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como nasce um documentário

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Y-ATA-OBÁ: Como nasce um documentário O Processo

As coisas quase nunca acontecem como a gente determina ou na ordem em que esperamos. Por isso, a divisão dos tópicos a seguir foi feita arbitrariamente, apenas para facilitar a percepção do desenvolvimento do processo de realização de um vídeodocumentário. Boa parte das atividades foram exercidas simultaneamente e discutidas prolongadamente pela equipe. Sim, pois ninguém pode fazer ou aprender tudo sozinho. A troca de experiências durante um trabalho em grupo é uma importante etapa do processo cognitivo. • Escolhendo do suporte: Curiosamente, a primeira coisa a ser determinada neste projeto foi o suporte. Desde o 4º período eu já havia resolvido que queria fazer um vídeo. Os motivos foram vários: a linguagem, a técnica de execução e as possibilidades estéticas de um documentário sempre foram de meu interesse. Paralelamente, era um tipo de exercício que tive poucas oportunidades de desenvolver, pois a ênfase no curso de jornalismo é a mídia impressa e os recursos do departamento são poucos para serem divididos entre as quatro habilitações. Além disso, quis aproveitar esta oportunidade para experimentar, desenvolver um trabalho mais autoral, sem que fosse necessário me cercear devido aos moldes deste ou daquele veículo de comunicação. Levando em consideração tudo isso, e o fato de estar me graduando em jornalismo, resolvi fazer um documentário. A utilização de equipamentos no formato digital não foi exatamente um escolha, foi quase uma coincidência. Eu já havia escolhido em que sistemas não fazer o vídeo: VHS e S-VHS, por causa da pouca qualidade da imagem produzida. Restaram 3 opções: high-8, betacam e digital. Saí, então, literalmente em busca de equipamento. O Betacam já era o sistema menos provável, por se tratar de equipamento profissional e disponível em poucos lugares; além de apresentar outros problemas, o tamanho e peso. É o sistema mais usada nas emissoras de televisão na atualidade, tendo excelente desempenho em gravações de estúdio. Dentre as várias pessoas que procurei, Sílvia Pinheiro, recém formada em Cinema de Animação na Escola de Belas Artes da UFMG e proprietária de uma câmera digital da marca

Panasonic, foi a que mais se entusiasmou com a idéia da realização de um documentário. Quando conversei com ela, o tema já havia sido determinado e o recorte do objeto já estava quase pronto. O sistema digital apresenta qualidade de imagem semelhante ao Betacam, sendo que na Rede Globo, no SBT e na Rede Record, já é utilizado um formato que é a união destes dois – o Betacam Digital. A “escolha” do digital foi determinante na edição, realizada em um computador Macintosh G4, equipamento capaz de fazer edição não-linear (as imagens e os sons são armazenados de maneira aleatória, podendo depois serem organizados um após o outro, assim como fazemos no Word ou em qualquer outro software de texto). Mas isso, é outro tópico. • Uma autora à procura de personagens: Para fazer a escolha do tema, primeiro busquei definir os critérios que seriam levados em conta para a decisão:  O documentário trata de assuntos atemporais, diferenciando-se assim da reportagem televisiva, que é datada, limitada a um fato no tempo;  A linguagem videográfica valoriza visualmente produtos cuja beleza estética e simbólica é mais evidente;  Além disso, procurava realizar um projeto experimental cuja abordagem fosse mais social, mais popular. Determinados os critérios, comecei a fazer um levantamento dos possíveis temas, todos eles ligados a área de cultura: teatro, dança, folclore e festas populares. A primeira idéia foi fazer um vídeo sobre o Grupo Galpão, mas fui logo desencorajada, porque já existem vários documentários sobre ele. Outros grupos de teatro também apresentariam grandes dificuldades. O vídeo ficaria, provavelmente limitado à peça a ser encenada, portanto datado, e principalmente, por ser uma forma de arte muito particular (os grupos e formas de atuação variam imensamente entre si) e por ser de difícil acesso ao público em geral. Eliminada a opção teatro, alguns grupos de dança foram cogitados: Aruanda e Sarandeio. O primeiro é de Itaúna, o que seria economicamente inviável para uma produção de tão pequeno porte. O segundo, por ser da própria UFMG poderia indicar uma certa limitação de temas e foi também abandonado. No 31º Festival de Inverno da UFMG, um evento foi marcante para a: o encontro dos congadeiros de Oliveira/MG e de Ouro Preto, que culminou com apresentação de Titane e

Maurício Tizumba. Cerca de 50 Irmandades de Nossa Senhora do Rosário desfilaram pelas ruas do centro histórico da antiga Vila Rica. Depois disso, não houve mais dúvidas, seria um documentário sobre congado. Este tipo de manifestação da cultura popular, além de preencher todos os quesitos pré-determinados, atuou como uma "busca das minhas próprias raízes". O Reinado é um dos eventos mais importantes no calendário de Itapecerica/MG, terra natal de meu pai. • Recortando do objeto: Escolhido o assunto, era necessário determinar que aspecto e de que maneira ele poderia ser abordado. Com certeza mais que absoluta eu não teria condições de tratar do congado em Minas Gerais, por causa da minúscula infra-estrutura disponível e à falta de recursos. Optei, então, por trabalhar com congadeiros de Belo Horizonte. Através da Secretaria Municipal para Assuntos da Comunidade Negra, estabeleci contato com a Federação Mineira de Congado. Foi acertado que eu iria à reunião do dia 25 de junho. Enquanto isso, Mirian Chrystus e Anna Karina Bartolomeu já haviam aceitado o convite para orientarem este projeto. Algumas conversas aconteceram e foi definido o tempo do vídeo, no máximo 15 minutos. Essas discussões, mais uma interessante palestra com o videoartista Lucas Bambozzi definiram o recorte do tema: um documentário sobre o grupo de congado e não sobre a festa em si. O vídeo seria uma oportunidade de aproximação daquele grupo, um pretexto para ouvir aqueles que não têm voz na mídia, suas experiências de vida. Afinal de contas, todos sempre têm o que dizer, ao contrário do que propõe o jornalismo que elege algumas fontes como privilegiadas e dotadas de credibilidade. A fala daquele que é humilde, mais simples, pode não influenciar no andamento da política mundial, mas não deixa de ser interessante e ter o seu valor. Durante a pesquisa videográfica e as primeiras visitas, ficou evidente que era mesmo impossível tratar da festa em um documentário no tempo proposto. O vídeo ficaria superficial, chato e igual a muitos que já existem. Foi unanimidade que uma abordagem sobre quem faz a festa e o que esta significa para eles era uma opção mais rica, inclusive no caráter jornalístico. A pergunta principal seria: "Por que fazer o Reinado de Nossa Senhora do Rosário?". Naturalmente, por trás dessa questão aparentemente simples, poderiam existir implicações sociais, econômicas e religiosas. Era exatamente isso o que eu queria saber. • Entre os vídeo e os livros

