Noções básicas

de
Fiscalidade
Ana Carmen Gonçalves

12 setembro 2016
3 novembro 2016

Objectivos gerais
O Reconhecer a actividade financeira do
estado

O Definir, interpretar e aplicar os princípios
dos impostos

O Descrever o sistema fiscal português

2

Objectivos Específicos
No final da formação, os formandos deverão ser
capazes de:

O Reconhecer, correctamente, a actividade
financeira do estado

O Definir, correctamente, Direito financeiro,
tributário e fiscal

O Identificar, correctamente, os diferentes impostos
3

Agenda I. Impostos – conceitos gerais O Noção e fases do imposto O Tributação directa e tributação indirecta O Classificação dos impostos O Finalidades fiscais e extra fiscais dos impostos O Objectivos da tributação O Benefícios fiscais 4 . Direito fiscal O Natureza e fontes do direito fiscal III. Atividade financeira do estado O Receitas públicas O Receitas coactivas e receitas voluntárias O Receitas patrimoniais e receitas creditícias II.

Incidência dos impostos O Incidência real ou objectiva O Incidência pessoal ou subjectiva O Localização das operações tributárias O Localização das prestações de serviços O Os serviços relacionados com imóveis O Transporte intracomunitário de bens O Casos particulares 5 . Características dos impostos O Imposto geral sobre o consumo O Imposto plurifásico não cumulativo O Método de funcionamento do imposto. Neutralidade do imposto O IVA e o princípio do destino V. Agenda (continuação) IV.

Funcionamento do sistema fiscal português O Reforma da tributação indirecta O Adopção do IVA como modelo comunitário de tributação O Isenções O Valor tributável O Taxas O Direito à dedução e apuramento do imposto O Reembolsos O Sujeitos passivos mistos O Obrigações O Regimes especiais O Regime do IVA nas transacções intracomunitárias VII. Agenda (continuação) VI. Referenciais de Formação 6 .

Actividade Financeira do estado Receitas públicas: Receitas coactivas e receitas voluntárias Receitas patrimoniais e receitas creditícias . I.

assim. Receita Pública O Para fazer face à Despesa Pública o Estado tem de obter rendimentos. satisfazer as necessidades colectivas 8 . As RECEITAS PÚBLICAS são os rendimentos económicos obtidos pelo Estado e outras entidades públicas para fazer face às despesas públicas e. O Ao conjunto dos RENDIMENTOS obtidos pelo Estado dá- se o nome de RECEITA PÚBLICA.

Receita Pública O De acordo com a lei. estas Receitas Públicas podem classificar-se em: RECEITAS RECEITAS COACTIVAS VOLUNTÁRIAS 9 .

São fixadas de forma obrigatória sem possibilidade de negociação O Na lei está definido um valor monetário e as condições em que deve ser obrigatoriamente pago O Podem ser cobradas às pessoas singulares (cidadãos) e às pessoas colectivas (sociedades/empresas) O As RECEITAS COACTIVAS tomam a designação de RECEITAS PÚBLICAS MEDIATAS.porque decorrem da exigência aos contribuintes de uma parte da riqueza gerada por estes MULTAS IMPOSTOS TAXAS COIMAS 10 . ou seja. por coação. Receitas Coactivas O RECEITAS COACTIVAS são aquelas que o Estado obtém por imposição.

nestes casos o valor monetário dessas receitas não é fixado de forma autoritária pelo estado. estas receitas consideram-se RECEITAS DE DIREITO PRIVADO (e não público) O Também são chamadas de: RECEITAS PÚBLICAS IMEDIATAS porque são obtidas através da administração por parte do estado. mas sim acordado entre as partes envolvidas no contrato O Uma vez que o estado actua como se se tratasse de um particular que obtém um rendimento. São também chamadas RECEITAS PATRIMONIAIS. Receitas Voluntárias ou Receitas Patrimoniais O RECEITAS VOLUNTÁRIAS são aquelas receitas que o Estado obtém através de negociação. porque resultam da venda de património ou da prestação de serviços pelo Estado a qualquer outro contratante particular ou colectivo O Por isso. dos seus bens próprios 11 .

Receitas Creditícias O RECEITAS CREDITÍCIAS: resultam do recurso ao crédito por parte do Estado (contracção de empréstimos) O Modernamente tornou-se numa fonte de receitas da maior importância nas sociedades capitalistas 12 .

ou seja. Despesa Pública O O Estado é um ente público que. desenvolve um conjunto de actividades que obrigam a efectuar gastos O Ao conjunto desses gastos com actividades públicas. destinadas ao uso por todos os cidadãos dá- se o nome de DESPESA PÚBLICA As DESPESAS PÚBLICAS são os gastos efectuados pelo Estado e outros entes públicos na satisfação das necessidades colectivas nas suas mais diversas áreas 13 . como outros.

14 . Despesa Pública (Continuação) O Exemplos da DESPESA PÚBLICA: O Educação O Saúde O Segurança O Obras Públicas O Transportes e Comunicações O Justiça O Institutos Públicos de diversa natureza O Autarquias O Governo O Etc.

Despesa Pública (Continuação) O DESPESAS PÚBLICAS: Meio para atingir um dos fins do Estado: satisfazer as NECESSIDADES PÚBLICAS O O Estado tem de adquirir bens ou serviços para ir ao encontro das necessidades públicas. O Dividem-se em: O DESPESAS ORDINÁRIAS: são as necessidades contínuas da administração O DESPESAS EXTRAORDINÁRIAS: são as necessidades acidentais 15 .

Actividade Financeira do Estado A RETER… O RECEITA PÚBLICA: O RECEITAS COACTIVAS ou Receitas Públicas Mediatas O RECEITAS VOLUNTÁRIAS ou RECEITAS PATRIMONIAIS ou Receitas Públicas Imediatas O RECEITAS CREDITÍCIAS O DESPESA PÚBLICA 16 .

Tributário e Fiscal Natureza e fontes do direito fiscal 17 .Direito Financeiro.II.

criminal. dentro deste.Ramos do direito Público O O DIREITO PÚBLICO tem vários ramos: Direito Constitucional. Administrativo. o DIREITO FISCAL. O DEFINIÇÃO DE DIREITO FINANCEIRO: O DIREITO FINANCEIRO é todo o conjunto de normas jurídicas que disciplinam a actividade financeira do Estado. O Actividade financeira é aquela que o 18 Estado desenvolve ao efectuar as despesas públicas e a obter as receitas . processual financeiro e.

a que parece reunir maior consenso é a esta definição que se fundamenta nos critérios do Interesse subjacente e do Sujeito das relações jurídicas em causa. Contudo. O Direito Público O DEFINIÇÃO DIREITO PÚBLICO: DIREITO PÚBLICO é todo o conjunto de normas que protegem directamente interesse público e em que um dos sujeitos da relação é o Estado ou outra pessoa colectiva dotada de autoridade pública. 19 . O Não há uma definição absolutamente consensual sobre esta vasta área do direito interno.

Quanto à sua natureza.O Direito Fiscal como Direito Público O O DIREITO FISCAL é um ramo específico do DIREITO FINANCEIRO e este é um dos ramos do DIREITO PÚBLICO. 20 . o DIREITO FISCAL é um ramo de DIREITO PÚBLICO O Este enquadramento não levanta qualquer dúvida se pensarmos que o Direito Fiscal visa interesses colectivos através da captação de impostos para posterior satisfação das necessidades públicas.

O Critério dos SUJEITOS da Relação Jurídica: No direito fiscal o Estado encontra-se revestido de “jus imperii”. 21 .O Direito Fiscal como Direito Público O Critério dos INTERESSES: O imposto destina-se à satisfação das necessidades colectivas. encontrando-se numa posição superior aos dos particulares.

Ramos do Direito Financeiro O O DIREITO FINANCEIRO compreende três ramos: O O Direito das Receitas O O Direito das Despesas O O Direito da Administração Financeira DIREITO FINANCEIRO Esquematicamente: DIREITO DAS DESPESAS Direito dos Impostos DIREITO DAS RECEITAS Direito Tributário ou Fiscal DIREITO DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Direito Orçamentário 22 .

a cobrança DIREITOdas receitas TAXASatravés dos impostos TRIBUTÁRIO DIREITO (RECEITAS IMPOSTO FISCAL 23 COACTIVAS) S . Definição: Direito Tributário e Direito Fiscal O DIREITO TRIBUTÁRIO como o conjunto de normas que regulam a actividade do Estado no que respeita à captação das receitas coactivas em geral O DIREITO FISCAL é o ramo do Direito Financeiro que integra as normas que regulam as relações do imposto. ou seja.

Base Legal do direito Fiscal O Direito Fiscal e o Direito Constitucional: Na Constituição da República Portuguesa (CRP) existem normas de natureza fiscal: O Garantias fundamentais dos cidadãos em matéria tributária. O Orientam o legislador e limitam a sua competência fiscal. 24 .

