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Nome Afetivo - AGAAESP

O documento discute a importância do nome como elemento da identidade, especialmente no contexto da adoção, onde a legislação brasileira permite a alteração do nome da criança adotada. Destaca-se a necessidade de respeitar a relação da criança com seu nome original e a possibilidade de uso do nome afetivo em instituições escolares e de saúde, conforme a Lei Estadual nº 16.785/2018. A mudança de nome é vista como um passo importante para a adaptação da criança ao novo núcleo familiar, promovendo seu pertencimento e dignidade.
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Nome Afetivo - AGAAESP

O documento discute a importância do nome como elemento da identidade, especialmente no contexto da adoção, onde a legislação brasileira permite a alteração do nome da criança adotada. Destaca-se a necessidade de respeitar a relação da criança com seu nome original e a possibilidade de uso do nome afetivo em instituições escolares e de saúde, conforme a Lei Estadual nº 16.785/2018. A mudança de nome é vista como um passo importante para a adaptação da criança ao novo núcleo familiar, promovendo seu pertencimento e dignidade.
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Associação dos Grupos de Apoio `a Adoção do Estado de São Paulo

O NOME COMO ELEMENTO DA IDENTIDADE E A PREVISÃO LEGAL SOBRE A MUDANÇA


PARA O NOME AFETIVO NO CASO DE ADOÇÃO

O primeiro sinal sonoro que aprendemos a reconhecer como nossa identificação é o NOME.
O nome pode ser considerado como a semente da identidade.
O nome é um presente que recebemos dos pais ao nascermos. Na adoção, todavia, nem
sempre os pais podem fazer essa escolha.
“Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome” é o que
diz nosso Código Civil Brasileiro. O direito ao nome e ser por ele chamado é inerente à
humanidade e é um direito da personalidade.
Ao longo da vida podem ocorrer várias situações que podem resultar na alteração do nome
que recebemos ao nascer. São exemplos disso as mudanças ocorridas pelo casamento,
divórcio, homonímia e adoção.
Assim, a atual legislação brasileira permite a mudança do nome da criança e adolescente em
processo de adoção. O Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 47 e os seus
parágrafos, permite a mudança do nome a pedido dos adotantes e do sobrenome. A sentença
de adoção então manda cancelar o registro original e emissão de nova certidão de
nascimento, agora com os nomes e sobrernomes adotivos.
Apesar da lei permitir a alteração do nome, é necessário avaliar a relação que a criança ou
adolesente tem com seu nome registral. Havendo identificação da sua personalidade com o
nome de origem, não é recomendável a sua alteração, pois se estaria violando um direito da
personalidade desta criança ou adolescente. Havendo apego da criança ou adolescente ao
nome registral não deve ser solicitada a sua alteração.
Muitas vezes o nome (prenome) é a única coisa que se mantém na adoção, pois as mudanças
na vida da criança são muito intensas e geralmente abruptas: Mudança de casa/moradia;
mudança em relação aos adultos de referência; mudança de regras; mudanças nos hábitos e
costumes; mudança na alimentação e outras.
Com tantas novidades a alteração ou acréscimo no nome devem ser cuidadosamente
analisados para que não se constitua como mais uma mudança que possa dificultar o processo
de adaptação.
Veja que, ainda falando da lei, existe uma observação importante: se os pais querem a
modificação do prenome, obrigatoriamente a criança ou adolescente deverá ser ouvida pela
equipe interprofissional da Vara da Infância, “respeitado seu estágio de desenvolvimento e
grau de compreensão sobre as implicações da medida, e terá sua opinião devidamente
considerada.” (art. 28, § 1º, do ECA).

