Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano Carlos Alberto Mucelin, Marta Bellini

LIXO E IMPACTOS AMBIENTAIS PERCEPTÍVEIS NO ECOSSISTEMA URBANO Garbage and perceptible environmental impacts in urban ecosystem

Carlos Alberto Mucelin
Professor Doutor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR. Líder do Grupo de Pesquisa em Semiótica e Percepção Ambiental – GPSPA. mucelin@utfpr.edu.br

Marta Bellini
Professora Doutora da Universidade Estadual de Maringá – UEM. Pesquisadora e membro do GPSPA martabellini@uol.com.br

Artigo recebido para publicação em 06/11/2007 e aceito para publicação em 25/02/2008

RESUMO:

Este artigo tem como temática o lixo e considerações a respeito de determinados impactos ambientais perceptíveis que os resíduos sólidos potencializam em fragmentos do ambiente urbano. Abordamos impactos ambientais negativos ocasionados pelas formas de uso, costumes e hábitos culturais perceptíveis em cidades do Brasil. Registramos que o lixo causa impactos negativos em determinados ambientes urbanos como margens de ruas e leito de rios, pela existência de hábitos de disposição final inadequada de resíduos. Apresentamos parte da percepção ambiental de atores sociais da cidade de Medianeira - Oeste do Paraná, Brasil - a respeito do lixo. Palavras-chave: Ecossistema urbano. Lixo. Impacto Ambiental.

ABSTRACT:

This article has as thematic the garbage and considerations about certain perceptible environmental impacts that the solid residues enlarge in fragments of the urban environment. We approached negative environmental impacts caused by the use forms, customs and perceptible cultural habits in cities of Brazil. We register that the garbage impacts negatively certain urban environments, as street margins and river-beds, provoked by the existence of habits of inadequate final arrangement of residues. We show part of environmental perception of social actors in Medianeira city – West of Paraná – Brazil – concerning garbage. Keywords: Urban ecosystem. Garbage. Environmental impact.

1 INTRODUÇÃO A criação das cidades e a crescente ampliação das áreas urbanas têm contribuído para o crescimento de impactos ambientais negativos. No ambiente

urbano, determinados aspectos culturais como o consumo de produtos industrializados e a necessidade da água como recurso natural vital à vida, influenciam como se apresenta o ambiente. Os costumes e hábitos no uso da água e a produção de resíduos pelo
Sociedade & Natureza, Uberlândia, 20 (1): 111-124, jun. 2008

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especialmente a partir de meados do século XX promoveram mudanças fisionômicas no Planeta. jun. Entretanto. 17) considera que a transformação do Brasil de país rural para urbano ocorreu segundo um processo predatório em essência. mas também um ambiente urbano mais arborizado.. 2008 áreas urbanas estruturadas ocupam “[. Destes. com sua maioria em um crescente quadro de pobreza e miséria. No Brasil.. terrenos que deveriam ser protegidos para preservação das águas. Alterações ambientais físicas e biológicas ao longo do tempo modificam a paisagem e comprometem ecossistemas. ou seja. opta pelo ecossistema urbano como lar. p. Essa situação é compreendida como crise e sugere uma reforma ecológica. mais silencioso e alegre. A expressão “reforma ecológica” que Viola (1987) usa para reivindicar um ambiente urbano melhor. O morador urbano. O lixo urbano. A população do Brasil apresenta a mesma tendência mundial de ocupação ambiental. p. na qual cada família tenha direito a um terreno. É fato que o desenvolvimento tecnológico contemporâneo e as culturas das comunidades têm contribuído para que essas alterações no e do ambiente se intensifiquem. sugere. É possível observamos que determinados impactos ambientais estão se acirrando. menos agressivo e com menores índices de poluição do ar. Odum (1988) considera que a acelerada urbanização e crescimento das cidades. Neste artigo. Não é apenas a cidade onde os aluguéis e transportes sejam mais acessíveis. mais humana e respirável: a cidade do ser humano. apresentamos considerações a respeito do lixo e de fragmentos do ambiente urbano que sofrem impactos negativos pela disposição inadequada desses resíduos. motivado entre outras coisas pelo crescimento populacional mundial. especialmente no ambiente urbano pelos perceptíveis impactos ambientais negativos. anseia viver em um ambiente saudável que apresente as melhores condições para vida. Marta Bellini exacerbado consumo de bens materiais são responsáveis por parte das alterações e impactos ambientais. Apresentamos também a percepção a respeito do lixo de um grupo de atores sociais de uma pequena cidade da região Oeste do Paraná. Brasil. 129) sugere que a reforma urbana ecológica aponte para uma cidade mais democrática. Há mais de vinte anos Viola (1987. especialmente nos arredores das cidades. é responsável pelos impactos ambientais que mencionamos. 20 (1): 111-124. menos verticalizado. 112 . muitas vezes. observar um ambiente urbano implica em perceber que o uso.] em sua maioria. água pura em abundância entre outras características tidas como essenciais. de imediato. as crenças e hábitos do morador citadino têm promovido alterações ambientais e impactos significativos no ecossistema urbano. p. Ricklefs (1996) e Fernandez (2004) registraram uma projeção de mais de 6 bilhões de seres humanos na Terra para 2006. muitas denominadas naturais e outras oriundas de intervenções antropológicas. desprovido de poluição. acreditamos que tal “reforma” seja urgente.Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano Carlos Alberto Mucelin. Para Fernandez (2004) as alterações ambientais ocorrem por inumeráveis causas. mais do que qualquer outra atividade humana. especialmente no ambiente urbano. independentemente de classe social. que foram investigados. encostas. segundo Fernandez (2004.8 bilhões de pessoas. Ott (2004. que favoreça a qualidade de vida: ar puro. fundos de vale entre outros”. Dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2004) indicam que no Brasil mais de 80% das pessoas são moradores urbanos. ou seja. consideradas não naturais. Atualmente a maior parte das pessoas habita ambientes urbanos. com acentuada exclusão social de classes da população menos privilegiada que por não terem condições de aquisição de terrenos em Sociedade & Natureza. Uberlândia. 177) aproximadamente 5 bilhões vivem nos países pobres. Estimativas publicadas pelo IBGE (2006) em maio de 2006 indicavam que a população mundial era de 6. que tal ambiente está aquém de uma cidade ideal como propôs Tuan (1980).