Sistema Fiscal 1. que determina a incidência. Os impostos são criados por lei. O sistema fiscal visa a satisfação das necessidades financeiras do Estado e outras entidades públicas e uma repartição justa dos rendimentos e da riqueza. a taxa.º . 3. Ninguém pode ser obrigado a pagar impostos que não hajam sido criados nos termos da Constituição. os benefícios fiscais e as garantias dos contribuintes. que tenham natureza retroactiva ou cuja liquidação e cobrança se não façam nas formas prescritas na lei. 25 . 2. Constituição da República Portuguesa: Artigo 106.

Constituição da República Portuguesa:
Artigo 107.º - Impostos
1. O imposto sobre o rendimento pessoal visa a diminuição das
desigualdades e será único e progressivo, tendo em conta as
necessidades e os rendimentos do agregado familiar.

2. A tributação das empresas incide fundamentalmente
 sobre o seu rendimento real.

3. A tributação do património deve contribuir para a igualdade
entre os cidadãos.

4. A tributação do consumo visa adaptar a estrutura do consumo
à evolução das necessidades do desenvolvimento económico
e da justiça social, devendo onerar os consumos de luxo.

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Constituição da República Portuguesa:
Artigo 201.º - Competência
Legislativa
1. Compete ao Governo, no exercício de
funções legislativas:
a) Fazer decretos-lei em matérias não
reservadas à Assembleia da República
b) Fazer decretos-lei em matérias de
reserva relativa da Assembleia da
República, mediante autorização desta

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Princípios da Lei Fiscal
O Artigo 5º (Código Civil Português): Começo e vigência da lei:
1. A lei só se torna obrigatória depois de publicada no jornal
oficial.
2. Entre a publicação e a vigência da lei decorrerá o tempo
que a própria lei fixar (…)

O Este artigo aplica-se a toda a Lei, logo também à Lei Fiscal.

O Aplica-se assim o Princípio da Não Retroactividade também á
Lei Fiscal, que significa que não se deverá aplicar a nova lei
desde que a obrigação tenha sido constituída antes do seu
aparecimento, ou seja, desde que tenha surgido antes dessa
lei

28

29 . Aplicação da Lei Fiscal no Tempo O A Obrigação Tributária nasce com a verificação do pressuposto previsto na lei para a SUJEIÇÃO ao imposto.

30 . para alguns impostos. a Lei Fiscal tem em conta factores específicos como a SEDE (morada efectiva) do SUJEITO PASSIVO (contribuinte) e o local onde os rendimentos foram obtidos ou onde ocorrem os factos que dão origem ao imposto. bem como aos rendimentos que aí forem adquiridos O Assim. Aplicação da Lei Fiscal no Espaço O Definir qual o território em que a lei produz efeitos O PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE à Lei Fiscal O Este princípio refere que a Lei Fiscal do Estado aplica-se apenas aos factos e situações que ocorram nesse Estado.

o IRC incide sobre a totalidade dos seus rendimentos. . 2 .As pessoas colectivas e outras entidades que não tenham sede nem direcção efectiva em território português ficam sujeitas a IRC apenas quanto aos 31 rendimentos nele obtidos. 4º .Extensão da Obrigação do Imposto: 1 . O CIRC: Art. Aplicação da Lei Fiscal no Espaço O PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE: A lei fiscal de um Estado apenas abrange os factos situações que ocorram no território desse Estado e os rendimentos que nele tenham sido obtidos.Relativamente às pessoas colectivas e outras entidades com sede ou direcção efectiva em território português. incluindo os obtidos fora desse território.

liberdades e garantias (…) i) Criação de impostos e sistema fiscal e regime geral das taxas e demais contribuições financeiras a favor das entidades públicas 32 .Princípio da legalidade: Art 168. É da exclusiva competência da Assembleia da República legislar sobre as seguintes matérias: a) Estado e capacidade das pessoas b) Direitos.º .Reserva relativa de competência legislativa 1.

Tributário e Fiscal A RETER… O INTERESSE Público O SUJEITO Passivo O DIREITO FISCAL é um ramo específico do DIREITO FINANCEIRO e este é um dos ramos do DIREITO PÚBLICO O PRINCÍPIOS DA LEI FISCAL O Aplicação da Lei Fiscal no TEMPO O Aplicação da Lei Fiscal no ESPAÇO – PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE 33 .Direito Financeiro.

III.Impostos – conceitos gerais Noção e fases do imposto Tributação directa e tributação indirecta Classificação dos impostos Finalidades fiscais e extra fiscais dos impostos Objectivos da tributação Benefícios fiscais 34 .

sem carácter de sanção. criada por lei a favor do Estado ou Entidade Pública (sujeito activo). unilateral. CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS DOS IMPOSTOS 35 . Imposto O Definição de IMPOSTO: O Imposto é uma prestação tributária coactiva. para dar cobertura às despesas públicas com objectivos de ordem económica e social. pecuniária.

Natureza do Imposto O A definição de imposto contém os vários elementos que caracterizam a NATUREZA DO IMPOSTO: O Prestação Tributária Coactiva O Prestação Pecuniária O Prestação Unilateral O Prestação Estabelecida por Lei O Prestação Sem Carácter de Sanção O Finalidades Fiscais e Extra Fiscais 36 .

37 . O imposto é uma prestação tributária coactiva. Prestação Coactiva O PRESTAÇÃO TRIBUTÁRIA COACTIVA: Os sujeitos activos do imposto a quem a lei confere o direito de lançar e cobrar determinado imposto. exigem a prestação de todos os sujeitos passivos (contribuintes) que se encontrem nas condições previstas na lei. porque o Estado obriga o seu pagamento a todos os cidadãos que se encontram nas situações previstas na lei.

O imposto é uma prestação pecuniária. porque é entregue em dinheiro (muito excepcionalmente.imposto sucessório) 38 . pode ser em bens . Prestação Pecuniária O PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA: O imposto é uma prestação que se traduz em dar dinheiro.

Prestação Unilateral  PRESTAÇÃO UNILATERAL: O sujeito activo do imposto recebe a prestação e nada dá em troca. 39 . directa e imediatamente. porque o sujeito activo estado recebe o valor e não retribui directa ou imediatamente com algo em troca. O imposto é uma prestação unilateral.

40 . e só a lei. porque é a lei. que atribui ao Estado o poder de tributar o imposto que é. uma obrigação legal. portanto.Prestação Estabelecida Por Lei  PRESTAÇÃO ESTABELECIDA POR LEI: A obrigação do imposto deriva de uma lei O imposto é uma prestação estabelecida por lei.

porque não é tributado como resultado de qualquer infracção ou ilegalidade cometida.Prestação Sem Carácter de Sanção  PRESTAÇÃO SEM CARÁCTER DE SANÇÃO: O imposto distingue-se de outras prestações pecuniárias e unilaterais impostas pelo Estado mas a título de sanção como por exemplo as coimas. O imposto é uma prestação sem carácter de sanção. 41 .

de ordem económica e de ordem social. porque o Estado cobra para fazer face aos encargos públicos (finalidades fiscais) mas também com o intuito de promover o bem-estar social e a ordem económica (finalidades de ordem económica e sociais). como por exemplo os impostos alfandegários. Finalidades Fiscais e Extra Fiscais O FINALIDADES FISCAIS E EXTRA FISCAIS: O Estado cobra alguns impostos apenas com o fim de cobrir as despesas públicas. 42 . criados para proteger certas actividades nacionais da concorrência estrangeira. O imposto tem finalidades fiscais e extra fiscais. impostos que são instituídos com finalidades extra fiscais. mas encontramos.

e são devidos ao Estado sem qualquer contrapartida. ou seja. Impostos vs Taxas O Os IMPOSTOS são as chamadas RECEITAS FISCAIS. 43 . sem que o Estado tenha de entregar ou fazer algo de concreto em troca O É claro que é sobretudo com estas RECEITAS FISCAIS que o Estado pode fazer face às despesas públicas em geral O Exemplos de Impostos: O IVA O IRC O IRS O IMI O IA O Etc.

44 O As MULTAS (natureza não fiscal) e as COIMAS (natureza fiscal) são também receitas coactivas do . O São exemplos de Taxas: O Taxa de saneamanto O As propinas O As taxas moderadoras O Etc. directa e/ou imediatamente. Impostos vs Taxas O As TAXAS são receitas coactivas do Estado mas devidas em contrapartida de um serviço prestado.

que são sanções) O As TAXAS são prestações coactivas que resultam de contratos bilaterais: O As taxas dão lugar a que o Estado receba. ao contrário dos impostos que se destinam a aplicar em função de todos. uma prestação ou retribuição em troca de um serviço prestado O As taxas têm uma utilidade individualizada. 45 . Só são aplicadas ou cobradas a quem pretenda utilizar o respectivo serviço.Distinção Impostos vs Outras Receitas O A sua NATUREZA. total ou parcialmente. que são bilaterais – directa e imediatamente) O O carácter não sancionatório (face às multas e às coimas. concretamente: O A unilateralidade (face às taxas.

