figura 50 - Tingimento semicontínuo...................................................................................................................... 179 Figura 92 - Resultado da série de calibração após leitura................................................................................ 212
Figura 51 - Processo pad-steam............................................................................................................................... 180 Figura 93 - Várias tentativas - processo demorado............................................................................................. 213
Figura 52 - Processo pad-dry-pad-steam.............................................................................................................. 182 Figura 94 - Exemplo de banco de dados................................................................................................................. 213
Figura 53 - Estrutura dos corantes básicos............................................................................................................. 184 Figura 95 - Representação da teoria de Kubelka-Munk.................................................................................... 214
Figura 54 - Estrutura de um corante catiônico CI amarelo 11......................................................................... 185 Figura 96 - Importância do branco: no fardamento, na imagem e na moda............................................ 217
Figura 55 - Passo a passo do tingimento com corantes catiônicos............................................................... 185 Figura 97 - Gráfico de comportamento da radiação UV (espectral)............................................................. 217
Figura 56 - Fórmula % do retardante catiônico.................................................................................................... 186 Figura 98 - Esquema do comportamento do alvejante óptico no substrato têxtil................................. 218
Figura 57 - Exemplo de tingimento por esgotamento com corantes catiônicos..................................... 187 Figura 99 - Padrões de grau de brancura................................................................................................................ 218
Figura 58 - PSICO-VISUAL: Envolve não só os olhos, mas também o cerébro........................................... 189
Figura 59 - Não só os olhos, mas também o cérebro.......................................................................................... 189 Quadro 1 - Corante x pigmento................................................................................................................................. 131
Figura 60 - Emissão da radiação de luz.................................................................................................................... 190 Quadro 2 - Fatores importantes na etapa de difusão........................................................................................ 134
Figura 61 - Luz é radiação............................................................................................................................................. 190 Quadro 3 - Fixação dos corantes................................................................................................................................ 135
Figura 62 - Aspectos que compõe a aparência.................................................................................................... 191 Quadro 4 - Fixação dos corantes................................................................................................................................ 136
Figura 63 - Cor gerada por: observador, objeto e fonte luminosa................................................................. 191 Quadro 5 - Fixação dos corantes................................................................................................................................ 137
Figura 64 - Cor gerada por: observador, objeto e fonte luminosa................................................................. 192 Quadro 6 - Produtos utilizados no tingimento de corantes diretos............................................................. 139
Figura 65 - Comprimento de ondas.......................................................................................................................... 192 Quadro 7 - Propriedade dos corantes reativos..................................................................................................... 141
Figura 66 - Cor gerada por: observador, objeto e fonte luminosa................................................................. 193 Quadro 8 - Diagrama do processo de tingimento contínuo........................................................................... 148
Figura 67 - Importância da luz.................................................................................................................................... 193 Quadro 9 - Diagrama do processo de tingimento contínuo........................................................................... 149
Figura 68 - Cor gerada por: observador, objeto e fonte luminosa................................................................. 194 Quadro 10 - Propriedades dos corantes dispersos............................................................................................. 154
Figura 69 - Olho humano.............................................................................................................................................. 194 Quadro 11 - Propriedades de um corante disperso............................................................................................ 155
Figura 70 - Cor gerada por: observador, objeto e fonte luminosa................................................................. 195 Quadro 12 - Teorias que tratam do funcionamento dos carriers durante o tingimento....................... 157
Figura 71 - Cor gerada por: observador, objeto e fonte luminosa................................................................. 196 Quadro 13 - Produtos e processos utilizados no tingimento com corantes dispersos.......................... 163
Figura 72 - Cor gerada por: observador, objeto e fonte luminosa................................................................. 197 Quadro 14 - Propriedades dos corantes ácidos.................................................................................................... 164
Figura 73 - Influência do fundo na visualização da cor..................................................................................... 198 Quadro 15 - Tipos de corantes ácidos...................................................................................................................... 165
Figura 74 - Curva de emissão de luz medida pelo espectroradiômetro..................................................... 199 Quadro 16 - Produtos e processos utilizados no tingimento de corantes ácidos.................................... 168
Figura 75 - Comportamento da curva de emissão emitida por diferentes iluminantes........................ 199 Quadro 17 - Propriedades dos corantes azoicos.................................................................................................. 172
Figura 76 - Comportamento do objeto a uma radiação visível...................................................................... 200 Quadro 18 - Produtos utilizados no processo Naftol......................................................................................... 173
Figura 77 - Comportamento do objeto a uma radiação visível na região 550 nm (região do Quadro 19 - Lavagem intermediária pelo processo pad-steam.................................................................... 181
verde)................................................................................................................................................................................... 200 Quadro 20 - Lavagem intermediária pelo processo pad-dry-pad-steam................................................... 183
Figura 78 - Comportamento do objeto a uma radiação visível na região 550 e 700 nm...................... 201 Quadro 21 - Propriedades dos corantes catiônicos............................................................................................ 184
Figura 79 - Considerações ao realizar análise visual........................................................................................... 201 Quadro 22 - Produtos usados no tingimento....................................................................................................... 187
Figura 80 - Efeito da luminosidade na imagem.................................................................................................... 202
Quadro 23 - Tipos de iluminantes padronizados utilizadas para avaliação de cor.................................. 198
Quadro 24 - Sistema de ordenação de cores........................................................................................................ 202
Quadro 25 - Evolução da colorimetria..................................................................................................................... 203
Quadro 26 - Ilustração da refletância e transmitância....................................................................................... 209
Quadro 27 - Vantagens do sistema Sade Sporting............................................................................................. 221
Quadro 28 - Exemplos de softwares específicos.................................................................................................. 222
Sumário
1 Introdução.........................................................................................................................................................................17

2 Beneficiamento Têxtil....................................................................................................................................................21
2.1 Apresentação das formas dos materiais têxteis a ser beneficiados...........................................22
2.2 Tipos de beneficiamento têxtil................................................................................................................24
2.2.1 Beneficiamento primário........................................................................................................24
2.2.2 Beneficiamento secundário...................................................................................................25
2.2.3 Beneficiamento terciário.........................................................................................................25
2.3 Técnicas de aplicação..................................................................................................................................26
2.3.1 Por esgotamento........................................................................................................................26
2.3.2 Por impregnação........................................................................................................................27
2.4 Métodos de processo..................................................................................................................................27
2.4.1 Processo descontínuo..............................................................................................................27
2.4.2 Semicontínuo..............................................................................................................................28
2.4.3 Contínuo.......................................................................................................................................29
2.5 Máquinas de beneficiamento têxtil.......................................................................................................30
2.5.1 Beneficiamento de fibras........................................................................................................31
2.5.2 Beneficiamento de fios em embalagens...........................................................................32
2.5.3 Beneficiamento de fios em armários..................................................................................33
2.5.4 Beneficiamento de tecidos planos em jigger..................................................................34

VOLUME 1
2.5.5 Beneficiamento de tecidos planos em turbo..................................................................35
2.5.6 Barcas.............................................................................................................................................35
2.5.7 Jets...................................................................................................................................................36
2.5.8 Lavadoras contínuas.................................................................................................................37
2.5.9 Foulard...........................................................................................................................................37
2.5.10 Centrífuga..................................................................................................................................38
2.5.11 Abridora de malha..................................................................................................................38
2.5.12 Hidroextrator............................................................................................................................39
2.5.13 Secador.......................................................................................................................................40
2.5.14 Calandra......................................................................................................................................41
2.5.15 Rama............................................................................................................................................41

3 Beneficiamento Primário.............................................................................................................................................45
3.1 Objetivos do beneficiamento primário................................................................................................46
3.1.1 Etapas do beneficiamento primário...................................................................................46
3.2 Processos físicos............................................................................................................................................47
3.2.1 Preparação de substratos têxteis.........................................................................................47
3.2.2 Escovagem...................................................................................................................................49
3.2.3 Navalhagem.................................................................................................................................50
3.2.4 Chamuscagem............................................................................................................................51
3.2.5 Termofixação...............................................................................................................................54
3.3 Processos químicos......................................................................................................................................56
3.3.1 Surfactantes.................................................................................................................................56
3.3.2 Purga..............................................................................................................................................64 4.3.1 Estrutura dos corantes à tina.............................................................................................. 150
3.3.3 Alvejamento.................................................................................................................................72 4.3.2 Tipos de redução à tina ........................................................................................................ 150
3.3.4 Branqueamento ótico..............................................................................................................81 4.3.3 Mecanismo de tingimento dos corantes à tina........................................................... 150
3.3.5 Mercerização...............................................................................................................................83 4.3.4 Formas de tingimento de corantes à tina...................................................................... 152
3.4 Produtos nos processos químicos..........................................................................................................88 4.3.5 Produtos e processos utilizados no tingimento de corantes índigo.................... 153
3.4.1 Surfactantes.................................................................................................................................89 4.4 Corantes dispersos ................................................................................................................................... 154
3.4.2 Dispersantes e sequestrantes................................................................................................89 4.4.1 Estrutura dos corantes dispersos ..................................................................................... 155
3.4.3 Deslizantes...................................................................................................................................89 4.4.2 Propriedades de tingimento das classes de corante disperso .............................. 155
3.4.4 Neutralização de peróxido Antiespumantes...................................................................89 4.4.3 Tipos de tingimento com corantes dispersos .............................................................. 156
3.4.5 Antiespumantes.........................................................................................................................90 4.4.4 Processo Thermosol............................................................................................................... 158
3.4.6 Álcalis.............................................................................................................................................90 4.4.5 Pós-tratamento para corantes dispersos........................................................................ 161
VOLUME 1

3.4.7 Ácidos.............................................................................................................................................90 4.4.6 Oligômeros................................................................................................................................ 162


3.4.8 Oxidantes......................................................................................................................................91 4.4.7 Corantes dispersos – produtos e processos utilizados.............................................. 163
3.4.9 Estabilizadores............................................................................................................................91 4.5 Corantes ácidos.......................................................................................................................................... 164
3.4.10 Branqueador ótico..................................................................................................................91 4.5.1 Estrutura dos corantes ácidos............................................................................................ 165
3.5 Redutores........................................................................................................................................................91 4.5.2 Tipos de corantes ácidos...................................................................................................... 165
3.5.1 Processos enzimáticos............................................................................................................91 4.5.3 Mecanismo de tingimento dos corantes ácidos.......................................................... 165
3.5.2 Biopurgas......................................................................................................................................92 4.5.4 Ponto isoelétrico das fibras proteicas e poliamida..................................................... 165
3.5.3 Biopolimento...............................................................................................................................93 4.5.5 Fatores que afetam os corantes ácidos........................................................................... 167
3.6 Fluxo de beneficiamento...........................................................................................................................94 4.5.6 Corantes de complexo metálico........................................................................................ 169
4.5.7 Corantes de complexo metálico 1:1................................................................................. 169
Referências......................................................................................................................................................................... 103 4.5.8 Corantes de complexo metálico 1:2................................................................................. 170

VOLUME 2
4.6 Corantes azoicos........................................................................................................................................ 171
Minicurrículo do Autor.................................................................................................................................................. 104
4.6.1 Naftol........................................................................................................................................... 171
4 Beneficiamento Secundário: Tingimento........................................................................................................... 129 4.6.2 Base.............................................................................................................................................. 171
4.1 Tipos de tingimento................................................................................................................................. 130 4.6.3 Diazotação................................................................................................................................. 171
4.1.1 Processos descontínuos....................................................................................................... 130 4.6.4 Mecanismo de tingimento dos corantes azoicos........................................................ 172
4.1.2 Processos contínuos.............................................................................................................. 130 4.7 Formas de Tingimento............................................................................................................................. 173
4.1.3 Processos semicontínuos..................................................................................................... 130 4.7.1 Corantes sulfurosos................................................................................................................ 174
4.2 Corante x pigmento................................................................................................................................. 131 4.7.2 Reações dos corantes sulfurosos....................................................................................... 175
4.2.1 Seleção de corantes............................................................................................................... 131 4.7.3 Bronzeamento.......................................................................................................................... 177
4.2.2 Classificação dos corantes................................................................................................... 132 4.7.4 Tingimento descontínuo...................................................................................................... 177
4.2.3 Propriedades dos corantes.................................................................................................. 132 4.7.5 Efeito tendering......................................................................................................................178
4.2.4 Fases do tingimento.............................................................................................................. 133 4.7.6 Tingimento semicontínuo................................................................................................... 179
VOLUME 2

4.2.5 Fatores importantes na etapa de difusão...................................................................... 133 4.8 Corantes Catiônicos.................................................................................................................................. 184
4.2.6 Termos importantes utilizados em processos de tingimento................................ 134 4.8.1 Mecanismo de tingimento dos corantes catiônicos.................................................. 184
4.2.7 Forças de fixação dos corantes.......................................................................................... 135 4.8.2 Estrutura dos corantes catiônicos..................................................................................... 185
4.2.8 Corantes nas fibras................................................................................................................. 135 4.8.3 Fatores importantes no tingimento de fibras acrílicas com corantes
4.2.9 Propriedades dos corantes.................................................................................................. 136 catiônicos............................................................................................................................................. 185
4.2.10 Corantes diretos ................................................................................................................... 137 4.8.4 Considerações importantes no tingimento de fibras acrílicas com
4.2.11 Corantes reativos.................................................................................................................. 140 corantes catiônicos........................................................................................................................... 186
4.2.12 Lavagem do corante hidrolisado.................................................................................... 147 4.8.5 Determinação teórica da % de retardante catiônico................................................. 186
4.2.13 Tingimento semicontínuo................................................................................................. 147 4.9 Colorimetria................................................................................................................................................. 187
4.2.14 Tingimento contínuo.......................................................................................................... 148 4.9.1 Definição ................................................................................................................................... 190
4.3 Corantes à tina ........................................................................................................................................... 149 4.9.2 Cor ............................................................................................................................................... 191
4.9.3 Iluminantes .............................................................................................................................. 192
4.9.4 Metameria ................................................................................................................................ 195 5.10 Tela – tecido e moldura......................................................................................................................... 255
4.9.5 Inconstância de cor................................................................................................................ 196 5.11 Rasqueta ou rodo – Lâmina e suporte............................................................................................ 256
4.9.6 Por que ocorrem a inconstância de cor e o metamerismo?.................................... 196 5.12 Mesa – especificações........................................................................................................................... 257
4.9.7 Condições padronizadas de iluminação........................................................................ 196 5.13 Adesivos – objetivos e tipos................................................................................................................ 258
4.9.8 Tipos de iluminantes padronizados utilizadas para avaliação de cor.................. 197 5.14 Principais variáveis do processo........................................................................................................ 258
4.9.9 Influência do fundo na visualização da cor................................................................... 198 5.15 Cuidados operacionais......................................................................................................................... 259
4.9.10 Curva de distribuição espectral de um iluminante.................................................. 199 5.16 Estampagem a quadro semiautomática........................................................................................ 259
4.9.11 Espaço de cores..................................................................................................................... 201 5.17 Estampagem a quadro automática.................................................................................................. 259
4.9.12 O sistema de ordenação de cores................................................................................... 201 5.17.1 Características do processo:............................................................................................. 259
4.9.13 Espaço de cores Munsell.................................................................................................... 203 5.17.2 Principais componentes da máquina:.......................................................................... 260
4.9.14 Espaço de cor CIE.................................................................................................................. 205 5.17.3 Tipos de adesivos:................................................................................................................. 260
4.9.15 Espaço de cores – sistemas de ordenação de cores................................................ 206 5.17.4 Cuidados operacionais....................................................................................................... 262
4.9.16 Espaço de cores – catálogo padronizado de cores.................................................. 207 5.17.5 Fatores que influem na velocidade de produção..................................................... 263
4.10 Equipamentos.......................................................................................................................................... 209 5.17.6 Defeitos de estampagem.................................................................................................. 263
4.11 Banco de Dados....................................................................................................................................... 210 5.17.7 Estamparia com cilindro (telas rotativas)..................................................................... 264
VOLUME 2

4.11.1 Formulação visual................................................................................................................ 212 5.17.8 Características do processo:............................................................................................. 264


4.11.2 Formulação instrumental.................................................................................................. 212 5.17.9 Principais componentes da máquina:.......................................................................... 264
4.11.3 Formulação instrumental contra visual........................................................................ 213 5.18 Estamparia por termotransferência................................................................................................. 266
4.11.4 Formulação – cálculos........................................................................................................ 214 5.18.1 Definição do processo........................................................................................................ 266
4.11.5 Correção da cor..................................................................................................................... 215 5.18.2 Razões para a utilização do processo............................................................................ 266
4.12 Medição de Branco................................................................................................................................. 216 5.18.3 Métodos convencionais..................................................................................................... 266

VOLUME 3
4.12.1 Alvejante ótico....................................................................................................................... 217 5.19 Estamparia digital................................................................................................................................... 270
4.13 Controle de Qualidade.......................................................................................................................... 219 5.19.1 Processo de estampagem................................................................................................. 271
4.13.1 Seleção dos padrões .......................................................................................................... 219 5.19.2 Pré-tratamento...................................................................................................................... 272
4.13.2 Seleção da receita ............................................................................................................... 219 5.19.3 Pós-tratamento..................................................................................................................... 274
4.13.3 Aplicação da receita............................................................................................................ 220 5.20 Processos de gravação de matrizes de impressão...................................................................... 274
4.14 Avaliação.................................................................................................................................................... 220 5.20.1 Preparação do desenho..................................................................................................... 275
4.15 Softwares Específicos............................................................................................................................ 222 5.20.2 Gravação de telas planas................................................................................................... 276
5.20.3 Gravação de telas rotativas (cilindros).......................................................................... 279
Referências......................................................................................................................................................................... 225 5.20.4 Métodos de gravação de cilindros sem o uso de diapositivos............................ 280
5.21 Sistemas de estampagem.................................................................................................................... 281
Minicurrículo dos autores............................................................................................................................................ 227
5.22 Estamparia com pigmentos................................................................................................................ 282
Índice................................................................................................................................................................................... 229 5.23 Estamparia com corantes..................................................................................................................... 284
5.23.1 Estampagem com corantes reativos............................................................................. 284
5 Beneficiamento Secundário: Estamparia............................................................................................................ 251 5.23.2 Estampagem com corante a cuba.................................................................................. 285
5.1 Block printing............................................................................................................................................. 252 5.23.3 Estampagem de poliéster com corantes dispersos................................................. 286
5.2 Estêncil.......................................................................................................................................................... 252 5.23.4 Estampagem de poliamida com corantes ácidos..................................................... 287
VOLUME 3

5.3 Coppered block.......................................................................................................................................... 253 5.23.5 Efeitos especiais.................................................................................................................... 288


