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Faculdade Frassinetti do Recife

Especialização em Alfabetização e Letramento


Teoria da Aprendizagem e do Desenvolvimento

Afetividade, inteligência,
movimento e formação
do “EU” na teoria de
Wallon (1879 – 1962).

Conceição Filha I Elexsandra I Íris Barbosa


Lidiane Priscila I Margareth I Virgína
Objetivos do seminário
 Compreender o contexto histórico e social que
influenciou a teoria de Wallon;
 Expor a concepção de criança e de aprendizagem
segundo Wallon;
 Discorrer sobre os estágios de desenvolvimento bem
como os campos funcionais elucidados por Wallon;
 Discutir como a afetividade na relação professor-
aluno contribui para o desenvolvimento cognitivo do
aluno;
 Apresentar a base teórica utilizada para entender as
relações afetivas.
Quem foi Wallon?
 Nasceu na França em 1879 ;
 Formou-se em filosofia com 23 anos de idade e
medicina em (1908);
 Atuou como médico em 1914 e em instituições
psiquiátricas em 1931;
 Em 1925 funda um laboratório destinado à pesquisa e
ao atendimento de crianças ditas deficientes;
 Apesar de NÃO TER PROPOSTO UM
MÉTODO PEDAGÓGICO, participou
ativamente de debates em torno do tema
Educação, contribuindo com críticas à
educação tradicional;
Quem é a criança para Wallon?
Quem é a criança para Wallon?
...a repetição, ludicidade e investigação elementos prazerosos e
que favorecem o aprendizado, sua criança é geneticamente social.
(Wallon, 1981)

 A criança é essencialmente emocional e vai se


constituindo um ser sócio – cognitivo, gradualmente;

 A compreensão da criança deve ter presente que ela é


organicamente social, isto é, sua estrutura orgânica supõe
a intervenção da cultura para se atualizar;

 O estudo de Wallon caracteriza-se na criança


contextualizada com o seu meio;

 Seu desenvolvimento ocorre de maneira descontínua e por


meio de quebras (desafios inerentes a cada estágio);
Concepção de aprendizagem
segundo Wallon
 A aprendizagem depende de uma maturação orgânica bem
como da estimulação oferecida pelo meio em que se
encontra o sujeito;

 A afetividade está diretamente ligada ao processo de


ensino aprendizagem;

 Os princípios reguladores dos recursos da aprendizagem


são os mesmos para crianças e adultos, com diferenciação
no tempo e na abertura.
Atividades típicas das crianças:
o brincar
A criança repete nas brincadeiras as impressões que acabou
de viver. Reproduz, imita. Para as menores, a imitação é a
regra das brincadeiras. A única acessível a elas enquanto
não puderem ir além do modelo concreto, vivo, para ter
acesso à
instrução abstrata. Pois, inicialmente, sua compreensão é
apenas uma assimilação do outro a si e de si ao outro, na
qual a imitação desempenha precisamente um grande papel.
(...) a imitação não é qualquer uma, é muito seletiva na
criança (WALLON, 2007, p. 67).
Atividades típicas das crianças:
o brincar
 O brincar é a atividade própria da criança e que comprova
as múltiplas experiências vividas pelas mesmas como:
memorização, socialização, articulação de ideias, ensaios
sensoriais, entre outras;
Estágios do desenvolvimento

1. Impulsivo emocional (0 - 1 ano):


 Desenvolvimento infantil nas interações,
 Satisfação das necessidades básicas,
 Construção de novas relações sociais;
 As interações emocionais devem se pautar pela
qualidade.
Estágios do desenvolvimento

1. Sensório-motor e projetivo (1 ano – 3


anos ):
 Que vai até os três anos.
 O movimento deixa de se relacionar exclusivamente com a
percepção e manipulação de objetos.
 Ocorre o desenvolvimento da função simbólica e da
linguagem.
Estágios do desenvolvimento

1. Personalismo (3 anos – 6 anos ):


 Construção da consciência de si mediante as interações
sociais, reorientando o interesse das crianças pelas
pessoas;
 Há o predomínio de aspectos afetivos na relação da
criança com o meio ambiente;
 Busca autonomia na negação do outro e necessidade de
contrapor as ordens.
Estágios do desenvolvimento