Distinção Impostos vs Outras Receitas (continuação) O As MULTAS e as COIMAS são prestações coactivas que resultam de um facto ilícito e têm um fim punitivo: O As MULTAS têm natureza não fiscal e destinam-se a penalizar as infracções cometidas pelos cidadãos e empresas (por exemplo: uma multa de trânsito paga à GNR ou uma multa por lançamento de resíduos poluentes num rio paga à Inspecção Geral do Ambiente) O As COIMAS já têm natureza fiscal uma vez que se destinam a penalizar pela falta de cumprimento duma prestação tributária (por exemplo uma coima pela falta do pagamento do IRS ou IRC) 46 .

Sujeitos do Imposto O Sujeito ACTIVO do Imposto: O É aquele que recebe o valor do Imposto O Portanto é sempre o Estado que é a quem a lei atribui o direito de cobrar impostos O Sujeito PASSIVO do Imposto: O São os que pagam o valor do imposto O É sempre o contribuinte que é a quem a lei exige o pagamento dos impostos O Os contribuintes podem ser pessoas singulares ou colectivas. são sujeitos passivos os cidadãos individuais e as empresas 47 . ou seja.

Fases do Imposto O O Direito Fiscal regula os impostos em cada um dos seus momentos O Consideram-se QUATRO FASES na relação jurídica do imposto: 1. Liquidação 4. Lançamento 3. Cobrança 48 . Incidência 2.

ao invés.Fase 1: Incidência do Imposto O Definição: A INCIDÊNCIA é a definição legal dos actos ou situações sujeitos a imposto e das pessoas sobre as quais recai o dever de os prestar O A incidência do imposto é: saber sobre QUEM ou O QUÊ se aplicam as normas desse imposto O Se se define uma pessoa como sujeito de um imposto. diz- se que se trata duma INCIDÊNCIA PESSOAL ou SUBJECTIVA O Quando. então fala-se em INCIDÊNCIA REAL ou OBJECTIVA 49 . se define algo que é passível desse imposto.

Fase 1: Incidência do Imposto I N O QUÊ REAL C (Está sujeito ao (Objectiva) I Imposto) D Ê N QUEM C PESSOAL (Está sujeito ao I (Subjectiva) A Imposto)  Exemplo: Imposto Municipal sobre os Imóveis A incidência real do IMI são os próprios imóveis e a incidência pessoal são os proprietários desses imóveis 50 .

O lançamento é originado por um facto tributário. O Exemplo: Rendimento auferido/transacção comercial 51 . ou seja. um facto gerador da obrigação de pagar o imposto O A esse valor dá-se o nome de Matéria Colectável. Fase 2: Lançamento do Imposto O Definição: O LANÇAMENTO do imposto é um conjunto de procedimentos que levam à identificação do sujeito passivo e ao apuramento do valor sobre o qual irá incidir esse imposto O Ao lançamento corresponde apenas um processo administrativo que é levado a cabo pelos serviços fiscais.

Fase 3: Liquidação do Imposto
O Definição:
A LIQUIDAÇÃO do imposto traduz-se na aplicação da
taxa legal à matéria colectável para determinar o valor
de imposto a pagar (a colecta)

O Nesta fase procede-se à aplicação da taxa legal ao valor
(matéria colectável) sobre o qual ela incide

O Este processamento é feito pelos serviços da Direcção-
Geral de Contribuições e Impostos (DGCI), que também
comunica ao sujeito passivo a Colecta apurada, ou seja,
o montante a pagar

O É a partir da liquidação que se estabelece a relação
jurídico-tributária obrigatória
52

Fase 3: Liquidação do Imposto
O Exemplo: Liquidação do IVA de uma operação:
O Base de incidência 10.000,00€
(matéria colectável)
O Taxa de Imposto aplicável 23 %
(IVA à taxa normal)
O Valor do IVA 10.000,00 X 0,23
(colecta) = 2.300,00 €

O Definições:
O A MATÉRIA COLECTÁVEL é o valor sobre o qual irá
incidir a taxa do imposto.
O A COLECTA é o valor que resulta da aplicação da
taxa de imposto à matéria colectável.
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Fase 4: Cobrança do Imposto
O Definição:
A COBRANÇA é o pagamento do imposto por
parte do contribuinte sujeito passivo e a entrada
do valor do imposto nos cofres do Estado

O A cobrança é a última das 4 fases da vida do
imposto e, quando ela se concretiza, extingue-se
o seu efeito pois cumpriu-se a prestação
tributária
O A cobrança é efectuada através das Tesourarias
da Fazenda Pública, ou seja, nas Repartições de
Finanças
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legalmente estabelecido) O Expirado o prazo legal para o pagamento do imposto. começam a vencer-se juros moratórios (de mora) O Definição: Os Juros Moratórios são os juros devidos pelo atraso de pagamento das obrigações fiscais. a DGCI instaura um processo de execução fiscal O A partir do dia seguinte ao final do prazo para o pagamento voluntário. cujas taxas (de juro) estão fixadas na lei 55 .Fase 4: Cobrança do Imposto O A cobrança de dívidas fiscais faz-se em duas modalidades: O Pagamento voluntário (sempre que o contribuinte o cumpre dentro do prazo estabelecido na lei) O Cobrança coerciva (sempre que o pagamento não for efectuado até ao final do prazo.

O Tributação Indirecta: Incide sobre todos os atos (despesa e/ou consumo). 56 . Exemplos impostos tributação indireta: IVA e IS.Tributação Direta e Tributação Indireta O Tributação Direta: Incide sobre todos os rendimentos auferidos e património detido. Exemplos impostos tributação direta: IRC e IRS.

Impostos de obrigação única – apenas há lugar ao pagamento do imposto quando o facto que o origina acontece. progressivos e regressivos Impostos proporcionais – taxa fixa. O Impostos proporcionais. O Impostos directos e indirectos Impostos directos são os que tributam a riqueza. Impostos regressivos – taxa diminui à medida que a matéria colectável aumenta. O Impostos principais e acessórios Impostos principais – gozam de autonomia face aos restantes.Classificação dos Impostos O Impostos estaduais e não-estaduais Impostos estaduais são os impostos cujo sujeito activo é o Estado. Impostos progressivos . O Impostos periódicos e de obrigação única Impostos periódicos – cujo pagamento se processa periodicamente. 57 . Impostos acessórios – não são autónomos e acrescem aos impostos principais. económicas e familiares dos contribuintes.taxa aumenta à medida que a matéria colectável aumenta. de que dependem. Impostos pessoais são os que têm em conta as situações pessoais. Impostos indirectos são os que tributam o consumo. como por exemplo a derrama. económicas e familiares dos contribuintes. O Impostos reais e impostos pessoais Impostos reais são os que não têm em conta as condições pessoais. Impostos não-estaduais são os impostos cujo sujeito activo não é o Estado.

ou seja o consumo ou despesa. isto é reduzem o rendimento disponível onerando os preços dos bens e serviços 58 . isto é.Classificação dos Impostos O O critério mais generalista é aquele que os divide em IMPOSTOS DIRECTOS E INDIRECTOS: O IMPOSTOS DIRECTOS: são os impostos que incidem sobre o rendimento e o património. tributam directamente o rendimento nacional O IMPOSTOS INDIRECTOS: são os impostos que recaem sobre a utilização desse rendimento .

que onera em 6%. nos quais declaramos os rendimentos auferidos no ano anterior e onde aproveitamos para deduzir despesas dentro dos limites legais O IMPOSTOS INDIRECTOS: O IVA.Classificação dos Impostos Exemplos O IMPOSTOS DIRECTOS: O IRS que todos nós temos de declarar através do Modelo 3. 13% ou 23% os preços dos bens e que pagamos quase sem nos apercebermos 59 .

O Quais são os principais FACTORES DE PRODUÇÃO? O O Trabalho O O Capital O A Propriedade/Terra.Classificação dos Impostos Definição de Rendimento O O RENDIMENTO é a remuneração dos factores de produção. 60 . esse outrem pagar-me-á um Rendimento – Renda que irá ser directamente tributada em sede de IRS. Propriedade/Património.Rendas: Se for detentor de determinada propriedade e a puser à disposição para ser fruída por outrem. O Exemplo: Rendimentos prediais (Categoria F) .

Impostos Directos O Na categoria de impostos sobre o rendimento incluímos: O Os que recaem sobre os salários. O Os impostos que incidem sobre o património destaca-se. singulares ou colectivos. que são sujeitos a IRS. o IMI (imposto municipal sobre imóveis) que é o que se aplica aos contribuintes. O Os rendimentos das pessoas colectivas podem assumir a forma de lucros ou dividendos sobre os quais se aplica o IRC. 61 . entre outros. ordenados ou honorários como formas de rendimento das pessoas singulares. que têm imóveis.

estáveis O São impostos directos. os que incidem directamente sobre o rendimento ou o património dos contribuintes.Impostos Directos O Os impostos directos. aqueles cujo lançamento se baseia na elaboração prévia de um rol nominativo de contribuintes O Aqueles que incidem sobre uma manifestação imediata da capacidade contributiva. e Imposto de selo(antigo Imposto sobre Sucessões e Doações) O O pagamento dos impostos directos é feito com referência a um período de tempo delimitado. São exemplos de impostos directos : (IRS / IRC. visam atingir faculdades contributivas permanentes. isto é. normalmente um ano 62 .

