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Projeto

PERGUNTE
E
RESPONDEREMOS
ON-LINE

Apostolado Veritatis Spiendor


com autorizagáo de
Dom Estéváo Tavares Bettencourt, osb
(in memoríarñ)
APRESENTTAQÁO
DA EDipÁO ON-LINE
Diz Sao Pedro que devemos
estar preparados para dar a razáo da
nossa esperanca a todo aquele que no-la
pedir (1 Pedro 3,15).

Esta necessidade de darmos


conta da nossa esperanca e da nossa fé
hoje é mais premente do que outrora,
">■.,•" visto que somos bombardeados por
numerosas correntes filosóficas e
religiosas contrarias á fé católica. Somos
assim incitados a procurar consolidar
nossa crenga católica mediante um
aprofundamento do nosso estudo.
Eis o que neste site Pergunte e
Responderemos propóe aos seus leitores:
aborda questóes da atualidade
controvertidas, elucidando-as do ponto de
ÍL vista cristáo a fim de que as dúvidas se
¡ dissipem e a vivencia católica se fortalega
-"ij" no Brasil e no mundo. Queira Deus
abengoar este trabalho assim como a
equipe de Verítatis Splendor que se
encarrega do respectivo site.

Rio de Janeiro, 30 de julho de 2003.

Pe. Esteváo Bettencourt, OSB

NOTA DO APOSTOLADO VERITATIS SPLENDOR

Celebramos convenio com d. Esteváo Bettencourt e


passamos a disponibilizar nesta área, o excelente e sempre atual
conteúdo da revista teológico - filosófica "Pergunte e
Responderemos", que conta com mais de 40 anos de publicagáo.
A d. Esteváo Bettencourt agradecemos a confiaga
depositada em nosso trabalho, bem como pela generosidade e
zelo pastoral assim demonstrados.
co
SUMARIO
<

"Vem, Senhor Jesús!"


co
LJJ
O
Polémica sobre "O Filho de Deus"

UJ
Johrei e Paraíso Terrestre
a

O Demonio: Sim ou Nao?

s
UJ "A Decadencia Moral do Ocidente"
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co
o "Minhas Experiencias de Prisio na Hungria"
ce
a.

i índice Gera 11992

ANO XXXIII DEZEMBR0DE1992


367
PERGUNTE E RESPONDEREMOS DEZEMBRO 1992
Publicado mensal N9 367

Diretor- Responsável SUMAR 10


Estéváo Bettencourt OSB
Autor e Redator de toda a materia "Vem, Senhor Jesús!" 529
publicada neste periódico
Manuscrito suscita:
Diretor-Administrador: Polfimica sobre "O Filho de Deus" . 530
D. Hildebrando P. Martins OSB
0 poder de atracáo do
Administradlo e distribuicao: Johrei e Paraíso Terrestre 543
Edicoes Lumen Christi
Dom Gerardo, 40 - 5? andar, s/501 Num questionamento sereno e objetivo:
Tel.: (021) 291-7122 O Demonio: Sim ou Nio? 552
Caixa Postal 2666
20001-970 - Rio de Janeiro - RJ Urna revisáo do passado:
"A Decadencia Moral do Ocidente"
por Paulo Bokel 562
Impressáo e Encadernacáo

Depoi mentó vivo:


"Minhas Experiencias de
Prisio na Hungría" 572
•MARQUESSARAIVA "
GRÁFICOS E EDITORES S.A. índice Geral 578
Tels.: (021) 273-9498 ■ 273-9447

NO PRÓXIMO NÚMERO:

Via Sacra: origem e significado.- Celibato sacerdotal: histórico e razáo de


ser. - Fundamentalismo: que é? - As táticas anti-religiosas do Marxismo.

COM APROVACAO ECLESIÁSTICA

ASSINATURA ANUAL (12 números) de P.R.: Cr$ 60.000,00 - tfi ávubo ou atrasado Cr$ 6.000,00.

O pagamento poderá ser á sua escolha:

1. CHEQUE NOMINAL ao Mosteiro de S. Bento do Rio de Janeiro, cruza


do, anotando-no cruzamento: SOMENTE PARA DEPÓSITO na agencia
0229, C/C 02011469-5, e no verso onde consta "cod. da ag. e o N? da
conta do depositante", repetir os Nos ácima. ' .
2. Depósito no BANCO DO BRASIL, ag. 0435-9 Rio C/C 0031-304-1 do
Mosteiro de S. Bento do Rio de Janeiro, enviando a seguir xerox da guia
de depósito para nosso controle.
3. VALE POSTAL pagável na ag. Central 52004 - CEP 20001-970" -• RIO
Sendo novo Assinante, é favor enviar carta com nome e endereco le-
gíveis.
Sendo renovacao, anotar no VP nome e endereco em que está recebendo
a Revista.
'Vem, Senhor Jesús!"

(Ap 22,20)

É muito significativo o fato de que a Escritura Sagrada se encerra


com um apelo caloroso e repetido: "Vem, Senhor Jesús!" (Ap 22,20.17).
Sao Joao nos diz que este brado procede do Espirito Santo e da
Esposa (= a Igreja), que Ele vivifica (cf. Ap 22,17). É a expressáo de um
anseio profundo, que os cristáos experimentam em virtude da sua condi-
cao de peregrinos..., e peregrinos do Absoluto. Todo ser humano foi
feito para a Vida, e a Vida plena,... para a Verdade e o Amor sem contra-
dicóes; sabe, porém, que ainda nao atingiu o termo de suas aspiracóes.
Da I o apelo ardente, que o Espirito Santo, hospede dos coracóes retos,
sugere a cada cristáo e á Igreja inteira. Sao Paulo, alias, nos diz que "nao
sabemos como rezar, mas o Espirito socorre a nossa fraqueza, interce-
dendo por nos com gemidos inefáveis" (Rm 8,26), ou seja, com gemidos
que a linguagem humana é incapaz de reproduzir.
Ao apelo da Igreja responde o Senhor Jesús que vira,... e vira
muito em breve: "Eis que venho em breve, e trago a minha recompensa,
para retribuir a cada um segundo as suas obras" {Ap 22,12; cf. 22,7.20).
Sem dúvida. Ele vira rematar a historia; dirá a última palavra, revelará os
segredos dos coracóes, exaltará os que, na sua modestia despercebida, se
esforcam por ser fiéis á vocacáo crista.
Em breve... Isto nao significa iminéncia do fim do mundo, pois o
Senhor Jesús vem diariamente em seus sacramentos e sacramentáis. Os
bens definitivos já langaram ratzes nos tempos presentes; o futuro já se
deixa antegozar no decorrer mesmo da nossa historia. Por isto pode Sao
Joáo escrever: "Aquele que ouve, diga também: 'Vem!'. Que o sedento
ven ha, e quem o deseja, receba gratuitamente agua da vida!" (Ap 22,17).
Através mesmo dos véus da fé e dos sinais sacramentáis dá-se o encon
tró do cristáo com Cristo, a fim de que antecipadamente usufrua dos va
lores celestiais.
Estas idéias sao a base da espiritualidade da Igreja no mes de de-
zembro até o dia de Natal. Ñas quatro semanas do Advento (= vinda)
a Igreja se prepara sequiosamente para a vinda do Senhor Jesús:... vin
da nos sinais do Natal,... Natal, porém, que nao é senáo o primeiro eco da
vinda definitiva do Senhor. A espera sequiosa de algo de melhor, que
corresponda aos mais genulnos anseios do homem, é profundamente
humana e crista; torna-se espontáneo a todo homem sentir a precarieda-
de dos valores desta vida.
É para desejar, pois, que o próximo Natal signifique para toda a
humanidade, especialmente para as pessoas de fé, a convi'ccáo renovada
de que nao esperam em váo, mas existe, sim, a Resposta, que é o Senhor
JesÜs, presente em seus sacramentos, penhor da vida plena!
E.B.

529
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS"
Ano XXXIII - I\J2 367 - Oezembro de 1992

Manuscrito suscita

Polémica sobre "O Filho de Deus"

Em síntese: A imprensa pubticou em selembro pp. noticias a respeito


de un manuscrito de Oumran (regiáo do Mar Moño), segundo o qual o titulo
"Filho de Deus" era um designativo usual antes de Cristo, de modo que nao
teria originalidade quando aplicado a Jésus Cristo. Conseqüentemente pode-
riam sofrer revisáo alguns pontos fundamentáis do Cristianismo - coisa que
estudiosos católicos teráo receado, ocultando os documentos do Mar Morto.

O presente artigo evidencia que o título "FUrto de Deus" era aplicado ao


povo de Israel, aos anjos e aos reis de Judá, mas, quando atribuido a Jesús,
assumiu dimensáo e significado diferentes. Com efeito, Jesús demonstróu, por
palavras e obras, ser urna figura transcendente, que teve a confírmacáodesua
missáo messiánica no fato da ressurreicao corporal, sinete aposto pelo Pal á
pregacáo de Jesús Cristo.

Ouanto á demora na publicagáo dos textos descobertos em Qumran,


ela se explica pelo fato de que se trata de material multo frágil, que só pode
ser devidamente estudado mediante processos de alta tecnología, orientados
por especialistas adequados; isto tudo requer grandes quantias de dinheiro.

Os pesquisidores que quiseram identificar Jesús com um personagem


dito "Mestre de Justiga", dos essénios, ou se retrataram ou foram refutados
por outros estudiosos; donde resulta ser preconcebida e destituida de funda
mento a hipótese em foco.

Em setembro de 1992, a imprensa publicou a noticia de que foi des-


coberto e publicado um manuscrito dos essénios da regiáo de Qumran, a

i
530
POLÉMICA SOBRE "O FILHO DE DEUS"

N. O. do Mar Morto, manuscrito datado do século II a.C; seria.apto a


provocar "a revisáo da interpretado de expressóes usadas nos Evange-
Ihos, que se referem á figura de Jesús, ¡nserindo-a num contexto mais
ampio do Velho Testamento e da literatura hebréia" (O GLOBO,2/9/92).

A noticia ¡mpressionou muitos leitores, porque parece fazer de Je


sús "Filho de Oeus" o plagio ou a "segunda edicáo" de outro Filho de
Deus já conhecido pelos judeus anteriores a Cristo. "O fragmento que
define o caráter de tal personagem, diz: 'Será proclamado Filho de Oeus,
e eles o chamaráo Filho do Altfssimo'. Palavras semelhantes constam do
Evangelho segundo Sao Lucas, escritas em grego no relato da Anuncia-
cao. O anjo diz a María que seu futuro fitho será grande e chamado Filho
do Altíssimo, o Filho de Deus" (O GLOBO, artigo citado).

A propósito de Qumran, seus monges, seus manuscritos e suspei-


tas de críticos já fo¡ publicado um artigo em PR 331/1989, pp. 530-541.

1. Que dizer?

Proporemos quatro ponderacóes relativas ao título "Filho de Deus",

1.1. "Filho" em hebraico

Em hebraico a palavra fílho (ben) exprime nao somente as relacóes


de parentesco em linha direta. Significa também a pertenca a um grupo,
como sejam "os fllhos de Israel", "os filhos de Babilonia" (Ez 23,17), "os
filhos de Sion" (SI 149,2), "os filhos dos Profetas" (2Rs 2,5), "filhos do
homem" (Ez 2,1; 8,17). Designa também a posse de urna qualidade: "fi
lhos da paz" (Le 10,6); "filhos da luz" (Le 16,8; Jo 12,36). Vejamos que ti
po de.relacóes possa exprimir tal locucáo quando aplicada a Deus. '

1.2. Filho de Oeus

As noticias da imprensa dáo a entender que o título "filho de Deus",


atribuido a Jesús nos Evangelhos (cf. Mt 16,16; Me 14,61), foi (muito sur-
preendentemente para pesquisadores católicos) atribuido também a um
"rei monstruosamente despótico, que manteve um dominio de terror so
bre os pevos da regiáo e se definía Filho de Deus" (VEJA, 9/9/92, p. 63);
tratar-se-ia de "um anticristo, um potentado sobrenatural comum a va
rios mitos pagaos daquele período", conforme o pesquisador David Flus-
ser, ex-professor da Universidade Hebréia de Jerusalém (VEJA, ibidem).

Ora é de notar que o titulo "fílho(s) de Deus" nao era.raro na tradicao


judaica, podendo designar tres tipos de sujeito:

531
4 "PERPUNTE E RESPONOEREMOS" 367/1992

1) O povo de Israel

Por causa de estreitas relagóes do Senhor Deus com Israel, especial


mente no éxodo ou na salda do Egito, o povo é chamado "filho de Deus":

Ex 4,22: "Dirás a Farad:omeu fílho primogénito éIsrael".

Os 11,1: "Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei meu


fílho".

Jr 3,19: "Eu dizia: 'Como te colocarei entre os (Unos? Eu te darei urna térra
agradável, a heranca mais preciosa das nacóes'. E eu dizia: Vos me chama
reis Meu Pai!, e nao vos afastareis de Mirrí ".

Sb 18,13: "Vendo a morte de seus primogénitos, professavam (os egip


cios) que aquelepovo era fílho de Deus".

A consciéncia da filiacáo divina tornou-se um dos elementos essen-


ciáis da piedade judaica: fundamentou a esperance das restauracóes fu
turas e da retribuido postuma:

Is 63.8: "O Senhor disse: 'Sem dúvida, etes sao o meu povo, filhos que
nao háo de me trair"".

Sb 2,18: "Se o justo é filho de Deus, Ele Ihe assistirá e o libertará das
maos de seus adversarios". Ver também Sb 2,13.

Além disto, filhos de Deus podiam ser outrossim

2) Os anjos ,

Estes sao córteseos de Deus, conforme urna linguagem metafórica


ocorrente em

Jó 1,6: "No dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se ao Se


nhor, entre eles veio também Satanás".

Dt 32,8: "Quando o Altíssimo repartía as nacóes, fixou fronteiras para


os povos, conforme o número dos fílhos de Deus".

SI 29,1: "Tributai ao Senhor, ó fílhos de Deus; tributai ao Senhor gloria


e poder".

0 titulo "filho(s) de Deus" aplicado aos anjos significa a participagáo


dos mesmos na bem-aventuranca e ñas disposicóes providenciáis do
próprio Deus.

i
532
POLÉMICA SOBRE "O FILHO DE DEUS"

3) O reí de Judá

Este, sendo da linhagem de Davi, era objeto de especial escolha da


parte de Deus; desempenhava as suas fungóes em nome do próprio Deus
(embora muitas vezes com infidelidade). Vejam-se

2Sm 7,14: Diz o Senhor a Davi pelo profeta Nata: "Eu sereipara ele (o
filho de Davi) um pai, e ele será para mim um lilho".

SI 89,27s: "Ele (o reí) me invocará: 'Tu és meu pai, meu Deus e meu
rochedo salvador'".

O título regio de "filho de Deus" foi sendo aplicado ao Vessias, pois


este sería o rei por excelencia do povo de Deus e de todos os povos:

SI 2,6: Diz o Senhor: "Fui eu que consagre! o meu rei sobre Siáo, mi-
nha montanha sagrada". E o rei continua:

SI 2,7: "Vou proclamar o decreto do Senhor, Ele me disse: Tu és meu


filho: eu hoje te gerei'".

0 texto de SI 2,7 foi aplicado por Hb 1,5 ao Verbo de Deus gerado


desde toda a eternidade no seio do Pai.

Fora do povo de Israel, ou seja, ñas cortes pagas o rei podía ser tam-
bém proclamado "Filho de- Deus", numa concepgáo impregnada de poli*
teísmo e mitos. Tal foi o caso de monarcas posteriores a Alexandre Mag
no {356-323 a.C).

1.3. O recém-publicado manuscrito de Qumran

No caso do manuscrito de Qumran que foi recentemente apresentado


pela imprensa, o título "Filho de Deus" terá sido aplicado pelos habitantes
de Qumran a um pretenso rei malvado, dominador de povos. Isto se
compreende, visto que os essénios aguardavam a batalha final da historia
entre os filhos da luz e os filhos das trevas; estes seriam chefiados por um
príncipe ímpio, ao qual se tributaria o título de Filho de Deus, dado que
usurpava a realeza. Com efeito; sabe* se que os habitantes de Qumran
eram amigos moradores de Jerusalém, que, escandalizados pela profa-
nacáo dos valores sagrados de Israel, se retiraram para o deserto a N. O.
do Mar Morto, a fim de esperar a luta final entre o Bem e c Mal e a vitória
do Messias sobre o ímpio ou o Adversario. Testemunho disto seria o
manuscrito encontrado em Qumran com o título: "A Guerra dos Filhos
da Luz contra os Filhos d&s Trevas", do qual transcrevemos aqui o inicio:

533
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

"No comeco do empreendimento dos Filhos da Luz, eles lutaráo contra


os Filhos das Trevas, contra o exército de Belial, contra as tropas de Edom e
de Moab, contra os íilhos de Amon e o povo da Filistéia e contra as tropas dos
Kittim da Assfria e contra os que os ajudam a violar o pacto.

Os filhos de Levi, os lithos deJudá e os filhos efe Benjamín e os exilados


no deserto lutaráo contra eles com todas as suas tropas, quando os Filhos da
Luz que estavam exilados, sairem do deserto da Manca para acampar no de
serto de Jerusalém.

E depois da batalha iráo de lá (contra) o rei de Kittim1 no Egito. A seu


tempo ELE (Javé) lutará com grande torca contra os reís do norte e destruirá e
lancera tora o poder de sua fortaleza. Entao será o tempo de salvagáo para o
povo de Deus e um período de dominio para todos os homens de seu partido,
mas de eterna destruigáo para o partido de Belial.

E al se formará umgrande tumulto contra os filhos de Jalé.aAsstria caira


sem que ninguém a ajude e o dominio dos Kittim chegará ao fínx. As tríplices
agressóes seráo completamente abolidas e nao ficará nerhum sobrevivente
dos Filhos das Trevas" (I, t-17).

Observamos que o texto é assaz obscuro, nao permitírtelo interpre-


tacóes muito seguras nem a nítida reconstituido dos eventos mencio
nado:-. Todavía nao seria despropositado afirmar que o comandante do
exército de Belial (= o demonio, segundo a linguagem dos filisteus) era o
rei malvado, dominador dos povos, de que fala o recém-publicado ma
nuscrito de Qumran; pode ter sido chamado "Filho de Deus", porque era
rei, e rei poderoso. i

1.4. Jesús, Filho de Deus ...

O título de Filho de Deus foi aplicado a Jesús pelos evangelistas e


os cristáos nao por efeito de plagio ou em fiecáo literaria. Independente-
mente do uso anterior da expressáo, Jesús afirmou e provou ser real
mente o Filho do Deus ou, ainda, o próprio Deus Filho (Deus Logos; cf.
Jo 1,1-14) féito homem.

A Divindade de Jesús já foi explanada em PR 257/1981, pp.