vinculada às cinzas dos fogões. tais como cães. vermes. baratas. segundo Jardim e Wells (1995) é composto por: 65% de matéria orgânica. Apesar de atender a legislação específica de cada município. Some-se a isso a poluição visual.507 municípios e na última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico. jun.] os restos das atividades humanas. gatos. Uberlândia. entre outras coisas. É inevitável a geração de lixo nas cidades devido à cultura do consumo. realizada no ano de 2000 pelo IBGE. os hábitos cotidianos concorrem para que o morador urbano não reflita sobre as conseqüências de tais hábitos. 4% de metal. o lixo comercial até 50 kg ou litros e o domiciliar são de responsabilidade das prefeituras. sem valor”. 3 A DISPOSIÇÃO FINAL DO LIXO: HÁBITOS URBANOS VISÍVEIS Entre os impactos ambientais negativos que podem ser originados a partir do lixo urbano produzido estão os efeitos decorrentes da prática de disposição inadequada de resíduos sólidos em fundos de vale. foi registrado que somente 33% (1.. Segundo Ferreira (1999). Nas cidades brasileiras.Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano Carlos Alberto Mucelin. Coisa ou coisas inúteis. Lixo é uma palavra latina (lix) que significa cinza. o Brasil é constituído por 5. Materiais sem utilidade se amontoam indiscriminada e desordenadamente.2 kg/habitante (IBGE. lixo é “aquilo que se varre da casa. enquanto os demais são de responsabilidade do próprio gerador. p. Segundo o IBGE. 20 (1): 111-124. Os dados dessa pesquisa revelaram que diariamente o Brasil gerava 228. 2006). entre outros. Marta Bellini 2 O CONSUMO DE BENS MATERIAIS E O LIXO A cultura de um povo ou comunidade caracteriza a forma de uso do ambiente. da rua e se joga fora. 3% de vidro e 3% de plástico. geralmente esses resíduos são destinados a céu aberto (IBGE. 25% de papel. 2006).475 municípios daquele ano coletavam a totalidade dos resíduos domiciliares gerados nas residências urbanas de seus territórios. Jardim e Wells (1995.814) dos 5. Considerando o pressuposto de que os seres humanos são essencialmente ambientais e. fundos de vale e margens de lagos e rios. do jardim. mesmo quando possui informações a esse respeito. sujeira. A produção de lixo nas cidades é de tal intensidade que não é possível conceber uma cidade sem considerar a problemática gerada pelos resíduos sólidos.. ratos.413 toneladas diárias de resíduos sólidos. Sujidade. como tais. Em média. proliferação de vetores transmissores de doenças. mas não perceptíveis. desde a etapa da geração até a disposição final. Mesmo contemplando casos de agressões ao ambiente. A vivência cotidiana muitas vezes mascara circunstâncias visíveis. Isso implica numa produção de 1. indesejáveis. velhas. Tudo o que não presta e se joga fora. mau cheiro e contaminação do ambiente. moscas. considerados pelos geradores como inúteis. 2008 113 . entulho. Sociedade & Natureza. Nessas cidades é comum observarmos hábitos de disposição final inadequados de lixo. tendem a subjetivamente perceber o ambiente por meio de signos que engendram a imagem ambiental. o lixo doméstico no Brasil. contaminação de corpos d’água. gerando intensas agressões aos fragmentos do contexto urbano. A problemática ambiental gerada pelo lixo é de difícil solução e a maior parte das cidades brasileiras apresenta um serviço de coleta que não prevê a segregação dos resíduos na fonte (IBGE. enchentes. Essas práticas habituais podem provocar. imundície. em 2006. ou descartáveis”. assoreamento. margens de estradas. os costumes e os hábitos de consumo de produtos industrializados e da água. além de afetar regiões não urbanas. às margens de ruas ou cursos d’água. No ambiente urbano tais costumes e hábitos implicam na produção exacerbada de lixo e a forma com que esses resíduos são tratados ou dispostos no ambiente. O consumo cotidiano de produtos industrializados é responsável pela contínua produção de lixo. 2006). muitas vezes em locais indevidos como lotes baldios. 23) definem lixo como “[.