Impostos Indirectos O Na categoria dos impostos indirectos.IA O O imposto que recai sobre produtos petrolíferos e energéticos – ISP O O imposto sobre o tabaco – IT O O imposto que se aplica ao álcool e às bebidas alcoólicas – IABA. temos actualmente: O O imposto especial de consumo – IEC O O imposto do selo – IS O O imposto sobre o valor acrescentado – IVA O O imposto automóvel . 63 .

passageiras O IMPOSTOS INDIRECTOS (também designados vulgarmente por impostos sobre a despesa ou o consumo. sobre as despesas de consumo efectuadas pelos agentes económicos 64 . visam atingir faculdades contributivas intermitentes. embora sejam um pouco mais abrangentes) incidem não sobre o rendimento propriamente dito. mas sobre a utilização que dele é feita. ou seja. Impostos Indirectos O IMPOSTOS INDIRECTOS. instáveis.

Classificação dos Impostos Resumo INCIDÊNCIA EXEMPLOS IMPOSTOS Incidem sobre IRS DIRECTOS o rendimento e IRC sobre IMI património IMPOSTOS Incidem sobre IVA INDIRECTOS o consumo IA IEC 65 .

de ordem económica e de ordem social. 66 . Finalidades Fiscais e Extra Fiscais O FINALIDADES FISCAIS E EXTRA FISCAIS: O Estado cobra alguns impostos apenas com o fim de cobrir as despesas públicas. como por exemplo os impostos alfandegários. mas encontramos. O imposto tem finalidades fiscais e extra fiscais. impostos que são instituídos com finalidades extra fiscais. porque o Estado cobra para fazer face aos encargos públicos (finalidades fiscais) mas também com o intuito de promover o bem-estar social e a ordem económica (finalidades de ordem económica e sociais). criados para proteger certas actividades nacionais da concorrência estrangeira.

2. Os Benefícios Fiscais O Decreto-Lei n.º do EBF). as medidas de carácter excepcional instituídas para tutela de interesses públicos extra-fiscais relevantes que sejam superiores aos da própria tributação que impedem (n. 2. as deduções à matéria colectável e à colecta.º 215/89 alterado pelo Decreto-Lei nº 108/2008.º do EBF) São benefícios fiscais as isenções.º 1 do art. 67 . as reduções de taxas.º 2 do art. as amortizações e reintegrações aceleradas e outras medidas fiscais instituídas para tutela de interesses públicos extra- fiscais relevantes (n. de 26/06 que introduziu alterações ao EBF (Estatuto dos benefícios fiscais) O CONCEITO DE BENEFÍCIO FISCAL: Consideram-se benefícios fiscais.

deduções à matéria colectável. 68 . o Os BENEFÍCIOS FISCAIS tanto podem ser deduzidos dos rendimentos declarados. Os Benefícios Fiscais o O BENEFÍCIO FISCAL é um regime especial de tributação que envolve uma vantagem ou simplesmente um desagravamento fiscal perante o regime normal. como subtrairem- se directamente do montante da colecta. redução de taxas. amortizações e/ou outras medidas fiscais desta natureza. assumindo-se como uma forma de isenção.

Pensões.  Exemplos de benefícios fiscais abatidos ao rendimento: Aplicações a prazo (inclusive os PPR). Acções.Exemplos Benefícios Fiscais O Exemplos de benefícios fiscais mais relevantes abatidos do montante da colecta: O Educação que engloba despesas de educação do agregado familiar O Habitação. que engloba todas as despesas incluindo juros de dívidas. que inclui os juros e as amortizações ou as rendas de habitação permanentes (créditos contratados até 12/11) O Saúde. Quotas Sindicais e Donativos a instituições 69 .

º 1 do art. 4. Benefícios Fiscais Automáticos O Os benefícios fiscais são automáticos quando resultam directamente e imediatamente da lei (n.º do EBF) 70 .

º do EBF). efeito meramente declarativo. 71 . Benefícios Fiscais Dependentes de Reconhecimento O Os benefícios fiscais dependentes de reconhecimento pressupõem um ou mais actos posteriores de reconhecimento. tendo em ambos os casos. 4. Este pode ser concedido por acto administrativo ou por acordo entre a Administração e os interessados. salvo quando a lei dispuser o contrário (n.º 1 e 2 do art.

º 4. consideram-se. 72 .Não são benefícios fiscais as situações de não sujeição tributária.Art.º Desagravamentos fiscais que não são benefícios fiscais 1 . não sujeições tributárias as medidas fiscais estruturais de carácter normativo que estabeleçam delimitações negativas expressas da incidência. genericamente. 2 .Para efeitos do disposto no número anterior.

Benefícios Fiscais Fiscalização Todas as pessoas. automáticos ou dependentes de reconhecimento.º 7. singulares ou colectivas. de direito público ou de direito privado. a quem sejam concedidos benefícios fiscais.º do EBF 73 . ficam sujeitas a fiscalização da Direcção-Geral dos Impostos e das demais entidades competentes. para controlo da verificação dos pressupostos dos benefícios fiscais respectivos e do cumprimento das obrigações impostas aos titulares do direito aos benefícios – Art.

pela verificação dos pressupostos da respectiva condição resolutiva ou pela inobservância das obrigações impostas. 74 . imputável ao Beneficiário – nº 2.º 14. Art.Extinção dos Benefícios Fiscais Os benefícios fiscais.º do EBF. quando temporários. caducam pelo decurso do prazo por que foram concedidos e. quando condicionados.

BENEFÍCIOS FISCAIS O Automáticos O Dependentes de Reconhecimento O Fiscalização 75 .Pessoal ou Subjectiva.Incidem sobre o rendimento e o património O IMPOSTOS INDIRECTOS – Recaem no consumo ou despesas O FINALIDADES FISCAIS E EXTRA FISCAIS DOS IMPOSTOS O FISCAIS .Impostos – Conceitos Gerais A RETER… O FASES DO IMPOSTO O Incidência .Imposto para fazer face aos encargos públicos O EXTRA-FISCAIS .Promover o bem-estar social e a ordem económica O Objectivos da tributação . Real ou Objectiva O Lançamento – Matéria Colectável O Liquidação – A Colecta O Cobrança – Pagamento Voluntário ou Cobrança Coerciva O CLASSIFICAÇÃO DOS IMPOSTOS O IMPOSTOS DIRECTOS .

Neutralidade do imposto IVA e o princípio do destino 76 .IV.Características dos impostos Imposto Geral sobre o consumo Imposto plurifásico não cumulativo Método de funcionamento do imposto.

77 . Imposto Geral sobre o Consumo O O IVA é um imposto geral sobre o consumo. as prestações de serviços e as importações. uma vez que incide sobre as transmissões de bens.

porque é liquidado em todas as fases do circuito económico. através do método do crédito do imposto. 78 . não é cumulativo. pois o seu pagamento é fraccionado pelos vários intervenientes do circuito económico. desde o produtor ao retalhista. Sendo plurifásico. Imposto plurifásico não cumulativo O O IVA trata-se de um imposto plurifásico.

O imposto é Neutro 79 . podem deduzir o IVA pago pelo produtos que compraram.Método de Funcionamento do Imposto. O As empresas ou entidades que fornecem serviços. Neutralidade do imposto O O IVA é um imposto sobre o consumo (nasce sempre que um bem ou serviço é fornecido). isto é não suportam o custo total do IVA.

As saídas (exportações) e Transmissões Intracomunitárias de Bens beneficiam de isenção completa.Tributam-se as importações e Aquisições Intracomunitárias de Bens.Iva e o príncipio do destino . 80 . .

Incidência dos Impostos Incidência real ou objetiva e incidência pessoal ou subjetiva Localização das operações tributárias Localização das prestações de serviços Os serviços relacionados com imóveis Transporte intracomunitário de bens 81 . V.

Incidência do Imposto I A N O QUÊ REAL C (Está sujeito ao (Objectiva) I Imposto) D Ê N QUEM PESSOAL C (Está sujeito ao (Subjectiva) I Imposto) 82 .

O São também tributáveis a transmissão feita pelo importador e as eventuais transmissões subsequentes de bens transportados ou expedidos de um país terceiro. quando as referidas transmissões ocorrerem antes da importação – nº 2 Art. 83 .º 6º CIVA. no caso de não haver expedição ou transporte.Localização das Operações Tributárias O São tributáveis as transmissões de bens que estejam situados no território nacional no momento em que se inicia o transporte ou expedição para o adquirente ou. no momento em que são postos à disposição do adquirente – nº 1 Art.º 6 CIVA.

