LECTIO DIVINA: 5O DOMINGO DO TEMPO COMUM, ANO B
Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos
fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações,
para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua
consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. Marcos (1,29-39)
Naquele tempo, 1,29saindo Jesus da sinagoga, foi logo a casa de Simão e
André, com Tiago e João. 30A sogra de Simão estava deitada, com febre,
e logo lhe falam dela. 31Aproximando-se, ergueu-a, tomando-a pela
mão; a febre deixou-a e ela servia-os. 32Ao cair da tarde, depois do
sol-posto, trouxeram-lhe todos os que tinham males e os endemo-
ninhados 33e toda a cidade estava reunida junto à porta. 34E curou muitos
que tinham males de diversos tipos de doenças e expulsou muitos
demónios. Mas não permitia que os demónios falassem, porque sabiam
quem Ele era. 35De manhã, muito cedo, estando ainda escuro, levan-
tou-se, saiu e retirou-se para um lugar deserto e ali orava. 36Simão e os
que estavam com ele foram no seu encalço 37e, encontrando-o, dizem-
lhe: «Todos Te procuram». 38E Ele diz-lhes: «Vamos a outros lugares, às
povoações vizinhas, a fim de também aí pregar, pois para isto saí». 39E
foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas deles e expulsando os
demónios.
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
• A passagem de hoje vem no seguimento da perícope anterior, lida no
domingo passado. Decorre ainda em Cafarnaum e embora a chamem
uma jornada típica de Jesus, de facto nela Marcos contrapõe dois dias:
o sábado judaico e o domingo cristão. Apresenta-os em três quadros
distintos, mas complementares, como uma sequência típica da ação
evangelizadora de Jesus, apresentada como modelo para a Igreja.
• v. 29. O primeiro quadro (vv. 29-31: Mt 8,14s; Lc 4,38s) decorre no sábado
judaico, após a liturgia sinagogal em que Jesus participara (v. 21). Simão
e André (v. 16) não tinham ido, Jesus estranhou e vai a “casa” deles
para saber o que se passara, pois o motivo devia ser grave. Leva
consigo os outros dois discípulos, Tiago e João (v. 19), pois é no seio da
comunidade fraterna que Jesus se torna presente e manifesta (cf. Mt 18,20).
• v. 30. Os primeiros mostram-lhe a razão da sua ausência: a sogra
de Simão está “deitada” (2,4) na cama com tal febre (At 28,8) que
temem o pior (v. 31; cf. Jo 4,47.49). Mas Jesus intervém, dando três passos.
• v. 31. 1) “Aproximando-se”. O verbo está no particípio aoristo (repetitivo),
indicando que Jesus se aproxima sempre de quem sofre e lhe é apre-
sentado na oração. 2) “Tomando-a pela mão” (5,41; 9,27; cf. Gn 19,16), ou
seja, tocando a sua existência, amparando-a e assumindo, como Se-
nhor, a direção da sua vida (Sl 73,24s; Is 42,6). 3) “Ergueu-a” (gr. egueirô):
o verbo é o termo técnico da ressurreição (6,14.16; 9,27; 12,26; 14,28;
16,6), indicando que ela estava às portas da morte (5,41). Jesus cura-a e
ela inicia uma vida nova. Como? “Servia-os” (pl.): ela serve não apenas
Jesus, mas também os apóstolos (gr. diakonéô: v. 13; 15,41; Lc 8,3; At 6,2;
Hb 6,10). Ao sábado não se cozinhava, servindo-se as três refeições do
dia (a da véspera, a do meio-dia e a da noite), preparadas antes e mantidas
quentes. Esta é “a refeição” festiva do meio-dia, que se segue ao culto (Ne
8,10). O verbo, no imperfeito, indica uma ação continuada: a vida nova
que recebeu de Jesus, dá novo rumo à sua existência, que é posta
ao serviço do Senhor e dos irmãos, em especial, dos seus enviados.