248-265; 336/1990, pp. 194-210, de tal modo que nao cabe aquí repetir na
Integra as citacóes que fundamentam a fé em Jesús Deus e Homem. Nao
obstante, seja dada énfase a ressurreicio corporal de Jesús Cristo, pois

' Kittim é nome simbólico. Designa os inimigos de Israel. (Nota do redator).


i

534
POLÉMICA SOBRE "O FILHO DE DEUS"

esta é a prova mais cabal da Divindade de Jesús: somente Deus ressus-


cita um morto, de modo que, se Jesús ressuscitou verdadeirarr.ente,
Deus Pai quis dar a sua cháncela á pessoa e á obra de Jesús, confirman
do-as e autenticando-as; o Pai corroborou assim as declaracóes de Jesús
referentes á sua Divindade (Mt 26,63; Me 14,61 s; Le 22,70).- Ora a histori-
cidade da ressurreicáo de Jesús pode ser comprovada mediante varios
indfcios, dos quais sejam apresentades os seguintes:

1.4.1. O conceito de Messias

Os judeus do ¿ntigo Testamento nao tinham o conceito de um


Messias que morrena e ressuscitaria. Esperavam,antes, a vinda do seu
reino em poder e gloria. Se, nao obstante, a idéia da ressurreicáo do
Messias logo após a sua morte foi apregoada por Pedro e seus compa-
nheiros, parece lógico admitir que os Apostólos tiveram a experiencia de
um encontró pessoa I com Cristo redivivo após a morte na cruz. Sem esta
experiencia, jamáis teriam chegado a proclamar que Jesús ressuscitara
dentre os mortos.

Com outras palavras: a idéia de um Messias nao glorioso, mas cru


cificado, era "escándalo para os judeus" (cf. 1Cor 1,23). O fato de que os
Apostólos a aceitaram, seria um enigma se nao tivessem visto Jesús res-
suscitado.

Observa-se mesmo que os Apostólos, longe de imaginar que Jesús


morto voltaria á vida, perderam o ánimo ao vé-lo presa de seus inimigos,
e fugiram. Quando Ihes foi dada a noticia da ressurreicáo, relutaram para
aceitá-la; nao estavam subjetivamente predispostos a conceber a vitória
de Cristo sobre a morte. Fizeram-no, porém, vencidos pela evidencia
objetiva do fato; cf. Jo 20,9.19-29 (episodio de Tomé); Le 24,13-35 (os
discípulos de Emaus); Le 24,36-43 (Jesús nega ser mero espirito, dá a
palpar máos e pés).

Em outros termos: quem lé os Evangelhos, observa que as apari


cóes de Jesús nao se dáo após uma expectativa ansiosa dos Apostólos ou
discípulos. Ao contrario, Jesús aparecía de maneira totalmente impre
vista, quando os discípulos menos o esperavam.

Ñas aparicóes, é Ele, e somente Ele, quem tem a iniciativa ou quem


vai ao encontró... Jesús também desaparece imprevistamente, quando
os Apostólos déseja ría m té-lo por mais tempo consigo. Estes dados tor-
namlnaceitável a tese segundo a qual as aparicóes de Jesús nao teriam si
do senáo subjetivas- visóes que, após madura reflexáo, haveriam sugeri
do a interpretacáo: "Jesús ressuscitou". Segundo os Evangelhos, osdiscl-

535
8 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

pulos tiveram experiencia ¡mediata do Senhor Ressuscitado, que eles pu-


deram identificar com o Crucificado.

1.4.2. O sepulcro vazio

O texto de Me 16,1-8 fala das mulheres que encontraram vazio o


sepulcro de Jesús na manhá de domingo. A mesma descoberta foi feita
por Maria Madalena, segundo Jo 20,1s, e por Pedro, conforme Le 24,12.

Perguntamos: qual o valor histórico destas narracóes?

Admite-se a realidade do sepulcro vazio na base das seguintes ra-


zóes:

1) Os Evangelhos dio a entender que Jesús foi sepultado por José


de Arimatéia, homem rico, que se serviu de urna rocha ainda nao utiliza
da para tal fim. Por conseguinte, o sepulcro de Jesús devia estar em lu
gar conhecido; a visita das mulheres ao túmulo correspondía bem aos
costumes da época.

2) A noticia de que as mulheres encontraram vazio o sepulcro de


Jesús, nao pode ter sido forjada pela Igreja antiga; quem a ¡nventasse,
nao teria apelado para dizeres de mulheres, jé que as mulheres outrora
eram tidas como testemunhas pouco fidedignas (cf. Le 24,11.23s). Refere
Sao Lucas que as mulheres, tendo encontrado o sepulcro vazio, "disse-
ram isto aos Apostólos, mas suas palavras pareceram-lhes um desvario e
eles nao acreditaram. Pedro, no entanto, pós-se a caminho, e correu ao
sepulcro. Debrucando-se, apenas viu as ligaduras e voltou piara casa,
admirado com o que sucederá" (Le 24,10-12).

3) Os inimigos de Jesús nao negaram que o túmulo estivesse vazio,


mas únicamente trataram de explicar o fato por vías diversas. Eis, por
exem pío, o que se lé em Mt 28,11 -15:

"Enquanto as mulheres iam a caminho, alguns dos guardas foram á ci-


dade participar aos príncipes dos sacerdotes tudo o que havia sucedido. Es
tes reuniram-se com os andaos e, depois de terem deliberado, deram muito
dinheiro aos soldados com esta recomendagáo: Dizei isto: 'Os seus discípu
los vieram de noite e roubaram-no enquanto dormíamos'. E, se o caso chegar
aos ouvidos do Govemador, nos o convenceremos e taremos com que vos
deixe tranquilos. Recebendo o dinheiro, eles fizeram como Ihes tinham ensi-
nado. E esta mentira divulgou-se entre osjudeus até o dia de hoje".

Vé-se, pois, que a tradicáo do sepulcro vazio é históricamente bem


fundada. Ela tem sentido profundo para os cristáos. Sim; ela quer dizer

536
POLÉMICA SOBRE "O FILHO DE DEUS"

que a mensagem da ressurre¡9áo de Jesús implica algo mais que o fato


de que "a causa de Jesús continua" (Marxsen). Ela incute que existe con-
tinuidade entre o Crucificado e o Ressuscitado; a vida terrestre de Jesús
nao foi uma fase ultrapassada da existencia de Cristo, mas continua pre
sente no corpo do Senhor. O Cristo que ressuscitou, é o mesmo que
morreu na Cruz; possui o mesmo corpo, embora de maneira diversa.

Deve-se dizer também que a ressurreicáo de Jesús, á qual ninguém


assistiu, deixou de si um sinal impressionante na historia humana: o se
pulcro vazio. Eis por que a questáo do sepulcro vazio nao é secundaria ou
pouco importante.

Resta-nos agora considerar o propalado "medo da verdade" por


parte da Igreja.

2. Medo da Verdade?

2.1. A Imprensa

Escreve o articulista de VEJA,9/9/92, p.63:

"Guardados pelo padre dominicano e arqueólogo Roland de Vaux e por


sabios judeus, os Manuscritos vinham tendo seu conteúdo mantido em segre-
do por temor, dos seus guardiáes, de que eles pudessem, de algum modo,
abalar os dogmas estabelecidos de ambas as fes, a judaica e a crista. A mi-
crofilmagem dos origináis, guardados em dois museus israelenses, só foi per
mitida por temor de que os rolos amigos pudessem vir a ser destruidos numa
guerra. Havia comentarios de que os Manuscritos do Mar Morto continham
evidencias desconcertantes para ambas as religióes, vinculando Jesús Cristo
á religiáo judaica. Há estudiosos que acreditam ter Jesús sido educado pelos
essénios".

O receio ácima aventado nao existe; nao obstante, tal suposicáo


vem sendo enunciada por pensadores e pela imprensa. Ela se baseia no
fato de que até hoje, desde a data da descoberta dos manuscritos de
Qumran em 1947, nao foram decifrados e publicados todos os docu
mentos encontrados ñas respectivas grutas. - É esta demora que leva a
suspeitar de que naja medo ou má fé por pane da I greja Católica ou das
autoridades judaicas.

A propósito deve-se dizer:


\
1) os manuscritos descobertos em Qumran sao, em grande parte,
material frágil e deteriorado pelas intemperies do tempo; em conseqüén-

537
10 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

cía, a leitura do seu conteúdo nao somente é delicada e difícil (é preciso


nao os rasgar nem prejudicar mais aínda), mas também é muito dispen
diosa; requer verbas que nem sempre estáo disponíveis por parte das
autoridades governamentais ou das instituicóes particulares.

2) Tais manuscritos sao propriedade de instituicóes científicas que


os adquiriram. Essas instituicóes sao neutras em materia de re/igiáo; nao
tém interesse em ocultar a verdade para atender a este ou aquele grupo
religioso (no caso, a Igreja Católica). A ciencia procura a verdade objetiva
e é fría na formulacáo de suas conclusóes.

3) A suspeita de que Jesús tenha sido vinculado aos essénios ou te-


nha sido o próprio Mestre de Justica (fundador) dos essénios nao é de
nossos dias; foi levantada pouco depois da descoberta dos manuscritos,
mas logo desfeita pelos próprios crfticos que a propuseram1. É, pois,
gratuito e nao científico dizer que o conteúdo dos manuscritos abala a fé
católica. Nem a Santa Sé em Roma se perturbou com a descoberta dos
mesmos; varios pesquisadores católicos - sacerdotes e professores - to-
maram e tomam parte no respectivo estudo, sem temor de encontrar
contradicáo a sua fé.

2.2. Como pensam os estudiosos?

Acrescentemos ao já dito tres testemunhos.

1Náo há em nossos dias exegeta de autorídade que, na base dos manuscritos


ae Qumran, queira identificar Jesús com o Mestre de Justiga ou com<um essé-
nio. O autor que é tido como protagonista desta tese, A. Dupont-Sommer,
apenas fez insinuá-la de longe, nunca, porém, a propós como tal, Eis o que ele
mesmo declarava em urna de suas obras (Nouveaux apergus sur les ma-
nuscrits de la Mer morte. París 1956,206s):
"Eu esbocara um ligeiro paralelismo que visava a despertar a curiosi-
dade do leitor, sem pretender de modo algum solucionar, por meio de
simplificacáo excessiva, um problema dos mais complexos... Seja-me li
cito lembrar o inicio: O Mestre Galileu, tal como nó-lo apresentam os escri
tos do Novo Testamento, aparece sob mais de um aspecto como surpreen-
dente reencamagéo do Mestre de Justiga. Ao passo que eu me exprímia
com cautelas intencionáis, os meus leitores suprimiram as palavras.es-
sentíais, atribuindo-me a seguinte frase: Jesús nao é mais do que surpre-
endenté reencamagáo do Mestre de Justiga! Isto implica confundir ser e
parecer, implica deixar de lado urna precisáo importante; quem diz sob
mais de um aspecto nao dá a entender que a semelhanca nao é total?"

538
POLÉMICA SOBRE "O FILHO DE DEUS" 11

2.2.1. Prof. Karl Hermann Schelkle

Damos agora a palavra a um dos pesquisadores - Karl Hermann


Schelkle - que se envolveram nos debates em torno de Jesús e Qumran.
Já em 1965 safa a segunda edicáo de seu livro Die Gemeinde von Qum
ran und die Kirche des Neuen Testaments, cujo epflogo está assim
concebido:

"O confronto entre os rolos de Qumran e o Novo Testamento demonstra


existirem entre ambos afinidades e analogías e permite aínda a concluséo de
que ambos deitaram raízes em térra comum e ambos surgiram na época de
transigió do judaismo tardío. Oeste feto origínase naturalmente vasta conver
gencia de concepcóes religiosas e moráis. O Mestre de Justíca de Qumran e
Joáo Batista, e também Jesús, assim como Joáo, Pedro e Paulo, partem da
Lei e de sua interpretagáo.

Todavía, ao lado dessas analogías existem profundas divergencias.


Qumran espera a satvagáo; no Novo Testamento, elajá apareceu em Jesús
Cristo. Ele condensa em sua pessoa toda a expectativa messiánica alimenta
da em Qumran de um Profeta, de um Filho de Davi, de um Sumo Sacerdote.
Em Qumran, opóem-se os espfritos da luz e das trevas em combate que há
de perdurar até o fim dos tempos. No Novo Testamento, porém, Cristo venceu
o príncipe das trevas. A religiáo de Qumran é rigorosa observancia da lei. Nao
obstante, é impossfvel cumprir a lei. A própria seña o sabe, em última análise,
e provam-no igualmente os textos paulinos. Por isso, as purificacóes e ablu-
cóes sao constantemente renovadas, no intuito de apagar a culpa. 'Esses ho-
mens nao safam dos banhos sagrados', observou Adolfo von Hamack. O
Evangelho, ao contrario, liberta do espirito legalista, trazendo a certeza do
perdáo e da filiacáo.

Qumran e o Novo Testamento nao estáo em relagáo de parentesco en


tre máe e filha. Sao duas irmás, Slhas da mesma mae, ou melhor aínda, mem-
bros de urna mesma familia, que cresceram de modo muito diferente.

A seita de Qumran é urna comunidade adventicia, digna de nosso res-


peito e simpatía. Mas a realidade presente no Evangelho ultrapassa-a de Ion-
ge. Por isso deveríamos por os rotos de Qumran ñas máos de todos os cris-
tSos, para que, lendo-os, reconhegam em que medida é maior o dom recebido,
quando no batismo foi pronunciado sobre eles o nome de Jesús Cristo.

Se os homens santos de Qumran se tivessem encontrado com Jesús e


seus^discfpulos, certamente se teriam mantido á distancia, mais ou menos
com o mesmo criterio dos fariseus transmitido em Mt 11,19: 'Ele é um glutáo e
bebedor, amigo dos publícanos e dos pecadores'. Pois Jesús nao era um as-

539
12 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

ceta do tipo dos homens santos de Oumran, a cujos olhos ele, por se aproxi
mar dos pecadores e publícanos e pagaos, era impuro e pecador. E que tena
dito Jesús da comunidade de Oumran? Ter-ihe~ia repetido o que respondeu
um dia a um escriba (Me 12,34): 'E Jesús, ao ver que tinha respondido atina
damente, disse-lhe: Nao estás longe do reino de Deus'".

2.2.2. Prof. Manuel Jiménez F. Bonhome

Outro depoimento interessante é do Prof. Manuel Jiménez F. Bo


nhome, mexicano, doutor em S. Escritura e pesquisador de Qumran, que
publicou o livro: "Os misteriosos habitantes do deserto de Judá. Sua Vi
da e seus Escritos" (sem data nem Editora).- Á p. 175 dessa obra lé-se:

"Há ou neo influencia de Qumran sobre o Cristianismo?

Respondo: a alternativa nao deveria sertáo rigorosa. Nem Oumran nem


o Cnstianismo se originaram no vacuo. Ambos respiram o mesmo clima e fo-
ram gerados da mesma matriz. Toda a antiga historia de Israel, toda a sua
evolucáo religiosa é o pedestal do Novo Testamento. Sao Paulo chama muito
a propósito a antiga Leí 'o Pedagogo do Cristo'ou"... do cristao'. Bem se pode
admitir que nao tenha havido influencia recíproca entre um e outro, mas que
ambos dependem do mesmo velho tronco, nos pontos em que há semelhan-
ca...

É bem provável que um número apreciávelde afiliados a Qumran... se


tenha convertido ao Cristianismo». Qumran preparou e adubou o terreno para
a sementeira e o desenvolvimento do Cristianismo. Poristo, embora o tenham
feito indiretamente, há grande motivo de gratidáo para com os fervorosos as
cetas do deserto". ,

2.2.3. O Prof. Allegro e seus colegas

0 Prof. Allegro, da Universidade de Oxford, membro da equipe que


trabalhou sobre os manuscritos em Jerusalém, fez declaracóes pela tele-
visáo inglesa e a revista Times de Londres, que suscitaran-) grande sensa-
cao. Alegava que Jesús Cristo nao foi senáo urna nova edicáo da figura
do Mestre de Justica, fundador e mentor dos monges de Qumran.Segun
do Allegro, há textos de Qumran que falam da crucifixáo do Mestre de Justi
ca, do seu corpo despedacado, que ficaria conservado até o dia do Jul-
gamento, e de "descobertas similares", que aproximariam o Mestre de
Justica da figura de Jesús Cristo.

Para afirmar isto, Allegro se apoiava em poucos fragmentos de um


Comentario das profecías de Naum, escrito em estilo midráxico1 e obs-

'Estilo midráxico é o que tende a fazer da historia um veículo de ensinamen-


tos religiosos.
i

540
POLÉMICA SOBRE "O FILHO DE DEUS" 13

curo, utilizando muitas metáforas. Eis um espécimen de tal Comentario


utilizado por Allegro:

" 'O leáo tomou o que bastava para seus filhotei e matou a caga para
suas leoas' (Na 2,13). A interpretagáo disto é que a vinganga veio por meio
(Jaqueles que procuraram as coisas vas. Eles suspendiam os homens vivos".

Como se vé, o texto, usando de anonimato, nao diz quem sería o


leáo, embora se compreenda que deva ser algum poderoso chefe rival de
Israel, terrível pela sua crueldade. No mesmo documento, algumas linhas
abaixo, léem-se os nomes de Antloco e Demetrio, chefes militares sfrios
que no sáculo II aX. moveram dura perseguicao aos judeus de Jerusa-
lém. Se a referencia a tais nomes nao é urna ¡nterpolacio, pode-se dizer
que o autor do manuscrito tinha em vista o malvado reí Antfoco IV
(175-164) ou seu sucessor Antfoco V (164-162) e o general sfrio Demetrio;
ambos seriam recordados, talvez como prototipos de um novo invasor e
perseguidor dos judeus, aguardado pelos essénios como chefe dos Filhos
das Trevas na batalha de fim dos tempos.

Ora diante dos programas realizados por Allegro na BBC e frente ás


publicacóes desse autor na revista Times, urna equipe de professores,
constituida por De Vaux e P. Milik (da Escola Arqueológica de Jerusa-
lém), Sekhan (da Universidade Católica de Washigton), Strugnell (de
Oxford), Starky (do Instituto Católico de París), publicou na mesma re
vista Times a seguinte declaracáo:

"As opinióes emitidas pelo distinto Prof. Allegro parecem possuir um pe


so especial pelo lato de ser ele membro da comissáo de dentistas que traba-
Iham na edigáo dos manuscritos que aínda nao foram publicados. Dada a
enorme repercussáo de suas afírmagóes, e tendo em consideragáo, por outra
parte, que os materiais sobre os quals ele se funda nao estáo aínda á disposi-
gao do público, nos, seus colegas, sentimo-nos obrigados a fazer a seguinte
declaracáo:

M. Allegro nao dispóe de textos inéditos além daqueles que se acham


depositados no Museu Arqueológico da Palestina e sobre os quais nos todos
trabalhamos.