“Documentário, ou filme documentário: filme que tem a característica de um documento, que se baseia em documentos. No formato que se conhece, no sentido cinematográfico, surge, em 1914.”1 Para saber o que seria o meu documentário, precisei saber do que ele resultou, entender como poderia ser feito e quais seriam as suas possibilidades. Não que eu tenha apreendido uma carga de informações suficientes para dar uma aula, mas fui sensibilizada para novas interpretações e percepções. Parte da pesquisa bibliográfica já havia sido iniciada quando foi escolhido o suporte, principalmente a relacionada a cinema (linguagem, história e crítica). Parti então em busca do conceito de documentário e descobri que em português a literatura específica sobre o assunto não é muito farta, sendo que as obras consultadas foram produzidas principalmente após 1984.  O pré-documentário Ainda hoje, existe uma enorme dificuldade em definir o documentário. Quando ele surgiu e se firmou como um estilo cinematográfico, dizia-se que era uma oposição, ou contrário, do cinema de ficção, pois supostamente tratava do real. Entretanto, estudos recentes tem contrariado esta definição. "As relações entre a ficção e o filme documentário sempre foram ambíguas (...). Existem numerosas coincidências e sobreposições que apontam para uma indefinição de fronteiras."2 Desde seu surgimento, os chamados filmes documentários apresentaram enorme variação, em todos os aspectos, inviabilizando a criação de conceitos ou modelos universalizantes. Mas isso não impediu vários estudos de sugerirem ligações e interpretações sobre o seu desenvolvimento do através dos tempos. Tentativas documentais surgiram juntamente com o cinema. Os irmãos Lumière, "inventores" do cinema, já em suas primeiras apresentações públicas exibiam cenas do cotidiano (pessoas saindo das fábricas Lumière, um trem chegando em uma estação), que podem ser consideradas esboços de um estilo que estava por vir, pois, apesar de seu caráter experimental e despretensioso, buscavam retratar aquela época. Depois disso, surgiram os denominados "filmes de viagem", em que exploradores registravam sua passagem por lugares exóticos e desconhecidos. Mas a falta de uma

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PASSEK Jean-Loup. (Org.). Dictionnaire du Cinéma. Paris: Larousse, 1995. BARTOLOMEU, Anna Karina. O documentário e do filme de ficção: relativizando as fronteiras. Belo Horizonte: EBA/UFMG, 1997. (Dissertação).

linguagem definida dificultava o entendimento para quem não fosse da família ou próximo ao viajante.  O novo gênero Em 1913, o explorador Robert Flaherty foi convencido por Sir William Mackensie, seu contratador, a levar uma câmera para registrar sua terceira expedição. Como resultado, quase dez anos depois, em 1922, Nanook of the North, surgiu como o primeiro longa com uma estética própria e capaz de manter uma linha narrativa. Repudiando os pseudo-documentários que eram reconstituições em estúdio ou que tinham o próprio explorador como personagem principal, Flaherty parte da observação para mostrar a vida de uma família esquimó. Seu filme é considerado o "protótipo de um novo gênero". Mas foi o escocês John Grierson, fundador da escola documentarista inglesa que começou a formalizar e normatizar o documentário enquanto produto, atribuindo-lhe a função social de instrumento de educação das massas e de formação da opinião pública. Grierson foi crítico, teórico e produtor de documentários. Em seus artigos fundamentou o que hoje chamamos de documentário clássico3. O filme Drifters, de 1929, fala sobre o trabalho dos pescadores de arenque, é o único dirigido por Grierson. Contemporâneo de Grierson, Dziga Vertov traçou um caminho quase oposto. Também pudera, a revolução russa estava em andamento e era preciso criar novas obras de arte, para expressar a nova ordem que nascia. Para Vertov, o cinema também tinha a função social de educar, mas sua estética e temática passavam a quilômetros de distância da proposta de Grierson. Enquanto o documentário inglês era de propaganda do império, o cinema soviético, inspirado na arte futurista, era um elogio a tecnologia. Se os ingleses eram de uma formalidade técnica, os soviéticos tinham no improviso e na exposição da câmera sua marca. O "Cinema-olho" russo era rigorosamente contra as encenações e dramatizações, toleradas e largamente utilizadas por Grierson. Em O Homem da Câmera, realizado também em 1929, Vertov explicita sua visão sobre o cinema.  Aparato técnico A evolução tecnológica foi essencial para transformar profundamente o panorama do documentário, pois equipamentos mais leves aumentavam as possibilidades e potencialidades da produção. Os filmes sonoros foram os passos seguintes.

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O documentário clássico pode ser resumido nas seguintes características estruturais: imagens rigorosamente compostas, fusão de música e ruídos, montagem rítmica e comentário em voz off despersonalizada.

Isso resultou, na França, no cinéma verité. Os adeptos a esta nova proposta acreditavam poder captar a realidade, através do uso do som e imagens sincronizadas. Um dos representantes deste movimento é Chronique d'un Été (Crônica de um verão), realizado em 1960, por Jean Rouch e Edgar Morin. Estudiosos e teóricos do documentário consideram esse filme como protótipo do modo interativo de representação. Já nos Estados Unidos, o avanço tecnológico fez surgir o chamado cinema direto, que pretendia reduzir a realidade à visibilidade, à suas aparências visíveis. O objetivo era "neutralização completa da equipe técnica" e uma observação pura, sem intervenção. Anna Karina Bartolomeu cita como exemplo dessa proposta Salesman (Albert e David Maysles e Charlotte Zwerin, 1968). Esse documentário produzido pelo grupo encabeçado por Robert Drew, fala sobre um grupo de quatro vendedores de uma edição ilustrada e católica da Biblia. Entretanto, não podemos esquecer que a história do documentário apresenta muitas e variadas vertentes. Os exemplos que destaquei são considerados principais, mas não são os únicos ou melhores representantes dessa vertente tão rica.  1,2,3 e 4... Sílvio Da-Rin4, citando Bill Nichols, um dos mais reconhecidos teóricos do cinema documentário, enumera quatro modalidades de representação, segundo as principais estratégias de "argumentação cinematográfica" assumidas pelos diversos grupos e movimentos documentários. O "modo expositivo" correspondente ao documentário clássico, onde um argumento é veiculado por letreiros ou pelo comentário off, servindo as imagens de ilustração ou contraponto. Até o início dos anos setenta, a imensa maioria dos documentários respeitava, a grosso modo, este modelo. O modo expositivo adota um esquema 'particular-geral', mostrando imagens exemplares que são conceituadas e generalizadas pelo texto do comentário. O processo de produção é ocultado em nome da impressão de objetividade. O "modo observacional" surgiu em reação ao modelo clássico e procurou transmitir um sentido de acesso ao mundo, colocando o espectador na posição de observador ideal. Defendeu a não-intervenção, suprimiu o roteiro e minimizou a direção, desenvolvendo métodos de trabalho que davam a impressão de invisibilidade da equipe técnica. Evitava o comentário, a música off, os letreiros, as encenações e as entrevistas. O "modo interativo", surgiu quase ao mesmo tempo que o observacional, mas enfatizou a intervenção do cineasta. A interação ente a equipe e os "atores sociais" fica em primeiro
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DA-RIN, Sílvio Pirôpo. Espelho partido: tradição e transformação do documentário cinematográfico. Rio de Janeiro: UFRJ, 1995. (Dissertação).

