Você está na página 1de 25

Curso de Graduação em Enfermagem

Estágio Saúde da Criança


Professora Lizete e Marcia
QUEIMADURA QUÍMICA DE
APARELHO DIGESTIVO (ESÔFAGO)
POR CORPO ESTRANHO (BATERIA)
INGESTÃO DE AGENTES QUÍMICOS
É uma das intoxicações mais comuns na infância.
 Faixa etária pediátrica  alta morbidade.
- Os ácidos:
-Ácido clorídrico;
-Ácido sulfúrico;
-Ácido acético;
-Ácido nítrico;
-Ácido fosfórico.

- Os álcalis (90% das esofagites por ingestão de substância


química):
-Hidróxido de alumínio;
-Hidróxido de potássio;
-Cosméticos;

-Baterias;
-Teste para gravidez.
INGESTÃO DE BATERIAS E PILHAS

 EMERGÊNCIA MÉDICA – retirar em no máximo 2h!!!


Lesões por 4 mecanismos:

 Intoxicação por metais pesados


 Vazamento do conteúdo alcalino
 Efeito compressivo
 Por corrente eletrolítica com produção de hidróxido
Incidência
Maior incidência em países pobres

 Fatores agravantes:
- Facilidade de aquisição de produtos químicos;
- Baixo preço;
- Embalagens inapropriada;
- Falta de informação.

- 80% em <5 anos  ingestão acidental


- 20-30 anos  suicídio
- Crianças  sexo masculino
- Adultos sexo feminino
- 75%  produto fora do frasco original
- Relação com maus-tratos
MÉTODO DE RETIRADA
COMPLICAÇÕES
 Hemorragia digestiva,
 Pneumonia,
 Perfuração de órgãos,
 Estenoses,
 Neoplasia, gastrite, úlcera.

 Complicações: PNM com derrame pleural


Direito, evoluindo para Sepse pulmonar.
SISTEMATIZAÇÃO DA
ASSISTÊNCIA DE
ENFERMAGEM

Estudo de Caso
INTRODUÇÃO
Tal estudo de caso clínico se
desenvolveu no H.M.J, Rio de
Janeiro/RJ, no setor de Pediatria sob
orientação da Professora Lizete, durante
o 2º semestre de 2016 pelas acadêmicas
de Enfermagem do 10º período da
Faculdade Bezerra de Araújo (FABA).
CASO CLÍNICO
Histórico de Enfermagem
Anamnese: Identificação do Paciente: Nome: K.S.O. Idade:
1 ano 3 meses. Sexo: Masculino.
22/06/2016 às 12:12Hs.
Primeiro atendimento HEPII, Mãe do lactente K.S.O relata
que o menor engoliu bateria de ”pau de selfie”, objeto
provavelmente encontrado no interior do carro, conforme
informação da mãe. Por conta de mudança de
comportamento do menor procurou atendimento no HEPII.
Quando foi realizado o RX que evidenciou corpo estranho.
Foi solicitado endoscopia digestiva para retirado do mesmo,
sem êxito. Criança foi encaminhada para HMSA , onde
houve novo procedimento endoscópio. Retirado corpo
estranho á 01:00 hora, tempo e permanência do objeto no
interior do esôfago de mais ou menos 14 horas.
 Internado: (transferido) para HMJ
 Admissão no HMJ em 24/06/16.
 Diagnóstico: Ingestão de Corpo Estranho com Metais
Pesados. Queimadura química de aparelho Digestivo
(ESÔFAGO) por Corpo estranho (bateria).
Complicações: PNM com derrame pleural D, evoluindo
para Sepse pulmonar.
 Em 12/07/16: Admitido no CTI com TOT em VM.
 Em 18/08/16: Saiu do VM, realizado TQT mantendo
MNBZ contínua.
 Em 24/08/16: transferido para UI.
 Em 02/09/16: transferido para enfermaria.
ANTECEDENTES
 Nascido de parto normal. Mãe realizou pré-natal com 7
consultas.
 Peso ao nascer: 3,210 Kg e estatura: 51 cm. Chorou ao
nascer. Recebeu alta em 24h sem intercorrências. Uso de
leite de materno desde o nascimento até 10 meses. Genitora
nega internações e cirurgias. Nega alergia alimentar e
medicamentosa. Cartão de vacinação completo. Dieta
atual: GTT e de prova. Mãe: 28 anos, do lar, saudável. Pai:
26 anos, mecânico, saudável. Irmã: 1 (11anos, saudáveis).
Reside em casa própria, com 8 cômodos, água encanada,
presença de esgoto, coleta de lixo, luz elétrica, localidade
urbana. Renda familiar: mais de três salário mínimos. Nº de
pessoas no domicilio: 4.
EXAME FÍSICO GERAL
 BEG
 Ativa e reativa, corada, hidratada, com saliva
fluida, olhos brilhantes, anictérico, acianótico,
afebril, normotensa, normocárdica, taquepnéica,
extremidades aquecida e com boa perfusão.
 Palpação do tórax: expansibilidade torácica mantida.
Simetria normal, ausência massas.
 AR: MVUA com roncos.
 ACV: RCR em 2T, sem sopro
 Abdômen: plano,e flácido, sem massa e indolor à
palpação e com movimentos peristálticos
EXAMES ESPECÍFICOS

