Cnidários 🦠
INTRODUÇÃO
Os cnidários (filo Cnidaria) são um grupo de
animais com uma organização corpórea
relativamente simples, porém mais
complexa do que a apresentada pelas
esponjas. Nesse grupo temos o surgimento
de tecidos, os quais permitem o
desenvolvimento de importantes funções,
como a natação e a capacidade de
responder a estímulos.
Os cnidários apresentam formas sésseis e
móveis, que recebem a denominação de
pólipos e medusas, respectivamente.
Atualmente são conhecidas cerca de 10.000
espécies de cnidários, sendo a maioria
marinha. São exemplos de cnidários as
anêmonas-do-mar e as águas-vivas.
ESTRUTURA DO CORPO DE UM CNIDÁRIO
Os cnidários, também conhecidos como celenterados, apresentam
uma estrutura corporal relativamente simples, a qual lembra um
grande saco. Esses animais possuem simetria radial, ou seja, partes
similares do corpo estão organizadas e repetidas ao redor de um eixo
central.
Cnidários têm, no seu interior, um compartimento chamado de
cavidade gastrovascular, no qual ocorre o processo de digestão. Essa
cavidade está conectada ao meio externo por uma única abertura,
que atua como boca e ânus. Denomina-se de superfície oral aquela
que apresenta a boca e de superfície aboral o lado oposto a ela.
Ao redor da boca do cnidário, observa-se tentáculos que ajudam a
capturar alimento. Nesses tentáculos encontra-se uma grande
quantidade de células especializadas chamadas de cnidócitos, que
ocorrem por toda a epiderme, mas são mais numerosas nessa região.
Um cnidócito caracteriza-se por ser uma célula redonda ou ovoide e
possuir organelas chamadas de cnidas, que têm formato de cápsula.
Os nematocistos são o tipo mais comum de cnidas. São uma cápsula
que contém um filamento enrolado, que é disparado quando
estimulado quimica ou mecanicamente. Esse filamento perfura o
corpo da presa e garante a injeção de uma substância urticante, que
pode causar lesão dolorosa, paralisia e até mesmo a morte.
A parede do corpo do cnidário é formada por duas camadas de
célula: uma epiderme mais externa, a qual é derivada da ectoderme,
e uma camada mais interna, chamada de gastroderme, a qual é
derivada da endoderme. Os cnidários são animais diblásticos, pois
seus corpos são formados com base em dois folhetos embrionários: a
ectoderme e a endoderme. Entre a gastroderme e a epiderme está
presente a mesogleia, que possui consistência gelatinosa. A
mesogleia, geralmente, não apresenta células.
PÓLIPOS E MEDUSAS
A estrutura corporal dos cnidários apresenta duas
variações: o pólipo e a medusa. Alguns cnidários
passam toda a sua vida como apenas uma forma,
ou seja, sendo pólipo ou medusa. Algumas espécies,
no entanto, apresentam um estágio polipoide e outro
medusoide durante o ciclo de vida.
Pólipo: forma de vida geralmente séssil, ou seja, que
não apresenta uma movimentação ativa. Algumas
espécies, no entanto, são capazes de mover-se
quando ameaçadas, por exemplo. Os pólipos
apresentam forma cilíndrica e estão associados ao
substrato pela superfície aboral. A extremidade que
não está aderida ao substrato apresenta a boca do
animal, rodeada por tentáculos que o ajudam a
capturar suas presas. Hidras e anêmonas-do-mar
são exemplos de pólipos.
Medusa: forma de vida que se move ativamente. As
medusas apresentam formato de sino e boca
voltada para baixo bem como seus tentáculos.
Apresentam uma mesogleia bem desenvolvida,
diferentemente da forma polipoide. Águas-vivas são
exemplos de medusas.
FISIOLOGIA DOS CNIDÁRIOS
Os cnidários são animais de corpo muito simples, não
apresentando sistemas complexos como no corpo dos
vertebrados. Vejamos, a seguir, alguns dos importantes
processos fisiológicos que ocorrem no corpo desses animais:
Digestão nos cnidários: é extracelular e intracelular.