Vendo na imprensa o texto das palestras transmitidas pela radio de


Londres, nos examinamos de novo todos os manuscritos publicados e nao
publicados; apesar dessa procura criteriosa, nao nos loi possível encontrar os
textos a que se refere o Prof. Allegro.
Em absoluto, nada achamos que se retira a crucifixáo do Mestre de
Justfca, nem á sua deposigáo da cruz, nem ao 'corpo desfeito em frangalhos,
que deveria ser conservado até o dia do julgamento'. Nao há, portanto, modelo
esseniano que se adapte á figura de Jesús Cristo. Nos imaginamos que o dis-

541
14 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

tinto Prol. Allegro leu mal os textos ou levanta urna serie de conjeturas que os
mesmos textos nao apoiam".

(assinado pelos citados professores em Londres, revista Times, abril


de 1956).

Os dados aduzidos nestas páginas, objetivos e sólidos como sao,


desfazem a suspeita de que Jesús tenha sido a réplica de algum chefe es-
sénio ou de semelhante guia religioso. A originalidade de Jesús é evi
dente a quem estuda seriamente a sua mensagem. Por conseguinte, so-
mente um conhecimento superficial do assunto pode levar alguém a d¡-
zer que a Igreja receta abalo de sua fé em conseqüéncia da publicacáo
dos manuscritos de Qumran. O estudo sereno e coerente ou a pesquisa
da verdade jamáis amedranta a Igreja Católica, pois se verifica que,
quanto mais se investigam as fontes do Cristianismo, tanto mais se con
firma m as proposites de sua fé.
• • •

(Conlinuacáo da p. 576):

disse-ihes suavemente: 'Voces bem véem, meus amigos, quanto certas


palavras podem ferir nossa sensibilidade mais profunda, ou seja, o amor
de filho a máe. Ora, quando voces, em minha presenca, falam da máe de
Deus, do seu Filho ou do próprio Deus, as palavras de voces me ferem
também'. Os dois homens, surpresos, escutaram-no. Depois prometeram
refrear a Ifngua. E cumpriram-no...

Urna palavra ainda antes de terminar. Na Grande Prisáo Central de


Marianosztra (antigo mosteiro, como se percebe pelo nome, transforma
do em lugar de detencáo de condenados a penas de longa durac&o), con
seguí ir trabalhar na oficina de tecelagem. Um dia teiminei um belo ta
pete. Meu guarda-chefe ficou táo contente qte ele me propós: 'Peca-me
um favor, e eu Iho concederé!'. Entáo pedí autorizacáo para falarcom um
dos meus irmáos. Nunca até aquele dia eu gozara de tal oportunidade.
Respondeu-me: 'Sim, contanto que amanhá vocé trabalhe táo bem'. No
dia seguinte executei a tarefa prevista com zelo ainda maior. Mas, quan
do lembrei ao chefe a sua prorressa, ele me disse com displicencia: 'On-
tem era ontem, e hoje é hoje. A resposta é negativa'. Entáo na minha có
lera amarga tratei-o de 'mentiroso sujo'. Com isto acarretei para mim um
castigo: trabalho manual no patio a 20? de frío. Estávamos no invernó, e
parecia-me ¡mpossível cumprir as ordens em tais condicóes. Apesar de
tudo, no fim do dia eu pude prestar contas: 'Chefe, as ordens foram exe-
cutadas'. Meus companheiros de prisáo, naquele frió gélido, haviam-me
dado urna ajuda forte espontáneamente ou por solidariedade. Nunca o
esquecereí.

(continué na p. 561)
i

542
O poder de atrapad do

Johrei e Paraíso Terrestre

Em sínlese: A Igreja Messiánica Mundial deve-se a Meishu-Sama,


mestre japonés, que em 1926 diz ter recebido urna iluminagáo e concebeu o
plano de fundar urna nova córtente filosófíco-religiosa.

O Messianismo propóe dois planos da realidade: o invisível, espiritual, e


o visível, material; este depende daquete. Ora até hoje, dizem, os homens vi-
veram principalmente em fungió dos bens materiais e sofrem de diversos
males acarretados pela cobiga, o egoísmo e o odio. Deus, porém, está para
dar inicio a nova era, era de Luz, que substituirá a era de trevas ou penumbra
em que estamos. Essa nova era está sendo preparada pelo Johrei... Johrei
significa a purificagáo do espirito (ou do corpo espiritual) mediante a infusáo da
Luz Divina. Essa Luz elimina as máculas do espirito humano e, conseqüente-
mente, concorre para curar os corpos e removeros males físicos que afligem
a humanidade. Em conseqüéncia, haverá sobre a térra um paraíso de bonan-
ga, caracterizado pela Verdade, a Virtude e a Beleza.

Esta mensagem suscita dificuldades a quem a queira avaliar serena


mente:

1) Professa o panteísmo -oqueé ilógico - e, conseqüentemente, a re-


encamagáo - tese gratuita ou sem fundamentagáo. Além disto, deixa sem
resposta a questáo da sorte postuma do homen

2) As revelagóes, hoje em dia, devem ser consideradas com espirito


critico multo agudo, pois muitas sao as que os homens atribuem a Deus,
quando na verdade nao passam de fenómenos vagos, subjetivos e emocio
náis. Para que alguém creía, deve ter credenciais ou motivos de credibilidade.

^3) A idéia de um paraíso terrestre é um sonho antigo, que retoma perió


dicamente ñas crengas dos homens. Só terá realidade no fim dos tempos,
quando o pecado e amorte tíverem sido debelados. As curas apregoadas pe-

543
16 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

tos devotos do Messianismo deveriam ser examinadas segundo criterios


científicos, para que fenómenos emotivos nao sejam confundidos com sinais
divinos extraordinarios ou milagres.

A) O Messianismo diz nao ser religiáo, mas algo mais do que urna reli
giáo. Pergunta-se: pode haver algo mais polarizante e totalizante do que a reli
giáo?

Em suma, o Messianismo vem a ser mais urna das expressóes do pe


rene senso religioso da humanidade. Carece, porém, de credenciais e da coe-
réncia lógica que sao indispensáveis para que possa merecer a aceitacáo de
quem relíete um pouco.

Os fiéis católicos sao interpelados por mensageiros do Messianis


mo japonés dito Johrei, que promete curas espirituais e físicas em pre
parado de nova era, a do Paraíso terrestre.

0 tema já foi abordado em PR 139/1971, pp. 328-335; 208/1977, pp.


143-152 e 256/1981, pp. 198-202. Visto que há sempre demanda de es-
clarecimentos sobre o Johrei, voltamos a considerá-lo, utilizando mate
rial de difusáo fornecido pelos próprios arautos da corrente (as passa-
gens citadas entre aspas seráo literalmente transcritas desse material de
propaganda).

1.O Fundador

O fundador da Igreja Messiánica Mundial é o mestre Meishu-Sa-


ma. Nasceu aos 23/12/1882 em Tóquio (Japáo), filho de famflia pobre,
e faleceu aos 10/2/1955. Desde pequeño, conheceu varios tipos de sofri-
mento, que Ihe despertaram o interesse pela Religiáo; desejava descobrir
as causas de seus padetimentos próprios e dos que afetam toda a huma
nidade. Aos qua renta e quatro anos de idade, ou seja, em 1926, recebeu
"maravilhosa revelacáo", no monte Nokoguiri, que o impeliu a fundar
nova sociedade religiosa. Passou o resto da sua vida a propagar a sua
mensagem; formou discípulos e ministros da respectiva doutrina; escre-
veu artigos e livros; fundou centros de cultura e arte. Até 1950 a organiza-
cao chamava-se "Nippon Karon Kydan" (= Igreja Kanon do Japáo);
foi-lhe entáo trocado o nome, que é atualmente "Sekai Kyusei-Kyo"
(= Igreja Messiánica Mundial).

Quando Meishu-Sama faleceu, a sua esposa continuou a obra com


o cognome de Nidai-Sama, vice-ltder espiritual. Esta construiu o santuá-
i

544
J0HRE1 E PARAÍSO TERRESTRE 17

rio principal da sociedade em Atami, a 80 km de Tóquio. Atualmente o


Movimento é dirigido pela terceira filha do fundador- Itsuki Okada -, que
recebeu o nome de Kyoshu-Sama (Líder Espiritual). Os adeptos da nova
corrente possuem centenas de templos esparsos pelo Japáo, as ilhas Ha-
vaf, os Estados Unidos, o Brasil...

Vejamos mais precisamente as grandes linhas da mensagem do


Messianismo.

2. A Mensagem

Distinguiremos cinco principáis artigos na mensagem de Meishu-


Sama.

2.1. Instauracáo do Paraíso Terrestre

"A Igreja Messiánica tem por fínalidade construir o Paraíso Terrestre,


criando e difundindo urna civilizacáo religiosa que se desenvolva lado a lado
com o progresso material" (Ensinamento de Meishu-Sama).

O Paraíso assim a presentado é identificado com o Reino dos Céus


apregoado por Jesús Cristo, com o "Mundo de Miroku" anunciado por
Buda, com a "Agricultura Justa" proclamada por Nitiren, com o "Pavi-
Iháo da Docura" idealizado pela "Igreja Tenrikuo".

"Cheguei á conclusSo de que o momento se aproxima. E que significa


isto? É a hora da 'DestruigSo da Le/', prevista por Buda, e do 'Fim do Mundo'
ou 'Jufzo Final1, profetizado por Cristo" (Meishu Sama).

"O Paraíso Terrestre é entendido como um mundo isento de doenga,


miseria e conflito, e repleto de saúde, riqueza e paz" (totheto "As Primeiras
Nogóes" da Igreja Messiánica).

2.2. Das Trevas para a Luz

Aos 15 de junho de 1931, Meishu-Sama diz ter recebido a grande


revelacáo do Plano de Deus. Este consta de duas fases:

1) Na primeira, Deus programou o desenvolvimento da materia


com supremacia sobre o esptrito. Foi preciso assim preparar as condicóes
materiais para a instauracáo do Reino dos Céus sobre a Térra. Nessa pri-
meiraufase, a luz da Lúa predominou sobre a luz do Sol; a agua teve
maior influencia do que o fogo. Por isto a primeira fase da historia é
chamada Era da Noite ou do Mundo Velho, Era na qual, em virtude

545
18 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

da fraca claridade da Lúa, sá foi possível enxergar parte da Verdade; "as


causas das doengas e dos demais sofrimentos permaneceram nesse pe
ríodo congeladas no corpo físico do homem".

2) A segunda fase será a do Mundo Novo ou do Dia. A transigáo da


primeira para a segunda fase comegou em 1931, quando Deus "revelou"
a Meishu-Sama o seu designio. A transicáo devia durar aproximada
mente sessenta anos, conforme Meishu-Sama. A partir dessa transigió,
ou seja, a partir de 1991 aproximadamente, "o progresso espiritual co-
mecaria a se intensificar; a luz do Sol seria mais intensa do que a luz da
Lúa, a atuacáo do fogo seria mais forte do que a da agua; em conseqüén-
cia desta elevada claridade e da alta temperatura, seria possível enxergar
plenamente a Verdade e purificar as causas das doencas e dos demais
sofrimentos no corpo físico do homem; a cultura do espirito se desenvol
verá mais do que a da materia e a humanidade atingirá o progresso espi
ritual e material capaz de transformar a térra no Reino dos Céus."

No limiar do Novo Mundo deverá haver um Juízo Final; seráo apro-


vadas neste julgamento as pessoas que conseguirem anteriormente li-
bertar-se da doenca, da pobreza e do confuto. A libertacáo se dá me
diante a fé; esta permite ao homem tomar consciéncia de que é o próprio
homem quem produz e acumula no seu espirito as máculas que dáo ori-
gem b doenga, b pobreza e ao confuto.

2.3. Corpo Material e Corpo Espiritual

O homem é constituido de Corpo Espiritual e Corpo Material. O


que acontece no Corpo Material é reflexo do que há no Corpo Espiritual.
Isto quer dizer que as doencas físicas, a pobreza e os conflitos tém sua
causa mais profunda ñas máculas do Corpo Espiritual. Essas máculas sao
como o nevoeiro; impedem o homem de enxergar o que está b sua frente
e ao seu redor.

As máculas, por sua vez, sao devidas ao mau uso que o homem fa
ca, dos bens deste mundo (saúde, dinheiro e paz). Quárido tais máculas
atingem ceno nivel de densidade, entram em acáo processos de purifica-
cáo sob forma de doencas, perdas financeiras e conflitos; isto se dá me
cánicamente, conforme as leis da causalidade {se aciono á causa, segue-
se naturalmente o efeito).

Nesta perspectiva, o sofrimentó é um beneficio, porque permite ao


homem eliminar suas máculas espirituais, como se fossem toxinas. Esse
beneficio é chamado "purificacáo"; donde se segué que é necessário re-
ceber todas as contrariedades com esperanc.a e coragem, pois elas remo-
vem as causas da infelicidade e preparam o homem para ser feliz.
i

546
JOHREI E PARAÍSO TERRESTRE 19

Caso alguém nao aceite de bom grado essa purificacáo, acumulam-


se nele as máculas espirituais e "a pessoa desee aos nfveis mais baixos do
Reino dos Infernos, sem possibilidade de retorno. O homem entáo nao
pode cumprir a sua missáo, e a conquista de saúde, prosperidade e paz
torna-se-lhe impossível" .

2.4. Johrei

A purificacáo do espirito nao se efetua apenas por meio do sofri-


mento. Ela ocorre também através do Johrei.

Johrei é vocábulo japonés composto de joh (purificar) e reí (espi


rito). É a luz divina, que vem comunicada ao homem. Para receber o Joh
rei, o crente deve ficar em silencio, com o corpo e a mente relaxados;
peca-o a qualquer membro "messiánico" que tenha recebido as creden-
ciais para tanto ou o OHIKARI, dado a quem decide ser instrumento da
Luz da Salvacáo. O Johrei pode ser ministrado no templo ou em casa, a
qualquer momento do dia ou da noite.

Meishu-Sama assim expóe o significado do Johrei:

"O Johrei é um método de criar felicidade. E nao pode ter como objetivo
a cura das doengas, porque estas sao formas de purificacáo, isto é, sua finali-
dade é eliminar as máculas do espirito. O resultado da erradicacáo dessas
máculas é a extincáo dos sofrimentos humanos.

Costumo ensinar que a doenga, a pobreza e o confuto sao processos


purificadores. A doenga é o principal, porque aleta a própria base da vida.
Ouando conseguirmos vencé-la, também solucionaremos o problema da po
breza e do confuto. Portanto, a base da felicidade é a eliminagáo das máculas
espirituais. O Johrei é o método mais simples e infalível para erradicá-las. É,
pois, evidente que ele nao visa á própria doenga, e sim ás suas causas".

2.5. O Mundo da Beleza

A Nova Era e o Paraíso na térra teráo por características a Verdade,


a Virtude e a Beleza. Dentre estas notas, os messiánicos enfatizam espe
cialmente a Beleza. Meishu-Sama disse que todas as obras da Divina Be
leza existem na térra para alegria, prazer e intima elevacáo espiritual dos
homens.

I Urna das importantes missóes do Fundador foi construir o prototi


po do céu na térra; recebeu a revelacáo de que essa tarefa era de funda
mental valor, pois "a Divina Administrado constrói através de modelos,

547
20 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

de sorte que, se o Modelo Divino for construido em determinada regiáo


do mundo, poderá ser ampliado em escala mundial".

Em conseqüéncia, Meishu-Sama planejou a construgáo dos tres


prototipos do Paraíso na térra, escolhendo sob a Divina Orientacáo tres
lugares de extraordinaria beleza natural no Japáo: Hakone, Atami e
Kyoto. Tinha a intencáo de associar a beleza da natureza com a beleza
produzida pelo homem.

A estima da beleza faz que os membros da Igreja Messiánica valori-


zem grandemente as artes, como a pintura, a escultura, a música, a lite
ratura, a danfa... Sao expressóes da Divina Beleza, das quais o homem
participa criativamente. Além disto, o servigo ao próximo é, para os mes-
siánicos, algo que suscita urna atmosfera de Beleza, pois quem serve ao
próximo se torna puro e poderoso canal do Poder Divino para o Johrei.

Sao estas as grandes linhas da mensagem da Igreja Messiánica


Mundial. Importa-nos agora tecer algumas consideracóes a respeito.

3. Avaliacáo

A mensagem do Messianismo suscita alguns reparos.

3.1. O conceito de Deus

A teologia do Johrei é sobria e pobre em conceitos; pouco diz a


respeito de Deus e seus atributos. Parece estar muito mais interessada no
homem e na instauracáo de um paraíso terrestre mediante a purificacáo
da humanidade a ser obtida pelo Johrei;

A noció de Deus, nessa corrente, é pantefsta, como se depreende


de breves insinuacóes dos seus escritos. Assim os messidnicos falam de
um "Mundo Divino"; a Alma é urna "partícula Divina". "A alma consti-
tuiu-se na partícula Divina individual e indivisfvel do homem". A Luz Di
vina do Johrei é um fluxo, é energía espiritual (algo de dimensional,
quantitativo). é estranha também a afirmacáo:

"Ouaisquer espiritas, divindades e demonios encontram-se numadas


180 (cento e orienta) carnadas que constituem o mundo espiritual, sob a or-
dem de Deus, que está ácima de todas".

Ora o panteísmo, ensinando que pan (tudo) é theós (Deus) vem a


ser urna aberragáo, pois Deus é, por definicáo, o Eterno e Absoluto, ao

548
JOHREI E PARAÍSO TERRESTRE 21

passo que os seres visíveis sao temporarios, contingentes e relativos;


identificar a Oivindade com o mundo e o homern é querer identificar o
Sim com o Nao, o Absoluto com o relativo, o Eterno com o temporario, o
Necessário com o contingente.

3.2. O universo e o homem

Sao assaz complexas as nocóes de mundo e homem professadas


pelo Messianismo do Johrei. 0 universo seria constituido de Mundo Di
vino, Mundo Espiritual e Mundo Material; o homem teria um corpo espi
ritual e um corpo material. - Ora a nocáo de corpo espiritual é falha ou
mesmo contraditória. Corpo, por definigáo, significa algo de quantitativo,
extenso, dimensional, ao passo que espirito diz um ser real que nao te-
nha extensáo nem dimensóes. Deus é espirito puro, os anjos e a alma
humana sao seres espirituais.

Quando Sao Paulo fala de "corpo espiritual" (ICor 15,44), refere-se


táo-somente ao corpo humano material ressuscitado e totalmente pene
trado pela graga glorificadora e transfiguradora do Espirito Santo.

3.3. Vida Postuma

0 Messianismo é lacónico no tocante á sorte postuma do homem.


Professa a reencarnado em textos como:

"As máculas espirituais foram formadas pela vontade ou ignorancia do


próprio homem, nesta ou em vidas anteriores".

Todavía também se lé nos escritos messiánicos:

"Quando sobrevém a morte, o corpo espiritual, cujo núcleo é a Alma,


retorna ao Mundo Espiritual, assumindo a posicáo em que se encontra o Yu-
kon"1.

Nao se pode conceber o silencio a respeito da sorte postuma do


homem (terá a justa sancáo? Colherá os frutos do que semeou?). Trata
se de tema cuja importancia é capital para a orientacáo da caminhada do
homem sobre a térra.