Laboratoriais Realizados
 Gasometria,
 sódio,
 potássio,
 TGO,
 TGP,
 albumina,
 uréia, creatinina,
 glicose,
 hemograma completo,
 coagulograma,
 PCR.
Exames de Imagens
RX do tórax, RX de abdome,
avaliar pneumonia e perfuração
do trato digestório.
USG do tórax,
Endoscopia digestiva alta (EDA) –
mais indicado  orienta
terapêutica e prognóstico.
EDA – LESÕES CÁUSTICAS
Terapêutica Medicamentosa Utilizada
 Vancomicina,
 Meropenem,
 Fluconazol,
 Omeprazol,
 Vitamina K,
 Albumina 20% 1g/Kg/dia,
 Lasix, 2mg/Kg/dia,
 Metilpredinisolona,
 Salbutramol,
 Dobutamina.
 Sedoanalgésicos: Midazolan, fentanil, katamina
Dispositivos Utilizados

 TOT,
 SNE,
 Dreno de trórax,
 SVD,
 TQT
Diagnóstico de Enfermagem (NANDA)
Após a análise e interpretação dos dados, foram identificados
alguns diagnósticos de enfermagem, segundo a NANDA:

 Troca gasosa prejudicada; relacionado a ventilação-perfusão.


 Integridade tissular prejudicada; relacionado a irritantes
químicos.
 Eliminação traqueobrônquica ineficaz; relacionado secreção,
obstrução ou infecção traqueobrônquica.
 Potencial para envenenamento; relacionado ao contato,com
produtos químicos e mentais pesados.
 Potencial para aspiração; relacionado presença de traqueostomia ;
Tubos gastrointestinais.
 Risco de infecção; relacionado imunidade adquirida inadequada;
Procedimentos invasivos, a terapia medicamentosa e internação
hospitalar prolongada .
De acordo com os diagnósticos de enfermagem citados,
verificam-se algumas prescrições e resultados
esperados de enfermagem
Prescrição de Enfermagem Resultados Esperados

Monitorar o estado respiratório (frequência Melhora da ventilação e oxigenação


respiratória, uso da musculatura acessória, adequada dos tecidos.
retrações e oscilação das narinas, cianose,
sibilos e tosse). Aplicar O2.
Avaliar gasometria arterial Evitar alteração de consciência (O2 e CO2)

