Você está na página 1de 15

AUTORES:

Bruna Mayara Bonatto - UEPG


Mary Ângela Teixeira Brandalise - UEPG

AVALIAÇÃO EDUCACIONAL E GÊNERO: A


RELEVÂNCIA DA PERSPECTIVA DE
GÊNERO NA AVALIAÇÃO DA POLÍTICA DE
EDUCAÇÃO PRISIONAL PARANAENSE
INTRODUÇÃO

 Esta comunicação apresenta uma revisão sistemática de literatura com o


objetivo de relacionar as concepções do ‘Plano Estadual de Educação no
Sistema Prisional do Paraná – PEESPP’ (PARANÁ, 2012) e as produções
científicas do campo da Educação Prisional (2001-2015) acerca da oferta de
educação nas penitenciárias brasileiras, por meio das políticas públicas.
 A análise centra-se na Educação Prisional como direito e as relações de gênero
nela imbuídas.
 Tal feita é necessária devida sua relevância no processo de avaliação do PEESPP
(2012) numa perspectiva emancipatória.
EDUCAÇÃO PRISIONAL COMO DIREITO E AS RELAÇÕES DE
GÊNERO: POSICIONAMENTOS POLÍTICOS E ACADÊMICOS

Mapeamento das produções científicas


 Revisão sistemática de abordagem qualitativa;
 Duas etapas: 1- as produções foram organizadas conforme a
natureza, o ano de publicação, a instituição de origem, a localização,
o programa de pós-graduação e a instituição penal;
 2- análise das produções no intuito de apreender a concepção da
oferta educacional à população penitenciária, se como um direito ou
como um privilégio; e a concepção de gênero discursivamente
declarada.
MAPEAMENTO DAS PRODUÇÕES CIENTÍFICAS

 Recorte temporal: 1984 – 2016 (2001-2015);


 Bases de busca: Portal da CAPES e das principais
universidades paranaenses;
 Palavra-chave: Educação Prisional;
 24 trabalhos acadêmicos – 8 teses e 16 dissertações.
Somente uma dissertação de mestrado profissional;
 Foram encontradas pesquisas publicadas entre os anos 2001
e 2015. Maior número de publicações: 2011 e 2012, 6 cada;
MAPEAMENTO DAS PRODUÇÕES CIENTÍFICAS

 Maioria das pesquisas teve como lócus uma penitenciária


masculina:
 CATEGORIA (I) - Pesquisas realizadas em instituições penais para a
população masculina (15 produções);
 CATEGORIA (II) - Pesquisas realizadas em instituições penais para a
população feminina (cinco produções);
 CATEGORIA (III) - Pesquisas sobre as políticas educacionais para o
sistema penitenciário, sem focar a análise em uma instituição penal
(quatro produções).
EDUCAÇÃO PRISIONAL COMO DIREITO E AS RELAÇÕES DE
GÊNERO: POSICIONAMENTOS POLÍTICOS E ACADÊMICOS

 Primeiramente verificou-se o que dispõe o PEESPP (2012) acerca da oferta da


educação à população penitenciária paranaense. Se a proposição das ações nele
apresentadas decorre da compreensão – discursivamente declarada – da educação
nesse âmbito como um privilégio ou como um direito.

 Discursivamente no PEESPP evidencia-se claramente a compreensão da educação


no âmbito prisional como direito constitucional e fundamental humano,
convergindo com as preconizações legais federais – CF/88; LEP – que preservam à
população penitenciária o direito constitucional de acesso à educação. Para além
de sua atribuição de promover a inclusão social.
EDUCAÇÃO PRISIONAL COMO DIREITO E AS RELAÇÕES DE
GÊNERO: POSICIONAMENTOS POLÍTICOS E ACADÊMICOS

 Convergindo com a concepção do PEESPP (2012), todas as produções inventariadas


reconhecem por meio das legislações nacionais e internacionais, bem como pelos
posicionamentos teóricos, a educação como um direito fundamental e humano no âmbito
prisional;
 Acerca das questões de gênero, o PEESPP contém um tópico específico denominado “X.
ATENDIMENTO À DIVERSIDADE E INCLUSÃO” (PARANÁ, 2012, p. 113, grifo do autor)
no qual se afirma que a população penitenciária paranaense “caracteriza-se como público
bastante heterogêneo, com acentuada diversidade etária, etnicorracial, sociocultural, de
gênero, de orientação sexual e identidade de gênero”;
 No entanto, não se evidencia discursivamente declarada no plano a concepção do estado do
Paraná sobre gênero.
EDUCAÇÃO PRISIONAL COMO DIREITO E AS RELAÇÕES DE
GÊNERO: POSICIONAMENTOS POLÍTICOS E ACADÊMICOS

 A abordagem da categoria gênero nas pesquisas sobre a oferta e o acesso à educação em


ambiente prisional caracteriza-se como incipiente;
 As produções acadêmicas ao produzirem um conhecimento/saber sobre essa realidade
possibilitando a (re)orientação das políticas públicas da gestão na Educação da Prisional,
bem como reproduzem ou exercem resistência à realidade posta ao tensionar o debate
acerca do tema.

