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Análise de Circuitos

Revisão de Física-Matemática

1. REPRESENTAÇÃO DAS UNIDADES

1.1 A Importância das Medidas

Observando-se os desenhos da figura 1.1, é possível responder às perguntas a seguir?

Figura 1.1 – Iguais ou Não ?

• Qual circunferência (C1 ou C2) tem maior diâmetro?


• O segmento RS é maior que o segmento ST ?

Através dos sentidos, podem-se perceber diferenças entre temperaturas, volumes,


comprimentos, sons, tempo etc. Mas, serão os sentidos confiáveis? Até certo ponto sim,
mas eles podem ser enganados.
Utilize uma régua e verifique que os diâmetros de C1 e C2 são iguais e que o
segmento RS tem o mesmo comprimento do segmento ST. Pareciam diferentes não é
mesmo?!
Isto mostra que, apesar dos sentidos serem confiáveis, foram necessários dois
instrumentos para uma conclusão correta: a matemática (os números) e a régua (medidor).

Marcos Almeida
Análise de Circuitos

Algarismos Significativos
Medir uma grandeza....O que significa isto ?
Será que é só pegar uma régua e sair por aí: o comprimento do lápis é 15 cm, a
largura do caderno é 25 cm. a altura da carteira é 90 cm, o comprimento da borracha é 3 cm
e ela é quadrada (será?)...
Não, não é assim! É preciso utilizar um instrumento, e mais, um instrumento
adequado pois é ele que determina a precisão das medidas. Logo, devem-se fazer as
medidas com muito cuidado.
A figura 1.2 mostra uma régua medindo o comprimento de um lápis.

Figura 1.2 - Medida do Comprimento de um Lápis

Segundo a figura, o lápis mede 11,6 ou 11,7 ou 1 1,8 cm. Para se obter melhor
precisão pode-se ampliar o local de interesse, como mostra a figura 1.3.

Figura 1.3 - Ampliação do Local de Interesse

Agora melhorou! Pode-se dizer que o comprimento do lápis é 11,66 ou 11,67 ou


11,68 cm.
Mas apesar da precisão ter sido aumentada, a segunda casa decimal continua sendo
duvidosa.
Isto tem explicação. As subdivisões da régua são de décimos de centímetros, ou seja,
milímetros (1 cm = 10 mm). Portanto, a medida de melhor precisão para esta régua é a de
11,6 cm. A próxima casa decimal é duvidosa e pode apenas ser estimada.

Marcos Almeida
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Assim, em toda medida feita por seres humanos, existe um erro (ora, ninguém é
perfeito). Mas, o erro de leitura não é o único. Pode haver erro no próprio instrumento
devido à qualidade ou inadequação do mesmo.
Usando-se outra régua com mais um nível de subdivisão, ou seja, cada milímetro
dividido em décimos de milímetros, como mostra a figura 1.4, podem se obter medidas
com maior precisão.

Figura 1.4- Régua com mais um Nível de Subdivisão (Ampliada)

A medida do comprimento do lápis, neste caso, é 11,675 ou 11,676 ou 11,677 cm.


Verifica-se que a precisão aumentou uma casa decimal, ficando o algarismo duvidoso na 3ª.
casa.

Precisão
Precisão é a menor medida que o instrumento pode realizar com certeza.

Nota-se também que, conforme aumenta a precisão do instrumento, aumenta o


número de casas decimais das medidas que ele pode realizar, ou seja, aumentam os
algarismos que são significativos na medida.

Algarismos Significativos
Definem-se algarismos significativos de uma medida como sendo todos aqueles que
se tem certeza mais o primeiro duvidoso. contados a partir do primeiro algarismo não nulo
da esquerda para a direita.

Neste momento, você pode estar se perguntando: “Por que considera se um algarismo
duvidoso também como significativo?” A resposta é simples: “Porque, embora duvidoso,

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ele pode ser estimado por quem faz a leitura. tornando o resultado mais próximo do real,
afinal, o homem é mais inteligente que o instrumento pois possui a razão e o bom senso!”.

Exemplos:
a) A figura 1.5 mostra duas réguas: A (precisão de 1 cm) e B (precisão de 1 mm),
medindo o comprimento de uma mesma borracha.

Figura 1.5 - Medida do Comprimento da Borracha com Duas Réguas

Com a régua A verifica-se que a medida está entre 3 e 4 cm. Logo, é necessário
estimar o valor fracionário entre o 3 e o 4, chegando-se ao resultado aproximado de 3,4 cm.