A disponibilidade de água facilita ou contribui para o desenvolvimento urbano. Uberlândia.. o rio é usado como local de disposição final de lixo. que leva em conta os recursos hídricos para a edificação das cidades. Andar pela cidade e contemplar os fragmentos habituais – regiões do ambiente urbano que compõem esse ecossistema – permite observar paisagem que retrata hábitos edificados temporal e culturalmente. Também é possível observar que na maioria dos casos. deveriam ser preservadas com a manutenção da mata ciliar ou de galeria. Nas cidades do Brasil é perceptível um padrão de construção de edifícios junto a leitos de rios (Figura 1). não reflete sobre o contexto onde vive. Muitos são visíveis e se apresentam no mosaico de possibilidades da cena urbana. 2008 114 . No ambiente urbano é fundamental o abastecimento de água e o tratamento de esgotos e águas pluviais.Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano Carlos Alberto Mucelin. pela vivência cotidiana habitual. nem sempre tais circunstâncias são percebidas e o morador local. jun. Fotografia (b): cidade de Medianeira – PR (2006). pela percepção de seus moradores. Por isso. que estimulam e engendram a imagem ambiental determinando a formação das crenças e hábitos que conformam o uso”. No entanto. 20 (1): 111-124.. entre outros fatores. são fundadas próximas ou sobre o leito de rios por razões óbvias: facilidade na obtenção de água.] informação na mesma medida em que informação gera informação: usos e hábitos são signos do lugar informado que só se revela na medida em que é submetido a uma operação que expõe a lógica da sua linguagem. Mucelin e Bellini (2006) enfatizam que no contexto urbano as condições apresentadas pelo ambiente “[. A essa operação dá-se o nome de percepção ambiental”. 153) percepção ambiental é “[. O rio no perímetro urbano. Casos de agressões ambientais como poluição visual e disposição inadequada de lixo refletem hábitos cotidianos em que o observador é compelido a conceber tais situações como “normais”. as cidades.. Marta Bellini como se processa a percepção ambiental? Para Ferrara (1999. Autor: Carlos Alberto Mucelin Sociedade & Natureza. As atividades cotidianas condicionam o morador urbano a observar determinados fragmentos do ambiente e não perceber situações com graves impactos ambientais condenáveis. Fotografia (a) Fotografia (b) Figura 1.] são influenciadas. entretanto. Suas margens. p. edificações e hábitos visíveis e condenáveis. um hábito cultural existente e condenável.. geralmente. Fotografia (a): cidade de Palmas – PR (2006).

em relação aos recursos hídricos. matéria orgânica. Ocorrem alterações nas composições de sais. O manancial hídrico é importante na definição do ambiente para a construção da cidade. Fotografia (b): cidade de Londrina – PR (2007). é que Odum (1988) e Rickefs (1996) consideram a cidade uma das maiores fontes de agressão ambiental. A água é coletada de uma fonte local (rio. Nesse retorno só excepcionalmente ela conserva as mesmas características de quando foi captada. Fotografia (a) cidade de Medianeira – PR (2006). e lançamento de lixo. jun. o desenvolvimento urbano tende a contaminar o ambiente com despejo de esgotos cloacais e pluviais. projetos e obras de drenagem inadequadas. que leva em conta os recursos hídricos para a edificação das cidades. freqüentemente. temperatura e outros resíduos poluidores. é tratada. O uso da água na cidade. ainda existem aqueles causados pela deficiente infra-estrutura urbana: obstrução de escoamentos por construções irregulares. Constituem fontes poluidoras os esgotos domésticos. No contexto urbano. Inevitavelmente. Margens de ruas utilizadas para a disposição inadequada de lixo. Além destes impactos. ocorrem impactos com o aumento da produção de sedimentos pelas alterações ambientais das superfícies e produção de resíduos sólidos. que inadequadamente também é depositado nas margens e leito. deterioração da qualidade da água pelo uso nas atividades cotidianas.Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano Carlos Alberto Mucelin. lago ou lençol freático). tem um ciclo característico de impacto ambiental negativo. A poluição dos mananciais na área urbana ocorre de várias maneiras. margens de rios e monturos. com hábitos comumente observáveis no cenário urbano e. No ambiente urbano é fundamental o abastecimento de água e o tratamento de esgotos e águas pluviais. Marta Bellini À medida que a cidade se expande. Uberlândia. Fotografia (a) Fotografia (b) Figura 2. Pela relação habitual humana com o ambiente. o lixo. tais como os apresentados na Figura 1. A disponibilidade de água facilita ou contribui para o desenvolvimento urbano. Autor: Carlos Alberto Mucelin Sociedade & Natureza. 2008 115 . tipicamente. comerciais e industriais e a destinação inadequada de resíduos sólidos em fundos de vale. embora a poluição dos mananciais na área urbana ocorra de várias outras maneiras. obstrução de rios por resíduos. outro fragmento do ambiente utilizado para a disposição final inadequada de lixo são os lotes baldios e as margens de ruas e estradas. utilizada e retorna para um corpo coletor. esgoto e águas pluviais nos corpos receptores. Os rios são utilizados como corpos receptores de efluentes e ainda. 20 (1): 111-124.