' YukÓn é o nome dado por Meishu-Sama para designar "o elo de ligagáo que
existe entre a Alma e o Mundo Espiritual, enquanto a Alma cumpre missáo do
mundo material".

549
22 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

3.4. Expectativa de Paraíso

A expectativa de um Paraíso sobre a térra corresponde a velho so-


nho da humanidade... Está dentro das categorías de numerosos mitos da
historia das Religióes.

Compreende-se que o homem aspire a urna ordem de coisas reno


vada, em que já nao haja perversidade e odio. Todavía a experiencia en-
sina que o egoísmo e o amor próprio acompanham muitas vezes as mais
betas iniciativas e dissipam os mais elevados ideáis da humanidade. So-
mente a graca de Oeus pode ajudar os homens a superarem as suas más
tendencias e se unirem na base de genuino amor fraterno.

O Cristianismo ensina que nao haverá plena concordia e harmonía


entre os homens senáo depois que Cristo tiver consumado a sua vitória
sobre o pecado e a morte no fim dos tempos. Entrementes lutaremos
sempre contra as más tendencias da criatura humana. A experiencia dos
séculos, principalmente a de nossos dias, parece confirmar esta verdade;
o homem progride na ciencia e na técnica, mas parece que fácilmente se
deixa fascinar por suas obras, caindo, ás vezes sem o sentir, sob o jugo e
os ditames das conquistas materiais; o próprio homem é, nao raro, sacri
ficado á máquina e á materia. Estas fazem que homem se torne lobo para
o homem ("homo homini lupus"); pensadores e futurólogos de nos-
sos dias chamam a atencáo para tal fenómeno.

Se a Igreja Messiánica propóe o Johrei como sendo a graga salva


dora de Deus, concedida para preparar os homens para o Paraíso terres
tre, o estudioso tem o direito de pedir as credenciais de tal mensagem.
Crer sem motivos de credibilidade é irracional (todavía é algo que acon
tece freqüentemente em nossos dias).

A revelacáo ou ¡lumínacáo com a qual terá sido agraciado Meishu-


Sama, é, á primeira vista, algo de vago e subjetivo; as visóes e revelacóes
hoje em dia (quando sao táo freqüentemente apregoadas) devem ser en
caradas com agudo senso crítico; Deus pode manifestar-se em visóes,
sem dúvida; mas a maioria das que Ihe sao atribuidas, sao fenómenos
meramente psicológicos. Perdem todo crédito desde que insinuem pan
teísmo.

3.5. Os milagres do Johrei

O que atrai muitas pessoas ao Messianismo do Johrei, é a expecta


tiva de curas e dons extraordinarios. Verdade é que os ministros messiá-
nicos nao pretendem agir diretamente sobre o físico dos seus fiéis; toda
vía nao deixam de propor a restauracáo da saúde corporal mediante a
i

550
JOHREI E PARAÍSO TERRESTRE 23

eliminacáo das máculas da mente. Ora sabe-se quanto hoje em dia as


pessoas tendem a fazer da religiáo e dos ritos religiosos urna terapia,...
a te apia daqueles que a medicina científica, por um motivo qualquer, nao
atinge ou nao cura.

Muitos devotos afirmam, em cartas e testemunhos oráis, que foram


curados pelo Johrei no plano da saúde física. Tais depoimentos apre-
sentam o estilo e as características de processos emocionáis, em que a
sugestao desempenha papel importante. A religiio e a mística, por serem
valores de primeira grandeza, tém poder altamente influente sobre o psí
quico de pessoas combalidas por m'ales e calamidades da vida presente.
Seria, pois, temerario afirmar que as grapas obtidas em contato com a
nova corrente religiosa japonesa sejam sinais da veracidade das crencas
ai professádas.

3.6. Ser cristáo e ser "messiánico"?

A Igreja Messiánica afirma que nao há ¡ncompatibilidade entre "ser


cristáo" e "ser membro da Igreja Messiánica"; pois esta "é mais do que
urna religiáo; oferece um caminho completo de vida nos tres níveis de vi
da do homem - espiritual, mental e físico".

Perguntamo-nos: pode haver algo de mais exigente e polarizante


do que a religiáo? Esta é a doagáo do homem, com todas as suas poten
cialidades, ao seu Criador e Consumador. Religiáo nao é apenas ritual,
nem é somente escola de morigeracáo, mas é algo que atinge as profun
didades do ser humano para levá-las ao pleno desabrochamento no en
contró com o Absoluto ou com Deus.

Na verdade, a Igreja Messiánica propóe concepcóes tais que nao sao


compatíveis com o Cristianismo; este, apregoando a salvacáo por Jesús
Cristo, Deus feito homem, é ¡nconfundfvel e supera as mais otimistas ca
tegorías do pensamento humano. O Cristianismo apregoou aos homens
algo que jamáis algum profeta ou iluminado ousou dizer: "Ele (Oeus)
primeiro nos amou" (1 Jo 4,19). Ou aínda: "Nisto consiste o amor: nao
fomos nos que amamos a Deus, mas foi Ele quem nos amou e enviou o
seu Filho como vítima de expiacáo pelos nossos pecados. Carlssimos, se
Deus assim nos amou, devemos, nos também, amarmo-nos uns aos ou-
tros"{1Jo4,10s).

Eis o que de mais importante ocorria observar sobre a mensagem


do Johrei: ainda que proponha aos seus adeptos o "Pai Nosso" do Evan-
gelho, transmite concepcóes acerca de Deus, do homem e da historia as-
saz diversas das do Evangelho e filosóficamente insustentáveis.

551
Num questionamento sereno e objetivo:

O Demonio: Sim ou Nao?

Em sfntese: O presente artigo examina os fundamentos bíblicos e tra-


dicionais da arenga na existencia e na atividade do demonio, visto que nos úl
timos lempos se vem negando com énfase tal artigo de fé. A negagáo procede
de preconceitos ou também do desejo de dissipar caricaturas do anjo mau
existentes na crendice popular. O assunto nao é da área filosófica, mas é es-
tntamente teológico; portanto a explanagáo do mesmo depende da Revelagáo
oral e escrita, que a Igreja, como Máe e Mestra assistida por Jesús, tem
transmitido aos fiéis.

Nos últimos decenios, especialmente nos anos mais recentes, au


tores cristáos tém negado a existencia do demonio através da imprensa
escrita e de outros meios de comunicado.

Alguns o fazem superficialmente, quase num estilo de impacto e


sensacionalismo, como fez, por exemplo, o Pe. José Fernandes de Oli-
veira SCJ no Jornal do Santuario de Aparecida, edicáo de 15 a 21/08/92:
nega gratuitamente, sem argumentar^ e com certo sarcasmo, deixando
confusos os leítores despreparados.

Outros pretendem provar que o demonio nao existe, mas foi intro-
duzido na Biblia e na Tradicáo crista por influencia do paganismo. Tal éo
caso do Pe. Osear Quevedo em seu livro "Antes que os demonios vol-
tem", livro já comentado em PR 323/1989, pp. 146-156, onde sao aponta-
dos preconceitos e sofismas do autor da obra.

Mais recentemente aínda, Geraldo E. Dallegrave, benemérito alias


por obras de apologética católica, escreveu a respeito na "Gazeta do Po-
vo" de Curitiba, edicio de 23/8/92, um artigo superficial e incorreto, que
deixou perplexa urna parte do público. É possfvel que as deformacóes do

552
O DEMONIO: SIM OU NAO? 25

concei'to de demonio tenham levado Dallegrave a urna posicáo extrema,


posicáo, porém, muito mal fundamentada e destoante do pensamento
cristáo.

Na verdade, nenhum teólogo tem interesse em se deter.longa-


mente sobre a existencia e a acáo do demonio. Este é "um cao acorren-
tado, que pode ladrar violentamente, mas s<5 consegue morder a quem se
Ihe chega perto" (S. Agostinho). Todavia, por respeito ao patrimonio da
fé, o teólogo é obrigado a tratar do assunto quando se levantam questóes
a respeito. Os criterios para abordar tal tema nao sao os da Filosofía, mas
os da Revelacáo Divina, ou seja, a Palavra de Deus oral e escrita (S. Es
critura) tal como nos chega através da Igreja, Máe e Mestra.

Comecemos, pois, por examinar o testemunho bíblico, levando err.


conta especial o artigo de Geraldo E. Dallegrave.

1. O Testemunho Bíblico

1. Geraldo E. Dallegrave dá ao seu artigo um título infeliz: "O termo


'demonio' nao aparece uma só vez no original do Velho Testamento".

- Ora o texto original do Antigo Testamento foi quase todo escrito


em hebraico, língua sagrada dos iudeus; em grego temos apenas os l¡-
vros deuterocanónicos1: Tobias, Judite, Baruque, Eclesiástico, 1/2 Maca-
beus, Sabedoria, além de fragmentos (Daniel 3,24-90; 13,1-14,42; Ester
10,4-16,24). Em conseqüéncia, compreende-se que o texto original (he
braico) do Antigo Testamento nao pode apresentar o vocábulo daimon
ou daimonion (= demonio), que é grego. Será que Dallegrave nao per-
cebeu a incoeréncia do seu título?

Se nao existe a palavra grega daimon nos escritos hebraicos do


Antigo Testamento, existem palavras hebraicas equivalentes, como sao:

a) Sata = Adversario. Este é um anjo que aparece no livro de Jó


como detrator do homerr< e causador das suas desgracas; cf. Jó 1,7; 2,2;
ver também IRs 22,19-23. Mais nítidamente aínda ocorre em 1Cr 21,1,
onde Sata é tido como aquele que instiga o homem ao pecado;

1Os deuterocanónicos sao livros que os iudeus nao aceitam precisamente por
terem^ido escritos em grego ou em aramaico e nao em hebraico. Os católi
cos, porém, os aceitam, baseados na própria tradigáo dos judeus de Atexan-
dria (Egito).

553
26 "PERPUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

b) Belial, beliyya'al {= sem utilidade?) é o anjo malvado, mencio


nado em 2Sm 23,6: "Os homens de Belial sao todos como a espinha
rejeitada™"; Jó 34.18: "Deus, que diz a um rei: 'Belial!...'"

Sao Paulo designa como Belial o chefe dos espíritos maus, que se
opóe a Cristo e se manifesta na vida dos pagaos:

"Que acordó há entre Cristo e Belial? Que relagáo entre o fiel e o in


crédulo?" (2Cor 6,15).

c) Asmodeu (= Exterminador) é o anjo mau, que deu morte su-


cessivamente aos sete pretendentes de Sara, filha de Raquel; cf. Tb 3 8-
6,14.

d( Baalzebub (= Senhor das mosca) era o nome de urna divindade


filistéia (ou de Acarón); cf. 2Rs 1,2-16. Os judeus, após o exilio (586-538
a.C), evitavam pronunciar o nome de Sata (Berakot (60,1); por isto, em
seu lugar, usavam o nome Baalzebub, deformacáo de Baalzebul
(= dono da casa, istoé, Principe da Moral Infernal). Finalmente os rabinos,
querendo escarnecer os tdolos, modificaram o nome para Baalzebel (=
Senhor do Estéreo). Ver no Novo Testamento Me 3,20.

e) Serpente Tentadora, que induziu os primeiros pais ao pecado:


Génesis 3,1-6. O texto grego do livro da Sabedoria a presenta essa Ser
pente como sendo ho diábolos (= o diabo); ver Sb 2,24.

2. Quanto ao exorcismo ou ao rito aplicado para expulsar o demo


nio, encontramo-lo entre os judeus do tempo de Cristo. Assim o Historia
dor judeu Flávio José (37-95 d.C), no seu livro de Antigüidades Judai
cas 8,45s, apresenta a descricáo do exorcismo efetuado na época; além
disto, refere que foram atribuidas ao rei Salomáo "sentencas adequadas
para obter a cura de doencas, e fórrrulas de exorcismo mediante as quais
se podiam subjugar e rechacar os espfritos, de modo que nao conseguis-
sem retornar".

O Novo Testamento dá testemunho de que os judeus praticavam o


exorcismo - o que supóe a crenca na existencia do demonio. Tenham-se
em vista:

At 19.13: "Alguns dos exorcistas judeus ambulantes comecaram a


pronunciar, eles também, o nome do Senhor Jesús sobre aqueles que tinham
espfritos maus. E diziam: 'Eu vos conjuro por Jesús, a quem Pauloproclama!' °

O próprio Jesús se referia aos exorcistas judeus:


i

554
O DEMONIO: SIM OU NAO? 27

Mt 12,27s: "Se eu expulso os demonios por Beelzebu, por quem os


expulsam os vossos adeptos?.- Mas se é peto Espirito de Deus que eu ex
pulso os demonios, entáo o Reino de Deus já chegou a vos".

Jesús mesmo praticava exorcismos, como se depreende deste texto


e de outros.quaís Mt 9,32-34; 12,22-24; 15, 21-28; Me 1,23-28; Le 8,28s-
13,10.17.

Notemos, alias, que os evangelistas distinguem entre possessos e


doentes, embora alguns dos casos de possessáo, no Evangelho, se asse-
melhem a doencas. Ver Me 1,34; Mt 8,16s; Le 6,18 e especialmente Le
4,40s:

"Ao por do sol, todos os que tinham doentes atingidos de males diver
sos, traziam-nos e Jesús curava-os. De um grande número saiam também
demonios, gritando: 'Tu és o Filho de Deus!'"

Os exorcismos realizados por Jesús eram o sinal de que se ia des-


truindo o imperio de Satanás e se inaugurava o Reino de Deus: Mt 12,28;
Jo 12,31. Ver Le 10,17-20:

"Os setenta e dois voltaram com alegría, dizendo: 'Senhor, até os de


monios se nos submetem em teu nome'. Ele Ihes disse: 'Eu via Satanás cair
do céu como um relámpago! Eis que eu vos dei o poder de pisar serpentes,
escorpióes e todo o poder do Inimigo, e nada vos poderá causar daño. Contu-
do nao vos alegréis porque os espfritos se vos submetem; alegrai-vos, antes,
porque os vossos nomes estáo inscritos nos céus'".

A vista deste texto e de outros, nao se pode dizer, com Dallegrave,


que "Cristo nunca fez exorcismo, nem tampouco recomendou que os
apostólos o fizessem". Na verdade, Jesús nao fingiu estar diante do Ma
ligno nem exerceu urna arte teatral ao exorcizá-lo, como se nao houvesse
possessáo diabólica. Adaptando-se a urna crenca "errónea" dos seus
contemporáneos, Jesús teña confirmado os judeus no seu "erro" e teria
transmitido aos cristáos a falsa nocáo de possessáo diabólica. Ora Jesús
veio justamente para a missáo de dissipar os erros e dar testemunho da
verdade - o que nao se compatibiliza com fingimento e teatralidade va-
zia:

Jo 18,37: "Para isto nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemu
nho da verdade. Quem é da verdade, escuta a minha voz".

kPor conseguinte, é forcoso admitir que Jesús, Mestre da Verdade,


nao fez palhacadas", mas confirmou a crenca na possessáo diabólica e
efetuou exorcismos.

555
28 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

Após Jesús Cristo, a Igreja durante vinte séculos (até hoje) afirmou
e afirma a possibilidade da possessáo diabólica; Ela tem também um Ri
tual de Exorcismo Solerte, a ser utilizado em casos precisos. Todavía o
diagnóstico de possessáo diabólica hoje em día é mais minucioso do que
outrora, pois se sabe que varios fenómenos entáo inexplicáveis eram
atribuidos á agáo do Maligno, ao passo que atualmente sao reconhecidos
como fenómenos meramente humanos ou psicológicos. Em conseqüén-
cia, recomenda-se cautela a fim de nao se admitir precipitadamente a
possessáo diabólica.

Ainda se pode notar no artigo de Dallegrave urna grave imprecisáo:


a historia do Antigo Testamento teria durado 5.000 anos, quando na ver-
dade a vocacáo de Abraáo, que dá origem a tal historia, ocorreu no sé-
cu.'o XIX a.C!

Examinemos agora as declaracóes do magisterio da Igreja, ao qual


Jesús prometeu a infalível assisténcia do Espirito Santo (cf. Jo 14 26-
16,13-15).

2. O Magisterio da Igreja

A Igreja nunca sentiu a necessidade de definir a existencia do de


monio como tal. A razáo disto é que as definigóes do Magisterio supóem
sempre a negacáo de alguma verdade revelada por Deus. Ora nunca na
antigüidade e na Idade Media foi negada a existencia do demonio. Os
erros respectivos versaram sobre a natu reza, a atividade, o pecado, a
condenacáo... do MalignoJ Por isto as interven?óes do Magisterio ver
saram somente sobre aspectos da acáo do Maligno no mundo, dando
sempre por certa a existencia do mesmo. '

Percorramos, pois, algumas declaracóes do Magisterio da Igreja.


1) O Credo niceno-constantinopolitano ou urna Profissáo de fé da
Igreja do secuto IV comeca afirmando:

Entre outras coisas, os antigos acreditavam que houvesse demonios íncu


bos e demonios súcubos. Demonio íncubo sería o demonio masculino que
vina de noite copular com urna mulher, causando-ihe pesadelos.
Demonio súcubo seria o demonio feminino que, de noite, copularía com um
homem, causando-lhe pesadelos. - É claro que a cópula de demonios e seres
humanos é impossfvel, mas tal crenga era transmitida de geragáo em geragáo
no povo de Deus desde os tempos pré-cristáos; sim, os rabinos ¡ulgavam que
os filhos de Deus que se uniram ás ninas dos homens, conforme Gn 6,1 s,
eram anjos que copularam com mutheres. Segundo bons exegetas, haveria
alusáo a esta concepgño emJdSe 2Pd 2,4.

556
O DEMONIO: SIMOU NAO? 29

"Creso em um só Deus, Criador de todas as coisas, visfveis e invisf-


veis".

O sentido desses seres ¡nvislveis foi posteriormente expticitado:


trata-se dos anjos, dos quais alguns pecaram e assim se tornaram anjos
maus. Foi o que o Concilio do Latrao IV (1215) declarou: "O diabo e os
demais demonios foram certamente por Deus criados bons em sua na
tureza, mas por si mesmos se tornaram maus" {DS 800).1 - Este esclare-
cimento, ao qual se poderiam acrescentar outros semelhantes, de data
anterior ou posterior, tinha em vista o dualismo, que admitía dois Princi
pios coeternos: o do Bem e o do Mal, Deus e o Diabo.

2) 0 Sfnodo regional de Constantinopla em 543, tendo em vista os ori-


genistas, afirma que a punigáo dos demonios nao tem fim e nao se pode
admitir a restauracáo (reintegrado) dos mesmos na grapa de Deus. Cf.
DS411.

3) O Concilio de Braga (561) determinou:

"Se alguém diz que o diabo nao foi primeramente um anjo bom, criado
por Deus, e que sua natureza nao foi obra de Deus, mas, ao contrario, diz que
emergiu do caos e das trevas e que nao tem autor, pois é ele mesmo o princi
pio e a substancia do mal, como afirmaram Maniqueu e Prisciliano, seja ana
tema.