plano, na forma de entrevista ou depoimento. A subjetividade do cineasta e dos participantes da filmagem é totalmente assumida. O "modo reflexivo" surgiu como resposta ao ceticismo da possibilidade de representar o mundo de forma objetiva e procura deixar explicito as convenções que regem o processo de representação. Os filmes reflexivos apresentam no documentário o produtor e o processo de produção, destacando o caráter de artefato do produto. Utilizam da ironia, da paródia e da sátira, ao invés de transmitiram um "julgamento abalizado". Os filmes de Vertov, são considerados representantes do modo reflexivo. Para Da-Rin a classificação proposta por Nichols é resultado da sua concepção do documentário enquanto uma instituição constituída por práticas variadas e contraditórias, que interagem historicamente. Não devemos confundir essas definições com os movimentos já citados, pois a reflexão de Nichols foi produzida recentemente através da observação da história do documentário em sua totalidade.  O documentário brasileiro No Brasil, até o início dos anos 80, os documentários produzidos não eram frutos de uma reflexão sobre sua função, ou sobre a intervenção do documentarista no ambiente a ser registrado ou sobre a influência do aparato técnico. Seguiam religiosamente o modelo clássico. As discussões limitavam-se à estética e não se aproximando da linguagem. Exceção à regra é o cineasta Arthur Omar. No artigo publicado, em 1978, na Revista de Cultura da Editora Vozes - Antidocumentário, provisoriamente - ele explica o que vem fazendo na prática com seus filmes.
"Frente a esse campo irresistível não existe o filme documentário como linguagem autônoma, isto é, o documentário tal como existe hoje é um subproduto da ficção narrativa, sem conter em si qualquer aparato formal e estético que lhe permita cumprir com independência seu hipotético programa mínimo: documentar. (...)Seria o caso de se perguntar o que nós queremos ao fazer um filme e testar se o documentário, como estrutura produtora de efeitos significantes, corresponde a essa intenção. Nossa posição é que existem outras formas de tratar a realidade, e mesmo de tratar o fotográfico, o qual extravasa o mero domínio do documentário, outras formas que seriam mais pertinentes dentro de uma conjuntura como a brasileira."5

Além de Arthur Omar, o gaúcho Jorge Furtado com seu consagrado Ilha Das Flores merece destaque na safra anos oitenta.
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Revista de Cultura - Petrópolis, n. 6, 1978, ano 72. Vozes. p. 05 - 13.

Recentemente, nomes como Eduardo Coutinho (Santo Forte), Vladimir Carvalho (Conterrâneos Velhos de Guerra), Sandra Werneck (Comunhão) e Tibico Brasil (Borracha Para Panela de Pressão) tem realizado trabalhos interessantes na área do documentário.  Vídeos e filmes Depois de toda essa pesquisa sobre a história e a teoria do documentário, senti necessidade de assistir a filmes. Os documentários escolhidos tem em comum o fato de não serem biográficos, com exceção de Walter Franco, que se destaca pelo experimentalismo estético. Procurei vídeos e filmes que apresentassem propostas diferentes do modelo clássico e que tratassem de assuntos mais populares, ou menos restritos. Aruanda, por exemplo, realizado em 1960, apesar de ser o que mais se aproximou da escola britânica de documentários (e não podia ser diferente, devido ao momento histórico em que o país de encontrava) trabalhas várias possibilidades visuais, através da textura e da fotografia. Já o premiado Nós que aqui estamos por vós esperamos de Marcelo Masagão, quase esgota os efeitos de edição e está numa linha muito tênue entre o documentário e a ficção. Assistindo a estes documentários, pude perceber todas as suas variações técnicas e estéticas e assim definir o que seria o meu estilo, a minha estética. Além de documentários, tive acesso a algumas reportagens sobre congado. Todas elas tratavam do reinado como uma festa popular e mantinham seu foco principal na missa conga, elemento que veio se integrar ao ritual só recentemente.  Questões técnicas Apesar de realizar um produto híbrido entre o jornalismo e o cinema, estudar as duas linguagens seria a melhor forma de encontrar seus pontos de interseção. A linguagem cinematográfica tem na luz e no som características essenciais na produção de sentidos. A variação do posicionamento da câmera pode tornar a fala da personagem mais ou menos dramática, com maior ou menor credibilidade. O som tem efeito cumulativo. Se é captado inadequadamente, na finalização será "uma bomba". Durante a montagem, os efeitos produzidos pelo ordenamento das cenas desta ou daquela maneira, e, é claro, os cortes. Atrevo-me a dizer que, sem o conhecimento mínimo de como funciona o cinema, não é possível realizar um vídeo com alguma qualidade. No caso especifico deste projeto, o domínio das técnicas jornalísticas foi fundamental para a definição do conteúdo e de como abordá-lo. Depois de feita a escolha do objeto do documentário, comecei a apuração, processo em que se faz o levantamento dos dados e das

fontes a serem consultadas. De posse dos dados, pude fazer a pauta das entrevistas, quando e é elaborada uma lista com as perguntas ou os tópicos a serem esclarecidos pelo entrevistado. Depois disso, foram feitas as entrevistas. Apesar de ter sido parcialmente ocultada na edição, a entrevista consistiu em perguntas curtas e objetivas elaboradas por mim. As técnicas são as utilizadas na produção jornalística, pois enquanto jornalista, é a maneira que aprendi para realizar práticas como esta. Inclusive o próprio roteiro está mais para uma reportagem, por ser simples e apenas indicar que imagens devem ser gravadas.  Reinados Literatura sobre congado é algo difícil de se encontrar, principalmente quando a biblioteca da universidade está de greve. Utilizei para este projeto alguns livros sobre Reinado nos Arturos6, a dissertação de Glaura Lucas7 (professora da Escola de Música da UFMG e mestre em Etnomusicologia) e Afrografias da Memória - O Reinado do Rosário no Jatobá8, da professora Leda Martins, da FALE/UFMG, principal bibliografia deste projeto. O livro da professora Leda resgata a história dos congadeiros do Jatobá desde a época dos escravos até a atualidade, sob a capitania de João Lopes. As músicas, os instrumentos e a dinâmica do Reinado são registrados com a sensibilidade de quem nasceu e cresceu no congado. Através da leitura de Afrografias da Memória, pude conversar com aquelas pessoas tendo conhecimento da sua história, dos seus rituais, de suas músicas. Ao chegar na Irmandade, eu já sabia onde estava pisando. • Trabalho de campo (visitas) O trabalho de campo propriamente dito iniciou-se no dia 13 de maio, quando fui aos Arturos, tradicional comunidade negra de Contagem, para a gravação de um vídeo de alunos da Escola de Belas Artes, como assistente de produção. Estava sendo comemorado o dia da abolição da escravatura. Nos Arturos, pude acompanhar o desenvolvimento da festa e perceber as principais características. É necessário destacar que, apesar de serem festas distintas, a participação das guardas e das cortes traz uma semelhança entre o Reinado e as outras festas realizadas pelas Irmandades de Nossa Senhora do Rosário.
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GOMES, Núbia Pereira Magalhães & PEREIRA, Edmilson de Almeida. Negras raízes: os Arturos. Juiz de Fora, Ministério da Cultura, /EDUFJF, 1988. GOMES, Núbia Pereira Magalhães & PEREIRA, Edmilson de Almeida. Arturos: olhos do Rosário. Belo Horizonte: Mazza, 1990. 7 LUCAS, Glaura. Os sons do Rosário: um estudo etnomusicológico do congado mineiro Arturos e Jatobá. São Paulo: ECA/USP, 1999.(Dissertação). 8 MARTINS, Leda Maria. Afrografias da memória: O reinado do rosário no Jatobá. São Paulo: Perspectiva, 1997.