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E mais, “tratando-se de maior de 12 (doze) anos de idade, será necessário seu consentimento,
colhido em audiência.” (art. 28, § 2º, do ECA).
Por vezes, a dificuldade em relação ao nome, já começa nos primeiros anos da alfabetização.
Na escola, além de ser matriculada com seu nome original, é tratada e chamada oficialmente
por este nome. Isso traz um certo constrangimento, não só à criança e à família, mas ao
próprio quadro de professores que se vêem obrigados a tal.
Para minorar e amainar este problema, está em vigor no Estado de São Paulo a Lei Estadual
nº 16.785/2018, que dispõe sobre uso do nome afetivo nos cadastros das instituições
escolares, de saúde ou de cultura e lazer, para crianças e adolescentes que estejam sob a
guarda da família adotiva, no período anterior à destituição do poder familiar.
Ou seja, ainda quando em guarda para fins de adoção (estágio de convivência) já é possível
aos futuros pais adotivos, ao matricularem seus filhos na escola, unidades de saúde e de lazer,
solicitar a utilização do nome afetivo, aquele que será tornado definitivo com a sentença de
adoção, em todos os documentos utilizados.
O adotando que já compreenda o processo adotivo deve ser consultado e preparado para
essas alterações que ocorrerão na sua certidão de nascimento e na sua identificação.
Para muitos essas alterações põem fim a uma grande angústia que é ter a constatação de que
são realmente filhos dos adotantes. O nome adotivo nestes casos será recebido como a
comprovação do pertencimento da criança ou adolesente ao novo núcleo familiar.
Como vimos o nome é a semente da identidade e um direito da personalidade. É o sinal sonoro
pelo qual nos identificamos como pessoa e pelo qual somos identificados pelos demais
membros das comunicades das quais fazemos parte.
Por vezes, a mudança do nome é recebido pela criança ou adolescente como uma
oportunidade de recomeço, de oportunidade de passar a pertencer afetivamente ao novo
núcleo familiar no qual estará inserido pela linda via da adoção. Também uma oportunidade
de guardar a própria história passada no nome anterior sem a carga triste do abandono havido
que o levou à adoção. O novo nome, nestes casos, é recebido como a possibilidade de um
recomeço, de momento de estabelecimento de novos vínculos afetivos.
O nome, assim, é algo que nos acompanhará pelo resto da vida e sempre terá por trás de sí
uma história: Quem o escolheu? Por que escolheu? O que significa? Seja o nome anterior e
sua história, seja o nome adotivo, inaugurando uma nova etapa de vida.
Com essas respostas começamos a compor a nossa história.

(Estes textos foram elaborados pela Diretora Técnica Maria Inês Villalva e pelo Diretor Jurídico Carlos Berlini,
com a colaboração da Advogada e Psicóloga Rosana Ribeiro da Silva
AGAAESP – Associação dos Grupos de Apoio à Adoção do Estado de São Paulo – versão Julho/2019)

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(Veja este exemplo de carta endereçada pelos adotantes a uma instituição de ensino. O mesmo texto, com
algumas modificações apropriadas pode ser usado também para outras insituições como as de saúde, de cultura
e de lazer no Estado de São Paulo)

XXXXX, XX de XXXXXX de 20XX.

Ao
Ilmo. Senhor XXXXX

Diretor dX (NOME DA INSTITUIÇÃO)

Assunto: requerimento para utilização nas situações escolares e acréscimo aos documentos
do nome adotivo, aquele constante do processo de adoção, da criança (NOME DA CRIANÇA).

Prezado Senhor Diretor da Instituição de Ensino XXXXX, (eu/nós),


(NOME DO ADOTANTE), (estado civil), portador do RG XXXX, CPF XXXX, e (NOME DO
ADOTANTE), (estado civil), portadora do RG XXXX, CPF XXXX, residente(s) e domiciliado(s) na
Rua XXX, Bairro XXXXXX, cidade de XXXXXXXXX, encontramo-nos em processo de adoção da
criança (NOME DA CRIANÇA), conforme cópias da certidão de nascimento e do termo de
guarda para fins de adoção anexas.