Se alguém eré que o diabo fez no mundo algumas criaturas e que por
sua própria autoridade continua produzindo os trovóes, os raios, as tempesta
des e as secas, como disse Prisciliano, seja anatema" (DS 457s).

4) O Concilio de Florenca, em seu Decreto para os Jacobitas


(1441), declara:

"A Igreja firmemente eré, professa e ensina que ninguém concebido de


homem e de muiher foi jamáis libertado do dominio do diabo a nao ser pela fé
no Mediador entre Deus e os bomens, Jesús Cristo, Nosso Senhor" (DS
1347).

5) 0 Concilio de Trento afirma, no Decreto sobre a justificacáo


(1547), que os homens, em conseqüéncia do pecado original, "estavam
sob o poder do diabo e da morte" (DS 1521). Ao falar da perseveranca,
observa que, depois da justificaejío, "os homens ainda tém que enfrentar

1A sigla DS designa: Enquirfdio de Símbolos, Deftnicóes e Declara-


góes da Igreja.

557
30 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

a luta contra o diabo" (DS 1541). Os que pecam após o Batismo, entre-
gam-se "á servidáo do pecado e ao poder do demonio" (DS 1668).

Referirtdo-se á Uncáo dos Enfermos, diz o mesmo Concilio em


1551:

"Ainda que o nosso adversario (o demonio), durante toda a vida, procu


re e aproveite ocasióes para poder de um modo ou de outro devorar nossas
almas (cf. 1Pd 5,8), em tempo algum ele é mais astuto para nos perder total
mente do que no término ¡mínente da nossa vida" (DS 1694).

"Gragas a este sacramento, o enfermo resiste melhor ás tentagóes do


demonio" (DS 1696).

6) Pió XII, na encíclica Humani Generis (1950), censura a atitude


daqueles que perguntavam "se os anjos (e, portanto, também o diabo)
sao criaturas pessoais" (DS 3891). O Papa tinha em vista os que preten-
diam negar a existencia do demonio, reduzindo-o a figura literaria.

7) O Concflio do Vaticano II afirma que o "Filho de Deus, por


sua morte e ressurreicáo, nos livrou do poder de Satanás" (Sacrosanc-
tum Concilium 6)^.. "o Pai enviou seu Filho a fim de por Ele arrancar
os homens do poder das trevas e de Satanás" (Ad Gentes 3);.~ "Cristo
derrotou o imperio do diabo" (Ad Gentes 9). Aludindo a Ef 6,11-13, o
Concflio fala das "ciladas do demonio" (Lumen Gentium 48).

8) Paulo VI, em varias ocasióes, referiu-se á existencia e á atividade


maléfica do demonio. Em sua homilia de 29-06-72 pronunciou famosa
frase:

"Através de urna brecha penetrou a fumaca de Satanás no templo de


Deus".

Aos 15-11-72 estendia-se sobre a realidade do demonio:

"É o ininigo número um, o tentador por excelencia. Sabemos também


que este ser obscuro e perfumado existe de verdade e que com pérfida astu
cia é atuante; é o inirrígo oculto que dissemina erros e infortunios na historia
dos homens... É o péñdo e astuto encantador que sabe insinuarse em nos
por meio dos sentidos, da fantasía, da concupiscencia, da lógica utópica óu
dos desordenados contatos sociais no exercfdo das nossas atividades, para
nestas introduzir desvíos, mito mais nocivos porque aparentemente confor
mes com nossas estruturas físicas ou psíquicas ou com as nossas instintivas
e profundas aspiragóes...
\

558
O DEMONIO: SIM OU NAO? 31

Poderemos supor que esteja atuando sinistramente onde a negacáo de


Deus se faz radical, sutil e absurda; onde a mentira se sfírma hipócrita e pode
rosa contra a verdade evidente; onde o amor é eiirrínado por um egoísmo frió
e cruel; onde o nome de Cristo é impugnado com odio consciente e rebelde...;
onde o espirito do Evangelho é mistificado e contraditado; onde se afirma o
desespero como última palavra.

Deixa o quadro do ensinamento bíblico e eclesial quem se recusa a re-


conhecer a existencia do demonio, ou quem faz do demonio um principio que
existe por si e nao tem, como as demais criaturas, a sua origem em Deus, ou
ainda quem explica o demonio como sendo urna pseudo-realidade, urna per-
sonificacáo conceitual e fantástica das causas desconhecidas de nossas
desgragas" (ver L' Osservatore Romano de 16-11-1972).

Podemos agora condensar a doutrina do Magisterio em cinco pro


posites:

1) Os documentos citados convergem em supor a existencia do


demonio como ser real, ontologicamente bom, dotado de inteligencia e
vontade, capaz de agir no mundo. Este é um dado de fé.

2) 0 diabo depende de Deus Criador. Foi criado por Deus; por con-
seguinte, foi criado bom. A maldade do diabo se deve ao fato de que pe-
cou. Afastou-se livremente de Deus, condenando-se a estar privado de
Deus para sempre, pois os seres espirituais (no caso, os anjos) sao imor-
tais por sua própria natureza.

3) Por permissáo de Deus, o diabo atua astuciosamente, tentando


levar o homem ao mal, sem poder anular a liberdade humana. O homem,
ao pecar, entrega-se á influencia do Maligno.

4) Cristo Redentor nos resgatou do dominio do diabo.

5) O Magisterio da Igreja nao se compromete com outras afirma-


cdes, como aquetas atinentes ao tipo de pecado dos demonios, ao nú
mero e a hierarquia dos anjos maus, ás modalidades de sua atuacáo no
mundo.

3. A atividade do demonio

Por ser um espirito sem corpo, o demonio nao pode ter relacóes
sexuafcs com mulheres, como pensavam os antigos. Por ser espirito, goza
de conhecimento mais perspicaz do que o do homem; a sua inteleccáo
nao passa pelos sentidos, que sao sempre muito limitados em sua apre-

559
32 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

ensáo. Todavía os anjos maus nao sao todo-poderosos; estáo sob a re


gencia de Deus, que nao Ihes permite tentar o homem ácima das suas
forcastiCor 10,13).
A atividade ordinaria do Maligno consiste em tentar os homens ao
pecado. A S. Escritura Ihe atribuí a tentacáo dos prímeiros país (cf. Gn
3,1-5) e acrescenta que Jó (Jó 1-2). Jesús {Mt 4,1-11), Sao Paulo {2Cor
12,7-9), os Apostólos todos (cf. Le 22,31 s) foram tentados. Por isto Jesús
nos ensinou a pedir: "Nao nos deixeis cair em tentacáo, mas livrai-nos do
mal (ou Maligno)" (Mt 6,13). Segundo o designio de Deus, a tentacáo deve
contribuir para acrisolar e fortalecer a virtude do homem.

Os teólogos observam que o tentador nao pode agir diretamente


sobre o conherirrento e a vontade. do homem, nem mesmo os pode pe
netrar. Por conseguinte, só indiretamente pode tomar conhecimento do
que o homem pensa e quer, e só indiretamente, mediante objetos exter
nos, pode influir sobre o conhecimento e o querer do homem. O demo
nio nunca pode anular a liberdade e a responsabilidade de alguém; nao
há pecado sem consentimento voluntario e livre.

O demonio nao é a única fonte de tentacóes. Existem duas outras,


que sao as próprias paixóes existentes no homem e as influencias negati
vas do mundo (ou do mundanismo). Err conseqüéncia, é difícil dizer de
onde provém alguma tentagáo. Na prática, nao se deve ría atribuir tanta
importancia ao demonio; os afetos desregrados que toda criatura huma
na traz dentro de si, sao, muitas vezes, suficientes para explicar tal ou tal
tentagáo. Ácima de tudo, importa ao cristáo nao dar ocasiáo ao pecado,
afastando-se de todas as situacóes que a ele possam levar direta ou in
diretamente. De resto, será sempre posslvel ao cristáo vencer o mal, pois
Deus nao preceitua coisas impossfveis, mas, ao preceituar algo. Ele nos
admoesta a fazer o que podemos e a pedir o que nao podemos; além
disto, ajuda-nos para que o possamos cumplir, como declarou o Conctlio
e Trento (1547), retomando palavras de S. Agostinho (+ 430); cf. DS 1536.

4. "65% dos Teólogos nao aceitam..."

No final do seu artigo, o Sr. Dallegrave afirma:

"Dentre os 65% dos teólogos católicos que nao aceitam a existencia


absoluta do demonio, cito no momento dois, entre outros, de certa importancia,
por serem muito conhecidos: o Dr. Boa ventura Kloppenburg e Osear G. Oue-
vedo S.J., que escreveram numerosas obras, todas com aprovaedes ecle
siásticas".
\

560
O DEMONIO: SIMOU NAO? 33

A propósito observamos:

1) Donde recebeu o Sr. Dallegrave urna estadística táo precisa, a


ponto de saber que 65% dos teólogos católicos nao aceitam a existencia
do demonio? Pode-se perguntar se a fonte seria o livro muito obscura
mente citado: "Diabo, Demonios, Possessóes" de Walter Karper e K.L.;
K.K. e J.M. "Página 111 - Edi^oes Loyola, dirigida pelos padres Jesuí
tas (sic!). Realmente tal modo de citar é muito pouco científico ou pouco
apto a suscitar crédito.

2) Diante da referencia a D. Boaventura Kloppenburg, a revista PR


escreveu a este teólogo, que também é o Bispo de Novo Hamburgo (RS),
pedindo-lhe a eventual confirmacáo dos dizeres de Dallegrave. Em res-
posta declarou D. Boaventura Kloppenburg:

"Novo Hamburgo, 09-09-92

O artiguinho do Sr. Geraldo E. Dallegrave, na Gazeta do Povo, 23-08-


1992, Curitiba, sobre o demonio, nao tem nenhum valor, nem exegético, nem
teológico, nem histórico. Tem 'dalle grave' errori. Que eu alguma vez tenha
negado a existencia do diabo, é pura invencáo. Tentei resumir a doutrina crista
católica sobre o diabo e seus demonios ñas pp. 194 e seguintes do meu livro
Espiritismo (Edigóes Loyola). O que lá está, é a expressáo de minha fé
crista católica.

(a) Frei Boaventura Kloppenburg O.F.M."

Donde se vé quanto é necessário tenha o leitor um pouco de senso


crítico ao percorrer as páginas dos jomáis, especialmente quando tratam
de religiáo.
* # #

(continuacáo da p. 542)

Será que encontrarei essa solidariedade, essa gratuidade entre os


homens, agora quando todos nos tornamos homens livres?"

* * • ■ . . *

O relato do Pe. Ottmar Faddy é mais um espécimen da tempera


heroica dos cristáos perseguidos nos países da Cortina de Ferro. A sua
coragem foi mais poderosa do que o poderío dos perseguidores, pois
estessofreram fragorosa implosáo, aopassoque os cristáosserecompóem
e restauram nos países da Igreja do Silencio.- Muito a propósito vem a
pergunta final do relato: será que nos tempos de paz os homens sao
igualmente solidarios, exercendo o mesmo amor gratuito e benévolo en
tre sil A pergunta faz pensar».. E estimula todos os leitores cristáos livres
a procurar viver mais intensamente a sua vocacáo crista,., enguanto é
tempo.J

R61
Urna revisáo do passado:

'A Decadencia Moral do Ocidente'

por Paulo Bokel

Em sfntese: Paulo Bokel, Oficial Superior da Forga Aérea Brasileira,


julga que o declino moral do american way of Ufe repercutiu em outros paí
ses do Ocidente, como lambém na Polonia e na Rússia de nossos días. Tal
declfnio, segundo o autor, se deve a (atores que foram corroendo os funda
mentos éticos e religiosos da sociedade norte-americana desde meados do
secuto passado: o progresso da ciencia e o avango da tecnología, que em si
nao sao maus, suscitaran) um clima de materialismo e hedonismo, reforgado
pelas teorías de Freud e outros psicólogos, segundo os quais o ser humano é
o joguete de impulsos eróticos. As concepgóes de Freud dificultaram a tárela
educacional dos genitores, que se sentiram inibidos para corrigir seus filhos,
visto que quatquer repressáo é por Freud considerada como causa de traumas e
complexos. A familia foi-se desmantelando por este motivo e pelo fatode que
os (ilhos, aprendendo na escola o que os país nao haviam aprendido, julgavam
os país uttrapassados e preferiam aprender com seus mestres e colegas na
escola e tora desta... <

P. Bokel tem razáo ao apontar tais causas da decadencia moral dos


Estados Unidos, mas nao se pode crer que este país tenha sido o único a re-
ceber diretamente as influencias do mal; as demais nacóes ocidentais foram
também diretamente atingidas pelas correntes antiéticas; apenas se pode di-
zer que o american way of Ufe contribuiu fortemente para acentuara dege
nerescencia moral mediante o cinema, a televisáo e os impressos norte-ame
ricanos.

Paulo Bokel é advogado formado pela Faculdade de Direito da Uni-


versidade do Rio de Janeiro e Oficial Superior da Forca Aérea Brasileira.
Viveu nos Estados Unidos, onde estudou e observou a vida dos norte
americanos, verificando o decllnio do nivel moral da popul3?áo daquele
pafs, declfnio que o autor julga ter influenciado a baixa da moralidade em
outros países.
i

562
"A DECADENCIA MORAL DO OCIDENTE" 35

Paulo Bokel escreveu a respeito um livro,1 cujo conteúdo é rico em


consideracóes filosóficas e históricas; propóe a tese do autor, que parece
preocupado principalmente com a juventude; esta, bombardeada pelos
meios de comunicacáo de massa, especialmente a televisáo e o cinema, é
afetada pelo declfnio dos costumes; as familias e os lares sofrem conse-
qüentemente os males decorrentes de tal empobrecimento moral.

Ñas páginas seguintes, analisaremos o pensamento de Paulo Bokel,


ao qual acrescentaremos breve reflexáo.

1. O Conteúdo do Livro

O autor afirma que o nivel moral dos norte-americanos foi muito


rcspeitável até meados do século XIX; tratava-se, em parte, de ¡migran
tes protestantes üm tanto radicáis, que haviam fúgido da Inglaterra para
poder viver suas crencas religiosas com liberdade na "Nova Inglaterra"
ou na América. Todavia, a partir de meados do século XIX diversos fa-
tores teráo influido na mentalidade e no teor de vida dos norte-arrerica-
nos, desmantelando cada vez mais seus valores moráis.

Quais teráo sido as causas desse declfnio, segundo Paulo Bokel?

- O autor responde a esta pergunta em estilo difuso - o que nao


impede o leitor de colher as seguintes indicacóes:

Na primeira metade do século XX, os Estados Unidos conheceram


extraordinario desenvolvimento económico, tecnológico e científico (nao
experimentado anteriormente por outra nacáo). Tal fato nada tem de
mau em si; ao contrario, podia propiciar ao ser humano urna vida mais
digna e feliz. Todavia acontece que a vida sócio-cultural norte-americaria
nao ácompanhou o desenvolvimento material e tecnológico da nacáo.
"As coñdicóes, as características socio-cu Iturais se enfraqueciam, se
exauriam, eram relegadas a um plano secundario'' (p. 114) por cinco ra
zóos, que podem ser enunciadas na seguinte ordem:

1) a crescente expectativa de que á ciencia pudesse fornecer todas


as respostas de que a humanidade carecía, levou a menosprezar os tradi-
cionais principios da Ética crista;
2) os sistemas filosóficos de Nietzsche (+1900) e freud {+ 1939)
dissiparam as clássicas concepcóes antropológicas, concebendo o ho-
mem independentemente de qualquer perspectiva transcendental;

1 Paulo Bokel, A decadencia moral do Ocidente. Editora Forense Universitaria


Ltda., Rúa ViscondeSBva 32,22271 Río (RJ), 140x210mm, 139pp.

563
36 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

3} o descaso de principios, dogmas e preceitos do Cristianismo,


posto em xeque pelas novas conceptees filosóficas;

4) a conseqüente falta de normas nortea doras da vida pública, de


vida á heterogeneidade da formacáo étnica e cultural da nacáo norte
americana; é o que P. Bokel chama "a anomia" e poderia ser identificado
com um liberalismo contrario h autorrdade na estruturagáo da sociedade;

5} o confuto das geracóes ou o retraimento dos jovens, que passa-


ram a se desentender com os mais velhos, tidos como menos esclareci
dos e cultos.

Examinemos de mais perto cada qual dessas razóes de decltnio


moral aportadas por Paulo Bokel.

1.1. O desenvolvimento científico e tecnológico

Como dito, tal tipo de desenvolvimento em si é saudável e útil.


Ocorre, porém, que, como diz P. Bokel, ocasionou urna revisáo da escala
de valores até entáo vigente:

"A crenga de que a inteligencia poderia enfrontar as difículdades de mu-


dangas rápidas na sociedade levou a urna radical transformagáo ñas bases
do conhecimento. A ciencia tomou o lugar da religiao como a autoridade para
interpretar o conhecimento do mundo e o lugar do hcmem nele" (p. 4).

A ciencia evoluída suscita o desenvolvimento tecnológico e indus


trial. Este teve suas conseqüéncias nos Estados Unidos.

"As tensóes que acompanhavam o desenvolvimento industrial aumen-


tavanx As migracóes do campo para as cidades se intensificavam. O número
de ¡migrantes vindos de todas as partes do mundo crescia, e com ele a d¡6-
culdade adicional da variedade de línguas, agravando as condigóes negativas
de convivencia. Os problemas urbanos complicavam a vida dos trabalhado-
res. As difículdades para conseguir alojamento eram enormes. Trabalho inten
so, condigóes sanitarias precarias e dieta inadequada vulneravam muitos ás
molestias. A pobreza e a superpopulagáo condunam ao crime e á prostituí-
cáo. O movimento pelo trabalho organizado tinha pouco interesse direto no
destino da grande massa de trabajadores" (p. 2).

1.2. Os sistemas filosóficos de Nietzsche e Freud

1.2.1. Nietzsche

O homem só pode fugir do pessimismo por um esforgo da vontade


e da ¡moginacáo, ensina Friedrich Nietzsche. Este esforgo produz o Su-
i

564
"A DECADENCIA MORAL DO OCIDENTE" 37

per-Homem. A sociedade deve ser dominada por super-homens; os po


bres em espirito precisam de ser comandados por homens orgulhosos;
os homens pacíficos nao devem herdar a térra, mas, sim, servir aos fortes
e impiedosos.

Emprendedores por excelencia, muitos norte-americanos rece-


beram a filosofía de Nietzsche como estímulo ao arrojo e á ousadia, sem
escrúpulos de ordem social ou ética.

1.2.2. Sigmund Freud

O homem, segundo Freud, é movido fundamentalmente pelo ins


tinto dito "eros" ou "libido", que, juntamente cor.» o "thanatos" ou a
agressivídade, defino o inconsciente da pessoa. A censura da sociedade
ou o Super-ego controla as manifestares do eros, que se disfarcam
sob muitas capas aparentemente válidas do ponto de vista moral. Entre o
Eros (oEs, o Id, o Inconsciente) e o Super-ego encontra-se o Ego, que
se vé premido pelo Es (Id ou impulso erótico), de um lado, e pelo Su
per-ego, do outro lado.