Através da Secretaria de Assuntos para a Comunidade Negra, obtive o contato com Solange Aparecida Neves dos Anjos, secretária da Federação Mineira de Congado, que informou-me sobre as possíveis datas e pessoas a quem deveria procurar. No dia 4 de junho, fui a reunião da Federação. Sabia que teria que realizar o projeto com a maior antecedência possível, devido à demanda da ilha de edição no fim do semestre e a maior dificuldade em conseguir equipamentos e amigos disponíveis a partir de setembro (por ser integrante da Associação Mineira de Curta-metragistas, tinha conhecimento dos cronogramas da maior parte dos vídeos e curtas a serem produzidos até o fim do ano). Cheguei à reunião com uma data pré-determinada, precisava fazer um documentário sobre um grupo de congado que realizasse sua festa no mês de agosto. Em Belo Horizonte só havia um: a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá. Fui apresentada ao Sr. Matias da Mata, capitão regente, que "convocou-me" para a próxima reunião da Irmandade, no dia 25 daquele mesmo mês. No período que antecedeu a reunião, entrei em contato com Glaura Lucas. Em nossas conversas, ela explicou a estrutura do reinado no Jatobá e sugeriu alguns possíveis entrevistados e o livro Afrografias da memória. A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá, entidade tombada pelo patrimônio histórico municipal, realiza reuniões a cada último domingo do mês. No dia 25 de junho, foram discutidos além de assuntos internos à Irmandade, os preparativos para o reinado a ser realizado dali a 2 meses. Fui apresentada à diretoria da Irmandade e ao capitão-mor Sr. João Lopes, que demonstraram grande interesse na realização do documentário e se colocaram à disposição para o que fosse necessário. Essa foi a primeira das várias visitas feitas à Irmandade de Nossa Senhora do Jatobá. Nessa etapa, destaca-se a participação da diretora de fotografia, Lilian Marina Hodgson, da produtora, Cybelle Mendes, e do capitão João Lopes, que foram decisivos para a definição dos entrevistados e do formato que o documentário iria adquirir. Conversas com as orientadoras evitaram alguns equívocos, tanto conceituais, como de conteúdo. O que estou tentando dizer, é que por mais autoral que este projeto pareça, ele foi um trabalho de equipe, pensado coletivamente, mesmo com a palavra final sendo minha. • Definição da pauta das entrevistas Através das visitas, pude observar um pouco da rotina daquelas pessoas e como a fé em Nossa Senhora do Rosário aparecia na vida delas. O cronograma, a pauta e o roteiro das entrevistas começaram a surgir. Definiu-se que as gravações seriam realizadas no período de

23 a 26 de julho e que o intervalo entre o fim das visitas e as entrevistas seria utilizado para reuniões e leituras (feitas por mim). Foram escolhidos alguns "personagens" que seriam "representantes" da Irmandade: Flávio, jovem capitão do Moçambique (não apareceu no dia da entrevista. Foi "substituído" por Daniel, também capitão do Moçambique e por Davidson, dançante de 6 anos.); Thiago, dançante do Moçambique; D. Maria, 93 anos, mãe de João Lopes e mais antiga integrante da Irmandade; e o capitão João Lopes, responsável pela manutenção das tradições na comunidade. Cada um dos entrevistados tem uma visão diferente do Reinado, de acordo com sua experiência de vida. Busquei evidenciar isso nas imagens e em suas falas. O menino Davidson, por exemplo, foi um "achado". Aparentemente é uma criança como qualquer outra, mas quando começa a tocar sua caixa (espécie de tambor), adquire uma feição séria e compenetrada. É impressionante a maneira como toca, suas baquetas tornam-se extensões de seus braços. Para o menino, tocar é algo tão natural quanto falar e brincar, não se trata, portanto, de uma criança imitando os mais velhos, (porque, inclusive, as tradições não são ensinadas a todos indiscriminadamente, mas somente "pra quem a gente acha que tem interesse"9). Os dois rapazes, Daniel e Tiago, além de terem nascido e crescido dentro do Reinado, são adolescentes e portanto sofrem influência da mídia, da moda e da sociedade, que espera que se tornem trabalhadores e pais de família. Eles estão no limite, ou permanecem na Irmandade, mantendo as tradições, eu levam uma vida "normal" com escola, emprego, etc. Tanto Dona Maria, quanto seu filho, o capitão João Lopes, desde o início apareceram como escolhas óbvias. A matriarca, de 93 anos, é a memória viva da Irmandade. Além de ser esposa, mãe, avó e bisavó de vários capitães, dedicou toda a sua vida e vive a interessante situação de ser mulher no Reinado. João Lopes (cujo nome verdadeiro é Alcides André, mas recusa-se a ser chamado assim) dispensa apresentações. Aos 68 anos, sendo capitão-mor desde os 43 (após a morte do pai) é o guardião das tradições e autoridade durante o Reinado. Quase tudo o que os capitães e dançantes sabem, foi ele quem ensinou. Com estes cinco entrevistados, considerei esboçada a identidade da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá. Não era, e nunca foi, minha intenção fazer um retrato do grupo. Necessitaria de algumas horas de vídeo e alguns anos de pesquisa para tal. A idéia é apresentar essas pessoas e um pouco do que elas têm a dizer a quem não se dispõe a pegar o
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João Lopes, dia 25/07/2000, trecho da entrevista mantida na edição.