O algarismo 4 é duvidoso, pois foi obtido por avaliação, porém, o bom senso diz que
3,4 cm está mais correto que 3 cm. Esta medida tem, portanto, dois algarismos
significativos.
Com a régua B é possível obter-se uma medida com mais algarismos significativos.
Pela figura, vê-se que o comprimento da borracha está entre 3,4 e 3,5 cm. Pode-se estimar,
então, o próximo algarismo, chegando-se ao valor aproximado de 3,48 cm. Portanto, o
resultado obtido é mais preciso, pois possui três algarismos significativos.
b) A quantidade 0,2568 tem 4 algarismos significativos.
c) A quantidade 0,0023004 tem 5 algarismos significativos.
d) A quantidade 23,040567 tem 8 algarismos significativos.

1.2 A Importância das Unidades

Usou-se muito a palavra medir, mas, afinal, o que significa uma medida?

Marcos Almeida
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Medida
A medida de uma grandeza é a comparação dela com uma unidade padrão
preestabelecida.
No Instituto Internacional de Pesos e Medidas (IIPM), em Sèvres (França), existem
padrões de muitas unidades de medidas aceitas em quaisquer países.

Exemplos:
a) Para a medida de distância a unidade padrão é o metro e, por isso, no IIPM existe
uma barra metálica que tem o comprimento de 1 metro.
O metro padrão foi definido como 1.650.763,63 comprimentos de onda no vácuo da
radiação correspondente à transição entre os níveis 2p10 e 5d5 do átomo de Cripitônio-86.
b) Para a medida de massa a unidade padrão é o quilograma.
O quilograma padrão foi definido como sendo a massa de um bloco de platina
conservado no Instituto Internacional de Pesos e Medidas.
c) Para a medida de tempo a unidade padrão é o segundo.

O segundo padrão foi definido como sendo a duração de 9. 192.631.770 períodos de


radiação correspondente à transição entre duas camadas hiperfinas do átomo de Césio-133
em estado de pó.

Portanto, as unidades de medidas são tão importantes quanto os instrumentos de


medidas.
Uma unidade de medida pode ser também expressa por seus múltiplos e submúltiplos
para facilitar ou melhorar a apresentação de uma determinada grandeza.
Imagine, por exemplo, se a distância entre duas cidades e o diâmetro do grafite de
sua lapiseira fossem dados em metros. Seria um absurdo, não é? Para isso, usamos
respectivamente o quilômetro e o milímetro que nos dão uma idéia melhor destas
grandezas.

Marcos Almeida
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Na verdade, tanto o quilo quanto o mili que aparecem ligados à palavra metro, não
são unidades, mas representam também uma quantidade e podem ser usado em conjunto
com quaisquer unidades.
Estas quantidades são chamadas respectivamente de múltiplo e sbmúltiplo da unidade
padrão (no caso, o metro).
Os múltiplos e submúltiplos mais utilizados em ciências são os seguintes:

Múltiplos Submúltiplos
quilo (k) 1.000 mili (m) 0.001
Mega (M) 1.000.000 micro ( µ ) 0,000001
Giga (G) 1.000.000.000 nano (n) 0,0000000001
Tera (T) 1.000.000.000.000 pico (p) 0,000000000001

Desta forma, 435.000 metros (435.000 m) significam a mesma coisa que 435
quilômetros (435 km), e 0,000056 segundos (0,000056 s) significam a mesma coisa que 56
microssegundos (56 µ s).
Agora você pode escolher entre falar que a distância de Porto Alegre a Manaus é de
4.563.000 m ou 4.563 km, e que o diâmetro de sua lapiseira é de 0,0005 m ou 0,5 mm.
Durante o desenvolvimento das ciências, desde seus primeiros passos, foram dados
muitos nomes às unidades, mas sem nenhum critério. Isto causou (e ainda causa) uma
enorme confusão.

Exemplos:
Imagine um filme americano no qual um carro, com o ponteiro do velocímetro sobre
o número 60, bate em outro, capota e explode.
Se você acha que isto é exagero, lembramos que nos EUA a velocidade dos carros é
medida em milhas por hora (Mph) e que 60Mph corresponde aproximadamente a 100km/h.

Com o objetivo de facilitar o intercâmbio científico, em 1960, na 11ª Conferência


Geral de Pesos e Medidas, em Paris, foi adotado o Sistema Internacional de Unidades
(SI), que tem a finalidade de padronizar as unidades utilizadas.