5.4 Copper plate.............................................................................................................................................. 254 5.23.6 Mix............................................................................................................................................. 288
5.5 Cilindro gravado........................................................................................................................................ 254 5.23.7 Glitter........................................................................................................................................ 288
5.6 Perrotina....................................................................................................................................................... 254 5.23.8 Perolado................................................................................................................................... 289
5.7 Os atuais processos de estamparia..................................................................................................... 254 5.23.9 Purpurina................................................................................................................................. 289
5.8 Estamparia a quadro................................................................................................................................ 255 5.23.10 Puff.......................................................................................................................................... 289
5.9 Estampagem manual............................................................................................................................... 255 5.23.11 Foil........................................................................................................................................... 289
5.23.12 Flocagem.............................................................................................................................. 290
9 Máquinas........................................................................................................................................................................ 383
5.24 Receitas e cálculos.................................................................................................................................. 290
9.1 Tipos de máquinas.................................................................................................................................... 384
6 Lavanderia...................................................................................................................................................................... 295 9.1.1 Sistema não contínuo............................................................................................................ 384
6.1 Definição...................................................................................................................................................... 296 9.1.2 Barca............................................................................................................................................ 385
6.2 Lavanderia domiciliar.............................................................................................................................. 296 9.1.3 Jigger......................................................................................................................................... 387
6.3 Lavanderia industrial................................................................................................................................ 296 9.1.4 Autoclave................................................................................................................................... 388
6.4 Lavanderia hospitalar.............................................................................................................................. 299 9.1.5 Jets............................................................................................................................................. 390
6.5 Beneficiamento do jeans........................................................................................................................ 313 9.1.6 Sistema contínuo.................................................................................................................... 392
6.5.1 Tecido.......................................................................................................................................... 314 9.1.7 Impregnação............................................................................................................................ 392
6.5.2 Tratamentos físicos................................................................................................................. 317 9.1.8 Desenvolvimento.................................................................................................................... 395
6.5.3 Tratamentos químicos........................................................................................................... 318 9.1.9 Tratamentos posteriores....................................................................................................... 397
6.5.4 Tratamentos físico-químicos............................................................................................... 320 9.2 Sistema semicontínuo............................................................................................................................. 397
6.5.5 Tratamentos biológicos........................................................................................................ 321 9.2.1 Aplicação.................................................................................................................................... 398
6.6 Beneficiamentos de peças confeccionadas..................................................................................... 324 9.3 Softwares específicos............................................................................................................................... 401
6.6.1 Beneficiamentos primários................................................................................................. 325
10 Gestão Ambiental no Beneficiamento Têxtil................................................................................................... 405
6.6.2 Tingimento de peças confeccionadas............................................................................. 325
10.1 Aspectos e impactos ambientais...................................................................................................... 407
6.6.3 Beneficiamentos terciários.................................................................................................. 326
10.2 Gestão da água e dos efluentes têxteis.......................................................................................... 409
6.6.4 Receitas orientadoras............................................................................................................ 327
10.2.1 Que substâncias podem ser usadas?............................................................................ 410
7 Beneficiamento Terciário........................................................................................................................................... 339 10.2.2 Como funciona a etapa de coagulação?...................................................................... 410
7.1 Beneficiamentos físicos ou mecânicos.............................................................................................. 340 10.2.3 E a etapa de floculação, é muito diferente?................................................................ 411
VOLUME 3

7.1.1 Tipos de calandragem........................................................................................................... 340 10.2.4 Qual a importância do pH no processo de tratamento?........................................ 411

VOLUME 3
7.1.2 Princípio do processo............................................................................................................ 341 10.2.5 O tratamento da água por coagulação/floculação.................................................. 412
7.1.3 Aplicação.................................................................................................................................... 348 10.3 Gestão dos resíduos gerados no tratamento de água e efluentes têxteis......................... 414
7.2 Beneficiamentos químicos..................................................................................................................... 349 10.3.1 Resíduos do tratamento de água................................................................................... 414
7.2.1 Tipos de amaciamento.......................................................................................................... 349 10.3.2 Resíduos do tratamento de efluentes........................................................................... 415
7.2.2 Encorpamento......................................................................................................................... 352
11 Testes............................................................................................................................................................................. 421
7.2.3 Acabamento de repelência a água e óleo..................................................................... 352
11.1 Definição.................................................................................................................................................... 422
7.2.4 Acabamento de repelência à sujeira (soil release)....................................................... 354
11.2 Matéria-prima........................................................................................................................................... 424
7.2.5 Acabamento antimicrobiano.............................................................................................. 354
11.2.1 Tipos de matérias-primas.................................................................................................. 425
7.2.6 Antiestático............................................................................................................................... 355
11.3 Insumos...................................................................................................................................................... 427
7.2.7 Aplicação.................................................................................................................................... 361
11.4 Produtos..................................................................................................................................................... 427
7.2.8 Receitas....................................................................................................................................... 363
11.5 Inspeção de tecido acabado............................................................................................................... 428
7.3 Beneficiamento biológico...................................................................................................................... 365
11.6 Instrumento e equipamentos............................................................................................................ 429
7.3.1 Definição.................................................................................................................................... 365
11.7 Vidraria graduada.................................................................................................................................... 429
7.3.2 Tipos............................................................................................................................................. 365
11.7.1 Pipetas...................................................................................................................................... 430
7.3.3 Aplicação.................................................................................................................................... 365
11.7.2 Buretas...................................................................................................................................... 431
7.3.4 Receitas....................................................................................................................................... 366
11.7.3 Água para uso em laboratório......................................................................................... 432
7.3.5 Outros acabamentos............................................................................................................. 366
11.7.4 Balanças analíticas............................................................................................................... 434
8 Saúde e Segurança do Trabalho............................................................................................................................. 371 11.8 Pick-up...................................................................................................................................................... 435
8.1 O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA........................................................... 372
Referências......................................................................................................................................................................... 439
8.2 Prioridade e metas.................................................................................................................................... 374
8.3 Medidas de controle de avaliação de sua eficácia........................................................................ 375
Minicurrículo dos Autores............................................................................................................................................ 441
8.4 Monitoramento da exposição aos riscos.......................................................................................... 375
8.5 Registro e divulgação dos dados......................................................................................................... 376 Índice................................................................................................................................................................................... 443
Beneficiamento
Secundário: Tingimento

Neste capítulo veremos como acontece o processo de tingimento, bem como os tipos de
tingimentos existentes e todos os processos envolvidos em seu desenvolvimento.
É o processo físico-químico de dar coloração ao material têxtil utilizando compostos
orgânicos e inorgânicos capazes de absorver a luz em um determinado comprimento de onda
eletromagnética na faixa visível e refletir na cor visualizada. Para que sejam desenvolvidos os
tingimentos, são empregadas matérias corantes: corantes (solúveis ou dispersáveis em água) e
pigmentos (insolúveis em água).
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
130 131

4.1 TIPOS DE TINGIMENTO

Durante o processo de tingimento, a deposição e fixação do corante no substrato têxtil podem ocorrer
de três formas:
a) Processos descontínuos (esgotamento);
b) Processos contínuos (impregnação);
c) Processos semicontínuos.

4.1.1 PROCESSOS DESCONTÍNUOS

Luiz Meneghel
São processos desenvolvidos em bateladas. Os materiais têxteis são tratados em um único equipamen-
to. Nesse processo, a afinidade entre o corante e a fibra é o fator responsável pelo encaminhamento da
matéria corante em direção ao interior da fibra. Nesse processo de tingimento, você pode observar as Figura 1 - Tipos de tingimento
Fonte: Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
seguintes etapas:
a) Desagregação dos aglomerados de corantes no banho;
b) Difusão do corante no banho de tingimento; 4.2 CORANTE X PIGMENTO

c) Adsorção superficial do corante na fibra; Corantes e pigmentos são matérias corantes que possuem diferenças, e, por conseguinte, suas formas de
d) Difusão do corante no interior da fibra; aplicação também. Assim sendo, faz-se necessário diferenciar esses dois termos. As matérias corantes utiliza-
das em um tingimento podem ser diferenciadas pelas suas propriedades de solubilidade e de fixação à fibra.
e) Fixação do corante na fibra.

CORANTE PIGMENTO
4.1.2 PROCESSOS CONTÍNUOS Compostos orgânicos ou inorgânicos solúveis ou dispersáveis. Compostos orgânicos ou inorgânicos insolúveis.

Modifica a cor através da reflexão ou transmissão da luz devido à


Esses processos são empregados em grandes quantidades de tecidos. A primeira fase do processo con- Difundem na fibra e há interação.
absorção em certo comprimento de onda.
tínuo acontece pela impregnação do tecido em banho no foulard. Esse equipamento é responsável pela
distribuição uniforme do banho sobre a superfície do tecido. Em sequência, acontecem as etapas de difu- Aplicados em meio aquoso. Necessitam ser ancorados na fibra através de uma resina ligante.

são e fixação do corante na fibra por meio de processos de termofixação ou vaporização. São observadas Usados em processos de tinturaria e estamparia. Normalmente empregados em processos de estamparia.
as seguintes etapas: Quadro 1 - Corante x pigmento
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
a) Impregnação das fibras no banho;
b) Passagem do tecido por cilindros espremedores para a retirada do excesso de banho;
4.2.1 SELEÇÃO DE CORANTES
c) Tratamentos posteriores para difusão do corante no interior da fibra e fixação.
A escolha do corante dependerá dos seguintes fatores para a sua utilização:

4.1.3 PROCESSOS SEMICONTÍNUOS

São processos que combinam etapas de impregnação com desenvolvimento em equipamentos que

Davi Leon
são empregados em processos descontínuos ou de impregnação com repouso.
Figura 2 - Fatores para a seleção dos corantes
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
132 133

4.2.2 CLASSIFICAÇÃO DOS CORANTES 4.2.4 FASES DO TINGIMENTO

A teoria do tingimento está baseada em dois fatores: a cinética que estuda os movimentos do corante
até a fibra e a termodinâmica que estuda o equilíbrio do corante entre fibra e banho.
Sob esses dois pontos de vistas, pode-se explicar cada etapa do tingimento que é dividida em 5 etapas,
mas que podem ocorrer simultaneamente:
a) Dissolução – etapa onde o corante em estado sólido se dilui ou dispersa no banho;
b) Adsorção – é a etapa onde o corante migra até a superfície da fibra dada a característica de afinidade
do corante;
c) Absorção – através das regiões amorfas das fibras, os corantes são absorbidos pelas fibras. Corantes
de maior molécula e alta afinidade demoram mais para serem absorvidos;
d) Difusão – fase em que o corante busca os pontos de menor energia para chegar ao equilíbrio, mi-
grando pelo interior da fibra e assim deixando o tingimento mais uniforme;

Davi Leon
e) Fixação – etapa onde o corante, após chegar as zonas de menor energia, começa a formar as forças
Figura 3 - Fatores para a seleção dos corantes
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
de ligação com a fibra necessária para uma boa solidez.

4.2.3 PROPRIEDADES DOS CORANTES 4.2.5 FATORES IMPORTANTES NA ETAPA DE DIFUSÃO

Para compreender as propriedades e interações que os corantes irão realizar com a fibra, será necessá- A difusão é a etapa mais lenta do processo tingimento e deve ser estudada separadamente. As outras
rio conhecer e diferenciar termos que são amplamente aplicados em processos de tinturaria. etapas do tingimento ocorrem simultaneamente.
a) Cor – característica de cada corante. A molécula de corante possui duas partes: o cromóforo, res-
ponsável por dar a cor ao corante e o auxocromo, parte insaturada da molécula responsável por dar
De uma forma geral a difusão dos corantes aumenta com o acréscimo da
intensidade de cor ao corante;
concentração de corante no substrato têxtil.
b) Solubilidade – característica necessária devido ao meio aquoso em que é realizado o tingimento; Concentração de corante Em corantes dispersos, a difusão é praticamente constante com o aumento
da concentração. Para corantes diretos, aumenta quase linearmente e em
c) Substantividade – capacidade de ser absorvido pela fibra;
corantes iônicos aumenta de forma parabólica.
d) Afinidade – é a relação de distribuição do corante entre o banho e a fibra;
Quanto maior o peso molecular do corante, menor é a difusão do corante
Influência do peso molecular do corante
e) Solidez – característica de resistir aos processos que as fibras passam durante seu processamento e uso. devido à dificuldade de penetração.

Experimentalmente, observa-se que corantes com alta afinidade difundem


rápido, porém, com o tempo, vão formando tingimentos anelares que

Você sabia que, além de dar nome ao nosso país, o pau-brasil foi responsável pelas dificultam a difusão de outros corantes. Assim, quanto maior a afinidade,
CURIOSI primeiras atividades econômicas do país por conta do corante extraído da madeira menor é a difusão, mas uma afinidade muito baixa também não permite
DADES do pau-brasil, a brasileína, que apresentava tonalidades avermelhadas variadas e foi
bastante usado para tingimento de tecidos até a descoberta da anilina. que o corante difunda na fibra. A resistência identifica-se com a dificulda-
Afinidade
de que as moléculas de alta afinidade têm para passar a outros lugares,
já que são fortemente retidas pela fibra e uma grande proporção delas é
imobilizada (fixada), fazendo com que outras moléculas procedentes do
banho de tingimento tenham que atravessar o anel tingido para se situar
nos locais disponíveis sem corante.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
134 135

Quanto maior a temperatura, maior é a energia das moléculas e maior é 4.2.7 FORÇAS DE FIXAÇÃO DOS CORANTES
Temperatura o amolecimento das fibras e consequentemente maior a velocidade de
Para realizar a fixação das moléculas de corantes na fibra, são realizados os seguintes tipos de ligações
difusão.
químicas:
A adição de eletrólitos influi na neutralização de cargas e assim diminui
a força de atração-repulsão entre a fibra e o corante. Primeiro, o eletrólito
Concentração de eletrólitos facilita a dissolução do corante, depois aumenta a sua afinidade e se conti- Atração eletrostática entre as cargas opostas dos corantes e fibras como no
Ligações iônicas
nuar acrescentando mais sal, os corantes formam agregados dificultando caso da lã, seda ou poliamida.
sua difusão e precipitam formando manchas. Ligação devido à proximidade máxima das moléculas por afinidade, mas
Quadro 2 - Fatores importantes na etapa de difusão Forças de Van der Waals sem formar uma ligação propriamente. Ocorre em corantes de moléculas
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
planas, como no caso de corantes à cuba no tingimento de celulose.

É a ligação entre o átomo de hidrogênio com os elétrons doadores presen-


Pontes de hidrogênio tes nas fibras. Corantes de maior tamanho são mais propícios a estes tipos
4.2.6 TERMOS IMPORTANTES UTILIZADOS EM PROCESSOS DE TINGIMENTO
de ligação como no caso de corantes diretos.
Durante o processo de tingimento por esgotamento, é necessário ter bem definidos termos que são Ligações covalentes Ligação mais forte, típica em corantes reativos e fibras celulósicas.
bastante utilizados:
Quadro 3 - Fixação dos corantes
a) Percentual de esgotamento – é o percentual de corante que foi absorvido pela fibra após chegar no Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

equilíbrio em comparação a quantidade de corante adicionada inicialmente ao banho.


b) Concentração de intensidade de tingimento – normalmente expressa em % sobre o peso do material 4.2.8 CORANTES NAS FIBRAS
a ser tingido. Um tingimento a 1% de 100 kg de material têxtil necessita de 1 kg de corante.
c) Relação de banho – é a relação entre a quantidade de material e o volume de banho necessário para tin- A tabela abaixo mostra a compatibilidade de cada corante com as respectivas fibras.
gi-lo. Normalmente expressa em l / kg. Quanto maior a relação de banho, menor é o % de esgotamento.

FIBRAS
ÁCIDO CATIÔNICO DIRETO DISPERSO AZOICO REATIVO SULFUROSO À TINA
NATURAIS

Algodão x x x x x

Juta x x x x x
Davi Leon

Figura 4 - Termos importantes no tingimento Rayon x x x x x


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Seda x x x x

Lã x x
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
136 137

Os fornecedores de corantes são uma boa fonte de informação para determinar a es-
FIBRAS
ÁCIDO CATIÔNICO DIRETO DISPERSO AZOICO REATIVO SULFUROSO À TINA SAIBA colha dos corantes ideais para as necessidades do técnico têxtil. Sempre consulte os
SINTÉTICAS MAIS catálogos de corantes para avaliar as propriedades de solidez, processos de tingimen-
to e tricomias recomendadas.

Acrílico x x

4.2.10 CORANTES DIRETOS


Poliamida x x x
Introdução aos corantes diretos
Esses corantes são também conhecidos como substantivos. São aplicados em fibras celulósicas principal-
Poliéster x
mente em meio neutro ou levemente alcalino. Apresentam uma gama ampla de cores, porém as suas cores
não apresentam brilho intenso. São corantes que são de fácil aplicação e economicamente de baixo custo.
Acetato x

Tabela 1 - Corantes nas fibras


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
PROPRIEDADES DOS CORANTES DIRETOS

PROPRIEDADE DESCRIÇÃO
4.2.9 PROPRIEDADES DOS CORANTES
Caráter iônico Aniônico.

Para ser utilizado o corante correto na hora do tingimento, é necessário conhecer a fibra a ser utilizada Solubilidade Solúvel em água.
e as características solicitadas pelo usuário final. Com base nessas informações, pode-se decidir que classe Afinidade Fibras celulósicas.
de corante que será utilizada no tingimento. Tipo de ligação com a fibra Pontes de hidrogênio e forças de Van der Waals.

Solidez à lavagem Baixa quando não realizado tratamento posterior de fixação.

FACILIDADE DE Solidez à luz Baixa – moderada.


CORANTE CUSTO SOLIDEZ À LAVAGEM SOLIDEZ À LUZ
APLICAÇÃO
Quadro 5 - Fixação dos corantes
Ácido Médio - Médio Razoável - boa Boa Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Básico Médio + Médio - Razoável difícil Baixa - Boa Razoável - Boa

Direto Barato Fácil Baixa - Boa Razoável - Boa


TIPOS DE CORANTES DIRETOS
Disperso Médio Razoavelmente difícil Boa Boa

Azoico Médio Difícil Boa Boa Existem três tipos de corantes diretos: os de classe A, que são conhecidos como autorreguláveis, pos-
Médio – razoavelmente suem boa migração e boa igualização mesmo quando o eletrólito é adicionado no início do tingimento,
Reativo Médio + Médio - razoável Boa
difícil podendo necessitar de quantidades altas de sal para esgotar bem; os da classe B, que são controláveis pelo
Sulfuroso Barato Razoavelmente difícil Boa Razoável – boa sal por terem má igualização, são controlados pela adição de sal normalmente depois que o banho tenha
atingido a temperatura de tingimento; e os de classe C que são controláveis pela adição de sal e da tempe-
À tina Médio + Razoavelmente difícil Boa - excelente Boa - excelente
ratura. A sua substantividade aumenta muito com o aumento da temperatura.
Quadro 4 - Fixação dos corantes
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
138 139

Davi Leon
Figura 5 - Tipos de corantes diretos
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

MECANISMO DE TINGIMENTO DOS CORANTES DIRETOS

Luiz Meneghel
Nesse tipo de tingimento, os corantes diretos e as fibras celulósicas apresentam o mesmo caráter aniô-
nico. Ao se adicionar eletrólitos no banho, diminui-se as cargas eletrostáticas (Potencial Zeta) entre a fibra
Figura 7 - Mecanismo de tingimento dos corantes diretos
e o corante permitindo uma maior absorção. Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

PÓS-TRATAMENTO PARA CORANTES DIRETOS

Para se conseguir uma melhoria no grau de solidez, principalmente a lavagem após o processo de tin-
gimento, é realizado uma fixação com resinas catiônicas em pH ácido. Esses agentes fixadores são com-
postos orgânicos com grandes moléculas que sofrem dissociação gerando grandes fragmentos positivos
(catiônicos). O íon positivo é atraído para o aníon (grupo solubilizante da molécula do corante) gerando
uma grande molécula salina com baixa solubilidade.
Deve-se fazer um bom enxague e aplicar o fixador de acordo com a quantidade de corante utilizada.
Luiz Meneghel

O uso de fixadores pode ocasionar mudança de tonalidade, pode afetar a solidez à luz e pode prejudicar
o toque.
Figura 6 - Mecanismo de tingimento dos corantes diretos
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

PRODUTOS UTILIZADOS NO TINGIMENTO DE CORANTES DIRETOS


Com a adição de eletrólitos, ocorre uma neutralização de cargas, facilitando o esgotamento do corante
do banho para a fibra.
PRODUTO FUNÇÃO
Já no interior da fibra, o corante direto se coloca paralelamente na fibra que se liga por pontes de hidro-
Cloreto de sódio Montagem do corante na fibra.
gênio e forças de Van der Waals. Quanto mais plana a molécula do corante, maior é a sua afinidade.
Quebra tensão superficial da fibra melhora a hidrofilidade e
Umectante
igualização.

Aumenta o rendimento e a solubilidade de certos corantes


Barrilha
diretos.

Melhora a solubilidade do corante e mantém a dureza do


Dispersante
banho em dispersão.

Fixador Melhora a solidez à lavagem.

Quadro 6 - Produtos utilizados no tingimento de corantes diretos


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
140 141

PROPRIEDADE DOS CORANTES REATIVOS

PROPRIEDADE DESCRIÇÃO

Caráter iônico Aniônico.

Solubilidade Solúvel em água

Afinidade Fibras celulósicas.