. via imagens. Os primeiros são dirigidos pelos estímulos externos. O julgamento perceptivo do ambiente ocorre pela semiose dos signos locais experienciados. admitindo-se que a mente não funciona apenas a partir dos sentidos e nem recebe essas sensações passivamente. encontram na separação e comercialização desses resíduos. dialógico e interativo que desenvolvemos as crenças responsáveis pelos hábitos. Sem a auto-compreensão não podemos esperar por soluções duradouras para os problemas ambientais que. consiste assim. na qual os sentidos perceptivos regem a produção cognitiva de cada um. 20 (1): 111-124. mesmo que intensas.]. Sobre essa leitura de mundo. quer clarificando. a disposição inadequada do lixo.. jun. Tuan (1980) afirma que o mundo é percebido pelos humanos pelo uso de todos os seus sentidos. A abrangência e o caráter inefável dos estudos de percepção ambiental é tal que concordamos com 4 ACERCA DA PERCEPÇÃO AMBIENTAL Percepção é uma palavra de origem latina perceptione . A respeito da percepção. Tuan (1980. um meio de sua sobrevivência. tanto individual quanto coletiva.. 1) entende que o valor da percepção é fundamental quando se busca solução de determinadas agressões ambientais: “[. geralmente munidos de um carrinho. atitudes e valores – preparam-nos primeiramente. p. é produzida nas interrelações fenomenológicas habituais entre o morador e o ambiente. fundamentalmente. como por exemplo. Essa atividade.] a primeira faculdade da mente usada por nossas idéias. a percepção é uma espécie de leitura de mundo. estabelecidos a partir dos constituintes do ambiente e está intrinsecamente vinculado às crenças e hábitos vigentes. captados através dos cinco sentidos [.. É nesse processo dinâmico. Kanashiro (2003. 2008 116 . cognitivos.. Os segundos são aqueles que compreendem a contribuição da inteligência. orientando as ações e determinando as condutas. 3) define a percepção como: [. quer ao associá-la a outros objetos ou contexto..que pode ser entendida como tomada de consciência de forma nítida a respeito de qualquer objeto ou circunstância.. a compreender nós mesmos.. A circunstância em questão diz respeito a fenômenos vivenciados.] seriam tipos de estruturas ou de esquemas imaginativos que incorporariam certos tipos ‘ideais’ e um determinado conhecimento de como o mundo ‘real’ funciona” [grifos do autor]. p.] percepção. Objetos e fatos observados e percebidos forçam a construção por associações de idéias que estimulam a mediação. 79) considerou-a como “[. enquanto outras não são tão evidentes. Marta Bellini A vivência cotidiana nos estimula pragmaticamente à elaboração mental de idéias das coisas que percebemos. Nos monturos e mesmo nas ruas da cidade é comum a presença de grupos de catadores de resíduos sólidos recicláveis que. A leitura perceptiva do ambiente urbano. são problemas humanos”.] um processo mental de interação do indivíduo com o meio ambiente que se dá através de mecanismos perceptivos propriamente ditos e principalmente. Assim. por alguns denominada pensamento [. ocorre em condições subumanas.] apenas a reflexão pode nos dar idéias do que é a percepção” Del Rio (1999.. Locke (2001.Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano Carlos Alberto Mucelin. seus aspectos. p. pelos riscos que o lixo representa para a saúde e pelas condições de materiais e de equipamentos disponíveis nessa atividade.. que edificam o nosso modo de viver.. Uberlândia. na primeira e na mais simples idéia que temos da reflexão. com raras exceções. Muitas agressões ambientais no espaço urbano são perceptíveis. Para Ferreira (1999) a percepção é a elaboração mental e consciente a respeito de determinado objeto ou fato. Muitas vezes estes hábitos são condenáveis. 160) propõe que elas “[. modo de ação. em ambientes como os apresentados nas Figuras 1 e 2. p. distinguindo ou privilegiado alguns de Sociedade & Natureza..