º 6º CIVA O São tributáveis as prestações de serviços efectuadas a: a) Um sujeito passivo dos referidos no n. o domicílio. se situe no território nacional. cuja sede.º 5 do artigo 2. o domicílio do prestador. estabelecimento estável ou. na sua falta.º. onde quer que se situe a sede. 84 quando o prestador tenha no território nacional a sede da sua actividade.Localização das Prestações de Serviços – Art. estabelecimento estável ou. na sua falta. um . para o qual os serviços são prestados. b) Uma pessoa que não seja sujeito passivo.

Art.º 8 CIVA: Prestações de serviços relacionadas com um imóvel sito no território nacional. assim como a concessão de direitos de utilização de bens imóveis e a 85 prestação de serviços de alojamento efectuadas no âmbito da actividade . por empresas de fiscalização de obras. incluindo os serviços prestados por arquitectos.Os serviços relacionados com imóveis O Alínea a). e os que tenham por objecto preparar ou coordenar a execução de trabalhos imobiliários. por peritos e agentes imobiliários.

Art. O Exceções – Art. 86 .º 11º.Transporte Intracomunitário de bens O Regra geral as prestações de serviços de transportes de bens são tributados sempre que o lugar de partida se situe em território nacional – alínea b). CIVA.º 10º CIVA.

VI.Funcionamento do sistema fiscal português Reforma da tributação indirecta Adopção do IVA como modelo comunitário de tributação Isenções Valor tributável Taxas Direito à dedução e apuramento do imposto Reembolsos Sujeitos passivos mistos Obrigações Regimes especiais 87 Regime do IVA nas transacções intracomunitárias .

IT . Tributação automóvel ISV .Imposto Especial sobre o Consumo: IABA .Imposto sobre o Álcool e as Bebidas Alcoólicas.Imposto do Selo (também sobre a despesa) Impostos especiais sobre o consumo (IEC) São três os impostos abarcados pelo IEC .Imposto sobre o Tabaco.Imposto Sobre Veículos IUC . Os Principais Impostos Portugueses Impostos sobre o rendimento IRS .Imposto sobre o Rendimento de pessoas Colectivas Impostos sobre a despesa IVA .Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos e energéticos.Imposto de Valor Acrescentado IS .Imposto sobre o Rendimento de pessoas Singulares IRC .Imposto Único de Circulação 88 . ISP .Imposto Municipal sobre Imóveis IMT .Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis IS .Imposto do Selo (também sobre o património) Impostos sobre o património IMI .

Caracterização de Dois Impostos Portugueses O IRS O IVA 89 .

IRS .Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Singulares O IRS é o imposto directo que incide sobre o rendimento das pessoas singulares. ou seja. sobre os rendimentos obtidos pelas famílias O Vigora em Portugal desde 1989 e tem como suporte legal o CIRS – Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares 90 .

considera-se titular dos rendimentos o contribuinte que seja sujeito do imposto O Quanto às suas características o IRS é um imposto: O Directo O Pessoal O Estadual O Periódico O Ordinário O Progressivo 91 . Caracterização do IRS O Definição de titular dos rendimentos: Para efeitos de IRS.

IMPOST PORQUE O Directo Incide sobre o rendimento Incide sobre as pessoas Pessoal singulares Estadual É tributado pelo Estado I Periódic É apurado anualmente R o Não se trata de um S Ordinário imposto Especial Progress É proporcional aos ivo rendimentos tributados 92 .

B. feitas as deduções e abatimentos O As bases do imposto estão tipificadas em seis categorias identificadas pelas letras A. F. de acordo com o tipo de rendimento sobre o qual o IRS vai incidir O Cada categoria tem diferentes normas 93 . no entanto. G e H. que são os contribuintes (agregados familiares) O Sobre esses rendimentos são. Incidência O O IRS incide sobre o rendimento global e anual dos sujeitos passivos. E.

salários…) t Rendimentos empresariais e profissionais e B (ENI e liberais) g o Rendimentos de Capitais (juros. lucros. E r prémios de acções…) i Rendimentos Prediais a F (rendas de imóveis arrendados) s Incrementos Patrimoniais G I (prémios de jogos.C Rendimentos do trabalho dependente A a (ordenados. algumas indemnizações) R Pensões H S (pensões várias) 94 .

pré-reforma ou reserva. abonos ou prémios O São tributados os rendimentos resultantes de trabalho por conta de outrem. função ou cargo público. subsídios. comissões.Incidência Real ou Objectiva Categoria A O Nesta categoria incluem-se todo o tipo de remunerações auferidas pela prestação de trabalho dependente. vencimentos. bem como. senhas de presença. nomeadamente: O Ordenados. salários. os auferidos pelos órgãos sociais das empresas 95 . gratificações. percentagens. participações.

Categoria B O Nesta categoria encontram-se todos os rendimentos empresariais e profissionais. em situações mais específicas. artísticos ou técnicos. destacando-se os seguintes: O Os obtidos pelo exercício de uma actividade comercial. incluindo os científicos. O Obtidos pela prestação de serviços por conta própria. agrícola. industrial. O Derivados da propriedade intelectual (direitos de autor) ou industrial (patentes). O Entre outros. 96 . silvícola ou pecuária (os 3 últimos podem estar excluídos se não atingirem determinados montantes) .

bingo etc. seguros e fundos de pensões etc. F. invalidez. 97 . loto. G e H O Categoria E – Juros diversos. bem como de outros bens móveis. de alimentos. O Categoria F – Rendas de prédios (rústicos e urbanos).) O Categoria H – Pensões de reforma. totoloto. remunerações de participações de capital e lucros. O Categoria G – Indemnizações (não patrimoniais) e prémios de jogos (lotarias. Categorias E. sobrevivência. velhice.

Incidência Pessoal ou Subjetiva O O IRS é devido pelas pessoas singulares que residam no território nacional e pelas que aqui obtenham rendimentos. O Cada pessoa não pode fazer parte de mais de um agregado familiar. O Quando há agregado familiar o imposto é devido pelo conjunto dos rendimentos das pessoas desse agregado. O O agregado é aquele que se verifica a 31/12 do ano a que respeita o imposto. O O agregado é constituído pelos cônjuges não separados (ou por pai ou mãe solteiros ou adoptante) e pelos dependentes a cargo. 98 .

Apuramento do Rendimento Global Líquido O O Rendimento Global Líquido apura-se subtraindo aos rendimentos brutos as deduções específicas de cada categoria: Rendimento Bruto . Deduções Específicas = Rendimento Liquido O Rendimento bruto é o valor declarado em cada categoria de rendimentos 99 .

O Portanto. e que poderão subtrair-se por categoria. 100 . legalmente estabelecidos. O As deduções específicas são os valores. nas diferentes categorias.Apuramento do Rendimento Global Líquido O Os Sujeitos passivos do mesmo agregado familiar podem optar pelo englobamento. o valor da dedução específica é diferente consoante a categoria. pelo mesmo agregado familiar. O O englobamento é o acto de agrupar todos os rendimentos brutos auferidos no ano. ao rendimento bruto declarado.

Apuramento do rendimento colectável O O Rendimento Colectável apura-se com a dedução dos abatimentos ao rendimento global líquido: Rendimento Rendimento Colectável = Líquido .Abatimentos O Então. atente-se que os abatimentos são deduzidos ao rendimento global líquido e as deduções específicas são deduzidas ao rendimento bruto 101 .

específicas de cada categoria O Na categoria A pode deduzir-se 72% do salário mínimo nacional anual e ainda o montante que ultrapasse as contribuições obrigatórias para a segurança social 102 . como o nome indica. os valores definidos pelo CIRS que se diminuem directamente ao rendimento líquido O Os abatimentos mais frequentes que se podem deduzir são pensões de alimentos pagas e decretadas judicialmente O As deduções específicas são.Apuramento do rendimento colectável O Abatimentos são. portanto.

Determinação da Colecta O Antes de se apurar a colecta poderá ter de se corrigir o rendimento colectável de acordo com a situação familiar O Assim. os contribuintes casados dividem por 2 o rendimento colectável e chegam ao rendimento colectável corrigido O A esta divisão por 2. chama-se a aplicação do quociente conjugal=2 O Os contribuintes solteiros não aplicam qualquer quociente 103 .

Determinação da Colecta O Esta correcção faz-se apenas para aplicar a taxa. consoante o escalão O Os contribuintes solteiros aplicam a taxa logo ao rendimento colectável 104 . volta-se a multiplicar por 2. se temos quociente conjugal = 2: Rendimento Rendimento Colectável Colectável : 2 = Corrigido O É a este valor que se vai aplicar a taxa do imposto. pois a seguir. para chegar à colecta total O Então.

O As taxas podem ser de três tipos: Gerais. liberatórias e especiais. as taxas gerais podem ir até aos 44.5%. Actualmente. O Mas.Determinação da Colecta O Ao aplicar a taxa apura-se a colecta. O Rendimento Colectável X Taxa = Colecta → Solteiros Corrigido X 2 → Casados 105 . só têm a colecta total (do casal) depois de voltar a multiplicar esse valor pelo quociente 2. nos escalões de rendimentos mais elevados. os contribuintes casados.