ônibus 1141A e passar uns tempos no Jatobá. O vídeo é uma espécie de convite para que todos queiram conhecer mais sobre o Reinado no Jatobá. • Roteiro de gravação O roteiro de gravação foi definido, principalmente, de acordo com a disponibilidade de equipe. Preferi não realizar todas as entrevistas no mesmo dia, por ser desgastante para a equipe e para o entrevistado. Além disso, a possibilidade de termos tempo "ocioso" nos permitiu "encontrar" momentos ímpares na rotina da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá. Esse roteiro (vide anexos) surgiu da última reunião realizada em minha casa, cerca de uma semana antes do período determinado para o início das gravações. Foi um momento de escolhas, colocamos as imagens na ordem em que imaginávamos que seriam captadas, além de especularmos sobre quais imagens-extras (além das entrevistas, imagens complementares e planos detalhes, que serviriam para cobrir os offs) poderíamos fazer. É preciso destacar o modelo de roteiro utilizado é absolutamente diferente do já consolidado "Paradigma de Syd Fied"10 (que propõe marcações exatas de luz e ângulos de câmera nas cenas, além de definir os momentos em que o roteiro devem sofrer uma virada, alterando o ritmo da narrativa), aproximando-se da proposta de Jean Claude Carriere, que não determina que o roteiro deva seguir este ou aquela forma e defende idéias menos ordenadas. Mesmo conhecendo as locações, considerei que não seria adequado esboçar um roteiro com as indicações de internas ou externas, ou enquadramentos, ou ângulos da câmera. Os locais das entrevistas seriam decididos com e pelos entrevistados, e as imagens do cotidiano deveriam contar com o inesperado, para aumentar sua beleza, simplicidade e naturalidade. Tentar prever ou organizar a rotina seria transmitir um simulacro. Já é um recorte, se planejado, passa a encenação. • Luzes, câmera, gravação (1ª parte) Uma coisa ficou muito claro para mim durante as gravações: um documentário não é feito, ele se faz quase que "sozinho". Obviamente, chegamos ao momento das gravações com um roteiro e com a pauta das entrevistas. Entretanto, as respostas inusitadas, os desencontros, os olhares emocionados e os atrasos acabaram levando a resultados inesperados. Mesmo após todas as leituras, reuniões, discussões e escolhas, o momento das gravações está sempre além do que supomos. Você não está mais lidando com idéias, mas com pessoas, equipamentos e acontecimentos inesperados. O roteiro, ao mesmo tempo ajuda - dando um
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FIELD, Syd. Manual do roteiro. 3ª edição. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.

"rumo" para a produção, evitando com que se ligue a câmera e mire para onde o coração mandar - e atrapalha, limitando a criatividade e a possibilidade de improviso. A partir desse momento, minha formação jornalística, paralela a todas minhas experiências e buscas do fazer videográfico, começaram a transparecer. A tradicional escola do telejornalismo, consolidada pela Discovery Channel e pelo Globo Repórter, determinavam enquadramentos perfeitos, bem iluminados e com o som impecável. Entretanto, as experimentações da vídeo-arte e do novo documentário brasileiro11, juntamente com Bernadet12, propunham menor interferência e maior liberdade e riscos. Uma menor interferência não significa ligar a câmera e deixar o entrevistado falar "o que der na telha". Nem que não se acendam as luzes ou não utilize um microfone. Quando você liga a câmera no ambiente onde aquelas pessoas vivem, já está havendo uma interferência. Além disso, é feito um recorte, pois nem a câmera, nem o olho, conseguem enxergar e armazenar tudo, é necessário priorizar. Quando decidi 'não interferir', significa que eliminei a figura do narrador, que poderia emitir juízos de valor sobre aqueles eventos e aquelas pessoas, autorizando ou desautorizando discursos. Apesar de ter direcionado a entrevistas fazendo as perguntas, não pedi que os entrevistados modificassem suas falas, ou falassem mais alto ou repetissem esta ou aquela frase. Também durante a festa, a câmera portou-se como quem observa, e não como quem mostra, isto é, mantendo uma distância e não acrescentando nada que descaracterizasse o evento. Tendo optado por um documentário menos jornalístico, e portanto mais livre, os enquadramentos e as imagens complementares adquiriram uma atmosfera mais humana, quase poética. As entrevistas atuaram como conversas, os entrevistados em momento algum se dirigiam à câmera. Ao mesmo tempo, nem minha imagem ou minha voz foram mantidas na edição final. Com isso, quis demonstrar que o importante é a fala, o momento de expressão daquelas pessoas. Aqui tive que assumir certo risco: mesmo que a entrevista não seja compreendida em sua totalidade, que nem todas as informações possam ser plenamente apreendidas, o mais relevante é que aquelas pessoas estão se expressando, podendo contar suas histórias e experiências à sua maneira. Tudo isso levou a uma abordagem, no mínimo, diferente sobre a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá.  Diário de bordo: No dia 23 de julho, estava previsto que iríamos entrevistar integrantes do Moçambique, previamente convidados. Mas, atrasos nas gravação da capela da Irmandade, fizeram com que desencontrássemos dos rapazes. Porém, quando fomos até o
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GILL, Anne-Marie. Recent Documentary Filmmaking in Brazil. http://www.city.yagamata.jp/yidff/ff/box/en/ BERNADET, Jean-Claude. Cineastas e imagens do povo. São Paulo: Brasiliense, 1985.

local onde seriam feitas as entrevistas, encontramos o capitão João Lopes fazendo terços com "contas de lágrimas" e o menino Davidson, de 6 anos, tocando de maneira compenetrada sua caixa. Nada disso, foi combinado e, por isso mesmo, tais imagens ficaram tão interessantes. Entrevistamos Davidson, Tiago e Daniel. A entrevista com Dona Maria aconteceu no dia seguinte. Foram cerca de 35 minutos de conversa, material suficiente para fazer outro documentário. Novamente, optei por não interrompê-la, nem por repetir de maneira mais clara ou sucinta suas histórias. Dona Maria abriu para a equipe, seu coração, sua sala, seu altar e seus álbuns fotográficos. A entrevista seguinte seria com Flávio, capitão do Moçambique e sobrinho de João Lopes, mas o rapaz não compareceu. Entretanto, João Lopes e José Apolinário cortaram couro de bode para fazer artesanalmente as caixas. No dia 25, fizemos a entrevista com o capitão-mor. Infortunadamente, o microfone de lapela quebrou e tivemos que gravar o som diretamente na câmera. Entretanto, João Lopes já está acostumado com entrevistas, vídeos e palestras e articula-se perfeitamente frente a câmera e sua fala foi utilizada quase na íntegra. Durante as gravações, eliminamos o dia 26 de julho, pois não teríamos câmera e nem cinegrafista. Mas conseguimos finalizar a primeira parte no dia 25 sem perda de conteúdo. • Luzes, câmera, gravação (2ª parte) Terminadas as gravações da primeira fase, tínhamos cerca de uma hora e quarenta minutos, somadas as entrevistas e imagens complementares (do cotidiano, das casas e sons). O Reinado propriamente dito ocupou uma parcela pequena no vídeo, pois o foco principal estava nas pessoas e no que a comemoração representa para elas. A equipe tinha uma idéia do que iria acontecer, da ordem dos acontecimentos no Reinado, mas mesmo assim foram grandes a surpresa, emoção e dificuldade para não sair gravando tudo. No Sábado, dia 26 de agosto, aconteceu o hasteamento dos Mastros de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, apresentação das guardas (sem uniforme) e fogos de artifício e barraquinhas. As guardas uniformizadas saíram em cortejo no Domingo, pela manhã. Os reis e rainhas foram conduzidos até o quartel-general, onde a corte se reuniu e caminhou rumo à Irmandade para a celebração da missa conga. Algumas guardas de outros bairros, ditas convidadas, estavam presentes e dançaram e cantaram antes da missa. E aqui terminou nossa gravação. • Decupagem do material e elaboração do mapa de edição