Observamos que. Neste sentido. alguns atores listavam objetos que constituíam o lixo e. uma sobra de material descartável. 20 (1): 111-124. Todos disseram produzir. Obviamente não buscávamos uma definição formal. jun.. Pareceu-nos que registrar ou controlar a quantidade de lixo produzida era uma novidade. As informações perceptivas foram obtidas por meio de entrevistas semi-estruturadas e as informações sistematizadas pelo método de análise de conteúdo. tanto do centro como de bairros. geralmente. pode ser responsável por impactos ambientais graves ao ambiente. 2008 117 . universitários. por residências. reprovação e. O lixo era percebido pela maioria como algo que não tinha mais utilidade. o que produz uma espécie de máscara destas situações no contexto. trabalha fora e em casa. Uma dona de casa de bairro mencionou: “Lixo é um desrespeito à natureza!”.Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano Carlos Alberto Mucelin. comerciantes de bairros. situações e locais imperceptíveis. De um lado.] numa visão mais ampla. apenas um proprietário do comércio do centro e uma dentista afirmaram que a quantidade produzida em suas residências é pequena. Isso forma uma imagem perceptiva em dois vieses: de um lado o ambiente urbano legível e perceptível vivenciado. A vivência cotidiana molda padrões comportamentais habituais. Em nossa pesquisa questionamos o que a palavra lixo significava para os atores pesquisados. de outro. Brasil. assume o trabalho doméstico na cidade. Convém mencionar que as médias apresentadas são valores da produção diária de lixo. geralmente. aquilo que as pessoas desejavam jogar fora. 2). A exceção ocorreu na atividade de donos de casa. ou seja. donos de casa do centro e donos de casa de bairro. com dupla jornada. sentimento de repúdio. professores de ensino médio. Isso é um indicativo de que a mulher ainda. Apresentamos a seguir parte da percepção a respeito do lixo. Investigamos quatro homens e quatro mulheres que atuavam como: funcionários do comércio. Entre os 88 entrevistados. p. 5 A PERCEPÇÃO DO LIXO SEGUNDO ATORES SOCIAIS DE MEDIANEIRA O lixo. da cidade de Medianeira. evidenciando que eles não tinham certeza. 2) quando menciona o fato de que o cientista e o teórico tendem a descuidar da subjetividade e diversidade humana. comerciantes do centro. Uberlândia. que foi obtida por meio de estudo com 88 profissionais. que os atores afirmaram produzir. a maior parte procurava formular uma definição. Por isso: “[. As respostas eram dadas com hesitação. políticos. Indagamos aos atores sobre se produziam lixo. Nossa investigação perceptiva do ambiente urbano de Medianeira foi desenvolvida com profissionais de 11 atividades distintas e atuantes na cidade. dada sua complexidade. Oeste do Paraná. pois conseguimos entrevistar apenas dois homens.. Marta Bellini Tuan (1980. de outro. professores universitários. na maioria das vezes. muitas vezes. Questionamos acerca da quantidade diária de lixo produzida em suas residências. sujidade e ao mau cheiro. quando não tratado adequadamente. ao pronunciar a palavra lixo. o morador urbano tem. dentistas. Não obstante. p. situações diárias vivenciadas de forma repetitiva. mas sim como os atores participantes percebiam ou entendiam o lixo. ocultos ao julgamento perceptivo. geralmente.. o lixo era percebido como um signo ruim. O estranhamento e dúvidas que esta questão gerou nos Sociedade & Natureza. o lixo também foi percebido e considerado como um conjunto de materiais com valor econômico agregado. sabemos que as atitudes e crenças não podem ser excluídas nem mesmo da abordagem prática. vinculava-o a coisas ruins. pela expressão do rosto. imundície. médicos. Registramos dois núcleos sígnicos perceptivos. moradores urbanos investigados em 2006. pois é prático reconhecer as paixões humanas em qualquer cálculo ambiental” (Ibid. Portanto. vinculado à sujeira. a maior parte dos atores deixava transparecer.