• v. 32. O segundo quadro (vv. 32-34: Mt 8,16; Lc 4,40s) decorre no primeiro
dia da semana (o “Dia do Senhor”, o domingo cristão: 16,2; Ap 1,10; cf. At 20,7;
1Cor 16,2). Este começa uma hora após o pôr-do-sol, quando se veem
brilhar no céu os três primeiros astros (Vénus e duas estrelas). Nessa
ocasião todos se devem trajar bem e mostrar um ar festivo,
agradecendo o repouso sabático, celebrando a criação e aguardando
a nova criação. É neste contexto que Jesus age, sendo Ele quem dá
o verdadeiro repouso e anunciando por obras a nova criação.
• A fama de Jesus espalhara-se (v. 28) e as pessoas vão ao seu encontro,
trazendo-lhe “todos os que tinham males e os endemoninhados”. Como
o judaísmo proibia ao sábado andar mais de 2000 côvados (880 m: Er
4,5; cf. Js 3,4; Nm 35,5; At 1,12) e curar doentes (a não ser os que estavam em
perigo de vida: Mt 12,10p; Lc 13,14; Er 4,3; Yom 8,6), esperam que o sábado
passe e comece o primeiro dia da semana para irem ter com Jesus.
Trazem-lhe “todos os que tinham males”, doenças corporais, “e os
endemoninhados”, pessoas com doenças do foro psíquico ou
espiritual. Como estes doentes não raro não têm controle de si
mesmos, os antigos atribuíam-nas a forças sobrenaturais, invisíveis,
os “demónios”, que se apossavam deles, controlando-os. Os demónios
não são o diabo (gr. “o que divide”; he. Satanás, “o adversário”), que existe,
mas seres míticos, que agiam, como se cria, tal como as doenças,
sob o comando de Satanás (At 10,38). Só Deus tinha poder sobre eles.
Os doentes e os possessos eram as pessoas mais marginalizadas em
Israel: tidas por impuras, julgava-se que Deus as rejeitara, sendo, por
isso, postas de lado e vivendo à mercê da caridade pública.
• v. 33. Manifesta-se então a força do domingo cristão. Toda a cidade se
reúne “à porta” (da casa de Pedro: v. 29; 2,1s). Em Marcos, a “casa” (gr.
oikós) é cifra da Igreja. O ficarem as pessoas “à porta” simboliza a
evangelização cristã (2,2; cf. Jo 10,9; At 14,27; 28,30; 1Co 16,9; Cl 4,3).
• v. 34. Marcos introduz um novo sumário da ação de Jesus. O Reino de
Deus anunciado por Jesus (v. 15), destina-se a todas as pessoas e
abarca o homem todo, todos os aspetos e dimensões da sua vida
(física, psíquica, pessoal, familiar e comunitária). Por isso, o Evangelho não se
reduz a uma doutrina, nem se limita ao culto, mas manifesta-se em
obras de salvação (cf. 3,15; 6,7; 16,20; Mt 11,4s; 1Ts 1,5; Hb 2,4). O judaísmo
esperava que no tempo do Messias todas as doenças fossem cura-
das (Is 35,5s; Jub 23,28-30; Hen 25,5-7; 96,3: Str-B 1,593-596) e o homem fosse
libertado do poder de Satanás (cf. v. 24; Hen 55,4; Test Levi 18; Test Sebul 9;
At 26,18). É o que Jesus faz: cura “muitos” doentes (3,10) e expulsa
“muitos demónios” (6,13). “Muitos”, mas não “todos” (Mt 8,16; 12,15),
porque a fé deles ainda era pequena (cf. 2,5; 6,5; 11,22s). “Não deixava
que os demónios falassem”: é um inciso do “segredo messiânico”
(v. 24s.44; 3,12p). Jesus não quer que saibam que Ele é o Messias, para não
ser confundido com o messias temporal e guerreiro que todos aguardavam.