Tipo de ligação com a fibra Pontes de hidrogênio e forças de Van der Waals e covalentes.

Solidez à lavagem Excelente.

Solidez à luz Boa.

Solidez ao cloro Baixa.


Quadro 7 - Propriedade dos corantes reativos
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Luiz Meneghel
Figura 8 - Produtos utilizados no tingimento de corantes diretos
ESTRUTURA GERAL DE UM CORANTE REATIVO
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

A estrutura de um corante reativo é parecida com de um corante direto, porém as moléculas dos coran-
tes reativos apresentam um grupo reativo.
O gráfico acima representa um processo de tingimento característico de um corante regulado pela
temperatura e adição de sal com tratamento posterior, para melhor solidez. As principais partes do corante são:
a) Grupo Cromóforo – corpo principal do corante responsável pela cor;
b) Grupo Solubilizante – necessário para que o corante se dissolva na água. As moléculas de corante em
4.2.11 CORANTES REATIVOS
água tornam-se aniônicas;
São corantes capazes de reagir com a fibra celulósica. São relativamente novos em relação a outras c) Grupo Reativo – forma a ligação com a fibra celulósica. Os corantes reativos podem apresentar mais
classes (lançado em 1956 pela ICI). de um grupo reativo em suas moléculas, quando possui um corante é chamado de monofuncional,
Fornecem uma variada gama de cores vivas e brilhantes sobre fibras celulósicas. com dois grupos reativos é bifuncional e com três grupos reativos é polifuncional.

Apresentam ótimos índices de solidez a úmido, porém não resistem à presença de soluções à base de Os corantes reativos podem apresentar os seus grupos reativos derivados da triazina ou de grupamen-
cloro. Esses corantes necessitam de eletrólitos para montar na fibra. Os tamanhos de suas moléculas per- tos vinilsulfona.
mitem tingimentos mais igualizados. Nos processos de tingimento, quanto maior a reatividade do corante,
menor é a temperatura empregada no tingimento.

Luiz Meneghel
Figura 9 - Grupos reativos dos corantes
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
142 143

CLASSIFICAÇÃO DOS CORANTES REATIVOS VELOCIDADE DE REAÇÃO DOS CORANTES

Os corantes reativos são classificados baseado nas 3 seguintes categorias de acordo com o grupo rea- A velocidade de reação dos corantes reativos dependerá dos grupos reativos presentes nas moléculas
tivo a temperatura de tingimento e a reatividade. No esquema a seguir você pode observar as formas de dos corantes. No quadro abaixo, está representado os diversos corantes reativos com seus respectivos gru-
distinção: pos reacionais. Tanto nos processos a frio como com temperatura, os posicionados à esquerda são os mais
lentos, enquanto os que estão posicionados mais à direita são os de montagem mais rápida.

Luiz Meneghel
Luiz Meneghel Figura 12 - Classificação da reatividade dos corantes reativos comerciais
Figura 10 - Grupos reativos dos corantes
Fonte: SENAI/CETIQT (2016) Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

CLASSIFICAÇÃO DOS CORANTES REATIVOS REAÇÕES DO CORANTE REATIVO

Em relação à temperatura de processamento, os corantes reativos reagem diferentemente, fato que Durante o processo de tingimento com corante reativo, duas reações podem acontecer. A preferencial
possibilita ampliar as formas de tingimento de acordo com o substrato têxtil a ser tingido. acontece quando o corante reage com a celulose ionizada, pois daí surge o tingimento. A segunda, não
desejada, acontece quando a molécula do corante reage com a água. Acontece então uma reação de hi-
drólise fazendo que o corante perca o seu poder de reação. Apesar de maior quantidade de água do que
fibra, o corante reage preferencialmente com a fibra.
Davi Leon

a) Reação com água:

Figura 11 - Classificação dos corantes reativos


Corante – Cl + H2O ® Corante – OH + Cl-
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

b) Reação com fibra:


Celulose – O - + Corante – Cl ® Celulose – O- Corante + Cl-
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
144 145

TIPOS DE REAÇÃO DO CORANTE REATIVO b) Relação de banho – a relação de banho é a variável que mais influencia na absorção, quanto menor
a relação de banho, maior será o esgotamento do corante, por isso utiliza-se mais os jets por conta da
Substituição nucleofílica – esse tipo de substituição acontece em tingimentos com corantes reativo à baixa relação de banho e boa circulação. Os corantes de baixa afinidade são os que são mais influen-
base de clorotriazina, com afinidade por cargas negativas. Ocorre substituição do cloro do corante pela ciados pela relação de banho;
parte negativa da fibra ou da água.
c) Concentração do eletrólito – influencia na absorção, pois neutraliza as cargas da fibra e favorece a
Adição nucleofílica – quando são empregados corantes reativos à base de vinilsulfona, nenhum elemen- penetração do corante. Quanto menor a concentração de sal no banho de tingimento, menor deverá
to sai. A celulose ou a água quebra a dupla ligação da molécula do corante e acontece a ligação com a fibra. ser a relação de banho para que seja evitado problemas de igualização, e quanto mais intenso o tingi-
mento, maior a quantidade de sal deve ser empregada;
d) Temperatura – um aumento na temperatura de tingimento promove um aumento na velocidade de
difusão do corante aumentando a migração e uniformidade da cor. Para tingimentos em alta tempe-
ratura (baixa afinidade), balanceia-se com menor relação de banho e maior concentração de eletróli-
to. Corantes de baixa afinidade são mais influenciados pela variação de temperatura;
e) pH – a etapa de absorção do corante é feita com o banho de tingimento em meio neutro para evitar
a hidrolise das moléculas de corante antes da fixação do corante. Por isso, deve-se controlar o pH do
substrato têxtil advindo dos processos antes de realizar o tingimento.
f) Tipo de fibra – em tingimentos de substratos têxteis com misturas de fibras, é necessária a atenção
à natureza das fibras envolvidas, pois fibras diferentes, mesmo que de mesma classe, apresentam
absorção de corante diferenciada. Como exemplo, a fibra de viscose absorve mais que o algodão mer-
cerizado, que absorve mais que o algodão devido ao seu maior conteúdo de região amorfa, embora
sejam fibras celulósicas.

FORMAS DE TINGIMENTO DOS CORANTES REATIVOS


Davi Leon
Pela versatilidade proporcionada pelo corante reativo, dependendo da reatividade do corante esco-
Figura 13 - Tipos de reação dos corantes reativos lhido, existe a possibilidade de tingimento de substratos têxteis por diversas formas de processamentos:
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
a) Descontínuo – batelada;
b) Semicontínuo;
FATORES QUE INFLUENCIAM NA ABSORÇÃO
c) Pad-batch – impregnação e repouso a frio;
Diversos fatores afetam a absorção do corante reativo: d) Pad-jigger – impregnação e desenvolvimento em um jigger;
a) Natureza do corante – corantes reativos com alta reatividade permite a realização de tingimentos e) Contínuo;
com temperaturas mais baixas, porém é mais difícil controlar a fixação, pois poderá acontecer antes
f) Pad-steam – impregnação e vaporização para fixação;
de uma perfeita distribuição das moléculas no interior da fibra. Corantes de baixa afinidade apresen-
tam baixo esgotamento e por isso necessitam de maior quantidade de álcali, mas facilitam a remoção g) Pad-dry-pad-steam – impregnação-secagem-impregnação-vaporização.
do corante hidrolisado;
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
146 147

ETAPAS DO TINGIMENTO DESCONTÍNUO 4.2.12 LAVAGEM DO CORANTE HIDROLISADO

No processo descontínuo por esgotamento, você encontra as seguintes etapas do tingimento em meio Ao término do processo de tingimento, é observado que grande parte do corante não penetrou de-
neutro utilizando eletrólito: vidamente na fibra e encontra-se sob a forma hidrolisada aderida indevidamente. Esse corante que não
reage mais precisa ser removido para que você possa ter a cor final desejada e o tingimento não apresentar
problemas de solidez. Para isso, é comum desenvolver a seguinte sequência de lavagem:

Diego Fernandes
a) Primeira lavagem à frio – eliminar o corante que não reagiu, o corante hidrolisado que está no banho;
b) Segunda lavagem com uma temperatura moderada (60 °C) – auxiliar a total retirada do eletrólito,
antes de ser retirado o corante hidrolisado da fibra, etapa importante, pois o sal dificulta a saída do
Figura 14 - Etapas do tingimento
Fonte: SENAI/CETIQT (2016) corante que não reagiu com a fibra;
c) Neutralização:
a) Adsorção – a absorção superficial do corante na fibra (adsorção), acontece depois do período de de-
i) A ligação do corante vinilsulfona com a celulose é rompida em pH alcalino à alta temperatura;
sagregação das moléculas de corante no banho e da difusão ocorrida do corante.
ii) Os corantes monoclorotriazina resistem a essas condições. O pH deve estar entre 6-8 antes de en-
b) Absorção e difusão no interior da fibra – momento em que as moléculas de corante que foram adsor-
saboar.
vidas na fibra começam a migrar para o interior da fibra.
d) Ensaboamento – para a operação de ensaboamento são empregados tenso ativos de caráter aniôni-
c) Adição de álcali para fixação do corante – quando o corante já está posicionado na fibra é iniciada a
co à fervura para retirar o corante hidrolisado que se encontra no interior da fibra.
adição do álcali para que o corante comece a ser fixado.
Duas condições importantes:
d) Lavagem do corante hidrolisado – ao término do processo de tingimento são realizadas operações
de lavagens para a retirada do corante hidrolisado que não foi fixado à fibra. i) Alta temperatura

No gráfico a seguir, você pode observar o comportamento do corante com o passar do tempo. Na curva Reduz a substantividade do corante;
de absorção, pode ser observado que menos de cinquenta por cento do corante penetra na fibra. Quando Aumenta a difusão do corante.
é adicionado o eletrólito, a curva mostra o aumento da absorção. A curva de fixação mostra o aumento
ii) Concentração de eletrólito baixa
com a adição de um álcali.
Máximo 5 g/l pois o eletrólito aumenta a substantividade do corante.

4.2.13 TINGIMENTO SEMICONTÍNUO

Essa forma de processamento de tecido é ideal para o desenvolvimento de grandes partidas, pois, além
de produzir grandes metragens, é desenvolvido a um custo baixo e promove excelente reprodutibilidade.
São empregados corantes de baixa afinidade para que sejam evitados problemas de dégradé (tailling).
Diego Fernandes

Figura 15 - Etapas do processo de tingimento descontínuo com corantes reativos


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
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SEQUÊNCIA DE TINGIMENTO SEMICONTÍNUO.

Diego Fernandes
Figura 16 - Diagrama do processo de tingimento semicontínuo
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

4.2.14 TINGIMENTO CONTÍNUO

Essa forma de processamento apresenta alta produtividade, porém exige um alto custo com os equi-
pamentos utilizados. Para tingimentos contínuos, são empregados corantes reativos com alta reatividade,
pois só é necessário o próprio aquecimento de secagem para que haja a secagem e fixação.
O processo tem início com a impregnação do corante e do álcali (normalmente o bicarbonato de sódio)

Diego Fernandes
e a secagem é feita em uma estufa com ar quente (hot flue) ou em um vaporizador. O sistema com vapori-
zação é mais utilizado para fixação de cores escuras.
Figura 18 - Exemplo de processo por esgotamento de um tingimento com corantes reativos a ser ensaboado em lavadora contínua
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

4.3 CORANTES À TINA


Diego Fernandes

Também conhecidos como corantes à cuba, são corantes derivados do índigo e da antraquinona. São
Figura 17 - Diagrama do processo de tingimento contínuo insolúveis em água e só possuem afinidade pelas fibras celulósicas quando estão no estado reduzido (for-
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
ma solúvel). Esses corantes apresentam excelentes propriedades de solidez e por essa razão são bastante
empregados em artigos técnicos e profissionais. Essa classe de corante apresenta um alto custo e não é
Corantes reativos – produtos e processos utilizados no tingimento de corantes reativos amigável ao meio ambiente.
Corantes à tina – propriedades
PRODUTO FUNÇÃO
PROPRIEDADE DESCRIÇÃO
Sal Reduzir cargas da fibra e auxiliar no esgotamento do corante.

Umectante Quebra tensão superficial da fibra, melhora a hidrofilidade e igualização. Caráter iônico Não iônico.

Álcali Responsável pela reação de fixação da fibra com o corante. Solubilidade Insolúvel.

Ácido Responsável por neutralizar a fibra para a remoção do corante hidrolisado. Afinidade Fibras celulósicas.

Tipo de ligação com a fibra Pontes de hidrogênio e forças de Van der Waals.
Quadro 8 - Diagrama do processo de tingimento contínuo
Fonte: SENAI/CETIQT (2016) Solidez à lavagem Excelente.

Solidez à luz Excelente.

Solidez ao cloro Excelente.

Quadro 9 - Diagrama do processo de tingimento contínuo


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
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4.3.1 ESTRUTURA DOS CORANTES À TINA 1ª etapa – redução


Na forma de pó ou de pasta, os corantes contêm aditivos para auxiliar na dispersão em água, que são
Os corantes à tina são derivados de duas principais classes:
fundamentais no processo por pigmentação. As partículas precisam ser finamente dispersadas em tama-
nho uniforme, pois, caso contrário, serão depositadas de maneira irregular sobre a superfície da fibra, ge-
rando assim um tingimento não igualizado.
A quantidade de corante destinada ao tingimento é reduzida em uma pequena quantidade de banho.
Para que seja evitada a redução das moléculas de corante antes do início do tingimento, o corante é redu-
zido em um banho que contém quantidades de álcali (hidróxido de sódio) e de redutor (hidrossulfito de
sódio) mais elevadas do que as utilizadas no banho de tingimento (tina mãe).

Diego Fernandes
Pelo uso de hidrossulfito de sódio em meio alcalino, o corante é transformado em sua forma leuco
derivada que é solúvel em água. Essa forma incolor denominada “leuco” apresenta afinidade pela fibra
celulósica.
Figura 19 - Principais estruturas das variantes dos corantes à tina
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
Preparação da dispersão do corante em água

4.3.2 TIPOS DE REDUÇÃO À TINA

Existem três procedimentos de redução do corante. As formas de redução (as tinas) variam de acordo
com o comportamento dos corantes, em função da facilidade de redução e substantividade do derivado
de leuco solúvel. As condições de tingimento variam de corante para corante e dependem da facilidade de
redução e das diferenças de afinidade.

Diego Fernandes
Figura 22 - Reação de redução do corante à tina
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
Davi Leon

2ª etapa – tingimento
Figura 20 - Principais estruturas das variantes dos corantes à tina
Fonte: SENAI/CETIQT (2016) Após se encontrar na forma leuco solúvel, o corante apresenta carga negativa semelhante à fibra celuló-
sica, necessitando a adição de sal (em alguns casos) para diminuir essa força opositora e o corante apresenta
características de um corante direto. O corante então migra para a fibra e se liga por pontes de hidrogênio.
4.3.3 MECANISMO DE TINGIMENTO DOS CORANTES À TINA
O controle da temperatura torna-se fundamental para uma perfeita difusão e igualização do tingimento.
Existem quatro passos para o tingimento de corantes à tina: 3ª etapa – oxidação
Logo após o período de difusão, é realizado um enxague no material para que seja removido o excesso
de corante e dos agentes redutores (soda cáustica e hidrossulfito de sódio). Já no interior da fibra, o coran-
Diego Fernan-

te sob a forma leuco derivada retorna à sua forma original por meio da utilização de um oxidante, seja ele:
des

Figura 21 - Etapas do tingimento de corantes à tina


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
152 153

a) Peróxido de hidrogênio; Se o tingimento for desenvolvido pelo processo pad-steam, o tecido é impregnado com corante e em
seguida seco (pad-dry-pad-steam) ou levado direto à solução redutora em outro foulard para em seguida
b) Hipoclorito de sódio;
ser vaporizado por 20 a 40 segundos a 102 °C até 105 °C. Após o desenvolvimento, o tecido é levado para
c) Perboratos; oxidação e ensaboamento contínuo. É um processo muito econômico e com boa reprodutibilidade, usado
d) Persulfatos; no tingimento de tecidos planos de algodão e misturas com poliamida.

e) Bromatos; Quando é um tingimento de índigo, são empregados em fios de urdume que são utilizados na fabri-
cação de tecidos para a composição em peças de jeans. O tingimento com corantes índigo acontece em
f) Ar atmosférico.
máquinas específicas. Como o corante apresenta baixa afinidade, o índigo é impregnado nos fios de urdu-
O oxigênio atmosférico também pode ser usado, porém o tempo de reação é muito longo: 30 a 45 me. O tingimento é realizado por meio de imersões em caixas de tingimento contendo o corante em sua
minutos. forma reduzida. Antes de entrar na próxima caixa, o corante é oxidado por conta do contato do fio com o
Com a oxidação, a forma leuco torna-se novamente insolúvel dentro da fibra do corante e não sairá da ar atmosférico. O resultado final é um tingimento anelar e a intensidade depende da quantidade de caixas
fibra, explicando sua alta solidez. e concentração de corante utilizada. O termo anelar se refere às camadas de corantes que são depositadas
umas sobre as outras, diferentemente dos processos convencionais aonde acontece a migração do coran-
4ª etapa – ensaboamento
te para o interior da fibra.
Após a etapa de oxidação, é realizado um ensaboamento feito a quente com temperaturas próximas à
fervura com auxílio de um agente detergente por duas razões: eliminar o corante superficial não absorvido
pela fibra – com eliminação do corante não absorvido, elimina-se a possibilidade de se obter baixos índices
de solidez –; outra razão é rearranjar o corante dentro da fibra para definição da cor final. Essa operação
produz importante alteração na tonalidade devido à reorientação das moléculas do corante no interior da
fibra. Nessa fase, é desenvolvida a cor verdadeira.
Depois do ensaboamento, são realizados enxágues a quente (70 °C) e a frio. Se for necessário, acidula-se
com ácido acético.

Davi Leon
Figura 23 - Corte transversal do fio e as camadas de tingimento
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
4.3.4 FORMAS DE TINGIMENTO DE CORANTES À TINA

Corantes à tina podem ser aplicados em fibras celulósicas por esgotamento ou por impregnação.
4.3.5 PRODUTOS E PROCESSOS UTILIZADOS NO TINGIMENTO DE CORANTES ÍNDIGO
Por esgotamento, o processo de tingimento é iniciado reduzindo-se o corante em banho com quan-
tidades pré-determinadas de redutores e álcalis, dependendo do processo a ser desenvolvido, antes do
contato com o substrato têxtil. PRODUTO O QUE FAZ?

Hidrossulfito de sódio Redutor: mantém o corante na forma solúvel no banho.


Depois, já com o corante sob a forma reduzida, completa-se o volume de banho total do tingimen-
to (tina cega) e se inicia o tingimento adicionando o substrato têxtil Durante o processo, é necessário o Soda cáustica Auxilia na reação no tingimento.

controle da quantidade de soda e hidrossulfito do tingimento para que seja evitada a oxidação prévia do Igualizante / retardante Proporciona igualização no tingimento.

corante. Após o esgotamento, o corante é oxidado em novo banho e ensaboado. Essa forma de tingimento Faz a montagem do corante. Em certos tingimentos, não é usado devido à grande
Sal (sulfato ou cloreto de sódio)
é utilizada em tingimentos de malhas em jets, tecidos em jigger e turbo e fios em bobinas. afinidade do corante.