Total das gravações: duas horas e vinte minutos. Tempo estimado para o documentário até aquele momento: quinze minutos. A decupagem13, também chamada minutagem, é uma lista detalhada da ordem e do assunto das cenas. É um processo muito chato, mas muito importante por ser este o momento em que é feita a seleção de quais cenas e quais sons serão aproveitados. Tendo "sobrevivido" a isso, passei à elaboração do mapa de edição, ou seja, do roteiro das cenas, dos sons e das músicas que seriam utilizado na ilha de edição. É neste momento que o vídeo começa a se parecer com o que será realmente. Este documentário, por apresentar um caráter diverso dos produtos jornalísticos tradicionais (que são mais simples e apresentam uma forma narrativa mais linear e ritmada), acarretou num roteiro de edição mais complexo. As imagens não poderiam ser ilustrativas, como nas reportagens televisivas. Por exemplo, quando Dona Maria estivesse falando de como seu marido se tornou capitão não iríamos mostrar uma foto do Capitão Virgulino, nem seu chapéu ou seu uniforme. Para tanto, foi feita uma primeira minutagem das imagens e, em seguida, um detalhamento da localização e da duração dos áudios mais importantes. • Edição (áudio e vídeo) A edição é a montagem do produto final. Neste caso, pude utilizar da edição não-linear, ou digital, em que as imagens são capturadas pelo computador que monta o vídeo em qualquer ordem possível. Uma vez montado, o produto pode ser desmontado e reeditado indefinidamente, enquanto estiver na memória do computador. Processo semelhante ao deste programa de edição de texto que estou utilizando, o Word. Já na edição chamada linear, ou analógica, a cada nova montagem as imagens e sons precisam ser gerados pela máquina. A captação e a montagem do vídeo na ilha não linear são processos muito simples, desde que a minutagem e o roteiro de edição sejam bem feitas. Primeiro você grava no computador as cenas e os sons sem os cortes definitivos, de preferência nomeando as seqüências de maneira a indicar sua ordem na montagem. Depois, é só ir colocando as cenas uma atrás da outra. Neste caso, montamos primeiro o áudio das entrevistas e, em seguida, colocamos as imagens por cima. Estando o vídeo montado, passamos à fase de finalização, onde fizemos os cortes e emendas nos pontos exatos do áudio e das imagens e acrescentamos os efeitos (câmera lenta, ou rápida, fusão e etc).
13

Do francês découper, ato de recortar. (WATTS, Harris. On camera: o curso de produção de vídeo e filme da BBC. São Paulo: Summus, 1990.) Decupar a fita: assistir à fita inteira gravada e anotar a minutagem, isto é, em quais minutos estão as melhores cenas, as entrevistas. (PATERNOSTRO, Vera Iris. O texto na TV: manual de telejornalismo. São Paulo: Brasiliense, 1987).

O documentário estava quase pronto, na minha opinião, quando o professor Rodrigo Minelli apareceu na ilha e destacou algumas características que eu não havia percebido: todas as entrevistas haviam sido montadas sem nenhum ruído, quase como se os entrevistados estivessem num estúdio. Tudo bem se fosse uma reportagem para TV, mas no caso deste documentário ficou muito estranho, artificial. Perdia exatamente o caráter natural das entrevistas. A solução foi colocar sons de fundo (músicas e o som ambiente). Desde o início, este vídeo buscou ter uma identidade própria, para além do documentário tradicional e diferente das reportagem televisivas. Para tanto, fiz algumas escolhas e assumi alguns riscos. A maneira como as cenas foram ordenadas e como o som foi montado, a não interferência em certos momentos (que pareçam estar muito escuros ou com uma carga informativa pouco definida), certos trechos das entrevistas que não permitem compreensão total, todas estas decisões foram tomadas em prol de uma identidade do vídeo.

Enfim, o final As pessoas me perguntam se eu gostei do resultado do meu projeto. Após toda essa

reflexão sobre como foi e por onde passei para chegar até aqui, posso responder: Sim, eu gostei do resultado. Não é preciso nem dizer que o que resultou, está a quilômetros da idéia inicial. Ainda bem; documentários se fazem quase que sozinhos, digo, é impossível prever o que vai acontecer quando você começa a gravar. Eu parti para uma busca e gostei do que encontrei, mesmo sendo diferente do que imaginei. Talvez por isso. Y-ATÁ-OBÁ não é para mim só o vídeo. É todo o processo desde sua concepção, até estas últimas linhas. Foi um grande aprendizado, em todas as áreas: pesquisa, apuração, pauta, trabalho em grupo, linguagem cinematográfica e de vídeo e, é claro, para a vida. Sobre o documentário, acredito que seja um bom começo. Nele estão plantadas as primeiras sementes de uma busca que espero nunca terminar: a busca pelo outro, sua fala, sua expressão e representação na mídia. É claro que o vídeo tem suas falhas e deficiências, porém é o que fui capaz de fazer com os instrumentos que tenho a mão no momento. Gostaria de acreditar que o tempo não faz só bons vinhos. Resumindo: é fazendo que se aprende. Espero ter em minhas minúcias conseguido ao menos esboçar o caminho que segui para realizar este documentário. Desde o começo, busquei ter no projeto experimental a possibilidade de experimentar. YATA-OBÁ proporcionou-me a oportunidade de exercitar não só meus conhecimentos em jornalismo, como também em ciências sociais e até cinema.

Se na literatura, no final das contas o autor acaba se escrevendo em seus textos, não há como negar que neste vídeo há muito de mim. Não só as dores nas costas e as noites "perdidas", mas o desejo de fazer do jornalismo uma prática social. Grafia sonora (Crônica de um documentário) Por que de tantos assuntos possíveis eu quis fazer justo sobre congado? Tenho aquelas respostas prontas e de fácil compreensão, que satisfazem aos outros, mas não a mim. Afinal, por que um documentário sobre congado? Bem, na verdade, a culpa é do meu pai. Como assim? Lá na terra dele, Itapecerica, tem o Reinado. Quando eu estava lá pelo quarto período e cismei que faria um vídeo ele logo disparou, "Faz sobre o Reinado.". Só que Itapecerica é longe e eu não tinha dinheiro para ficar viajando, então arquivei a idéia. Mas acabei fazendo sobre o Reinado mesmo, porque quando estava lá em Ouro Preto e aquele monte de congadeiros passou na minha frente fazendo um barulhão, não teve outro jeito. O coração disparou, os olhos marejaram e um arrepio subiu pela minha espinha. Já estava decidido. Engraçado, não me lembro de como é o Reinado lá em Itapecerica. Nada, nenhuma imagem. Perguntei para o meu pai hoje, o que ele acha do congado e como eu reagia. Meu pai simplesmente gosta, tá no sangue. "E você ficava pulando sem parar." Minha memória do Reinado é puramente sonora, quando escuto a batida, o coração acompanha. Só me lembro mesmo é das maçãs-do-amor, que fiz questão de comprar nas barraquinhas no dia do levantamento dos mastros no Jatobá... Fazia anos que eu não comia uma. Nem sei quantos... O meu vídeo é barulhento. É impressionante como a vibração da percussão marca a gente. Vibra o chão, vibram os tímpanos e os gráficos dos canais de áudio da ilha de edição viram quase um borrão. É isso. O congado pra mim era um borrão barulhento com gosto de maçã-do-amor. Foi por isso que eu fiz este documentário. Entendeu?