 Diante de tais achados, é muito pertinente expor alguns apontamentos introdutórios a


respeito da relação entre direito e acesso a educação e gênero no âmbito prisional, uma
categoria que precisa ser tensionada e debatida no campo das políticas públicas em
Educação Prisional.
AVALIAÇÃO, EDUCAÇÃO PRISIONAL, GÊNERO: A RELEVÂNCIA
DAS RELAÇÕES DE GÊNERO NAS PESQUISAS EM AVALIAÇÃO
EDUCACIONAL

 O ambiente penitenciário brasileiro é peculiar, sobretudo pelo confinamento e


convivência entre populações específicas (UNODC; OPAS, 2012);

 Reconhecer, apreender, desvelar e refletir a respeito da concepção de gênero na


oferta e acesso da Educação Prisional representa uma questão de direito;

 Além disso, pode refletir significativamente em avanços no âmbito da gestão e


das políticas públicas em Educação Prisional.
EDUCAÇÃO PRISIONAL COMO DIREITO E AS RELAÇÕES DE
GÊNERO: POSICIONAMENTOS POLÍTICOS E ACADÊMICOS

 Estatísticas Paranaenses (BRASIL, 2013): 8.437 sujeitos encarcerados. 1.092 são


mulheres (5,9% da população penitenciária do estado);
 A população penitenciária feminina, por caracterizar a minoria, não é
mencionada no âmbito das políticas públicas com um corpo discursivo
próprio;
 Não há o registro documental da parcela da população penitenciária, seja
masculina ou feminina, que se declara como lésbica, gay, bissexual, travesti,
transexual, bem como há a ausência de um posicionamento político discursivo
no âmbito das políticas públicas a respeito das especificidades, e do tratamento
das mesmas, na gestão da Educação Prisional;
EDUCAÇÃO PRISIONAL COMO DIREITO E AS RELAÇÕES DE
GÊNERO: POSICIONAMENTOS POLÍTICOS E ACADÊMICOS

 Cabe destacar que as questões de gênero como categoria de análise podem equivocar-se
quando tratam somente da historiografia das mulheres, visto que a complexidade dessa
categoria abrange a diversidade do exercício da sexualidade;

 É muito pertinente nas pesquisas em avaliação um posicionamento teórico em relação à


compreensão das questões de gênero quando essas emergem no contexto do
objeto, considerando que o conceito de gênero origina-se na dinâmica das diferenças entre
os sexos intrínsecas às relações sociais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

 Tanto o PEESPP (2012) quanto as produções acadêmicas reconhecem


discursivamente a educação como direito à população penitenciária. No
entanto, as questões relativas ao gênero no acesso à educação da população
penitenciária paranaense não se apresenta no documento como uma
preocupação política;

 Somente as produções científicas que se propõem a analisar a oferta


educacional em penitenciárias femininas reconhecem e destacam a discussão
da categoria gênero em suas análises;
CONSIDERAÇÕES FINAIS

 A abordagem da categoria gênero nas pesquisas sobre a oferta e o acesso à educação


em ambiente prisional caracteriza-se como incipiente e necessita de maior exploração;

 A partir da perspectiva da análise sociológica da avaliação, percebe-se a necessidade de


agregar a categoria gênero quando o objeto de avaliação consiste nas políticas e/ou
programas educacionais no ambiente prisional;

 É fundamental a compreensão da influência dos aspectos da conjuntura social na


elaboração, desenvolvimento e aplicabilidade de uma política e/ou programas educacionais
para que se possa tensionar o debate acadêmico a respeito das possibilidades e limites
das perspectivas de avaliação até então desenvolvidas para esses objetos.
GRATA PELA ATENÇÃO!
 (bruna.bonatto@hotmail.com)

 (marybrandalise@uol.com.br)
REFERÊNCIAS

 BRASIL, Conselho Nacional do Ministério Público. A visão do Ministério Público brasileiro sobre o sistema prisional brasileiro. Brasília: CNMP, 2013.
 ______. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em cinco de outubro de 1988. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm>. Acesso em: 18 jul. 2016.
 ______. Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984. Institui a Lei de Execução Penal. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7210.htm>. Acesso
em: Acesso em: 15 fev. 2016.
 BELLONI, Isaura.; MAGALHÃES, Heitor de.; SOUSA, Luzia Costa de. Metodologia de avaliação em políticas públicas: uma experiência em educação
profissional. São Paulo: Cortez Editora, 2000. 95p.
 ESCRITÓRIO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DROGAS E CRIME (UNODC). ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE (OPAS). Guia sobre gênero,
HIV/AIDS, coinfecções no Sistema Prisional. Brasília: Ministério da Saúde, 2012.
 GARUTTI, Selson. Políticas públicas educacionais na Penitenciária Estadual de Maringá – Paraná (1999-2010): Possibilidade de reinserção social do
apenado. 2015, 174f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2015.
 PARANÁ, Secretaria de Estado da Educação. Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania do Paraná. Plano Estadual de Educação no Sistema Prisional do
Paraná. Disponível em: <http://www.depen.pr.gov.br/arquivos/File/planoedu.pdf>. Acesso em: 15 fev. 2015.
 PERROT, Michelle. Escrever uma história das mulheres: relato de uma experiência. Cadernos Pagu, Campinas, n. 4, p. 09-28, 1995.
 ROSEMBERG, Fúlvia. Caminhos cruzados: educação e gênero na produção acadêmica. Educ. Pesq., São Paulo, v. 27, n. 1, p. 47-68, jan./jun. 2001.
 SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade, Porto alegre, v. 2, n. 20, p. 71-99, jul./dez. 1995.
 SILVA, Gerlan Oliveira da. Avaliação diagnóstica da oferta educacional no sistema prisional brasileiro: identificando dificuldades e potencialidades. 2011,
142f. Dissertação (Mestrado em Educação Brasileira) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2011b.