Marcos Almeida
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Como foi dito, isto só foi feito na 11ª conferência. Até a 10ª foi a maior, “saia justa",
ou seja, uma confusão.
O SI é um sistema de unidades coerentes, no qual as relações entre as grandezas não
envolvem fatores numéricos de conversão.
O SI foi construído a partir de sete unidades básicas, das quais derivam várias outras.
Cada grandeza física recebeu um símbolo padrão e cada unidade recebeu uma forma
abreviada de representação que devem ser utilizadas em equações matemáticas e descrição
de trabalhos científicos, como mostra a tabela abaixo:

Unidades Básicas - Sistema Internacional


Grandeza Símbolo Unidade Forma
Padrão Abreviada
Comprimento l metro m
Tempo t segundo s
Massa m quilograma kg
Corrente Elétrica i Ampère A
Temperatura T Kelvin K
Intensidade Luminosa I Candela cd
Quantidade de Substância Q mole mol

Observação:
• Cuidado!... Não confunda os símbolos padrão das grandezas com as formas
abreviadas para as unidades. São coisas totalmente diferentes.
Apesar do SI, ainda hoje existe muita confusão. No Brasil, adotou-se o SI com padrão
e aos poucos isto está sendo feito pelo mundo afora.
As unidades são utilizadas para se fazer comparações. Saber quem é maior que quem.

Discutir um problema utilizando unidades diferentes, pode ser comparado a uma


conversa entre um brasileiro e uma russa sem que um conheça a língua do outro, ou seja,
uma bagunça!
Portanto, um fenômeno ou um problema científico qualquer deve ser analisado e
resolvido num mesmo sistema de unidades.
Em eletricidade, o sistema mais usual é o SI, cujas unidades serão apresentadas
devidamente nos próximos itens.

Marcos Almeida
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1.3 Potência de Dez

Os técnicos, engenheiros, físicos, químicos etc., trabalham, no seu dia-a-dia, com


quantidades muito grandes e/ou muito pequenas.

Exemplos:
• Velocidade da luz no vácuo ≅ 300.000.000 m/s
• Diâmetro da Terra ≅ 13.000.000 m (em média) v
• Distância Terra - Lua ≅ 380.000.000 m
• Corrente elétrica em um raio ≅ entre 1.000 e 120.000 Ampères
• Massa do elétron = 0,000000000000000000000000000000911 kg

Já imaginou escrever estas quantidades várias vezes por dia? Trabalhoso, não acha? .
Já foi visto que uma forma de simplificar esta representação é a utilização de
múltiplos ou submúltiplos da unidade de medida.
Porém, existe uma outra forma de simplificar a representação destas quantidades que
é muito útil, principalmente no momento de realizar cálculos, pois, lembrando mais uma
vez, eles devem ser realizados de acordo com o Sistema adotado (no nosso caso, o SI).
Para isto, utiliza-se a potência de dez.
Sabe-se, por exemplo, que:
2 1 -1
• 100 = 10 x 10 = 10 • 0,1 = 1 : 10 = 1 : 10 = 10
3 2 -2
• 1.000 = 10 x 10 x 10 = 10 • 0,01 = 1 : 100 = 1 : 10 = l0

Sabe-se, também, que zeros à esquerda de um número não alteram o seu valor e zeros
à direita da vírgula ou dos algarismos da parte fracionária também não alteram o seu valor.

Exemplos:
a) 56 = 056 = 0056 = 00056 = ...
b) 37 = 37,0 = 37,00 = 37,000 = ...
c) 95,2 = 95,20 = 95,200 = ...
d) 5,238 = 05,238 = 05,2380 = 005,2380000 = ...

Marcos Almeida
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Além disto, sabe-se que multiplicar uma quantidade por 10 é a mesma coisa que
deslocar sua vírgula uma casa para a direita.
Da mesma forma, dividir uma quantidade por 10 é a mesma coisa que deslocar sua
vírgula uma casa para a esquerda.

Exemplos:
a) 5,73 x 10 = 57,3 c) 248,65 : 10 = 24,865
b) 32,815 x 100 = 3281,5 d) 9816,42 : 100 = 98,1642

A partir destes conceitos, é possível usar o deslocamento da vírgula para diminuir o


número de algarismos necessários para representar uma quantidade.

