Morfologia, fisiologia, genética e
taxonomia de microrganismos de
importância agrícola
“Vírus”
Prof. Drª. Janielly Silva Costa Moscôso
O que são vírus?
Vírus (latim: veneno)
São agentes infectantes de células vivas, causadores de doenças em animais
e plantas, e capazes de atacar outros organismos mais inferiores, até mesmo
bactérias.
Diferem de todos os outros seres vivos pelo fato de não apresentarem
estrutura celular, isto é, não são constituídos por células. Apresentam apenas
estrutura molecular.
Os vírus são formados por moléculas de nucleoproteínas auto reprodutíveis e
com capacidade de sofrer mutações.
Apesar de não serem células, eles possuem um genoma de ácido nucleico
que codifica as funções necessárias para sua replicação em uma forma
extracelular, denominada vírion, que permite que o vírus viaje de uma célula
hospedeira para outra (partícula viral completa, ou seja, infecciosa)
O que são vírus?
São parasitas intracelulares obrigatórios:
Como sua estrutura não possui organóides capaz de lhes permitir a
obtenção, armazenamento e utilização de energia, só conseguem
subsistir no interior de células vivas, de cujo equipamento funcional se
utilizam para obter tudo de que necessitam e para realizar a sua
replicação.
Portanto, os vírus são completamente dependentes da maquinaria
enzimática das células vivas para gerar sua própria energia ou mesmo
para síntese de suas moléculas estruturais.
O que são vírus?
Um único vírus, ao invadir uma célula, pode assumir o comando das atividades
celulares e fazer com que a célula hospedeira passe a trabalhar quase
exclusivamente na produção de novos vírus.
Fora das células vivas, eles se cristalizam e podem manter-se, como um sal
qualquer se mantém num vidro, por tempo indeterminado.
Quando não estão se reproduzindo, os vírus não manifestam nenhuma
atividade vital: não crescem, não degradam nem fabricam substâncias e não
reagem a estímulos.
O que são vírus?
Fora das células vivas, eles se cristalizam e podem manter-se, como um sal
qualquer se mantém num vidro, por tempo indeterminado.
Uma equipe do Centro Nacional de
Pesquisa Científica da França
descobriu o vírus pré-histórico
Mollivirus sibericum no subsolo
gelado da Sibéria. Ele estaria
“adormecido” desde a última
Idade do Gelo.
O Mollivirus sibericum é
classificado como um vírus
gigante porque pode ser visto em
um microscópio óptico simples.
O que são vírus?
Quando postos em contato com uma célula hospedeira, reassumem
imediatamente sua atividade.
A infecção viral geralmente causa profundas alterações no
metabolismo celular e pode levar as células infectadas a morte.
Por isso, todos os vírus são necessariamente parasitas intracelulares
obrigatórios e não podem ser cultivados em meios artificiais.
O que são vírus?
Morfologia e estrutura dos vírus
Morfologia e estrutura dos vírus
São constituídos de uma espécie de ácido nucléico e de proteínas que
formam um arranjo que contém e protege este ácido nucléico.
Apresentam apenas um tipo de ácido nucléico, DNA ou RNA, porém nunca
ambos.
Há uma cápsula protéica que protege este ácido nucléico, denominada
capsídeo
O ácido nucléico junto com o capsídeo forma o nucleocapsídeo
Morfologia e estrutura dos vírus
As proteínas ou subunidades estruturais que formam o capsídeo são
chamadas de protômeros as quais se agrupam em arranjos
morfologicamente distintos denominados capsômeros, mantidos juntos por
ligações não covalentes.
A natureza das ligações entre os capsômeros é o que determina a simetria do
capsídeo, que pode ser cúbica, icosaédrica ou helicoidal.
O nucleocapsídeo de alguns vírus é envolto por uma membrana
lipoprotéica, denominada de envelope viral.
Morfologia e estrutura dos vírus
Simetria helicoidal
Poliédricos ou esféricos com simetria icosaédrica
Morfologia complexa
Morfologia e estrutura dos vírus
Simetria helicoidal
Poliédricos ou esféricos com simetria icosaédrica
Morfologia complexa
Morfologia e estrutura dos vírus
Simetria helicoidal
Poliédricos ou esféricos com simetria icosaédrica
Morfologia complexa
Morfologia e estrutura dos vírus
Simetria helicoidal
Poliédricos ou esféricos com simetria icosaédrica
Morfologia complexa
Morfologia e estrutura dos vírus
Simetria helicoidal
Poliédricos ou esféricos com simetria icosaédrica
Morfologia complexa
Morfologia e estrutura dos vírus
Possuem ou não envelope viral (Bicamada fosfolipídica e
proteica)
Bicamada: membrana do hospedeiro
Glicoproteínas: geralmente virais
Importantes no reconhecimento do hospedeiro
Morfologia e estrutura dos vírus
Possuem DNA ou RNA (nunca ambos)
DNA ou RNA de fita dupla ou simples (ds e ss)
Morfologia e estrutura dos vírus
Maioria dos genomas virais tem até cerca de 350 genes (humano tem
30.000 genes)
Existem minúsculos vírus que afetam animais que contem apenas 2
genes.