Entre os 82 atores que indicaram a quantidade produzida. Apenas seis entrevistados (7%) não sabiam ou não opinaram a respeito dessa quantidade. temos uma média de produção diária per capita de lixo percebido de 1. Acreditamos que não existia a preocupação com a quantidade produzida. Registramos que o tipo de lixo produzido nas residências era percebido segundo dois grupos mais significativos: o lixo seco.2kg de lixo por habitante/dia. a média geral da produção foi de 4. obviamente. portanto. geralmente formado por embalagens de papel. Nos diálogos ficou evidente que os atores não sabiam exatamente quantos quilos de lixo as famílias produziam. A média dos membros das famílias investigadas foi de 3. A maior parte do atores. Suas respostas eram aproximadas e baseadas no manuseio feito em suas residências pelo volume que formavam.09 3.36 pessoas.44 4.19 7. Agrupamos as respostas dos atores segundo os tipos de lixo: seco e orgânico. mencionou o lixo seco como o que mais produziam em suas residências. metais.28kg. Os demais (37 atores) disseram que era o lixo orgânico. 2008 MÉDIA PERCEBIDA DA PRODUÇÃO DE LIXO POR RESIDÊNCIAS (kg/dia) 3. 118 .94 7. O tipo de lixo produzido em maior quantidade nas residências dos entrevistados também suscitou incertezas nas respostas. como o número de membros em cada família e os valores da produção de lixo ser percebidos e não mensurados. 51 (58%). de forma direta. porque o lixo era coletado e afastado das residências Sociedade & Natureza. Uberlândia. a média em quilos de lixo produzido nas residências dos entrevistados.57 2. Marta Bellini atores sociais de Medianeira indicam que não há hábitos de mensuração. ator que morava sozinho.25kg.0.42 4. Portanto. lixo de banheiros e fraldas descartáveis. oscila em torno de 1. e o lixo orgânico.32 kg por família.Percepção da quantidade de lixo diário produzido nas residências dos atores ENTREVISTADOS Proprietário do comércio do centro Proprietário do comércio de bairro Professor universitário Professor ensino médio Aluno universitário Trabalhador do comércio Políticos Médicos Dentistas Dono de casa do centro Dono de casa de bairro MEDIA GERAL Apesar da ampla variabilidade de situações. Quadro 1. jun.19 4.75 3. plástico ou vidro. No Quadro 1. A maior foi indicada como 20 kg diários por residência. não afetava os membros das famílias.geralmente. Ficou evidente que os atores não tinham convicção ou mecanismo de controle para informar com maior precisão. 20 (1): 111-124.19 3. Essa média se aproxima da média nacional brasileira atual que.07 4. a menor foi mencionada por um professor universitário .71 3.32 e.Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano Carlos Alberto Mucelin. Foi indicado ainda o lixo considerado rejeito . segundo o (IBGE 2005).

com o reaproveitamento dos resíduos. a maior parte dos atores entrevistados. Sociedade & Natureza.5%) atores acreditavam que o aterro sanitário era o melhor lugar para a disposição final e 20 (23%) que o lixo deveria passar por um sistema de tratamento adequado. Estes dados indicaram que. 4 buraco 55 aterro 20 reciclar 2 longe da cidade 6 lixão 0 10 20 30 40 50 60 Figura 3. Uberlândia. tem uma percepção de que o lixo produzido pela cidade deveria ser adequadamente tratado e disposto. 2008 119 . apenas uma dona de casa disse não saber: “Olha Carlos. buraco.Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano Carlos Alberto Mucelin. não é? Eu não posso falar nada disso aí!”. 87 (99%). LIXO SECO 5 7 4 4 6 4 4 4 4 4 5 51 ORGÂNICO 3 1 4 4 2 4 4 4 4 4 3 37 Os demais. Identificamos em suas percepções cinco grupos sígnicos perceptivos para tal disposição: aterro. A crença no tipo de lixo mais produzido nas residências do atores ENTREVISTADOS Proprietário do comércio do centro Proprietário do comércio de bairro Professor universitário Professor ensino médio Aluno universitário Trabalhador do comércio Políticos Médicos Dentistas Dono de casa do centro Dono de casa de bairro TOTAL Quanto ao melhor lugar para a população de uma cidade fazer a disposição final. longe da cidade e reciclar. A crença dos atores sobre o melhor lugar para a disposição final do lixo Registramos que 55 (62. eu disso aí não posso falar que eu não conheço onde que eles botam o lixo daí. lixão. 20 (1): 111-124. Marta Bellini Quadro 2. jun. tinham crenças sobre o melhor lugar para a disposição final do lixo.

20 (1): 111-124. 52 (59%). A percepção da disposição final do lixo segundo as profissões ENTREVISTADOS Proprietário do comércio do centro Proprietário do comércio de bairro Professor universitário Professor ensino médio Aluno universitário Trabalhador do comércio Políticos Médicos Dentistas Dono de casa do centro Dono casa de bairro TOTAL LIXÃO 2 0 2 0 0 0 1 0 0 1 0 6 LONGE CIDADE 1 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 2 RECICLAR 1 4 1 1 1 1 2 2 3 3 1 20 ATERRO 3 3 4 7 7 6 5 6 5 4 5 55 BURACO 1 1 0 0 0 1 0 0 0 0 1 4 Questionamos os atores sobre quais os recipientes. Esse hábito é comum. Geralmente o lixo era recolhido pelo caminhão coletor da Prefeitura.Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano Carlos Alberto Mucelin. Todos disseram ter o hábito de usar sacolas plásticas para armazenar o lixo. Uberlândia. O diálogo de um ator entrevistado ilustra a idéia do tratamento dado aos resíduos domésticos: 120 . Hábito dos atores em separar o lixo doméstico urbano Registramos que mesmo nas residências onde o lixo era separado não havia uma destinação adequada. jun. 52 tinham o hábito de separar o lixo: 59% Figura 4. Quadro 3. Observamos várias formas de separação: a mais comum é a segregação em lixo seco e em resíduos orgânicos. principalmente aquelas fornecidas pelos supermercados e mercearias. o lixo Sociedade & Natureza. habitual e cotidianamente. 2008 era todo misturado e encaminhado ao lixão da cidade. são utilizados em suas residências para acondicionar o lixo doméstico produzido. Marta Bellini O entendimento perceptivo dos atores quanto ao melhor lugar para fazer a disposição final do lixo que uma cidade produz foi variado entre os grupos de profissionais entrevistados. 36 não tinham o hábito de separar o lixo: 41% tanto pelos atores que praticam a coleta domiciliar seletiva. disse que em suas residências habitualmente separavam o lixo. A maior parte do atores. quanto pelos que misturam os resíduos. No caminhão.