Exemplos:
a) Para representar a quantidade 5.000.000 (cinco milhões) usando se a potência de
dez, procede-se da seguinte forma:
5 0 0 0 0 0 0
Desloca-se a vírgula 6 casas para a esquerda:
5, 0 0 0 0 0 0
Deslocar 6 casas para a esquerda é a mesma coisa que dividir 6 vezes a quantidade
por 10 e, portanto, o resultado, para manter o valor inicial, deve ser multiplicado 6 vezes
por 10 ou por 106.
5.000.000 = 5 x 10 x 10 x 10 x 10 x 10 x 10 = 5 x 106
Assim, conseguiu-se simplificar a representação da quantidade 5.000.000 para 5 x
106.
Isto não foi suficiente? Vejamos então um outro exemplo mais convincente. ↓

b)Lembra-se da massa de elétron?


0,0000000000000000000000000000000911 kg (Ufa!)
Neste caso, desloca-se a vírgula para a direita e obtém-se:
0,911 x 1030 kg ou 911 x 1033 kg
Convencido agora!

Marcos Almeida
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Pode-se representar quaisquer quantidade utilizando-se a potência de

Exemplos:
• Velocidade da luz no vácuo ≅ = 3 x l08 m/s
• Diâmetro da Terra ≅ 13 x 106 m
• Distância Terra - Lua a ≅ 38 x 107 m
• A corrente elétrica em um raio ≅ entre 103 e 120 x 103 Ampères
• Massa do elétron ≅ 911 x 10-33 kg

Esta representação facilita também as operações com quantidades grandes e/ou muito
pequenas e é aí que ela mostra sua importância. Para estas operações, basta aplicar as regras
de potenciação para a base 10:
1) Multiplicação de quantidades de mesma base: mantém-se a base e somam se os
expoentes.
2) Divisão de quantidades de mesma base: mantém-se a base e subtraem-se os
expoentes.

Exemplos:
a) 102 x 106 = 102+6 = 108
b) 10-1 x 104 = 10-1+4 = 103
c) 101 : 101=101-1 =100 =1
d) 102 : 105 = 102-5 = 10-3

Desta forma, as operações podem ser realizadas rapidamente e ocupando os espaço.


Exemplo:
A operação 0.000032 x 200.000 pode ser realizada assim:
0,000032 = 32 x 10-6
200.000 = 2 x 105
Portanto:
32 x 10-6 x 2 x 105 =32 x 2 x 10-6 x l05 = 64 x 104 = 6,4

Marcos Almeida
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Notação Científica
Existe uma forma padrão utilizada para representar quantidades em trabalhos
científicos, que deve, na medida do possível, ser utilizada. É a chamada notação científica.
Este tipo de representação utiliza alguns dos conceitos que foram estudados neste item. A
notação científica tem a seguinte forma:
N x 10n
Onde:
• 1<N <10
• N é um número real;
• n é um número inteire

Exemplos:
a) 345,901 = 3,45901 x l02
b) 0,03481 = 3,481 x 10-2
c) -0,000004 = -4 x l0-6
d) 38,74 x 10-4 = 3,874 x l0-5

1.4 Arredondamento e Erro

Supondo que você deseja calcular a área de uma circunferência. Certamente você
usará a equação A = π . r2, não é mesmo?

Exemplo:
A circunferência tem raio de 2 cm.
Portanto:
A = 3, 14 x 22 = = 12,56 cm2
O resultado está correto? Pode-se dizer que sim e não!
Se a precisão desejada é esta (duas casas decimais), ele está correto, mas se fosse
outra (por exemplo, quatro casas decimais), ele estaria incorreto.
Na realidade, o π corresponde a um número composto por infinitos algarismos ( π =
3, 1415926.....). Portanto, inconscientemente, o seu valor foi arredondado para 3, 14, que é

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como o conhecemos, ou seja, todos os outros algarismos após o 4 (segunda casa decimal)
foram desprezados.
Se a precisão desejada fosse de cinco casas decimais, o valor de π para o cálculo da
área deveria ser 3, 14159 e portanto, a área seria 12,56636 cm2, resultando num erro de
12,56636 - 12,56 = 0,00636 cm2 da resolução anterior em relação a esta.

Vê-se, portanto, que arredondamento e erro são duas coisas constantes nos cálculos
científicos, o mesmo acontecendo nas medidas realizadas por instrumentos, já que estas
dependem da sua qualidade e precisão.
Se o erro é inevitável, relaxe e ... enfrente-o!