Vírus que apresentam somente RNA são os que apresentam menor
genoma, os de DNA apresentam genomas maiores
Morfologia e estrutura dos vírus
Classificação com base nos hospedeiros que infectam:
Vírus de animais e podem vim a infectar humanos
Vírus de plantas
Vírus de protozoários
Vírus de arqueias
Vírus bacterianos (bacteriófagos ou simplesmente fagos)
Morfologia e estrutura dos vírus
Morfologia e estrutura dos vírus
Replicação (Reprodução dos vírus)
A reprodução dos vírus envolve dois aspectos:
Multiplicação do material genético e síntese das proteínas do capsídeo.
Sua capacidade reprodutiva é muito grande: um único vírus é capaz de
produzir, em poucas horas, milhões de novos indivíduos.
Como não possuem maquinaria necessária para realizar nenhum desses
processos, os vírus desenvolveram ao longo de sua evolução, surpreendentes
mecanismos para subverter o funcionamento da célula hospedeira e se
reproduzir a custa do metabolismo celular.
Replicação (Reprodução dos vírus)
Uma célula que suporta o ciclo completo de replicação de
um vírus é dita permissiva para aquele vírus. Em um hospedeiro permissivo,
o ciclo de replicação viral pode ser dividido em
cinco etapa:
Replicação (Reprodução dos vírus)
O número de vírions liberados, depende do vírus e da célula
hospedeira em particular.
Podendo variar de alguns poucos a milhares.
A duração de um ciclo completo de replicação varia de 20 a 60
minutos (no caso de muitos vírus bacterianos) a 8 a 40 horas (para a
maioria dos vírus de animais).
Bacteriófagos
Os vírus que infectam bactérias foram descobertos
independentemente por Frederick W. Twort, na Inglaterra e por Felix d’
Hérelle, no instituto Pasteur em Paris, em 1917.
Twort observou que as colônias bacterianas algumas vezes
dissolviam-se e desapareciam porque ocorria lise ou rompimento das
células. E que essa lise de células passava de colônia a colônia.
Isto ocorria mesmo se o material fosse filtrado.
Quando d’ Herelle descobriu este fenômeno, designou o agente de
bacteriófago, que significa “comedor de bactérias”.
Ele concluiu que o agente filtrável era uma entidade invisível - um
vírus- que parasitava bactérias.
Bacteriófagos
Há dois tipos principais de bacteriófagos: lítico (ou virulento) e
temperado (ou avirulento).
Bacteriófagos
Processo de ligação e penetração do material genético
Bacteriófagos
Os fagos líticos destroem as células hospedeiras bacterianas. Neste processo,
após a replicação do vírion, a célula hospedeira rompe-se liberando nova
progênie de fagos para infectar outras células hospedeiras. Este é o chamado
ciclo lítico
Bacteriófagos
Tempo de duração dos eventos que ocorrem na infecção
Bacteriófagos
Os fagos temperados não destroem suas células hospedeiras, porém o seu
ácido nucléico é integrado ao genoma da célula hospedeira e replica-se na
célula bacteriana hospedeira de uma geração a outra sem que haja lise
celular. Este é o ciclo lisogênico.
Bacteriófagos
Ciclo lítico e ciclo lisogênico.
Bacteriófagos
Diversidade dos bacteriófagos
Replicação de vírus de animais
Semelhante ao ciclo lítico de bacteriófagos
Diferenças:
Presença de envelope em alguns vírus
Compartimentalização da célula hospedeira
Ausência de parede celular na célula hospedeira.
A adesão de vírus aos animais é realizada através da atração química e as
Espículas glicoproteícas geralmente fazem o reconhecimento.
Replicação de vírus de animais
Fixação (adsorção): ocorre através da ligação de moléculas do vírus
(presentes no capsídeo ou no envelope) à receptores específicos para o vírus
na célula hospedeira. Se a célula perder este receptores, ela não será mais
infectada
Esta infecção específica vírus-célula explica porque certos
vírus infectam somente tipos particulares de células.
– Por exemplo: o vírus da influenza (gripe) infecta células
epiteliais do trato respiratório superior e o vírus da aids
invade células específicas como os linfócitos
Replicação de vírus de animais
Penetração: pode ocorrer apenas a liberação do ácido nucléico no citoplasma
da célula hospedeira ou então pode ocorrer a entrada do nucleocapsídeo
inteiro.
Replicação de vírus de animais
Penetração: Vírus com envelope pode haver o processo de desnudamento
ou a entrada do envelope na célula hospedeira através da endocitose.
Replicação de vírus de animais
Biossíntese de componentes virais: a célula hospedeira sintetiza os
componentes virais como ácidos nucléicos, proteínas e enzimas. São
utilizadas várias estratégias, dependendo do material genético e da localização
do vírus.
Replicação de vírus de animais
Maturação e montagem: montagem dos componentes virais, para formar o
vírus maduro. A maioria dos vírus de DNA faz a montagem no núcleo, sendo
então liberada no citoplasma. A maioria dos vírus de RNA se desenvolve no
citoplasma. A quantidade de partículas produzidas é variável.