É nossa intenção que noss(a/o) filh(a/o) continue a estudar nesta


excelente instituição de ensino e para tanto é necessário seja el(a/e) tratad(a/o) diretamente
e através da documentação escolar aparente pelo nome que receberá após a conclusão do
ora em trâmite processo de Adoção. Qual seja: (NOME QUE A CRIANÇA TERÁ QUANDO
CONCLUÍDA A ADOÇÃO).

O pedido que aqui formulado encontra-se respaldado nas


normas de proteção à criança, na garantia constitucional de proteção à sua dignidade
enquanto pessoa humana em desenvolvimento, na Lei de Diretrizes de Bases da Educação e
na Lei Estadual nº 16.785, de 03 de julho de 2018, como abaixo apresentamos, para
confirmação da legitimidade do presente pedido.

É sabido que o processo de Adoção no Brasil deve ser concluído


no prazo máximo de 120 dias prorrogáveis por igual período (Art. 47, § 10, do ECA: “O prazo
máximo para conclusão da ação de adoção será de 120 (cento e vinte) dias, prorrogável uma
única vez por igual período, mediante decisão fundamentada da autoridade judiciária.”).

Todavia, é igualmente sabido e notório que tal prazo não vem


sendo cumprido, levando não raro os processos de Adoção que - para serem concluídos - têm
demorado até três, quatro ou mais anos.

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Quando a criança é colocada em lar adotivo antes da conclusão


do processo de destituição do poder familiar, esta se apropria do sobrenome da família da
qual afetivamente passa a fazer parte. Esta apropriação do patronímico da unidade familiar à
qual passou a pertencer passa a integrar a própria personalidade e identificação da criança,
enquanto pessoa no seio do grupo familiar e social a que agora pertence.

Importante esclarecer, o que talvez não seja de conhecimento


desta instituição de ensino, que o Estatuto da Criança e do Adolescente determina, em seu
art. 47, § 5º, que a “sentença (de adoção) conferirá ao adotado o nome (vulgarmente
conhecido como sobrenome) do adotante e, a pedido de qualquer deles, poderá determinar
a modificação do prenome (vulgarmente conhecido como nome)”.

Ou seja, os nome e sobrenome hoje constante do registro de


(NOME DA CRIANÇA) será obrigatoriamente, por imposição legal, alterado para o da família
adotiva quando for proferida sentença de Adoção. Qual seja XXXXXX (NOME QUE A CRIANÇA
TERÁ QUANDO CONCLUÍDA A ADOÇÃO). Isso por autorização legal e imposição legal,
respectivamente.

Convém informar também que o Código Civil Brasileiro, em seu


art. 16, assegura a cada pessoa o “direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o
sobrenome”. Como se vê o nome é dotado de proteção jurídica, estando incluídos no conceito
de “nome” os pseudônimos, apelidos e nome social. Definido este último como aquele pelo
qual o indivíduo se reconhece e é identificado por seu grupo familiar e social. Caso exato da
criança em processo de Adoção.

Se o nome merece proteção jurídica especial por ter a função


primordial de individualizar e identificar a pessoa no meio familiar e social, utilizar no
ambiente escolar o nome e sobrenome registral da criança em processo de adoção, nome
este que não é mais percebido por ela como seu, que a remete a um passado próximo
doloroso do qual teve a felicidade de afastar-se no acolhimento e amor da sua família afetiva,
será para ela extremamente doloroso e vexatório.

O uso do nome registral, que como dito acima será alterado


assim que proferida a sentença de adoção, é verdadeira punição para a criança adotanda,
lembrando-a, aos colegas, professores e funcionários diariamente que não é filho (biológico)
da sua família afetiva. Punição expressamente proibida pelo Estatuto da Criança e do
Adolescente ao impor em seu art. 18 que é “dever de todos (inclusive e principalmente a
escola) velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer
tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”.

É vexatório, é constrangedor para uma criança adotanda ser a


cada chamada e a cada chamado, todos os dias no ambiente escolar, ver usado um nome que
não mais a identifica no seio de sua nova família e meio social, fazendo-a continuamente,
dolorosamente, recordar-se de um passado que finalmente pode deixar para trás.