entre outras coisas. Trata-se do mesmo argumento usado por um trabalhador do comércio: “A gente já tentou separar. pois mesmo aqueles atores que já haviam iniciado a segregação do lixo observaram que quando o lixo era coletado.. Ela tem maior estabilidade do que a percepção e é formada de uma longa sucessão 121 . jun. Nós separamos o que é orgânico. são influenciados. (Professor universitário). no que diz respeito ao tratamento do lixo gerado em suas residências. isso vai para o caminhão. 2008 Os hábitos dos atores.. uma posição que se toma frente ao mundo. 4) lembra que. então a gente acabou não separando mais”. uma Sociedade & Natureza.. Segundo eles. No outro. Sem exceção. pela percepção que têm do serviço de coleta da cidade. Vai tudo para o mesmo lugar. o que é orgânico e jogamos na horta. papel e embalagens. Os atores disseram que a prática da coleta domiciliar não seletiva se devia à forma com que o lixo era coletado nas residências. “[. associado à doença e aos vetores transmissores de doenças. Tuan (1980. 20 (1): 111-124. a coleta realizada pelo serviço público municipal de Medianeira desestimulava-os. O que é sólido.] é primariamente uma postura cultural. digamos assim. Quadro 4. o lixo foi percebido como algo ruim. tudo era misturado. Daí não adianta a gente fazer isso”. acho que em si também. isto é. Marta Bellini Nós colocamos em lixeiros com tampas. mas daí. joga tudo no mesmo lixo.] a leptospirose do rato. mas a gente percebia que o caminhão joga tudo no mesmo recipiente. Registramos os hábitos de segregação domiciliar dos resíduos sólidos em dois núcleos sígnicos perceptivos: os atores que separavam o lixo seco do lixo orgânico e aqueles que não tinham o hábito de separação. embalagens.Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano Carlos Alberto Mucelin. nocivo. mal cheiroso.] Porque na realidade nós tentamos separar no início... vê-se a percepção dos atores sobre a relação entre lixo e doenças: “Nossa. p. Indagamos aos atores se acreditavam que o lixo poderia causar algum tipo de doença. acho que várias [. Uberlândia. o lixeiro vem. Acerca das atitudes. Na fala de um professor universitário encontramos a justificativa: “Não é separado [. em um lixeiro e o que é plástico. Suas percepções desse serviço público local estimulam as atitudes despreocupadas com a segregação. de experiências”.. Os hábitos de segregação domiciliar do lixo urbano dos atores ENTREVISTADOS Proprietário do comércio do centro Proprietário do comércio de bairro Professor universitário Professor ensino médio Aluno universitário Trabalhador do comércio Político Médico Dentista Dono de casa do centro Dono casa de bairro TOTAL HÁBITOS COM O LIXO SEPARAVAM NÃO SEPARAVAM 4 4 4 4 3 5 5 3 8 0 7 1 6 2 4 4 3 5 2 6 6 2 52 36 de percepções. a forma como agimos frente aos fatos vivenciados. especialmente ratos e insetos. Nos argumentos de um trabalhador do comércio.