Para tingimentos por impregnação, os corantes podem ser aplicados e desenvolvidos em processos Oxidantes Devem ser aplicados após o tingimento.

semicontínuos (pad-jigger) ou por um processo contínuo. Fazem com que o corante volte a sua cor original e fique insolúvel dentro da fibra.
Detergente Usado no ensaboamento final. Remove o corante superficial e melhora a solidez a
Quando aplicado pelo processo pad-jigger, o corante em forma dispersa é impregnado no tecido por
fricção.
meio de um foulard e, em seguida, levado ao jigger onde então é reduzido, oxidado e ensaboado. Esse
tingimento apresenta maior produtividade e igualização, sendo usado normalmente para o tingimento de Tabela 2 - Produtos utilizados no tingimento de corantes índigo
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
tecidos planos.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
154 155

O gráfico a seguir refere-se ao tingimento com o corante à tina sobre uma fibra celulósica: 4.4.1 ESTRUTURA DOS CORANTES DISPERSOS

Na imagem a seguir, você pode observar uma estrutura de corante disperso na qual não apresenta o
grupo solubilizante:

Diego Fernandes
Figura 25 - Exemplo de uma estrutura de um corante disperso. CI Vermelho 4
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

MOLÉCULAS GRANDES MOLÉCULAS PEQUENAS

Resistência à sublimação Elevada Baixa

Diego Fernandes
Taxa de tingimento Baixa Elevada

Igualização Má Boa

Processo Thermosol Apropriado Não apropriado


Figura 24 - Exemplo de processo por esgotamento de tingimento com corante à tina
Fonte: SENAI/CETIQT (2016) Esgotamento Apropriado em sistemas HT Apropriado utilizando carrier

Quadro 11 - Propriedades de um corante disperso


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

4.4 CORANTES DISPERSOS

Os corantes dispersos possuem solubilidade em água muito limitada. Por não apresentarem grupos solu- 4.4.2 PROPRIEDADES DE TINGIMENTO DAS CLASSES DE CORANTE DISPERSO
bilizantes em suas moléculas, precisam ser dispersados em água. É a classe de corantes que apresenta o me-
nor tamanho de molécula. Os corantes dispersos possibilitam uma grande flexibilidade de utilização, poden- A absorção do corante disperso pela fibra de poliéster é muito difícil devido ao elevado grau de cristali-
do ser aplicado em tingimentos por esgotamento, impregnação contínua ou por processos de estamparia. nidade da mesma. Ao se aquecer a uma temperatura superior a 100 °C, a estrutura da fibra se abre permi-
tindo que o corante penetre (temperatura de transição vítrea Tg).
Propriedades dos corantes dispersos
Os corantes penetram na região amorfa da fibra se difundindo entre ela sem chegar nas regiões crista-
PROPRIEDADE DESCRIÇÃO
linas. Ao resfriar a fibra, enrijece novamente mantendo os corantes presos nela.
Caráter iônico Não iônico.
Fases de um tingimento com corante disperso
Solubilidade Insolúvel em água.

Aplicação Poliéster, acetato, poliamida e acrílica.


Processo descontínuo:

Tipo de ligação com a fibra Forças de Van der Waals. Fase A – o processo de tingimento se inicia quando algumas moléculas de corante se separam das par-
Solidez à lavagem Depende do tamanho da molécula do corante. tículas em dispersão e dissolvem-se na água.
Solidez à luz Moderada à boa. Fase B – as moléculas de corante livres são adsorvidas na superfície da fibra de poliéster ao mesmo tem-
Quadro 10 - Propriedades dos corantes dispersos po que novas moléculas vão se dissolvendo para compensar as moléculas adsorvidas.
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
Fase C – a seguir, as moléculas adsorvidas difundem ao interior da fibra.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
156 157

TINGIMENTO COM CARRIERS

Considerando que as velocidades de tingimento em temperatura ambiente são muito baixas, torna-
-se muito difícil o tingimento de fibras de poliéster a baixa temperatura. Para que sejam conseguidas ve-
locidades de tingimento favoráveis, são empregadas temperaturas na ordem de 130 °C ou são utiliza-
dos facilitadores de tingimento conhecidos como carriers. Os carriers são aceleradores de tingimento que
permitem realizar o tingimento de fibras de poliéster em equipamentos onde a temperatura de trabalho
não ultrapasse a 100 °C carregando o corante para o interior da fibra.
Existem três teorias que tratam do funcionamento dos carriers durante o tingimento:

O corante se complexa com o carrier, permitindo uma maior


Formação de complexos
velocidade de tingimento.

O carrier forma um filme na superfície da fibra, então o coran-


Absorção do carrier pela fibra
te se dissolve no filme e então difunde na fibra.

Davi Leon
O carrier interage com a fibra causando a repulsão das cadeias
Inchamento da fibra poliméricas da fibra e assim seu inchamento, permitindo a
Figura 26 - Fases de um tingimento com corante disperso
Fonte: SENAI/CETIQT (2016) entrada do corante.

Quadro 12 - Teorias que tratam do funcionamento dos carriers durante o tingimento


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Davi Leon
A maioria dos carriers é tóxico e seu uso deve ser limitado a situações onde não é possível chegar a altas
Figura 27 - Mecanismo de tingimento com corantes dispersos temperaturas.
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Para realizar o tingimento: prepara-se o banho de tingimento com os auxiliares, ajusta-se o pH em 5-5,5
(um pH alcalino pode alterar a estrutura de algumas moléculas de corante disperso) e trabalha-se por 10
4.4.3 TIPOS DE TINGIMENTO COM CORANTES DISPERSOS minutos a 65 °C. Depois, adiciona-se o carrier e, se necessário, ajusta-se novamente o pH em 5-5,5. Traba-
lha-se por mais 10 minutos e adiciona-se o corante. Eleva-se a temperatura até 100 °C em 40 minutos e
Pelo elevado grau de cristalinidade da fibra de poliéster, existem duas formas de se conseguir a difusão trata-se o material durante 90-120 minutos. Ao final, executam-se os tratamentos posteriores.
do corante na fibra:
a) Aumentar a acessibilidade da fibra mediante o uso de agentes transportadores denominados carriers;
b) Aumentar a velocidade de difusão pelo aumento da temperatura. TRATAMENTOS POSTERIORES

Se não se trabalhar com carrier, pode-se transmitir essa energia para a fibra, por dois processos: O objetivo desses tratamentos é eliminar da superfície da fibra o corante aderido e os oligômeros (po-
límeros com baixo peso molecular) que, durante o tingimento, migram para o exterior da fibra e se depo-
a) Processo HT – processo por esgotamento em aparelhos fechados, (autoclaves, por exemplo) com
sitam sobre ela.
altas temperaturas em torno de 130 °C, sob pressão de aproximadamente 3,5 atmosferas.
O banho deve ser solto à temperatura mais alta possível e depois são executados enxágues a quente.
b) Processo Thermosol – nesse processo, o material têxtil é impregnado em foulard, sofre uma pré-
Desse modo, evita-se a precipitação dos oligômeros.
-secagem, e, em seguida, é submetido a temperaturas de 200 a 220 °C com calor seco, por 60 a 120
segundos. Em tingimentos de tons médios ou intensos, o material pode ser submetido a uma lavagem redutora
para destruir o corante superficial, a 60-70 °C durante 20-30 minutos, utilizando-se:
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
158 159

a) 1-2 g/L de hidrossulfito de sódio; INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA NO TEMPO DE TERMOSOLAGEM


b) 2-4 g/L de NaOH 36 °Bé;
c) 1 mL/L de dispersante;

TINGIMENTO À ALTA TEMPERATURA

Em razão da maior vibração das cadeias poliméricas e da maior mobilidade dos segmentos poliméricos
nas regiões amorfas, à medida que se aumenta a temperatura, a velocidade do tingimento aumenta, abrin-
do espaços suficientes para a difusão do corante. Esse tingimento é realizado em máquinas pressurizadas.
Por conta da alta temperatura, as fibras de poliéster amolecem propiciando ao corante uma entrada em
suas regiões amorfas.

Davi Leon
Figura 29 - Influência da temperatura no tempo de termosolagem
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

O processo consta das seguintes etapas:


a) Impregnação do tecido em foulard
O banho deve conter, além do corante disperso, agentes antimigrantes, estabilizadores de pH (pH 6,5-
7,0) e eventualmente aceleradores de absorção.
A impregnação é realizada a temperatura ambiente, utilizando um pick-up na ordem de 50-60%.
Os corantes devem ter excelente solidez à sublimação, pois a sublimação prematura do corante diminui
Davi Leon

o rendimento do tingimento, suja as máquinas e provoca manchas no tecido. Também devem apresentar
Figura 28 - Exemplo de um gráfico sobre o efeito da temperatura na adsorção do corante vermelho disperso (CI Disperse Red 1) estabilidade a altas temperaturas.
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

b) Secagem
4.4.4 PROCESSO THERMOSOL
A etapa de secagem é uma fase crítica do processo, pois é quando pode haver migração do corante,
Processo de tingimento contínuo onde o corante primeiro é impregnado em foulard e se adere à su- ocasionando manchas e má igualização no tingimento. O processo de secagem é composto de duas eta-
perfície da fibra. O corante é então submetido a temperaturas na ordem de 200 °C. A essa temperatura, as pas: pré-secagem e secagem.
moléculas do corante são sublimadas e, em contato com o tecido de poliéster, são sorvidas e difundidas na A etapa de secagem pode ser realizada das seguintes formas:
região amorfa da fibra. Durante esse processo de termofixação, as fibras amolecem e os corantes podem
i) Pré-secagem com infravermelho e secagem em hot flue – a temperatura é de ordem de 350-400 °C;
penetrar na região amorfa da fibra. Em seguida, o substrato têxtil é enviado para lavagem contínua para
eliminar corantes não fixados. ii) Pré-secagem e secagem em hot flue – o hot flue seca por ar quente e se caracteriza por uma veloci-
dade muito baixa de circulação de ar dentro da câmara;
Pelo processo Thermosol, as moléculas encontram-se termicamente agitadas, a uma velocidade apro-
ximadamente mil vezes maior que no tingimento a 100 °C. iii) Pré-secagem com infravermelho e secagem em cilindros – nos secadores de cilindros, cada cilindro
tem calefação independente. A temperatura do primeiro cilindro é da ordem de 100 °C e vai aumentan-
do 10 °C nos cilindros seguintes até 130 °C.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
160 161

Na etapa de pré-secagem, são eliminados cerca de 60-80% da umidade contida no tecido na entrada A seguir, um esquema completo de um processo de termosolagem com lavagem contínua:
do equipamento.
c) Termosolagem
Depois de seco, o tecido é tratado a 200-220 °C durante cerca de um minuto, onde ocorrem a difusão e
a fixação do corante na fibra.
A termosolagem pode ser realizada das seguintes formas:
i) Instalações com cilindros de termosolagem seguidos de rama curta;
ii) Rama;
iii) Instalações completas com pré-secagem por infravermelho, secagem em hot flue e fixação em

Diego Fernandes
câmara de termosolagem.

A seguir, um esquema de um sistema de termosolagem completo: Figura 31 - Processo Thermosol


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Observe a seguir a sequência do processo de termosol com os produtos, tempo e temperatura:

Davi Leon
Figura 32 - Sequência do processo Thermosol
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
Davi Leon

Figura 30 - Esquema de um sistema de termosolagem completo


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

4.4.5 PÓS-TRATAMENTO PARA CORANTES DISPERSOS

Para melhorar as propriedades de solidez e o brilho, é essencial remover o corante disperso não fixado Para melhorar as propriedades de solidez e o brilho, é essencial remover o corante disperso não fixado,
por meio dos seguintes tratamentos: principalmente o que está na superfície da fibra de poliéster.

a) Enxágue a frio; Receita básica orientativa:

b) Enxágue a quente (70-80 °C); a) Enxágue a frio;

c) Tratamento redutivo a 60-80 °C com: g/L de hidrossulfito; 6 mL/L de NaOH 36 °Bé e 2-6 g/L de dis- b) Enxágue a quente (70-80 °C);
persante;
d) Enxágue a quente e a frio.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
162 163

c) Tratamento redutivo a 60-80 °C com: 4.4.7 CORANTES DISPERSOS – PRODUTOS E PROCESSOS UTILIZADOS
i) 3 g/L de hidrossulfito de sódio
ii) mL/L de NaOH 36 °Bé PRODUTO FUNÇÃO

iii) 2-6 g/L de dispersante Umectante Quebra tensão superficial da fibra, melhora a hidrofilidade e igualização.

Ácido cítrico Evitar a hidrólise do corante.


d) Enxágue a quente e a frio.
Dispersante Melhora a solubilidade do corante e mantém a dureza do banho em dispersão.

Soda cáustica Fornece o pH necessário para o trabalho com hidrossulfito de sódio.

Hidrossulfito de sódio Reduz o corante não fixado.


4.4.6 OLIGÔMEROS
Quadro 13 - Produtos e processos utilizados no tingimento com corantes dispersos
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
São polímeros de poliéster de baixo peso molecular formados durante a extrusão da fibra. Os mais im-
portantes são os cíclicos, particularmente o trímero e o tetrâmero, que são insolúveis a frio, mas se solubili-
zam a partir de 100 °C. Possuem baixa afinidade tintorial. Em tingimentos a alta temperatura (135 °C), a mi- O gráfico utilizado para o tingimento de corante dispersos depende da concentração de corante, do
gração de oligômeros do interior da fibra para seu exterior é favorecida, e, no final do processo, durante um tamanho da molécula e da fibra utilizada (texturizada, filamento). É importante manter um gradiente de
resfriamento inadequado, podem se depositar na superfície do material têxtil e nas paredes do aparelho de aquecimento lento para evitar manchas e um gradiente de resfriamento lento para evitar choques térmi-
tingimento. Os oligômeros sobre as fibras formam um depósito esbranquiçado, pois não são tingidos pelo cos que podem causar marcas no substrato têxtil. Em casos de tingimentos de cores escuras, recomenda-
corante disperso. Além disso, as fibras adquirem um caráter abrasivo que confere ao artigo um toque seco. -se uma lavagem em um banho redutivo para a retirada do corante não fixado devidamente e melhoria da
solidez conforme apresentado no gráfico a seguir.
Para que sejam reduzidos os efeitos negativos dos oligômeros, é preciso tomar algumas medidas:
a) Descarregamento do banho – o banho de tingimento deve ser descarregado a uma temperatura a
mais elevada possível;
b) Tempo de tingimento – devem ser desenvolvidos banhos de tingimento com tempos os mais curtos
possíveis. Quanto maior o tempo do processo, maior a possibilidade de migração de oligômeros para
a superfície da fibra;
c) Evitar o uso de carrier a altas temperaturas – como o carrier tende a dilatar as fibras, utilizando-o em
altas temperaturas possibilita a migração de oligômeros;
d) Fazer o primeiro enxágue o mais quente possível, introduzindo no equipamento água a 95 °C – além
do descarregamento do banho em alta temperatura, é importante que também seja feito o enxague
em alta temperatura para que não haja uma redeposição de oligômeros na fibra;
e) Limpeza do equipamento – deve ser uma prática constante a limpeza do equipamento para que resí-
duos não venham prejudicar a qualidade final do tingimento. Deve ser efetuada uma limpeza reduti-
va utilizando uma solução alcalina contendo hidróxido de sódio, hidrossulfito de sódio e dispersante
a 130 °C durante uma hora.

Diego Fernandes
Figura 33 - Exemplo de tingimento por esgotamento
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
164 165

4.5.1 ESTRUTURA DOS CORANTES ÁCIDOS


CASOS E RELATOS

Um grande cliente da empresa Texworld enviou para o laboratório da empresa uma cartela de co-

Diego Fernandes
res para que fosse desenvolvida a nova coleção. O artigo escolhido para desenvolver as cores eram
artigos 100% poliéster, já que o uso final era a linha fitness da empresa. Dentro dessa gama de co-
res, existiam cores mescladas. O técnico responsável pelo laboratório identificou que era impossível
Figura 34 - Estrutura de um corante acid blue 113
conseguir o efeito para esse tipo de artigo e respondeu ao cliente dando a opção de usar 50% da Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
composição com poliéster anionizado, conhecido comercialmente erroneamente como poliéster
cationizado. Assim, seria possível obter o efeito de mescla de cores usando o tingimento com coran-
tes dispersos para o tingimento dos 50% de poliéster normal e corantes catiônicos para o tingimento 4.5.2 TIPOS DE CORANTES ÁCIDOS
dos 50% de poliéster anionizado, sem perder a composição necessária do artigo de 100% poliéster.
É muito importante no mercado a sintonia do design com o técnico têxtil, a troca de informações
BOA IGUALIZAÇÃO MÉDIA IGUALIZAÇÃO BAIXA IGUALIZAÇÃO
técnicas e entendimento das necessidades do cliente é a chave para desenvolvimento de artigos
diferenciados no mercado têxtil. a) Possuem alta substantividade e baixa
a) Um ácido forte é usado para o contro- a) Um ácido fraco é usado para aumen-
igualização, por isso um meio neutro é
le do esgotamento. tar sua substantividade.
utilizado para controlar a igualização.
b) Baixa solidez à lavagem e alta solidez b) Baixa solidez à lavagem e solidez à luz
b) Melhor solidez à lavagem e solidez à
à luz. boa à alta.
luz baixa à boa.
Quadro 15 - Tipos de corantes ácidos
4.5 CORANTES ÁCIDOS Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Os corantes ácidos são empregados no tingimento de fibras proteicas e da poliamida. Esses corantes
apresentam essa denominação por serem derivados de grupos sulfônicos, os quais apresentam a carac- 4.5.3 MECANISMO DE TINGIMENTO DOS CORANTES ÁCIDOS
terística de ácido por serem aplicados em meio ácido. Esses corantes pertencem ao grupo dos Pré-Meta-
lizados e Mordentes, e são sais de sódio contendo grupos sulfônicos responsáveis pela solubilidade ao No início do tingimento as fibras, em meio ácido ou neutro, adquirem um caráter catiônico pelo grupo
corante. Essa classe de corante apresenta uma vasta gama de cores vibrantes, mas são demasiadamente NH3+. O corante, quando dissolvido em água, adquire um caráter aniônico. Por meio de uma ligação iônica,
sensíveis a tratamentos alcalinos. acontece a ligação corante fibra.

Propriedades dos corantes ácidos

4.5.4 PONTO ISOELÉTRICO DAS FIBRAS PROTEICAS E POLIAMIDA


PROPRIEDADE DESCRIÇÃO

Caráter iônico Aniônico. O ponto isoelétrico (pI) é marcado pelo valor de pH onde há equilíbrio entre as cargas positivas e ne-
Solubilidade Solúvel em água. gativas. As fibras proteicas e de poliamida apresentam um ponto isoelétrico ao redor de pH 5. Assim, o
Afinidade Fibras proteicas e poliamida. tingimento depende do pH e do tipo de corante que se está utilizando para que apresentem afinidade
Tipo de ligação com a fibra Pontes de hidrogênio e forças de Van der Waals, ligação iônica. entre eles.

Solidez à lavagem De baixa à alta dependendo do corante.

Solidez à luz De baixa à alta dependendo do corante.


Quadro 14 - Propriedades dos corantes ácidos
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
166 167

Corantes trissulfonados apresentam menor saturação e maior solidez quando comparado com os mo-
nossulfonados, neste caso uma molécula de corante apresenta três terminais sulfonos que reage com três
grupos amínicos. A molécula de corante fica mais ancorada à fibra, aumentando a solidez.