1. Categorial (6 anos – 11 anos ):


 Avanços no plano da inteligência;
 Consegue organizar, classificar, diferenciar, colocar em
série, diferenciar;
 Abandono dos conflitos, trégua interpessoal.
Estágios do desenvolvimento

1. Adolescência (11 anos ):


 Inicia-se a puberdade e mudanças no plano afetivo, na
relação consigo e com os outros;
 Depara-se com desafios e busca pela identidade;
 O componente afetivo é mais racionalizado em virtude de
mudanças no campo intelectual.
Campos funcionais:
Motricidade
“Antes da aquisição da linguagem, a motricidade, é pois, a característica
existencial e essencial da criança”

 A motricidade ocupa lugar especial na teoria de Wallon.


 Pela motricidade, a criança exprime as suas
necessidades neurovegetativas de bem estar ou mal
estar, que contem em si uma dimensão afetiva e
interativa que se traduz em uma comunicação somática
não-verbal.
 A motricidade na criança é, por isso, já nesta fase tão
precoce, a expressão do seu psiquismo prospectivo.
 É a primeira forma de expressão emocional do
comportamento
Campos funcionais:

Afetividade
“Antes da aquisição da linguagem, a motricidade, é pois, a característica
existencial e essencial da criança”

 Segundo WALLON, tem suas bases iniciais


relacionadas ao fator orgânico e, posteriormente, sofre
influências da ação do meio social;
 É através dela que o indivíduo se socializa.
 É pela comunicação afetiva que temos
acesso ao mundo humano.
 "No primeiro ano de vida nutrir a inteligência é nutrir o
afeto".
Teoria da afetividade
 Afetividade segundo Jean Piaget: a afetividade envolve todos
os movimentos mentais conscientes e inconscientes não-
racionais, sendo o afeto um elemento indiferenciado do domínio
da afetividade. Assim, o afeto é a fonte de energia que a
cognição se utiliza para seu funcionamento, tendo, pois um
papel funcional na inteligência e todo processo de
desenvolvimento inerente ao ser humano passa pela dimensão
social e envolve cognição, afeto e moral.
 Afetividade segundo Vygotsky: o conhecimento se dá no
movimento dialético entre os atores sociais, onde estar junto, em
relações mecânicas não é o suficiente para que ele ocorra, mas
sim nas experiências de trocas, no confronto das idéias, na
cooperação, no movimento de dar e receber.
 Afetividade segundo Wallon: inteligência e afetividade estão
integradas: a evolução da afetividade depende das construções
realizadas no plano da inteligência, assim como a evolução da
inteligência depende das construções afetivas. No entanto, o
autor admite que, ao longo do desenvolvimento humano,
existem fases em que predominam o afetivo e fases em que
predominam a inteligência.
Campos funcionais:

Inteligência
 Segundo o autor, a inteligência se
desenvolve através de "saltos".
 Para que estes "saltos" ocorram é necessário
o amadurecimento neurológico e também a
influência da cultura.
Campos funcionais:
Formação do EU
 O "eu" se estrutura por um processo de alternância
funcional entre etapas centrípetas e etapas
centrífugas.
 Primeiramente o indivíduo está interessado em si
mesmo. É uma fase predominantemente afetiva . O
social aqui é sinônimo de inter-pessoal.
 Depois tem disponibilidade de exploração do real .
É uma etapa em que seus interesses voltam-se
para o meio, com a exploração do mundo real. É
uma etapa mais objetiva, cognitiva. O social aqui é
sinônimo de cultural.
Análise do plano de aula
Público Alvo: Faixa etária compreendida entre 4 e 7 anos.

Objetivo Geral:
Apresentar a leitura de forma lúdica e prazerosa, através do uso
de recursos musicais relacionados à Capoeira, possibilitando às
crianças o acesso a elementos da sua cultura local, bem como a
reflexões sobre o ato de ler, tem como culminância a vivência de
brincadeiras da Capoeira Angola.