• v. 35. 3) Num terceiro quadro (vv. 35-39: Lc 4,42s; Mt 4,23), Marcos
mostra-nos Jesus retirado num “lugar deserto” (solitário) em oração
(6,46). Esta começa cedo, logo de manhã, antes da aurora (cf. Sl 63,1). A
oração é a base do ministério de Jesus (cf. At 6,4), que ritma e embebe
a sua existência. É dela que brotam a sua palavra e ação e é a ela que
conduzem. Na oração, Jesus entrega-se (gr. proseukomai: “orar”, lit. “ofe-
recer”) ao Pai, a quem chama Abbá (14,36); une-se a Ele, adora-o,
louva-o, dá-lhe graças; escuta a Sua Palavra; discerne e abraça a Sua
vontade; suplica e intercede pelos homens; deixa que nele se renove o
dom da graça; haure luz, força e motivação para a sua caminhada.
• v. 36. Ao levantar-se, não o vendo em casa, Simão assume pela
primeira vez a chefia e vai com os companheiros à procura de Jesus.
• v. 37. É na m oração que encontram Jesus. “Todos Te procuram” (Jo 6,24;
Ex 33,7). Em Marcos, “procurar” (10x: 3,22; 8,11s; 11,18; 12,12; 14,1.11.55;
16,6) significa: “apoderar-se de” (cf. Jo 6,15). Mas Jesus não o permite.
• v. 38. “Vamos a outros lugares, para também aí pregar”. A oração é um
meio, não um fim, e leva à ação. “Vamos” está no plural porque: a) a
missão de Jesus é também a dos seus discípulos; b) quem evangeliza
nunca vai só, porque o Senhor está e coopera com ele (16,20). “Para
isto saí” (gr. exêlthon: Sir 24,3; Jo 8,42; 13,3; 17,8). “Sair” é usado em senti-
do absoluto, sem indicar a origem. Jesus alude veladamente à sua
“vinda” do Pai, enquanto Filho “enviado” (v. 11) pelo Pai a “pregar” (gr.
kerysso) o Evangelho de Deus (v. 14). A evangelização é o que determina
a vida e missão de Jesus, que não se deixa prender, nem sequer pelo êxito.
• v. 39: Mt 4,23; 9,35; Lc 4,44. Marcos conclui com novo sumário da ação de
Jesus, em inclusão com o v. 14. Jesus vai ao encontro de todos, pregan-
do-lhes por palavras o Evangelho e levando-lhes com gestos de frater-
nidade e obras de poder e salvação. É por estas duas dimensões que,
como faces da mesma moeda, passa a evangelização.
• Jesus mostra aqui o estilo de vida, o roteiro e a missão que vai confiar
aos seus discípulos – e neles, à Igreja –, a qual deverão prosseguir até ao
fim dos tempos, vendo nela a sua tarefa mais urgente e necessária, a sua
obra fundamental: a evangelização (cf. 3,14; 6,12; 13,10; 16,15; 1Cor 9,16).
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz, no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou/vamos pôr em prática?
• Faço da minha vida um serviço a Deus e aos irmãos?
• Que lugar ocupam na minha existência a oração, a leitura da Palavra
de Deus, a celebração da fé e a vida comunitária?
• A evangelização é a prioridade da vida e ação de Jesus. Como parti-
cipo eu nesta obra, que o Pai, por Ele, me confia?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Tudo apreciar em Deus, à luz da sua Palavra)
SALMO RESPONSORIAL Sl 147,1-6 (R. cf. 3a)
REFRÃO: Louvai o Senhor, que salva os corações atribulados.
Louvai o Senhor, porque é bom cantar,
é agradável e justo celebrar o seu louvor.
O Senhor edificou Jerusalém,
congregou os dispersos de Israel. R.
Sarou os corações dilacerados
e ligou as suas feridas.
Fixou o número das estrelas
e deu a cada uma o seu nome. R.
Grande é o nosso Deus e todo-poderoso,
é sem limites a sua sabedoria.
O Senhor conforta os humildes
e abate os ímpios até ao chão. R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva
Guardai, Senhor, com paternal bondade a vossa família; e, porque só
em Vós põe a sua confiança, defendei-a sempre com a vossa proteção.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive
e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
T. Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (encarnar a Palavra na própria vida e testemunhá-la, unidos a e em Cristo)