Davi Leon

Davi Leon
Figura 35 - Mecanismo de tingimento nos grupos terminais das fibras
Fonte: SENAI/CETIQT (2016) Figura 38 - Molécula de um corante que apresenta três terminais sulfonos que reage com três grupos amínicos
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

O mecanismo de tingimento está ligado diretamente com os grupos terminais da fibra e os grupos
Dentre os corantes ácidos existentes, nem todos são adequados para o tingimento da poliamida devido
sulfônicos do corante. As fibras proteicas e de poliamida possuem grupos terminais amínicos (+) e ácidos
ao seu limite de saturação. São preferencialmente selecionados os monossulfonados.
(-). Em pH alcalino, o caráter aniônico da fibra prevalece. Em pH ácido, prevalece o caráter catiônico, ideal
para a montagem do corante (aniônico) e formação de ligação iônica entre ele e a fibra. Quanto maior for
o número de grupos amínicos, maior será a saturação do corante na fibra.
4.5.5 FATORES QUE AFETAM OS CORANTES ÁCIDOS

Alguns fatores afetam a ação dos corantes ácidos.


a) Temperatura – o tingimento é realizado a temperatura de ebulição por 30 a 60 minutos;
b) Auxiliares – o uso de igualizantes permite um maior controle no processo de esgotamento atuando
como um concorrente contra os corantes para a atração com a fibra. Os igualizantes utilizados nos
Davi Leon

tingimentos podem se comportar de duas formas distintas, reagindo com a fibra ou reagindo com o
Figura 36 - Representação de uma fibra de Nylon 6.6
corante. Existem dois tipos de igualizantes:
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
i) Tipo A – produto aniônico com afinidade a fibra de poliamida, é colocado no início do tingimento
e age como se fosse um corante. Inicialmente bloqueia os grupos terminais amínicos e em seguida é
deslocado pelo corante durante o tingimento. Sua faixa de pH é 4 a 5. E os igualizantes
TIPOS DE MOLÉCULAS DE CORANTES ÁCIDOS
ii) Tipo B – produto ligeiramente catiônico, que tem afinidade pelo corante, funciona como retardante.
Os corantes ácidos podem ser mono, di ou trissulfonados. Quanto maior for a quantidade de grupos
c) pH – o valor de pH dependerá do tipo de corante e consequentemente do tipo de ácido a ser usado.
sulfonos no corante, maior será a tendência de solubilização do corante no banho e maior a tendência de
O pH também modifica o estado isoelétrico da fibra permitindo a afinidade do corante com a fibra.
o corante ficar no banho (esgotar menos).
É comum a utilização de sal ácido junto com um ácido no banho de tingimento com a finalidade de
Corantes monossulfonados apresentam maior saturação e menor solidez, o que pode ser entendido manter constante. É criado então uma solução tampão de pH. Como o tingimento é realizado a altas
pela relação entre os terminais positivos e negativos. Há mais espaço para a montagem do corante, pois temperaturas, a tendência seria uma variação do valor do pH do banho, provocado pela evaporação
existe uma grande quantidade de grupos amínicos sendo ocupado pelos grupos sulfonos dos corantes. A do ácido, o que ocasionaria menor saturação do corante na fibra.
relação está em 1:1, uma molécula de corante para um terminal amínico.
d) Eletrólitos – usado nos corantes de alta afinidade, pois também concorrem com os corantes para os
lugares catiônicos da fibra. O uso de sulfato de sódio ou de amônio ou doadores de ácidos é neces-
sário quando são utilizados corantes de alta afinidade ou fibras com tendência a barramentos. Esses
Davi Leon

produtos vão pouco a pouco se dissociando e acidulando o banho de tingimento permitindo um


Figura 37 - Fórmula química da molécula de um corante para um terminal amínico
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
controle do esgotamento.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
168 169

Produtos e processos utilizados no tingimento de corantes ácidos Os corantes ácidos para poliamida podem ser divididos em duas classes:
a) Classe I e II – corantes com saturação média, maior migração e menor solidez a úmido. Exigem pH
PRODUTO FUNÇÃO mais ácido e são indicados para cores claras e médias;
Ácido / Sulfato de amônio Forma um tampão ácido, mantendo o pH necessário ao tingimento.
b) Classes III e IV – corantes de maior saturação, pior migração e melhor solidez a úmido. Empregados
Igualizante Auxilia na migração evitando efeito barrado. para cores escuras.
Retardante Reduz a velocidade de esgotamento do corante para evitar manchas.

Fixador Melhora a solidez à lavagem.

Quadro 16 - Produtos e processos utilizados no tingimento de corantes ácidos FIXADORES ANIÔNICOS ESPECIAIS PARA CORANTES ÁCIDOS
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Esses fixadores foram desenvolvidos especialmente para os corantes ácidos, e agem aumentando a
Observe a seguir o gráfico típico de um tingimento com corante ácido. Pode ser observado, devido à solidez a úmido dos tingimentos principalmente quando desenvolvidos sobre cores escuras.
alta afinidade corante-fibra, que o processo é iniciado com uma substância retardante e a baixa tempera-
tura. Com aumento da temperatura, o corante começa a reagir com os grupos NH3+ e se inicia a montagem.
Ao realizar o tingimento a altas temperaturas em máquinas pressurizadas, todo o
FIQUE cuidado operacional deve ser realizado a fim de evitar retirada de amostras de ba-
nho ou de tecido, já que a máquina pode despressurizar e causar queimaduras na
ALERTA pele humana. Uma manutenção preventiva sempre deve ser realizada observando o
bom funcionamento das válvulas de segurança da máquina.

4.5.6 CORANTES DE COMPLEXO METÁLICO

São corantes de caráter aniônico que apresentam um complexo metálico entre um metal e o corante.
Esses corantes podem ser encontrados sob a forma 1:1 e 1:2, onde um metal está complexado com uma
ou duas moléculas de corante. São aplicados em tingimentos de fibras de lã e poliamida em condições
semelhantes aos tingimentos com corantes ácidos e apresentam excelentes propriedades de solidez à
luz mesmo em cores claras. Esse tingimento deve ser realizado utilizando água com baixa dureza; no caso
em que a água utilizada apresentar um alto teor de cálcio e de magnésio, deve ser evitado a utilização de
sequestrante do tipo EDTA para que seja evitada a retirada do metal complexado na molécula do corante.
Agentes sequestrantes à base de polifosfato são recomendados para o abrandamento da água.

4.5.7 CORANTES DE COMPLEXO METÁLICO 1:1


Luiz Meneghel

Esse corante é formado por um complexo entre um metal e uma molécula de corante. São mais indi-
Figura 39 - Exemplo de um tingimento com corantes ácidos por esgotamento cados para o tingimento de fibras de lã, apresentando boa igualização nos tingimentos. São aplicados em
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
uma faixa de pH extremamente ácida (1,5-2,5).
A seguir, exemplos de moléculas de corante ácido complexo metálico 1:1.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
170 171

4.6 CORANTES AZOICOS

Os corantes azoicos são também conhecidos como corantes naftóis e são obtidos sinteticamente na
fibra pela aplicação de um composto de acoplamento (naftol) com uma posterior adição de um sal de
diazônio (RN2+), provocando uma reação com o naftol já fixado na fibra, produzindo um corante insolúvel.
Esse tipo de corante apresenta uma gama limitada de cores.

4.6.1 NAFTOL

Os naftóis são compostos aromáticos insolúveis em água. A solubilização só é conseguida pela adição
de hidróxido de sódio, resultando naftolato de sódio (sal) que apresenta substantividade com a celulose.

Davi Leon
Figura 40 - Estrutura de um corante tipo complexo metálico 1:1
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Davi Leon
4.5.8 CORANTES DE COMPLEXO METÁLICO 1:2 Figura 42 - Exemplo de um naftol utilizado no tingimento = 2 – Naftol
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Esse corante é formado por um complexo entre um metal e duas moléculas de corante. São indicados
para o tingimento de fibras de poliamida numa faixa de aplicação de pH (6,0-7,0) e apresentam uma exce- 4.6.2 BASE
lente solidez à lavagem.
a) Duas moléculas de corante se complexam com um átomo de metal; Essas bases são comercializadas sob a forma de base livre de amina ou como sais de amina, como o
cloridrato. Algumas aminas utilizadas são derivações simples da anilina com substituintes não iônicos.
b) Apresentam baixo poder de migração. Mais indicado para poliamida;
c) Muito boa solidez à lavagem;
d) Faixa de pH para o tingimento é de 6 a 7.

Davi Leon
Figura 43 - Exemplo de uma base amina aromática
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

4.6.3 DIAZOTAÇÃO

É o processo onde a base é convertida a uma forma solúvel por meio de uma reação com nitrito de só-
dio, ácido clorídrico e acetato de sódio.
Davi Leon

Davi Leon
Figura 41 - Estrutura de um corante tipo complexo metálico 1:2
Figura 44 - Exemplo de uma reação com nitrito de sódio, ácido clorídrico e acetato de sódio
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
172 173

Propriedades dos corantes azoicos

PROPRIEDADE DESCRIÇÃO

Caráter iônico Não iônico.

Solubilidade Insolúveis.

Afinidade Celulósicas.

Tipo de ligação com a fibra Pontes de hidrogênio e forças de Van der Waals.

Solidez à lavagem Excelente.

Solidez à luz Excelente.

Quadro 17 - Propriedades dos corantes azoicos


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Davi Leon
4.6.4 MECANISMO DE TINGIMENTO DOS CORANTES AZOICOS Figura 45 - Reação de copulação de um corante naftol
Fonte: Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Para a formação do corante na fibra, o tingimento é composto das seguintes etapas:


Dissolução do naftol
4.7 FORMAS DE TINGIMENTO
Por serem insolúveis, os naftóis necessitam ser tratados com álcali para se tornarem solúveis. Essa etapa
pode ser feita a quente, com água, ou a frio com álcool. Esgotamento – usado para o tingimento de fios, malhas e tecidos planos através de baixa relação de
banho e adição de eletrólitos para maior esgotamento do naftol.
Aplicação do naftol
Pad-jigger – impregnação do tecido em naftol dissolvido, repouso de 60 minutos em movimento ou
Em seguida, o substrato têxtil é impregnado com a solução de naftol ou por esgotamento durante 30
secagem em rama e desenvolvimento e tratamento posterior em jigger.
minutos em água branda e seu excesso é removido para evitar problemas de solidez e manchas.
Contínuo – impregnação do naftol dissolvido, resfriamento do tecido, impregnação de base diazotada
Diazotação da base
e tratamento posterior em lavadora contínua.
Em outra etapa paralela, uma base contendo grupo amino (-NH2) é empastada com ácido clorídrico à
baixa temperatura (10 °C) e em seguida com a adição de nitrito de sódio ocorre a diazotação.
Produtos utilizados no processo naftol
Aplicação da base diazotada
Já impregnado com naftol, o substrato têxtil é então impregnado em banho contendo a base diazotada
e pelo controle de pH e um tempo de 30 minutos, o corante é então formado. REAGENTE FUNÇÃO

Ácido clorídrico Auxilia na dissolução da base.


Tratamento posterior
Nitrito de sódio Na reação com o ácido clorídrico produz de ácido nitroso no processo de diazotação.
Para se obter melhor brilho e melhores índices de solidez, o excesso de corante superficial é removido
Acetato de sódio Para a neutralização do excesso de HCl em banho de tingimento.
por meio de ensaboamento posterior à fervura, contendo detergente aniônico ou não iônico com carbo-
Hidróxido de sódio Para solubilizar naftóis e manter a alcalinidade adequada.
nato de sódio.
Formaldeído Agente de proteção do naftol impregnado contra o efeito do oxigênio do ar.

Sal Auxilia na exaustão do naftol durante o processo de impregnação.

Óleo sulfuricinado Auxilia na penetração do naftol na fibra.


Quadro 18 - Produtos utilizados no processo Naftol
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
174 175

Principais cuidados operacionais que devem ser considerados durante o tingimento:


a) Controle da alcalinidade do banho – uma diminuição abaixo do nível de alcalinidade recomenda-
do pode provocar a precipitação do naftol no banho de tingimento;
b) Utilização de formaldeído – não é recomendada a utilização de formaldeído em tingimento com
temperatura superior a 50 °C ou quando o material sofrer um processo de secagem após a naftolagem;
c) Contato com umidade – o material, após sofrer a naftolagem, deve ser preservado do contato com

Davi Leon
água, vapor, ácidos e luz solar, para que sejam evitados problemas de mancha e má igualização;
Figura 46 - Exemplo do corante C.I. Sulphur Orange 1
d) Excesso de sal – deve ser evitado excesso de sal no banho de naftolagem para evitar a precipitação Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

do naftol.
e) Hidroextração – o tempo de hidroextração do banho de naftolagem não deve ser muito longo para Classificação e formas comerciais
evitar exposição a luz solar; O Colour Index classifica os corantes sulfurosos em quatro grupos:
f) Lavagem posterior – o material deve ser lavado imediatamente após o desenvolvimento da cor a) C.I. Sulphur dyes (corantes sulfurosos)
para que seja evitado uma redeposição indesejada do corante em áreas do material possibilitando a
b) C.I. Leuco Sulphur dyes (corantes leuco sulfurosos)
formação de manchas;
c) C.I. Solubilised Sulphur dyes (corantes sulfurosos solubilizados)
g) Acetato de sódio – utilização de acetato de sódio no banho de desenvolvimento da base é funda-
mental para que ela não sofra uma desestabilização pela diminuição da quantidade de ácido clorídrico. d) C.I. Condensed Sulphur dyes (corantes sulfurosos condensados)
Somente os corantes dos grupos a e b têm importância para a indústria têxtil.

4.7.1 CORANTES SULFUROSOS a) Corantes Sulfurosos


São corantes insolúveis em água, contendo enxofre, tanto como parte integrante do cromóforo como
Os corantes sulfurosos fazem parte dos corantes à cuba e são empregados em fibras celulósicas. Os
ligado pontes de enxofre em cadeias de polissulfeto, normalmente aplicados na forma alcalina reduzida
corantes são insolúveis em água e a conversão a uma forma leuco solúvel (corante reduzido) acontece
(forma leuco) em soluções de sulfeto de sódio (Na2S) e oxidados à forma insolúvel dentro da fibra.
pela redução com sulfureto de sódio. Após acontecer a migração para o interior da fibra, o corante volta
novamente à sua forma insolúvel por meio de um processo de oxidação. b) Corantes Leuco Sulfurosos
Esses corantes possuem o mesmo número de constituição dos corantes do grupo a, mas são comercia-
lizados na forma de pó ou líquido contendo a forma leuco solúvel e agente redutor, normalmente sulfeto
CONSTITUIÇÃO QUÍMICA de sódio (Na2S) ou bissulfeto de sódio (NaHS), em quantidade suficiente para torná-los apropriados para a
aplicação direta ou com a adição de uma pequena quantidade extra de agente redutor.
Os corantes sulfurosos não possuem estruturas químicas definidas. Muitos corantes utilizados partem de
moléculas químicas intermediárias definidas. São essas estruturas moleculares que aparecem no Colour Index.
A cor produzida pelas moléculas dos corantes é atribuída à formação do cromóforo de tiazol, como no 4.7.2 REAÇÕES DOS CORANTES SULFUROSOS
exemplo do corante C.I. Sulphur Orange 1.
Como os corantes sulfurosos não apresentam uma forma simples de ser compreendida, pode-se simpli-
ficadamente representar a estrutura funcional de um corante sulfuroso pela seguinte forma:

Cor – S – S – Cor
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
176 177

Essa forma mostra nas extremidades dois cromóforos (indicados por Cor) ligados por dois átomos de 4.7.3 BRONZEAMENTO
enxofre, representado por S–S, conhecidos como ligação dissulfeto.
Alguns corantes sulfurosos têm a tendência ao bronzeamento (bronzing). O bronzeamento é uma oxi-
Os dois cromóforos ligados um ao outro através da ligação dissulfeto indicam que a molécula deve ser
dação prematura do corante na superfície do material têxtil que provoca uma aparência apagada, aver-
grande e que não apresenta nenhum grupo solubilizante aparente.
melhada e, em casos extremos, metálica. Suas causas principais são alcalinidade e temperatura elevadas,
Para a solubilização, são aplicados agentes redutores alcalinos ao corante sulfuroso insolúvel, a ligação exposição ao ar e presença de íons cálcio e magnésio, os quais podem precipitar o corante.
dissulfeto se divide em duas partes, formando assim dois leucos ânions acompanhados de um cátion só-
a) Sequestrantes
dio. A presença desses cátions, quando incorporados às moléculas, atuam como grupos solubilizantes o
que promove a dissolução do corante. A presença de íons metálicos no banho de tingimento ou no substrato têxtil normalmente conduz à
baixa solidez à fricção ou à falta de igualização.
Esses íons são conhecidos como tiolatos e são solúveis em água, podendo ser convertidos à forma leu-
co ácida insolúvel, chamada tiol, por meio da adição de ácido. A seguir, a representação de uma redução Agentes sequestrantes à base de hexametafosfato de sódio ou EDTA (ácido etilenodiamino tetra-acéti-
alcalina de um corante sulfuroso com posterior oxidação em meio ácido: co) devem ser usados quando a qualidade da água é baixa ou variável.

b) Umectantes
Alguns corantes sulfurosos são afetados por tensos ativos não iônicos, os quais devem ser evitados
tanto no pré-cozinhamento como no banho de tingimento.

Davi Leon
Esses tensos ativos não iônicos podem inibir a absorção dos corantes em tingimentos descontínuos ou
precipitá-los. É importante seguir as orientações do catálogo dos fabricantes para evitar o reprocesso do
Figura 47 - Reações dos corantes sulfurosos
Fonte: SENAI/CETIQT (2016) material.

c) Agentes de ensaboamento
Para o tingimento com corantes sulfurosos são empregados os seguintes produtos auxiliares:
O enxágue vigoroso antes da oxidação é essencial para a obtenção de boa solidez à fricção.
a) Agentes redutores
É importante que todo o corante livre seja removido antes do estágio de oxidação para evitar a sua
São os produtos utilizados no processo de redução do corante. Podem ser empregados:
precipitação sobre a superfície do tecido causando bronzeamento e baixa solidez à fricção. O ensaboamento
i) Sulfeto de sódio; depois da oxidação aumenta o brilho e a solidez à lavagem.
ii) Bissulfeto de sódio;
d) Agentes oxidantes
iii) Hidrossulfito de sódio/Sulfito;
São produtos utilizados no processo de oxidação dos corantes, como:
iv) Combinação polissulfetos balanceados;
i) Iodato de potássio + ácido acético;
v) Dextroses (ecologicamente mais recomendadas).
ii) Produtos à base de bromato de sódio;
b) Antioxidantes iii) Produtos à base de clorito de sódio + Na2CO3 (Carbonato de sódio )
São agentes redutores que inibem a oxidação prematura do agente redutor, promovendo maior esta- iv) Peróxido de hidrogênio + ácido acético.
bilidade do banho de tingimento, especialmente sob condições adversas em máquinas como barca, jet ou
jigger, onde acontece uma oxigenação indesejável do banho. O que poderia promover uma antecipação
do processo de oxidação do corante, diminuindo o risco de bronzeamento e baixa solidez à fricção.
4.7.4 TINGIMENTO DESCONTÍNUO
O controle da eficiência da redução do banho é realizado com o controle da mV (milivoltagem) por uma
faixa (-650 a -700), podendo variar em função das dimensões do equipamento, pH, substrato têxtil e do Sequência típica de um tingimento com corantes sulfurosos
corante aplicado.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
178 179

4.7.6 TINGIMENTO SEMICONTÍNUO

Davi Leon
(2015)
Figura 48 - Sequência típica de um tingimento com corantes sulfurosos
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Davi Leon
Figura 50 - Tingimento semicontínuo
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

O esquema pode ser utilizado para a compreensão de um processo de tingimento.

Impregnação
A impregnação do corante é realizada a frio com pick-up de 70-80% com os seguintes produtos:
a) Antiespumante;
b) Dispersante/sequestrante;
c) Agente redutor;
d) Corante;
e) Umectante.

Repouso

Davi Leon
Depois de impregnado, o material deverá ficar em repouso por 2 a 6 horas.
Figura 49 - Tingimento com corantes sulfurosos
Fonte: SENAI/CETIQT (2016) Lavagem intermediária
Seguindo o esquema de tingimento, deve ser realizada uma lavagem nas caixas 1 a 3 (na imagem aci-
ma) para a retirada do excesso de corante.