ANEXOS CRONOGRAMA DE ATIVIDADES
Junho Julho Agosto Atividades Meses Pré-produção e X X Pesquisas Produção X X X Gravações X X Finalização (Edição e cópias) Apresentação na UFMG Setembro Outubro Novembro Dezembro

X

X X

ORÇAMENTO Descrição 3 fitas minidv 10 fitas vhs de 20 minutos 1 fita betacam de 1 hora 10 caixas para fitas vhs Transporte 5 filmes asa 400 - 36 poses Revelação dos filmes 1 MD 1 Cd regravável Digitalização do MD 10 capas para fitas vhs (impressão digital) TOTAL

Valor (em Reais) 126,00 22,00 68,00 15,00 80,00 25,00 70,00 10,00 3,00 15,00 15,50 449,50

Cronograma 1ª fase: 23 a 26 de julho 2ª fase: 26 e 27 de agosto Plano de gravação: Dia 23, a partir das 14 horas: entrevista com a Guarda de Moçambique e planos gerais. Dia 24, a partir das 14 horas: entrevista Dom D. Maria, matriarca da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá. A partir das 17 horas: entrevista com Flávio. Dia 25, a partir das 15 horas: Entrevista com João Lopes, Capitão-mor. Dia 26, a partir das 15 horas: planos detalhes e conjuntos do que estiver faltando. Obs.: Todos os dias, além das entrevistas, serão gravados também os outros planos (detalhes, conjunto, geral), que cobriram os trechos de off. ROTEIRO - "Primeira idéia"(Pode mudar durante a edição) Abertura com imagem de Nossa Senhora do Rosário no altar • Entrevista 1 (Davidson, 6 anos, dançante do Moçambique) voz em off; Davidson dançando no Moçambique, batendo caixa com

as meninas, conversando com o avô dele e cantando pra câmera Imagens do cotidiano (cortando couro, fazendo rosário, catando bolinhas, roupas no varal, pessoas sentadas na cruz) Entrevista 2 (Integrantes do Moçambique) • Daniel - Imagem da entrevista (rápido), dele segurando o estandarte, do mastro subindo, dançando no Moçambique e do Moçambique dançando no Domingo. • Tiago - Fazendo colar, dançando no Moçambique, fogos de artifício Imagens do cotidiano • Entrevista 3 (D. Maria, 96 anos) Cenas da casa dela (sala), do altar da casa dela, e imagens da D. Maria na Festa (voz em off) • Entrevista 4 (João Lopes, 68 anos, Capitão-mor) Cenas do cotidiano, do quarto do capitão, da festa com off Imagens da festa, cenas abertas e planos detalhe. Termina com a Imagem de Nossa Senhora do Rosário, abrindo pro altar enfeitado.

Seq.

Descrição

Fita

Time code entrada saída 22'54" 23'04" 4'19" 13'30" 4'23" 13'58"

Duração

Observações Entrada

Áudio saída

1 2 3

Imagem de Nossa 1 Senhora do Rosário no altar Davidson dançando no 3 Moçambique Davidson batendo 1 caixa com as meninas Davidson conversando com o avô dele Davidson cantando Imagens de pessoas sentadas na cruz Imagens das roupas no varal Daniel e Thiago Daniel dançando no Moçambique Daniel dançando no Moçambique (de costas) O Moçambique dançando domingo Monta e sobe o mastro Os mastros Daniel segura o estandarte no sábado Pessoas com velas Tiago fazendo colar Tiago dançando no Moçambique Plano aberto do altar Fotos D. Maria 1 1 1 2 1 3 2 3 2 2 2 2 1 3 1 2 1

10" 4" 28"

Música Voz em direto Voz em direto Off e som 1" Off e som 7" 3'00" 12343'05" 6'04" 6'08" 6'12" 3'02" 1-3'11" 2- 6'06" 3- 6'09" 4- 6'19"

4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

16'29" 5'46" 1'18" 15'19" 7'26" 05"15" 57'10" 7'50" 42'59" 37'04" 40'40" 39'12" 2'32" 5'03"

17'00" 6'01" 1'23" 15'32" 7'30" 05'23" 57'20" 8'11" 43'30" 37'20" 40'54" 39'35" 2'45" 5'14"

31" 15" 5" 13" 4" 8" 10" 21" 31" 16" 14" 23" 13" 11" 6'' 18'' 12''

Som direto Som direto Música Música Som direto Voz em off Voz em off Voz em off Voz em off Voz em off Voz em off Voz em off Voz em off Voz em off Música Música Som direto 10'28" 11'06" 9'28" 9'05" 9'10" 9'51" 9'07" 9'20'' 9'03" 8'26"

23'46'' 23'52'' 26'00'' 26'18'' 24'31'' 24'43''

21

22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38

Detalhe do altar com coroas e foto do cap. Virgulino (Não foi utilizada devido à qualidade da gravação) D. Maria acende velas no altar Altar da D. Maria (pan) Altar da D. Maria (detalhe) Altar da D. Maria (detalhe) Altar da D. Maria (detalhe) Sala da D. Maria (detalhe) D. Maria beijando o estandarte D. Maria dançando perto do mastro João Lopes e Apolinário cortando couro Detalhe da mão de João Lopes fazendo rosário João Lopes fazendo rosário João Lopes no quarto olhando para os lados João Lopes Altar do João Lopes Bastões Rosários no quarto do João Lopes Tambores no quarto do

1

22'20'' 22'30''

10''

Voz em off

24'44''

24'58''

2 2 2 2 2 2 2 2 2 1 1 2 2 2 2 2 2

11'58'' 12'06'' 12'17'' 12'22'' 12'23'' 12'28'' 12'29'' 12'33'' 12'34'' 12'38'' 12'39'' 12'51'' 44'14'' 47'05'' 12'07'' 12'47'' 2'06'' 2'17'' 2'16'' 2'27''

08'' 5'' 5'' 4'' 4'' 12''

Voz em off Voz em off Voz em off Voz em off Voz em off Voz em off Voz em off

25'16'' 26'19'' 26'39'' 27'47'' 30'28'' 54'59''

26'09'' 26'27'' 26'58'' 28'20'' 30'52''

55'32'' 59'12'' 59'36''

3'31'' 40'' 10'' 10'' 15'' 44'' 4'' 5'' 14'' 5''

Voz em off Música Música Música Voz em off Som Voz Voz Voz direto em off em off em off

16'33'' 16'48'' 19'02'' 25'59'' 26'18'' 25'11'' 19'46'' 26'04'' 26'23'' 25'25''

17'16'' 19'54''

17'41''

24'59'' 25'04''

Voz em off

20'41''

39 40 41 42 43 44 45 46

João Lopes Campanhas sob os tambores João Lopes com as sementes João Lopes e a corte João Lopes e o Moçambique Congo Masculino entra Congo feminino entra campanhas Altar enfeitado

2 2 3 3 3 3 3 1

25'13'' 25'18'' 15'09'' 15'51'' 3'05'' 6'47'' 4'01'' 7'43''

5'' 42'' 1'00'' 56''

Voz em off Voz em off Voz em off Voz em off Som direto Som direto Som direto Música (Imagem de trás pra frente)

20'55'