Objetivos Específicos:

 Despertar sensações, sentimentos e ideias, possibilitando e


momentos prazerosos através da leitura do livro “Mestre Gato
e Comadre Onça”, de Carolina Cunha.
Análise do plano de aula
 Estimular o uso da oralidade através das discussões
levantadas com base nos temans propostos pela história;
 Trabalhar estratégias de leitura que permitam às crianças
compreenderem melhor a ideia central do texto, elaborando
inferências, antecipações, leituras de imagens etc.
 Explorar o caráter lúdico da capoeira estabelecendo relações
entre seus elementos e os elementos da natureza
promovendo uma leitura sinestésica do livro;
 Vivenciar práticas e brincadeiras que fundamentam a
capoeira Angola, partindo da compreensão de que ela é
promotora de uma educação pluriétnica corporal, que se
organiza em procedimentos educacionais cognitivos,
reflexivos e lúdicos.
Análise do plano de aula
Metodologia

1. Contação de história do livro “Mestre Gato e Comadre


Onça”;
2. Interpretação e discussão sobre a história;
3. Vivencia da “Brincadeira de Angola”;
4. Momento em roda – musicalidade;
5. Avaliação.
8- Conclusão
 Mesmo mantendo-se o contato corporal como forma de
carinho, falar da capacidade do aluno, elogiar o seu
trabalho, reconhecer seu esforço, constituem-se formas
cognitivas de vinculação afetiva.
 É certo que as relações entre as pessoas não são
sempre permeadas pela tranqüilidade e pela suavidade.
Os fenômenos afetivos referem-se igualmente aos
estados de raiva, medo, ansiedade, tristeza. Essas
emoções e sentimentos estão presentes nas interações
sociais.
 Torna-se evidente que condições afetivas favoráveis
facilitam a aprendizagem.
 O professor contagia e é contagiado pelos alunos.
8- Conclusão
 Conhecendo bem seus alunos, o professor se
colocará em posição de organizar situações afetivas
de aprendizagem, e, sobretudo, de interagir com eles,
ajudando-os a elaborar hipóteses pertinentes a
respeito dos conteúdos, por meio de constante
questionamento das mesmas.
9- Bibliografia
 ALMEIDA, Ana Rita Silvia. A emoção na sala de aula. São Paulo: Papirus,
2001. 2ªed.
 ANDRÉ, Marli E. D. A. e LÜDKE, Menga. Pesquisa em educação:
abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
 ARANTES, Valéria Amorim. Cognição, Afetividade e Moralidade.
Educação e Pesquisa. São Paulo, v.26, n.2, p.137-153, jul./dez.2001.
 BAETA, A.M.B. Fracasso escolar: mito e realidade. Idéias, Fundação,
Desenvolvimento da Educação. São Paulo: FDE, 1998.
 BOGDAN, Robert e BIKLEN, Sari. Investigação qualitativa em educação.
Porto: Porto editora, 1994.
 BOSSA, Nádia A. A Psicopedagogia no Brasil. 2ª Ed. Porto Alegre: Artes
Médicas Sul, 2000.
 ______________. Fracasso escolar. Porto Alegre: Artmed, 2002.
 CHARLOT, Bernard. Da relação com o saber: elementos para uma
teoria. Porto Alegre: Artmed, 2000.
 CORDIÊ, Anny. Os atrasados não existem: psicanálise de crianças com
fracasso escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
 CORRÊA, Rosa Maria. Dificuldades no aprender: um outro modo de
olhar. Campinas: Marcado de Letras, 2001.
Referências
 DANTAS, Heloysa. A afetividade e a construção do sujeito na
psicogenética de Wallon. In: DE LA TAILLE, Piaget, Vygotsky e Wallon:
teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992.
 DAVIS, Cláudia; OLIVEIRA, Zilma de Moraes Ramos. Psicologia na
Educação.São Paulo: Cortez, 1994. – 2. ed. rev.- (coleção magistério. 2º
grau. Série formação do professor)
 FERNÁNDEZ, Alícia. A inteligência Aprisionada. Porto Alegre: Artes
Médicas, 2001.
 FRANCO, Marco Antônio Melo. Práticas educativas e a construção da
participação e da fala dos alunos em uma turma de alfabetização.
Dissertação. Belo Horizonte: FAE/UFMG, 2002.
 GALVÃO, Izabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do
desenvolvimento infantil. 12ª edição. Petrópolis: Vozes, 2003.
 MARCHAND, Max. A afetividade do educador. São Paulo: Sumus, 1985.
 TAILLE, Yves de la, et al. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias
psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992.
 WALLON, H. A evolução psicológica da criança. Lisboa: Edições 70 .