4.7.5 EFEITO TENDERING


Oxidação/Ensaboamento
Alguns corantes sulfurosos, sob condições de estocagem com temperatura e umidade elevadas, tendem
A oxidação do corante é realizada a 70 °C na caixa 4 com os seguintes produtos:
a sofrer hidrólise e formar ácido sulfúrico devido ao enxofre residual. Isso pode causar o enfraquecimento
do material têxtil (tendering). Essa degradação pode tornar o tecido impróprio para a comercialização. Para a) Oxidante;
evitar esse efeito indesejável, na operação final de acabamento, o uso de um banho contendo carbonato b) Ácido acético;
de sódio, acetato de sódio ou produtos comerciais com tampão alcalino podem evitar o tendering.
c) Dispersante.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
180 181

Lavagem final
LAVAGEM INTERMEDIÁRIA
Depois de oxidado, o tecido deve receber uma lavagem final com água a 60 °C, realizada na caixa 5 (da CORES PRETO
figura anterior) para retirada dos produtos residuais utilizados na oxidação.
Caixa 1 Água 40 °C Caixa 1 Água 50 °C
a) Secagem 120 °C; Caixa 2 Água 50 °C Caixa 2 Água 60 °C

b) Acabamento. Caixa 3 Água 60 °C Caixa 3 Água 70 °C

Para dar um acabamento ao tecido, é realizada uma impregnação a frio, em rama, com pick-up de 70- Caixa 4 Água 60 °C Caixa 4 Água 70 °C

80% com amaciante catiônico e secar a 120 °C. Quadro 19 - Lavagem intermediária pelo processo pad-steam
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Tingimento Contínuo
Oxidação
O tingimento de tecidos em processos contínuos pode ser realizado de duas formas:
Na caixa 5, é realizada a oxidação a 70 °C com os seguintes produtos:
a) Pelo processo pad-steam;
a) Oxidante;
b) Pelo processo pad-dry-pad-steam.
b) Ácido acético;
No esquema abaixo, observe as etapas desenvolvidas: c) Dispersante.
a) Processo pad-steam Somente para o corante preto, na caixa 5 (da figura anterior) a 90 °C, utiliza-se:
a) Oxidante;
b) Carbonato de sódio.

Davi Leon

Ensaboamento
Figura 51 - Processo pad-steam
Fonte: SENAI/CETIQT (2016) O ensaboamento é realizado na caixa 6 (da figura anterior) a 80 °C com:
a) Dispersante;
Impregnação
b) Carbonato de sódio.
O tecido é impregnado a frio com pick-up de 70-80% com:
a) Antiespumante;
Lavagem final
b) Dispersante/sequestrante;
Para a retirada de resíduos do ensaboamento, é realizada uma lavagem final nas caixas de lavagem 7
c) Antioxidante; (da figura anterior) com água a 60 °C e na 8 com água fria.
d) x g/L de corante;
e) NaOH 50%; Secagem
f) Umectante. O material passa por um processo de secagem a 120 °C e segue para o processo de acabamento.

Na sequência, é desenvolvida uma vaporização por 60 segundos a 102-104 °C.


Acabamento
Lavagem intermediária
O acabamento é realizado por meio de uma impregnação a frio, em rama, com pick-up de 70-80% com
Para a retirada do excesso de produtos utilizados, é realizada uma lavagem intermediária (caixas 1 a 4
amaciante catiônico e secagem a 120 °C.
da figura anterior).
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
182 183

a) Processo pad-dry-pad-steam
LAVAGEM INTERMEDIÁRIA

CORES PRETO

Caixa 1 Água 40 °C Caixa 1 Água 50 °C

Caixa 2 Água 50 °C Caixa 2 Água 60 °C

Davi Leon
Caixa 3 Água 60 °C Caixa 3 Água 70 °C

Figura 52 - Processo pad-dry-pad-steam Caixa 4 Água 60 °C Caixa 4 Água 70 °C


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
Quadro 20 - Lavagem intermediária pelo processo pad-dry-pad-steam
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Impregnação
Oxidação
O tecido é impregnado a frio com pick-up de 70-80% com:
Na caixa 5 (da figura anterior) é realizada a oxidação a 70 °C com os seguintes produtos:
a) Antiespumante;
a) Oxidante;
b) Dispersante/sequestrante;
b) Ácido acético;
c) x g/L de corante;
c) Dispersante.
d) Umectante.

Somente para o corante preto, na caixa 5, a 90 °C utiliza-se:


Na sequência, é desenvolvida uma vaporização por 60 segundos a 102-104 °C.
a) Oxidante;
Secagem
b) Carbonato de sódio.
Depois de vaporizado, o tecido é seco em hot flue a 120 °C.

Ensaboamento
Banho de redução
O ensaboamento é realizado na caixa 6 a 80 °C com:
Em seguida, o tecido é impregnado em um banho de redução a frio, com pick-up de 70-80% com:
a) Dispersante;
a) Antioxidante;
b) Carbonato de sódio.
b) NaOH 50%.

Lavagem final
Vaporização
Para a retirada de resíduos do ensaboamento, é realizada uma lavagem final nas caixas de lavagem 7
Logo após a receber o banho de redução, o tecido é vaporizado por 60 segundos a 102-104 °C.
com água a 60 °C e na 8 com água fria.

Lavagem intermediária
Secagem
Para a retirada do excesso de produtos utilizados, é realizada uma lavagem intermediária.
O material passa por um processo de secagem a 120 °C e segue para o processo de acabamento.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
184 185

Acabamento 4.8.2 ESTRUTURA DOS CORANTES CATIÔNICOS


O acabamento é realizado por meio de uma impregnação a frio, em rama, com pick-up de 70-80% com
amaciante catiônico e secagem a 120 °C.

4.8 CORANTES CATIÔNICOS

Os corantes catiônicos são também conhecidos como corantes básicos, apresentam cores brilhantes

Davi Leon
e um alto poder tintorial. Possuem afinidade por fibras de lã, seda, algodão e alguns tipos de poliamida e
poliéster modificados, embora a sua principal utilização hoje em dia seja para o tingimento de fibras de Figura 54 - Estrutura de um corante catiônico CI amarelo 11
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
acrílico. Esses corantes agem como bases e, quando solubilizados em água, formam um sal de caráter cati-
ônico capaz de reagir com os grupos negativos da fibra.
Observa-se por intermédio da estrutura da molécula do corante a parte positiva que caracteriza essa
Os corantes básicos são aplicados em materiais com características aniônicas por meio de uma atração
classe de corante.
eletrostática com os grupos cromóforos que contém uma carga positiva.
Durante o tingimento, os seguintes passos são realizados:

Davi Leon

Davi Leon
Figura 53 - Estrutura dos corantes básicos
Fonte: SENAI/CETIQT (2016) Figura 55 - Passo a passo do tingimento com corantes catiônicos
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

4.8.1 MECANISMO DE TINGIMENTO DOS CORANTES CATIÔNICOS


4.8.3 FATORES IMPORTANTES NO TINGIMENTO DE FIBRAS ACRÍLICAS COM CORANTES
Propriedades dos corantes catiônicos CATIÔNICOS

Devida à intensa atração entre o corante e a fibra, é necessário ter um controle do processo para que
PROPRIEDADE DESCRIÇÃO
se obtenha um tingimento igualizado. Para que seja retardada e controlada a migração do corante para
Caráter iônico Catiônicos. a fibra, é comum a utilização de retardantes de caráter catiônico. Os retardantes são atraídos pela carga
Solubilidade Pouco solúvel. Aumenta em meio ácido. negativa da fibra, dificultando a entrada do corante, controlando assim a velocidade de migração. O pH
Afinidade Acrílicas, modacrílica, proteicas, celulósica com mordentes. também deve ser controlado e mantido ácido em torno de 4,5 o que diminui o esgotamento. Para que seja
Tipo de ligação com a fibra Pontes de Hidrogênio e forças de Van der Waals. mantido o pH ácido durante o processo, é adicionado acetato de sódio junto do ácido acético para que o
pH do banho seja tamponado no valor adequado.
Solidez à Lavagem Boa.

Solidez à luz Moderada. Quando for necessária a mistura de corantes para se obter a cor desejada, deve ser feita uma seleção de
Quadro 21 - Propriedades dos corantes catiônicos corantes que tenham a mesma velocidade de esgotamento.
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
186 187

4.8.4 CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES NO TINGIMENTO DE FIBRAS ACRÍLICAS COM CORANTES Produtos usados no tingimento
CATIÔNICOS
PRODUTO FUNÇÃO
A máxima concentração (C) de corante a ser aplicado depende de dois fatores:
Ácido acético Mantém solubilidade do corante; regula a velocidade de montagem.
a) Saturação da Fibra (F): o máximo que a fibra acrílica pode absorver de corante; Acetato de sódio Estabiliza o pH.
b) Fator de saturação do corante (f): Retardante Compete com a carga do corante retardando a entrada do corante e igualizando o esgotamento.

Quadro 22 - Produtos usados no tingimento


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

F
C=
f

Tanto a saturação da fibra como o fator de saturação do corante devem ser consultados no catálogo do
fabricante.

4.8.5 DETERMINAÇÃO TEÓRICA DA % DE RETARDANTE CATIÔNICO

Em processos de matização, onde é preciso utilizar retardante, é necessário levar em consideração a


porcentagem de cada corante utilizado no tingimento e o fator de saturação da fibra. Deve ser consultado
o catálogo do fabricante do corante onde esses valores são tabelados. De uma forma geral, é empregada a
seguinte fórmula para a determinação da quantidade teórica de retardante a ser empregada:
Davi Leon

Davi Leon
Figura 56 - Fórmula % do retardante catiônico
Fonte: SENAI/CETIQT (2016) – nome do ilustrador

Figura 57 - Exemplo de tingimento por esgotamento com corantes catiônicos


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

C1 = % do corante A (fator de saturação = f1)


C2 = % do corante B (fator de saturação = f2) 4.9 COLORIMETRIA
C3 = % do corante C (fator de saturação = f3)
Neste capítulo você verá como a colorimetria está presente em tudo. Veremos também como a criação
SF = valor de saturação da fibra a tingir de um banco de dados colorimétrico é importante na função do técnico têxtil.
fr = fator de saturação do retardante catiônico A retrospectiva histórica demonstra que a colorimetria, em princípio, é uma ciência contemporânea. Em
R = porcentagem de retardante catiônico a ser calculada 1931, determinou-se a sensibilidade espectral média do olho humano (observador normal) com os físicos
Kubelka e Munk. Eles formularam cálculos colorimétricos com a correlação entre o grau de remissão espec-
tral de um tingimento (valor de medição físico) e a quantidade usada de corante. Com isso, conheceram-se
todas as bases necessárias para a colorimetria atualizada.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
188 189

O motivo pela introdução hesitante da colorimetria na indústria estava na grande quantidade necessá-
ria de cálculos, a qual podia ser vencida apenas, com grandes dificuldades, por meio da régua de cálculo e
da máquina calculadora mecânica. Mas, com o surgimento e o avanço tecnológico dos primeiros computa-
dores, nos anos 1950, nada mais impediu um desenvolvimento rápido de métodos colorimétricos práticos.
Os primeiros programas de cálculos colorimétricos foram desenvolvidos inicialmente por físicos espe-
cializados das empresas produtoras de corante, possibilitando com isso um controle de qualidade objetivo
e o cálculo automático de receitas de tingimento. A partir desse marco, a colorimetria começou a penetrar
em todas as indústrias onde a cor era fator preponderante do produto.
Em particular, no universo têxtil, o desenvolvimento de métodos colorimétricos para a determinação
instrumental da solidez de cor vem substituindo a avaliação visual utilizando “Escalas de Cinza” (padrões
físicos que se deterioram com o tempo) tanto para avaliação de “Alteração de Cor” (desbotamento) quanto
para a “Transferência de Cor” (manchar outro tecido) em corpos-de-prova.

Andrzej, W??jcicki
Colorimetria é a ciência que estuda as propriedades da cor.
Você está rodeado por radiação eletromagnética. Quando você liga o rádio do carro, ela entra pela an-
tena e não dá para ver; quando liga o micro-ondas, ela esquenta, mas não se vê; quando tiramos uma ra- Figura 58 - PSICO-VISUAL: Envolve não só os olhos, mas também o cerébro
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
diografia, não é possível ver nada, mas a chapa fica sensibilizada; quando você aciona o interruptor da
lâmpada, você vê a luz. Essa radiação eletromagnética que chamamos de luz tem uma condição tal (com-
A cor preta significa absorção total da luz e logo reflexão zero. A cor branca significa reflexão total da
primento de onda entre 400 e 700 nanômetros1) que sensibiliza nossas células do olho (cones). Por isso,
luz com zero de absorção:
você vê a luz e não vê as ondas de rádio para as quais as células do olho não estão preparadas.
A luz que chega aos olhos ou foi emitida ou transmitida ou refletida por um objeto e após ser “decodi-
ficada” pelo olho (e cérebro), aparece como cor.
Um objeto opaco, ao receber a incidência de luz, interage com ela e absorve parte dessas radiações e re-
flete outra parte. Já a cor preta absorve toda a luz na faixa visível (400-700 nm) e nada reflete; a cor branca,
ao contrário, reflete toda luz visível e não absorve nenhuma radiação. A colorimetria hoje é uma ferramen-
ta para incrementar a reprodutibilidade e repetitividade de cor nos processos têxteis. Auxilia também na
redução de custos de receitas, contribuindo dessa forma para a melhoria do meio ambiente.

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Figura 59 - Não só os olhos, mas também o cérebro.
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

1 Milimícron ou milimicro é a subunidade do metro, correspondente a 1×10−9 metro, ou seja, um milionésimo de milímetro ou
um bilionésimo do metro. Tem como símbolo nm.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
190 191

4.9.1 DEFINIÇÃO Luz é algo que você enxerga e um estímulo que você percebe com os olhos, logo é necessário um ob-
servador. A cor é um dos aspectos que compõe a aparência dos materiais e a estética do que existe.
A cor é algo que está presente nas nossas vidas praticamente todo o tempo, com exceção de quando
Os aspectos que compõe a aparência de um material são:
está na mais completa escuridão.

Sem luz, não existe cor.

Davi Leon
Figura 62 - Aspectos que compõe a aparência
Luz é radiação, conforme você pode verificar na imagem a seguir: Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

A cor é também uma sensação psicofísica. Ela é provocada no cérebro por um estímulo enviado pelas
células especializadas (cones e bastonetes) na visão de cor do olho. De acordo com o ambiente (ilumina-
ção, ângulo de incidência, etc.), a cor também se modifica. Cada ser humano visualiza uma mesma cor de
forma diferente, porém muito parecida.

Davi Leon

Figura 60 - Emissão da radiação de luz

Davi Leon
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Figura 63 - Cor gerada por: observador, objeto e fonte luminosa


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

4.9.2 COR

Sobre o termo cor, pode-se entender como uma impressão sensorial, captada pelo olho e conduzida
ao cérebro através de impulsos nervosos. Outros sentidos são: a audição, o olfato ou o paladar, os quais
estão associados ao ouvido, ao nariz e a língua. Todos os sentidos são subjetivos e apresentam variações
relativamente grandes entre os seres humanos, dependendo inclusive de diversos fatores, como estado
de espírito, o cansaço, bem como a idade da pessoa e o estado de saúde dos respectivos órgãos sensoriais.
A cor é uma característica de objetos que:
Davi Leon

a) emitem, refletem ou transmitem radiação eletromagnética na faixa visível;

Figura 61 - Luz é radiação b) é uma sensação criada pela radiação e interpretada, ou lembrada, pelo homem e alguns outros seres
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
vivos.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
192 193

A cor constitui um aspecto de extrema importância em diversos produtos industriais. O que é visualizado como cor sempre é luz colorida por conta do espectro visível, uma característica de
Certos produtos têm essa etapa como final quando não é necessária a adição de cor ou agregação de valor. objetos que emitem, reflete ou transmite radiação eletromagnética na faixa visível. Para serem visualiza-
das, as cores devem estar na faixa 400 a 700 nm (região visível, representada na figura pelo espectro), o que
pode ser explicado mediante a fórmula a seguir:

raunbow butterfly
Figura 64 - Cor gerada por: observador, objeto e fonte luminosa

4.9.3 ILUMINANTES

Davi Leon
Na Física, entende-se que o termo luz é a parte da radiação eletromagnética que pode ser detectada
pelo olho humano. Trata-se da faixa de comprimento de onda de 400 a 700 mm, denominada também Figura 66 - Cor gerada por: observador, objeto e fonte luminosa
como faixa espectral visível: Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Mediante o que foi estudado até agora, sem presença de luz não existe cor.
Davi Leon

Figura 65 - Comprimento de ondas


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

O comprimento de onda é expresso pela letra grega λ (lambda). A extremidade da radiação visível de
ondas curtas é seguida pela radiação ultravioleta (UV) e os raios X. Ao lado das ondas longas, seguem a
radiação infravermelha (IR = infra red = radiação de calor) e as ondas de rádio.
As fontes luminosas, encontradas primordialmente no dia-a-dia, são o sol, lâmpadas incandescentes e tubos flu-
orescentes. Trata-se de uma mistura de luz de diversos comprimentos de onda, a qual pode ser chamada como luz
mais ou menos branca. Já em 1720, Newton demonstrou que essas luzes policromáticas podem ser decompostas em
luzes isoladas de diferentes comprimentos de onda, influenciando de diferentes maneiras a visualização por nós, da
cor de um material.

Istock Images
Lembre-se: a luz é radiação eletromagnética!!!

Figura 67 - Importância da luz


BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
194 195

IMPORTÂNCIA DO ÂNGULO DE INCIDÊNCIA Pode-se obter uma determinada cor, sob certo iluminante, com uso de estruturas químicas de corantes
diferentes (corante A e corante B), mas pode-se observar um comportamento colorístico variado quando
O ângulo de incidência da luz sobre o objeto interfere diretamente na sua aparência. Imagine uma as duas amostras (A e B) são observadas simultaneamente sob outros iluminantes. Sob uns, parecerão
superfície rugosa. A luz que vai interagir com ela absorve parte dessas radiações e reflete outra parte, que idênticas, e sob outro, bem diferente.
depende do ângulo da luz sobre a superfície. Se esse ângulo muda, você vê outra composição de espectros
Abaixo, o caso clássico da inconstância de cor. Observe as cabines, os objetos são os mesmos, porém a
refletidos, logo outra cor.
sensação de cor é diferenciada em função da iluminação (D65, A e TL84).
Em função da fonte luminosa, há uma sensação de cor diferente. Observe as fotos abaixo:

Rommulo Barreiro
Figura 70 - Cor gerada por: observador, objeto e fonte luminosa
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

istock/Tzooka, Idizimage, Medlar


Você viu que, de acordo com o tipo de iluminação e/ou ambiente, uma cor pode ser vista de outra
maneira. Por isso, para ter uma reprodução de leitura, é necessário utilizar a cabine de luz. O uso de cabi-
nes elimina também a influência do fundo, do ambiente externo, possibilitando melhores resultados nas
avaliações visuais de cor.

Figura 68 - Cor gerada por: observador, objeto e fonte luminosa

Apesar de ser o mesmo objeto, cada iluminante causa um impacto visual!

4.9.4 METAMERIA

O colorista refere-se a metameria quando duas amostras (o padrão de um tingimento e uma imitação)
apresentam a mesma cor sob uma determinada fonte luminosa, mas apresentam cores divergentes sob
outras fontes luminosas.
Por exemplo, a cor bege pode ser imitada, na tinturaria têxtil, com uma combinação amarelo-vermelho-
-azul ou laranja-vermelho-azul, de maneira que ambos os tingimentos apresentem a mesma cor à luz do
Thinkstock Images

dia (D65), ou seja, são idênticos. Porém, pelo fato das curvas de remissão dos dois tingimentos serem di-
ferentes (isso pode ser explicado uma vez que são corantes de constituição química oriundos de rotas de
sínteses diferenciadas), os mesmos poderão apresentar cores divergentes sob outra fonte luminosa.
Figura 69 - Olho humano
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
196 197

4.9.5 INCONSTÂNCIA DE COR

A inconstância de cor é quando é verificado alteração da cor em um item (amostra) sob a ação de ilumi-
nantes diferentes. Muitas pessoas confundem a inconstância de cor com metamerismo.

4.9.6 POR QUE OCORREM A INCONSTÂNCIA DE COR E O METAMERISMO?

A inconstância de cor é uma característica da cor e não pode ser anulada. Quando você caminha de um

Rommulo Barreiro
ambiente para outro com iluminação diferente, a cor de nossa camisa se modifica sutilmente, apesar do
corante da camisa ser o mesmo.
O metamerismo se apresenta quando na frente da minha camisa foi tinta com um corante e a manga Figura 72 - Cor gerada por: observador, objeto e fonte luminosa
com outro. Em um ambiente, as duas partes aparecem iguais e em outro ambiente, com outro tipo de ilu- Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

minação, a manga fica diferente do resto da camisa.