Teoria do Arredondamento
Como você representaria o número 37,9387, com apenas dois algarismos
significativos?
Para representar esta quantidade de forma simplificada, é necessário desprezar alguns
algarismos menos significativos. Pode-se, portanto, escrever esta quantidade como:
37,938 ou 37,93 ou 37,9 ou 37

Se a pretensão era obter uma quantidade com apenas dois algarismos. O objetivo foi
atingido (37), mas se a idéia era que esta quantidade fosse a mais próxima possível da
quantidade original (37.9387). o procedimento adotado foi INCORRETO, já que a
quantidade mais próxima. com apenas dois algarismos. seria 38.
O procedimento correto é chamado de arredondamento e tem corno objetivo limitar
o número de algarismos de urna certa quantidade obtida numa operação matemática ou
numa medida.
Esta limitação tem um sentido prático em função da atividade, problema ou fenômeno
que está sendo analisado.

Exemplo:
Você está fazendo o orçamento de um computador numa loja. O vendedor por
simpatizar com você, disse-lhe que daria um desconto de 25%. Ao realizar a operação na

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calculadora, o resultado mostrado no visor foi $1253,36. Após olhar o resultado, ele
escreve na folha de orçamento $1253,00.
Neste momento, não importa se você gostou ou não do preço e se comprou ou não o
seu computador, mas o fato de ele ter desprezado os centavos do resultado obtido na
calculadora porque, para ele, isto não era significativo.
Em seguida, você vai à marcenaria e pede ao marceneiro para cortar uma chapa de
madeira compensada de comprimento 2,15 m para substituir a que quebrou em sua
prateleira.
Após o corte, o marceneiro mediu peça e disse-lhe: "Acho que errei corte. Esta chapa
está medindo 2 m, mas não tem problema. eu faço um descontinho."
Agora sim é importante saber se você aceitou ou não o descontinho; pois pelo menos
para nós, o pedacinho de 15 cm que faltou era bastante significativo.

Como se vê, em alguns casos toda a parte fracionária de um número pode ser
desprezada como no preço do computador mas, em outros, ela é muito importante e não
pode ser simplesmente desprezada, como no caso da chapa de madeira. Deste modo, antes
de se fazer um arredondamento, é necessário determinar quantos são os algarismos
desejados.
O procedimento para o arredondamento de um número prevê algumas regras para que
ele seja feito de forma coerente. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
estabelece um procedimento geral para se fazer um arredondamento:

Regras para Arredondamento


1) Determinar o número de algarismos desejados para a quantidade;
2) Arredondar o último algarismo desejado segundo os seguintes critérios:
 Quando o algarismo imediatamente seguinte ao último algarismo desejado é
inferior a 5, o último algarismo desejado não deve ser modificado;
 Quando o algarismo imediatamente seguinte ao último algarismo desejado é
superior a 5, o último algarismo desejado deve ser acrescido de uma unidade;
 Quando o algarismo imediatamente seguinte ao último desejado é 5, procede-se
da seguinte forma:

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• Se o 5 é seguido de zeros e o último algarismo desejado ímpar o, último


algarismo desejado deve ser conservado;
• Se o 5 é seguido de zeros e o último algarismo desejado é par, o último
desejado deve ser acrescido de uma unidade;
• Se o 5 é seguido de pelo menos um algarismo diferente de zero, o último
desejado deve ser acrescido de uma unidade.

Exemplos:
Arredondar para duas casas decimais:
a) 12,3742 = 12,37
b) 83,7381 = 83,74
c) 24,3973 = 24,40 (Atenção)
d) 4,735 = 4,73
e) 324,785 = 324,79
f) 183;2651 = 183,27
g) 8,6350001 = 8,64

Teoria do Erro
Os erros podem ser introduzidos nas medidas através de uma "falha" humana na
leitura (erro de paralaxe), através da precisão do instrumento utilizado, ou ainda de forma
proposital através dos arredondamentos.
Da mesma forma, eles podem ocorrer no resultado de uma operação matemática,
principalmente quando são utilizados valores como o π ou as operações de divisão, raiz
quadrada etc. Assim, torna-se importante um estudo mais detalhado sobre os erros.
Os erros podem ser representados, principalmente, de duas formas:
• Erro relativo: M ± e %
onde e% representa a margem de erro percentualmente;
• Erro absoluto: M ± e
onde e representa a margem de erro quantitativamente

Exemplo:

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Num laboratório, dois estudantes chegaram aos seguintes resultados de uma medida
de comprimento dada em milímetros:
1) 20 ± 10%, mm
Isto significa que a medida está entre 18 e 22 mm.
2) 20 ± 2 mm
Isto significa que a medida está entre 18 e 22 mm.
Portanto, ambos chegaram ao mesmo resultado, Porém os mesmos foram
apresentados de formas diferentes.