Replicação de vírus de animais
Liberação: Pode ocorrer através da lise da célula hospedeira, causando
destruição da mesma. Alguns vírus saem de outra forma da célula hospedeira,
sem causar a destruição delas (através de canais especiais ou por
brotamento).
Replicação de vírus de animais
Ao contrário de uma infecção por bacteriófagos, na qual apenas um de dois
resultados – lise ou lisogenia – é possível dependendo do vírus, outros
eventos.
Papilo-mavírus
humano (HPV) e
hepatite B (HBV)
e C (HCV)
Retrovírus
É um grupo destaca-se por um modo absolutamente original de replicação.
Os retrovírus foram os primeiros vírus a serem descobertos de causar câncer,
e o vírus da imunodeficiência humana (HIV) é um retrovírus que causa a
síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids).
Retrovírus
Uso de retrovírus na terapia gênica: Trata muitas doenças que provem de
alterações genéticas, mas também doenças adquiridas (câncer, doenças
cardiovasculares e infecciosas)
Retrovírus
Exemplos de vírus que infectam animais
Vírus influenza: foi intensivamente estudado por muitos anos, começando
com o trabalho inicial durante a pandemia de gripe de 1918 que provocou a
morte de milhões de indivíduos em todo o mundo.
O vírus influenza exibe um fenômeno denominado alteração antigênica, no
qual segmentos do genoma de RNA de duas linhagens virais distintas
infectando uma mesma célula são rearranjados.
Exemplos de vírus que infectam animais
Vírus da raiva: Os rabdovírus comumente apresentam a forma de uma bala
de revólver e possuem um grande e complexo envelope lipídico ao redor do
nucleocapsídeo.
Exemplos de vírus que infectam animais
Coronavírus: são vírus de RNA de fita simples que, replicam-se no
citoplasma, diferindo-se dos demais pelo seu tamanho e por possuir mais
detalhes em sua replicação. Seu genoma é o maior dos vírus de RNA
conhecidos.
Viroides e príons
Dois agentes subvirais, são agentes infecciosos que se assemelham aos
vírus, mas que não possuem ácidos nucleicos ou proteínas e, assim, não
são considerados vírus.
Viroides e príons
Viroides: São moléculas de RNA infeccioso que diferem dos vírus pelo fato de
serem desprovidos de um envoltório proteico. Os viroides correspondem a
pequenas moléculas circulares de RNA de fita simples, estando entre os
menores patógenos conhecidos.
Causam importantes doenças em plantas, e podem representar um grave
impacto na agricultura. Afetam apenas plantas, não são conhecidos viroides
que infectam animais ou microrganismos.
viroide do tubérculo Viroide cadang-cadang
Mosaico latente do do coco
afilado da batata
pessegueiro
Viroides e príons
Príons: são agentes infecciosos cuja forma extracelular consiste
exclusivamente de proteínas. Assim, uma partícula do príon não contém DNA
ou RNA.
Os príons causam várias doenças neurológicas, como o scrapie em ovinos; a
encefalopatia espongiforme, no gado bovino (BSE ou “mal da vaca louca”)
surto entre 1992 e 1993. Não são conhecidas doenças causadas por príons
em plantas
Vírus em plantas
Vírus da tristeza, sacarose, exocorte e xiloporose (citrus)
Vírus do mosaico comum (feijoeiro)
Vírus do mosaico (pepino)
Vírus do mosaico do tabaco (TWV)
Vírus do mosaico das cucurbitáceas
Vírus em plantas
Inoculação por ferimento: Não há evidências de que a capa protéica tem
função de reconhecimento ou adsorção.
Não há evidências de que há receptores de vírus nas células da planta.
Dano na parede celular: entrada direta.
Ou vetor: inseto
Vírus em plantas
Cultivo e estudo de Vírus
Como já discutido, os vírus só podem replicar-se em células ou
organismos vivos, já que não tem poder de auto reprodução e
metabolismo próprio.
Desta forma, meios de cultura semelhantes aos das bactérias ou
fungos são ineficazes no isolamento de vírus.
Para isolar e cultivar vírus em laboratório é necessário fornecer
células hospedeiras vivas.
Cultivo e estudo de Vírus
Cultivo dos bacteriófagos: Os vírus bacterianos são facilmente isolados e
cultivados em culturas de bactérias jovens. É importante fornecer condições
ótimas para o crescimento da célula hospedeira.
Cultivo e estudo de Vírus
Cultivo de vírus animais: Os microbiologistas cultivam os vírus com a
finalidade de isolá-los e produzi-los em quantidade suficiente para estudos ou
para a produção de vacinas. Em geral os vírus podem ser cultivados em
animais vivos, em ovos embrionados de galinha (ou pato) e em culturas de
células.
Cultivo e estudo de Vírus
Cultivo de vírus animais:
Cultivo e estudo de Vírus
Cultivo de vírus de plantas: Podem ser cultivados pela inoculação de
uma suspensão viral em plantas por meio de uma agulha hipodérmica
ou de escarificações provocadas nas folhas da planta.