Freud assim ensinou o pansexualismo, embora ele tenha negedo


que o professasse. Segundo P. Bokel, Freud se contradisse, nao reconhe-
cendo quanto sua doutrina era extremada.

Freud, ao propor sua teoría, tencionava dissipar o que ele chamava


a última das grandes ilusóes criadas pelo homem para enaltecer a sí
mesmo. Com efeito, segundo o pai da psicanálise, Copérnico e Galileu
dissuadiram o homem de estar habitando no centro do universo, derru-
bando o geocentrismo em favor do heliocentrismo; Darwin, posterior
mente, mostrou que o homem nao é senáo um primata aperfeifoado,
sem algo que o distinga específicamente dos demais animáis; Freud, por
último, destruiu a ilusSo de que o homem é mais do que o joguete de
seus impulsos eróticos inconscientes:

"Há urna relacáo muito estreita entre as mudangas de comportamento


sexual de grande parte da popuiagáo norte-americana ñas tres primeiras dé
cadas deste secuto e as teorías de Sigmund Freud, entáo recém-divulgadas
no país" (p. 10).

%O freudismo ortodoxo teve considerável repercussáo na sociedade


norte-americana através dos médicos, psicdlogos e psiquiatras formados ñas
primeiras décadas deste secuto, e da mfdia de massa"(p. 129).

565
38 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

1.3. O enfraquecimentó da tempera religiosa

As conceptees materialistas que foram penetrando na sociedade


norte-americana, atingíram, como se compreende, o espirito religioso da
populacáo. Entre outros aspectos desse enfraqueclmento, estáo
- a defeccáo de muitos crentes, que julgaram dever abracar o dar-
winismo mecanicista e afinalista, em lugar do relato bíblico, que Ihes pa
recía ultrapassado;

-o fato de que a religiáo remanescente se tornou sentimental, em


oposicáo a religiáo do intelecto, que reconhece firmemente as grandes
verdades do Credo. O protestantismo norte-americano perdeu o seu ri
gor intelectual, mais interessado pela "religiáo do coracáo" do que pela
ídentidade dos artigos de fé;

- conseqüentemente muitos crentes se refugiaram no fundamenta-


lismo ou no apego cegó ás proposicóes da Biblia, tidas como fundamen
táis; tomavam o texto sagrado de ponta-a-ponta em sentido literal, sem
levar em conta os géneros literarios ou os matizes das locucós semitas
antigás; qualquer interpretacáo diferente, baseada em estudos lingüísti
cos, arqueológicos, históricos», parecia-lhes concessáo feita as heresias
modernistas.

Concluí Paulo Bokel, referindo-se ainda ao marxismo, que tentou


suas ¡ncursóes no povo norte-americano:

"A populagáo norte-americana, justificadamente orgulhosa dos resulta-


dos... do avangado estágio da ciencia e da tecnología..., absorvew primeira-
mente o impacto causado pela teoría evolucionista de Darwin, materialista,
confrontante com os fundamentos de todas as religióes até entáo professa-
das; a seguir, já ñas prímeiras décadas do secuto XX, as teorías igualmente
materialistas... de Sigmund Freud, fundamentadas na libido como única
fonte de energía constrvtiva do ser vivo, e a doutrina de Kart Marx e Engeis, o
comunismo, igualmente materialista, apresentada como científica, disposta a
provar a tese da evolugáo dialética da historia" (p. 12).

1.4. Falta de normas básicas para a sociedade

_ Paulo Bokel afirma que a variedade de povos que entraram na for-


macáo da nacáo norte-americ;ina, suscitou a "anomia" ou a falta de
orientacáo para o comportamento dos tidadáos em sua vida pública. A
procle macáo de Liberdade, codificada na estatua da Uberdade erigida em
solo americano, degenerou em liberalismo ampio; este tem seu slogan
típico ñas palavras: "Deixai fazer, deixai ir, deixai passar".
i

566
"A DECADENCIA MORAL DO OCIDENTE" 39

"A nagáo americana passou... á condigno de modelo: modelo de líber-


dade, modelo de desenvolvimento económico, tecnológico e científico..., mo
delo de familia fundonalmente deficiente, modelo de permissividade e de uso
do chamado método científico na educagáo de criangas, modelo de subcultu-
ras de adolescentes, etc.; em resumo, em alguns í-npectos, o modelo do sé-
culo XX para os povos do Ocidente" (pp. 118s).

Paulo Bokel acrescenta aínda urna observacáo relativa á anomia:

"Emile Durkheim reconheceu as razóes que levam ao suicidio na virada


do secuto. Em seu trabalho 'Suicidio' ele conceitua um tipo - entre ¡números -
de suicidio, como suicidio anémico, sugerindo que a ausencia de normas cla
ras pode ser fatal para a mente humana. Se o sinal está borrado e irreconhe-
cfvel, a personalidade do individuo, necessitando operar de acordó com urna
estrutura, fica sujeita á confusáo e desorientagáo, nao raro conduzinoo-o ao
ponto da autodestruigáo" (p. 115).

1.5. O confuto das geracóes

A familia, neste contexto, foi-se esfacelando. E isto, por tres moti


vo!- principáis:

1) o rápido desenvolvimento tecnológico criou um hiato entre pais


e filhos; estes, aprendendo numa escola muito mais avanzada do que os
genitores, julgavam os adultos "fora de moda"; por sua vez, os pais t¡-
nham os filhos na conta de rebeldes. Os adolescentes preferiam aprender
dos colegas e amigos, tidos como mais atualizados, a aprender dos mais
velhos considerados "antiquados".

A falta de competencia dos pais em assuntos científicos e tecnológi


cos levava os filhos a julgar os pais incompetentes em outras áreas, espe
cialmente no setor educativo. Daf o confuto das geragóes:

"A transferencia da fungáo de informar tomou os pais relativamente


inúteis e incrivelmente mal informados. Era impossfvel normalmente para os
pais serem especialistas em r.vj/s do que em um ou poucos campos do confie-
cimento e da habilidade. Porconseguinte, criangas e adolescentes precisavam
obter instrugSo, o conselho de especialistas e peritos fora de suas familias.
Através da instrugáo, a juventude moderna tem acesso as fontes das mais
recentes descobertas em quase todos os ramos da ciencia e pode obter co-
nhecimentos e informagóes recentes que normalmente os pais nunca alcan-
gavdqi O pai leigo preocupava-se com a subsistencia e em proporcionar urna
educagáo a suas criangas. Conseqüentemente, ele aprendía sobre os últimos
desenvotvimentos e descobertas de modo inadequado e incompleto, somente

567
40 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

por vía de cañáis secundarios, tais como revistas populares, ¡ornáis, radio e
TV. Como urna novidade na historia da humanidade, ele era, entao, também
instruido por seus filhos" (pp. 56s).

Assim a figura do pai e da máe na familia foi sendo depreciada em


favor de pessoas de fora do lar: colegas, amigos e principalmente profes-
sores dentistas atualizados (mas nem sempre bem orientados em ques-
tóes filosóficas e éticas), todos estes entraram ¡n loco parentis, em lu
gar dota) genitor(a).

2) As concepcóes freudianas relativas ao ser humano ¡mplicavam


que nao se devia contrariar a crianca nos seus seis primeiros anos de vi
da. Outros psicólogos e educadores ensínavam teorías semelhantes, re-
duzindo, por vezes, o prazo a tres anos de idade. Tal doutrina era justifi
cada por seus protagonistas sob a alegagáo de que nos primeiros anos de
existencia o ser humano forma a sua individualidade e, por isto, deve ser
isento de interferencias recalcantes ou repressoras. Tal concepcáo deu en-
sejo a fatos inéditos, como refere Paulo Bokel no Prefacio do seu livro:

"Fomos testemunhas do comportamento insólito de urna crianga, urna


menina de pouco mais de tres anos de idade, esbofeteando seguidamente seu
pai em público por ter sido momentáneamente contrariada, muito a contra-
gosto deste, que nao só nao a reprimía - o que se nos afigurava um desres-
peito - como tudo fazia para apaziguá-la.

O pai, um médico recém-chegado de um estágio profissional nos Esta


dos Unidos, explicou-nos entao que no elevado nivel atingido na educagáo de
criangas naquele país, nao deviam elas, até a idade de tres anos, receber
qualquer tipo de educagáo ou so/rer qualquer tipo de contrariedade, 'por mais
leves que pudessem parecer, pois é nesse período da vida que o ser humano
forme a sua personalidade, que se quer livre de recalques psíquicos, com o
que concordava.

Esperávamos outra explicagáo e fomos tomados de perplexidade. Nao


tfnhamos, entretanto, como avaliar a importancia transcendental daquela re-
velagáo fora do comum, que, com o passar do tempo, se evidenciou" (p. V).

Ás pp. 18s o autor cita trecho do livro "Juventude Transviada?" de


F. Leme Lopes e Fernando Bastos de Ávila:

"Como todo bebé, ele chora, e todo o mundo desaba a seus pés ao me
nor chorinho. Nao há horario, nSo há disciplina para o bebé; o seu choro é so
berano. Isto, o bebé intui muito cedo; intui que, á menor manifestagáo dé seus
desejos, tudo cede. Sua vontade faz lei em casa. Esse bebé crescerá, será o
menino impossível, malcriado, que faz o que Ihe agrada e, como os estudos
muitas vezes nao agradam, é o menino vado. Entao, vem a historia do rapa-
i

568
"A DECADENCIA MORAL DO OCIDENTE" 41

zote que é interrogado no exame sobre análise gramatical da palavra 'semen-


te'. Resposta: "Adverbio de plantagáo'. É mesmo preciso reformar o ensino.
Que fazer com este e com outros como este? Meter-lhe na meo urna enxada
e alguns advenios de plantagáo e mandá-lo plantar batatas. Este menino será
o adolescente revoltado, o jovem transviado, o adulto debochado que baseia
sua vida cívica na distingáo entre trabalho e emprego. Isto de que o homem
tenha nascido para o trabalho é velho demais e tem um sabor bíblico. Ele nao
nasceu para o trabalho, nasceu para o emprego ou os empregos. O que é trá
gico em tudo isso, é que a tendencia fundamental desta vida se deddiu em
suas primeiras semanas, quando seus país, deslumhrados pelo espléndido
misterio da renovagáo incessante da vida, se debrugavam, extasiados e in
conscientes, sobre aquele bergo onde se deddia um destino. O trágico é que
há um desenvolvimento linear que vai do enfant gátó ao homem debocha
do".

3) A necessidade, do pa¡ e da máe, de trabalhar fora do lar fez que o


modelo dos genitores se apagasse na mente dos filhos. Estes passaram a
ver nos seus amigos e mestres, como também nos astros do cinema, da
música e do esporte, os padrees de vida a ser imitados - o que certa-
mente nao era sempre construtivo:

"As ausencias constantes do pai e da máe - da classe media - do lar


transferiram para os colegios e outras instituigóes dedicadas ao menor, de ca-
ráter impessoal, a orientagáo educacional e, in loco parentis, a autoridade
dos pais. ¡números jovens conheciam muitopouco as responsabilidades e ha
bilidades ocupacionais de seus pais, e somente urna pequeña proporgáo nu
mérica de filhos seguía a profissao dos pais" (p. 15).

Passemos agora a breve reflexáo sobre o conteúdo do livro de


Paulo Bokel.

2. Ponderando...

Proporemos quatro reflexóes.

1) O autor registra a decadencia de costumes dos países ocidentais,


entregues ao permissivismo e ao consumismo, as drogas e ao crime daí
decorrente. - Tal verificacáo é válida. De modo geral, todo cidadáo que
acompanha a vida contemporánea, pode comprová-la.

2) Paulo Bokel julga que tal decKnio moral tem sua fonte nos Esta
dos Unidos da América, cuja historia ele conhece bem e descreve com
certas, minucias no seu livro. - Pode-se crer que o american way of life
tenha'grande influxo sobre os pafses ocidentais, especialmente os da
América Latina; e isto, mediante o cinema, a televisáo, as revistas e os

569
42 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

impressos norte-americanos. Todavía nao se pode julgar que o modelo


norte-americano seja a causa única da decadencia dos costumes no Oci-
dente. Muitos dos países ocientais tiveram seu declínio motivado por fa-
tores internos, pois o progresso tecnológico, o consumismo, o hedonis
mo nao sao elementos exclusivos ou típicos dos Estados Unidos; mais ou
menos em toda parte, a onda de "ter mais" e de "gozar dos prazeres da
vida em grau intenso" arrastou muitos e muitos cidadáos, ¡ndependen-
temente do que ocorria na América do Norte. Os exemplos e produtos
norte-americanos podem ter catalisado o processo, mas nao sao a fonte
única de degenerescencia.

3) Paulo Bokel enfatiza o papel da filosofía de Freud e de escolas de


psicología congéneres na deteriorado dos costumes. - Pode-se-lhe dar
razáo: a redugáo do ser humano a impulsos, explícitos ou dissimulados,
do eros nao podía deixar de levar ao erotismo exacerbado e libertino.
Também a tese freudiana de que qualquer correcáo ou puníc.ao infligida
ás criancas é fonte de complexo e traumas só podía acarretar o desman
tela mentó das familias e a formacáo de enfants gátés e homens debo
chados. O educador inspirado por firmeza de principios e benevolencia
aos educandos nao receia dizer Nao aos jovens desde que os veja pro
pensos a seguir tendencias irracionais e cegas de sua natureza. A propó
sito convém citar palavras de D. lourenco de Almeida Prado, Reitor do
Colegio Sao Bento, em seu artigo "O Pintor de Almas" (Jornal do Bra
sil, 17/05/92):

"Todos dizem que a nossa escola vai mal. É fato indiscutível. Nao só no
Brasil, mas por toda a parte. O que é estranho é que ninguém desconfie que
as prátícas atuais - como essa idéia de que a escola nao deve exigir esforgo
- nao estáo dando certo. Parece que a escola (ou os seus condutbres) sofre
uma especie de complexo (de culpa) de ser tida por chata. E faz tudo para
mudar a sua face: nao aceita o livro que nao seja entendido á primeira leitura,
nem a licao que requeira atengáo ou empenho, menos, ainda, que se exija
uma certa postura, no trajar, no dialogar, no sentar, no entrare sair. Nada po
de ser exigido com o intuito de criar o ambiente de seriedade e trabalho, que
toma a sala de aula diferente de uma reuniáo de fím de semana em Cabo Frió
ou do Rock-in-fíio no Maracaná. Nada deve ser difícil, tudo permitido. A pala-
vra mágica é tolerancia; o que importa é ser compreensivo.

Será caretice preocuparse com essas coisas? Ou a apreensao de al-


guém que nao quer reconhecer o novo modelo da juventude de hoje? Será,
entao, a mesquinhez mental de valorizar em excesso as pequeñas coias? E
bom desconfiar que nao. A escola vai mal e é possível que as pequeninas
coisas tenham muito com isso. A escola é tecida de encontros humanos
apoiados em pequeños nadas. As pequeninas coisas sao sinais que levam ás
grandes. Nonadas nao sao nada...
i

570
"A DECADENCIA MORAL DO OCIDENTE" 43

Estas reflexóes querem chamar a atengáo para urna das rafzes da crise
na educacáo moderna. Urna das razóes pela qual va¡ mal a educacáo. Sem
os instrumentos de comunicacáo ou sob a proibigáo de vsá-los, sob a ameaga
do epíteto de retrógrado, o educador, que se intimida, fica inibido e perplexo:
perde a coragem de educar. Assim, a atividade educativa deixa de existir. O
educador, acuado pelo olhar "pedagógico" - olhar de censor -, nao sabe o
que fazer. Ele, como o médico - educacáo e medicina sao artes cooperati-
vae naturae -, fica freqüentemente entre agir ou nao, cada alternativa com
seu risco. Se tem a sorte de acertar, é elogiado; se Ihe falta a sorte, é conside
rado um vil. Por isso, é preciso ter coragem para educar...

A palavra é tolerancia. Já Claudel lembrava, referindo-se á tolerancia: il


y a des maisons pour ca."

4} É claro que o enfraquecimento da tempera religiosa é também


responsável pela báixa de costumes de nossas sociedades. Este enfra
quecimento se deve nao necessariamente ao progresso da ciencia e da
tecnología. Ao contrario; em nossos dias veriflca-se que a ciencia tende
sempre mais a reconhecer a obra do Criador, soberanamente sabio e po
deroso. A Biblia, entendida como os seus autores orientáis antigos a en-
tendiam, nao se opóe á ciencia. É a falta de estudo das disciplinas sagra
das que gera o aparente confuto; quem estuda objetivamente ou sem
preconceitos o texto bíblico, verifica que ele nao pretende ser urna carti-
Iha de ciencias obsoletas, mas, sim, um código que leva á vida eterna.

O enfraquecimento da religiáo e o declfnio dos costumes sao, ao


mesmo tempo, causa e efeito um do outro; estáo num circulo vicioso. As
vezes, a atracáo do prazer sensual prevalece sobre a fé e o espirito reli
gioso, sufocando a este; em outros casos, é o empalidecimento do senso
religioso que deixa um vazio no ser humano, levando-o á procura de sa-
tisfazer-se com os prazeres da carne.

Em suma, eremos que a obra de Paulo Bokel é válida ao apontar


causas da decadencia moral da nossa sociedade; o seu diagnóstico é
aceitável. Apenas observamos que tal decadencia nao é necessariamente
originaria dos Estados Unidos da América; este pafs sofreu, sem dúvida,
forte impacto de correntes deletérias e terá tido sua influencia sobre ou
tros patses vftimas de decltnio moral; mas os Estados Unidos nao sao
o único pafs abalado di reta mente pelo mal; outros foram também atingi
dos, sem intermediario, pelos ventos do hedonismo e do consumismo.

O grande remedio a opor a toda essa degenerescencia há de ser


o retorno a Deus, único fundamento para se construir urna Moral sólida,
que traga ao homem a felicidade e a alegría que o libertinismo e a per-
missividade nao Ihe podem dar.

571
Depoimento vivo:

'Minhas Experiencias de
Prisao na Hungría"

Ottmar Faddy

Em sfntese: Segue-se o depoimento do Pe. Ottmar Faddy, franciscano


húngaro, que narra como foi preso e tratado nos cárceres do comunismo de
sua patria: (orne, frió, espancamentos, sarcasmo... toram a partilha de mina
res de prisioneiros, que demonstraram tempera heroica e nóbre frente ao
comportamento ignóbil de seus can-ascos. Esses intrépidos confessores da fé
sao eloqüentes sinais para toda a Igreja e a humanidade.

Publicamos, a seguir, o testemunho do Pe. Ottmar Faddy, fancisca-


no húngaro, nascido em 1909, ordenado sacerdote em 1936 e vftima dos
comunistas da Hungría ñas décadas do regime nr.arxista. O padre era
dotado de voz forte, podendo fafar sem microfone a grandes assem-
bléias. Missionário incansável, percorreu a Hungría exercendo fecundo
apostolado. - O depoimento do herói encarcerado foi publicado pela re-
vista "Evangile Aujourd'hui" n? 152, quarto trimestre de 1991, pp. 44-48.