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Chamá-la no âmbito escolar pelo seu nome afetivo – o


verdadeiro nome pela qual se reconhece enquanto pessoa detentora dos direitos inerentes à
personalidade humana – minimizará situações vexatórias e que predispõem a criação de
situações de preconceito quanto às suas origens adotivas, além de garantir mais harmonia nas
relações sociais escolares e o exercício pleno da cidadania da criança adotanda.

O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê expressamente,


no seu art. 53, caput e inciso II, que toda criança e adolescente “têm direito à educação,
visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e
qualificação para o trabalho, assegurando-se lhes direito de ser respeitado por seus
educadores”. O respeito previsto que garante à criança adotanda o pleno desenvolvimento
enquanto pessoa humana e exercício da cidadania, passa pela utilização do seu nome afetivo,
que é o único que reconhece como seu e que é verdadeira expressão de sua personalidade
humana.

Tal é o reconhecimento do uso do nome afetivo como direito


inerente à personalidade e dignidade humana que a Portaria nº 675/GM, de 30 de março de
2006, do Ministério da Saúde, que estabelece a Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde,
prevê como princípio 3º “assegura ao cidadão o atendimento acolhedor e livre de
discriminação, por meio da utilização do nome social, independentemente do nome civil”.

Atendendo às demandas dos Grupos de Apoio à Adoção e


famílias formadas pelos vínculos afetivos da Adoção, foi promulgada no Estado de São Paulo
a Lei nº 16.785/18, que prevê expressamente o seguinte:

Artigo 1º - Esta lei dispõe sobre uso do nome afetivo nos cadastros das instituições
escolares, de saúde ou de cultura e lazer, situadas no Estado, para crianças e adolescentes
que estejam sob a guarda da família adotiva, no período anterior à destituição do pátrio
poder familiar.

Parágrafo único - Para os fins desta lei, consideram-se:

1. instituições escolares: as creches e escolas públicas ou particulares;

Prevê ainda a lei apontada que:

Artigo 2º - O nome afetivo é aquele que os responsáveis legais pela criança ou adolescente
pretendem tornar definitivo quando das alterações da respectiva certidão de nascimento.

Artigo 3º - Os registros de sistemas de informação, de cadastros, de programas, de


serviços, de fichas, de formulários, de prontuários e congêneres dos órgãos e das
entidades descritas nos itens 1, 2 e 3 do parágrafo único do artigo 1º deverão conter o
campo de preenchimento “nome afetivo” em destaque, acompanhado do nome civil, que
será utilizado apenas para fins administrativos.

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Como visto, é imposição legal no Estado de São Paulo, a pedido


da família em processo regular de Adoção de filhos, a utilização do nome afetivo em todos os
registros, cadastros, programas, serviços, fichas, formulários, prontuários e congêneres a
serem utilizados na documentação escolar, bem como por todos os funcionários e professores
ao se dirigirem à criança adotanda.

Diante de tudo quanto acima foi exposto, e atendendo ao


disposto na lei nº 16.785/18, vimos através deste requerimento solicitar que noss(a/o)
filh(a/o) seja nesta escola tratad(a/o) nos diários de classe, chamadas e demais situações
escolares coletivas pelo nome pelo qual será chamada assim que concluído o processo de
Adoção ora em tramitação e pelo qual se reconhece como noss(a/o) filh(a/o). Qual seja:
(NOME QUE A CRIANÇA TERÁ QUANDO CONCLUÍDA A ADOÇÃO).

Sendo o que tinha a requerer e certo(s) do acolhimento desta


justa solicitação, assina(mos) o presente requerimento.

XXXXXXXXX XXXXXXXXX
(assinatura dos adotantes)

(Estes textos foram elaborados pela Diretora Técnica Maria Inês Villalva e pelo Diretor Jurídico Carlos Berlini,
com a colaboração da Advogada e Psicóloga Rosana Ribeiro da Silva
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