O IMPOSTO A PAGAR .se for positivo O IMPOSTO A RECUPERAR . a colecta geralmente não é ainda o imposto a pagar ou a recuperar.se for negativo O O Imposto a Pagar ou a Recuperar é o resultado da subtracção à colecta das: O Deduções à colecta O Retenções na fonte O Pagamentos por conta 106 .Deduções à colecta. retenções na fonte e pagamentos por conta O Mas.

: saúde. educação. . retenções na fonte e pagamentos Colecta por conta (VALOR APURADO ATRÁS) – Deduções à colecta (ex. formação. Deduções à colecta. energias renováveis. seguros) – Retenções na fonte (valores retidos ao longo do ano – por quem paga os rendimentos) Pagamentos por (pagamentos feitos ao longo do Conta ano por alguns sujeitos – 107 ENI) = IRS a PAGAR ou (Quando é positivo é a pagar.

sujeitos passivos de IRS. os contribuintes têm mais obrigações. 108 . Mod 3. O Todos os contribuintes. entre outras. estão obrigados a entregar uma declaração anual de rendimentos. as declaratórias. que informam a administração fiscal dos rendimentos obtidos no ano anterior e a sua situação contributiva. Obrigações O Além da obrigação de pagar o imposto. O É com esta declaração de modelo oficial.

a Mod 3 é constituída por diferentes anexos. e uma declaração anual de informação contabilística e fiscal no caso de possuírem contabilidade organizada. enquanto que os da categoria B (de trabalho independente) utilizam o anexo B. da Mod 3. os rendimentos das categorias A (de trabalho dependente) e H (de pensões). 109 . O Quem tem rendimentos da categoria B tem ainda que apresentar as declarações de início e cessação de actividade. são declarados no anexo A. também usados para outras informações. Obrigações O Uma vez que existem várias categorias de rendimentos sujeitos a IRS. quando estas ocorram. O Os mais comuns.

º Rendimentos do trabalho dependente: deduções 1 .IRS Artigo 25. educação.Aos rendimentos brutos da categoria A deduzem-se. nos restantes casos. seguros ou segurança social e desde que não excedam. os seguintes montantes: a) 72 % de doze vezes o valor do IAS. a indemnização de valor não superior à remuneração de base correspondente ao aviso prévio.º 55-A/2010. apoio à terceira idade. habitação. sendo acrescidas de 50%. até à sua concorrência. em relação a cada sujeito passivo. as contribuições obrigatórias para regimes de protecção social e 110 para subsistemas legais de saúde. e por cada titular que os tenha auferido. Caso Prático 1 . porém. 2 . (Redacção da Lei n. c) As quotizações sindicais. de 31 de Dezembro) b) As indemnizações pagas pelo trabalhador à sua entidade patronal por rescisão unilateral do contrato individual de trabalho sem aviso prévio em resultado de sentença judicial ou de acordo judicialmente homologado ou. excederem o limite fixado na alínea a) do número anterior. na parte em que não constituam contrapartida de benefícios de saúde.Se. 1% do rendimento bruto desta categoria. .

111 .

112 .

113 .

114

115

1. Que categorias de
rendimentos se encontram no
enunciado?
O Categoria A – salários:
Sr João: 24.500€
Srª Maria: 800*14= 11.200€

O Categoria E – Juros de Depósito:
DP: 2000€

116

622.200€ = 1232€ A dedução Específica é 3. Calcule as deduções específicas – Art.aliena a).06€ e 1232€< 3622.06€. 117 .06€ . 25º . nº1: 72%*12*419.nº2: Contribuição obrigatória Segurança social: Sr João: 11%*24. 2.22 € = 3.500€ = 2695€ Srª Maria: 11%*11.622.06€ para ambos Porque 2695€<3622.

500€ .06 = = 28.3. Coeficiente conjugal: 2 28.06 + 11200 .455.88€ / 2 = 14227. Determine o Rendimento global líquido e a coleta.94€ 118 . Rendimento Global líquido: 24.3622.88€.3622.455.

119 .

3.5% = 2059.015+2059.074. Determine o Rendimento global líquido e a coleta.96€ Coleta do casal: 3.074.015€ (14227.96 = 3.5% = 1.92€ 120 .96€ Coleta total individual 1. Coleta: 7000*14.96€ * 2 = 6149.94-7000)*28.

João: 419.22*45% = 188.65€ Total deduções personalizantes (art.Calcule as deduções à coleta – Art. 79º): 712.22*45% = 188.65€ André: 419.22*45% = 188.65€ Srª Maria: : 419.22*45% = 188. 78º a 87º.65€ Ana: 419. Deduções dos sujeitos passivos: Sr.67€ 121 .

78º a 87º. Ana (NIF 000 000 004): 200€*10%= 20€ Total saúde: 20+30+40+20 = 110€ Limite max. Despesas Saúde: João (NIF 000 000 001): 200€*10% = 20€.: 2*IAS: 838. André (NIF 000 000 003): 400€*10% = 40€. Maria (NIF 000 000 002): 300€*10% = 30€.44€ 122 .Calcule as deduções à coleta – Art.

Ana (NIF 000 000 004): 450€*30%= 135€ Total educação: 300€ Limite max. Despesas de educação: André (NIF 000 000 003): 550€*30%=165€.: 160%*IAS: 670.75 € 123 . 78º a 87º.Calcule as deduções à coleta – Art.

Deduções educação: 300€ = IRS Liquidado: 5.75€ (IRS a Receber) Nota: o IRS dos juros não esta reflectido na declaração 124 .92€ Santos.25€ . Determine o valor de IRS a pagar ou receber da família Coleta: 6149.Retenção na Fonte: 6.67€ .000€ = .Deduções personalizantes: 712.972.Deduções saúde: 110€ .027. .

IVA Imposto Sobre o Valor Acrescentado O O IVA é um imposto indirecto que incide sobre o consumo de bens e serviços. em todas as fases do circuito económico mas. O Vigora em Portugal desde 1986 e tem como suporte legal o CIVA – Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado 125 . a sua base tributável limita-se ao valor acrescentado em cada fase. como o seu nome indica.

da produção ao I retalho V Embora seja liquidado por cada agente Neutro A económico nas várias fases. acaba por só ser pago pelo consumidor final É ainda um imposto que é liquidado e pago pelos agentes económicos sem intervenção directa da 126 administração fiscal . Imposto: Porque : Incide sobre o consumo (despesa) e Indirecto não sobre o rendimento Recai sucessivamente sobre o valor Plurifásico acrescentado em todas as fases do circuito económico.

IVA DEDUTÍVEL. cada empresa só entrega ao Estado a diferença entre o que recebeu dos seus clientes - IVA LIQUIDADO . IVA O O mecanismo de funcionamento do IVA é simples: O ao longo do circuito económico as empresas entregam ao Estado o seu valor. que só é pago pelo consumidor final O Assim. IVA IVA IVA 127 LIQUIDADO .DEDUTÍVEL = APURADO .e o IVA que entregou aos seus fornecedores .

quando o IVA Liquidado é maior que o Dedutível. O Genericamente. IVA O IVA LIQUIDADO – é o valor do imposto aplicado. O IVA DEDUTÍVEL – é o valor do imposto aplicado. O IVA APURAMENTO – é o valor a pagar ou a receber do Estado que a empresa apura após as suas vendas e compras. nas compras que a empresa efectua. e que se recebe dos clientes. nas vendas que a empresa efectua. que se entrega aos fornecedores. a empresa tem a pagar a diferença ao Estado 128 .

IVA O Assim se: O Liquidado > Dedutível ⇒IVA a pagar O Dedutível > Liquidado ⇒IVA a receber O Dedutível = Liquidado ⇒não paga não recebe 129 .

Primas Venda Industrial Venda Supermercado Venda Final P.00. Exemplo Fornecedor Empresa Retalhista Consumidor Mat.Custo= 1.230.00€ Entrega ao Estado: Entrega ao Estado: Entrega ao Estado: Paga o total 230.00€ P.460.00€ 130 .000.00€ Iva 23%= 460.500.00=115.845. 460.00=115.00€ Iva 23%= 345.000. Custo = 1.Custo = 2.00€ 1.00€ Iva 23%= 230. 460.00.00€ 2.00€ 345.00€ 1.00€ P.00€ 345.00€ 230.

ou seja. a saber: O Transmissões de bens O Prestação de serviços O Importação de bens O Operações intracomunitária (UE) sempre que efectuadas em território nacional 131 . Incidência Real O A incidência real do IVA baseia-se no princípio da territorialidade. estão sujeitas ao imposto todas as transmissões que ocorrem em território nacional. genericamente.

em facturas ou documento equivalente 132 . independente e regularmente exerçam actividades: O De produção O Comércio ou prestação de serviços O Actividades extractivas ou agrícolas O Profissões livres O De importação de bens O Operações intracomunitárias O Está também sujeito ao imposto quem mencione indevidamente o IVA. Incidência Pessoal O São sujeitos passivos do imposto as pessoas singulares ou colectivas que.

o IVA é exigível no momento da emissão ou quando termina o prazo para o fazer – 5 dias após a entrega dos bens ou prestação do serviço. O É o Direito Aduaneiro que dispõe quando se aplica o IVA nas importações 133 . O Nas transmissões em que há obrigação de emitir factura.Aplicação no Tempo (exigibilidade) O O IVA é devido e torna-se exigível a partir do momento em que os bens são colocados à disposição do comprador O No caso das prestações de serviços o IVA é devido e exigível a partir do momento da sua realização.

com exclusão de imposto. exportação ou actividades conexas e não tenham obtido no ano civil anterior um volume de negócios. Regimes de Tributação O código do IVA prevê um regime de tributação normal.000€. Regimes Especiais: . não pratiquem operações de importação. . Regime de isenção: Aplica-se aos sujeitos passivos que simultaneamente: não possuam nem sejam obrigados a possuir contabilidade organizada para efeitos de IRS ou IRC. . 3 regimes de tributação especiais e ainda diversos regimes particulares. superior a 10. Regime Normal. 134 .