22'55"

BIBLIOGRAFIA AUMONT, Jacques. A imagem. Campinas: Papirus, 1995. BARTOLOMEU, Anna Karina. O documentário e do filme de ficção: relativizando as Fronteiras. Belo Horizonte: EBA/UFMG, 1997. (Dissertação). BERNADET, Jean-Claude. Cineastas e imagens do povo. São Paulo: Brasiliense, 1985. CARRIÈRE, Jean-Claude. Prática do roteiro cinematográfico. São Paulo: JNS, 1996. COSTA, Flávia Cesarino. O primeiro cinema: espetáculo, narração, domesticação. São Paulo: Scritta, 1995. DA-RIN, Sílvio Pirôpo. Espelho partido: tradição e transformação do documentário cinematográfico. Rio de Janeiro: UFRJ, 1995. (Dissertação). FIELD, Syd. Manual do roteiro. 3ª edição. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995. GOMES, Núbia Pereira Magalhães & PEREIRA, Edmilson de Almeida. Negras raízes: os Arturos. Juiz de Fora, Ministério da Cultura, /EDUFJF, 1988. GOMES, Núbia Pereira Magalhães & PEREIRA, Edmilson de Almeida. Arturos: olhos do Rosário. Belo Horizonte: Mazza, 1990. LUCAS, Glaura. Os sons do Rosário: um estudo etnomusicológico do congado mineiro Arturos e Jatobá. São Paulo: ECA/USP, 1999.(Dissertação). MACHADO, Arlindo. A arte do vídeo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1990. MARTIN-BARBERO, Jesús. Os Métodos: dos meios às mediações. In: Os meios e as mediações: Comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro: UFRJ, 1997. MARTINS, Leda Maria. Afrografias da memória: o reinado do rosário no Jatobá. São Paulo: Perspectiva, 1997. PATERNOSTRO, Vera Iris. O texto na TV: manual de telejornalismo. São Paulo: Brasiliense, 1987. SQUIRRA, Sebastião Carlos de M. Aprender telejornalismo: produção e técnica. São Paulo: Brasiliense, 1995 YORKE, Ivor. Jornalismo Diante das Câmeras. São Paulo: Summus, 1998. WATTS, Harris. On camera: o curso de produção de vídeo e filme da BBC. São Paulo: Summus, 1990. PASSEK, Jean-Loup. (Org.) Dictionnaire du Cinéma. Paris: Larousse, 1995. Revistas: Projeto História - Revista do programa de estudos pós-graduados em história e do departamento de História. São Paulo, n. 15, abril, 97. PUC-SP. Revista de Cultura - Petrópolis, n. 6, 1978, ano 72. Vozes. p. 05 - 13. GILL, Anne-Marie. Recent Documentary Filmmaking in Brazil. http://www.city.yagamata.jp/yidff/ff/box/en/ VIDEOGRAFIA A pessoa é para o que nasce (Roberto Berliner) 6' - 1998 - RJ. Aruanda (Linduarte Noronha) 1960 - João Pessoa/PB. Comunidade negra e pobre do sertão da Paraíba vive do artesanato com argila. Borracha para panela de pressão (Tibico Brasil, Glauber Filho) 8'50". - 1994 - CE. Documentário que retrata as dificuldades enfrentadas pelos camelôs nas ruas do centro de Fortaleza. Buena Vista Social Club (Win Wenders) 1h31' - 1999 - Alemanha. Inspirado no álbum do músico Ry Coorder, o documentário inclui a participação de músicos cubanos lendários como Ibrahin Ferrer, Rubén González e muitos outros.

Cine mambembe, o cinema descobre o Brasil (Laís Bodanzki e Luiz Bolognesi) 56' - 1999 SP. Do sul da Bahia aos confins da Amazônia, este documentário descobre um país que assiste ao cinema e se vê na tela pela primeira vez, às vésperas do século 21. Clones, bárbaros e replicantes (Kiko Goifman e Caco P. de Souza) 20' - 1992 - RJ/SP. Hip Hop São Paulo (Francisco César Filho)11' - 1990 - SP. Documentário em que a violência urbana de SP é vista através damúsica, da dança e dos grafites dos jovens negros integrantes do HIP HOP. Histórias de Avá - O povo invisível (Bernardo Palmeiro) 19' - 1998 - RJ. A história dos índios Avá-Canoeiro que estão ameaçados de extinção e narra o esforço na tentativa de preservar sua cultura. Ilha das Flores (Jorge Furtado) 1989 - RS. O trajeto do tomate até chegar à Ilha das Flores, onde os porcos tem preferência na cadeia alimentar que os homens, que não tem dinheiro nem dono. Moleque de rua (Márcio Ferrari) 10' - 1991 - SP. Documentário sobre a banda Moleque de Rua, da periferia de São Paulo, que inventa instrumentos e sonoridades em um diálogo permanente com a crise urbana. Nelson Sargento (Estevão Ciavatta Pantoja) 22 ' - 1997 - RJ. Retrato biográfico do sambista Nelson Sargento no Morro da Mangueira, Rio de janeiro. Nós que aqui estamos por vós esperamos (Marcelo Masagão) 73' - 1999 - SP. Documentário construído a partir de imagens de arquivo, selecionadas e editadas de forma bastante inventiva e não-linear, o filme discute com sutil humor a questão da morte. O Capeta Caribé (Agnaldo Siri Azevedo) 35' - 1996 - RJ. O filme é uma adaptação do livro "O Capeta Carybé" de Jorge Amado, mostrando toda a baianidade do artista e sua obra. Passante (Alexandra Lima e Landa Costa) 26' 1994 - Campinas. Documentário sobre as personagens das estradas brasileiras: andarilhos, caminhoneiros, prostitutas, moradores e etc. Segunda-feira (Geraldo Sarno) 12' - 1975 - RJ. Documentário sobre as feiras livres do nordeste, se significado e importância para a região. Simião Martiniano, o camelô do cinema (Clara Angélica e Hilton Lacerda) 14' -1998 - PE. A história do Sr. Martiniano, homem que divide seu tempo ente os ofícios de camelô e cineasta. Tereza (Kiko Goifman e Caco P. de Souza) 16' - 1992 - SP. Documentário sobre o tempo e o espaço no cotidiano da prisão. Terra da Lua (Anna Karina, Claudia Mesquita, Tânia Caliani) 16' - 1992 - MG. Documentário que apresenta uma radiografia da cultura rural neste fim de século, através da fala de 2 famílias da comunidade do Estouro, Zona da Mata mineira. Uakti, oficina instrumental (Rafael Conde) 12' - 1987 - MG. Documentário sobre o grupo musical Uakti, que cria seus próprios instrumentos a partir de materiais comuns como tubos de PVC, vidro e cabaças, recriando os sons da natureza em estado puro. Walter Franco Muito Tudo (Isabel Bechara e Sandro Serpa) 25' - 2000 - MG/SP . Documentário poético, ou um vídeo-poema-documento, o vídeo propõe uma aproximação com o universo poético do músico, misturando vozes, paisagens sonoras e imagéticas e intervenções de diversos artistas de grande importância na cena musical e poética brasileira.

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