Normalmente, os fabricantes de instrumentos indicam a precisão e o erro associados


às medidas feitas com seus instrumentos.

Exemplo:
Um termômetro pode medir de 15 a 45°C e o fabricante indica que o instrumento tem
precisão de 0,1°C e erro de medida de ± 2%. Se for feita uma leitura de 37,34°C (lembre-se
que o 4 é um algarismo duvidoso, pois, foi estimado), qual o erro absoluto e qual pode ser a
temperatura real?
2
e = ± 37,34 x = ± 0,7468°C (erro absoluto)
100
37,34 - 0.7468 = 36,5932 (valor inferior)
37.34 + 0,7468 = 38,0868 (valor superior)
Portanto, a temperatura real pode estar entre 36,5932 e 38,0868° C.

É comum, durante um experimento, calcular o erro de uma medida para que se possa
fazer uma análise do resultado quando se dispõe de um valor teórico como referência. Para
esta análise, deve-se comparar a margem de erro percentual prevista pelo instrumento
utilizado como erro real percentual obtido. Se forem compatíveis, a medida pode ser
considerada correta, caso contrário, pode-se chegar a várias conclusões como: o
instrumento está descalibrado, houve erro de leitura, o experimento foi mal-executado, os
dispositivos utilizados encontram-se em mau estado etc.
Para o cálculo deste erro, pode-se usar a seguinte fórmula:

Marcos Almeida
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Erro Real Percentual


valor medido - valor teórico
er% = x 100
valor teórico

Como se trata de um erro real, o resultado pode ser tanto positivo como negativo
dependendo, respectivamente, se o valor medido foi maior ou menor que o valor teórico.

Exemplo:
Ermengarda e Austragésilo, um casal de namorados de nossa escola, compraram duas
latas de sorvete de 1 kg cada. No entanto, Austragésilo cismou que sua lata não continha 1
kg, conforme estava marcado no rótulo. Resolveram, então, ir à escola para medir a massa
do sorvete no Laboratório de Física e, se fosse o caso, reclamar com o gerente do
supermercado. Com duas balanças iguais, com precisão de l0g e margem de erro de ± 5%,
obtiveram as seguintes medidas:
Sorvete de Ermengarda = 1020 g
Sorvete do Austragésilo = 920 g
Como eles tinham acabado de estudar este capítulo do livro, rapidamente passaram
aos cálculos dos erros reais percentuais:
1020 − 1000 20
Ermengarda: er% = x 100 = x 100 = +2%
1000 1000
920 − 1000 80
Austragésilo: er% = x 100 = x 100 = −8%
1000 1000

Austragésilo ficou então furioso com o fabricante do sorvete, pois o erro real
percentual de sua medida (-8%) foi maior que a margem de erro prevista pelo instrumento
( ± 5%), enquanto que Ermengarda, satisfeita com seu resultado e já chupando o sorvete,
disse ao seu namorado: "Vai ver que a balança está descalibrada!"
Austragésilo, rapidamente, pediu a balança usada por Ermengarda para refazer a
medida e sanar esta dúvida recalculando o erro real percentual, cujo resultado foi +1%.
Satisfeito por ter descoberto que não havia sido enganado pelo fabricante do sorvete,
mas por um instrumento descalibrado. notificou o fato ao seu professor, convidando-o para
saborearem juntos o sorvete. Mas ele dançou! O sorvete havia derretido!
Você não está curioso para saber quanto sorvete ele realmente perdeu?

Marcos Almeida
Análise de Circuitos

valor medido - valor teórico


er% = x 100
valor teórico
valor medido - 1000
1= x 100 → valor medido = 1010g
1000
Portanto, ele perdeu 1010 g (valor medido).