Sejam pessoas singulares.º1. Art.Não pratiquem operações de importação.000€. exportação ou atividades . .Tenham um volume de compras de bens destinados a venda sem transformação atinja 135 pelo menos 90% do volume de Compras (n. Art. CIVA). para apurar o Imposto devido ao Estado. .º 60. aplicam um coeficiente de 25% ao valor do imposto suportado nas aquisições de bens destinados a vendas sem transformação (n. Regime Pequenos Retalhistas: Aplica-se aos sujeitos passivos que simultaneamente: . Regimes de Tributação . CIVA).º 60. não possuam nem sejam obrigados a possuir contabilidade organizada para efeitos do IRS e não tenham tido no ano civil anterior um volume de compras superior a 50.º6.

gasóleo e Petróleo carburante efectuadas por revendedores é liquidado por estes com base na margem efectiva de vendas. 136 . Regimes de Tributação .Regime de tributação dos combustíveis líquidos aplicável aos revendedores: Aplica-se ao imposto devido pelas transmissões de gasolina.

no caso de não haver expedição ou transporte. Assim. no momento em que são postos à disposição do adquirente (nº1. as transmissões de bens são tributadas no local onde são efetuadas 2º o princípio da tributação no país de destino. Art.Localização das transmissões de bens Regra geral.º 6. 137 . CIVA). são tributadas as transmissões de bens que estejam situados no território nacional no momento em que se inicia o transporte ou expedição para o adquirente ou.

art.Localização das prestações de serviços Regra geral. Assim serão tributadas em território nacional as prestações de serviços quando o seu prestador aí tiver a sua sede.º6. as prestações de serviços são tributadas no local da sede do prestador.º 6. CIVA) 138 . estabelecimento estável ou domicílio a partir do qual os serviços sejam prestados (n. 2º o principio do pais de origem.

o .ou completa – quando não liquida mas pode deduzir nas compras. O A isenção de IVA significa que o agente económico está dispensado de liquidar o IVA aos outros agentes. Isenções O O CIVA prevê um conjunto de isenções que podem ser: simples – o sujeito passivo não liquida nem deduz . 139 O A isenção é apenas uma excepção à regra de incidência. pois neste imposto.

remoção de lixos. mas estão enumeradas no CIVA. etc. aluguer de imóveis. explicações. ensino ou formação profissional. aluguer de livros. tempos livres e lares. creches. segurança e assistência social.Isenções nas operações internas 140 . leite e sangue humanos. O Estas operações internas beneficiam de isenções simples. mas a maioria das isenções aplica-se à prestação de serviços: Transporte de doentes/feridos. Isenções nas Operações Internas O São muito extensas as operações internas isentas.º . transmissão de órgãos. seguros. O Há profissões isentas. visitas a museus. Artigo 9.

triciclos e automóveis para uso de deficientes.Isenções nas importações 141 .º . as mais importantes são: O As importações definitivas de bens que no território nacional estejam isentos.Isenções nas Importações O As isenções nas importações são também simples. Artigo 13. O As importações de gás natural e electricidade O As importações de cadeiras de rodas. O As importações definitivas de aeronaves. O As importações de ouro do Banco de Portugal.

O Transporte de pessoas proveniente ou com destino ao estrangeiro. Artigo 14.Isenções nas exportações. operações assimiladas e transportes internacionais 142 .º . O As mais importantes são: O Transmissão de produtos transportados ou expedidos para fora da UE. O Transmissões para o Banco de Portugal de ouro em barra ou em bruto.Isenções nas Exportações O As exportações beneficiam geralmente de isenção completa.

O Taxa reduzida. que se aplica à grande parte dos produtos e serviços transaccionados. O Taxa intermédia. que é aplicada à maioria dos produtos considerados de primeira necessidade e também aos de educação. Taxas de IVA O O IVA tem apenas três diferentes taxas: O Taxa normal. informação e cultura. O As nossas taxas são das mais elevadas da UE 143 . com menor aplicação é a que se aplica a alguns produtos naturais.

Continente Madeira Açores Tx normal O Taxas em 23% 22% vigor em Portugal: 16% Tx Intermédia 13% 12% 9% 144 Tx Reduzida 6% 5% 4% . Taxas de IVA em Vigor O O valor das taxas não é o mesmo desde a entrada em vigor do imposto. pois têm tido várias alterações O As taxas aplicadas nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores são mais baixas que no continente.

Passivo Dedutível > Liquidado ⇒ IVA A RECUPERAR + Reg. Passivo do Estado 145 . a favor do Estado do Suj. a favor + Reg.Apuramento do Imposto O O apuramento do IVA obtém-se pela diferença entre o IVA Liquidado e o IVA dedutível corrigido das regularizações. a favor + Reg. IVA IVA IVA IVA Apuramento = Liquidado – Dedutível ± Regularizações Liquidado > Dedutível ⇒ IVA A PAGAR + Reg. a favor do Suj.

abatimentos ou bónus.IVA Liquidado. O IVA DEDUTÍVEL calcula-se com base nas aquisições do sujeito passivo (apenas dos que não usufruem de isenções simples). Pode ser a favor do Estado ou da Empresa 146 . Não se aplica aos descontos. O IVA REGULARIZAÇÕES resulta de correcções devido a liquidações ou deduções incorrectas. Dedutível e Regularizações O IVA LIQUIDADO é o que é suportado pelos clientes nas vendas ou prestações de serviços e despesas associadas que conste das factura emitidas. Conferem direito à dedução apenas as operações sujeitas ao imposto e dele não isentas e ainda as exportações.

Periodicidade e Aplicação Temporal O As empresas podem enquadrar-se em dois regimes de apuramento do IVA: O Regime Normal Mensal: Volume de negócios igual ou superior a 650. O Regime Normal Trimestral: Volume de negócios inferior a 650.000€ no ano civil anterior. após o apuramento: O Mensal – até dia 10 do 2º mês seguinte O Trimestral – até dia 15 do 2º mês seguinte 147 . O A entrega das declarações tem que ser feita nos seguintes prazos.000€ no ano civil anterior.

O Obrigações do Sujeito Passivo O De declaração – periódica e anual e ainda de inicio. O De contabilização – dispor de contabilidade adequada à verificação do imposto. Periodicidade e Aplicação Temporal O Se as empresas têm IVA a Recuperar podem optar por uma de duas situações: O A diferença reporta e é deduzida nos períodos seguintes. 148 . ou O A diferença é reembolsada pelo Estado a pedido da empresa. alteração e cessação de actividade. O De facturação – efectuar facturação.

As Obrigações Fiscais O DECLARATIVAS O De Registo O Periódicas O DE PAGAMENTO O CONTABILÍSTICAS 149 .

Sociedades Civis Profissionais) . As Obrigações Fiscais Obrigações Declarativas – De Registo Início de Actividade IRS IRC IVA Categoria B . Pessoas Colectivas SEGURANÇA SOCIAL Até 12 meses após o Até 30 dias após a data início de actividade de início de actividade 150 .Sociedades Comerciais (Rendimentos Empresarias e .Out.

As Obrigações Fiscais Obrigações Declarativas – De Registo Alterações O Sempre à Actividade que existam alterações nos elementos já declarados O A efectuar no prazo de 15 dias PESSOAS SINGULARES SOCIEDADES O Situações -Nome aplicáveis -Designação frequentes: mais Social -Morada -Domicílio Social -Área de Actividade -Objecto Social -Enquadramento em IVA -Enquadramento em IVA (Vol. Negócios) -Opção Regime de -Opção Regime de Tributação (IVA/IRS) Tributação (IVA/IRC) -Opções e definições -Alterações relativas à relativas à Contabilidade Contabilidade -Alterações nos corpos 151 sociais . Negócios) (Vol.