Tuan defende a tese de que o mais se observa é a associação do branco às coisas positivas e o preto às negativas. e as cores branco. que todos os povos distinguem entre o preto e o branco associando estas cores à escuridão e claridade.Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano Carlos Alberto Mucelin. p. Bom. as cores escuras foram utilizadas para representar o lado ruim do lixo e sua problemática. a marrom e a vermelha. que desempenham um papel importante nas emoções humanas. As cores associadas ao lixo como coisas ruins ou perigosas Registramos com base na percepção dos atores que as três cores mais lembradas associadas ao lixo foram a preta. marrom. Sociedade & Natureza. 26): “As cores. eu acho que transmite todos os tipos de doenças”. da água. Porém. Tanto a cor preta como a cor branca. 13 VERMELHO: 18% 36 PRETO: 51% 15 MARROM: 21% Figura 6. o lixo reciclável. Sistematizamos dois núcleos sígnicos perceptivos principais enunciados pelos entrevistados: de um lado as cores preta. podem constituir os primeiros símbolos do homem”. As cores associadas ao lado ruim do lixo foram maioria. Perguntamos aos entrevistados que cor escolheriam. respectivamente. ou seja. Apesar disso. possui significados positivos e negativos. a disposição inadequada e o mau cheiro. Em nossa investigação. Nossos resultados se alinham ao que Tuan (1980) propõe. 122 . azul. Escolhidas as cores Coisas boas: 17 investigávamos o que representavam. 2008 compondo dois núcleos sígnicos perceptivos negativos. 20 (1): 111-124. Núcleos sígnicos perceptivos sobre o lixo Segundo Tuan (1980. a poluição visual. se pudessem determinar uma que representasse o lixo. Uberlândia. do solo e do ar. dependendo da cultura. registramos uma grande variedade de cores escolhidas pelos atores locais para simbolizar o lixo. Marta Bellini infecção intestinal. amarelo. cinza e vermelha associadas a algo ruim ou perigoso. jun. verde e rosa associadas a coisas boas. Constatamos que o lixo é percebido e associado como algo negativo pela maioria dos atores investigados. enquanto as cores claras apontam para o lado bom. uma dor de barriga. Entre os aspectos indicados pelos que associaram o lixo às coisas ruins registramos: a 7 CINZA: 10% sujeira. Coisas ruins: 71 Figura 5.

A percepção e tratamento do lixo e o uso da água em Medianeira são intrinsecamente relacionado às crenças e aos hábitos locais instituídos.tanto os perceptíveis quanto os imperceptíveis . No ambiente urbano. Constatamos que há disposição inadequada de lixo em margens e leito dos rios e ruas. jun. Registramos a ocorrência de diferentes percepções entre os atores sociais investigados. E a experiência. sobretudo do cenário urbano. ocupação desordenada e crescimento de favelas nas periferias. Sociedade & Natureza. Estas percepções conformam a imagem ambiental coletiva dos atores. como é o caso do lixão da cidade. pela fixação de hábitos culturais mais saudáveis. O acesso a um nível educacional maior não assegura hábitos mais saudáveis para o ambiente urbano. determinados impactos ambientais como a poluição do solo. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS O crescimento populacional. formando percepções coletivas que se assemelham. A inadequada utilização dos ambientes urbanos nas cidades do Brasil acena para um comportamento comumente observável e implicam em danos ambientais graves e inconseqüentes. vinculada intrinsecamente às crenças e aos hábitos instituídos na cultura do lugar. Fundos de Vale e lotes baldios. margens de rios. Marta Bellini Os resultados da nossa investigação perceptiva coincidem com que registrou Lynch (1999. tratadas e valorizadas pelos atores sociais locais. Estes determinam o uso no ambiente que. Esta forma de compreensão pressupõe melhorar as condições ambientais. mananciais e até regiões de mangue precisam ser repensados e novos hábitos estimulados. Também registramos a crença local de que o lixo afastado do ambiente urbano não prejudica o morador local. de julgamento perceptivo. margens de ruas e estradas. por sua vez. p. pelas atividades cotidianas e pelo ambiente onde vivem os atores. é o próprio curso da vida. ou seja. Fundos de Vale e lotes baldios. Caracterizam as práticas locais e as formas de uso intensos do ambiente urbano de Medianeira e são determinadas pelos valores culturais. construindo-o e reconstruindoo na experiência cotidiana. reflete os impactos intensos e gravíssimos para a saúde humana e o ambiente urbano da cidade. como disse Peirce. principalmente. 2008 123 . Encerramos este diálogo afirmando que a percepção permeia o conhecimento e que jamais. 48) em seu estudo de percepção ambiental urbana. enquanto que o conhecimento é um processo epistemológico. Registramos que a percepção ambiental individual se alinha às percepções dos grupos. crenças e hábitos instituídos. O ser humano precisa estimular a percepção e se compreender como um constituinte da natureza e não como um ser a parte. Observamos que os atores sociais expressavam perceptivamente o ambiente a partir da vivência. moldando-o. Uberlândia.Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano Carlos Alberto Mucelin.varia segundo a profissão dos atores sociais e é influenciada. a conseqüente expansão territorial urbana e a ampliação do sistema de produção e consumo industrial têm contribuído para agravar as condições ambientais. Situações de poluição pela disposição inadequada de lixo provocam impactos ambientais negativos em diferentes ecossistemas da cidade como as margens e leito dos rios. A percepção do ecossistema urbano no que diz respeito aos constituintes ambientais e os impactos negativos . A ocupação humana de ambientes urbanos mais saudáveis requer do cidadão a condição de ser agente principal no processo de interação com o meio. pessoas se ajustam à região onde habitam e produzem organização e identidade das coisas de seu contexto. As questões do lixo em Medianeira são distintamente percebidas. A percepção alimenta o processo de mediação. percepção e conhecimento podem ser considerados sinônimos. modificando formas de uso e manutenção do lugar onde habita. da água e do ar. 20 (1): 111-124. edificação de moradias em locais inapropriados ou áreas de preservação tais como encostas.

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