I. O Texto

"Preso e condenado

Aos 13 de julho de 1954, fiz o sermáo relativo ao jubileu sacerdotal


de meu am'go, o Pe. János Szoinoki, Vigário de Csongra, na Grande Pla
nicie, no centro da Hungría. O tema do meu sermáo era simplesmente a
vocacáo sacerdotal, fidelidade incondicional h Igreja e ao Evangelho. Os
poderosos da térra, passam, como atesta a historia, mas Oeus permanece
eternamente. Sejamos, pois, seus servos fiéis. Na noite seguinte, alguns
homens bateram á janela do meu quarto, gritando: 'AbraI Vimos da
parte do Conselho Municipal para tratar de assunto importante e urgen
te'. De pijama, sem desconfiar, abri a porta e logo me vi cercado por cin
co ou seis policiais da AVO (Policía política húngara). Disse-me o coman-
i

572
"MINHAS EXPERIENCIAS DE PRISÁO NA HUNGRÍA" 45

dante: 'Vista-se sem demora, o Sr. deve acompanhar-nos ¡mediatamente


até Budapeste'.

Na mesma noite, foram presos todos os meus trinta e um amigos,


com os quais havia refletido sobre o que os cristáos deveriam fazer no
día em que o comunismo caisse: reconstruir a Igreja, táo sacrificada e
enfraquecida pelo atelumo oficial. No plano social e polftico, sonhávamos
com urna democracia real e com maior felicidade para todos. Outro fran
ciscano, o Pe. Lufs Bonis, nativo da Transilvánia, que fugira da Roménia,
perseguido pelos homens da Securitate, procurara refugio na Hungría.'
Por ocasiáo das perseguicóes realizadas em nossas residencias, todos os
nossos papéis e a correspondencia foram spreendidos. O oficial instrutor
reconheceu que nao tlnhamos em vista urna acáo violenta para fazer
triunfar a democracia, mas censurou-nos por termos tentado fazé-lo
contra o espirito do Partido. Perguntei-lhe: 'Que crime cometí?' - 'Aquele
que deseja a queda do Partido, respondeu, já a prepara em espirito.
Quem assim ataca o Partido Comunista da Hungría, ataca a ordem social
legal; por conseguinte, é o inimigo de povo. Um traidor em potencial,
portanto, deve ser eliminado'.

Como'inspiradorintelectual'.fuicondenadoá prisáoperpetua.Meus
companheiros foram atingidos por sentengas que iam de dois a vinte
e cinco anos de cárcere. S<5 fui libertado em 1964.

Em diversas prísóes

Durante esses nove anos, pude conhecer diversos cárceres. Nos


primeiros meses do processo fui lotado ñas celas subterráneas do Exér-
cito, rúa Csokonai, em Budapeste. De lá meus companheiros e eu fomos
transferidos para a Prisáo Central da rúa Kozma, sempre em Budapeste.
Eramos quase 5.000 pessoas, ficando aglomeradas, por vezes, dez ou do-
ze pessoas numa cela que media precisamente 3m sobre 2m. Nos nos
deitávamos sobre colchóes de palha mofada, cheia de pulgas e perceve-
jos. F:m nossa cela havía dois baldes: um para a agua potável, c outro
para a higiene. Tlnhamos urna tijela e urna colher. A alimentacáo era ma
gra: 250 gr de pao por día; de manhá um café-chicórea claro, ao meio-dia
urna sopa de couve ou de legumes (couve e legumes nadavam livre-
mente na superficie), batatas, feijáo ou ervilhas, as vezes um pouco de
toucinho, geléia de beterraba ou arroz em agua salgada. A racáo: urna
concha de sopa por pessoa.

Como éramos prisioneiros políticos, tínhamos direito a um banho


de ctyuveiro por semana e um passeio de vinte minutos por día. Tive que
passar um ano no setor de ¡solamento, encerrado a sos, sem o direito de
trabalhar ou de falar nem mesmo com os guardas. Solidáo total, silencio

573
46 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

completo. Posteriormente na Grande Prisáo Central estávamos juntos


com os condenados de direito comum.

Modos de tratar os encarcerados

Seja dita, primeramente, urna palavra a respeito do horario de ca


da dia. Despertar ás 6h da manhá. Na cela de prisáo era-nos proibido
deitar-nos desde a manhá até o apagar das luzes. Tínhamos que ficar
sentados ou em pé; só era licito falar a meia-voz. Depois, na oficina po
díamos conversar normalmente entre nos. Mas fora da cela e da oficina a
tarifa de urna só palavra era de dez a vinte dias de cela disciplinar ou a
metade da racáo das refeicóes. As vezes, as duas coisas. Por vezes, es-
pancavam-nos, ainda que isto fosse proibido por regulamento. Apesar
desta proíbicáo, principalmente antes de 1954, o castigo corporal era dia
rio. O mais duro era o acorrentamento: punicáo terrlvel. O punho es-
querdo era ligado por urna corrente ao tornozelo direito, estando o indi
viduo sentado, e o tornozelo esquerdo era preso ao punho direito. Para
aportar bem a corrente, um dos guardas se sentava sobre as costas do
prisioneiro. A corrente envolvía os membros presos entre si como um
infecto bracelete fechado com cadeado. Em tal posicáo, todos os múscu
los ficam repuxados, durante horas. Alguns prisioneiros desmaiavam
após urna hora e meia ou duas horas. Se a punicáo durasse mais, era
certo que a pessoa ficaria doente para o resto da vida. O Pe. Mauro Maj-
sai, franciscano e comissário da Térra Santa, completou 150 horas de
acorrentamento...

Outro golpe de mau gosto: por ocasiáo das festas nacionais ou das
grandes festas religiosas, nossos guardas organizavam espancamentos
coletivos. Nos corredores, colocavam-se em duas filas, ao longo das pa
redes, e o prisioneiro tinha que correr entre os guardas enquanto eles o
batiam com longos cacetes. Infeliz aquele que nao corresse com grande
velocidade ou que caisse ao correr. As pancadas, sem número, choviam
sobre ele...

E a festa de Natal?

Urna das mais belas recordacóes é precisamente a de urna festa de


Natal. Conforme um tácito acordó comum, a meia-noite precisa, de cada
cela elevou-se, naquele ano, o canto do mais belo Natal da Hungría: 'Um
anjo desceu do céu para vos, ó pastores—' A principio os guardas cor
ría m, berravam e batiam ñas portas das celas, mas nos cantávamos sem
nos perturbar: 'Sím, o Filho de Deus nasceu esta noite—' Todas as festas
de Natal da nossa infancia voltavam ¿ nossa memoria, e nos cantamos,
cantamos durante urna hora— precisamente a duracáo de urna Míssa de
meia-noite. Noite de Natal, noite de prisioneiros— de auténticos pobres—,
mas que alegría, mesmo para quem permanecía encarcerado—!
i

574
"MINHAS EXPERIENCIAS DE PRISÁO NA HUNGRÍA" 47

Contato com as familias

Teóricamente, tínhamos o direito de receber anualmente dois pa-


cotes de tres quilos cada um. Instruido pelos secerdotes que haviam sido
encarcerados antes de mim, ou pedi uns bolinhos com uvas secas (pas-
sas). Essas uvas, nos cuidadosamente as retirávamos. Nos as umedecfa-
mos e calcávamos, extraindo daf um suco, que nos servia para as nossas
Missas clandestinas. A guisa de hostias, recortávamos o nosso pao em
pedacinhos quadrados. Todos sabíamos de cor os textos essenciais da
Missa. Após a Consagragáo, envolvíamos os nossos páes quadrados em
papel de cigarro e, por ocasiáo dos passeios, nos os entregávamos aos
nossos colegas de cativeiro, que queriam comungar no Natal ou na Pás-
coa. Como se compreende, nao era possfvel organizar a confissáo sacra
mental. Mas o problema foi resolvido com simplicidade. Nossos compa-
nheiros de prisáo todos sabiam quem eram os encarcerados sacerdotes;
entáo, por ocasiáo dos passeios no patio, aqueles que queriam receber a
absolvicáo, olhavam-nos intensamente nos olhos por tres vezes conse
cutivas. A seguir, dirigiam o olhar para o seu coracáo. E nos, inclinando a
cabera, dávamo's a absolvigáo repetindo silenciosamente as fórmulas li
túrgicas.

As fugas

As tentativas de fuga eram raras e sempre terrivelmente punidas.


Um dia, ainda estávamos na Prisáo Central quando um condenado con-
seguiu que o encerrassem num armario que um caminháo devia levar no
fim da tarde para fora da Prisáo. Eis porém, que um guarda o descobriu
na última hora. O comandante da Prisáo mandou convocar urna assem-
bléia geral e no meio da grande Praca em que se achavam todos os pre
sos, mandou espancar, até a morte, o desgracado. O comandante nao fez
discurso; apenas disse: ' Considerai-o bem agora. Esta é a sorte que to
cará a todososquetentaremfugir. Vede-o e voltai para as vossas celas".

E as execuc.óes legáis?

Sim; havia também execucóes 'segundo as regras e as leis'. Muitas.


Principalmente nos primeiros anos. Cinco ou seis por mes. E sempre ao
nascer do dia.

Em nosso cárcere, a maioria das execugóes se fazia por enforca-


mento. Lembro-me de um coronel do Estado-Maior. Após a sufocacáo
da ríkbeliáo de Budapeste em 1956 por parte dos russos, conseguiu salvar
a sua mulher e as suas duas filhas, levando-as para Viena na Austria. Ele
sabia que as represalias seriam terrfveis na cidade abatida e vencida. Mas

575
48 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

ele quería salvar sua familia. Voltou para buscar também a sua máe. Des-
sa vez, porém, ele foi preso e condenado á morte por traigáo e desercáo.
Tornou-se nosso companheiro de cela durante um mes, aguardando o
resultado do seu pedido de indulto, já que nao matara ninguém na estra
da nem cometerá algum delito contra a Seguranca do Estado. Nao obs
tante, foi enforcado. Preparou-se fervorosamente para a morte, rezou em
minha companhia e com o outro padre da cela, o Pe. Palos, um jesufta.
Ambos o acompanhamos até a porta da nossa cela. As suas últimas pala-
vras foram: 'Se voces um día escaparem, digam á minha mulhereás mi-
nhas duas filhas que morro em paz. Serví com lealdade e nunca traf a
minha patria. E digam-lhes que as amo até o fim'.

Franciscanos executados?

Sim; houve-os também. Em todos os cárceres por onde passei,


sempre procurei saber se nao havia ali um confrade e como se achava.
Assim fiquei sabendo que o Pe. Francisco de Sales Kiss, um sacerdote de
cinqüenta anos aproximadamente, foi condenado á morte por um tribu
nal militar russo, acusado de cumplicidade no morticinio de um soldado
do Exérdto Vermeiho (este fora morto por um jovem húngaro, do qual a
máe e a irmá tinham sido violadas pela soldadesca). Tal jovem foi preso
e, sob tortura, declarou que já confessara o seu crime a um sacerdote, ou
seja, ao sacerdote franciscano Pe. Kiss. Este entáo foi violentamente in
terrogado a respeito dos pormenores do morticinio, mas o Pe. Kiss ficou
mudo até morrer enforcado. Quanto ao rapaz, foi fuzilado.
Guardar rancor ou odio?...

Minha alma está em paz, e nao em revolta. Contra ninguém tenho


odio. Alias, o tempo é um médico interessante. Algumas recordacóes se
apagam, outras permanecem muito vivas». Por exemplo, lembro-me
bem do Abade dos cistercienses húngaros, Dom Vendelino Endrédi, con
denado a quatorze anos de prisáo, em companhia de Mons. Joseph
Grósz, arcebispo de Kalocsa. Eram acusados de ter tido relacóes de es-
pionagem com os representantes de urna nacáo estrangeira. Na verdade,
acusaram-nos de ter escrito para Roma: Mons. Grósz ao Papa, e o Abade
Endrédi ao seu Abade Geral. Eram acusacóes estúpidas, mas de conse-
qüéncias muito graves. O Abade Endrédi era um homerr muito culto e
tranquilo; nao supotava as palavras blasfemas de alguns de nossos com-
panheiros de cárcere.

Um dia, dois dos nossos colegas de cela espancaram violentamente


um ao outro, porque um deles havia proferido palavras injuriosas a res
peito da máe do outro. A briga tornou-se perigosa, e o Abade quis se
paradlos antes da intervencáo dos guardas. A calma retornou; o Abade
(continua na p. 542)
\

576
Pergunte

Responderemos

índice Geral de 1992


577
ÍNDICE

(Os números á direita indicam, respectivamente, fascículo, ano


deedicáo e página).

ABORTO EUGÉNICO? - Declaracáo médica 359/1992 p 181


ACASO OU INTELIGENCIA CRIADORA? 359/1992 p 151
ACUITURACÁO DO EVANGELHO 360/1992,' p. 203Í
ADAO E EVA: realidade 365/1992* p' 448*
"A DECADENCIA DO CATOLICISMO" - artigo
de "VEJA" 358/1992, P. 125.
"A DECADENCIA MORAL DO OCIDENTE", por Paulo
Bokel 367/1992, p. 562.
AIDS - flagelo 366/1992, p.484.
"A IGREJA, MINHA MÁE" (De Lubac) 365/1992 p 434
ALDEAMENTOS DOS ÍNDIOS 358/1992 P 106
AMÉRICA: ANIVERSARIO DA DESCOBERTA 358/1992, P. 98;
360/1992, P. 194Í
ANGLICANISMO AO CATOLICISMO: conversóes ... 363/1992, p. 382.
"ANJOS, OBRA DOS": que é? 365/1992, p.462.
ANTROPOLOGÍA na gnose 357/1992, p. 81;
e vida postuma 359/1992, p. 179;
e Espiritismo 361/1992, p. 277.
ARAUJO, FRANCISCO, e Nossa Senhora 362/1992, p. 316.
ARISTÓTELES e concertó de Deus 363/1992, p. 372
"ARVORE DA VIDA", nova religiáo 362/1992, p. 328.
ATEÍSMO: por que nao? 361/1992, p. 242.
AUTOMATISMO E ESPIRITISMO 362/1992 p 334
AUTORIDADE DE JESÚS 363/1992,'p.'34o!
"ÁVIDA CONTINUA ALÉM DA MORTE" por
T. de Oliveira e S. Paseto 359/1992, p. 173.

BAKHITA, JOSEFINA, escrava glorificada 364/1992, p. 410.


BARROS CAMPOS, LAURO, E VATICANO 357/1992, p. 60.
BEATIFICACÁO DE MONSENHOR ESCRIVÁ 359/1992 p. 156
BENEDITINOS E EMANCIPACÁO DOS ESCRAVOS. . 356/1992, p. 23.
BIBLIA: somente? 359/1992, p. 167.
E HOMOSSEXUALISMO 365/1992. p. 456.
t

578
ÍNDICE GERAL 1992 51

"BÍBLIA: PERGUNTAS QUE O POVO FAZ"


por Freí Mauro Strabelli 356/1992, p. 41.
BLANK, RENOLD, E ESCATOLOGIA 361/1992, p. 260.
"BRINCADEIRA" DO COPO 362/1992, p. 332.
BRUÑE, FRANCOIS, E ESPIRITISMO 361/1992, p. 270.

CANIBALISMO NA TRADICAO BÍBLICA? 356/1992, p. 30.


CAPACIDADE DE MARAVILHAR-SE 363/1992, p.354.
CASAMENTO INDISSOLÚVEL 366/1992, p.514.
361/1992, p. 254.
CATOLICISMO "DECADENTE"? 358/1992, p. 125.
CAVALEIROS DE MALTA: histórico 359/1992, p. 185.
CHINA: perseguido religiosa 358/1992, p. 141.
CIENCIA CONTEMPORÁNEA E FÉ 361/1992, p.243.
E ÉTICA (N. Freire-Maia) 358/1992, p. 138.
CIVILIZACÁO DOS PAÍSES PROTESTANTES 357/1992, p. 68.
COLONIZADO IBÉRICA E COLONIZACÁO
BRITÁNICA 358/1992, p. 101.
NO BRASIL: críticas 357/1992, p. 51
COMERCIO ABERTO AOS DOMINGOS 362/1992, p. 304.
DE ESCRAVOS 356/1992, p. 11.
COMUNICACÁO COM O ALÉM E SAÚDE
MENTAL 361/1992. p. 280.
CONCEITO DE DEUS NA GRECIA PRÉ-CRISTÁ 363/1992, p. 369.
CONFISSÁO SACRAMENTAL: comentarios 362/1992, p. 309.
CONFLITO DE GERACÓES: expressóes 367/1992, p. 567.
CONSCIÉNCIA DE SER DEUS 363/1992, p. 339.
CONVERS.ÁO DOS ÍNDIOS 362/1992, p. 294.
COPO: brincadeira 362/1992, p. 332.
COROA PORTUGUESA E ESCRAVOS 356/1992, p. 12.
CORPO E ALMA - distincáo 361/1992, p. 267.
CRIATÓRIOS DE ESCRAVOS 356/1992, p. 19.
CRISTAS SUECAS E BENEDITINAS 364/1992, p.425.
CRISTIANISMO MORENO: que é? 367/1992, p. 50.
CULTO AO DEMONIO 364/1992, p. 388.

DAV/I E JÓNATAS 365/1992,p.459.


DEMONIOS E ORIXÁS: diferencas 360/1992, p. 232.

579
52 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

DEMONIO: SIM OU NAO? 367/1992, p. 552.


365/1992, p. 480.
DEPRESSÁO E IRRACIONALÍSIMO NA RELIGIÁO . .. 364/1992, p. 393.
DESCOBERTA DA AMÉRICA: balanco 358/1992, p. 98.
E ARQUIVOS PONTIFICIOS 362/1992, p.290.
DEUS E A CIENCIA 359/1992, p. 146.
NA GRECIA PRÉ-CRISTÁ 363/1992, p.369.
PAI 358/1992, p. 111.
"DEUS QUE GOSTA DE SANGUE" 358/1992, p. 116.
DIÁLOGO LUTERANO-CATÓLICO 358/1992, p. 131.
DINHEIRO DA IGREJA UNIVERSAL DO
REINO DE DEUS 360/1992, p. 232.
DOMINGO E COMERCIO 362/1992, p. 305.