As Obrigações Fiscais Obrigações Declarativas – De Registo Cessação O A apresentar da de no prazo Actividade 30 dias após a verificação da cessação O Pessoas Singulares .Quando estiver encerrada a Liquidação 152 .Quando encerrar a actividade O Sociedades .

As Obrigações Fiscais Obrigações Declarativas – Periódicas Anuais O IRS – Modelo 3 O IRC – Modelo 22 153 .

000 Euros 154 .000 Euros Trimestral: O Até ao dia 15 do 2º mês seguinte ao final do trimestre a que respeitam as operações O Se o Volume de Negócios for inferior a 650.Declarações Periódicas Mensal: O Até ao dia 10 do 2º mês seguinte àquele a que respeitam as operações O Se o Volume de Negócios for igual ou superior a 650. As Obrigações Fiscais Obrigações Declarativas – Periódicas Outras Periodicidades O IVA .

B) O Calculados em função do 2º ano civil anterior. efectuam-se em: O Julho O Outubro O Dezembro O Retenções na fonte O Cat.Trabalho Dependente / Pensões O Efectuadas pela entidade patronal/entidade pagadora com base em tabelas O Têm que ser entregues nos cofres do Estado até ao dia 20 de cada mês seguinte 155 . A / H . As Obrigações Fiscais Obrigações de Pagamento: IRS O Liquidação efectuada pelos serviços (anual) O Pagamentos por conta (Cat.

As Obrigações Fiscais Obrigações de Pagamento : IRC O Autoliquidação (o contribuinte calcula o imposto a pagar): O Tem que ser efectuado o pagamento até à data limite de entrega da Mod. Setembro e Dezembro 156 . 22 O Pagamentos por conta: O Calculados em função do imposto liquidado e do volume de negócios do ano anterior O Abatem-se no cálculo do imposto a pagar por Autoliquidação O Efectuam-se em: Julho.

se não estiverem no Regime Simplificado de Tributação O Se estiverem no Regime Simplificado têm que possuir livros de registo (IVA) 157 . B): O São obrigadas a possuir Contabilidade Organizada. independentemente do regime de tributação O São obrigados a manter os livros obrigatórios (selados) actualizados O As declarações fiscais têm que ser assinadas por um Técnico Oficial de Contas (TOC) O PESSOAS SINGULARES (CAT. As Obrigações Fiscais Obrigações Contabilísticas: Escrituração O SOCIEDADES: O São obrigadas a possuir Contabilidade organizada.

comércio ou serviços São obrigadas a emitir factura ou documento equivalente. As Obrigações Fiscais Obrigações Contabilísticas: Facturação O As pessoas singulares titulares da Categoria B – Rendimentos Profissionais O As pessoas colectivas que exerçam actividades de produção. nos termos do Artº 35 do CIVA 158 .

Referências Formação O Portal das Finanças: www.pt O CIRS O CIRS O CIVA O CIS O CIMI O CIMT O CIABA O CISP O CIT O CISV O CIUC 159 .portaldasfinancas.VII.gov.

V c) Receitas Voluntárias são aquelas receitas que o Estado não obtém através de negociação. F 160 f) São exemplos de despesa pública a segurança. São fixadas de forma obrigatória sem possibilidade de negociação. educação e saúde. V e) As despesas públicas são os gastos efetuados pelo Estado e outros entes públicos na satisfação das necessidades individuais nas suas mais diversas áreas. V d) Receitas creditícias: resultam do recurso ao crédito por parte do Estado (contração de empréstimos). Indique se as seguintes afirmações são verdadeiras (V) ou falsas(F). faça um circulo à volta da opção que considera correta: (cotação total: 2.1 valores – 0. ou seja. São também chamadas Receitas Patrimoniais.3 por alínea) a) As receitas públicas são os rendimentos económicos obtidos pelo Estado e outras entidades públicas para fazer face às receitas públicas. F b) Receitas Coactivas são aquelas que o Estado obtém por imposição. V g) O Benefício Fiscal é um regime especial de tributação que envolve uma vantagem ou . por coação. Correção Teste 1. porque resultam da venda de património ou da prestação de serviços pelo Estado a qualquer outro contratante particular ou coletivo.

Correção Teste
2. Complete as seguintes afirmações escrevendo a palavra adequada no espaço
em branco:
(cotação total: 2,1 valores – 0,3 por alínea)
a) Receitas ordinárias: são as receitas que têm carácter Permanente .

b) Receitas extraordinárias: são as receitas que têm carácter Excecional .

c) O direito fiscal é um ramo específico do direito Financeiro e este é um dos
ramos do direito Público.

d) O direito fiscal é o ramo do direito financeiro que integra as nomas que
regulam as relações do Imposto, os seja, o cobrança de receitas através dos
impostos.

e) Compete ao Governo, no exercício de funções legislativas: fazer Decretos-lei
em matérias não reservadas à Assembleia da República e fazer Decretos-lei
em matérias de reserva relativa da Assembleia da República, mediante
autorização desta. 161

f) Princípio da Territorialidade : A lei fiscal de um Estado apenas abrange os
factos situações que ocorram no território desse Estado e os Rendimentos que

Correção Teste
3. Dos elementos abaixo enumerados, indique qual ou quais a(s), caracterizam a
natureza do imposto, assinalando com uma cruz:
(cotação total: 1,8 valores – descontam 0,3 valores por cada seleção incorreta)

 Prestação Tributária Coactiva

 Prestação Pecuniária

Prestação Bilateral

 Prestação Unilateral

 Prestação Estabelecida por Lei

 Prestação Sem Carácter de Sanção

 Finalidades Fiscais e Extra Fiscais

162

Correção Teste
4. Da lista abaixo, indique qual ou quais a(s), correspondem a
exemplos de impostos , assinalando com uma cruz:
(cotação total: 1,2 valores – descontam 0,4 valores por cada
seleção incorreta)

 IVA

Propinas

 IMI

 IRS

Taxa audiovisual

163

do ponto de vista da natureza fiscal: (cotação total: 1. É sempre o Estado que é a quem a lei atribui o direito de cobrar impostos Sujeito PASSIVO do Imposto: São os que pagam o valor do imposto. 6.5 valores) As MULTAS têm natureza não fiscal e as COIMAS têm natureza fiscal. distinga Multas de Coimas. Defina Sujeito Passivo e Sujeito Ativo: (cotação total: 1. É sempre o contribuinte que é a quem a lei exige o pagamento dos impostos.5 valores) Sujeito ACTIVO do Imposto: É aquele que recebe o valor do Imposto. Correção Teste 5. 164 . No máximo em 2 linhas.

situações sujeitos a imposto e das pessoas sobre as quais recai o dever de os prestar. saber sobre QUEM ou O QUÊ se aplicam as normas desse imposto Liquidação do Imposto É um conjunto de procedimentos . parte do contribuinte sujeito passivo e a entrada do valor do imposto cofres do Estado 165nos . Faça a correspondência das diferentes fases do imposto às respetivas definições: (cotação total: 2 – descontam 0. que levam à identificação do sujeito passivo e ao apuramento do valor sobre o qual irá incidir esse imposto Cobrança do Imposto È o pagamento do imposto por . . . ou seja. matéria colocável para determinar o valor de imposto a pagar (a coleta) Lançamento do Imposto É a definição legal dos atos ou .5 valores por cada seleção incorreta) Incidência do Imposto É a aplicação da taxa legal à . . . Correção Teste 7.

Faça a correspondência às respetivas definições: (cotação total: 2 – desconta 1 valor por cada seleção incorreta) Correção Teste 8. . ou seja o consumo ou despesa. isto é. a utilização desse rendimento . Faça a correspondência às respetivas definições: (cotação total: 2 – desconta 1 valor por cada Impostos directos São os impostos que incidem sobre seleção incorreta) .1. . isto é reduzem o rendimento disponível onerando os preços dos bens e serviços 166 . o rendimento e o património. tributam diretamente o rendimento nacional Impostos Indirectos São os impostos que recaem sobre .

Correção Teste 9.6 valores por cada seleção incorreta)  Trabalho Propriedade  Rendimento  Capital 167 . o ou os principais fatores de produção: (cotação total: 1.8 – descontam 0. Assinale com uma cruz.

5 valores por cada seleção incorreta) REAL O QUÊ INCIDÊNCIA PESSOAL QUEM 168 . Complete o quadro abaixo. Pessoal (cotação total: 1 – descontam 0.10. com as seguintes palavras: Real.

Correção Teste 11.5 – descontam 0.5 valores por cada seleção incorreta) Indireto  Ordinário Real  Progressivo  Estadual 169 . assinale com uma cruz: (cotação total: 1. Das características enumeradas. caracterizam o IRS. indique qual ou quais a(s).

5 – descontam 0. assinale com uma cruz: (cotação total: 1. indique qual ou quais a(s).5 valores por cada seleção incorreta)  Indireto  Plurifásico  Neutro 170 . Das características enumeradas. Correção Teste 12. caracterizam o IVA.

OBRIGADA PELA ATENÇÃO Príncipios de Fiscalidade Celina Ribeiro 171 .