A cabine é composta geralmente dos seguintes iluminantes padronizados:
a) Lâmpadas Luz do Dia (D65) – 6.500 K;
b) Lâmpadas Luz Fluorescente Fria CWF – 4.100 K;
c) Lâmpadas Luz Fluorescente Fria TL84 – 4.000 K;
d) Lâmpadas Luz Fluorescente Fria U30 – 3.000 K;
e) Lâmpadas Luz Incandescente (A) – 2.856 K;
f) Lâmpada Ultravioleta (UVBLB).

FIQUE As lâmpadas das cabines merecem cuidado, pois não devem ser trocadas somente
ao queimarem. Elas têm vida útil e, após esse tempo, continuam a funcionar, mas
ALERTA não emitem mais a luz como deveriam.
Davi Leon

4.9.8 TIPOS DE ILUMINANTES PADRONIZADOS UTILIZADAS PARA AVALIAÇÃO DE COR


Figura 71 - Cor gerada por: observador, objeto e fonte luminosa
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
É importante, ao realizar uma análise colorimétrica em um substrato têxtil, padronizar as condições de
iluminantes para leitura colorimétrica.

4.9.7 CONDIÇÕES PADRONIZADAS DE ILUMINAÇÃO

O uso de cabines mostra-se mais adequado na padronização, pois elimina também a influência do fun-
do, outro fator que interfere nos resultados das avaliações visuais de cor. Para que exista uma padroniza-
ção na visualização de cor, é necessário que a cabine atenda à norma ASTM D1729-96 e a pintura deverá
ser de tinta especial, resistente a solventes, cor cinza, mensal entre N6 e N7, brilho < 15 a 60°.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
198 199

4.9.10 CURVA DE DISTRIBUIÇÃO ESPECTRAL DE UM ILUMINANTE

A emissão de luz ocorre na faixa visível, região de comprimentos de onda entre 400 e 700 nm. Cada tipo
Iluminante D65 e também D55, D75 – Simulação luz
de fonte luminosa tem sua distribuição espectral característica que é como sua “carteira de identidade”. Ela

Rommulo Barreiro
natural
mostra que potência luminosa a fonte está emitindo em cada comprimento de onda visível.
Para medir a potência emitida por comprimento de onda, utiliza-se o espectroradiômetro. Confira a
curva de emissão de luz:

Iluminantes CWF, TL84, F2, F7, F11, F12 – Luz fluo-

Rommulo Barreiro
rescente

Iluminante A – Luz incandescente (iluminação


doméstica)

Rommulo Barreiro

Davi Leon
Figura 74 - Curva de emissão de luz medida pelo espectroradiômetro
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
Quadro 23 - Tipos de iluminantes padronizados utilizadas para avaliação de cor
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

4.9.9 INFLUÊNCIA DO FUNDO NA VISUALIZAÇÃO DA COR

Embora a cor cinza da seta seja a mesma, sobre um fundo mais escuro (azul) ela parece ter um cinza
mais claro do sobre o fundo mais claro (amarelo), onde parece ser mais escuro.
Esse fenômeno é conhecido por “contraste simultâneo” e serve bem para demonstrar como o entorno
interfere na visualização da cor.

Davi Leon
Figura 75 - Comportamento da curva de emissão emitida por diferentes iluminantes
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Refletância
Davi Leon

Figura 73 - Influência do fundo na visualização da cor


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
200 201

No esquema abaixo, a espessura da linha está relacionada com a energia (E) da onda. Quando ela en-
contra outro meio (objeto), sua energia pode se modificar, porém o comprimento de onda se mantém.
Imagine os objetos 1, 2 e 3, que se comportam da maneira abaixo quando submetidos unicamente a
uma radiação (visível) que incide sobre ele, com comprimento de onda igual a 700 nm (região do vermelho).

Davi Leon
Figura 78 - Comportamento do objeto a uma radiação visível na região 550 e 700 nm
Fonte: adaptado Lincoln Lopes (2016)

4.9.11 ESPAÇO DE CORES

Davi Leon
É o espaço que permite identificar a cor matematicamente estruturando uma identidade e/ou uma
Figura 76 - Comportamento do objeto a uma radiação visível
Fonte: adaptado Lincoln Lopes (2016) referência. Essa referência permite a reprodução, repetitividade e desenvolvimento de novas cores.

Agora imagine esses mesmos objetos, submetido unicamente a uma radiação de comprimento de
onda igual a 550 nm (região do verde).

Davi Leon
Figura 79 - Considerações ao realizar análise visual
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
Davi Leon

Figura 77 - Comportamento do objeto a uma radiação visível na região 550 nm (região do verde)
Fonte: adaptado Lincoln Lopes (2016) 4.9.12 O SISTEMA DE ORDENAÇÃO DE CORES

É utilizado para localizar e classificar as cores, permitindo sua padronização. O sistema de ordenação de
Finalmente, o desenho mostra como nosso olho interpreta o que ocorre quando os 2 comprimentos de
cores e das tonalidades é quase sempre baseado na sequência das cores do espectro. Consiste em caracte-
onda (550 e 700 nm) incidem simultaneamente sobre os objetos.
rísticas que definem o espaço de cores, sendo elas:
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
202 203

A colorimetria sofreu uma grande evolução com o passar dos tempos.


SISTEMAS DE ORDENAÇÃO DE CORES

LINHA DO TEMPO X ESTUDO DA COLORIMETRIA


É a qualidade da cor que é descrita pelas palavras ver-
Isaac Newton Dispersão da Luz Branca através de um prisma em vários espectros de cor.
melho, amarelo, verde, azul, entre outras (os coloristas
SÉCULO 17 Possui o mérito de haver proposto a dualidade psicofísica das cores e das sensa-
Tonalidade chamam de tons ou subtons) Goethe
ções luminosas.
Expressa como: avermelhado, esverdeado, amarelado,
SÉCULO 18 Thomas Young Visão Triestímulos – três detectores sensíveis a cor.
azulado.

Davi Leon
Teoria das cores oponentes.
Ewald Hering
Percepção psicofísica da cor.
SÉCULO 19 Primeira tentativa de criação de um sistema preciso para numericamente des-
Albert Henry Munsell
É a qualidade da cor que descreve a extensão pela qual crevendo cores, 1º livro 1905.

a cor difere de um cinza de mesma luminosidade. Está Arthur Schuster Teoria da Transferência Radioativa.
Croma
relacionado com a quantidade de cor. Conhecida como Kubelka e Munk Equação K/S – baseado nos algoritmos da formulação de corantes.
(pureza, saturação)
pureza ou saturação. CIE 1924 Primeira Reunião – Paris
Expressa como: claro ou escuro.
CIE 1931 Coordenadas Triestímulos

Davi Leon
SÉCULO 20/21 CIE 1964 Observadores Padrões

CIE 1976 Espaço L*a*b*


É a qualidade da cor que é descrita pelas palavras claro
1979 – JPC79 CMC – Elipses
e escuro. Relaciona as cores a um cinza de mesmo nível
CIE 1994 Extensão do espaço CIE1976 – Elipses
de luminosidade. As cores podem ser arrumadas em
Luminosidade CIE 2000 Refinamento CIE1994 com a sensibilidade do olho humano.
um eixo vertical da cor mais clara a mais escura.
Quadro 25 - Evolução da colorimetria
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Davi Leon
Expressa como: limpo/sujo ou vivo/apagado.

À medida que foram avançando os estudos colorimétricos, foram desenvolvendo modelos matemáti-
Quadro 24 - Sistema de ordenação de cores
Fonte: SENAI/CETIQT (2016) cos para que as cores possam ser expressas de forma padronizada e reproduzida uniformizando a lingua-
gem técnica da cor.
Imagens com diferenças só de luminosidade (como uma foto P/B ou monocromática) perdem informa-
ção, mas são mesmo assim usadas frequentemente.
4.9.13 ESPAÇO DE CORES MUNSELL

O sistema de cores de Munsell foi o primeiro sistema de identificação alfanumérico das cores que pos-
sibilita um arranjo tridimensional das cores num espaço cilíndrico de três eixos e permite também especi-
ficar uma determinada cor por meio de três dimensões que não são regulares.
Os conceitos de Tonalidade, Croma e Luminosidade empregados por Munsell, na definição de uma cor,
são usados universalmente.
istock/Jjrd

O sistema de cores de Munsell é comercializado nos EUA desde 1917. Os cartões de


SAIBA cores da marca Munsell são utilizados para efeito de padronização, calibração, che-
Figura 80 - Efeito da luminosidade na imagem MAIS cagens. O Munsell Color Checker é utilizado em fotografia digital, sendo utilizado em
estúdios de publicidade.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
204 205

4.9.14 ESPAÇO DE COR CIE

O estudo de Munsell, em 1931, serviu de base para o desenvolvimento da CIE (Commission internatio-
nale de l’éclairage). Esse estudo resolveu adotar um novo modelo de representação padrão X, Y, Z, cujas
cores primárias não correspondem às cores visíveis, mas seus componentes de cor são positivos, sendo
possível então reproduzir no monitor todos os comprimentos de ondas de luz visível.
A partir dessa classificação, é possível expressar as coordenadas colorimétricas utilizando:

Davi Leon
A amostra ou objeto – afirma que a descrição da amostra ou objeto é feita com a interação da luz. Essa
Figura 81 - Exemplo de espaço de cores Munsell interação é chamada de curva espectral ou espectrométrica. Pode ser observada pelo olho humano e tam-
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
bém por aparelhos de espectrometria (espectrofotômetros).
Fonte de luz e iluminante – a fonte de luz é uma luz fisicamente realizável. É aquela em que a distri-
Com o avanço tecnológico e estudos das cores, o sistema de cores Munsell estruturou o primeiro siste-
buição espectral pode ser determinada experimentalmente. Quando essa determinação é produzida e
ma de identificação alfa-numérica. Esse sistema de ordenação e classificação de cores demonstrou que o
especificada, a fonte de luz passa a ser chamada de fonte de luz padrão.
espaço de cores não é regular.
Observador – para a descrição da cor, o observador constitui o elemento mais importante e mais difícil
de se descrever numericamente. Cada pessoa possui uma sensibilidade diferente para ver uma cor. Por-
tanto, para fazer uma descrição numérica do observador, é necessário, por meio de técnicas de projeção
de cores, avaliar o que cada observador consegue ver. Os valores obtidos desta avaliação são chamados de
valores tristímulos, representados pelas letras X, Y e Z.
Ângulo de observação – quando a CIE, em 1931, criou o sistema de descrição de cores, as condições
do observador que foram escolhidas tinham como objetivo usar a área central da retina do olho humano
(fóvea). Essa área cobre 2° do ângulo de visão, que equivalem a uma área de 15 mm2, observados de uma
distância de ± 45 cm. Em 1964, a CIE passou a recomendar o uso de uma área maior de 10° (± 170 mm2)
de observação, após constatar que um observador pode apresentar uma sensibilidade maior que outros.
Davi Leon

Figura 82 - Representação do sistema Munsell


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

O sistema Munsell constatou que o espaço onde estão todas as cores não é um sólido regular (cilindro).

Davi Leon
Figura 84 - Ângulo de observação do observador
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Valores tristímulus X10 Y10 Z10 (CIE 1964)


Os valores tristímulus são baseados nas funções de relação de cor x10(λ), y10(λ) e z10(λ), definidas em
Davi Leon

1964 pela CIE. São conhecidos como XYZ10° e definidos pelas seguintes fórmulas:
Figura 83 - Representação gráfica das cores
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
206 207

do sistema RGB, assim como mudanças de coordenadas entre outros sistemas de cor que utilizam avalia-
ções colorimétricas instrumentais:
a) Sistema L*a*b*
b) Sistema L*C*h
Com esses sistemas colorimétricos, é possível aplicar o princípio da avaliação instrumental de cor.

Davi Leon
Figura 85 - Representação matemática dos valores tristímulos
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Em que:
S(λ): Distribuição de energia espectral do iluminante
_ _ _
x10(λ), y 10(λ), z 10(λ): Funções de relação de cor da Observação Padrão Suplementar 10°CIE (1964)
R(λ): Reflectância espectral da amostra

4.9.15 ESPAÇO DE CORES – SISTEMAS DE ORDENAÇÃO DE CORES

As cores podem ser arrumadas em um eixo vertical. Todas as cores, cromáticas e acromáticas, podem se
organizar em um espaço cilíndrico.

Davi Leon
Na ilustração, o matiz (hue) é disposto no eixo circular, a pureza da cor (chroma) no eixo radial e a lu-
minosidade (value) no eixo vertical. O arranjo não é necessariamente limitado a um espaço cilíndrico; às
Figura 87 - Avaliação instrumental da cor
vezes, o sistema é lembrado como um arranjo que se assemelha a uma “árvore de cores”. Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Quase sempre D E* ¹ 0 . Mais adiante esse assunto, será detalhado com mais profundidade.
A cor é algo que muito raramente se repete de maneira exata. As variações que ocorrem para uma mes-
ma cor devem ser pequenas e estar dentro de um limite aceitável (limite de tolerância).

FIQUE O espaço de cores é convertido em expressões matemáticas através de três eixos: L (0


a 100), a (-a* até a*) e b (-b* até b*). Conforme ilustração abaixo, em função do posi-
ALERTA cionamento do ponto no eixo, é possível identificar a cor a ser medida ou visualizada.
Davi Leon

Figura 86 - Sistema de ordenação de cores


Fonte: SENAI/CETIQT (2016) 4.9.16 ESPAÇO DE CORES – CATÁLOGO PADRONIZADO DE CORES

As coordenadas de cromaticidade dessas cores primárias são conhecidas, sendo possível a realização Na empresa Pantone, que fabricava cartões de cores para companhias de cosméticos, Lawrence Her-
de cálculos que permitem não só obtenção de valores de grandezas no sistema XYZ a partir de grandezas bert desenvolveu em 1963 o seu sistema de ordenação cores.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
208 209

4.10 EQUIPAMENTOS

O objetivo dos equipamentos é transformar a subjetiva da impressão visual em objetivos valores nu-
méricos. Sobre os equipamentos que podem medir a cor através da reflectância ou transmitância, observe
o quadro a seguir:

Para amostras opacas, é medida a refletância, a parte da


luz refletida pela amostra.

Luiz Meneghel
Rafa Irusta Machin
Figura 88 - Catálogo Pantone

Para amostras transparentes é medida a transmitância, a


O sistema Pantone tem como base o sistema Munsell, utilizando também números para especificar a
parte da luz que passa pela amostra.
cor desejada.

Luiz Meneghel
Por exemplo, você pode pedir à empresa que produza o produto a cor Pantone 14-06-47 e a empresa,
que pode estar situada em local bem afastado, terá em mãos sua própria cartela Pantone e com isso terá
como produzir a cor 14-06-47. O sistema está baseado na credibilidade. Quem compra a cartela crê que Quadro 26 - Ilustração da refletância e transmitância
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
todos têm cartelas com exatamente as mesmas cores. Por isso, basta saber seu “número”.
Dessa forma, o produto final será exatamente o pretendido e recomenda-se que os Guias Pantone se-
Na indústria, utiliza-se a medição da cor por meio de instrumentos chamados espectrofotômetros ou
jam manuseados com todo o cuidado e seguidos os prazos de validade.
colorímetros (equipamentos antigos em desuso).

Neli Reis
Figura 90 - Espectrofotômetro portátil
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

Transformam uma cor em valores numéricos, eliminando assim a probabilidade de erros em relação à
Davi Leon

avaliação visual, desde que o aparelho esteja calibrado.


Figura 89 - Exemplo da cor 14-06-47 no sistema Pantone
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
210 211

4.11 BANCO DE DADOS Etapas para a elaboração de um banco de dados:


a) Realizar 8 pontos de medição (duas medições em cada lado direito do tecido);
O espectrofotômetro pode ser utilizado no controle de qualidade, por exemplo, comparando a cor de
uma amostra em relação a um padrão para saber se a cor está aprovada ou reprovada. Outra utilização é b) Realizar um tingimento cego, que será o padrão para referência;
na formulação de receitas. c) Ajuste da escala fotométrica do instrumento (quando necessário, depende do instrumento);
Para essa utilização, é necessário estruturar, instalar, um banco de dados. A função do banco de dados d) Inserção do valor do padrão branco, quando necessário;
na colorimetria consiste em ajustar cores, para isso são criados tingimentos, com todos os corantes, em
concentrações crescentes. São então medidos e memorizados pelo software do equipamento. Depois dis- e) Padrões – branco 100% de refletância e preto 0% de refletância;
to, ao ser medida uma cor qualquer, o sistema informa qual e quanto de cada um dos corantes da memória f) 1ª avaliação individual da série de calibração:
deve ser misturado para chegar a essa cor. Isto se chama formulação de receita.
i) 1ª etapa – realização de tingimentos (no mínimo duas séries de calibração);
ii) 2ª etapa – medição das amostras;
iii) 3ª etapa – avaliação da força colorística (séries de calibração);
iv) 4ª etapa – se força colorística for aprovada, instalação das séries de calibração. Caso contrário, re-
tornar para a 1ª etapa;
v) 5ª etapa – avaliação dos corantes por meio da avaliação das curvas;
vi) 6ª etapa – instalação da série de calibração;
vii) 7ª etapa – formulação de receitas;
g) 2ª avaliação individual da série de calibração (realizar as etapas da 1ª avaliação);
h) Realizar comparações entre os mesmos corantes (1ª e 2ª série) com a mesma concentração;
i) Escolher uma determinada concentração da 1ª série e colocá-la na posição de padrão;
j) Procurar a concentração correspondente (2ª série);
k) Registrar cada diferença de força colorística (1ª série x 2ª série);
l) Calcular a média das diferenças entre as 12 concentrações (força colorística);
m) Repetir o procedimento para os demais corantes;
Neli Reis

n) Se a força colorística for Aprovada, instalar as séries de calibração;


Figura 91 - Série de calibração para a elaboração de banco de dados
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
o) Se a força colorística for Reprovada, realizar novos tingimentos.

FIQUE Para execução da Metodologia de Medição é importante: Dobrar o tecido em 4 camadas. Caso a série de calibração mostre na avaliação qualquer desses problemas conforme
ALERTA mencionado anteriormente, a respectiva concentração com problema pode ser ex-
FIQUE cluída da série de calibração ou então pode-se optar por repetir toda a série. Como a
ALERTA eficiência no cálculo de receitas aumenta quanto maior for o número de amostras na
série de calibração, recomenda-se que toda a série seja repetida.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
212 213

g) Aprovação ou cálculo de correção;


h) Teste da correção no laboratório.

Neli Reis
Figura 92 - Resultado da série de calibração após leitura
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

4.11.1 FORMULAÇÃO VISUAL

No Desenvolvimento Visual de Cores, existem fatores que devem ser considerados como a subjetivi-
dade e condições não padronizadas de iluminação que resultam em formulações metaméricas e cores
fotocrômicas.

Davi Leon
As formulações com custo elevado indicam o consumo excessivo de corantes ou pigmentos (desperdí-
Figura 93 - Várias tentativas - processo demorado
cios) e causam o retrabalho confirmando com várias tentativas, resultando em um processo demorado as Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

cores nos substratos têxteis.