"ENQUANTO O DIABO COCHILA" por Delcio


Monteiro de Lima 356/1992, p. 7.
EPICURISMO E NOCÁO DE DEUS 363/1992, p. 374.
ESCOTOGRAFIA: que é? 361/1992, p. 274.
ESCRAVIDÁO - emancipado 356/1992, p. 33.
ESCRAVIZACÁO DOS INDIOS E ALDEAMENTOS . .. 358/1992, p. 104.
ESCRIVÁ, MONS.: beatificacáo 359/1992, p. 156.
ESPANHÓIS E PORTUGUESES DOS
SÉCULOS XV/XVI 358/1992, p. 99.
ESPIRITISMO: por que nao? 360/1992, p.- 207.
- fator de doengas mentáis 360/1992, p. 212.
ESTOICISMO E CONCEITO DE DEUS 363/1992, p.373.
ETERNIDADE E TEMPO 361/1992, p. 268.
EUBIOSE: que é? 356/1992, p. 34.
EVANGELIZAQÁO NO BRASIL 358/1992, p. 102.
EVANGELIZAR: que é? 357/1992, p. 57.
EVO, TEMPO E ETERNIDADE 361/1992, p. 268.
EVOCACÁO DOS MORTOS 360/1992, p. 332.

FILHO DE DEUS: na Biblia 367/1992, p. 531.


FILIACÁO DIVINA E PECADO ORIGINAL 365/1992, p. 449.
"FORA DA CARIDADE NAO HÁ SALVACÁO" 360/1992, p. 218.
FOTOGRAFÍAS DE DEFUNTOS {escotografia) 361/1992, p. 274.
FREIRE-MAIA, N., e Ética Médica 358/1992, p. 138.
FREUD, S. E MORALIDADE 367/1992, p. 565.
l

580
ÍNDICE GERAL 1992 53

GNOSE: que é? 357/1992, p. 76.


GORBATCHEV E JOÁO PAULO II 362/1992, p.336.
GRECIA ANTIGA: nocáo de Oeus 363/1992, p. 369.
GRAAL, SANTO: que é? 366/1992, p. 522.
GUITTON, JEAN: Igreja hoje 365/1992, p. 2.
Deus e Ciencia 359/1992, p. 146.

HOLISMO OU ORGANICIDADE DO UNIVERSO .... 360/1992, p. 238.


HOMEM NAO BASTA A SI MESMO 361/1992, p. 245.
HOMOSSEXUALISMO PERANTE A LEÍ CIVIL 366/1992, p.496.
HOORNAERT, EDUARDO, E CRISTIANISMO
MORENO 357/1992, p. 50.
HUNGRÍA E PERSEGUICAO RELIGIOSA 367/1992, p. 572.

IGREJA
CATÓLICA NA CHINA 358/1992, p. 147;
-definicáo 365/1992, p. 435;
- depósito da fé 365/1992, p. 436;
E ESCRAVATURA 356/1992, p. 19.
E OPINIÁO PÚBLICA 358/1992, p. 126.
"MINHA MÁE" (De Lubác) 365/1992, p. 434;
NO BRASIL - implantacáo 360/1992, p. 201.
"IGREJA SE ABRE A DESCASADOS" 361/1992, p. 254.
IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS:
que é? 360/1992, p. 220.
IGREJAS BELAS: PARA QUÉ? 361/1992, p. 250.
INCULTURACAO DO EVANGELHO 360/1992, p.203.
ÍNDIOS - "TENRAS PLANTAS" 362/1992, p. 294.
INIMIGOS DO CATOLICISMO: os católicos 356/1992, p. 2.
INTELECJUALIDADE 364/1992, p. 396.
INTELIGENCIA CRIADORA 359/1992, p. 151.
"IRMÁOS" DE JESÚS: quem sao? 358/1992, p. 119.

JESUÍTAS E PROBABILISMO 366/1992, p. 518.


JESÚS, FILHO DE DEUS NO NOVO
TESTAMENTO 367/1992, p. 534.

581
54 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

JESÚS SABIA QUE ERA DEUS? 363/1992, p. 338.


JOÁO PAULO II E PORNOGRAFÍA 363/1992, p. 377.
E GORBATCHEV 362/1992, p. 336!
JOHREI E PARAÍSO TERRESTRE 367/1992, p. 543.
JOSEFINA BAKHITA: A ESCRAVA GLORIFICADA. . . 364/1992, p. 410.

LAPIERRE, D. E AIDS 366/1992, p.482.


LIBERDADE E LICENCIOSIDADE 363/1992, p. 380.
RELIGIOSA 356/1992, p. 27.
LITERATURA MEDIEVAL E GRAAL 366/1992. p. 523.
LITURGIA CATÓLICA E CULTOS NAO CATÓLICOS . 358/1992, p. 129.
LÓ E SUAS FILHAS: incesto 365/1992, p. 458.
LUTERANOS VOLTAM AO CATOLICISMO 358/1992, p. 131.

MACEDO, EDIR, E IGRE JA 360/1992, p. 220.


MAL NO MUNDO 361/1992, p. 246.
MALTA, CAVALEIROS DE: historia 359/1992, p. 185.
MANUSCRITOS DE QUMRAN 367/1992, p. 533.
MARAVILHAR-SE - significado e dificuldades 363/1992, p. 355.
MARÍA, MÁE DE JESÚS, E JOSÉ 358/1992, p. 114.
VIRGEM PERPETUA E MÁE 365/1992, p.441.
"MEDO DA VERDADE" POR PARTE DA IGREJA . . . 367/1982, p. 537.
ME1OS DE COMUNICACÁO SOCIAL: importancia ... 364/1992, p.398.
MEISHU-SAMA- FUNDADOR DA IGREJA
MESSIÁNICA MUNDIAL 367/1992, p. 544.
MENDES DE ALMEIDA, ÁNGELA, E PECADO 366/1992, p.510.
MESSIAS - conceito 367/1992, p. 535.
MILAGRES DE JOHREI 367/1992, p. 550.
NA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS 360/1992, p. 231.
"1001 MANEIRAS DE ENRIQUECER" por Joseph
Murphy 357/1992, p. 86.
MISSIONÁRIAS DA CARIDADE 366/1992, p. 488.
MONTEIRO DE LIMA, DELCIO: "Enquanto
o Diabo-." 356/1992, p. 7.
MORTE E VIDA POSTUMA 359/1992, p. 173.
361/1992, p.260/p. 270
MOVIMENTO GNÓSTICO CRISTÁO UNIVERSAL . . . 357/1992, p. 75.
MOVIMENTOS RELIGIOSOS (Novos) 364/1992, p. 388.

582
ÍNDICE GERAL 1992 55

"MUITO ALÉM DO AMOR" por Dominique Lapierre .. . p.482.


MURPHY, JOSEPH: como enriquecer? 357/1992, p. 86.

NIETZSCHE 367/1992, p. 564.


NOSSA SENHORA DO MARRÓN GLACÉ 362/1992, p.316.
"NOSSA VIDA TEM FUTURO" por Renold J. Blank .. 361/1992]p.26o'
"NOVA ERA" (NEW AGE) E FACETAS 360/1992, p. 235.
"NOVA ERA" - Instrucáo sobre MCS 364/1992, p. 398.
NOVA GNOSE - mensagem 357/1992, p. 79.
NOVOS MOVIMENTOS RELIGIOSOS: características. 364/1992 p 388
NULIDADE DO CASAMENTO DA PRINCESA
DE MONACO 365/1992, p. 475.

"OBRA DOS ANJOS" - associacáo 365/1992, p. 462.


"O CRISTIANISMO MORENO NO BRASIL"
por Eduardo Hoornaert 357/1992, p. 50.
"O ESTADO DO VATICANO"-opúsculo protestante . 357/1992, p. 60.'
"O EVANGELHO SEGUNDO JESÚS CRISTO" por José
Saramago 358/1992, p. 110.
"O GOSTO DO PECADO" por Ángela Mendes de
Álmeida 366/1992, p. 510.
ORDEM DOS CAVALEIROS DE MALTA: origem e
historia 359/1992, p. 185.
"O SEXO NA FOGUEIRA" - revista "Isto É" 366/1992, p. 504.
"OS MORTOS NOS FALAM" por Francois Bruñe 361/1992, p. 270.

PADROADO: que é? 356/1992. p. 17;


357/1992, p. 56.
PANTEÍSMO: refutácáo 357/1992, pp. 80 e 90;
360/1992, p. 217.
PAPADO: fundamentó bíblico 357/1992, p. 66.
PAULO VI NO CREPÚSCULO DA VIDA 363/1992, p.348.
PECADO: que é?.:.. 361/1992, p. 263;
, "Gosto do" 366/1992, p. 511.
ORJGINAL: significado 356/1992, p. 42;
na palavra do Papa 365/1992, p.447.

583
56 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

PEDRO ALVARES CABRAL E SUA COMITIVA 360/1992, p. 199.


PENSAMENTO HOLISTICO na Nova Era 363/1992. p. 364.
PEREGRINOS DO ABSOLUTO: cristáos 365/1992, p.472.
PIERRE TOUSSAINT, EX-ESCRAVO SANTO 364/1992, p. 422.
PLATÁO E CONCEITO DE DEUS 363/1992, p.371.
"POLÍTICA SECRETA" DO VATICANO 362/1992, p. 297.
PORNOGRAFÍA AMEACA A SOCIEDADE 363/1992, p. 377.
POR QUE ME TORNEI CATÓLICO? 358/1992, p. 132^
NAO SOL) ATEU? 361/1992, p. 242.
ESPIRITA? 360/1992, p. 207.
PROTESTANTE? 359/1992, p. 166.
PRAGAS DO EGITO: explicacáo 356/1992, p. 44.
PREDESTINACÁO E GRAgA 366/1992, p. 520.
PRÉ-HISTÓRIAE HISTORIA DA HUMANIDADE 361/1992, p. 244.
PRINCESA DE MONACO: casamento 365/1992, p.475.
PROBABILISMO: que é? 366/1992, p. 518.
PROTESTANTISMO: por que nao? 359/1992, p. 166.
PROTO-EVANGELHO: significado 365/1992, p.454.
PSICOGRAFIA: que é? 359/1992, p. 177.
PURGATORIO: que é? 361/1992, p. 265.

QUINHENTOS ANOS DE AMÉRICA 358/1992, p. 98.


360/1992, p. 194.
QUMRAN E ORIGEM DO CRISTIANISMO 367/1992, p. 533.

RECUO DO SOL EM 2Rs 20,1-11? 361/1992, p.257.


REDE RECORD E IGREJA UNIVERSAL
DO REINO DE DEUS 360/1992, p. 228.
REENCARNACÁO: refutacáo 360/1992, p.215;
361/1992, p. 278.
REGIME DE CRISTANDADE E PADROADO 360/1992, p. 195.
RELIGIÁO E SUGESTÁO 357/1992, p. 92.
UNIVERSAL E NOVA ERA 363/1992, p. 365.
RELIGIÓES ORIENTÁIS E NOVA ERA 360/1992, p.238.
RETROCOGNICÁO, SIMULGOGNICÁO E
PRECOGNICÁO .. 359/1992, p. 177.
ROBERT SCHUMAN - UM SANTO NA POLÍTICA . . . 357/1992, p. 93.
i

584
ÍNDICE GERAL 1992 57

SACRAMENTO DA PENITENCIA OUCONFISSÁO .. 362/1992, p. 314.


366/1992, p. 512.
SANTO GRAAL: que é? 366/1992, p. 522.
SARAMAGO, JOSÉ, E EVANGELHO 358/1992, p. 110.
SECULARISMO E NOVAS RELIGIÓES 364/1992, p. 394.
SÉNECA E O TEMPO 365/1992, p. 467.
SCHUMAN, ROBERT, E POLÍTICA 357/1992, p. 93.
SEPULCRO VAZIO: sinal apologético 367/1992, p. 536.
SEXUALIDADE HUMANA E PORNOGRAFÍA 363/1992, p. 379.
SIGMUND FREUD E MORALIDADE 367/1992, p. 565.
SILVA, JOSÉ AUGUSTO DA: CONFISSÁO
SACRAMENTAL 362/1992, p. 309.
SÍMBOLOS DA NOVA ERA 363/1992, p. 367.
SODOMA E SODOMÍA 365/1992, p. 457.
STRABELLI, MAURO: "BÍBLIA" 356/1992, p. 41.
SOL RECUOUEM2Rs 20,1-11?. 361/1992, p. 257.

TEMORES DE UMA TESTEMUNHA DE JEOVÁ 364/1992, p.397.


TEMPO E ETERNIDADE 361/1992, p. 261.
- VALOR BÁSICO 365/1992, p. 467.
TEÓLOGOS E EXISTENCIA DO DEMONIO 367/1992, p.560.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E TRANSFUSÁO DE
SANGUE 362/1992, p. 322;
TEMORES 364/1992, p. 397;
356/1992, p. 26.
TESTEMUNHO DE FÉ 360/1992, p. 197.
TOUSSAINT, PIERRE: ex-escravo santo 364/1992, p.422.
TRANSFIGURAgAO DE JESÚS: explicacáo 356/1992, p. 46.
TRIGUEIRINHO E SUA MENSAGEM 361/1992, p.281.

VATICANO: ataques protestantes 357/1992, p. 60.


VIRGINDADE PERPETUA DE MARÍA SANTÍSSIMA . 365/1992, p.441.
VIVER INTENSAMENTE CADA MINUTO 365/1992. p. 471.
VOZES DO ALEM 361/1992, p. 272.

EDITORIAIS

"A mIiLHER SERÁ SALVA PELA MATERNIDADE" .. 360/1992, p. 193.


A SÁ DÓUTRINA 363/1992, p. 337.

585
58 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 367/1992

"ESTIVE MORTO, MAS EIS QUE VIVO" 359/1992, p. 145.


MÁE E MESTRA 364/1992, p. 385*.
NOVA ERA 357/1992, p. 49.
"O BRASIL PRECISA DE SANTOS, DE MUITOS
SANTOS" 358/1992, p. 97.
"Ó TESTEMUNHO DA ALMA NATURALMENTE
CRISTA!" 361/1992, p. 241.
PEREGRINOS DO ABSOLUTO 366/1992, p.481.
"QUANDO O HOMEM ACABA, ENTÁO É QUE
COMEQA_" 356/1992, p. 1.
500 ANOS! 365/1992, p.433.
"VEM, SENHOR JESÚS!" 367/1992, p. 529.
"VOS SOIS NOSSOS IRMÁOS.." 362/1992, p. 289.

LIVROS APRECIADOS

ÁVILA, Fernando Bastos de. Pequeña Enciclopedia de


Doutrina Social da Igreja. 383/1992, p. 361.
D'ASSUMPCÁO, Gislaine María. Gota de luz 363/1992, p. 3847
D'ASSUMPqÁO. Dr. Evaldo Alves. O sentido da vida
edamorte. .....*..... 363/1992, p. 383.
FABRIS, Rinaldo. A opgSo pelos pobres na Biblia 364/1992, p. 430.
CARDENAL, Padre Joao M. O problema de todos .... 359/1992, p. 165.
GOZZI, Padre Paulo H.Comolidarcomasseilas ..... 356/1992, p. 47.
KONINGS, Joharu-4 Biblia, sua historia e leitura:
urna introducáo 364/1992, p. 430.
LOWERY, CSSR, Daniel i. Seguir o Cristo. Manual ,
de MoralparaoPovodeDeus. 364/1992, p. 431.
MACIE L, Marcial. A formagSo integral do sacerdote
católico 365/1992, p. 466.
MARGERIE, Bertrand de. O Coráceo de Mana,
Coragáo da Igreja 363/1992, p. 368.
MEIRA PENNA, J. O. de.Opcáopreferencia!pela
riqueza 364/1992, p. 428.
ROCHETTA, Carlos. Os sacramentos dale 356/1992, p. 18.
SAADEH, Freí Ya'cub H. e outro. Fé e
Escritura, Desafíos e respostas 356/1992, p. 25.
SILVA MARTÍ NS, Roberto Vidal da. Aborto no Dreito
Comparado: urna reflexáo crítica 357/1992, p. 74.
STORNIOLO-BALANCIN. Conhefa a Biblia, 359/1992, p. 191.
ZAMPETTI, Pier Luigi. A Profería de Fátima e a queda
do Comunismo. 364/1992, p. 427.
ZILLES, Urbano. FHosotia da ReSgiSo 364/1992, p. 431.

586
CARO AMIGO,

SE ESTA REVISTA LHE AGRADOU, PROCURE DIFUNDI-LA


ENTRE PARENTES E CONHECIDOS. NESTE MOMENTO EM QUE A
SOCIEDADE É INTERPELADA PELAS MAIS CONTRADITÓRIAS E,
NAO RARO, FALSAS NOTICIAS EM MATERIA DE RELIGIÁO E
COS MOVÍ SAO, AJUDE-NOS A AJUDAR AQUELES QUE DE CORA-

CAO SINCERO PROCURAM ESCLARECER-SE SOBRE PROBLEMAS


BÁSICOS DA VIDA HUMANA.

CONTAMOS COM A COLABORACÁO DE NOSSOS AMIGOS


NESTE PROPÓSITO DE PROJETAR LUZ SOBRE QUESTÓES QUE
INTERESSAM A TODO PENSADOR.

PARTICIPE DA NOSSA CAMPANHA DE NOVOS ASONAN


TES.

EIS O QUE LHE PROPOMOS JUNTAMENTE COM NOSSOS


VOTOS DE FELIZ NATAL E PRÓSPERO 1993, CUMULADO DE LU-
ZES E GRACAS.

ADIRECÁODE PR.

587
A SUA ESPECIAL ATENCÁO
Nos últimos meses tivemos grande prejufzo com o desvio de cen
tenas de correspond&ndas e logo em seguida os CHEQUES (vindos em
cartas) descontados em conta "alheia" numa agencia do Banco do Brasil.
Pedimos sua colaboracao para que tal situacáo nao continué. Veja capa,
pág. 2.

RENOVÉ QUANTO ANTES SUA ASSINATURA PARA 1993:


CrS 60X00,00 (até 31 de dezembro de 1992)

RIQUEZAS DA MENSAGEM CRISTA, por D. Cirilo Folch


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"Credo do Povo de Deus" de Paulo VI. Especialmente
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Revista bimestral, editada pelo Mosteiro de Sao Bento do Rio de


Janeiro, destina-se a Oblatos beneditlnos e pessoas interessadas em as-
suntos de espiritualidade bíblica e monástica.
Além de um artigo do Pe. Esteváo Bettencourt OSB, contém tradu-
cóes e comentarios bíblicos e monásticos, e, ainda, a crónica do mosteiro.
O número 94 foi todo ele dedicado a D. Abade Inácio Accioly, po-
tido ser adquirido através da "Lumen Christi", pelo Servico de Reem
bolso Postal.
Para 1993, a assinatura ou renovacáo,-se feita até 31 de dezembro,
ficará por Cr$ 60.000,00.
Para assinatura, dirija-se a ARMANDO REZENDE FILHO (Caixa
Postal 3608-20001-970) ou as Edicóes "LUMEN CHRISTI" (Caixa Postal
2666 - 20001-970 - Rio de Janeiro - RJ).
Álbum com 110 págs. coloridas (30 x 23), texto histórico-ex-
pl¡cativo documentado, de autoría de D. Mateus Rocha O.S.B.
— Em 5 línguas, volume separado (portugués, espanhol, fran
cés, inglés e alemao).
Preco: CrS 300.000,00, mais o porte de correio.

Atende-se pelo Reembolso Postal