Inicia-se no interior da cavidade gastrovascular, em que
enzimas são liberadas, e depois é completada no interior
de células gastrodérmicas, as quais revestem essa
cavidade. O que não foi absorvido pelo animal sai para
fora do corpo pela boca.
Excreção e trocas gasosas nos cnidários: não
apresentam um sistema excretor, desse modo, a
excreção dos produtos resultantes do metabolismo é
feita, por difusão, pela superfície corporal. As trocas
gasosasnesses animais também ocorrem na superfície
dos seus corpos.
Percepção de estímulos nos cnidários: possuem células
nervosas espalhadas por todo seu corpo. Isso permite
que os impulsos sejam transmitidos em todas as
direções. O sistema nervoso desses animais é chamado
de sistema nervoso difuso. Os cubozoários apresentam
olhos complexos, os quais possuem uma lente e um
arranjo retiniforme com células sensoriais. As medusas
apresentam ainda estruturas chamadas de estatocistos,
responsáveis pelo sentido de equilíbrio.
CLASSIFICAÇÃO DOS CNIDÁRIOS
Podemos classificar o filo Cnidaria em quatro classes:
Hydrozoa, Scyphozoa, Cubozoa e Anthozoa.
Classe Hydrozoa: hidrozoários têm representantes com
grande variedade de formas e ciclos de vida. A sua
maioria alterna, em seu ciclo de vida, formas polipoides e
medusoides. A hidra é um exemplo de hidrozoário.
Classe Scyphozoa: observa-se que o estágio do ciclo de
vida dominante é o de medusa. Geralmente, os pólipos
são pequenos e assemelham-se a medusas jovens. Em
algumas espécies, a fase de pólipo não é observada. Um
representante é a Aurelia.
Classe Cubozoa: cnidários com estágio medusoide em
forma de cubo. Esse grupo possui uma das espécies mais
mortais que se conhece: a vespa-do-mar (Chironex
fleckeri). Essa espécie apresenta uma toxina mais potente
do que o veneno de algumas espécies de cobra, a qual
pode provocar dor intensa, dificuldade respiratória,
parada cardíaca e morte em questão de poucos minutos.
Classe Anthozoa: os antozoários não têm o estágio de
medusa durante o seu ciclo de vida. Os pólipos dessa
classe podem estar sozinhos ou formando colônias.
Anêmonas e corais pertencem ao grupo.
REPRODUÇÃO DOS CNIDÁRIOS
Os cnidários podem reproduzir-se de maneira sexuada ou assexuada.
Nas hidras, o brotamento, um tipo de reprodução assexuada, é muito
comum nas estações mais quentes do ano. Nesse processo, observa-
se o desenvolvimento de um broto na parede do corpo do animal, o
qual se destaca e torna-se uma hidra independente. O brotamento é
também observado em outras espécies de cnidários.
Os cnidários também reproduzem-se de maneira sexuada. Iremos
exemplificar esse tipo de reprodução citando a reprodução das hidras,
as quais, em sua maioria, são dioicas (possuem sexos separados).
Nesses animais, ocorre a liberação do espermatozoide na água, o qual
encontra o ovo que havia sido produzido no ovário e se encontra no
corpo de outra hidra. Após a fecundação, segue-se uma série de
divisões celulares. À medida que essas divisões ocorrem, forma-se
uma espécie de cápsula em volta do embrião. Essa cápsula rompe-se
e dela emerge uma hidra jovem. Em algumas espécies de cnidários,
pode formar-se uma larva plânula.
Alternância de geração nos cnidários
Em algumas espécies de cnidários, observa-se, no ciclo de vida, a
chamada alternância de gerações ou metagênese. No hidrozoário
Obelia, por exemplo, temos uma fase de pólipo assexuado e uma fase
de medusa sexuada.
Nesse ciclo a fase de pólipo reproduz-se por brotamento, dando
origem a várias medusas. As medusas machos produzem
espermatozoide e as medusas fêmeas produzem óvulos. Os gametas
encontram-se na água e formam um zigoto, que levará à formação
de uma larva plânula. Essa larva fixa-se no substrato e desenvolve-se
em um novo pólipo.