4.11.3 FORMULAÇÃO INSTRUMENTAL CONTRA VISUAL


4.11.2 FORMULAÇÃO INSTRUMENTAL É claro que a máquina não realiza os ensaios sozinha, ela necessita de um técnico treinado para inserir
dados e tomar decisões.
Com o avanço tecnológico e o foco em redução de variáveis negativas (custos) consolidou o uso siste-
mático da formulação instrumental. Um banco de dados adequado constitui a base do funcionamento eficiente da formulação de cores
computadorizada e a sua eficiência dependerá do banco de dados dos corantes ou pigmentos utilizados.
A técnica possibilitou o desenvolvimento de cores por combinações matemáticas com os dados dos
diferentes corantes (ou pigmentos) armazenados pelo software do espectrofotômetro. O software calcula
várias opções possíveis de fórmulas para se chegar à cor desejada.
Nesse processo, o substrato têxtil é submetido a formulação instrumental de cores.
Princípio de funcionamento:
a) Medição da cor do padrão;
b) Combinações matemáticas dos diferentes corantes/pigmentos envolvidos no banco de dados em-
pregado (cálculo executado pelo software, chegando nas várias opções possíveis de fórmulas);
c) Escolha de uma fórmula dentre as diversas opções calculadas;
d) Teste dessa fórmula no laboratório sob condições controladas;

Davi Leon
e) Medição instrumental de cor da amostra, assim gerada;
Figura 94 - Exemplo de banco de dados
f) Determinação da diferença de cor numérica (∆E*) em relação ao padrão; Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
214 215

4.11.4 FORMULAÇÃO – CÁLCULOS 4.11.5 CORREÇÃO DA COR

Como no seguimento de controle de cores cada empresa têxtil trabalha com variados métodos de cál- No controle de qualidade colorimétrico de artigos têxteis, avalia-se um artigo que foi submetido a tem-
culos, os métodos de cálculo para formulação instrumental de cores podem ser classificados em: peratura, pressão, produtos químicos, água (qualidade) em diferentes tipos de equipamentos. Todas essas
variáveis interferirão na força colorística e na diferença de cor residual, onde é preciso atentar para:
a) Simples constante – Ex.: formulação de cores de materiais têxteis e tintas transparentes (normalmen-
te corantes, soluções verdadeiras); a) Controle lote a lote de recebimento – compara o comportamento individual entre um corante de
um lote novo que chegou com o mesmo corante (ou pigmento) padrão, medido na primeira vez e
b) Duas constantes – formulação de cores de tintas opacas e plásticos (normalmente pigmentos, dis-
cujos dados ficaram devidamente armazenado no software. Utilizando-se o valor de R (Refletância),
persões).
no comprimento de onda de absorção máxima;
Leve em consideração a teoria de Kubelka-Munk, sobre a relação e reflexão de luz.
b) Contratipagem – compara o comportamento de dois corantes (ou pigmentos) com estruturas quí-
micas diferentes para verificar se apresentam a “mesma cor” em diferentes concentrações (comporta-
mento colorístico) e sob diferentes iluminantes (metameria). Utiliza-se também, para avaliar, o soma-
tório dos valores de R;
c) Controle de força colorística (rendimento de cor ou poder tintorial ou esgotamento) – pode-se verificar
pela contratipagem que um corante é “igual”, ou seja, pode substituí-lo. Contudo, ele pode ser menos
ou mais “concentrado”. Nesse caso, calcula-se a força colorística e também para saber como corrigir
sua concentração na formulação a fim de que a cor final não se altere. Quando a diferença de cor ΔE*
é inferior 0,5 (limite perceptual – não se vê diferença), os rendimentos são “iguais”. O valor 0,5 é tácito
Davi Leon (diferente de pessoa para pessoa) e dependerá da relação fornecedor x cliente (grau de exigência);
d) Tolerância – determinação do limite de aceitabilidade. Como foi visto anteriormente, na repetitivi-
Figura 95 - Representação da teoria de Kubelka-Munk dade de uma cor existe uma série de fatores que tornam sua reprodução exatamente igual (ΔE* = 0)
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
praticamente impossível. Por isso, estabelece-se uma tolerância (ΔE* máximo), limite de aceitabilidade,
isto é até, de uma forma direta, onde a cor da amostra pode estar diferente do padrão, sem que haja
Na teoria de Kubelka-Munk, há a relação K/S, em que, entre absorção e reflexão de luz, pode-se realizar reclamação! Normalmente, utiliza-se entre um ΔE* MAX = 0,8 (muito exigente com muita reprovação,
uma medida direta da intensidade da cor. aumento de custo e pouca reclamação) até um ΔE* MAX = 1,8 (pouco exigente com pouca reprovação,
A medida direta da intensidade da cor é expressa: menor de custo e muita reclamação).

K (1- R)´ 2 FIQUE Lembre-se: quem estabelece seu LIMITE de ACEITABILIDADE (Tolerância, ΔE* MAX) é
= a própria empresa. Não confundir com LIMITE de PERCEPTIBILIDADE (ΔE* < 0,5) que
S 2R ALERTA é um limite onde a maioria das pessoas não percebe diferença entre duas cores.

Onde:
Existem estudos que indicam que o ΔE* < 0,5 não é perceptível ao olho humano. Para
K= absorvido saber mais sobre esse assunto, confira os seguintes livros:

SAIBA a) SANDOZ. Colorimetria: Introdução para coloristas e profissionais de tinturaria das


S= disperso (refletido) indústrias têxtil, papel e couro. Basileia (suíça), 1989. 76 p.
MAIS
b) AIC (association Internationale de Lacouleur). Color and Food: From the Farm to
R= representa a refletância de uma camada de material totalmente opaca (ou seja, com uma espessura the Table, Interim Meeting of the International Color Association. Proceedings. Buenos
tal que a luz não a atravesse). Aires: Grupo Argentino del Color, 2010.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
216 217

No final de tudo, é necessário proferir a sentença sobre a amostra: É necessário um tratamento diferenciado de amostras brancas e ajustes no equipamento para sua medição.
a) APROVADA (ΔE* medido < ou = ΔE* MAX) A aplicação do alvejante ótico é utilizada nos seguintes produtos: algodão, papel e plásticos.
b) REPROVADA (ΔE* medido > ΔE* MAX)
ATENÇÃO: Não se deve proferir a sentença de perceptibilidade!

istock/swisshippo/Ro-
bertCravens/KaeArt
Figura 96 - Importância do branco: no fardamento, na imagem e na moda

4.12.1 ALVEJANTE ÓTICO

O alvejante ótico é aplicado para a amostra parecer “mais branca”. Nesse processo, o substrato têxtil
absorve luz na faixa UV (ultravioleta, não visível) e reemite essa luz na faixa visível (fluorescência). Quanto
mais luz UV é absorvida, mais branca parece a amostra.

Davi Leon
O olho humano e a percepção das cores FIQUE É importante conhecer e dominar o conceito metrológico e instrumental para ter
ALERTA uma avaliação precisa da amostra.
Os elementos de nossos olhos e a visualização de cores são possíveis por conta da estrutura da retina
humana com os 3 tipos de cones e as interligações laterais da retina.
Os três tipos de cones são interconectados na retina, e, nas próximas fases, sinais de cores oponentes
(vermelho-verde, azul-amarelo e preto-branco) são produzidas. Os cones são responsáveis pela visão em
cores e os bastonetes visão preto e branco.
Uma imagem colorida é vista pelo observador com visão “normal”, enxergando todas as cores. Porém, uma
pessoa portadora de alguma deficiência visual tem diferentes percepções da mesma imagem. Por exemplo:
a) Protanopia (cone L, deficiência vermelho/verde);
b) Deuteranopia (cone M, deficiência vermelho/verde);
c) Tritanopia (cone S, deficiência azul/amarelo).

Davi Leon
É importante que o técnico têxtil realize exames oftalmológicos para estar apto a exercer suas ativida-
des referentes à colorimetria.
Figura 97 - Gráfico de comportamento da radiação UV (espectral)
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

4.12 MEDIÇÃO DE BRANCO O esquema a seguir mostra uma radiação UV (espectral) que chega à superfície do substrato têxtil, com
um comprimento de onda de, por exemplo, 340 nm e é absorvida pela molécula do alvejante óptico. Então,
É o tratamento de amostras com alvejante ótico, que devem ser avaliadas de forma diferenciada. As
a molécula excitada, imediatamente, emite uma radiação de outro comprimento de onda, por exemplo, 440
coordenadas colorimétricas e a diferença de cor não são adequadas para a medição de amostras fluores-
nm, produzindo o efeito chamado fluorescência.
centes. Então, para uma avaliação correta, deverá ser utilizado o grau de brancura.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
218 219

Os branqueadores ópticos, conforme a estrutura química, podem refletir tonalida-


des: azul avermelhado, azul neutro e azul esverdeado. Quanto maior a porcentagem
FIQUE de remissão do branqueador óptico, maior a fluorescência. Deve-se ficar atento
ALERTA quanto a nuançagem, pois quanto menor for a queda do pico da curva, consequen-
temente menor será o risco do reprocesso e queda de rendimento, podendo ser
evitado.

4.13 CONTROLE DE QUALIDADE

Para que ocorra o controle de qualidade, é necessário que o tingimento seja repetitivo, uniforme e repro-
dutivo. Os controles descritos abaixo são importantes tanto para escala laboratorial quanto para a produção:
a) Verificação do pH;
b) Temperatura;
c) Tempo;

Davi Leon
d) Relação de banho;

Figura 98 - Esquema do comportamento do alvejante óptico no substrato têxtil e) Pick-up;


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
f) Pesagem de modo geral (tecido, corantes e auxiliares);

Nesse procedimento, é necessário utilizar um espectrofotômetro que possua o “ajuste de UV” que vai g) Preparo das soluções;
possibilitar a calibração e a leitura do substrato têxtil fluorescente. h) Lavagem;
É utilizado com um jogo de padrões especiais de tecido (fornecido pelo Instituto Hohenstein – Alemanha) i) Conscientização;
para ajustar os parâmetros da fórmula Ganz-Griesser.
Existem outras fórmulas para o cálculo de grau de brancura e padrões têxteis de calibração UV (ilumi-
nante UV). 4.13.1 SELEÇÃO DOS PADRÕES
É de suma importância a calibração periódica do espectrofotômetro.
Após os corantes terem sido analisados individualmente e aprovados como adequados nos testes, é
necessário proceder com a avaliação da performance da combinação dos corantes e a precisão da predi-
ção da receita.

4.13.2 SELEÇÃO DA RECEITA

Haverá, teoricamente, um grande número de opções possíveis de receitas fornecido pelo software para
cada padrão.
Neli Reis

Figura 99 - Padrões de grau de brancura O seguinte critério foi utilizado para selecionar a que seria usada para tingir:
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)

a) Diferença de cor D E = 0 para D65 entre a curva de reflectância do padrão e a curva de refletância
teórica da receita calculada;
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
220 221

b) Metamerismo mínimo (especialmente para D65 – TL84); a) 555 – Sade Sporting


c) Utilização de todos os corantes do grupo dentro das cores selecionadas. É o sistema de avaliação mais utilizado. Também conhecido como Sade Sporting.
Para a realização dessa avaliação, utiliza-se códigos de 3 dígitos. São estruturados por meio de uma
escala de 1 a 9, tendo o 5 como o referencial da escala do sistema.
4.13.3 APLICAÇÃO DA RECEITA
Para descrever uma cor, são usadas três coordenadas colorimétricas do espaço de cores CIE:
As receitas na produção são tintas e acabadas exatamente nas mesmas condições que de quando fo- i) Luminosidade (L*) – claro/escuro
ram feitas as amostras para a criação do banco de dados. As medições também são realizadas da mesma
ii) Croma (C*) – sujo/limpo
forma que no caso da criação do banco de dados.
iii) Tonalidade (h°) – vermelho/amarelo/verde/azul

4.14 AVALIAÇÃO

A avaliação visual do primeiro tingimento em laboratório é realizada usando o iluminante D65 como
fonte de luz.
Após a avaliação visual, todas as amostras e padrões são medidos e é calculada a diferença de cor (DECIELAB
e DECMC) entre cada par.

Davi Leon
Comparando o tempo gasto para a matização visual, mesmo levando em conta uma boa experiência
prévia e a matização computadorizada, o período necessário para desenvolver uma nova cor é muito me-
nor, embora não se tenha esses valores para comparação medidos anteriormente. A dedicação empregada
Vantagens do Sade Sporting 555:
para o desenvolvimento de um banco de dados é realmente compensadora.
O número de amostras aprovadas após o primeiro tingimento é em geral bastante alto. Entrega do pedido de maneira mais uniforme, composto de lotes da

Deve-se ter atenção nas seguintes etapas para o controle colorimétrico: mesma caixa ou de caixas próximas.
Melhor atendimento ao cliente
Fornecimento do pedido muito semelhante ao anterior, atendendo
a) Posicionamento da amostra sempre na mesma direção (urdume sempre para o lado ou sempre para
com lotes de caixas parecidas.
baixo);
A tolerância pode ser um pouco maior, já que ela será subdividida.
b) Utilizar sempre o mesmo lado do substrato têxtil para a leitura (normalmente o lado direito); Melhor aproveitamento dos lotes produzidos
Até lotes mais distantes do padrão podem ser aproveitados.
c) Número de camadas (dobras) do substrato têxtil, de forma que a luz não transpasse (no método de Disponível em um número grande de softwares.
refletância); O sistema de separação de nuance mais aceito no mercado
Fácil de entender e implementar.
d) Padrões branco e preto sempre dentro da validade e em ótimo estado; Quadro 27 - Vantagens do sistema Sade Sporting
Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
e) Ligar o aparelho, para estabilizar, ao menos 30 minutos antes de utilizar;
f) Os parâmetros de leitura devem estar especificados no software (CMC, CIELAB, iluminante, observa-
b) Clustering – agrupamento
dor, etc.);
Quando as amostras não são distribuídas uniformemente, dividir o conjunto de amostras em grupos,
g) O técnico têxtil deve estar habilitado;
sendo possíveis as opções:
h) A câmara (esfera de integração) deve estar isenta de fibrilas e/ou poeira;
a) Divisão por proximidade;
i) No caso da cabine de luz, a mesma deverá estar em perfeitas condições de uso (lâmpadas, superfície
b) Divisão linear;
interna);
c) Divisão LMD;
Você pode realizar controles de avaliação com os sistemas:
d) Divisão B.
BENEFICIAMENTO - VOLUME 2 4 BENEFICIAMENTO SECUNDÁRIO: TINGIMENTO
222 223

c) Tapering – sequenciamento
Essa avaliação busca o caminho mais curto ou a sequência entre as peças, minimizando a diferença RECAPITULANDO
entre elas.

Neste capítulo, você viu que os substratos têxteis podem ser medidos e avaliados utilizando técni-
cas e/ou equipamentos colorimétricos que poderão garantir a reprodutibilidade e repetibilidade
4.15 SOFTWARES ESPECÍFICOS
das cores em processos que atenderão a demanda do consumidor final.
Existem vários softwares colorimétricos no mercado, as funcionalidades são similares, existem apenas Esses conceitos ajudarão você a ter uma visão global da cadeia têxtil e assim definir fluxos e pro-
pequenas variações em função do fornecedor. cessos; irão auxiliá-lo na escolha dos tipos de máquinas, classe de corantes, pigmentos e alvejantes
Na planilha, a seguir, há alguns exemplos de softwares existentes no mercado: ópticos no beneficiamento dos têxteis.
Esse é o grande papel do técnico têxtil na indústria, sempre buscando aperfeiçoar processos por
EQUIPAMENTOS SOFTWARES FORNECEDOR meio de uma menor utilização de recursos.

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Rommulo Barreiro

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Rommulo Barreiro

Quadro 28 - Exemplos de softwares específicos


Fonte: SENAI/CETIQT (2016)
REFERÊNCIAS
ROUETTE, H. K. Encyclopedia of Textile Finishing. Aachen: Springer, 2000.
SALEM, V. Tingimento Têxtil. São Paulo: Bluncher, 2010.
BELLINE, P. et al. Reference book for finishing. Milano: Fondazione ACIMIT, 2001.
TROTMAN, E. R. Dyeing and chemical technology of textile fibres. London: Griffin, 1970.
BROADBENT, A. D. Basic Principles of Textile Coloration. Bradford: Society of Dyers and Colourists,
2001.
SANDOZ. Colorimetria: Introdução para coloristas e profissionais de tinturaria das indústrias
têxtil, papel e couro. Basiléia (Suíça), 1989 76 p
INTERIM MEETING OF THE INTERNATIONAL COLOR ASSOCIATION, 2010, Mar del Plata, Argentina ;
CAIVANO, José Luis; LÓPEZ, Mabel Amanda. AIC 2010, color and food from the farm to the table:
proceedings. Buenos Aires: Grupo Argentino del Color, 2010. 627 p.
MINICURRÍCULO DOS AUTORES

ADRIANO ALVES PASSOS


Técnico em Química e Acabamento Têxtil – SENAI CETIQT, graduado em Química (bacharelado
com Modalidade Tecnológica e Licenciatura) pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio), possui
especialização em Ciências Ambientais pela Fundação Técnico Educacional de Duque de Caxias
(FEUDUC) e mestrado em Ciência e Tecnologia de Polímeros pelo Instituto de Macromoléculas
profa. Eloisa Mano (IMA/UFRJ). Possui experiência na área de síntese de corantes sulfurosos, com
ênfase em aplicações nos seguimentos Têxtil, Couro e Papel. Trabalhou 21 anos na empresa mul-
tinacional Clariant S/A, principalmente nas seguintes áreas: desenvolvimento de métodos analí-
ticos, sínteses de corantes, P&D de produtos, controle de matérias-primas, análise de efluentes,
controle/correção de processos, visitas técnicas e coordenação de laboratórios e sistema SAP.
Lotado no setor Planta Piloto de Inovação – Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico e
Inovação (CDTI) e interlocutor da Rede Química SENAI.

FÁBIO ALBUQUERQUE

Professor especialista em Acabamentos Têxteis, nas áreas de: preparação, tinturaria, estamparia
e lavanderia. É bacharel e licenciado em Química e pós-graduado em Reengenharia e Recursos
Humanos.

RENATO MURILO DE CARVALHO GUIMARÃES


Bacharel em Engenharia Têxtil pelo SENAI-CETIQT, formado em 2005. Atuou em grandes indús-
trias brasileiras e internacionais nas áreas de fiação, tecelagem e principalmente beneficiamentos
têxteis. Gerente técnico de uma empresa de produtos químicos, é responsável por desenvolvi-
mentos e assistências técnicas na resolução de problemas e otimização de processos em em-
presas mundiais. Vencedor do prêmio de estímulo ao estudo realizado pela ABQCT com todas as
universidades têxteis brasileiras. Perfil acadêmico voltado para pesquisas nas áreas de nanotec-
nologia e processos inovadores.
ÍNDICE

N
Nanômetro, 188
SENAI - DEPARTAMENTO NACIONAL
UNIDADE DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA – UNIEP

Felipe Esteves Morgado


Gerente Executivo

Luiz Eduardo Leão


Gerente de Tecnologias Educacionais

Fabíola de Luca Coimbra Bomtempo


Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros Didáticos

Catarina Gama Catão


Apoio Técnico

CENTRO DE TECNOLOGIA DA INDÚSTRIA QUÍMICA E TÊXTIL DO SENAI – SENAI CETIQT

Sérgio Luiz Souza Motta


Diretoria Executiva

Fernando Rotta Rodrigues


Diretoria de Administração e Finanças

Jair Santiago Coelho


Diretoria Técnica em exercício

Rommulo Mendes Carvalho Barreiro


Coordenação do Desenvolvimento dos Livros Didáticos

Adriano Alves Passos


Fábio Albuquerque
Renato Murilo de Carvalho Guimarães
Elaboração

Fábio Albuquerque
Adriano Passos
Revisão Técnica

Yana Torres de Magalhães


Gerência de Educação

Maurício Rocha Bastos


Coordenação do Projeto
Neli Reis
Design Educacional

Tikinet Edição Ltda


Revisão Ortográfica e Gramatical

Davi Leon Dias


Diego Fernandes
Fotografias, Ilustrações e Tratamento de Imagens

Jairo Dias
Ronaldo Souza
Miraton Correia de Souza
Paulo Sergio Salvi
Antônio Sérgio da Costa Carvalho
Comitê Técnico de Avaliação

Tatiana Daou Segalin


Diagramação

Tikinet Edição Ltda


Normalização

Luciana Effting Takiuchi


CRB-14/937
Ficha Catalográfica

i-Comunicação
Projeto Gráfico

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