1.5 Gráficos

Como já foi visto, o estudo de um fenômeno físico deve ser feito através de
observações, experiências, medidas etc., tarefas estas que são importantes para a obtenção
de um modelo genérico que represente o seu comportamento.
Este modelo genérico pode ser dado por postulados, teoremas, leis, regras ou
equações que são maneiras diferentes de se formalizar um fenômeno sinteticamente.
Por outro lado, toda síntese tende a ser muito abstrata, impedindo uma visualização
concreta do fenômeno.
Uma maneira de facilitar a compreensão de um fenômeno é representá-la através de
um gráfico.
Os gráficos são representações visuais de como as grandezas físicas variam umas em
relação ás outras.

Um jogo de futebol narrado por um locutor de rádio é, com certeza mais


emocionante que o narrado por um locutor de televisão mas, sem dúvida, a televisão nos
dá uma idéia bem melhor dos lances.
Mas a função dos gráficos não é apenas facilitar a compreensão dos fenômenos. Em
geral, nos experimentos, os gráficos funcionam como instrumentos de análise de dados
colhidos ou medidas realizadas para se chegar aos modelos.

Marcos Almeida
Análise de Circuitos

Gráfico Cartesiano
Um gráfico é a união de vários pontos determinados por suas coordenadas numa
região do espaço em relação a uma referência.
Num gráfico cartesiano, esta referência é dada por dois eixos ortogonais (que
formam um ângulo reto entre si) denominados abscissa (eixo horizontal) e ordenada (eixo
vertical), graduados numa escala de acordo com as unidades de medida e ordens de
grandeza das variáveis do fenômeno representado.
Observação:
• O nome cartesiano é devido ao criador da geometria analítica, o filósofo francês
René Descartes (1596 - 1660), que usava em suas obras seu nome em latim
Cartesius.

Exemplo:
A figura 1.6 mostra um gráfico cartesiano representando o rendimento dos autores
deste livro durante um dia de trabalho (número de palavras escritas no dia) medidas em
intervalos de 2 horas.

Figura 1.6 Gráfico de Rendimento dos Autores



Neste caso, tem-se:
• fenômeno - rendimento dos autores durante um dia
• abscissa - variável: tempo
unidade de medida: hora
graduação: 2 horas
escala: 4 horas/cm
• ordenada - variável: rendimento
unidade de medida: palavras
graduação: 200 palavras

Marcos Almeida
Análise de Circuitos

escala: 400 palavras/cm

Analisando este gráfico, fica fácil concluir que o trabalho teve um rendimento maior
entre 8 e 10 h e entre 16 e 18 h (400 palavras em 2 horas), teve um rendimento menor entre
10 e 12 h e entre 14 e 16 h (100 palavras em 2 horas), parou entre 12 e 14 h e após às 18 h,
afinal escritor também tem fome e almoça, vai ao banheiro, tem sono após o almoço e
relaxa à noite.

Tão importante quanto a interpretação de um gráfico, é saber construí-lo a partir de


uma tabela contendo dados coletados ou medidos relativos ao fenômeno que se deseja
representar.

Dicas para a Construção de Gráficos


Um gráfico bem construído facilita a visualização, análise s interpretação do
fenômeno representado.
Para isso, fazem-se necessárias algumas regras básicas:
1) Desenhar os gráficos em papel milimetrado para se obter maior precisão;
2) Desenhar os eixos ortogonais de referência (abscissa e ordenada) procurando
ocupar da melhor forma possível o espaço disponível no papel, em função dos
valores a serem alocados (positivos ou negativos);
3) Escolher uma graduação e uma escala que favoreçam a colocação precisa dos
valores da tabela (a escala deve ser, de preferência, um múltiplo decimal de 1, 2, 4
ou 5); .
4) Para valores muito grandes ou muito pequenos. cuja representação por potência
de dez (ou notação científica) seja viável, a graduação deve ser feita com os
algarismos significativos destes valores, colocando a potência de dez junto com a
unidade de medida no eixo ortogonal correspondente;

5) Dependendo dos dados disponíveis para a construção de um gráfico, os pontos


podem ser ligados por uma reta quando as variações entre duas medidas não são
importantes (gráfico da figura 1.6), ou envolvidos por uma curva média. passando

Marcos Almeida
Análise de Circuitos

pelo maior número de pontos disponíveis (gráfico da figura1.7 do exemplo


seguinte) Este último caso é o mais comum na representação gráfica de
fenômenos físicos, principalmente pelo fato de os dados. em sua maioria, serem
obtidos por instrumentos de medida que, como já visto anteriormente, possuem
um erro implícito, além dos erros de leitura cometidos por quem manipula tais
instrumentos.
Portanto, a curva média minimiza os maiores erros de medida, ficando estes
pontos fora dela;
6) Para o desenho de várias curvas num único sistema cartesiano, pode-se
diferenciá-las através de cores variadas, porém, estas, devem ser usadas com
moderação para que o impacto visual não dificulte a sua interpretação.