Verificar TAX e sinais vitais 6/6 horas. Prevenir infecções e complicações

Inspecionar sinais de infecção, monitorar a Evitar complicações


contagem de leucócitos.
Posicionar a sonda e a bolsa de drenagem Proporcionar saída das excreções
de modo que propiciem um fluxo
desimpedido de urina.
Aspirar TQT Proporcionar conforto ao paciente e evitar
obstrução da cânula
Avaliar a prontidão do paciente e da família Fornecer informações objetivas sobre a
em aprender. doença. Apoiar os familiares.
Evolução do Paciente
Em 19/09/2016. Peso: 8.180Kg
Crianças em BEG, encontrada no berço com grades elevadas. Dormiu bem
(SIC). Acompanhada da genitora. Ativa e reativa, corada, hidratada, com
saliva fluida, olhos brilhantes, anictérico, acianótico, afebril, normotensa,
normocárdica, taquepnéica, extremidades aquecida e com boa perfusão. Ao
exame físico: cabeça: couro cabeludo íntegro e sem sujidade, pupilas
isocóricas e simétricas, fotorreagentes, acuidade auditiva preservada,
pavilhão auditivo sem sujidades, cavidade nasal permeável ao fluxo aéreo.
Cavidade oral: lábios hidratados, língua higienizada, região cervical
mobilidade mantida, ausência de gânglios. Tórax: expansibilidade torácica
mantida. ACV: RCR em 2T, sem sopro AR: MVUA com roncos, em uso de
MNBZ contínua Abdômen: plano,e flácido, sem massa e indolor à palpação
e com movimentos peristálticos. Genitália higienizada e preservada. MMSS
e MMII apresentando pele integral e livre de edemas. Força motora
preservada. Dieta através de GTT em bomba infusora. Eliminações
fisiológicas presentes e espontânea (SIC). Encaminhado ao banho e
realizado higienização em ósteo, cânula de TQT e em botton de GTT. Segue
aos cuidados da enfermagem.
TAX: 365 / FC: 153 bpm / FR: 48 ipm / PA: 107/60 mmHg / Sat O2: 99%
METODOLOGIA
O estudo de caso foi baseado em vivências
teóricas-práticas. Instrumento de coleta foi o
prontuário do paciente, registros avaliativos,
coleta de dados com a genitora e com
profissionais da saúde que trabalham no HMJ.
Cenário: Pediatria HMJ Sujeito: paciente K.S.O.
e sua genitora S.S.O.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A assistência de enfermagem ao paciente é essencial para
recuperação e reabilitação mais rápidas e com menos
sequelas. O enfermeiro deve fornecer apoio no que diz
respeito à questão física, psicológica e emocional, também
deve ter uma visão holística e humanizada acerca do
paciente. Neste estudo percebeu-se que a identificação dos
problemas por meio dos diagnósticos de enfermagem, visa
beneficiar o paciente, pois possibilita o pensamento crítico do
enfermeiro, resultando em efetivas tomadas de decisões,
além de ações simples e diárias. Para melhor embasamento
teórico e prático da assistência de enfermagem se fazem
necessárias atualizações específicas e principalmente o
conhecimento do processo de enfermagem.
REFERÊNCIAS
 Artigas GV, Brandão H. Esofagite corrosiva aguda e suas sequelas. In Coelho J ed. Aparelho Digestivo - Clínica e
Cirurgia, Rio de Janeiro, Editora Médica e Científica Ltda, 1990; 1: 147-53
 BACK, H. E. H. et al. Acidentes na infância. In: A ENFERMAGEM em pediatria e puericultura. Anais... Rio de Janeiro:
Atheneu, 1989. P. 379-391.
 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 1998. CÉSAR, C. L. G. et al.
Morbidade referida e utilização de serviços de saúde em localidades urbanas brasileiras: metodologia. Rev Saúde Pub,
São Paulo, v. 30, n. 2, p. 153-160, 1996.
 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Mercúrio. Acesso em: 22 set. 2016.
 CARDOSO, M. L. Metais pesados. 2008. Acesso em: 22 set 2016.
 COSTA, L. C. A.; ROHLFS, D. B. O mercúrio e suas consequências para a saúde. 2010. Programa de Pós-Graduação
em Biociências Forenses. Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Acesso em: 28 set. 2016.
 DOENGES, M. E. MOORTHOUSE, M. F. MURR,A. C.DE Diagnósticos de Enfermagem. 12 ª Edição.Koogan
Guanabara, 2012.
 Fiocruz Fundação Oswaldo Cruz. Intoxicação. Acesso em 28/09/2016.
 Freddi NA, Matsumoto T. Parada cardiorrespiratória. In: Schvartsman S, Schvartsman C. Pronto Socorro de Pediatria.
2a ed. São Paulo: Sarvier, 1999. p.36-48.
 MACEDO, R. B. Segurança, saúde, higiene e medicina do trabalho. Curitiba, PR: IESDE Brasil, 2012.
 MARQUES, M. B. et al. Intoxicações e envenenamentos acidentais no Brasil: análise epidemiológica dos casos
registrados pelo Sistema Nacional de Informações Toxicológicas – SINITOX. Informe Epidemiológico do SUS,
Brasília, DF, v. 2, n. 4, p. 59-93, jul./ago. 1993.
 OSTASZEWSKI, A. et al. Intoxicações exógenas agudas na infância: estudo epidemiológico de 1902 casos registrados
em Curitiba, de janeiro de 1991 a dezembro/ 95. Rev Méd Paraná, Curitiba, v. 54, n. 1/2 p. 9-20, jan./ jun. 1997.
 SCHVARTSMAN, S. Intoxicações agudas. 4. ed. São Paulo: Sarvier, 1991.
 SINITOX- Estatística Anual de Casos de Intoxicação e Envenenamento Brasil, 1996. Rio de Janeiro, FIOCRUZ/CICT,
1998:3-15
 Viana AT. Estenose antro - pilórica por cáusticos ou corrosivos. Acta Cir Bras 1988; 3: 95-8
FACULDADE BEZERRA DE ARAÚJO
Graduação em Enfermagem – 10º Período
Estágio de Saúde da Criança
Professora Lizete e Marcia

ACADÊMICAS

Francisca Sérgia Carvalho


Maria de Fátima Miranda dos Santos

Rio de janeiro 2016