Observação:
• Atualmente, existem muitos programas de computadores para construção de
gráficos. Mesmo assim, muitos deles necessitam de informações como escala e
graduação, que devem ser fornecidas pelos usuários para que o traçado seja
realizado. Portanto, as regras básicas descritas acima, devem ser utilizadas sempre
que necessárias.

Exemplo:
Fez-se uma experiência para estudar o comportamento de uma caldeira entrando em
funcionamento e em estabilidade. Para isto foram feitas medidas de temperatura de 5 em 5
minutos e obteve-se a tabela a seguir:

Tempo (minutos) 5 10 15 20 25 30 35 40
Temperatura (°C) 20.0 140 194.9 242,7 265,1 224,9 274,8 273,7

Para um perfeito controle da qualidade produto fabricado, é necessário verificar se,


em algum momento, ocorreram variações anormais na temperatura da caldeira. Neste caso,
não se pode considerar que as variações entre os pontos medidos sejam lineares.

Marcos Almeida
Análise de Circuitos

Deve-se, então, traçar a curva média entre os pontos do gráfico, detectando assim, os
pontos críticos, como mostra a figura 1.7.

Figura 1.7 - Comportamento da Temperatura de uma Caldeira


Analisando o gráfico, verifica-se que, após a temperatura entrar em estabilidade,
houve algum problema no instante 30 minutos, devendo-se verificar se foi um erro de
medida ou, caso contrário, se o fato comprometeu ou não a qualidade do produto.

1.6 Grandezas Vetoriais

Uma grandeza física pode ser classificada em:


• Escalar - tem apenas intensidade e é representada por um número unidade de
medida correspondente.
• Vetorial - tem intensidade, direção e sentido e é representada por um vetor
numérico ou vetor gráfico e sua unidade de medida correspondente.

Exemplos:
Grandezas Escalares
a) massa m = 150 kg
b) carga elétrica Q = 32mC

Marcos Almeida
Análise de Circuitos

Grandezas Vetoriais:

a) A figura 1.8(a) mostra uma força F aplicada à tromba de um elefante cuja


intensidade é 120 N, direção horizontal e sentido da esquerda para a direita.

b) A figura 1.8(b) mostra um balão com velocidade V cuja intensidade é 46 m/s,


direção vertical e sentido de baixo para cima.

Figura 1.8 - Grandezas Vetoriais

Vê-se, desta forma, que o significado destas três características de uma grandeza
vetorial é o seguinte:
• A intensidade ou módulo representa a quantidade da grandeza vetorial.
• A direção representa a posição angular da grandeza vetorial no espaço em
relação a uma referência.
• O sentido representa a orientação da grandeza vetorial no espaço e pode ser
positivo ou negativo em função da referência adotada.
O cálculo envolvendo grandezas vetoriais pode ser realizado através de vetores
numéricos ou vetores gráficos.
Cálculo com Vetores Numéricos

Exemplo:
Estrôncio e Brunhilda formam um casal muito feliz, mas como toda relação tem
pepinos, neste exato momento eles brigam por um deles:

Marcos Almeida
Análise de Circuitos

Figura 1.9 - O Casal Feliz e o Pepino

A direção das forças é horizontal e, tomando-se como referência o sentido positivo

esquerda-direita, tem-se, como força resultante FR .

FR = FE + FB = 150 + 63 ⇒ FR = −87N
Isto significa que Estrôncio ficará com o pepino, pois a força resultante é negativa,
correspondendo ao sentido da força aplicada por ele.
Cálculo com Vetores Gráficos

Exemplo:
A força resultante da disputa entre Estrôncio e Brunhilda, pode, também, ser
calculada graficamente, como mostra a figura 1.10.

Figura 1.10 - Cálculo com Vetores

Embora tenhamos falado muito em fenômenos físicos, análise de experimentos etc, o


objetivo deste item foi mostrar apenas como os números devem ser tratados para que tudo
isso seja compreendido. Por isso. o titulo do item está relacionado à matemática. e não aos
fenômenos ou experimentos.
A partir de agora, você tem este instrumento poderoso, a matemática, para usar no
estudo dos fenômenos que realmente nos interessam, os elétricos.

Marcos Almeida